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SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES I

PULSE CODE MODULATION (PCM)


UFRN
1. Uma visão geral do Modelo da comunicação
digital

A comunicação digital trata da transmissão de informação através de


símbolos. Na transmissão analógica a informação é transmitida por um sinal que
pode ser transmitido diretamente com a forma elétrica original via par metálico
(caso que estudamos anteriormente da telefonia) ou através de uma portadora
(caso de transmissão via RF, por exemplo), fazendo com que esta portadora varie
proporcionalmente com o sinal ou a informação que se quer transmitir.
É interessante destacar que a transmissão digital é mais antiga que a
analógica, o código Morse, base do funcionamento do telégrafo corresponde a
uma comunicação através de símbolos, portanto digital.
Um sistema analógico em que a informação é enviada pela variação
proporcional da amplitude da portadora recebe o nome de modulação em
amplitude (AM), já a modulação em freqüência (FM) é aquela em que a
informação está contida na variação da freqüência da portadora, o mesmo
acontece com a modulação em fase (PM). Esta modulação analógica é apropriada
para a transmissão de informação que já se encontre na forma analógica. No
entanto, existem muitas fontes de informação que assumem uma forma digital, isto
é, produzem informação em uma forma descontínua e que é melhor descrita por
números, daí seu nome digital.
Para que a informação digital possa ser enviada através de um sistema de
transmissão é necessário que esta informação seja representada por sinais
elétricos, por exemplo, o valor lógico “1” representado por um pulso de tensão +V
e o valor lógico “0” representado por um pulso de tensão -V. Portanto, a
comunicação digital corresponde a transmissão de informação digital através de
símbolos.
Embora a comunicação digital se refira a transmissão de informação que se
encontre na forma digital, não significa que apenas informação gerada nesta forma
possa se utilizar de um sistema de transmissão digital. Na realidade existem várias
razões para incentivar a transmissão na forma digital de sinais que são
originalmente produzidos em forma analógica, como voz, áudio e vídeo. Duas
razões se destacam, a primeira sendo a maior imunidade ao ruído que os
sistemas digitais apresentam. Na transmissão de qualquer sinal sempre existe a
adição de interferência produzidas pelo próprio sistema de transmissão e
genericamente designadas como ruído. Portanto, todo o receptor de sinais
trabalha na verdade com sinal e ruído adicionados.
No caso de um receptor analógico, sinal e ruído são tratados de mesma
forma já que ambos têm a mesma natureza, não havendo meios do receptor
distinguir um do outro. Já no caso de um receptor digital a situação se altera pois
embora sinal e ruído também sejam adicionados a sua natureza é totalmente
distinta, sendo o sinal digital e o ruído analógico. Isto permitirá que o receptor
digital distinga o sinal de informação mesmo quando seja muito distorcido, além de
permitir a repetição regenerativa do sinal por ser previamente conhecido. Um
exemplo disso seria a transmissão de pulsos retangulares, onde o receptor sabe
de antemão que o sinal recebido deve ser um pulso nível alto ou nível baixo. Em
uma recepção analógica isto é praticamente impossível.
A segunda razão de incentivo ao emprego da transmissão digital para sinais
gerados na forma analógica reside no fato da utilização de técnicas
computacionais executadas por microprocessadores para a recepção e tratamento
desses sinais. Estas técnicas genericamente denominadas de Processamento
Digital de Sinais viabilizam a implementação de filtragens, cancelamento de
interferências, cancelamento de ruídos e outros processamentos por software.
Tais métodos viabilizam processamentos inimagináveis com técnicas analógicas.

Na Telefonia, a digitalização foi iniciada nos sistemas de transmissão,


evoluindo rapidamente para as centrais telefônicas. No Rio Grande do Norte,
desde 2001, todas as centrais telefônicas são digitais. A rede de transporte já é
predominantemente digital na maioria dos países desenvolvidos ou em
desenvolvimento. A rede de acesso, ao contrário, ainda é predominantemente
analógica e metálica.
Grandes usuários de telefonia (grandes empresas, provedores de Internet,
Instituições de porte, Corporações militares estratégicas, etc.), já têm rede de
acesso via fibra óptica. Essa evolução tem ocorrido pela gradual redução do custo
da fibra e pela crescente demanda de serviços de dados em alta velocidade.

Figura 1.1 - Etapa inicial da digitalização da telefonia, apenas com o sistema de


transmissão digital, o Conversor eletro-óptico e a fibra podem ser substituídos por
transceptor rádio e antena. Essa configuração predominou no Brasil da década de
1980 até meados dos anos 90.
Destacamos que o PC ilustrado na figura1 tem acesso por linha discada,
portanto o modem converte o sinal digital em sinal analógico,normalmente
utilizando técnicas de modulação do tipo FSK, PSK ou QAM.

Na 1ª etapa da digitalização, a conversão analógico-digital é executada no


equipamento multiplex TDM-PCM (Multiplex por Divisão no Tempo – Modulação
por Código de Pulso).
No Brasil o padrão de sistema TDM-PCM adotado é o europeu, que
corresponde a uma base inicial de multiplexação de grupos de 30 canais
analógicos que são convertidos em sinais digitais individuais de 64 kbit/s e na
saída serial multiplexada de 2,048 Mbit/s contendo 30+2 time slots, sendo que são
inseridos 2 times slots para sincronismo, sinalização de linha e alarmes.

Figura 1.2-Etapa II da digitalização da telefonia, com centrais telefônicas e redes


de transporte totalmente digitais,utilizando tecnologia de multiplexação PDH
(PCM/TDM) ou SDH. O conversor eletro-óptico e a fibra podem ser substituídos
por transceptor rádio.

Conforme ilustrado na figura seguinte, a conversão analógico/digital e a


multiplexação TDM adotada para sistemas de transmissão no Brasil segue o
modelo europeu, 30 canais analógicos passam por filtros passa faixas de 0.3 a 3,4
kHz, cuja função é evitar a entrada de sinais acima do limite do teorema da
Amostragem. Daí temos que o sinal analógico contínuo é transformado em sinal
discreto do tipo PAM (Pulse Amplitude Modulation), as amostras são realizadas
em tempos distintos e o processo evolui com a conseqüente quantização dessas
amostras. A quantização corresponde à representação dos valores infinitos de
tensão por uma quantidade finita de valores. Ela é necessária devido termos um
número finito de bits para representar digitalmente cada amostra (veremos que
serão 8 bits, no caso de telefonia). Portanto teremos 256 níveis de tensão
possíveis ( 2 8 = 256 ).
O sinal quantizado é codificado e passa a ser representado por 8 bits em
seqüência serial, cada sinal tem amostras periódicas a cada 125 microssegundos.
Cada canal ocupa uma taxa de (8 bts x 8 KHz)= 64 Kbit/s.
As amostras, já na forma de bits, são então multiplexadas , através do
Multiplexador TDM, aí são inseridos 2 canais de 64 kbit/s adicionais para
sincronismo , sinalização de linha e alarmes,resultando na saída de:
32canaisx8bitsx8 KHz = 2.048kbit / s .
O sinal digital, contendo 30 canais efetivos de comunicação, ainda sofre
uma codificação denominada “codificação de linha” cujo objetivo é evitar
componentes DC e possibilitar maior alcance para o sinal. A codificação de linha
mais utilizada é a HDB-3 (Alta Densidade Bipolar 3).
A codificação de linha, em geral, busca basicamente eliminar a componente
DC do sinal original, ou seja, evitar uma longa seqüência de zeros e de uns. A
componente DC concentra energia desnecessariamente e tende a causar
distorções nas informações recebidas. O fato das linhas de transmissão, em geral,
utilizarem capacitores em série é fator agravante quando da existência de
componente DC no sinal.
Os sinais codificados em linha (existem diversas codificações) normalmente
se apresentam na forma bipolar. O sinal HDB-3 (Third Order High Density Bipolar
Code) , por exemplo, utiliza três níveis de tensão: +V, 0 e –V.
O sinal de 2,048 Mbit/s, descrito anteriormente, recebe a denominação de
E1 (Europeu 1).
Mesmo com a codificação HDB-3 o sinal E1 quando transmitido em uma
rede metálica tradicional só consegue ser recebido até cerca de 1 km, nos casos
excedentes à essa distância faz-se o uso de regeneradores .

O sinal HDB-3 é bipolar e RZ, conforme será detalhado mais a seguir.


Figura 1.3 - Diagrama em blocos de equipamento Multiplex PCM-TDM padrão
europeu para 30 canais com saída no padrão E1 2,048 Mbit/s.
Algumas alternativas para geração de sinais E1 existentes no mercado
estão indicadas na figura 1.4, observar que o sinal E1 pode ser gerado tanto a
partir de 30 canais telefônicos analógicos, quanto a partir de combinações mistas
de sinais digitais e analógicos ou ainda apenas com sinais digitais. Essas opções,
com taxas diferentes de bits/s ,permitem uma variada gama de possibilidades que
facilitam a inserção de inúmeras linhas de comunicação de dados através da
estrutura disponível pelas Operadoras de Telefonia.
Figura 1.4- Algumas alternativas para transmissão de sinais TDM em 2,048 Mbit/s
padrão E1.

Os sistemas SDH (Hierarquia Digital Síncrona) aplicados em estruturas de


alta capacidade, serão tratados posteriormente, de início daremos ênfase aos
sistemas de baixa e média capacidade com no máximo 1.800 canais.
2-Características dos Sinais Digitais
Antes de iniciarmos efetivamente o estudo das telecomunicações
digitalizadas, convém analisar melhor as características dos sinais digitais e
especialmente as possibilidades de distorção dos mesmos quando inseridos em
meios de transmissão diversificados. Uma rede metálica de pares trançados, por
exemplo, foi construída para transmitir sinais analógicos na faixa de 0,3 a 3,4 KHz,
teremos bons resultados transmitindo sinais digitais nessa rede ? Quais os
aspectos e limitações que deverão ser considerados?
Para responder a perguntas como as citadas no parágrafo anterior,
inicialmente iremos caracterizar um sinal digital com base em sua visualização no
domínio da freqüência, essa análise nos é possibilitada utilizando o conceito
básico de Série e de Transformada de Fourier.
Exemplificando: um sinal digital com dois níveis no formato de uma onda
quadrada é um sinal periódico e, como tal, poderá ser representado por uma soma
de cosenóides de acordo com os princípios básicos demonstrados por Fourier.


V (t ) = ∑ (a n cos( wn t ) + bn sen( wn t ) (2.1)
n =1

Figura 2.1-Sinal de onda quadrada.

Se transmitirmos um sinal digital a uma taxa de 12 bit/s, e os bits tiverem


em determinado instante a seqüência de um clock 101010101010..., então
teremos uma onda quadrada com cada bit numa duração de 1/12 segundos,
período de 1/6 segundos e f 0 = 6 Hz .

Desenvolvendo a expressão de Fourier (2.1) para o caso da figura 2.1,


(função par) temos:
4V 1 1 1
V (t ) = [cos(ω 0 t ) − cos(3ω 0 t ) + cos(5ω 0 t ) − cos(7ω 0 t ) + etc] (2.2)
π 3 5 7

A equação (2.2) nos permite visualizar a onda quadrada inicial como uma
soma de cosenóides com freqüências harmônicas ímpares em relação à ω 0 ,
podemos verificar, então que a onda quadrada mostrada poderá ser vista no
domínio da freqüência conforme abaixo.

Figura 2.2 - Freqüência fundamental e 3 principais Harmônicos de uma onda


quadrada vista no domínio da freqüência.

Com base na figuras anteriores, deduzimos que, um sinal de dados na forma de


onda quadrada corresponde a um espectro de freqüência matematicamente
infinito. Portanto, para que ocorra a recuperação perfeita desse sinal, haveria
necessidade de uma banda passante infinita, dessa forma, nenhuma componente
espectral seria perdida.

Na medida em que o meio de transmissão se comporta com um filtro “passa


baixa”, então as harmônicas de maior ordem não são recebidas. Se
considerarmos, no exemplo anterior, apenas a recepção das freqüências até 2W0,
então apenas a componente W0 será captada, isso corresponde dizer que o sinal
gerado de onda quadrada teve uma distorção tal, causada pela limitação do meio
de transmissão, que foi captado como uma cosenóide de freqüência (Hz) igual ao
inverso do período dos pulsos originais.

Os sistemas digitais normalmente conseguem recuperar e transformar


novamente em onda quadrada a cosenóide da 1ª harmônica, mas é preciso que o
meio de transmissão garanta, no mínimo, que a essa 1ª harmônica seja recebida.
Na medida em que a banda passante do meio de transmissão seja mais larga,
então uma maior quantidade de harmônicas será captada e o sinal (soma das
harmônicas captadas) se aproximará mais da onda quadrada original.

Normalmente os sinais digitais não são periódicos, não seguem o padrão


do exemplo anterior. Sendo assim, os termos período e freqüência não são
rigorosamente apropriados.

O sinal com seqüência alternada de 1`s e 0`s, corresponde à condição de


mais alta freqüência W0, na medida em que tenhamos,por exemplo,
110011001100 sendo transmitidos ainda na taxa de 12 bits/s,então o período T do
sinal será ampliado para 4x(1/12) segundos, ou seja 1/3 =0,33 segundos.

Figura 2.3-Nova situação: a freqüência f0 será o inverso do novo período: f0=3 Hz.

Observamos, portanto, que a mesma taxa de 12 bits/s, quando transmitindo


bits aleatoriamente, terá sua primeira harmônica variando entre 0 Hz (situação de
uma longa seqüência de 0`s ou 1´s sem alternância) , poderá chegar a 3 Hz (caso
do parágrafo anterior) na seqüência 00110011.. e poderá alcançar até 6 Hz na
situação 010101010101...

Generalizando, podemos dizer que um sinal n bits/s ocupa um espectro só


com primeiro harmônico de 0 Hz a n/2 Hertz.

Se considerarmos mais harmônicos, então teremos uma melhor


aproximação da semelhança do sinal recebido em relação à onda de pulsos
gerada. Se adicionarmos, por exemplo, o terceiro harmônico (base figura 1.0.2)
então a largura de banda passará a ser de 0 Hz a (n/2+ 3n/2) Hz = (2n) Hz. Onde
n é o número de bits/s transmitido.

Se adicionarmos o terceiro e o quinto harmônico, seguindo o mesmo raciocínio,


teremos uma banda necessária de 0 a (n/2+2n/2+5n/2) Hz=(4n) Hz.

Portanto, temos estabelecido de forma simples que a banda requerida para


transmissão de um sinal digital depende da taxa de bits/s e da quantidade de
harmônicos que desejamos receber.
O gráfico a seguir ilustra o sinal de corrente da recepção da fundamental e mais
dois harmônicas seguintes.

Fundamental e 2 harmônicos da Onda Quadrada

1,5

1,0

0,5

Soma da fundamental
0,0
e 2 harmônicos
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6

-0,5

-1,0

-1,5

Em geral os sistemas de transmissão digital, no mínimo, precisam garantir a


recepção correta da freqüência fundamental do sinal digital.

Aproveitando os princípios de Fourier, é possível gerar diversos sinais cosenoidais


a partir de uma onda quadrada, conforme ilustra a figura seguinte.
3 – O processo de Digitalização da Telefonia
3.1 - Motivação

Existe uma forte tendência à transformação dos sistemas telefônicos em


redes inteiramente digitais, tanto na transmissão (rede de transporte) como na
comutação (centrais telefônicas) . Essa transformação teve início quando da
introdução, em escala comercial, dos sistemas de transmissão PCM (Pulse Code
Modulation), abordados posteriormente, muito comuns hoje em dia. A evolução da
tecnologia no campo da computação e dos sistemas digitais propiciou a
continuidade dessa transformação através da introdução do processamento de
dados no controle das centrais telefônicas, criando-se as denominadas centrais
CPA ( Controle por Programa Armazenado).
Em razão dessa mesma evolução, dispõe-se hoje de técnicas e
componentes que viabilizam a implementação de centrais telefônicas inteiramente
digitais, incluindo-se as redes de comutação, que anteriormente eram
eletromecânicas. Nestas centrais, os sinais de voz, previamente transformados
por codificação em PCM, são manipulados como sinais digitais,
sem necessidade de retorno à forma analógica, a não ser nos extremos próximos
aos assinantes.
A introdução de centrais digitais em uma rede telefônica propicia, por sua
vez, não só simplificações e reduções de custo dos equipamentos de transmissão
e controle, como também justifica o desenvolvimento de componentes digitais
específicos para telefonia, reforçando assim os fatores iniciais que justificaram sua
introdução.

As principais vantagens da introdução de tecnologia digital em centrais


telefônicas podem ser assim classificadas:

a) Vantagens técnicas:
• melhor qualidade de transmissão, tanto pelas vantagens já apresentadas de
transmissão PCM como pela eliminação de sucessivas conversões A/D
(Anógico/Digital) e D/A (Digital/Analógico) nos acessos às centrais analógicas
interligadas interligadas por sistemas PCM;
• maior dificuldade ao interceptar uma conversação e maior facilidade de
codificação para ligações sigilosas;
• maior capacidade de sinalização entre centrais através do aproveitamento
adequado dos canais de sinalização dos sistemas PCM (64Kbits/s para PCM de
30 canais);
• menor tempo para o estabelecimento de chamadas, quer pelo acesso mais
rápido aos componentes da matriz de comutação, em razão da compatibilidade
entre as tecnologias da matriz e do controle, quer pela maior facilidade de
determinação de rotas livres na matriz;
• maior facilidade de projeto e implementação de matrizes de comutação de
grande capacidade e bloqueio pequeno;
• compatibilidade com os meios de comunicação digital.
b) Vantagens econômicas
• redução de custo dos terminais de acesso à central pela eliminação dos circuitos
conversores A/D e unidades de canal, propiciando um aumento da faixa de
distâncias econômicas para transmissão digital;
• redução de peso e espaço ocupado pela matriz de comutação, simplificando a
construção civil do prédio que aloja a central;
• possibilidade de integração de serviços, que permite a transmissão e comutação
mais eficiente de dados de qualquer natureza;
• simplificação da operação e dos procedimentos de pesquisa e correção de
falhas.
Para completar esse quadro, devem ainda ser considerados vantagens
todos os benefícios e as facilidades resultantes da utilização de controle da central
por programa armazenado e do processamento digital de sinais.

3.2 – Transição
A penetração de técnicas digitais nas redes analógicas ocorreu de forma
muito rápida em razão dos investimentos realizados após as privatizações.
Entretanto algumas redes telefônicas permanecerão analógicas ainda por um
certo tempo.
Nos anos 70 as centrais telefônicas iniciaram uma evolução de uma
concepção analógica para digital. Esta transformação iniciada no núcleo das
centrais, pela substituição de componentes eletromecânicos por processadores
digitais estendeu-se a outras áreas periféricas das centrais, dando origem às
centrais digitais CPA (Controle por Programa Armazenado). Em 2002, no Brasil,
98 % das centrais eram digitais. Desde 2001, todas as centrais telefônicas do RN
já são digitais e da tecnologia CPA.
Comentam-se, a seguir, alguns aspectos relativos à digitalização das redes
telefônicas. Naturalmente a transformação descrita é apenas um exemplo típico.
Para efeito da digitalização, as redes telefônicas podem ser subdivididas
em três áreas:
a) rede de assinantes (rede de acesso);
b) rede de troncos locais (rede de transporte local);
c) rede de troncos interurbanos (rede de transporte interurbano).

a) A Rede de Acesso (ou Rede de assinantes), em razão da grande quantidade de


equipamentos envolvidos, tende a ser a última etapa da digitalização do sistema
como um todo.
Várias soluções têm sido propostas e estudadas. Na rede de troncos interurbanos
nacionais e internacionais, muito já se tem feito em termos de desenvolvimento de
equipamentos para transmissão digital de alta taxa e os primeiros problemas de
sincronismo começaram a ser solucionados; a escolha de rotas leva em conta o
acúmulo de ruído de quantização causado pelas múltiplas conversões A/D e D/A.

b) As velhas centrais analógicas estão sendo substituídas por novas, digitais, ou


mesmo desmembradas em concentradores remotos de outras centrais. Todas as
conexões são inteiramente digitais, de modo que as conversões A/D e D/A são
realizadas, num primeiro momento, apenas para prover a transmissão. Os
equipamentos analógicos devem permanecer, ainda por algum tempo, de forma
competitiva. É nas redes de troncos locais que se dá a parte mais significativa da
transição dos sistemas analógicos para os digitais.

c) A transformação de uma rede urbana multicanal, em virtude do alto custo dos


equipamentos, será mais lenta e gradativa, de forma que o analógico e o digital
deverão ainda conviver em harmonia por um longo período. A interface entre
ambos será sempre baseada em sistemas de transmissão e modulação PCM, já
padronizados.

A Figura 3.1 especifica os vários passos da transformação:

a) O ponto de partida é uma rede completamente analógica;


b) Novos troncos instalados deverão ser digitais (PCM).
c) uma nova central instalada deverá ser digital, conectada às analógicas
existentes através de sistamas PCM. As conversões A/D e D/A poderão ser feitas
junto a quaisquer das centrais, e os assinantes serão ligados à nova central
digital através de concentradores (locais ou remotos) e conversão para PCM;
d) Uma nova central digital é instalada nos mesmos moldes e surgem os
primeiros enlaces completamente digitais.
e) Uma central analógica é substituída por uma digital e interliga-se a outras
analógicas por enlaces digitais. O processo continua até a completa
digitalização da rede.

Figura 3.1: A Evolução da Rede de Comunicação.


4. Princípio Básico de Sistemas Amostrados
4.1 Amostragem e modulação

É extremamente importante para a compreensão dos sistemas de


transmissão digitais entender de que forma um sinal analógico como a voz
humana é transformado em um sinal digital e trafega pela rede de
telecomunicações.
A amostragem constitui uma etapa primordial na geração de sinais PCM,
que é a base para entendermos as hierarquias digitais.
Deve-se destacar inicialmente, que a amostragem é necessária porque uma
das técnicas adotadas nos sistemas de transmissão digital é a multiplexação TDM,
ou seja, pretende-se transmitir serialmente um trem de pulsos contendo diversos
canais, os quais serão separados e distinguidos pela posição no tempo que seus
bits representativos ocupem.
Mas como efetuar uma amostragem de um sinal sem perder parte da
informação original? Como fazer isso? Para responder essa questão, é necessário
utilizar um conceito matemático importante denominado Teorema da Amostragem.
O resultado clássico da teoria da amostragem foi estabelecido em 1933 por
Harry Nyquist, que demonstrou que um sinal analógico pode ser reconstituído
desde que tenham sido retiradas amostras em tempos regularmente espaçados.
Isso se deve ao fato de que um sinal analógico incorpora uma grande quantidade
de redundâncias, sendo portanto, desnecessário transmiti-lo continuamente.
Nyquist provou que a freqüência mínima de amostragem (fs) é igual a duas
vezes a freqüência máxima (W) do sinal a ser transmi tido

Neste capítulo estudaremos as características e as propriedades do


processo de amostragem. Este processo, descrito na Figura 2.1 consiste em
formar, a partir de um sinal contínuo , uma nova função, chamada
função amostra. Esta função obtém-se a partir da função inicial através de
um processo de amostragem periódico (de período segundos). Noutras
palavras, a função é obtida pelo produto de com a função de
amostragem , que é uma série periódica de impulsos estreitos (em relação
a ). Este processo de multiplicação no domínio do tempo corresponde, como já
sabemos a uma convolução no domínio da freqüência e que se traduz, na prática,
por uma modulação. Dizemos assim que a função modula em

amplitude para formar . A operação inversa consiste no processo de


reconstrução do sinal inicial a partir das amostras da função amostra .
Isto é realizado na Figura 4.1 por um filtro ideal.

Figura 4.1: processo de amostragem e de reconstrução.

Consideremos um sinal, passa-baixo, com uma banda limitada, tendo um

espectro que é nulo fora de uma banda (ver Figura 4.2). Para
efetuar o nosso processo de modulação consideremos, para ilustrar, um sinal

senoidal de freqüência , de tal modo que o sinal modulado é:

Como sabemos que a representação freqüêncial de é constituída por


dois Diracs colocados a o produto temporal da ( o produto temporal da (4-1.1)
torna-se numa convolução no domínio da freqüência e o resultado é:
Figura 4.2: espectro do sinal original.

o que se encontra ilustrado na Figura 2.3. Este resultado pode ser generalizado
para o caso em que é uma soma de funções periódicas a freqüências

múltiplas de , isto é, Neste caso o produto de (4-1.1) dá no domínio


da freqüência uma repetição do espectro de às freqüências harmônicas

Figura 4.3: espectro do sinal amostrado.

4.2 Amostragem no tempo

A forma que deve ter a função periódica para realizar uma amostragem
ideal, é dada por uma série periódica de impulsos de Dirac. Noutras palavras,
pode-se definir a função de amostragem ideal por:

que evidentemente tem como espectro


onde é a freqüência de amostragem. A função amostra é
formada pelo produto da função inicial de espectro limitado, com a função
Pode Pode-se portanto escrever

e o espectro desta função amostra é evidentemente


Figura 4.4: processo de amostragem e reconstituição.
Pode-se ver desta maneira, que o espectro de se encontra a partir do
espectro do sinal inicial, retardando este de isto é, valores
múltiplos da freqüência de amostragem. Este processo de amostragem é ilustrado
na Figura 4.4.
Estes resultados foram obtidos considerando o caso particular em que a
freqüência de amostragem era suficientemente elevada em relação à freqüência
máxima do sinal isto é, Observando a Figura 4.4 torna-se evidente
que, para que não exista sobreposição de dois espectros consecutivos, é
necessário e suficiente que a frequência de amostragem seja superior ou igual
a isto é, que

Esta condição é absolutamente necessária para poder reconstituir o sinal a


partir de , através da filtragem passa-baixo deste último. Neste caso

quando Este processo de reconstituição está também representado


na Figura 4.4. Neste momento podemos estabelecer o teorema fundamental da
amostragem ou de Nyquist
Como o sinal analógico é contínuo no tempo e em nível, contém uma
infinidade de valores. E como o meio de comunicação tem banda limitada,
somos obrigados a transmitir apenas um certa quantidade de amostras deste
sinal, como enunciado anteriormente no Teorema de Nyquist.
É obvio que quando maior a freqüência de amostragem, mais fácil será
reproduzir o sinal, mas haverá desperdício de banda ocupada sem nenhuma
melhoria na qualidade.
O circuito que permite amostrar o sinal é uma simples chave que se fecha
por um brevíssimo instante, na cadência da freqüência de amostragem. Por
exemplo se a freqüência de amostragem for de 8 kHz, a chave se fecha 8000
vezes por segundo, ou seja, a cada 125 micro segundo. Como a chave se fecha
por um tempo extremamente curto, teremos na sua saída um sinal em forma de
pulsos estreitos, com amplitude igual ao valor instantâneo do sinal, chamados
pulsos PAM (pulsos modulados em amplitude). No exemplo, a freqüência de 8KHz
não foi uzada à toa, pois como sabemos, nos sistemas talefônicos transmitimos a
voz numa banda limitada de 4 Khz e pelo critério de Nyquist teremos que amostrar
esse sinal com uma freqüência duas vezes maior.

A Figura 4.5 ilustra o principio da amostragem :


Figura 4.5: Amostragem e geração dos sinais PAM

4.3 Filtragem Anti-Aliasing

Como dito anteriormente, a quantidade de amostras por unidade de tempo


de um sinal, chamada taxa ou freqüência de amostragem, deve ser maior que
o dobro da maior freqüência contida no sinal a ser amostrado, para que
possa ser reproduzido integralmente sem erro de aliasing. A metade da
freqüência de amostragem é chamada freqüência de Nyquist e corresponde ao
limite máximo de freqüência do sinal que pode ser reproduzido.
Como não é possível garantir que o sinal não contenha sinais acima deste
limite ( distorções, interferências, ruídos, etc.), é necessário filtrar o sinal com um
filtro passa baixo com freqüência de corte igual (ou menor) a freqüência de
Nyquist, ou filtro anti-aliasing para que esse possa ser recuperado.
O sinal de amostragem (que atua na chave) é constituído de impulsos com
a freqüência de amostragem fa, também chamada função amostra. O espectro
deste sinal contem raias de mesmo nível e freqüência múltiplas inteiras de fa, ou
seja, 0 Hz (componente continua), fa, 2fa, 3fa, 4fa ... (até o infinito se a duração
do impulso for nula...).
O sinal PAM terá, portanto, estas mesmas raias, porém com as bandas
laterais criadas pela modulação em amplitude, como mostra a Figura 4.6, onde fa
é maior que o dobro de fmax para que não haja aliasing:

Figura 4.6 Freqüência de amostragem maior que o dobro da freqüência do sinal


amostrado
A Figura 4.7 mostra o que acontece quando não há filtro anti-aliasing e o
espectro do sinal tem freqüência máxima maior que fn .

Figura 4.7 - Freqüência de amostragem menor que o dobro da freqüência do sinal


amostrado, distorção do sinal original por “aliasing”.

Podemos agora observar como ocorre o efeito de aliasing, que nada mais
é do que a superposição dos espectros de cada raia PAM, por falta de espaço.
Na restituição do sinal pelo filtro passa baixo com freqüência de corte fn, a parte
do espectro original acima de fn (no caso a ponta do triângulo) aparece como se
tivesse sido dobrada em torno de fn e invertida espectralmente, ou seja,
freqüências mais altas passam a ser menores. O sinal indesejável de aliasing que
aparece na reprodução é uma réplica do sinal original fo, porém com freqüência
errada e igual a fa-fo. Osbserve como a forma de onda do sinal restituído é
deformada em relação ao original.
Multiplexação por Divisão Time Division Multiplex

O TDM é uma técnica para transmissão de várias mensagens por um único


meio, e consiste na divisão do tempo em canais apropriados. Levando em conta o
visto no teorema da amostragem, verifica-se que existem intervalos de tempo
entre as amostras PAM em que não há sinal nenhum. Pode-se, pois, usar esses
intervalos de tempo para transmissão de outros sinais, conforme se evidencia na
Figura 4.7.

Figura 4.7 – Princípio básico de sistemas TDM

O Princípio básico de sistemas TDM é muito simples. As várias entradas


xn(t), todas com freqüências limitadas em fn (4KHz), são seqüencialmente
amostradas por um comutador sincronizado. O comutador completa um ciclo de
revolução no tempo Ta, extraindo amostra de cada entrada. Na saída do
comutador, tem-se um sinal PAM(Pulse Amplitude Modulation), que consiste em
amostras das mensagens individuais, periodicamente entrelaçadas no tempo,
conforme mostra a Figura 4.8. Se há n entradas, o espaçamento de amostra a
amostra é Ta/n, enquanto o espaçamento entre amostras provenientes de mesma
entrada é, evidentemente, Ta.
No lado do receptor, uma chave análoga ao comutador, denominada
distribuidor, separa as amostras e s distribui a um banco de filtros passa-baixas
que, por sua vez, recupera as mensagens originais. Evidentemente, o comutador
e o distribuidor deverão estar sincronizados para tal.
Em princípio, o número de canais é ilimitado. Os fatores que limitam esse
número são, por exemplo, energia do sinal demodulado e banda passante
necessária do meio de transmissão.
Sistemas FDM – Frequency Division Multiplex e TDM representam técnicas
duais. Nos sistemas TDM, os sinais são operados no tempo e misturados no
domínio da freqüência, enquanto, nos sistemas FDM, os sinais são separados no
domínio das freqüências e misturados no tempo. Do ponto de vista teórico, um
sistema nã pode ser classificado como inferior em relação a outro. Do ponto de
vista prático, os sistemas TDM apresentam algumas vantagens: são relativamente
mais simples e menos vulneráveis a diafonia do que os sistemas FDM.
Figura 2.8 – Sinal PAM: amostras das mensagens entrelaçadas no tempo.
5. Outras etapas dos Sistemas PCM
5.1 Quantização

Os sinais PAM vistos até agora variam continuamente em função da


informação, podendo assumir qualquer valor dentro dos limites desta. Se a
amostra for perturbada por ruídos, não há meios de, na recepção, demodular o
valor exato da transmissão.
Considere que a amostra PAM não possa variar continuamente, assumindo
apenas alguns valores prefixados. Se a separação entre esses valores for grande,
em comparação com o ruído, no lado receptor será fácil decidir que valor buscava-
se transmitir. Dessa forma, efeitos de ruídos randômicos podem ser virtualmente
eliminados. Além do mais (dependendo da exigência do meio), o sinal pode ser,
periodicamente, ao longo do meio de transmissão, recuperado e retransmitido livre
de ruídos, ou seja, o ruído não é cumulativo como nos sistemas analógicos usuais.
As amostras quantificadas serão codificadas para a transmissão: este é o sistema
PCM básico (Figura 5.1).
Se houverem amostras em número finito (q), cada nível poderá ser
representado por um código digital de extensão finita. A função do codificador é
gerar um código digital que representa univocamente a amostra quantizada.
Seja o número de pulsos em um certo código e
o número de valores discretos que cada pulso pode assumir. Existirão
combinações diferentes de pulsos com amplitudes possíveis. Na maioria
das vezes,nesse caso, o número de níveis de quantização é dado por .

Figura 5.1 – Sistema PCM básico

De posse do sinal analógico amostrado, em forma de amostras ou pulsos


PAM, ainda analógicos, precisamos quantificar (ou quantizar) esta infinidade de
valores possíveis em outros que passam ser representados por uma quantidade
finita de bits, para obter um sinal digital. Esta conversão é feita por um circuito
chamado conversor analógico-digital A/D ou ADC.
Cada amostra ou pulso PAM é transformada em uma quantidade ou
palavra predefinida de bits.
Por exemplo, com =8 bits é possível representar 256 valores diferentes (0
a 255). Para facilitar a compreensão, vamos supor que os pulsos PAM são
limitados entre 0 e 255 Volts. Um pulso qualquer pode ter como valor real 147,39
V (Figura 3.1), mas terá de ser quantizado como tendo 147 V ou 148 V, pois não é
possível representar 147,39 com 8 bits. O valor quantizado (para mais ou para
menos) depende dos valores dos níveis de decisão no projeto do ADC. Teremos
então um erro, no caso de -0,39 V ou +0,61 V respectivamente, chamado erro de
quantização . Esta falta ou excesso no valor do sinal provoca o surgimento de um
sinal aleatório, chamado ruído de quantização.
A Figura 5.2 mostra o aspecto do erro ou ruído de quantização para um
sinal senoidal:

Figura 5.1 – Ruído de quantização.

Se prova matematicamente que a máxima relação sinal/ruído de


quantização possível é da ordem de: S/R max = 6n , onde n é o numero de bits.
Por ex. 8 bits : S/R de quantização max = 48 dB
16 bits : S/R de quantização max = 96 dB
Esta relação só é atingida para um sinal de valor máximo Vmax. Se o sinal
V for menor, por ex. 1/10 do máximo, a relação S/N será 100 vezes pior ou 20 dB
menor, e assim por diante.
S/R de quantização = 1,76 + 6,02 n - 20 log ( Vmax / V )
Para contornar este novo problema, que faz com que sinais fracos tenham
baixa relação S/Rq, usam-se quantizações não lineares, onde os níveis de
quantização não são iguais como na Figura acima, mas são muito pequenos para
sinais pequenos e maiores para sinais maiores, provocando o efeito de
compressão, como será abordado melhor adiante.
Outro aspecto importante diz respeito a polaridade do sinal. Existem várias
formas de se quantizar valores negativos de tensão. O exemplo seguinte mostra o
caso para arquivos digitais de sons no formato *.WAV com 8 bits. Em PCM para
telefonia, se usa uma notação com sinal-magnitude com 8 bits. O eixo de tensão
não é deslocado como no exemplo a seguir. São quantizados 127 valores
positivos e 127 valores negativos, ou magnitude do sinal, com 7 bits.

O oitavo bit (o mais significativo) indica a polaridade , 1 = positivo e 0 =


negativo. O eixo vertical da Figura 5.2 é graduado no valor das amostras
quantizadas com 8 bits : 0 a 255.

Figura 5.2 – Aspecto de um arquivo de áudio amostrado no formato *.WAV com 8 bits

O eixo de tensão, 0 Volts, é deslocado (off-set) para 128. Podemos assim


representar valores negativos de -1 até -128 com 127 até 0 respectivamente,
sem necessidade de sinal de polaridade (-). A forma de onda quantizada acima,
no formato decimal é :
118,135,130,138,151,165,179,179,182,195,179,144,109,78,51,37,39,62,97,123.
O que representa os seguintes valores quantizados de tensão (em V), supondo
DELTAVmáx =255 :
-10,+7,+2,+10,+23,+37,+51,+51,+54,+67,+51,+16,-19,-50,-77,-91,-89,-66,-
31,-5 .
Figura 5.3 – PCM 8 bits em formato *.WAV

5.2 Quantização Linear

O processo de quantização, como já foi esclarecido anteriormente,


aproxima os valores das amostras do sinal PAM para níveis predeterminados,
quando o número de níveis é o mesmo para sinais de intensidade alta ou baixa.
Verificamos que se cada degrau de quantização tiver uma amplitude o maior erro
que pode surgir será al a pois o sinal PAM sempre é comparado com o valor
médio de cada segmento (nível de decisão).
Figura 5.4 – Quantização linear
Na Quantização Linear,temos que a probabilidades de erro absoluto é
constante, independente da amplitude do sinal.

5.3 Quantização Não-linear

Na Quantização Linear a probabilidade de erro ( ou seja Ruído) de


Quantização é a mesma independentemente do nível do sinal, observa-se que o
erro máximo por amostra será ΔV / 2 , onde ΔV / 2 é a metade da diferença de
tensão entre os níveis de quantização.
A qualidade da comunicação é estabelecida pela proporcionalidade entre a
amplitude do sinal e a amplitude do ruído, na situação da QL essa relação será
maior (melhor) nas maiores amplitudes e menor (pior) nas baixas amplitudes.
Na quantização não linear, o número de níveis de quantização é
inversamente proporcional ao nível do sinal aplicado, ou seja, temos um maior
número de níveis de quantização para amostras com pequenos valores de
amplitude e um menor número de níveis de quantização para amostras com
grandes valores de amplitude. No exemplo da Figura 5.5 temos 3 segmentos com
5 níveis em cada segmento. Os níveis dentro de cada segmento têm o mesmo
tamanho. Note ainda que o segmento II é o dobro do primeiro e o segmento III é o
dobro do segundo.
Figura 5.5 – Exemplo de Quantização não-linear – 3 Segmentos(I,II,III) e 5
degraus por segmento.

A Quantização Não Linear é a adotada nos principais sistemas PCM-


TDM existentes, em razão de proporcionar melhor equalização da Relação
Sinal / Ruído.
No sistema europeu, adotado da América Latina, a Quantização
Linear adota o padrão (Lei A) de 13 segmentos e 16 níveis por segmento.

5.4 Compressão

Os primeiros equipamentos PCM adotavam, para execução da Quantização


Não linear, um sistema de compressão do sinal analógico antes de passar por um
Quantizador Linear, ou seja; Compressão + Quantização Linear = Quantização
Não Linear.

A compressão é a operação que consiste em comprimir as amostras do


sinal PAM com o objetivo de melhorar a transmissão. Sabemos que o ruído de
quantização independe do nível do sinal, uma vez fixada a máxima excursão dos
níveis e o número de níveis de quantização. Neste caso o ruído é constante e a
relaçao sinal-ruído dependerá somente do nível do sinal. Mas este sendo variável
com o tempo, a relação sinal-ruído será máxima, quando o nível for máximo e
mínima quando o nível for mínimo. Para mantermos a relação sinal/ruído o mais
constante possível deve-se diminuir os intervalos entre os níveis de quantização
onde estão os baixos valores das amostras e aumentarmos estes intervalos
quando a amplitude das amostras forem grandes.
É importante destacar que a Quantização na Linear pode basicamente ser
efetuada de duas formas:
1- Executando a compressão prévia do sinal de acordo com as Leis A ou
μ e daí efetuando uma compressão linear tradicional.
2- Executando diretamente uma Quantização Não Linear baseada nas Leis
citadas. Isso pode ser executado, inclusive, juntamente com o processo de
codificação em um só CI.

A alternativa 2 é a mais moderna e mais utilizada. A seguir uma descrição


sucinta das Leis A e μ .

5.4.1 Leis de Compressão

O grau de não-uniformidade na quantização é conhecido como lei de


compressão. Várias curvas de compressão foram estudadas, verificando-se que
leis de compressão logarítmica eram mais convenientes. Como os sistemas
recebem tanto sinais positivos quanto sinais negativos, as curvas são simétricas e
passam pela origem. A parte da curva que se refere a sinais pequenos tem
inclinação mais acentuada comparada com a quantização linear.

a) Lei µ (aplicável aos PCMs do padrão Americano e Japonês com 24 canais)

O grau de compressão pode variar conforme o valor de µ , que é


normalmente 100 ou 225 (T1-D1, primeiros sistemas americanos e japonês) e
µ = 255 (T2-D2 idem), ilustrados na Figura 3.6
Figura 5.6 – Curva de compressão da lei µ

b) Lei A (aplicável ao padrão europeu com 30 canais)

É a lei adotada nos sitemas PCM da Europa, América do Sul (inclusive


Brasil), África e em todas as rotas internacionais. A compressão é linear para
pequenos sinais e revertida em logarítmica para sinais grandes.

O valor de A = 87,6 (correspondente à solução da equação A/(1+lnA) = 16,


que é o valor da inclinação dos segmentos próximos à origem) é recomendado,
pelo CCIT, para o sistema primário de 30 canais e é usada na forma segmentada,
pois isso leva a grandes vantagens na implementação, como se verá adiante.
Quando usada na forma segmentada, a curva contínua é dividida em
segmentos, conforme o gráfico da Figura 3.7. Observa-se, então, que os sinais de
menor amplitude são realçados (inclinação 16 nos segmentos 0 e 1), enquanto os
de maior amplitude são comprimidos (inclinação ¼ no segmento 7). Dada a
colinearidade dos segmentos 0 e 1, tanto para sinais positivos como negativos, a
compressão obtida é, às vezes, denominada de “13 segmentos”.
Figura 5.7 – Curva de compressão da lei A segmentada – ciclo positivo

Características básicas que representam a lei A:

1. Cada segmento tem o mesmo número (16) de níveis de quantização

2. Os intervalos entre níveis dentro de um mesmo segmento devem ser iguais.

3. Os intervalos em todos os segmentos devem ser múltiplos integrais dos


intervalos contidos no primeiro segmento, correspondente às menores amplitudes,
ou seja, se o primeiro segmento tiver intervalos iguais a 1/n, onde n é o número de
níveis de quantização, o segundo segmento deverá ter intervalos iguais a 1/Kn; o
terceiro iguais a 1/K'n e assim sucessivamente.
A Figura 5.8 mostra uma tabela onde estão colocados todos os níveis
possíveis, desde 0 até 4096, sendo estes valores unitários normalizados, onde
4096 corresponde a uma amplitude máxima de 3,14dBm. Nota-se nesta tabela
que cada segmento e o nível do segmento recebem um certo valor binário, que
veremos mais a frente e representará o valor codificado digitalmente do valor da
amostra.
A Figura 5.8 já corresponde á codificação com valores quantizados com base na
quantização não linear e compressão referente á Lei A. Observe que as maiores amplitudes
estão sujeitas a um maior erro de aproximação e as menores amplitudes têm uma
aproximação bem melhor.
Se considerarmos, por exemplo, uma amostra com amplitude entre 2.432 e 2.559
unidades, teremos que todos os valores originalmente nessa faixa de amplitude, terão uma
mesma representação digital, ou seja: 1110011, onde os três primeiros bits representam o
segmento e os quatro últimos o nível dentro do segmento. N arealidade a representação de
cada amostra é com 8 bits, sendo que o primeiro bit representa a polaridade.
6. Sistemas PCM
6.1 Codificação em Sistemas PCM

A codificação é a operação que associa um determinado código a cada


valor de pulso PAM após serem quantizados e comprimidos. A necessidade da
codificação dos pulsos PAM vem do fato de que caso estes pulsos fossem
transmitidos diretamente, as amplitudes dos sinais seriam facilmente distorcidas
pelo meio de transmissão, e os circuitos de identificação dos diversos níveis dos
pulsos sem a codificação seriam extremamente complexos, já que teríamos pelo
menos cerca de 100 níveis transmitir sinais de voz.
Utilizando o código binário os pulsos são codificados por dois níveis de
amplitude possíveis, expresso por 1 ou 0 o que simplifica em muito os circuitos de
reconhecimento destes sinais. Basicamente, o processo de codificação consiste
em associar um código binário a cada segmento e a cada nível do segmento.
Conforme mostrado na Figura 6.7 e 6.8 as amostras poderão pertencer a 7
segmentos e cada segmento tem 16 níveis. Para codificarmos os 7 segmentos
necessitaremos de 3 bits e os níveis ao segmentos são necessários 4 bits, ou
seja:

Observação: Devido ao segmento I conter 32 níveis (vide Figura 5.7 e 5.8),


utilizam-se 2 códigos para indicar as amostras na primeira (níveis 1 a 16) e
segunda metade (níveis de 17 a 32). Alguns autores denominam essas partes de
subsegmentos I e I`.
6.2 Palavra PCM

Nos atuais sistemas PCM, o codificador converte as amplitudes dos pulsos


PAM num código binário de 8 bits, que já se encontra na forma comprimida. Este
código de 8 bits, que é denominado palavra PCM, apresenta as seguintes
características:

Bit 1 – Polaridade da amostra:


Indica se a amostra encontra-se na metade superior ou inferior da curva de
compressão

Bit 2, 3, 4 – Segmento:
Indica qual o segmento (de I a VII) dentro da metade definida pelo
primeiro bit em que se encontra a amostra em questão

Bit 5, 6, 7, 8 – Nível do segmento:


Indica qual o nível (de 1 a 16) em que foi quantizada a amostra no segmento.

É interessante observar que todo o processo da obtenção de sinais PCM


ocorre no codificador, que combina as operações de amostragem, quantização,
compressão e codificação

Exemplos de codificação supondo todas amostras positivas

1. Amostra com valor unitário igual a 362

2. Amostra com valor unitário igual a 3586


3. Amostra com valor unitário igual a 3710

Convem sempre lembrar que os octetos exemplificados irão representar amostras da


informação transmitida, podendo ser amostras da voz durante uma conversação telefônica,
ou ainda amostras da sinalização MFC que antecede a conversação. No caso da entrada do
canal PCM estar conectada a um modem para transmissão de dados, então esse modem terá
que ser analógico e os octetos representarão as amostras dos sinais já modulados com
portadora (FSK, QAM, PSK,etc).

6.3 Características do Multiplex TDM-PCM

A característica essencial do sinal TDM é o intervalo de tempo (time slot)


que corresponde à palavra PCM de 8 bits. Ao conjunto de intervalos de tempo,
associados a canais diferentes e seguindo uma certa ordem pré-fixada, que se
repetem de período a período, dá-se o nome de quadro (Frame). A Figuras 6.1 e
6.2 mostram a estrutura de multiplexação de um sistema PCM de N canais

Figura 6.1 – Estrutura de quadros de sinais TDM-PCM


Figura 6.2 – Multiplexação no tempo de um sistema PCM de N canais

Pela Figura 6.1 nota-se que a duração de um quadro é definida pelo tempo
entre dois intervalos de tempo sucessivos, associados ao mesmo canal. No caso
do sistema E1, a duração de um quadro é de 125 micro segundos,
correspondendo ao inverso da freqüência de Amostragem ( 1/ (8 KHz)), O número
de intervalos de tempo(time slots) dentro de um quadro define a capacidade do
sistema TDM, que está diretamente relacionada com a duração dos pulsos de
amostragem, ou seja, quanto mais estreitos maior a quantidade de intervalos de
tempo. Como a largura de banda de um sistema TDM depende do número de
canais e da freqüência de amostragem, ao diminuirmos a largura dos pulsos,
aumentamos o número de canais, o que implica na necessidade de um meio de
transmissão com faixa mais larga. Deste modo deve haver um compromisso entre
a capacidade do TDM e a faixa do meio de transmissão. A Figura 4.3 mostra o
diagrama de blocos do processo de multiplexação e demultiplexação em sistemas
PCM.
Figura 6.3 – Diagrama de blocos MUX-DEMUX - PCM

Da Figura 6.3 pode-se identificar os seguintes blocos:

* Contador:
Representa um circuito digital seqüencial que possui N estados
(determinado pelas condições 0 ou 1) representado por um conjunto de flip-flops
internos e que excitado por um sinal de relógio (clock) a uma taxa de N*8Khz
muda seqüencialmente do estado 0 ao estado N-1.
* Decodificador:
Representa um circuito digital combinacional que, excitado pelas saídas do
contador e possuindo N saídas, ativa cada uma delas (colocando unicamente
aquela em nível lógico 1) quando o contador estiver no estado de mesmo número.

* Multiplexador
Representa um circuito digital combinacional com 1 entrada de dados e N
saídas, controlado pelas saídas do contador.
* Conversor A/D e D/A
O conversor A/D é o responsável pela implementação da quantização e a
codificação, enquanto que o conversor D/A é o responsável pela implementação
da decodificação.

* Filtro Passa-Baixa (FPB)


O filtro é responsável pela reconstituição do sinal analógico.

6.4 Especificações CCITT para o sistema PCM de 30 + 2 canais

O sistema primário de 30 + 2 canais é recomendado pelo CCITT e adotado


no Brasil através de regulamentação da antiga Holding Estatal Telebrás. O sinal
de áudio de cada canal é filtrado em 3.400 Hz e amostrado a 8Khz. Para a
geração dos sistemas PCM de 30 + 2 canais (Recomendação G732), as
características e as definições correspondentes são:

6.4.1 Canal

É um conjunto de recursos técnicos que possibilitam a transmissão da


informação de um ponto para outro, acarretando conseqüentemente o conceito de
ligação unidirecional. Conduz um conjunto de 8 bits que podem ser relativos à
codificação de uma amostra de voz, ou de outras informações, tais como,
sincronismo de quadro,sinalização MFC,etc.
6.4.2 Intervalo de tempo de canal (ITC)

Corresponde ao intervalo de tempo dedicado a transmissão das amostras


relativas a um determinado canal. Em cada período de amostragem, tem-se:
T = 1/8000 = 125 µs.
O tempo requerido para transmitir 32 ITCs, é definido como quadro (frame),
ou seja: um quadro corresponde a um ciclo que abrange uma amostra,
representada por 8 bits, de cada um dos 32 canais.
No PCM E1 padrão europeu, o tempo para cada mensagem (amostra por
canal) será: 125/32 = 3,9 µs. Ou seja cada ITC terá duração de 3,9 µs e conterá 8
bits.

6.4.3 Intervalo de tempo de bit (ITB)

É o intervalo de tempo dedicado a transmissão de um bit O ITB corresponde na


verdade a largura do bit.

Em cada ITC, tem-se 3,9 µs, logo:


ITB = 3,9µs/8 = 0,4875 µs = 488 ns

6.4.4 Velocidade de transmissão

Define o número de bits transmitidos na unidade de tempo. Para calcular


essa velocidade, os seguintes parâmetros são considerados:
* freqüência de amostragem = 8Khz (que atende ao Teorema da Amostragem).
* número de bits transmitidos durante o ITC = 8 bits
* número de ITCs transmitidos durante um intervalo de amostragem = 32
A velocidade de transmissão (taxa de transmissão) é dada por: 8000*8*32 =
2.048.000 bits/s ou então 2,048 Mbits/s. Deve-se ressaltar que, cada um dos 32
canais individualmente é transmitido em (8 bits) x (8 KHz)= 64 Kbit/s.

6.4.5 Quadro

Define-se por quadro (frame) o conjunto de todos os canais enviados em


um período de amostragem. Conforme pode ser visto na Figura 4.4, a estrutura de
um quadro é constituída por 32 canais numerados de 0 a 31. Cada quadro possui
32*8 = 256 bits. Em cada quadro o canal 0 (zero) é utilizado basicamente para
transportar o sincronismo de quadro e o canal 16 para transportar a informação de
sinalização. Assim, os canais 1 a 15 e 17 a 31 são dedicados para as amostras
de voz, totalizando portanto, 30 canais de voz. O quadro determina a capacidade
de transmissão de um enlace.
Figura 6.4 – Estrutura de um quadro no sistema PCM E1.

Observar que 30 canais (time slots de 8 bits por amostra) são utilizados
para comunicação efetiva, enquanto 2 canais restantes ( o 0 e o 16) são
utilizados, respectivamente, para sincronismo de quadro / alarmes (canal 0) e
sincronismo de multiquadro / sinalização de linha (canal 16). .

6.4.6 Multiquadro

É a seqüência de 16 quadros correspondentes a uma varredura completa


com as informações de sinalização, sincronismo e alarme dos 32 canais com
tempo total igual a:
125 µs * 16 = 2ms.
Observa-se que os circuitos telefônicos necessitam transmitir sinalização de
linha ( atendimento, ocupação, desligamento ). Essa sinalização é transmitida em
velocidade bem menor que 64 kbit/s, conforme explicaremos posteriormente.
É necessário também que o receptor trabalhe sincronamente com o sinal
recebido do transmissor a nível de bit.
Para tornar isto possível, duas soluções se apresentam como possíveis:
1ª) Adicionar fios separados com o objetivo de enviar informações de
sincronismo e sinalização;
2ª) Aproveitar o próprio sinal transmitido com as informações adicionais de
sincronismo e sinalização.
A primeira solução estaria contrariando um princípio básico adotado,
quando de introdução da multiplexação que é a economia de meios de
transmissão (fios, fibras, etc)
A segunda solução, que é realmente utilizada, permite a extração dessas
informações quando da transmissão do sinal.
A Figura 6.5 mostra como são transmitidas as informações adicionais de
sincronismo, sinalização e alarmes na estrutura do multiquadro.
Figura 6.5 – Estrutura de um multiquadro

No desenho da Figura 6.5 pode-se verificar que o canal 0 (zero), de todos


os quadros pares , é usado para transportar informações, relativas ao sincronismo
(ou alinhamento) de quadro, enquanto os canais 0 (zero) dos quadros ímpares
transmitem informações relativas aos alarmes.

A Figura 6.6 apresenta uma visão dos conteúdos do multiquadro, do quadro


e de um canal, com os respectivos intervalos de tempo.
Figura 6.6 – Estrutura de um multiquadro/quadro/canal do PCM E1.

O Multiquadro serve como referência para o ciclo de informações da


sinalização de linha transmitida via IT 16, observe que a velocidade de
transmissão dessa sinalização é bastante baixa, podendo ser 1 kbit/s (4 bits de
sinalização de linha por IT 16) ou até 500 bit/s (2 bits de sinalização de linha por IT
16) . Considerando a segunda opção, ao longo de 15 IT`s 16 teríamos a cobertura
completa de da sinalização de linha de todos os 30 canais (uma amostra de cada),
essa referência é importante para designar a posição (fase) para recepção da
sinalização de linha de cada canal. Só assim, será possível a distinção dos
respectivos canais de sinalização de linha ,já que essa sinalização é transmitida
numa velocidade diferente daquela usada para canais de voz correspondentes (64
kbit/s).

6.4.7 Sincronismo ou alinhamento do quadro

Essa informação é de grande importância, pois através dela garante-se


que, na recepção, os canais de voz sejam demultiplexados na seqüência exata.
De acordo com a recomendação G732 do CCITT o alinhamento de quadro é
considerado perdido, quando três (3) sinais de alinhamento de quadro pares
consecutivos (palavras de sincronismo) tenham sido incorretamente recebidos. A
perda de alinhamento pode acontecer em várias circunstâncias, tais como falhas
do sistema (hardware e/ou software) e degradação qualitativa do meio de
transmissão. O sincronismo é considerado restaurado quando da recepção de
dois (2) quadros pares consecutivos de sincronismo. O tempo de espera para a
recuperação do sincronismo é da ordem de 0,5 µs conforme o desenho da Figura
6.7.

Figura 6.7 – Tempo de recuperação de sincronismo


O sinal de alinhamento de quadro será considerado recuperado quando for
recebido corretamente duas vezes seguidas.
A seqüência para aferição da recuperação do sincronismo (alinhamento de
quadro) está detalhada no fluxograma abaixo. Observa-se que, após a primeira
detecção da palavra de sincronismo, ocorre o deslocamento de 125
microsegundos (um quadro) e daí é testado o segundo bit (B2) do octeto
correspondente ao canal zero de um provável quadro ímpar (canal de alarmes),
caso B2 seja diferente de “1”, então a palavra detectada não era a de sincronismo.
Para um melhor entendimento desse detalhe, convém consultar as figuras 6.9 e
6.11.

Figura 6.8 – Diagrama de fluxo – alinhamento de quadro

6.4.8 Informação de alarme

Nos ITCs (Intervalo de tempo de canal) 0 (zero) dos quadros ímpares,


encontram-se palavras que podem a caracterizar informações particulares que
normalmente representam sinais de alarmes do equipamento terminal distante.
Finalmente, pode-se representar a estrutura do canal zero (0) pela Figura 6.9 a
seguir.
Figura 6.9 – Estrutura do canal zero

Verifica-se também, pela Figura 6.9, que os quadros pares e ímpares são
também denominados de A e B, respectivamente.
As providências a serem tomadas em caso de falha no alinhamento de
quadro são as seguintes:
No terminal local X:
1. acionar alarme local;
2. bloquear a comunicação nos canais telefônicos na direção de recepção;
3. o bit 3 do intervalo de tempo do canal 0 (zero), dos quadros que não
contenham a informação de alinhamento de quadro, deve ter seu estado 0
(zero) mudado para 1 (um) na direção de transmissão de X para Y;
4. indicar ao equipamento de comutação que ocorreu perda de alinhamento
de quadro, para que os circuitos sejam removidos do serviço.
No terminal distante Y:
Quando for recebido, no terminal remoto Y, o bit 3 do intervalo de tempo do
canal 0 (zero) dos quadros que não contenham o sinal de alinhamento de quadro,
o estado 1 (um), indicando perda de alinhamento de quadro no terminal X, os
seguintes procedimentos devem ser adotados:
1. acionar alarme local;
2. indicar ao equipamento de comutação que ocorreu perda de alinhamento
de quadro, para que os circuitos sejam removidos do serviço.

6.4.9 Perda de sincronismo de multiquadro

Já foi visto anteriormente que o sincronismo de multiquadro é necessário


apenas para a informação de sinalização de linha de canais, servindo para
identificar, na recepção, a posição exata dos canais de sinalização. O CCITT
recomenda o uso do canal 16 para o sincronismo de multiquadro.
No canal 16 do quadro zero (0), os bits de 1 a 4 formam a palavra de
sincronismo de multiquadro. O bit número seis (6) do mesmo canal é utilizado para
os alarmes de sincronismo de multiquadro, sendo o mesmo 0 (zero) ou 1 (um).
Será 0 (zero) quando não houver alarme de multiquadro ou será 1 (um) quando
houver alarme de multiquadro a ser transmitido.
Os canais 16 dos quadros de 1 a 15 têm como função transmitir as
informações referentes às sinalizações de linha utilizadas em telefonia tais como
ocupação do juntor, atendimento, discagem, desligamento, etc.
Existem alternativas para transmissão dessa sinalização de linha, inclusive
com alterações de velocidade. Embora na opção mais simples apenas um bit
poderá representar o estado ”terra presente ou terra ausente”, vamos descrever, a
seguir, algumas formas utilizadas.
A primeira alternativa padronizada pelo UIT (antigo CCITT) é, no canal 16
do quadro 1 os primeiros 4 bits são associados à sinalização do canal 1 e os
últimos 4 bits à sinalização do canal 17. Essa distribuição serve para os demais
quadros, de forma a abranger todos os canais utilizados para voz, ou seja, canal 1
a 15 e 17 a 31, conforme mostra a Figura 6.10.
Pode-se verificar ainda que o canal 16 passa a funcionar como um “Canal
Associado aos Canais de Voz” transmitindo a sinalização de linha, através dos bits
1 e 3 para um canal e 5 e 7 para o outro canal, representados pelas letras A e B
na Figura 4.10. O CCITT recomenda, ainda, a utilização do canal 16 para
“Sinalização por Canal Comum”; neste caso o canal 16 é utilizado para transmitir
informações comuns tais como testes, rotinas, alterações de dados, etc.

Figura 6.10 – Estrutura do canal 16

O canal 16, a partir do quadro 1 a 15, pode ser dividido em 3 partes,


conforme mostra Figura 6.11 mostrada a seguir.
Figura 6.11 - Diagrama temporal de ocupação de bits do sistema E1, com
aplicação de sinalização de linha através IT 16 dos quadros 1 a 15.

Convém destacar que a Sinalização por Canal Comum # 7 corresponde à


mais moderna forma de sinalização atualmente disponível, na SCC#7 deixam de
existir as tradicionais sinalizações MFC e de Linha.
A SCC#7 é efetuada através do IT 16 em 64 kbit/s, mas esse assunto será
apresentado apenas na próxima avaliação.

A figura 6.12 já corresponde a uma nova opção de alocação de bits para o


IT 16. Nesse caso os bits 8, dos quadros ímpares, sao utlizados para transmitir
informações comuns aos processadores. Os bits C0 a C7 formam a estrutura
básica para escoar pacote assíncrono.
Figura 6.11 – byte formado pelo 8º bit do canal 16

Assim, conforme é mostrado na Figura 6.11, o bit 8 (oito) é utilizado como


canal comum, transmitindo as informações comuns aos processadores. Pode-se
verificar pela Figura 6.12 que os bits de número 8 de todos os quadros ímpares
formando um byte que pode servir para escoar pacotes de forma assíncrona.
Figura 6.12 – Utilização dos bits 1 a 8 do canal 16

Basicamente o canal 16 pode ser dividido em 3 partes:

1ª) O quadro 0 (zero) praticamente serve para transmitir as informações


relacionadas ao alinhamento do próprio multiquadro.
2ª) Os bits1, 3, 5 e 7 dos quadros 1 ao 15 constituem-se no Canal
Associado aos Canais de Voz, utilizado para transporte de sinalização de linha
conforme apresentado na figura 6.10.
3ª) O oitavo bit do canal 16 dos quadros ímpares, constitui o conjunto de
“Sinalização por Canal Comum”, transmitindo as informações entre os
processadores envolvidos nos extremos da chamada telefônica.

7. Transmissão
7.1 Introdução

Já foi visto que as amostras do sinal a ser transmitido têm que ficar
sincronizadas com o temporizador no lado de recepção, possibilitando, na
demultiplexação, que o grupo de oito bits seja separado na seqüência correta. No
momento da transmissão, o sinal PCM necessita passar por uma importante etapa
antes que possa ser acoplado à linha.
Observa-se, por outro lado, que o sinal processador num sistema PCM,
apresenta-se sob código binário na forma NRZ (No Return to Zero), conforme o
desenho da Figura 7.1

Figura 7.1 – Código binário na forma NRZ


Verifica-se pela Figura que os pulsos ocupam todo o intervalo de tempo de
um canal, logo o intervalo de tempo de bit é t = 3,9µs/8 = 488 ns.
O código NRZ, no entanto, não é aconselhável para o envio à linha de
transmissão devido a diversos motivos, entre os quais destacamos os seguintes:
* componente de CC introduzida na linha, o que impende o uso de
transformadores de acoplamento necessários aos repetidores regenarativos;
* alta freqüência de pulsos de mesma amplitude, ocasionando grande
atenuação do sinal de linha;
* conteúdo de energia do sinal de linha, relativamente grande, devido a
amplitudo dos pulsos ocuparem todo o intervalo de tempo t (Figura 7.1)

7.2 Codificação de Linha

Devido a esses fatos, foram realizadas pesquisas no sentido de se criar


códigos conhecidos também como Códigos de Linha com o objetivo de atenuar
esses efeitos. Assim, o estudo foi desenvolvido para obter os seguintes
resultados, como conseqüência natural dos motivos anteriores.

1º) não permitir a existência de componentes contínuas, no Código de Linha,


pois os transformadores bloqueiam essas componentes;
2º) utilizar nas entradas dos regeneradores filtros que possibilitam a atenuação
das baixas freqüências;
3º) redução da energia dos componentes de alta freqüência.

Uma forma para atender aos objetivos definidos é a conversão do trem de


pulsos PCM de unipolar para bipolar, eliminando conseqüentemente, a
componente CC, além de colocar a maior parte da energia do sinal PCM à metade
da velocidade de transmissão. O uso do sinal bipolar também possibilita a redução
de energia das componentes de alta freqüência, reduzindo a diafonia.
Observa-se um outro ganho importante, pois o sinal bipolar corresponde a
uma freqüência maior, incidindo diretamente na transferência do limite inferior de
CC para uma freqüência mais elevada, tornando o sinal menos suscetível a
interferências.
Um dos códigos inicialmente desenvolvido para a transmissão do sinal é o
AMI (Alternate Mark Inversion) também conhecido como bipolar.

7.3 Transformação do NRZ para AMI

O código AMI que poderia ser traduzido como Marcas Alternadas Invertidas
(Alternative Mark Inversion) , apresenta as seguintes etapas:

* Transformação dos pulsos NRZ para RZ (Return to Zero)

Nesse caso os pulsos positivos correspondentes ao valor binário “1”


passam a ocupar a metade do tempo do bit. Assim o pulso passa a ter a largura
de 488ns/2 = 244 ns.
* Inversão de polaridade dos pulsos alternados

Os pulsos apresentam dois níveis de tensão, positivo e negativo que são


transmitidos alternativamente. Dessa forma nunca poderão existir dois pulsos
consecutivos de mesma polaridade, conforme ilustra o desenho da Figura 7.2

Pode-se verificar ainda pelo desenho da Figura 7.2 que o sinal bipolar possui
na verdade três estados possíveis:
* positivo;
* negativo;
* zero.

Figura 7.2 – Passagem do código NRZ

Acontece, no entanto, que se trata efetivamente de um sinal binário, onde


os pulsos positivos e negativos representam “marca” e o zero representa espaço.
Por esta razão o sinal é também chamado pseudoternário. Uma das vantagens do
sinal AMI é a possibilidade de eliminação da componente CC, porém possui
também algumas desvantagens do ponto de vista de sincronização. Pode-se
observar que os próprios pulsos PCM são usados para sincronizar os geradores
de relógio nos regeneradores. Acontece, porém, que o sinal PCM é constitupido
por uma seqüêcia aleatória de 1s e 0s, havendo, portanto, a possibilidade de que
uma longa sucessão de zeros (0) deixaria os geradores de relógio sem
sincronismo. Para evitar isso, outras formas de sinal ou código foram
desenvolvidas. Um desses códigos, que tembém é recomendando pelo CCITT
(Recomendação G703), é denominado HDB-3 (HIGH DENSITY BIPOLAR – 3).
O código HDB-3 é na verdade uma complementação do código AMI, e tem
por finalidade evitar seqüência longa de zeros. Para prevenir contra um grande
número de 0s (zeros) na linha, introduz-se um pulso “V” (violação de bipolaridade)
com sinal igual ao pulso anterior.
As regras de codificação de HDB-3 são as seguintes (acompanhar com a
Figura 7.3)
* (1) Necessário existir 4 “zeros” consecutivos na linha;
* (2) Duas são as possibilidades para a codificação;
- (2.1) Violação anterior “V” foi de sinal oposto ao “1” imediatamente
anterior aos quatro “zeros”. Neste caso adiciona-se o pulso de violação
após o terceiro zero, com polaridade igual ao pulso “1” anteriores
- (2.2) Violação anterior “V” foi do mesmo sinal que o “1”
imediatamente anterior aos quatro “zeros”. Nesse caso o primeiro intervalo
após o “1” é também um dígito “1” de polaridade oposta ao pulso anterior,
denominado de pulso falso. Os dois intervalos seguintes serão zero,
seguido de um pulso “V” de mesma polaridade que o pulso falso. Assim,
pode-se concluir que a adição de pulsos de violação e pulsos falsos, tem
como objetivo quebrar a alternância de polaridade no conjunto de quatro
zeros e, ao mesmo tempo, manter a componente CC praticamente igual a
zero ao longo do trem de pulsos do sinal PCM.

Figura 7.3 – Código HDB3

Resumindo:

* O 2º e 3º espaços da seqüência serão sempre representados por zeros


* O 4º espaço da seqüência será sempre substituído por uma violação (um
pulso de mesma polaridade que o último pulso do sinal).
* O 1º espaço da seqüência será sempre substituído por uma marca (pulso
de polaridade oposta ao último pulso presene no sinal) somente quando o pulso
que o precede imediatamente for uma marca de polaridade igual a da última
violação ocorrida, ou se constituir uma violação em si, caso contrário será
representada por um zero.
O fluxograma da Figura 7.4 mostra simplificadamente os passos que devem
ser tomados quando do aparecimento de quatro zeros consecutivos.

Figura 7.4 – Fluxograma de codificação de linha HDB3

Exemplo de sinal codificado em HDB-3.

7.4 Regeneração do sinal

Um ponto altamente favorável à transmissão digital frente a analógica é a


possibilidade de reconstruir o trem de pulsos transmitidos após o mesmo ter
passado por um meio de transmissão dispersivo e ruidoso. O processo de
reconstituição é realizado através de repetidores (regeneradores) localizados ao
longo da linha, a distâncias previamente determinadas. A distância entre
regeneradores depende do tipo de cabo, sendo da ordem de 2 a 3 Km.

A Figura 6.5 mostra um diagram em blocos do regenerador.


Verifica-se que os pulsos, distorcidos e atenuados devido às perdas da
linha de transmissão, passam após o acoplamento por um circuito equalizador e
amplificador com o objetivo de modelar e aumentar o nível do sinal de entrada. O
circuito do relógio utiliza pulsos extraídos do sinal de entrada os quais são
utilizados para definir os tempos de decisão. Mais uma vez pode-se enfatizar o
porquê de se utilizar o código HDB-3, visto que o relógio poderia perder o
sincronismo caso houvesse uma longa seqüêcia de zeros. O circuito regenerador
verifica, nos instantes de decisão, se o sinal de entrada excedeu o nível de
decisão, para então, fornecer um novo pulso de saída.

Figura 6.5 – Diagrama de blocos do regenerador

6.5 Circuito de relógio

É interessante observar como se processa a extração do sincronismo do


relógio, partindo do sinal da linha, cujo diagrama em blocos é mostrado na Figura
6.6

Figura 7.6 – Circuito de Relógio


O sinal vindo do amplificador equalizador é aplicado a um retificador de
onda completa, cuja saída apresenta a forma de onda de Figura 5.7B
Esse sinal é então encaminhado a um circuito sintonizado de altíssimo Q,
da ordem de 15, centrado na freqüência f = 2048 Khz. A saída do filtro passafaixa
fornece o sinal senoidal na freqüência de sintonia, conforme o sinal da Figura
7.7C. Observe a existência de um circuito tanque que oscila
Figura 6.7 – Formas de onda do circuito de relógio
naturalmente com uma amplitude que decai exponencialmente, até que um novo
pulso o estimule novamente. Essa operação é ilustrada na Figura 5.6C' onde
evidencia que a distância entre os pulsos não pode ser muito grande. O sinal
senoidal é então aplicado a um circuito conversor de onda senoidal em quadrada
(Figura 5.7D), cuja saída está ligada a um circuito diferenciador, obtendo-se
finalmente o sinal de relógio (Figura 6.7E)

6.6 Representação das fases do sistema PCM em níveis


homólogos

Figura 6.8 – Estrutura do sistema PCM em níveis homólogos


8-Hierarquias Superiores do PCM (PDH)

O sistema PCM E1 estudado anteriormente corresponde apenas uma base


inicial de um a estrutura bem mais ampla que foi desenvolvida a partir dos anos
70. Denomina-se Hierraquia Digital Plessiócrona (PDH) à estrutura desenvolvida
para possibilitar a transmissão, por um único meio, de uma quantidade maior de
canais multiplexados no tempo.
As figuras abaixo ilustram exemplos de sistemas PDH em 3ª Hierarquia
interligando centrais telefônicas. Na figura 8.1 temos 480 canais formando um
sinal de 34 Mbit/s transmitido via enlace rádio digital na interligação de duas
centrais analógicas.
Observa-se que a hierarquia posterior tem sempre quatro vezes a
capacidade de canal da hierarquia anterior. Entretanto a velocidade da posterior é
um pouco mais de quatro vezes a taxa de transmissão da anterior. Isso se deve
ao fato de haver necessidade de inserir bits adicionais de controle (“over head
bits”) para cada etapa de multiplexação TDM.
Comercialmente a capacidade dos sistemas PDH alcançam 7.680 canais,
entretanto o surgimento da tecnologia SDH, que descreveremos na próxima
avaliação, impediu que a PDH continuasse em ampliação.

Figura 8.1- Sistema de transmissão digital PDH via Rádio interligando duas
centrais analógicas.
Aula Prática

Amostrador/ Armazenador:

O princípio fundamental do processamento digital de sinais é o da


amostragem do sinal analógico. A Figura 1 ilustra de forma conceitual o
processo da obtenção das amostras do sinal analógico. A chave exibida
fecha periodicamente sob o controle de um sinal de comando do tipo pulso
periódico (relógio). O tempo de fechamento da chave, τ, é relativamente
curto e as amostras obtidas são armazenadas (retidas) no capacitor. O
circuito da Figura 1 é conhecido como circuito de amostragem e retenção ou
circuito de sample and hold (S/H). Como indicado, o circuito S/H consiste
em uma chave analógica, que pode ser implementada por uma porta de
transmissão MOSFET, um capacitor para retenção e um amplificador

isolador.

A -
B-

C-

D-
Figura 1 – (a) circuito de amostragem e retenção (S/H). A chave fecha por τ segundos a
cada período. b) Forma de onda do sinal de entrada. c) Sinal de controle para a chave. d)
Sinal de saída.

Entre os intervalos de amostragem – isto é, durante os intervalos de retenção -, o


nível de tensão no capacitor representa as amostra do sinal a que estamos nos referindo.
Cada um desses níveis de tensão é, então, passado para a entrada de um conversor A/D, que
fornece um número binário de N-digitos proporcional ao valor da amostra do sinal.

O fato de podermos fazer nosso processamento com um número limitado de


amostras do sinal analógico, enquanto ignoramos os detalhes do sinal analógico entre as
amostras, é baseado no teorema da amostragem. Este teorema parte do princípio de que um
sinal analógico possui uma grande quantidade de redundância sendo possível, portanto,
representá-lo apenas através de suas amostras desde que o período de amostragem obedeça
ao princípio de Nyquist que diz que a freqüência de amostragem fa deve ser maior ou igual
que a freqüência máxima do sinal a ser transmitido fm.
Experiências:

• Montamos o circuito da Figura 2

Figura 2 – Circuito de um Amostrador/Armazenador utilizando Amp. Ops.

• Aplicamos na entrada do circuito um sinal (V1) senoidal de 0,8 Vpp. E aplicamos


V3, regulando V2 (aproximadamente 1.65V), uma onda quadrada com pico superior 0 V e
inferior -5 V, como mostrado na Figura 3.

Figura 3 – Formas de onda em V2 e em V3.


• A forma de onda da tensão de saída é apresentada na Figura 4.

Figura 4 – Forma de onda na saída do circuito.

• A forma de onda da tensão de saída do circuito com a retirada do capacitor está


mostrada na Figura 05.

Figura 05 – Forma de Onda na saída do circuito de amostragem com a retirada do


capacitor.
• Funcionamento do circuito:

Um sinal V1 de 0.8 Vpp (f = 1kHz) está aplicado a entrada do


circuito que está protegida pelo resistor de 2.7 K e pelo diodo 1N4148
(limitador de corrente e garantia de que o FET terá tensão suficiente
para comutar).
Aplicando uma tensão quadrada de aproximadamente na
entrada inversora do Amp. Op.1 obtemos uma onda quadrada de 0 V a
- 5 V, conforme mostrado na Figura 3.
Quando o valor de V3 for - 5V, o FET BF245C é disparado (existe uma corrente em G),
permitindo a passagem do sinal de entrada do Dreno para a Fonte no FET. Isso carregará o
capacitor com a mesma tensão da fonte e este sinal é encaminhado para a entrada não-
inversora do Amp. Op. 2. No intervalo de tempo em que o FET conduz a onda de entrada
segue para a saída, no intervalo de tempo em que o FET corta (V3 = 0) o capacitor
descarrega-se enviando para a saída uma tensão igual à da entrada, conforme visto na
Figura 04. Caracterizando, desta forma, o seu funcionamento como circuito de retenção.
Com a retirada do capacitor, a forma de onda é mostrada na
Figura 5, verifica-se a ausência do sinal de entrada na saída do
circuito, caracterizando o funcionamento do circuito de amostragem.