METODOLOGIA DA PESQUISA

ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

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MARIA DAS GRAÇAS VILLELA RODRIGUES



METODOLOGIA DA PESQUISA
ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

2ª Edição

Colaboração e ampliação:
José Fernando Chagas Madeira
Luiz Eduardo Possídio Santos
Clayton Amaral Domingues

Rio de Janeiro
EsAO
2005


4
© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues

Diagramação:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Revisão:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)



Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
Avenida Duque de Caxias, 2071
Rio de Janeiro/ RJ - CEP 21615-220
R 696 Rodrigues, Maria das Graças Villela.
Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos, trabalhos
acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das
Graças Villela Rodrigues. colaboração e ampliação José Fernando
Chagas Madeira, Luiz Eduardo Possídio Santos, Clayton Amaral
Domingues - 2. ed - Rio de Janeiro: EsAO, 2005.
127 p.; il. ; 30 cm.
ISBN 85 - 98116 - 01 - 7
1. Pesquisa – Metodologia.I Título.
CDD 001.4


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SUMÁRIO


PREFÁCIO............................................................................................ 11
INTRODUÇÃO...................................................................................... 13
UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO........................................................... 15
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA.................................... 16
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR...................................... 16
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO................................................................... 17
1.3 A LEITURA............................................................................................ 18
1.4 O ESTUDO DO TEXTO........................................................................ 19
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA....................................................... 21
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO............................................................ 22
UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO................. 25
2 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO............................................... 26
2.1 A CIÊNCIA............................................................................................ 26
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS.................................................................... 28
2.2.1 Os Métodos de Abordagem............................................................... 29
2.2.1.1 O Método Dedutivo............................................................................... 30
2.2.1.2 O Método Indutivo................................................................................. 30
2.2.1.3 O Método Hipotético Dedutivo.............................................................. 31
2.2.1.4 O Método Dialético................................................................................ 31
2.2.1.5 O Método Fenomenológico................................................................... 32
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos......................................................... 32
2.2.1.1 O Método Histórico............................................................................... 32
2.2.1.2 O Método Comparativo......................................................................... 33
2.2.1.3 O Método Estatístico............................................................................. 33
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso............................................................... 34
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 34


6

UD III - PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA..............................................

35
3 PESQUISA CIENTÍFICA...................................................................... 36
3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS............................ 36
3.1.1 Classificação quanto à natureza....................................................... 37
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema............ 37
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais....................................... 37
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos......................... 38
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 41
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica.......................... 41
3.2.2 Neveis de Pós-graduação na EsAO.................................................. 41
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu......................................... 42
3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu............................................ 42
UD IV - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU..... 45
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU............................................... 46
4 1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 46
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 47
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO......................... 49
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 49
2 REFERENCIAL CONCEITUAL........................................................ 50
2.1 TEMA.............................................................................................. 50
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 51
2.2.1 Antecedentes do Problema....................................................... 53
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 53
2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico. 53
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 56
2.3 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 56
2.4 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 57
3 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................... 57


7
3.1 REVISÃO DE LITERATURA........................................................... 58
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS................................................ 58
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO.................................................. 59
4.1 OBJETIVO...................................................................................... 60
4.1.1 Objetivo geral............................................................................. 60
4.1.2.Objetivos específicos................................................................ 62
4.2 HIPÓTESE...................................................................................... 63
4.3 VARIÁVEIS..................................................................................... 65
4.3.1 Definição conceitual das variáveis........................................... 66
4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis................................................ 67

4.3.1.2 Correlação entre variáveis........................................................
68
4.3.2 Definição operacional das variáveis........................................ 69
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................... 71
4.4.1 População................................................................................... 71
4.4.2 Amostra....................................................................................... 72
4.4.3 Método de pesquisa................................................................... 72
4.4.4 Tipo de pesquisa........................................................................ 73
4.4.5 Técnica de pesquisa.................................................................. 74
4.4.5.1 Coleta documental.................................................................... 74
4.4.5.2 Questionário.............................................................................. 75
4.4.5.3 Entrevistas................................................................................ 79
4.4.5.4 Observação............................................................................... 80
4.4.5.5 Análise de conteúdo.................................................................. 81
4.4.6 Instrumentos.............................................................................. 82
4.4.6.1 Escalas para medir atitudes...................................................... 83
4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos...................................................... 86
4.4.7 Análise dos dados..................................................................... 88
5 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 88


8

5.1 PLANILHA DE CUSTOS ................................................................
89
5.2 CRONOGRAMA.............................................................................. 89
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 89
5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ................................................... 90
5.1.1 Categorização dos dados.......................................................... 90
5.1.2 Codificação dos dados.............................................................. 91
5.1.3 Tabulação dos dados................................................................ 92
5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas............................................ 92
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas.............................................. 93
5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................... 94
5.2.1 Análise estatística...................................................................... 95
5.2.2 Avaliação das generalizações.................................................. 95
5.2.3 Interpretação dos dados........................................................... 96
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................... 97
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO............................ 98
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação............................................................ 99
4.4.2 Considerações finais.......................................................................... 100
UD V - PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU.......................................... 101
5 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU......................... 102
5.1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 102
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 102
5.3 A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO....... 104
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 105
2 CONCEITOS E MÉTODOS.............................................................. 105
2.1 TEMA.............................................................................................. 105
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 106
2.2.1 Antecedentes do Problema ...................................................... 107
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 108
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 108


9
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO.............................................................. 109
2.4.OBJETIVOS.................................................................................... 110
2.4. 1 Objetivo Geral............................................................................ 110
2.4. 2 Objetivos Específicos............................................................... 110
2.5 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 111
2.6 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 112
3 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 113
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 113
4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES.............................................. 114
5.4 MONTAGEM DO TCC.......................................................................... 114
5.4.2 Considerações finais.......................................................................... 115
REFERÊNCIAS.................................................................................... 117

Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e DM......................................................................................

120
Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM......................... 121

Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e TCC....................................................................................
122
Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC....................... 123

Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos, Materiais
e Serviços.............................................................................................
124

Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de
Pesquisa...............................................................................................

125
Apêndice G – Modelo de Ficha............................................................ 126



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11
PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO
A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação
no âmbito da EsAO. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição, a fim de atualizar
algumas partes e incluir novos conceitos, em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em
vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências
Militares.
Neste sentido, aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora, coube aos
colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I, e adequar o item “A prática do
fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações
Militares. Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência,
e aos Métodos Científicos, incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares.
Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica,
segundos suas classificações quanto à natureza, a forma de abordagem do problema, aos
objetivos gerais e aos procedimentos técnicos, procurando-se destacar através de conceitos e
exemplos, as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto
sensu. A partir deste momento, o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos
programas, os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V.
A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores, de forma que o leitor
pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado.
Neste sentido a estrutura da dissertação, com seus referenciais, foi inicialmente apresentada
em forma de fluxograma, passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa, e
seu(s) referenciais afetos. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V, onde os
conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados.
Foram ainda criados novos Apêndices ao livro, de forma que o leitor pudesse verificar
as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa, nos projetos
de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa, bem como apresentados em forma de mídia
digital (CD), exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases.


DOMINGUES, C. A.; MADEIRA, J. F. C.; SANTOS, L. E. P.


12

13
INTRODUÇÃO


Os programas de pós-graduação, conduzidos pelas instituições de
ensino de nível superior, exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos,
dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos
correspondentes. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema
relevante de determinada área, obedecendo à metodologia própria para iniciação
científica, preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras
ortográficas e gramaticais da língua portuguesa.
Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos
Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a
elaboração de projetos de pesquisa, trabalhos acadêmicos e dissertações,
facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento.
Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à
metodologia da pesquisa, seguindo orientações de renomados autores brasileiros
que descrevem claramente o assunto, inferindo conceitos próprios da metodologia
em Ciências Militares.
A seguir, serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de
pesquisa científica afetos às Ciências Militares, passando a apresentação de um
raciocínio lógico e coerente, necessário à construção de projetos de pesquisa nos
níveis stricto sensu e lato sensu.
Finalmente, este manual esclarece como o resultado final da pesquisa,
realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa, será descrito em
forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação
de Mestrado (no nível stricto sensu).


14

15




TÉCNICAS DE ESTUDO
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO
1.3 A LEITURA
1.4 O ESTUDO DO TEXTO
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO



16
1 METODOLOGIA DA PESQUISA

A palavra Metodologia vem do grego; meta que significa ao largo; odos,
caminho; logos, discurso, estudo. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos
disponíveis e suas utilizações. Corresponde a um conjunto de procedimentos que
auxiliam na obtenção do conhecimento.
De acordo com Minayo (1999), entende-se por metodologia o caminho do
pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Neste sentido, a
metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas. Já
a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência, buscando questionar e
construir a realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza
frente à realidade do mundo. Embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula
pensamento e ação. Ou seja, nada pode ser intelectualmente um problema, se não
tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática. As questões da
investigação estão, portanto, relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente
condicionadas.

1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR

A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui
características investigativas, relacionadas com a busca de caminhos necessários à
obtenção de conhecimentos, auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na
sistematização dos conteúdos. Esta instrumentação é importante para o trabalho
científico, porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a
formação de um compromisso científico frente à realidade empírica, buscando o
conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a
reflexão científica.
Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação
superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos, levando
em conta o estímulo ao pensamento produtivo, ao conhecimento sistemático, à
criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. A Metodologia estrutura-se,

17
portanto, de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções
que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes.

1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO

O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico
aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade. Para tanto, é importante que
os alunos adquiram hábitos de estudo, buscando informações a respeito de
procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas.
A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados
muito importantes para o aprendizado. Severino (1991) destaca como elementos
principais à leitura e a escrita, pois para aprender, é necessário ler ou ouvir as
mensagens que nos são transmitidas; como, também, é necessário registrar por
escrito o conteúdo, para posteriormente retomar a essa mensagem, pensá-la e/ou
reescrevê-la. Adverte, ainda, que o ensino superior exige dos universitários
maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade
didática rigorosa, crítica e criativa, bem como um projeto de trabalho intelectual
individualizado, apoiado em material didático e científico que se constitui
basicamente na bibliografia especializada.
Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade
de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas
necessidades de aprendizagem. É necessário que o estudante utilize, com a devida
freqüência, as bibliotecas disponíveis. A leitura de livros indicados na bibliografia do
curso, de revistas especializadas, de jornais e outras fontes de consulta facilita a
apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto, oferecendo
outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte.
A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço
disciplinar, uma programação das atividades de estudo, uma divisão adequada do
tempo que propiciem a periodicidade de leituras, a participação em seminários,
palestras, etc. O ensino superior requer, além do estudo habitual, a participação em
eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos
conhecimentos. A auto-atividade didática é, portanto, imprescindível e deve
estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance.

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Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o
espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos, aprimorando-os
como seres ativos e participantes da história.
A proposta deve ser a de aprender, isto é, não adianta apenas uma série de
informações, é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. As atividades de
estudo como a leitura analítica, o estudo da documentação e a elaboração de
trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. Estas atividades são
desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho, utilizando técnicas de
leitura, condensação de textos, etc.

1.3 A LEITURA

Ler é assimilar idéias, interagir com o autor, absorvendo o sentido da
mensagem, conhecer, interpretar, decifrar, ampliar os conhecimentos e aprofundar o
saber em determinado campo cultural ou científico. Segundo Salvador (1980), ler é
"distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e, depois, optar
pelos mais representativos e mais sugestivos”.
Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras, sendo necessário
que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto, que é aquela que corresponde a
tudo aquilo que o autor quer comunicar. Para tanto, a utilização de técnicas de
sublinhamento, resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do
texto através das idéias de cada parágrafo, auxiliando o leitor no entendimento do
pensamento do autor no contexto da obra.
Ao ler um texto, devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo
informativo fundamental, ao qual se subordinam, de modo articulado, vários
enunciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode ser
percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem.
Posteriormente, devemos identificar, nos diversos parágrafos, as idéias secundárias
que articulam o entendimento final do texto.
É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário,
possibilitando ao leitor progredir cientificamente; adquirir experiência, melhorar a
comunicação e, principalmente, a redação. A leitura amplia e desperta a inteligência
para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento, clareando as idéias,

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permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas, e fornecendo
opções de soluções para os problemas de pesquisa, de acordo com os modelos
teóricos de outros autores/pesquisadores.
A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação
científica. É importante consultar os autores, os livros e as revistas, que possam
fornecer as informações necessárias. Devemos examinar sumariamente os
componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. Verificar o nome do
autor, seu currículo, ler a orelha do livro, o sumário, a documentação ou as citações
ao pé das páginas. Investigar a referência, assim como verificar a editora, a data, a
edição e ler rapidamente o prefácio. A convergência desses vários elementos nos
ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse.

1.4 O ESTUDO DO TEXTO

Segundo Galliano (1986), há várias maneiras de se estudar um texto, mas
todas dependem sempre do propósito do estudo. Assim, um estudo profundo,segue
sempre um processo semelhante, um método. Devemos recordar que não se estuda
um texto como quem lê um romance, por puro entretenimento. Os textos de estudo,
mormente aqueles de cunho científico ou filosófico, requerem sempre o emprego da
razão reflexiva por parte de quem estuda. E isso pressupõe uma certa disciplina
intelectual, um método de abordagem para o objeto do estudo.
Assim, o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas, sendo
necessário para o desenvolvimento deste, o domínio de algumas técnicas que vão
contribuir para o entendimento do autor e da obra, quais sejam: sublinhar, resumir
e esquematizar.
Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra, as
palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto. Dentre as normas para
sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias
principais e os detalhes importantes. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir
das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. Ao final,
deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. O
texto fica condensado como em um telegrama, mas continua com o mesmo sentido.

20
É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal
e com um único traço os pormenores importantes. Assinalar com linha vertical, à
margem do texto, as passagens mais significativas; ou fazer um retângulo. Os
pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à
margem do texto. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para
sublinhar.
Após sublinhar o texto, é necessário condensar as idéias destacadas. O leitor
deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto, a que mais se
identifique com o propósito de sua leitura. De acordo com a forma de apresentação
do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou
esquema.
O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. É
a apresentação concisa e, freqüentemente, seletiva do texto, destacando-se os
elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da
obra. É útil quando se necessita, em rápida leitura, recordar o essencial do que se
estudou e a conclusão a que se chegou. Segundo Galliano (1986), resumir por
escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil
consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade, como a
defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação, e quando
se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa.
Para tanto, é necessário observar algumas normas para se fazer um bom
resumo, tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo; esclarecer os
pontos obscuros; e sublinhar as palavras desconhecidas. É preciso ser breve, porém
compreensível. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à
margem do texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”), usar aspas e
fazer referência completa à fonte. Juntar, principalmente ao final, idéias
integradoras, referências bibliográficas e críticas, pertinentes e oportunas, de caráter
pessoal.
O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu
escrito. Para Galliano (1986), o esquema é a representação gráfica e sintética do
que se leu. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica
que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que, mediante divisões e
subdivisões represente a hierarquia das palavras, frases, parágrafos-chave que,

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destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as idéias
sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido.
Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom
esquema, uma delas é a fidelidade ao texto, captando e compreendendo o tema do
autor, destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto.
Por fim, o esquema deve:
a) ser claro, simples e distribuído organicamente;
b) subordinar as idéias e fatos;
c) ter estrutura lógica, mantendo um sistema uniforme;
d) ser flexível e funcional para o uso; e
e) destacar o propósito da leitura, facilitando a captação do conteúdo e
permitindo uma melhor reflexão sobre o texto.

1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA

Para auxiliar a transposição da leitura, é necessário que o leitor faça uma
análise do texto. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do
leitor e do fim a que se destina. Os textos de estudo de caráter científico, por
exemplo, requerem, por parte de quem analisa, um método de abordagem e certa
disciplina intelectual.
Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que
abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise
textual, análise temática e análise interpretativa.
A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a
finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. O leitor deve assinalar os
vocábulos desconhecidos, os pontos que requerem posterior esclarecimento e as
dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. É importante
esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários, enciclopédias, manuais,
enfim, às obras de referência que se façam necessárias.
Ao terminar esta análise, o leitor passa a ler com o objetivo de compreender
profundamente o texto. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai
processar a leitura para apreender o conteúdo, sem discutir com o texto, sem
debater os conceitos ou idéias; a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia

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central. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor,
as idéias secundárias, os temas complementares, enfim, a estrutura de sustentação
do texto. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece, com
segurança, o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto.
A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. O leitor passa a
inferir e interpretar o que foi apreendido. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor
deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica
e/ou filosófica recorrendo, se necessário, a outras fontes, complementando-as
sempre que o estudo assim exigir.
Ao terminar a análise interpretativa, o nível de conhecimento do leitor ter-se-á
consolidado e ampliado. E para continuar desenvolvendo este conhecimento,
Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal, seu juízo crítico, ao
confronto da discussão em seminários, grupos de estudo, ou reuniões com colegas.
Para ele, o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e
inabaláveis podem revelar sua fragilidade, enquanto outras ganharão maior vigor,
estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de
análises.
Concluindo adequadamente a leitura de um texto, o leitor mais experiente,
passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. São nessas condições que
ocorre a transposição da leitura. É através da ampliação dos aspectos que a
análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos
relevantes que o leitor pode ir além, ultrapassar a leitura e produzir o
conhecimento; o que é muito importante, na medida em que o leitor/pesquisador
necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de
determinadas conclusões.

1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO

Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso
que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita:
a) conhecer a origem do problema;
b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema;
c) avaliar as soluções já experimentadas;

23
d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo;
e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível
solução para o problema pesquisado.
Segundo Eco (1989), a situação ideal seria dispor de todos os livros de que
se tem necessidade. Entretanto, verifica-se que essa condição ideal é muito rara,
mesmo para um estudioso profissional. Assim, o armazenamento das informações
coletadas em bibliotecas, repartições públicas, centros culturais, sites de busca na
Internet, etc, poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de
computador.
É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na
fase de coleta de informações, pois auxiliam no registro de resumos, opiniões,
citações, enfim, tudo o que possa servir como embasamento para a redação do
texto do trabalho de pesquisa.
Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração
dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação
final da pesquisa, revertendo em ganho de tempo.
A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G), que deverá ser
preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa, isto é, no
início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento. A ficha é composta pelas
seguintes partes: cabeçalho, referências, resumo da obra, citações,
contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de
interesse.
O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a
identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa, o tema, o nome do
postulante, a data do fichamento e o número referência da ficha.
O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas
da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e
Dissertações), isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação.
O campo destinado ao resumo da obra, embora simples, deve permitir ao
pesquisador identificar quais são os assuntos tratados, bem como as principais
conclusões do autor.
O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas
ou indiretas, tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu
raciocínio lógico, durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz

24
tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. As
citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do
pensamento de outros autores, elas devem conter subsídios que lhe permitirão a
sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC)
O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo
deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor, visando facilitar a
construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho; anote quantas
idéias puder acerca do que foi lido e estudado, este é o melhor momento para
apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao
problema de estudo.
O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter
tabelas, gráficos, figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o
entendimento do leitor acerca do seu trabalho.

25



A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
2.1 A CIÊNCIA
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS
2.2.1 Os Métodos de Abordagem
2.2.1.1 O Método Dedutivo
2.2.1.2 O Método Indutivo
2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo
2.2.1.4 O Método Dialético
2.2.1.5 O Método Fenomenológico
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos
2.2.1.1 O Método Histórico
2.2.1.2 O Método Comparativo
2.2.1.3 O Método Estatístico
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS


26
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que
os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades
mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas.
O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o
objeto, o sujeito e uma relação entre os dois. O conhecimento se dá quando o
sujeito apreende o objeto e, relacionando-se com ele, forma uma imagem.
Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo
do conhecimento, faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento
ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico.
Segundo Galliano (1986), o conhecimento vulgar (senso comum) também
denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana, ao
acaso, baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Em geral
resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto, sem observação
metódica ou verificação sistemática, e por isso, carece de caráter científico. Pode
também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das
tradições de uma coletividade.
Ao contrário, o conhecimento científico é uma aquisição intencional,
consciente e sistemática; é um processo que chegou ao máximo de seu
desenvolvimento com a aplicação do método científico. De acordo com Galliano
(1986), o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da
realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para
descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem.

2.1 A CIÊNCIA

Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de
conceitos que são permanentemente ampliados, uma vez que suas idéias não são
definitivas.
O conceito apresentado por Ander-Egg (1978), define ciência como um
conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente,

27
sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma
natureza.
Para Trujillo (1974), ciência é uma sistematização de conhecimentos, um
conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de
certos fenômenos que se deseja estudar. Um conjunto de atitudes e atividades
racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser
submetido à verificação.
Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por
objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o
auxílio da linguagem matemática), leis que regem os fenômenos.
Neste sentido, o conhecimento deve ser:
a) objetivo, porque descreve a realidade independente dos caprichos do
pesquisador;
b) racional, porque se vale, sobretudo, da razão e não da sensação ou
impressões, para chegar a seus resultados;
c) sistemático, porque se preocupa em construir sistemas de idéias
organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades
cada vez mais amplas;
d) geral, porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de
leis e normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo;
e) verificável, porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das
informações; e
f) falível, porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados
pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar.
Segundo Gil (1999), há conhecimentos que não pertencem à ciência, tais
como: o conhecimento vulgar, o religioso e, em certa acepção, o filosófico. A partir
destas características torna-se possível, em boa parte dos casos, distinguir entre o
que é ciência e o que não é.
Segundo Lakatos e Marconi (2000), não existe um consenso na apresentação
da classificação das ciências; o que é ciência para alguns autores, ainda permanece
como ramo de estudo para outros, e vice-versa. Mas, baseando-se em Bunge
(1976), as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências
factuais.

28
As ciências formais se encarregam do estudo das idéias, dividindo-se em
lógica e matemática. Por não terem relação com algo encontrado na realidade, não
podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas,
utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. Os resultados
alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses.
As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos, dividindo-se em
naturais e sociais. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em
conseqüência, recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou
refutar suas hipóteses. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam,
comprovam ou refutam hipóteses que, em sua maioria, são provisórias.
A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a
demonstração (formal) é completa e final, ao passo que a verificação (factual) é
incompleta e, por este motivo ela é temporária.
Parra Filho (2000), ao referir-se à classificação atual dos vários campos da
ciência, ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias, devido a
sua constante evolução. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao
mesmo tempo a variedade do conhecimento humano, assinala o domínio próprio de
cada ciência, patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem
em que as ciências devem ser estudadas. De acordo com este autor, Ciência
Militar e Defesa, estão no campo das ciências sociais.

2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS

Para que um conhecimento possa ser considerado científico, faz-se
necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua
verificação, ou seja, determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento.
Assim, Gil (1999), define método científico como um conjunto de procedimentos
intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento.
Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método
relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os
primórdios da humanidade.

29
Nas ciências militares, assim como em outras ciências, o método é
fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de
acordo com a proposta de trabalho do pesquisador.
A adoção de um ou de outro método depende, portanto:
a) da natureza do objeto de pesquisa;
b) dos recursos materiais disponíveis;
c) do nível de abrangência do estudo; e
d) sobretudo, do pesquisador.
Neste sentido, vários sistemas de classificação podem ser adotados.
Segundo Gil (1999), que apresenta uma classificação semelhante a outros autores
como Trujillo, Ferrari (1982), e Lakatos (1992), há dois grandes grupos: os métodos
de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica; e os
métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a
serem empregados.

2.2.1 Os Métodos de Abordagem

Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos
que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da
natureza e da sociedade; são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de
abstração, que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua
investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas
generalizações.
Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo, indutivo,
hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. Cada um deles vincula-se a
uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o
conhecimento da realidade. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo, o
indutivo ao empirismo, o hipotético-dedutivo ao neopositivismo, o dialético ao
materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia.




30
2.2.1.1 O Método Dedutivo

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que
pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O
raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por
intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral
para o particular) para chegar a uma conclusão. Usa o silogismo, construção lógica
para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira, logicamente decorrente das
duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993).
Veja um exemplo de raciocínio dedutivo:
Premissa maior As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão O 121°R C Mec tem grande mobilidade
Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo.
A dedução pressupõe o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da
conjectura, que serão testados pela observação e/ou experimentação.

2.2.1.2 O Método Indutivo

Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta os
princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo a generalização deriva de
observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à
elaboração de generalizações (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um
exemplo de raciocínio indutivo:
Observação 1 O 121°R C Mec tem grande mobilidade.
Observação 2 O 122°R C Mec tem grande mobilidade.
... ...
Observação n O 123°R C Mec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°, 122°,...123°R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade.
Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo.

31
Segundo Wricht (apud HEGENBERG, 1976, p. 174), a indução pode ser
caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade, relativamente a certo
número de elementos de uma dada classe, permite concluir que o mesmo será
verdade, relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. Se em
especial, a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não
examinados, diz-se que a indução leva a uma generalização.
O método indutivo propõe que, em primeiro lugar, está a observação dos
fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. Há, portanto, uma inversão de
procedimentos em relação ao método dedutivo.

2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo

Proposto por Popper, o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da
seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre
determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o
problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são
formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se
conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas
as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se
procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao
contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p.30).
O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos
conhecimentos, acerca da qual se formulam hipóteses, e pelo processo de influência
dedutiva, testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela
hipótese.

2.2.1.4 O Método Dialético

Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se
transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É
um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Admite que os fatos
não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc.
O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação
recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre

32
na natureza e na sociedade. O conceito de dialética equivale a uma argumentação
que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão.

2.2.1.5 O Método Fenomenológico

Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem
indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da experiência, tal como ela é. A
realidade é construída e entendida como o compreendido, o interpretado, o
comunicado pelo resultado da pesquisa. Então, a realidade não é única: existem
tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator é
reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL,
1999; TRIVIÑOS, 1992).

2.2.2 Os Métodos de Procedimentos

Segundo Lakatos (2000), os métodos de procedimentos seriam etapas mais
concretas da investigação, com a finalidade mais restrita em termos de explicação
geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem uma atitude mais concreta em
relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular.
Gil (1999), expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos
técnicos a serem utilizados, proporcionariam ao investigador os meios adequados
para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais.
Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999), referindo-se à
conceituação de método, enquanto conjunto de procedimentos suficientemente
gerais, para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica.
Assim, os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências
sociais, são: histórico, comparativo, estatístico e estudo de caso.

2.2.2.1 O Método Histórico

O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos, processos e
intuições passadas, procurando identificar e explicar as origens contemporâneas.
Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir

33
de uma perspectiva histórica. E a partir da análise, evolução e comparação histórica
se podem traçar perspectivas.

2.2.2.2 O Método Comparativo

O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos,
classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades
entre eles. Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o
estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo.
O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre
os vários grupos e fenômenos sociais, mediante a comparação que irá estabelecer
as semelhanças e/ou as diferenças.

2.2.2.3 O Método Estatístico

Segundo Gil (1999), o método estatístico fundamenta-se na aplicação da
teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação
em ciências sociais. As explicações obtidas mediante a utilização do método
estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas dotadas de
boa probabilidade de serem verdadeiras. Mediante a utilização de testes estatísticos,
torna-se possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de
determinada conclusão, bem como a margem de erro de um valor obtido.
O método estatístico, apesar das dificuldades para medir os fenômenos,
auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos
fatos que, reduzidos a números, permitem o estabelecimento de relações e
correlações existentes entre eles, prestando-se tanto para que sejam inferidas como
para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. É também
utilizado quando, pela variedade e complexidade dos fenômenos, torna-se
impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem
uma quantificação.
Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção
de dados, mas sim, como define Fisher, a estatística é a matemática aplicada à
análise dos dados numéricos de observação, pois, tão importante quanto o aspecto
qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo, com as suas possíveis

34
utilizações; daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais.
Quando, a partir de uma amostragem ou de um caso particular, são definidas
algumas generalizações, tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal
fenômeno.

2.2.2.4 O Método de Estudo de Caso

O método de estudo de caso ou método monográfico permite, mediante a
análise de casos isolados ou de pequenos grupos, entender determinados fatos.
De acordo com Gil (1999), este método parte do princípio de que o estudo de
um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros, ou
mesmo de todos os casos semelhantes. Esses casos podem ser indivíduos,
instituições, grupos, comunidades etc.

2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme o método escolhido pelo pesquisador, utiliza-se um ou outro
procedimento de coleta de dados. O procedimento de coleta de dados requer do
pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa, ou seja, como irá proceder
para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. O
delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e
das circunstâncias em que serão coletados os dados, e as formas de controle das
variáveis envolvidas no problema.

35



PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA
3 PESQUISA CIENTÍFICA
3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS
3.1.1 Classificação quanto à natureza
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica
3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO



36
3 PESQUISA CIENTÍFICA

Pesquisa, num sentido amplo, é um conjunto de atividades voltadas para a
busca de um determinado conhecimento. Neste sentido, qualquer trabalho escolar
que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado
um trabalho de pesquisa.
Segundo Gil (1999), pode-se definir pesquisa como um processo formal e
sistemático de desenvolvimento do método científico. A pesquisa tem um caráter
pragmático; é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método
científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.
De acordo com Barros e Lehfeld (2000), a pesquisa científica é o produto de
uma investigação, cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante
a utilização de procedimentos científicos. Consiste em investigar a realidade,
utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. Aplicar atentamente os
sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. Observar e
examinar atentamente, sondar, inquirir, ouvir com atenção, ler e analisar
documentos.
Para a EsAO, a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente
organizadas, baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos; realizada com o
objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário, administrativo ou de
instrução; e relatada através de um discurso autêntico, coerente e lógico, ausente de
contradições.

3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS

Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de
classificação serão apresentadas a seguir, levando em consideração: a natureza, a
forma de abordagem do problema, os objetivos gerais e os procedimentos
técnicos.



37
3.1.1 Classificação quanto à natureza

Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos,
úteis para o avanço da ciência, sem uma aplicação prática prevista inicialmente.
Envolve verdades e interesses universais.
Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham
aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. Envolve
verdades e interesses locais.

3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema

Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável, isto é, que
é possível traduzir em números as opiniões e as informações para, posteriormente,
classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas
(percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação,
análise de regressão, etc.).
Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo
real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação
dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa
qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural
é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É
descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente.

3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais

Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o
problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. É usada para
conhecer variáveis que são desconhecidas completamente, e cuja informação será
básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que
alcance o verdadeiro conhecimento da variável. A pesquisa exploratória tem como
principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em
vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para

38
estudos posteriores. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema
escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas
e operacionalizáveis. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira
etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada
população/fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. É utilizada
para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um
problema, obtendo desta maneira uma visão mais completa. Para este tipo de
pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável
ou das variáveis que influenciam o problema. Algumas pesquisas descritivas vão
além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo
determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou
contribuem para a ocorrência dos fenômenos, aprofundando o conhecimento da
realidade por explicar a razão, o “porquê” das coisas. Uma pesquisa explicativa pode
ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação dos fatores que
determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou
detalhado. Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente
explicativas em ciências sociais.

3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos

Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado,
constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e, atualmente, de material
disponibilizado na Internet. Dependendo da pesquisa, percebe-se que muitas são
desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas, tais como:
livros de leitura corrente, livros de referência, dicionários, enciclopédias, impressos
diversos, publicações periódicas, revistas e jornais etc.
A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de
fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente;
principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo
espaço. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos, pois não há

39
outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados
bibliográficos.
Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não
receberam tratamento analítico. As fontes, consideradas documentais, podem ser
documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas,
tais como: associações científicas, igrejas, sindicatos etc. Incluem-se outros
inúmeros documentos como cartas pessoais, diários, fotografias, gravações,
memorandos, regulamentos, ofícios, boletins etc. Há documentos também, que de
alguma forma já foram analisados, tais como relatórios de pesquisa, relatórios de
empresas, tabelas estatísticas, etc, que podem ser incluídos no rol da pesquisa, em
face da sua importância documental.
Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo,
selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. De
modo geral, o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica
em determinados campos do conhecimento. Contudo, em boa parte dos casos, a
pesquisa experimental torna-se inviável, quando se trata de objetos sociais, por
exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas.
Quando os objetos em estudo são entidades físicas, tais como porções de
líquidos, bactérias ou ratos, não se identificam grandes limitações quanto à
possibilidade de experimentação. Quando, porém, se trata de experimentar com
objetos sociais, ou seja, com pessoas, grupos ou instituições, as limitações tornam-
se bastante evidentes. Considerações éticas e humanas impedem que a
experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais, razão pela qual os
procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número
de situações.
Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que
possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer.
Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de
pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise
quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Na maioria dos levantamentos, não são pesquisados todos os integrantes da
população estudada. Antes da pesquisa de campo, seleciona-se mediante
procedimentos, uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de

40
investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a
totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida por
meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística, v.1).
Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores
sociais, pois proporcionam: conhecimento direto da realidade, economia e rapidez
na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo, permite
que os dados sejam agrupados em tabelas, possibilitando a sua visualização e
análise por quantificação.
Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um
ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado
conhecimento. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas
complexos, auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema.
Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é
suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal,
possibilitando avançar na pesquisa.
Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos
ocorridos. A pesquisa ex-post-facto, é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou
situações se desenvolveram espontaneamente. Não se trata rigorosamente de um
experimento, posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. Todavia, os
procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos
experimentos propriamente ditos. Neste tipo de pesquisa são tomadas como
experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre
elas como se estivessem submetidas a controle.
Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte
das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Segundo Thiollent (1985), esta
pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a
resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo.
Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre
pesquisadores e membros das situações investigadas. A pesquisa participante,
segundo Thiollent (1985), assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação
entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Há autores que
empregam as duas expressões como sinônimas. Todavia, a pesquisa-ação
geralmente supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional,

41
técnico ou outro. A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre
ciência popular e ciência dominante.

3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas
exigências científicas. Para que seu estudo seja considerado científico você deve
obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objetividade. É
desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos:
a) a existência de uma pergunta que se deseja responder;
b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta; e
c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida.

3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica

Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e
desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica.
Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas
que devem ser executadas na investigação de um fenômeno, que inclui a escolha
do tema; a exploração do problema; a construção de um modelo de análise e
solução do problema; a coleta e a tabulação de dados; a apresentação dos
resultados; a análise e discussão dos resultados; a elaboração das conclusões
e recomendações; e a divulgação de resultados.

3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO

Após compreender os conceitos de metodologia, ciência, métodos de
pesquisa e tipos de pesquisa científica, é importante que o discente entenda alguns
princípios que regem os programas de pós-graduação. Ao término desta Unidade
Didática, espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de
pós-graduação que melhor lhe convier. Para tanto, serão apresentados alguns
conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu.


42
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu

O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado
acerca de determinado tema, exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo.
Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de
Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica, fazendo jus, caso
aprovado, ao grau de Mestre em Operações Militares.
Como veículo da execução do programa de mestrado, a apresentação de
dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de
atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das
atividades de pesquisa no campo das Operações Militares.
Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível
maior de conhecimento a respeito do tema, de tal forma que seja possível o
levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto.

3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu

O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado
tema, exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em
relação ao mesmo. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um
Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica,
fazendo jus, caso aprovado, ao grau de Aperfeiçoamento em Operações
Militares.
Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de
um conhecimento compatível com o tema em estudo, de tal forma que seja possível
descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações
de causas ou conseqüências do problema analisado. O trabalho deverá constituir-se
em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados
durante o CAO, evidenciando pesquisa científica. Observe que o TCC pode ser
concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado.
O Quadro 3 apresenta, de uma maneira geral, as principais diferenças entre
os níveis de Pós-Graduação, por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um
mesmo tema.


43

Nível Lato Sensu Stricto Sensu
Tema
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Delimitação do
tema
Sessões cardiopulmonares de treinamento
físico militar na preparação do Sd EV
para o TAF.
Uma comparação entre os efeitos
fisiológicos produzidos pela corrida
intervalada e pela corrida contínua,
voltados para a performance de Sd EV no
TAF.
Antecedentes do
problema
O pesquisador sente a necessidade de
pesquisar acerca de como os diversos
tipos de treinamento cardiopulmonar
poderiam otimizar a performance
cardiopulmonar do Sd EV.
Estudos comparativos têm indicado que a
corrida intervalada provoca mudanças
fisiológicas que a corrida contínua não é
capaz de realizar.
Problema
Como melhorar a performance
cardiopulmonar de Sd EV, visando uma
preparação para o TAF?
Que método de treinamento produz
maiores benefícios fisiológicos voltados
para o TAF?
Aprofundamento
exigido
Abordagem genérica de todas as sessões
de treinamento cardiopulmonar, capazes
de melhorar a performance do militar,
concluindo acerca de suas vantagens e
desvantagens.
Abordagem profunda e detalhada da
fisiologia do exercício, para comparar os
efeitos dos treinamentos, concluindo
acerca de qual produz maiores benefícios
fisiológicos voltados para o TAF.
Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica.

A Tabela 1 apresenta algumas características que, genericamente, permitem
distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de
Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Tabela 1- Principais diferenças entre a DM e o TCC
Características DM TCC
Quanto ao programa de pós-graduação stricto sensu lato sensu
Formulação do problema sim sim
Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor
Formulação de questões de estudo não sim
Formulação de hipóteses sim não
Variáveis duas ou mais pelo menos uma
Testes de variáveis sim não
Aprofundamento do conhecimento. maior menor
Pesquisa de campo sim não
Análise estatística sim não
Defesa perante Banca Examinadora sim não
Fonte: Os autores.

A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de
aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho. Caso opte pelo
programa stricto sensu (Mestrado), siga para a Unidade Didática IV. Se optar
pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento), siga para a Unidade Didática V.

44


45



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
STRICTO SENSU

4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
4 1 INTRODUÇÃO
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 REVISÃO DE LITERATURA
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
5.1 PLANILHA DE CUSTOS
5.2 CRONOGRAMA
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO




46
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

4.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de
dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a
normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR
14724:2002.
É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório
final de uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente
planejada e aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade
traduzir um perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre
ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados, visando atender os interesses
do postulante e da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para
que o postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente
alinhados, o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir
relacionadas:
Escolha do Tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado;
Depósito da Dissertação de Mestrado; e
Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e
executado, apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca
do que foi pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada
fase.



47
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA.
O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas, que são
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado).
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
AS 7 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1ª Etapa Seção 1
Introdução
- Visão Geral
Seção 2
- Tema
- Problema
- Justificativa
A pergunta de partida
Referencial
Conceitual
- Contribuição
2ª Etapa Seção 3
A exploração do problema

Revisão de
Literatura


Entrevistas
exploratórias


Referencial
Teórico
Apresentação dos
pressupostos teóricos
que irão sustentar a
tese formulada.
3ª Etapa Seção 4
- Objetivos
- Hipóteses
- Variáveis
Referencial
Metodológico
- Procedimentos
metodológicos
- Cronograma
A construção de um modelo de
análise e solução do problema

Referencial
Operativo*
- Planilha de custos
4ª Etapa Seção 5
A coleta dos dados
5ª Etapa
Análise dos dados
Apresentação e Análise
dos Resultados
6ª Etapa Seção 6
Conclusões

Conclusões e Recomendações
7ª Etapa
Redação do relatório final de pesquisa
(Montagem da Dissertação de Mestrado)

DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA
(fase presencial do CAO)

*O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B)

Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.


48
A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. A pergunta de partida irá desencadear uma breve
revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com
apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar, das justificativas
para se empreender um estudo científico para resolvê-lo, e das contribuições que
esta pesquisa poderá produzir. Depois de reunidos, o Tema, o Problema, as
Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual.
Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a) a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b) a pergunta de partida deve ser reformulada.
Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª
Etapa), por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de
entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo), bem como ,
uma maneira de se testar, metodologicamente, esta solução (Referencial
Metodológico). Após serem convenientemente organizados, os resultados da
exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico
Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a
construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa), onde
serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo, a(s) hipótese(s), as variáveis, e os
procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução
formulada. Estando definida a hipótese, o postulante passa: a estabelecer os
objetivos da pesquisa, que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou
rejeição da hipótese; a definir as suas variáveis; a estabelecer os procedimentos
metodológicos a serem seguidos; e, somente durante a elaboração do projeto de
pesquisa, a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos.
Após convenientemente organizados, o(s) objetivo(s) de estudo, a(s)
hipótese(s), as variáveis, e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado
Referencial Metodológico. O cronograma de trabalho e a planilha de custos
constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa.
Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s), deve-se realizar a
Coleta de Dados (4ª Etapa), que consiste na execução do que foi planejado no
Referencial Metodológico. Segue-se a esta, a Análise dos Dados (5ª Etapa), que

49
culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados, onde
os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a
fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca
da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. Durante esta etapa, pode-se
verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados, ou até mesmo
de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não
tenha ficado claro durante a análise.
Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (6ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa, verificando
se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m), ou não, o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (7ª Etapa), quando todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega da Dissertação de Mestrado, para que, no momento determinado, seja
executada a defesa perante a Banca Examinadora.

4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final da DM, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa e na DM. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve ser breve, visando preparar o leitor para a questão
funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão
clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de
pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão
panorâmica acerca do assunto pesquisado.

50
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. Pode-se redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride.

2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da
problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado;
o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente
dito e os seus alcances e limites); a justificativa da importância de execução da
pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do
conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema.
De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Encontrar um objeto que mereça ser investigado
cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da
pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores
externos, quanto aos fatores internos (pessoais).
É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e
esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para
desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o
pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta
bibliográfica.
Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger

51
uma determinada parcela de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está
relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu
orientador. Para a escolha do tema, deve-se levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Para um maior aprofundamento nas
questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para
Trabalhos Acadêmicos”. Após a definição do tema, deve-se levantar e a analisar
as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende
resolver através da pesquisa científica que irá empreender, apresentando os
antecedentes do problema, a formulação do problema e os alcance e limites.
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução.
Mas... você sabe o que é um problema científico?
Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). Segundo
o dicionário Aurélio, um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de
discussão, em qualquer domínio do conhecimento.
Abordaremos brevemente algumas questões que, intuitivamente, nos fazem
pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica, mas que, na

52
verdade, se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor, isto é
não são problemas científicos.

Problemas de engenharia
Alguns problemas, ditos “de engenharia”, indagam acerca de como fazer as
coisas, eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas
são, suas causas e conseqüências. A ciência pode fornecer sugestões e inferências
acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia, mas não responder
diretamente a eles.
Exemplos:
1. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução?
2. Como melhorar a produtividade da Seção?
3. Como se confecciona um determinado documento?

Problemas de valor
Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. Tais
questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má, desejável ou indesejável,
certa ou errada, ou se é melhor ou pior que outra. São problemas cuja resposta
depende de opinião, e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que
são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação, nível escolar, moral,
ética, etc...), não se constituindo, portanto, em problemas científicos.
Exemplos:
1. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução?
2. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada?
3. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8?

Problema científico
Pode-se dizer que um problema é de natureza científica, quando envolve
variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à
manipulação).
Exemplos
1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?
2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

53
3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

2.2.1 Antecedentes do Problema (Proposta, Projeto e DM)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema do problema, portanto, pressupõe a apresentação do que já está
disponível a respeito dele. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de
alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a
provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis, torna-se necessário
identificar como surgiu o problema, mencionando autores que já pesquisaram a
respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. As experiências
anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste
referencial como ponto de partida para o início da pesquisa.

2.2.2 Formulação do Problema (Proposta, Projeto e DM)

O problema deve ser formulado como uma pergunta. Esta é a maneira mais
fácil e direta de formulá-lo, além de facilitar a sua identificação e a confecção do
relatório final. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um
tema, que por si só não constitui um problema específico.

2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico

A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento
de certas regras práticas para a formulação de um problema científico, tais como:
a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial;
b) ser claro e preciso;
c) ser empírico (testável) e não fruto de valores; percepções pessoais e/ou
senso comum (“achismos”);
d) ser suscetível de solução, ou seja, suas variáveis devem permitir
observação ou manipulação;
e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis);

54
f.)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não
como resposta; e
g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética.
A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos
mencionados na seção secundária 2.2.

Problema 1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?

O problema 1, tem início na observação de que existe pouca interação entre
os alunos na execução de trabalhos em grupo, e isto pode diminuir o rendimento
escolar.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela
literatura e por especialistas em ensino);
b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares; e
c) verificar se, após a aplicação das técnicas, houve alteração no rendimento
escolar.
Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de
técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a
população estudada). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese
de estudo.

Problema 2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono
dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada
ou realização de tarefas complexas.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para
buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela
literatura e por especialistas em neurofisiologia);

55
b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono
(um grupo em privação total de sono, um grupo que poderá dormir apenas 4 horas
por noite, e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite); e
c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes
cognitivos, apresentadas pelos diferentes grupos testados, após a aplicação dos
tratamentos.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho
cognitivo de militares (para a população estudada). Note que a afirmação em
negrito consiste em uma hipótese de estudo.

Problema 3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente
elogiados tem um desempenho produtivo otimizado, e que militares que são
freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de
suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e
os punidos freqüentemente;
b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar
seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo, e aplicar um teste
correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus
desempenho produtivo; e
c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a
produtividade dos militares (para a população estudada). Note que a afirmação
em negrito consiste em uma hipótese de estudo.
Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a
resolução do problema, ou do levantamento de indícios que permitam que outros
pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema
pesquisado.

56
As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da
revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema, e devem
pré-dizer uma solução para o problema de estudo, respondendo à pergunta inicial
que originou o problema de pesquisa.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e DM)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir a sua realização.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto, o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
Ainda que a definição do problema seja clara, precisa e concisa, faz-se
necessário especificar o alcance da investigação, relatando os aspectos do
problema a serem incluídos, e aqueles que devem ficar de fora.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que
não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa,
procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua
importância relativa. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade
e da relevância da pesquisa proposta.

57
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente do projeto de dissertação . É onde se
apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que justifica,
academicamente, a realização de uma pesquisa. É a existência de um problema real
que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução. O investigador
deve estabelecer, convincentemente, que a problemática exposta merece uma
solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, nos seus resultados.
É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e
como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?

3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos”
que embasarão a questão a ser estudada, a formulação do modelo de análise e

58
solução do problema, e conseqüentemente, a construção da(s) hipótese(s) de
estudo, valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas
ou indiretas). O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à
compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo,
evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do
pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o
aprofundamento nas questões que envolvem o problema, transformando a pergunta
de partida na questão central da investigação. Este procedimento tem fundamental
importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a
formulação de hipóteses.

3.1 REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última
palavra no assunto); proceder a uma revisão teórica; desenvolver uma revisão
empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. A revisão de literatura é
fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de
pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). Uma boa revisão de
literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser
estudado.
Neste momento o pesquisador deve procurar responder, dentre outras, às
seguintes questões:
O que já foi publicado sobre o assunto?
Quem já escreveu a respeito?
Que aspectos já foram abordados?
Quais as lacunas existentes na literatura?
Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese?

3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS

As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do
pesquisador sobre o tema. O pesquisador, ao invés de procurar validar as suas

59
próprias idéias, deve ter uma atitude filosófica, ou seja, procurar adquirir novas
informações, e verificar outros pontos de vista em relação ao problema, a fim de
complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto, o que irá
corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema
de pesquisa e de como solucioná-lo. Nesta fase, é desejável apresentar-se o
resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas,
testemunhas ou interessados no tema pesquisado, enfim, com pessoas que
possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da
revisão de literatura. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o
assunto; caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento
adquirido.
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
ampliarão os conhecimentos sobre o tema, permitindo avaliar se a pergunta de
partida foi bem definida. Através desta avaliação, a pergunta de partida poderá ser
mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um
reinício da pesquisa.
O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem
necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema, cada uma
com seu título. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia
utilizada nas subdivisões.

4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende
realizar a pesquisa e solucionar o problema. A metodologia deve ser exposta de
modo suficientemente claro e detalhado, para que o leitor seja capaz de reproduzir,
se necessário for, o aspecto essencial do estudo.
Nessa etapa, devem ser especificados os procedimentos necessários para se
chegar aos participantes da pesquisa, obter as informações de interesse e analisá-
las. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados,
indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico.
A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo, como a
escolha do espaço da pesquisa, a seleção do grupo de pesquisa, o estabelecimento

60
dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo,
como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados.
Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na
realização do trabalho e evitar problemas sérios, que poderiam ser parcialmente
previstos antes da coleta e da análise dos dados. É comum, por exemplo, a previsão
de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas.
Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica, pois o
pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo, a hipótese,
a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados, e os
procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação
tais como: o método, tipo e técnica de pesquisa adotado; a população (ou universo)
e a amostra (sfc); os instrumentos de coletas de dados; e o modelo de análise dos
dados.

4.1 OBJETIVOS (Proposta, Projeto e DM)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação, devendo ser apresentados: o objetivo geral, que
descreve a finalidade principal da investigação, e os objetivos específicos, que
descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema.

4.1.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e DM)

Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa, isto
é, deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida. Os
objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. O
objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar, e os objetivos específicos
explicitarão os detalhes, constituindo os desdobramentos do objetivo geral.
Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que
indique uma ação passível de mensuração. Tomando por base o problema 2. (A
privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente

61
apresentado, listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na
formulação dos objetivos:
a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar, arrolar,
definir, enunciar, inscrever, registrar, relatar, repetir, sublinhar e nomear.
Ex.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos
mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas.
b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever,
discutir, esclarecer, examinar, explicar, expressar, identificar, localizar, traduzir e
transcrever.
Ex.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela
privação de sono.
c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar, demonstrar,
empregar, ilustrar, interpretar, inventariar, manipular, praticar, traçar e usar;
Ex.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de
minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares
em operações continuadas.
d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar, classificar,
comparar, constatar, criticar, debater, diferenciar, distinguir, examinar, provar,
investigar, verificar e experimentar.
Ex.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas.
e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular, compor,
constituir, coordenar, reunir, organizar e esquematizar.
Ex.: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a
manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações
continuadas.
f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar, avaliar,
eliminar, escolher, estimar, julgar, preferir, selecionar, validar e valorizar.
Ex.: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono.

62
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo, e isto é feito através de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa.

4.1.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas,
das quais depende a consumação do objetivo final. Indicam o que se tem de
alcançar para chegar ao objetivo geral. Devem ser redigidos com o verbo no
infinitivo. Os objetivos específicos tentam descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e mensuradas.
A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a
serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas.
Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/
ações operacionais afetadas pela privação de sono”, listaremos a seguir alguns
exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em
privação de sono, para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à
privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas.
b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN, um questionário a
ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva, onde os mesmos deverão
apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da
atenção seletiva, do estado de alerta e vigília, bem como da execução de tarefas de
cunho cognitivo.
c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência,
confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o
parecer dos especialistas;
d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas
pela privação de sono.


63
4.2 HIPÓTESES (Proposta, Projeto e DM)

Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa, e ter realizado a revisão
de literatura, o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis
soluções para o problema de pesquisa. Segundo Laville, (1999, p.123), este é um
dos principais momentos do itinerário de pesquisa.
Quando uma pessoa confronta-se com um problema, trata de adivinhar,
sugerir ou especular uma resposta. Esta resposta sugerida chama-se hipótese.
Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente, uma especulação ou uma
conjectura sobre as diferenças, as relações e as causas do problema. Assim sendo,
ela é a base para o raciocínio do problema, é o ponto de partida para se encontrar
um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. É uma
suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas, que justificam sua
pertinência/validade.
A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente
proposto, derivando diretamente de sua definição. É uma conjectura a respeito da
relação entre as variáveis do problema, ou seja, é uma possível resposta ao
problema, que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou
desconsideração (que pode ser total ou parcial). A desconsideração total significa
que a hipótese não procede, o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa.
Portanto, este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela
careça de importância. Significa apenas que a hipótese não é verdadeira.
Segundo Viegas (1999), as hipóteses pressupõem, em primeiro lugar, a
existência de causas e, em seguida, que elas possam ser conhecidas e deduzidas
logicamente. Sob a ótica da Matemática, a hipótese é algo aceito ou suposto para
continuar a argumentação. Epistemologicamente, é algo a ser verificado.
Segundo Fachin (2001), não se conhecem normas específicas para a
elaboração das hipóteses, contudo, salienta que além do conhecimento bibliográfico
sobre o assunto, o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como
orientação no decorrer da pesquisa científica, a fim de não conduzir o seu estudo à
mera divagação e à acumulação de dados superficiais.
Gil (1999), afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas
disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação.

64
Caso este procedimento não seja possível, recomenda reformular a hipótese para
ajustar-se às técnicas disponíveis.
Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também
chamada de hipótese de estudo, de trabalho ou de investigação) que é a afirmação
da suposição indicada; e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou
estatística) que indica a negação da suposição.
A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa, devendo ser
expressa de forma clara, concisa e gramaticalmente correta. Normalmente o
pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros, ou antecipe
um relacionamento entre as variáveis, oferecendo uma conjectura sobre as relações
entre duas ou mais variáveis. Deve ser enunciada de modo que se possa comprová-
la, isto é, afirmar se é verdadeira ou falsa. Diferentemente do problema, ela deve ser
redigida na forma afirmativa.
A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar
a confiabilidade dos resultados, e significa que não há diferenças entre tratamentos
e/ou nenhuma relação entre as variáveis, confirmando que qualquer diferença ou
relacionamento observado entre as variáveis, é devido ao acaso e não ao
tratamento realizado. Segundo Thomas & Nelson (2002, p. 62), a hipótese nula não
é usualmente a hipótese de pesquisa, sendo utilizada quando existem evidências de
que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes.
Tomando por base o problema 2. “A privação de sono altera o
desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo
geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas”, listaremos a seguir exemplos
de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa.
H1: O desempenho cognitivo de militares, expostos a 48 horas de
privação de sono, diminui durante operações continuadas. Note que esta
hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema.
H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos
cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono
durante 48 h de operações continuadas. Note que esta hipótese de pesquisa
também é uma resposta ao problema.

65
No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico, caso quiséssemos
comprovar H1, teríamos que demonstrar que H2 é falsa, logo dizemos que H2 é a
hipótese nula de H1
Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa, poder-se-ia formular,
dentre outras, as seguintes hipóteses:
H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo
de militares em operações continuadas.
H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de
decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas.
H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do
Comandante de PELOPES em operações continuadas
H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem
à patrulha em operações continuadas
É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo
problema. Logicamente, o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em
que o problema estiver inserido. Desta forma, é imprescindível identificar e definir os
conceitos que facilitem a compreensão da problemática; o que será feito por meio
das variáveis que compõe o problema de pesquisa.

4.3 VARIÁVEIS (Proposta, Projeto e DM)

A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou
diferentes aspectos, segundo casos particulares ou circunstâncias, estando sujeita à
medição. Constitui-se no elemento central da investigação. Qualquer que seja o
problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação
das variáveis, isto é, a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e
que se pretende explicar. Para tanto, é necessário apresentar uma definição
conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da
investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as
mensuráveis, através de suas dimensões, componentes e indicadores).



66
4.3.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta, Projeto e DM)

Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e
enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada. Definir
significa exprimir o que uma coisa é, explicar o significado de um termo a partir de
sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido; explicar o
que se entende pela variável apresentada, abordando como este conceito poderá
ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados.
Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono
prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”
podemos verificar a existência de duas variáveis distintas:
a) variável I: “Privação de sono”; e
b) variável II: “Desempenho cognitivo”.
Note que o termo “militares” está relacionado à população que será
investigada, e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o
ambiente/contexto em que o estudo será abordado.
Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo, deve-se atentar para a
objetividade e pontualidade das informações, de modo a ser preciso na definição
evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis
significam no contexto do trabalho. O exemplo abaixo é uma das possíveis
definições das variáveis de estudo supracitadas:

Variável I: Privação de sono

No contexto desta pesquisa, esta variável pode ser entendida como uma
situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados,
assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo, medido em
horas; podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação
total de sono”, conforme as situações comumente encontradas em combate
continuado.



67
Variável II: Desempenho cognitivo.

Para a presente pesquisa, desempenho cognitivo deve ser entendido como o
resultado obtido pelos sujeitos, em testes cognitivos que exijam atenção sustentada,
memória, atenção seletiva e raciocínio lógico; dimensões do desempenho cognitivo
elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de
situação, planejamentos e condutas durante operações militares continuadas.

Quanto à forma de medição, as variáveis classificam-se em quantitativas e
qualitativas.
As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por
números ou medidas.
Ex.: diâmetros, número de soldados, altura, peso, idade, etc...
As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por
categorias, modalidades ou atributos.
Ex.: cor, sexo, conceito militar (liderança, zelo, responsabilidade, ...), escalas
de medição (E, MB, B, R, I), etc...
Como dito anteriormente, um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as
relações entre as variáveis, isto é, como uma influencia a outra (relação de
causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno
(correlação).

4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis

Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de
dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras
variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. Quanto ao aspecto
relacionamento, as variáveis podem ser classificadas em: independente,
dependente e interveniente.
A variável independente é aquela que, manipulada, causa ou contribui para
a ocorrência de algum efeito na variável dependente.

68
A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em
função da variável independente.
A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis
dependentes e independentes, alterando de alguma forma a influência esperada
entre elas, devendo ser meticulosamente controlada, para que se possa estabelecer
a relação de causa/efeito hipotetizada.
Ex.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque
modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). Parece lógico que
o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono.
Neste exemplo, deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que
poderiam contaminar o estudo, tais como: a alimentação fornecida (alimentos
pesados induzem ao sono), esforço físico exigido (um esforço mal controlado
poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação
de sono), formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem
formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas
dimensões do desempenho cognitivo) etc...

4.3.1.2 Correlação entre variáveis

No caso das correlações, temos uma variação interdependente, ou seja as
variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra, e vice-versa.
Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 20-
20), espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que
o militar percorrer um determinada distância), menor deva ser a intensidade (tempo
para a realização de cada repetição), neste caso dizemos que existe uma correlação
negativa entre as variáveis, pois quando o volume aumenta, a intensidade diminui, e
vice-versa.
Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico, verifica-
se que quanto maior for a intensidade, maior deverá ser o intervalo para a
recuperação, neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as
variáveis, pois quando uma aumenta, a outra também aumenta, e quanto uma
diminui a outra também diminui, e vice-versa.

69
Existem diversos testes estatísticos, para determinar a existência e a força da
correlação entre as variáveis, que são utilizados na comprovação de hipóteses de
estudo.

4.3.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM)

Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de
mensuração. Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores.
As dimensões são características que permitem que a variável seja medida,
enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão.
Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades
passíveis de mensuração, ou seja, em elementos empiricamente observáveis que
constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável.
Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos
indicadores elencados em suas respectivas dimensões.
Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma
variável é apresentada nos quadros 4 e 5. Note que as variáveis “privação de
sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que
permitem as suas respectivas mensurações.
O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Privação total de sono
O pelotão A deverá
permanecer 48 horas sem
dormir
Privação parcial de sono
O pelotão B deverá dormir
entre 01:00hs e 05:00hs
Privação
de sono
Tempo de
privação
Sono normal
O pelotão C poderá dormir
entre 22:00hs e 05:00hs
Quadro 4 – Definição operacional da variável I - Privação de Sono.



70
Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através
da dimensão tempo de privação, o que permitiu sua mensuração.
Nota-se também que a variabilidade desta variável, ocorre em função do
tempo que cada pelotão poderá dormir, o que reflete a privação de sono.
O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho
cognitivo.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Atenção
Desempenho na oficina
de patrulha de
reconhecimento
(Observação em um PO)
Relatório a respeito
dos eventos que
foram apresentados
no terreno*
Pergunta 1 e 2 do
questionário**
Desempenho na oficina
de criptografia e
decriptografia
Número de acertos
na criptografia e
decriptografia de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 4
do questionário **
Desempenho na oficina
de autenticação de
mensagens
Número de acertos
na autenticação de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 5
do questionário**
Raciocínio
lógico
Desempenho na oficina
de locação de pontos
Número de acertos
na locação de
pontos por diversos
processos*
Pergunta 1, 3 , 6 e 7
do questionário**
Desempenho
cognitivo
Memória
Desempenho na oficina
de mensageiro
A cada início de
oficina será
distribuída uma
mensagem
alfanumérica que
deverá ser decorada
e apresentada ao
término da mesma*
Pergunta 1 e 8 do
questionário**
* Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser
descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa.
Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão.
** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos.
Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo.


71
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária deve-se definir onde, quando e como será realizada
a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa);
amostra (e método de amostragem, sfc); método de pesquisa; tipo de pesquisa;
e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema;
instrumentos de coleta de dados; bem como o modelo de análise (forma como se
pretende tabular e analisar os dados).

4.4.1 População (Proposta, Projeto e DM)

Uma população ou universo, no sentido geral, é um conjunto de elementos
com pelo menos uma característica comum. Essa característica deve delimitar,
inequivocamente, quais elementos pertencem ou não à população.
Assim, por exemplo, podemos estar interessados em realizar uma pesquisa
sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. Logo, a população física
que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares
existentes no Comando Militar do Leste. Embora pareça extremamente simples, na
verdade, ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos
interessa. Será ela constituída apenas por aqueles que, atualmente, estão na ativa?
Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva?
Além disso, é preciso definir a característica comum que distingue
perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa
(Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou
do Efetivo Variável?).
Uma vez perfeitamente caracterizada a população, o passo seguinte será o
levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em
questão. Grande parte das vezes, porém, não é conveniente, ou mesmo possível,
realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população.
Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população, isto é, a uma
amostra proveniente dessa população.


72
4.4.2 Amostra (Projeto e DM)

A amostra é um subconjunto, necessariamente finito de uma população, no
qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo
estatístico desejado. É intuitivo que, quanto maior a amostra, mais precisas e mais
confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. Levando esse raciocínio
ao extremo, conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame
completo de toda a população, o que se denomina censo ou recenseamento.
A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. Segundo
Gil (1999), esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a
amplitude do universo, o nível de confiança estabelecido, o erro máximo permitido e
a percentagem com que o fenômeno ocorre.
O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa
Científica, para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção
da amostra e do método de amostragem
O quadro 6 apresenta, resumidamente, a quantidade de elementos (n) que
deverá conter uma amostra, de acordo com a população estudada (N), considerando
uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional, e 5%
probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso,
isto é, que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis.
N n N n N n N n
10 10 80 66 350 183 4000 351
20 19 90 73 400 196 5000 357
30 28 100 80 450 207 6000 361
40 36 150 108 500 217 7000 364
50 44 200 131 1000 277 8000 367
60 52 250 152 2000 322 9000 368
70 59 300 169 3000 341 10000 370
Quadro 6 - Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N).

4.4.3 Método de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método
de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do
problema de pesquisa. É necessário que, de acordo com os conceitos apresentados
na UD II deste Manual, o pesquisador justifique a opção pelo método adotado.

73
Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a
adequação do método de pesquisa utilizado; portanto, antes de escolher um
método, deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a
abordagem e o raciocínio que se pretende empreender.
O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
De Abordagem (lógicos)
Dedutivo
Indutivo
Hipotético-dedutivo
Dialético
Fenomenológico Método
De Procedimentos (técnicos)
Comparativo
Histórico
Estudo de caso
Estatístico
Quadro 7 - Resumo dos principais métodos de pesquisa científica.

4.4.4 Tipo de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza, à forma de
abordagem, ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. Nesta subseção o
pesquisador deve justificar, obrigatoriamente, sua opção pelo (s) tipo (s) de
pesquisa(s) adotado(s), quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos
técnicos, de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual.
O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Quanto à natureza
Básica (Pura)
Aplicada
Quanto à forma de abordagem
Quantitativa
Qualitativa
Quanto ao objetivo geral
Exploratória
Descritiva
Explicativa
Bibliográfica
Documental
Tipo
Quanto aos procedimentos
técnicos
Experimental
Levantamento (de campo)
Estudo de caso
Ex-post facto
Pesquisa-ação
Pesquisa participante
Quadro 8 - Resumo dos principais tipos de pesquisa científica.

74
4.4.5 Técnica de Pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente
ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado. Segundo Martins e Lintz (2000)
existem diversos instrumentos de medida, tais como: coleta documental,
questionário/formulário, entrevista, observação, análise de conteúdo e escalas
para medir atitudes.
O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa
científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Técnica Quanto à obtenção de dados
Coleta documental
Questionário/Formulário
Entrevista
Observação
Análise de conteúdo
Escalas para medir atitudes
Quadro 9 - Resumo das principais técnicas de pesquisa científica.

4.4.5.1 Coleta documental

A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de
pesquisa, sendo utilizada durante a revisão de literatura, na construção do
Referencial Teórico, e se for o caso, durante a etapa de coleta de dados (vide
pesquisa bibliográfica e pesquisa documental, na UD III deste Manual).
Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais
(reportagens, editoriais, discursos, enunciados de políticas governamentais, cartas,
e-mail, etc...) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do
fenômeno.
Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G),
seguindo a seguinte ordem:
a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha;
b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo;
c) anexar à descrição do material, notas (comentários) sobre a natureza e a
fonte de cada documento; e
d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos.

75
A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material, permitindo um
fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados, em função do problema e dos
objetivos de estudo.
Mesmo após esta organização, o material continuará bruto e não permitirá
ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão,
sendo necessário, portanto, a utilização dos princípios da análise de conteúdo
(conforme o item 4.4.5.5.)

4.4.5.2 Questionário

Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de
perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou
descrever. Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas
abertas, fechadas e/ou mistas, devendo ser respondido por escrito sem a
necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e
lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário, esta técnica
recebe o nome de formulário).
As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder
livremente, usando linguagem própria. Possibilitam investigações mais precisas e
profundas, porém apresentam alguns inconvenientes, pois dificultam o processo de
tabulação, o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. Sua análise
é difícil, complexa, cansativa e demorada, sendo necessário o estabelecimento de
critérios para a codificação de respostas similares, porém apresenta a grande
vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento
do informante acerca do que foi questionado.
Ex.: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão
“memória” da variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta
aberta conforme o quadro 10:
Pergunta 8. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos
relativos à segurança na posição e no deslocamento. Cite abaixo todos os aspectos
que o senhor puder lembrar sobre este assunto:
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta.

76
As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a
pergunta através de respostas pré-definidas. Este tipo de pergunta facilita
sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados, embora restrinja a liberdade
das respostas, tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.
As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de
respostas disponíveis para o informante, conforme o quadro 11:

Pergunta Quanto às respostas Exemplo
Dicotômicas Admitem somente duas respostas
( ) Sim
( ) Não
Tricotômicas Admitem três respostas
( ) Sim
( ) Não sei
( ) Não
Múltipla escolha
Apresentam uma série de
possíveis respostas
( ) Excelente
( ) Muito Bom
( ) Bom
( ) Regular
( ) Insuficiente
Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas.

Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, podem ser formuladas diferentes tipos de
perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo:
Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor sentiu sono?
a.( ) Sim
b.( ) Não
Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica
Pergunta x (aos especialistas). Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono
contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por
noite”:
a.( ) Concordo
b.( ) Não concordo nem discordo
c.( ) Discordo
Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica


77

Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar :
a.( ) Permaneci o tempo todo atento
b.( ) Tive pequenos lapsos de atenção
c.( ) Tive grandes lapsos de atenção
d.( ) Foi impossível permanecer atento
Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

Pergunta X (aos especialistas). Com relação ao tempo mínimo de sono
necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em
operações militares continuadas com 7 dias de duração, o senhor recomendaria:
a.( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas
b.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas
c.( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas
d.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas
e.( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas
Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas.
Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa,
contribuição ou parecer do informante, além da resposta fechada padrão. Esta forma
de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma
manifestação/complemento por parte do informante. Conforme o Exemplo abaixo:
Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta mista que pretendia
medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de
alerta, conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida
para os outros indicadores apresentados no quadro 5):

78
Pergunta 1. Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar que a privação de
sono prejudicou seu desempenho em que nível:
a.(
)
A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção, eu
estava totalmente alerta
b.(
)
A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção, eu tive
mínima dificuldade em permanecer alerta
c.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção, eu tive
pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta
d.(
)
A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção, eu tive
lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta
e.(
)
A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção, eu tive
grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta
f. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono
g.(
)
A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui permanecer acordado
O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue
interessante.
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________ .
Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista

Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário.
Todavia, é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua
elaboração:
a) redigir perguntas preferencialmente fechadas;
b) permitir ao questionado complementar sua resposta, se assim desejar;
c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis;
d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema.
e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise
de dados.
f) elaborar perguntas claras, concretas e precisas;

79
g) elaborar perguntas que não induzam às respostas, e que evitem penetrar
na intimidade das pessoas.
h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e
informação, que lhe permita responder as perguntas.
i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário
j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas
k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável, e assim obter
indicadores de consistência para os resultados colhidos
O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste, isto
permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não
tenham sido bem entendidas/estruturadas.
O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos:
a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos
resultados);
b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa); e
c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro).
Verificadas as falhas, deve-se reformular o questionário, conservando,
modificando, ampliando, eliminando itens, explicando melhor alguns ou modificando
a redação de outros.

4.4.5.3 Entrevistas

A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas,
"face a face", em que uma delas formula questões e a outra responde. Seu objetivo
básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e
situações, com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.
Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente
definido as entrevistas são denominadas estruturadas. Contrariamente, através das
entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas, o pesquisador busca obter
informações, dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva.
Segundo Martins e Lintz (2000), o pesquisador deve planejar a entrevista,
delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; buscando algum
conhecimento prévio sobre o entrevistado; atentando para os itens que o
entrevistado deseja esclarecer, sem, contudo, manifestar suas opiniões. Deve ainda,

80
criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista; obtendo a
confiança do entrevistado; ouvindo mais do que falando; evitando divagações; e
registrando os dados e as informações durante a entrevista.

4.4.5.4 Observação

A técnica de observação é um instrumento de medida, sob algum aspecto,
imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica, pois ela tanto pode
conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de
forma independente e/ou exclusiva. A observação é o exame minucioso, um olhar
preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes; é a
captação clara do objeto examinado.
A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um
objetivo formulado de pesquisa, é sistematicamente planejada, registrada e ligada a
proposições mais gerais e, em vez de ser apresentada como conjunto de
curiosidades interessantes, é submetida a verificações e a controles de validade
e precisão.
Segundo Richardson (1999), a observação apresenta muitas nuances em
face de sua flexibilidade, pois seu objeto de estudo, bem como o objetivo da
pesquisa que a utiliza, determina seu tipo e sua metodologia. Portanto, há
momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela
forma de observação; o preparo do seu desenvolvimento; o desempenho de seu
emprego; e o seu registro.
Segundo ele, a observação é classificada, tradicionalmente, como um método
qualitativo de investigação. Vale destacar que ela é também quantificável, estando
na dependência, sob este aspecto, da direção que lhe for dada na pesquisa. Para
que a observação seja quantificável, não se deve apenas olhar e ver o fenômeno
objeto de estudo, mas também estabelecer, previamente, algumas condições para
seu desenvolvimento, dentre as quais: saber o que observar e como quantificar.
De acordo com Martins e Lintz (2000), o pesquisador precisará da permissão
dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com
elementos que avaliam, inspecionam e supervisionam atividades. Seu principal
problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. Estar
consciente do que se deseja levantar é básico, pois, do contrário, não se consegue

81
ganhar a confiança, tampouco elementos que permitam análises e reflexões
coerentes.
A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza,
profundidade e singularidade das descrições obtidas. Para eles, esse é o grande
desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas, sob o
risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e,
geralmente, especulativo.
O pesquisador deve ter cuidado com as impressões, vagas sensações, e
projeções psicológicas que são características próprias do senso comum;
distanciada, portanto, da ciência.

4.4.5.5 Análise de conteúdo

A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as
variáveis de maneira objetiva, sistemática e quantitativa. Buscam-se inferências
confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto, a partir dos
discursos escritos e orais de seus autores. A análise de conteúdo pode ser aplicada
virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa, livros, poemas,
conversas, discursos, cartas, regulamentos, rádio, televisão etc. O pesquisador pode
analisar, por exemplo, a personalidade de alguém, avaliando seus escritos; ou
avaliar as intenções, pela análise dos conteúdos das mensagens; pode desvendar
as ideologias dos dispositivos legais, descrever tendências no conteúdo das
comunicações, auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões, ou
determinados objetivos etc (LAVILLE, 1999, p. 214).
Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser
observadas.
a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a
ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental),
b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado, das palavras e frases
que o compõem, procurar-lhes o sentido, captar-lhes as intenções, comparar,
avaliar, descartar o acessório, reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das
idéias principais, sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico.
c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra, o
tema, a frase, os símbolos, etc;

82
d) agrupar as unidades segundo algum critério;
e) definir as categorias ou unidades de medida, e
f) proceder o tratamento estatístico conveniente.
Um discurso pode, por exemplo, ser classificado como otimista ou pessimista,
liberal ou conservador. As categorias devem ser exaustivas e mutuamente
excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes, conforme o item
4.4.6.1).
Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências.
Através de interpretação inferencial dos quadros de referência, os conteúdos
manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação.
Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações, a
análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico
adequado para a construção e embasamento das categorias de análises.

4.4.6 Instrumentos (Projeto e DM)

Segundo Richardson (1999), ao iniciar um trabalho de pesquisa o
pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das
técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo.
Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados,
sendo descrito, detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado; “para
que” servirá cada item/fase do instrumento; bem como, a que indicador das
dimensões das variáveis está relacionado. O instrumento (questionário, entrevista...)
deve ser apresentado em apêndices ao relatório final.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem alguns procedimentos que devem
ser observados para a construção de um instrumento de medida. O pesquisador
deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever, revisar o significado e a
definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida
operacionalmente. Em outras palavras, o pesquisador deve:
a) definir como as variáveis serão medidas, ou descritas;
b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s); e
c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados.

83
Particularmente em relação às entrevistas, questionários e formulários,
existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação
dos questionamentos, são as escalas para medir atitudes.

4.4.6.1 Escalas para medir atitudes

As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição
aprendida pelo sujeito para responder consistentemente, de maneira favorável ou
desfavorável, acerca de um objeto ou representação simbólica.
A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao
objeto, símbolo ou situação que lhe é apresentada.
Ex.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável, provavelmente
eu não participarei de bailes carnavalescos.
As atitudes são indicadores de condutas. Elas possuem diversas
propriedades; entre elas, destacam-se a direção (positiva ou negativa) e a
intensidade (alta ou baixa), e tais propriedades constituem o objeto das medições.
Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o
escalonamento tipo Likert, o diferencial semântico, a escala de importância e a
escala de avaliação.

4.4.6.1.1 Escalonamento tipo Likert

O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis
Likert no início dos anos trinta. Consiste em um conjunto de itens apresentados em
forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos que externem
suas reações, escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. A cada
ponto, associa-se um valor numérico. Assim, o sujeito obtém uma pontuação para
cada item. O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável, ou
desfavorável, em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está
sendo avaliada.
Ex.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser
medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”; a partir
deste objeto e desta afirmação, solicita-se que as pessoas externem suas reações.

84
As alternativas de respostas, pontos da escala, indicam o quanto se está de
acordo com a afirmação correspondente. Podem ser utilizadas muitas variações da
escala tipo Likert. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala.

Escala de concordância Escala de afirmação
( ) concordo totalmente ( ) sim
( ) concordo ( ) provavelmente sim
( ) nem concordo, nem discordo ( ) indeciso
( ) discordo ( ) provavelmente não
( ) discordo totalmente ( ) definitivamente não
Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert

As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável
(negativa). A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de
respostas. Comumente, quando as afirmações são positivas, utilizam-se os valores
em ordem decrescente de um a cinco pontos
O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e
negativas.

Afirmações
O serviço militar é um dever de todo o cidadão! Não deve haver serviço militar obrigatório!
5 concordo totalmente 1 concordo totalmente
4 concordo 2 concordo
3 nem concordo, nem discordo 3 nem concordo, nem discordo
2 discordo 4 discordo
1 discordo totalmente 5 discordo totalmente
Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert

Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros
valores observando, é claro, o sentido das afirmações. Uma pontuação é
considerada alta, ou baixa, segundo o número de itens, ou afirmações. Se uma
escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco, a pontuação
mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta. Nesse caso, as atitudes
favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta,
enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem duas formas básicas para aplicar
uma escala tipo Likert. A primeira é auto-administrada, ou seja, entrega-se a escala

85
ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou
resposta. A segunda maneira é a entrevista ou formulário, em que o entrevistador lê
as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. Para
se chegar à versão final de uma escala Likert, é preciso realizar algumas sessões de
pré – teste, a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado.

4.4.6.1.2 Diferencial semântico

A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood, Suci e
Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado
conceito. Atualmente, porém, consiste em uma série de adjetivos extremos que
qualificam um objeto de atitude, ante a qual solicita-se a reação do respondente. Isto
é, o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos
bipolares, indicadores de valorização, potência ou atividade.
Ex.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar, os entrevistados deveriam
colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a
um. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai
decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1). A apuração da
atitude favorável, ou desfavorável, é semelhante à utilizada na escala Likert,
somando-se os pontos de cada par de adjetivos. Para chegar à versão final de uma
escala de diferencial semântico, será preciso realizar algumas sessões de pré–teste,
ou piloto, com um conjunto de respondentes, a fim de se proceder às correções e
ajustes necessários.
O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos
inerentes ao Serviço Militar Obrigatório.

Conceito favorável +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável
justo injusto
barato caro
seguro perigoso
útil inútil
responsável irresponsável
educa deseduca
Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico.


86
4.4.6.1.3 Escala de importância

A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes.
Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum
atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao
mesmo padrão de pontuação.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao
entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas
efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser
levantadas as opções apresentadas no quadro 20.
Escala de importância Pontuação
( ) Extremamente importante 5 Extremamente importante
( ) Muito importante 4 Muito importante
( ) Importante 3 Importante
( ) Pouco importante 2 Pouco importante
( ) Sem importância 1 Sem importância
Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação

A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia
algum atributo.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de
armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de
acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21.
Escala de avaliação Pontuação
( ) Excelente 5 Excelente
( ) Muito bom 4 Muito bom
( ) Bom 3 Bom
( ) Regular 2 Regular
( ) Insuficiente 1 Insuficiente
Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos

Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a
sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o

87
instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste
(estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da
amostra ou população (n=30), com a intenção de:
a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões;
b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e
c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual
Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”).
Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais
poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma
entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas
durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma
diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas.
Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento,
tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente
confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar.
A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do
instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado),
aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras
palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de
interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento.
Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste
poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população.
Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as
recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que
possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta
forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não
se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação
de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa.
Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de
interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos
pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se
úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou
espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas
explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes".

88
Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo
do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação
quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto
uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir
avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de
variáveis quantitativas e vice-versa).
Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis.
Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis
e das situações.
Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de
instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e
adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da
investigação.

4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM)

Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e
analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados
serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos
que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos,
etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística
a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de
hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão
generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos
resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85).

5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão
dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de
dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão refere-
se às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da
investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de
Pesquisa).

89
O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste
referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e
de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do
projeto.

5.1 PLANILHA DE CUSTOS

A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a
apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na
investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos
dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência,
telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com
transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de
responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os
recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável.

5.2 CRONOGRAMA

O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o
planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando
as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal,
trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a
necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário.

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM)

Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados
obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito
dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem
apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e
discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase
experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa
simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso
não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação.

90
A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prende-
se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido mais amplo
dos resultados através da interpretação dos dados.

5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS

Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos
(vide o Cap 2 do Manual de Estatística, v.1) uma vez que permitem um fácil e rápido
acesso à informação, facilitando a análise dos resultados.
Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento
de pesquisa), será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos,
podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os
resultados da pesquisa. Atualmente, com o advento da informática, é natural que se
utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e
cálculos estatísticos, tabelas, quadros e gráficos.
A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de
apresentação e análise, é possível afirmar que, em boa parte das pesquisas sociais,
são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos
resultados:
a) categorização dos dados,
b) codificação dos dados; e
c) tabulação dos dados.

5.1.1 Categorização dos dados

Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas, faz-se
necessário organizá-las. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas
semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias.
Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados, devem atender
a algumas regras básicas, assim definidas por Selltiz et al. (1967, p. 441):
a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de
classificação (favorável/neutro/desfavorável; E/MB/B/R/I, grau de escolaridade,

91
etc...), permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um
pequeno número de categorias;
b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas
as repostas); e
c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma
mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria).

5.1.2 Codificação dos dados

De acordo com Gil (1999), a codificação é o processo pelo qual os dados
brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados. Pode ser
feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados.
A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são
constituídos por perguntas fechadas, cujas alternativas são associadas a códigos
impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da
técnica da observação sistemática. Segundo Gil (1999), a forma mais prática de
proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no
espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente, como
aparece quadro 22.

Item Categoria Código Item Categoria Código
1. Sexo: 3. Escolaridade
Masculino ( )01 Nunca foi à escola ( )06
Feminino ( )02 1º grau incompleto ( )07
1º grau completo ( )08
2. Idade: 2º grau incompleto ( )09
de 18 a 20 anos ( )03 2º grau completo ( )10
de 21 a 23 anos ( )04 Superior incompleto ( )11
mais de 23 anos ( )05 Superior completo ( )12
Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da
categoria a que pertence o dado a ser tabulado.


92

Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório:
Nr Respostas dos informantes: Código
1 “Penso que não serve pra nada, só ocupa o tempo do cidadão.” D
2 “Não tenho nada a dizer, pois não servi.” O
3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade.” F
4 “Penso que deveria ser voluntário, pois atrapalha os estudos.” D
5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina.” F
6 ”Lá se aprende a ser cidadão.” F
7 ”Tem seus prós e contras.” N
8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo; acho válido.” F
F 4
N 1
D 2
TOTAIS
O 1
Código Descrição
F Parecer favorável
N Parecer neutro
D Parecer desfavorável
LEGENDA
O Não respondeu, não soube responder ou respondeu outra coisa.
Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

5.1.3 Tabulação dos dados

A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias
categorias de análise. A tabulação pode ser simples ou cruzada. A tabulação
simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto. A
tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente
em dois ou mais conjuntos de categorias.

5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas

Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16), aplicada a 90 cadetes (30
de cada pelotão), é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de
distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo:



93
Tabela 2 - Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Respostas*
f % f % f %
a 0 0,00 0 0,00 10 33,33
b 0 0,00 0 0,00 15 50,00
c 1 3,33 2 6,67 5 16,67
d 3 10,00 4 13,33 0 0,00
e 4 13,33 12 40,00 0 0,00
f 15 50,00 10 33,33 0 0,00
g 7 23,33 2 6,67 0 0,00
Total 30 99,99 30 100,00 30 100,00
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.
Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 01 (quadro 16)
Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.
Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das
categorias das variáveis de estudo. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.
Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
0 0
1
3
4
15
7
0 0
2
4
12
10
2
10
15
5
0 0 0 0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
a b c d e f g
Respostas à pergunta 1
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas
No caso das perguntas abertas, deve-se estabelecer uma forma de agrupar
as respostas, de acordo com um gabarito, escala, ou categorias de respostas
(favoráveis, desfavoráveis ou neutras), para que seja possível quantificar as
respostas obtidas pelo instrumento adotado.
Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10), poder-se-ia estabelecer um
gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e
segurança no deslocamento (de 4 a 6), para a obtenção de uma média de acertos

94
dos estagiários de cada pelotão, possibilitando uma comparação intergrupos dos
efeitos da privação de sobre a memória, conforme a tabela 3.
Tabela 3 - Itens memorizados após a ordem a patrulha.
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Itens verificados*
f % f % f %
1 18 60,00 25 83,33 28 93,33
2 18 60,00 23 76,67 25 83,33
3 17 56,67 23 76,67 25 83,33
4 18 60,00 26 13,33 30 100,00
5 16 53,33 18 60,00 23 76,67
6 19 63,33 23 76,67 29 96,67
Total Média 106 58,89 138 76,67 160 88,89
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.

Legenda:
¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 08 (quadro 10)
A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3:
Itens memorizados após a ordem à patrulha
18 18
17
18
16
19
25
23 23
26
18
23
28
25 25
30
23
29
0
5
10
15
20
25
30
35
1 2 3 4 5 6
Itens a serem memorizados
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.

5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise
estatística, uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos
dados coletados, à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da
hipótese de estudo. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de
um raciocínio lógico que embasará as conclusões.


95
5.2.1 Análise estatística

Após a tabulação dos dados, procede-se à sua análise estatística. Esta deve
ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência
estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística).
Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa, deve-se passar à sua
descrição que, geralmente, é feita para atender a objetivos como:
a) caracterizar o que é típico no grupo;
b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo;
c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência
central (média, mediana e moda) e em relação a outras variáveis; e
d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas.
A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os
procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de
estatística, que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa.
Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas,
ou não, entre as características de determinada variável, somente descrever estas
diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese. É necessário
verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou
uma variável independente), e, para isto, existem vários testes estatísticos capazes
de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma
abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do
capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística).

5.2.2 Avaliação das generalizações

Segundo Gil (1999), a avaliação das generalizações obtidas com os dados
em pesquisas sociais, na maioria dos casos refere-se a amostras, mas o interesse
dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi
selecionada a amostra. Segundo ele, para tratar as questões desta natureza
procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças
reais entre as populações representadas pelas amostras.
Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas
amostras tenham sido devidas ao acaso, foram criadas várias técnicas estatísticas

96
conhecidas como testes de significância. Existe uma grande variedade de testes
de significância. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio
do tipo de distribuição, do nível de mensuração alcançado e do formato das
tabelas. Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não
paramétricos. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um
desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística
(uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser
encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de
Estatística).

5.2.3 Interpretação dos dados

Segundo Gil (1999), não existem normas que indiquem os procedimentos a
serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações
acerca dos cuidados, que devem tomar os pesquisadores, para que a interpretação
não comprometa a pesquisa. O que se diz a respeito da interpretação, em pesquisa
social, refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria.
Goode e Hatt (1969), enfatizam a importância da teoria para o
estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre
proposições. Dizem que, mediante uma teoria, é possível se verificar que por trás
dos dados existe uma série complexa de observações, um grupo de suposições
sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições
sobre a atuação de cada grupo.
Gil (1999), diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias
suficientemente confirmadas, lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos
materiais”. Mas, quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de
comprovação, as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de
adequação à realidade, o que pode servir para inibir a realização de investigações
apropriadas.
Em resumo, deve-se procurar, sempre que possível, analisar os dados
obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. A análise
deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e
confrontar dados e provas, a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s).


97
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM)

Segundo Laville (1999), ao concluir, o pesquisador deve voltar ao início da
pesquisa, lembrando sumariamente o problema inicial, as intenções da pesquisa e o
trabalho realizado.
Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a
seguir, para se redigir as conclusões e recomendações, é adequado sumariar alguns
procedimentos que devem ser observados ao escrever, conforme listado abaixo:
a) relembrar o objetivo geral da pesquisa;
b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles
fossem, mas o que são), relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses;
c) sintetizar os resultados, procurando explicá-los e interpretá-los de acordo
com a teoria;
d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram
confirmadas ou rejeitadas;
e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia;
f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas; e/ou
g) sugerir, para futuras pesquisas, assuntos ou tópicos relacionados que
deixaram de ser investigados.
A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e a análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara
e ordenada, as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto. Não devem ser apresentadas idéias novas que
não constem do desenvolvimento, e não é recomendável a apresentação de
descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados
comprometidos e/ou passíveis de novas discussões.
Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas,
destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a
necessidade de novas verificações.
Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações, de
ordem prática, de intervenções na natureza ou na sociedade, de acordo com as

98
conclusões da pesquisa”, ou seja, consistem na apresentação de idéias (propostas),
obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso. Por sua vez, as
sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa, inclusive levantando novas
hipóteses, abrindo caminho a outros pesquisadores”, ou seja, apresentam idéias
para a realização de novos estudos.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, devem ser escritas somente
se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema, auxiliando o aprimoramento de novos estudos
sobre o tema.

4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados, logo, é necessário
preocupar-se com a sua apresentação formal. Como as pesquisas diferem entre si,
não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. Contudo, é possível
definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente
aparecem nos projetos de pesquisa. Os aspectos relativos à estrutura do texto, ao
estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo
pesquisador no momento da redação.
A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um
documento denominado dissertação. Este documento deve seguir as normas da
ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, elementos textuais e
elementos pós-textuais.
Foi definido neste manual, um esquema de dissertação capaz de abranger a
maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. É importante
reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente
desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa. Desta forma, uma estrutura
viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação
está esquematizada no Anexo B.


99
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação

Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a
“comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor, e, se
necessário, refazê-los, passo a passo, pois, cartesianamente, só serão aceitas
idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar.
O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e
acessível capaz de prender a atenção do leitor, acadêmico ou leigo, mantendo um
saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular, entre o rigor
científico e o bom senso.
Todavia, mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática, é preciso observar
as diferenças entre a linguagem literária, com a qual os escritores escrevem com
o coração, ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário, e a
linguagem científica, com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade,
chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica.
Na literatura, busca-se a criatividade e a imaginação do autor. Cobram-se
atitudes éticas valorativas e engajamento político. Na redação científica, busca-se a
objetividade, a isenção do autor, a fidelidade ao fato, a descrição, a neutralidade
sem posicionamentos subjetivos, ideológicos ou éticos.
Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da
imaginação do leitor. Segundo Barrass (1991), o pesquisador deve seguir um
caminho árduo, convencendo os leitores com base em provas, apoiando-se em
verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas.
Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador
em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. Em textos técnicos, o
pesquisador trata o tema como quem está de fora, descrevendo o que se passa. Em
português, logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e
a partícula apassivadora se, com verbos impessoais, essenciais ou acidentais, e
com a voz passiva. Convém escrever “conclui-se”, ou “cabe concluir”, ou “é lícito
supor que” utilizando-se assim, a linguagem impessoal.
Segundo Viegas (1999), de um texto literário, espera-se brilho, elegância e
originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas
características prevalecendo a clareza, a correção e a sobriedade.
A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e
pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. A obra
científica também deve atrair o leitor, mas o faz pela clareza da argumentação e pelo

100
conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio.
Em resumo, o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador, e de
trabalho para trabalho, porém, é possível identificar algumas características comuns
que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica:
a) o texto deve ser escrito em linguagem direta, evitando-se que a seqüência
seja desviada com considerações;
b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em
considerações e opiniões pessoais;
c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade, para não originar
interpretações diversas, utilizando-se vocabulário sem verbosidade, sem expressões
com duplo sentido, evitando palavras supérfluas, repetições e detalhes prolixos;
d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir, em
especial no que se refere a registros de observações, medições e análises;
e) indicar com precisão como, quando e onde os dados foram obtidos;
f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos
e advérbios que não explicitem exatamente o tempo, o modo e o lugar como, por
exemplo, os advérbios recentemente, provavelmente, lentamente, antigamente; e
g) por fim, as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e
ordenada, partindo de frases simples, expostas com poucas palavras, contendo uma
única idéia que envolva completamente a frase.

4.4.2 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

101



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU

5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
5 1 INTRODUÇÃO
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
5.3 A ESTRUTURA DO TCC
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVOS
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES
5.4 MONTAGEM DO TCC



102
5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

5.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos
de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de
Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
através da NBR 14724:2002.
É importante compreender, neste momento, que o TCC é o relatório final de
uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e
aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade traduzir um
perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre ambos e a linha
de pesquisa à qual estão vinculados, visando atender os interesses do postulante e
da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para que o
postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados, o
programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas:
Escolha do tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Depósito do TCC; e
Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e, devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado,
apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca do que foi
pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase.

5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA

O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas, que são

103
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (o TCC).
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

AS 5 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DO TRABALHO DE
CONCLUSÃO DE CURSO
1ª Etapa Seção 1
Pergunta de partida Introdução - Visão geral
3ª Etapa Seção 2
2ª Etapa - Tema
- Problema
A exploração do problema - Questões de estudo
Revisão de literatura - Objetivos
- Justificativa
Entrevistas exploratórias
Conceitos e
Métodos
- Contribuição

- Cronograma
Pesquisa Bibliográfica
Referencial
Operativo* - Planilha de custos
Pesquisa Documental Seção 3

Pesquisa de Campo (sfc)

Apresentação e Análise
dos Resultados
4ª Etapa Seção 4
Conclusões Conclusões e Recomendações
5ª Etapa


Redação do relatório de pesquisa
(Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso)

ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO
(fase presencial do CAO)


* O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa


A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de
literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que
envolve o seu tema. Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do
problema (2ª Etapa), por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e
de entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema, e uma série de raciocínios lógicos.
Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo, dos

104
objetivos a serem atingidos, das justificativas (“porquês”) para se empreender um
estudo científico, e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. Depois de
reunidos, o Tema, o Problema, as Questões de Estudo, os Objetivos, as
Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e
Métodos.
Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a. a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b. a pergunta de partida deve ser reformulada.
Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o
problema, deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita, que pode ser de
natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa). Esta etapa também pode ser
chamada Coleta, Apresentação e Análise de Dados, na qual os resultados da
coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de
Apresentação e Análise dos Resultados, de forma a fornecerem subsídios que
permitam alcançar as respostas às questões de estudo, cumprindo os objetivos
traçados na seção Conceitos e Métodos, e permitindo ao pesquisador organizar
logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão.
Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (4ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa,
respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração do TCC, é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (5ª Etapa), onde todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega à Comissão de Avaliação.

5.3 A ESTRUTURA DO TCC

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final do TCC, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa ou no TCC. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que

105
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da
questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma
visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema
de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma
visão panorâmica acerca do assunto pesquisado.
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.

2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que
envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua
delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema
propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo,
o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de
execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área
específica do conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser
investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em

106
função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos
interesses acadêmicos.
O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do
pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo
Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é
necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes
de consulta bibliográfica.
Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger
uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato
sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende
vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve
passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido
(para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o
impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”).

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver
através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

107
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados
“pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração
das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se
utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas),
mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do
caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando
divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa
aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a
pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a
colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância
no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das
questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
(sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se
a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial
poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada,
exigindo um reinício da pesquisa.





108
2.2.2 Formulação do Problema (Projeto e TCC)

A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser
escrito na forma interrogativa. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo,
além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo
pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na
UD IV, a partir da página 53).
Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do
problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores
resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado.
Nesta fase da pesquisa, a pergunta inicial transforma-se em problema
científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte
para os antecedentes do problema). Desta forma, torna-se necessário questionar-se
acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa, são as
chamadas questões de estudo, tratadas no item 2.3.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir sua realização. Ainda que a definição do problema seja
clara, precisa e concisa, faz-se necessário especificar o alcance da investigação,
relatando os aspectos do problema que foram incluídos, e os limites, ou seja,
aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa, e o campo de ação
que não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.

109
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta, Projeto e TCC)

As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho
que leve ao melhor conhecimento acerca do problema, o que é fundamental para se
chegar a uma solução para o mesmo. A adoção das questões de estudo se dá em
substituição ao processo de formulação de hipóteses, ainda desconhecido e muitas
vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV).
Em síntese, as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução
do problema de pesquisa. Quando solucionadas, cada questão de estudo fornecerá
uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e
solução do problema.
Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. Um
objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar; uma
questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar.
Ex.: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM.”, poderiam ser elaboradas as seguintes
questões de estudo:
a) como ocorre o processo de envelhecimento?
b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento?
c) como ocorre o processo de formação do stress?
d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo?
e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório?
f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na
preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento?


110
2.4 OBJETIVO (Proposta, Projeto e TCC)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação.

2.4.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e TCC)

Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o
estudo, isto é, sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa. O objetivo geral
deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo
pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV, a
partir da página 60).
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. Isto é feito por meio de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa. Estes, por sua vez, pretendem
buscar a solução para cada uma das questões de estudo, e conseqüentemente do
problema de pesquisa como um todo.
Para as questões de estudo descritas no item 2.3, poder-se-ia enunciar o
objetivo geral de estudo da seguinte forma:
Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as
influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM.

2.4.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e
representam as metas a serem seguidas, das quais depende a consumação do
objetivo final, ou seja, indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral
de pesquisa. Os objetivos específicos procuram descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e ou mensuradas.

111
Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM”, listaremos a seguir alguns exemplos de
objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de
estudo:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais
conceitos relativos ao processo de envelhecimento, alterações fisiológicas
decorrentes do processo de envelhecimento, processo de formação do stress;
desempenho cognitivo, e processo decisório (verifique a correlação com as questões
de estudo);
b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento
físico, psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a
manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho
cognitivo durante o processo de envelhecimento;
c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento;
d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do
processo de envelhecimento;
e) descrever como ocorre o processo de formação do stress;
f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo;
g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo
decisório; e
h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode
auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento.
Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos, é possível verificar sua
estreita relação com as questões de estudo.

2.5 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da
pesquisa, procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a

112
sua importância relativa. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da
necessidade e da relevância da pesquisa proposta.
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente, do projeto de dissertação . É a parte
onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que
justifica, academicamente, a realização de uma pesquisa para que se possa
equacionar uma solução para o mesmo. O investigador deve estabelecer,
convincentemente, que a problemática exposta merece uma solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação, uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, e nos seus resultados.
Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado
e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?


113
3. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

Este referencial está descrito na UD IV página 88.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC)

Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos
resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo,sfc). Os
dados fornecem informações a respeito das questões de estudo, e podem ser
apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias, fornecendo o
embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa.
A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que, na apresentação, o pesquisador
prende-se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido
mais amplo.
Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso
autêntico, coerente e lógico. A estrutura abaixo representa ma das possíveis
organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as
questões de estudo apresentadas na subseção 2.3:
3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO
5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS
7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO
8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO
9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR
10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS
Obs.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2
CONCEITOS E MÉTODOS (3, 4, 5, ...), neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES”
receberia o número 11.
É comum, embora não obrigatório, a utilização de conclusões parciais ao
longo das seções de apresentação e análise dos resultados. Este procedimento
facilita a leitura do trabalho, e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as
estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa.

114
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC)

Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa;
explicitar se os objetivos foram atingidos, se as questões de estudo foram
respondidas e se o problema de estudo foi resolvido; ressaltar a contribuição da
pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, e/ou ainda, sugerir assuntos relacionados, que deixaram de ser
investigados, para servirem de base para as pesquisas futuras.
A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara e
ordenada, as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto.
As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento.
Dependendo da extensão, as conclusões podem ser subdivididas em várias
subseções, tendo em vista manter a objetividade e a clareza.
Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos
(tabelas e gráficos) apareçam na conclusão, tampouco resultados comprometidos e
passíveis de novas discussões. Um dos cuidados que se deve ter, diz respeito à
extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. Estes tanto
podem ser verdadeiros, como gerarem erros em virtude de generalização
precipitada do pesquisador, o que fatalmente compromete os resultados da
investigação.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, somente devem ser escritas
se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema.

5.4 MONTAGEM DO TCC

A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento
denominado Trabalho de Conclusão de Curso. Este documento deve seguir as

115
normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, os
elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós-
textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). Uma estrutura viável que envolve a
apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no
Apêndice D.
Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de
abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os
relatórios finais. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram
desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa.
Com relação ao estilo de redação, deve-se observar as recomendações
constantes da subseção “4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da
página 99.

5.4.1 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

116

117


REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Atlas, 1997.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro. NBR14724:
Informação e documentação: trabalhos acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro,
2002.
BARROS, Aidil J.da S; LEHFELD, Neide A de S. Fundamentos de metodologia
científica. São Paulo: Makron, 2000.
CERVO, Amado L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Prentice Hall,
2002.
COSTA, A. F. G. da. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa. Rio de Janeiro:
Unitec, 1998.
COSTA, Sérgio F. Método Científico: Os caminhos da investigação. São Paulo:
Harbra, 2001.
DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Pesquisa e construção de conhecimento, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1997.
DENCKER, Ada de F. M., VIÁ, S. C. Pesquisa empírica em ciências humanas. São
Paulo: Futura, 2001.
FACHIN, O. Fundamentos de metodologia. São Paulo: Atlas, 1996.

118
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
GOODE, William J., HATT, Paul K. Métodos em pesquisa social. São Paulo:
Nacional, 1969.
HEGENBERG, Leônidas. Etapas da investigação científica. São Paulo: E.P.U.:
EDUSP, 1976. 2 v.
KERLINGER, F.N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento
conceitual. São Paulo: EPU / Edusp, 1979.
LAKATOS, E. M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. São
Paulo: Atlas, 1996.
____. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2001.
____. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1999.
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber. Porto Alegre: Ed. da UFMG, 1999.
MARTINS, G. de A. Manual para elaboração de monografias e dissertações. São
Paulo: Atlas, 1996.
MINAYO, M. C. de S. (Org.). Pesquisa social. Petrópolis: Vozes, 1999.
OLIVEIRA, C. dos S. Metodologia científica, planejamento e técnicas de
pesquisa.São Paulo: Ed. LTR, 2000.
PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, J. A; Metodologia científica. São Paulo: Futura,
2000.
RICHARDSON, Roberto Jarry; Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo:
Atlas, 1999.

119
RODRIGUES, M. das G. Informe de metodologia da pesquisa. Brasília: Ed. do Autor,
2000.
SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes,
2000.
SCOTT, Patrick B. Introducción a la investigación y evaluación educativa.
Guatemala: Ed. da USAC, 1997.
SELLTIZ, Claire et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Herder,
1967.
SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Cortez, 2000.
SILVA, Edna Lúcia da, Menezes, Estera Muszkat. Metodologia da pesquisa e
elaboração de dissertação. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2001.
QUIVY, R., CAMPENHOUDT, L. V. Manual de investigação em ciências sociais.
Lisboa : Gradativa, 1998.
TACHIZAWA, T; MENDES, G. Como fazer monografia na prática. Rio de Janeiro:
FGV, 2001.
THOMAS, J. R., NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3. ed.
Porto Alegre: ARTMED, 2002.
TRIVINOS, A. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlas, 1996.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração.
São Paulo: Atlas, 2000.

120
Apêndice A - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e DM.
ELEMENTOS Prop Proj DM
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 REFERENCIAL CONCEITUAL X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 JUSTIFICATIVA X X X
2.4 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL TEÓRICO X X X
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO X X X
4.1 OBJETIVO X X X
4.2 HIPÓTESE X X X
4.3 VARIÁVEIS X X X
4.3.1 Definição conceitual das variáveis X X X
4.3.2 Definição operacional das variáveis X X X
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS X X X
4.4.1 População X X X
4.4.2 Amostra X X X
4.3.3 Método de pesquisa X X X
4.3.4 Tipo de pesquisa X X X
4.4.5 Técnica de pesquisa X X X
4.4.6 Instrumentos X X X
4.4.7 Análise dos dados X X X
5 REFERENCIAL OPERATIVO X
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X
TEXTUAIS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase

121
Apêndice B - Elementos textuais obrigatórios da DM.

1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.3.1 Definição conceitual das variáveis
4.3.2 Definição operacional das variáveis
4.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.3.1 População Método de pesquisa
4.3.2 Amostra
4.4.3 Método de pesquisa
4.3.4 Tipo de pesquisa
4.4.5 Técnica de pesquisa
4.4.6 Instrumentos
4.4.7 Análise dos dados
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

122
Apêndice C - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e TCC.
ELEMENTOS Prop Proj TCC
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 CONCEITOS E MÉTODOS X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO X X X
2.4 OBJETIVO X X X
2.5 JUSTIFICATIVA X X X
2.6 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL OPERATIVO X
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X X
TEXTUAIS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase



123
Apêndice D - Elementos textuais obrigatórios do TCC.

1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVO
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES


124
Apêndice E - Exemplo de Planilha de Custos.
Itens do
Orçamento
Elemento do
Orçamento
Especificações do
Elemento de Despesa
Quantidade
Solicitada
Valor
Unitário
Valor
Total
Gravador 1 200 200
Máquina fotográfica 1 100 100
Grampeador 1 11 11
Perfurador de papel 1 9 9
Microcomputador 1 2.000 2000
Capital
Equipamento
e material
permanente
Impressora 1 600 600
Caixa com 10 disquetes
HP
1 12 12
Fita para vídeo TDK 2 8 16
Fita cassete 90 2 5 10
Caneta esferográfica. 10 1 10
Papel A4 500 10
Rolo de filme 2 8 16
Material de
Consumo
Cartucho de tinta para
impressora
1 80 80
Fotocópias 100 20
Digitação 90 2 180
Remuneração
serviço
pessoal
Encadernação 1 1 20
Correios 150
Revelação de filmes e
montagem de slides
2 40 80
Custeio
Outros
serviços e
encargos
Outras Despesas 200
T O T A L 3724,00


125
Apêndice F - Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.
Atividade Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago
Início do projeto 11 -
Revisão
1
do referencial conceitual
feito na proposta de projeto
25 -
Revisão
1
do referencial teórico feito
na proposta de projeto
X 15
Revisão
1
do referencial metodológico
feito na proposta de projeto
X 22
Revisão
2
do projeto para revisão do
Orientador
29
Elaboração e apresentação dos
instrumentos
6
Elaboração da análise a ser utilizada 8
Revisão
2
do projeto de pesquisa pelo
Orientador
11
Revisão do projeto X X 08
Apresentação do projeto de pesquisa
e dos fichamentos
09
Preparação das Seções iniciais da DM
para a Qualificação
3

X X 22
Qualificação das Seções iniciais da
DM
3

23 a 25
Coleta de dados X X X 15
Tabulação dos dados
4.
X X X 22
Apresentação e análise dos resultados X X X 25
Conclusões 27
Redação parcial das seções do
trabalho
X X X X X X X X X X 01
Revisão do trabalho X X X X 01
Entrega do trabalho pronto 02

Fase de confecção do Projeto de Pesquisa
Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM)
Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios.
Obs.: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO.

1
Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do
aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto.
2
Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o
seu orientador, podem ser marcadas quantas datas forem necessárias.
3
Somente para a DM
4
Obrigatório para a DM e, se for o caso, para o TCC

126
Apêndice G – Modelo de Ficha.

MINISTÉRIO DA DEFESA
EXÉRCITO BRASILEIRO
DEP - DFA
ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES
LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR
TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE
DAS OM
POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf
FICHA Nr: 001 DATA: 22 de janeiro de 2004.
REFERÊNCIA (obrigatório)
BRASIL. Exército. Estado-Maior. C 20-20: Treinamento Físico Militar. 3. ed.
Brasília,DF,2002.
RESUMO DA OBRA (obrigatório)
O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s), apresentar o
foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. É importante manter sempre em mente
que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa, isto é, devem
apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado.
Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo, que têm relação
com a sua pesquisa. Cite as idéias com suas próprias palavras.
CITAÇÕES (opcional)
Página Texto

As citações podem ser redigidas na forma direta, quando as frases são
transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada, ou na forma
indireta, quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas
palavras.
Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. Seja
oportuno, isto é, não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação
que pretende colher agora. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é
facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias, portanto, as citações devem
tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em
estudo.
1-1
Exemplo “ilustrativo”:
“São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico
ideal, as quais vão desde a falta de tempo, em face das inúmeras outras atividades
prioritárias da OM, até a carência, ou mesmo inexistência, de áreas, instalações e
materiais apropriados.” (BRASIL, 2002 p. 1-1). (citação direta: transcrição “ipse
litteris” do manual)
O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos

127
padrões de atividade física, que poderiam afetar a manutenção da
operacionalidade das OM ... (comentário oportuno do pesquisador)
1-2
Exemplo “ilustrativo”:
Segundo BRASIL, 2002 (p. 1-2) o treinamento físico militar deve estar
voltado para a operacionalidade, a fim de atender aos interesses da Força e ao
cumprimento da sua missão institucional, portanto... (citação indireta: reedição do
pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador)
Veja a seguir o que consta originalmente no manual:
“O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender
fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão
institucional.” (BRASIL, 2002 p. 1-2).
3-3
Exemplo “ilustrativo”:
“O treinamento regular e orientado provoca, naturalmente, diversas
adaptações no funcionamento do organismo humano. Estas adaptações trazem
benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho
profissional.” (BRASIL, 2002 p. 3-3).
CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório)
Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa.

Exemplo “ilustrativo”:
A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de
desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em
combate.
Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a
uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares
incorporados nas diferentes organizações militares.

(acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa)
RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional)
Página Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc)
3-5 Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE)
B1 Anexo B - Programa Anual de TFM OM Não Operacional - 4 Sessões Semanais
E1 Anexo E - Programa Anual de TFM OM Operacional - 4 Sessões Semanais


128

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3

ed .Rio de Janeiro: EsAO. 127 p. 30 cm.I Título. 2005.. Clayton Amaral Domingues . Luiz Eduardo Possídio Santos. CDD 001. trabalhos acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das Graças Villela Rodrigues. Maria das Graças Villela. . Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos.2.7 1.CEP 21615-220 4 . 2071 Rio de Janeiro/ RJ .© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues Diagramação: José Fernando Chagas Madeira – Maj Com Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB Clayton Amaral Domingues – Cap Art Revisão: José Fernando Chagas Madeira – Maj Com Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB Clayton Amaral Domingues – Cap Art Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) R 696 Rodrigues. ISBN 85 .98116 .4 Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais Avenida Duque de Caxias. colaboração e ampliação José Fernando Chagas Madeira.01 . Pesquisa – Metodologia. il.

..........................................2.......... O ESTUDO DO TEXTO....2.............2 Os Métodos de Procedimentos................................................................................6 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA..........................................................2................................................................1.......... 1 1.....................2...... 2........................................................................................................................2 2.............2 1..................................................1................................................ A PRÁTICA DO FICHAMENTO.......................................5 1................................. 2..................................................2...............1.....4 O Método Dialético......................2......... 2.................................................. A DINÂMICA DE ESTUDO......................... UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO.. 2 2......5 O Método Fenomenológico..1.2.......1............... A CIÊNCIA...............................................3 O Método Hipotético Dedutivo...4 O Método de Estudo de Caso.2........ Os Métodos de Abordagem........................................ ..........................................3 1................................................ 2.............1 2................... A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR..............1 O Método Dedutivo.......1 1.....1.. 2.. MÉTODOS CIENTÍFICOS..............................................1.... 2...........2.............. INTRODUÇÃO...........2.....................................4 1.........2 O Método Indutivo.......................3 O Método Estatístico........................2..1...........2 O Método Comparativo.........................................3 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................... 2. 2....... 2............................ A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA...........1 O Método Histórico............................................ UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO....................................................................................SUMÁRIO PREFÁCIO..................1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO................................ 2.......................................1.................... A LEITURA.............................................................................................. 11 13 15 16 16 17 18 19 21 22 25 26 26 28 29 30 30 31 31 32 32 32 33 33 34 34 5 2............................................

.3 3....................................1.....2.......... Classificação quanto à natureza...........2..............................1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu....................... ...............................2 Formulação do Problema...................................2..................................................PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU.......................1......................1 Regras básicas para a formulação de um problema científico...............................UD III ....4 CONTRIBUIÇÃO. 35 36 36 37 37 37 38 41 41 41 42 42 45 46 46 47 49 49 50 50 51 53 53 53 56 56 57 57 6 3.......................... 2..................................................4 3... 2.............3 JUSTIFICATIVA.........................................................1 3.... Pesquisa científica versus metodologia científica............. 3 3........................................ 2.2....2.......................................2... 2.... 3.... Classificação quanto aos objetivos gerais...2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu..1 TEMA...... 2...3 Alcances e Limites..........................1 Antecedentes do Problema........................................... 2 REFERENCIAL CONCEITUAL...................... CONSIDERAÇÕES FINAIS..... Classificação quanto aos procedimentos técnicos............................................................................................................................................ 4 41 4..................... UD IV ................ Neveis de Pós-graduação na EsAO..................................................................2 PESQUISA CIENTÍFICA...................... 2........................................................2 PROBLEMA............................ 1 INTRODUÇÃO..3 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU.................................................... Classificação quanto à forma de abordagem do problema......PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA..................... 2.......1......................1...............2 4................. A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO................................................2............1 3............2.............................. 3 REFERENCIAL TEÓRICO........ 2.....2 3................................................ INTRODUÇÃO...........2..................................2..... AS ETAPAS DA PESQUISA.............1 3.........2.............................................2 3...... CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS.......................

..........1......... 4................................2 Amostra........................................................4.........3 Entrevistas............. 4.............4........... 4...................2 HIPÓTESE............1 Relacionamento entre variáveis..........4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.5............................3..............2 Questionário...................................4................3 Método de pesquisa........................................4..................4...4.3....................................................... 4........................... 4...................................4.............................4 Observação........................................................... 3.. 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO.............................4 Tipo de pesquisa............................................. 4.....3...........................4..........................1 Escalas para medir atitudes...................... 4.................. 4......... 4..5............2..... 4.............................................................2 Correlação entre variáveis.....................1...................................4........................................................... 4..... 4....................... 4.4...................................................................................................... 4...1 População.......... Pré-teste dos instrumentos.................................1................................. 4................................................1..................................................Objetivos específicos...............1 Coleta documental...................4.....1 Objetivo geral... 4..............1 Definição conceitual das variáveis..................6 Instrumentos...................... 58 58 59 60 60 62 63 65 66 67 68 69 71 71 72 72 73 74 74 75 79 80 81 82 83 86 88 88 7 .........6..................................................................5 Análise de conteúdo..7 Análise dos dados......................... 5 REFERENCIAL OPERATIVO...5...........6.....2 Definição operacional das variáveis.................. 4..4....................1 REVISÃO DE LITERATURA........................5... 4............................2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS.... 4......................... 4.....3 VARIÁVEIS.................... 4.......... 4.................................3........1 OBJETIVO.... 4.............................5 Técnica de pesquisa..............................2................4........... 4.............................................................................5.............................3..............4..............................

............................. 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS.............................................1 PLANILHA DE CUSTOS .....................................1.......3 Tabulação dos dados.1...... 5........................................ 5.......................................................... 5.....................................................................2..3 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU....3.................. 5..............2 Tabulação de perguntas abertas...........2 Codificação dos dados.............................2....2 Avaliação das generalizações............. 5.................2...........2 CRONOGRAMA.................................................................................4.....................1 4...........2 ANÁLISE DOS RESULTADOS .....1 Antecedentes do Problema ................. INTRODUÇÃO.....................2...... 108 8 .................2 5....... 5......1 Tabulação de perguntas fechadas.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ........2 PROBLEMA................ 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................................................................ Considerações finais............................................................... 101 5 5..........1 TEMA... 5.......................... 4.................................................1...........................................4......................................... 5............. 1 INTRODUÇÃO................................................ 2.. 89 89 89 90 90 91 92 92 93 94 95 95 96 97 98 99 100 UD V .................................................................5................................................ Quanto ao Estilo de Redação............. 2 CONCEITOS E MÉTODOS........................................................................3.. 5......................................... AS ETAPAS DA PESQUISA..............................................1 Categorização dos dados... 2....... 5............................. 5.................. 107 2.....................................3 Interpretação dos dados...........................................1 5..............................1...................3 Alcances e Limites...................... A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO.....2 Formulação do Problema.... 108 2...PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU.............................................. 102 102 102 104 105 105 105 106 2................2........1...........2 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO...2...........................1 Análise estatística........4 4.................................................

...................................................................................................................................................................... 121 Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta..................................... 1 Objetivo Geral..............5 JUSTIFICATIVA...................................................................................... 111 2............................................................3 QUESTÕES DE ESTUDO............ 5.... 110 2....... 126 9 ................ Projeto de Pesquisa e DM.................................4........................................................... Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.. 2............................................................................ Considerações finais............. 112 3 REFERENCIAL OPERATIVO.4.......4.. REFERÊNCIAS.........OBJETIVOS...............................2.....................................................................................2 MONTAGEM DO TCC........................... 120 Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM............ 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS............................. 123 Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos......................................4 5......................................6 CONTRIBUIÇÃO...................... 110 2.................................................................................................. 125 Apêndice G – Modelo de Ficha.. 109 110 2.. 4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES............................................4... 2 Objetivos Específicos............... Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC.................................................................. 113 113 114 114 115 117 Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta................................ Projeto de 122 Pesquisa e TCC............................ Materiais 124 e Serviços.......................................................................................................

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os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V. F. Neste sentido a estrutura da dissertação. E. A. A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição. onde os conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados. nos projetos de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa. P. procurando-se destacar através de conceitos e exemplos. Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica. aos objetivos gerais e aos procedimentos técnicos.PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação no âmbito da EsAO. foi inicialmente apresentada em forma de fluxograma. e seu(s) referenciais afetos. segundos suas classificações quanto à natureza. C.. a fim de atualizar algumas partes e incluir novos conceitos. SANTOS. Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência.. 11 . o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos programas. a forma de abordagem do problema. com seus referenciais. de forma que o leitor pudesse verificar as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa. C. em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências Militares. J. A partir deste momento. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V. e adequar o item “A prática do fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações Militares. L. de forma que o leitor pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado. Foram ainda criados novos Apêndices ao livro. passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa. MADEIRA. as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu. Neste sentido. e aos Métodos Científicos. exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases. aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora. DOMINGUES. coube aos colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I. incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares. bem como apresentados em forma de mídia digital (CD).

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obedecendo à metodologia própria para iniciação científica. A seguir. Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à metodologia da pesquisa. realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa.INTRODUÇÃO Os programas de pós-graduação. 13 . trabalhos acadêmicos e dissertações. conduzidos pelas instituições de ensino de nível superior. necessário à construção de projetos de pesquisa nos níveis stricto sensu e lato sensu. passando a apresentação de um raciocínio lógico e coerente. inferindo conceitos próprios da metodologia em Ciências Militares. Finalmente. serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de pesquisa científica afetos às Ciências Militares. exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos. será descrito em forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação de Mestrado (no nível stricto sensu). seguindo orientações de renomados autores brasileiros que descrevem claramente o assunto. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema relevante de determinada área. dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos correspondentes. este manual esclarece como o resultado final da pesquisa. Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a elaboração de projetos de pesquisa. preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras ortográficas e gramaticais da língua portuguesa. facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento.

14 .

2 A DINÂMICA DE ESTUDO 1.3 A LEITURA 1.TÉCNICAS DE ESTUDO 1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA 1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO 15 .5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA 1.4 O ESTUDO DO TEXTO 1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR 1.

1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui características investigativas. buscando questionar e construir a realidade. De acordo com Minayo (1999). 16 . caminho.1 METODOLOGIA DA PESQUISA A palavra Metodologia vem do grego. Embora seja uma prática teórica. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos disponíveis e suas utilizações. Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos. Ou seja. Já a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência. ao conhecimento sistemático. nada pode ser intelectualmente um problema. um problema da vida prática. se não tiver sido. logos. porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a formação de um compromisso científico frente à realidade empírica. 1. relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente condicionadas. entende-se por metodologia o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Neste sentido. à criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na sistematização dos conteúdos. em primeiro lugar. buscando o conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a reflexão científica. Corresponde a um conjunto de procedimentos que auxiliam na obtenção do conhecimento. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. estudo. meta que significa ao largo. portanto. Esta instrumentação é importante para o trabalho científico. A Metodologia estrutura-se. odos. levando em conta o estímulo ao pensamento produtivo. discurso. a pesquisa vincula pensamento e ação. relacionadas com a busca de caminhos necessários à obtenção de conhecimentos. As questões da investigação estão. a metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas.

A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados muito importantes para o aprendizado.2 A DINÂMICA DE ESTUDO O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade. apoiado em material didático e científico que se constitui basicamente na bibliografia especializada.portanto. É necessário que o estudante utilize. 17 . palestras. crítica e criativa. Para tanto. é necessário registrar por escrito o conteúdo. também. que o ensino superior exige dos universitários maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa. a participação em seminários. Severino (1991) destaca como elementos principais à leitura e a escrita. uma programação das atividades de estudo. oferecendo outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte. Adverte. portanto. como. para posteriormente retomar a essa mensagem. bem como um projeto de trabalho intelectual individualizado. ainda. de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes. é necessário ler ou ouvir as mensagens que nos são transmitidas. etc. as bibliotecas disponíveis. Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas necessidades de aprendizagem. a participação em eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos conhecimentos. O ensino superior requer. uma divisão adequada do tempo que propiciem a periodicidade de leituras. com a devida freqüência. além do estudo habitual. de jornais e outras fontes de consulta facilita a apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto. imprescindível e deve estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance. A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço disciplinar. buscando informações a respeito de procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas. A leitura de livros indicados na bibliografia do curso. pois para aprender. A auto-atividade didática é. é importante que os alunos adquiram hábitos de estudo. 1. de revistas especializadas. pensá-la e/ou reescrevê-la.

Ao ler um texto. o estudo da documentação e a elaboração de trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. decifrar. isto é. interagir com o autor. nos diversos parágrafos. A maioria das frases possui uma palavra-chave. As atividades de estudo como a leitura analítica.Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos. as idéias secundárias que articulam o entendimento final do texto. Para tanto. é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. possibilitando ao leitor progredir cientificamente. auxiliando o leitor no entendimento do pensamento do autor no contexto da obra. principalmente. a redação. aprimorando-os como seres ativos e participantes da história. Posteriormente. melhorar a comunicação e. Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras. É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário. A proposta deve ser a de aprender. clareando as idéias. A leitura amplia e desperta a inteligência para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento. etc.3 A LEITURA Ler é assimilar idéias. Segundo Salvador (1980). 1. 18 . devemos identificar. resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do texto através das idéias de cada parágrafo. ler é "distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e. de modo articulado. não adianta apenas uma série de informações. ao qual se subordinam. interpretar. a utilização de técnicas de sublinhamento. optar pelos mais representativos e mais sugestivos”. ampliar os conhecimentos e aprofundar o saber em determinado campo cultural ou científico. que é aquela que corresponde a tudo aquilo que o autor quer comunicar. sendo necessário que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto. vários enunciados. conhecer. Estas atividades são desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho. utilizando técnicas de leitura. condensação de textos. absorvendo o sentido da mensagem. devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo informativo fundamental. que pode ser percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem. depois. adquirir experiência.

o sumário. A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação científica. Dentre as normas para sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias principais e os detalhes importantes. ler a orelha do livro. resumir e esquematizar. mas continua com o mesmo sentido. de acordo com os modelos teóricos de outros autores/pesquisadores. Os textos de estudo. 1.permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas. que possam fornecer as informações necessárias. Investigar a referência. Devemos recordar que não se estuda um texto como quem lê um romance. A convergência desses vários elementos nos ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse. os livros e as revistas. e fornecendo opções de soluções para os problemas de pesquisa. mas todas dependem sempre do propósito do estudo. um método de abordagem para o objeto do estudo. as palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto.segue sempre um processo semelhante. 19 . assim como verificar a editora. Ao final. há várias maneiras de se estudar um texto. Devemos examinar sumariamente os componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. mormente aqueles de cunho científico ou filosófico. quais sejam: sublinhar. Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra. deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. a documentação ou as citações ao pé das páginas. O texto fica condensado como em um telegrama. a data.4 O ESTUDO DO TEXTO Segundo Galliano (1986). E isso pressupõe uma certa disciplina intelectual. sendo necessário para o desenvolvimento deste. requerem sempre o emprego da razão reflexiva por parte de quem estuda. Assim. um estudo profundo. o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas. por puro entretenimento. Verificar o nome do autor. a edição e ler rapidamente o prefácio. um método. seu currículo. É importante consultar os autores. Assim. o domínio de algumas técnicas que vão contribuir para o entendimento do autor e da obra.

à margem do texto. Para tanto. principalmente ao final. Para Galliano (1986). freqüentemente. É a apresentação concisa e. O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu escrito. Assinalar com linha vertical. esclarecer os pontos obscuros. De acordo com a forma de apresentação do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou esquema. e quando se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à margem do texto. é necessário condensar as idéias destacadas. ou fazer um retângulo. referências bibliográficas e críticas. como a defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação. Segundo Galliano (1986). tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo. idéias integradoras. frases. em rápida leitura. O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. porém compreensível.É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal e com um único traço os pormenores importantes. as passagens mais significativas. Após sublinhar o texto. É útil quando se necessita. a que mais se identifique com o propósito de sua leitura. seletiva do texto. mediante divisões e subdivisões represente a hierarquia das palavras. isto é. recordar o essencial do que se estudou e a conclusão a que se chegou. as principais idéias do autor da obra. parágrafos-chave que. resumir por escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade. Os pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à margem do texto. é necessário observar algumas normas para se fazer um bom resumo. O leitor deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto. É preciso ser breve. pertinentes e oportunas. destacando-se os elementos de maior interesse e importância. 20 . e sublinhar as palavras desconhecidas. usar aspas e fazer referência completa à fonte. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”). Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para sublinhar. de caráter pessoal. o esquema é a representação gráfica e sintética do que se leu. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que. Juntar.

captando e compreendendo o tema do autor. requerem. análise temática e análise interpretativa. manuais. um método de abordagem e certa disciplina intelectual. Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom esquema. o leitor passa a ler com o objetivo de compreender profundamente o texto. os pontos que requerem posterior esclarecimento e as dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. Por fim. Ao terminar esta análise. destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto. facilitando a captação do conteúdo e permitindo uma melhor reflexão sobre o texto. Os textos de estudo de caráter científico. c) ter estrutura lógica. É importante esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA Para auxiliar a transposição da leitura. A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. simples e distribuído organicamente. uma delas é a fidelidade ao texto. a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia 21 . o esquema deve: a) ser claro. por parte de quem analisa. devem apresentar ligações entre as idéias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido. às obras de referência que se façam necessárias. b) subordinar as idéias e fatos. mantendo um sistema uniforme.destacados após várias leituras. sem discutir com o texto. sem debater os conceitos ou idéias. O leitor deve assinalar os vocábulos desconhecidos. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai processar a leitura para apreender o conteúdo. é necessário que o leitor faça uma análise do texto. por exemplo. 1. Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise textual. enfim. enciclopédias. e e) destacar o propósito da leitura. d) ser flexível e funcional para o uso. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do leitor e do fim a que se destina.

o que é muito importante. Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal. com segurança. ao confronto da discussão em seminários. o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e inabaláveis podem revelar sua fragilidade. Concluindo adequadamente a leitura de um texto. Ao terminar a análise interpretativa. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece. ultrapassar a leitura e produzir o conhecimento. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor. É através da ampliação dos aspectos que a análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos relevantes que o leitor pode ir além. Para ele. b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema. 1. a outras fontes. São nessas condições que ocorre a transposição da leitura.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita: a) conhecer a origem do problema. ou reuniões com colegas. c) avaliar as soluções já experimentadas. enquanto outras ganharão maior vigor. complementando-as sempre que o estudo assim exigir. 22 . E para continuar desenvolvendo este conhecimento. O leitor passa a inferir e interpretar o que foi apreendido. grupos de estudo. se necessário. A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto. o leitor mais experiente. passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. na medida em que o leitor/pesquisador necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de determinadas conclusões. enfim. estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de análises. o nível de conhecimento do leitor ter-se-á consolidado e ampliado. a estrutura de sustentação do texto. os temas complementares. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica e/ou filosófica recorrendo.central. seu juízo crítico. as idéias secundárias.

Entretanto. referências. resumo da obra. revertendo em ganho de tempo. o tema. Assim. a situação ideal seria dispor de todos os livros de que se tem necessidade. O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas ou indiretas. O campo destinado ao resumo da obra. É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na fase de coleta de informações. bem como as principais conclusões do autor. etc. citações. tudo o que possa servir como embasamento para a redação do texto do trabalho de pesquisa. tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu raciocínio lógico. verifica-se que essa condição ideal é muito rara. citações. pois auxiliam no registro de resumos. mesmo para um estudioso profissional. embora simples. durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz 23 partes: cabeçalho. Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação final da pesquisa. O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações). opiniões. repartições públicas. poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de computador. contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de .d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo. a data do fichamento e o número referência da ficha. o armazenamento das informações coletadas em bibliotecas. isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação. A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G). centros culturais. isto é. o nome do postulante. O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa. deve permitir ao pesquisador identificar quais são os assuntos tratados. sites de busca na Internet. Segundo Eco (1989). e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível solução para o problema pesquisado. que deverá ser preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa. enfim. A ficha é composta pelas seguintes interesse. no início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento.

anote quantas idéias puder acerca do que foi lido e estudado. visando facilitar a construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho.tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. elas devem conter subsídios que lhe permitirão a sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC) O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor. gráficos. figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o entendimento do leitor acerca do seu trabalho. O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter tabelas. As citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do pensamento de outros autores. 24 . este é o melhor momento para apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao problema de estudo.

4 O Método Dialético 2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 25 .1 O Método Histórico 2.2.1.1.2.1 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A CIÊNCIA MÉTODOS CIENTÍFICOS Os Métodos de Abordagem 2.3 O Método Hipotético-Dedutivo 2.2.2 O Método Indutivo 2.2.2 2.5 O Método Fenomenológico 2.A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO 2 2.1.2.2 Os Métodos de Procedimentos 2.1.1.3 O Método Estatístico 2.1.1 2.1.1.4 O Método de Estudo de Caso 2.2.2 O Método Comparativo 2.2.1 O Método Dedutivo 2.2.2.2.2.1.

faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico. relacionando-se com ele. Segundo Galliano (1986). uma vez que suas idéias não são definitivas. forma uma imagem. obtidos metodicamente.2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos. analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem. o conhecimento científico é uma aquisição intencional. ao acaso. é um processo que chegou ao máximo de seu desenvolvimento com a aplicação do método científico. define ciência como um conjunto de conhecimentos racionais.1 A CIÊNCIA Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de conceitos que são permanentemente ampliados. certos ou prováveis. De acordo com Galliano (1986). o conhecimento vulgar (senso comum) também denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana. e por isso. Pode também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das tradições de uma coletividade. O conhecimento se dá quando o sujeito apreende o objeto e. o sujeito e uma relação entre os dois. 2. o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da realidade. consciente e sistemática. 26 . Ao contrário. sem observação metódica ou verificação sistemática. O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o objeto. Em geral resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto. baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo do conhecimento. carece de caráter científico. O conceito apresentado por Ander-Egg (1978).

porque se preocupa em construir sistemas de idéias organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades cada vez mais amplas. que explicam todos os fenômenos de certo tipo. leis que regem os fenômenos. o que é ciência para alguns autores. mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o auxílio da linguagem matemática). o filosófico. d) geral. da razão e não da sensação ou impressões. tais como: o conhecimento vulgar. sobretudo. Segundo Gil (1999). ainda permanece como ramo de estudo para outros. um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar.sistematizados e verificáveis. reconhece sua própria capacidade de errar. porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das informações. o religioso e. Para Trujillo (1974). as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências factuais. 27 . ciência é uma sistematização de conhecimentos. Um conjunto de atitudes e atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado. porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados pelo homem. o conhecimento deve ser: a) objetivo. Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por objetivo formular. c) sistemático. para chegar a seus resultados. e) verificável. porque descreve a realidade independente dos caprichos do pesquisador. em certa acepção. Mas. capaz de ser submetido à verificação. baseando-se em Bunge (1976). b) racional. A partir destas características torna-se possível. em boa parte dos casos. e f) falível. porque se vale. Segundo Lakatos e Marconi (2000). não existe um consenso na apresentação da classificação das ciências. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. e vice-versa. porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de leis e normas gerais. distinguir entre o que é ciência e o que não é. Neste sentido. há conhecimentos que não pertencem à ciência.

são provisórias. ao passo que a verificação (factual) é incompleta e. ou seja. Gil (1999). define método científico como um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento. Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os primórdios da humanidade. determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento. A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a demonstração (formal) é completa e final. estão no campo das ciências sociais. assinala o domínio próprio de cada ciência. comprovam ou refutam hipóteses que. 2. em sua maioria. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS Para que um conhecimento possa ser considerado científico. em conseqüência. patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem em que as ciências devem ser estudadas. Os resultados alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses. por este motivo ela é temporária. dividindo-se em lógica e matemática. ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias. dividindo-se em naturais e sociais. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao mesmo tempo a variedade do conhecimento humano. De acordo com este autor. faz-se necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua verificação. ao referir-se à classificação atual dos vários campos da ciência. Assim. devido a sua constante evolução. Ciência Militar e Defesa. 28 . utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou refutar suas hipóteses.As ciências formais se encarregam do estudo das idéias. As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos. Parra Filho (2000). não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. Por não terem relação com algo encontrado na realidade.

portanto: a) da natureza do objeto de pesquisa. dialético e fenomenológico. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo.Nas ciências militares. e d) sobretudo. assim como em outras ciências. Ferrari (1982). Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo. o hipotético-dedutivo ao neopositivismo. o dialético ao materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia. Cada um deles vincula-se a uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade. e os métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem empregados. Segundo Gil (1999).1 Os Métodos de Abordagem Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da natureza e da sociedade. Neste sentido. que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua investigação. o método é fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de acordo com a proposta de trabalho do pesquisador. hipotético-dedutivo. há dois grandes grupos: os métodos de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica. e Lakatos (1992). indutivo. A adoção de um ou de outro método depende. 29 . vários sistemas de classificação podem ser adotados. que apresenta uma classificação semelhante a outros autores como Trujillo. 2.2. b) dos recursos materiais disponíveis. do pesquisador. das regras de explicação dos fatos e da validade de suas generalizações. c) do nível de abrangência do estudo. são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de abstração. o indutivo ao empirismo.

1993).2 O Método Indutivo Método proposto pelos empiristas Bacon. O 121° R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec.. Veja um exemplo de raciocínio dedutivo: Premissa maior Premissa menor Conclusão As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. .. Spinoza e Leibniz que pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. . 1993).1 O Método Dedutivo Método proposto pelos racionalistas Descartes. Observação n Conclusão O 121° R C Mec tem grande mobilidade.. não levando em conta os princípios preestabelecidos. Locke e Hume. O 123° R C Mec tem grande mobilidade. Veja um exemplo de raciocínio indutivo: Observação 1 Observação 2 . Considera que o conhecimento é fundamentado na experiência.123° R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec. LAKATOS.2. A dedução pressupõe o aparecimento. retirar uma terceira. logicamente decorrente das duas primeiras. Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo. 1999. do problema e da conjectura. A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade. denominada de conclusão (GIL.. O 122° R C Mec tem grande mobilidade. 1999.1. MARCONI.2. a partir de duas premissas. Hobbes.. Usa o silogismo. em primeiro lugar. 30 .. Premissa menor O 121° 122° .. No raciocínio indutivo a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. LAKATOS. construção lógica para.1. O 121° R C Mec tem grande mobilidade Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo. 2. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral para o particular) para chegar a uma conclusão. MARCONI. que serão testados pela observação e/ou experimentação. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL.2.

Se em especial. p. procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL. 1999.1. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses.1. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. p. são formuladas conjecturas ou hipóteses. a indução pode ser caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade. testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela hipótese.4 O Método Dialético Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel.30). relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. 2. O método indutivo propõe que. O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca. O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos. a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não examinados. 174). Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema. 2.2.2. Das hipóteses formuladas. ao contrário. Há. Admite que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social. etc. e pelo processo de influência dedutiva. diz-se que a indução leva a uma generalização. na qual as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. surge o problema. relativamente a certo número de elementos de uma dada classe. portanto. da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre 31 . 1976.3 O Método Hipotético-Dedutivo Proposto por Popper. econômico. no método hipotético-dedutivo. permite concluir que o mesmo será verdade. está a observação dos fatos particulares e depois a hipótese a confirmar.Segundo Wricht (apud HEGENBERG. político. acerca da qual se formulam hipóteses. em primeiro lugar. uma inversão de procedimentos em relação ao método dedutivo. o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese. deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas.

1992). 2.1 O Método Histórico O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos. enquanto conjunto de procedimentos suficientemente gerais. Preocupa-se com a descrição direta da experiência. Então. para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica. tal como ela é. o interpretado. A realidade é construída e entendida como o compreendido. Gil (1999). referindo-se à conceituação de método.5 O Método Fenomenológico Preconizado por Husserl. o método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo.na natureza e na sociedade.2. Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir 32 . O conceito de dialética equivale a uma argumentação que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão. comparativo. os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências sociais. procurando identificar e explicar as origens contemporâneas. os métodos de procedimentos seriam etapas mais concretas da investigação. 2.1. Pressupõem uma atitude mais concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular. com a finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos. Assim. a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem utilizados. são: histórico. estatístico e estudo de caso. 1999. o comunicado pelo resultado da pesquisa. TRIVIÑOS.2. Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999). 2.2 Os Métodos de Procedimentos Segundo Lakatos (2000).2. processos e intuições passadas. O sujeito/ator é reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL.2. proporcionariam ao investigador os meios adequados para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais.

O método estatístico. Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção de dados. prestando-se tanto para que sejam inferidas como para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. reduzidos a números. E a partir da análise. Mediante a utilização de testes estatísticos. apesar das dificuldades para medir os fenômenos. 2. em termos numéricos. a probabilidade de acerto de determinada conclusão. mas dotadas de boa probabilidade de serem verdadeiras. a estatística é a matemática aplicada à análise dos dados numéricos de observação. 2. torna-se impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem uma quantificação. fenômenos ou fatos. O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre os vários grupos e fenômenos sociais.3 O Método Estatístico Segundo Gil (1999). auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos fatos que. mediante a comparação que irá estabelecer as semelhanças e/ou as diferenças. bem como a margem de erro de um valor obtido.2.2 O Método Comparativo O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos.2.2. com as suas possíveis 33 . evolução e comparação histórica se podem traçar perspectivas. torna-se possível determinar.2. As explicações obtidas mediante a utilização do método estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras. É também utilizado quando. pois. com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades entre eles. o método estatístico fundamenta-se na aplicação da teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação em ciências sociais. mas sim. classes. tão importante quanto o aspecto qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo. como define Fisher. permitem o estabelecimento de relações e correlações existentes entre eles. pela variedade e complexidade dos fenômenos.de uma perspectiva histórica. Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo.

mediante a análise de casos isolados ou de pequenos grupos. este método parte do princípio de que o estudo de um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros.2.4 O Método de Estudo de Caso O método de estudo de caso ou método monográfico permite. utiliza-se um ou outro procedimento de coleta de dados. a partir de uma amostragem ou de um caso particular. instituições. De acordo com Gil (1999). daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais. ou seja. 2. são definidas algumas generalizações. Esses casos podem ser indivíduos. 2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme o método escolhido pelo pesquisador. comunidades etc. O procedimento de coleta de dados requer do pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa. grupos. e as formas de controle das variáveis envolvidas no problema. como irá proceder para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. Quando.utilizações. 34 . tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal fenômeno. entender determinados fatos.2. ou mesmo de todos os casos semelhantes. O delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e das circunstâncias em que serão coletados os dados.

1.1.1 3.2.1.2 3.3 3.4 3.2 PESQUISA CIENTÍFICA CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS Classificação quanto à natureza Classificação quanto à forma de abordagem do problema Classificação quanto aos objetivos gerais Classificação quanto aos procedimentos técnicos CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisa científica versus metodologia científica Níveis de Pós-graduação na EsAO 35 .1.1 3.2 3.2.PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA 3 3.1 3.

a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente organizadas.3 PESQUISA CIENTÍFICA Pesquisa. pode-se definir pesquisa como um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. ler e analisar documentos. inquirir. sondar. ausente de contradições. e relatada através de um discurso autêntico. num sentido amplo. Para a EsAO. 36 . cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante a utilização de procedimentos científicos. coerente e lógico. Neste sentido. os objetivos gerais e os procedimentos técnicos. ouvir com atenção. utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. 3. qualquer trabalho escolar que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado um trabalho de pesquisa.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS Existem várias formas de classificar as pesquisas. é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa tem um caráter pragmático. a forma de abordagem do problema. De acordo com Barros e Lehfeld (2000). realizada com o objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário. Consiste em investigar a realidade. Observar e examinar atentamente. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Aplicar atentamente os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. a pesquisa científica é o produto de uma investigação. administrativo ou de instrução. levando em consideração: a natureza. Segundo Gil (1999). As formas clássicas de classificação serão apresentadas a seguir. é um conjunto de atividades voltadas para a busca de um determinado conhecimento.

A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. classificá-las e analisá-las. coeficiente de correlação. desvio-padrão. Envolve verdades e interesses locais.). média. que é possível traduzir em números as opiniões e as informações para.1. isto é. sem uma aplicação prática prevista inicialmente.1.1. É usada para conhecer variáveis que são desconhecidas completamente. análise de regressão. É descritiva. 3. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. posteriormente. úteis para o avanço da ciência. e cuja informação será básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que alcance o verdadeiro conhecimento da variável. isto é.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável. esclarecer e modificar conceitos e idéias. etc. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para 37 . mediana.1 Classificação quanto à natureza Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos.3. Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito.3 Classificação quanto aos objetivos gerais Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. moda. Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. 3. A pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem. Envolve verdades e interesses universais.

Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em ciências sociais. atualmente. Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos.estudos posteriores. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis. obtendo desta maneira uma visão mais completa. 1967).4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado.. A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. o “porquê” das coisas. tais como: livros de leitura corrente. impressos diversos. Dependendo da pesquisa. aprofundando o conhecimento da realidade por explicar a razão.. pois não há 38 . ou o estabelecimento de relações entre variáveis. É utilizada para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um problema. Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população/fenômeno. percebe-se que muitas são desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou detalhado. 3. artigos de periódicos e. publicações periódicas.1. revistas e jornais etc. pretendendo determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al. constituído principalmente de livros. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. enciclopédias. dicionários. principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. Para este tipo de pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável ou das variáveis que influenciam o problema. livros de referência. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al. 1967). de material disponibilizado na Internet.

gravações. se trata de experimentar com objetos sociais. obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados bibliográficos. por exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas. tabelas estatísticas. não se identificam grandes limitações quanto à possibilidade de experimentação. seleciona-se mediante procedimentos. Há documentos também. em boa parte dos casos. Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para. quando se trata de objetos sociais. Incluem-se outros inúmeros documentos como cartas pessoais. uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de 39 . Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo. Na maioria dos levantamentos. Quando os objetos em estudo são entidades físicas. podem ser documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas. porém. memorandos. Antes da pesquisa de campo. Quando. o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica em determinados campos do conhecimento. a pesquisa experimental torna-se inviável. tais como relatórios de pesquisa. igrejas. regulamentos. sindicatos etc. fotografias. As fontes. razão pela qual os procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número de situações. mediante análise quantitativa. relatórios de empresas. em face da sua importância documental. boletins etc. etc. definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo. consideradas documentais. ou seja. tais como: associações científicas. que podem ser incluídos no rol da pesquisa. que de alguma forma já foram analisados. De modo geral. Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer. as limitações tornamse bastante evidentes. em seguida. Considerações éticas e humanas impedem que a experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais. grupos ou instituições. tais como porções de líquidos. com pessoas. diários. Contudo. ofícios. bactérias ou ratos.

Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos ocorridos. de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento. Não se trata rigorosamente de um experimento. segundo Thiollent (1985). Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal. Há autores que empregam as duas expressões como sinônimas. pois proporcionam: conhecimento direto da realidade. esta pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo. levando em consideração a margem de erro. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas complexos. assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos. a pesquisa-ação geralmente supõe uma forma de ação planejada. 40 . As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo. Neste tipo de pesquisa são tomadas como experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre elas como se estivessem submetidas a controle. Todavia. possibilitando a sua visualização e análise por quantificação. permite que os dados sejam agrupados em tabelas. A pesquisa ex-post-facto.1). Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no problema. possibilitando avançar na pesquisa. Segundo Thiollent (1985). A pesquisa participante. é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou situações se desenvolveram espontaneamente. v. economia e rapidez na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo. auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema. Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores sociais. educacional. Todavia. Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. os procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos experimentos propriamente ditos. de caráter social. posto que o pesquisador não tem controle das variáveis.investigação. que é obtida por meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística.

É desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos: a) a existência de uma pergunta que se deseja responder. que inclui a escolha do tema. Ao término desta Unidade Didática. ciência.1 Pesquisa científica versus metodologia científica Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica. métodos de pesquisa e tipos de pesquisa científica.2. 3. A pesquisa participante. serão apresentados alguns conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu. a apresentação dos resultados. a construção de um modelo de análise e solução do problema. a elaboração das conclusões e recomendações.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas exigências científicas. Para tanto. a coleta e a tabulação de dados. envolve a distinção entre ciência popular e ciência dominante. Para que seu estudo seja considerado científico você deve obedecer aos critérios de coerência.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO Após compreender os conceitos de metodologia. a exploração do problema. espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de pós-graduação que melhor lhe convier.2. é importante que o discente entenda alguns princípios que regem os programas de pós-graduação. Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas que devem ser executadas na investigação de um fenômeno. 41 . por sua vez. a análise e discussão dos resultados. 3.técnico ou outro. originalidade e objetividade. b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta. consistência. e c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. e a divulgação de resultados. 3.

ao grau de Aperfeiçoamento em Operações Militares. exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo. caso aprovado. a apresentação de dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das atividades de pesquisa no campo das Operações Militares.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado tema. por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um mesmo tema. ao grau de Mestre em Operações Militares.3. Como veículo da execução do programa de mestrado. O trabalho deverá constituir-se em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados durante o CAO. de tal forma que seja possível descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações de causas ou conseqüências do problema analisado.2. caso aprovado. evidenciando pesquisa científica.2. de tal forma que seja possível o levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto. Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível maior de conhecimento a respeito do tema. Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado acerca de determinado tema. 3. O Quadro 3 apresenta. fazendo jus. Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de um conhecimento compatível com o tema em estudo. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica. exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em relação ao mesmo. Observe que o TCC pode ser concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado.2. de uma maneira geral. 42 . fazendo jus. as principais diferenças entre os níveis de Pós-Graduação.2.

voltados para a performance de Sd EV no TAF. para comparar os efeitos dos treinamentos. siga para a Unidade Didática IV. 43 . concluindo acerca de suas vantagens e desvantagens. visando uma preparação para o TAF? Abordagem genérica de todas as sessões de treinamento cardiopulmonar. concluindo acerca de qual produz maiores benefícios fisiológicos voltados para o TAF. Como melhorar a performance cardiopulmonar de Sd EV. Estudos comparativos têm indicado que a corrida intervalada provoca mudanças fisiológicas que a corrida contínua não é capaz de realizar. genericamente. siga para a Unidade Didática V.Principais diferenças entre a DM e o TCC Características DM TCC stricto sensu lato sensu Quanto ao programa de pós-graduação Formulação do problema sim sim Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor Formulação de questões de estudo não sim Formulação de hipóteses sim não Variáveis duas ou mais pelo menos uma Testes de variáveis sim não Aprofundamento do conhecimento. permitem distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).Nível Tema Delimitação tema do Lato Sensu Treinamento cardiopulmonar e performance de militares Sessões cardiopulmonares de treinamento físico militar na preparação do Sd EV para o TAF. maior menor Pesquisa de campo sim não Análise estatística sim não Defesa perante Banca Examinadora sim não Fonte: Os autores. Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica. A Tabela 1 apresenta algumas características que. Antecedentes do O pesquisador sente a necessidade de pesquisar acerca de como os diversos problema Problema Aprofundamento exigido tipos de treinamento cardiopulmonar poderiam otimizar a performance cardiopulmonar do Sd EV. Tabela 1. A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho. Stricto Sensu Treinamento cardiopulmonar e performance de militares Uma comparação entre os efeitos fisiológicos produzidos pela corrida intervalada e pela corrida contínua. Se optar pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento). Que método de treinamento produz maiores benefícios fisiológicos voltados para o TAF? Abordagem profunda e detalhada da fisiologia do exercício. capazes de melhorar a performance do militar. Caso opte pelo programa stricto sensu (Mestrado).

44 .

4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 PLANILHA DE CUSTOS 5.3 JUSTIFICATIVA 2.1 TEMA 2.1 REVISÃO DE LITERATURA 3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.1 OBJETIVO 4.2 HIPÓTESE 4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA 4.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4 1 INTRODUÇÃO 4.2 CRONOGRAMA 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 4.2 PROBLEMA 2.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa) 5.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 45 .3 VARIÁVEIS 4.

Apresentação do Projeto de Pesquisa. e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e aprovada antes de ser realizada. não será difícil perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de Pesquisa. o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir relacionadas: Escolha do Tema. Depósito da Dissertação de Mestrado.4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4. o orientador.1 INTRODUÇÃO O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14724:2002. e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e executado. apresentando ainda os resultados. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase. Para que o postulante. É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório final de uma pesquisa científica. entre o postulante e o seu orientador. 46 . visando atender os interesses do postulante e da Escola. Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação da EsAO. as análises e as conclusões acerca do que foi pesquisado. Tais providências têm por finalidade traduzir um perfeito sincronismo. bem como economizar tempo e recursos preciosos. e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A). Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa. e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados. e Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora. Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado. e entre ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados.

Cronograma . 47 .4.Planilha de custos A pergunta de partida Referencial Conceitual Seção 3 2ª Etapa A exploração do problema Revisão de Literatura 3ª Etapa Entrevistas exploratórias Referencial Teórico Seção 4 A construção de um modelo de análise e solução do problema Referencial Metodológico Referencial Operativo* 4ª Etapa Seção 5 A coleta dos dados 5ª Etapa Análise dos dados 6ª Etapa Seção 6 Apresentação e Análise dos Resultados Conclusões 7ª Etapa Conclusões e Recomendações Redação do relatório final de pesquisa (Montagem da Dissertação de Mestrado) DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA *O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B) (fase presencial do CAO) Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.Variáveis .Contribuição Apresentação dos pressupostos teóricos que irão sustentar a tese formulada.Tema . .Problema .Justificativa . DISSERTAÇÃO DE MESTRADO AS 7 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 1ª Etapa SEÇÕES DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Seção 1 Seção 2 Introdução .Hipóteses . O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas.2 AS ETAPAS DA PESQUISA.Procedimentos metodológicos .Objetivos . cujos elementos constitutivos formam as seções do relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado).Visão Geral . que são traduzidas em referenciais.

somente durante a elaboração do projeto de pesquisa. as variáveis. o postulante passa: a estabelecer os objetivos da pesquisa. O cronograma de trabalho e a planilha de custos constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa. uma maneira de se testar. Na seqüência. e os procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução formulada. a(s) hipótese(s). os resultados da exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa). Segue-se a esta. e das contribuições que esta pesquisa poderá produzir. a(s) hipótese(s). e. que 48 . Após convenientemente organizados. das justificativas para se empreender um estudo científico para resolvê-lo. com o objetivo de colher subsídios que permitam formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo). Depois de reunidos. procurando destacar os aspectos do tema que serão abordados na pesquisa. Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s). a definir as suas variáveis. Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões: a) a pergunta de partida está bem elaborada. a estabelecer os procedimentos metodológicos a serem seguidos. o Problema. Após serem convenientemente organizados. o(s) objetivo(s) de estudo. A pergunta de partida irá desencadear uma breve revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar. o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª Etapa). por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de entrevistas exploratórias. esta solução (Referencial Metodológico). o Tema. é formulada uma pergunta de partida (1ª Etapa). a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos. que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou rejeição da hipótese. as variáveis. prosseguindo no estudo. e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado Referencial Metodológico. Estando definida a hipótese. as Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual. metodologicamente. deve-se realizar a Coleta de Dados (4ª Etapa). a Análise dos Dados (5ª Etapa).A pesquisa se inicia com a definição do tema. ou b) a pergunta de partida deve ser reformulada. que consiste na execução do que foi planejado no Referencial Metodológico. A partir daí. bem como . onde serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo.

no momento determinado.culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho. os principais aspectos verificados durante a pesquisa. 4. e fornecendo uma visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de pesquisa. na seção Conclusões e Recomendações. ou até mesmo de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não tenha ficado claro durante a análise. Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do Relatório de Pesquisa (7ª Etapa). quando o autor deve apresentar. 49 . Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das Conclusões (6ª Etapa). Projeto e DM) Esta seção primária deve ser breve. quando todo o trabalho deve ser organizado e formatado de acordo com as Normas da ABNT. executando-se a sua impressão e a entrega da Dissertação de Mestrado. Durante esta etapa. sendo obrigatória a apresentação dos itens referenciados. situando-o no tempo e no espaço. ou não. a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto. no Projeto de Pesquisa e na DM. pode-se verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados. verificando se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m). A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que deve constar no corpo do trabalho. 1 INTRODUÇÃO (Proposta. o problema de pesquisa. sendo referenciadas.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO A seguir. para que. serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que compõem a estrutura final da DM. fornecendo uma visão panorâmica acerca do assunto pesquisado. visando preparar o leitor para a questão funcional do trabalho. seja executada a defesa perante a Banca Examinadora. onde os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. ao lado do título de cada seção.

2. o porquê da escolha do tema. que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com as inclinações. De acordo com Lakatos e Marconi (1999).1 TEMA (Proposta. tema é o assunto que se deseja estudar e pesquisar. qual a contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e desenvolvimento do trabalho empreendido. Encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. Pode-se redigir uma introdução inicial. é necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta bibliográfica.Segundo Martins (2000). Delimitar um tema significa eleger 50 . segundo Dencker (1998). pois. a justificativa da importância de execução da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores externos. quanto aos fatores internos (pessoais). Projeto e DM) Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema. as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. devendo ser apresentados: o tema selecionado. o problema (antecedentes do problema. e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do conhecimento em questão. Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que pretendo abordar?” A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. as possibilidades. a formulação do problema propriamente dito e os seus alcances e limites). É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento. Projeto e DM) Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que envolve o estudo. para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa. 2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta. a introdução deve conter idéias básicas que respondam às indagações sobre a temática.

e f) no estudo da literatura especializada. A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu orientador. mas que. é preciso verificar se realmente você está diante de um problema científico. intuitivamente. d) em contato e/ou relacionamento com especialistas.. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada do problema. deve-se levar em conta a relevância e a atualidade do problema. isto porque objetiva buscar a sua solução. e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas. um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de discussão. a definição do tema pode surgir com base: a) na observação do cotidiano. seu conhecimento a respeito. apresentando os antecedentes do problema. Em primeiro lugar.. Para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para Trabalhos Acadêmicos”. estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida. Para a escolha do tema. b) na vida profissional. Após a definição do tema. a formulação do problema e os alcance e limites. sua preferência e sua aptidão pessoal para lidar com o tema escolhido. Abordaremos brevemente algumas questões que. deve-se levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido 2.2 PROBLEMA (Proposta. Mas. c) em programas de pesquisa. na 51 . Projeto e DM) Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende resolver através da pesquisa científica que irá empreender. e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução para ele. nos fazem pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica. em qualquer domínio do conhecimento.uma determinada parcela de um assunto. você sabe o que é um problema científico? Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). Segundo Barros & Lehfeld (1999). Segundo o dicionário Aurélio.

em problemas científicos. se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8? Problema científico Pode-se dizer que um problema é de natureza científica. etc. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o rendimento escolar? 2. Exemplos 1. eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas são. portanto. quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à manipulação). Problemas de engenharia Alguns problemas. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada? 3. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares? 52 . indagam acerca de como fazer as coisas. certa ou errada.). moral. São problemas cuja resposta depende de opinião. Como se confecciona um determinado documento? Problemas de valor Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução? 2. mas não responder diretamente a eles. ética. não se constituindo. Exemplos: 1. Como melhorar a produtividade da Seção? 3. ou se é melhor ou pior que outra. Tais questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má. nível escolar. Exemplos: 1.. suas causas e conseqüências. desejável ou indesejável.verdade.. isto é não são problemas científicos. A ciência pode fornecer sugestões e inferências acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia. e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução? 2. ditos “de engenharia”.

c) ser empírico (testável) e não fruto de valores. Projeto e DM) Os antecedentes indicam a origem. tais como: a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial. d) ser suscetível de solução. torna-se necessário identificar como surgiu o problema.2. percepções pessoais e/ou senso comum (“achismos”). 53 . que por si só não constitui um problema específico.2 Formulação do Problema (Proposta. 2.1 Antecedentes do Problema (Proposta. mencionando autores que já pesquisaram a respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final. suas variáveis devem permitir observação ou manipulação. pressupõe a apresentação do que já está disponível a respeito dele. um breve histórico de como surgiu o problema do problema. e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis).3. As experiências anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste referencial como ponto de partida para o início da pesquisa. b) ser claro e preciso.2. Projeto e DM) O problema deve ser formulado como uma pergunta. ou seja. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do militar? 2. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um tema.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento de certas regras práticas para a formulação de um problema científico. 2.2. Esta é a maneira mais fácil e direta de formulá-lo.2. ou seja. portanto.

A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos mencionados na seção secundária 2. tem início na observação de que existe pouca interação entre os alunos na execução de trabalhos em grupo. é perfeitamente possível: a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela literatura e por especialistas em neurofisiologia). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. após a aplicação das técnicas. Problema 1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o rendimento escolar? O problema 1.)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não como resposta. e c) verificar se. Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a população estudada). b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares. é perfeitamente possível: a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela literatura e por especialistas em ensino). e g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética. Logo.f. Logo. e isto pode diminuir o rendimento escolar.2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares? O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada ou realização de tarefas complexas. 54 . houve alteração no rendimento escolar. Problema 2.

após a aplicação dos tratamentos. 55 . e que militares que são freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações. e c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes cognitivos. é perfeitamente possível: a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e os punidos freqüentemente. Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a resolução do problema. um grupo que poderá dormir apenas 4 horas por noite. ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do militar? O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente elogiados tem um desempenho produtivo otimizado. Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poderse-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho cognitivo de militares (para a população estudada). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. Logo. Problema 3.b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono (um grupo em privação total de sono. e aplicar um teste correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus desempenho produtivo. Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. apresentadas pelos diferentes grupos testados. e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite). Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poderse-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a produtividade dos militares (para a população estudada). b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo. e c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis.

56 . a quem está dirigida. A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que não serão abordadas. Projeto e DM) Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa. e devem pré-dizer uma solução para o problema de estudo. A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do pesquisador. e aqueles que devem ficar de fora.3 JUSTIFICATIVA (Proposta. precisa e concisa. especificada e reduzida de modo a permitir a sua realização. o universo de conhecimento a respeito do assunto. 2. A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa. Duas limitações são: o tamanho da amostra e a duração do estudo. Ainda que a definição do problema seja clara. faz-se necessário especificar o alcance da investigação. 2. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade e da relevância da pesquisa proposta. relatando os aspectos do problema a serem incluídos. definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que não foi possível abarcar. e da existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a realização da pesquisa. Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. respondendo à pergunta inicial que originou o problema de pesquisa.2. o que deve ser especificado de forma a tornar acessível à investigação. com relação ao domínio de conhecimentos necessários. procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua importância relativa.As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema.3 Alcance e Limites (Projeto e DM) A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço.

na medida que o faz avançar. É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. nos seus resultados. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a serventia dos resultados a serem colhidos. convincentemente. Para tanto. a formulação do modelo de análise e 57 . Para tanto. que a problemática exposta merece uma solução. Uma pesquisa é relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento. Em outras palavras. Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta? Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo? 2. É onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. conseqüentemente do projeto de dissertação . academicamente. Projeto e DM) Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da investigação uma vez concluída.Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da elaboração da proposta e. o pesquisador deve perguntar-se: Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar? A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo? Quem será o real beneficiário da investigação? 3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta. isto é. a realização de uma pesquisa. Projeto e DM) Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos” que embasarão a questão a ser estudada. O investigador deve estabelecer. É a existência de um problema real que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução. Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir para o conhecimento de problemas significativos.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta. a importância de uma investigação está na sua originalidade. A existência de um problema é o que justifica. o pesquisador deve perguntar-se: O tema é relevante? Procurando responder por quê.

e conseqüentemente. às seguintes questões: O que já foi publicado sobre o assunto? Quem já escreveu a respeito? Que aspectos já foram abordados? Quais as lacunas existentes na literatura? Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese? 3. Neste momento o pesquisador deve procurar responder.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do pesquisador sobre o tema. transformando a pergunta de partida na questão central da investigação. Este procedimento tem fundamental importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a formulação de hipóteses. bem como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o aprofundamento nas questões que envolvem o problema. Uma boa revisão de literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser estudado. 3. O pesquisador. dentre outras.1 REVISÃO DE LITERATURA A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última palavra no assunto). proceder a uma revisão teórica. Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental). valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas ou indiretas). ao invés de procurar validar as suas 58 . A revisão de literatura é fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). a construção da(s) hipótese(s) de estudo. desenvolver uma revisão empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo.solução do problema. evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico.

ou seja. o estabelecimento 59 . deve ter uma atitude filosófica. devem ser especificados os procedimentos necessários para se chegar aos participantes da pesquisa. indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico. procurar adquirir novas informações. testemunhas ou interessados no tema pesquisado. enfim. redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada. o aspecto essencial do estudo. Através desta avaliação. O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema. 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta. A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo. e verificar outros pontos de vista em relação ao problema. a fim de complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto. cada uma com seu título. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia utilizada nas subdivisões. exigindo um reinício da pesquisa. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados. Nesta fase. é desejável apresentar-se o resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o assunto. Nessa etapa.próprias idéias. permitindo avaliar se a pergunta de partida foi bem definida. caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento adquirido. como a escolha do espaço da pesquisa. com pessoas que possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da revisão de literatura. A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias ampliarão os conhecimentos sobre o tema. para que o leitor seja capaz de reproduzir. A metodologia deve ser exposta de modo suficientemente claro e detalhado. a seleção do grupo de pesquisa. Projeto e DM) Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende realizar a pesquisa e solucionar o problema. a pergunta de partida poderá ser mantida. obter as informações de interesse e analisálas. o que irá corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema de pesquisa e de como solucioná-lo. se necessário for.

deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida. O objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar. É comum. Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na realização do trabalho e evitar problemas sérios. que descreve a finalidade principal da investigação. que poderiam ser parcialmente previstos antes da coleta e da análise dos dados. e os procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação tais como: o método. devendo ser apresentados: o objetivo geral. a previsão de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas. 4. e os objetivos específicos explicitarão os detalhes. Projeto e DM) Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como problema de investigação. a população (ou universo) e a amostra (sfc). Tomando por base o problema 2. pois o pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo. constituindo os desdobramentos do objetivo geral. 4.dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo. por exemplo. isto é. tipo e técnica de pesquisa adotado.1. Projeto e DM) Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa. e os objetivos específicos.1 OBJETIVOS (Proposta. a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados. Os objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que indique uma ação passível de mensuração. a hipótese.1 Objetivo Geral (Proposta. como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados. os instrumentos de coletas de dados. que descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema. Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica. e o modelo de análise dos dados. (A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente 60 .

Ex. comparar. constatar. localizar. coordenar. identificar. examinar. selecionar. ilustrar. registrar. esclarecer. estimar. interpretar. debater. arrolar. Ex. compor. validar e valorizar.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. Ex. Ex. f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar. classificar. definir. Ex. constituir. reunir. investigar. b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever.apresentado.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. traduzir e transcrever. d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar. praticar. empregar. criticar. preferir. distinguir. manipular. listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na formulação dos objetivos: a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar. relatar. organizar e esquematizar. avaliar. examinar. 61 .: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. provar. explicar.: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono. julgar. repetir. c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. discutir. inscrever. diferenciar. Ex.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela privação de sono. demonstrar. escolher. eliminar. expressar. sublinhar e nomear. enunciar. traçar e usar. verificar e experimentar. e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular. inventariar.

bem como da execução de tarefas de cunho cognitivo. Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/ ações operacionais afetadas pela privação de sono”. listaremos a seguir alguns exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema: a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em privação de sono. das quais depende a consumação do objetivo final. c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência. do estado de alerta e vigília. faz-se necessário construir um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. referindo-se às características que podem ser observadas e mensuradas.1. o que será obtido em cada passo da pesquisa. confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o parecer dos especialistas. Devem ser redigidos com o verbo no infinitivo. A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas. para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas. e isto é feito através de metas intermediárias que redefinem. Os objetivos específicos tentam descrever. onde os mesmos deverão apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da atenção seletiva. b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN. esclarecem. delimitam e decompõem a trajetória a ser seguida em objetivos específicos de pesquisa. um questionário a ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva. Indicam o que se tem de alcançar para chegar ao objetivo geral. 4.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM) Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas. nos termos mais claros possíveis. d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas pela privação de sono. 62 .Se o objetivo geral indica uma direção a seguir.

as hipóteses pressupõem. a fim de não conduzir o seu estudo à mera divagação e à acumulação de dados superficiais.123). que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou desconsideração (que pode ser total ou parcial). contudo. ou seja. Projeto e DM) Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa. Significa apenas que a hipótese não é verdadeira. (1999. as relações e as causas do problema. Esta resposta sugerida chama-se hipótese. Segundo Laville. É uma suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas. Gil (1999). Assim sendo. que justificam sua pertinência/validade. Quando uma pessoa confronta-se com um problema. o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como orientação no decorrer da pesquisa científica.2 HIPÓTESES (Proposta. o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa. salienta que além do conhecimento bibliográfico sobre o assunto. Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente. trata de adivinhar. é o ponto de partida para se encontrar um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. Sob a ótica da Matemática. A desconsideração total significa que a hipótese não procede. Epistemologicamente. Segundo Viegas (1999). 63 . em primeiro lugar. não se conhecem normas específicas para a elaboração das hipóteses. sugerir ou especular uma resposta. a hipótese é algo aceito ou suposto para continuar a argumentação. A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente proposto. É uma conjectura a respeito da relação entre as variáveis do problema. este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela careça de importância. é algo a ser verificado. derivando diretamente de sua definição. a existência de causas e. p. em seguida. é uma possível resposta ao problema.4. uma especulação ou uma conjectura sobre as diferenças. e ter realizado a revisão de literatura. afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação. ela é a base para o raciocínio do problema. Portanto. o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis soluções para o problema de pesquisa. que elas possam ser conhecidas e deduzidas logicamente. Segundo Fachin (2001). este é um dos principais momentos do itinerário de pesquisa.

afirmar se é verdadeira ou falsa. Segundo Thomas & Nelson (2002. e significa que não há diferenças entre tratamentos e/ou nenhuma relação entre as variáveis. Tomando por base o problema 2. confirmando que qualquer diferença ou relacionamento observado entre as variáveis. listaremos a seguir exemplos de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa. A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa. concisa e gramaticalmente correta. Deve ser enunciada de modo que se possa comprovála. diminui durante operações continuadas. Note que esta hipótese de pesquisa também é uma resposta ao problema. p. e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou estatística) que indica a negação da suposição. a hipótese nula não é usualmente a hipótese de pesquisa. Normalmente o pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros. 64 . é devido ao acaso e não ao tratamento realizado. ou antecipe um relacionamento entre as variáveis. oferecendo uma conjectura sobre as relações entre duas ou mais variáveis.Caso este procedimento não seja possível. H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono durante 48 h de operações continuadas. sendo utilizada quando existem evidências de que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes. expostos a 48 horas de privação de sono. Diferentemente do problema. Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também chamada de hipótese de estudo. recomenda reformular a hipótese para ajustar-se às técnicas disponíveis. H1: O desempenho cognitivo de militares. isto é. ela deve ser redigida na forma afirmativa. Note que esta hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema. “A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”. devendo ser expressa de forma clara. 62). A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar a confiabilidade dos resultados. de trabalho ou de investigação) que é a afirmação da suposição indicada.

é imprescindível identificar e definir os conceitos que facilitem a compreensão da problemática. Desta forma. 65 . H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do Comandante de PELOPES em operações continuadas H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem à patrulha em operações continuadas É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo problema. 4. H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas. logo dizemos que H2 é a hipótese nula de H1 Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa. Projeto e DM) A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou diferentes aspectos. Constitui-se no elemento central da investigação. Qualquer que seja o problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação das variáveis. teríamos que demonstrar que H2 é falsa. isto é.3 VARIÁVEIS (Proposta. caso quiséssemos comprovar H1. o que será feito por meio das variáveis que compõe o problema de pesquisa. a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e que se pretende explicar. através de suas dimensões.No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico. Para tanto. poder-se-ia formular. segundo casos particulares ou circunstâncias. estando sujeita à medição. Logicamente. o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em que o problema estiver inserido. é necessário apresentar uma definição conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as mensuráveis. dentre outras. componentes e indicadores). as seguintes hipóteses: H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas.

medido em horas. e b) variável II: “Desempenho cognitivo”. de modo a ser preciso na definição evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis significam no contexto do trabalho. e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o ambiente/contexto em que o estudo será abordado. Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo. Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas” podemos verificar a existência de duas variáveis distintas: a) variável I: “Privação de sono”.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta. Projeto e DM) Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada. explicar o que se entende pela variável apresentada. explicar o significado de um termo a partir de sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido. deve-se atentar para a objetividade e pontualidade das informações. podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação total de sono”. esta variável pode ser entendida como uma situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados.3. 66 . assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo. conforme as situações comumente encontradas em combate continuado.4. Definir significa exprimir o que uma coisa é. O exemplo abaixo é uma das possíveis definições das variáveis de estudo supracitadas: Variável I: Privação de sono No contexto desta pesquisa. abordando como este conceito poderá ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados. Note que o termo “militares” está relacionado à população que será investigada.

. as variáveis podem ser classificadas em: independente.. Para a presente pesquisa. As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por números ou medidas. etc. MB. I)..1.. 67 . Quanto à forma de medição. em testes cognitivos que exijam atenção sustentada.3. desempenho cognitivo deve ser entendido como o resultado obtido pelos sujeitos. 4. R. responsabilidade.: diâmetros. Ex. manipulada.Variável II: Desempenho cognitivo. escalas de medição (E.. um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as relações entre as variáveis. atenção seletiva e raciocínio lógico. dimensões do desempenho cognitivo elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de situação.. etc. planejamentos e condutas durante operações militares continuadas.). sexo. como uma influencia a outra (relação de causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno (correlação). número de soldados. modalidades ou atributos.: cor. peso. conceito militar (liderança. isto é. dependente e interveniente. memória. Quanto ao aspecto relacionamento. B. as variáveis classificam-se em quantitativas e qualitativas. causa ou contribui para a ocorrência de algum efeito na variável dependente. altura. As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por categorias. Como dito anteriormente..1 Relacionamento entre variáveis Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. A variável independente é aquela que. idade. Ex. zelo.

Neste exemplo. 68 . e vice-versa. a intensidade diminui. e vice-versa. e quanto uma diminui a outra também diminui. maior deverá ser o intervalo para a recuperação. menor deva ser a intensidade (tempo para a realização de cada repetição).1. esforço físico exigido (um esforço mal controlado poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação de sono). 4.2 Correlação entre variáveis No caso das correlações. Ex. Parece lógico que o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono.. Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas dimensões do desempenho cognitivo) etc. Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 2020). pois quando uma aumenta. temos uma variação interdependente. e vice-versa. pois quando o volume aumenta..3. deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que poderiam contaminar o estudo. devendo ser meticulosamente controlada. A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis dependentes e independentes. alterando de alguma forma a influência esperada entre elas. tais como: a alimentação fornecida (alimentos pesados induzem ao sono). para que se possa estabelecer a relação de causa/efeito hipotetizada. neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as variáveis. a outra também aumenta. neste caso dizemos que existe uma correlação negativa entre as variáveis. verificase que quanto maior for a intensidade. espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que o militar percorrer um determinada distância).A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em função da variável independente. ou seja as variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra.

Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma variável é apresentada nos quadros 4 e 5. ou seja. Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos indicadores elencados em suas respectivas dimensões. enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão. que são utilizados na comprovação de hipóteses de estudo.Privação de Sono. Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades passíveis de mensuração. em elementos empiricamente observáveis que constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável.Existem diversos testes estatísticos. para determinar a existência e a força da correlação entre as variáveis. As dimensões são características que permitem que a variável seja medida. Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM) Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de mensuração. O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono. 4. Note que as variáveis “privação de sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que permitem as suas respectivas mensurações. 69 . Variável Dimensão Indicadores O Privação total de sono Privação de sono Tempo de privação Privação parcial de sono Forma de medição pelotão A deverá permanecer 48 horas sem dormir O pelotão B deverá dormir entre 01:00hs e 05:00hs O pelotão C poderá dormir entre 22:00hs e 05:00hs Sono normal Quadro 4 – Definição operacional da variável I .3.

o que permitiu sua mensuração. ocorre em função do tempo que cada pelotão poderá dormir. 3 e 5 Desempenho do questionário** cognitivo Número de acertos na locação de Desempenho na oficina pontos por diversos de locação de pontos processos* Pergunta 1. ** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos. 3 . Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo. Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão. 3 e 4 do questionário ** Número de acertos Desempenho na oficina na autenticação de Raciocínio de autenticação de mensagens* lógico mensagens Perguntas 1. Variável Dimensão Indicadores 70 . O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho cognitivo. Forma de medição Relatório a respeito Desempenho na oficina dos eventos que de patrulha de foram apresentados Atenção reconhecimento no terreno* (Observação em um PO) Pergunta 1 e 2 do questionário** Número de acertos na criptografia e Desempenho na oficina decriptografia de de criptografia e mensagens* decriptografia Perguntas 1. o que reflete a privação de sono.Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através da dimensão tempo de privação. Nota-se também que a variabilidade desta variável. 6 e 7 do questionário** A cada início de oficina será distribuída uma mensagem Desempenho na oficina alfanumérica que Memória de mensageiro deverá ser decorada e apresentada ao término da mesma* Pergunta 1 e 8 do questionário** * Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa.

Logo. quando e como será realizada a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa). método de pesquisa. inequivocamente.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta. Será ela constituída apenas por aqueles que. a população física que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares existentes no Comando Militar do Leste. bem como o modelo de análise (forma como se pretende tabular e analisar os dados). Projeto e DM) Nesta seção secundária deve-se definir onde. Essa característica deve delimitar. é um conjunto de elementos com pelo menos uma característica comum. ou mesmo possível.4. sfc). e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema. Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população. não é conveniente. na verdade.1 População (Proposta. 71 . a uma amostra proveniente dessa população. isto é. instrumentos de coleta de dados. Embora pareça extremamente simples. amostra (e método de amostragem. quais elementos pertencem ou não à população. tipo de pesquisa. Grande parte das vezes. Uma vez perfeitamente caracterizada a população. atualmente. realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população. ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos interessa. estão na ativa? Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva? Além disso.4. o passo seguinte será o levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em questão. 4. Projeto e DM) Uma população ou universo. Assim. por exemplo. porém. é preciso definir a característica comum que distingue perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa (Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou do Efetivo Variável?). podemos estar interessados em realizar uma pesquisa sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. no sentido geral.

o que se denomina censo ou recenseamento. A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. resumidamente. É intuitivo que. 72 . necessariamente finito de uma população. que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis. mais precisas e mais confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. isto é. quanto maior a amostra. esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a amplitude do universo. o pesquisador justifique a opção pelo método adotado. considerando uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional. N 10 20 30 40 50 60 70 n 10 19 28 36 44 52 59 N 80 90 100 150 200 250 300 n 66 73 80 108 131 152 169 N 350 400 450 500 1000 2000 3000 n 183 196 207 217 277 322 341 N 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 n 351 357 361 364 367 368 370 Quadro 6 . para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção da amostra e do método de amostragem O quadro 6 apresenta. É necessário que.4. e 5% probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso. O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica. conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame completo de toda a população.2 Amostra (Projeto e DM) A amostra é um subconjunto.4. Segundo Gil (1999).3 Método de pesquisa (Proposta.Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N). o erro máximo permitido e a percentagem com que o fenômeno ocorre. 4. Projeto e DM) Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do problema de pesquisa. de acordo com a população estudada (N). no qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo estatístico desejado. Levando esse raciocínio ao extremo. a quantidade de elementos (n) que deverá conter uma amostra. de acordo com os conceitos apresentados na UD II deste Manual.4. o nível de confiança estabelecido.

. deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a abordagem e o raciocínio que se pretende empreender.Resumo dos principais métodos de pesquisa científica. ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. Projeto e DM) A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza. quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos técnicos. Pesquisa Classificação De Abordagem (lógicos) Método De Procedimentos (técnicos) Modalidade Dedutivo Indutivo Hipotético-dedutivo Dialético Fenomenológico Comparativo Histórico Estudo de caso Estatístico Quadro 7 .4.4 Tipo de pesquisa (Proposta. sua opção pelo (s) tipo (s) de pesquisa(s) adotado(s). antes de escolher um método. de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual. portanto. Pesquisa Classificação Quanto à natureza Quanto à forma de abordagem Quanto ao objetivo geral Tipo Quanto aos procedimentos técnicos Modalidade Básica (Pura) Aplicada Quantitativa Qualitativa Exploratória Descritiva Explicativa Bibliográfica Documental Experimental Levantamento (de campo) Estudo de caso Ex-post facto Pesquisa-ação Pesquisa participante 73 Quadro 8 . obrigatoriamente. O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica. Nesta subseção o pesquisador deve justificar. O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica. 4.Resumo dos principais tipos de pesquisa científica. à forma de abordagem.Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a adequação do método de pesquisa utilizado.

5. enunciados de políticas governamentais.4.) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do fenômeno. e-mail. Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G). sendo utilizada durante a revisão de literatura. observação. c) anexar à descrição do material. e se for o caso. análise de conteúdo e escalas para medir atitudes.1 Coleta documental A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de pesquisa. entrevista.Resumo das principais técnicas de pesquisa científica.. 4. e d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos. tais como: coleta documental. na UD III deste Manual). Projeto e DM) As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado.. 74 . Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais (reportagens. b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo. O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa científica. na construção do Referencial Teórico. seguindo a seguinte ordem: a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha. Pesquisa Classificação Modalidade Coleta documental Questionário/Formulário Entrevista Observação Análise de conteúdo Escalas para medir atitudes Técnica Quanto à obtenção de dados Quadro 9 . questionário/formulário.4. editoriais.5 Técnica de Pesquisa (Proposta. notas (comentários) sobre a natureza e a fonte de cada documento. etc. discursos. cartas. Segundo Martins e Lintz (2000) existem diversos instrumentos de medida. durante a etapa de coleta de dados (vide pesquisa bibliográfica e pesquisa documental.4.

Cite abaixo todos os aspectos que o senhor puder lembrar sobre este assunto: ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta.5. o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. 75 . em função do problema e dos objetivos de estudo. esta técnica recebe o nome de formulário).: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão “memória” da variável “desempenho cognitivo”. devendo ser respondido por escrito sem a necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário. permitindo um fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados. o material continuará bruto e não permitirá ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão. portanto. formulou-se uma pergunta aberta conforme o quadro 10: Pergunta 8. porém apresenta a grande vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento do informante acerca do que foi questionado.2 Questionário Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou descrever. pois dificultam o processo de tabulação. porém apresentam alguns inconvenientes.4.) 4.5. Possibilitam investigações mais precisas e profundas.5. Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas abertas.4. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos relativos à segurança na posição e no deslocamento. sendo necessário o estabelecimento de critérios para a codificação de respostas similares.A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material. cansativa e demorada. a utilização dos princípios da análise de conteúdo (conforme o item 4. complexa. Sua análise é difícil. fechadas e/ou mistas. Ex. Mesmo após esta organização. usando linguagem própria. sendo necessário. As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder livremente.

( ) Concordo b. tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.( ) Não Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica Pergunta x (aos especialistas). podem ser formuladas diferentes tipos de perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo: Pergunta 1 (aos testados). As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de respostas disponíveis para o informante. conforme o quadro 11: Pergunta Dicotômicas Tricotômicas Quanto às respostas Admitem somente duas respostas Admitem três respostas Exemplo ) Sim ) Não ) Sim ) Não sei ) Não ) Excelente ) Muito Bom ) Bom ) Regular ) Insuficiente Múltipla escolha Apresentam uma série de possíveis respostas Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas. Este tipo de pergunta facilita sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da variável “desempenho cognitivo”. ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( Ex. Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por noite”: a.( ) Discordo Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica 76 . o senhor sentiu sono? a. Durante a execução da tarefa.( ) Não concordo nem discordo c.As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a pergunta através de respostas pré-definidas.( ) Sim b. embora restrinja a liberdade das respostas.

( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas. Com relação ao tempo mínimo de sono necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em operações militares continuadas com 7 dias de duração. Conforme o Exemplo abaixo: Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da variável “desempenho cognitivo”.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas c.( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas b.( ) Foi impossível permanecer atento Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha Pergunta X (aos especialistas).( ) Permaneci o tempo todo atento b. conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida para os outros indicadores apresentados no quadro 5): 77 . além da resposta fechada padrão.Pergunta 1 (aos testados). o senhor recomendaria: a.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas e. Durante a execução da tarefa. o senhor pode afirmar : a. formulou-se uma pergunta mista que pretendia medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de alerta. contribuição ou parecer do informante.( ) Tive pequenos lapsos de atenção c. Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa. Esta forma de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma manifestação/complemento por parte do informante.( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas d.( ) Tive grandes lapsos de atenção d.

78 . concretas e precisas. se assim desejar. eu praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono g. b) permitir ao questionado complementar sua resposta. eu tive grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta f.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção. Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário. é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua elaboração: a) redigir perguntas preferencialmente fechadas. eu tive pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta d. Durante a execução da tarefa. e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise de dados. Todavia.( ) A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção. c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis. f) elaborar perguntas claras.Pergunta 1. eu tive mínima dificuldade em permanecer alerta c.( ) A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção. eu tive lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção.( ) e. d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema.( ) b.( ) A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção. eu praticamente não consegui permanecer acordado O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue interessante. o senhor pode afirmar que a privação de sono prejudicou seu desempenho em que nível: a. ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ . eu estava totalmente alerta A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção.

4.4. contudo. o pesquisador deve planejar a entrevista. ampliando.5. conservando.g) elaborar perguntas que não induzam às respostas. isto permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não tenham sido bem entendidas/estruturadas. e c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro). Deve ainda. Seu objetivo básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e situações. o pesquisador busca obter informações. b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa). i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável. eliminando itens. Verificadas as falhas. explicando melhor alguns ou modificando a redação de outros. 79 . deve-se reformular o questionário. Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente definido as entrevistas são denominadas estruturadas. manifestar suas opiniões. em que uma delas formula questões e a outra responde. sem. e assim obter indicadores de consistência para os resultados colhidos O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste. que lhe permita responder as perguntas.3 Entrevistas A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas. delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado. buscando algum conhecimento prévio sobre o entrevistado. modificando. Contrariamente. dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva. "face a face". Segundo Martins e Lintz (2000). através das entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas. h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e informação. atentando para os itens que o entrevistado deseja esclarecer. O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos: a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos resultados). e que evitem penetrar na intimidade das pessoas. com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.

previamente. Para que a observação seja quantificável. De acordo com Martins e Lintz (2000). pois seu objeto de estudo. tradicionalmente. pois. sob este aspecto. o pesquisador precisará da permissão dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com elementos que avaliam. A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um objetivo formulado de pesquisa. é sistematicamente planejada. do contrário. a observação é classificada. e registrando os dados e as informações durante a entrevista. A observação é o exame minucioso. Vale destacar que ela é também quantificável. e o seu registro.5. como um método qualitativo de investigação. da direção que lhe for dada na pesquisa. estando na dependência. sob algum aspecto. não se consegue 80 . bem como o objetivo da pesquisa que a utiliza. obtendo a confiança do entrevistado. pois ela tanto pode conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de forma independente e/ou exclusiva. dentre as quais: saber o que observar e como quantificar. 4. imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica. há momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela forma de observação. é submetida a verificações e a controles de validade e precisão. evitando divagações. é a captação clara do objeto examinado. registrada e ligada a proposições mais gerais e. Portanto. determina seu tipo e sua metodologia. um olhar preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes. inspecionam e supervisionam atividades. ouvindo mais do que falando. mas também estabelecer.4 Observação A técnica de observação é um instrumento de medida. o preparo do seu desenvolvimento. a observação apresenta muitas nuances em face de sua flexibilidade. Segundo Richardson (1999).criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista. Segundo ele. não se deve apenas olhar e ver o fenômeno objeto de estudo. em vez de ser apresentada como conjunto de curiosidades interessantes. Seu principal problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. o desempenho de seu emprego. Estar consciente do que se deseja levantar é básico. algumas condições para seu desenvolvimento.4.

sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico. e projeções psicológicas que são características próprias do senso comum. da ciência. A análise de conteúdo pode ser aplicada virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa. auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões. procurar-lhes o sentido.5. conversas. distanciada. A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza. regulamentos. p. reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das idéias principais. 4. profundidade e singularidade das descrições obtidas. o tema. descrever tendências no conteúdo das comunicações. comparar. Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser observadas. tampouco elementos que permitam análises e reflexões coerentes. a frase. rádio. especulativo. Buscam-se inferências confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto. avaliar. a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental). sob o risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e. discursos.5 Análise de conteúdo A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as variáveis de maneira objetiva. poemas.4. Para eles. pode desvendar as ideologias dos dispositivos legais. geralmente. das palavras e frases que o compõem. c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra. sistemática e quantitativa. O pesquisador deve ter cuidado com as impressões. captar-lhes as intenções. b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado. livros. 214). 1999. a personalidade de alguém. 81 . descartar o acessório. portanto. vagas sensações. avaliando seus escritos. esse é o grande desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas. O pesquisador pode analisar. etc. por exemplo. a partir dos discursos escritos e orais de seus autores. cartas. ou avaliar as intenções. os símbolos. pela análise dos conteúdos das mensagens. ou determinados objetivos etc (LAVILLE.ganhar a confiança. televisão etc.

sendo descrito.d) agrupar as unidades segundo algum critério.4. Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências. conforme o item 4. ser classificado como otimista ou pessimista. liberal ou conservador. revisar o significado e a definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida operacionalmente. Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados. por exemplo.6 Instrumentos (Projeto e DM) Segundo Richardson (1999). existem alguns procedimentos que devem ser observados para a construção de um instrumento de medida. bem como. O instrumento (questionário. “para que” servirá cada item/fase do instrumento. entrevista. e) definir as categorias ou unidades de medida.1). Segundo Martins e Lintz (2000). O pesquisador deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever. e f) proceder o tratamento estatístico conveniente. os conteúdos manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação.6. e c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados. Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações. ao iniciar um trabalho de pesquisa o pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo. o pesquisador deve: a) definir como as variáveis serão medidas. Em outras palavras. detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado.. a análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico adequado para a construção e embasamento das categorias de análises. Através de interpretação inferencial dos quadros de referência.) deve ser apresentado em apêndices ao relatório final.. a que indicador das dimensões das variáveis está relacionado. 82 .4. As categorias devem ser exaustivas e mutuamente excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes. 4. Um discurso pode. b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s). ou descritas.

a partir deste objeto e desta afirmação. questionários e formulários. destacam-se a direção (positiva ou negativa) e intensidade (alta ou baixa). Elas possuem diversas a propriedades.6. em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está sendo avaliada.1. existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação dos questionamentos. 4.6. Consiste em um conjunto de itens apresentados em forma de afirmações. o sujeito obtém uma pontuação para cada item. associa-se um valor numérico. a escala de importância e a escala de avaliação. escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. solicita-se que as pessoas externem suas reações. 83 . 4.1 Escalas para medir atitudes As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição aprendida pelo sujeito para responder consistentemente. A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao objeto. símbolo ou situação que lhe é apresentada. de maneira favorável ou desfavorável. As atitudes são indicadores de condutas. Assim.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável.4. ante os quais se pede aos sujeitos que externem suas reações. O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável. A cada ponto. provavelmente eu não participarei de bailes carnavalescos.1 Escalonamento tipo Likert O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis Likert no início dos anos trinta. e tais propriedades constituem o objeto das medições. Ex.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”.Particularmente em relação às entrevistas. acerca de um objeto ou representação simbólica.4. ou juízos. ou desfavorável. são as escalas para medir atitudes. Ex. entre elas. o diferencial semântico. Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o escalonamento tipo Likert.

Segundo Martins e Lintz (2000). Uma pontuação é considerada alta. A primeira é auto-administrada. nem discordo discordo discordo totalmente Escala de afirmação sim provavelmente sim indeciso provavelmente não definitivamente não ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável (negativa). ou baixa. nem discordo discordo discordo totalmente Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros valores observando. as atitudes favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta. Afirmações 1 2 3 4 5 5 4 3 2 1 O serviço militar é um dever de todo o cidadão! concordo totalmente concordo nem concordo. nem discordo discordo discordo totalmente Não deve haver serviço militar obrigatório! concordo totalmente concordo nem concordo. indicam o quanto se está de acordo com a afirmação correspondente. enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez. Comumente. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala. Podem ser utilizadas muitas variações da escala tipo Likert.As alternativas de respostas. ou afirmações. o sentido das afirmações. entrega-se a escala 84 . a pontuação mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta. é claro. Nesse caso. ou seja. Escala de concordância concordo totalmente concordo nem concordo. quando as afirmações são positivas. segundo o número de itens. pontos da escala. utilizam-se os valores em ordem decrescente de um a cinco pontos O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e negativas. existem duas formas básicas para aplicar uma escala tipo Likert. A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de respostas. Se uma escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco.

com um conjunto de respondentes. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1).1. 4. A apuração da atitude favorável. ante a qual solicita-se a reação do respondente.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar.4. potência ou atividade. é semelhante à utilizada na escala Likert.ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou resposta. ou desfavorável. a fim de se proceder às correções e ajustes necessários. somando-se os pontos de cada par de adjetivos. a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado. Suci e Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado conceito. O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos inerentes ao Serviço Militar Obrigatório. em que o entrevistador lê as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. Isto é. Ex. 85 . é preciso realizar algumas sessões de pré – teste.6. indicadores de valorização. Conceito favorável justo barato seguro útil responsável educa +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável injusto caro perigoso inútil irresponsável deseduca Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico. consiste em uma série de adjetivos extremos que qualificam um objeto de atitude. será preciso realizar algumas sessões de pré–teste. Atualmente. Para chegar à versão final de uma escala de diferencial semântico. A segunda maneira é a entrevista ou formulário. Para se chegar à versão final de uma escala Likert. ou piloto.2 Diferencial semântico A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood. o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos bipolares. porém. os entrevistados deveriam colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a um.

4.4.6.1.3 Escala de importância A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes. Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao mesmo padrão de pontuação. Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser levantadas as opções apresentadas no quadro 20. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Escala de importância Extremamente importante Muito importante Importante Pouco importante Sem importância 5 4 3 2 1 Pontuação Extremamente importante Muito importante Importante Pouco importante Sem importância

Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia algum atributo. Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Escala de avaliação Excelente Muito bom Bom Regular Insuficiente 5 4 3 2 1 Pontuação Excelente Muito bom Bom Regular Insuficiente

Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o 86

instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste (estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da amostra ou população (n=30), com a intenção de: a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões; b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”). Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas. Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento, tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar. A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado), aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento. Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população. Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa. Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes". 87

Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de variáveis quantitativas e vice-versa). Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis. Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis e das situações. Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da investigação. 4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM) Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos, etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85). 5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa) O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão referese às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de Pesquisa). 88

O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do projeto. 5.1 PLANILHA DE CUSTOS A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência, telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável. 5.2 CRONOGRAMA O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal, trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário. 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM) Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação. 89

1 Categorização dos dados Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas. Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados. é natural que se utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e cálculos estatísticos. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prendese unicamente aos dados. 5. v.1) uma vez que permitem um fácil e rápido acesso à informação. 441): a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de classificação (favorável/neutro/desfavorável. assim definidas por Selltiz et al. é possível afirmar que. quadros e gráficos.1. tabelas. em boa parte das pesquisas sociais. 5. com o advento da informática. p. E/MB/B/R/I. grau de escolaridade. são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos resultados: a) categorização dos dados. podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os resultados da pesquisa. facilitando a análise dos resultados. b) codificação dos dados. Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento de pesquisa). 90 . devem atender a algumas regras básicas.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos (vide o Cap 2 do Manual de Estatística. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias. faz-se necessário organizá-las. procura um sentido mais amplo dos resultados através da interpretação dos dados. (1967. A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de apresentação e análise. ao passo que na análise. Atualmente.A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente relacionados. e c) tabulação dos dados. será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos.

permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um pequeno número de categorias. A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são constituídos por perguntas fechadas. 91 . a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados. como aparece quadro 22. Pode ser feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados.). a forma mais prática de proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente.2 Codificação dos dados De acordo com Gil (1999). Segundo Gil (1999).etc.. cujas alternativas são associadas a códigos impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da técnica da observação sistemática. Escolaridade Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados.1. Idade: de 18 a 20 anos de 21 a 23 anos mais de 23 anos ( )03 ( )04 ( )05 Código Item ( )01 ( )02 Categoria Nunca foi à escola 1º grau incompleto 1º grau completo 2º grau incompleto 2º grau completo Superior incompleto Superior completo Código ( )06 ( )07 ( )08 ( )09 ( )10 ( )11 ( )12 1. 5. b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas as repostas). e c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria). A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da categoria a que pertence o dado a ser tabulado.. Sexo: 3. Item Categoria Masculino Feminino 2.

” N 8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo.1 Tabulação de perguntas fechadas Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16).3 Tabulação dos dados A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias categorias de análise.” F 4 “Penso que deveria ser voluntário. pois atrapalha os estudos.” F 7 ”Tem seus prós e contras. acho válido. é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo: 92 . pois não servi. só ocupa o tempo do cidadão.Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório: Nr Respostas dos informantes: Código 1 “Penso que não serve pra nada. A tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente em dois ou mais conjuntos de categorias.” F 6 ”Lá se aprende a ser cidadão. não soube responder ou respondeu outra coisa.1.” D 2 “Não tenho nada a dizer.3. Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.” F F 4 N 1 TOTAIS D 2 O 1 Código F N D O Descrição Parecer favorável Parecer neutro Parecer desfavorável Não respondeu. LEGENDA 5. aplicada a 90 cadetes (30 de cada pelotão). A tabulação pode ser simples ou cruzada.1.” O 3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade.” D 5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina. 5. A tabulação simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto.

2 Tabulação de perguntas abertas No caso das perguntas abertas.33 12 40. desfavoráveis ou neutras). Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção 16 14 12 10 8 6 4 2 0 15 12 10 5 00 a 00 b 1 2 3 10 7 4 0 c d e 4 2 0 f 0 g 0 Pel A Pel B Pel C 15 Respostas à pergunta 1 Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.00 10 33. deve-se estabelecer uma forma de agrupar as respostas.99 30 100.00 30 100.00 10 33.00 0 0. poder-se-ia estabelecer um gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e segurança no deslocamento (de 4 a 6). para a obtenção de uma média de acertos 93 . Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das categorias das variáveis de estudo.33 0 0. 5.33 0 0. escala.00 0 0.67 d 3 10. * de acordo com a pergunta 01 (quadro 16) Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.33 2 6.00 15 50.00 g 7 23.33 b 0 0.Tabela 2 . para que seja possível quantificar as respostas obtidas pelo instrumento adotado. Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10).00 f 15 50. ou categorias de respostas (favoráveis.33 2 6.00 c 1 3.00 4 13.00 e 4 13.3.67 5 16. de acordo com um gabarito.67 0 0.00 Total 30 99.Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³ f % f % f % a 0 0.: A pontuação máxima de possível ³ sono normal (07hs de sono) Respostas* é 6X30 = 180 itens.1. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.00 Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono) Fonte: os autores deste Manual ² privação parcial de sono (02hs de sono) Obs.00 0 0.

67 Total Média 106 58. Tabela 3 . possibilitando uma comparação intergrupos dos efeitos da privação de sobre a memória.67 6 19 63.67 25 83.67 25 83. Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³ f % f % f % 1 18 60.dos estagiários de cada pelotão. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de um raciocínio lógico que embasará as conclusões. à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da hipótese de estudo.67 160 88.67 23 76.33 28 93.33 2 18 60.33 30 100.89 138 76.33 3 17 56.00 23 76. * de acordo com a pergunta 08 (quadro 10) ² privação parcial de sono (02hs de sono) ³ sono normal (07hs de sono) A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3: Itens memorizados após a ordem à patrulha 35 30 25 20 15 10 5 0 1 2 3 4 5 6 Itens a serem memorizados 18 25 28 23 18 30 25 17 23 25 18 26 16 18 23 19 23 29 Pel A Pel B Pel C Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.Itens memorizados após a ordem a patrulha. uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos dados coletados.00 5 16 53. 5.67 29 96.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise estatística.00 25 83.33 23 76.33 4 18 60. conforme a tabela 3.00 23 76.33 18 60.: A pontuação máxima de possível é 6X30 = 180 itens. 94 .89 Fonte: os autores deste Manual Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono) Itens verificados* Obs.00 26 13.

mediana e moda) e em relação a outras variáveis. A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de estatística. ou não. É necessário verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou uma variável independente). e.2. a avaliação das generalizações obtidas com os dados em pesquisas sociais.2 Avaliação das generalizações Segundo Gil (1999). existem vários testes estatísticos capazes de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística). na maioria dos casos refere-se a amostras. procede-se à sua análise estatística. mas o interesse dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi selecionada a amostra. Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas. entre as características de determinada variável. deve-se passar à sua descrição que.2. é feita para atender a objetivos como: a) caracterizar o que é típico no grupo. c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência central (média. Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa. e d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas.5. para isto.1 Análise estatística Após a tabulação dos dados. Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas amostras tenham sido devidas ao acaso. Segundo ele. foram criadas várias técnicas estatísticas 95 . Esta deve ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística). 5. para tratar as questões desta natureza procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças reais entre as populações representadas pelas amostras. geralmente. que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa. somente descrever estas diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese. b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo.

para que a interpretação não comprometa a pesquisa. Existe uma grande variedade de testes de significância. em pesquisa social. Em resumo. A análise deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e confrontar dados e provas. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio do tipo de distribuição. do nível de mensuração alcançado e do formato das tabelas. O que se diz a respeito da interpretação. as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de adequação à realidade. que devem tomar os pesquisadores. lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos materiais”. é possível se verificar que por trás dos dados existe uma série complexa de observações. não existem normas que indiquem os procedimentos a serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações acerca dos cuidados.3 Interpretação dos dados Segundo Gil (1999). refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria. Goode e Hatt (1969). Dizem que. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística (uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de Estatística). um grupo de suposições sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições sobre a atuação de cada grupo. 96 .2. deve-se procurar. Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não paramétricos. analisar os dados obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. mediante uma teoria. Gil (1999). o que pode servir para inibir a realização de investigações apropriadas. 5. a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s). quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de comprovação. Mas. diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias suficientemente confirmadas. sempre que possível. enfatizam a importância da teoria para o estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre proposições.conhecidas como testes de significância.

de forma clara e ordenada. e não é recomendável a apresentação de descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados comprometidos e/ou passíveis de novas discussões. mas o que são). ao concluir. c) sintetizar os resultados. de ordem prática. relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses. de intervenções na natureza ou na sociedade. O pesquisador deve incluir. A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a apresentação e a análise dos resultados. e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. lembrando sumariamente o problema inicial. b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles fossem. Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações. f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas. as intenções da pesquisa e o trabalho realizado. conforme listado abaixo: a) relembrar o objetivo geral da pesquisa. as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo da discussão em torno do assunto.6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM) Segundo Laville (1999). d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram confirmadas ou rejeitadas. procurando explicá-los e interpretá-los de acordo com a teoria. para se redigir as conclusões e recomendações. o pesquisador deve voltar ao início da pesquisa. para futuras pesquisas. é adequado sumariar alguns procedimentos que devem ser observados ao escrever. e/ou g) sugerir. Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas. de acordo com as 97 . assuntos ou tópicos relacionados que deixaram de ser investigados. Não devem ser apresentadas idéias novas que não constem do desenvolvimento. destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a necessidade de novas verificações. Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a seguir.

elementos textuais e elementos pós-textuais. consistem na apresentação de idéias (propostas). Contudo.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados. Foi definido neste manual. as sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa. ou seja. A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um documento denominado dissertação. Desta forma. São ações propostas que podem ser utilizadas no futuro. É importante reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa.conclusões da pesquisa”. Este documento deve seguir as normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais. inclusive levantando novas hipóteses. As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações. julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. 98 . 4. é necessário preocupar-se com a sua apresentação formal. obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso. Os aspectos relativos à estrutura do texto. apresentam idéias para a realização de novos estudos. Não são obrigatórias e. um esquema de dissertação capaz de abranger a maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. uma estrutura viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação está esquematizada no Anexo B. Por sua vez. devem ser escritas somente se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem minimizar as causas do problema. Como as pesquisas diferem entre si. é possível definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente aparecem nos projetos de pesquisa. não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. ou seja. auxiliando o aprimoramento de novos estudos sobre o tema. ao estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo pesquisador no momento da redação. abrindo caminho a outros pesquisadores”. logo.

passo a passo.1 Quanto ao Estilo de Redação Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a “comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor. se necessário. com a qual os escritores escrevem com o coração. busca-se a criatividade e a imaginação do autor. convencendo os leitores com base em provas. a neutralidade sem posicionamentos subjetivos. Segundo Barrass (1991). o pesquisador trata o tema como quem está de fora. A obra científica também deve atrair o leitor. mantendo um saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular. ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário. chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica. elegância e originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas características prevalecendo a clareza. refazê-los. de um texto literário. ou “cabe concluir”. ou “é lícito supor que” utilizando-se assim. Na literatura. Em textos técnicos. entre o rigor científico e o bom senso. ideológicos ou éticos. e a linguagem científica. busca-se a objetividade. espera-se brilho. a correção e a sobriedade. Segundo Viegas (1999). Convém escrever “conclui-se”. descrevendo o que se passa. Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. Cobram-se atitudes éticas valorativas e engajamento político. A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. essenciais ou acidentais. a fidelidade ao fato. O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e acessível capaz de prender a atenção do leitor. com verbos impessoais. a descrição. o pesquisador deve seguir um caminho árduo.4. a isenção do autor. só serão aceitas idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar. pois. mas o faz pela clareza da argumentação e pelo 99 . Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da imaginação do leitor.4. mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática. Na redação científica. logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e a partícula apassivadora se. cartesianamente. com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade. e com a voz passiva. Todavia. acadêmico ou leigo. apoiando-se em verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas. a linguagem impessoal. Em português. e. é preciso observar as diferenças entre a linguagem literária.

as normas e as orientações constantes das Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e observadas. e de trabalho para trabalho. f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos e advérbios que não explicitem exatamente o tempo. d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir. tabelas e figuras. sem expressões com duplo sentido. b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em considerações e opiniões pessoais. evitando palavras supérfluas. as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e ordenada. por exemplo. as citações. o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador. antigamente.4. utilizando-se vocabulário sem verbosidade. repetições e detalhes prolixos. 100 . As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). contendo uma única idéia que envolva completamente a frase. lentamente. medições e análises. Em resumo. que foram detalhados no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO. deverão ser consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação gráfica do texto. porém. Da mesma forma. bem como os elementos pré-textuais. 4. e) indicar com precisão como. quando e onde os dados foram obtidos. provavelmente. é possível identificar algumas características comuns que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica: a) o texto deve ser escrito em linguagem direta. expostas com poucas palavras. partindo de frases simples. o modo e o lugar como. em especial no que se refere a registros de observações. os advérbios recentemente. textuais e pós-textuais. e g) por fim. a paginação. a organização das partes e titulações. a disposição do texto em si. notas de rodapé. para não originar interpretações diversas. referências.conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio. evitando-se que a seqüência seja desviada com considerações.2 Considerações finais Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação. c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade. também expressas no manual citado.

5 JUSTIFICATIVA 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.2 AS ETAPAS DA PESQUISA 5.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 1 INTRODUÇÃO 5.1 TEMA 2.3 A ESTRUTURA DO TCC 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.2 PROBLEMA 2.4 OBJETIVOS 2.4 MONTAGEM DO TCC 101 .6 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa) 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES 5.

e Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação. o orientador. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase. e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado. Tais providências têm por finalidade traduzir um perfeito sincronismo. o programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas: Escolha do tema. e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e aprovada antes de ser realizada. visando atender os interesses do postulante e da Escola. que são 102 . Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa.5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5. que o TCC é o relatório final de uma pesquisa científica. bem como economizar tempo e recursos preciosos. e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados. as análises e as conclusões acerca do que foi pesquisado.2 AS ETAPAS DA PESQUISA O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas. Depósito do TCC. e. 5. não será difícil perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de Pesquisa. e entre ambos e a linha de pesquisa à qual estão vinculados.1 INTRODUÇÃO O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14724:2002. neste momento. Para que o postulante. devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C). entre o postulante e o seu orientador. É importante compreender. Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação da EsAO. apresentando ainda os resultados. Apresentação do Projeto de Pesquisa.

cujos elementos constitutivos formam as seções do relatório final da pesquisa científica (o TCC).Cronograma . A partir daí.Questões de estudo . com o objetivo de colher subsídios que permitam formular uma possível solução para o problema. dos 103 . Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que envolve o seu tema. e uma série de raciocínios lógicos.Objetivos . Na seqüência. o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª Etapa).Contribuição .Justificativa . é formulada uma pergunta de partida (1ª Etapa). Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo.Planilha de custos A exploração do problema Revisão de literatura Entrevistas exploratórias Pesquisa Bibliográfica Pesquisa Documental Pesquisa de Campo (sfc) 4ª Etapa Conceitos e Métodos Referencial Operativo* Seção 3 Apresentação e Análise dos Resultados Seção 4 Conclusões 5ª Etapa Conclusões e Recomendações (Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso) Redação do relatório de pesquisa ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO (fase presencial do CAO) * O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa A pesquisa se inicia com a definição do tema. por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e de entrevistas exploratórias.Tema .Visão geral .traduzidas em referenciais. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO AS 5 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 1ª Etapa 3ª Etapa 2ª Etapa SEÇÕES DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Seção 1 Seção 2 Pergunta de partida Introdução .Problema . procurando destacar os aspectos do tema que serão abordados na pesquisa.

o Problema. serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que compõem a estrutura final do TCC. de forma a fornecerem subsídios que permitam alcançar as respostas às questões de estudo. Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões: a. que pode ser de natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa). a pergunta de partida deve ser reformulada. prosseguindo no estudo. Apresentação e Análise de Dados. onde todo o trabalho deve ser organizado e formatado de acordo com as Normas da ABNT. a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto. ao lado do título de cada seção. na qual os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de Apresentação e Análise dos Resultados. e permitindo ao pesquisador organizar logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão. 5. os Objetivos. os principais aspectos verificados durante a pesquisa. das justificativas (“porquês”) para se empreender um estudo científico. quando o autor deve apresentar. as Questões de Estudo. a pergunta de partida está bem elaborada. na seção Conclusões e Recomendações. Encerrando o processo de elaboração do TCC. executando-se a sua impressão e a entrega à Comissão de Avaliação. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que 104 . respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa. Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o problema. as Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e Métodos. sendo referenciadas. é realizada a Redação do Relatório de Pesquisa (5ª Etapa).objetivos a serem atingidos.3 A ESTRUTURA DO TCC A seguir. e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. Esta etapa também pode ser chamada Coleta. no Projeto de Pesquisa ou no TCC. cumprindo os objetivos traçados na seção Conceitos e Métodos. o Tema. Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das Conclusões (4ª Etapa). ou b. Depois de reunidos. deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita.

deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens referenciados.
1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão panorâmica acerca do assunto pesquisado. Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e

desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial, que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.
2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo, o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área específica do conhecimento em questão. 2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC) Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja

estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em 105

função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos interesses acadêmicos. O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta bibliográfica. Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que pretendo abordar?” A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida. Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano; b) na vida profissional; c) em programas de pesquisa; d) em contato e/ou relacionamento com especialistas; e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e f) no estudo da literatura especializada.

A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido (para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”). 2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC) Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

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Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados “pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração

das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas), mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico. Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).

A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias (sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um reinício da pesquisa.

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além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na UD IV. Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado. Ainda que a definição do problema seja clara. tratadas no item 2. a pergunta inicial transforma-se em problema científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte para os antecedentes do problema). precisa e concisa. aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação. a quem está dirigida. e os limites. definindo a exclusividade da pesquisa. especificada e reduzida de modo a permitir sua realização. A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que não serão abordadas. 108 . o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.2. relatando os aspectos do problema que foram incluídos. 2. Nesta fase da pesquisa.3.2 Formulação do Problema (Projeto e TCC) A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser escrito na forma interrogativa. são as chamadas questões de estudo. Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. ou seja. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo. a partir da página 53). faz-se necessário especificar o alcance da investigação. torna-se necessário questionar-se acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa. e o campo de ação que não foi possível abarcar.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC) A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço. Duas limitações são: o tamanho da amostra e a duração do estudo.2.2. Desta forma. A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa.

com relação ao domínio de conhecimentos necessários. ainda desconhecido e muitas vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV). poderiam ser elaboradas as seguintes questões de estudo: a) como ocorre o processo de envelhecimento? b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento? c) como ocorre o processo de formação do stress? d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo? e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório? f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento? 109 . o que é fundamental para se chegar a uma solução para o mesmo.: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM. Em síntese. Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. Quando solucionadas. Um objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar. 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta. e da existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a realização da pesquisa. uma questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar.”. cada questão de estudo fornecerá uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e solução do problema.A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do pesquisador. A adoção das questões de estudo se dá em substituição ao processo de formulação de hipóteses. Ex. Projeto e TCC) As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho que leve ao melhor conhecimento acerca do problema. as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução do problema de pesquisa.

110 . delimitam e decompõem a trajetória a ser seguida em objetivos específicos de pesquisa. O objetivo geral deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV. faz-se necessário construir um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. Para as questões de estudo descritas no item 2. Projeto e TCC) Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como problema de investigação. Isto é feito por meio de metas intermediárias que redefinem. por sua vez. Estes. pretendem buscar a solução para cada uma das questões de estudo. ou seja. isto é.1 Objetivo Geral (Proposta.2. a partir da página 60). Se o objetivo geral indica uma direção a seguir. 2. referindo-se às características que podem ser observadas e ou mensuradas. das quais depende a consumação do objetivo final.4 OBJETIVO (Proposta.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM) Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e representam as metas a serem seguidas. nos termos mais claros possíveis. 2. o que será obtido em cada passo da pesquisa. Projeto e TCC) Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o estudo.4. esclarecem.3.4. indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral de pesquisa. e conseqüentemente do problema de pesquisa como um todo. poder-se-ia enunciar o objetivo geral de estudo da seguinte forma: Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM. Os objetivos específicos procuram descrever. sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa.

g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório. e h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. processo de formação do stress.5 JUSTIFICATIVA (Proposta.Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM”. d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento. c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento. 2. desempenho cognitivo. Projeto e TCC) Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa. b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento físico. alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento. Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos. psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. e) descrever como ocorre o processo de formação do stress. listaremos a seguir alguns exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de estudo: a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais conceitos relativos ao processo de envelhecimento. f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo. procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a 111 . é possível verificar sua estreita relação com as questões de estudo. e processo decisório (verifique a correlação com as questões de estudo).

o pesquisador deve perguntar-se: O tema é relevante? Procurando responder por quê.sua importância relativa.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta. Para tanto. Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir para o conhecimento de problemas significativos. o pesquisador deve perguntar-se: Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar? A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo? Quem será o real beneficiário da investigação? 112 . a importância de uma investigação está na sua originalidade. e nos seus resultados. É a parte onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. Uma pesquisa é relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento. Para tanto. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a serventia dos resultados a serem colhidos. Em outras palavras. uma vez concluída. a realização de uma pesquisa para que se possa equacionar uma solução para o mesmo. que a problemática exposta merece uma solução. Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da elaboração da proposta e. Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta? Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo? 2. isto é. O investigador deve estabelecer. do projeto de dissertação . A existência de um problema é o que justifica. Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. na medida que o faz avançar. convincentemente. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da necessidade e da relevância da pesquisa proposta. academicamente. conseqüentemente. Projeto e TCC) Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da investigação.

ao passo que na análise.sfc).). e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa. embora não obrigatório. A estrutura abaixo representa ma das possíveis organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as questões de estudo apresentadas na subseção 2. Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso autêntico. e podem ser apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias. É comum. . Alguns autores ressaltam que. a utilização de conclusões parciais ao longo das seções de apresentação e análise dos resultados. fornecendo o embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa. neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES” receberia o número 11. Os dados fornecem informações a respeito das questões de estudo.3. coerente e lógico. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa) Este referencial está descrito na UD IV página 88.3: 3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO 4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO 5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS 7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO 8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO 9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR 10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS Obs. 4. procura um sentido mais amplo. Este procedimento facilita a leitura do trabalho. A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente relacionados.. o pesquisador prende-se unicamente aos dados. na apresentação.. 5. 113 . 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC) Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2 CONCEITOS E MÉTODOS (3.

Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) apareçam na conclusão. que deixaram de ser investigados. as conclusões podem ser subdivididas em várias subseções. tampouco resultados comprometidos e passíveis de novas discussões. tendo em vista manter a objetividade e a clareza. como gerarem erros em virtude de generalização precipitada do pesquisador. de forma clara e ordenada. Não são obrigatórias e. Dependendo da extensão. o que fatalmente compromete os resultados da investigação. explicitar se os objetivos foram atingidos. As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações. para servirem de base para as pesquisas futuras. O pesquisador deve incluir. se as questões de estudo foram respondidas e se o problema de estudo foi resolvido. As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento. as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo da discussão em torno do assunto. Este documento deve seguir as 114 . A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a apresentação e análise dos resultados.4 MONTAGEM DO TCC A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento denominado Trabalho de Conclusão de Curso. Um dos cuidados que se deve ter. 5. sugerir assuntos relacionados. São ações propostas que podem ser utilizadas no futuro. ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. diz respeito à extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. somente devem ser escritas se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem minimizar as causas do problema. e/ou ainda. julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. Estes tanto podem ser verdadeiros.4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC) Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa.

textuais e pós-textuais. tabelas e figuras.4. que foram detalhados no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO. bem como os elementos pré-textuais. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa. deverão ser consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação gráfica do texto. referências.4. as normas e as orientações constantes das Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e observadas. Da mesma forma. deve-se observar as recomendações constantes da subseção “4. Com relação ao estilo de redação.1 Considerações finais Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação. a organização das partes e titulações. Uma estrutura viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no Apêndice D. 115 .normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais. 5. também expressas no manual citado. os elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós- textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). as citações. notas de rodapé. a disposição do texto em si.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da página 99. a paginação. Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os relatórios finais. As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

116 .

A. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro: Unitec. São Paulo: Prentice Hall. NBR14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos . Neide A de S. Introdução à metodologia da ciência. ____.Pesquisa e construção de conhecimento. DENCKER.da S. 1998. São Paulo: Atlas. 2002. Introdução à metodologia do trabalho científico. de. FACHIN. São Paulo: Harbra. Método Científico: Os caminhos da investigação. 2001. Rio de Janeiro. M. 117 . C.apresentação. 1997. São Paulo: Futura. M. Amado L. P. COSTA.. 2001. F. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa. G. BERVIAN. VIÁ. CERVO. Pesquisa empírica em ciências humanas. M. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. São Paulo: Atlas. Ada de F. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. da. DEMO. COSTA. LEHFELD. 2000. Rio de Janeiro. 1996.REFERÊNCIAS ANDRADE. S. Sérgio F. 1997. BARROS. São Paulo: Makron. P. 2002. A. 1996. Aidil J. Metodologia científica. O. Fundamentos de metodologia. Fundamentos de metodologia científica.

Petrópolis: Vozes. ____. São Paulo: Nacional.N. 2000. M. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento conceitual. 1979. Manual para elaboração de monografias e dissertações. Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. SANTOS. de S. da UFMG. E. São Paulo: Atlas. São Paulo: Atlas. São Paulo: Atlas.U. 1999. 1976. 1999.GIL. de A.). 1999. M. OLIVEIRA. Porto Alegre: Ed. PARRA FILHO. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas. Fundamentos de metodologia científica. MINAYO. GOODE. KERLINGER. LAKATOS. São Paulo: Atlas. J. Paul K. C. MARTINS. MARCONI. ____.: EDUSP. 2001..Métodos e técnicas de pesquisa social.São Paulo: Ed. 1969. São Paulo: Atlas. 2 v. HEGENBERG. M. 1999. C. Métodos em pesquisa social. RICHARDSON. Metodologia científica. J. LAVILLE. São Paulo: Atlas. Roberto Jarry. DIONNE.. G. Pesquisa social. 118 . Leônidas. 1999. C. (Org. planejamento e técnicas de pesquisa. A construção do saber. 1996. LTR. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Futura. Metodologia científica. São Paulo: E. São Paulo: EPU / Edusp. HATT. William J. 1996. C. ____. Metodologia do trabalho científico.P. Etapas da investigação científica. 1996. A. dos S. Domingos.. A. F. 2000. de A.

Projetos e relatórios de pesquisa em administração. Métodos de pesquisa em atividade física. Rio de Janeiro: FGV. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. Estera Muszkat. São Paulo: Atlas. 2001. CAMPENHOUDT. do Autor. Antônio J. 21. ed. 2002. A. 1998. ed. Métodos de pesquisa nas relações sociais.RODRIGUES. K. Brasília: Ed. G. SELLTIZ. Sylvia Constant. VERGARA. Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa : Gradativa. 1997. 2000. 3. V. QUIVY. Metodologia do trabalho científico. 1996. Como fazer uma monografia. São Paulo: Cortez. 2001. SEVERINO. São Paulo: Martins Fontes. 2000. SALOMON. ed. D. TACHIZAWA. Florianópolis: UFSC. SCOTT. Porto Alegre: ARTMED. J. Menezes. rev. R. R. da USAC. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. TRIVINOS. 2000... T. Patrick B. 119 . São Paulo: Herder. 1967. L. MENDES. das G. 9. ed. 3. São Paulo: Atlas. 2000. Claire et al. NELSON. V. Edna Lúcia da. Introducción a la investigación y evaluación educativa. Como fazer monografia na prática. M. Guatemala: Ed. THOMAS. J. SILVA. Informe de metodologia da pesquisa. e ampl.

4.3.1 Definição conceitual das variáveis 4.1 População 4.4.1 OBJETIVO 4. ELEMENTOS Capa Lombada Folha de rosto Errata Folha de aprovação Dedicatória Agradecimentos Epígrafe Resumo na língua vernácula Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de siglas Lista de símbolos Sumário 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.2 HIPÓTESE 4.4.2 Definição operacional das variáveis 4.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.3 Alcances e Limites 2.5 Técnica de pesquisa 4.2.3.3.Apêndice A .2 Formulação do Problema 2.4.1 TEMA 2. Projeto de Pesquisa e DM.3 VARIÁVEIS 4.4.2 PROBLEMA 2.1 Antecedentes do Problema 2.2.2.3 JUSTIFICATIVA 2.2 Amostra 4.Elementos Constitutivos da Proposta.6 Instrumentos 4.7 Análise dos dados 5 REFERENCIAL OPERATIVO 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Referências Glossário Apêndice(s) Anexo(s) Índice(s) Prop X Proj X X DM X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X PRÉ-TEXTUAIS TEXTUAIS X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X PÓS-TEXTUAIS X X X X X X X Obrigatório Opcional Não faz parte desta fase 120 .4 Tipo de pesquisa 4.3 Método de pesquisa 4.3.

2 PROBLEMA 2.2.Apêndice B .1 TEMA 2.2 Formulação do Problema 2.3.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.4.3.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.5 Técnica de pesquisa 4.3.4.1 Definição conceitual das variáveis 4. 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.3 Método de pesquisa 4.4.2 Definição operacional das variáveis 4.Elementos textuais obrigatórios da DM.1 OBJETIVO 4.4.2 HIPÓTESE 4.2 Amostra 4.7 Análise dos dados 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 121 .2.3 VARIÁVEIS 4.1 População Método de pesquisa 4.3.2.3 Alcances e Limites 2.3.1 Antecedentes do Problema 2.6 Instrumentos 4.4 Tipo de pesquisa 4.3 JUSTIFICATIVA 2.

1 Antecedentes do Problema 2.2 Formulação do Problema 2.2.2 PROBLEMA 2.3 Alcances e Limites TEXTUAIS 2.4 OBJETIVO 2.Elementos Constitutivos da Proposta.Apêndice C .5 JUSTIFICATIVA 2.1 TEMA 2.6 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL OPERATIVO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Referências Glossário PÓS-TEXTUAIS Apêndice(s) Anexo(s) Índice(s) X X Obrigatório Opcional Não faz parte desta fase Prop X Proj X X TCC X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 122 .2.3 QUESTÕES DE ESTUDO 2. ELEMENTOS Capa Lombada Folha de rosto Errata Folha de aprovação Dedicatória Agradecimentos PRÉ-TEXTUAIS Epígrafe Resumo na língua vernácula Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de siglas Lista de símbolos Sumário 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.2. Projeto de Pesquisa e TCC.

1 Antecedentes do Problema 2.1 TEMA 2.3 Alcances e Limites 2.6 CONTRIBUIÇÃO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 123 .Elementos textuais obrigatórios do TCC. 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.4 OBJETIVO 2.2.2 PROBLEMA 2.2.2.Apêndice D .5 JUSTIFICATIVA 2.2 Formulação do Problema 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.

Itens do Elemento do Orçamento Orçamento Especificações do Elemento de Despesa Gravador Máquina fotográfica Capital Equipamento Grampeador e material permanente Perfurador de papel Microcomputador Impressora Caixa com 10 disquetes HP Fita para vídeo TDK Fita cassete 90 Material de Consumo Caneta esferográfica.Apêndice E . Papel A4 Rolo de filme Custeio Cartucho de tinta para impressora Fotocópias Remuneração serviço Digitação pessoal Encadernação Correios Outros serviços e encargos Revelação de filmes e montagem de slides Outras Despesas T O T A L 2 40 Quantidade Valor Solicitada Unitário 1 1 1 1 1 1 1 2 2 10 500 2 1 100 90 1 2 1 8 80 200 100 11 9 2.Exemplo de Planilha de Custos.00 124 .000 600 12 8 5 1 Valor Total 200 100 11 9 2000 600 12 16 10 10 10 16 80 20 180 20 150 80 200 3724.

Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.Apêndice F .: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO. Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto. 2 Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o seu orientador. Atividade Início do projeto Revisão do referencial conceitual feito na proposta de projeto Revisão1 do referencial teórico feito na proposta de projeto Revisão1 do referencial metodológico feito na proposta de projeto Revisão2 do projeto para revisão do Orientador Elaboração e apresentação dos instrumentos Elaboração da análise a ser utilizada Revisão do projeto de pesquisa pelo Orientador Revisão do projeto Apresentação do projeto de pesquisa e dos fichamentos Preparação das Seções iniciais da DM para a Qualificação3 Qualificação das Seções iniciais da DM3 Coleta de dados Tabulação dos dados4. podem ser marcadas quantas datas forem necessárias. Apresentação e análise dos resultados Conclusões Redação trabalho parcial das seções do 2 1 Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago 11 25 X X 15 22 29 6 8 11 X X 08 09 X X 22 23 a 25 X X X X X X X X X 15 22 25 27 X X X X X X X X X X X X X X 01 01 02 Revisão do trabalho Entrega do trabalho pronto Fase de confecção do Projeto de Pesquisa Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM) Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios. Obs. 3 Somente para a DM 4 Obrigatório para a DM e. se for o caso. para o TCC 1 125 .

apresentar o foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. RESUMO DA OBRA (obrigatório) O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s). Exemplo “ilustrativo”: 1-1 “São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico ideal. (citação direta: transcrição “ipse litteris” do manual) O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos 126 . Estado-Maior. Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo. BRASIL. devem apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado. não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação que pretende colher agora. ed. Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. 3. MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP DFA ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE DAS OM POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf FICHA Nr: 001 REFERÊNCIA (obrigatório) DATA: 22 de janeiro de 2004. 1-1). as citações devem tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em estudo. até a carência. portanto.Apêndice G – Modelo de Ficha. 2002 p. Cite as idéias com suas próprias palavras.DF. CITAÇÕES (opcional) Página Texto As citações podem ser redigidas na forma direta. em face das inúmeras outras atividades prioritárias da OM. Exército. Brasília. que têm relação com a sua pesquisa. ou mesmo inexistência. ou na forma indireta.2002. Seja oportuno. de áreas. as quais vão desde a falta de tempo.” (BRASIL. isto é. C 20-20: Treinamento Físico Militar. quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas palavras. instalações e materiais apropriados. quando as frases são transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada. isto é. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias. É importante manter sempre em mente que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa.

4 Sessões Semanais 127 . 2002 (p.Programa Anual de TFM OM Operacional . Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares incorporados nas diferentes organizações militares.4 Sessões Semanais Anexo E . a fim de atender aos interesses da Força e ao cumprimento da sua missão institucional. Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa. naturalmente. diversas adaptações no funcionamento do organismo humano. Exemplo “ilustrativo”: “O treinamento regular e orientado provoca. Estas adaptações trazem benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho profissional. que poderiam afetar a manutenção operacionalidade das OM . 3-3 CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório) Exemplo “ilustrativo”: A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em combate. (acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa) RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional) Página 3-5 B1 E1 Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc) Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE) Anexo B . 2002 p. portanto.” (BRASIL.padrões de atividade física... 1-2). (comentário oportuno do pesquisador) Exemplo “ilustrativo”: da 1-2 Segundo BRASIL. 3-3).Programa Anual de TFM OM Não Operacional . 1-2) o treinamento físico militar deve estar voltado para a operacionalidade. 2002 p. (citação indireta: reedição do pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador) Veja a seguir o que consta originalmente no manual: “O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão institucional..” (BRASIL..

128 .

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