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INTRODUÇÃO:

A Igreja Adventista da Promessa nasceu na cidade de Paulista – Pernambuco, pelo


fato de o pastor João Augusto ter sido batizado com o Espírito Santo, no dia 24 de janeiro
de 1932.
A Igreja Adventista da Promessa se constitui a primeira igreja brasileira a crer e
pregar as “boas novas de salvação”, seguidas do batismo no Espírito Santo.
Em 26 de novembro de 1936 os irmãos do nordeste e do sudeste, reuniram-se e a
constituíram, com o nome de “ A Universal Assembléia dos Adventistas da Promessa”,
procedendo a seu registro no competente cartório de ofício. Em assembléia geral de julho
de 1943, em São Paulo- SP, teve seu nome substituído por Igreja Adventista da Promessa,
na forma apostólica, de governo eclesiástico, tendo como única regra e prática de fé cristã,
a Biblia Sagrada.
A Igreja possui hoje ( 2005 ), mais de 800 templos e salões de cultos ao Deus Trino,
espalhados pelos principais estados e cidades do País, dos quais a maioria é de imóveis
próprios. Hoje também com júbilo, podemos dizer que
Os países são E.U.A, Argentina, Chile, Portugal, Paraguai, Espanha, Moçambique,
Nigéria e El Salvador.
Neste trabalho porém, deteremo-nos sobre a questão da chegada da Igreja
Adventista da Promessa, na região sudeste do Brasil, ou seja, no Estado de São Paulo.

O CLAMOR DO SUDESTE DO PAIS

O acontecimento de 24 de Janeiro de 1932 teve grande repercussão no meio


Adventista do sétimo dia, principalmente entre crentes amigos e que fizeram parte do
rebanho pastoral de João Augusto, em Pernambuco.
O despertamento iniciou-se no nordeste do Brasil, na capital de Pernambuco e no
restante do estado, já com sessenta e duas pessoas batizadas no Espírito Santo, muitos
novos convertidos e outros que passaram a congregar-se com o novo grupo. Mesmo sem
ter, ainda, uma denominação oficial, esses irmãos estavam dispostos a seguir firmes em

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novo conhecimento daquilo que ouviram, viram e receberam, enquanto chamados
chegaram de várias partes.
Para apressar seu deslocamento ao sudeste do país, a família Monzilo, residente em
Itápolis, mandou-lhe certa importância. O pastor João Augusto conversou, então, com os
irmãos, orientou-os sobre como fazerem daí por diante, uma vez que a necessidade de se
atender ao chamado do sudeste, que se tornava um clamor, era urgente, e, quanto a isso,
houve compreensão por parte dos irmãos nordestinos.
A 12 de outubro de 1933, o pastor João Augusto se despediu dos irmãos em
Pernambuco, de sua esposa e de seus quatro filhos e seguiu viagem, com destino ao estado
de São Paulo. A viagem prolongou-se por oito dias, em virtude de se ter demorado no Rio
de Janeiro, mas, às 9h da manhã do dia 20, ele desembarcou do navio Itaimbé, no porto de
Santos, onde já o aguardava o irmão Manuel Caboclo. Depois dos cumprimentos, ambos
embarcaram num trem, com destino a Itariri, onde foi recebido com muita alegria, pelos
familiares do irmão Caboclo, que foi, também, mais tarde, batizado no Espírito Santo, a 9
de dezembro daquele ano.
O TRABALHO NO SUDESTE DO PAÍS EM ITARIRI

Os irmãos Pernambucanos que residiam em Itariri eram Adventistas do Sétimo dia,


já admoestados pelos seus lideres contra a doutrina do batismo no Espírito Santo, defendida
pelo pastor João Augusto. Havia, no entanto, muitos que queriam saber mais, e sempre
mais. Dentre esses, o irmão José Severino da Silva, grande oponente, ao contrário de sua
esposa, irmã Maria que era adepta das manifestações do poder de Deus. em 9 de dezembro
daquele ano (1933 ), essa irmã foi também batizada no Espírito Santo. Dias depois, o irmão
José Severino aceitou os princípios de fé cristã defendidos pela Igreja Adventista da
Promessa, nos quais permaneceu firme até a sua morte, em 18 de abril de 1953.
Os primeiros batizados no Espírito Santo foram, então, os irmãos Manoel Caboclo e
Maria Severino, no sábado, 9 de dezembro de 1933, logo após o culto. Acontecimento
idêntico aconteceu nesse dia, duas horas depois, durante a escola bíblica, em Itápolis,
quando o irmão Joaquim Cunha foi igualmente contemplado com a mesma bênção
celestial.

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O pastor João Augusto passou dez dias em Itariri, onde deixou alicerçada a
mensagem por ele agora defendida. Outros lugares o aguardavam ansiosos e ele para lá se
dirigiu.

A IGREJA EM ITÁPOLIS

No dia 31 de outubro de 1933, o pastor João Augusto seguiu para Itápolis, passando
pela cidade de São Paulo. Em Itápolis, João Augusto conhecia o irmão Manoel Jurema e o
pastor João Cavalcanti Netto, responsável pelo trabalho local.
É interessante notar a coincidência de números, em diferentes instantes, para a
decida miraculosa do Espírito Santo: no Cenáculo, para os cento e vinte, Ele veio cinqüenta
dias após a ressurreição de Jesus; para esse novo grupo de fiéis seguidores de Jesus Cristo,
o fato se deu cinquenta dias após o desembarque do pastor João Augusto, no porto de
Santo, a vinte de outubro de 1933 .

A primeira reunião promovida pelo pastor João Augusto, em Itápoles, foi num salão
Adventista do Sétimo Dia. A segunda realizo-se num salão da Igreja Presbiteriana,
bondosamente cedida pelo seu diretor.

O pastor João Augusto chegou a Itápolis no dia primeiro de novembro. Embora


fossem conhecidos e amigos, o pastor J.C. Netto não via com bons olhos a presença de João
Augusto, em virtude de este não mais pertencer ao movimento Adventista do Sétimo Dia.

No sábado, todos se dirigiam ao salão de culto dos Adventistas do Sétimo Dia.


Iniciou-se a escola sabatina e , logo a seguir, o culto divino. O Pastor responsável convidou
o pastor João Augusto para sentar-se ao seu lado, próximo ao púlpito. Já sentados e a voz
baixa, o pastor J.C. Netto disse: “ o irmão sabe, nós somos conterrâneos e os irmãos aqui
querem vê-lo falar. O senhor têm uns vinte minutos”.

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Ao usar da palavra, o pastor Cavalcanti colocou sobre a mesa diversos livros da
senhora Helem White e começou a mostrar, com ênfase, os bens e valores que sua igreja
possuía, dizendo que tudo aquilo era obra e fruto do Espírito Santo. Todos olharam,
piedosamente para a pastor João Augusto pensando certamente, em sua derrota.

A Refutação do pastor João Augusto ( MPC. Páginas 70 e 71.)


Outros debates em Itápolis (página 72).

VILA SALES

A chegada em vila Sales.


Cheguei em Vila Sales no mesmo dia em que eu deixei Itápolis, em 16 de janeiro de
1934. Do outro lado do rio Tietê, está vila Sabino, também entre as duas estradas de ferro
Douradense e Noroeste do Brasil. Em ambas as vilas moravam famílias despertadas pelo
irmão Caetano de Lima, Adventistas e católicos; famílias representadas pelos seguintes
chefes: Sebastião Pinto da Costa, Bertolino Pinto da Costa e Adelaide; José Gales, Amaro
Tavares, Caetano de Lima, João Martins e mais alguns interessados.
Passei com aquelas famílias doze dias, dando-lhes instruções sobre a promessa do
Espirito Santo, do era participantes os irmãos domiciliados em Itariri e Itápolis, desde o dia
9 de dezembro de 1933. Durante os doze dias em que estive entre as duas vilas, promovi
duas noites de vigília.
Vila Sales foi o centro da irradiação. O movimento promessista encontrou solo
fertilíssimo nessa cidade e em seus arredores. Novo Horizonte ficava de um lado, sendo
que o grupo de Adventistas de lá havia aderido ao movimento promessista, por influência
dos irmãos de Itápolis e de Roseirinha. Barra Mansa, do outro lado, com várias famílias
católicas, despertadas pelos irmãos de vila Sales, fazia causa comum nas vigílias que eram
celebradas alternadamente, nos quatro lugares mencionados.
A irradiação de vila Sales penetrou até Vila Mendonça, onde lançou ramagem que,
por muitos anos, floresceu, com o mesmo fulgor de Vila Sales. Enquanto isso, o irmão José
Lau, vindo dos lados da araraquarenses, em visita ao Novo Horizonte, volta a Nova
Granada convicto da doutrina sobre o batismo no Espírito Santo, passou a pregar no grupo

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Adventista de Corredeira, o qual aceitou no seu todo a doutrina cristã, pregada pelos
Adventistas da Promessa.
Da cidade de Vila Mendonça, a mensagem partiu para o estado do Paraná, com a
mudança dos irmãos Juvercino Amâncio e Maria Tereza, para Rolândia, no estado do
Paraná.

CHEGADA A MARÍLIA

Minha quarta jornada tem seqüência para Marília. Como já mencionei, minha ida a
Marília visava, exclusivamente, visitar o irmão José Tavares, meu concunhado, e
pernambucanos, velhos conhecidos, pois meu desejo, uma vez que já me tinha desobrigado
do dever e estava começado, era voltar para Pernambuco. Fiz ciência disso ao irmão
Caetano de Lima, que me guiou até Marília. Pretendia passar ali somente quatro dias, ao
término dos quais voltaria a Recife, vai Vila Sales, Itápolis, S. Caetano do Sul, Itariri e Rio,
de onde pretendia tomar o navio.
Partindo de Vila Sales, chegamos a Marília no dia 4 de fevereiro de 1934. Era a
primeira vez em que viajava na estrada de ferro da Cia. Paulista. Cheguei à casa da irmã
Alexandrina de Carvalho, e já sabia que o pastor Ennis Moore havia posto de sobreaviso os
irmãos Adventista do grupo de Marília, quanto à minha maneira de crer.
O irmão Caetano de Lima levou-me a casa da irmã Alexandrina, onde deveria
deixar a mala a seguir ao sítio Barroção, nove quilômetros de Marília, á casa do irmão José
Tavares. Suponha eu que seríamos friamente recebidos, mas o afago com a família
Carvalho foi surpreendente, pois ela não consentiu que depois de tão longa jornada, desde
Vila Sales, tivéssemos ainda de andar a pé aquela distância, o que seria possível na manhã
seguinte.
No dia 5 de fevereiro, o irmão Amaro Tavares me conduziu á casa do irmão, pois o
irmão Caetano de Lima tinha negócios a realizar em Marília. Não obstante eu conhecer os
quanto era amável o casal de parentes, suponha que seria recebido com a devida cautela.
Como na casa da irmã Alexandrina, tive, também, idêntico bom acolhimento.

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Como possivelmente não houvesse motivo para ainda nos vermos, chamei o irmão
Tavares e disse-lhe: “tenho um recado a dar-lhe. Sentir-me-ia infeliz se me ausentasse sem
que dele você fosse sabedor”. Tomei a bíblia e ministrei-lhe, demorada e
convenientemente, o estudo do batismo no Espírito Santo. Anexei a experiência de pessoas
do seu conhecimento, que já haviam recebido essa bênção, tanto em Pernambuco como em
Itápolis e Itariri.
Quedaram-se taciturnos os irmãos Tavares, e, logo após, o irmão José disse: “A
doutrina, tal como nos foi agora ministrada, é certa, mas ela deveria vir por dentro da igreja,
e você está pregando por fora”. “Aparentemente sim”, respondi-lhe. “Entretanto, vejamos:
uma coisa, irmão Tavares, é estar fora da organização e compreender essa forma de vida e
suas finalidades, e outra, bem diferente, é estar dentro da organização, isso é, desta forma
de vida, sem conhecer suas finalidades.

A FAMÍLIA SILVEIRA MUDOU-SE


DEFINITIVAMENTE PARA O SUDESTE

Em 1937, a família silveira mudou-se definitivamente para o sudeste, fixando


residência em São Caetano do Sul – SP, ao lado do salão de cultos dos novos adeptos,
anteriormente descritos. Muitas reuniões fervorosas ali foram realizadas e diversas pessoas
se converteram a Jesus Cristo.
O salão localizava-se à rua Amazonas e mudou-se, depois, para a Rua Manoel
Coelho, 136, onde começaram a funcionar o primeiro escritório, durante a semana, e, aos
sábados, as demais atividades de louvor e adoração a Deus.