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Contenção química, contenção mecânica e contenção física

Definição – É o emprego de meios usados de forma adequada para conter, segurar e


restringir a liberdade de movimentos físicos do cliente, devido ao grande risco de ato violento
que apresenta para si, profissionais e para os demais que convivem com ele, em consequência
de alterações psíquicas e comportamentais que apresenta (inquietação e agitação
psicomotora). O objetivo primordial é proteção, com o controle temporário do comportamento.

Indicação – Evitar quedas do leito; Proteção contra agressão para o próprio cliente e os
demais; Auxiliar em exames, procedimentos e tratamentos; Evitar a retirada de dispositivos de
tratamento e curativos.

Materiais e métodos utilizados:

Física – Se caracteriza pela imobilização do paciente por várias pessoas da equipe que o
seguram firmemente no solo. 5 pessoas da equipe: uma para cada membro do cliente, uma
para a cabeça. A contenção física evoluirá para a contenção mecânica em leito, que será
realizada pela pessoa que segurou a cabeça. A equipe aproxima-se simultaneamente de
maneira calma e apenas 1 deve falar.
Mecânica – Trata-se do uso de faixas para fixar o cliente no leito em decúbito dorsal,
restringindo seus movimentos. Conter primeiro o abdômen ou tórax, depois os MMSS e por fim
os MMII. Nos membros, o profissional deverá segurar na articulação do cliente agitado. Deve-
se usar conjuntamente algodão ortopédico ou compressas para proteção.

Restrição de ombro: Colocar a faixa sob as costas, passando pelas axilas (protegidas com
algodão), cruzando sob o travesseiro e amarrando ao estrado da cabeceira.

Restrição de tronco: A faixa larga é colocada sobre o tórax do cliente, abaixo da área axilar e
fixada nas laterais da cama, sem prejudicar a expansibilidade na respiração.
Restrição do abdômen/quadril: 2 faixas largas (usa-se comumente lençol). Colocar um deles
sobre o abdômen/região pubiana e o outro sob a região lombar/nádegas. Torcer juntas as
pontas, amarrando-as no estrado lateral.

Restrição de joelhos: Passar a ponta do lado D sobre o joelho D e por baixo do E. A ponta do
lado E sobre o joelho E e por baixo do joelho D. Enrolar as pontas e amarrar no estrado lateral.

Restrição de membros: A área contida deve ser protegida com algodão ortopédico ou
compressa, para evitar lesões e garroteamento. Usa-se atadura crepe/crepom.

Tipo luvas: colocar a compressa na palma da mão do cliente e pedir que feche –a.
Cobrir a mão com a atadura, enrolando-a em toda a sua extensão até o punho. Fixar com fita
adesiva.

Punhos e tornozelos: enrolar a compressa ou algodão ao redor do punho ou tornozelo.


Envolver a compressa com a atadura, mantendo uma extremidade livre, enquanto a outra
extremidade envolve o punho/tornozelo por mais vezes. Cruzar as extremidades da atadura e
dar um nó fixo, deixando uma folga de um ou dois dedos entre o nó e a pele do cliente. Amarrar
as extremidades da faixa nas laterais fixas da cama, com uma folga que permita a
movimentação leve do membro contido. Nas contenções em tornozelos, cruzar as
extremidades para serem amarradas em lados opostos da cama.
Química – Administração de medicamentos enterais e parenterais, sob prescrição médica,
que irão tranquilizar o cliente, reduzindo a agitação e agressividade. Deve ser realizada em
conjunto com a contenção física, para evitar lesões e traumas. Sempre que possível, é
recomendável a tentativa de administração de medicação para controle de agitação por via oral
antes de se tentar a via intramuscular. Optar por via intramuscular se necessidade de rápido
início de ação ou falta de colaboração do paciente. É desnecessária a via endovenosa para
este procedimento.

Medicações – Entre as medicações mais utilizadas com a finalidade de controle da


agitação psicomotora, estão: Antipsicóticos convencionais (haloperidol e clorpromazina);
Benzodiazepínicos Ansiolíticos e Sedativos (diazepam, lorazepam e midazolam); Antipsicóticos
de nova geração (olanzapina, clozapina, quetiapina, aripiprazol, ziprasidona). Os seguintes
esquemas de medicação (VO e IM) são usualmente utilizados para pacientes adultos e
poderão ser repetidos após 30 minutos da primeira aplicação, caso não tenha havido sedação
adequada do paciente.

VO:
Clonazepam – gotas: 2,5 mg/ml (01 gota = 0,1 mg). 40 a 60 gotas
+
Haloperidol – gotas: 2,0 mg/ml (01 gota = 0,1 mg). 50 a 100 gotas

IM:
Haloperidol 01 ampola (1ml; 5 mg) + Prometazina 01 ampola (2ml; 50 mg)
Ou
Haloperidol 01 ampola (1ml; 5 mg) + Midazolam 01 ampola (3ml; 15 mg)

Cuidados de Enfermagem:

Orientar o cliente e acompanhante sobre a contenção.

Física:

 O nível de força aplicada deve ser adequado, razoável e proporcional a uma situação
específica.

Mecânica e Química:

 Aplicar as contenções com cuidado para não ferir a pele, nem prejudicar a circulação.
 Evitar conter um só lado ou só os pés.
 Observar o local das contenções: formigamento, extremidades pálidas ou cianosadas,
ausência de pulso e edema são sinais de complicação circulatória.
 Retirar as contenções quatro vezes ao dia, lavar o local com água e sabão, massagear
e movimentar as regiões. Deve ser retirada após a contenção química tiver resultado
satisfatório.
 Ao conter o tórax das mulheres, as faixas devem ser posicionadas abaixo das mamas.
 Não conter os MMSS na cabeceira da cama.
 Não amarrar as contenções nas grades e sim na cama.
 Não é ético nem terapêutico colocar esparadrapos, gazes ou faixa na boca do cliente
para evitar que cuspa ou grite.
 Manter a cabeceira elevada.
 Observar sinais vitais e expansão torácica.
 Realizar adequada higiene corporal do cliente.
 Realizar a mudança de decúbito.
 Proporcionar um ambiente seguro, iluminado e arejado.
 Observar a cada 2 horas.
 Nunca deixar o cliente sozinho.
 Cautela com clientes propensos a ter convulsões - risco de fratura e traumatismo
aumentado.
 Cautela com cliente em risco de bronco aspiração - conter em decúbito lateral, sem
prender todas as quatro extremidades somente de um lado por causa do risco de
queda.
 Não colocar a contenção diretamente sobre feridas e cateteres.
 Conter abaixo de um acesso periférico para evitar constrição e infiltração da solução
infundida.
 Atentar para limite de tempo de contenção (2 hrs).
 Contenção de dois pontos deve usar membro superior oposto ao membro inferior.
 Manter a contenção limpa e seca.
 Cuidar de aspectos como hidratação, alimentação, aquecimento e eliminações do
cliente.
 Evitar o uso intramuscular do diazepam - via de absorção errática.
 Monitorar o nível de consciência e estado mental.
 Observar, avaliar e monitorar sinais de acatisia, discinesia, distonia, reações
extrapiramidais, síndrome neuroléptica, arritmias, depressão respiratória.
Fontes de Pesquisa:
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/1701.pdf

https://seguro.mprj.mp.br/documents/112957/19364082/mp_contencao_farmacologica.pdf

http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/0caps/crise_e_urgencia_saude_mental.pdf

http://www2.ebserh.gov.br/documents/147715/0/conten%C3%A7%C3%A3o+mec
%C3%A2nica.pdf/eac0687f-44a2-440a-828c-418a6d5fc084

http://www.portalmedico.org.br/pareceres/crmsp/pareceres/2014/175956_2014.pdf

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4519541/mod_resource/content/1/AULA
%20CONTEN%C3%87%C3%83O%20fev2014%20enf%20pqu%20bach.pdf

https://www.slideshare.net/CleantoSantosVieira1/7-posicao-restricao-e-movimentacao-no-
leito

A Arte do Cuidar – Procedimentos de Enfermagem. Editora Corpus

Procedimentos em Enfermagem – Enfermagem Prática Volume 1.Reichmann & Autores


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