METODOLOGIA DA PESQUISA

ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

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MARIA DAS GRAÇAS VILLELA RODRIGUES



METODOLOGIA DA PESQUISA
ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

2ª Edição

Colaboração e ampliação:
José Fernando Chagas Madeira
Luiz Eduardo Possídio Santos
Clayton Amaral Domingues

Rio de Janeiro
EsAO
2005


4
© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues

Diagramação:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Revisão:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)



Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
Avenida Duque de Caxias, 2071
Rio de Janeiro/ RJ - CEP 21615-220
R 696 Rodrigues, Maria das Graças Villela.
Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos, trabalhos
acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das
Graças Villela Rodrigues. colaboração e ampliação José Fernando
Chagas Madeira, Luiz Eduardo Possídio Santos, Clayton Amaral
Domingues - 2. ed - Rio de Janeiro: EsAO, 2005.
127 p.; il. ; 30 cm.
ISBN 85 - 98116 - 01 - 7
1. Pesquisa – Metodologia.I Título.
CDD 001.4


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SUMÁRIO


PREFÁCIO............................................................................................ 11
INTRODUÇÃO...................................................................................... 13
UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO........................................................... 15
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA.................................... 16
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR...................................... 16
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO................................................................... 17
1.3 A LEITURA............................................................................................ 18
1.4 O ESTUDO DO TEXTO........................................................................ 19
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA....................................................... 21
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO............................................................ 22
UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO................. 25
2 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO............................................... 26
2.1 A CIÊNCIA............................................................................................ 26
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS.................................................................... 28
2.2.1 Os Métodos de Abordagem............................................................... 29
2.2.1.1 O Método Dedutivo............................................................................... 30
2.2.1.2 O Método Indutivo................................................................................. 30
2.2.1.3 O Método Hipotético Dedutivo.............................................................. 31
2.2.1.4 O Método Dialético................................................................................ 31
2.2.1.5 O Método Fenomenológico................................................................... 32
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos......................................................... 32
2.2.1.1 O Método Histórico............................................................................... 32
2.2.1.2 O Método Comparativo......................................................................... 33
2.2.1.3 O Método Estatístico............................................................................. 33
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso............................................................... 34
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 34


6

UD III - PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA..............................................

35
3 PESQUISA CIENTÍFICA...................................................................... 36
3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS............................ 36
3.1.1 Classificação quanto à natureza....................................................... 37
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema............ 37
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais....................................... 37
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos......................... 38
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 41
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica.......................... 41
3.2.2 Neveis de Pós-graduação na EsAO.................................................. 41
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu......................................... 42
3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu............................................ 42
UD IV - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU..... 45
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU............................................... 46
4 1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 46
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 47
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO......................... 49
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 49
2 REFERENCIAL CONCEITUAL........................................................ 50
2.1 TEMA.............................................................................................. 50
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 51
2.2.1 Antecedentes do Problema....................................................... 53
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 53
2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico. 53
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 56
2.3 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 56
2.4 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 57
3 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................... 57


7
3.1 REVISÃO DE LITERATURA........................................................... 58
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS................................................ 58
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO.................................................. 59
4.1 OBJETIVO...................................................................................... 60
4.1.1 Objetivo geral............................................................................. 60
4.1.2.Objetivos específicos................................................................ 62
4.2 HIPÓTESE...................................................................................... 63
4.3 VARIÁVEIS..................................................................................... 65
4.3.1 Definição conceitual das variáveis........................................... 66
4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis................................................ 67

4.3.1.2 Correlação entre variáveis........................................................
68
4.3.2 Definição operacional das variáveis........................................ 69
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................... 71
4.4.1 População................................................................................... 71
4.4.2 Amostra....................................................................................... 72
4.4.3 Método de pesquisa................................................................... 72
4.4.4 Tipo de pesquisa........................................................................ 73
4.4.5 Técnica de pesquisa.................................................................. 74
4.4.5.1 Coleta documental.................................................................... 74
4.4.5.2 Questionário.............................................................................. 75
4.4.5.3 Entrevistas................................................................................ 79
4.4.5.4 Observação............................................................................... 80
4.4.5.5 Análise de conteúdo.................................................................. 81
4.4.6 Instrumentos.............................................................................. 82
4.4.6.1 Escalas para medir atitudes...................................................... 83
4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos...................................................... 86
4.4.7 Análise dos dados..................................................................... 88
5 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 88


8

5.1 PLANILHA DE CUSTOS ................................................................
89
5.2 CRONOGRAMA.............................................................................. 89
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 89
5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ................................................... 90
5.1.1 Categorização dos dados.......................................................... 90
5.1.2 Codificação dos dados.............................................................. 91
5.1.3 Tabulação dos dados................................................................ 92
5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas............................................ 92
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas.............................................. 93
5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................... 94
5.2.1 Análise estatística...................................................................... 95
5.2.2 Avaliação das generalizações.................................................. 95
5.2.3 Interpretação dos dados........................................................... 96
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................... 97
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO............................ 98
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação............................................................ 99
4.4.2 Considerações finais.......................................................................... 100
UD V - PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU.......................................... 101
5 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU......................... 102
5.1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 102
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 102
5.3 A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO....... 104
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 105
2 CONCEITOS E MÉTODOS.............................................................. 105
2.1 TEMA.............................................................................................. 105
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 106
2.2.1 Antecedentes do Problema ...................................................... 107
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 108
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 108


9
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO.............................................................. 109
2.4.OBJETIVOS.................................................................................... 110
2.4. 1 Objetivo Geral............................................................................ 110
2.4. 2 Objetivos Específicos............................................................... 110
2.5 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 111
2.6 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 112
3 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 113
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 113
4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES.............................................. 114
5.4 MONTAGEM DO TCC.......................................................................... 114
5.4.2 Considerações finais.......................................................................... 115
REFERÊNCIAS.................................................................................... 117

Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e DM......................................................................................

120
Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM......................... 121

Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e TCC....................................................................................
122
Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC....................... 123

Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos, Materiais
e Serviços.............................................................................................
124

Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de
Pesquisa...............................................................................................

125
Apêndice G – Modelo de Ficha............................................................ 126



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11
PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO
A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação
no âmbito da EsAO. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição, a fim de atualizar
algumas partes e incluir novos conceitos, em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em
vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências
Militares.
Neste sentido, aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora, coube aos
colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I, e adequar o item “A prática do
fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações
Militares. Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência,
e aos Métodos Científicos, incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares.
Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica,
segundos suas classificações quanto à natureza, a forma de abordagem do problema, aos
objetivos gerais e aos procedimentos técnicos, procurando-se destacar através de conceitos e
exemplos, as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto
sensu. A partir deste momento, o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos
programas, os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V.
A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores, de forma que o leitor
pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado.
Neste sentido a estrutura da dissertação, com seus referenciais, foi inicialmente apresentada
em forma de fluxograma, passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa, e
seu(s) referenciais afetos. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V, onde os
conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados.
Foram ainda criados novos Apêndices ao livro, de forma que o leitor pudesse verificar
as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa, nos projetos
de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa, bem como apresentados em forma de mídia
digital (CD), exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases.


DOMINGUES, C. A.; MADEIRA, J. F. C.; SANTOS, L. E. P.


12

13
INTRODUÇÃO


Os programas de pós-graduação, conduzidos pelas instituições de
ensino de nível superior, exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos,
dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos
correspondentes. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema
relevante de determinada área, obedecendo à metodologia própria para iniciação
científica, preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras
ortográficas e gramaticais da língua portuguesa.
Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos
Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a
elaboração de projetos de pesquisa, trabalhos acadêmicos e dissertações,
facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento.
Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à
metodologia da pesquisa, seguindo orientações de renomados autores brasileiros
que descrevem claramente o assunto, inferindo conceitos próprios da metodologia
em Ciências Militares.
A seguir, serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de
pesquisa científica afetos às Ciências Militares, passando a apresentação de um
raciocínio lógico e coerente, necessário à construção de projetos de pesquisa nos
níveis stricto sensu e lato sensu.
Finalmente, este manual esclarece como o resultado final da pesquisa,
realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa, será descrito em
forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação
de Mestrado (no nível stricto sensu).


14

15




TÉCNICAS DE ESTUDO
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO
1.3 A LEITURA
1.4 O ESTUDO DO TEXTO
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO



16
1 METODOLOGIA DA PESQUISA

A palavra Metodologia vem do grego; meta que significa ao largo; odos,
caminho; logos, discurso, estudo. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos
disponíveis e suas utilizações. Corresponde a um conjunto de procedimentos que
auxiliam na obtenção do conhecimento.
De acordo com Minayo (1999), entende-se por metodologia o caminho do
pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Neste sentido, a
metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas. Já
a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência, buscando questionar e
construir a realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza
frente à realidade do mundo. Embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula
pensamento e ação. Ou seja, nada pode ser intelectualmente um problema, se não
tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática. As questões da
investigação estão, portanto, relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente
condicionadas.

1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR

A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui
características investigativas, relacionadas com a busca de caminhos necessários à
obtenção de conhecimentos, auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na
sistematização dos conteúdos. Esta instrumentação é importante para o trabalho
científico, porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a
formação de um compromisso científico frente à realidade empírica, buscando o
conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a
reflexão científica.
Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação
superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos, levando
em conta o estímulo ao pensamento produtivo, ao conhecimento sistemático, à
criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. A Metodologia estrutura-se,

17
portanto, de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções
que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes.

1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO

O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico
aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade. Para tanto, é importante que
os alunos adquiram hábitos de estudo, buscando informações a respeito de
procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas.
A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados
muito importantes para o aprendizado. Severino (1991) destaca como elementos
principais à leitura e a escrita, pois para aprender, é necessário ler ou ouvir as
mensagens que nos são transmitidas; como, também, é necessário registrar por
escrito o conteúdo, para posteriormente retomar a essa mensagem, pensá-la e/ou
reescrevê-la. Adverte, ainda, que o ensino superior exige dos universitários
maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade
didática rigorosa, crítica e criativa, bem como um projeto de trabalho intelectual
individualizado, apoiado em material didático e científico que se constitui
basicamente na bibliografia especializada.
Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade
de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas
necessidades de aprendizagem. É necessário que o estudante utilize, com a devida
freqüência, as bibliotecas disponíveis. A leitura de livros indicados na bibliografia do
curso, de revistas especializadas, de jornais e outras fontes de consulta facilita a
apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto, oferecendo
outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte.
A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço
disciplinar, uma programação das atividades de estudo, uma divisão adequada do
tempo que propiciem a periodicidade de leituras, a participação em seminários,
palestras, etc. O ensino superior requer, além do estudo habitual, a participação em
eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos
conhecimentos. A auto-atividade didática é, portanto, imprescindível e deve
estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance.

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Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o
espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos, aprimorando-os
como seres ativos e participantes da história.
A proposta deve ser a de aprender, isto é, não adianta apenas uma série de
informações, é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. As atividades de
estudo como a leitura analítica, o estudo da documentação e a elaboração de
trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. Estas atividades são
desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho, utilizando técnicas de
leitura, condensação de textos, etc.

1.3 A LEITURA

Ler é assimilar idéias, interagir com o autor, absorvendo o sentido da
mensagem, conhecer, interpretar, decifrar, ampliar os conhecimentos e aprofundar o
saber em determinado campo cultural ou científico. Segundo Salvador (1980), ler é
"distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e, depois, optar
pelos mais representativos e mais sugestivos”.
Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras, sendo necessário
que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto, que é aquela que corresponde a
tudo aquilo que o autor quer comunicar. Para tanto, a utilização de técnicas de
sublinhamento, resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do
texto através das idéias de cada parágrafo, auxiliando o leitor no entendimento do
pensamento do autor no contexto da obra.
Ao ler um texto, devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo
informativo fundamental, ao qual se subordinam, de modo articulado, vários
enunciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode ser
percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem.
Posteriormente, devemos identificar, nos diversos parágrafos, as idéias secundárias
que articulam o entendimento final do texto.
É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário,
possibilitando ao leitor progredir cientificamente; adquirir experiência, melhorar a
comunicação e, principalmente, a redação. A leitura amplia e desperta a inteligência
para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento, clareando as idéias,

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permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas, e fornecendo
opções de soluções para os problemas de pesquisa, de acordo com os modelos
teóricos de outros autores/pesquisadores.
A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação
científica. É importante consultar os autores, os livros e as revistas, que possam
fornecer as informações necessárias. Devemos examinar sumariamente os
componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. Verificar o nome do
autor, seu currículo, ler a orelha do livro, o sumário, a documentação ou as citações
ao pé das páginas. Investigar a referência, assim como verificar a editora, a data, a
edição e ler rapidamente o prefácio. A convergência desses vários elementos nos
ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse.

1.4 O ESTUDO DO TEXTO

Segundo Galliano (1986), há várias maneiras de se estudar um texto, mas
todas dependem sempre do propósito do estudo. Assim, um estudo profundo,segue
sempre um processo semelhante, um método. Devemos recordar que não se estuda
um texto como quem lê um romance, por puro entretenimento. Os textos de estudo,
mormente aqueles de cunho científico ou filosófico, requerem sempre o emprego da
razão reflexiva por parte de quem estuda. E isso pressupõe uma certa disciplina
intelectual, um método de abordagem para o objeto do estudo.
Assim, o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas, sendo
necessário para o desenvolvimento deste, o domínio de algumas técnicas que vão
contribuir para o entendimento do autor e da obra, quais sejam: sublinhar, resumir
e esquematizar.
Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra, as
palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto. Dentre as normas para
sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias
principais e os detalhes importantes. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir
das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. Ao final,
deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. O
texto fica condensado como em um telegrama, mas continua com o mesmo sentido.

20
É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal
e com um único traço os pormenores importantes. Assinalar com linha vertical, à
margem do texto, as passagens mais significativas; ou fazer um retângulo. Os
pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à
margem do texto. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para
sublinhar.
Após sublinhar o texto, é necessário condensar as idéias destacadas. O leitor
deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto, a que mais se
identifique com o propósito de sua leitura. De acordo com a forma de apresentação
do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou
esquema.
O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. É
a apresentação concisa e, freqüentemente, seletiva do texto, destacando-se os
elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da
obra. É útil quando se necessita, em rápida leitura, recordar o essencial do que se
estudou e a conclusão a que se chegou. Segundo Galliano (1986), resumir por
escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil
consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade, como a
defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação, e quando
se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa.
Para tanto, é necessário observar algumas normas para se fazer um bom
resumo, tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo; esclarecer os
pontos obscuros; e sublinhar as palavras desconhecidas. É preciso ser breve, porém
compreensível. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à
margem do texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”), usar aspas e
fazer referência completa à fonte. Juntar, principalmente ao final, idéias
integradoras, referências bibliográficas e críticas, pertinentes e oportunas, de caráter
pessoal.
O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu
escrito. Para Galliano (1986), o esquema é a representação gráfica e sintética do
que se leu. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica
que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que, mediante divisões e
subdivisões represente a hierarquia das palavras, frases, parágrafos-chave que,

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destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as idéias
sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido.
Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom
esquema, uma delas é a fidelidade ao texto, captando e compreendendo o tema do
autor, destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto.
Por fim, o esquema deve:
a) ser claro, simples e distribuído organicamente;
b) subordinar as idéias e fatos;
c) ter estrutura lógica, mantendo um sistema uniforme;
d) ser flexível e funcional para o uso; e
e) destacar o propósito da leitura, facilitando a captação do conteúdo e
permitindo uma melhor reflexão sobre o texto.

1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA

Para auxiliar a transposição da leitura, é necessário que o leitor faça uma
análise do texto. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do
leitor e do fim a que se destina. Os textos de estudo de caráter científico, por
exemplo, requerem, por parte de quem analisa, um método de abordagem e certa
disciplina intelectual.
Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que
abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise
textual, análise temática e análise interpretativa.
A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a
finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. O leitor deve assinalar os
vocábulos desconhecidos, os pontos que requerem posterior esclarecimento e as
dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. É importante
esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários, enciclopédias, manuais,
enfim, às obras de referência que se façam necessárias.
Ao terminar esta análise, o leitor passa a ler com o objetivo de compreender
profundamente o texto. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai
processar a leitura para apreender o conteúdo, sem discutir com o texto, sem
debater os conceitos ou idéias; a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia

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central. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor,
as idéias secundárias, os temas complementares, enfim, a estrutura de sustentação
do texto. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece, com
segurança, o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto.
A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. O leitor passa a
inferir e interpretar o que foi apreendido. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor
deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica
e/ou filosófica recorrendo, se necessário, a outras fontes, complementando-as
sempre que o estudo assim exigir.
Ao terminar a análise interpretativa, o nível de conhecimento do leitor ter-se-á
consolidado e ampliado. E para continuar desenvolvendo este conhecimento,
Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal, seu juízo crítico, ao
confronto da discussão em seminários, grupos de estudo, ou reuniões com colegas.
Para ele, o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e
inabaláveis podem revelar sua fragilidade, enquanto outras ganharão maior vigor,
estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de
análises.
Concluindo adequadamente a leitura de um texto, o leitor mais experiente,
passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. São nessas condições que
ocorre a transposição da leitura. É através da ampliação dos aspectos que a
análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos
relevantes que o leitor pode ir além, ultrapassar a leitura e produzir o
conhecimento; o que é muito importante, na medida em que o leitor/pesquisador
necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de
determinadas conclusões.

1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO

Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso
que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita:
a) conhecer a origem do problema;
b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema;
c) avaliar as soluções já experimentadas;

23
d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo;
e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível
solução para o problema pesquisado.
Segundo Eco (1989), a situação ideal seria dispor de todos os livros de que
se tem necessidade. Entretanto, verifica-se que essa condição ideal é muito rara,
mesmo para um estudioso profissional. Assim, o armazenamento das informações
coletadas em bibliotecas, repartições públicas, centros culturais, sites de busca na
Internet, etc, poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de
computador.
É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na
fase de coleta de informações, pois auxiliam no registro de resumos, opiniões,
citações, enfim, tudo o que possa servir como embasamento para a redação do
texto do trabalho de pesquisa.
Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração
dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação
final da pesquisa, revertendo em ganho de tempo.
A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G), que deverá ser
preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa, isto é, no
início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento. A ficha é composta pelas
seguintes partes: cabeçalho, referências, resumo da obra, citações,
contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de
interesse.
O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a
identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa, o tema, o nome do
postulante, a data do fichamento e o número referência da ficha.
O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas
da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e
Dissertações), isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação.
O campo destinado ao resumo da obra, embora simples, deve permitir ao
pesquisador identificar quais são os assuntos tratados, bem como as principais
conclusões do autor.
O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas
ou indiretas, tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu
raciocínio lógico, durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz

24
tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. As
citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do
pensamento de outros autores, elas devem conter subsídios que lhe permitirão a
sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC)
O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo
deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor, visando facilitar a
construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho; anote quantas
idéias puder acerca do que foi lido e estudado, este é o melhor momento para
apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao
problema de estudo.
O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter
tabelas, gráficos, figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o
entendimento do leitor acerca do seu trabalho.

25



A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
2.1 A CIÊNCIA
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS
2.2.1 Os Métodos de Abordagem
2.2.1.1 O Método Dedutivo
2.2.1.2 O Método Indutivo
2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo
2.2.1.4 O Método Dialético
2.2.1.5 O Método Fenomenológico
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos
2.2.1.1 O Método Histórico
2.2.1.2 O Método Comparativo
2.2.1.3 O Método Estatístico
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS


26
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que
os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades
mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas.
O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o
objeto, o sujeito e uma relação entre os dois. O conhecimento se dá quando o
sujeito apreende o objeto e, relacionando-se com ele, forma uma imagem.
Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo
do conhecimento, faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento
ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico.
Segundo Galliano (1986), o conhecimento vulgar (senso comum) também
denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana, ao
acaso, baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Em geral
resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto, sem observação
metódica ou verificação sistemática, e por isso, carece de caráter científico. Pode
também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das
tradições de uma coletividade.
Ao contrário, o conhecimento científico é uma aquisição intencional,
consciente e sistemática; é um processo que chegou ao máximo de seu
desenvolvimento com a aplicação do método científico. De acordo com Galliano
(1986), o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da
realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para
descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem.

2.1 A CIÊNCIA

Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de
conceitos que são permanentemente ampliados, uma vez que suas idéias não são
definitivas.
O conceito apresentado por Ander-Egg (1978), define ciência como um
conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente,

27
sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma
natureza.
Para Trujillo (1974), ciência é uma sistematização de conhecimentos, um
conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de
certos fenômenos que se deseja estudar. Um conjunto de atitudes e atividades
racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser
submetido à verificação.
Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por
objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o
auxílio da linguagem matemática), leis que regem os fenômenos.
Neste sentido, o conhecimento deve ser:
a) objetivo, porque descreve a realidade independente dos caprichos do
pesquisador;
b) racional, porque se vale, sobretudo, da razão e não da sensação ou
impressões, para chegar a seus resultados;
c) sistemático, porque se preocupa em construir sistemas de idéias
organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades
cada vez mais amplas;
d) geral, porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de
leis e normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo;
e) verificável, porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das
informações; e
f) falível, porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados
pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar.
Segundo Gil (1999), há conhecimentos que não pertencem à ciência, tais
como: o conhecimento vulgar, o religioso e, em certa acepção, o filosófico. A partir
destas características torna-se possível, em boa parte dos casos, distinguir entre o
que é ciência e o que não é.
Segundo Lakatos e Marconi (2000), não existe um consenso na apresentação
da classificação das ciências; o que é ciência para alguns autores, ainda permanece
como ramo de estudo para outros, e vice-versa. Mas, baseando-se em Bunge
(1976), as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências
factuais.

28
As ciências formais se encarregam do estudo das idéias, dividindo-se em
lógica e matemática. Por não terem relação com algo encontrado na realidade, não
podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas,
utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. Os resultados
alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses.
As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos, dividindo-se em
naturais e sociais. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em
conseqüência, recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou
refutar suas hipóteses. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam,
comprovam ou refutam hipóteses que, em sua maioria, são provisórias.
A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a
demonstração (formal) é completa e final, ao passo que a verificação (factual) é
incompleta e, por este motivo ela é temporária.
Parra Filho (2000), ao referir-se à classificação atual dos vários campos da
ciência, ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias, devido a
sua constante evolução. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao
mesmo tempo a variedade do conhecimento humano, assinala o domínio próprio de
cada ciência, patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem
em que as ciências devem ser estudadas. De acordo com este autor, Ciência
Militar e Defesa, estão no campo das ciências sociais.

2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS

Para que um conhecimento possa ser considerado científico, faz-se
necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua
verificação, ou seja, determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento.
Assim, Gil (1999), define método científico como um conjunto de procedimentos
intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento.
Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método
relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os
primórdios da humanidade.

29
Nas ciências militares, assim como em outras ciências, o método é
fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de
acordo com a proposta de trabalho do pesquisador.
A adoção de um ou de outro método depende, portanto:
a) da natureza do objeto de pesquisa;
b) dos recursos materiais disponíveis;
c) do nível de abrangência do estudo; e
d) sobretudo, do pesquisador.
Neste sentido, vários sistemas de classificação podem ser adotados.
Segundo Gil (1999), que apresenta uma classificação semelhante a outros autores
como Trujillo, Ferrari (1982), e Lakatos (1992), há dois grandes grupos: os métodos
de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica; e os
métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a
serem empregados.

2.2.1 Os Métodos de Abordagem

Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos
que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da
natureza e da sociedade; são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de
abstração, que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua
investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas
generalizações.
Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo, indutivo,
hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. Cada um deles vincula-se a
uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o
conhecimento da realidade. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo, o
indutivo ao empirismo, o hipotético-dedutivo ao neopositivismo, o dialético ao
materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia.




30
2.2.1.1 O Método Dedutivo

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que
pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O
raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por
intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral
para o particular) para chegar a uma conclusão. Usa o silogismo, construção lógica
para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira, logicamente decorrente das
duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993).
Veja um exemplo de raciocínio dedutivo:
Premissa maior As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão O 121°R C Mec tem grande mobilidade
Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo.
A dedução pressupõe o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da
conjectura, que serão testados pela observação e/ou experimentação.

2.2.1.2 O Método Indutivo

Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta os
princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo a generalização deriva de
observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à
elaboração de generalizações (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um
exemplo de raciocínio indutivo:
Observação 1 O 121°R C Mec tem grande mobilidade.
Observação 2 O 122°R C Mec tem grande mobilidade.
... ...
Observação n O 123°R C Mec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°, 122°,...123°R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade.
Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo.

31
Segundo Wricht (apud HEGENBERG, 1976, p. 174), a indução pode ser
caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade, relativamente a certo
número de elementos de uma dada classe, permite concluir que o mesmo será
verdade, relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. Se em
especial, a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não
examinados, diz-se que a indução leva a uma generalização.
O método indutivo propõe que, em primeiro lugar, está a observação dos
fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. Há, portanto, uma inversão de
procedimentos em relação ao método dedutivo.

2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo

Proposto por Popper, o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da
seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre
determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o
problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são
formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se
conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas
as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se
procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao
contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p.30).
O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos
conhecimentos, acerca da qual se formulam hipóteses, e pelo processo de influência
dedutiva, testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela
hipótese.

2.2.1.4 O Método Dialético

Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se
transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É
um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Admite que os fatos
não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc.
O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação
recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre

32
na natureza e na sociedade. O conceito de dialética equivale a uma argumentação
que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão.

2.2.1.5 O Método Fenomenológico

Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem
indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da experiência, tal como ela é. A
realidade é construída e entendida como o compreendido, o interpretado, o
comunicado pelo resultado da pesquisa. Então, a realidade não é única: existem
tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator é
reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL,
1999; TRIVIÑOS, 1992).

2.2.2 Os Métodos de Procedimentos

Segundo Lakatos (2000), os métodos de procedimentos seriam etapas mais
concretas da investigação, com a finalidade mais restrita em termos de explicação
geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem uma atitude mais concreta em
relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular.
Gil (1999), expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos
técnicos a serem utilizados, proporcionariam ao investigador os meios adequados
para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais.
Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999), referindo-se à
conceituação de método, enquanto conjunto de procedimentos suficientemente
gerais, para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica.
Assim, os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências
sociais, são: histórico, comparativo, estatístico e estudo de caso.

2.2.2.1 O Método Histórico

O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos, processos e
intuições passadas, procurando identificar e explicar as origens contemporâneas.
Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir

33
de uma perspectiva histórica. E a partir da análise, evolução e comparação histórica
se podem traçar perspectivas.

2.2.2.2 O Método Comparativo

O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos,
classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades
entre eles. Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o
estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo.
O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre
os vários grupos e fenômenos sociais, mediante a comparação que irá estabelecer
as semelhanças e/ou as diferenças.

2.2.2.3 O Método Estatístico

Segundo Gil (1999), o método estatístico fundamenta-se na aplicação da
teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação
em ciências sociais. As explicações obtidas mediante a utilização do método
estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas dotadas de
boa probabilidade de serem verdadeiras. Mediante a utilização de testes estatísticos,
torna-se possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de
determinada conclusão, bem como a margem de erro de um valor obtido.
O método estatístico, apesar das dificuldades para medir os fenômenos,
auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos
fatos que, reduzidos a números, permitem o estabelecimento de relações e
correlações existentes entre eles, prestando-se tanto para que sejam inferidas como
para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. É também
utilizado quando, pela variedade e complexidade dos fenômenos, torna-se
impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem
uma quantificação.
Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção
de dados, mas sim, como define Fisher, a estatística é a matemática aplicada à
análise dos dados numéricos de observação, pois, tão importante quanto o aspecto
qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo, com as suas possíveis

34
utilizações; daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais.
Quando, a partir de uma amostragem ou de um caso particular, são definidas
algumas generalizações, tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal
fenômeno.

2.2.2.4 O Método de Estudo de Caso

O método de estudo de caso ou método monográfico permite, mediante a
análise de casos isolados ou de pequenos grupos, entender determinados fatos.
De acordo com Gil (1999), este método parte do princípio de que o estudo de
um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros, ou
mesmo de todos os casos semelhantes. Esses casos podem ser indivíduos,
instituições, grupos, comunidades etc.

2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme o método escolhido pelo pesquisador, utiliza-se um ou outro
procedimento de coleta de dados. O procedimento de coleta de dados requer do
pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa, ou seja, como irá proceder
para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. O
delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e
das circunstâncias em que serão coletados os dados, e as formas de controle das
variáveis envolvidas no problema.

35



PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA
3 PESQUISA CIENTÍFICA
3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS
3.1.1 Classificação quanto à natureza
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica
3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO



36
3 PESQUISA CIENTÍFICA

Pesquisa, num sentido amplo, é um conjunto de atividades voltadas para a
busca de um determinado conhecimento. Neste sentido, qualquer trabalho escolar
que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado
um trabalho de pesquisa.
Segundo Gil (1999), pode-se definir pesquisa como um processo formal e
sistemático de desenvolvimento do método científico. A pesquisa tem um caráter
pragmático; é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método
científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.
De acordo com Barros e Lehfeld (2000), a pesquisa científica é o produto de
uma investigação, cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante
a utilização de procedimentos científicos. Consiste em investigar a realidade,
utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. Aplicar atentamente os
sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. Observar e
examinar atentamente, sondar, inquirir, ouvir com atenção, ler e analisar
documentos.
Para a EsAO, a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente
organizadas, baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos; realizada com o
objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário, administrativo ou de
instrução; e relatada através de um discurso autêntico, coerente e lógico, ausente de
contradições.

3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS

Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de
classificação serão apresentadas a seguir, levando em consideração: a natureza, a
forma de abordagem do problema, os objetivos gerais e os procedimentos
técnicos.



37
3.1.1 Classificação quanto à natureza

Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos,
úteis para o avanço da ciência, sem uma aplicação prática prevista inicialmente.
Envolve verdades e interesses universais.
Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham
aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. Envolve
verdades e interesses locais.

3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema

Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável, isto é, que
é possível traduzir em números as opiniões e as informações para, posteriormente,
classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas
(percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação,
análise de regressão, etc.).
Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo
real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação
dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa
qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural
é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É
descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente.

3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais

Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o
problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. É usada para
conhecer variáveis que são desconhecidas completamente, e cuja informação será
básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que
alcance o verdadeiro conhecimento da variável. A pesquisa exploratória tem como
principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em
vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para

38
estudos posteriores. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema
escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas
e operacionalizáveis. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira
etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada
população/fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. É utilizada
para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um
problema, obtendo desta maneira uma visão mais completa. Para este tipo de
pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável
ou das variáveis que influenciam o problema. Algumas pesquisas descritivas vão
além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo
determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou
contribuem para a ocorrência dos fenômenos, aprofundando o conhecimento da
realidade por explicar a razão, o “porquê” das coisas. Uma pesquisa explicativa pode
ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação dos fatores que
determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou
detalhado. Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente
explicativas em ciências sociais.

3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos

Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado,
constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e, atualmente, de material
disponibilizado na Internet. Dependendo da pesquisa, percebe-se que muitas são
desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas, tais como:
livros de leitura corrente, livros de referência, dicionários, enciclopédias, impressos
diversos, publicações periódicas, revistas e jornais etc.
A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de
fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente;
principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo
espaço. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos, pois não há

39
outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados
bibliográficos.
Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não
receberam tratamento analítico. As fontes, consideradas documentais, podem ser
documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas,
tais como: associações científicas, igrejas, sindicatos etc. Incluem-se outros
inúmeros documentos como cartas pessoais, diários, fotografias, gravações,
memorandos, regulamentos, ofícios, boletins etc. Há documentos também, que de
alguma forma já foram analisados, tais como relatórios de pesquisa, relatórios de
empresas, tabelas estatísticas, etc, que podem ser incluídos no rol da pesquisa, em
face da sua importância documental.
Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo,
selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. De
modo geral, o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica
em determinados campos do conhecimento. Contudo, em boa parte dos casos, a
pesquisa experimental torna-se inviável, quando se trata de objetos sociais, por
exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas.
Quando os objetos em estudo são entidades físicas, tais como porções de
líquidos, bactérias ou ratos, não se identificam grandes limitações quanto à
possibilidade de experimentação. Quando, porém, se trata de experimentar com
objetos sociais, ou seja, com pessoas, grupos ou instituições, as limitações tornam-
se bastante evidentes. Considerações éticas e humanas impedem que a
experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais, razão pela qual os
procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número
de situações.
Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que
possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer.
Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de
pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise
quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Na maioria dos levantamentos, não são pesquisados todos os integrantes da
população estudada. Antes da pesquisa de campo, seleciona-se mediante
procedimentos, uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de

40
investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a
totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida por
meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística, v.1).
Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores
sociais, pois proporcionam: conhecimento direto da realidade, economia e rapidez
na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo, permite
que os dados sejam agrupados em tabelas, possibilitando a sua visualização e
análise por quantificação.
Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um
ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado
conhecimento. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas
complexos, auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema.
Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é
suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal,
possibilitando avançar na pesquisa.
Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos
ocorridos. A pesquisa ex-post-facto, é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou
situações se desenvolveram espontaneamente. Não se trata rigorosamente de um
experimento, posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. Todavia, os
procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos
experimentos propriamente ditos. Neste tipo de pesquisa são tomadas como
experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre
elas como se estivessem submetidas a controle.
Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte
das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Segundo Thiollent (1985), esta
pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a
resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo.
Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre
pesquisadores e membros das situações investigadas. A pesquisa participante,
segundo Thiollent (1985), assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação
entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Há autores que
empregam as duas expressões como sinônimas. Todavia, a pesquisa-ação
geralmente supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional,

41
técnico ou outro. A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre
ciência popular e ciência dominante.

3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas
exigências científicas. Para que seu estudo seja considerado científico você deve
obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objetividade. É
desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos:
a) a existência de uma pergunta que se deseja responder;
b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta; e
c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida.

3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica

Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e
desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica.
Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas
que devem ser executadas na investigação de um fenômeno, que inclui a escolha
do tema; a exploração do problema; a construção de um modelo de análise e
solução do problema; a coleta e a tabulação de dados; a apresentação dos
resultados; a análise e discussão dos resultados; a elaboração das conclusões
e recomendações; e a divulgação de resultados.

3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO

Após compreender os conceitos de metodologia, ciência, métodos de
pesquisa e tipos de pesquisa científica, é importante que o discente entenda alguns
princípios que regem os programas de pós-graduação. Ao término desta Unidade
Didática, espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de
pós-graduação que melhor lhe convier. Para tanto, serão apresentados alguns
conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu.


42
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu

O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado
acerca de determinado tema, exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo.
Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de
Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica, fazendo jus, caso
aprovado, ao grau de Mestre em Operações Militares.
Como veículo da execução do programa de mestrado, a apresentação de
dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de
atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das
atividades de pesquisa no campo das Operações Militares.
Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível
maior de conhecimento a respeito do tema, de tal forma que seja possível o
levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto.

3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu

O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado
tema, exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em
relação ao mesmo. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um
Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica,
fazendo jus, caso aprovado, ao grau de Aperfeiçoamento em Operações
Militares.
Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de
um conhecimento compatível com o tema em estudo, de tal forma que seja possível
descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações
de causas ou conseqüências do problema analisado. O trabalho deverá constituir-se
em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados
durante o CAO, evidenciando pesquisa científica. Observe que o TCC pode ser
concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado.
O Quadro 3 apresenta, de uma maneira geral, as principais diferenças entre
os níveis de Pós-Graduação, por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um
mesmo tema.


43

Nível Lato Sensu Stricto Sensu
Tema
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Delimitação do
tema
Sessões cardiopulmonares de treinamento
físico militar na preparação do Sd EV
para o TAF.
Uma comparação entre os efeitos
fisiológicos produzidos pela corrida
intervalada e pela corrida contínua,
voltados para a performance de Sd EV no
TAF.
Antecedentes do
problema
O pesquisador sente a necessidade de
pesquisar acerca de como os diversos
tipos de treinamento cardiopulmonar
poderiam otimizar a performance
cardiopulmonar do Sd EV.
Estudos comparativos têm indicado que a
corrida intervalada provoca mudanças
fisiológicas que a corrida contínua não é
capaz de realizar.
Problema
Como melhorar a performance
cardiopulmonar de Sd EV, visando uma
preparação para o TAF?
Que método de treinamento produz
maiores benefícios fisiológicos voltados
para o TAF?
Aprofundamento
exigido
Abordagem genérica de todas as sessões
de treinamento cardiopulmonar, capazes
de melhorar a performance do militar,
concluindo acerca de suas vantagens e
desvantagens.
Abordagem profunda e detalhada da
fisiologia do exercício, para comparar os
efeitos dos treinamentos, concluindo
acerca de qual produz maiores benefícios
fisiológicos voltados para o TAF.
Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica.

A Tabela 1 apresenta algumas características que, genericamente, permitem
distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de
Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Tabela 1- Principais diferenças entre a DM e o TCC
Características DM TCC
Quanto ao programa de pós-graduação stricto sensu lato sensu
Formulação do problema sim sim
Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor
Formulação de questões de estudo não sim
Formulação de hipóteses sim não
Variáveis duas ou mais pelo menos uma
Testes de variáveis sim não
Aprofundamento do conhecimento. maior menor
Pesquisa de campo sim não
Análise estatística sim não
Defesa perante Banca Examinadora sim não
Fonte: Os autores.

A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de
aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho. Caso opte pelo
programa stricto sensu (Mestrado), siga para a Unidade Didática IV. Se optar
pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento), siga para a Unidade Didática V.

44


45



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
STRICTO SENSU

4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
4 1 INTRODUÇÃO
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 REVISÃO DE LITERATURA
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
5.1 PLANILHA DE CUSTOS
5.2 CRONOGRAMA
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO




46
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

4.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de
dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a
normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR
14724:2002.
É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório
final de uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente
planejada e aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade
traduzir um perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre
ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados, visando atender os interesses
do postulante e da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para
que o postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente
alinhados, o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir
relacionadas:
Escolha do Tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado;
Depósito da Dissertação de Mestrado; e
Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e
executado, apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca
do que foi pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada
fase.



47
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA.
O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas, que são
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado).
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
AS 7 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1ª Etapa Seção 1
Introdução
- Visão Geral
Seção 2
- Tema
- Problema
- Justificativa
A pergunta de partida
Referencial
Conceitual
- Contribuição
2ª Etapa Seção 3
A exploração do problema

Revisão de
Literatura


Entrevistas
exploratórias


Referencial
Teórico
Apresentação dos
pressupostos teóricos
que irão sustentar a
tese formulada.
3ª Etapa Seção 4
- Objetivos
- Hipóteses
- Variáveis
Referencial
Metodológico
- Procedimentos
metodológicos
- Cronograma
A construção de um modelo de
análise e solução do problema

Referencial
Operativo*
- Planilha de custos
4ª Etapa Seção 5
A coleta dos dados
5ª Etapa
Análise dos dados
Apresentação e Análise
dos Resultados
6ª Etapa Seção 6
Conclusões

Conclusões e Recomendações
7ª Etapa
Redação do relatório final de pesquisa
(Montagem da Dissertação de Mestrado)

DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA
(fase presencial do CAO)

*O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B)

Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.


48
A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. A pergunta de partida irá desencadear uma breve
revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com
apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar, das justificativas
para se empreender um estudo científico para resolvê-lo, e das contribuições que
esta pesquisa poderá produzir. Depois de reunidos, o Tema, o Problema, as
Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual.
Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a) a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b) a pergunta de partida deve ser reformulada.
Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª
Etapa), por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de
entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo), bem como ,
uma maneira de se testar, metodologicamente, esta solução (Referencial
Metodológico). Após serem convenientemente organizados, os resultados da
exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico
Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a
construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa), onde
serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo, a(s) hipótese(s), as variáveis, e os
procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução
formulada. Estando definida a hipótese, o postulante passa: a estabelecer os
objetivos da pesquisa, que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou
rejeição da hipótese; a definir as suas variáveis; a estabelecer os procedimentos
metodológicos a serem seguidos; e, somente durante a elaboração do projeto de
pesquisa, a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos.
Após convenientemente organizados, o(s) objetivo(s) de estudo, a(s)
hipótese(s), as variáveis, e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado
Referencial Metodológico. O cronograma de trabalho e a planilha de custos
constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa.
Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s), deve-se realizar a
Coleta de Dados (4ª Etapa), que consiste na execução do que foi planejado no
Referencial Metodológico. Segue-se a esta, a Análise dos Dados (5ª Etapa), que

49
culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados, onde
os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a
fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca
da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. Durante esta etapa, pode-se
verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados, ou até mesmo
de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não
tenha ficado claro durante a análise.
Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (6ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa, verificando
se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m), ou não, o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (7ª Etapa), quando todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega da Dissertação de Mestrado, para que, no momento determinado, seja
executada a defesa perante a Banca Examinadora.

4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final da DM, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa e na DM. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve ser breve, visando preparar o leitor para a questão
funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão
clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de
pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão
panorâmica acerca do assunto pesquisado.

50
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. Pode-se redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride.

2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da
problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado;
o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente
dito e os seus alcances e limites); a justificativa da importância de execução da
pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do
conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema.
De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Encontrar um objeto que mereça ser investigado
cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da
pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores
externos, quanto aos fatores internos (pessoais).
É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e
esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para
desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o
pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta
bibliográfica.
Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger

51
uma determinada parcela de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está
relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu
orientador. Para a escolha do tema, deve-se levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Para um maior aprofundamento nas
questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para
Trabalhos Acadêmicos”. Após a definição do tema, deve-se levantar e a analisar
as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende
resolver através da pesquisa científica que irá empreender, apresentando os
antecedentes do problema, a formulação do problema e os alcance e limites.
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução.
Mas... você sabe o que é um problema científico?
Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). Segundo
o dicionário Aurélio, um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de
discussão, em qualquer domínio do conhecimento.
Abordaremos brevemente algumas questões que, intuitivamente, nos fazem
pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica, mas que, na

52
verdade, se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor, isto é
não são problemas científicos.

Problemas de engenharia
Alguns problemas, ditos “de engenharia”, indagam acerca de como fazer as
coisas, eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas
são, suas causas e conseqüências. A ciência pode fornecer sugestões e inferências
acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia, mas não responder
diretamente a eles.
Exemplos:
1. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução?
2. Como melhorar a produtividade da Seção?
3. Como se confecciona um determinado documento?

Problemas de valor
Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. Tais
questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má, desejável ou indesejável,
certa ou errada, ou se é melhor ou pior que outra. São problemas cuja resposta
depende de opinião, e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que
são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação, nível escolar, moral,
ética, etc...), não se constituindo, portanto, em problemas científicos.
Exemplos:
1. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução?
2. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada?
3. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8?

Problema científico
Pode-se dizer que um problema é de natureza científica, quando envolve
variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à
manipulação).
Exemplos
1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?
2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

53
3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

2.2.1 Antecedentes do Problema (Proposta, Projeto e DM)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema do problema, portanto, pressupõe a apresentação do que já está
disponível a respeito dele. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de
alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a
provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis, torna-se necessário
identificar como surgiu o problema, mencionando autores que já pesquisaram a
respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. As experiências
anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste
referencial como ponto de partida para o início da pesquisa.

2.2.2 Formulação do Problema (Proposta, Projeto e DM)

O problema deve ser formulado como uma pergunta. Esta é a maneira mais
fácil e direta de formulá-lo, além de facilitar a sua identificação e a confecção do
relatório final. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um
tema, que por si só não constitui um problema específico.

2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico

A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento
de certas regras práticas para a formulação de um problema científico, tais como:
a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial;
b) ser claro e preciso;
c) ser empírico (testável) e não fruto de valores; percepções pessoais e/ou
senso comum (“achismos”);
d) ser suscetível de solução, ou seja, suas variáveis devem permitir
observação ou manipulação;
e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis);

54
f.)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não
como resposta; e
g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética.
A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos
mencionados na seção secundária 2.2.

Problema 1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?

O problema 1, tem início na observação de que existe pouca interação entre
os alunos na execução de trabalhos em grupo, e isto pode diminuir o rendimento
escolar.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela
literatura e por especialistas em ensino);
b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares; e
c) verificar se, após a aplicação das técnicas, houve alteração no rendimento
escolar.
Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de
técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a
população estudada). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese
de estudo.

Problema 2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono
dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada
ou realização de tarefas complexas.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para
buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela
literatura e por especialistas em neurofisiologia);

55
b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono
(um grupo em privação total de sono, um grupo que poderá dormir apenas 4 horas
por noite, e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite); e
c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes
cognitivos, apresentadas pelos diferentes grupos testados, após a aplicação dos
tratamentos.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho
cognitivo de militares (para a população estudada). Note que a afirmação em
negrito consiste em uma hipótese de estudo.

Problema 3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente
elogiados tem um desempenho produtivo otimizado, e que militares que são
freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de
suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e
os punidos freqüentemente;
b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar
seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo, e aplicar um teste
correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus
desempenho produtivo; e
c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a
produtividade dos militares (para a população estudada). Note que a afirmação
em negrito consiste em uma hipótese de estudo.
Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a
resolução do problema, ou do levantamento de indícios que permitam que outros
pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema
pesquisado.

56
As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da
revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema, e devem
pré-dizer uma solução para o problema de estudo, respondendo à pergunta inicial
que originou o problema de pesquisa.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e DM)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir a sua realização.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto, o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
Ainda que a definição do problema seja clara, precisa e concisa, faz-se
necessário especificar o alcance da investigação, relatando os aspectos do
problema a serem incluídos, e aqueles que devem ficar de fora.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que
não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa,
procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua
importância relativa. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade
e da relevância da pesquisa proposta.

57
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente do projeto de dissertação . É onde se
apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que justifica,
academicamente, a realização de uma pesquisa. É a existência de um problema real
que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução. O investigador
deve estabelecer, convincentemente, que a problemática exposta merece uma
solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, nos seus resultados.
É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e
como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?

3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos”
que embasarão a questão a ser estudada, a formulação do modelo de análise e

58
solução do problema, e conseqüentemente, a construção da(s) hipótese(s) de
estudo, valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas
ou indiretas). O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à
compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo,
evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do
pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o
aprofundamento nas questões que envolvem o problema, transformando a pergunta
de partida na questão central da investigação. Este procedimento tem fundamental
importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a
formulação de hipóteses.

3.1 REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última
palavra no assunto); proceder a uma revisão teórica; desenvolver uma revisão
empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. A revisão de literatura é
fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de
pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). Uma boa revisão de
literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser
estudado.
Neste momento o pesquisador deve procurar responder, dentre outras, às
seguintes questões:
O que já foi publicado sobre o assunto?
Quem já escreveu a respeito?
Que aspectos já foram abordados?
Quais as lacunas existentes na literatura?
Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese?

3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS

As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do
pesquisador sobre o tema. O pesquisador, ao invés de procurar validar as suas

59
próprias idéias, deve ter uma atitude filosófica, ou seja, procurar adquirir novas
informações, e verificar outros pontos de vista em relação ao problema, a fim de
complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto, o que irá
corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema
de pesquisa e de como solucioná-lo. Nesta fase, é desejável apresentar-se o
resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas,
testemunhas ou interessados no tema pesquisado, enfim, com pessoas que
possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da
revisão de literatura. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o
assunto; caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento
adquirido.
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
ampliarão os conhecimentos sobre o tema, permitindo avaliar se a pergunta de
partida foi bem definida. Através desta avaliação, a pergunta de partida poderá ser
mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um
reinício da pesquisa.
O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem
necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema, cada uma
com seu título. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia
utilizada nas subdivisões.

4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende
realizar a pesquisa e solucionar o problema. A metodologia deve ser exposta de
modo suficientemente claro e detalhado, para que o leitor seja capaz de reproduzir,
se necessário for, o aspecto essencial do estudo.
Nessa etapa, devem ser especificados os procedimentos necessários para se
chegar aos participantes da pesquisa, obter as informações de interesse e analisá-
las. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados,
indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico.
A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo, como a
escolha do espaço da pesquisa, a seleção do grupo de pesquisa, o estabelecimento

60
dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo,
como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados.
Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na
realização do trabalho e evitar problemas sérios, que poderiam ser parcialmente
previstos antes da coleta e da análise dos dados. É comum, por exemplo, a previsão
de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas.
Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica, pois o
pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo, a hipótese,
a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados, e os
procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação
tais como: o método, tipo e técnica de pesquisa adotado; a população (ou universo)
e a amostra (sfc); os instrumentos de coletas de dados; e o modelo de análise dos
dados.

4.1 OBJETIVOS (Proposta, Projeto e DM)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação, devendo ser apresentados: o objetivo geral, que
descreve a finalidade principal da investigação, e os objetivos específicos, que
descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema.

4.1.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e DM)

Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa, isto
é, deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida. Os
objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. O
objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar, e os objetivos específicos
explicitarão os detalhes, constituindo os desdobramentos do objetivo geral.
Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que
indique uma ação passível de mensuração. Tomando por base o problema 2. (A
privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente

61
apresentado, listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na
formulação dos objetivos:
a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar, arrolar,
definir, enunciar, inscrever, registrar, relatar, repetir, sublinhar e nomear.
Ex.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos
mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas.
b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever,
discutir, esclarecer, examinar, explicar, expressar, identificar, localizar, traduzir e
transcrever.
Ex.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela
privação de sono.
c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar, demonstrar,
empregar, ilustrar, interpretar, inventariar, manipular, praticar, traçar e usar;
Ex.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de
minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares
em operações continuadas.
d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar, classificar,
comparar, constatar, criticar, debater, diferenciar, distinguir, examinar, provar,
investigar, verificar e experimentar.
Ex.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas.
e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular, compor,
constituir, coordenar, reunir, organizar e esquematizar.
Ex.: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a
manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações
continuadas.
f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar, avaliar,
eliminar, escolher, estimar, julgar, preferir, selecionar, validar e valorizar.
Ex.: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono.

62
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo, e isto é feito através de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa.

4.1.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas,
das quais depende a consumação do objetivo final. Indicam o que se tem de
alcançar para chegar ao objetivo geral. Devem ser redigidos com o verbo no
infinitivo. Os objetivos específicos tentam descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e mensuradas.
A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a
serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas.
Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/
ações operacionais afetadas pela privação de sono”, listaremos a seguir alguns
exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em
privação de sono, para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à
privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas.
b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN, um questionário a
ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva, onde os mesmos deverão
apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da
atenção seletiva, do estado de alerta e vigília, bem como da execução de tarefas de
cunho cognitivo.
c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência,
confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o
parecer dos especialistas;
d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas
pela privação de sono.


63
4.2 HIPÓTESES (Proposta, Projeto e DM)

Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa, e ter realizado a revisão
de literatura, o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis
soluções para o problema de pesquisa. Segundo Laville, (1999, p.123), este é um
dos principais momentos do itinerário de pesquisa.
Quando uma pessoa confronta-se com um problema, trata de adivinhar,
sugerir ou especular uma resposta. Esta resposta sugerida chama-se hipótese.
Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente, uma especulação ou uma
conjectura sobre as diferenças, as relações e as causas do problema. Assim sendo,
ela é a base para o raciocínio do problema, é o ponto de partida para se encontrar
um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. É uma
suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas, que justificam sua
pertinência/validade.
A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente
proposto, derivando diretamente de sua definição. É uma conjectura a respeito da
relação entre as variáveis do problema, ou seja, é uma possível resposta ao
problema, que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou
desconsideração (que pode ser total ou parcial). A desconsideração total significa
que a hipótese não procede, o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa.
Portanto, este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela
careça de importância. Significa apenas que a hipótese não é verdadeira.
Segundo Viegas (1999), as hipóteses pressupõem, em primeiro lugar, a
existência de causas e, em seguida, que elas possam ser conhecidas e deduzidas
logicamente. Sob a ótica da Matemática, a hipótese é algo aceito ou suposto para
continuar a argumentação. Epistemologicamente, é algo a ser verificado.
Segundo Fachin (2001), não se conhecem normas específicas para a
elaboração das hipóteses, contudo, salienta que além do conhecimento bibliográfico
sobre o assunto, o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como
orientação no decorrer da pesquisa científica, a fim de não conduzir o seu estudo à
mera divagação e à acumulação de dados superficiais.
Gil (1999), afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas
disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação.

64
Caso este procedimento não seja possível, recomenda reformular a hipótese para
ajustar-se às técnicas disponíveis.
Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também
chamada de hipótese de estudo, de trabalho ou de investigação) que é a afirmação
da suposição indicada; e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou
estatística) que indica a negação da suposição.
A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa, devendo ser
expressa de forma clara, concisa e gramaticalmente correta. Normalmente o
pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros, ou antecipe
um relacionamento entre as variáveis, oferecendo uma conjectura sobre as relações
entre duas ou mais variáveis. Deve ser enunciada de modo que se possa comprová-
la, isto é, afirmar se é verdadeira ou falsa. Diferentemente do problema, ela deve ser
redigida na forma afirmativa.
A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar
a confiabilidade dos resultados, e significa que não há diferenças entre tratamentos
e/ou nenhuma relação entre as variáveis, confirmando que qualquer diferença ou
relacionamento observado entre as variáveis, é devido ao acaso e não ao
tratamento realizado. Segundo Thomas & Nelson (2002, p. 62), a hipótese nula não
é usualmente a hipótese de pesquisa, sendo utilizada quando existem evidências de
que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes.
Tomando por base o problema 2. “A privação de sono altera o
desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo
geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas”, listaremos a seguir exemplos
de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa.
H1: O desempenho cognitivo de militares, expostos a 48 horas de
privação de sono, diminui durante operações continuadas. Note que esta
hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema.
H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos
cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono
durante 48 h de operações continuadas. Note que esta hipótese de pesquisa
também é uma resposta ao problema.

65
No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico, caso quiséssemos
comprovar H1, teríamos que demonstrar que H2 é falsa, logo dizemos que H2 é a
hipótese nula de H1
Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa, poder-se-ia formular,
dentre outras, as seguintes hipóteses:
H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo
de militares em operações continuadas.
H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de
decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas.
H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do
Comandante de PELOPES em operações continuadas
H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem
à patrulha em operações continuadas
É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo
problema. Logicamente, o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em
que o problema estiver inserido. Desta forma, é imprescindível identificar e definir os
conceitos que facilitem a compreensão da problemática; o que será feito por meio
das variáveis que compõe o problema de pesquisa.

4.3 VARIÁVEIS (Proposta, Projeto e DM)

A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou
diferentes aspectos, segundo casos particulares ou circunstâncias, estando sujeita à
medição. Constitui-se no elemento central da investigação. Qualquer que seja o
problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação
das variáveis, isto é, a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e
que se pretende explicar. Para tanto, é necessário apresentar uma definição
conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da
investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as
mensuráveis, através de suas dimensões, componentes e indicadores).



66
4.3.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta, Projeto e DM)

Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e
enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada. Definir
significa exprimir o que uma coisa é, explicar o significado de um termo a partir de
sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido; explicar o
que se entende pela variável apresentada, abordando como este conceito poderá
ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados.
Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono
prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”
podemos verificar a existência de duas variáveis distintas:
a) variável I: “Privação de sono”; e
b) variável II: “Desempenho cognitivo”.
Note que o termo “militares” está relacionado à população que será
investigada, e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o
ambiente/contexto em que o estudo será abordado.
Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo, deve-se atentar para a
objetividade e pontualidade das informações, de modo a ser preciso na definição
evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis
significam no contexto do trabalho. O exemplo abaixo é uma das possíveis
definições das variáveis de estudo supracitadas:

Variável I: Privação de sono

No contexto desta pesquisa, esta variável pode ser entendida como uma
situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados,
assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo, medido em
horas; podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação
total de sono”, conforme as situações comumente encontradas em combate
continuado.



67
Variável II: Desempenho cognitivo.

Para a presente pesquisa, desempenho cognitivo deve ser entendido como o
resultado obtido pelos sujeitos, em testes cognitivos que exijam atenção sustentada,
memória, atenção seletiva e raciocínio lógico; dimensões do desempenho cognitivo
elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de
situação, planejamentos e condutas durante operações militares continuadas.

Quanto à forma de medição, as variáveis classificam-se em quantitativas e
qualitativas.
As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por
números ou medidas.
Ex.: diâmetros, número de soldados, altura, peso, idade, etc...
As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por
categorias, modalidades ou atributos.
Ex.: cor, sexo, conceito militar (liderança, zelo, responsabilidade, ...), escalas
de medição (E, MB, B, R, I), etc...
Como dito anteriormente, um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as
relações entre as variáveis, isto é, como uma influencia a outra (relação de
causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno
(correlação).

4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis

Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de
dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras
variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. Quanto ao aspecto
relacionamento, as variáveis podem ser classificadas em: independente,
dependente e interveniente.
A variável independente é aquela que, manipulada, causa ou contribui para
a ocorrência de algum efeito na variável dependente.

68
A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em
função da variável independente.
A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis
dependentes e independentes, alterando de alguma forma a influência esperada
entre elas, devendo ser meticulosamente controlada, para que se possa estabelecer
a relação de causa/efeito hipotetizada.
Ex.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque
modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). Parece lógico que
o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono.
Neste exemplo, deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que
poderiam contaminar o estudo, tais como: a alimentação fornecida (alimentos
pesados induzem ao sono), esforço físico exigido (um esforço mal controlado
poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação
de sono), formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem
formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas
dimensões do desempenho cognitivo) etc...

4.3.1.2 Correlação entre variáveis

No caso das correlações, temos uma variação interdependente, ou seja as
variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra, e vice-versa.
Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 20-
20), espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que
o militar percorrer um determinada distância), menor deva ser a intensidade (tempo
para a realização de cada repetição), neste caso dizemos que existe uma correlação
negativa entre as variáveis, pois quando o volume aumenta, a intensidade diminui, e
vice-versa.
Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico, verifica-
se que quanto maior for a intensidade, maior deverá ser o intervalo para a
recuperação, neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as
variáveis, pois quando uma aumenta, a outra também aumenta, e quanto uma
diminui a outra também diminui, e vice-versa.

69
Existem diversos testes estatísticos, para determinar a existência e a força da
correlação entre as variáveis, que são utilizados na comprovação de hipóteses de
estudo.

4.3.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM)

Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de
mensuração. Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores.
As dimensões são características que permitem que a variável seja medida,
enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão.
Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades
passíveis de mensuração, ou seja, em elementos empiricamente observáveis que
constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável.
Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos
indicadores elencados em suas respectivas dimensões.
Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma
variável é apresentada nos quadros 4 e 5. Note que as variáveis “privação de
sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que
permitem as suas respectivas mensurações.
O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Privação total de sono
O pelotão A deverá
permanecer 48 horas sem
dormir
Privação parcial de sono
O pelotão B deverá dormir
entre 01:00hs e 05:00hs
Privação
de sono
Tempo de
privação
Sono normal
O pelotão C poderá dormir
entre 22:00hs e 05:00hs
Quadro 4 – Definição operacional da variável I - Privação de Sono.



70
Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através
da dimensão tempo de privação, o que permitiu sua mensuração.
Nota-se também que a variabilidade desta variável, ocorre em função do
tempo que cada pelotão poderá dormir, o que reflete a privação de sono.
O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho
cognitivo.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Atenção
Desempenho na oficina
de patrulha de
reconhecimento
(Observação em um PO)
Relatório a respeito
dos eventos que
foram apresentados
no terreno*
Pergunta 1 e 2 do
questionário**
Desempenho na oficina
de criptografia e
decriptografia
Número de acertos
na criptografia e
decriptografia de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 4
do questionário **
Desempenho na oficina
de autenticação de
mensagens
Número de acertos
na autenticação de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 5
do questionário**
Raciocínio
lógico
Desempenho na oficina
de locação de pontos
Número de acertos
na locação de
pontos por diversos
processos*
Pergunta 1, 3 , 6 e 7
do questionário**
Desempenho
cognitivo
Memória
Desempenho na oficina
de mensageiro
A cada início de
oficina será
distribuída uma
mensagem
alfanumérica que
deverá ser decorada
e apresentada ao
término da mesma*
Pergunta 1 e 8 do
questionário**
* Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser
descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa.
Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão.
** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos.
Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo.


71
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária deve-se definir onde, quando e como será realizada
a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa);
amostra (e método de amostragem, sfc); método de pesquisa; tipo de pesquisa;
e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema;
instrumentos de coleta de dados; bem como o modelo de análise (forma como se
pretende tabular e analisar os dados).

4.4.1 População (Proposta, Projeto e DM)

Uma população ou universo, no sentido geral, é um conjunto de elementos
com pelo menos uma característica comum. Essa característica deve delimitar,
inequivocamente, quais elementos pertencem ou não à população.
Assim, por exemplo, podemos estar interessados em realizar uma pesquisa
sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. Logo, a população física
que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares
existentes no Comando Militar do Leste. Embora pareça extremamente simples, na
verdade, ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos
interessa. Será ela constituída apenas por aqueles que, atualmente, estão na ativa?
Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva?
Além disso, é preciso definir a característica comum que distingue
perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa
(Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou
do Efetivo Variável?).
Uma vez perfeitamente caracterizada a população, o passo seguinte será o
levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em
questão. Grande parte das vezes, porém, não é conveniente, ou mesmo possível,
realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população.
Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população, isto é, a uma
amostra proveniente dessa população.


72
4.4.2 Amostra (Projeto e DM)

A amostra é um subconjunto, necessariamente finito de uma população, no
qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo
estatístico desejado. É intuitivo que, quanto maior a amostra, mais precisas e mais
confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. Levando esse raciocínio
ao extremo, conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame
completo de toda a população, o que se denomina censo ou recenseamento.
A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. Segundo
Gil (1999), esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a
amplitude do universo, o nível de confiança estabelecido, o erro máximo permitido e
a percentagem com que o fenômeno ocorre.
O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa
Científica, para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção
da amostra e do método de amostragem
O quadro 6 apresenta, resumidamente, a quantidade de elementos (n) que
deverá conter uma amostra, de acordo com a população estudada (N), considerando
uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional, e 5%
probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso,
isto é, que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis.
N n N n N n N n
10 10 80 66 350 183 4000 351
20 19 90 73 400 196 5000 357
30 28 100 80 450 207 6000 361
40 36 150 108 500 217 7000 364
50 44 200 131 1000 277 8000 367
60 52 250 152 2000 322 9000 368
70 59 300 169 3000 341 10000 370
Quadro 6 - Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N).

4.4.3 Método de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método
de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do
problema de pesquisa. É necessário que, de acordo com os conceitos apresentados
na UD II deste Manual, o pesquisador justifique a opção pelo método adotado.

73
Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a
adequação do método de pesquisa utilizado; portanto, antes de escolher um
método, deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a
abordagem e o raciocínio que se pretende empreender.
O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
De Abordagem (lógicos)
Dedutivo
Indutivo
Hipotético-dedutivo
Dialético
Fenomenológico Método
De Procedimentos (técnicos)
Comparativo
Histórico
Estudo de caso
Estatístico
Quadro 7 - Resumo dos principais métodos de pesquisa científica.

4.4.4 Tipo de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza, à forma de
abordagem, ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. Nesta subseção o
pesquisador deve justificar, obrigatoriamente, sua opção pelo (s) tipo (s) de
pesquisa(s) adotado(s), quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos
técnicos, de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual.
O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Quanto à natureza
Básica (Pura)
Aplicada
Quanto à forma de abordagem
Quantitativa
Qualitativa
Quanto ao objetivo geral
Exploratória
Descritiva
Explicativa
Bibliográfica
Documental
Tipo
Quanto aos procedimentos
técnicos
Experimental
Levantamento (de campo)
Estudo de caso
Ex-post facto
Pesquisa-ação
Pesquisa participante
Quadro 8 - Resumo dos principais tipos de pesquisa científica.

74
4.4.5 Técnica de Pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente
ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado. Segundo Martins e Lintz (2000)
existem diversos instrumentos de medida, tais como: coleta documental,
questionário/formulário, entrevista, observação, análise de conteúdo e escalas
para medir atitudes.
O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa
científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Técnica Quanto à obtenção de dados
Coleta documental
Questionário/Formulário
Entrevista
Observação
Análise de conteúdo
Escalas para medir atitudes
Quadro 9 - Resumo das principais técnicas de pesquisa científica.

4.4.5.1 Coleta documental

A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de
pesquisa, sendo utilizada durante a revisão de literatura, na construção do
Referencial Teórico, e se for o caso, durante a etapa de coleta de dados (vide
pesquisa bibliográfica e pesquisa documental, na UD III deste Manual).
Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais
(reportagens, editoriais, discursos, enunciados de políticas governamentais, cartas,
e-mail, etc...) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do
fenômeno.
Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G),
seguindo a seguinte ordem:
a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha;
b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo;
c) anexar à descrição do material, notas (comentários) sobre a natureza e a
fonte de cada documento; e
d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos.

75
A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material, permitindo um
fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados, em função do problema e dos
objetivos de estudo.
Mesmo após esta organização, o material continuará bruto e não permitirá
ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão,
sendo necessário, portanto, a utilização dos princípios da análise de conteúdo
(conforme o item 4.4.5.5.)

4.4.5.2 Questionário

Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de
perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou
descrever. Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas
abertas, fechadas e/ou mistas, devendo ser respondido por escrito sem a
necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e
lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário, esta técnica
recebe o nome de formulário).
As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder
livremente, usando linguagem própria. Possibilitam investigações mais precisas e
profundas, porém apresentam alguns inconvenientes, pois dificultam o processo de
tabulação, o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. Sua análise
é difícil, complexa, cansativa e demorada, sendo necessário o estabelecimento de
critérios para a codificação de respostas similares, porém apresenta a grande
vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento
do informante acerca do que foi questionado.
Ex.: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão
“memória” da variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta
aberta conforme o quadro 10:
Pergunta 8. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos
relativos à segurança na posição e no deslocamento. Cite abaixo todos os aspectos
que o senhor puder lembrar sobre este assunto:
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta.

76
As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a
pergunta através de respostas pré-definidas. Este tipo de pergunta facilita
sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados, embora restrinja a liberdade
das respostas, tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.
As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de
respostas disponíveis para o informante, conforme o quadro 11:

Pergunta Quanto às respostas Exemplo
Dicotômicas Admitem somente duas respostas
( ) Sim
( ) Não
Tricotômicas Admitem três respostas
( ) Sim
( ) Não sei
( ) Não
Múltipla escolha
Apresentam uma série de
possíveis respostas
( ) Excelente
( ) Muito Bom
( ) Bom
( ) Regular
( ) Insuficiente
Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas.

Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, podem ser formuladas diferentes tipos de
perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo:
Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor sentiu sono?
a.( ) Sim
b.( ) Não
Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica
Pergunta x (aos especialistas). Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono
contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por
noite”:
a.( ) Concordo
b.( ) Não concordo nem discordo
c.( ) Discordo
Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica


77

Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar :
a.( ) Permaneci o tempo todo atento
b.( ) Tive pequenos lapsos de atenção
c.( ) Tive grandes lapsos de atenção
d.( ) Foi impossível permanecer atento
Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

Pergunta X (aos especialistas). Com relação ao tempo mínimo de sono
necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em
operações militares continuadas com 7 dias de duração, o senhor recomendaria:
a.( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas
b.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas
c.( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas
d.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas
e.( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas
Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas.
Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa,
contribuição ou parecer do informante, além da resposta fechada padrão. Esta forma
de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma
manifestação/complemento por parte do informante. Conforme o Exemplo abaixo:
Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta mista que pretendia
medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de
alerta, conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida
para os outros indicadores apresentados no quadro 5):

78
Pergunta 1. Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar que a privação de
sono prejudicou seu desempenho em que nível:
a.(
)
A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção, eu
estava totalmente alerta
b.(
)
A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção, eu tive
mínima dificuldade em permanecer alerta
c.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção, eu tive
pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta
d.(
)
A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção, eu tive
lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta
e.(
)
A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção, eu tive
grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta
f. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono
g.(
)
A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui permanecer acordado
O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue
interessante.
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________ .
Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista

Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário.
Todavia, é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua
elaboração:
a) redigir perguntas preferencialmente fechadas;
b) permitir ao questionado complementar sua resposta, se assim desejar;
c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis;
d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema.
e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise
de dados.
f) elaborar perguntas claras, concretas e precisas;

79
g) elaborar perguntas que não induzam às respostas, e que evitem penetrar
na intimidade das pessoas.
h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e
informação, que lhe permita responder as perguntas.
i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário
j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas
k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável, e assim obter
indicadores de consistência para os resultados colhidos
O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste, isto
permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não
tenham sido bem entendidas/estruturadas.
O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos:
a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos
resultados);
b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa); e
c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro).
Verificadas as falhas, deve-se reformular o questionário, conservando,
modificando, ampliando, eliminando itens, explicando melhor alguns ou modificando
a redação de outros.

4.4.5.3 Entrevistas

A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas,
"face a face", em que uma delas formula questões e a outra responde. Seu objetivo
básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e
situações, com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.
Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente
definido as entrevistas são denominadas estruturadas. Contrariamente, através das
entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas, o pesquisador busca obter
informações, dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva.
Segundo Martins e Lintz (2000), o pesquisador deve planejar a entrevista,
delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; buscando algum
conhecimento prévio sobre o entrevistado; atentando para os itens que o
entrevistado deseja esclarecer, sem, contudo, manifestar suas opiniões. Deve ainda,

80
criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista; obtendo a
confiança do entrevistado; ouvindo mais do que falando; evitando divagações; e
registrando os dados e as informações durante a entrevista.

4.4.5.4 Observação

A técnica de observação é um instrumento de medida, sob algum aspecto,
imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica, pois ela tanto pode
conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de
forma independente e/ou exclusiva. A observação é o exame minucioso, um olhar
preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes; é a
captação clara do objeto examinado.
A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um
objetivo formulado de pesquisa, é sistematicamente planejada, registrada e ligada a
proposições mais gerais e, em vez de ser apresentada como conjunto de
curiosidades interessantes, é submetida a verificações e a controles de validade
e precisão.
Segundo Richardson (1999), a observação apresenta muitas nuances em
face de sua flexibilidade, pois seu objeto de estudo, bem como o objetivo da
pesquisa que a utiliza, determina seu tipo e sua metodologia. Portanto, há
momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela
forma de observação; o preparo do seu desenvolvimento; o desempenho de seu
emprego; e o seu registro.
Segundo ele, a observação é classificada, tradicionalmente, como um método
qualitativo de investigação. Vale destacar que ela é também quantificável, estando
na dependência, sob este aspecto, da direção que lhe for dada na pesquisa. Para
que a observação seja quantificável, não se deve apenas olhar e ver o fenômeno
objeto de estudo, mas também estabelecer, previamente, algumas condições para
seu desenvolvimento, dentre as quais: saber o que observar e como quantificar.
De acordo com Martins e Lintz (2000), o pesquisador precisará da permissão
dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com
elementos que avaliam, inspecionam e supervisionam atividades. Seu principal
problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. Estar
consciente do que se deseja levantar é básico, pois, do contrário, não se consegue

81
ganhar a confiança, tampouco elementos que permitam análises e reflexões
coerentes.
A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza,
profundidade e singularidade das descrições obtidas. Para eles, esse é o grande
desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas, sob o
risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e,
geralmente, especulativo.
O pesquisador deve ter cuidado com as impressões, vagas sensações, e
projeções psicológicas que são características próprias do senso comum;
distanciada, portanto, da ciência.

4.4.5.5 Análise de conteúdo

A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as
variáveis de maneira objetiva, sistemática e quantitativa. Buscam-se inferências
confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto, a partir dos
discursos escritos e orais de seus autores. A análise de conteúdo pode ser aplicada
virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa, livros, poemas,
conversas, discursos, cartas, regulamentos, rádio, televisão etc. O pesquisador pode
analisar, por exemplo, a personalidade de alguém, avaliando seus escritos; ou
avaliar as intenções, pela análise dos conteúdos das mensagens; pode desvendar
as ideologias dos dispositivos legais, descrever tendências no conteúdo das
comunicações, auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões, ou
determinados objetivos etc (LAVILLE, 1999, p. 214).
Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser
observadas.
a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a
ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental),
b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado, das palavras e frases
que o compõem, procurar-lhes o sentido, captar-lhes as intenções, comparar,
avaliar, descartar o acessório, reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das
idéias principais, sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico.
c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra, o
tema, a frase, os símbolos, etc;

82
d) agrupar as unidades segundo algum critério;
e) definir as categorias ou unidades de medida, e
f) proceder o tratamento estatístico conveniente.
Um discurso pode, por exemplo, ser classificado como otimista ou pessimista,
liberal ou conservador. As categorias devem ser exaustivas e mutuamente
excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes, conforme o item
4.4.6.1).
Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências.
Através de interpretação inferencial dos quadros de referência, os conteúdos
manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação.
Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações, a
análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico
adequado para a construção e embasamento das categorias de análises.

4.4.6 Instrumentos (Projeto e DM)

Segundo Richardson (1999), ao iniciar um trabalho de pesquisa o
pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das
técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo.
Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados,
sendo descrito, detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado; “para
que” servirá cada item/fase do instrumento; bem como, a que indicador das
dimensões das variáveis está relacionado. O instrumento (questionário, entrevista...)
deve ser apresentado em apêndices ao relatório final.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem alguns procedimentos que devem
ser observados para a construção de um instrumento de medida. O pesquisador
deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever, revisar o significado e a
definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida
operacionalmente. Em outras palavras, o pesquisador deve:
a) definir como as variáveis serão medidas, ou descritas;
b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s); e
c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados.

83
Particularmente em relação às entrevistas, questionários e formulários,
existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação
dos questionamentos, são as escalas para medir atitudes.

4.4.6.1 Escalas para medir atitudes

As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição
aprendida pelo sujeito para responder consistentemente, de maneira favorável ou
desfavorável, acerca de um objeto ou representação simbólica.
A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao
objeto, símbolo ou situação que lhe é apresentada.
Ex.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável, provavelmente
eu não participarei de bailes carnavalescos.
As atitudes são indicadores de condutas. Elas possuem diversas
propriedades; entre elas, destacam-se a direção (positiva ou negativa) e a
intensidade (alta ou baixa), e tais propriedades constituem o objeto das medições.
Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o
escalonamento tipo Likert, o diferencial semântico, a escala de importância e a
escala de avaliação.

4.4.6.1.1 Escalonamento tipo Likert

O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis
Likert no início dos anos trinta. Consiste em um conjunto de itens apresentados em
forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos que externem
suas reações, escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. A cada
ponto, associa-se um valor numérico. Assim, o sujeito obtém uma pontuação para
cada item. O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável, ou
desfavorável, em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está
sendo avaliada.
Ex.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser
medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”; a partir
deste objeto e desta afirmação, solicita-se que as pessoas externem suas reações.

84
As alternativas de respostas, pontos da escala, indicam o quanto se está de
acordo com a afirmação correspondente. Podem ser utilizadas muitas variações da
escala tipo Likert. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala.

Escala de concordância Escala de afirmação
( ) concordo totalmente ( ) sim
( ) concordo ( ) provavelmente sim
( ) nem concordo, nem discordo ( ) indeciso
( ) discordo ( ) provavelmente não
( ) discordo totalmente ( ) definitivamente não
Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert

As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável
(negativa). A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de
respostas. Comumente, quando as afirmações são positivas, utilizam-se os valores
em ordem decrescente de um a cinco pontos
O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e
negativas.

Afirmações
O serviço militar é um dever de todo o cidadão! Não deve haver serviço militar obrigatório!
5 concordo totalmente 1 concordo totalmente
4 concordo 2 concordo
3 nem concordo, nem discordo 3 nem concordo, nem discordo
2 discordo 4 discordo
1 discordo totalmente 5 discordo totalmente
Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert

Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros
valores observando, é claro, o sentido das afirmações. Uma pontuação é
considerada alta, ou baixa, segundo o número de itens, ou afirmações. Se uma
escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco, a pontuação
mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta. Nesse caso, as atitudes
favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta,
enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem duas formas básicas para aplicar
uma escala tipo Likert. A primeira é auto-administrada, ou seja, entrega-se a escala

85
ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou
resposta. A segunda maneira é a entrevista ou formulário, em que o entrevistador lê
as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. Para
se chegar à versão final de uma escala Likert, é preciso realizar algumas sessões de
pré – teste, a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado.

4.4.6.1.2 Diferencial semântico

A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood, Suci e
Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado
conceito. Atualmente, porém, consiste em uma série de adjetivos extremos que
qualificam um objeto de atitude, ante a qual solicita-se a reação do respondente. Isto
é, o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos
bipolares, indicadores de valorização, potência ou atividade.
Ex.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar, os entrevistados deveriam
colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a
um. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai
decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1). A apuração da
atitude favorável, ou desfavorável, é semelhante à utilizada na escala Likert,
somando-se os pontos de cada par de adjetivos. Para chegar à versão final de uma
escala de diferencial semântico, será preciso realizar algumas sessões de pré–teste,
ou piloto, com um conjunto de respondentes, a fim de se proceder às correções e
ajustes necessários.
O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos
inerentes ao Serviço Militar Obrigatório.

Conceito favorável +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável
justo injusto
barato caro
seguro perigoso
útil inútil
responsável irresponsável
educa deseduca
Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico.


86
4.4.6.1.3 Escala de importância

A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes.
Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum
atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao
mesmo padrão de pontuação.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao
entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas
efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser
levantadas as opções apresentadas no quadro 20.
Escala de importância Pontuação
( ) Extremamente importante 5 Extremamente importante
( ) Muito importante 4 Muito importante
( ) Importante 3 Importante
( ) Pouco importante 2 Pouco importante
( ) Sem importância 1 Sem importância
Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação

A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia
algum atributo.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de
armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de
acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21.
Escala de avaliação Pontuação
( ) Excelente 5 Excelente
( ) Muito bom 4 Muito bom
( ) Bom 3 Bom
( ) Regular 2 Regular
( ) Insuficiente 1 Insuficiente
Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos

Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a
sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o

87
instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste
(estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da
amostra ou população (n=30), com a intenção de:
a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões;
b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e
c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual
Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”).
Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais
poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma
entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas
durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma
diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas.
Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento,
tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente
confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar.
A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do
instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado),
aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras
palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de
interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento.
Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste
poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população.
Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as
recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que
possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta
forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não
se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação
de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa.
Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de
interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos
pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se
úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou
espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas
explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes".

88
Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo
do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação
quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto
uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir
avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de
variáveis quantitativas e vice-versa).
Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis.
Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis
e das situações.
Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de
instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e
adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da
investigação.

4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM)

Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e
analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados
serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos
que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos,
etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística
a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de
hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão
generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos
resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85).

5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão
dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de
dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão refere-
se às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da
investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de
Pesquisa).

89
O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste
referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e
de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do
projeto.

5.1 PLANILHA DE CUSTOS

A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a
apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na
investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos
dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência,
telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com
transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de
responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os
recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável.

5.2 CRONOGRAMA

O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o
planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando
as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal,
trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a
necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário.

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM)

Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados
obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito
dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem
apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e
discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase
experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa
simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso
não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação.

90
A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prende-
se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido mais amplo
dos resultados através da interpretação dos dados.

5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS

Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos
(vide o Cap 2 do Manual de Estatística, v.1) uma vez que permitem um fácil e rápido
acesso à informação, facilitando a análise dos resultados.
Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento
de pesquisa), será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos,
podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os
resultados da pesquisa. Atualmente, com o advento da informática, é natural que se
utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e
cálculos estatísticos, tabelas, quadros e gráficos.
A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de
apresentação e análise, é possível afirmar que, em boa parte das pesquisas sociais,
são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos
resultados:
a) categorização dos dados,
b) codificação dos dados; e
c) tabulação dos dados.

5.1.1 Categorização dos dados

Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas, faz-se
necessário organizá-las. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas
semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias.
Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados, devem atender
a algumas regras básicas, assim definidas por Selltiz et al. (1967, p. 441):
a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de
classificação (favorável/neutro/desfavorável; E/MB/B/R/I, grau de escolaridade,

91
etc...), permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um
pequeno número de categorias;
b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas
as repostas); e
c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma
mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria).

5.1.2 Codificação dos dados

De acordo com Gil (1999), a codificação é o processo pelo qual os dados
brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados. Pode ser
feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados.
A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são
constituídos por perguntas fechadas, cujas alternativas são associadas a códigos
impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da
técnica da observação sistemática. Segundo Gil (1999), a forma mais prática de
proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no
espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente, como
aparece quadro 22.

Item Categoria Código Item Categoria Código
1. Sexo: 3. Escolaridade
Masculino ( )01 Nunca foi à escola ( )06
Feminino ( )02 1º grau incompleto ( )07
1º grau completo ( )08
2. Idade: 2º grau incompleto ( )09
de 18 a 20 anos ( )03 2º grau completo ( )10
de 21 a 23 anos ( )04 Superior incompleto ( )11
mais de 23 anos ( )05 Superior completo ( )12
Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da
categoria a que pertence o dado a ser tabulado.


92

Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório:
Nr Respostas dos informantes: Código
1 “Penso que não serve pra nada, só ocupa o tempo do cidadão.” D
2 “Não tenho nada a dizer, pois não servi.” O
3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade.” F
4 “Penso que deveria ser voluntário, pois atrapalha os estudos.” D
5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina.” F
6 ”Lá se aprende a ser cidadão.” F
7 ”Tem seus prós e contras.” N
8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo; acho válido.” F
F 4
N 1
D 2
TOTAIS
O 1
Código Descrição
F Parecer favorável
N Parecer neutro
D Parecer desfavorável
LEGENDA
O Não respondeu, não soube responder ou respondeu outra coisa.
Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

5.1.3 Tabulação dos dados

A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias
categorias de análise. A tabulação pode ser simples ou cruzada. A tabulação
simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto. A
tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente
em dois ou mais conjuntos de categorias.

5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas

Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16), aplicada a 90 cadetes (30
de cada pelotão), é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de
distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo:



93
Tabela 2 - Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Respostas*
f % f % f %
a 0 0,00 0 0,00 10 33,33
b 0 0,00 0 0,00 15 50,00
c 1 3,33 2 6,67 5 16,67
d 3 10,00 4 13,33 0 0,00
e 4 13,33 12 40,00 0 0,00
f 15 50,00 10 33,33 0 0,00
g 7 23,33 2 6,67 0 0,00
Total 30 99,99 30 100,00 30 100,00
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.
Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 01 (quadro 16)
Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.
Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das
categorias das variáveis de estudo. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.
Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
0 0
1
3
4
15
7
0 0
2
4
12
10
2
10
15
5
0 0 0 0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
a b c d e f g
Respostas à pergunta 1
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas
No caso das perguntas abertas, deve-se estabelecer uma forma de agrupar
as respostas, de acordo com um gabarito, escala, ou categorias de respostas
(favoráveis, desfavoráveis ou neutras), para que seja possível quantificar as
respostas obtidas pelo instrumento adotado.
Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10), poder-se-ia estabelecer um
gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e
segurança no deslocamento (de 4 a 6), para a obtenção de uma média de acertos

94
dos estagiários de cada pelotão, possibilitando uma comparação intergrupos dos
efeitos da privação de sobre a memória, conforme a tabela 3.
Tabela 3 - Itens memorizados após a ordem a patrulha.
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Itens verificados*
f % f % f %
1 18 60,00 25 83,33 28 93,33
2 18 60,00 23 76,67 25 83,33
3 17 56,67 23 76,67 25 83,33
4 18 60,00 26 13,33 30 100,00
5 16 53,33 18 60,00 23 76,67
6 19 63,33 23 76,67 29 96,67
Total Média 106 58,89 138 76,67 160 88,89
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.

Legenda:
¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 08 (quadro 10)
A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3:
Itens memorizados após a ordem à patrulha
18 18
17
18
16
19
25
23 23
26
18
23
28
25 25
30
23
29
0
5
10
15
20
25
30
35
1 2 3 4 5 6
Itens a serem memorizados
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.

5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise
estatística, uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos
dados coletados, à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da
hipótese de estudo. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de
um raciocínio lógico que embasará as conclusões.


95
5.2.1 Análise estatística

Após a tabulação dos dados, procede-se à sua análise estatística. Esta deve
ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência
estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística).
Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa, deve-se passar à sua
descrição que, geralmente, é feita para atender a objetivos como:
a) caracterizar o que é típico no grupo;
b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo;
c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência
central (média, mediana e moda) e em relação a outras variáveis; e
d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas.
A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os
procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de
estatística, que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa.
Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas,
ou não, entre as características de determinada variável, somente descrever estas
diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese. É necessário
verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou
uma variável independente), e, para isto, existem vários testes estatísticos capazes
de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma
abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do
capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística).

5.2.2 Avaliação das generalizações

Segundo Gil (1999), a avaliação das generalizações obtidas com os dados
em pesquisas sociais, na maioria dos casos refere-se a amostras, mas o interesse
dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi
selecionada a amostra. Segundo ele, para tratar as questões desta natureza
procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças
reais entre as populações representadas pelas amostras.
Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas
amostras tenham sido devidas ao acaso, foram criadas várias técnicas estatísticas

96
conhecidas como testes de significância. Existe uma grande variedade de testes
de significância. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio
do tipo de distribuição, do nível de mensuração alcançado e do formato das
tabelas. Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não
paramétricos. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um
desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística
(uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser
encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de
Estatística).

5.2.3 Interpretação dos dados

Segundo Gil (1999), não existem normas que indiquem os procedimentos a
serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações
acerca dos cuidados, que devem tomar os pesquisadores, para que a interpretação
não comprometa a pesquisa. O que se diz a respeito da interpretação, em pesquisa
social, refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria.
Goode e Hatt (1969), enfatizam a importância da teoria para o
estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre
proposições. Dizem que, mediante uma teoria, é possível se verificar que por trás
dos dados existe uma série complexa de observações, um grupo de suposições
sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições
sobre a atuação de cada grupo.
Gil (1999), diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias
suficientemente confirmadas, lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos
materiais”. Mas, quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de
comprovação, as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de
adequação à realidade, o que pode servir para inibir a realização de investigações
apropriadas.
Em resumo, deve-se procurar, sempre que possível, analisar os dados
obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. A análise
deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e
confrontar dados e provas, a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s).


97
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM)

Segundo Laville (1999), ao concluir, o pesquisador deve voltar ao início da
pesquisa, lembrando sumariamente o problema inicial, as intenções da pesquisa e o
trabalho realizado.
Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a
seguir, para se redigir as conclusões e recomendações, é adequado sumariar alguns
procedimentos que devem ser observados ao escrever, conforme listado abaixo:
a) relembrar o objetivo geral da pesquisa;
b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles
fossem, mas o que são), relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses;
c) sintetizar os resultados, procurando explicá-los e interpretá-los de acordo
com a teoria;
d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram
confirmadas ou rejeitadas;
e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia;
f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas; e/ou
g) sugerir, para futuras pesquisas, assuntos ou tópicos relacionados que
deixaram de ser investigados.
A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e a análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara
e ordenada, as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto. Não devem ser apresentadas idéias novas que
não constem do desenvolvimento, e não é recomendável a apresentação de
descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados
comprometidos e/ou passíveis de novas discussões.
Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas,
destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a
necessidade de novas verificações.
Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações, de
ordem prática, de intervenções na natureza ou na sociedade, de acordo com as

98
conclusões da pesquisa”, ou seja, consistem na apresentação de idéias (propostas),
obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso. Por sua vez, as
sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa, inclusive levantando novas
hipóteses, abrindo caminho a outros pesquisadores”, ou seja, apresentam idéias
para a realização de novos estudos.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, devem ser escritas somente
se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema, auxiliando o aprimoramento de novos estudos
sobre o tema.

4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados, logo, é necessário
preocupar-se com a sua apresentação formal. Como as pesquisas diferem entre si,
não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. Contudo, é possível
definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente
aparecem nos projetos de pesquisa. Os aspectos relativos à estrutura do texto, ao
estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo
pesquisador no momento da redação.
A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um
documento denominado dissertação. Este documento deve seguir as normas da
ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, elementos textuais e
elementos pós-textuais.
Foi definido neste manual, um esquema de dissertação capaz de abranger a
maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. É importante
reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente
desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa. Desta forma, uma estrutura
viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação
está esquematizada no Anexo B.


99
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação

Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a
“comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor, e, se
necessário, refazê-los, passo a passo, pois, cartesianamente, só serão aceitas
idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar.
O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e
acessível capaz de prender a atenção do leitor, acadêmico ou leigo, mantendo um
saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular, entre o rigor
científico e o bom senso.
Todavia, mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática, é preciso observar
as diferenças entre a linguagem literária, com a qual os escritores escrevem com
o coração, ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário, e a
linguagem científica, com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade,
chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica.
Na literatura, busca-se a criatividade e a imaginação do autor. Cobram-se
atitudes éticas valorativas e engajamento político. Na redação científica, busca-se a
objetividade, a isenção do autor, a fidelidade ao fato, a descrição, a neutralidade
sem posicionamentos subjetivos, ideológicos ou éticos.
Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da
imaginação do leitor. Segundo Barrass (1991), o pesquisador deve seguir um
caminho árduo, convencendo os leitores com base em provas, apoiando-se em
verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas.
Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador
em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. Em textos técnicos, o
pesquisador trata o tema como quem está de fora, descrevendo o que se passa. Em
português, logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e
a partícula apassivadora se, com verbos impessoais, essenciais ou acidentais, e
com a voz passiva. Convém escrever “conclui-se”, ou “cabe concluir”, ou “é lícito
supor que” utilizando-se assim, a linguagem impessoal.
Segundo Viegas (1999), de um texto literário, espera-se brilho, elegância e
originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas
características prevalecendo a clareza, a correção e a sobriedade.
A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e
pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. A obra
científica também deve atrair o leitor, mas o faz pela clareza da argumentação e pelo

100
conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio.
Em resumo, o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador, e de
trabalho para trabalho, porém, é possível identificar algumas características comuns
que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica:
a) o texto deve ser escrito em linguagem direta, evitando-se que a seqüência
seja desviada com considerações;
b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em
considerações e opiniões pessoais;
c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade, para não originar
interpretações diversas, utilizando-se vocabulário sem verbosidade, sem expressões
com duplo sentido, evitando palavras supérfluas, repetições e detalhes prolixos;
d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir, em
especial no que se refere a registros de observações, medições e análises;
e) indicar com precisão como, quando e onde os dados foram obtidos;
f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos
e advérbios que não explicitem exatamente o tempo, o modo e o lugar como, por
exemplo, os advérbios recentemente, provavelmente, lentamente, antigamente; e
g) por fim, as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e
ordenada, partindo de frases simples, expostas com poucas palavras, contendo uma
única idéia que envolva completamente a frase.

4.4.2 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

101



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU

5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
5 1 INTRODUÇÃO
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
5.3 A ESTRUTURA DO TCC
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVOS
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES
5.4 MONTAGEM DO TCC



102
5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

5.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos
de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de
Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
através da NBR 14724:2002.
É importante compreender, neste momento, que o TCC é o relatório final de
uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e
aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade traduzir um
perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre ambos e a linha
de pesquisa à qual estão vinculados, visando atender os interesses do postulante e
da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para que o
postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados, o
programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas:
Escolha do tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Depósito do TCC; e
Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e, devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado,
apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca do que foi
pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase.

5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA

O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas, que são

103
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (o TCC).
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

AS 5 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DO TRABALHO DE
CONCLUSÃO DE CURSO
1ª Etapa Seção 1
Pergunta de partida Introdução - Visão geral
3ª Etapa Seção 2
2ª Etapa - Tema
- Problema
A exploração do problema - Questões de estudo
Revisão de literatura - Objetivos
- Justificativa
Entrevistas exploratórias
Conceitos e
Métodos
- Contribuição

- Cronograma
Pesquisa Bibliográfica
Referencial
Operativo* - Planilha de custos
Pesquisa Documental Seção 3

Pesquisa de Campo (sfc)

Apresentação e Análise
dos Resultados
4ª Etapa Seção 4
Conclusões Conclusões e Recomendações
5ª Etapa


Redação do relatório de pesquisa
(Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso)

ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO
(fase presencial do CAO)


* O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa


A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de
literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que
envolve o seu tema. Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do
problema (2ª Etapa), por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e
de entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema, e uma série de raciocínios lógicos.
Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo, dos

104
objetivos a serem atingidos, das justificativas (“porquês”) para se empreender um
estudo científico, e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. Depois de
reunidos, o Tema, o Problema, as Questões de Estudo, os Objetivos, as
Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e
Métodos.
Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a. a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b. a pergunta de partida deve ser reformulada.
Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o
problema, deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita, que pode ser de
natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa). Esta etapa também pode ser
chamada Coleta, Apresentação e Análise de Dados, na qual os resultados da
coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de
Apresentação e Análise dos Resultados, de forma a fornecerem subsídios que
permitam alcançar as respostas às questões de estudo, cumprindo os objetivos
traçados na seção Conceitos e Métodos, e permitindo ao pesquisador organizar
logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão.
Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (4ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa,
respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração do TCC, é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (5ª Etapa), onde todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega à Comissão de Avaliação.

5.3 A ESTRUTURA DO TCC

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final do TCC, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa ou no TCC. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que

105
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da
questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma
visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema
de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma
visão panorâmica acerca do assunto pesquisado.
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.

2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que
envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua
delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema
propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo,
o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de
execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área
específica do conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser
investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em

106
função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos
interesses acadêmicos.
O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do
pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo
Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é
necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes
de consulta bibliográfica.
Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger
uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato
sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende
vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve
passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido
(para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o
impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”).

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver
através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

107
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados
“pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração
das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se
utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas),
mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do
caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando
divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa
aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a
pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a
colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância
no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das
questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
(sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se
a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial
poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada,
exigindo um reinício da pesquisa.





108
2.2.2 Formulação do Problema (Projeto e TCC)

A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser
escrito na forma interrogativa. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo,
além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo
pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na
UD IV, a partir da página 53).
Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do
problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores
resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado.
Nesta fase da pesquisa, a pergunta inicial transforma-se em problema
científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte
para os antecedentes do problema). Desta forma, torna-se necessário questionar-se
acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa, são as
chamadas questões de estudo, tratadas no item 2.3.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir sua realização. Ainda que a definição do problema seja
clara, precisa e concisa, faz-se necessário especificar o alcance da investigação,
relatando os aspectos do problema que foram incluídos, e os limites, ou seja,
aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa, e o campo de ação
que não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.

109
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta, Projeto e TCC)

As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho
que leve ao melhor conhecimento acerca do problema, o que é fundamental para se
chegar a uma solução para o mesmo. A adoção das questões de estudo se dá em
substituição ao processo de formulação de hipóteses, ainda desconhecido e muitas
vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV).
Em síntese, as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução
do problema de pesquisa. Quando solucionadas, cada questão de estudo fornecerá
uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e
solução do problema.
Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. Um
objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar; uma
questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar.
Ex.: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM.”, poderiam ser elaboradas as seguintes
questões de estudo:
a) como ocorre o processo de envelhecimento?
b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento?
c) como ocorre o processo de formação do stress?
d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo?
e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório?
f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na
preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento?


110
2.4 OBJETIVO (Proposta, Projeto e TCC)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação.

2.4.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e TCC)

Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o
estudo, isto é, sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa. O objetivo geral
deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo
pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV, a
partir da página 60).
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. Isto é feito por meio de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa. Estes, por sua vez, pretendem
buscar a solução para cada uma das questões de estudo, e conseqüentemente do
problema de pesquisa como um todo.
Para as questões de estudo descritas no item 2.3, poder-se-ia enunciar o
objetivo geral de estudo da seguinte forma:
Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as
influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM.

2.4.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e
representam as metas a serem seguidas, das quais depende a consumação do
objetivo final, ou seja, indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral
de pesquisa. Os objetivos específicos procuram descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e ou mensuradas.

111
Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM”, listaremos a seguir alguns exemplos de
objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de
estudo:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais
conceitos relativos ao processo de envelhecimento, alterações fisiológicas
decorrentes do processo de envelhecimento, processo de formação do stress;
desempenho cognitivo, e processo decisório (verifique a correlação com as questões
de estudo);
b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento
físico, psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a
manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho
cognitivo durante o processo de envelhecimento;
c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento;
d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do
processo de envelhecimento;
e) descrever como ocorre o processo de formação do stress;
f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo;
g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo
decisório; e
h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode
auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento.
Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos, é possível verificar sua
estreita relação com as questões de estudo.

2.5 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da
pesquisa, procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a

112
sua importância relativa. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da
necessidade e da relevância da pesquisa proposta.
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente, do projeto de dissertação . É a parte
onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que
justifica, academicamente, a realização de uma pesquisa para que se possa
equacionar uma solução para o mesmo. O investigador deve estabelecer,
convincentemente, que a problemática exposta merece uma solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação, uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, e nos seus resultados.
Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado
e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?


113
3. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

Este referencial está descrito na UD IV página 88.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC)

Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos
resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo,sfc). Os
dados fornecem informações a respeito das questões de estudo, e podem ser
apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias, fornecendo o
embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa.
A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que, na apresentação, o pesquisador
prende-se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido
mais amplo.
Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso
autêntico, coerente e lógico. A estrutura abaixo representa ma das possíveis
organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as
questões de estudo apresentadas na subseção 2.3:
3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO
5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS
7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO
8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO
9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR
10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS
Obs.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2
CONCEITOS E MÉTODOS (3, 4, 5, ...), neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES”
receberia o número 11.
É comum, embora não obrigatório, a utilização de conclusões parciais ao
longo das seções de apresentação e análise dos resultados. Este procedimento
facilita a leitura do trabalho, e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as
estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa.

114
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC)

Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa;
explicitar se os objetivos foram atingidos, se as questões de estudo foram
respondidas e se o problema de estudo foi resolvido; ressaltar a contribuição da
pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, e/ou ainda, sugerir assuntos relacionados, que deixaram de ser
investigados, para servirem de base para as pesquisas futuras.
A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara e
ordenada, as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto.
As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento.
Dependendo da extensão, as conclusões podem ser subdivididas em várias
subseções, tendo em vista manter a objetividade e a clareza.
Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos
(tabelas e gráficos) apareçam na conclusão, tampouco resultados comprometidos e
passíveis de novas discussões. Um dos cuidados que se deve ter, diz respeito à
extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. Estes tanto
podem ser verdadeiros, como gerarem erros em virtude de generalização
precipitada do pesquisador, o que fatalmente compromete os resultados da
investigação.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, somente devem ser escritas
se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema.

5.4 MONTAGEM DO TCC

A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento
denominado Trabalho de Conclusão de Curso. Este documento deve seguir as

115
normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, os
elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós-
textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). Uma estrutura viável que envolve a
apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no
Apêndice D.
Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de
abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os
relatórios finais. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram
desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa.
Com relação ao estilo de redação, deve-se observar as recomendações
constantes da subseção “4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da
página 99.

5.4.1 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

116

117


REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Atlas, 1997.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro. NBR14724:
Informação e documentação: trabalhos acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro,
2002.
BARROS, Aidil J.da S; LEHFELD, Neide A de S. Fundamentos de metodologia
científica. São Paulo: Makron, 2000.
CERVO, Amado L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Prentice Hall,
2002.
COSTA, A. F. G. da. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa. Rio de Janeiro:
Unitec, 1998.
COSTA, Sérgio F. Método Científico: Os caminhos da investigação. São Paulo:
Harbra, 2001.
DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Pesquisa e construção de conhecimento, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1997.
DENCKER, Ada de F. M., VIÁ, S. C. Pesquisa empírica em ciências humanas. São
Paulo: Futura, 2001.
FACHIN, O. Fundamentos de metodologia. São Paulo: Atlas, 1996.

118
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
GOODE, William J., HATT, Paul K. Métodos em pesquisa social. São Paulo:
Nacional, 1969.
HEGENBERG, Leônidas. Etapas da investigação científica. São Paulo: E.P.U.:
EDUSP, 1976. 2 v.
KERLINGER, F.N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento
conceitual. São Paulo: EPU / Edusp, 1979.
LAKATOS, E. M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. São
Paulo: Atlas, 1996.
____. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2001.
____. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1999.
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber. Porto Alegre: Ed. da UFMG, 1999.
MARTINS, G. de A. Manual para elaboração de monografias e dissertações. São
Paulo: Atlas, 1996.
MINAYO, M. C. de S. (Org.). Pesquisa social. Petrópolis: Vozes, 1999.
OLIVEIRA, C. dos S. Metodologia científica, planejamento e técnicas de
pesquisa.São Paulo: Ed. LTR, 2000.
PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, J. A; Metodologia científica. São Paulo: Futura,
2000.
RICHARDSON, Roberto Jarry; Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo:
Atlas, 1999.

119
RODRIGUES, M. das G. Informe de metodologia da pesquisa. Brasília: Ed. do Autor,
2000.
SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes,
2000.
SCOTT, Patrick B. Introducción a la investigación y evaluación educativa.
Guatemala: Ed. da USAC, 1997.
SELLTIZ, Claire et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Herder,
1967.
SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Cortez, 2000.
SILVA, Edna Lúcia da, Menezes, Estera Muszkat. Metodologia da pesquisa e
elaboração de dissertação. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2001.
QUIVY, R., CAMPENHOUDT, L. V. Manual de investigação em ciências sociais.
Lisboa : Gradativa, 1998.
TACHIZAWA, T; MENDES, G. Como fazer monografia na prática. Rio de Janeiro:
FGV, 2001.
THOMAS, J. R., NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3. ed.
Porto Alegre: ARTMED, 2002.
TRIVINOS, A. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlas, 1996.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração.
São Paulo: Atlas, 2000.

120
Apêndice A - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e DM.
ELEMENTOS Prop Proj DM
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 REFERENCIAL CONCEITUAL X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 JUSTIFICATIVA X X X
2.4 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL TEÓRICO X X X
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO X X X
4.1 OBJETIVO X X X
4.2 HIPÓTESE X X X
4.3 VARIÁVEIS X X X
4.3.1 Definição conceitual das variáveis X X X
4.3.2 Definição operacional das variáveis X X X
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS X X X
4.4.1 População X X X
4.4.2 Amostra X X X
4.3.3 Método de pesquisa X X X
4.3.4 Tipo de pesquisa X X X
4.4.5 Técnica de pesquisa X X X
4.4.6 Instrumentos X X X
4.4.7 Análise dos dados X X X
5 REFERENCIAL OPERATIVO X
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X
TEXTUAIS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase

121
Apêndice B - Elementos textuais obrigatórios da DM.

1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.3.1 Definição conceitual das variáveis
4.3.2 Definição operacional das variáveis
4.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.3.1 População Método de pesquisa
4.3.2 Amostra
4.4.3 Método de pesquisa
4.3.4 Tipo de pesquisa
4.4.5 Técnica de pesquisa
4.4.6 Instrumentos
4.4.7 Análise dos dados
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

122
Apêndice C - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e TCC.
ELEMENTOS Prop Proj TCC
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 CONCEITOS E MÉTODOS X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO X X X
2.4 OBJETIVO X X X
2.5 JUSTIFICATIVA X X X
2.6 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL OPERATIVO X
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X X
TEXTUAIS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase



123
Apêndice D - Elementos textuais obrigatórios do TCC.

1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVO
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES


124
Apêndice E - Exemplo de Planilha de Custos.
Itens do
Orçamento
Elemento do
Orçamento
Especificações do
Elemento de Despesa
Quantidade
Solicitada
Valor
Unitário
Valor
Total
Gravador 1 200 200
Máquina fotográfica 1 100 100
Grampeador 1 11 11
Perfurador de papel 1 9 9
Microcomputador 1 2.000 2000
Capital
Equipamento
e material
permanente
Impressora 1 600 600
Caixa com 10 disquetes
HP
1 12 12
Fita para vídeo TDK 2 8 16
Fita cassete 90 2 5 10
Caneta esferográfica. 10 1 10
Papel A4 500 10
Rolo de filme 2 8 16
Material de
Consumo
Cartucho de tinta para
impressora
1 80 80
Fotocópias 100 20
Digitação 90 2 180
Remuneração
serviço
pessoal
Encadernação 1 1 20
Correios 150
Revelação de filmes e
montagem de slides
2 40 80
Custeio
Outros
serviços e
encargos
Outras Despesas 200
T O T A L 3724,00


125
Apêndice F - Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.
Atividade Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago
Início do projeto 11 -
Revisão
1
do referencial conceitual
feito na proposta de projeto
25 -
Revisão
1
do referencial teórico feito
na proposta de projeto
X 15
Revisão
1
do referencial metodológico
feito na proposta de projeto
X 22
Revisão
2
do projeto para revisão do
Orientador
29
Elaboração e apresentação dos
instrumentos
6
Elaboração da análise a ser utilizada 8
Revisão
2
do projeto de pesquisa pelo
Orientador
11
Revisão do projeto X X 08
Apresentação do projeto de pesquisa
e dos fichamentos
09
Preparação das Seções iniciais da DM
para a Qualificação
3

X X 22
Qualificação das Seções iniciais da
DM
3

23 a 25
Coleta de dados X X X 15
Tabulação dos dados
4.
X X X 22
Apresentação e análise dos resultados X X X 25
Conclusões 27
Redação parcial das seções do
trabalho
X X X X X X X X X X 01
Revisão do trabalho X X X X 01
Entrega do trabalho pronto 02

Fase de confecção do Projeto de Pesquisa
Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM)
Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios.
Obs.: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO.

1
Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do
aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto.
2
Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o
seu orientador, podem ser marcadas quantas datas forem necessárias.
3
Somente para a DM
4
Obrigatório para a DM e, se for o caso, para o TCC

126
Apêndice G – Modelo de Ficha.

MINISTÉRIO DA DEFESA
EXÉRCITO BRASILEIRO
DEP - DFA
ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES
LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR
TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE
DAS OM
POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf
FICHA Nr: 001 DATA: 22 de janeiro de 2004.
REFERÊNCIA (obrigatório)
BRASIL. Exército. Estado-Maior. C 20-20: Treinamento Físico Militar. 3. ed.
Brasília,DF,2002.
RESUMO DA OBRA (obrigatório)
O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s), apresentar o
foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. É importante manter sempre em mente
que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa, isto é, devem
apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado.
Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo, que têm relação
com a sua pesquisa. Cite as idéias com suas próprias palavras.
CITAÇÕES (opcional)
Página Texto

As citações podem ser redigidas na forma direta, quando as frases são
transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada, ou na forma
indireta, quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas
palavras.
Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. Seja
oportuno, isto é, não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação
que pretende colher agora. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é
facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias, portanto, as citações devem
tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em
estudo.
1-1
Exemplo “ilustrativo”:
“São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico
ideal, as quais vão desde a falta de tempo, em face das inúmeras outras atividades
prioritárias da OM, até a carência, ou mesmo inexistência, de áreas, instalações e
materiais apropriados.” (BRASIL, 2002 p. 1-1). (citação direta: transcrição “ipse
litteris” do manual)
O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos

127
padrões de atividade física, que poderiam afetar a manutenção da
operacionalidade das OM ... (comentário oportuno do pesquisador)
1-2
Exemplo “ilustrativo”:
Segundo BRASIL, 2002 (p. 1-2) o treinamento físico militar deve estar
voltado para a operacionalidade, a fim de atender aos interesses da Força e ao
cumprimento da sua missão institucional, portanto... (citação indireta: reedição do
pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador)
Veja a seguir o que consta originalmente no manual:
“O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender
fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão
institucional.” (BRASIL, 2002 p. 1-2).
3-3
Exemplo “ilustrativo”:
“O treinamento regular e orientado provoca, naturalmente, diversas
adaptações no funcionamento do organismo humano. Estas adaptações trazem
benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho
profissional.” (BRASIL, 2002 p. 3-3).
CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório)
Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa.

Exemplo “ilustrativo”:
A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de
desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em
combate.
Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a
uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares
incorporados nas diferentes organizações militares.

(acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa)
RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional)
Página Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc)
3-5 Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE)
B1 Anexo B - Programa Anual de TFM OM Não Operacional - 4 Sessões Semanais
E1 Anexo E - Programa Anual de TFM OM Operacional - 4 Sessões Semanais


128

2

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3

Rio de Janeiro: EsAO. 30 cm. ed ..CEP 21615-220 4 .2.I Título. Clayton Amaral Domingues . Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos. colaboração e ampliação José Fernando Chagas Madeira. CDD 001. 2005.01 . . Luiz Eduardo Possídio Santos. il.© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues Diagramação: José Fernando Chagas Madeira – Maj Com Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB Clayton Amaral Domingues – Cap Art Revisão: José Fernando Chagas Madeira – Maj Com Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB Clayton Amaral Domingues – Cap Art Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) R 696 Rodrigues.4 Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais Avenida Duque de Caxias. trabalhos acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das Graças Villela Rodrigues.7 1. ISBN 85 . Pesquisa – Metodologia. Maria das Graças Villela.98116 . 127 p. 2071 Rio de Janeiro/ RJ .

1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO......................................3 CONSIDERAÇÕES FINAIS...........6 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA................... 1 1......... O ESTUDO DO TEXTO................................1..................... A CIÊNCIA........................... 2..1.................................................................................................3 1.............2 1...2............ UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO.................4 O Método Dialético...............2.....................1..........4 1......................................................................................................................2 O Método Indutivo...........................................................2..................... 2............................................................................................................................................1................ 2........................................................................................ 2.......................4 O Método de Estudo de Caso..........................1....................................... 2......................... 2.................2 Os Métodos de Procedimentos.........2... 2..............................5 1.....................1................ .................................................2 O Método Comparativo..........................2..1 O Método Histórico........2..............5 O Método Fenomenológico....................2....... A PRÁTICA DO FICHAMENTO....................3 O Método Estatístico..........................2.....................................................................1............2.......................................... A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA................................ 2.....................3 O Método Hipotético Dedutivo.............1 1........1....................... A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR................................ INTRODUÇÃO........ MÉTODOS CIENTÍFICOS...... A DINÂMICA DE ESTUDO.....2................................................. A LEITURA.....SUMÁRIO PREFÁCIO............1 O Método Dedutivo....2 2............................................................................................2..............................................1 2. 2........1............... UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO..... 11 13 15 16 16 17 18 19 21 22 25 26 26 28 29 30 30 31 31 32 32 32 33 33 34 34 5 2.......... 2............................. Os Métodos de Abordagem............. 2 2.......................................

.. UD IV ............................................PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA............................................... Pesquisa científica versus metodologia científica..................... 2 REFERENCIAL CONCEITUAL....................2 3....1............3 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU.2........ Neveis de Pós-graduação na EsAO.......... 2.....3 JUSTIFICATIVA.................................2............... 2......1 3..................................2 Formulação do Problema.......................................................................1 3...................................................................................................................................... 2..............2 4.......2............. AS ETAPAS DA PESQUISA..........2...................................... Classificação quanto à forma de abordagem do problema..............................3 Alcances e Limites.................................................2 PROBLEMA...................................... CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS....................................... 2...................... 3.............................. 35 36 36 37 37 37 38 41 41 41 42 42 45 46 46 47 49 49 50 50 51 53 53 53 56 56 57 57 6 3.....................................1...1 3.................................................................................................................... ..................... A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO..2................... CONSIDERAÇÕES FINAIS............ INTRODUÇÃO.........................2.................................... 2.....................2 PESQUISA CIENTÍFICA.....2..................................... 2.1 Antecedentes do Problema.............1 TEMA.... Classificação quanto à natureza.4 CONTRIBUIÇÃO........ 2......4 3..............2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu.................................................................................1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu................1..................UD III ...2 3..1 Regras básicas para a formulação de um problema científico..........2.............................PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU................ Classificação quanto aos objetivos gerais.....2..2........ 4 41 4... 3 3......3 3..................... 3 REFERENCIAL TEÓRICO.............................. 1 INTRODUÇÃO............... 2......1............. Classificação quanto aos procedimentos técnicos......2........................................................

.......................Objetivos específicos............2....1.....................................3. 4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.....................4...........................................4..... 4.....4 Tipo de pesquisa.......................................................................4..................................................................................1. 4................................6 Instrumentos...........1 Escalas para medir atitudes..4.... 4...... 4........................................................1.........1 Relacionamento entre variáveis...............................1 Coleta documental............................ 4.................................................................................................................3............ 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO...........................................................................3..................4.............. 4.... Pré-teste dos instrumentos.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS..........1 Definição conceitual das variáveis....7 Análise dos dados..........4................4............................................ 4.......5 Técnica de pesquisa....1................................................................................... 4.................... 4...............4............... 4.........6...............................................................4.....................................................4....2 Correlação entre variáveis..................................................................1 OBJETIVO..............................3 VARIÁVEIS......... 4..........................2 Questionário......3................ 4......................................................... 58 58 59 60 60 62 63 65 66 67 68 69 71 71 72 72 73 74 74 75 79 80 81 82 83 86 88 88 7 ...................................2 Amostra........5............................................................4.........3 Método de pesquisa.....5................5...................................3... 4...................1 Objetivo geral.......3 Entrevistas.............. 5 REFERENCIAL OPERATIVO...1 População..... 4.......5...............2 HIPÓTESE.4........................4. 4................................... 4...............6.............. 4........5........ 4.............................................................. 4..... 4.......................... 4............2................... 4.4............................ 3........................5 Análise de conteúdo............4 Observação...............................................1 REVISÃO DE LITERATURA.....2 Definição operacional das variáveis.......... 4...........

5..... Considerações finais. 108 2..3............................................ 2......1 Categorização dos dados............ A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO................3 Interpretação dos dados.1....................1 PLANILHA DE CUSTOS ......... 89 89 89 90 90 91 92 92 93 94 95 95 96 97 98 99 100 UD V ..............1....... 2..........2 CRONOGRAMA.......1................................................................ 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES......1 Análise estatística.................................. 5......................1 Antecedentes do Problema ..............................PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU... INTRODUÇÃO....................................................................................................1 4..........2 Avaliação das generalizações.......2...................................2...................4..........................1.2 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO.......................................1 TEMA........................ 5.............2...........3 Tabulação dos dados....................... 5................. 5........2 Formulação do Problema..... 108 8 .........................................1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ...................................................................... 5...............1.................... 107 2........... 101 5 5.2..............................................................4 4.....3..................................... 5.... 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS........5.......2..................................2 PROBLEMA....................................1 Tabulação de perguntas fechadas................................................................2 5................... 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................1 5...................................... 2 CONCEITOS E MÉTODOS................................ Quanto ao Estilo de Redação.............2 Tabulação de perguntas abertas.............................3 Alcances e Limites.........................4.......................................................... 5.................3 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU........ 5...................................... 5..................2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................... 102 102 102 104 105 105 105 106 2......................................................... 5..............2..........................................................................................2 Codificação dos dados.. 4................. AS ETAPAS DA PESQUISA........

.......... REFERÊNCIAS...................................... Projeto de Pesquisa e DM................................................................................5 JUSTIFICATIVA........ 1 Objetivo Geral.... 126 9 ...............................4.......................... 109 110 2..........................................................3 QUESTÕES DE ESTUDO.............................. 111 2............................................................................... 120 Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM................. 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS.4............................................................................................4............................. Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa............................... 110 2................................................................................................ Projeto de 122 Pesquisa e TCC........................................................................................................................ Materiais 124 e Serviços............................................................................................OBJETIVOS............. 2 Objetivos Específicos........... 121 Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta.................................................. 5............................... Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC...............................................................................4 5.......................................6 CONTRIBUIÇÃO..............4...............2..................................2 MONTAGEM DO TCC............ 112 3 REFERENCIAL OPERATIVO..... Considerações finais...................................... 4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES..................................................... 110 2....................... 113 113 114 114 115 117 Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta... 2.......... 123 Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos.. 125 Apêndice G – Modelo de Ficha.....

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DOMINGUES. e adequar o item “A prática do fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações Militares. A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores. C. em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências Militares. a fim de atualizar algumas partes e incluir novos conceitos. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V. onde os conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados. Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica. aos objetivos gerais e aos procedimentos técnicos. Neste sentido a estrutura da dissertação.PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação no âmbito da EsAO. L. incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares. as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu. SANTOS. com seus referenciais. Neste sentido. 11 . nos projetos de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa. A. segundos suas classificações quanto à natureza. procurando-se destacar através de conceitos e exemplos. E. exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases. os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V. aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora. A partir deste momento.. a forma de abordagem do problema. bem como apresentados em forma de mídia digital (CD). foi inicialmente apresentada em forma de fluxograma. coube aos colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I. P. o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos programas.. F. Foram ainda criados novos Apêndices ao livro. de forma que o leitor pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição. Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência. C. e seu(s) referenciais afetos. passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa. J. de forma que o leitor pudesse verificar as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa. MADEIRA. e aos Métodos Científicos.

12 .

Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à metodologia da pesquisa. trabalhos acadêmicos e dissertações. Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a elaboração de projetos de pesquisa. dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos correspondentes. será descrito em forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação de Mestrado (no nível stricto sensu). conduzidos pelas instituições de ensino de nível superior. realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa.INTRODUÇÃO Os programas de pós-graduação. inferindo conceitos próprios da metodologia em Ciências Militares. serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de pesquisa científica afetos às Ciências Militares. passando a apresentação de um raciocínio lógico e coerente. seguindo orientações de renomados autores brasileiros que descrevem claramente o assunto. exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos. Finalmente. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema relevante de determinada área. preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras ortográficas e gramaticais da língua portuguesa. este manual esclarece como o resultado final da pesquisa. 13 . necessário à construção de projetos de pesquisa nos níveis stricto sensu e lato sensu. A seguir. facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento. obedecendo à metodologia própria para iniciação científica.

14 .

TÉCNICAS DE ESTUDO 1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA 1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO 1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO 15 .4 O ESTUDO DO TEXTO 1.3 A LEITURA 1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA 1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR 1.

1 METODOLOGIA DA PESQUISA A palavra Metodologia vem do grego. auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na sistematização dos conteúdos. logos. caminho. Embora seja uma prática teórica. Neste sentido. relacionadas com a busca de caminhos necessários à obtenção de conhecimentos. buscando o conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a reflexão científica. 16 . à criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. um problema da vida prática. estudo. levando em conta o estímulo ao pensamento produtivo. nada pode ser intelectualmente um problema. Ou seja. relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente condicionadas. discurso. a metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas. entende-se por metodologia o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. De acordo com Minayo (1999). A Metodologia estrutura-se. meta que significa ao largo. se não tiver sido. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui características investigativas. Corresponde a um conjunto de procedimentos que auxiliam na obtenção do conhecimento. ao conhecimento sistemático. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos disponíveis e suas utilizações. Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos. odos. As questões da investigação estão. portanto. Já a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência. a pesquisa vincula pensamento e ação. 1. porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a formação de um compromisso científico frente à realidade empírica. buscando questionar e construir a realidade. em primeiro lugar. Esta instrumentação é importante para o trabalho científico.

Severino (1991) destaca como elementos principais à leitura e a escrita. além do estudo habitual. A leitura de livros indicados na bibliografia do curso.portanto. ainda. buscando informações a respeito de procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas. crítica e criativa. com a devida freqüência. A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço disciplinar. O ensino superior requer. imprescindível e deve estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance. etc. pensá-la e/ou reescrevê-la. Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas necessidades de aprendizagem. uma divisão adequada do tempo que propiciem a periodicidade de leituras. oferecendo outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte. A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados muito importantes para o aprendizado. a participação em seminários. para posteriormente retomar a essa mensagem. A auto-atividade didática é. também. como. palestras. 17 . de revistas especializadas. a participação em eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos conhecimentos. Adverte. de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes. pois para aprender. que o ensino superior exige dos universitários maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa. 1. portanto. é importante que os alunos adquiram hábitos de estudo. é necessário registrar por escrito o conteúdo. as bibliotecas disponíveis. é necessário ler ou ouvir as mensagens que nos são transmitidas. uma programação das atividades de estudo. bem como um projeto de trabalho intelectual individualizado. apoiado em material didático e científico que se constitui basicamente na bibliografia especializada. Para tanto. de jornais e outras fontes de consulta facilita a apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto. É necessário que o estudante utilize.2 A DINÂMICA DE ESTUDO O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade.

ler é "distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e. optar pelos mais representativos e mais sugestivos”. A maioria das frases possui uma palavra-chave. melhorar a comunicação e. Ao ler um texto. principalmente. A leitura amplia e desperta a inteligência para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento. que pode ser percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem. possibilitando ao leitor progredir cientificamente. depois. que é aquela que corresponde a tudo aquilo que o autor quer comunicar. sendo necessário que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto. devemos identificar. as idéias secundárias que articulam o entendimento final do texto. Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras. Segundo Salvador (1980).Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos. aprimorando-os como seres ativos e participantes da história. adquirir experiência. absorvendo o sentido da mensagem.3 A LEITURA Ler é assimilar idéias. interagir com o autor. a utilização de técnicas de sublinhamento. clareando as idéias. ao qual se subordinam. não adianta apenas uma série de informações. 18 . devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo informativo fundamental. Estas atividades são desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho. nos diversos parágrafos. A proposta deve ser a de aprender. é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. decifrar. Posteriormente. a redação. condensação de textos. vários enunciados. ampliar os conhecimentos e aprofundar o saber em determinado campo cultural ou científico. interpretar. É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário. isto é. etc. de modo articulado. resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do texto através das idéias de cada parágrafo. conhecer. utilizando técnicas de leitura. 1. Para tanto. o estudo da documentação e a elaboração de trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. As atividades de estudo como a leitura analítica. auxiliando o leitor no entendimento do pensamento do autor no contexto da obra.

Devemos examinar sumariamente os componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. o sumário. mas todas dependem sempre do propósito do estudo. resumir e esquematizar. os livros e as revistas. por puro entretenimento. Devemos recordar que não se estuda um texto como quem lê um romance. um estudo profundo. ler a orelha do livro. de acordo com os modelos teóricos de outros autores/pesquisadores. Verificar o nome do autor. um método.segue sempre um processo semelhante. Assim. um método de abordagem para o objeto do estudo. 19 . requerem sempre o emprego da razão reflexiva por parte de quem estuda. as palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto. quais sejam: sublinhar. que possam fornecer as informações necessárias. deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. É importante consultar os autores. E isso pressupõe uma certa disciplina intelectual. Dentre as normas para sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias principais e os detalhes importantes. e fornecendo opções de soluções para os problemas de pesquisa. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. 1. Assim. seu currículo. a data. o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas. mas continua com o mesmo sentido. O texto fica condensado como em um telegrama. A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação científica. Ao final. a edição e ler rapidamente o prefácio. Os textos de estudo. há várias maneiras de se estudar um texto. Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra. Investigar a referência.4 O ESTUDO DO TEXTO Segundo Galliano (1986). mormente aqueles de cunho científico ou filosófico. a documentação ou as citações ao pé das páginas.permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas. A convergência desses vários elementos nos ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse. assim como verificar a editora. sendo necessário para o desenvolvimento deste. o domínio de algumas técnicas que vão contribuir para o entendimento do autor e da obra.

freqüentemente. Segundo Galliano (1986). frases. o esquema é a representação gráfica e sintética do que se leu. Para tanto. destacando-se os elementos de maior interesse e importância. É preciso ser breve. idéias integradoras. usar aspas e fazer referência completa à fonte. Os pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à margem do texto. Após sublinhar o texto. as principais idéias do autor da obra. esclarecer os pontos obscuros. é necessário condensar as idéias destacadas. seletiva do texto. O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu escrito.É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal e com um único traço os pormenores importantes. O leitor deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto. Para Galliano (1986). referências bibliográficas e críticas. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para sublinhar. tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo. 20 . pertinentes e oportunas. e sublinhar as palavras desconhecidas. mediante divisões e subdivisões represente a hierarquia das palavras. como a defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação. resumir por escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que. Juntar. isto é. recordar o essencial do que se estudou e a conclusão a que se chegou. parágrafos-chave que. de caráter pessoal. a que mais se identifique com o propósito de sua leitura. à margem do texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”). É a apresentação concisa e. O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. É útil quando se necessita. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à margem do texto. De acordo com a forma de apresentação do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou esquema. principalmente ao final. ou fazer um retângulo. em rápida leitura. porém compreensível. as passagens mais significativas. é necessário observar algumas normas para se fazer um bom resumo. e quando se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa. Assinalar com linha vertical.

destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto. facilitando a captação do conteúdo e permitindo uma melhor reflexão sobre o texto. Os textos de estudo de caráter científico. devem apresentar ligações entre as idéias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido. enciclopédias. os pontos que requerem posterior esclarecimento e as dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise textual. análise temática e análise interpretativa. enfim. d) ser flexível e funcional para o uso. mantendo um sistema uniforme. às obras de referência que se façam necessárias. por parte de quem analisa.destacados após várias leituras. sem debater os conceitos ou idéias. c) ter estrutura lógica. Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom esquema. uma delas é a fidelidade ao texto. um método de abordagem e certa disciplina intelectual. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai processar a leitura para apreender o conteúdo. por exemplo. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do leitor e do fim a que se destina. requerem. manuais. O leitor deve assinalar os vocábulos desconhecidos. 1. simples e distribuído organicamente. É importante esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários. o leitor passa a ler com o objetivo de compreender profundamente o texto.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA Para auxiliar a transposição da leitura. Por fim. captando e compreendendo o tema do autor. é necessário que o leitor faça uma análise do texto. A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia 21 . o esquema deve: a) ser claro. b) subordinar as idéias e fatos. e e) destacar o propósito da leitura. Ao terminar esta análise. sem discutir com o texto.

a outras fontes. enquanto outras ganharão maior vigor. 22 .central. E para continuar desenvolvendo este conhecimento. c) avaliar as soluções já experimentadas. o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e inabaláveis podem revelar sua fragilidade. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor. o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto. ultrapassar a leitura e produzir o conhecimento. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece. Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal. grupos de estudo. estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de análises. o leitor mais experiente. com segurança. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica e/ou filosófica recorrendo. as idéias secundárias. na medida em que o leitor/pesquisador necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de determinadas conclusões. A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. O leitor passa a inferir e interpretar o que foi apreendido. complementando-as sempre que o estudo assim exigir. Para ele. passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. É através da ampliação dos aspectos que a análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos relevantes que o leitor pode ir além. Concluindo adequadamente a leitura de um texto. o nível de conhecimento do leitor ter-se-á consolidado e ampliado. o que é muito importante. enfim. São nessas condições que ocorre a transposição da leitura.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita: a) conhecer a origem do problema. se necessário. Ao terminar a análise interpretativa. b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema. a estrutura de sustentação do texto. 1. os temas complementares. seu juízo crítico. ou reuniões com colegas. ao confronto da discussão em seminários.

citações. enfim. O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa. poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de computador. deve permitir ao pesquisador identificar quais são os assuntos tratados. tudo o que possa servir como embasamento para a redação do texto do trabalho de pesquisa. repartições públicas. O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas ou indiretas. bem como as principais conclusões do autor. isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação. centros culturais. revertendo em ganho de tempo. O campo destinado ao resumo da obra. o tema. sites de busca na Internet.d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo. Assim. o nome do postulante. contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de . O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações). A ficha é composta pelas seguintes interesse. Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação final da pesquisa. verifica-se que essa condição ideal é muito rara. opiniões. durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz 23 partes: cabeçalho. no início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento. resumo da obra. o armazenamento das informações coletadas em bibliotecas. tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu raciocínio lógico. referências. isto é. Entretanto. citações. Segundo Eco (1989). a situação ideal seria dispor de todos os livros de que se tem necessidade. etc. a data do fichamento e o número referência da ficha. e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível solução para o problema pesquisado. É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na fase de coleta de informações. mesmo para um estudioso profissional. A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G). embora simples. pois auxiliam no registro de resumos. que deverá ser preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa.

O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter tabelas. gráficos.tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. anote quantas idéias puder acerca do que foi lido e estudado. figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o entendimento do leitor acerca do seu trabalho. visando facilitar a construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho. 24 . este é o melhor momento para apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao problema de estudo. As citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do pensamento de outros autores. elas devem conter subsídios que lhe permitirão a sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC) O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor.

2.3 O Método Hipotético-Dedutivo 2.4 O Método de Estudo de Caso 2.2.2 O Método Indutivo 2.2.2.1.1.3 O Método Estatístico 2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 25 .1 O Método Dedutivo 2.1.2.2.1.1.A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO 2 2.1.2.1.1.4 O Método Dialético 2.1 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A CIÊNCIA MÉTODOS CIENTÍFICOS Os Métodos de Abordagem 2.2.2 2.5 O Método Fenomenológico 2.2.2 Os Métodos de Procedimentos 2.2 O Método Comparativo 2.2.1 2.2.1 O Método Histórico 2.1.

é um processo que chegou ao máximo de seu desenvolvimento com a aplicação do método científico. Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo do conhecimento. Segundo Galliano (1986). uma vez que suas idéias não são definitivas.2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos. baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico. sem observação metódica ou verificação sistemática. Em geral resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto. consciente e sistemática. O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o objeto. analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem. certos ou prováveis. o conhecimento vulgar (senso comum) também denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana. relacionando-se com ele. define ciência como um conjunto de conhecimentos racionais. Ao contrário. 26 . carece de caráter científico. Pode também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das tradições de uma coletividade. o conhecimento científico é uma aquisição intencional. O conhecimento se dá quando o sujeito apreende o objeto e. O conceito apresentado por Ander-Egg (1978). De acordo com Galliano (1986). 2. ao acaso. forma uma imagem. obtidos metodicamente. o sujeito e uma relação entre os dois.1 A CIÊNCIA Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de conceitos que são permanentemente ampliados. e por isso. o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da realidade.

e) verificável. Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por objetivo formular. em boa parte dos casos. b) racional. para chegar a seus resultados. Neste sentido. porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados pelo homem. tais como: o conhecimento vulgar.sistematizados e verificáveis. que explicam todos os fenômenos de certo tipo. porque se preocupa em construir sistemas de idéias organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades cada vez mais amplas. leis que regem os fenômenos. há conhecimentos que não pertencem à ciência. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. em certa acepção. ainda permanece como ramo de estudo para outros. o religioso e. ciência é uma sistematização de conhecimentos. mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o auxílio da linguagem matemática). e vice-versa. não existe um consenso na apresentação da classificação das ciências. porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das informações. sobretudo. Um conjunto de atitudes e atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado. o conhecimento deve ser: a) objetivo. o que é ciência para alguns autores. Segundo Gil (1999). capaz de ser submetido à verificação. Segundo Lakatos e Marconi (2000). d) geral. porque se vale. da razão e não da sensação ou impressões. porque descreve a realidade independente dos caprichos do pesquisador. reconhece sua própria capacidade de errar. baseando-se em Bunge (1976). e f) falível. o filosófico. A partir destas características torna-se possível. Para Trujillo (1974). distinguir entre o que é ciência e o que não é. as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências factuais. 27 . porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de leis e normas gerais. Mas. um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar. c) sistemático.

Por não terem relação com algo encontrado na realidade. Ciência Militar e Defesa. De acordo com este autor. ou seja. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao mesmo tempo a variedade do conhecimento humano. por este motivo ela é temporária. Os resultados alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses. Assim. ao referir-se à classificação atual dos vários campos da ciência. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam.As ciências formais se encarregam do estudo das idéias. assinala o domínio próprio de cada ciência.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS Para que um conhecimento possa ser considerado científico. estão no campo das ciências sociais. recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou refutar suas hipóteses. As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos. 2. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e. faz-se necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua verificação. não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. ao passo que a verificação (factual) é incompleta e. dividindo-se em naturais e sociais. Gil (1999). determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento. em conseqüência. em sua maioria. 28 . define método científico como um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento. devido a sua constante evolução. são provisórias. ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias. Parra Filho (2000). Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os primórdios da humanidade. comprovam ou refutam hipóteses que. dividindo-se em lógica e matemática. utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a demonstração (formal) é completa e final. patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem em que as ciências devem ser estudadas.

portanto: a) da natureza do objeto de pesquisa. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo. o hipotético-dedutivo ao neopositivismo.2. Cada um deles vincula-se a uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade. e d) sobretudo. e Lakatos (1992). Segundo Gil (1999). que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua investigação. o dialético ao materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia. Ferrari (1982). vários sistemas de classificação podem ser adotados. o indutivo ao empirismo. das regras de explicação dos fatos e da validade de suas generalizações. 2. A adoção de um ou de outro método depende. Neste sentido. o método é fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de acordo com a proposta de trabalho do pesquisador. dialético e fenomenológico.1 Os Métodos de Abordagem Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da natureza e da sociedade. 29 . há dois grandes grupos: os métodos de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica. c) do nível de abrangência do estudo. do pesquisador. assim como em outras ciências. b) dos recursos materiais disponíveis. Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo. hipotético-dedutivo.Nas ciências militares. que apresenta uma classificação semelhante a outros autores como Trujillo. e os métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem empregados. indutivo. são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de abstração.

. 1999.2. . MARCONI. Locke e Hume. 2. A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade. Hobbes. em primeiro lugar. O 122° R C Mec tem grande mobilidade. construção lógica para.2. Usa o silogismo. No raciocínio indutivo a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta.1. retirar uma terceira. Spinoza e Leibniz que pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. 30 .. Veja um exemplo de raciocínio dedutivo: Premissa maior Premissa menor Conclusão As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade. 1999. LAKATOS. Veja um exemplo de raciocínio indutivo: Observação 1 Observação 2 . Observação n Conclusão O 121° R C Mec tem grande mobilidade. Considera que o conhecimento é fundamentado na experiência.. Premissa menor O 121° 122° . a partir de duas premissas. . O 123° R C Mec tem grande mobilidade.. O 121° R C Mec tem grande mobilidade Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo. O 121° R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec. LAKATOS. Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo. que serão testados pela observação e/ou experimentação. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral para o particular) para chegar a uma conclusão.. 1993).. 1993)..2 O Método Indutivo Método proposto pelos empiristas Bacon. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas.1 O Método Dedutivo Método proposto pelos racionalistas Descartes.2. A dedução pressupõe o aparecimento. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL. logicamente decorrente das duas primeiras.1. MARCONI. do problema e da conjectura. não levando em conta os princípios preestabelecidos.123° R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec. denominada de conclusão (GIL.

no método hipotético-dedutivo. procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL. 174). na qual as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. surge o problema. Se em especial. são formuladas conjecturas ou hipóteses. Há. 1976. econômico. a indução pode ser caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade. em primeiro lugar. e pelo processo de influência dedutiva. o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno. está a observação dos fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. etc. deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. ao contrário. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese. acerca da qual se formulam hipóteses. permite concluir que o mesmo será verdade. a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não examinados.2.1. p. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses. 1999. 2. relativamente a certo número de elementos de uma dada classe.4 O Método Dialético Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade.1. político.2. diz-se que a indução leva a uma generalização. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema. portanto. 2. relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. uma inversão de procedimentos em relação ao método dedutivo. p. Das hipóteses formuladas. O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca. O método indutivo propõe que. Admite que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social. da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre 31 .Segundo Wricht (apud HEGENBERG. testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela hipótese.30).3 O Método Hipotético-Dedutivo Proposto por Popper. O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos.

o método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. o interpretado. 2. tal como ela é.2.2. Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir 32 . enquanto conjunto de procedimentos suficientemente gerais.na natureza e na sociedade. estatístico e estudo de caso. procurando identificar e explicar as origens contemporâneas. O sujeito/ator é reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL. comparativo. com a finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos. a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações.2 Os Métodos de Procedimentos Segundo Lakatos (2000). Assim. proporcionariam ao investigador os meios adequados para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais. A realidade é construída e entendida como o compreendido. Pressupõem uma atitude mais concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular. TRIVIÑOS. expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem utilizados.1. 1992). para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica. Então. Preocupa-se com a descrição direta da experiência. Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999). Gil (1999). os métodos de procedimentos seriam etapas mais concretas da investigação. processos e intuições passadas.5 O Método Fenomenológico Preconizado por Husserl. 2. 2. referindo-se à conceituação de método.1 O Método Histórico O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos. são: histórico. O conceito de dialética equivale a uma argumentação que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão. o comunicado pelo resultado da pesquisa. os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências sociais. 1999.2.2.

2. a estatística é a matemática aplicada à análise dos dados numéricos de observação.de uma perspectiva histórica. com as suas possíveis 33 . As explicações obtidas mediante a utilização do método estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras. fenômenos ou fatos. tão importante quanto o aspecto qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo. com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades entre eles. Mediante a utilização de testes estatísticos. o método estatístico fundamenta-se na aplicação da teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação em ciências sociais.2 O Método Comparativo O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos.2. permitem o estabelecimento de relações e correlações existentes entre eles.2. em termos numéricos. O método estatístico. prestando-se tanto para que sejam inferidas como para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos fatos que. mas dotadas de boa probabilidade de serem verdadeiras. 2. mediante a comparação que irá estabelecer as semelhanças e/ou as diferenças. pela variedade e complexidade dos fenômenos. a probabilidade de acerto de determinada conclusão.2. como define Fisher. Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção de dados. 2. mas sim.3 O Método Estatístico Segundo Gil (1999). E a partir da análise. evolução e comparação histórica se podem traçar perspectivas. É também utilizado quando. torna-se impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem uma quantificação. apesar das dificuldades para medir os fenômenos. classes. torna-se possível determinar. bem como a margem de erro de um valor obtido. pois. reduzidos a números. Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo. O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre os vários grupos e fenômenos sociais.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme o método escolhido pelo pesquisador. mediante a análise de casos isolados ou de pequenos grupos. daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais. O procedimento de coleta de dados requer do pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa. Esses casos podem ser indivíduos.2. ou seja. grupos. O delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e das circunstâncias em que serão coletados os dados. tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal fenômeno. como irá proceder para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. De acordo com Gil (1999). instituições.utilizações. 34 . são definidas algumas generalizações.2. este método parte do princípio de que o estudo de um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros. 2. utiliza-se um ou outro procedimento de coleta de dados. ou mesmo de todos os casos semelhantes.4 O Método de Estudo de Caso O método de estudo de caso ou método monográfico permite. entender determinados fatos. e as formas de controle das variáveis envolvidas no problema. Quando. comunidades etc. a partir de uma amostragem ou de um caso particular. 2.

1.2 3.1 3.2.2.1 3.1.PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA 3 3.1.2 3.3 3.4 3.2 PESQUISA CIENTÍFICA CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS Classificação quanto à natureza Classificação quanto à forma de abordagem do problema Classificação quanto aos objetivos gerais Classificação quanto aos procedimentos técnicos CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisa científica versus metodologia científica Níveis de Pós-graduação na EsAO 35 .1 3.1.

Aplicar atentamente os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. coerente e lógico. sondar. Neste sentido. é um conjunto de atividades voltadas para a busca de um determinado conhecimento. utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. ouvir com atenção. pode-se definir pesquisa como um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. num sentido amplo. é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS Existem várias formas de classificar as pesquisas.3 PESQUISA CIENTÍFICA Pesquisa. Para a EsAO. a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente organizadas. e relatada através de um discurso autêntico. Consiste em investigar a realidade. administrativo ou de instrução. realizada com o objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário. A pesquisa tem um caráter pragmático. inquirir. a pesquisa científica é o produto de uma investigação. 36 . ler e analisar documentos. levando em consideração: a natureza. As formas clássicas de classificação serão apresentadas a seguir. De acordo com Barros e Lehfeld (2000). Observar e examinar atentamente. Segundo Gil (1999). qualquer trabalho escolar que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado um trabalho de pesquisa. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. 3. ausente de contradições. a forma de abordagem do problema. cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante a utilização de procedimentos científicos. os objetivos gerais e os procedimentos técnicos.

Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. posteriormente.3. análise de regressão. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. classificá-las e analisá-las. úteis para o avanço da ciência.). esclarecer e modificar conceitos e idéias. Envolve verdades e interesses universais. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem.1. que é possível traduzir em números as opiniões e as informações para. Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável. Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. É usada para conhecer variáveis que são desconhecidas completamente. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. É descritiva. desvio-padrão. sem uma aplicação prática prevista inicialmente. isto é. um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver. Envolve verdades e interesses locais. 3. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. mediana. coeficiente de correlação.1. média. etc.3 Classificação quanto aos objetivos gerais Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. moda.1.1 Classificação quanto à natureza Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos. tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para 37 . isto é. e cuja informação será básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que alcance o verdadeiro conhecimento da variável. 3.

artigos de periódicos e. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos. Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. atualmente. pretendendo determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al. 3. A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. percebe-se que muitas são desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. ou o estabelecimento de relações entre variáveis. impressos diversos.. obtendo desta maneira uma visão mais completa. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou detalhado. publicações periódicas. Dependendo da pesquisa. Para este tipo de pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável ou das variáveis que influenciam o problema.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado. de material disponibilizado na Internet. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al. livros de referência. tais como: livros de leitura corrente. 1967). É utilizada para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um problema. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis.. Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em ciências sociais. enciclopédias. Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população/fenômeno. principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. o “porquê” das coisas. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. constituído principalmente de livros. aprofundando o conhecimento da realidade por explicar a razão. pois não há 38 . 1967).estudos posteriores. dicionários. revistas e jornais etc.

seleciona-se mediante procedimentos. a pesquisa experimental torna-se inviável. consideradas documentais. ou seja. Há documentos também. Incluem-se outros inúmeros documentos como cartas pessoais. tais como porções de líquidos. grupos ou instituições. quando se trata de objetos sociais. As fontes. memorandos. igrejas. gravações. tais como relatórios de pesquisa. em seguida. Considerações éticas e humanas impedem que a experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais. Na maioria dos levantamentos. as limitações tornamse bastante evidentes. sindicatos etc. com pessoas. Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para. Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer. Quando os objetos em estudo são entidades físicas. selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo. Antes da pesquisa de campo. boletins etc. por exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas. podem ser documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas. razão pela qual os procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número de situações. não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. ofícios.outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados bibliográficos. diários. Contudo. não se identificam grandes limitações quanto à possibilidade de experimentação. se trata de experimentar com objetos sociais. etc. que de alguma forma já foram analisados. que podem ser incluídos no rol da pesquisa. obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados. Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. tais como: associações científicas. regulamentos. bactérias ou ratos. Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo. porém. mediante análise quantitativa. Quando. o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica em determinados campos do conhecimento. De modo geral. uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de 39 . relatórios de empresas. fotografias. definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. em boa parte dos casos. em face da sua importância documental. tabelas estatísticas.

Neste tipo de pesquisa são tomadas como experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre elas como se estivessem submetidas a controle.investigação. educacional. Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos ocorridos. Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos. economia e rapidez na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo. Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. esta pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo. auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo. Há autores que empregam as duas expressões como sinônimas. Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores sociais. de caráter social. Segundo Thiollent (1985). permite que os dados sejam agrupados em tabelas. Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Não se trata rigorosamente de um experimento. pois proporcionam: conhecimento direto da realidade. possibilitando avançar na pesquisa. é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou situações se desenvolveram espontaneamente. os procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos experimentos propriamente ditos. de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento.1). 40 . Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas complexos. A pesquisa ex-post-facto. posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. a pesquisa-ação geralmente supõe uma forma de ação planejada. que é obtida por meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística. possibilitando a sua visualização e análise por quantificação. Todavia. A pesquisa participante. v. assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Todavia. levando em consideração a margem de erro. segundo Thiollent (1985).

3. 41 .2 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas exigências científicas. Ao término desta Unidade Didática. por sua vez. a apresentação dos resultados. a coleta e a tabulação de dados. a exploração do problema. Para que seu estudo seja considerado científico você deve obedecer aos critérios de coerência. a elaboração das conclusões e recomendações.1 Pesquisa científica versus metodologia científica Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica. a construção de um modelo de análise e solução do problema. A pesquisa participante. espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de pós-graduação que melhor lhe convier. serão apresentados alguns conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu. envolve a distinção entre ciência popular e ciência dominante.técnico ou outro. é importante que o discente entenda alguns princípios que regem os programas de pós-graduação. É desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos: a) a existência de uma pergunta que se deseja responder. originalidade e objetividade. Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas que devem ser executadas na investigação de um fenômeno. ciência. 3. a análise e discussão dos resultados.2. e c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. Para tanto. b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO Após compreender os conceitos de metodologia. métodos de pesquisa e tipos de pesquisa científica. consistência. 3. e a divulgação de resultados. que inclui a escolha do tema.2.

2. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica. Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível maior de conhecimento a respeito do tema. de tal forma que seja possível descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações de causas ou conseqüências do problema analisado. exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo. 42 .3. caso aprovado. por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um mesmo tema. caso aprovado. a apresentação de dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das atividades de pesquisa no campo das Operações Militares. ao grau de Mestre em Operações Militares. ao grau de Aperfeiçoamento em Operações Militares. de tal forma que seja possível o levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto. Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de um conhecimento compatível com o tema em estudo. de uma maneira geral. evidenciando pesquisa científica.2. exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em relação ao mesmo.2.2. Como veículo da execução do programa de mestrado. 3. as principais diferenças entre os níveis de Pós-Graduação. Observe que o TCC pode ser concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado. O Quadro 3 apresenta. fazendo jus.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado tema.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado acerca de determinado tema. Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica. O trabalho deverá constituir-se em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados durante o CAO. fazendo jus.

Estudos comparativos têm indicado que a corrida intervalada provoca mudanças fisiológicas que a corrida contínua não é capaz de realizar. Stricto Sensu Treinamento cardiopulmonar e performance de militares Uma comparação entre os efeitos fisiológicos produzidos pela corrida intervalada e pela corrida contínua.Nível Tema Delimitação tema do Lato Sensu Treinamento cardiopulmonar e performance de militares Sessões cardiopulmonares de treinamento físico militar na preparação do Sd EV para o TAF. concluindo acerca de qual produz maiores benefícios fisiológicos voltados para o TAF. maior menor Pesquisa de campo sim não Análise estatística sim não Defesa perante Banca Examinadora sim não Fonte: Os autores. Antecedentes do O pesquisador sente a necessidade de pesquisar acerca de como os diversos problema Problema Aprofundamento exigido tipos de treinamento cardiopulmonar poderiam otimizar a performance cardiopulmonar do Sd EV. voltados para a performance de Sd EV no TAF. genericamente. 43 . Tabela 1. Se optar pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento).Principais diferenças entre a DM e o TCC Características DM TCC stricto sensu lato sensu Quanto ao programa de pós-graduação Formulação do problema sim sim Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor Formulação de questões de estudo não sim Formulação de hipóteses sim não Variáveis duas ou mais pelo menos uma Testes de variáveis sim não Aprofundamento do conhecimento. permitem distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Caso opte pelo programa stricto sensu (Mestrado). Que método de treinamento produz maiores benefícios fisiológicos voltados para o TAF? Abordagem profunda e detalhada da fisiologia do exercício. para comparar os efeitos dos treinamentos. capazes de melhorar a performance do militar. Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica. visando uma preparação para o TAF? Abordagem genérica de todas as sessões de treinamento cardiopulmonar. concluindo acerca de suas vantagens e desvantagens. A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho. A Tabela 1 apresenta algumas características que. siga para a Unidade Didática IV. Como melhorar a performance cardiopulmonar de Sd EV. siga para a Unidade Didática V.

44 .

2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.2 HIPÓTESE 4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.1 REVISÃO DE LITERATURA 3.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4 1 INTRODUÇÃO 4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA 4.3 JUSTIFICATIVA 2.3 VARIÁVEIS 4.2 CRONOGRAMA 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 4.1 TEMA 2.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa) 5.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 45 .1 PLANILHA DE CUSTOS 5.1 OBJETIVO 4.2 PROBLEMA 2.

bem como economizar tempo e recursos preciosos. e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e executado. e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e aprovada antes de ser realizada. 46 . Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação da EsAO. o orientador. Apresentação do Projeto de Pesquisa. entre o postulante e o seu orientador. o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir relacionadas: Escolha do Tema. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase. e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados. Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa. É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório final de uma pesquisa científica. visando atender os interesses do postulante e da Escola.1 INTRODUÇÃO O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14724:2002. não será difícil perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de Pesquisa. as análises e as conclusões acerca do que foi pesquisado. e entre ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados.4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4. Depósito da Dissertação de Mestrado. Para que o postulante. apresentando ainda os resultados. e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A). Tais providências têm por finalidade traduzir um perfeito sincronismo. e Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora. Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado.

cujos elementos constitutivos formam as seções do relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado). que são traduzidas em referenciais.Objetivos . DISSERTAÇÃO DE MESTRADO AS 7 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 1ª Etapa SEÇÕES DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Seção 1 Seção 2 Introdução .Tema .Planilha de custos A pergunta de partida Referencial Conceitual Seção 3 2ª Etapa A exploração do problema Revisão de Literatura 3ª Etapa Entrevistas exploratórias Referencial Teórico Seção 4 A construção de um modelo de análise e solução do problema Referencial Metodológico Referencial Operativo* 4ª Etapa Seção 5 A coleta dos dados 5ª Etapa Análise dos dados 6ª Etapa Seção 6 Apresentação e Análise dos Resultados Conclusões 7ª Etapa Conclusões e Recomendações Redação do relatório final de pesquisa (Montagem da Dissertação de Mestrado) DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA *O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B) (fase presencial do CAO) Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.Contribuição Apresentação dos pressupostos teóricos que irão sustentar a tese formulada.Hipóteses .Justificativa .Variáveis . . 47 .Procedimentos metodológicos .Visão Geral .2 AS ETAPAS DA PESQUISA.Cronograma . O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas.Problema .4.

o(s) objetivo(s) de estudo. a definir as suas variáveis. Após serem convenientemente organizados. a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos. A pergunta de partida irá desencadear uma breve revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar. a(s) hipótese(s). ou b) a pergunta de partida deve ser reformulada. O cronograma de trabalho e a planilha de custos constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa. e os procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução formulada. esta solução (Referencial Metodológico). as variáveis. Na seqüência. as Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual. Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões: a) a pergunta de partida está bem elaborada. os resultados da exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa). onde serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo. das justificativas para se empreender um estudo científico para resolvê-lo. o Tema. bem como . o postulante passa: a estabelecer os objetivos da pesquisa. as variáveis. a Análise dos Dados (5ª Etapa).A pesquisa se inicia com a definição do tema. com o objetivo de colher subsídios que permitam formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo). A partir daí. que 48 . Depois de reunidos. prosseguindo no estudo. Após convenientemente organizados. Estando definida a hipótese. Segue-se a esta. Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s). e das contribuições que esta pesquisa poderá produzir. que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou rejeição da hipótese. que consiste na execução do que foi planejado no Referencial Metodológico. é formulada uma pergunta de partida (1ª Etapa). procurando destacar os aspectos do tema que serão abordados na pesquisa. o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª Etapa). uma maneira de se testar. a(s) hipótese(s). a estabelecer os procedimentos metodológicos a serem seguidos. metodologicamente. por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de entrevistas exploratórias. o Problema. somente durante a elaboração do projeto de pesquisa. deve-se realizar a Coleta de Dados (4ª Etapa). e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado Referencial Metodológico. e.

Projeto e DM) Esta seção primária deve ser breve. os principais aspectos verificados durante a pesquisa. ou até mesmo de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não tenha ficado claro durante a análise. pode-se verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados. 4. visando preparar o leitor para a questão funcional do trabalho. seja executada a defesa perante a Banca Examinadora. sendo obrigatória a apresentação dos itens referenciados. o problema de pesquisa.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO A seguir. quando o autor deve apresentar. a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto. situando-o no tempo e no espaço.culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados. e fornecendo uma visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de pesquisa. no momento determinado. quando todo o trabalho deve ser organizado e formatado de acordo com as Normas da ABNT. Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do Relatório de Pesquisa (7ª Etapa). Durante esta etapa. Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das Conclusões (6ª Etapa). sendo referenciadas. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que deve constar no corpo do trabalho. fornecendo uma visão panorâmica acerca do assunto pesquisado. para que. 1 INTRODUÇÃO (Proposta. ou não. executando-se a sua impressão e a entrega da Dissertação de Mestrado. serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que compõem a estrutura final da DM. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho. 49 . na seção Conclusões e Recomendações. onde os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. verificando se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m). ao lado do título de cada seção. no Projeto de Pesquisa e na DM.

que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride. tema é o assunto que se deseja estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com as inclinações.1 TEMA (Proposta. as possibilidades. Delimitar um tema significa eleger 50 .Segundo Martins (2000). O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores externos. segundo Dencker (1998). é necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta bibliográfica. 2. a justificativa da importância de execução da pesquisa. 2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta. e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do conhecimento em questão. o porquê da escolha do tema. para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa. o problema (antecedentes do problema. É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento. Projeto e DM) Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que envolve o estudo. De acordo com Lakatos e Marconi (1999). Encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que pretendo abordar?” A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. qual a contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e desenvolvimento do trabalho empreendido. Projeto e DM) Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema. a introdução deve conter idéias básicas que respondam às indagações sobre a temática. a formulação do problema propriamente dito e os seus alcances e limites). as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. quanto aos fatores internos (pessoais). devendo ser apresentados: o tema selecionado. Pode-se redigir uma introdução inicial. pois.

Em primeiro lugar.uma determinada parcela de um assunto. e f) no estudo da literatura especializada. Projeto e DM) Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende resolver através da pesquisa científica que irá empreender. Segundo Barros & Lehfeld (1999). estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida. deve-se levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido 2. na 51 .. em qualquer domínio do conhecimento. Mas. b) na vida profissional. Após a definição do tema. um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de discussão. seu conhecimento a respeito. Para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para Trabalhos Acadêmicos”. e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas. Abordaremos brevemente algumas questões que. apresentando os antecedentes do problema.. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada do problema. mas que. deve-se levar em conta a relevância e a atualidade do problema. e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução para ele. a formulação do problema e os alcance e limites. isto porque objetiva buscar a sua solução. nos fazem pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica. Para a escolha do tema. você sabe o que é um problema científico? Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). a definição do tema pode surgir com base: a) na observação do cotidiano. d) em contato e/ou relacionamento com especialistas. sua preferência e sua aptidão pessoal para lidar com o tema escolhido.2 PROBLEMA (Proposta. A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu orientador. é preciso verificar se realmente você está diante de um problema científico. Segundo o dicionário Aurélio. intuitivamente. c) em programas de pesquisa.

moral... etc. isto é não são problemas científicos. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8? Problema científico Pode-se dizer que um problema é de natureza científica.). portanto. Tais questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má. certa ou errada. não se constituindo. ou se é melhor ou pior que outra. se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor. suas causas e conseqüências. ética. indagam acerca de como fazer as coisas. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada? 3. ditos “de engenharia”. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o rendimento escolar? 2. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução? 2. mas não responder diretamente a eles. Exemplos 1. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução? 2. Exemplos: 1. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares? 52 . Como se confecciona um determinado documento? Problemas de valor Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. desejável ou indesejável. quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à manipulação). eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas são. São problemas cuja resposta depende de opinião. em problemas científicos. Problemas de engenharia Alguns problemas. Como melhorar a produtividade da Seção? 3. Exemplos: 1. A ciência pode fornecer sugestões e inferências acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia. nível escolar.verdade. e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação.

ou seja. portanto. Esta é a maneira mais fácil e direta de formulá-lo.2. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um tema.2. torna-se necessário identificar como surgiu o problema. d) ser suscetível de solução. mencionando autores que já pesquisaram a respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. 2. que por si só não constitui um problema específico. e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis).2. além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final. Projeto e DM) O problema deve ser formulado como uma pergunta. um breve histórico de como surgiu o problema do problema. tais como: a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial. Projeto e DM) Os antecedentes indicam a origem. 53 . percepções pessoais e/ou senso comum (“achismos”). b) ser claro e preciso. As experiências anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste referencial como ponto de partida para o início da pesquisa. ou seja. c) ser empírico (testável) e não fruto de valores.3.1 Antecedentes do Problema (Proposta. pressupõe a apresentação do que já está disponível a respeito dele. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do militar? 2.2 Formulação do Problema (Proposta.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento de certas regras práticas para a formulação de um problema científico. 2. suas variáveis devem permitir observação ou manipulação. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis.

b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares. e isto pode diminuir o rendimento escolar. após a aplicação das técnicas. 54 . A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o rendimento escolar? O problema 1. é perfeitamente possível: a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela literatura e por especialistas em neurofisiologia). A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares? O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada ou realização de tarefas complexas. Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. e g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética. A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos mencionados na seção secundária 2. e c) verificar se. Logo. é perfeitamente possível: a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela literatura e por especialistas em ensino).)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não como resposta. Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a população estudada).2.f. Logo. Problema 1. houve alteração no rendimento escolar. Problema 2. tem início na observação de que existe pouca interação entre os alunos na execução de trabalhos em grupo.

ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado. e c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes cognitivos. Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poderse-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a produtividade dos militares (para a população estudada).b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono (um grupo em privação total de sono. apresentadas pelos diferentes grupos testados. Logo. Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. Problema 3. b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo. e aplicar um teste correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus desempenho produtivo. após a aplicação dos tratamentos. um grupo que poderá dormir apenas 4 horas por noite. Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poderse-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho cognitivo de militares (para a população estudada). e c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis. Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a resolução do problema. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do militar? O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente elogiados tem um desempenho produtivo otimizado. Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. e que militares que são freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações. 55 . é perfeitamente possível: a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e os punidos freqüentemente. e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite).

Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Ainda que a definição do problema seja clara. e aqueles que devem ficar de fora. definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que não foi possível abarcar. especificada e reduzida de modo a permitir a sua realização. a quem está dirigida. 2. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade e da relevância da pesquisa proposta. Duas limitações são: o tamanho da amostra e a duração do estudo. relatando os aspectos do problema a serem incluídos. faz-se necessário especificar o alcance da investigação.3 Alcance e Limites (Projeto e DM) A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço. A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa. A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do pesquisador. Projeto e DM) Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa. 56 . A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que não serão abordadas. respondendo à pergunta inicial que originou o problema de pesquisa. e devem pré-dizer uma solução para o problema de estudo.3 JUSTIFICATIVA (Proposta.2. o universo de conhecimento a respeito do assunto. com relação ao domínio de conhecimentos necessários. e da existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a realização da pesquisa. 2.As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema. precisa e concisa. procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua importância relativa. o que deve ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.

a importância de uma investigação está na sua originalidade. Para tanto.Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da elaboração da proposta e. Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir para o conhecimento de problemas significativos. Para tanto. nos seus resultados. É onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. conseqüentemente do projeto de dissertação . É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Em outras palavras.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta. o pesquisador deve perguntar-se: Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar? A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo? Quem será o real beneficiário da investigação? 3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta. academicamente. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a serventia dos resultados a serem colhidos. O investigador deve estabelecer. Projeto e DM) Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos” que embasarão a questão a ser estudada. Uma pesquisa é relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento. a realização de uma pesquisa. A existência de um problema é o que justifica. a formulação do modelo de análise e 57 . Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta? Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo? 2. convincentemente. Projeto e DM) Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da investigação uma vez concluída. isto é. o pesquisador deve perguntar-se: O tema é relevante? Procurando responder por quê. na medida que o faz avançar. que a problemática exposta merece uma solução. É a existência de um problema real que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução.

às seguintes questões: O que já foi publicado sobre o assunto? Quem já escreveu a respeito? Que aspectos já foram abordados? Quais as lacunas existentes na literatura? Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese? 3. desenvolver uma revisão empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. proceder a uma revisão teórica.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do pesquisador sobre o tema. Neste momento o pesquisador deve procurar responder.1 REVISÃO DE LITERATURA A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última palavra no assunto). valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas ou indiretas). 3. evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico. e conseqüentemente. A revisão de literatura é fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). dentre outras. a construção da(s) hipótese(s) de estudo.solução do problema. Uma boa revisão de literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser estudado. O pesquisador. bem como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o aprofundamento nas questões que envolvem o problema. transformando a pergunta de partida na questão central da investigação. O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo. Este procedimento tem fundamental importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a formulação de hipóteses. ao invés de procurar validar as suas 58 . Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental).

para que o leitor seja capaz de reproduzir. 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta. a seleção do grupo de pesquisa. ou seja.próprias idéias. A metodologia deve ser exposta de modo suficientemente claro e detalhado. a fim de complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o assunto. com pessoas que possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da revisão de literatura. cada uma com seu título. deve ter uma atitude filosófica. Através desta avaliação. Nesta fase. A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias ampliarão os conhecimentos sobre o tema. e verificar outros pontos de vista em relação ao problema. a pergunta de partida poderá ser mantida. permitindo avaliar se a pergunta de partida foi bem definida. o aspecto essencial do estudo. enfim. Projeto e DM) Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende realizar a pesquisa e solucionar o problema. redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada. como a escolha do espaço da pesquisa. procurar adquirir novas informações. o estabelecimento 59 . é desejável apresentar-se o resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas. indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico. obter as informações de interesse e analisálas. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia utilizada nas subdivisões. A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo. o que irá corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema de pesquisa e de como solucioná-lo. exigindo um reinício da pesquisa. devem ser especificados os procedimentos necessários para se chegar aos participantes da pesquisa. Nessa etapa. caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento adquirido. se necessário for. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados. testemunhas ou interessados no tema pesquisado. O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema.

4. Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que indique uma ação passível de mensuração. constituindo os desdobramentos do objetivo geral. (A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente 60 . Projeto e DM) Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como problema de investigação. a hipótese. É comum. tipo e técnica de pesquisa adotado.1. por exemplo. Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na realização do trabalho e evitar problemas sérios. Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica. a população (ou universo) e a amostra (sfc).1 OBJETIVOS (Proposta. Projeto e DM) Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa. que descreve a finalidade principal da investigação. a previsão de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas. 4. e os objetivos específicos explicitarão os detalhes. isto é. Os objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. O objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar. como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados. a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados. e os objetivos específicos. devendo ser apresentados: o objetivo geral. e os procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação tais como: o método. os instrumentos de coletas de dados. Tomando por base o problema 2. que poderiam ser parcialmente previstos antes da coleta e da análise dos dados. que descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema.1 Objetivo Geral (Proposta.dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo. pois o pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo. deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida. e o modelo de análise dos dados.

Ex. relatar. praticar. explicar. localizar. diferenciar. identificar. b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever. examinar. coordenar. julgar. manipular. Ex. ilustrar. Ex. traçar e usar. interpretar. escolher. provar. listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na formulação dos objetivos: a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar. validar e valorizar. organizar e esquematizar. reunir. repetir.: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono. investigar. enunciar. registrar.: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. preferir. c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar. selecionar. classificar. verificar e experimentar. Ex. esclarecer. eliminar. avaliar. Ex. expressar. 61 . f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar. estimar. e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular. sublinhar e nomear. empregar. debater. Ex.apresentado.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela privação de sono. distinguir. arrolar. traduzir e transcrever.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. constatar. discutir. d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar. definir. compor. demonstrar. comparar.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. criticar. inventariar.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. constituir. examinar. inscrever.

esclarecem. faz-se necessário construir um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. um questionário a ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva. Os objetivos específicos tentam descrever. o que será obtido em cada passo da pesquisa. 62 . 4. delimitam e decompõem a trajetória a ser seguida em objetivos específicos de pesquisa. A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas.1. Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/ ações operacionais afetadas pela privação de sono”. do estado de alerta e vigília. c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência. d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas pela privação de sono. bem como da execução de tarefas de cunho cognitivo. referindo-se às características que podem ser observadas e mensuradas. e isto é feito através de metas intermediárias que redefinem. confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o parecer dos especialistas.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM) Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas. Indicam o que se tem de alcançar para chegar ao objetivo geral. nos termos mais claros possíveis.Se o objetivo geral indica uma direção a seguir. onde os mesmos deverão apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da atenção seletiva. das quais depende a consumação do objetivo final. b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN. listaremos a seguir alguns exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema: a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em privação de sono. para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas. Devem ser redigidos com o verbo no infinitivo.

é uma possível resposta ao problema. em primeiro lugar. derivando diretamente de sua definição. Significa apenas que a hipótese não é verdadeira. ou seja. em seguida. a existência de causas e. salienta que além do conhecimento bibliográfico sobre o assunto. Projeto e DM) Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa. este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela careça de importância. Assim sendo. o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa. Epistemologicamente. É uma conjectura a respeito da relação entre as variáveis do problema. Segundo Viegas (1999). Esta resposta sugerida chama-se hipótese. que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou desconsideração (que pode ser total ou parcial). é o ponto de partida para se encontrar um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis soluções para o problema de pesquisa. a hipótese é algo aceito ou suposto para continuar a argumentação. (1999. É uma suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas. a fim de não conduzir o seu estudo à mera divagação e à acumulação de dados superficiais. as relações e as causas do problema. A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente proposto.123). Sob a ótica da Matemática. as hipóteses pressupõem. p. afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação. 63 . e ter realizado a revisão de literatura. trata de adivinhar. Portanto. ela é a base para o raciocínio do problema. Segundo Laville. é algo a ser verificado. não se conhecem normas específicas para a elaboração das hipóteses.4. Gil (1999). que elas possam ser conhecidas e deduzidas logicamente. Quando uma pessoa confronta-se com um problema. Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente. A desconsideração total significa que a hipótese não procede.2 HIPÓTESES (Proposta. Segundo Fachin (2001). que justificam sua pertinência/validade. sugerir ou especular uma resposta. uma especulação ou uma conjectura sobre as diferenças. este é um dos principais momentos do itinerário de pesquisa. o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como orientação no decorrer da pesquisa científica. contudo.

Diferentemente do problema. ou antecipe um relacionamento entre as variáveis. oferecendo uma conjectura sobre as relações entre duas ou mais variáveis. Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também chamada de hipótese de estudo. e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou estatística) que indica a negação da suposição. diminui durante operações continuadas. Deve ser enunciada de modo que se possa comprovála. 62). Normalmente o pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros. concisa e gramaticalmente correta. afirmar se é verdadeira ou falsa. e significa que não há diferenças entre tratamentos e/ou nenhuma relação entre as variáveis. expostos a 48 horas de privação de sono. devendo ser expressa de forma clara. A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar a confiabilidade dos resultados. listaremos a seguir exemplos de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa. de trabalho ou de investigação) que é a afirmação da suposição indicada. H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono durante 48 h de operações continuadas. ela deve ser redigida na forma afirmativa. 64 . Note que esta hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema. a hipótese nula não é usualmente a hipótese de pesquisa. Tomando por base o problema 2. p. Note que esta hipótese de pesquisa também é uma resposta ao problema. isto é. sendo utilizada quando existem evidências de que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes. A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa. H1: O desempenho cognitivo de militares. confirmando que qualquer diferença ou relacionamento observado entre as variáveis. “A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”.Caso este procedimento não seja possível. é devido ao acaso e não ao tratamento realizado. recomenda reformular a hipótese para ajustar-se às técnicas disponíveis. Segundo Thomas & Nelson (2002.

4. é imprescindível identificar e definir os conceitos que facilitem a compreensão da problemática.No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico. caso quiséssemos comprovar H1. é necessário apresentar uma definição conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as mensuráveis. o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em que o problema estiver inserido. através de suas dimensões. poder-se-ia formular. estando sujeita à medição. isto é. Projeto e DM) A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou diferentes aspectos. Logicamente. H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas. 65 . segundo casos particulares ou circunstâncias. teríamos que demonstrar que H2 é falsa.3 VARIÁVEIS (Proposta. as seguintes hipóteses: H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do Comandante de PELOPES em operações continuadas H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem à patrulha em operações continuadas É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo problema. Desta forma. componentes e indicadores). a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e que se pretende explicar. logo dizemos que H2 é a hipótese nula de H1 Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa. Para tanto. dentre outras. o que será feito por meio das variáveis que compõe o problema de pesquisa. Qualquer que seja o problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação das variáveis. Constitui-se no elemento central da investigação.

explicar o que se entende pela variável apresentada. e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o ambiente/contexto em que o estudo será abordado. Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo. 66 . explicar o significado de um termo a partir de sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido. podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação total de sono”. assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo. Note que o termo “militares” está relacionado à população que será investigada. Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas” podemos verificar a existência de duas variáveis distintas: a) variável I: “Privação de sono”. abordando como este conceito poderá ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados.4. esta variável pode ser entendida como uma situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados. Projeto e DM) Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada. O exemplo abaixo é uma das possíveis definições das variáveis de estudo supracitadas: Variável I: Privação de sono No contexto desta pesquisa. de modo a ser preciso na definição evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis significam no contexto do trabalho.3. e b) variável II: “Desempenho cognitivo”. conforme as situações comumente encontradas em combate continuado. medido em horas. deve-se atentar para a objetividade e pontualidade das informações. Definir significa exprimir o que uma coisa é.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta.

. manipulada. . planejamentos e condutas durante operações militares continuadas.3.. 4. Como dito anteriormente. altura. Para a presente pesquisa. modalidades ou atributos.: diâmetros. Quanto ao aspecto relacionamento.). As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por categorias. sexo. I).1 Relacionamento entre variáveis Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. memória.: cor. etc.. responsabilidade. desempenho cognitivo deve ser entendido como o resultado obtido pelos sujeitos. como uma influencia a outra (relação de causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno (correlação). causa ou contribui para a ocorrência de algum efeito na variável dependente. número de soldados. peso.1. escalas de medição (E. as variáveis podem ser classificadas em: independente. Quanto à forma de medição. em testes cognitivos que exijam atenção sustentada. R. idade. zelo.Variável II: Desempenho cognitivo. atenção seletiva e raciocínio lógico. dependente e interveniente.. A variável independente é aquela que.. As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por números ou medidas. isto é. B. etc. dimensões do desempenho cognitivo elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de situação.. Ex. as variáveis classificam-se em quantitativas e qualitativas. Ex. 67 . MB. conceito militar (liderança. um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as relações entre as variáveis.

e vice-versa. formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas dimensões do desempenho cognitivo) etc. menor deva ser a intensidade (tempo para a realização de cada repetição). 4. alterando de alguma forma a influência esperada entre elas. tais como: a alimentação fornecida (alimentos pesados induzem ao sono). deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que poderiam contaminar o estudo. e vice-versa.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). pois quando uma aumenta. Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico.. pois quando o volume aumenta. esforço físico exigido (um esforço mal controlado poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação de sono). temos uma variação interdependente. ou seja as variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra. maior deverá ser o intervalo para a recuperação. 68 . Parece lógico que o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono. A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis dependentes e independentes. espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que o militar percorrer um determinada distância). Ex.. neste caso dizemos que existe uma correlação negativa entre as variáveis. verificase que quanto maior for a intensidade. e vice-versa. a intensidade diminui.A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em função da variável independente.1. para que se possa estabelecer a relação de causa/efeito hipotetizada. a outra também aumenta. Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 2020).3. devendo ser meticulosamente controlada.2 Correlação entre variáveis No caso das correlações. Neste exemplo. e quanto uma diminui a outra também diminui. neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as variáveis.

Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores. 69 .Existem diversos testes estatísticos. Variável Dimensão Indicadores O Privação total de sono Privação de sono Tempo de privação Privação parcial de sono Forma de medição pelotão A deverá permanecer 48 horas sem dormir O pelotão B deverá dormir entre 01:00hs e 05:00hs O pelotão C poderá dormir entre 22:00hs e 05:00hs Sono normal Quadro 4 – Definição operacional da variável I . 4.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM) Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de mensuração. O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono. Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos indicadores elencados em suas respectivas dimensões. Note que as variáveis “privação de sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que permitem as suas respectivas mensurações.Privação de Sono.3. em elementos empiricamente observáveis que constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável. ou seja. que são utilizados na comprovação de hipóteses de estudo. Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades passíveis de mensuração. enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão. Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma variável é apresentada nos quadros 4 e 5. As dimensões são características que permitem que a variável seja medida. para determinar a existência e a força da correlação entre as variáveis.

Nota-se também que a variabilidade desta variável. Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo.Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através da dimensão tempo de privação. 3 e 4 do questionário ** Número de acertos Desempenho na oficina na autenticação de Raciocínio de autenticação de mensagens* lógico mensagens Perguntas 1. Forma de medição Relatório a respeito Desempenho na oficina dos eventos que de patrulha de foram apresentados Atenção reconhecimento no terreno* (Observação em um PO) Pergunta 1 e 2 do questionário** Número de acertos na criptografia e Desempenho na oficina decriptografia de de criptografia e mensagens* decriptografia Perguntas 1. o que permitiu sua mensuração. O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho cognitivo. ** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos. 3 e 5 Desempenho do questionário** cognitivo Número de acertos na locação de Desempenho na oficina pontos por diversos de locação de pontos processos* Pergunta 1. 3 . Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão. ocorre em função do tempo que cada pelotão poderá dormir. Variável Dimensão Indicadores 70 . o que reflete a privação de sono. 6 e 7 do questionário** A cada início de oficina será distribuída uma mensagem Desempenho na oficina alfanumérica que Memória de mensageiro deverá ser decorada e apresentada ao término da mesma* Pergunta 1 e 8 do questionário** * Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa.

quais elementos pertencem ou não à população. porém. Projeto e DM) Nesta seção secundária deve-se definir onde. quando e como será realizada a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa). não é conveniente.1 População (Proposta. Será ela constituída apenas por aqueles que. Essa característica deve delimitar. amostra (e método de amostragem. Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população. a uma amostra proveniente dessa população. instrumentos de coleta de dados. atualmente. o passo seguinte será o levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em questão. Logo.4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta. Grande parte das vezes. 71 . método de pesquisa. Projeto e DM) Uma população ou universo. isto é. bem como o modelo de análise (forma como se pretende tabular e analisar os dados). realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população. inequivocamente. ou mesmo possível. tipo de pesquisa.4. a população física que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares existentes no Comando Militar do Leste. na verdade. Assim. estão na ativa? Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva? Além disso. por exemplo. 4. e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema. sfc). ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos interessa. Uma vez perfeitamente caracterizada a população. Embora pareça extremamente simples. é um conjunto de elementos com pelo menos uma característica comum. podemos estar interessados em realizar uma pesquisa sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. é preciso definir a característica comum que distingue perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa (Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou do Efetivo Variável?). no sentido geral.

o erro máximo permitido e a percentagem com que o fenômeno ocorre. que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis. o pesquisador justifique a opção pelo método adotado.3 Método de pesquisa (Proposta. de acordo com a população estudada (N).4. o que se denomina censo ou recenseamento. O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica. considerando uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional. resumidamente. a quantidade de elementos (n) que deverá conter uma amostra. no qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo estatístico desejado. necessariamente finito de uma população. Projeto e DM) Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do problema de pesquisa. para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção da amostra e do método de amostragem O quadro 6 apresenta. esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a amplitude do universo.Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N). É intuitivo que.2 Amostra (Projeto e DM) A amostra é um subconjunto. A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. mais precisas e mais confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame completo de toda a população.4. 4. de acordo com os conceitos apresentados na UD II deste Manual. N 10 20 30 40 50 60 70 n 10 19 28 36 44 52 59 N 80 90 100 150 200 250 300 n 66 73 80 108 131 152 169 N 350 400 450 500 1000 2000 3000 n 183 196 207 217 277 322 341 N 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 n 351 357 361 364 367 368 370 Quadro 6 .4. o nível de confiança estabelecido. É necessário que. e 5% probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso. isto é. 72 . Segundo Gil (1999). Levando esse raciocínio ao extremo. quanto maior a amostra.

deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a abordagem e o raciocínio que se pretende empreender. Nesta subseção o pesquisador deve justificar. obrigatoriamente. 4. O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica.Resumo dos principais métodos de pesquisa científica.4. Pesquisa Classificação Quanto à natureza Quanto à forma de abordagem Quanto ao objetivo geral Tipo Quanto aos procedimentos técnicos Modalidade Básica (Pura) Aplicada Quantitativa Qualitativa Exploratória Descritiva Explicativa Bibliográfica Documental Experimental Levantamento (de campo) Estudo de caso Ex-post facto Pesquisa-ação Pesquisa participante 73 Quadro 8 . portanto. Pesquisa Classificação De Abordagem (lógicos) Método De Procedimentos (técnicos) Modalidade Dedutivo Indutivo Hipotético-dedutivo Dialético Fenomenológico Comparativo Histórico Estudo de caso Estatístico Quadro 7 . ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos técnicos. antes de escolher um método. . O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica. Projeto e DM) A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza. à forma de abordagem.Resumo dos principais tipos de pesquisa científica.Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a adequação do método de pesquisa utilizado. sua opção pelo (s) tipo (s) de pesquisa(s) adotado(s).4 Tipo de pesquisa (Proposta. de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual.

. notas (comentários) sobre a natureza e a fonte de cada documento. discursos. enunciados de políticas governamentais. entrevista. observação. cartas.5.4.4. 74 . Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais (reportagens. e se for o caso. sendo utilizada durante a revisão de literatura. seguindo a seguinte ordem: a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha.5 Técnica de Pesquisa (Proposta.. editoriais. questionário/formulário. O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa científica. na UD III deste Manual). durante a etapa de coleta de dados (vide pesquisa bibliográfica e pesquisa documental. análise de conteúdo e escalas para medir atitudes. etc. Segundo Martins e Lintz (2000) existem diversos instrumentos de medida. e d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos.4. e-mail. b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo.) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do fenômeno. Projeto e DM) As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado. tais como: coleta documental. na construção do Referencial Teórico. 4.1 Coleta documental A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de pesquisa. c) anexar à descrição do material.Resumo das principais técnicas de pesquisa científica. Pesquisa Classificação Modalidade Coleta documental Questionário/Formulário Entrevista Observação Análise de conteúdo Escalas para medir atitudes Técnica Quanto à obtenção de dados Quadro 9 . Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G).

Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas abertas.5. cansativa e demorada.) 4.4.2 Questionário Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou descrever. fechadas e/ou mistas. sendo necessário o estabelecimento de critérios para a codificação de respostas similares. o material continuará bruto e não permitirá ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão. porém apresenta a grande vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento do informante acerca do que foi questionado. a utilização dos princípios da análise de conteúdo (conforme o item 4. Sua análise é difícil. Mesmo após esta organização. Cite abaixo todos os aspectos que o senhor puder lembrar sobre este assunto: ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta. pois dificultam o processo de tabulação. em função do problema e dos objetivos de estudo. Ex. sendo necessário. porém apresentam alguns inconvenientes.: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão “memória” da variável “desempenho cognitivo”. permitindo um fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados. o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. 75 . complexa. portanto. esta técnica recebe o nome de formulário). devendo ser respondido por escrito sem a necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário. Possibilitam investigações mais precisas e profundas.4.5. usando linguagem própria.5. formulou-se uma pergunta aberta conforme o quadro 10: Pergunta 8.A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material. As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder livremente. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos relativos à segurança na posição e no deslocamento.

As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a pergunta através de respostas pré-definidas. tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.( ) Concordo b. embora restrinja a liberdade das respostas. ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( Ex. o senhor sentiu sono? a.( ) Não concordo nem discordo c.( ) Discordo Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica 76 .( ) Não Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica Pergunta x (aos especialistas). Este tipo de pergunta facilita sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados. As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de respostas disponíveis para o informante.( ) Sim b. podem ser formuladas diferentes tipos de perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo: Pergunta 1 (aos testados). Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por noite”: a. Durante a execução da tarefa.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da variável “desempenho cognitivo”. conforme o quadro 11: Pergunta Dicotômicas Tricotômicas Quanto às respostas Admitem somente duas respostas Admitem três respostas Exemplo ) Sim ) Não ) Sim ) Não sei ) Não ) Excelente ) Muito Bom ) Bom ) Regular ) Insuficiente Múltipla escolha Apresentam uma série de possíveis respostas Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas.

( ) Foi impossível permanecer atento Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha Pergunta X (aos especialistas).( ) Tive pequenos lapsos de atenção c. conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida para os outros indicadores apresentados no quadro 5): 77 . Conforme o Exemplo abaixo: Ex.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas e. além da resposta fechada padrão.( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas. formulou-se uma pergunta mista que pretendia medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de alerta.( ) Permaneci o tempo todo atento b.( ) Tive grandes lapsos de atenção d. o senhor recomendaria: a. Durante a execução da tarefa. o senhor pode afirmar : a.( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas b. Com relação ao tempo mínimo de sono necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em operações militares continuadas com 7 dias de duração.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da variável “desempenho cognitivo”.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas c.Pergunta 1 (aos testados). Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa.( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas d. contribuição ou parecer do informante. Esta forma de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma manifestação/complemento por parte do informante.

f) elaborar perguntas claras.Pergunta 1. o senhor pode afirmar que a privação de sono prejudicou seu desempenho em que nível: a.( ) e. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção. eu tive lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção. 78 . c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis. eu praticamente não consegui permanecer acordado O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue interessante. eu praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono g.( ) A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção. é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua elaboração: a) redigir perguntas preferencialmente fechadas. eu tive grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta f. Todavia.( ) b. Durante a execução da tarefa. b) permitir ao questionado complementar sua resposta.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção. eu estava totalmente alerta A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção.( ) A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção. se assim desejar.( ) A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção. e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise de dados. Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário. concretas e precisas. d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema. ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ . eu tive mínima dificuldade em permanecer alerta c. eu tive pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta d.

"face a face". Seu objetivo básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e situações. Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente definido as entrevistas são denominadas estruturadas. Verificadas as falhas. sem. buscando algum conhecimento prévio sobre o entrevistado. e c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro). eliminando itens. b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa). 4.3 Entrevistas A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas. Deve ainda. contudo. dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva. atentando para os itens que o entrevistado deseja esclarecer. O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos: a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos resultados). e assim obter indicadores de consistência para os resultados colhidos O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste. Contrariamente. o pesquisador busca obter informações. deve-se reformular o questionário. isto permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não tenham sido bem entendidas/estruturadas. com base nas suposições e conjecturas do pesquisador. Segundo Martins e Lintz (2000). manifestar suas opiniões. e que evitem penetrar na intimidade das pessoas.5. explicando melhor alguns ou modificando a redação de outros. 79 . conservando. h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e informação. o pesquisador deve planejar a entrevista. através das entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas. modificando. ampliando. que lhe permita responder as perguntas.g) elaborar perguntas que não induzam às respostas. i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável. em que uma delas formula questões e a outra responde.4. delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado.

e registrando os dados e as informações durante a entrevista. Estar consciente do que se deseja levantar é básico. Segundo ele. Seu principal problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. do contrário. imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica. e o seu registro. A observação é o exame minucioso. 4. estando na dependência.4. da direção que lhe for dada na pesquisa. a observação apresenta muitas nuances em face de sua flexibilidade. sob este aspecto. é a captação clara do objeto examinado. pois ela tanto pode conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de forma independente e/ou exclusiva. ouvindo mais do que falando. não se deve apenas olhar e ver o fenômeno objeto de estudo. é sistematicamente planejada. Portanto. dentre as quais: saber o que observar e como quantificar.criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista. a observação é classificada. inspecionam e supervisionam atividades. De acordo com Martins e Lintz (2000). não se consegue 80 . algumas condições para seu desenvolvimento. registrada e ligada a proposições mais gerais e. como um método qualitativo de investigação. em vez de ser apresentada como conjunto de curiosidades interessantes. mas também estabelecer. há momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela forma de observação. pois. A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um objetivo formulado de pesquisa. previamente. é submetida a verificações e a controles de validade e precisão. o pesquisador precisará da permissão dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com elementos que avaliam. pois seu objeto de estudo. um olhar preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes. sob algum aspecto. determina seu tipo e sua metodologia. o desempenho de seu emprego. Para que a observação seja quantificável. obtendo a confiança do entrevistado. Vale destacar que ela é também quantificável. tradicionalmente. bem como o objetivo da pesquisa que a utiliza.4 Observação A técnica de observação é um instrumento de medida. o preparo do seu desenvolvimento. evitando divagações. Segundo Richardson (1999).5.

pela análise dos conteúdos das mensagens. discursos. conversas. O pesquisador deve ter cuidado com as impressões. tampouco elementos que permitam análises e reflexões coerentes. ou avaliar as intenções. esse é o grande desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas. geralmente. O pesquisador pode analisar. descartar o acessório. 1999. a personalidade de alguém. a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental).5. por exemplo. poemas. descrever tendências no conteúdo das comunicações. procurar-lhes o sentido. 81 . distanciada. regulamentos. a partir dos discursos escritos e orais de seus autores. portanto. p. profundidade e singularidade das descrições obtidas. c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra. ou determinados objetivos etc (LAVILLE. a frase. avaliar. e projeções psicológicas que são características próprias do senso comum. da ciência.4. rádio. cartas. b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado. 4. Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser observadas.5 Análise de conteúdo A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as variáveis de maneira objetiva. avaliando seus escritos. o tema. Para eles. Buscam-se inferências confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto.ganhar a confiança. sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico. auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões. pode desvendar as ideologias dos dispositivos legais. os símbolos. A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza. reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das idéias principais. livros. A análise de conteúdo pode ser aplicada virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa. sob o risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e. captar-lhes as intenções. vagas sensações. televisão etc. especulativo. 214). etc. das palavras e frases que o compõem. sistemática e quantitativa. comparar.

As categorias devem ser exaustivas e mutuamente excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes. revisar o significado e a definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida operacionalmente. ou descritas. Em outras palavras. “para que” servirá cada item/fase do instrumento. bem como. b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s).6.. O pesquisador deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever. a análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico adequado para a construção e embasamento das categorias de análises. O instrumento (questionário. ser classificado como otimista ou pessimista.1). 82 .. e c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados. Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados. e f) proceder o tratamento estatístico conveniente. conforme o item 4. por exemplo. Segundo Martins e Lintz (2000). o pesquisador deve: a) definir como as variáveis serão medidas.4. Através de interpretação inferencial dos quadros de referência. liberal ou conservador. sendo descrito.6 Instrumentos (Projeto e DM) Segundo Richardson (1999). Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências.) deve ser apresentado em apêndices ao relatório final. a que indicador das dimensões das variáveis está relacionado. existem alguns procedimentos que devem ser observados para a construção de um instrumento de medida. e) definir as categorias ou unidades de medida. Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações.d) agrupar as unidades segundo algum critério. os conteúdos manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação. 4.4. ao iniciar um trabalho de pesquisa o pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo. detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado. entrevista. Um discurso pode.

ante os quais se pede aos sujeitos que externem suas reações. em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está sendo avaliada. 4.6.6.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável. escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o escalonamento tipo Likert. Ex. acerca de um objeto ou representação simbólica. destacam-se a direção (positiva ou negativa) e intensidade (alta ou baixa). Ex. e tais propriedades constituem o objeto das medições. O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável. associa-se um valor numérico.1 Escalas para medir atitudes As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição aprendida pelo sujeito para responder consistentemente. Elas possuem diversas a propriedades.1 Escalonamento tipo Likert O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis Likert no início dos anos trinta. provavelmente eu não participarei de bailes carnavalescos. são as escalas para medir atitudes. As atitudes são indicadores de condutas.4. entre elas. A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao objeto. o sujeito obtém uma pontuação para cada item. A cada ponto. ou desfavorável.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”. 4. questionários e formulários. Consiste em um conjunto de itens apresentados em forma de afirmações. a escala de importância e a escala de avaliação. solicita-se que as pessoas externem suas reações.1. a partir deste objeto e desta afirmação. existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação dos questionamentos.Particularmente em relação às entrevistas. ou juízos. Assim. símbolo ou situação que lhe é apresentada. 83 . de maneira favorável ou desfavorável.4. o diferencial semântico.

Uma pontuação é considerada alta. pontos da escala. Escala de concordância concordo totalmente concordo nem concordo. Nesse caso. o sentido das afirmações. indicam o quanto se está de acordo com a afirmação correspondente. quando as afirmações são positivas. Comumente. A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de respostas. ou seja. enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez. nem discordo discordo discordo totalmente Escala de afirmação sim provavelmente sim indeciso provavelmente não definitivamente não ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável (negativa). Se uma escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco. A primeira é auto-administrada. ou baixa.As alternativas de respostas. Afirmações 1 2 3 4 5 5 4 3 2 1 O serviço militar é um dever de todo o cidadão! concordo totalmente concordo nem concordo. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala. nem discordo discordo discordo totalmente Não deve haver serviço militar obrigatório! concordo totalmente concordo nem concordo. entrega-se a escala 84 . segundo o número de itens. a pontuação mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta. ou afirmações. é claro. Podem ser utilizadas muitas variações da escala tipo Likert. nem discordo discordo discordo totalmente Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros valores observando. as atitudes favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta. utilizam-se os valores em ordem decrescente de um a cinco pontos O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e negativas. Segundo Martins e Lintz (2000). existem duas formas básicas para aplicar uma escala tipo Likert.

A segunda maneira é a entrevista ou formulário. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1). porém. ou desfavorável.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar. 85 . a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado. o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos bipolares. com um conjunto de respondentes. Para chegar à versão final de uma escala de diferencial semântico. é preciso realizar algumas sessões de pré – teste. Para se chegar à versão final de uma escala Likert. Isto é. será preciso realizar algumas sessões de pré–teste.2 Diferencial semântico A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood. Conceito favorável justo barato seguro útil responsável educa +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável injusto caro perigoso inútil irresponsável deseduca Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico. os entrevistados deveriam colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a um. 4. em que o entrevistador lê as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. é semelhante à utilizada na escala Likert.ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou resposta. Ex. O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos inerentes ao Serviço Militar Obrigatório. ou piloto. ante a qual solicita-se a reação do respondente. potência ou atividade. consiste em uma série de adjetivos extremos que qualificam um objeto de atitude. Suci e Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado conceito. indicadores de valorização. Atualmente.1.4. somando-se os pontos de cada par de adjetivos. a fim de se proceder às correções e ajustes necessários.6. A apuração da atitude favorável.

4.4.6.1.3 Escala de importância A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes. Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao mesmo padrão de pontuação. Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser levantadas as opções apresentadas no quadro 20. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Escala de importância Extremamente importante Muito importante Importante Pouco importante Sem importância 5 4 3 2 1 Pontuação Extremamente importante Muito importante Importante Pouco importante Sem importância

Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia algum atributo. Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Escala de avaliação Excelente Muito bom Bom Regular Insuficiente 5 4 3 2 1 Pontuação Excelente Muito bom Bom Regular Insuficiente

Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o 86

instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste (estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da amostra ou população (n=30), com a intenção de: a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões; b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”). Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas. Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento, tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar. A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado), aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento. Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população. Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa. Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes". 87

Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de variáveis quantitativas e vice-versa). Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis. Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis e das situações. Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da investigação. 4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM) Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos, etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85). 5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa) O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão referese às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de Pesquisa). 88

O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do projeto. 5.1 PLANILHA DE CUSTOS A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência, telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável. 5.2 CRONOGRAMA O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal, trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário. 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM) Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação. 89

tabelas. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos (vide o Cap 2 do Manual de Estatística.1. 90 . facilitando a análise dos resultados.A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente relacionados. é possível afirmar que. quadros e gráficos. faz-se necessário organizá-las. assim definidas por Selltiz et al. Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados. ao passo que na análise. será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prendese unicamente aos dados. 5. E/MB/B/R/I. (1967. podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os resultados da pesquisa. v. b) codificação dos dados. são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos resultados: a) categorização dos dados. 5. em boa parte das pesquisas sociais. A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de apresentação e análise. grau de escolaridade.1 Categorização dos dados Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas. com o advento da informática.1) uma vez que permitem um fácil e rápido acesso à informação. procura um sentido mais amplo dos resultados através da interpretação dos dados. Atualmente. p. Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento de pesquisa). 441): a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de classificação (favorável/neutro/desfavorável. e c) tabulação dos dados. devem atender a algumas regras básicas. é natural que se utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e cálculos estatísticos.

Item Categoria Masculino Feminino 2. b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas as repostas).2 Codificação dos dados De acordo com Gil (1999).1. cujas alternativas são associadas a códigos impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da técnica da observação sistemática.. Escolaridade Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados. como aparece quadro 22. Idade: de 18 a 20 anos de 21 a 23 anos mais de 23 anos ( )03 ( )04 ( )05 Código Item ( )01 ( )02 Categoria Nunca foi à escola 1º grau incompleto 1º grau completo 2º grau incompleto 2º grau completo Superior incompleto Superior completo Código ( )06 ( )07 ( )08 ( )09 ( )10 ( )11 ( )12 1. A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são constituídos por perguntas fechadas. A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da categoria a que pertence o dado a ser tabulado. Segundo Gil (1999).. 91 . a forma mais prática de proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente. permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um pequeno número de categorias. a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados. Pode ser feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados.etc. 5.). Sexo: 3. e c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria).

Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.” F 4 “Penso que deveria ser voluntário. A tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente em dois ou mais conjuntos de categorias. não soube responder ou respondeu outra coisa.” D 5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina.Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório: Nr Respostas dos informantes: Código 1 “Penso que não serve pra nada. é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo: 92 .” F 7 ”Tem seus prós e contras. aplicada a 90 cadetes (30 de cada pelotão).” F 6 ”Lá se aprende a ser cidadão. acho válido.3 Tabulação dos dados A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias categorias de análise. LEGENDA 5.1 Tabulação de perguntas fechadas Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16).” D 2 “Não tenho nada a dizer.3. pois atrapalha os estudos.1.” N 8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo. A tabulação pode ser simples ou cruzada.” F F 4 N 1 TOTAIS D 2 O 1 Código F N D O Descrição Parecer favorável Parecer neutro Parecer desfavorável Não respondeu. só ocupa o tempo do cidadão. A tabulação simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto. pois não servi.” O 3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade. 5.1.

ou categorias de respostas (favoráveis. 5.67 5 16.00 10 33.Tabela 2 .67 0 0. * de acordo com a pergunta 01 (quadro 16) Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.00 0 0.00 30 100.99 30 100.00 4 13.33 0 0.00 0 0.00 c 1 3. poder-se-ia estabelecer um gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e segurança no deslocamento (de 4 a 6). para que seja possível quantificar as respostas obtidas pelo instrumento adotado. Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção 16 14 12 10 8 6 4 2 0 15 12 10 5 00 a 00 b 1 2 3 10 7 4 0 c d e 4 2 0 f 0 g 0 Pel A Pel B Pel C 15 Respostas à pergunta 1 Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.33 2 6.00 0 0.33 b 0 0. desfavoráveis ou neutras).: A pontuação máxima de possível ³ sono normal (07hs de sono) Respostas* é 6X30 = 180 itens. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.3. deve-se estabelecer uma forma de agrupar as respostas.1.00 e 4 13.67 d 3 10.00 g 7 23.00 Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono) Fonte: os autores deste Manual ² privação parcial de sono (02hs de sono) Obs. Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das categorias das variáveis de estudo. para a obtenção de uma média de acertos 93 .Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³ f % f % f % a 0 0.33 12 40.33 0 0.33 2 6.00 10 33. escala.00 Total 30 99. de acordo com um gabarito.2 Tabulação de perguntas abertas No caso das perguntas abertas.00 f 15 50. Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10).00 15 50.

00 23 76.00 25 83.dos estagiários de cada pelotão.67 6 19 63.Itens memorizados após a ordem a patrulha. Tabela 3 .33 30 100.67 23 76.33 3 17 56.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise estatística.33 23 76.67 25 83. conforme a tabela 3. 94 .00 23 76.00 5 16 53.67 25 83. à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da hipótese de estudo.89 Fonte: os autores deste Manual Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono) Itens verificados* Obs. Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³ f % f % f % 1 18 60.67 Total Média 106 58.33 4 18 60.: A pontuação máxima de possível é 6X30 = 180 itens. possibilitando uma comparação intergrupos dos efeitos da privação de sobre a memória. 5.33 2 18 60.00 26 13. uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos dados coletados.89 138 76. * de acordo com a pergunta 08 (quadro 10) ² privação parcial de sono (02hs de sono) ³ sono normal (07hs de sono) A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3: Itens memorizados após a ordem à patrulha 35 30 25 20 15 10 5 0 1 2 3 4 5 6 Itens a serem memorizados 18 25 28 23 18 30 25 17 23 25 18 26 16 18 23 19 23 29 Pel A Pel B Pel C Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.33 18 60.67 160 88.33 28 93.67 29 96. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de um raciocínio lógico que embasará as conclusões.

2. entre as características de determinada variável. existem vários testes estatísticos capazes de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística). geralmente. mediana e moda) e em relação a outras variáveis. Segundo ele. deve-se passar à sua descrição que. para tratar as questões desta natureza procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças reais entre as populações representadas pelas amostras. 5. e. procede-se à sua análise estatística. É necessário verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou uma variável independente). A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de estatística. Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa. ou não. que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa. é feita para atender a objetivos como: a) caracterizar o que é típico no grupo. Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas amostras tenham sido devidas ao acaso. foram criadas várias técnicas estatísticas 95 .5.1 Análise estatística Após a tabulação dos dados. Esta deve ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística). e d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas. mas o interesse dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi selecionada a amostra.2 Avaliação das generalizações Segundo Gil (1999). na maioria dos casos refere-se a amostras. a avaliação das generalizações obtidas com os dados em pesquisas sociais. Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas.2. para isto. b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo. c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência central (média. somente descrever estas diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese.

Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não paramétricos. 5. diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias suficientemente confirmadas.2. Mas. deve-se procurar. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística (uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de Estatística). do nível de mensuração alcançado e do formato das tabelas. O que se diz a respeito da interpretação. Dizem que. as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de adequação à realidade. Gil (1999). a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s). o que pode servir para inibir a realização de investigações apropriadas. não existem normas que indiquem os procedimentos a serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações acerca dos cuidados. é possível se verificar que por trás dos dados existe uma série complexa de observações. mediante uma teoria. refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria. 96 .3 Interpretação dos dados Segundo Gil (1999). sempre que possível. enfatizam a importância da teoria para o estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre proposições. em pesquisa social. um grupo de suposições sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições sobre a atuação de cada grupo. Existe uma grande variedade de testes de significância. A análise deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e confrontar dados e provas. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio do tipo de distribuição. analisar os dados obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos materiais”. que devem tomar os pesquisadores. para que a interpretação não comprometa a pesquisa. Goode e Hatt (1969). quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de comprovação. Em resumo.conhecidas como testes de significância.

b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles fossem. e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia.6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM) Segundo Laville (1999). assuntos ou tópicos relacionados que deixaram de ser investigados. as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo da discussão em torno do assunto. o pesquisador deve voltar ao início da pesquisa. é adequado sumariar alguns procedimentos que devem ser observados ao escrever. mas o que são). destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a necessidade de novas verificações. c) sintetizar os resultados. e/ou g) sugerir. as intenções da pesquisa e o trabalho realizado. conforme listado abaixo: a) relembrar o objetivo geral da pesquisa. procurando explicá-los e interpretá-los de acordo com a teoria. de ordem prática. de acordo com as 97 . de intervenções na natureza ou na sociedade. para se redigir as conclusões e recomendações. Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a seguir. de forma clara e ordenada. para futuras pesquisas. d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram confirmadas ou rejeitadas. O pesquisador deve incluir. Não devem ser apresentadas idéias novas que não constem do desenvolvimento. Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações. e não é recomendável a apresentação de descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados comprometidos e/ou passíveis de novas discussões. A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a apresentação e a análise dos resultados. f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas. Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas. relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses. ao concluir. lembrando sumariamente o problema inicial.

inclusive levantando novas hipóteses. Foi definido neste manual. 98 . as sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa. Os aspectos relativos à estrutura do texto. 4. abrindo caminho a outros pesquisadores”. é necessário preocupar-se com a sua apresentação formal. Desta forma. auxiliando o aprimoramento de novos estudos sobre o tema. Como as pesquisas diferem entre si. Não são obrigatórias e. Contudo. As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações. ao estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo pesquisador no momento da redação. A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um documento denominado dissertação.conclusões da pesquisa”. não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. ou seja. obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados. devem ser escritas somente se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem minimizar as causas do problema. é possível definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente aparecem nos projetos de pesquisa. consistem na apresentação de idéias (propostas). Este documento deve seguir as normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais. uma estrutura viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação está esquematizada no Anexo B. ou seja. elementos textuais e elementos pós-textuais. um esquema de dissertação capaz de abranger a maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. Por sua vez. São ações propostas que podem ser utilizadas no futuro. É importante reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa. julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. apresentam idéias para a realização de novos estudos. logo.

elegância e originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas características prevalecendo a clareza. Cobram-se atitudes éticas valorativas e engajamento político.4. passo a passo. Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da imaginação do leitor. mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática. se necessário. mas o faz pela clareza da argumentação e pelo 99 . acadêmico ou leigo. Convém escrever “conclui-se”. a fidelidade ao fato. o pesquisador deve seguir um caminho árduo. ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário.1 Quanto ao Estilo de Redação Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a “comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor. só serão aceitas idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar. com a qual os escritores escrevem com o coração. essenciais ou acidentais. chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica. O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e acessível capaz de prender a atenção do leitor. Segundo Barrass (1991). Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. Na redação científica. A obra científica também deve atrair o leitor. A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. busca-se a objetividade. apoiando-se em verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas. ou “é lícito supor que” utilizando-se assim. espera-se brilho. mantendo um saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular. a descrição. Segundo Viegas (1999). e a linguagem científica. refazê-los. com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade. é preciso observar as diferenças entre a linguagem literária. entre o rigor científico e o bom senso.4. Na literatura. Em português. convencendo os leitores com base em provas. logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e a partícula apassivadora se. e. com verbos impessoais. descrevendo o que se passa. a isenção do autor. cartesianamente. ideológicos ou éticos. pois. Todavia. ou “cabe concluir”. a correção e a sobriedade. a linguagem impessoal. e com a voz passiva. o pesquisador trata o tema como quem está de fora. de um texto literário. Em textos técnicos. busca-se a criatividade e a imaginação do autor. a neutralidade sem posicionamentos subjetivos.

porém. evitando palavras supérfluas. b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em considerações e opiniões pessoais.4. é possível identificar algumas características comuns que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica: a) o texto deve ser escrito em linguagem direta. e) indicar com precisão como. as normas e as orientações constantes das Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e observadas. e g) por fim. para não originar interpretações diversas. deverão ser consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação gráfica do texto. a disposição do texto em si. referências. notas de rodapé. a paginação.2 Considerações finais Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação. partindo de frases simples. as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e ordenada. o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador. Da mesma forma. utilizando-se vocabulário sem verbosidade. e de trabalho para trabalho. c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade. d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir. repetições e detalhes prolixos. antigamente. quando e onde os dados foram obtidos. textuais e pós-textuais. os advérbios recentemente. as citações. que foram detalhados no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO. 4. por exemplo. lentamente. contendo uma única idéia que envolva completamente a frase. em especial no que se refere a registros de observações. sem expressões com duplo sentido.conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio. também expressas no manual citado. expostas com poucas palavras. 100 . Em resumo. o modo e o lugar como. As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). provavelmente. a organização das partes e titulações. tabelas e figuras. bem como os elementos pré-textuais. evitando-se que a seqüência seja desviada com considerações. f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos e advérbios que não explicitem exatamente o tempo. medições e análises.

5 JUSTIFICATIVA 2.3 A ESTRUTURA DO TCC 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.4 MONTAGEM DO TCC 101 .3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.4 OBJETIVOS 2.2 PROBLEMA 2.1 TEMA 2.6 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa) 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES 5.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 1 INTRODUÇÃO 5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA 5.

e entre ambos e a linha de pesquisa à qual estão vinculados. É importante compreender. Tais providências têm por finalidade traduzir um perfeito sincronismo. e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados. Para que o postulante. Apresentação do Projeto de Pesquisa. o orientador. e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado. Depósito do TCC. neste momento. que são 102 . devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C). e. bem como economizar tempo e recursos preciosos.2 AS ETAPAS DA PESQUISA O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas. Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa. e Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação. não será difícil perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de Pesquisa. entre o postulante e o seu orientador. que o TCC é o relatório final de uma pesquisa científica. 5.5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5.1 INTRODUÇÃO O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14724:2002. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase. visando atender os interesses do postulante e da Escola. e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e aprovada antes de ser realizada. apresentando ainda os resultados. o programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas: Escolha do tema. Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação da EsAO. as análises e as conclusões acerca do que foi pesquisado.

Questões de estudo . cujos elementos constitutivos formam as seções do relatório final da pesquisa científica (o TCC).Justificativa . o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª Etapa).Objetivos .traduzidas em referenciais. por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e de entrevistas exploratórias. é formulada uma pergunta de partida (1ª Etapa).Tema . Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que envolve o seu tema. e uma série de raciocínios lógicos.Cronograma .Visão geral . TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO AS 5 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 1ª Etapa 3ª Etapa 2ª Etapa SEÇÕES DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Seção 1 Seção 2 Pergunta de partida Introdução .Planilha de custos A exploração do problema Revisão de literatura Entrevistas exploratórias Pesquisa Bibliográfica Pesquisa Documental Pesquisa de Campo (sfc) 4ª Etapa Conceitos e Métodos Referencial Operativo* Seção 3 Apresentação e Análise dos Resultados Seção 4 Conclusões 5ª Etapa Conclusões e Recomendações (Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso) Redação do relatório de pesquisa ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO (fase presencial do CAO) * O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa A pesquisa se inicia com a definição do tema. com o objetivo de colher subsídios que permitam formular uma possível solução para o problema. A partir daí. dos 103 .Contribuição . Na seqüência. procurando destacar os aspectos do tema que serão abordados na pesquisa.Problema . Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo.

na qual os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de Apresentação e Análise dos Resultados. quando o autor deve apresentar. prosseguindo no estudo. Apresentação e Análise de Dados. Esta etapa também pode ser chamada Coleta. o Tema. Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões: a. os Objetivos.3 A ESTRUTURA DO TCC A seguir.objetivos a serem atingidos. Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das Conclusões (4ª Etapa). de forma a fornecerem subsídios que permitam alcançar as respostas às questões de estudo. ou b. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que 104 . Depois de reunidos. executando-se a sua impressão e a entrega à Comissão de Avaliação. a pergunta de partida deve ser reformulada. ao lado do título de cada seção. o Problema. as Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e Métodos. respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa. sendo referenciadas. a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto. cumprindo os objetivos traçados na seção Conceitos e Métodos. e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o problema. os principais aspectos verificados durante a pesquisa. onde todo o trabalho deve ser organizado e formatado de acordo com as Normas da ABNT. 5. deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita. na seção Conclusões e Recomendações. no Projeto de Pesquisa ou no TCC. as Questões de Estudo. das justificativas (“porquês”) para se empreender um estudo científico. e permitindo ao pesquisador organizar logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão. é realizada a Redação do Relatório de Pesquisa (5ª Etapa). serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que compõem a estrutura final do TCC. a pergunta de partida está bem elaborada. Encerrando o processo de elaboração do TCC. que pode ser de natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa).

deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens referenciados.
1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão panorâmica acerca do assunto pesquisado. Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e

desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial, que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.
2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo, o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área específica do conhecimento em questão. 2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC) Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja

estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em 105

função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos interesses acadêmicos. O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta bibliográfica. Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que pretendo abordar?” A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida. Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano; b) na vida profissional; c) em programas de pesquisa; d) em contato e/ou relacionamento com especialistas; e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e f) no estudo da literatura especializada.

A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido (para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”). 2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC) Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

106

Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados “pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração

das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas), mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico. Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).

A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias (sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um reinício da pesquisa.

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2 Formulação do Problema (Projeto e TCC) A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser escrito na forma interrogativa. são as chamadas questões de estudo. Ainda que a definição do problema seja clara.2. 2. aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação. faz-se necessário especificar o alcance da investigação.2. ou seja. e o campo de ação que não foi possível abarcar. A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que não serão abordadas. além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na UD IV. Nesta fase da pesquisa. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo. e os limites. Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o tamanho da amostra e a duração do estudo.2. definindo a exclusividade da pesquisa. a quem está dirigida. torna-se necessário questionar-se acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa. A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa.3.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC) A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço. a partir da página 53). a pergunta inicial transforma-se em problema científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte para os antecedentes do problema). tratadas no item 2. relatando os aspectos do problema que foram incluídos. Desta forma. Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado. o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve ser especificado de forma a tornar acessível à investigação. 108 . precisa e concisa. especificada e reduzida de modo a permitir sua realização.

poderiam ser elaboradas as seguintes questões de estudo: a) como ocorre o processo de envelhecimento? b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento? c) como ocorre o processo de formação do stress? d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo? e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório? f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento? 109 . Quando solucionadas. Projeto e TCC) As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho que leve ao melhor conhecimento acerca do problema. cada questão de estudo fornecerá uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e solução do problema. ainda desconhecido e muitas vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV).: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta. com relação ao domínio de conhecimentos necessários. uma questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar. o que é fundamental para se chegar a uma solução para o mesmo. e da existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a realização da pesquisa. Em síntese. 2.A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do pesquisador. Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. Ex. as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução do problema de pesquisa. A adoção das questões de estudo se dá em substituição ao processo de formulação de hipóteses.”. Um objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar.

110 . Os objetivos específicos procuram descrever. isto é. Para as questões de estudo descritas no item 2. Projeto e TCC) Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o estudo. ou seja. faz-se necessário construir um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. 2. esclarecem. 2.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM) Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e representam as metas a serem seguidas. referindo-se às características que podem ser observadas e ou mensuradas. pretendem buscar a solução para cada uma das questões de estudo. Se o objetivo geral indica uma direção a seguir.4. Projeto e TCC) Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como problema de investigação. por sua vez. o que será obtido em cada passo da pesquisa. delimitam e decompõem a trajetória a ser seguida em objetivos específicos de pesquisa.1 Objetivo Geral (Proposta.4. das quais depende a consumação do objetivo final. e conseqüentemente do problema de pesquisa como um todo. O objetivo geral deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV. Estes. indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral de pesquisa. sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa.4 OBJETIVO (Proposta. nos termos mais claros possíveis. a partir da página 60).2. poder-se-ia enunciar o objetivo geral de estudo da seguinte forma: Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM. Isto é feito por meio de metas intermediárias que redefinem.3.

processo de formação do stress. d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento. e) descrever como ocorre o processo de formação do stress. procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a 111 . g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório. alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento.5 JUSTIFICATIVA (Proposta. f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo. c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento. psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. 2. e h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. listaremos a seguir alguns exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de estudo: a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais conceitos relativos ao processo de envelhecimento. Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos. é possível verificar sua estreita relação com as questões de estudo. desempenho cognitivo. b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento físico. e processo decisório (verifique a correlação com as questões de estudo).Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM”. Projeto e TCC) Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa.

que a problemática exposta merece uma solução. do projeto de dissertação . Uma pesquisa é relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento. isto é. É a parte onde se apresenta a razão de ser da pesquisa.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a serventia dos resultados a serem colhidos. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da necessidade e da relevância da pesquisa proposta. e nos seus resultados. convincentemente. o pesquisador deve perguntar-se: Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar? A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo? Quem será o real beneficiário da investigação? 112 . A existência de um problema é o que justifica. Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir para o conhecimento de problemas significativos. Projeto e TCC) Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da investigação. Para tanto. O investigador deve estabelecer. uma vez concluída. na medida que o faz avançar.sua importância relativa. Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. a importância de uma investigação está na sua originalidade. academicamente. conseqüentemente. Para tanto. o pesquisador deve perguntar-se: O tema é relevante? Procurando responder por quê. Em outras palavras. Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da elaboração da proposta e. Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta? Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo? 2. a realização de uma pesquisa para que se possa equacionar uma solução para o mesmo.

3. Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso autêntico. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa) Este referencial está descrito na UD IV página 88. o pesquisador prende-se unicamente aos dados. fornecendo o embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa. coerente e lógico. embora não obrigatório. neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES” receberia o número 11. .. e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa. 113 . Este procedimento facilita a leitura do trabalho.3: 3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO 4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO 5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS 7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO 8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO 9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR 10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS Obs.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2 CONCEITOS E MÉTODOS (3. A estrutura abaixo representa ma das possíveis organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as questões de estudo apresentadas na subseção 2. Alguns autores ressaltam que. e podem ser apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias. É comum. procura um sentido mais amplo. A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente relacionados. 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC) Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo.. Os dados fornecem informações a respeito das questões de estudo. 4. na apresentação.).sfc). ao passo que na análise. a utilização de conclusões parciais ao longo das seções de apresentação e análise dos resultados. 5.

tendo em vista manter a objetividade e a clareza. O pesquisador deve incluir. Dependendo da extensão. As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações. Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) apareçam na conclusão. se as questões de estudo foram respondidas e se o problema de estudo foi resolvido. julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. Um dos cuidados que se deve ter.4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC) Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa. São ações propostas que podem ser utilizadas no futuro.4 MONTAGEM DO TCC A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento denominado Trabalho de Conclusão de Curso. 5. Não são obrigatórias e. ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. diz respeito à extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. Este documento deve seguir as 114 . as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo da discussão em torno do assunto. de forma clara e ordenada. somente devem ser escritas se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem minimizar as causas do problema. A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a apresentação e análise dos resultados. como gerarem erros em virtude de generalização precipitada do pesquisador. As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento. Estes tanto podem ser verdadeiros. e/ou ainda. tampouco resultados comprometidos e passíveis de novas discussões. o que fatalmente compromete os resultados da investigação. sugerir assuntos relacionados. explicitar se os objetivos foram atingidos. para servirem de base para as pesquisas futuras. as conclusões podem ser subdivididas em várias subseções. que deixaram de ser investigados.

4. Da mesma forma.1 Considerações finais Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação. as normas e as orientações constantes das Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e observadas. deve-se observar as recomendações constantes da subseção “4. deverão ser consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação gráfica do texto. notas de rodapé. as citações. 115 . a paginação. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa. As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 5.normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais. bem como os elementos pré-textuais.4. Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os relatórios finais. textuais e pós-textuais. que foram detalhados no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO. a disposição do texto em si. a organização das partes e titulações. Uma estrutura viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no Apêndice D. os elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós- textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). tabelas e figuras. também expressas no manual citado.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da página 99. referências. Com relação ao estilo de redação.

116 .

COSTA. O.da S. M.. BARROS. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa. 1997. São Paulo: Harbra. Aidil J. P. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. LEHFELD. de. DEMO. Método Científico: Os caminhos da investigação. A. F. 2002. Introdução à metodologia da ciência. Fundamentos de metodologia. Introdução à metodologia do trabalho científico. Pesquisa empírica em ciências humanas.apresentação. VIÁ. Fundamentos de metodologia científica. 1996. da. FACHIN. 2001. São Paulo: Atlas. 1998. 1996.Pesquisa e construção de conhecimento. Sérgio F. Rio de Janeiro. A. São Paulo: Makron. São Paulo: Futura. NBR14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos . 2000.REFERÊNCIAS ANDRADE. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 117 . ____. Ada de F. G. M. C. COSTA. 1997. 2001. São Paulo: Atlas. Metodologia científica. DENCKER. M. P. BERVIAN. Rio de Janeiro: Unitec. São Paulo: Prentice Hall. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro. Neide A de S. CERVO. Amado L. S. 2002.

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2.1 TEMA 2.3.1 Definição conceitual das variáveis 4.2 HIPÓTESE 4.1 OBJETIVO 4.2 Amostra 4.3.4.5 Técnica de pesquisa 4.2 PROBLEMA 2. ELEMENTOS Capa Lombada Folha de rosto Errata Folha de aprovação Dedicatória Agradecimentos Epígrafe Resumo na língua vernácula Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de siglas Lista de símbolos Sumário 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.4.4.3.4.6 Instrumentos 4.3 Alcances e Limites 2.7 Análise dos dados 5 REFERENCIAL OPERATIVO 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Referências Glossário Apêndice(s) Anexo(s) Índice(s) Prop X Proj X X DM X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X PRÉ-TEXTUAIS TEXTUAIS X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X PÓS-TEXTUAIS X X X X X X X Obrigatório Opcional Não faz parte desta fase 120 .2 Definição operacional das variáveis 4.Apêndice A .4.3.3 Método de pesquisa 4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.3 JUSTIFICATIVA 2.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.Elementos Constitutivos da Proposta.2 Formulação do Problema 2. Projeto de Pesquisa e DM.2.2.1 Antecedentes do Problema 2.3 VARIÁVEIS 4.1 População 4.4 Tipo de pesquisa 4.

3.1 População Método de pesquisa 4.7 Análise dos dados 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 121 .3.4.4.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.4.2 Amostra 4.3.5 Técnica de pesquisa 4.3.2 Definição operacional das variáveis 4. 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.2.1 Antecedentes do Problema 2.3 Alcances e Limites 2.4 Tipo de pesquisa 4.2.2 PROBLEMA 2.1 Definição conceitual das variáveis 4.Elementos textuais obrigatórios da DM.3 Método de pesquisa 4.3 JUSTIFICATIVA 2.6 Instrumentos 4.1 TEMA 2.2 Formulação do Problema 2.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.4.1 OBJETIVO 4.3.3 VARIÁVEIS 4.Apêndice B .2.2 HIPÓTESE 4.

2 PROBLEMA 2.2 Formulação do Problema 2.6 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL OPERATIVO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Referências Glossário PÓS-TEXTUAIS Apêndice(s) Anexo(s) Índice(s) X X Obrigatório Opcional Não faz parte desta fase Prop X Proj X X TCC X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 122 .2.2.1 Antecedentes do Problema 2.5 JUSTIFICATIVA 2.Apêndice C .Elementos Constitutivos da Proposta. Projeto de Pesquisa e TCC.3 Alcances e Limites TEXTUAIS 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.1 TEMA 2.2.4 OBJETIVO 2. ELEMENTOS Capa Lombada Folha de rosto Errata Folha de aprovação Dedicatória Agradecimentos PRÉ-TEXTUAIS Epígrafe Resumo na língua vernácula Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de siglas Lista de símbolos Sumário 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.

5 JUSTIFICATIVA 2.4 OBJETIVO 2. 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.2 PROBLEMA 2.1 TEMA 2.3 Alcances e Limites 2.2.3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.2 Formulação do Problema 2.Apêndice D .6 CONTRIBUIÇÃO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 123 .2.Elementos textuais obrigatórios do TCC.1 Antecedentes do Problema 2.2.

Papel A4 Rolo de filme Custeio Cartucho de tinta para impressora Fotocópias Remuneração serviço Digitação pessoal Encadernação Correios Outros serviços e encargos Revelação de filmes e montagem de slides Outras Despesas T O T A L 2 40 Quantidade Valor Solicitada Unitário 1 1 1 1 1 1 1 2 2 10 500 2 1 100 90 1 2 1 8 80 200 100 11 9 2.000 600 12 8 5 1 Valor Total 200 100 11 9 2000 600 12 16 10 10 10 16 80 20 180 20 150 80 200 3724.Exemplo de Planilha de Custos.Apêndice E .00 124 . Itens do Elemento do Orçamento Orçamento Especificações do Elemento de Despesa Gravador Máquina fotográfica Capital Equipamento Grampeador e material permanente Perfurador de papel Microcomputador Impressora Caixa com 10 disquetes HP Fita para vídeo TDK Fita cassete 90 Material de Consumo Caneta esferográfica.

Atividade Início do projeto Revisão do referencial conceitual feito na proposta de projeto Revisão1 do referencial teórico feito na proposta de projeto Revisão1 do referencial metodológico feito na proposta de projeto Revisão2 do projeto para revisão do Orientador Elaboração e apresentação dos instrumentos Elaboração da análise a ser utilizada Revisão do projeto de pesquisa pelo Orientador Revisão do projeto Apresentação do projeto de pesquisa e dos fichamentos Preparação das Seções iniciais da DM para a Qualificação3 Qualificação das Seções iniciais da DM3 Coleta de dados Tabulação dos dados4.: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO. para o TCC 1 125 . se for o caso. Apresentação e análise dos resultados Conclusões Redação trabalho parcial das seções do 2 1 Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago 11 25 X X 15 22 29 6 8 11 X X 08 09 X X 22 23 a 25 X X X X X X X X X 15 22 25 27 X X X X X X X X X X X X X X 01 01 02 Revisão do trabalho Entrega do trabalho pronto Fase de confecção do Projeto de Pesquisa Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM) Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios.Apêndice F .Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa. Obs. 2 Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o seu orientador. Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto. 3 Somente para a DM 4 Obrigatório para a DM e. podem ser marcadas quantas datas forem necessárias.

quando as frases são transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada. ou mesmo inexistência. que têm relação com a sua pesquisa. ed. Seja oportuno.Apêndice G – Modelo de Ficha. 3. em face das inúmeras outras atividades prioritárias da OM. quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas palavras. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias. MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP DFA ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE DAS OM POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf FICHA Nr: 001 REFERÊNCIA (obrigatório) DATA: 22 de janeiro de 2004.” (BRASIL. apresentar o foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. CITAÇÕES (opcional) Página Texto As citações podem ser redigidas na forma direta.2002. as quais vão desde a falta de tempo. BRASIL. Cite as idéias com suas próprias palavras. Brasília. 1-1). C 20-20: Treinamento Físico Militar. isto é. É importante manter sempre em mente que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa. (citação direta: transcrição “ipse litteris” do manual) O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos 126 . não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação que pretende colher agora. as citações devem tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em estudo. Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo. de áreas. Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. até a carência. isto é. devem apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado. 2002 p. Exército. ou na forma indireta. RESUMO DA OBRA (obrigatório) O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s). instalações e materiais apropriados.DF. Exemplo “ilustrativo”: 1-1 “São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico ideal. portanto. Estado-Maior.

Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares incorporados nas diferentes organizações militares. Estas adaptações trazem benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho profissional.” (BRASIL. Exemplo “ilustrativo”: “O treinamento regular e orientado provoca.Programa Anual de TFM OM Não Operacional . 2002 (p. 2002 p.Programa Anual de TFM OM Operacional . diversas adaptações no funcionamento do organismo humano.4 Sessões Semanais Anexo E .padrões de atividade física. naturalmente.. que poderiam afetar a manutenção operacionalidade das OM ..” (BRASIL.. 2002 p. (comentário oportuno do pesquisador) Exemplo “ilustrativo”: da 1-2 Segundo BRASIL. a fim de atender aos interesses da Força e ao cumprimento da sua missão institucional. 3-3). (acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa) RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional) Página 3-5 B1 E1 Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc) Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE) Anexo B . 1-2). 1-2) o treinamento físico militar deve estar voltado para a operacionalidade. 3-3 CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório) Exemplo “ilustrativo”: A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em combate.4 Sessões Semanais 127 . Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa.. portanto. (citação indireta: reedição do pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador) Veja a seguir o que consta originalmente no manual: “O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão institucional.

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