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DIREITO

CONSTITUCIONAL III
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

CONTROLE CONCENTRADO

PROF.ª LETÍCIA KREUZ


LETICIAKREUZ@GMAIL.COM
REQUISITOS DO CONTROLE

Requisitos formais: adequação ao procedimento disposto


pela Constituição
- Subjetivos: atenção ao poder de iniciativa legislativa
- Objetivos: atenção às fases constitutiva e complementar
(quorum, votação em dois turnos no caso das
emendas...).

Requisitos substanciais: adequação ao conteúdo da


Constituição
CONTROLE CONCENTRADO

Abstrato, via de ação direta

Surgiu no Brasil com Emenda 16/65 à Constituição


de 1946, inicialmente com a legitimidade exclusiva
do Procurador-Geral da República. Ação direta de
inconstitucionalidade interventiva desde a
Constituição de 1934.
CONTROLE CONCENTRADO

Obtenção da declaração de inconstitucionalidade da lei


ou do ato normativo em tese, abstratamente (sem caso
concreto), para invalidar a lei.

A declaração de inconstitucionalidade (ou da


constitucionalidade) é o objeto principal da ação.

Competência do STF.
CONTROLE CONCENTRADO

OBJETO: Lei ou ato normativo federal, estadual ou


distrital (no exercício de competência equivalente a dos
estados-membros), editados posteriormente à
Constituição (se anteriores, recepção ou revogação) e que
ainda estejam em vigor (exceção, pelo STF, para a
argüição de descumprimento de preceito fundamental,
em casos específicos).

Decisão com efeitos vinculantes.


Podem ser objeto de controle concentrado emendas à
Constituição (não normas constitucionais originárias)
resoluções administrativas dos Tribunais de
Justiça, dos Tribunais Regionais do Trabalho (salvo
convenções coletivas de trabalho), decretos
autônomos, resoluções do TSE com caráter
normativo e geral (não as respostas às consultas),
medidas provisórias, tratados internacionais.
Não é possível o controle concentrado das súmulas.
LEIS MUNICIPAIS E ESTADUAIS

Controle concentrado de lei municipal ou estadual


em face da Constituição estadual – competência do
Tribunal de Justiça.

Controle de lei municipal contrária à Constituição


federal só por via de exceção ou por ADPF (Lei n.
9882)
LEIS MUNICIPAIS E ESTADUAIS

Art. 1o A argüição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição


Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal,
e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito
fundamental, resultante de ato do Poder Público
Público.
Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento
de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia
constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou
municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
LEGITIMADOS

Legitimação ativa universal:

a) Presidente da República
b) Mesa do Senado Federal
c) Mesa da Câmara dos Deputados (mesa do Congresso não tem
legitimidade)
d) Procurador-Geral da República
e) Conselho Federal da OAB
f) Partido político com representação no Congresso (representação
auferida no momento de propositura da ação).
LEGITIMADOS

Outros legitimados:

a) Mesa da Assembléia Legislativa (pertinência temática)

b) Governador do Estado (pertinência temática)

c) Cconfederação sindical ou entidade de classe de âmbito


nacional (pertinência temática e categoria profissional).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal,


precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato


normativo federal ou estadual e a ação declaratória de
constitucionalidade de lei ou ato normativo
federal; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993)
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Objetivo: impedir que a norma contrária à Constituição


permaneça no ordenamento jurídico.

Supremacia da Constituição

Segurança Jurídica

AGU: legitimidade passiva de defender a norma

Causa petendi aberta


AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Insuscetível de desistência (princípio da indisponibilidade do


interesse público).

Alcança apenas a exclusão da norma, não podendo a substituir.

Possibilidade de cautelar (STF admite, excepcionalmente, efeitos


ex tunc nas cautelares), concedida pela maioria absoluta.

Oitiva do advogado-geral da União (que obrigatoriamente deverá


defender a constitucionalidade da lei) e do Procurador-Geral da
República (ainda que autor da ação).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Não se sujeita à observância de prazo decadencial ou


prescricional (atos inconstitucionais não se convalidam).

Procedimento estabelecido na Lei 9.868/99 – indicação do


dispositivo da lei ou do ato normativo impugnado,
fundamentos jurídicos, procuração com poderes especiais e
expressos.

Amicus curiae (manifestação de outros órgãos ou entidades


para auxiliar na instrução do processo, pertinência temática).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Manifestação do Procurador-Geral (que pode manifestar-se


pela improcedência mesmo se autor da ação em face da
independência funcional).

Quorum de 8 ministros para instalar a sessão

Declaração de inconstitucionalidade por maioria absoluta

Vinculação ao pedido mas não à causa de pedir


(poderá declarar a inconstitucionalidade por fundamentos
diversos dos apresentados na inicial).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Possibilidade de um procedimento mais célere se houver


pedido de cautelar.

Impossibilidade de rescisória.

Efeitos: retroativos e erga omnes, alcançando sentenças


judiciais transitadas em julgado (STF – cabe rescisória das
decisões transitadas em julgado, obedecendo ao princípio da
máxima efetividade das normas constitucionais e prevalência
da orientação fixada pelo STF).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Possibilidade de um procedimento mais célere se houver


pedido de cautelar.

Impossibilidade de rescisória.

Efeitos: retroativos e erga omnes, alcançando sentenças


judiciais transitadas em julgado (STF – cabe rescisória das
decisões transitadas em julgado, obedecendo ao princípio da
máxima efetividade das normas constitucionais e prevalência
da orientação fixada pelo STF).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Modulação de efeitos – excepcionalmente, por razões de


segurança jurídica ou de excepcional interesse social, por
decisão expressa de dois terços dos membros, o STF poderá
restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade,
do trânsito em julgado ou de outro momento fixado, entre a
edição da norma e a publicação oficial da decisão (ou ainda,
dando um prazo para que o Congresso regularize a situação
legal, declarando a inconstitucionalidade sem pronúncia da
nulidade da lei).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Modulação de efeitos – excepcionalmente, por razões de


segurança jurídica ou de excepcional interesse social, por
decisão expressa de dois terços dos membros, o STF poderá
restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade,
do trânsito em julgado ou de outro momento fixado, entre a
edição da norma e a publicação oficial da decisão (ou ainda,
dando um prazo para que o Congresso regularize a situação
legal, declarando a inconstitucionalidade sem pronúncia da
nulidade da lei).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Efeitos vinculantes para a declaração de


constitucionalidade ou de inconstitucionalidade,
interpretação conforme a Constituição e declaração
parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto
(significado e alcance da norma) – órgãos do Poder
Judiciário (também ratio decidendi), Administração
Pública, mas não ao Poder Legislativo. Não vincula o
próprio STF.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

ADI 3510 – Lei de Biossegurança.

Inconstitucionalidade por arrastamento.

ADI 3937 – Amianto. Lei estadual de São Paulo


proibindo, lei federal autorizando uso moderado. Lei
Federal 9.055/95. Declara constitucional a lei estadual e,
por arrastamento, inconstitucionalidade da lei federal.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

A decisão que indefere a ADI tem significado


positivo. Ela declara a lei ou o ato normativo
constitucional, com efeito erga omnes e vinculantes.
ADI e ADC são ações dúplices e de efeitos contrários
Decisão final da ADI é irrecorrível, cabendo apenas
embargos de declaração
Decisão não faz coisa julgada material