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Evicção

É a perda da posse, propriedade ou uso de determinado bem ou coisa. Ocorre


em razão de uma sentença judicial que atribui a terceiro, alheio à relação
obrigacional, os direitos sobre o bem que já lhe era devido antes de ter ocorrido
o negócio jurídico entre as partes. Nos contratos onerosos, o alienante
responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha
realizado em hasta pública.
Existe um paralelo entre a evicção e os vícios redibitórios. Enquanto os vícios
redibitórios são uma garantia da coisa em relação aos defeitos materiais, a
evicção é a garantia da coisa em relação aos defeitos de direito. O
fundamento em ambos é o princípio da garantia. Nos vícios redibitórios o
defeito é na coisa, enquanto na evicção é o defeito no direito. Imagine a
seguinte situação, você está procurando uma moto para comprar e se depara
com um anúncio de jornal. Então, entra em contato com o vendedor, analisa
suas possibilidades e fecha negócio. Pagamento efetuado, documento
transferido, tudo certo, porém, meses depois, você recebe uma intimação para
devolver a moto à outra pessoa. Pois, a moto era de terceiro e não da pessoa
que o vendeu.

A evicção ocorre quando quem comprou um bem ou está em uso de uma coisa


se vê obrigado a restituir a outro o bem ou a coisa, por força de sentença
judicial. Assim como no exemplo citado, que a pessoa compradora da moto foi
obrigada a devolvê-lo. 
Pode ocorrer a evicção quando por exemplo: 
 Valfran vende uma casa a Érica sem que tenha a posse ou a
propriedade do bem;  

 Bem foi penhorado por dívidas do vendedor; 

 O bem foi declarado de propriedade pública para desapropriação; 

 Elaine aluga um imóvel para Mariana, após um período, Maciel é


declarado proprietário do imóvel, Mariana pode promover ação contra
Elaine pela perda da locação.

As partes no processo de evicção são as seguintes:

 Alienante: aquele que aliena ou passa o domínio para outrem.


Este responde pelos riscos da evicção;
 Evicto: aquele que adquire o bem, ou seja, quem sofre a perda
do bem em evicção;
 Evictor: aquele que reivindica o bem, também é chamado de
terceiro.

São requisitos para evicção:

1. Perda
Quando há perda da coisa, seja de forma parcial ou total. Pode ocorrer de
forma parcial quando, por exemplo, há perda de 1/5 de um terreno adquirido,
existência de ônus real ou limitações administrativas. 

Este é tratado no artigo 455 do Código Civil, que conceitua que quando há
perda considerável o evicto poderá optar pela rescisão do contrato e a
indenização pela perda.

2. Onerosidade
Quando, em regra, há onerosidade na aquisição da coisa e pode ocorrer com
bens adquiridos em hasta pública.
A expressão “em regra” é utilizada pois, se admite evicção nos contratos
gratuitos, se deste contrato houver certa onerosidade, como por exemplo, na
doação de um terreno para que se construa um abrigo. 

3. Anterioridade
Acontece quando há anterioridade do direito do evictor. Nesse sentido, o
alienante responde pela perda decorrente de causa.

4. Ignorância do adquirente
Este acontece caso o adquirente souber do litígio. Porque presume-se que
assumiu o risco pela perda da coisa.

5. Sentença judicial 
Quando uma sentença judicial determinar o direito do terceiro. Parte da
doutrina admite a perda da coisa por ato de autoridade administrativa.

É importante ressaltar que, para que haja a evicção, todos os requisitos devem


ser preenchidos. Se houver a perda do objeto por fato alheio – caso fortuito ou
de força maior como furto, roubo ou perecimento da coisa na pendência da
lide, não será permitido ao adquirente demandar contra o alienante. 

Direitos do evicto
Quando há evicção total, ou seja, a perda do objeto ou da coisa, o alienante
deve ressarcir o adquirente (evicto):

I. a indenização a restituição do valor pago pela coisa a época que


venceu; 
II. indenização de frutos; 
III. benfeitorias necessárias ou úteis não abonadas ao evicto; 
IV. os prejuízos diretos do adquirente, como por exemplo, juros adquiridos
no empréstimo tomado para pagar o valor do bem.

Na evicção parcial, o evicto pode requerer a rescisão do contrato e a


indenização pela perda. No caso de existir interesse na continuidade do bem, é
possível requerer somente a indenização. E, por fim, se a perda não for
considerável, fará jus apenas a indenização.

Conclusão 
Dado o exposto, a evicção é a perda de determinado bem ou coisa em razão
de uma sentença judicial. Ocorre porque a propriedade, uso ou posse do bem
é, em verdade, um direito de um terceiro.
Além disso, a ação de evicção é uma garantia legal ofertada ao evicto, para
que ele possa recobrar o alienante após a perda da propriedade, posse ou o
uso do bem ou coisa. Esta tem prazo prescricional de três anos. Por fim,
salienta-se que na evicção o defeito está na titularidade do bem.