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PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE

“Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam o núcleo central da própria


Contabilidade, na sua condição de ciência social, sendo a ela inerentes. Os princípios constituem
sempre as vigas-mestras de uma ciência, revestindo-se dos atributos de universalidade e veracidade,
conservando validade em qualquer circunstância. No caso da Contabilidade, presente seu objeto, seus
Princípios Fundamentais de Contabilidade valem para todos os patrimônios, independentemente das
Entidades a que pertencem, as finalidades para as quais são usados, a forma jurídica da qual estão
revestidos, sua localização, expressividade e quaisquer outros qualificativos, desde que gozem da
condição de autonomia em relação aos demais patrimônios existentes. (da Resolução n° 774 de
16.12.1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que, aliás, foi emitido com o intuito de melhor
explicar a Resolução n° 750/93).
São Princípios Fundamentais de Contabilidade:
I - o da ENTIDADE;
II - o da CONTINUIDADE;
III - o da OPORTUNIDADE;
IV - o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;
V - o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA;
VI - o da COMPETÊNCIA; e
VII – o da PRUDÊNCIA.
O PRINCÍPIO DA ENTIDADE.
Este princípio, basta saber que o Patrimônio de uma Entidade (pessoas jurídicas com ou sem
fins lucrativos) não se confunde com o Patrimônio de seus sócios, sejam eles pessoas jurídicas ou
pessoas físicas.
O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE.
A CONTINUIDADE ou não da ENTIDADE, bem como sua vida definida ou provável, deve ser
considerada quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e
qualitativas.
A CONTINUIDADE influencia o valor econômico dos ativos e, em muitos casos, o valor ou o
vencimento dos passivos, especialmente quando a extinção da ENTIDADE tem prazo determinado,
previsto ou previsível.
O PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE.
O Princípio da OPORTUNIDADE refere-se, simultaneamente, à tempestividade e à integridade
do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a
extensão correta, independentemente das causas que as originaram.
O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL
Os componentes do patrimônio devem ser registrados pêlos valores originais das transações
com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação
das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições
no interior da ENTIDADE.
Este Princípio determina que o registro de um elemento patrimonial deve ser efetuado pelo
valor original da transação, não importando que aquele ativo ou passivo tenha sofrido alteração após a
negociação. Desta forma, se houve a aquisição de uma mercadoria para revenda por R$ 1.500,00 e
posteriormente houve um aumento desta mercadoria para R$ 1.700,00, o registro deverá ser feito por
R$ 1.500,00.
O PRINCÍPIO DA ATUALIZAÇÂO MONETÁRIA
Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos
registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos
valores dos componentes patrimoniais.
O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA
As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que
ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento
ou pagamento.
O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no
passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para
classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do
Princípio da OPORTUNIDADE.
O PRINCÍPIO DA PRUDÊNCIA
O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes do
ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas
para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.

QUESTÕES
01- (Analista Mercado Capitais CVM 2000) - O procedimento de segregar o patrimônio da
empresa avaliada do patrimônio de seus sócios está fundamentado no conceito da:
a) entidade
b) identidade
c) prudência
d) materialidade
e) relatividade

02 – (Concurso Analista IBGE) - De acordo com a Resolução nº 750 do Conselho Federal


de Contabilidade, o Princípio da Oportunidade refere-se:
a) ao registro do patrimônio pelos valores originais ou corrigidos monetariamente;
b) à adoção do menor valor para os componentes do ativo e do maior para os do
passivo;
c) à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e de suas mutações;
d) ao reconhecimento dos valores resultantes da alteração do poder aquisitivo da
moeda nacional;
e) ao reconhecimento do Patrimônio como objeto da Contabilidade.

03 - (Analista Judiciário TRF CE) - "Refere-se, simultaneamente, à tempestividade e à


integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito
de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram". O
enunciado refere-se ao Princípio Fundamental de Contabilidade da (do):
a) Competência.
b) Registro pelo valor original.
c) Prudência.
d) Continuidade.
e) Oportunidade.

04 - (Analista Judiciário TRF CE) - Entre os Princípios Fundamentais de Contabilidade, a Res. CFC
750/93 do Conselho Federal de Contabilidade relaciona o Princípio da Atualização Monetária. A
aplicação deste princípio:
a) é facultativa.
b) representa nova avaliação, pois utiliza indexadores aptos a traduzir a variação do
poder aquisitivo da moeda nacional.
c) é compulsória quando a inflação acumulada no triênio for de 100% ou mais.
d) somente poderá ocorrer em demonstrações contábeis de natureza complementar às
demonstrações de natureza corrente, derivadas da escrituração contábil regular.
e) está suspensa até nova revisão dos Princípios Fundamentais de Contabilidade.

05 - (Analista Judiciário TRF CE) - Determinada empresa pagou juros antecipados, cobrados pela
instituição financeira na data da concessão do empréstimo bancário. O procedimento contábil de
apropriar ao Resultado as despesas de juros por quotas mensais, de acordo com a duração do
contrato, corresponde ao Princípio Fundamental de Contabilidade da:
a) Oportunidade
b) Uniformidade
c) Prudência
d) Realização da receita
e) Competência.

Ajuste Contábeis: Corrigindo Erros

Todos os fatos contábeis possíveis de se expressar em valores devem ser registrados de


acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade.
O resultado contábil serve de base para apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ
e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL, neste caso podemos concluir que qualquer erro
nos registros contábeis, com implicação direta no resultado, alteram a base tributária da entidade.

 Erros podem ocorrer ao fazer lançamentos


 Em sistemas financeiros, lidar com erros é mais complexo do que se pensa basicamente
porque registros anteriores não podem ser alterados ou apagados
 Importante para poder fazer auditoria
2 Precisamos consertar erros de forma que eventos e transações originais permaneçam
3 Os padrões de correção de erro (ajustes financeiros) que veremos se baseam no log imutável
de eventos que vimos no padrão Evento
4 Vamos criar novos eventos para corrigir eventos anteriores
5 Dois detalhes importantes:
 Precisamos de um mecanismo para ajustar os lançamentos corretamente quando
ajustamos o evento
 Portanto, precisamos achar os lançamentos correspondendo a um evento
 Precisamos ter certeza que o processamento futuro usará o novo evento e não o velho
2 Em outro padrão (Regra Secundária de Lançamento), já vimos como manter os
relacionamentos entre eventos e lançamentos
Como ajustar os lançamentos
 Há 3 formas:
 Ajuste por Substituição (Replacement Adjutsment)
 Ajuste por Estorno (Reversal Adjustment)
 Ajuste por Lançamento Diferencial (Difference Adjustment)
2 O mais simples é o Ajuste por Substituição
 Achamos os lançamentos associados ao evento original e os alteramos para refletir o
que deveriam ser com o novo evento
 Isso é simples mas raramente possível por dois motivos:
 Lançamentos são geralmente imutáveis devido à trilha de auditoria necessária
para auditar sistemas financeiros
 Outros processos financeiros (ex. emissão de uma fatura) terão sido iniciados
e não podem ser alterados como os lançamentos
 Como alterar uma fatura que já foi para os correios???
 Portanto, devemos fazer com que os ajustes façam parte do registro financeiro
2 A segunda técnica é o Ajuste por Estorno
 Aqui, achamos todos os lançamentos causados por um evento e criamos lançamentos
que os anulem (com valor inverso)
 Este lançamento cancela o original (mas ambos ficam registrados)
 Agora, o novo evento pode ser processado normalmente e os lançamentos corretos
serão criados
 Claro que o problema é que teremos muitos lançamentos adicionais
3 A terceira técnica é Ajuste com Lançamento Diferencial
 Determinamos como deveriam ter sido os lançamentos corretos e criamos novos
lançamentos que com valor igual à diferença entre o novo e o velho
4 Às vezes, podemos usar uma combinação de técnicas
 Exemplo, usa Ajuste por Substituição até um período de fechamento (quando, p. ex.,
se emite uma fatura)
 Depois, usa Ajuste por Estorno ou Ajuste Diferencial

Ajustes de Exercícios Anteriores - Normas Gerais


De acordo com a Lei da S/A, o lucro líquido do exercício não deve estar influenciado por efeitos
que pertençam a exercícios anteriores, ou seja, deverão transitar pelo balanço de resultados somente
os valores que competem ao respectivo período.
Como ajustes de exercícios serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança
de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não
possam ser atribuídos a fatos subseqüentes.

Mudança de Critério Contábil


A modificação de métodos ou critérios contábeis poderá ter ou não efeitos relevantes e,
também, poderá influenciar ou não a apuração do lucro líquido do exercício.
Observe-se que quando a modificação de métodos ou critérios contábeis afetar a apuração do
lucro líquido do exercício, o efeito correspondente deverá ser lançado, conforme o caso, a débito ou a
crédito da conta de "Lucros ou Prejuízos Acumulados".
Podemos citar os seguintes exemplos de alterações de critérios contábeis:
a) alteração do método de avaliação dos estoques (do custeio direto para o custeio por absorção para
o médio, etc.);
b) passagem do regime de caixa para o de competência, na contabilização do Imposto de Renda (e
outros passivos);
c) mudança no método de avaliação dos investimentos (do método do custo para o da equivalência
patrimonial).

Atualização Monetária

A“revogação” implícita do Princípio da Atualização Monetária, foi em 1995. A partir de então o uso
deste princípio ficou, aparentemente, como optativo.

Este princípio refere-se ao ajuste dos valores dos componentes patrimoniais, devido à perda do
poder aquisitivo num ambiente inflacionário. A Atualização Monetária representa apenas um ajuste dos
valores originais mediante aplicação de indicadores oficiais, que reflitam a variação do poder aquisitivo
da moeda e servem para homogeneizar as diversas contas das mais variadas espécies.

Procedimento Contábil
O Princípio da Atualização Monetária relaciona-se à manutenção dos valores registrados em
unidades monetárias equivalentes à transação efetuada, tendo por base o poder aquisitivo da moeda,
objetivando amenizar os efeitos da inflação sobre os valores registrados – em decorrência de fatos
passados – nas demonstrações contábeis.

De acordo com a Resolução nº. 750/1993 do CFC, o Princípio da Atualização Monetária visa
reconhecer os efeitos inflacionários nas demonstrações contábeis, assim se pronunciando:

“Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos
registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes
patrimoniais. São resultantes da adoção desse Princípio: a moeda, embora aceita universalmente como
Princípios e Normas Contábeis.”

Medida de valor, não representa unidade constante em termos do poder aquisitivo; para que a
avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais.
Tendo a Contabilidade o Patrimônio como objeto, os Princípios Fundamentais de Contabilidade
como núcleo central de orientação e como objetivo a correta apresentação do Patrimônio, bem como a
análise das causas das suas mutações, faz-se necessário atualizar sua expressão formal em moeda
nacional, a fim de que os valores dos componentes patrimoniais e, por conseqüência, o do patrimônio
líquido, permaneçam atualizados.

A determinação desse princípio está vinculada à perda do poder aquisitivo da moeda, que
requer ajustamento de sua expressão formal, visando manter o valor original das transações efetuadas,
devendo ser realizada por meio de indexador, de forma uniforme por todas as entidades, permitindo,
assim, possíveis comparações.

Hendriksen e Van Breda (1999, p. 106) reportam-se à importância e à limitação da unidade


monetária como medida de valor utilizada nas demonstrações contábeis, como a seguir:

Em muitos casos a unidade monetária é a unidade de medida, principalmente quando a


agregação de valor é necessária ou desejável. Entretanto, a unidade monetária possui suas limitações
como método de comunicação da informação, sendo a mais séria o fato do valor da unidade monetária
não permanecer estável com o passar do tempo. A limitação causada pela instabilidade da unidade de
medida requer certas modificações no uso de preços de troca de períodos diferentes, expressos em
termos monetários.
Situação das Demonstrações Contábeis
Até 31 de dezembro de 1995, as companhias abertas, por determinação da Comissão de
Valores Mobiliários, apresentavam dois conjuntos de demonstrações contábeis. Ambos os conjuntos
contemplavam a atualização monetária. Princípios e Normas Contábeis

O primeiro, denominado “Pela Legislação Societária” (LS), previa a atualização monetária de


determinados itens não-monetários. Nesse conjunto, o resultado da atualização monetária era
demonstrado em uma única linha. Além da não-atualização de todos os itens não-monetários, as
demonstrações contábeis correspondentes ao ano anterior, incluídas para fins de comparação, não
tinham seus valores atualizados para a moeda de capacidade aquisitiva da data do ano corrente, o que
dificultava a comparação de ambas.

O segundo conjunto de demonstrações, denominado “Pela Correção Monetária Integral” (CMI),


contemplava a atualização monetária de todos os itens não-monetários, além de todos os elementos
das demonstrações contábeis, a fim de traduzi-los à moeda de capacidade aquisitiva correspondente
ao final do exercício.

Esse segundo conjunto é considerado como aquele que atende ao Princípio de Atualização
Monetária e, portanto, o que está de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade, apesar
de não afetar as relações da Entidade com terceiros e acionistas, as quais são baseadas nas
demonstrações contábeis pela LS.

Com o advento da Lei nº 9.249, de 20 de dezembro de 1995, a partir de janeiro de 1996, foi
vedada a atualização monetária das demonstrações contábeis para fins fiscais e societários.Princípios
e Normas Contábeis

Apuração do Resultado do Exercício

Este é um dos mais importantes assuntos para os empresários, pois se trata de apurar o
resultado econômico da atividade. Apurar o resultado não significa meramente subtrair as despesas
das receitas, é necessário que seja feita de tal forma que o lucro ou prejuízo possa ser demonstrado de
maneira clara e transparente, facilitando a análise do leitor e eventuais decisões necessárias para
melhorar a performance da empresa.

O Patrimônio Líquido da empresa sofre alterações com as receitas e despesas. As receitas


fazem com que esse patrimônio aumente e as despesas fazem com que ele diminua seu valor, pois
essas contas servem para apurar o resultado do exercício contábil, que é um dos componentes do
Patrimônio Líquido.

Esquema do Balanço Patrimonial:

ATIVO PASSIVO
Bens e Direitos Obrigações
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital (+) RECEITA
Resultado

(-) DESPESA

As receitas representam entradas de novos recursos para a empresa e são controladas em


contas específicas (ex. Receita de Vendas, Receitas Financeiras etc.).
As despesas representam consumo de recursos da empresa e também são controladas em
contas específicas (ex.: despesa de salários, despesa de aluguel, despesa de materiais etc.).
Ao final de cada exercício contábil, é necessário fazer um confronto entre as receitas e
despesas com a finalidade de apurar o resultado da atividade empresarial e demonstrá-lo de forma
clara e transparente.
1. Encerramento das contas de resultado

Contabilmente, esse confronto entre Receitas e Despesas, no final do exercício, é feito por
meio de lançamentos de encerramento dessas contas, (deixá-las com saldo igual a zero), cuja
contrapartida seria dada em uma única conta, denominada “Resultado do exercício”. As receitas serão
creditadas e as despesas, debitadas na conta “Resultado do exercício”. A diferença entre os débitos e
créditos da conta “Resultado do exercício” será:

• lucro, se for credor;

• prejuízo, se for devedor.

Naturalmente, se o total das receitas for igual ao das despesas, a empresa não terá obtido nem
lucro nem prejuízo, isto é, obterá resultado nulo.

DESPESAS RECEITAS
DEBITO CREDITO DEBITO CREDITO

APURAÇÃO DO RESULTADO
Débito Crédito
Despesas Receitas

1.1. Apuração do Resultado do Exercício

Para apurar o resultado (lucro ou prejuízo) obtido pela empresa no período, é necessário
encerrar as contas de resultado (receitas e despesas). Sistemática de apuração do resultado:

1º. Passo: Apurar saldo final das contas de resultado

Os valores das despesas, quando incorridas, são levados a débito da conta que representa o
gasto correspondente, portanto, no final do exercício, terão sempre saldo devedor.

_________Despesas_________
______Débito | Crédito____
Saldo Devedor_______________
Os valores das receitas, quando realizadas, são levados a crédito da conta que representa a
geração do recurso, portanto, no final do exercício, terão sempre saldo credor.

__________Receitas_________
______Débito | Crédito____
______________Saldo Credor__

Apurados os saldos devedores de todas as contas de despesas e os saldos credores de todas


as contas de receitas, podemos partir para o 2o. passo.

2º. Passo: Encerrar todas as contas de receitas e despesas em contrapartida de uma conta
transitória denominada “Resultado do exercício”.
Mas por que encerrar as contas de resultado?
Porque elas servem apenas para apurar o resultado de um período, seus saldos precisam ser
zerados para que, no período seguinte, volte acumular valores daquele exercício.
O saldo devedor de cada conta de despesa deve ser debitado na conta “Resultado do
Exercício” e creditado na própria conta de despesa, encerrando-a.
O saldo credor de cada conta de receita deve ser creditado na conta “Resultado do Exercício” e
debitado na própria conta de receita, encerrando-a.

3º. Passo: Calcular e contabilizar o imposto de renda

A conta “Resultado do Exercício” recebe, então, todas as receitas e despesas do exercício, se


o somatório dos créditos recebidos forem maiores que o somatório dos débitos, significa que a
empresa apresentou um lucro no período.
Sobre esse lucro, a empresa deve fazer uma provisão para pagamento do imposto de renda,
debitando a conta “Resultado do Exercício” e creditando a conta “Provisão para Imposto de Renda”.

Resultado do Exercicio Provisão para I.R


Debitos Creditos Debito Credito
(despesas) (receitas)
I.R. I.R.
Saldo Credor

4º. Passo: Calcular e contabilizar as participações estatutárias

Caso os estatutos da empresa contenham previsão de participações estatutárias, elas devem


ser calculadas e a provisão contabilizada.

Resultado do Exercicio Provisão para P.E.


Debitos Creditos Debito Credito
(despesas) (receitas) P.E.
I.R. L.A.P.E.
P.E. L.L.E.

5º. Passo: Transferir o L.L.E. para “Lucros acumulados”

Veja que a conta “Resultado do Exercício” também é uma conta transitória com a finalidade de
apurar o resultado. Após apurá-lo e realizadas as provisões, também deve ser encerrada, seu saldo
deve ser transferido para uma conta patrimonial “Lucros Acumulados”.

Resultado do Exercicio Provisão para P.E.


Debitos Creditos Debito Credito
(despesas) (receitas) L.L.E.
I.R. .
P.E. L.A.P.E.
L.L.E. L.L.E.

Em caso de prejuízo, o saldo da conta “Resultado do Exercício” seria devedor e seu lançamento de
encerramento seria:

Débito = Prejuízos Acumulados


Crédito = Resultado do exercício

2. Demonstração do Resultado do Exercício


Não adiantaria mostrar aos proprietários ou administradores da empresa a contabilização das
receitas e despesas, o encerramento das contas de resultados, as provisões feitas corretamente.
Provavelmente, ficariam muito confusos e teriam dificuldade de analisar a composição do resultado da
empresa.
Uma das funções do contador é transformar dados em informações úteis para as decisões da
administração. Deve, então, preparar uma demonstração inteligível que dê informações sobre a
composição das receitas, despesas e do resultado.
Essa informação sobre a formação do resultado do exercício é dada pela demonstração do
resultado do exercício, que é uma apresentação das contas de receitas e despesas ocorridas no
exercício, feita de modo organizado. As receitas e despesas devem ser divididas em duas categorias:
operacionais e não operacionais.

2.1. Despesas operacionais e não operacionais

As despesas operacionais são todos os gastos desembolsados ou provisionados que se


relacionam, diretamente, com o objeto social de uma empresa.

2.2. Receitas operacionais e não operacionais

Receitas operacionais são todas aquelas realizadas e diretamente relacionadas com a


natureza do negócio de uma empresa.

2.3. Apresentação da Demonstração do Resultado

As empresas devem adotar a demonstração do resultado do exercício na forma dedutiva ou


vertical, cujas características são as seguintes:

Receita Operacional Bruta.


• Desta, deduzem-se os impostos incidentes sobre as vendas, as devoluções, descontos comerciais e
os abatimentos sobre as vendas, obtendo-se a Receita

Operacional Líquida.
• Desta, deduz-se o custo dos produtos vendidos, obtendo-se o lucro bruto.
• Do lucro bruto, são subtraídas as despesas operacionais, que, em
geral, dividem-se em quatro grandes grupos:

- Despesas Comerciais (com as vendas) - representadas pelas


comissões, fretes para entrega etc.
- Despesas Administrativas - salários e encargos do pessoal
administrativo, depreciações etc.
- Despesas Financeiras - juros e variação monetária de empréstimos
etc., deduzidas das receitas financeiras.
- Amortizações de Despesas Diferidas, obtendo-se o lucro
operacional.

• Somando-se ou subtraindo-se ao lucro operacional as receitas e despesas não operacionais, obtém-


se o lucro antes do imposto de renda.

• Desse valor, devemos deduzir o valor da provisão para imposto de renda, obtendo, assim, o lucro
antes das participações estatutárias.

• Finalmente, se existirem participações estatutárias devidas a empregados, diretores etc., serão


excluídas. O saldo final é o que denominamos lucro líquido do exercício.

2.3.1. Modelo simplificado da Demonstração do resultado do exercício

Receita operacional bruta


Deduções de vendas
Receita operacional líquida
Custo dos produtos vendidos
Lucro bruto
Despesas Comerciais
Despesas Administrativas
Despesas (-) Receitas Financeiras
Amortização das Despesas Diferidas
Lucro operacional
Receitas (despesas) não operacionais
Lucro antes do imposto de renda
Provisão para imposto de renda
Lucro antes das participações
Participações estatutárias
Lucro líquido do exercício

3. Exercício
Com base no balancete abaixo, após a apuração do resultado do exercício, responda às questões 3.1,
3.2, 3.3 e 3.4:

BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 30.06.2001 (R$)

CONTAS SALDOS FINAIS


DEVEDORES CREDORES
Bancos conta movimento 50,00
Caixa 100,00
Capital Social 250,00
Clientes 90,00
Custo com mercadorias vendidas 325,00
Depreciações acumuladas 15,00
Despesas de alugueis 60,00
Despesas com energia eletrica 35,00
Despesas com vendas 75,00
Despesas com comunicações 35,00
Devolução de Vendas 15,00
Estoque de mercadorias 85,00
Fornecedores 65,00
Impostos sobre vendas 90,00
Moveis e utensílios 25,00
Salarios a pagar 10,00
Veiculos 70,00
Vendas de mercadorias 715,00
TOTAL 1.055,00 1.055,00

3.1. O valor das Deduções de Vendas e do Resultado Bruto, respectivamente:


a) R$105,00 e R$285,00
b) R$105,00 e R$610,00
c) R$180,00 e R$210,00
d) R$180,00 e R$360,00
3.2. O valor das Despesas e do Resultado Operacional, respectivamente:
a) R$120,00 e R$90,00
b) R$130,00 e R$80,00
c) R$195,00 e R$90,00
d) R$205,00 e R$80,00
3.3. O valor do Imobilizado e do Patrimônio Líquido, respectivamente:
a) R$80,00 e R$250,00
b) R$80,00 e R$330,00
c) R$95,00 e R$250,00
d) R$95,00 e R$330,00
3.4. O valor do Capital Próprio e de Terceiros, respectivamente:
a) R$250,00 e R$65,00
b) R$250,00 e R$75,00
c) R$330,00 e R$65,00
d) R$330,00 e R$75,00
Fonte: Exame de Suficiência – Técnico de Contabilidade – 2001
Lucros ou prejuízos acumulados - Tratamento contábil Lucros ou prejuízos acumulados -
Tratamento contábil

Após as alterações da Lei das S.A. promovidas pela Lei nº 11.638/2007 e pela MP nº 449/2008,
a conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” tem sido objeto de várias dúvidas em relação à manutenção
ou não de seu saldo positivo (lucro acumulado) no Balanço Patrimonial. Isso ocorre principalmente nas
sociedades não constituídas como sociedades por ações e que também não se enquadram como
sociedades de grande porte.
A movimentação da conta lucros ou prejuízos acumulados implica a recepção do resultado do
período no patrimônio líquido, bem como a destinação e reversão das reservas de lucro e da
distribuição de dividendos. Na Lei das S.A. a destinação do resultado do exercício às reservas de lucro
está disciplinada nos arts. 193 a 199 e a distribuição de dividendos nos arts. 201 a 203. O Boletim
Verbanet tratou desse assunto nos seguintes textos: “Reservas de Lucro” - Boletim nº 11/2008;
“Distribuição de Lucros” - Boletim nº 12/2008; “Absorção de Prejuízos” - Boletim nº 13/2008.
Atente-se, ainda, para o fato de que a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados é
obrigatória, conforme preveem o inciso II do art. 176 da Lei das S.A. e o caput do art. 274 do RIR 1999.
E também foi objeto do texto “Demonstração dos Lucros Acumulados”, publicado no Boletim nº
12/2007.
Trataremos, no presente texto, sobre a utilização da conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados”,
de modo a dirimir possíveis dúvidas sobre a manutenção ou não de seus saldos no balanço.
Nota Verbanet
De acordo com o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 11.638/2007,
considera-se de grande porte, para os fins exclusivos da aplicação da
Lei das S.A., a sociedade ou conjunto de sociedade sob controle
comum que tiver, no exercício social anterior, ativo total superior a R$
240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões.

PREVISÃO DE DESTINAÇÃO TOTAL DO LUCRO NA LEI DAS S.A.


O art. 202 da Lei das S.A., que trata dos dividendos obrigatórios, em seu § 6º incluído pela Lei
nº 10.303/2001, estabelece que os lucros não destinados às reservas deverão ser distribuídos como
dividendos. Daí pode-se concluir que os lucros serão destinados às reservas ou à distribuição e a conta
“Lucros ou Prejuízos Acumulados” ficará com saldo igual a zero. E na hipótese de o resultado ser
prejuízo, o valor não suportado pelas reservas remanescerá como saldo devedor.
Portanto, entendemos que a previsão apenas de “prejuízo acumulado” da nova redação dada
pelo art. 36 da MP nº 449/2008 ao inciso II do § 2º do art. 178 da Lei das S.A. decorre do fato de o § 6º
do art. 202 da Lei das S.A. prever a distribuição dos lucros não destinados às reservas.
LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS PARA AS COMPANHIAS ABERTAS
Para as companhias abertas, o art. 8º da Instrução CVM nº 59/1986 prevê que a conta de
lucros acumulados contempla apenas a parcela relativa a frações de lucros que não possam ser
computados na declaração do dividendo por ação, sendo ainda admitida a sua utilização para abrigar
as retenções de lucros.
O parágrafo único do art. 8º da Instrução CVM nº 59/1986 prescreve, ainda, que somente
poderá haver saldo na conta de prejuízos acumulados, se esgotadas todas as reservas de lucros,
inclusive a reserva legal.
Ou seja, a CVM prescrevia a destinação do lucro, mas admitia que a conta “Lucros ou
Prejuízos Acumulados” abrigasse as retenções de lucro. Nesse caso, mediante a evidenciação em nota
explicativa da motivação da manutenção do saldo, haja vista a previsão da alínea “b” do item 77 da
Deliberação CVM nº 488/2005 de que devem ser feitas divulgações em separado de contas do
patrimônio líquido, indicando quaisquer restrições de distribuição, entre elas a de lucros ou prejuízos
acumulados.
LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS PARA AS DEMAIS SOCIEDADES
O Código Civil não estabelece nenhuma destinação específica do lucro do período para as
sociedades em geral. Logo, não há nenhuma obrigatoriedade de dar destinação aos saldos de lucros
acumulados existentes em 31.12.2007 ou formados a partir de 2008, para as empresas que não
estejam obrigadas à observação da Lei das S.A. por não serem constituídas nessa forma societária;
não se enquadrarem na condição de empresa de grande porte; preverem a regência supletiva da Lei
das S.A. em seus atos constitutivos ou em instrumento em separado.
Para as pessoas jurídicas tributadas pelo ITPJ com base no lucro real, o § 1º do art. 274 do
RIR/1999 estabelece a observância da Lei das S.A. para a apuração do lucro líquido do período,
todavia não entra no mérito da destinação do resultado pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas.
Nesse sentido, o item 115 da Orientação Técnica do Comitê de Pronunciamentos Contábeis
OCPC 02 - Esclarecimentos sobre as demonstrações contábeis de 2008, aprovado pela Resolução
CFC nº 1.157/2009 e pelo Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 01/2009, observa o seguinte:
“ Lucros Acumulados
115. A obrigação de essa conta não conter saldo positivo aplica-se unicamente às sociedades
por ações, e não às demais, e para os balanços de exercício social terminado a partir de 31 de
dezembro de 2008. Assim os saldos nessa conta precisam ser totalmente destinados por proposta da
administração da companhia no pressuposto de sua aprovação pela assembléia geral ordinária.” (grifos
adicionados).
Logo, não há necessidade de se proceder à constituição de reservas, distribuição ou
capitalização dos lucros acumulados nessas sociedades. Todavia, é oportuno ressaltarmos que na
hipótese de o capital social estar defasado, deve ser analisada a possibilidade de se proceder
espontaneamente à alteração de seu valor, para que se atinja uma quantia razoável diante da atividade
e do volume das operações da sociedade. Esse procedimento será benéfico diante da análise de
crédito por fornecedores e instituições financeiras, assim como pelos analistas de propostas de
participação em concorrências públicas.
MANUTENÇÃO DA CONTA LUCROS ACUMULADOS
A previsão apenas de “prejuízos acumulados” da nova redação dada pela MP nº 449/2008 ao
inciso II do § 2º do art. 178 da Lei das S.A. não significa que a conta deixou de existir.
O item 116 da OCPC 01 esclarece que essa conta continua nos planos de contas, e seu uso
continua a ser feito para receber o resultado do exercício, as reversões de determinadas reservas, os
ajustes de exercícios anteriores, para distribuir os resultados nas suas várias formas e destinar valores
às reservas de lucros.
Ou seja, a Lei das S.A. prevê que apenas os saldos dos prejuízos figurem no balanço, mas a
conta continua a existir normalmente para que se proceda à sua movimentação, que inclusive deve ser
evidenciada obrigatoriamente na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, ou como parte
integrante da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

Resumo do CFC sobre as principais mudanças na Lei


As principais alterações promovidas pela Lei nº 11.638/07 e MP nº 449/08, que trouxeram impacto nos
procedimentos e práticas contábeis, podem ser assim resumidas:
(a) Classificação do Ativo e do Passivo em "Circulante" e "Não Circulante";
(b) Extinção do grupo Ativo Permanente;
(c) Restrição ao longo do exercício de 2008 e extinção, na data de 5/12/08, do subgrupo "Ativo
Diferido";
(d) Criação do subgrupo "Intangível" no grupo do Ativo Não Circulante;
(e) Proibição da prática da reavaliação espontânea de ativos;
(f) Aplicação, ao final de cada exercício social, do teste de recuperabilidade dos ativos (teste de
impairment);
(g) Registro, em contas de ativo e passivo, dos contratos de arrendamento mercantil financeiro
(leasing);
(h) Extinção do grupo Resultados de Exercícios Futuros;
(i) Criação, no Patrimônio Líquido, da conta de "Ajustes de Avaliação Patrimonial";
(j) Destinação do saldo de Lucros Acumulados;
(k) Alteração da sistemática de contabilização das doações e subvenções fiscais, anteriormente
contabilizadas em conta de Reserva de Capital;
(l) Alteração da sistemática de contabilização dos prêmios nas emissões de debêntures, anteriormente
contabilizados em conta de Reserva de Capital;
(m) Extinção da classificação das Receitas e Despesas em Operacionais e Não Operacionais;
(n) Substituição da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) pela Demonstração
dos Fluxos de Caixa (DFC) no conjunto das Demonstrações Contábeis obrigatórias;
(o) Obrigatoriedade da elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) pelas Companhias
Abertas;
(p) Criação do Regime Tributário de Transição (RTT);
(q) Implantação da apuração do Ajuste a Valor Presente de elementos do ativo e do passivo
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OBRIGATÓRIAS – 2009
Entre as funções da contabilidade, a de prestar informações ao mercado merece destaque
neste trabalho. As entidades têm necessidades de crédito, de atração de investimentos e de manter
bom relacionamento com seus colaboradores, parceiros comerciais e mercado de forma geral.
Observa-se, portanto, que há diversos usuários interessados nas informações contidas nas
demonstrações e é justamente para garantir o acesso a alguns deles, como por exemplo sócios
minoritários, acionistas e o Fisco, que a legislação comercial, societária e fiscal exigem a manutenção
da escrituração juntamente com a preparação e a divulgação das demonstrações. Para a maioria das
entidades de direito público, as principais fontes de normas contábeis são:
a) o Novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002);
b) a Lei das S.A. (Lei nº 6.404/1976 e suas alterações, em especial a Lei nº 11.638/2007 e a MP nº
449/2008);
c) o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999 - RIR/1999);
d) as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade
(CFC);
e) os Pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
As companhias abertas, além das normas já relacionadas, devem, também, observar as
Resoluções, Deliberações, Instruções, Ofícios Circulares, Pareceres de Orientação etc. emitidos pela
Comissão de Valores Mobiliários.
As instituições financeiras devem observar as normas Emitidas pelo Banco Central do Brasil, e
as sociedades seguradoras e as corretoras de seguro devem atender às determinações da SUSEP.
As atividades regulamentadas por agências nacionais devem observar as nomenclaturas e
classificações próprias da atividade exigidas por seus órgãos fiscalizadores.
Podemos constatar que alguns dos usuários da informação contábil também são órgãos
emissores de normas contábeis, seja sob o aspecto técnico contábil seja sob o aspecto operacional.
Um segmento que já há alguns anos se destaca por seu crescimento é o das entidades sem
fins lucrativos, que também necessitam elaborar suas demonstrações contábeis para prestar contas da
utilização dos recursos levantados, muitas vezes provenientes de programas sociais dos governos, e
atrair novos recursos, colaboradores e parcerias, além de dar mostras efetivas do trabalho que
realizam.
As microempresas, as empresas de pequeno porte e as pessoas jurídicas tributadas pelo
imposto de renda com base no lucro presumido, que abandonaram a escrituração do livro Diário e se
utilizam do livro Caixa e do livro Registro de Inventário, não elaboraram demonstrações contábeis. As
informações do livro Caixa não possibilitam levantamento de balanços, nem a apuração do resultado
na forma exigida pelas normas contábeis.
Entendemos que, mesmo não sendo obrigatória para as entidades que podem optar pelo livro
Caixa, a manutenção do livro Diário e demais livros auxiliares como instrumentos de escrituração é
recomendável, pois não se deve pensar na contabilidade apenas como fruto de obrigatoriedade legal,
mas sim com uma ferramenta administrativa eficiente, que auxilia na condução dos negócios e facilita o
relacionamento com fornecedores, instituições financeiras etc.
AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS NO NOVO CÓDIGO CIVIL
O art. 1.179 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) determina que o empresário e a
sociedade empresária, exceto o pequeno empresário, são obrigados a levantar anualmente:

a) o balanço patrimonial;
b) o balanço de resultado econômico.
Mais adiante, o art. 1.189 do Novo Código Civil estabelece que o balanço de resultado
econômico, ou demonstração da conta lucros e perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele
constarão crédito e débito, na forma da lei especial.
Tanto o balanço de resultado econômico quanto a demonstração da conta lucros e perdas não
estão em sintonia com a Lei das S.A., nem com o Regulamento do Imposto de Renda, ou com as
Normas Brasileiras de Contabilidade, que, entre outras demonstrações, prevêem o Balanço Patrimonial
e a Demonstração do Resultado do Exercício, conforme veremos na seqüência deste texto.
A questão mereceu apreciação do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que, ao ser
questionado sobre a confecção de modelos e norma específica para as demonstrações prevista no
Novo Código Civil, emitiu o "PARECER CT/CFC Nº 25/04”.
Ou seja, o CFC não emitiu norma para o "Balanço de Resultado Econômico", nem para a
"Demonstração de Lucros e Perdas", e pelo conteúdo do Parecer CT/CFC nº 25/2004, tal normatização
não ocorrerá, pois o que o CFC pleiteia é a alteração da redação do Novo Código Civil, para adequá-lo
à Lei das S.A. e às Normas Brasileiras de Contabilidade. Evidentemente, não se trata de uma
adequação em virtude de hierarquia normativa, mas da observação da legislação às práticas contábeis
atuais.
O texto do art. 1.189 do Novo Código Civil prevê que as demonstrações serão efetuadas "na
forma da lei especial". As alterações da Lei das S.A., promovidas pela Lei nº 11.638/2007 e pela MP nº
449/2008, não introduziram o "Balanço do Resultado Econômico" nem a "Demonstração da Conta
Lucros e Perdas" entre as demonstrações exigidas das sociedades por ações e, ainda, prevêem a
harmonização das práticas contábeis brasileiras com as Normas Internacionais de Contabilidade, e
passaram a exigir, a partir de 2008, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e a Demonstração do
Valor Adicionado (DVA), conforme veremos no item a seguir.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PREVISTAS NA LEI DAS S.A.
De acordo com o art. 176 da Lei das S.A. (nº 6.404/1976), que deve ser observada pelas
sociedades por ações e pelas empresas de grande porte, assim definidas a empresas que,
independentemente do tipo societário, aufiram receita bruta no exercício anterior superior a R$
300.000.000,00, ou que apresentem ativo total superior a R$ 240.000.000,00, passaram a ser exigidas
as seguintes demonstrações contábeis:
a) balanço patrimonial;
b) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
c) demonstração do resultado do exercício;
d) Demonstração dos Fluxos de Caixa, exceto para as companhias fechadas com patrimônio Líquido,
na data do balanço, não superior a R$ 2.000.000,00.
O § 4º do art. 176 da Lei das S.A. dispõe, ainda, que as demonstrações serão complementadas
por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para
esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados, que estão relacionadas no § 5º do art. 176 da
Lei das S.A. com a nova redação dada pela MP nº 449/2008.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PREVISTAS PELO RIR/1999
O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99), art. 274, prevê que, ao fim de cada
período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração,
com observância das disposições da lei comercial:
a) do balanço patrimonial;
b) da demonstração do resultado do período de apuração;
c) da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados.
Destaca-se que o período de apuração do imposto de renda, como regra geral, é trimestral,
sendo admitida a apuração anual do imposto para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro
real que paguem o imposto mensalmente por estimativa.
Dessa forma, para atendimento da legislação fiscal, as pessoas jurídicas tributadas pelo
imposto de renda com base no lucro real trimestral, ou com base no lucro presumido que mantenham a
escrituração do livro Diário, devem elaborar suas demonstrações contábeis ao final de cada trimestre; e
para atendimento da legislação societária, devem elaborar as demonstrações anuais, em 31 de
dezembro ou ao final do exercício social, quando este não coincidir com o ano-calendário ou ano-civil.
As demonstrações para fins fiscais devem ser transcritas no Diário ou no Lalur, e as
demonstrações anuais para fins societários devem ser transcritas exclusivamente no livro Diário, ou em
livro auxiliar ao Diário exclusivo para essa finalidade.
ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS - NBC T 10.19.
Com relação ao conjunto de demonstrações contábeis que devem ser elaboradas e divulgadas
pelas entidades sem fins lucrativos, devemos observar as exigências da NBC T 10.19 - Entidades sem
Finalidade de Lucros, aprovada pela Resolução CFC nº 877/2000, alterada pela Resolução CFC nº
966/2003.
Ao adaptarmos a nomenclatura das demonstrações contábeis obrigatórias para as entidades
sem fins lucrativos, conforme recomenda a NBC T 10.19, temos as seguintes demonstrações a serem
elaboradas e divulgadas:
a) balanço patrimonial;
b) demonstração do superávit ou déficit do exercício;
c) demonstração do resultado;
f) demonstração das mutações do patrimônio líquido;
g) demonstrações das origens e aplicações de recursos.
ME E EPP OPTANTES PELO SIMPLES
O art. 27 da LC nº 123/2006 dispõe que as microempresas e empresas de pequeno porte
optantes pelo Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade simplificada para os
registros e controles das operações realizadas, conforme regulamentação do Comitê Gestor. Todavia,
a escrituração simplificada não foi regulamentada pelo Comitê Gestor até a presente data.
Por sua vez, a NBC T 19.13 - Escrituração Contábil Simplificada para Microempresa e Empresa
de Pequeno Porte, aprovada pela Resolução CFC nº 1.115/2007, prevê que a ME e a EPP devem
elaborar, ao final de cada exercício social, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado, em
conformidade com o estabelecido na NBC T 3.1 - Das Disposições Gerais; na NBC T 3.2 - Do Balanço
Patrimonial; e na NBC T 3.3 - Da Demonstração do Resultado, que são partes integrantes da NBC T 3 -
Conceito, Conteúdo, Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis, aprovada pela
Resolução CFC nº 686/1990 e alterada pelas Resoluções CFC nºs 847/1999, 887/2000 e 1.049/2005.
É facultada à ME e à EPP a elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados,
da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, da Demonstração das Origens e Aplicações de
Recursos e das Notas Explicativas.

COMPANHIAS ABERTAS - EXIGÊNCIAS DA CVM


O item 8 da NPC 27 - Demonstrações Contábeis - Apresentação e Divulgação, do Instituto dos
Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), aprovado pela Deliberação CVM nº 488/2005, define
que um conjunto completo de demonstrações contábeis inclui os seguintes componentes:
a) balanço patrimonial;
b) demonstração do resultado;
c) demonstração das mutações do patrimônio líquido;
d) demonstração dos fluxos de caixa (ou, alternativamente, das origens e aplicações de recursos,
enquanto requerida pela legislação societária - Lei nº 6.404/76);
e) demonstração do valor adicionado, se divulgada pela entidade; e
f) notas explicativas, incluindo a descrição das práticas contábeis.
Com a nova redação dada pela Lei nº 11.638/2008 ao art. 176 da Lei nº 6.404/76, a Demonstração das
Origens e Aplicações de Recursos deixou de ser exigida pela Lei das S.A que a substituiu pela
Demonstração dos Fluxos de Caixa e, ainda, passou a exigir das companhias abertas a elaboração e a
divulgação da Demonstração do Valor Adicionado.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa passou a ser exigida, também, para as companhias fechadas
com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 na data do balanço. A Demonstração do Valor
Adicionado continua a ser obrigatória somente para as companhias abertas.
A DFC encontra-se regulamentada pelo Pronunciamento CPC-03 - Demonstração dos Fluxos de Caixa,
aprovado pelos seguintes atos:

a) Deliberação CVM nº 547/2008;


b) Resolução CFC nº 1.125/2008 - NBC T 3.8;
c) Resolução nº 3.604/2008 do Banco Central do Brasil.

Para o exercício encerrado em 31.12.2008, a apresentação comparativa da DFC e da DVA é


facultativa, exceto para as companhias que já as elaboravam e divulgavam no exercício anterior.
Demonstração das mutações do patrimônio líquido
A Instrução CVM nº 59/1986 exige das companhias abertas à apresentação da Demonstração
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Como o próprio nome indica, essa demonstração
evidencia todo o patrimônio líquido e nela estará contida a Demonstração da conta Lucros ou Prejuízos
Acumulados, que, nesse caso, está dispensada de apresentação destacada.
É interessante ressaltarmos que a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é
obrigatória somente para as companhias abertas e não está prevista na Lei das S.A., que exige das
demais companhias e das sociedades de grande porte a elaboração e a divulgação da Demonstração
dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Iremos agora estudar as demonstrações contábeis

Balanço Patrimonial
É uma demonstração contábil que tem por objetivo mostrar a situação financeira e patrimonial
de uma entidade numa determinada data. Representando, portanto, uma posição estática da mesma.
O Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos) e Passivos (exigibilidades e obrigações) e o Patrimônio
Líquido, que é resultante da diferença entre o total de ativos e passivos.
A estrutura atual do Balanço Patrimonial segue abaixo:
1. Ativo 2. Passivo

1.1 Ativo Circulante 2.1 Passivo Circulante

1.2 Ativo Não Circulante 2.2 Passivo Não Circulante

2.3 Patrimônio Líquido

Como sugestão de contas, oferece-se:


1.1 Ativo Circulante

1.1.1 Disponível
 1.1.1.01 Caixa
 1.1.1.02 Banco c/Movimento
 1.1.1.03 Aplicação de Liquidez Imediata
 1.1.1.04 Cheques em Cobrança
 1.1.1.05 Numerários em Trânsito
1.1.2 Realizável a Curto Prazo
 1.1.2.01 Duplicatas a Receber
 1.1.2.02 (-) Duplicatas Descontadas
 1.1.2.03 (-) Provisão p/Devedores Duvidosos
 1.1.2.04 Impostos a Recuperar
 1.1.2.04.01 ICMS a Recuperar
 1.1.2.05 Cheques a Receber
 1.1.2.06 Adiantamento a Fornecedores
 1.1.2.07 Adiantamento a Empregados
1.1.3 Estoque
 1.1.3.01 Matérias - Primas
 1.1.3.02 Material Secundário
 1.1.3.03 Produtos em Elaboração
 1.1.3.04 Produtos Acabados
 1.1.3.05 Mercadorias
 1.1.3.06 Material de Expediente
1.1.4 Despesas Antecipadas
 1.1.4.01 Seguros a Vencer
 1.1.4.02 Encargos Financeiros a Apropriar
 1.1.4.03 Assinaturas e Anuidades
1.2 Ativo Não Circulante

1.2.1  Realizável  a  Longo  Prazo

 1.2.1.01 Títulos a Receber
 1.2.1.02 Depósitos Judiciais
 1.2.1.03 Adiantamentos a Sócios
 1.2.1.04 Adiantamentos a Acionistas
 1.2.1.05 Empréstimos a Coligadas
 1.2.1.06 Empréstimos a Controladas
1.2.2  Investimentos
 1.2.2.01 Ações de Controladas
 1.2.2.02 Ações de Coligadas
 1.2.2.03 Ações de Outras Empresas
1.2.3  Imobilizado

 1.2.3.01 Edificações
 1.2.3.02 Móveis e Utensílios
 1.2.3.03 Veículos
 1.2.3.04 Ferramentas
 1.2.3.05 Máquinas e Equipamentos
 1.2.3.06 Reflorestamentos
 1.2.3.51 (-) Depreciação Acumulada Edificações
 1.2.3.52 (-) Depreciação Acumulada Móveis e Utensílios
 1.2.3.56 (-) Exaustão Acumulada Reflorestamentos
1.2.4  Intangível

 1.2.4.01 Fundo de Comércio Adquirido


 1.2.4.02 Bens Incorpóreos
 1.2.4.99 (-) Amortização Acumulada
2.1 Passivo Circulante

 2.1.1 Fornecedores
 2.1.2 Duplicatas a Pagar
 2.1.3 Salários a Pagar
 2.1.4 INSS a Recolher
 2.1.5 FGTS a Recolher
 2.1.6 Provisão p/ 13º Salário
 2.1.7 Dividendos a Pagar
 2.1.8 Imposto de Renda a Recolher
 2.1.9 Contribuição Social a Recolher
 2.1.10 Provisão p /Férias
 2.1.11 ICMS a Recolher
 2.1.12 PIS Receita Bruta a Recolher
 2.1.13 Cofins Receita Bruta a Recolher
 2.1.14 PIS Importação a Recolher
 2.1.15 Cofins Importação a Recolher
 2.1.20 Empréstimos Bancários
2.2 Passivo Não Circulante

 2.2.1 Adiantamento de Sócios


 2.2.2 Adiantamento de Acionistas
 2.2.3 Empréstimos de Coligadas
 2.2.4 Empréstimos de Controladas
2.3 Patrimônio Líquido

2.3.1 Capital Social Subscrito e Integralizado


 2.3.1.01 Capital Subscrito
 2.3.1.02 (—) Capital a Integralizar
2.3.2 Reservas de Capital
2.3.3 Ajustes de Avaliação Patrimonial
2.3.4 Reservas de Lucros
 2.3.4.01 Reserva Legal
 2.3.4.02 Reserva de Incentivos Fiscais
2.3.5 (-) Ações em Tesouraria
2.3.6 (-) Prejuízos Acumulados
2.3.9 Resultado Transitório do Exercício em Curso
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
Destina-se a evidenciar a formação de resultado líquido do exercício, diante do confronto das
receitas, custos e despesas apuradas segundo o regime de competência, a DRE oferece uma síntese
econômica dos resultados operacionais de uma empresa em certo período. Embora sejam elaboradas
anualmente para fins de divulgação, em geral são feitas mensalmente pela administração e
trimestralmente para fins fiscais.
Já foi abordada anteriormente.
Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL
No Brasil, a Lei das Sociedades por Ações aceita tanto a demonstração das mutações do
Patrimônio Líquido, quanto a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, sendo que a primeira
é a mais completa, contendo, inclusive, uma coluna com os dados da segunda.
Ela evidencia a mutação do Patrimônio Líquido em termos globais (novas integralizações de
capital, resultado do exercício, ajustes de exercícios anteriores, dividendos, etc.) e em termos de
mutações internas (no caso de prejuízo, incorporações de reservas ao capital, no caso de lucro
transferências de lucros acumulados para reservas, entre outras).
As contas que formam o Patrimônio Líquido podem sofrer variações por inúmeros motivos, tais como:
1 - Itens que afetam o patrimônio total:
a) acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício;
b) redução por dividendos;
c) acréscimo por reavaliação de ativos (quando o resultado for credor);
d) acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos;
e) acréscimo por subscrição e integralização de capital;
f) acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o
preço de emissão das ações sem valor nominal;
g) acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;
h) acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures;
i) redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda;
j) acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores.

2 - Itens que não afetam o total do patrimônio:


a) aumento de capital com utilização de lucros e reservas;
b) apropriações do lucro líquido do exercício reduzindo a conta Lucros Acumulados para formação
de reservas;
c) reversões de reservas patrimoniais para a conta de Lucros ou Prejuízos acumulados;
d) compensação de Prejuízos com Reservas.

Procedimentos a serem seguidos


A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é relativamente simples, pois
basta representar, de forma sumária e coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercício nas
diversas contas do Patrimônio Líquido, isto é, Capital, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ações
em Tesouraria e Lucros ou Prejuízos Acumulados.
Utiliza-se uma coluna para cada uma das contas do patrimônio da empresa, incluindo uma conta total,
que representa a soma dos saldos ou transações de todas as contas individuais. Essa movimentação
deve ser extraída das fichas de razão dessas contas.
As transações e seus valores são transcritos nas colunas respectivas, mas de forma coordenada.
Por exemplo, se temos um aumento de capital com lucros e reservas, na linha correspondente a essa
transação, transcreve-se o acréscimo na coluna de capital pelo valor do aumento e, na mesma linha, as
reduções nas contas de reservas e lucros utilizadas no aumento de capital pelos valores
correspondentes.

Histórico Capital Reserva de Reserva de Lucros Total


Social capital lucros Acumul.

Saldos iniciais          

Ajustes de Exercícios Anteriores:          

- efeitos de mudança de critérios contábeis          

- retificação de erros de exercícios


anteriores          

Aumento de Capital:          

- com lucros e reservas          

- por subscrição realizada          

Reversões de Reservas:          

- de contingências          

- de lucros a realizar          

Lucro Líquido do Exercício:          

Proposta da Administração de
Destinação do Lucro:          

- Reserva legal          

- Reserva estatutária          

- Reserva de lucros para expansão          

- Reserva de lucros a realizar          

- Dividendos a distribuir (R$ … por ação)          

Saldo em 31.12.X2          

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR


Procura evidenciar as origens de recursos que ampliam a folga financeira de curto prazo
(capital circulante líquido) e as aplicações de recursos que consomem essa folga.
Com a edição da Lei nº 11.638 que altera dispositivos da Lei nº 6.404/76 passa-se a usar a
Demonstração de Fluxos de Caixa em lugar da DOAR no Brasil, não sendo mais obrigatória a
publicação da DOAR.

Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC


Visa mostrar como ocorreram as movimentações de disponibilidades em um dado período de
tempo. Vem substituindo em alguns paises a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, e
é fundamentada pela Lei n° 11.638 no Brasil.
De forma condensada, a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) indica a origem e a aplicação
de todo o dinheiro que movimentou o Caixa em determinado período.
Assim como a Demonstração do resultado do exercício a DFC é uma demonstração dinâmica e
também está contida no Balanço.
Se, por exemplo, tivermos um Balanço Patrimonial cujo disponível seja:

Circulante 31/12/X1 31/12/X2

Disponível 1.820.000 2.500.000

Estamos diante de uma situação estática, ou seja, uma fotografia do saldo disponível no início e outra
no final do período. Mas quais foram as razões que contribuíram para o aumento das disponibilidades
em 680.000?
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) irá indicar o que ocorreu no período em termos de saída e
entrada de dinheiro no Caixa (demonstração dinâmica) e o resultado desse Fluxo.
Elaboração da DFC
A DFC pode ser elaborada sob duas formas distintas: pelo método DIRETO e pelo método INDIRETO.
a) O método Direto parte da conta “Caixa”, ordenando  as operações de acordo com a sua natureza  e
condensando-as, onde se poderão extrair todos os dados necessários.
b) O método Indireto parte das Demonstrações Financeiras, uma vez que nem sempre teremos acesso
à ficha (ou livro) da conta “Caixa”, para o que é necessário lançar mão de uma técnica bastante prática
para elaborar a DFC.
OBS: Será aberto um tópico específico para análise e elaboração da DFC.
Demonstração do Valor Adicionado – DVA
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é o informe contábil que evidencia, de forma
sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela empresa em determinado
período e sua respectiva distribuição.
Obviamente, por se tratar de um demonstrativo contábil, suas informações devem ser extraídas
da escrituração, com base nas Normas Contábeis vigentes e tendo como base o Princípio Contábil da
Competência.
A utilização do DVA como ferramenta gerencial pode ser resumida da seguinte forma:
1) como índice de avaliação do desempenho na geração da riqueza, ao medir a eficiência da
empresa na utilização dos fatores de produção, comparando o valor das saídas com o valor das
entradas; e,
2) como índice de avaliação do desempenho social à medida que demonstra, na distribuição da
riqueza gerada, a participação dos empregados, do Governo, dos Agentes Financiadores e dos
Acionistas.
O valor adicionado demonstra, ainda, a efetiva contribuição da empresa, dentro de uma visão
global de desempenho, para a geração de riqueza da economia na qual está inserida, sendo
resultado do esforço conjugado de todos os seus fatores de produção.
A Demonstração do Valor Adicionado, que também pode integrar o Balanço Social, constitui desse
modo, uma importante fonte de informações à medida que apresenta um conjunto de elementos que
permitem a análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando a geração de riqueza, assim
como dos efeitos sociais produzidos pela distribuição dessa riqueza.
OBS: Será aberto um tópico específico para análise e elaboração da DVA.
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA
A DLPA evidencia as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos
acumulados, no Patrimônio Líquido.
De acordo com o artigo 186, § 2º da Lei nº 6.404/76, a companhia poderá, à sua opção,
substituir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados pela demonstração das mutações do
patrimônio líquido. "A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do
dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do
patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia."
Demonstrações Comparativas
É a comparação das demonstrações contábeis dos dois últimos exercícios, e o grande objetivo
é que a análise de uma empresa seja feita sempre com vista no futuro, por isso, é fundamental verificar
a evolução passada, e não apenas situação de um momento.
Com a alteração da Lei das S/As em 2008 foram publicados diversas orientações para a
elaboração das Demonstrações Comparativas 2008/2007.
Consolidação das Demonstrações Contábeis
No caso de Companhias Abertas e Grupos Societários, é necessário que complementarmente
às demonstrações contábeis normais, também sejam apresentadas demonstrações contábeis
consolidadas da investidora com suas controladas.
De acordo com o CFC, Consolidação das Demonstrações Contábeis é o processo que ocorre
pela soma ou pela agregação de saldos ou grupos de contas, excluídas as transações entre entidades
incluídas na consolidação, formando uma unidade contábil consolidada.

Balanço Social
Com o crescimento da preocupação da população mundial com o meio ambiente e com a sociedade
que cerca as companhias, muitas empresas estão demonstrando a interação neste meio através das
seguintes demonstrações:
No ano de 1997, o sociólogo Betinho, lançou no Brasil uma campanha pela divulgação voluntária do
B.S. No ano de 1998, o Ibase lançou o selo Balanço Social Ibase/Betinho, conferido anualmente às
empresas que publicam o balanço social no modelo sugerido pela entidade.
 Balanço Ambiental – Reflete a postura da empresa em relação aos recursos naturais,
compreendendo gastos com a preservação, proteção e recuperação; investimentos com
equipamentos, tecnologias e campanhas voltadas para a área ambiental. Pode também ser
demonstradas as quantidades comparativas de poluentes produzidos entre um período e outro.
 Balanço de Recursos Humanos – Visa mostrar o perfil da força de trabalho, remuneração,
benefícios recebidos e gastos com treinamento de funcionários, além da discriminação dos
gastos em benefícios da sociedade na qual está inserida, como centros de recreação e
entidades assistenciais.
Exemplo de Demonstração do Fluxo de Caixa para o exercício findo em 31-12-20x1
a- Atividades operacionais:
● Recebimentos de clientes 100.000
● Pagamentos a fornecedores de estoques (20.000)
● Pagamentos de impostos sobre vendas (2.000)
● Pagamento de despesas com vendas administrativas (12.000)
● Pagamento de despesas financeiras (3.000)
● Recebimento de receitas financeiras 5.000
● Dividendos recebidos de sociedades investidas 2.500
● Pagamentos de Imposto de Renda e Contribuição Social (7.000)
Fluxo de caixa das atividades operacionais 63.500

b- Atividades de investimentos:
● Valor da venda de investimentos 30.000
● Valor da venda de ativos imobilizados 20.000
● Aquisições de investimentos (7.300)
● Aquisições de ativos imobilizados (6.400)
● Empréstimos concedidos (6.900)
● Recebimentos de empréstimos concedidos 7.400
● Aplicações em renda fixa e renda variável (9.600)
● Recebimentos de aplicações em renda fixa e renda variável 10.600
Fluxo de caixa das atividades de investimentos 37.800
c- Atividades de financiamentos:
● Recebimento de empréstimos e financiamentos 17.000
● Pagamentos de empréstimos e financiamentos (13.000)
● Recebimentos de integralizações de capital 27.000
● Dividendo pagos (7.250)
● Compras de ações em tesourarias (1.230)
● Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 22.520

- Fechamento:
- Aumento líquido no caixa (a+b+c) 123.820
- Caixa no início do período (buscar no BP) 104.600
- Caixa no fim do período (buscar no BP) 228.420

Reconciliação do lucro líquido do período com o fluxo de caixa das atividades operacionais:
● Lucro líquido do período 71.510
Aumento (diminuição) dos itens que não afetam o caixa:
Depreciação e amortização 2.400
Variações monetárias líquidos devedores 8.800
Resultado de equivalência patrimonial (7.600)
Dividendos recebidos de sociedades investidas 2.500
Lucro na venda de investimentos (2.750)
Lucro na venda de ativos imobilizados (2.430)
Aumento de contas a receber de clientes (13.100)
Aumento dos estoques (4.600)
Aumento de fornecedores de estoque 3.750
Aumento de contas a pagar 2.950
Aumento de impostos sobre venda 700
Aumento de impostos sobre lucro 2.300
Aumento de despesas antecipadas (930)
Fluxo de caixa das atividades operacionais 63.500

Informação adicional de atividades de financiamento e investimentos que não afetam o caixa:


● Dividendos declarados e não pagos 2.100
● Capital social integralizado com o imóvel 13.900
● Dívida convertida em capital social 7.250

Observações
o É imprescindível apresentar a reconciliação entre o lucro líquido e o fluxo de caixa das atividades
operacionais;
o O caixa no início (R$ 104.600) e no final do período (R$ 228.420), deve concordar com os
respectivos saldos apresentados no balanço patrimonial do exercício social anterior e atual;
o O valor do aumento líquido de caixa (R$ 123.820), representa o somatório do fluxo de caixa das
atividades operacionais (R$ 63.500), do fluxo de caixa das atividades de investimento (R$ 37.800)
e das atividades de financiamento (R$ 22.520);
Varejista S.A.
Balanços Patrimoniais Comparativos

20x2 20x1
ATIVO
Circulante:
Caixa 100.000 70.000
Contas a receber de clientes 200.000 120.000
Estoques 300.000 240.000
Subtotal 60.000 430.000

Ativo não circulante 900.000 893.000


Total 1.500.000 1.323.000

PASSIVO
Fornecedores 90.000 64.000
Impostos a pagar sobre venda 6.000 3.600
Impostos a pagar sobre o lucro 15.000 7.200
Empréstimos a pagar 150.000 126.000
Dividendos a pagar 17.000 9.600
Subtotal 278.000 210.400

Patrimônio Líquido 1.222.000 1.112.600


Total 1.500.000 1.323.000

RAZÕES:
Mutações do ativo não circulante:
● Saldo em 31-12-20x1 893.000
● Compras de ativos imobilizados 36.000
● Equivalência patrimonial 13.100
● Dividendos recebidos de sociedades controladas (7.900)
● Terreno vendido (valor de venda de $22.000) (14.350)
● Depreciações e amortizações (9.900)
● Saldo em 31-12-20x2 900.000

Mutações de empréstimos a pagar:


● Saldo em 31-12-20x1 126.000
● Novos empréstimos 62.000
● Pagamentos de empréstimos (38.000)
● Saldo em 31-12-20x2 150.000

Mutações do patrimônio líquido:


● Saldo em 31-12-20x1 1.112.600
● Integralização em dinheiro do capital 66.600
● Lucro no líquido exercido 59.800
● Dividendos propostos (17.000)
● Saldo em 31-12-20x2 1.222.000

Varejista S/A
Demonstração do resultado do exercício de 20x2

● Receita bruta das vendas 789.245


● Impostos sobre venda (9.800)
● Receita líquida das vendas 779.445
● Custo das mercadorias vendidas (621.300)
● Lucro bruto 158.145
● Despesas de vendas e administrativas (71.000)
● Despesas financeiras (21.250)
● Receitas financeiras 9.600
● Depreciações e amortizações (19.900)
● Receita de equivalência patrimonial 13.100
● Lucro na venda de terreno 7.700
● Lucro antes do IR e da CSL 76.145
● Imposto de Renda e Contribuição Social (16.345)
● Lucro líquido do exercício 59.800

A seguir procedimentos à apuração de cada item da demonstração do fluxo de caixa.

a) Recebimento de Clientes
● Receita bruta das vendas 789.245
●( +) Contas a receber de clientes em 31-12-20x1 120.000
●( -) Contas a receber de clientes em 31-12-20x2 200.000
Total 709.245

Somente devemos considerar as contas a receber oriundas das vendas aos clientes. Contas a receber
relacionadas com alienações de ativos não circulantes devem ser alocadas ns atividades de
investimentos.

b) Pagamentos a Fornecedores de Estoques


● Custo das mercadorias vendidas 621.300
● Fornecedores em 31-12-20x1 64.000
● Fornecedores em 31-12-20x2 90.000
● Estoques em 31-12-20x1 240.000
● Estoques em 31-12-20x2 300.000
Total 655.300

Como calcular:
CMV=EI + C – EF, logo CMV + EF – EI = C
621.300 + 300.000 – 240.000 = 681.300 (total de compras efetuadas no ano)
Saldo inicial de fornecedores + compras – saldo final de fornecedores = total de pagamentos realizados
a fornecedores no ano.

A conta de fornecedores deve incluir apenas os de estoques. Os fornecedores de imobilizados devem


ser considerados na atividade de investimentos.

c) Pagamentos de Impostos sobre Vendas


● Impostos sobre venda (resultado) 9.800
● (+) Impostos a pagar sobre vendas em 31-12-20x1 3.600
● (-) Impostos a pagar sobre vendas em 31-12-20x2 6.000
Total 7.400

Esses pagamentos contemplam ISS, PIS, COFINS, ICMS, IPI, SIMPLES etc.

d) Pagamentos de Despesas de Vendas e Administrativas


● Despesas de vendas e administrativas 71.250
● (+) Dívidas relacionadas em 31-12-20x1 0
● (-) Dívidas relacionadas em 31-12-20x2 0
Total 71.250

O valor registrado na demonstração do resultado (R$ 71.250) é igual ao valor a ser considerado na
DFC em função de inexistirem dívidas no início e no final do exercício social.

e) Pagamentos de Despesas Financeiras


● Dívidas financeiras (resultado) 21.250
● (+) Juros a pagar em 31-12-20x1 0
● (-) Juros a pagar em 31-12-20x2 0
Total 21.250

As variações monetárias foram debitadas em despesas financeiras na contabilidade e excluídas para


fins da DFC, em função de não representarem desembolso de recursos.

f) Recebimentos de Receitas Financeiras


● Receitas financeiras (resultado) 9.600
● (+) Rendimentos a receber em 31-12-20x1 0
● (-) Rendimentos a receber em 31-12-20x2 0
● Variações monetárias ativas 0
Total 9.600

g) Dividendos Recebidos de Sociedades Investidas


● Valor de acordo com mutações dos investimentos 7.900
● (+) Dividendos a receber em 31-12-20x1 0
● (-) Dividendos a receber em 31-12-20x2 0
Total 7.900

h) Pagamentos de Imposto de Renda e Contribuição Social


● Imposto de Renda e Contribuição Social (resultado) 16.345
● (+) Impostos a pagar em 31-12-20x1 7.200
● (-) Impostos a pagar em 31-12-20x2 15.000
Total 8.545

i) Venda de Ativos Imobilizados


● Valor da venda (segundo mutações do ativo não circulante e do resultado)
22.000
● (+) Contas a receber do ativo mobilizado em 31-12-20x1 0
● (-) Contas a receber do ativo mobilizado em 31-12-20x2 0
Total 22.000

j) Aquisição de Ativos Imobilizados


● Valor das Compras (segundo mutações ativo não circulante) 35.750
● (+) Fornecedores de imobilizados em 31-12-20x1 0
● (-) Fornecedores de imobilizados em 31-12-20x2 0
Total 35.750

k) Recebimento de Empréstimos e Financiamentos


● Valores recebidos (de acordo com mutações da conta de empréstimos)
62.000

l) Pagamentos de Empréstimos e Financiamentos


● Valores pagos (segundo mutações da conta de empréstimos) 38.000

m) Recebimentos de Integralização de Capital


● Valores recebidos (conforme mutações do patrimônio líquido) 66.600

n) Dividendos Pagos
● Valor debitado durante o exercício no patrimônio líquido (conforme mutações do PL)
17.000
● (+) Dividendos a pagar em 31-12-20x1 9.600
● ( -) Dividendos a pagar em 31-12-20x2 (17.000)
Total 9.600

Varejista S/A
Demonstração do Fluxo de Caixa de 20x2
Método Direto

- Atividades operacionais
● Recebimento de cliente (item a) 709.245
● Pagamentos a fornecedores de estoques (item b) (655.300)
● Pagamentos de impostos sobre vendas (item c) (7.400)
● Pagamentos de despesas com vendas e administrativas (item d) (71.000)
● Pagamento de despesas financeiras (item e) (21.250)
● Recebimentos de receitas financeiras (item f) 9.600
● Dividendos recebidos de sociedades investidas (item g) 7.900
●Pagamentos de Imposto de Renda e Contribuição Social (item h) (8.545)
Fluxo de caixa das atividades operacionais (37.000)

- Atividades de investimentos:
● Valor da venda de ativos imobilizados (item i) 22.000
● Aquisições de ativos imobilizados (item j) (36.000)
Fluxo de caixa das atividades de investimentos (14.000)

- Atividades de financiamentos:
● Recebimento de empréstimos e financiamentos (item k) 62.000
● Pagamentos de empréstimos e financiamentos (item l) (38.000)
● Recebimentos de integralização de capital (item m) 66.600
● Dividendos pagos (item n) (9.600)
Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 81.000

- Aumento líquido no caixa 30.000


- Caixa no início do período 70.000
- Caixa no fim do período 100.000

- Informação adicional de atividades de financiamentos e investimentos que não afetou o caixa:

● Dividendos declarados e não pagos 17.000

A conciliação com o lucro líquido será vista adiante, no método indireto.

Modelo de Método Indireto

Demonstração do Fluxo de Caixa para o exercício findo em 31-12-20x1

- Atividades operacionais:
● Lucro líquido do período 71.510
Aumento (diminuição) dos itens que não afetam o caixa:
Depreciação e amortização 2.400
Variações monetárias líquidos devedores 8.800
Resultado de equivalência patrimonial (7.600)
Dividendos recebidos de sociedades investidas 2.500
Lucro na venda de investimentos (2.750)
Lucro na venda de ativos imobilizados (2.430)
Aumento de contas a receber de clientes (13.100)
Aumento dos estoques (4.600)
Aumento de fornecedores de estoque 3.750
Aumento de contas a pagar 2.950
Aumento de impostos sobre venda 700
Aumento de impostos sobre lucro 2.300
Aumento de despesas antecipadas (930)
Fluxo de caixa das atividades operacionais 63.500
- Atividades de investimentos:
● Valor da venda de investimentos 30.000
● Valor da venda de ativos imobilizados 20.000
● Aquisições de investimentos (7.300)
● Aquisições de ativos imobilizados (6.400)
● Empréstimos concedidos (6.900)
● Recebimentos de empréstimos concedidos 7.400
● Aplicações em renda fixa e renda variável (9.600)
● Recebimentos de aplicações em renda fixa e renda variável 10.600
Fluxo de caixa das atividades de investimentos 37.800
- Atividades de financiamentos:
● Recebimento de empréstimos e financiamentos 17.000
● Pagamentos de empréstimos e financiamentos (13.000)
● Recebimentos de integralizações de capital 27.000
● Dividendo pagos (7.250)
● Compras de ações em tesourarias (1.230)
● Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 22.520

- Aumento líquido no caixa 123.820


- Caixa no início do período 104.600
- Caixa no fim do período 228.420

- Informação adicional de atividades de financiamentos e investimentos que não afetou o caixa:

● Dividendos declarados e não pagos 2.100


● Capital social integralizado com imóvel 13.900
● Dívida convertida em capital social 7.250

Note que a única diferença que existe em relação ao método direto é na apresentação das atividades
operacionais:

- Método Direto – apresenta por transação (recebimento de clientes, pagamentos a


fornecedores etc.).

- Método Indireto – apresenta uma conciliação entre o lucro líquido e o fluxo de caixa das
atividades operacionais. De qualquer forma, é bom lembrar que essa informação também é divulgada
no método direto geralmente em nota explicativa às demonstrações financeiras.

Elaboração da Demonstração do Valor Adicionado


A nova norma da lei societária estabelece:
“Art. 176
V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado.
“Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 dessa Lei indicarão, no
mínimo:
II – demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua
distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados,
financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída.”
A nova norma da lei societária alterou os arts. 176 e 188 da Lei nº. 6.404/76, incluindo a
obrigatoriedade da apresentação da demonstração do valor adicionado (DVA), somente para as
companhias abertas.
Essa é uma demonstração surgida na Europa, principalmente por influência da Inglaterra, França e
Alemanha, e que tem sido cada vez mais exigida em nível internacional, inclusive em virtude de
expressa recomendação por parte da ONU. A DVA evidencia o quanto de riqueza uma empresa
produziu, ou seja, o quanto ela adicionou de valor, e de que forma essa riqueza foi distribuída (entre
empregados, governo, acionistas, financiadores de capital etc.) e quanto ficou retido na empresa. A
DVA é uma demonstração bastante útil, inclusive do ponto de vista macroeconômico, uma vez que,
conceitualmente, o somatório dos valores adicionados (ou valores agregados) de um país representa,
na verdade, o seu Produto Interno Bruto (PIB). Essa informação é tão importante que, além da sua
utilização pelos países europeus, alguns outros países emergentes só aceitam a instalação e a
manutenção de uma empresa transnacional se ela demonstrar qual será o valor adicionado que irá
produzir.
O objetivo dessa demonstração contábil é apresentar o montante de valor adicionado pela Sociedade e
sua forma de distribuição. O valor adicionado significa e riqueza gerada pela Companhia, que na
prática compreende a receita bruta deduzida dos valores debitados no resultado relativos ás riquezas
oriundas de terceiros (bens e serviços consumidos), tais como matérias-primas, mercadorias, materiais,
serviços etc. Deverão ser evidenciadas a distribuição do valor adicionado entre empregados,
financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela retida para reinvestimento.
A demonstração do valor adicionado representa de forma prática e na realidade os dados
principalmente da demonstração do resultado do exercício apresentados de uma outra forma.
Forma de apresentação
Essa demonstração tem geralmente a seguinte forma de apresentação:

Demonstração do Valor Adicionado


1 - RECEITAS
1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços
1.2) Provisão para devedores duvidosos - Reversão/(Constituição)
1.3) Não operacionais
2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS
(inclui os valores dos impostos - ICMS, IPI, PIS e COFINS)
2.1) Matérias-primas consumidas
2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos
2.3) Materiais, eneergia, serviços de terceiros e outros
2.4) Perda / Recuperação de valores ativos
3 - VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)
4 - RETENÇÕES
4.1) Depreciação, amortização e exaustão
5 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4)
6 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA
6.1) Resultado de equivalência patrimonial
6.2) Receitas financeiras
7 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6)
8 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
8.1) Pessoal e encargos
8.2) Impostos, taxas e contribuições
8.3) Juros e aluguéis
8.4) Juros sobre capital próprio e dividendos
8.5) Lucros retidos / prejuízo do exercício

Valor Adicionado Líquido Produzido pela Entidade


Representa a receita bruta na venda de mercadorias, produtos e serviços, diminuída pelas suas
deduções (devoluções de vendas, vendas canceladas, por exemplo) e pelos valores de bens e serviços
adquiridos de terceiros e computados no resultado do exercício, principalmente em custo das vendas e
despesas operacionais. O conceito é que o valor líquido dessa linha signifique efetivamente quanto de
riqueza a sociedade gerou. Geralmente as companhias abertas também têm considerado nesse grupo
os valores constituídos (despesas) e revertidos (receita) da provisão para devedores duvidosos, bem
como depreciações, amortizações e exaustões e o resultado não operacional.

Valor Adicionado Recebido em Transferência


Representa essencialmente as seguintes operações computadas na demonstração do resultado:
● Receitas financeiras.
● Receita de equivalência patrimonial (lucros gerados por sociedades
investidas, cujos investimentos são avaliados pelo método de equivalência patrimonial).
● Receita de dividendos e juros do capital próprio (lucros distribuídos por sociedades
investidas, oriundos de participações societárias avaliadas pelo método de custo).
O entendimento é que nessa linha devem ser computadas as riquezas geradas por outras sociedades
e transferidas para a Companhia na forma de agregação ou remuneração dos ativos aplicados. As
companhias abertas normalmente também têm classificação nesse grupo o resultado devedor de
equivalência patrimonial (como redutor).

Distribuição do Valor Adicionado


Distribuição aos empregados
Representa principalmente os seguintes gastos diretos e indiretos da sociedade com os seus
empregados e computados na demonstração do resultado do exercício, geralmente nos grupos de
contas de custo das vendas (companhia industrial e empresa prestadora de serviços) e de despesas
operacionais (despesas de vendas e administrativas):
● Salários.
● 13º salário.
● Férias
● INSS
● FGTS.
● Assistência médica.
● Auxílio transporte.
● Cursos de especialização
● Fundos de aposentadoria.
● Participação no resultado.
● Seguro de acidentes de trabalho.
● Comissões.
● Gratificações.

Alguns profissionais têm defendido a tese de que os encargos de INSS não são depositados em conta
específica dos empregados, e, assim sendo, deveria, ser classificados no grupo de Distribuição ao
Governo.
Distribuição aos financiadores
Representa os gastos incorridos com a utilização de recursos de terceiros. Esses gastos normalmente
estão atrelados a empréstimos a pagar (passivo circulante e/ou passivo não circulante) a instituições
financeiras, tais como:
● Juros.
● Variação monetária passiva (empréstimo em moeda nacional).
● Variação cambial passiva (empréstimos em moeda estrangeira).
● Comissões bancarias.

Algumas companhias abertas tambem têm registrado nesse grupo os alugueis pagos ou creditados a
terceiros, incluindo gastos de arrendamentos mercantis não capitalizados (arrendamentos mercantis
operacionais).
Distribuição aos acionistas
Representa a parcela do lucro liquido do exercício que foi distribuída ou cuja distribuição foi proposta
aos acionistas, da forma que se segue.
● Dividendos.
● Juros referentes à remuneração do capital próprio.

Distribuição ao governo
Representa os impostos incorridos com os governos municipal, estadual e federal e incluídos na
apuração do lucro líquido do exercício:
● ICMS.
● IPI.
● ISS.
● PIS.
● COFINS.
● Imposto de Renda.
● Contribuição social.
● IPTU.
● Imposto sobre Operações Financeiras.
Parcela retida para reinvestimentos.
Representa o valor do lucro líquido do exercício deduzido do montante distribuído aos acionistas
(dividendos e juros referentes à remuneração do capital social) e que foi retido nas reservas de lucros
(legal, estatuárias, para expansão ou investimento etc.).

Exemplos de elaboração
Admitamos as seguintes informações sobre o resultado do exercício e sobre os dividendos declarados:

Demonstração do Resultado do Exercício


● Receita bruta na venda de mercadorias 100.000
● ICMS (15.000)
● PIS (650)
● COFINS (2.000)
● Receita Líquida 82.350
● Custo das mercadorias vendidas (17.240)
● Lucro bruto 65.110
● Despesas com vendas e administrativas
- Materiais (2.410)
- Serviços de terceiros (3.140)
- Salários e encargos sociais (11.560) (17.110)
● Despesas financeiras (9.400)
● Resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social 38.600
● Imposto de Renda (9.650)
● Contribuição Social (3.088)
● Lucro líquido do exercício 25.862
● Dividendos declarados 6.142
Com base nessas informações de receitas, custos e despesas, a demonstração do valor adicionado
seria apresentada da forma que se segue:
A parcela distribuída ao governo foi fixada da forma que se segue:
● ICMS 15.000
● PIS 650
● COFINS 2.000
● Imposto de Renda 9.650
● Contribuição Social 3.088
Total 30.388
A parcela de retenção para investimento foi determinada como segue:
● Lucro líquido do exercício 25.862
● Dividendos declarados (6.142)
Total 19.720
Demonstração do Valor Adicionado
1 - RECEITAS 100.000,00
1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 100.000,00
1.2) Provisão para devedores duvidosos - Reversão/(Constituição) -
1.3) Não operacionais -
2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 22.790,00
(inclui os valores dos impostos - ICMS, IPI, PIS e COFINS)
2.1) Matérias-primas consumidas -
2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos 17.240,00
2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 5.550,00
2.4) Perda / Recuperação de valores ativos -
3 - VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 77.210,00
4 - RETENÇÕES -
4.1) Depreciação, amortização e exaustão -
5 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 77.210,00
6 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA -
6.1) Resultado de equivalência patrimonial -
6.2) Receitas financeiras -
7 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 77.210,00
8 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 77.210,00
8.1) Pessoal e encargos 11.560,00
8.2) Impostos, taxas e contribuições 30.388,00
8.3) Juros e aluguéis 9.400,00
8.4) Juros sobre capital próprio e dividendos 6.142,00
8.5) Lucros retidos / prejuízo do exercício 19.720,00
É importante que o sistema contábil da Sociedade seja concebido de forma a fornecer todos os dados
da demonstração do valor adicionado, principalmente com referência aos valores computados na
demonstração do resultado do exercício e relacionados com matérias-primas, materiais, mercadorias e
serviços de terceiros.
EXEMPLO 2:

Demonstração do Resultado do Exercício

● Receita bruta na venda de mercadorias 200.000


● ICMS (30.000)
● PIS (1.300)
● COFINS (4.000)
● Receita Líquida 164.700
● Custo das mercadorias vendidas (44.000)
● Lucro bruto 120.700
● Despesas com vendas e administrativas
- Energia (7.240)
- Serviços de terceiros (15.110)
- Salários e encargos sociais (37.147) (59.497)
● Despesas financeiras (87.203)
● Prejuízo líquido do exercício (26.000)
Com base nessas informações de receitas, custos e despesas, a demonstração do valor adicionado
seria apresentada da forma que se segue:
A parcela distribuída ao governo foi fixada da forma que se segue:
● ICMS 30.000
● PIS 1.300
● COFINS 4.000
Total 35.300
Demonstração do Valor Adicionado
1 - RECEITAS 200.000,00
1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 200.000,00
1.2) Provisão para devedores duvidosos - Reversão/(Constituição) -
1.3) Não operacionais -
2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 66.350,00
(inclui os valores dos impostos - ICMS, IPI, PIS e COFINS)
2.1) Matérias-primas consumidas -
2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos 44.000,00
2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 22.350,00
2.4) Perda / Recuperação de valores ativos -
3 - VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 133.650,00
4 - RETENÇÕES -
4.1) Depreciação, amortização e exaustão -
5 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 133.650,00
6 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA -
6.1) Resultado de equivalência patrimonial -
6.2) Receitas financeiras -
7 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 133.650,00
8 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 133.650,00
8.1) Pessoal e encargos 37.147,00
8.2) Impostos, taxas e contribuições 35.300,00
8.3) Juros e aluguéis 87.203,00
8.4) Juros sobre capital próprio e dividendos -
8.5) Lucros retidos / prejuízo do exercício (26.000,00)

Note que nesse exemplo a sociedade distribuiu mais valor adicionado do que gerou, caracterizando
uma situação de apuração de prejuízo. O valor de $ 26.000 que representa o prejuízo líquido do
exercício, é apresentado como redutor da coluna, de distribuição do valor adicionado, de forma que o
total concorde com o total da coluna de geradores do valor adicionado. Observe também que
financiadores (despesas financeiras) são o principal item de distribuição do valor adicionado (54% do
total), donde se conclui que essa Sociedade deve estar bastante endividada, ou seja, com uma grande
participação de capitais de terceiros (financiamentos), e que o nível de lucratividade das operações não
está sendo suficiente para absorver os encargos das dívidas.