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AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?

Introdução

Afinal, o que querem as mulheres? Esta pergunta foi feita por


Freud, no século XIX, depois de 30 anos de estudos sobre a alma
feminina. Ela originou-se, segundo Kramer (2006), biógrafo de
Freud, das reflexões do pai da psicanálise sobre uma de suas
pacientes: Ida Bauer. Ida tinha 15 anos e estava acometida de
acessos de tosse nervosa e dificuldades para falar. A interpretação
dada por Freud ao caso – assédio sexual de um amigo da família e
a incapacidade do pai em protegê-la – era que o nervosismo e a
afasia ocasionais da paciente eram fruto do seu desejo sexual
inconsciente pelo molestador. A dificuldade em admiti-lo gerava os
sintomas que Ida apresentava, em um claro processo histérico. A
jovem rejeitou a interpretação de Freud e abandonou o tratamento.
Considerando-se os valores da época, a sua pouca idade e o
analista em questão, a atitude da jovem merece a nossa admiração
pela sua coragem e segurança sobre os próprios sentimentos.
Kramer (2006) relata, ainda, que Ida Bauer, posteriormente,
enfrentou o próprio pai. Isto levou ao desaparecimento dos
sintomas. Freud aceitou os fatos e formulou a famosa frase: afinal,
o que querem as mulheres? Qual frase? Pelo visto esta jovem
sabia o que queria mais do que Freud sabia o que ela tinha.

A frase ficou sem a resposta de Freud. Contudo, depois dele a frase


já recebeu inúmeras interpretações por parte de psicanalistas,
psicólogos, literatos e intelectuais de modo geral sobre o que o pai
da psicanálise queria efetivamente dizer. Uma destas
interpretações, que eu considero interessante, era de que com esta
frase Freud admitia a legitimidade do desejo feminino. Pelo
desenrolar do caso de Ida Bauer, poderíamos levantar a hipótese
de que Freud estaria perplexo por a jovem não estar lisonjeada
pelas atenções do molestador. Afinal de contas, o que mais as
mulheres poderiam desejar do que a atenção masculina na Viena
do século XIX?

Além das interpretações sobre o que Freud queria efetivamente


dizer com a frase, várias foram as tentativas de responder a esta
pergunta. Encontramos, por exemplo, livros como O que as
mulheres querem? (2001) de Erica Jong, escritora norte-americana
famosa por seu livro Fear of flying (1973) sobre sexualidade
feminina na década de 1970. Em seguida, passamos pelo filme com
Mel Gibson "O que as mulheres pensam". E terminamos com
pesquisas de psicologia experimental (Chivers, 2007). A série
televisiva da Rede Global, realizada no final de 2010, é mais uma
dessas tentativas, agora no ramo do entretenimento.

Queremos confundir as previsões que fazem a nosso respeito.


Todas elas. Essa certa inconstância diz sobre a infinita capacidade
feminina de transitar entre desejos. Deflagra uma estranha e
inigualável habilidade em transmutar. Vamos deixar claro uma
coisa: a nossa inconstância é de borboleta. Borboletas,
passarinhas. Somos assim, um tipo de espécie que voa.
Carregamos nas asas sigilosas da intimidade as mais eloquentes
inquietações. Nunca vi borboleta voar constante, nem tampouco se
aquietar demais em certezas. A inconstância é serventia dos que
flutuam livres sob as mais diversas aspirações. Borboletas e
mulheres estão necessariamente engajadas em tramar o próximo
pouso, a próxima alegria, o próximo voo.

Além das emoções que se penduram de cabeça pra baixo numa


roda gigante hormonal, há nas mulheres um universo de certezas
sob as quais nenhum homem deve ousar atravessar. Perderá seu
tempo ou sua namorada. Sua esposa, sua vida ou até sua mãe.
Temos um radar sensível e sensato. Sobre as situações primordiais
da vida estamos sempre certas. Isso não se discute, nem tente. É
mais fácil arrancar-nos a cabeça, do que nossas convicções. Ao
desejarmos algo, nos tornamos facilmente determinadas, valentes e
engajadas. Quando a mulher quer alcançar o topo, nenhum rótulo a
limita. Quando quer descobrir alguma coisa, descobre três. Quando
quer ser amada…ai, ai, nem te conto do que somos capazes.

Mas sabe qual é a parte mais bonita dessa aparente inconstância?


É a competência em se adaptar aos destemperos da vida. Da
mesma maneira que desejamos muito alguma coisa, em igual
medida nos adaptamos às nuances e desventuras que a vida nos
prega. Para cada pedaço de voo há um bocado de desengano.
Nesses saltos de pesar, a gente se transborda mesmo. Sofremos e
sentimos todas as dores da queda causada por um voo mal
calculado. Em outros, percebemos atravessar nossas asas a pedra
que nos fora arremessada impiedosamente. Pois bem, nos
enlutamos, sem a menor vergonha de sofrer e chorar. Lavamos a
alma, pois sabemos que a lágrima faz a tristeza escorregar.
Sentimos mais o baque da vida, e ao contrário do que pensam, isso
nos ajuda a elaborar as inevitáveis perdas e permitir deixar ir os
sonhos falidos.

No fim, sempre encontramos uma maneira de sacudir a poeira da


saia. Mulher não se aquieta, segue o pulsar da vida adiante. A
gente quer é ser lambida pelo vento, transitar entre quereres
— mudar de opinião, de partido, de cor de cabelo, de trabalho, de
amor. Ou não. Queremos mesmo é trocar de roupa dez vezes antes
de sair. Ou vestir o primeiro tubinho preto pego no armário.
Queremos tontear os rótulos, os ritos, queremos alguma insensatez
que seja capaz de aborrecer as previsões, essas que insistem em
fazer a nosso respeito. Talvez seja isso. Nem sei. Deixa pra lá. Não
revelarei, aqui nesse texto, todos os segredos. Esqueça.

Quem ousa decifrar a misteriosa linguagem metafórica, indireta, e


as analogias por onde caminham os quereres femininos? Na
verdade, ninguém precisa entender o que quer uma mulher. Basta
senti-la. Respeitá-la. Ter amor por ela é inevitável. E é também o
bastante.

Entender o que se passa na cabeça das mulheres faz parte do


nosso dia a dia no Superela. Por conta disso, vez ou outra fazemos
pesquisas para nos aprofundar ainda mais nos pensamentos das
leitoras e compreender seus desejos e anseios. O apanhado
recente contou com mais de 3 mil participantes* e revelações sobre
autoestima que podem ser ótimas para sua marca.

Vamos lá?
1) Sinceridade, essa fundamental

Apenas 7,5% das mulheres disse que raramente admitia um erro


(contra todo resto que assumiu fazer isso constantemente ou
sempre). “O que isso tem a ver com minha marca?”, você pode
estar pensando. Ora, marcas que se aproximam do consumidor já
saem com vantagem, uma vez que são tão de “carne e osso”
quanto as pessoas. Logo, se você se assumir humano, você pode
se posicionar como alguém que pisa na bola vez ou outra. E isso é
uma vantagem e tanto no quesito “relacionamento com o público
alvo”, não?
2) As mulheres querem mudar, mas não sabem como

Mais de 35% das participantes responderam que gostariam de


mudar seu estilo de vida e bem-estar (sendo que 55% delas não
pratica atividade física ou faz isso raramente). Daí, fica a dica, não é
porque reconhecemos um problema, que somos capazes de
resolvê-lo. Portanto: não bastam apenas frases motivacionais e
bonitas pras pessoas saírem de casa e fazerem algo, elas
realmente precisam de alguém que pegue na mão e mostre o passo
a passo. Alô empresas de alimentação, exercícios e espiritualidade,
chega de superficialidade, o negócio é eficácia e mão na massa! O
app Nike Training Club e a plataforma Vem Junto, também da Nike,
têm feito um bom trabalho nesse quesito. Corre lá pra ver (e
aproveite depois para sair pra uma corridinha).
3) Compramos pra melhorar o humor SIM

Uma verdade: as mulheres vão atrás de objetos de consumo para


se sentirem melhores. Na nossa pesquisa, apenas 6% disseram
que fazer compras não ajudava em nada, contra 94% que assumiu
o ato com convicção. Mas… por que esse dado é importante? Para
entender que nós somos seres sensíveis e usar isso da melhor
forma possível. Nada de “tá triste, compra isso” ou “desestressa
com esse sapato” – porque de anúncio assim estamos cheias e a
fase de Patricinhas de Beverly Hills já ficou pra trás (mesmo a gente
amando rever, claro). Mas, quem sabe, melhorar a linguagem para
atingir cada momento de forma educada, gentil e, principalmente,
que ajude a mulher a compreender suas reais necessidades? Como
diz a Quem Disse Berenice: Pode!
4) Amor I love you – o sentimento em alta.
74% das nossas leitoras acreditam no amor e acham que são
merecedoras dele – e ai da marca que tentar mostrar o contrário,
viu? Brincadeira. A verdade é que, aqui, queremos olhar para um
outro lado: a das 26% que não estão tão confiantes assim nesse
quesito. As pessoas que, ao contrário de entrarem de cabeça no
“pense menos, ame mais”, que Sonho de Valsa estimula, se sentem
menos parte desse movimento. Então, não seria muito legal se todo
mundo acreditasse que merece tudo nessa vida? Não seria incrível
ter consumidoras confiantes e cheias de atitude? Poxa, vamos
lembrar que formar pessoas também pode estar no nosso CORE e
bora promover ações que reforcem valores e atitudes positivas, vai?
Acredite em mim: vale muito a pena.
5) Não fazemos sexo tanto quanto gostaríamos

Apenas 12% considera sua vida sexual ativa. E aqui, vale pensar
em um milhão de coisas que pode atrapalhar seus desempenhos:
dia a dia corrido, rotina, estresse etc, mas, vamos combinar: temos
88% de um público consumidor ávido por mais ação no dia a dia – e
até o sucesso estrondoso de 50 Tons de Cinza prova isso. E aí,
marcas, será que a gente consegue ajudar essas mulheres? Que tal
mexer na comunicação pra oferecer soluções divertidas e
diferentes, que faça a galera sair do ostracismo e chegar ao tão
sonhado êxtase? Vale até voltar à campanha “get it on”, da Durex,
pra se inspirar (ou ir até o Superela ler alguns contos eróticos que
fazem mega sucesso).
6) No meio do caminho, tinha a autoestima

Acreditamos no empoderamento? Sim! Vivemos num mundo


empoderado? Não! E podemos notar isso quando 82% das
entrevistadas diz ter a autoestima média ou baixa. Além disso,
também captamos uma boa tendência das pessoas em ainda
sentirem medo de expressar suas vontades, se sentirem culpadas e
terem dificuldade em dizer não. Então, bem, já falamos isso em
outros textos (e aqui em cima), mas, promover a confiança da
mulher e ajudar a melhorar sua relação consigo mesma e com o
mundo é algo MUITO bacana a se fazer. Esse ano, a própria Skol
resolveu dar uma mudada no mood e investiu numa campanha em
prol da individualidade: “Redondo é sair do seu quadrado”. Ok, não
é só sobre o mundo feminino, mas impacta na vida de muita gente.
E isso já é bem legal!
7) Mulheres sempre serão surpreendentes

Sim, fizemos a pesquisa e tivemos todos esses resultados reais,


mas… quer saber do que mais? Mulheres vão muito além de dados
e certezas – e quanto antes sua marca trabalhar fora da caixa,
buscando o que ninguém está falando ou pegando num ponto que
nunca foi explorado, mais chances de você se dar bem. Hoje em
dia, são as DIFERENÇAS que estão em alta, portanto: que tal
pegar tudo isso e dar uma chacoalhada no seu (e no nosso)
planejamento? Com certeza, você vai dar o que falar.
*pesquisa feita em novembro/2016 no Superela com 3174
mulheres, sendo a grande maioria (78%) entre 18 a 35 anos e com
ensino superior completo (52%).

https://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/05/04/quem-sao-e-o-que-
querem-as-mulheres-de-verdade.html