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Ordem dos

Contabilistas e
Auditores de
Moçambique
(OCAM)

MANUAL DE

LEGISLAÇÃO COMERCIAL E NEGÓCIOS

GILDO ESPADA, PH.D.

MAPUTO, MAIO DE 2018


ÍNDICE

1 Introdução ............................................................................................................................. 1
1.1 Objectivo Geral.............................................................................................................. 1
1.2 Objectivos Específicos ................................................................................................... 1
1.3 Resultado da Aprendizagem ......................................................................................... 2
2 Desenvolvimento dos Conteúdos ......................................................................................... 3
2.1 Noções ........................................................................................................................... 3
2.2 Delimitações do objecto e âmbito do Direito Comercial .............................................. 3
2.3 Fontes de Direito Comercial .......................................................................................... 4
2.3.1 A Lei ....................................................................................................................... 4
2.3.2 Os Usos e Costumes .............................................................................................. 5
2.4 A Empresa Comercial e o Empresário Comercial .......................................................... 5
2.5 O Empresário Comercial VS Administrador da Empresa............................................... 8
2.6 Impedimento para o Exercício de Actividade Empresarial ......................................... 10
2.7 O Exercício de Actividade Empresarial Pelo Estado e as Autarquias .......................... 11
2.8 Figuras Afins do Empresário Comercial....................................................................... 11
2.8.1 Mandatário comercial ......................................................................................... 12
2.8.2 Gerente ............................................................................................................... 12
2.8.3 Comissários (dos comerciantes) .......................................................................... 12
2.8.4 Mediadores ......................................................................................................... 13
2.8.5 Agentes comerciais ............................................................................................. 13
2.9 Obrigações dos Empresários Comerciais .................................................................... 13
2.10 Conceito de Firma ....................................................................................................... 14
2.11 Tipos de Firma ............................................................................................................. 15
2.12 Tipos de Sociedades Comerciais ................................................................................. 29
2.12.1 Sociedade em nome colectivo ............................................................................ 30
2.12.2 Deliberações dos sócios e administração............................................................ 37
2.12.3 Sociedade em comandita .................................................................................... 40
2.12.4 Sociedade de capital e indústria ......................................................................... 46
2.12.5 Sociedade por quotas .......................................................................................... 48
2.12.6 Sociedade por quotas com um único sócio......................................................... 63
2.12.7 Sociedade anónima ............................................................................................. 63
3 Bibliografia .......................................................................................................................... 70
1 Introdução

A presente disciplina, relativamente às tradicionais de Direito comercial e de


Negócios, é das mais recentes, tendo surgido como de maior abrangência em
relação ao Direito Comercial que regula de forma particular os actos do
comércio ou seja do comerciante. Nela se encontram incorporadas as áreas
com as quais o empresário se lida no seu quotidiano, daí estarmos diante
duma disciplina que apela constantemente para o conteúdo de outras, tais
como: o próprio Direito Comercial, Direito do Trabalho, Direito dos Registos e
Notariado, Direito Económico, Direito das Obrigações e dos Contractos.
Podemos por isso dizer que o Direito comercial e de Negócios é o conjunto de
princípios, normas e disciplinas jurídicas ligadas a actividade empresarial.

O presente Manual apresenta-se como um guião para estudo autónomo.


Todavia, em face da necessidade de apresentação de um manual resumido,
não foi possível tratar com a devida profundidade as matérias aqui tratadas.

Por este motivo, o manual não apresenta posições doutrinárias, tão pouco
disserta sobre teorias. Simplesmente analisa, de forma directa e objectiva, o
quadro normativo aplicável, mormente o código comercial.

Por este motivo, e o presente manual não dispensa a análise de obras de


referência que permitam estudos mais aprofundados.

1.1 Objectivo Geral


A partir das leituras, debates e exposições o estudante ira aprimorar os
conhecimentos e aplicar as normas constitucionais e de direito empresarial e
das sociedades comerciais e outras formas de organização da actividade
económica. Deve ainda aprimorar os conhecimentos os procedimentos de
registo relacionados à actividade empresarial e a situação da empresa no
mercado.

1.2 Objectivos Específicos

São objectivos específicos desta disciplina os seguintes:

1
• Propiciar conhecimentos avançados acerca do Direito Comercial;
• Identificação dos institutos fundamentais da actividade comercial, no que
se refere às Sociedades Comerciais e aos Títulos de Créditos;
• Compreender os actos relativos à actividades comerciais, suas
características e requisitos;
• Reconhecer as diferenças existentes entre as espécies de Sociedades
Comerciais e de Títulos de Créditos;
• Identificar as intersecções e interdisciplinaridade entre esta disciplina e a
Auditoria.
1.3 Resultado da Aprendizagem

Espera-se com esta disciplina que o candidato possa:

• Aprimorar a compreensão o Direito Empresarial como um ramo


importante na área empresarial;

• Interpretar as leis que regem a actividade empresarial;

• Aplicar de forma eficaz as normas que regem as empresas no


ordenamento moçambicano;

• Aprimorar os conhecimentos dos procedimentos e as exigências legais


dos titulares de empresas;

• Aprimorar os conhecimentos os diferentes tipos de empresas;

• Aconselhar terceiros na escolha do tipo de empresa a criar.


2 Desenvolvimento dos Conteúdos
2.1 Noções

Entende-se por Direito Comercial o corpo de normas, conceitos e princípios


jurídicos que, no domínio do Direito Privado, regem os factos e as relações
jurídico comerciais.

Trata-se, de um ramo de Direito Privado, por isso que cuida de relações entre
sujeitos colocados em pé de igualdade jurídica.

E é um ramo de Direito Privado Especial, já que estabelece uma disciplina para


as relações jurídicas que se constituem no campo do comércio, a qual
globalmente se afasta da que o Direito Civil, como ramo comum, estabelece
para a generalidade das relações jurídicas privadas.

O Direito Comercial é informado por uma concepção essencial de liberdade de


iniciativa, liberdade de concorrência, mobilidade de pessoas e mercadorias,
objecto legítimo de lucro, internacionalismo das relações económicas.

2.2 Delimitações do objecto e âmbito do Direito Comercial

A primeira concepção que surgiu foi a concepção subjectivista, segundo ela, o


Direito Comercial é o conjunto de normas que regem os actos ou actividades
dos comerciantes relativos ao seu comércio.

Por seu turno, para a concepção objectivista, o Direito Comercial é o ramo de


Direito que rege os actos de comércio, sejam ou não comerciantes as pessoas
que os pratiquem.

Não há sistemas puros: em ambos existem actos de comércio objectivos e


regras próprias da profissão de comerciante. E, deste modo, pode-se dizer que,
na essência, a diferença entre as duas concepções se resume a isto: no
sistema subjectivista, só são comerciantes os actos praticados por
comerciantes e no exercício do seu comércio, pelo que não se admitem actos
comerciais isolados ou avulsos, mormente de não comerciantes; já no sistema
objectivista, uma vez que assenta nos actos de comércio, independentemente
de quem os pratica, são também como tais considerados os actos ocasionais,
mesmo que não praticados por comerciantes ou alheios à actividade
3
profissional de um comerciante, desde que pertençam a um dos tipos de actos
regulados na lei comercial.

2.3 Fontes de Direito Comercial

De entre as fontes do Direito Comercial, encontram-se a Lei, os Usos e


Costumes.

2.3.1 A Lei

A fonte primordial do Direito Comercial é a lei, entendida no seu sentido mais


amplo, isto é, abrangendo a lei constitucional, a lei ordinária e também as
normas regulamentares. De entre as fontes do Direito Comercial encontramos:

- Constituição da República de Moçambique/2004


- O Código Civil /1967
- O Código Comercial de 2005 com as alterações de 2009.
- O Decreto n.º 44/2011, de 21 de Setembro – Estatuto Geral das Micro,
Pequenas e Médias Empresas – MPME's.
- A Lei n.º 3/93, de 24 de Junho – Lei de Investimentos.
- A Lei n.º 2/81, de 10 de Setembro – Lei das Empresas Estatais.
- A Lei n.º 6/2012, de 8 de Fevereiro – Lei das Empresas Públicas.
- A Lei n.º 9/79 de 10 de Julho - Define a constituição e tipo de
organização cooperativa em Moçambique
- A Lei n.º 7/79 de 3 de Julho – Cria a base legal para licenciamento e
funcionamento do sector privado em Moçambique.
- A Lei n.º 8/79 de 3 de Julho, estabelece o regime jurídico de
arrendamento de imóveis, do parque imobiliário do Estado para
habitação, indústria, comércio e serviços.
- O Decreto n.º 18/99, de 4 de Maio, que aprova o código da Propriedade
Industrial
2.3.2 Os Usos e Costumes

Para além da Lei, outra fonte importante do Direito Comercial são os usos e o
costume. Quanto aos costumes, o Direito Comercial os acolhe como fonte de
direito (art.º. 480c.com).

Para o costume ter relevância, é necessário que a lei civil para o efeito remeta
(art.º. 560 cc), tendo igualmente em consideração o art. 4 da CRM.

2.4 A Empresa Comercial e o Empresário Comercial

O exercício da actividade comercial é controlado. No sentido de, para exercê-


la, ser necessário observar alguns requisitos legais existentes, previstos no
código comercial. Os requisitos mais importantes são os que dizem respeito a
quem pode ser empresário (e quais os requisitos aplicáveis) e que tipo de
empresa pode ser criada (e quais os requisitos aplicáveis)

Comecemos por analisar a figura do empresário comercial, olhando para o


artigo 2º do Código Comercial.

Artigo 2º

(Empresários comerciais)

São empresários comerciais:

a) As pessoas singulares ou colectivas que, em seu nome, por si ou por


intermédio de terceiros, exercem uma empresa comercial;
b) As sociedades comerciais.

A aquisição da qualidade de comerciante é sempre originária, não podendo


transmitir-se nem inter vivos, nem mortis causa.

Portanto, quem organizar ou adquirir uma empresa comercial terá de


preencher, em si mesmo, os requisitos necessários para obter de si a
qualidade de comerciante.

Por exemplo: Se o Carlos é empresário, e perde a vida, e deixa a sua


empresa para o José, seu filho, tal não significa que o José, automaticamente,
torna-se empresário. È preciso verificar, neste caso, se o José, por exemplo,

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não é menor. Porque se tiver eventualmente, 10 anos, nos termos da lei, como
vemos de seguida, não preenche os requisitos para ser empresário.

Requisitos de acesso à qualidade de comerciante em nome individual


(isto é, singulares).

a) Personalidade jurídica

Quanto a este requisito, tem personalidade jurídica a pessoa singular que já


tenha nascido, e tenha permanecido com vida pelo menos algumas horas (art.
66º CC), que é a medida dos direitos e obrigações de que uma pessoa e
susceptível.

b) A capacidade jurídica

A capacidade jurídica é a medida de direitos e deveres que o empresário pode


ter. Isto é, se pode praticar todo e qualquer acto, de forma ilimitada, ou se na
sua actividade empresarial actos há que lhe estejam vedados. A capacidade
jurídica pode se capacidade de gozo ou capacidade de exercício.

Exemplo de capacidade de gozo: Os menores de 18 anos não podem ser


empresários, porque não tem capacidade de gozo. Os menores, a partir dos 18
anos, podem ser empresários, mas para tal carecem de autorização do pai ou
representante legal, sob pena de a prática sem autorização ser considerada
ilegal. Pelo que o menor de 18 anos goza do direito de ser empresário, sob
condição, que é a devida autorização, para poder efectivamente exercer a
actividade.

Exemplo de capacidade de exercício: Imaginemos que o André é


empresário, e tem 30 anos. E a dado momento ele sofre de demência, isto é,
fica louco. A pergunta que se coloca é: os familiares de André vão deixá-lo gerir
o negócio, estando demente? E a resposta é não. E neste caso, o fundamento
legal que se deve apresentar é que ele não tem capacidade de exercício.
Outras situações que podem levar à incapacidade de exercício são a surdez-
mudez, a prodigalidade, doença grave e permanente
Veja-se a seguinte norma:

Artigo 9 C.Com

(Capacidade para o exercício da actividade empresarial)

Pode ser empresário comercial toda a pessoa singular, residente ou não


residente, ou pessoa colectiva, com sede estatutária no País ou não, que tiver
capacidade civil, sem prejuízo do disposto em disposições especiais.

Isto significa que, por um lado, sendo maior, e sem limitações na capacidade
de exercício, qualquer singular que resida ou não no país pode exercer
actividades empresariais, a título individual.

Por outro lado, os singulares podem constituir-se em pessoas colectivas, isto é,


em empresas dos mais diversos tipos, e dessa forma exercer a actividade
empresarial.

Importa referir, em relação a outra norma importante, nomeadamente o artigo


10º do código comercial, alguns aspectos. Para os casos de menores que
sejam maiores de dezoito anos, podem exercer actividade empresarial, como
referido, desde que devidamente autorizado.

A autorização para o exercício da actividade empresarial pode ser concedida


pelos pais, desde que detenham a guarda do menor; pelo tutor; pelo juiz, na
falta dos pais ou do tutor, ou quando entender conveniente e oportuno aos
interesses do menor.

A autorização para o exercício da actividade empresarial deve ser outorgada


por escrito, podendo o instrumento de autorização limitar os poderes ou impor
condições para o seu exercício; indicar o ramo da actividade a ser explorado
pelo menor; fixar prazo de validade da autorização e mesmo quando concedida
por tempo determinado, pode ser revogada, a qualquer altura, pelo outorgante,
salvaguardados os direitos adquiridos de terceiros.

Não havendo fixação de prazo de validade nem limitação de poderes,


presume-se que a autorização tenha sido concedida por tempo indeterminado,

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ficando o menor habilitado para a prática de todos os actos próprios da
actividade empresarial.

Para produzir efeitos em relação a terceiros, o instrumento de autorização e a


sua revogação devem ser registados na entidade competente para o registo
comercial. Isto é, não basta autorizar o menor. É necessário fazer registo da
autorização na Conservatória de Registo das Entidades Legais do local no qual
a actividade será registada.

2.5 O Empresário Comercial VS Administrador da Empresa

Não se deve confundir o empresário comercial com a figura do administrador


da empresa. É empresário aquele que, reunindo os requisitos acima referidos,
cria uma empresa, e exerce actividade empresarial.

Todavia, nem todo aquele que está a frente de um empreendimento é um


verdadeiro empresário. Acontece muitas vezes que quem está à frente é
simplesmente um administrador da empresa. Daí que não se deve pensar que
o administrador é sempre um empresário. Pode haver coincidência, mas muitas
vezes o administrador da empresa não é um empresário.

No exercício da sua actividade, o administrador tem algumas limitações em


relação ao empresário dono do negócio. Por exemplo:

Artigo 324

(Proibição da concorrência)

Os administradores não podem, sem o consentimento expresso dos sócios,


exercer, por conta própria ou alheia, actividade abrangida no objecto social da
sociedade, desde que esteja a ser exercida por ela ou o seu exercício tenha
sido objecto de deliberação dos sócios.

Isto significa que a partir do momento que o administrador é nomeado, ele não
deve exercer a mesma actividade, actividade similar ou ainda actividade
conexa com as actividades da empresa em que ele é administrador. Mesmo
que este administrador seja um empresário, a proibição subsiste, o que
significa que ele deve escolher: ou ser administrador da empresa, tal como foi
mandatado, ou exerce a sua actividade empresarial (ou a de terceiros), mas
nunca ser administrador e exercer actividade empresarial em simultâneo.

Por outro lado, a legislação prevê normas que visam promover a igualdade
dentro da família, mormente entre marido e mulher. Assim, um ou outro não
carece de autorização para o exercício de actividade empresarial. Vide:

Artigo 11

(Exercício da actividade empresarial pelo cônjuge)

1. Qualquer dos cônjuges, independentemente de autorização do outro,


pode exercer actividade empresarial;
2. O cônjuge somente pode avalizar títulos de crédito ou prestar outra
garantia com a anuência expressa do outro cônjuge, sob pena da
nulidade do acto praticado, excepto tratando-se de bens pessoais.
3. O cônjuge que se sentir prejudicado com a prática de acto que possa
comprometer o património do casal pode manifestar a sua oposição nos
termos da lei.

O que a lei pretende, nos termos do número 1 do artigo 11, é garantir que as
pessoas casadas estejam em pé de igualdade no que diz respeito ao exercício
de actividade empresarial. Para isso, a lei permite que marido ou mulher exerça
actividade empresarial mesmo se o outro cônjuge discordar.

Por outro lado, e conforme o número 2 do artigo 11, caso o esposo empresário,
ou a esposa empresária, queira avalizar um crédito, isto é, prestar garantias a
terceira pessoa com base no seu património, para que essa terceira pessoa
tenha acesso a crédito bancário, por exemplo, deverá haver consentimento de
um ou de outro.

A excepção que se abre neste caso é aquela em que a garantia prestada é


com base em bens próprios, isto é, aqueles que já pertenciam a um ou a outro
antes do casamento, ou os bens recebidos por herança, ou ainda se
estivermos perante o regime de separação geral de bens.

Caso não estejamos perante nenhuma destas excepções, o cônjuge do qual


não se obteve o consentimento pode requerer a anulação da garantia prestada,

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e ainda opor-se aos efeitos que são pretendidos por tal garantia. A ideia que
está por detrás desta norma tem a ver com o interesse existente de proteger o
património do casal, que é visto como pertença de ambos, dependendo do
regime de casamento ou das circunstâncias em que os bens foram adquiridos.

2.6 Impedimento para o Exercício de Actividade Empresarial

Nalguns casos a lei proíbe que determinadas pessoas possam exercer a


actividade empresarial. Faz sentido que assim seja, porque o objecto da
actividade empresarial é a prática do comércio, que é regida por leis que
obrigam ao cumprimento de certos requisitos. Por exemplo, uma igreja não
deve exercer actividade empresarial porque as igrejas não pagam impostos.
Pelo que seria injusto permitir que as mesmas fossem empresas. Olhemos
para a norma:

Artigo 14

(Impedimentos)

Estão impedidos do exercício da actividade empresarial:

a) As pessoas colectivas que não tenham por objecto interesses materiais;


b) Os impedidos por lei especial.

Assim, tal como refere a alínea a) do artigo 14, as associações, as fundações e


todas as outras instituições cujo objecto é um interesse imaterial, isto é, na sua
constituição declaram não ter como objecto a busca do lucro. Faz todo sentido
que assim seja, porque as instituições que tem por objecto interesses imateriais
estão isentos de muitas das obrigações que recaem sobre os empresários
comerciais.

Por outro lado, há casos em que a própria lei impede que determinados
indivíduos possam ser empresários. De facto, cargos como o de Juiz,
Procurador da República, Presidente da República, etc, tem várias limitações,
pela natureza da actividade que esses cargos implicam.
2.7 O Exercício de Actividade Empresarial Pelo Estado e as Autarquias

O Estado e as Autarquias Locais podem exercer a actividade empresarial.


Todavia, quando tal acontece, eles não se tornam empresários. Isto justifica-se
porque a função principal destes órgãos não é o exercício da actividade
empresarial.

Todavia, faz todo sentido que tanto o Estado assim como as autarquias, e
nessas qualidades, exerçam actividade empresarial. Porque ambos precisam
de ganhar dinheiro, para que possam melhor desenvolver o seu papel de
servidores públicos.

Veja-se a norma aplicável:

Artigo 15

(Condição do Estado e da Autarquia)

1. O Estado e a autarquia, quando exercerem uma empresa comercial, não


adquirem a qualidade de empresário comercial ficando, porém, no que
ao exercício daquela diz respeito, sujeitos às disposições deste Código.
2. O disposto no número anterior aplica-se às pessoas colectivas que não
tenham por objecto interesses materiais.

Isto significa, nos termos do número 1 do artigo 15, que quando o Estado ou a
Autarquia abrem uma empresa pública eles não deixam de ser o que na
realidade são. Assistimos somente ao surgimento de uma empresa pública
(E.D.M., EMTPM, etc.) cujo proprietário é o Estado ou a Autarquia.

De igual modo, as associações e as fundações, podem decidir criar uma


empresa para rentabilizar valores existentes. Caso isso aconteça, a empresa
criada deverá cumprir com todas as regras aplicáveis aos empresários
comerciais. Mas tal não significará que a associação transformara - se em
empresário, mas tão-somente que tenha um braço empresarial.

2.8 Figuras Afins do Empresário Comercial

A par do empresário comercial, encontramos outras figuras na arena


empresarial, que importa referir para que possamos distingui-las da figura do

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empresário comercial. São elas o mandatário comercial, o gerente, os
comissários, os mediadores e os agentes comerciais.

2.8.1 Mandatário comercial

O Mandatário comercial é aquele que recebe orientações do empresário


comercial, e agem em nome do mesmo. Os mandatários não são
comerciantes, são sujeitos que a título profissional executam um mandato
comercial com representação, isto é, tem uma autorização expressa,
geralmente por escrito, para agir em nome do mandante.

O Mandato comercial, também designado mandato mercantil, traduz-se na


execução do mandato, prática de um conjunto de actos (um ou mais) de
comércio, realizados pelo mandatário comercial, e os actos praticados pelo
mandatário produzem efeitos jurídicos na esfera jurídica do mandante
representado.

2.8.2 Gerente

O gerente é aquele que toma conta do negócio do comerciante. Ele age em


nome e por conta do empresário comercial, no lugar onde esse comerciante
tenha ou peça para o gerente actuar. O gerente tem um poder de
representação (art. 249º CCom), que é um poder geral e compreensivo de
todos os actos pertencentes e necessários ao exercício do comércio para que
tenha sido dado, não são comerciantes.

2.8.3 Comissários (dos comerciantes)

Os comissários são todos aqueles que celebram um contrato de comissão com


o empresário comercial, no sentido de, por acordo escrito com o empresário,
ele assumir o negócio como se fosse seu próprio, mediante uma remuneração,
partilha de lucros, etc.

O comissário fica directamente obrigado com as pessoas com quem contratou


como se o negócio fosse seu e ele pratica os actos para o comitente (o dono
do negócio), e a responsabilidade pelos actos praticados repercutem-se na
esfera jurídica do comissário, que fica o titular dos bens adquiridos. Pelo que o
comissário vai receber do comitente além da sua remuneração (ordinária) um
outro montante, nos termos acordados.

Se o comissário, praticar actos de forma comercial, e faz do comércio


profissão, é irrelevante se ele os pratica para ele ou por conta de outrem – ele
é comerciante – fica obrigado pela prática dos seus actos.

2.8.4 Mediadores

Os mediadores são pessoas colectivas ou singulares, que servem de elo entre


o empresário e os seus clientes, promove a celebração de negócios e faz da
intermediação o seu modo de vida. Como se imagina, o mesmo ganha
comissões pelo trabalho que faz, que são estabelecidas previamente. Os
mediadores podem ser comerciantes.

2.8.5 Agentes comerciais

Tal como os mediadores, os agentes comerciais promovem a celebração de


contratos, a favor de determinado empresário comercial. Portanto o negócio
que faz é em nome de outrem, sendo o agente um operador independente que
trabalha mediante retribuição ou partilha de percentagem. O essencial da sua
actividade é a promoção da actividade comercial de outrem, podendo celebrar
também contrato se tiver mandato para isso.

2.9 Obrigações dos Empresários Comerciais

No seu dia-a-dia, os empresários comerciais são obrigados a respeitar os


critérios legais estabelecidos para o correcto exercício da sua profissão. São
vários os critérios, sendo a grande maioria dos mesmos independentes.
Todavia, exige-se o cumprimento da totalidade das obrigações previstas, sob
pena de exercício ilegal da actividade.

Atente-se às normas que se seguem:

Artigo 16

(Obrigações especiais dos empresários comerciais)

Constituem obrigações especiais dos empresários comerciais:

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a) Adoptar uma firma;
b) Escriturar em ordem uniforme as operações ligadas ao exercício da sua
empresa;
c) Fazer inscrever na entidade competente os actos sujeitos ao registo
comercial;
d) Prestar contas.

Artigo 17

(Pequenos empresários)

1. Os pequenos empresários podem ser dispensados no todo ou em parte


das obrigações referidas no artigo anterior.
2. A qualificação de pequeno empresário efectuar – se - á com base em
critérios fixados por decreto.

Artigo 18

(Obrigatoriedade da firma)

O empresário comercial é designado, no exercício da sua empresa, sob um


nome comercial, que constitui a sua firma e com ele deve assinar os
documentos àquela respectivos.

Os artigos acima descritos deixam claro que o empresário comercial deve estar
sempre conotado com uma firma. Pelo que urge analisar e discutir o conceito.

2.10 Conceito de Firma

No sentido objectivo, a firma é o sinal distintivo do estabelecimento comercial e


assim ela pode ser constituída livremente e transmitida com o próprio
estabelecimento comercial, havendo ou não acordo expresso. É que
consubstanciando nessa vertente, o sinal de distinção do estabelecimento, a
tutela do mesmo por qualquer pessoa não careceria de qualquer alteração ou
imposição de obrigações na medida em que se associa directamente ao
estabelecimento como tal.

No seu sentido subjectivo, a firma é o sinal que pretende distinguir o


empresário comercial em si dos demais, isto é, o seu nome comercial ao lado
do seu nome civil (tratando –se de empresário comercial pessoa singular), isto
é, o sinal que ele vai usar no exercício da empresa comercial, donde resulta
que, tratando-se de empresário pessoa singular a firma deve ser constituída
com base no seu nome civil, e por isso, em princípio intransmissível. A sua
transmissibilidade neste sentido, implicaria a transmissão do nome civil que
como tal constitui a própria firma.

Se atentarmos ao que dispõe o art. 36º do C.com comercial quanto a


transmissibilidade da firma, que mais adiante tratamos com maior profundeza,
concluiremos que a firma no nosso Direito é transmissível quer entre vivos,
quer mortis causa. No entanto, assegura – se que tal só ocorra com
autorização do cedente e tal transmissão só é possível mediante a transmissão
do próprio estabelecimento ou empresa comercial a que se achar ligada e é
sujeita a registo.

No entanto, como a firma desempenha a mesma função que o nome civil na


vida jurídica civil, todo empresário comercial deve adoptar uma firma, quer seja
pessoa singular ou sociedade comercial, o que pode permitir a separação da
sua actividade civil da comercial e dada a multiplicidade de nomes idênticos ou
semelhantes habilitar a que se efectuem várias composições com o nome civil
que em comércio permite distinguir o empresário dos outros com nomes
próximos.

2.11 Tipos de Firma

A firma consoante os casos, pode ser formada com o nome de uma ou mais
pessoas, fala-se aqui de firma-nome, ou pode ser constituída com a expressão
relativa ao tipo de actividade que ele exerce ou se propõe exercer, aditada ou
não de elementos de fantasia que é designada firma denominação ou
simplesmente denominação, e em terceiro lugar a firma mista, que resulta da
conjugação dos elementos anteriores na composição de uma mesma firma.

Mas, em qualquer dos casos a firma é um sinal nominativo e não emblemático,


e como a firma desempenha o mesmo papel desempenhado pelo nome civil
todo empresário comercial, quer seja pessoa colectiva ou singular deve adoptar
uma firma.

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Veja-se os artigos que se seguem:

Artigo 19

(Princípio da verdade)

1. Os elementos utilizados na composição da firma devem ser verdadeiros


e não induzir em erro sobre a identificação, natureza, dimensão ou
actividades do seu titular.
2. Não podem ser utilizados na composição da firma:
a) Elementos característicos, ainda que constituídos por
designações de fantasia, siglas ou composições, que sugiram
actividades diferentes da que o seu titular exerce ou se propõe
exercer;
b) Expressões que possam induzir em erro quanto à caracterização
jurídica do empresário, designadamente o uso, por pessoas
singulares, de designações que sugiram a existência de uma
pessoa colectiva, ou, por pessoas colectivas com fim lucrativo, de
expressões correntemente usadas para designação de
organismos públicos ou de associações sem finalidades
lucrativas.

O princípio da verdade significa que o nome adoptado deve ser adequado à


actividade que se pretende exercer. Pelo que não é aceitável que uma firma
que se denomine “Moçambique Pneus, Lda” venda somente telemóveis,
computadores e respectivos acessórios.

De igual modo, é preciso que fique perceptível o tipo de firma, se individual ou


colectiva e procurar distingui-las de instituições e organismos públicos, ou
ainda de associações sem fins lucrativos, sob pena de criar-se confusão.

Artigo 20

(Princípio da novidade)

1. A firma deve ser distinta e insusceptível de confusão ou erro com


qualquer outra já registada.
2. No juízo sobre a distinção e a insusceptibilidade de confusão ou erro,
devem ser considerados o tipo de empresário, o seu domicílio ou sede
e, bem assim, a afinidade ou proximidade das actividades exercidas ou
a exercer.
3. Os vocábulos de uso corrente e os topónimos, bem como qualquer
indicação de proveniência geográfica, não são considerados de uso
exclusivo.
4. A incorporação na firma de sinais distintivos registados está sujeita à
prova do seu uso legítimo.
5. No juízo a que se refere o no. 2 deve ainda ser considerada a existência
de nomes de estabelecimentos, insígnias ou marcas de tal forma
semelhantes que possam induzir em erro sobre a titularidade desses
sinais distintivos.

No respeito ao princípio da verdade, sabendo nós da empresa “Cossa


Distribuidores, E.I.”, não convém que criemos a nossa empresa e a
denominemos “Khossa Distribuidores, E.I.”, sob pena de, nalgum momento,
estarmos numa situação de confusão entre as duas firmas.

Todavia, tal não significa que haja exclusividade no uso do nome. O importante
é garantir que as firmas possam ser distinguidas uma da outra. Porque
algumas vezes os nomes são tão comuns que torna - se normal a existência de
coincidência. Mas há sempre formas de distinguir: Por exemplo, para distinguir
a empresa “Cossa Distribuidores, E.I.”, de outra empresa, ao invés de
denominarmos “Khossa Distribuidores, E.I.” podemos chamá-la “Cossa e
Filhos, Distribuidores, E.I.”,

O princípio da novidade está relacionado com o da verdade. Se quisermos


diferenciar a nossa firma de outras, convém saber o que já existe, para que
possamos criar algo novo, e desta forma não defraudar expectativas.

Pelo que factores como a sede, o ser empresa individual ou colectiva podem
ajudar e contribuir uma empresa da outra.

Há também uma questão importante que tem a ver com o uso da língua oficial.
Vide abaixo:

17
Artigo 21

(Obrigatoriedade do uso da língua oficial)

1. A firma deve, obrigatoriamente, ser redigida em língua oficial.


2. Do disposto no número anterior exceptua-se a utilização de palavras que
não pertençam à língua oficial quando:
a) Entrem na composição de firmas já registadas;
b) Correspondam a vocábulos comuns sem tradução adequada na
língua oficial ou de uso generalizado;
c) Correspondam total ou parcialmente a nomes ou firmas dos sócios;
d) Constituam marca cujo uso seja legítimo, nos termos das respectivas
disposições legais;
e) Resultem da fusão de palavras ou parte de palavras que pertençam à
língua oficial nos termos do presente artigo, directamente
relacionadas com as actividades exercidas ou a exercer ou, ainda,
retiradas dos restantes elementos da firma ou dos nomes dos sócios;
f) Visem uma maior facilidade de penetração no mercado a que se
dirijam as actividades exercidas ou a exercer.
3. Com a excepção do estipulado no número anterior, a adopção da firma
em outras línguas, só é admitida mediante a junção da tradução oficial.

Deste modo, percebe-se que o que a norma prevê não é uma proibição total do
uso de nomes que não sejam da língua oficial. Pelo contrário, tal é permitido,
desde que os critérios adoptados sejam os que são acima indicados, isto é,
porque os nomes não pertencentes à língua oficial, que constam da firma, são
os nomes dos sócios. Ou então, por exemplo, porque a firma é estrangeira e
importou para Moçambique a denominação que usa no seu país de origem.

Para além dos requisitos acima indicados, a lei prevê ainda o dever de o
empresário cumprir alguns outros requisitos em relação à firma. Vide:
Artigo 22

(Outros requisitos)

1. As firmas não podem ser ofensivas da moral pública ou dos bons


costumes.
2. As firmas não podem desrespeitar símbolos nacionais; personalidades;
épocas, instituições, cujo nome ou significado seja, de salvaguardar por
razões históricas, científicas, institucionais, culturais ou outras
atendíveis.
3. Nas firmas não podem ser utilizadas expressões a que correspondam
qualidades ou excelências em detrimento de outrem.

Deste modo, o nome da firma não pode ser insultuoso, vexatório ou contra a
moral. Da mesma forma que não devem pôr em causa a bandeira, a moeda, o
hino e outros símbolos nacionais, as personalidades do país e nem as
instituições nacionais.

Em princípio, estas regras são aplicáveis também às firmas que tenham sido
criadas e registadas fora do país, e seguem os mesmos critérios aplicáveis às
firmas nacionais, com as devidas adaptações, tal como se depreende do artigo
que se segue:

Artigo 23

(Firmas registadas fora do País)

A admissibilidade de firmas registadas fora do país está sujeita à prova desse


registo no local de origem e à insusceptibilidade de confusão com firmas já
registadas em Moçambique.

Outra questão não menos importante tem a ver com o direito exclusivo do ao
uso da firma. Vide:

19
Artigo 24

(Uso exclusivo da firma)

1. O direito à exclusividade do uso da firma só se constitui após o registo


pelo respectivo titular na entidade competente.
2. O disposto no número anterior não prejudica a possibilidade de
declaração de nulidade, anulação ou caducidade da firma, nos termos
deste Código.

Isto significa que a adopção da firma deve ser registada. Não basta escolher o
nome e fazer uso do mesmo. É necessário registá-lo. Pelo que mesmo se
alguém estiver a usar uma firma por longos anos, sem registá-la corre o risco
de perder o nome escolhido a favor da primeira pessoa que fizer o registo.

E havendo registo da firma, o titular da mesma tem o direito de exigir que todos
os outros se inibam de usar a firma já registada, sob pena de uso ilegal, como
indica o artigo que se segue:

Artigo 25

(Uso ilegal da firma)

O uso ilegal de uma firma confere aos interessados o direito de exigir a sua
proibição, bem como uma indemnização pelos danos daí emergentes, sem
prejuízo da correspondente acção criminal, se a ela houver lugar.

Assim, para evitar o uso ilegal da firma, o empresário comercial deve compor o
nome da mesma de forma criteriosa, respeitando os critérios que são abaixo
indicados:

Artigo 26

(Composição da firma dos empresários comerciais)

1. A firma dos empresários comerciais pode ser composta:


a) Pelo seu nome civil, completo ou abreviado, consoante se torne
necessário para a perfeita identificação da sua pessoa, podendo
aditar-lhe alcunha;
b) Pelo nome ou firma de um, alguns ou todos os sócios ou
associados;
c) Por designação de fantasia;
d) Por expressões alusivas à actividade comercial desenvolvida ou a
desenvolver;
e) Pela conjugação dos elementos referidos nas alíneas anteriores.
2. No caso de a firma do empresário comercial, pessoa singular, ser
exclusivamente composta nos termos da alínea a) do número anterior,
verificando-se homonímia entre a firma a registar e outra já registada,
deve o empresário, que pretende registar a firma nova, alternativa ou
conjuntamente:
a) Se a firma corresponde ao seu nome completo, usar o seu nome
abreviado;
b) Se a firma corresponde ao seu nome abreviado, acrescer-lhe ou
retirar-lhe um dos seus nomes, próprio ou de família;
c) Aditar-lhe designação de fantasia ou expressão alusiva à
actividade mercantil desenvolvida ou a desenvolver.

Como se depreende, exceptuando o princípio da verdade e o princípio da


novidade, não há limites na criação do nome da firma, desde que se considere
o artigo 26, acima. Pode ser o nome dos empresários, dos sócios, nomes de
fantasia, etc.

Repare-se, todavia, que há uma condição particular em relação ao pequeno


empresário, que deve aditar sempre a expressão “Pequeno Empresário” ou,
abreviadamente, “PE”, como refere o artigo que se segue:

Artigo 27

(Firma do pequeno empresário)

Tratando-se de pequeno empresário, além das regras de composição da firma,


enumeradas neste Código, é obrigatório o aditamento da expressão “Pequeno
Empresário” ou, abreviadamente, “PE”.

21
A firma do pequeno empresário deve também ser diferenciada da firma do
empresário individual, conhecida pela sigla E.I. Veja:

Artigo 28

(Firma do empresário comercial, pessoa singular)

A firma do empresário comercial, pessoa singular, pode conter o aditamento


“Empresário Individual” ou, abreviadamente, “EI”.

Isto significa que o pequeno empresário não deve ser confundido com o
empresário individual, porque estamos a falar de figuras diferentes.

Um outro tipo de firma é a que é conhecida como sendo em nome colectivo, na


qual os sócios respondem, colectivamente e de forma solidária, pelas
obrigações da firma. Isto é, a responsabilidade não limita - se à quota de um ou
de outro. Ela é igualitária e partilhada por todos, como se depreende da norma
que se segue:

Artigo 29

(Firma das sociedades em nome colectivo)

1. A firma das sociedades em nome colectivo deve conter o aditamento


“Sociedade em Nome Colectivo” ou, abreviadamente, “SNC”.
2. Aquele que não sendo sócio, consentir que o seu nome ou firma figure
na firma de sociedade em nome colectivo responde solidariamente com
os sócios pelas obrigações sociais.

Por outro lado, a firma pode ser em comandita, isto é, aquelas firmas nas quais
um ou vários sócios entram com capital e outro ou outros sócios entram com
know-how. Para dar alguns exemplos: suponhamos que José tem dinheiro para
investir e Armando é um grande mecânico, mas não tem oficina e muito menos
dinheiro para apetrechar uma oficina. Ambos podem fazer uma parceria, em
que um entra com o capital e o outro com o seu know-how.

Vide o artigo que se segue:


Artigo 30

(Firma das sociedades em comandita)

1. A firma das sociedades em comandita simples deve conter o aditamento


“Sociedade em Comandita” ou, abreviadamente, “SC”; a firma das
sociedades em comandita por acções deve conter o aditamento
“Sociedade em Comandita por Acções” ou, abreviadamente, “SCA”.
2. Aquele que não sendo sócio comanditado, consentir em que o seu nome
ou firma seja utilizado na composição da firma de sociedade em
comandita responde solidariamente com os sócios comanditados pelas
obrigações sociais.

De igual, a sociedade pode ser feita entre uma pessoa que entra com o seu
capital e outra ou outras pessoas que entram com a sua mão-de-obra, e neste
caso temos uma sociedade de capital e indústria. Vide:

Artigo 31

(Firma das sociedades de capital e indústria)

A firma das sociedades de capital e indústria deve conter, o aditamento


“Sociedade de Capital e Indústria”, ou, abreviadamente, “SCI”.

Por outro lado, ainda, os sócios podem decidir dividir as entradas na sociedade
em acções, ou quotas. O que acontece na prática é os sócios decidirem, por
exemplo, que vão investir 100,000.00 mt, e que a sociedade terá 100 acções.
Assim, pode-se decidir que um dos sócios tira 30 mil mt para o investimento
inicial e o outro tira 70,000.00 mt. Neste caso teríamos duas quotas, sendo
uma de 70% e outra de 100% do capital. Vide:

Artigo 32

(Firma das sociedades por quotas)

A firma das sociedades por quotas deve conter o aditamento “Limitada” ou,
abreviadamente, “Lda.”.

23
Atenção que a firma pode ser por quotas, mas todas as quotas serem detidas
pelo mesmo sócio. Neste caso teríamos uma sociedade por quotas unipessoal.
Pode-se questionar a razão de ser de tal tipo societário. E a resposta seria a
necessidade de claramente identificar o investimento feito, fraciona-lo, e deixar
claro que todas fracções pertencem a uma única pessoa, daí a norma que se
segue:

Artigo 33

(Firma das sociedades por quotas unipessoais)

A firma das sociedades por quotas unipessoais deve conter o aditamento


“Sociedade Unipessoal Limitada” ou, abreviadamente, “Sociedade Unipessoal
Lda.”.

Por último, encontramos as sociedades anónimas, que são aquelas em que, os


sócios, não tem que ser necessariamente identificados no nome da empresa,
sendo também a responsabilidade limitada à sua quota na empresa. Vide:

1. A firma das sociedades anónimas deve conter o aditamento “Sociedade


Anónima” ou, abreviadamente, “SA”.
2. O nome do fundador, accionista controlador ou pessoa outra que tenha
concorrido para o êxito da empresa, pode integrar a denominação
empresarial.

Como se percebe, é possível ter uma sociedade com um número muito grande
de sócios, na qual não se consegue identificar o nome de nenhum dos sócios.
Mas, querendo, podem alguns nomes dos sócios fundadores, accionistas
maioritários, etc, sobressair no nome da firma.

Temos ainda um outro tipo societário, a que a lei denomina empresário pessoa
colectiva:
Artigo 35

(Firma de outros empresários comerciais, pessoas colectivas)

A firma dos empresários comerciais, pessoas colectivas, que não sejam


sociedades e nem agrupamentos de interesse económico, deve conter um
aditamento identificativo do tipo de pessoa colectiva de que se trata.

O que o legislador quer com isto significar é que podemos ter pessoas
colectivas empresariais que desenvolvem negócios, mas que não se
constituíram em empresa comercial especificamente para esse fim, porque já o
faziam na qualidade de firma já constituída. São pessoas colectivas já
existentes que decidem explorar, de forma empresarial, determinada
actividade, sem que para tal se constituam em nova empresa, mas antes
aproveitando a sua qualidade de pessoa colectiva já constituída para
desenvolverem a sua actividade.

Analisados o processo de criação de firmas e os diversos tipos societários, é


chegada a vez de analisar os critérios e formas de transmissão das firmas.

Artigo 36

(Transmissão da firma)

1. O adquirente, quer entre vivos, quer mortis causa, duma empresa


comercial pode continuar a geri-la sob a mesma firma, quando para tal
seja autorizado, aditando-lhe ou não a declaração de haver nela
sucedido.
2. A autorização a que se refere o número anterior compete ao alienante,
no caso de transmissão por morte e não tendo o de cujus disposto por
escrito sobre o assunto, a autorização será dada pela maioria dos
herdeiros, independentemente de se tratar de transmissão a terceiro ou
a quem seja herdeiro.
3. Figurando, na firma do empresário comercial, pessoa colectiva, nome ou
firma de sócio ou associação, não é necessário o seu consentimento

25
para a transmissão da firma, salvo se de outro modo se tiver
convencionado no acto constitutivo.
4. No caso previsto no número anterior, o sócio ou o associado deixa de
ser responsável pelas obrigações, contraídas na exploração da empresa
transmitida, a partir do registo e publicação do acto de transmissão.
5. Quem adquira o direito de temporariamente explorar a empresa
comercial de outrem pode utilizar a firma do proprietário
independentemente de autorização.
6. A transmissão da firma só é possível conjuntamente com a empresa
comercial a que se achar ligada e está sujeita a registo.

A primeira ilação que daqui deve ser extraída é que a firma pode ser
transmitida inter-vivos ou mortis causa. Há transmissão intervivos quando, em
vida, uma pessoa vende, cede, doa ou oferece a sua firma. E haverá
transmissão mortis causa quando, em face da morte do proprietário, os
herdeiros ou legatários passam a ser os novos donos da firma.

A segunda ilação que se pode tirar é que quem recebe a firma, quer por uma
ou outra forma pode continuar a geri-la tal como a recebeu. Entretanto, em
caso de herança, há que verificar se a pessoa que deixou a herança indicou se
a firma podia permanecer tal como foi por ele deixada. O que se quer é que se
respeite a vontade de quem deixou a herança, não podendo a sua vontade ser
violada.

Artigo 37

(Saída ou falecimento de sócio ou associado)

1. A saída ou falecimento de sócio ou associado cujo nome ou firma figure


na firma do empresário comercial, pessoa colectiva, não determina a
necessidade da alteração desta, salvo se outra coisa tiver sido
convencionada no acto constitutivo.
2. À situação prevista no número anterior aplica-se o disposto no no.4 do
artigo anterior.

O que se deve perceber desta norma é que se um sócio morre ou cede as suas
acções para outros sócios, não é obrigatório o mudar o nome da firma, porque
o mesmo morreu ou porque deixou de ser sócio. Mesmo que ele assim
quisesse, não é obrigatório. A ideia neste caso é preservar a firma, por uma
questão de aviamento, isto é, a mudança do nome pode ser prejudicial ao
negócio, pelo que existe a prerrogativa de mantê-la.

Mas, como se percebe, o facto do nome de um ex-sócio continuar na firma não


significa que ele tenha qualquer tipo de responsabilidade na mesma. Na
verdade, só fica o nome, e mais nada.

Artigo 38

(Anulação da firma)

1. A firma é anulável quando na respectiva composição se tenham violado


direitos de terceiros.
2. A anulação da firma deve ser feita em acção judicial intentada pelo
interessado no prazo de quatro anos a contar da data da publicação.
3. O direito de pedir a anulação da firma registada de má-fé não prescreve.
4. A declaração da nulidade da firma deve ser registada e publicada.

Pode ser que em determinadas situações, terceiras pessoas usem nomes


apelativos para criar vantagem para o seu negócio. Por exemplo, se eu crio
uma firma ligada à produção musical, e chamo à minha firma “Liloca & Mr. Bow
Produções” o natural é que os potenciais clientes pensem que a firma pertença
aos cantores da praça com esses nomes. O direito ao nome de alguém não
pode ser usado de forma abusiva, e este seria um dos casos.

Pelo que em situações similares, os proprietários dos nomes podem ir a


tribunal requerer a anulação da firma que esteja a fazer um uso abusivo dos
seus nomes, podendo tal acontecer em qualquer momento.

Artigo 39

(Caducidade da firma)

1. O direito à firma caduca:


a) Com o termo do prazo contratual;
b) Por dissolução da pessoa colectiva;

27
c) Pelo não exercício da empresa por período superior a quatro
anos.
2. O empresário comercial deve, no primeiro trimestre de cada ano, fazer a
prova da continuidade do exercício da empresa perante a entidade
competente para o registo da firma.

Pode ser que ao constituir a firma, o sócio ou os sócios estabeleçam o prazo


durante o qual a mesma irá existir. Naturalmente, findo o prazo actividade
previsto, a firma caduca. Por outro lado, os sócios podem voluntariamente
dissolver a firma, porque já não pretendam mantê-la, o que é permitido por lei.
Mais ainda, nos casos em que a firma permanece por mais de quatro anos sem
exercer actividade, a mesma caduca, o que significa que as autoridades podem
automaticamente extingui-la ou ainda qualquer interessado que queira ter a
denominação da firma caduca, pode requerer o uso da firma que tenha
caducado, devendo simplesmente justificar a inoperacionalidade da mesma por
mais de quatro anos.

Por uma questão institucional, de controlo e de pagamentos de impostos, por


exemplo, deve por isso a firma fazer a prova da sua existência e
funcionamento, uma vez por ano, durante o primeiro trimestre, ao mesmo
tempo que cumpre as suas obrigações fiscais e demais obrigações legais
existentes.

Para este efeito, o procedimento é o que se segue:

Artigo 40

(Declaração de caducidade da firma)

1. A caducidade da firma é declarada pela entidade competente para o


registo a requerimento dos interessados.
2. Do pedido de caducidade é notificado o titular do registo para responder,
no prazo de um mês.
3. Decorrido esse prazo, a entidade competente para o registo decide, no
prazo de quinze dias.
4. Da declaração de caducidade cabe recurso para o tribunal.
5. A declaração de caducidade do direito à firma é registada oficiosamente
e deve ser publicada.

O primeiro cenário é aquele em que os próprios interessados na firma


existente, requerem a declaração de caducidade da mesma, por iniciativa
própria. Segue-se então a notificação dos titulares da firma, que devem
apresentar seus argumentos. Todavia, provando-se que a firma permaneceu o
prazo de quatro anos sem actividade, há grandes probabilidades de a mesma
perder o direito de uso da firma a favor de quem tenha requerido a caducidade
da mesma.

O processo de renúncia ocorre de forma diferente:

Artigo 41

(Renúncia à firma)

1. O titular pode renunciar à firma, desde que o declare expressamente à


entidade competente para o registo.
2. A declaração de renúncia é feita por escrito com a assinatura do titular
reconhecida presencialmente.
3. A renúncia da firma deve ser registada na entidade competente para o
registo comercial e deve ser publicada num dos jornais de maior
circulação no local da sede ou, na falta deste, por outra forma pública

Para o caso da renúncia, é o próprio titular da firma que se encarrega de


requerer a renúncia ou extinção da mesma, bastando para tal fazer o devido
requerimento para as entidades competentes.

2.12 Tipos de Sociedades Comerciais

As sociedades comerciais podem ser dos seguintes tipos:

a) Sociedade em Nome Colectivo


b) Sociedade por Quotas
c) Sociedade por Quotas Unipessoal
d) Sociedade Anónima
e) Sociedade de Capital e Indústria

29
f) Sociedade em Comandita

Analisemos então os diversos tipos societários existentes:

2.12.1 Sociedade em nome colectivo

Artigo 253

Sociedade em Nome Colectivo

1. Na sociedade em nome colectivo o sócio responde subsidiariamente em


relação à sociedade e solidariamente com os outros sócios pelas
obrigações sociais, ainda que estas tenham sido contraídas
anteriormente à data do seu ingresso.
2. Quem não sendo sócio da sociedade se comporte perante terceiros, por
qualquer forma, como se o fosse, responde solidariamente com os
sócios perante quem tenha negociado com a sociedade na convicção de
ele ser sócio.

Neste tipo de sociedade, todos ficam responsáveis, na mesma medida. Tanto


os sócios recém-chegados e os mais antigos, assim como os que tem menos
acções em relação aos sócios minoritários, respondem todos na mesma
medida. Nisto consiste a solidariedade da responsabilidade: os sócios
respondem na mesma medida, em qualquer circunstância.

De igual modo, mesmo os não sócios, como por exemplo os meros gestores,
se deixam transparecer a terceiros que eles também são sócios, sem que o
sejam, caso haja uma responsabilidade à qual a empresa deva responder, e o
interessado prova que o gestor fazia-se passar por sócio sem o ser, este
também pode ser responsabilizado.

Artigo 254

(Sócios e sua contribuição)

1. As sociedades em nome colectivo só podem ser constituídas por, pelo


menos, dois sócios, que podem contribuir com capital ou com indústria.
2. O prazo de diferimento para a realização das participações de capital
não pode exceder cinco anos.
Como se depreende, na sociedade em nome colectivo uns sócios podem entrar
com capital, e outros sócios com indústria.

Em relação ao sócio de indústria, a lei prevê o seguinte:

Artigo 256

(Sócios de indústria)

1. O valor das contribuições em indústria não é computado no capital


social.
2. O sócio de indústria, nas relações internas, não quinhoa nas perdas,
salvo cláusula estatutária em contrário.

Assim, porque o sócio de indústria entra com seu know-how, naturalmente que
não há como computar a sua contribuição para o capital social. Mas isto não
significa que ele não seja detentor de parte da empresa. De igual modo, o sócio
de capital é o único a arcar com as perdas da sociedade, a não ser que no
pacto social se disponha de modo contrário, estabelecendo que o sócio de
indústria deverá também arcar com as perdas da sociedade.

A lei estabelece uma limitação em relação aos sócios das firmas em nome
colectivo, nos termos que se seguem:

Artigo 257

(Concorrência e participações noutras sociedades)

1. Só com expresso consentimento de todos os outros pode um sócio


exercer, por conta própria ou alheia, actividade abrangida pelo objecto
social, ser sócio de responsabilidade ilimitada de outra sociedade, ou ser
sócio com participação superior a vinte por cento no capital ou nos
lucros de sociedade cujo objecto seja, no todo ou em parte, coincidente
com aquele.
2. A sociedade pode exigir que o sócio lhe ceda o direito aos proventos
obtidos ou a obter com violação do disposto no número anterior,
devendo fazê-lo nos trinta dias subsequentes ao conhecimento do facto
proibido e, em qualquer caso, até seis meses após a produção deste.

31
3. O consentimento previsto no no.1, presume-se no caso de o exercício
da actividade ou a participação noutra sociedade serem anteriores à
entrada do sócio e todos os outros sócios terem conhecimento desses
factos.

Como se depreende da interpretação do dispositivo acima, para que possam


exercer actividade similar fora da sociedade em que já estejam como sócios, é
necessário que os interessados obtenham o consentimento dos outros sócios,
sob pena de terem que ceder os seus direitos a outros sócios e serem
excluídos da sociedade.

Mas esta regra não é aplicável a toda e qualquer actividade, mas somente
àquelas sociedades que tenham um objecto idêntico ou ainda se o pretenso
sócio estiver numa outra firma que seja também de responsabilidade ilimitada.

Situação diferente é aquela em que antes mesmo de entrar para a nova


sociedade em nome colectivo os outros sócios já sabiam que um ou outro
detinha participações. Nestes casos, presume-me que foi com o acordo de
todos que tal ou tais sócios foram aceites, não sendo legítimo que se exija, à
posteriori, que esse(s) sócio(s) abandonem as sociedades de que já faziam
parte. Por fim, é preciso notar que, mesmo neste caso, é uma presunção que
se cria, isto é, não há certeza de que todos os sócios saibam da situação. Pelo
que, à cautela, o sócio que já faça parte de outras sociedades pode informar da
situação prévia em que se encontre, para que não seja acusado, no futuro, de
ter omitido a informação.

Tendo o negócio iniciado, a informação sobre o andamento do negócio é um


direito de todos os sócios:

Artigo 258

(Direito à informação)

1. Todo o sócio que não seja administrador tem, além do direito à


informação consignado neste Código, o direito a ser informado do
estado dos negócios e da situação patrimonial da sociedade, devendo
os administradores facultarem-lhe a inspecção dos bens sociais e a
consulta na sede social da respectiva escrituração, livros e documentos.
2. Na consulta da escrituração, livros ou documentos e na inspecção de
bens sociais pode o sócio fazer-se acompanhar de perito, bem como
usar da faculdade prevista no Código Civil no que respeita à reprodução
de documentos.

A norma acima vem salvaguardar um interesse legítimo. O que acontece é que


nem todos os sócios estão ligados, necessariamente, à gestão do negócio.
Pelo que, sendo necessário, é preciso que o mesmo tenha acesso à
informação sobre como o negócio decorre, não se devendo limitar ao sócio
interessado a natureza e tipo de informação que requer, podendo o mesmo ser
acompanhado por peritos que achar adequados para que o ajudem a melhor
compreender a situação do negócio.

E se o sócio quiser alienar a sua parte, quid júris? Vide a norma que se segue?

Artigo 259

(Transmissão entre vivos de parte social)

1. Para que um sócio possa transmitir, por acto entre vivos, a sua parte na
sociedade é necessário o consentimento de todos os outros.
2. Os direitos especiais não se transmitem com a parte social.

Pela interpretação da norma acima, resulta claro que é preciso que haja
consentimento dos sócios para que, neste tipo societário, um sócio possa
ceder as quotas a terceira pessoa. Faz todo sentido: se nós fizemos sociedade
com algumas pessoas, é porque havia laços, ou pelo menos confiança, entre
nós. E não se pode aceitar que, do nada, quem assim o pretenda, ceda os
seus direitos a terceira pessoa, totalmente estranha, sem que os outros sócios
tenham conhecimento!

Artigo 261

(Falecimento do sócio)

33
1. Falecendo um sócio, se os estatutos nada estipularem em contrário,
devem os restantes amortizar a respectiva parte, podendo, contudo,
continuar a sociedade com os herdeiros se estes, no prazo de noventa
dias, nisso acordarem, ou optar por dissolver a sociedade, devendo
neste caso informar os herdeiros no prazo de sessenta dias a contar do
momento em que algum sócio tenha tomado conhecimento do
falecimento.
2. Sendo os herdeiros chamados à sociedade podem livremente dividir a
parte do falecido ou encabeçá-la em algum ou alguns deles.

Situação diferente é aquela em que um dos sócios perde a vida. Naturalmente


que não podemos dizer aos herdeiros que os mesmos não são bem-vindos à
sociedade por serem estranhos! Por isso, querendo, os herdeiros podem fazer
parte da sociedade, e indicar quem os represente, ou ainda dividir as acções
do de cujos e todos os herdeiros passarem a ser sócios. Não querendo fazer
parte da sociedade, os herdeiros ceder a sua parte ou ainda requerer a
dissolução da sociedade.

Artigo 264

(Exclusão do sócio)

1. A sociedade pode excluir um sócio nos casos previstos na lei e nos


estatutos e ainda:
a) Quando lhe seja imputável violação grave das suas obrigações
para com a sociedade, designadamente a de não concorrência,
ou quando for destituído da administração com fundamento em
justa causa que consista em facto culposo susceptível de causar
prejuízo à sociedade;
b) Em caso de interdição, inabilitação, declaração de falência ou de
insolvência do sócio;
c) Quando, sendo sócio de indústria, se verificar a impossibilidade
de serem prestados à sociedade os serviços a que ficou obrigado.
2. A deliberação de exclusão deve colher os votos de todos os outros
sócios e tem de ser aprovada nos noventa dias seguintes àquele em que
algum dos administradores tomou conhecimento do facto que permite a
exclusão.
3. Se a sociedade tiver apenas dois sócios, a exclusão de qualquer deles,
com fundamento nalgum dos factos previstos nas alíneas a) e c) do no.
1, só pode ser decretada pelo tribunal.
4. O cálculo do valor da parte do sócio excluído é feito com referência ao
momento da deliberação de exclusão ou do trânsito em julgado se a
exclusão resultar de decisão judicial.

Uma questão sempre importante é a de saber se, tendo sido constituída a


sociedade, os sócios são obrigados a continuar com todos os outros sócios ou
não, para sempre. Um primeiro cenário é aquele que já verificamos, em que o
sócio, voluntariamente abandona a sociedade. Mas vezes há em que podemos
querer obrigar um ou mais sócios a abandonarem a sociedade. E isto é
possível. Mas é necessário que se verifique se os requisitos para tal estão
preenchidos. Quais são então os requisitos?

O primeiro requisito que deve ser verificado é se os estatutos prevêem formas


de exclusão de sócios. Em caso afirmativo, serão os próprios estatutos a
esclarecerem em que circunstâncias tal podem acontecer e quais as
formalidades que devem ser seguidas em tais casos.

Depois de analisados os estatutos, e não sendo por via do mesmo encontrar


formas de exclusão de um sócio, a outra solução possível é verificar se o sócio
em causa tem cumprido com os seus deveres legais junto da sociedade. Isto é,
por exemplo, verificar se houve alguma violação grave das obrigações do sócio
para com a sociedade, designadamente ele não estar a fazer concorrência
directa com a sociedade, ou se a gestão e ou administração que o mesmo faça
não seja danosa ou não prejudique a sociedade a ponto de causar prejuízos,
porque sendo este o caso é legítimo que o sócio seja afastado.

Para além destas situações, pode-se dar o caso de determinado sócio estar
numa situação de interdição, inabilitação, declaração de falência ou de
insolvência, que são situações jurídicas que devem ser previamente declaradas
pelo tribunal e que legitimam o afastamento de um sócio.

35
Outra situação ainda que pode levar ao afastamento do sócio prende-se com o
facto de, sendo o referido sócio um sócio de indústria, se verificar a
impossibilidade de serem prestados à sociedade os serviços a que ficou
obrigado. Naturalmente, se ele fica impossibilitado de dar o seu know-how, que
não se justifica a sua permanência na sociedade, sendo legítimo que se
requeira o afastamento do mesmo.

Tendo-se verificado alguma das situações acima referidas, em que haja


motivos para a exclusão de um dos sócios, é preciso acautelar duas situações:
a primeira tem a ver com o prazo para agir. A partir do momento em que um
dos administradores toma conhecimento de um facto previsto na lei ou nos
estatutos que justificam a exclusão de um sócio, o referido administrador deve
levar o assunto à assembleia geral da sociedade, que deve ser convocada e
deliberar sobre a exclusão desse sócio num prazo de três meses.

Em rigor, praticamente todas as formas de exclusão carecem de uma


declaração judicial. E no momento da exclusão do sócio, é preciso que se faça
o cálculo do valor das suas acções para que seja devidamente ressarcido.

Vejamos agora os critérios previstos para o cálculo do valor da parte social.

Artigo 265

(Avaliação de parte social)

1. Nos casos de morte, exoneração ou exclusão de um sócio, o valor da


sua parte social é fixado por um auditor de contas com base no estado
da sociedade à data em que ocorreu ou produziu efeitos o facto
determinante da amortização; se houver negócios em curso, o sócio ou
os herdeiros participarão nos lucros e perdas deles resultantes.
2. Na avaliação da parte social observar-se-á, com as necessárias
adaptações, o disposto nos nos.1 a 2 do artigo 242, na parte em que for
aplicável.
3. Sem prejuízo do disposto no nr.6 do artigo 260, o pagamento do valor da
amortização deve ser feito, salvo acordo em contrário, dentro do prazo
de seis meses a contar do dia em que tiver ocorrido ou produzido efeitos
o facto determinante da amortização.
Primeiro, antes de mais, é necessário que haja uma deliberação que colhe o
voto favorável de todos os sócios, que concordem com a exclusão do sócio em
falta. Depois disto, por uma questão de imparcialidade, deve-se contratar um
auditor independente para que possa avaliar o património social e, deste,
calcular a parte que diga respeito ao sócio que tenha sido excluído. Feito este
exercício, o valor correspondente ao referido sócio deve ser pago no prazo
máximo de seis meses.

2.12.2 Deliberações dos sócios e administração

Artigo 266

(Deliberações dos sócios)

1. Salvo disposição legal ou estatutária em contrário, consideram-se


tomadas as deliberações que mereçam voto favorável da maioria dos
sócios.
2. As alterações aos estatutos, a fusão, a cisão, a transformação, a
dissolução e a designação de administradores estranhos à sociedade,
só por unanimidade podem ser deliberadas.
3. A cada sócio pertence um voto.
4. Aplica-se à convocação das assembleias gerais o disposto no artigo
416.

No funcionamento da sociedade, as decisões são tomadas em sede da


Assembleia Geral dos sócios, que é a reunião de todos os sócios, convocada
para discutir os assuntos da sociedade. E porque as decisões que se tomam
são conjuntas, as mesmas designam-se deliberações. A não ser que os
estatutos da sociedade prevejam o contrário, basta que que seja a maioria a
deliberar a favor, a deliberação é válida e produz efeitos.

Todavia, caso esteja em causa a alteração dos estatutos, a fusão da sociedade


com uma outra, a cisão ou divisão da sociedade, a transformação da sociedade
noutro tipo societário ou ainda a sua dissolução e ainda a indicação de
administradores que são estranhos à sociedade, nestes casos a deliberação
não pode ser tomada por maioria, devendo ser tomada por unanimidade, isto é,

37
com todos a votarem a favor, o que significa que havendo um voto contra a
deliberação não deve ser tomada, para aqueles casos.

Em relação à administração, as sociedades em nome colectivo seguem as


regras do artigo abaixo:

Artigo 267

(Administração e fiscalização)

1. Todos os sócios são administradores, quer tenham constituído a


sociedade, quer tenham adquirido essa qualidade ulteriormente, salvo
estipulação estatutária em contrário.
2. Por deliberação unânime dos sócios podem ser eleitos administradores
pessoas que não sejam sócios.
3. Salvo estipulação estatutária em contrário, o administrador sócio só
pode ser destituído se houver justa causa, por deliberação tomada pela
maioria dos restantes sócios ou por decisão judicial proferida em acção
intentada por qualquer deles.
4. A destituição de um administrador sócio, quando a sociedade tenha
apenas dois sócios, ou quando aquele tenha sido designado por
cláusula especial dos estatutos, só pode ser decidida pelo tribunal.
5. O administrador não sócio pode ser destituído a todo o tempo, devendo,
para isso, concorrer os votos de todos os sócios ou da maioria, se
houver justa causa.
6. A fiscalização da sociedade cabe, na falta de conselho fiscal ou fiscal
único, a todos os sócios.

A regra básica referente à administração é a de todos os sócios serem


administradores, a não ser que os estatutos prevejam algo diferente. Mas, é
possível que a sociedade tenha administradores que não sejam sócios,
podendo ser eleitos e ou indicados nas assembleias gerais da sociedade.

Os administradores que não sejam sócios podem também ser destituídos nas
assembleias gerais. O mesmo já não acontece em relação aos administradores
que sejam sócios, pois estes só podem ser destituídos se houver justa causa, e
a deliberação deve ser tomada por maioria dos sócios ou ainda por processo
judicial.

Quanto ao modelo de funcionamento, a lei prevê o seguinte:

Artigo 268

(Funcionamento da administração)

1. A gestão e representação da sociedade competem aos administradores


e todos tem salvo, estipulação estatutária em contrário, poderes iguais e
independentes.
2. O administrador obriga a sociedade com a sua assinatura acompanhada
da menção da qualidade em que intervém, podendo esta ser indicada
através da aposição de carimbo da administração ou selo da sociedade.
3. Qualquer dos administradores pode opor-se aos actos que outro
pretenda realizar, cabendo à maioria dos administradores decidir sobre o
mérito da oposição.

No que diz respeito `a representação da sociedade, em princípio todos os


sócios para além de gestores são também representantes da sociedade.
Naturalmente que, por questões organizativas, estas regras são devidamente
estipuladas com antecedência, para melhor gestão. Assim, sempre que age em
nome da sociedade, é dever do respectivo administrador ou representante da
sociedade esclarecer em que qualidade age, devendo igualmente fazer uso de
assinatura e do carimbo da instituição.

Quanto à dissolução e liquidação, a lei prevê o seguinte:

Artigo 269

(Dissolução e liquidação)

1. Além dos casos previstos na lei, a sociedade dissolve-se se o número


de sócios ficar reduzido à unidade sem que, no prazo de três meses,
seja reconstituída a pluralidade de sócios ou a sociedade se transforme
em sociedade por quotas unipessoal.

39
2. A sociedade pode ainda ser dissolvida judicialmente a requerimento do
sucessor do sócio falecido ou a requerimento do sócio que se tenha
exonerado com fundamento no no.2 do artigo 263, se a situação prevista
no no.6 do artigo 260 se mantiver por três anos.
3. Para a satisfação das dívidas sociais, os liquidatários devem reclamar
dos sócios, além das participações de capital não realizadas, as
quantias necessárias, na proporção da parte de cada um nas perdas,
sendo a parte do sócio que se encontre insolvente dividida pelos
demais, na mesma proporção.
4. Quando tenha lugar a dissolução pelo decurso do prazo fixado nos
estatutos, pode verificar-se a prorrogação desde que nisso acorde a
maioria dos sócios, aplicando-se aos que se exonerem as regras
previstas para amortização da parte social.

Haverá obrigatoriamente dissolução da sociedade se, por algum motivo, a


mesma ficar com um único sócio por mais de três meses, e durante esse
período a sociedade não tiver outros sócios (para que deixe de ter sócio único)
ou então durante o mesmo período haja uma transformação da sociedade em
nome colectivo para uma sociedade unipessoal. A dissolução também pode ser
feita pelos herdeiros de um sócio que tenha falecido, se não estiverem
interessados na continuação da sociedade.

Como é de imaginar, no momento da dissolução os sócios devem, cada um na


sua proporção, arcar com as dívidas, havendo, e em todas a perdas que
possam onerar a sociedade.

2.12.3 Sociedade em comandita

Artigo 270

(Espécies de sociedade em comandita)

A sociedade em comandita pode ser constituída em comandita simples, ou em


comandita por acções, quando as participações dos sócios comanditários são
representadas por acções.
O que difere uma sociedade em comandita simples da sociedade em
comandita em acções são as características que são a seguir apresentadas: na
comandita simples, teremos a sociedade constituída por sócios de indústria e
sócios de capital. Na comandita por acções, há uma divisão do capital dos
sócios comanditários em acções, que podem pertencer a diversos tipos
societários, como adiante explicamos, nos termos do artigo que se segue:

Artigo 271

(Características)

1. Na sociedade em comandita são elementos distintos a sociedade em


nome colectivo, que compreende os sócios comanditados, e a
comandita de fundos.
2. Cada um dos sócios comanditários responde apenas pela realização da
sua participação de capital, não podendo contribuir com indústria, os
sócios comanditados respondem pelas obrigações sociais nos termos
previstos para os sócios da sociedade em nome colectivo.
3. Uma sociedade por quotas ou uma sociedade anónima podem ser
sócios comanditados.

Como se pode perceber, uma das formas de identificar e diferenciar as


características da sociedade em comandita é o facto de ela por um lado a
mesma natureza da sociedade em nome colectivo e por outro lado ter sócios
com quotas em sociedade anónima. Por outras palavras, a sociedade em
comandita tem uma mistura de vários tipos societários.

Assim, enquanto por um lado um grupo de sócios contribui com indústria, e


passam a chamar-se sócios comanditados, outros sócios contribuem com
capital e passam a ser chamados sócios comanditários.

Por outro lado, os sócios de indústria não podem investir capital, e os sócios de
capital só podem investir deste modo, não podendo contribuir com a sua
indústria. Mais ainda, os sócios comanditários, que são os de capital,
respondem apenas na proporção do seu capital, enquanto que que sócios
comanditados tem uma responsabilidade solidária entre si, isto é, respondem
todos e na mesma proporção pelas responsabilidades da sociedade que dizem

41
respeito à quota de todos os comanditados juntos (excluindo, naturalmente, a
responsabilidade respeitante aos sócios comanditários).

Artigo 272

(Conteúdo dos estatutos)

1. Nos estatutos da sociedade em comandita devem ser indicados


distintamente os sócios comanditários e os sócios comanditados.
2. Os estatutos devem especificar se a sociedade é constituída como
comandita simples ou como comandita por acções.

Em decorrência do artigo anterior, é preciso que fique claro, pelos estatutos,


quem é sócio comanditário e quem é sócio comanditado, e as respectivas
proporções de quotas de forma a que se possa facilmente descortinar o limite
de responsabilidade de cada um, sendo por isso também necessário esclarecer
se estamos perante uma comandita simples ou uma comandita por acções.

Artigo 274

(Deliberações)

1. Os sócios comanditários e os comanditados votam em separado; cada


sócio comanditado tem um voto e cada sócio comanditário tem um voto
por cada duzentos e cinquenta mil meticais de capital de que seja titular.
2. Consideram-se tomadas as deliberações aprovadas pela maioria
absoluta dos votos dos sócios comanditados e pela maioria absoluta dos
votos dos sócios comanditários, sem prejuízo de disposição diversa da
lei ou dos estatutos.
3. As deliberações sobre dissolução, fusão, cisão ou transformação da
sociedade e as que tenham por efeito alterar os estatutos só se
consideram aprovadas se merecerem o voto unânime dos sócios
comanditados e dois terços dos votos dos sócios comanditários.

Neste tipo societário, há claramente diferenças entre os sócios comanditários e


os sócios comanditados. Para além de votarem em separado, enquanto os
sócios comanditados, tem um só voto, os sócios comanditários podem ter
vários votos, dependendo do capital investido, sendo cada um voto para cada
duzentos e cinquenta mil meticais de capital de que seja titular.

Isto significa que, havendo sócios comanditários, é preciso dividir as acções de


acordo com o capital existente, e em relação ao capital investido identificar o
número de acções proporcional ao capital. Por exemplo, se tivermos dois
sócios comanditários que tenham investido um com 500.000,00 mt (quinhentos
mil meticais) e outro com 3.000.000,00 mt(três milhões de meticais), um dos
sócios comanditários terá direito a 25% das acções, que corresponde a 2 votos
e outro terá direito a 75% das acções que correspondem a 6 votos.

Deste modo, havendo uma votação numa sociedade em comandita por acções,
seguindo o exemplo acima, se tivermos 3 sócios de indústria estes votarão
entre si e faz-se a apuração, e os dois sócios de capital também votarão entre
si e apurarão os resultados, estando claro que os sócios, de indústria tem um
máximo de três votos e os de capitais oito votos, e desta forma fazendo-se o
apuramento final.

Para questões gerais, a regra é a maioria simples. Mas, sobre assuntos


referentes a dissolução, fusão, cisão ou transformação da sociedade e as que
tenham por efeito alterar os estatutos, deve haver voto unânime dos sócios
comanditados, o que significa que se um não concordar tal acção não poderá
ser implementada. E depois de verificada a votação dos sócios comanditados,
segue-se a verificação da votação dos sócios comanditários, e nestes é preciso
que haja pelo menos dois terços dos votos dos sócios, sob pena de a acção
não poder ser implementada.

Artigo 275

(Administração)

1. Todos os sócios comanditados são administradores, quer tenham


constituído a sociedade, quer tenham adquirido essa qualidade
ulteriormente, salvo disposição em contrário dos estatutos.
2. Por deliberação unânime dos sócios comanditados e de dois terços dos
sócios comanditários, podem ser eleitos administradores pessoas que
não sejam sócios comanditados.

43
3. Salvo disposição estatutária em contrário, o administrador sócio
comanditado só pode ser destituído ocorrendo justa causa e por
deliberação tomada com os votos favoráveis da maioria dos restantes
sócios comanditados e da maioria dos sócios comanditários, ou por
decisão judicial proferida em acção intentada por qualquer deles.
4. Se a sociedade tiver apenas um ou dois sócios comanditados e qualquer
deles ou ambos forem os únicos administradores, a sua destituição só
pode ser decretada por decisão judicial e ocorrendo justa causa, a
requerimento de qualquer sócio.
5. O administrador não sócio pode ser destituído a todo o tempo, devendo,
para isso, concorrer os mesmos votos necessários à sua eleição salvo,
se houver justa causa, caso em que basta o concurso dos votos da
maioria dos sócios comanditados e da maioria dos sócios comanditários.

Uma vez que os sócios comanditados, por serem de indústria, estarão


necessariamente a trabalhar, os mesmos devem ser sempre administradores.
Se houver um sócio de indústria que tenha herdado tal situação, ele também
deve ser administrador. Podem também ser administradores pessoas que não
sejam sócios, desde que todos os sócios comanditários consintam e pelo
menos dois terços dos sócios comanditários também concordem, e estes
administradores que não sejam sócios podem ser destituídos a qualquer
momento, seguindo os mesmos critérios para a sua indicação.

Artigo 276

(Transmissão de partes sociais)

1. A transmissão entre vivos e por morte da parte de um sócio


comanditado, depende do consentimento unânime dos restantes sócios
comanditados e de deliberação aprovada pela maioria dos votos dos
sócios comanditários.
2. A transmissão entre vivos da parte de um sócio comanditário de uma
sociedade em comandita simples, depende de deliberação maioritária
quer dos sócios comanditados, quer dos sócios comanditários.
3. No caso de a transmissão da parte de um sócio comanditário não ser
autorizada, aplica-se, com as necessárias adaptações, o disposto a
respeito da amortização de quotas.

Em caso de morte de um dos sócios de indústria, para que o seu herdeiro


possa substituí-lo, é preciso que todos os outros sócios comanditados
consintam, por um lado, e por outro, que a maioria dos sócios comanditários
também o consintam, sob pena de o mesmo não poder entrar para a
sociedade.

A transmissão de parte é mais simples, pois só requer maioria tanto dos sócios
comanditados assim como dos sócios comanditários o que, não sucedendo,
deve haver uma amortização de quotas.

Artigo 277

(Dissolução)

1. A sociedade dissolve-se com o desaparecimento de todos os sócios


comanditados se, no prazo de quarenta e cinco dias, não for admitido
novo sócio ou não for deliberada a transformação em sociedade por
quotas ou anónima.
2. Se faltarem todos os sócios comanditários a sociedade dissolve-se se,
no prazo de noventa dias, não for admitido sócio comanditário ou
transformada a sociedade em sociedade em nome colectivo ou, tendo a
sociedade um único sócio comanditado que não seja uma pessoa
colectiva, em sociedade por quotas unipessoal.
3. A deliberação de dissolução da sociedade é tomada por maioria que
reúna dois terços dos votos que cabem aos sócios comanditados e dois
terços dos votos que cabem aos sócios comanditários.

Em caso de morte de todos os sócios comanditados, e não havendo admissão


de novos sócios, naturalmente a que a sociedade extingue - se, porque a
existência de sócios comanditados é uma das razões para a criação e
existência deste tipo societário, ou então pode-se transformar numa sociedade
por quotas ou ainda sociedade anónima.

45
Caso deixem de existir sócios comanditários, e no prazo de 90 dias não for
admitido nenhum, a sociedade também se extingue, ou então deve ser
transformada numa sociedade em nome colectivo, ou numa sociedade por
quotas unipessoal, se só restar um sócio comanditado.

2.12.4 Sociedade de capital e indústria

Artigo 278

(Características)

1. A sociedade de capital e indústria caracteriza-se:


a) Por possuir sócios que contribuem para a formação do capital
com dinheiro, créditos ou outros bens materiais e que limitam a
sua responsabilidade ao valor da contribuição com que
subscreveram para o capital social;
b) Por possuir sócios que não contribuem para o mesmo capital,
mas apenas ingressam na sociedade com o seu trabalho, e que
estão isentos de qualquer responsabilidade pelas dívidas sociais.
2. Os sócios capitalistas subscreverão a totalidade do seu capital social,
em valores fixos e sem a consequente divisão em quotas.

A grande diferença aqui trazida pela sociedade de capital e indústria é que os


sócios de indústria estão isentos de qualquer responsabilidade pelas dívidas
sociais

Artigo 279

(Cláusulas especiais)

Os estatutos da sociedade de capital e indústria devem especialmente conter:

a) A especificação das obrigações do sócio ou sócios de indústria;


b) A percentagem que cabe aos sócios de indústria nos lucros sociais.

Apesar de os sócios de indústria não serem responsáveis pelas obrigações


sociais, eles têm outro tipo de obrigações, incluindo o dever de trabalhar. Para
além disso, pelo trabalho que prestam, eles têm direito não só a remuneração,
mas também a quinhoar nos livros da sociedade. Estas questões devem,
obrigatoriamente, constar dos estatutos da sociedade.

Artigo 280

(Administração)

1. Na sociedade de capital e indústria, a administração pertence a um ou


mais sócios capitalistas.
2. Os sócios de indústria poderão exercer o cargo de administrador, desde
que prestem uma caução previamente fixada no contrato de sociedade.
3. Salvo disposição do contrato de sociedade em contrário, a caução
referida no número anterior deverá ser igual ao valor do capital subscrito
pelos sócios capitalistas e será destinada, exclusivamente, a responder
pelos actos de má administração eventualmente praticados.

Neste tipo societários os sócios de capital é que são administradores. Para que
os sócios de indústria sejam administradores, devem prestar caução. Percebe-
se que assim seja, uma vez que os sócios de indústria, não tem
responsabilidade nenhuma pelas perdas sociais, pelo que a caução deve ser
igual ao capital subscrito pelos sócios de capital, e serve para, sendo
necessário, arcar com as despesas de má administração feitas pelo sócio de
indústria que tenha sido nomeado administrador.

Artigo 281

(Limitação à actividade dos sócios de indústria)

Salvo quando o contrato de sociedade o permita, os sócios de indústria estão


proibidos de empregar-se em qualquer operação comercial estranha ao objecto
da sociedade, sob pena de serem privados dos lucros e excluídos da
sociedade.

Esta regra vem estabelecer o princípio da exclusividade dos sócios de


indústria, que não devem exercer outras actividades para além das que têm na
sociedade, sob pena de serem excluídos da sociedade. Mas, caso se tenha
previamente regulado esta questão a nível do contrato de sociedade, os sócios
de indústria podem, em caso afirmativo, desenvolver outras actividades.

47
Artigo 282

(Percentagem do sócio de indústria nos lucros)

1. O sócio de indústria participa nos lucros sociais na percentagem dos


lucros estipulada no contrato de sociedade.
2. Em caso de omissão do contrato de sociedade, presume-se que a
participação do sócio nos lucros será igual à do sócio capitalista de
menor parte social no capital.
3. Em caso de liquidação, cabe também ao sócio de indústria o direito a
uma parte do acervo da sociedade. Este direito do sócio só se realiza
depois de liquidada a sociedade, e após a devolução aos sócios
capitalistas das suas respectivas quotas no capital. Se houver algum
lucro remanescente o mesmo é repartido entre todos os sócios na
proporção estipulada no contrato de sociedade ou, na sua omissão, na
forma prevista nos nos.1 e 2 deste artigo.

Quanto aos lucros, os estatutos devem indicar qual a percentagem dos sócios
de indústria, e caso não tenha sido estipulado, eles recebem o mesmo que o
sócio de capital com menor capital social. E em caso de liquidação da
sociedade, primeiro paga-se aos sócios de capital de acordo com as suas
quotas e o que resta é repartido entre todos de acordo com os estatutos, e se
estes forem omissos, os sócios de indústria recebem a mesma percentagem
que o sócio de menor capital.

2.12.5 Sociedade por quotas

Artigo 283

(Características)

1. Na sociedade por quotas o capital está dividido em quotas e os sócios


são solidariamente responsáveis pela realização do capital social nos
termos prescritos neste capítulo.
2. As quotas não podem ser incorporadas em títulos negociáveis.
3. Os sócios apenas são obrigados a outras prestações quando a lei ou o
contrato de sociedade assim o estabeleçam.
Tal como o nome refere, há uma divisão do capital da sociedade em quotas,
devendo todos subscrever o capital referente às suas quotas, não sendo as
quotas transaccionáveis livremente, mas somente nos termos dos estatutos ou
das normas que se seguem.

Artigo 284

(Sociedade entre cônjuges)

É lícita e pode ser constituída sociedade por quotas de responsabilidade


limitada entre cônjuges, seja qual for o regime de bens do casamento.

O facto de duas pessoas serem casadas não impede que as mesmas


constituam sociedade, e que tenham quotas na mesma sociedade.

Artigo 285

(Participação do menor de idade como sócio)

O menor de idade, mesmo não emancipado ou autorizado a exercer o


comércio, pode participar como sócio, desde que o capital social se encontre
integralmente realizado e assim se mantenha enquanto perdurar a menoridade,
sendo proibida a sua participação na administração.

Não se deve neste caso confundir o facto de o menor ser sócio com o facto de
ele participar na vida activa da sociedade. Ser sócio significa ter capital social
subscrito, e é este o caso. Pelo que outrem, nomeadamente os pais ou
representantes legais, fazem a gestão e representam o menos na sociedade,
até que o mesmo atinja a maioridade.

Artigo 286

(Responsabilidade do património social)

Só o património social responde para com os credores pelas dívidas da


sociedade, salvo o disposto no artigo seguinte.

Neste tipo societário, havendo dívidas contraídas pela sociedade, em caso de


não cumprimento das mesmas, só se pode atacar o património da sociedade e

49
nunca o património dos sócios, por mais que eles tenham de sobra, a título
individual.

Artigo 287

(Responsabilidade directa dos sócios para com os credores da


sociedade)

1. No contrato de sociedade pode estipular-se que um ou mais sócios,


além de responderem para com a sociedade nos termos definidos no
no.1 do artigo 283 respondem também perante os credores da
sociedade até determinado montante; essa responsabilidade tanto pode
ser solidária com a da sociedade, como subsidiária em relação a ela,
mas, para todos os sócios que assim devem responder, deve ser igual.
2. A responsabilidade prescrita no número antecedente abrange apenas as
obrigações assumidas pela sociedade enquanto o sócio a ela pertencer
e não se transmite por morte deste, sem prejuízo da transmissão das
obrigações a que anteriormente estava vinculado.
3. Salvo disposição contratual em contrário, o sócio que pagar dívidas
sociais nos termos deste artigo, tem direito de regresso contra a
sociedade pela totalidade do que houver pago, mas não contra os outros
sócios.

Sendo certo que neste tipo societário cada sócio só responde na medida das
suas quotas, qualquer sócio pode, querendo, assumir responsabilidades para
além do que deve, até um valor por si determinado. Essa responsabilidade
pode ser accionada depois de se responsabilizar a sociedade ou ao mesmo
tempo. Esta é uma decisão do sócio, que só é válida enquanto ele for vivo, e se
perder a vida, os herdeiros assumem as obrigações, somente estas, que já
existiam aquando da morte do sócio. Em todo caso, após pagar dívidas da
sociedade, o sócio pode, à posteriori, exigir que o valor lhe seja ressarcido.

Artigo 288

(Número máximo de sócios)

1. Uma sociedade por quotas não pode ter mais de trinta sócios.
2. Nenhum acto que tenha por efeito fazer com que uma sociedade por
quotas tenha mais de trinta sócios produz quaisquer efeitos em relação
à sociedade enquanto esta não tiver sido transformada, por deliberação
dos sócios, em sociedade anónima.
3. Se o facto determinante de o número de sócios passar o limite fixado no
no.1 for mortis causa, os sucessores podem requerer ao tribunal que fixe
um prazo razoável, sob pena de dissolução, para ser deliberada a
transformação em sociedade anónima
4. Sempre que uma quota pertencer em contitularidade a várias pessoas,
contar-se-á apenas um sócio para os efeitos deste artigo.

Por lei, a sociedade por quotas só poderá ter um máximo de 30 sócios, sob
pena de ter que se transformar em sociedade anónima, caso haja situações em
que por morte, as acções passem a ser detidas por um número elevado de
herdeiros.

Artigo 289

(Capital social mínimo)

1. O capital social deve sempre corresponder ao somatório dos valores


nominais das quotas.
2. A sociedade por quotas não pode ser constituída com um capital social
inferior a vinte milhões de meticais, devendo o respectivo valor mostrar-
se sempre adequado à realização do objectivo social.

Deste modo, sendo obrigatórios 20 milhões de meticais, o que deve ser feito é
dividir o valor do capital social pelo número de quotas que se quer criar, e
dessa forma distribuir as quotas de acordo com o capital social investido.

Artigo 290

(Quotas e sua realização)

1. Deve ser expresso em moeda nacional o valor nominal de cada quota


que deve ser igual ou superior a quinhentos mil meticais, e constituir um
múltiplo de cem.
2. Não são admitidas contribuições de indústria.

51
3. Os bens ou direitos com que o sócio pretenda, como contribuição sua,
incorporar no capital social da sociedade devem ser avaliados nos
termos previstos no artigo 114 deste Código.
4. O disposto no nº. 1 aplica-se às quotas que resultem de divisão.
5. Ao capital social que cada sócio subscreva no contrato de sociedade
apenas pode corresponder a uma quota.
6. O capital que cada sócio subscreva ou lhe fique a pertencer em qualquer
aumento de capital só pode corresponder a uma nova quota.
7. São sempre independentes e indivisíveis as quotas a que correspondem
direitos especiais.

Este é um tipo societário cujas especificidades estão elencadas no presente


artigo. Entretanto, o capital social pode ser sempre superior a 20 milhões de
meticais. O certo porém é que cada quota corresponde a quinhentos mil
meticais. Por esta razão, muitas vezes, pelo incremento de capital e,
naturalmente, do número de sócios aumenta.

Artigo 291

(Unificação da quota)

1. A quota primitiva de um sócio e as que posteriormente adquirir são


independentes, mas o titular pode, porém, unificá-las.
2. Para que a unificação de quotas possa ter lugar é indispensável a
verificação cumulativa dos seguintes requisitos de fundo e forma:
a) Estarem as quotas integralmente liberadas;
b) Não lhes corresponderem, segundo o contrato de sociedade,
direitos e obrigações diversas;
c) Ser formalizada por escritura pública, nos casos em que entrem
bens imóveis.
3. A unificação deve também ser registada e comunicada à sociedade para
efeitos da sua oponibilidade em relação a terceiros e à própria
sociedade.

O que se pretende referir com este artigo é que ao se adquirirem as quotas


cada uma delas passa a ser vista de forma autónoma. Entretanto, pode-se dar
o caso de um determinado accionista, detentor de quotas, adquirir outras
quotas. E pela interpretação deste artigo as quotas não se unificam, isto é, não
se somam, excepto se estiverem reunidos os requisitos acima indicados e
forem seguidas todas as formalidades indicadas no mesmo artigo. Isto porque
as mesmas podem estar oneradas, porque podem ter direitos diversos,
obrigações diversas, podem não estar integralmente realizadas, etc.

Artigo 293

(Sócio remisso e responsabilidade dos outros sócios pela integração das


quotas)

1. Se o sócio não realizar pontualmente a sua quota, efectuando, no prazo


fixado, a prestação a que está obrigado, os outros sócios são obrigados,
proporcionalmente às suas quotas, mas solidariamente para com a
sociedade, a realizar a parte em mora.
2. A administração da sociedade deve interpelar o sócio em mora
concedendo-lhe um prazo de trinta dias para realizar a quota.
3. O sócio em mora responde, para além do capital vencido, pelos
respectivos juros moratórios e ainda pelos demais prejuízos que do seu
incumprimento resultarem para a sociedade e para os demais sócios.
4. O sócio que não realizar pontualmente a sua quota poderá ser privado,
nos termos do contrato de sociedade, de exercer os direitos sociais
correspondentes à sua quota, nomeadamente, o direito ao voto e aos
lucros, enquanto se verificar o seu incumprimento.
5. Se o sócio em mora não realizar a quota no prazo fixado nos termos do
no. 2, a sociedade interpela os outros sócios para que realizem a parte
em mora.
6. A quota, na sua totalidade, passa a pertencer aos sócios que realizem a
parte em falta, na proporção em que o façam, sendo, para o efeito,
dividida e acrescida às respectivas quotas.
7. O sócio, que perder a sua quota nos termos do número anterior, não tem
direito de reaver as quantias já pagas por conta da realização da quota.
8. Destes efeitos deve também o sócio em mora ser avisado.

53
Havendo a necessidade de realizar a quota de cada sócio, e não podendo
algum ou alguns dos sócios realizar o capital devido, este(s) é (são)
interpelado(s) para no prazo de 30 dias realizarem o capital. Em caso de
impossibilidade, todos os outros sócios se responsabilizam, mas com direito de
serem ressarcidos pelo sócio incumpridor, incluindo os juros e demais
despesas a que os outros sócios tiverem incorrido.

Artigo 294

(Preferência nos aumentos de capital)

Os sócios gozam do direito de preferência na subscrição dos aumentos de


capital social, mas o direito de preferência pode ser limitado ou suprimido por
deliberação da assembleia geral tomada pela maioria necessária às alterações
do contrato de sociedade.

E, na eventualidade de aumento de capital social, os sócios tem prioridade em


relação a pessoas não pertencentes à sociedade. Só há desvio a esta regra
nos casos em que, por deliberação da maioria, se tenha decidido pelo
contrário.

Artigo 297

(Transmissões de quotas)

1. A transmissão de quota entre vivos deve constar de documento escrito,


que pode ser meramente particular, salvo disposição diversa da lei.
2. A transmissão de quota é ineficaz em relação à sociedade enquanto não
lhe for comunicada por escrito e registada.

Como se depreende, os sócios são livres de transmitir as suas quotas a


terceiros. E não há um formalismo expresso para esse fim, podendo as partes
recorrer a um mero escrito particular. Todavia, enquanto tal transmissão não for
comunicada por escrito e registada na sociedade, é como se a transmissão de
quota não tivesse decorrido.
Artigo 298

(Direito de preferência na transmissão de quota)

1. Salvo disposição em contrário dos estatutos, a sociedade e, caso esta o


não exerça, os sócios na proporção das respectivas quotas, têm direito
de preferência em todos os casos de transmissão de quotas entre vivos.
2. A sociedade só pode exercer o direito de preferência se, por efeito da
aquisição, a sua situação líquida não se tornar inferior à soma do capital
social, da reserva legal e das reservas estatutárias obrigatórias.
3. Nenhuma transmissão entre vivos é eficaz, mesmo entre as partes, se a
sociedade e os sócios não tiverem sido notificados por carta para o
exercício de direito de preferência.
4. Notificada a sociedade e os sócios da pretendida transmissão, do
respectivo preço, identificação do proposto adquirente e demais
condições, a sociedade primeiro e os sócios depois, dispõem de
quarenta e cinco dias, aquela, quinze dias, estes, para exercer o referido
direito.
5. Se o preço da pretendida transmissão exceder em mais de cinquenta
por cento o valor da quota que resultar de avaliação para o efeito
expressamente feita por auditor de contas sem relação com a
sociedade, a sociedade e os sócios têm o direito a adquirir a quota pelo
valor resultante da avaliação acrescido de vinte e cinco por cento.
6. À quota adquirida pela sociedade, por efeito do exercício de direito de
preferência, aplica-se o disposto no no.3 do artigo 306.
7. A decisão judicial que determine a transmissão de quota em qualquer
processo deve ser oficiosamente notificada à sociedade para os efeitos
deste artigo, devendo esta notificar os sócios por escrito.

No seguimento do comentário ao artigo anterior, querendo determinado sócio


ceder as suas quotas, que é um direito que tem, deve antes informar aos
outros sócios, porque estes gozam do direito de preferência, isto é, não se
pode ceder as quotas a terceiros sem que tenha sido dada oportunidade aos
sócios em primeiro lugar. Entretanto, a proposta feita aos sócios é a mesma

55
que poderá ser feita a terceiros caso os sócios não se mostrem disponíveis
para adquirir a quota existente e em cedência.

Pelo que é obrigatório informar à sociedade do interesse de determinado sócio


em ceder as suas quotas, devendo a sociedade e demais sócios pronunciarem-
se no prazo máximo de 45 e 15 dias respectivamente, dizendo se vão exercer
ou não o seu direito de preferência.

Amortização de quotas, exclusão e exoneração de sócio

Artigo 300

(Amortização de quotas)

1. A amortização de quotas só pode ter lugar nos casos de exclusão ou


exoneração de sócio.
2. A amortização da quota tem por efeito a extinção da quota, sem
prejuízo, porém, dos direitos já adquiridos e das obrigações já vencidas.
3. A sociedade não pode amortizar quotas que não estejam integralmente
liberadas, salvo no caso de redução do capital.
4. Se a sociedade tiver o direito de amortizar a quota pode, em vez disso,
adquiri-la ou fazê-la adquirir por sócio ou terceiro. No primeiro caso,
ficam suspensos todos os direitos e deveres inerentes à quota, enquanto
ela permanecer na titularidade da sociedade.

Vezes há em que por motivo de exoneração ou de exclusão de sócio torna-se


necessário extinguir a quota de determinado sócio. Nestes casos, o que já um
direito do sócio, irá manter-se, mas só poderão ser amortizadas as quotas
integralmente realizadas.

Artigo 304

(Exclusão de sócio)

1. Um sócio pode ser excluído nos casos especialmente previstos no


contrato de sociedade.
2. O sócio pode ainda ser excluído por decisão judicial, em acção proposta
pela sociedade após prévia deliberação, quando o seu comportamento
desleal ou gravemente perturbador do funcionamento da sociedade, lhe
tenha causado ou possa vir a causar prejuízos significativos.
3. A exclusão do sócio não prejudica o dever de este indemnizar a
sociedade pelos prejuízos que lhe tenha causado.
4. Só por unanimidade é permitida a alteração do contrato de sociedade
em matéria de exclusão de sócios.

Na sociedade por quotas, para que haja exclusão de sócio é preciso ver em
que circunstâncias tal pode acontecer e se tal situação está estatutariamente
prevista. Para além dos casos previstos nos estatutos, os sócios podem
promover a expulsão de um ou mais sócios recorrendo a via judicial, e nos
casos em que o sócio expulso tiver causado prejuízos à sociedade, esta tem o
direito de exigir uma indemnização pelos danos causados.

Artigo 305

(Exoneração de sócio)

1. Um sócio pode exonerar-se da sociedade nos casos previstos no


contrato de sociedade e ainda quando, contra o seu voto, os sócios
deliberem:
a) Um aumento de capital a subscrever, total ou parcialmente, por
terceiros;
b) A transferência da sede da sociedade para fora do país.
2. O sócio só pode exonerar-se se as suas quotas estiverem integralmente
realizadas.

Estando descontente, o sócio também pode exonerar-se da sociedade. A lei


aponta alguns exemplos, como o caso de mudança da sede da sociedade ou
ainda da subscrição de capital por terceiros contra sua vontade, mas o sócio
pode invocar outros motivos que se mostrarem pertinentes e justificarem, do
seu ponto de vista, a sua exoneração, cabendo aos demais sócios atenderem
ao pedido ou não. Todavia, o requisito básico é que o sócio tenha as suas
quotas integralmente realizadas.

57
Artigo 314

(Lucros)

1. Os lucros distribuíveis do exercício têm o destino que for deliberado


pelos sócios.
2. O contrato de sociedade pode dispor que uma percentagem, não inferior
a vinte e cinco por cento e nem superior a setenta e cinco por cento, dos
lucros distribuíveis do exercício seja obrigatoriamente distribuída aos
sócios.
3. O crédito do sócio à sua parte dos lucros vence-se decorridos trinta dias
após a data da deliberação de atribuição dos lucros.

No fim de um exercício económico, caso não esteja previamente previsto no


contrato de sociedade, não cabe a um ou outro sócio exigir de imediato os
lucros a que tenha direito, havendo. Cabe à Assembleia Geral decidir sobre
como serão os lucros usados, podendo os estatutos prever, de início, qual o
destino dos lucros. E, havendo deliberação sobre a partilha dos lucros, os
sócios só podem exigir o seu quinhão30 dias após a deliberação.

Artigo 315

(Reserva legal)

1. Dos lucros de exercício, uma parte não inferior a vinte por cento deve
ficar retida na sociedade a título de reserva legal, não devendo ser
inferior a quinta parte do capital social.
2. No contrato de sociedade podem fixar-se montantes mínimos mais
elevados destinados à reserva legal.

Há uma parte dos lucros que não devem ser partilhados e ficam guardados na
conta da sociedade, obrigatoriamente: é a que se denomina reserva legal.

Artigo 316

(Utilização da reserva legal)

A reserva legal só pode ser utilizada para:


a) para incorporação no capital;

1. Cobrir a parte dos prejuízos transitados do exercício anterior, que não


possa ser coberta pelo lucro do exercício nem pela utilização de outras
reservas determinadas pelo contrato de sociedade.

O fim da reserva legal é cobrir as faltas de capital ou os prejuízos a que tenha


incorrido a sociedade.

Administração

Artigo 320

(Funções e natureza)

1. A sociedade por quotas é administrada por um ou mais administradores


que, além de poderem constituir-se em órgão colegial, podem ser
pessoas estranhas à sociedade.
2. O órgão colegial de administração reúne sempre que convocado por
qualquer dos administradores e da reunião deve ser elaborada a
respectiva acta.

Nas sociedades por quotas, requer-se pelo menos um administrador, mas


podem ser mais, podendo-se criar um conselho de administração, se os sócios
assim o entenderem. Mais ainda, o administrador pode ser um não sócio.

Artigo 321

(Designação dos administradores. Duração do mandato)

1. Os administradores podem ser designados no contrato de sociedade ou


eleitos mediante deliberação dos sócios.
2. Salvo disposição estatutária em contrário os administradores exercem o
seu cargo por quatro anos, podendo ser reeleitos.
3. Os administradores podem fazer-se representar no exercício das suas
funções, havendo autorização expressa nos estatutos.

Como se depreende, querendo, os sócios podem indicar de imediato os


administradores, aquando da elaboração do contrato de sociedade. Não o

59
tendo feito, podem fazê-lo em assembleia geral, podendo ser um sócio ou um
mandatário seu, sendo os mandatos sempre de quatro anos.

Artigo 322

(Substituição de administradores)

1. No caso de todos os administradores faltarem temporária ou


definitivamente, qualquer sócio pode praticar os actos de carácter
urgente que não possam esperar pela eleição de novos administradores
ou pela cessação da falta.
2. São aplicáveis aos que substituírem os administradores as disposições
sobre os direitos e obrigações destes.

A lógica deste artigo é que a sociedade não pode ficar parada porque quem
deve agir não está ou então encontra-se impossibilitado. Pelo que, por lei, nos
casos referidos, qualquer outro sócio poderá agir, em prol da sociedade.

Artigo 323

(Funcionamento da administração)

1. Existindo um só administrador, considera-se a sociedade obrigada pelos


actos praticados, em nome dela, por esse administrador, dentro dos
limites dos seus poderes.
2. Sendo a administração composta por dois administradores, ambos têm
iguais poderes de administração, considerando-se a sociedade obrigada
pelos actos praticados, em nome dela, por qualquer um deles, dentro
dos limites dos seus poderes, ou pelos dois conjuntamente, se os
estatutos assim dispuserem.
3. Os estatutos podem criar o conselho de administração, constituído por,
pelo menos, três membros, e consideram-se, salvo estipulação
estatutária em contrário, tomadas as deliberações que reúnam os votos
favoráveis da maioria dos administradores.
4. Salvo disposição estatutária em contrário, a sociedade fica vinculada
pelos negócios jurídicos concluídos pela maioria dos administradores ou
pela maioria ratificados.
Por uma questão de paridade, nas sociedades por quotas que tenham mais de
um administrador, os mesmos têm iguais poderes de administração. Havendo
um mínimo três sócios, podem constituir-se em conselho de administração,
sendo o critério de deliberação o da maioria.

Artigo 324

(Proibição da concorrência)

Os administradores não podem, sem o consentimento expresso dos sócios,


exercer, por conta própria ou alheia, actividade abrangida no objecto social da
sociedade, desde que esteja a ser exercida por ela ou o seu exercício tenha
sido objecto de deliberação dos sócios.

Pelo que, sendo administrador, não poderá exercer a mesma actividade fora da
sociedade. Se quiser fazê-lo, deverá rescindir ao cargo de administrador.

Artigo 325

(Remuneração dos administradores)

1. Salvo disposição em contrário do contrato de sociedade, os


administradores têm direito a perceber uma remuneração a fixar por
deliberação dos sócios.
2. Qualquer sócio pode requerer em juízo, em processo de inquérito
judicial, a redução da remuneração dos administradores quando for
desproporcionada quer aos serviços prestados quer à situação da
sociedade.
3. Salvo se o contrato de sociedade dispuser em contrário, a remuneração
dos administradores não pode consistir, total ou parcialmente, em
participação nos lucros da sociedade.

Porque os administradores exercem efectivamente uma actividade na


sociedade, eles têm direito a uma remuneração. Mas tal remuneração deve ser
paga mensalmente sem que se esteja a deduzir dos lucros da sociedade, pois
estes são calculados a posteriori e não afectam o quinhão do sócio que tiver
recebido salários na qualidade de administrador.

61
Artigo 326

(Destituição dos administradores)

1. Os sócios podem, a todo o tempo, deliberar a destituição dos


administradores.
2. O contrato de sociedade pode exigir que a destituição de qualquer dos
administradores seja deliberada por uma maioria qualificada ou outros
requisitos. Porém, se a destituição se fundar em justa causa, pode ser
deliberada por simples maioria.
3. Ocorrendo justa causa, pode qualquer sócio requerer em juízo a
suspensão e a destituição do administrador, em acção intentada contra
a sociedade.
4. Se a sociedade tiver apenas dois sócios, a destituição do administrador
com fundamento em justa causa só pode ser decidida em tribunal em
acção intentada pelo outro.
5. A violação grave ou repetida dos deveres de administrador constitui
justa causa de destituição. Considera-se violação grave dos deveres de
administrador, designadamente:
a) O não registo ou o registo tardio dos actos a ele sujeitos e a não
manutenção em ordem e com actualidade dos livros da
sociedade;
b) O exercício, por conta própria ou alheia, de actividade
concorrente com a da sociedade, salvo prévio consentimento dos
sócios.
6. O administrador que for destituído sem justa causa tem direito a receber,
a título de indemnização, as remunerações até ao limite convencionado
no contrato de sociedade ou até ao termo da duração do exercício do
seu cargo ou, se este não tiver sido conferido por prazo certo, as
remunerações equivalentes a dois exercícios.

Como se percebe, apesar de haver um limite de quatro anos de mandato,


renovável, é sempre possível destituir o administrador da sociedade por
quotas, antes do fim do mandato. A destituição pode ser feita em assembleia
geral, por um lado, e por outro por via de acção intentada em tribunal, na qual
se apresentam fundamentos (como a má gestão, não actualização dos livros
da sociedade, etc).

2.12.6 Sociedade por quotas com um único sócio

Artigo 328

(Sociedade por quotas, unipessoal)

1. Qualquer pessoa singular pode constituir uma sociedade por quotas de


cujo capital, que constitui uma única quota, seja inicialmente o único
titular, que se rege pelas disposições deste capítulo e, com as
necessárias adaptações, pelas disposições aplicáveis às sociedades por
quotas.
2. As disposições do presente capítulo aplicam-se às sociedades por
quotas originariamente unipessoais, enquanto a uni-pessoalidade se
mantiver, e às sociedades por quotas supervenientemente unipessoais,
decorridos que sejam noventa dias sem ter sido reconstituída a
pluralidade de sócios.

Uma sociedade unipessoal por quotas é aquela que é criada por uma única
pessoa, detentor de todas as quotas. Pode acontecer, também, que uma
sociedade por quotas tenha começado por ter vários sócios com várias quotas,
mas que, à posteriori, ficou com um só sócio como detentor de todas as
quotas. Nestes casos, a sociedade pode também transformar-se em sociedade
unipessoal por quotas.

2.12.7 Sociedade anónima

Artigo 331

(Características)

Na sociedade anónima o capital é dividido em acções e cada sócio limita a sua


responsabilidade ao valor das acções que subscreveu.

A sociedade anónima é aquela em que geralmente há uma pluralidade de


sócios, e o capital da sociedade está dividido em acções. Cada acção tem um

63
certo valor e cada sócio só tem o dever de responsabilidade em relação às
acções que subscreve.

Artigo 333

(Conteúdo obrigatório do contrato de sociedade)

Observado o disposto no artigo 92 deste Código, do contrato de sociedade


devem especialmente constar:

a) O número e o valor nominal das acções;


b) As condições particulares, se existirem, a que fica sujeita a transmissão
de acções;
c) As categorias de acções criadas ou a criar, com indicação expressa do
número de acções e dos direitos atribuídos a cada categoria;
d) Se as acções são nominativas ou ao portador e as regras para as suas
eventuais conversões;
e) O montante do capital realizado e os prazos de realização do capital
apenas subscrito;
f) A autorização, se for dada, para a emissão de obrigações; g) a estrutura
de administração e fiscalização da sociedade

Artigo 334

(Aquisição da qualidade de sócio)

A qualidade de sócio adquire-se com a outorga do contrato de sociedade ou do


registo da deliberação de aumento de capital, não dependendo da emissão e
entrega do título de acção.

Artigo 336

(Subscrição e realização do capital)

1. A sociedade anónima só pode ser constituída mediante a subscrição da


totalidade do capital social, que deve estar realizado, pelo menos, em
vinte e cinco por cento.
2. Não haverá diferimento da realização do capital em espécie, nem do
pagamento do prémio de emissão, se a ele houver lugar, salvo o
disposto no no.6 do artigo 115.

Acções

Artigo 348

(Valor de emissão)

1. É proibida a emissão de acções por valor inferior ao seu valor nominal.


2. Os estatutos fixarão o número de acções em que se divide o capital
social da sociedade.
3. Quando as acções sejam emitidas por valor superior ao nominal, o ágio
realizado fica sujeito ao regime da reserva legal.
4. O preço de emissão das acções será fixado em assembleia geral.

Artigo 350

(Espécies de acções)

1. Salvo disposições diferentes da lei ou do contrato de sociedade, as


acções podem ser nominativas ou ao portador.
2. As acções devem ser nominativas:
a) Enquanto não estiverem integralmente liberadas;
b) Quando não puderem ser transmitidas sem o consentimento da
sociedade;
c) Quando os sócios beneficiarem do direito de preferência na sua
transmissão, nos termos regulados no contrato de sociedade;
d) Quando se tratar de acções cujo titular esteja obrigado, segundo
o contrato de sociedade, a efectuar prestações acessórias à
sociedade.

Artigo 351

(Categorias de acções)

As acções, tanto nominativas como ao portador, podem ser ordinárias ou


preferenciais.

65
Artigo

352 (Acções ordinárias)

As acções ordinárias são aquelas que asseguram aos seus titulares a plenitude
dos direitos de accionista, inclusive o de votar nas deliberações das
assembleias gerais e o de eleger os administradores da sociedade.

Artigo 353

(Acções preferenciais)

As acções preferenciais são aquelas que conferem aos seus titulares


dividendos prioritários em cada exercício, assegurados no artigo 356, e que
ultrapassem, de qualquer forma, os valores atribuídos a este título aos titulares
de acções ordinárias no mesmo período.

Administração

Artigo 418

(Composição do conselho de administração)

1. O conselho de administração é composto por um número ímpar de


membros, que podem ser ou não accionistas da sociedade.
2. O contrato de sociedade pode autorizar a designação de
administradores suplentes, até ao número máximo de três, cuja ordem
de precedência deve ser estabelecida na deliberação de eleição e que,
no silêncio desta, é determinada pela maior idade.

Artigo 419

(Um único administrador)

O contrato de sociedade pode clausular que a sociedade anónima tenha um só


administrador, que pode ser pessoa estranha à sociedade, desde que o capital
social não exceda quinhentos milhões de meticais; aplicam-se ao administrador
único as disposições relativas ao conselho de administração que não
pressuponham a pluralidade de administradores.
Artigo 420

(Duração do mandato e representação)

1. Os administradores são nomeados ou eleitos por um período de quatro


anos, salvo se o contrato de sociedade estabelecer um período mais
curto, podendo ser reeleitos uma ou mais vezes.
2. Findo o prazo do mandato, os administradores mantem-se em funções
até serem designados novos administradores.
3. É vedado aos administradores fazerem-se representar no exercício do
seu cargo, salvo em reuniões do conselho de administração e por outro
administrador, mediante carta dirigida ao órgão.
4. A sociedade, por intermédio do conselho de administração, tem a
faculdade de nomear procuradores para a prática de determinados actos
ou categorias de actos, sem necessidade de o contrato de sociedade
dispor nesse sentido.

Artigo 423

(Presidente do conselho de administração. Voto de qualidade)

1. O presidente do conselho de administração pode ser escolhido ou pelo


próprio conselho de administração ou ser designado pela assembleia
geral que proceda à eleição dos administradores, consoante o que for
determinado pelo contrato de sociedade.
2. O contrato de sociedade pode atribuir ao presidente do conselho de
administração voto de qualidade nas deliberações daquele órgão.

Artigo 427

(Negócios com a sociedade)

1. São nulos os contratos celebrados entre a sociedade e os seus


administradores, directamente ou por interposta pessoa, salvo se
tiverem sido previamente autorizados por deliberação do conselho de
administração, no qual o interessado não pode votar, e com o parecer
favorável do conselho fiscal ou do fiscal único.

67
2. A disposição anterior é extensiva a actos ou contratos celebrados com
sociedades que estejam em relação de domínio ou de grupo com aquela
de que o contratante é administrador.
3. O disposto nos nos.1 e 2 não se aplica quando se trata de acto
compreendido no próprio comércio da sociedade e nenhuma vantagem
especial advenha ou seja concedida ao contratante administrador.

Artigo 428

(Proibição de concorrência)

1. Aos administradores é vedado, sem autorização da assembleia geral,


exercer, por conta própria ou alheia, actividade abrangida pelo objecto
da sociedade.
2. O administrador que viole o disposto no número anterior, além de poder
ser destituído do cargo de administrador com justa causa, torna-se
responsável pelo pagamento de uma importância correspondente ao
valor do acto ou contrato ilegalmente celebrado.

Artigo 429

(Outras proibições do administrador)

1. É ainda vedado ao administrador:


a) Sem prévia autorização da assembleia geral ou do conselho de
administração, tomar por empréstimo recursos e bens da
sociedade, ou ainda usar os seus serviços e crédito, em proveito
próprio ou de terceiros, bem como receber de terceiros qualquer
modalidade de vantagem pessoal, em razão do exercício do seu
cargo;
b) Praticar actos de liberalidade às custas da sociedade, salvo
quando autorizado em reunião do conselho de administração e
em benefício dos empregados ou da comunidade onde actue a
sociedade, tendo em vista as suas responsabilidades sociais;
c) Deixar de aproveitar oportunidade de negócio do interesse da
sociedade, visando à obtenção de vantagens para si ou para
outrem;
d) Adquirir, objectivando revenda lucrativa, ou qualquer outro
benefício directo ou indirecto, bem ou direito que sabe necessário
à sociedade, ou que esta tencione adquirir.
2. O administrador eleito por grupo ou classe de accionistas tem, para com
a sociedade, os mesmos deveres que os demais administradores.

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