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Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar o WDM (Wavelength Division


Multiplexing), tratar de sua definição e de suas características. O WDM é uma
tecnologia utilizada para a multiplexação de dados e consiste em reunir, numa
mesma fibra, vários sinais de luz com comprimentos de onda diferentes. No
receptor, os sinais são novamente separados.

Apresentaremos ainda o WDMA (Wavelength Division Multiple Access), que é


um protocolo de múltiplo acesso, além de outras tecnologias de multiplexação
baseadas no WDM, entre elas o DWDM (Wavelength Division Multiplexing) e o
CWDM (Coarse Wavelength Division Multiplexing). Essas tecnologias, apesar de
apresentarem o mesmo princípio, apresentam diferenças em algumas
características, como, por exemplo, na capacidade de transmissão de dados e
no espaçamento entre canais.
1. Introdução

A fibra óptica foi inventada em 1952, por um físico indiano chamado Narinder
Singh Kanpany. Desde então, a fibra óptica passou por uma série de evoluções
e hoje em dia, é utilizada em diversas áreas: na medicina, em equipamentos e,
principalmente, em telecomunicações.

Na área das telecomunicações, a fibra óptica representa um excelente meio


para o tráfego de dados como, por exemplo, voz e televisão, entre muitas
outras aplicações. Se comparadas com fios metálicos, as fibras ópticas
apresentam inúmeras vantagens, como, por exemplo, imunidade a interferência
elétrica e baixa perda de transmissão. No entanto, o custo de um processo de
cabeamento óptico ainda é muito alto. Isso faz com que seja preferível a
utilização de cabos metálicos.

A tecnologia óptica tem se desenvolvido bastante e a procura por novas


tecnologias é crescente. Além disso, temos o desenvolvimento de aplicações
que exigem altas taxas de transferência, tais como a transmissão de áudio e
vídeo. Para aumentar a capacidade de transmissão de dados, poderíamos
instalar mais cabos nas redes. Isso seria uma maneira de aliviar o esgotamento
dos recursos da fibra. No entanto, envolveria alto custo e considerável tempo
de construção, tornando-a impraticável na maioria dos casos.

Uma outra maneira de aumentar a taxa de transferência seria aumentar a taxa


de bits usando o TDM (Time Division Multiplexing). O TDM é um método de
combinação de várias informações independentes em uma única informação,
para que a capacidade do meio seja aumentada. Essa combinação é feita pela
junção dos sinais de acordo com uma seqüência definida. Ao chegar no
receptor, cada informação independente é separada, baseando-se na seqüência
e no tempo. Com isso, mais bits (dados) podem ser transmitidos por segundo.
No entanto, utilizando TDM, podemos ter degradação do sinal devido à
dispersão e a efeitos não lineares.
Figura 1 - Princípio do TDM

Uma terceira escolha para aumentar a banda seria o WDM (Wavelength Division
Multiplexing) que é uma tecnologia de multiplexação por divisão de
comprimentos de onda. Isso iria aumentar a capacidade da fibra já implantada,
além de se tornar possível a integração entre a atual e a próxima geração de
tecnologias.

2. WDM

2.1. Definição

Objetivando se tornar mais eficiente o uso de fibras ópticas, por volta de 1990,
foi desenvolvida a tecnologia WDM (Wavelength Division Multiplexing). Esta
tecnologia consiste em juntar numa mesma fibra vários sinais de luz, de cores
(comprimentos de onda) diferentes, cada um gerado por um laser separado. No
receptor, os sinais de cores diferentes são novamente separados.
Figura2 - Princípio do WDM

Essa técnica de multiplexação é realizada com o objetivo de aumentar a


capacidade de transmissão e como conseqüência, usar a largura de banda da
fibra óptica mais adequadamente. No entanto, nos sistemas WDM, esse objetivo
ainda não é alcançado completamente, pois é possível a multiplexação de
poucos comprimentos de onda.

2.2. Características

As tecnologias WDM oferecem suporte a projetos de alta performance, tais


como: ensino à distância, laboratórios remotos, telemedicina, computação em
grade, ambientes colaborativos. O WDM utiliza paralelamente tecnologias de
rede como Multicast, Engenharia de Tráfego (Traffic Engineering), QoS (Quality
of Service), entre outras, oferecendo um serviço de qualidade, com novas
tecnologias e alta capacidade de comunicação.

Os sinais a serem transmitidos nos diferentes comprimentos de onda podem


possuir formatos e taxas de bit diferentes, o que promove uma maior
transparência aos sistemas de transporte. Cada sinal pode ser formado por
fontes de dados (texto, voz, vídeo, etc.) diferentes e é transmitido dentro de
seu próprio comprimento de onda. Assim, o WDM carrega os sinais de maneira
independente uns dos outros, significando que cada canal possui sua própria
banda dedicada.
A grande vantagem associada ao WDM é a possibilidade de se modular o
aumento da capacidade de transmissão conforme o mercado e de acordo com a
necessidade de tráfego. A principal razão para a utilização destes sistemas é o
baixo custo. Estes sistemas possibilitam o alcance de uma melhor relação entre
custos e bits transmitidos, sob determinadas condições. Algumas análises
mostram que, para distâncias menores que 50Km, a solução de multi-fibra é
menos dispendiosa e para distâncias maiores que este valor, o custo da solução
WDM é melhor.

Os sistemas WDM possuem algumas características básicas, apresentadas a


seguir:

 Flexibilidade de capacidade: migrações de 622 Mbps para 2,5 Gbps e, a seguir


para 10 Gbps poderão ser realizadas sem a necessidade de se trocar os
amplificadores e multiplexadores WDM. Desta maneira, é possível se preservar
os investimentos realizados;
 Transparência a sinais transmitidos: podem transmitir uma grande variedade de
sinais de maneira transparente. Como não há o envolvimento de processos
elétricos, diferentes taxas de transmissão e sinais poderão ser multiplexados e
transmitidos para o outro lado do sistema, sem a necessidade de uma conversão
ópto-elétrica;
 Permite crescimento gradual de capacidade: um sistema WDM pode ser
planejado para 16 canais, podendo ter sua operação iniciada com um número
menor de canais. A introdução de mais canais no sistema pode ser feita
simplesmente adicionando novos equipamentos terminais;
 Reutilização dos equipamentos terminais e da fibra: permite o crescimento da
capacidade, mantendo os mesmos equipamentos terminais e a mesma fibra;
 Atendimento de demanda inesperada: geralmente, o tráfego aumenta mais
rapidamente que o esperado e, neste caso, alguns sistemas podem não possuir
uma infra-estrutura disponível para suportá-lo. Os sistemas WDM podem
solucionar este problema, economizando tempo na expansão da rede.

Serão citadas algumas situações que favorecem a utilização de WDM:

 Casos onde a rede apresenta longas distâncias, especialmente redes ponto-a-


ponto e em cadeia;
 Situações onde o aumento da capacidade requer a instalação de novos cabos e
principalmente se não há espaço para novos cabos na infra-estrutura existente;
 Casos em que o aumento de capacidade deve ser alcançado em curtos períodos
de tempo.

É muito comum comparar os sistemas TDM e WDM, coma finalidade de se


encontrar a melhor solução. Após serem realizados alguns testes, chegou-se às
seguintes conclusões:

 Em aplicações de distâncias pequenas, onde regeneradores e amplificadores não


são utilizados, um sistema TDM é a solução mais viável;
 Em aplicações de longas distâncias, o sistema WDM se torna mais barato, pois
um mesmo regenerador óptico é utilizado para um grupo de canais, o que reduz
o número de regeneradores e fibras utilizados;
 Em aplicações entre 120 e 300 Km, a melhor solução é variável, dependendo do
caso e também dos custos de implementação.

Foi visto que o WDM pode ser introduzido em sistemas já existentes de forma a
ampliar a capacidade de transmissão destes sistemas. Para garantir uma
perfeita integração entre um sistema antigo e o WDM, é necessário tomar as
seguintes providências:

 Ter uma noção geral do tráfego que é transmitido pela rota, definindo seu
formato e taxas de transferência, considerando que a existência de tráfego
analógico também deve ser examinada;
 Ter uma visão da infra-estrutura existente, o tipo de cabo óptico utilizado,
comprimentos dos enlaces e pontos de regeneração;
 Definir a capacidade final de transferência do sistema;
 Ter uma noção das interfaces ópticas disponíveis nos terminais;
 Definir se é necessário o uso de equipamentos adicionais, como, por exemplo,
transponders, módulos de compensação. Definir a quantidade necessária de
regeneradores;
 Migração do tráfego para novos sistemas após a instalação dos mesmos. A
instalação causa uma interrupção do tráfego, por um tempo indeterminado.

3. CWDM

3.1.Definição

O CWDM (Coarse WDM ou WDM Esparso) é uma tecnlogia WDM de baixa


densidade e seu princípio de funcionamento é o mesmo do WDM. Nesta técnica,
a informação é agrupada em até 16 canais entre os comprimentos de onda de
1310 nm e 1610 nm, onde a distância entre os canais é de 20 nm (3000 GHz).

Esse sistema exige menos controle do comprimento de onda e possui elevada


qualidade de serviço. Além disso, essa tecnologia utiliza lasers como
transmissores e é desnecessária a presença de amplificadores ópticos. Isso faz
com que seja preferível o uso do CWDM em redes metro, devido a seu custo
acessível.

Outra característica dos sistemas CWDM é que estes possuem flexibilidade


suficiente para serem empregados em conexões ponto-a-ponto. Também
suportam tráfego Ethernet e interconexão de SANs (Storage Area Networks). A
taxa de transmissão suportada é de 1.25 Gb/s, cobrindo distâncias de até 40
km. Além disso, oferece suporte para taxas de 2.5 Gb/s, cobrindo distâncias de
até 80 km.

Banda Óptica
Atualmente as bandas de freqüência óptica mais utilizadas em sistemas CWDM
são:

 O - Band (Original Band) - vai de 1260 nm a 1360 nm;


 E - Band (Extended Band) - está na faixa de 1360 nm a 1460 nm;
 C - Band (Conventional Band) - vai de 1530 nm a 1570 nm.

4. DWDM

4.1. Definição

O DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing - multiplexação densa por


comprimento de onda) é uma tecnologia WDM. Segundo a ITU (International
Telecommunications Union), os sistemas DWDM podem combinar até 64 canais
em uma única fibra. No entanto, podemos encontrar, na prática, sistemas
DWDM que podem multiplexar até 128 comprimentos de onda. Além disso,
foram realizados alguns testes que provaram ser possível a multiplexação de
até 206 canais.

O espaçamento entre os canais pode ser de 200 GHz (1.6 nm), 100 GHz (0,8
nm), 50 GHz (0,4 nm), podendo chegar a 25 GHz (0,2 nm). Os sistemas DWDM
utilizam comprimentos de onda entre aproximadamente 1500 nm e 1600 nm e
apresentam alta capacidade de transmissão por canal, 10 Gbps, podendo
alcançar 1Tbps na transmissão de dados sobre uma fibra óptica.

Figura 3 - Princípio do DWDM

Um sistema DWDM capaz de multiplexar 40 comprimentos de onda a 10 Gb/s


por canal, possui uma banda total de 400 Gb/s, o que é suficiente para
transportar em uma única fibra o conteúdo equivalente a mais que 1100
volumes de uma enciclopédia em 1s. Sistemas DWDM com 40 Gb/s por
comprimento de onda já são realizáveis, e a tendência é aumentar
continuamente tanto a densidade de canais multiplexados quanto a taxa de bits
por canal.

O DWDM é a chave tecnológica para integração das redes de dados, voz e


imagem de altíssima capacidade. Além de ampliar exponencialmente a
capacidade disponível na fibra, o DWDM possui a vantagem de não necessitar
de equipamentos finais para ser implementado. E ainda, esta técnica de
multiplexação obedece ao padrão de fibra G.652 (monomodo) que é utilizado
na maioria dos backbones de fibra óptica.

Atualmente, o DWDM é utilizado principalmente em ligações ponto-a-ponto.


Nessa tecnologia, é possível que cada sinal transmitido esteja em taxas ou
formatos diferentes. Desta forma, a capacidade de transmissão de sistemas
DWDM podem ser ampliadas consideravelmente e de maneira relativamente
fácil. E ainda é capaz de manter o mesmo grau de desempenho, confiabilidade
e robustez do sistema.

4.2. Link DWDM

Nas redes ópticas emprega-se a utilização de um link DWDM ponto-a-ponto.


Neste sistema, emissores de luz lançam feixes de luz na entrada do
multiplexador óptico. Este mux irá combinar os diferentes comprimentos de
onda em um único caminho, sendo então acoplados em uma fibra monomodo.
No final do link, os canais ópticos são separados pelo demultiplexador óptico e
levados para os diferentes receptores. Para links de transmissão que possuem
longas distâncias, é preciso que os sinais sejam amplificados. Para isso, utiliza-
se um amplificador óptico.

Figura 4 - Enlace DWDM Ponto-a-ponto

4.2.1. Componentes
A) Fibras Ópticas

Uma fibra óptica é um fio fino feito de materiais como sílica, silicone, vidro,
nylon ou plástico. Esses materiais são dielétricos (isolantes elétricos), além de
serem cristalinos e homogêneos, o que os tornam suficientemente
transparentes para guiar um feixe de luz (visível ou infra-vermelho) através de
um determinado trajeto. Assim, a luz aplicada a uma das extremidades
percorre a fibra até sair pela outra extremidade, podendo este percurso atingir
centenas de quilômetros sem a necessidade de que o sinal seja regenerado. A
estrutura básica das fibras ópticas consiste em um conjunto de cilindros
concêntricos, cada um com uma determinada espessura e determinado índice
de refração, de forma que possibilitem o fenômeno da reflexão interna total.

Figura 5 - Estrutura de uma Fibra Óptica Figura 6 - Fenômeno da Reflexão na Fibra Óptica

Num sistema DWDM, geralmente utiliza-se fibras monomodo (SMF - Single


Mode Fiber). A construção desse tipo de fibra é realizada de tal forma que
apenas o modo fundamental de distribuição eletromagnética é guiado. Assim,
evita-se os diversos caminhos de propagação da luz no interior do núcleo e,
conseqüentemente, a dispersão do impulso luminoso é reduzida. Para isso, o
diâmetro do núcleo da fibra deve ser poucas vezes maior que o comprimento de
onda da luz utilizada para a transmissão. Normalmente, encontramos as
seguintes dimensões: 2 a 10 micrômetros para o núcleo e 80 a 125
micrômetros para a casca. Os materiais mais utilizados para a fabricação desta
fibra são sílica e sílica dopada.

Figura 7- Fibra Monomodo

A seguir, é apresentado um gráfico indicando a variação da atenuação do sinal


na fibra, quando variamos o comprimento de onda, para o padrão de fibra
monomodo G.652. Analisando esse gráfico, vemos que podemos utilizar uma
faixa de comprimentos de onda entre 1280nm e 1650nm. O limite inferior dessa
faixa de comprimento de onda assume esse valor devido ao diâmetro do núcleo
da fibra monomodo. Já o limite superior dessa faixa é explicado pelo fato de
que, para um valor acima deste limite, a atenuação aumenta rapidamente.
Figura 8 - Gráfico Atenuação X Comprimento de onda para Padrões G.652

Na transmissão por fibras óticas, buscamos baixas atenuações de sinal. Por


isso, utiliza-se regiões específicas do espectro óptico, que recebem o nome de
janelas óticas. Os primeiros sistemas DWDM foram projetados para operar na
primeira janela óptica, próximo a 850 nm. Nessa janela, a atenuação é de cerca
de 0.8 dB/km. Em torno de 1310 nm, temos a segunda janela (banda O), onde
temos uma atenuação menor que na primeira janela, próximo de 0.3 dB/km
que possui uma em 1310 nm. Temos ainda uma terceira janela (banda S), em
torno de 1550 nm, que apresenta uma perda menor que 0.3 dB/km, e uma
quarta janela, por volta de 1625 nm, que também apresenta uma pequena
atenuação.

A capacidade de transmissão ou banda passante da fibra monomodo é


aproximadamente de 50 THz. Somente uma pequena fração dessa capacidade
vem sendo utilizada. Um sinal de 2,5 Gb/s, por exemplo, usa apenas 0,005%,
ao passo que um sinal de 10 Gb/s utiliza 0,02%. Utilizando uma tecnologia de
multiplexação WDM, pode-se aproveitar ainda mais a banda passante oferecida
pela fibra monomodo.

Banda Óptica

Atualmente as bandas de freqüência óptica mais utilizadas em sistemas DWDM


são:

 S - Band (Short Band) - vai de 1450 nm a 1500 nm.


 C - Band (Conventional Band) - vai de 1530 nm a 1570 nm;

 L - Band (Long Band) - está na faixa de 1570 nm a 1625 nm;

B) Emissores e Detectores de Luz

Emissores de luz

Um sistema DWDM impõe altas exigências a seus componentes, principalmente


com relação ao comprimento de onda do feixe de luz fornecido pelas fontes. A
fonte utilzada no sistema é muito importante, pois suas características
geralmente atuam diretamente no desempenho final do link óptico. Assim,
esses dispositivos precisam ser compactos, e devem emitir feixes de luz
monocromática, estável, e de longa duração.

Para a emissão dos sinais de luz numa transmissão óptica, podemos utilizar
dois tipos de fontes: os diodos emissores de luz (LEDs - Light Emitting Diodes)
e os lasers semicondutores. Os LEDs são dispositivos lentos em relação aos
lasers, além de serem adequados para a utilização em taxas menores que 1
Gb/s. E ainda, possuem um espectro largo, e são freqüentemente usados em
comunicações com fibras multimodo. Já os lasers semicondutores possuem
características adequadas às aplicações com fibras monomodo. Além disso, os
lasers são capazer de emitir feixes de luz com comprimento de onda preciso,
largura de espectro limitada e potência suficiente.

O custo dos lasers em relação aos LEDs é maior,


mas é amplamente empregado em enlaces
DWDM, já que atendem a maior parte das
exigências dessa tecnologia, que exige ainda o
controle da mudança da freqüência no tempo. No
entanto, os lasers não satisfazem esse requisito,
que pode ser afetado pelo meio utilizado para a
modulação do sinal.

Os lasers semicondutores mais usados são os


lasers Fabry-Perot e os lasers DFB (Distribuited
FeedBack). Os lasers DFB são os mais adequados
às aplicações DWDM, já que emite feixes de luz
bem semelhante à luz monocromática e permite
Figura 9 - Laser DFB Anritsu para altas velocidades de transmissão, além de possuir
Sistemas DWDM uma relação sinal-ruído favorável e apresentar
maior linearidade. Esses lasers podem operar em
torno de 1310 nm e na faixa de 1520 nm a 1565
nm, que apresenta compatibilidade com os
amplificadores EDFAs.

Detectores de luz
Num sistema de transmissão de dados por fibra óptica, o receptor consiste em
um fotodiodo ou fotodetector, que é um dispositivo que emite um pulso elétrico
ao ser atingido pela luz. Normalmente, o tempo de resposta de um fotodiodo
corresponde a 1 ns, fator que limita as taxas de transmissão em 1 Gb/s. Outro
fator importante é o ruído térmico. Para ser detectado, um pulso de luz precisa
conduzir energia suficiente. Se o sinal transmitido possuir potência suficiente, a
taxa de erros pode se tornar pequena o bastante, de forma que não afete a
transmissão.

No caso de sistemas DWDM, é preciso que os sinais transmitidos sejam


recuperados em diferentes comprimentos de ondas sobre a fibra. Assim, os
sinais ópticos são separados (demultiplexados) antes de chegar no detector. Os
fotodetectores mais usados são o PIN (Positive-Intrinsic-Negative) e o APD
(Avalanche PhotoDiode). Os fotodiodos PIN apresentam certas vantagens, tais
como baixo custo e confiabilidade, enquanto os APDs demonstram maiores
sensibilidade e precisão e alto custo.

C) Multiplexadores e Demultiplexadores

Os sistemas DWDM necessitam de equipamentos capazes de combinar sinais


que provêm de várias fontes emissoras, para que sejam transmitidos por uma
única fibra. Assim, os multiplexadores convergem sinais de diversos
comprimentos de onda em um único feixe. Nos receptores, temos
equipamentos demultiplexadores, que possuem a função de separar o feixe
recebido em suas várias componentes de comprimento de onda. A estrutura
dos multiplexadores e demultiplexadores é basicamente a mesma, mas em um
enlace DWDM, são colocados em direções opostas.

Esses equipamentos podem ser classificados como passivos ou ativos. Se forem


passivos, são baseados na utilização de prismas, difração ou filtros. Se forem
ativos, se baseam na combinação de dispositivos passivos com filtros
sintonizados. Nestes dispositivos, é necessário minimizar a interferência entre
canais e maximizar a separação entre eles.

Existe um tipo especial de multiplexador denominado add/drop-multiplexer.


Este dispositivo, além de realizar a função de um multiplexador comum,
permite a remoção de um sinal e a inserção de um novo sinal, de mesmo
comprimento de onda, em um enlace de transmissão. Todos os outros
comprimentos de onda passam através do multiplexador add/drop com uma
pequena perda de potência (geralmente alguns dB). Isso facilita a evolução de
links ópticos DWDM ponto-a-ponto, pois nem todos os canais da transmissão
possuem a mesma origem e o mesmo destino.
Figura 10 - Optical Add/Drop Multiplexer

Técnicas de multiplexação e demultiplexação

Uma maneira simples de multiplexação ou demultiplexação da luz poderia ser


realizada utilizando-se um prisma. Como o feixe de luz policromática incide
paralelamente na superfície do prisma, durante a demultiplexação, cada
comprimento de onda é refratado diferentemente. Assim, cada comprimento de
onda é separado um do outro por um ângulo. Então, uma lente irá focalizar
cada feixe, de maneira que entrem adequadamente na fibra. Essa mesma
técnica pode ser feita para realizar a multiplexação de diferentes comprimentos
de onda dentro de uma única fibra.

Figura 11 - Multiplexação através de um Prisma

Figura 12 - Demultiplexação através de um Prisma

Uma outra técnica tem base nos princípios de difração e interferência óptica. Ao
incidir numa grade de refração, cada comprimento de onda que compõe o feixe
de luz policromática é difratado em diferentes ângulos e, assim, para pontos
diferentes no espaço. Para focalizar este feixes dentro de uma fibra, pode-se
usar lentes.

Figura 13 - Multiplexação através de Grades de Difração

Figura 14 - Demultiplexação através de Grades de Difração

As grades de guias de ondas (AWGs - Arrayed WaveGuide) são dispositivos que


também se baseam nos princípios da difração. O AWG, também é conhecido
como roteador óptico de guia de onda e consiste de uma matriz de canais
curvados com uma diferença fixa no caminho entre canais adjacentes. Os AWGs
são conectados àos terminais de entrada e saída. Ao incidir no terminal de
entrada, a luz é difratada e entra na matriz de guia de ondas. Nessa matriz a
diferença de comprimento óptico de cada guia de onda produz uma diferença de
fase no terminal de saída, quando acoplado uma matriz de fibras. Isso resulta
em diferentes comprimentos de onda possuindo máximos de interferência em
diferentes lugares, que correspondem às portas de saídas.

Figura 15 - Demultiplexação através da AWG

Tem-se ainda uma técnica que utiliza filtros de interferência em dispositivos


denominados filtros de filmes finos ou filtros de interferência de múltiplas
camadas. Essa técnica consiste em inserir filmes finos no caminho óptico, de
forma que os comprimentos de onda da luz policromática possam ser
separados. Cada filme colocado no caminho da luz deve transmitir um
comprimento de onda e refletir todos os outros. Colocando estes dispositivos
em cascata, muitos comprimentos de onda podem ser demultiplexados.

Figura 16 - Concepção dos Filtros de Filmes Finos

D) Amplificadores Ópticos

Em sistemas de transmissão de dados por fibras ópticas a longas distâncias, o


sinal transmitido precisa ser amplificado após percorrer uma certa extensão da
fibra. Pode-se utilizar um repetidor elétrico como amplificador. O repetidor irá
converter o sinal ótico em sinal elétrico através de um fotodiodo e irá amplificá-
lo, reconvertendo-o em sinal óptico.

No caso de sistemas DWDM, que se trata de um sistema multi-canal, temos que


cada canal requer, separadamente, uma conversão opto-elétrica, seguida da
amplificação e reconversão elétrica-ótica. Desta forma, para um sistema de n
canais, serão necessários n repetidores. Assim, é mais conveniente usar
amplificadores óticos.

Os amplificadores óticos são dispositivos que têm a finalidade de amplificar um


sinal fraco e distorcido, objetivando a regeneração desse sinal. Esse
equipamento realiza a amplificação no domínio ótico, ou seja, sem realizar a
conversão do sinal óptico em pulsos elétricos. Como os amplificadores óticos
operam apenas na faixa de banda específica do espectro de freqüência, a faixa
de freqüência para sistemas DWDM são muito dependentes desses
amplificadores. A amplificação ótica não depende da taxa de transmissão de
dados.

O amplificador óptico mais conhecido é o EDFA (Erbium-Doped Fiber Amplifier).


O érbio é um elemento que emite luz quando excitado. Esse amplificador,
recebe um sinal fraco e uma luz de comprimento de onda de 980 nm ou 1480
nm é injetada por um laser. Isso estimula os átomos do érbio a liberar a
energia armazenada como luz de 1550 nm. Este processo é contínuo através da
fibra e, por isso, o sinal aumenta fortemente. No entanto, as emissões
espontâneas no EDFA também adicionam ruído ao sinal transmitido.

Figura 17 - EDFA

5. Recomendações ITU-T

O comitê da ITU-T (International Telecommunications Union -


Telecommunication Standardization Sector) tem uma série de recomendações
relacionadas a comunicações por fibras ópticas, inclusive para sistemas DWDM
e CWDM. A seguir, temos uma lista com algumas dessas recomendações:

 ITU-T G.652 - sofreu útima revisão em março de 2003. Essa


recomendação trata-se das características de cabos e fibras monomodos,
descrevendo os atributos geométricos e mecânicos, bem como as
características de transmissão da fibra SMF com dispersão zero e
comprimento de onda em torno de 1310 nm. Esta fibra foi otimizada para
operar na região de 1310 nm, mas também pode ser utilizada na região
de 1550 nm. Essa é a mais recente revisão da recomendação criada em
1984.

 ITU-T G.653 - em dezembro de 2003 foi aprovada a quinta e mais


recente versão dessa recomendação, criada em 1988. Essa recomendação
descreve as características de fibras monomodo com dispersão zero e
comprimento de onda na região de 1550 nm.

 ITU-T G.655 - em março de 2003 foi aprovada a mais recente revisão


dessa recomendação criada em 1996. A ITU-T G.655 descreve as
características de uma fibra monomodo que possui um valor absoluto do
coeficiente de dispersão cromática melhor que o de outras fibras SMF, na
faixa de 1530 nm a 1565 nm. Para essa fibra, há a redução do
crescimento de efeitos não-lineares, particulares de sistemas DWDM.
 ITU-T G. 694.1 - aprovada em junho de 2002, essa recomendação fornece uma
tabela de freqüências para aplicações DWDM. Essa tabela sustenta um
espaçamento de 12.5 GHz a 100 GHz entre canais.

 ITU-T G.694.2 - a primeira versão foi aprovada em junho de 2002,


tendo uma versão mais atual aprovada em dezembro de 2003. Essa
recomendação fornece uma tabela de comprimentos de onda para
aplicações CWDM. Essa tabela suporta um espaçamento de 20 nm entre
os canais.

 ITU-T G.695 - aprovada pela ITU-T em fevereiro de 2004, essa


recomendação complementa a recomendação existente ITU-T G.694.2 e é
a mais recente das recomendações da série G. Além disso, trata de
interfaces ópticas para aplicações CWDM que suportam até 16 canais e
taxas de transmissões de até 2.5 Gb/s. As aplicações definidas usam dois
métodos diferentes: um com parâmetros de interface usando multicanal e
outro com parâmetros de interface usando um único canal. Nos dois
métodos são especificados aplicações unidirecionais e bidirecionais.

6. CWDM X DWDM

O CWDM e o DWDM, por serem tecnologias WDM, ambos apresentam o mesmo


princípio de funcionamento de combinar vários comprimentos de onda em uma
única fibra, de forma a aumentar sua capacidade. No entanto, existem algumas
diferenças básicas que serão apresentadas a seguir.

Características CWDM DWDM


Número de comprimentos de onda que
16 64
podem ser combinados em uma única fibra
1310 nm a 1610 1492.25 nm a
Faixa de comprimento de onda
nm 1611.79 nm
100 GHz (0.8
Espaçamento entre canais 20 nm
nm)
Bandas ópticas utilizadas O, E e C S, C e L
Redes Aplicações ponto-
Áreas de aplicações
Metropolitanas a-ponto
Densidade, devido ao espaçamento entre os
Baixa Alta
canais
 

Figura 18 - Faixa de Comprimento de Onda e Espaçamento entre Canais: CWDM X DWDM

Na tabela apresentada acima, vemos diferenças em algumas características das


tecnologias CWDM e DWDM. Além dessas diferenças, temos outras, que
também serão citadas. Os sistemas DWDM requerem que os lasers utilizados
possuam temperaturas estáveis, além de necessitarem de filtros de banda
estreita. Já os sistemas CWDM não necessitam que os lasers utilizados possuam
temperaturas estáveis e os filtros utilizados são de banda larga. Assim,
percebemos que a implementação de sistemas DWDM é mais complexa, se
comparado com o CWDM.

Geralmente, o DWDM é a melhor escolha para aplicações onde a densidade dos


canais ou a largura de banda são de maior prioridade. O CWDM, por sua vez, é
uma excelente opção onde os gastos devem ser considerados. Há uma
estimativa de que o emprego do CWDM pode economizar em até 30% dos
gastos se comparado com o DWDM.

7. Outras Tecnologias WDM

- WWDM

O WWDM (Wide Wavelength Division Multiplexing) utiliza a janela óptica em


1310 nm e possui um amplo espaçamento entre os canais multiplexados. O
WWDM permite a combinação de 4 comprimentos de onda em uma única fibra.
Além disso, é uma tecnologia muito versátil, pois suporta fibras multimodo para
distâncias curtas (300 m) e fibras monomodo para longas distâncias (10 km).

O Wide WDM é amplamente aplicado a LAN's (Local Area Networks - redes


locais). Além disso, é utilizado nas especificações 10GBase-LX4/LW4 do
protocolo 10 GE (10 Gigabit Ethernet), aprovado em março de 2001 pelo comitê
IEEE 802.3. Nestas especificações se usam duas fibras monomodos ou
multimodos com WWDM, no comprimento de onda de 1310 nm. Neste caso,
são multiplexados quatro comprimentos de onda em cada fibra, espaçados de
24.5 nm. A seguir, apresentamos alguns parâmetros desta especificação.

Meio Banda Modal (MHz.km) Distância máxima (m)

Fibra Multimodo 62,5 um 500 300

Fibra Multimodo 50 um 400 240

Fibra Multimodo 50 um 500 300

Fibra Monomodo N/A 10000

- UDWDM

O U-DWDM (Ultra - Dense Wavelength Division Multiplexing) é considerado


como o próximo estágio nas comunicações ópticas. Esta tecnologia combina
128 ou 256 comprimentos de onda em uma única fibra óptica, sendo que cada
comprimento de onda teria uma taxa de transmissão de 2.5 Gb/s, 10 Gb/s e
até 40 Gb/s. No U-DWDM os canais estão espaçados de 10 GHz, o que
corresponde a 0.08 nm.

Nos Laboratórios Bell, em Holmdel, New Jersey, conseguiu-se atingir uma


transmissão de 1022 comprimentos de onda em uma única fibra óptica,
utilizando-se U-DWDM. Nessa transmissão experimental, cada comprimento de
onda carregava informações distintas. Foi utilizado um único laser de alta
velocidade para gerar todos os sinais, ao invés de usar um laser para cada
comprimento de onda. como é feito nos sistemas WDM convencionais. Cada
canal carrega informações a uma taxa de 37 Mb/s, totalizando mais de 37 Gb/s.
Pesquisadores acreditam que esta taxa pode chegar a uma ordem de Tb/s.
Figura 21 - Pesquisadores do Bell Labs monitorando uma transmissão experimental de 1022
comprimentos de onda em uma única fibra óptica

8. WDMA

O WDMA (Wavelength Division Multiple Access) é um protocolo de acesso


múltiplo por divisão de comprimento de onda, pertencente à subcamada de
controle de acesso ao meio (MAC - Medium Access Control). Um protocolo de
acesso múltiplo é usado com a finalidade de alocação de canais de acesso
múltiplo. No caso do WDMA, cada canal é dividido em sub-canais, utilizando-se
métodos de multiplexação como o FDM (Frequency Divison Multiplexing), TDM
(Time Division Multiplexing) e WDM (Wavelength Divison Multiplexing). Esses
subcanais são então alocados dinamicamente, conforme as necessidades. Esse
método é muito utilizado em LANs (Local Area Networks - redes locais) de fibra
óptica para que se possam realizar transmissões diferentes utilizando
comprimentos de onda (freqüências) distintos ao mesmo tempo.
Figura 19 - Multiplexação por Divisão de Freqüência: (a) Larguras de bandas originais; (b)
Larguras de banda aumentam de freqüência; (c) Canal multiplexado.

Para possibilitar a realização de várias transmissões ao mesmo tempo, o


espectro do sinal é dividido em canais, ou seja, bandas de comprimento de
onda, conforme a Figura 19. Nesse protocolo, cada estação pertencente à LAN
possui um canal estreito, que servirá de canal de controle para a transmissão
de sinais. Além desse canal, é fornecido um canal largo, para permitir que a
estação transmita quadros de dados. Asim, temos que são atribuídos um total
de dois canais a cada estação de uma LAN óptica.

Cada canal é dividido em grupos de slots de tempo. Será considerado que o


número de slots do canal de controle é m e o número de slots do canal de
dados é n+1, onde os n primeiros slots são reservados para dados e o último é
destinado ao uso por uma estação, para que ela possa informar seu status,
especialmente sobre quais slots dos dois canais não estão sendo utilizados.
Nesses dois canais, repete-se indefinidamente a seqüência de slots, e o slot 0 é
marcado de forma especial para que possam ser detectados por retardatários.
Todos os canais são sincronizados através de um único relógio global.

A seguir, apresentamos um esquema com a divisão de slots nos canais de


dados e controles.
Figura 20 - Acesso múltiplo por divisão de comprimento de onda (WDMA - Wavelength Division
Multiple Access)

Cada estação deve possuir dois transmissores e dois receptores. Um dos


receptores deve possuir comprimento de onda fixo, para que possa ouvir seu
próprio canal de controle. O outro receptor deve possuir comprimento de onda
ajustável, para que seja possível a seleção de um transmissor de dados para
escuta. O mesmo ocorre com os transmissores: um deles é ajustável para
transmissão nos canais de controle de outras estações e o outro possui
comprimento de onda fixo para transmissão de quadros de dados. Assim, é
possível que cada estação detecte se existem solicitações recebidas em seu
próprio canal de controle e, em seguida seu comprimento de onda é ajustado
ao comprimento de onda do transmissor, para que possa receber os dados.
Esse ajuste do comprimento de onda é realizado por um interferômetro de
Fabry-Perot ou Mach-Zehnder. Esses interferômetros filtram todos os
comprimentos de onda, com exceção da banda de comprimento de onda
desejada.

O protocolo WDMA pode aceitar três tipos de tráfego:

(1) tráfego do tipo CBR (Constant Bit Rate), ou seja, tráfego onde as conexões
possuem taxas constantes de tranmissão de dados, como, por exemplo, vídeo
não compactado;
(2) tráfego VBR (Variable Bit Rate), onde as conexões apresentam taxas
variáveis de transmissão de dados, como, por exemplo, transferência de
arquivos;
(3) tráfego de datagramas, como, por exemplo, pacotes UDP (User Datagram
Protocol).

Nos dois primeiros casos (tráfego VBR e CBR), para a estação A se comunicar
com a estação B, deve-se primeiramente solicitar conexão. Isso é realizado pela
inserção de um quadro CONNECTION REQUEST em um slot livre do canal de
controle de B. Caso B aceite, a comunicação no canal de dados de A poderá ser
estabelecida.

Supondo que foi estabelecida uma conexão entre as estações A e B para um


tráfego do tipo VBR, temos que a estação A precisa configurar seu canal de
comunicação. Primeiramente, A deve ajustar seu receptor de dados ao canal de
dados de B e aguardar o slot de status da estação B. Esse slot informará quais
slots de controle estarão atribuídos e quais estarão livres nesse instante. Na
Figura 20, dos dezesseis slots de controle de B, os slots 0, 3, 4, 6, 8, 11, 12 e
14 estão livres. Os restantes estão ocupados.

A estação A precisa escolher um dos slots de controle de B que estejam livres.


Supõe-se que A tenha escolhido o slot 6 e sua mensagem CONNECTION
REQUEST é inserida nesse slot. Como a estação B realiza o monitoramento de
seu canal de controle constantemente, a solicitação é detectada e, como
resposta, o slot 6 é atribuído à estação A. Essa atribuição será informada à
estação A no slot de status do canal de dados de B. Quando A vê essa
informação, sabe que a conexão estabelecida é unidirecional. Caso fosse
solicitada por A uma conexão bidirecional, a estação B repetiria esse mesmo
procedimento com A.

Caso as estações A e C tenham solicitado no mesmo momento o mesmo slot de


controle de B, nenhuma dessas estações obterão êxito, e ambas detectarão
essa falha ao monitorarem o slot de status no canal de dados de B. Assim, as
duas estações deverão aguardar um período de tempo aleatório e, mais tarde,
tentarão novamente estabelecer uma conexão com B.

Após todo esse procedimento, cada estação terá um caminho livre de conflitos
para que possa enviar mensagens de controle à outra estação. Deste modo,
para realizar uma transferência de arquivos, A envia para B uma mensagem de
controle informando a existência de quadros de dados no slot 3 da saída de
dados de A. Quando B recebe essa mensagem de controle, seu receptor é
ajustado ao canal de saída de A para que se possa ler o quadro de dados.
Dependendo do protocolo usado na camada mais alta, a estação B pode usar
esse mesmo mecanismo para o envio de uma confirmação, caso deseje. Se as
estações A e C possuírem conexões com B e ambas solicitarem que B observe o
mesmo slot 3, a estação B irá escolher uma dessas solicitações aleatoriamente,
e a outra transmissão será perdida.

Para um tráfego do tipo CBR, o procedimento realizado é parecido. Quando há o


requerimento de uma conexão pela estação A, temos o envio simultâneo de
uma solicitação para que A lhe possa enviar um quadro de dados no slot 3.
Caso B não possua nenhum compromisso anterior em relação ao slot 3, uma
conexão com largura de banda garantida será estabelecida. Caso contrário, a
estação A poderá realizar uma nova tentativa, com uma outra proposta,
dependendo dos seus slots de saída que ainda estiverem disponíveis.

Para o tráfego de datagramas, o procedimento realizado também é muito


parecido. Em vez de inserir uma mensagem do tipo CONNECTION REQUEST no
slot de controle livre que acabou de encontrar (slot 6 da estação B), a estação A
vai inserir uma mensagem DATA FOR YOU IN SLOT 3 (DADOS PARA VOCÊ NO
SLOT 3). Caso B esteja livre durante o próximo slot de dados 3, a transmissão
será realizada com êxito. Do contrário, o quadro de dados se perderá. Assim,
não é necessário nenhuma outra conexão.

É possível que se encontre diversas variações nesse protocolo, decorrentes do


fato de que foram propostos e implementados vários protocolos desse tipo. Por
exemplo, ao invés de se atribuir a cada estação seu próprio canal de controle,
um único canal de controle pode ser compartilhado por todas as estações.
Assim, a cada estação será atribuído um bloco de slots de cada grupo e será
multiplexado vários canais virtuais em um único canal físico. Além disso,
também é possível usar apenas um transmissor e um receptor, ambos
ajustáveis por estação. Desta forma, o canal de cada estação estaria dividido
em m slots de controle, seguidos por n + 1 slots de dados. No entanto, nesse
caso os transmissores teriam que esperar mais tempo para solicitar um slot de
controle, e os quadros de dados consecutivos ficariam mais afastados, já que
algumas informações de controle estariam a caminho.

9. Conclusões

Apesar de apresentar custo elevado em relação às tecnologias usadas


atualmente, as fibras ópticas nos oferecem muitas vantagens, como, por
exemplo, imunidade não só a interferências externas, mas também a
freqüências de rádio e radar e impulsos eletromagnéticos. As fibras ópticas
também apresentam baixa atenuação, imunidade a ruídos externos e taxas de
transmissão maiores.

O WDM, por sua vez, é usado para ampliar ainda mais a capacidade de
transmissão da fibra. Essa tecnologia tem como princípio, combinar vários
comprimentos de onda diferentes em uma única fibra. O WDM possui uma série
de variações como o CWDM, o DWDM e o WWDM. Futuramente teremos
também o U-DWDM, que irá multiplexar centenas de comprimentos de onda em
apenas uma fibra, alcançando taxas de transmissão na ordem de Tb/s.

Com o aumento da procura por aplicações que exigem altas taxas de


transmissão de dados, acompanhado da crescente evolução das próprias fibras
e das tecnologias aplicadas nas redes ópticas, espera-se que, brevemente, os
cabos metálicos sejam substituídos por cabos de fibra óptica.

 10. Referências Bibliográficas

 
Sites

 Fibras Ópticas: http://www.lucalm.hpg.ig.com.br/indice.htm

 Fibras ópticas - uma realidade reconhecida e aprovada:


http://www.rnp.br/newsgen/0203/fibras_opticas.html

 WDM: http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialwdm/default.asp

 Sistema de Transporte DWDM:


http://www.poncedaher.com.br/papers/dwdm/

 DWDM e CWDM - Tecnologias para Alta Capacidade:


http://www.rnp.br/_arquivo/wrnp2/2003/cwdm_dwdm.pdf

 Fiber Optic Networks: http://www.fibersens.com.br/overview_aplic.htm

 Artigo Técnico - Como maximizar o valor das redes ópticas:


http://www.siemens.com.br/coluna1.asp?canal=343&parent=337

 Fiber Work - Optical Communications: http://www.fiberwork.com.br

 Fiber Optics.info: http://www.fiber-optics.info/default.htm

 Tutorial DWDM: http://us.fujitsu.com/img_asset/FNC/pdfServices/dwdm-


prereqrisite.pdf

 Redes Comutadas:
http://www.ee.pucrs.br/~decastro/pdf/Redes_Comutadas_Cap3_2.pdf

 IEC - Internet Engineering Consortium - Tutorials:


http://www.iec.org/online/tutorials/

 MRV Communications: http://www.mrv.com/index.php

 PressPool - notícias sobre Telecomunicações:


http://www.presspool.it/default.cfm?ID=926

 ITU-T Recommendations - Series G - Transmission systems and media,


digital systems and networks:
http://www.itu.int/rec/recommendation.asp?
type=products&lang=e&parent=T-REC-G

 Padrón 10 GE: http://www.furukawa.com.br/fcs_esp/pdf/FCS_esp_89.pdf

 Net India Networking: http://zdnetindia.nc-india.com/workshop/

 Characteristics of CWDM: http://www.broadcastpapers.com/

 Sistemas de Comunicaciones ópticas híbridos WDM-SCM:


http://ttt.upv.es/~framos/Fibra/wdm_scm.html

 Trabalho da Graduação de José Antonio Casemiro Neto - DWDM:


http://www.gta.ufrj.br/grad/02_2/dwdm/

11. Perguntas

 11.1) Qual a principal vantagem de se utilizar o WDM?


R.: A fibra óptica, por si só, apresenta uma série de vantagens, tais como a
imunidade a agentes e ruídos externos, a freqüências de rádio e de radar e a
impulsos eletromagnéticos. Além disso, as fibras também apresentam baixa
atenuação e maiores taxas de transmissão. O WDM, por sua vez, amplia a
capacidade de transmissão das fibras, já que combina diversos comprimentos
de onda em uma única fibra óptica.

11.2) Cite algumas características de sistemas WDM.


 R.: Em sistemas WDM, os sinais a serem transmitidos nos diferentes
comprimentos de onda podem possuir formatos e taxas de bit diferentes,
promovendo uma maior transparência aos sistemas de transporte. Além disso,
apresentam flexibilidade de capacidade, ou seja, migrações de 622 Mbps para
2,5 Gbps poderão ser realizadas sem a necessidade de se trocar os
equipamentos. Os sistemas WDM permite ainda o crescimento gradual da
capacidade de transmissão; basta apenas adicionar-se mais canais.

11.3) Descreva sucintamente um enlace DWDM ponto-a-ponto.


 R.: Em um enlace DWDM, temos emissores de luz que lançam feixes de luz na
entrada do multiplexador óptico. Este mux irá combinar os diferentes
comprimentos de onda em um único caminho, sendo então acoplados em uma
única fibra monomodo. No final do link, os canais ópticos são separados pelo
demultiplexador óptico e levados para os diferentes receptores. No caso de
transmissão com longas distâncias, é preciso que os sinais sejam amplificados
através de um amplificador óptico.
11.4) Aponte as principais diferenças entre o CWDM e o DWDM.
 R.: O CWDM e o DWDM, por serem baseados no WDM, possuem o mesmo
princípio de funcionamento. No entanto, apresentam algumas diferenças. No
CWDM o espaço entre os canais multiplexados é bem maior em relação ao
DWDM. Isso implica em dizer que o DWDM é mais denso, ou seja, combina um
maior número de comprimentos de onda em uma única fibra óptica. Em
compensação a implementação de sistemas DWDM é mais complexa e mais
cara, quando comparado com o CWDM.

11.5) Defina WDMA.


R.: O WDMA é um protocolo de acesso múltiplo por divisão de comprimento de
onda. Este protocolo tem por finalidade alocar canais de acesso múltiplo. Cada
canal é dividido em subcanais, utilizando-se métodos de multiplexação e, em
seguida, esses subcanais são alocados dinamicamente, conforme as
necessidades. Esse método é muito utilizado em redes locais com fibras ópticas,
para que se possam realizar transmissões diferentes utilizando comprimentos
de onda (freqüências) distintos ao mesmo tempo.