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Poder Judiciário da União

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

3VAFAZPUB
3ª Vara da Fazenda Pública do DF

Número do processo: 0704119-05.2021.8.07.0018

Classe judicial: AÇÃO POPULAR (66) - DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE


DIREITO PÚBLICO (9985)

AUTOR: TERESINHA MONTEIRO OLIVEIRA, MARIVALDO DE CASTRO PEREIRA, RUBENS


BIAS PINTO, MARIA FATIMA DE SOUSA

REU: DISTRITO FEDERAL, SECRETARIO DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL,


GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, OSNEI OKUMOTO, DIRETOR(A) DO HOSPITAL
REGIONAL DO GUARÁ

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA

Vistos etc.

Trata-se de Ação Popular com pedido de Tutela de Urgência ajuizada por MARIVALDO DE CASTRO PERE
, TERESINHA MONTEIRO OLIVEIRA, RUBENS BIAS PINTO e MARIA FÁTIMA DE SOUSA em face d
DISTRITO FEDERAL, do Senhor GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL e do Senhor SECRETÁRIO
ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL, buscando, liminarmente, seja determinada a edição de um
calendário de vacinação contra a Covid-19 pelo Governo do Distrito Federal, definindo quem será vacinado e a data
prevista para a imunização da população.

Narram que, em 18/06/2021, o Governador IBANEIS ROCHA JÚNIOR deu entrevista ao Jornal Correio
Braziliense afirmando que não pretende anunciar um calendário para a vacinação da população do Distrito Federal
contra a Covid-19, optando por decidir a destinação das vacinas de acordo com as remessas encaminhadas pelo
Governo Federal.

Segundo os autores, a vacinação no Distrito Federal se utiliza, para fins de distribuição das doses estocadas,
critérios definidos sem qualquer transparência ou base técnicas e científicas.

Citam a matéria jornalística publicada no dia 12/06/2021 pelo Jornal O Estado de São Paulo no sentido de que o
governador se utiliza das vacinas para fazer barganha política, configurando atentado à saúde da população do Distr
Federal.

Asseguram que o calendário e o plano de vacinação constituem elemento essencial para o exercício de controle da
população dos atos governamentais, na condução da gestão da pandemia. Sem isso, afirmam ser impossível avaliar
legalidade das decisões tomadas pelo Governo do Distrito Federal e verificar se o interesse público está sendo
observado.

Número do documento: 21070807562974000000090549344


https://pje.tjdft.jus.br:443/consultapublica/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=21070807562974000000090549344
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Apresentam o fato de outros Governadores e Prefeitos estarem trabalhando para antecipar a vacinação contra
Covid-19 em toda população, sendo a existência de um calendário imprescindível para que a população tenha acess
informações.

Na ausência de um calendário, ressaltam que a decisão sobre quem e quando vacinar fica integralmente nas m
do Governador do Distrito Federal, o qual tem tomado decisões sem apresentar argumentos técnicos ou científicos e
sem a oitiva do Conselho Distrital de Saúde.

Acentuam que a estratégia adotada pelo Governador do Distrito Federal – de recusar a edição de um calendár
de vacinação contra a Covid-19 – tem como objetivo concentrar poderes absolutos em suas mãos e inviabilizar
qualquer tipo de controle interno, externo e social, situação absolutamente ilegal e incompatível com o Estado
Democrático de Direito.

Reportam-se a adoção de decisões que têm privilegiado a população mais rica do Distrito Federal, em detrime
da população mais pobre – que concentra as principais vítimas da Covid-19 – de acordo com a afirmação dos
pesquisadores da UnB, transcrita na matéria citada “a cobertura chega a 20% no Plano Piloto” porém, “não passa de
em Samambaia, região administrativa com renda menor”, demonstrando que o interesse público não está prevalecen
nas decisões adotadas na definição dos grupos a serem vacinados.

Garantem que a ausência de um calendário de vacinação previamente estabelecido impede que a população discuta
critérios e fundamentos adotados para a eleição desses grupos e as mudanças efetivadas.

Destacam o cabimento da presente Ação Popular, considerando a possibilidade de sua propositura em face da
prática de atos comissivos ou omissivos que violem a moralidade administrativa e causem prejuízo ao patrimônio
público, sendo este o caso, em razão da lesão à moralidade administrativa pelo Chefe do Poder Executivo Distrital a
recusar a publicar um calendário de vacinação contra a Covid-19 e submeter a gestão da vacinação ao controle inter
externo e social, inerente ao Estado Democrático de Direito, indicando o disposto no artigo 37 da CF.

Discorrem sobre a possibilidade de utilização da presente ação para correção da atividade da Administração,
quando omissa em seu mister constitucional a fim de obrigá-la a atuar, devendo os dispositivos serem interpretados
sempre na máxima amplitude da tutela dos bens jurídicos protegidos, visto o entendimento doutrinário e jurispruden
de que a ação popular se insere no chamado microssistema da tutela jurisdicional coletiva.

Ratificam ser direito da população saber a data provável da vacinação, bem como obter informação sobre a
antecipação ou o atraso no cumprimento do calendário, sendo dever do Governo do Distrito Federal prestar contas
acerca do avanço da vacinação.

Afirmam estarem presentes o perigo de dano e o risco ao resultado útil do processo, pois a população do Dist
Federal não tem nenhuma perspectiva de quando será vacinada, enquanto assiste à antecipação dos calendários de
vacinação contra a Covid-19 em outras unidades da federação.

Asseveram que a publicação do calendário de vacinação permitirá à população avaliar os atos governamentais na
condução da campanha, a observância da ordem de vacinação e a consonância das decisões nos termos do artigo 37
Constituição Federal, sendo necessário o GDF dar transparência de seus atos, sendo urgente e imprescindível uma
previsão para aqueles que aguardam ansiosamente o momento da vacinação.

Postulam a concessão do pedido liminar para que seja determinado ao Governo do Distrito Federal a edição de um
calendário de vacinação contra a Covid-19, definindo as pessoas e a data prevista para a vacinação.

No mérito, pedem a confirmação da liminar, com a procedência do pedido nos seus respectivos termos, com a
condenação dos réus ao pagamento de custas, despesas processuais e honorários de sucumbência.

Protestam pela produção de todas as provas em direito admitidas.

Deram à causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

Número do documento: 21070807562974000000090549344


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Facultei a oitiva prévia do Senhor Governador do Distrito Federal, do Senhor Secretário de Estado de Saúde do Dis
Federal e do Distrito Federal, no prazo de 72 (setenta e duas) horas, acerca do pedido de liminar. Após, ao Ministéri
Público, no mesmo prazo (ID 95782021).

Manifestação do Distrito Federal (ID 96247955). Preliminarmente, levanta inadequação da via eleita ao argumento
que a Ação Popular sempre terá por objeto a declaração de nulidade de uma atuação (comissiva ou omissiva) que te
lesionado os seguintes e específicos interesses difusos: a moralidade administrativa, o meio ambiente ou o patrimôn
histórico e cultural, não sendo a pretensão deduzida pelos autores.

Assegura que, embora os autores populares tenham apontado para o manejo da presente demanda suposta atuação
lesiva à moralidade administrativa, em verdade pretendem o estabelecimento de política pública de saúde, isto é, um
escolha governamental dentre as diversas já adotadas pelo Distrito Federal para o enfrentamento dos efeitos da
pandemia da Covid-19.

Considera ser a principal pretensão dos autores interferir nos critérios de vacinação, se tratando, portanto, de matéri
atinente à saúde pública e não à moralidade administrativa, não sendo a ação popular o instrumento adequado para t
questionamentos.

Neste ínterim, postula o reconhecimento da inexistência de interesse de agir, em face da inadequação da via eleita, e
extinção do processo, nos termos do artigo 485, inciso VI, do Código de Processo Civil.

Sobreleva serem os imunobiológicos contra a Covid-19 utilizados pelo Distrito Federal provenientes do Programa
Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS), que coordena todas as ações de vacinação no território
nacional, sendo certo que, além de receber os imunizantes, segue todas as normativas do programa, o que se estende
para a vacinação contra a Covid-19.

Avulta que o próprio col. Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADPF nº 770, reconheceu a existência de um
federalismo de cooperação entre a União, os Estados e o Distrito Federal. No mesmo sentido, destaca que a SES-DF
seguir as diretrizes nacionais e que as vacinas serão fornecidas pelo Ministério da Saúde.

Enfatiza a elaboração de cronograma de vacinação ser ato que não pode ser produzido, sponte propria, pela Secreta
de Saúde do Distrito Federal, eis que depende das remessas efetuadas pelo Ministério da Saúde para que, só então,
possa vislumbrar os grupos que receberão os imunizantes.

Também menciona que não cabe razão aos autores populares ao alegarem a abusiva ausência de critérios técnicos p
vacinação, pois são pautados inicialmente pelo Ministério da Saúde.

Quanto à denominada “xepa” a que os autores se referem, informa que o Comitê Gestor de Operacionalização da
Vacinação contra a Covid-19/SES/DF expediu Circular nº 46/2021 que disciplina, de forma técnica e, sobretudo,
isonômica, os critérios que deverão ser observados, evidenciando, assim, a tecnicidade adotada pela SES/DF, diante
necessidade de observação das remessas dos imunizantes pelo Ministério da Saúde e da publicidade e transparência
divulgação das vagas existentes para imunização.

Sob outro prisma, sustenta que os autores se resumem a apontar uma suposta lesão advinda da não divulgação do
cronograma de vacinação sem que demonstrem, no entanto, eventual ilegalidade em tal atuação, visto que, desde o
início do processo de imunização da população, vem o Distrito Federal agindo com bastante transparência, em crité
legais e científicos, divulgados para a população por meio do seu “Plano Estratégico e Operacional de Vacinação co
a Covid-19”.

Em sede de imunização de uma população, certifica que diversas informações e dados científicos são levados em
consideração, desde a situação imunológica e clínica dos cidadãos, das situações de vulnerabilidade (biológica e
social), chegando à consideração das diversas implicações epidemiológicas, além da eleição dos critérios técnicos
atenderem às normas e os princípios constantes do texto constitucional.

Verbera,especificamente à transmissibilidade do vírus da Covid-19, que a existência de extremas desigualdades ent


cidadãos é evidente, pois há indivíduos mais expostos ao contágio em razão das atividades essenciais por estes
desempenhadas (é o caso dos profissionais de saúde, por exemplo); há outros ainda que são biologicamente mais

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suscetíveis ou frágeis (surgindo os denominados grupos de risco); e também grupos com elevado risco de óbito e/ou
hospitalização, bem como outros com elevada vulnerabilidade social.

Neste norte, garante que estão buscando a melhor solução a fim de que as vacinas sejam distribuídas de forma a
minimizar as desigualdades entre os indivíduos, com planos de vacinação elaborados tanto pelo Ministério da Saúde
quanto pelo Distrito Federal.

De outra parte, endossa que, dentro da esfera deferida pelas normas e parâmetros constitucionais, tem o Poder
Executivo (formado por representantes do povo eleitos democraticamente) um âmbito de decisão política em que nã
pode interferir o Poder Judiciário para estabelecimento de prioridades em dissonância com as políticas públicas já
adotadas pelo Poder Público na área da saúde.

Ressalva competir somente ao Poder Executivo, por meio de sua Secretaria de Estado de Saúde, estabelecer a melho
política pública de saúde que, a um só tempo, atenda aos princípios constitucionais da integralidade e da universalid
do SUS e, ainda, seja realizável e factível, sobretudo em cenários de escassez.

Frisa que, embora caiba, em tese, o manejo de ação popular para o questionamento de eventuais omissões do Poder
Público, é necessária a demonstração de uma omissão injustificável do Poder Executivo e, no caso ora em exame, n
há omissão alguma por parte do Poder Público.

Requer o indeferimento da tutela de urgência postulada, porque somente o Distrito Federal, por meio de sua Secreta
de Saúde, possui legitimidade e autonomia no estabelecimento de suas políticas públicas de saúde.

O Senhor Governador do Distrito Federal prestou informações por meio do Ofício nº 145/2021 – GAG/GAB, de 01
julho de 2021 (ID 96345490). Aduz que o GDF tem envidado esforços na gestão da crise sanitária causada pela
Covid-19, com ações preventivas e estruturação de equipamentos públicos e serviços de saúde para a população,
incluída a vacinação. Para a imunização da população, assegura seguir o Plano Nacional de Vacinação do Ministéri
Saúde, no qual se encontram estabelecidos os grupos prioritários e a população estimada.

Consigna a autonomia dos entes locais para adoção de medidas sanitárias, amparada na competência concorrente
confirmada pelo STF na ADI nº 6.341, e que a inclusão de outras categorias profissionais e grupos prioritários se dá
função das características e peculiaridades da população do Distrito Federal, com a finalidade de atender o interesse
público e com o objetivo de serem retomadas as atividades o mais rápido possível, principalmente as educacionais,
ressaltando que todas as decisões são baseadas em orientações da SES, a partir de reuniões diárias.

Acautela a inviabilidade do cumprimento de um calendário pelo Distrito Federal, pois o controle e a distribuição da
vacinas são feitos pelo Governo Federal e, ainda, que a disponibilização das quantidades de vacinas e a data que são
enviadas pelo Ministério da Saúde são feitas com menos de 24 horas da referida data.

Expressa não ser possível sequer falar em um calendário, porque seria irresponsabilidade do Distrito Federal divulg
datas com a certeza de que poderiam ser modificadas semanalmente, o que traria mais ansiedade e tristeza a popula

Sublinha que alguns Estados e Municípios anunciaram calendários de vacinação, mas se tratam de documentos
hipotéticos, sem respaldo em previsões e informações oficiais pelo gestor federal que garantam que os imunizantes
serão recebidos nas datas fixadas, tanto é que os calendários publicados têm sido descumpridos e constantemente
alterados, conforme noticiam os jornais de grande circulação. Colaciona matérias jornalísticas nesse sentido.

Por fim, realça que, na data de 01/07/2021, o DF já ter 983.368 pessoas vacinadas com a primeira dose (32,68% da
população), 339.713 com ambas as doses (11,29% da população) e 15.241 com dose única (0,5% da população). Al
disso, no critério de idade, o Distrito Federal está vacinando pessoas de 46 anos ou mais, na linha das grandes cidad
do país.

Transcorreu in albis prazo para o Senhor Secretário de Estado de Saúde do Distrito Federal apresentar manifestação

O MPDFT não se manifestou.

Os autos vieram conclusos.

Número do documento: 21070807562974000000090549344


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É o RELATÓRIO. DECIDO.

Da Competência

Entendo, de início, ser a Justiça Comum do Distrito Federal competente para processar e julgar a presente Ação
Popular, em face de seu objeto. A pretensão se funda na desconformidade contra ato omissivo do Governo do Distr
Federal, o qual não editou um calendário de vacinação contra a Covid-19.

Nesses termos, pretendem os autores seja definido quais pessoas serão vacinadas e a data prevista para a vacinação,
alterando os critérios já estabelecidos, viabilizando, assim, o controle interno, externo e social sobre a condução da
vacinação no Distrito Federal e que, em tese, a suposta omissão do Poder Público estaria violando os princípios
administrativos.

De conhecimento, o plenário do col. Supremo Tribunal Federal já consolidou o entendimento da competência dos e
federados para adotar medidas sanitárias, especialmente no trato da pandemia, em decorrência da competência
concorrente (ADI nº 6.341/2020). Dessa forma, tratando-se de matérias referente à pandemia no Distrito Federal, a
Justiça Comum do DF, esta é a competente para apreciar o caso concreto.

Por oportuno, ainda no tema de competência, urge uma questão relevante, mormente nos dias atuais. Ora vem uma
decisão de juiz de Vara de Fazenda Pública do TJDFT ou do próprio Tribunal, ora uma decisão de juiz federal do
TRF-1 do DF, ou também do próprio Tribunal Federal acerca da pandemia. Enfim, temos duas justiças competentes
mesmo objeto, isto é, tratando-se de pandemia, covid-19, temos duas justiças julgando? Isso é normal? Não me pare
seja o mais acertado.

Ainda, em alguns casos, a Defensoria Pública da União e/ou o Ministério Público Federal ajuízam ações na Justiça
Federal pertinente à pandemia, contra o Distrito Federal. Recentemente a OAB/DF. Para sustentar a competência
invocam a sua qualidade de parte autora e/ou também incluem a União no polo passivo e, às vezes, uma autarquia
federal ou empresa pública federal.

Igualmente, a própria OAB/DF, não raras vezes, ajuíza Ação Civil Pública contra o Distrito Federal nas Varas de
Fazenda Pública do DF, mas não altera a competência em razão da parte autora ser uma autarquia federal. Ou seja,
fato da OAB/DF ser federal não tira a competência da Justiça do DF, prevalecendo, neste caso, a qualidade do réu
(competência funcional), e não da autora (autarquia federal). Esses entes federais, não raras vezes também ajuízam
ações em consórcio ativo com os estaduais, mas sempre prevalecendo a competência da justiça estadual. Não há
deslocamento.

Data venia, a Justiça Comum Federal é manifestamente incompetente para julgar matérias contra o Distrito Federal
relativas à pandemia. Primeiro, porque prevalece a competência funcional em relação ao Distrito Federal, em razão
pessoa, independentemente da qualidade da parte autora. Por segundo, a União não deve estar no polo passivo,
somenos uma autarquia federal ou empresa pública federal, forçando uma competência inexistente. Isso porque qua
totalidade das normas gerais, sobre qualquer assunto, são de competência da União.

Imaginemos nesta ação. Poderia se colocar a União no polo passivo sob o enfoque de que lhe compete editar norma
gerais sobre saúde pública e distribuir as vacinas aos Estados e Municípios via Ministério da Saúde; e a ANVISA, u
autarquia federal, visto que tem competência para exercer a fiscalização das regras nacionais atinentes às vacinas. Is
é, tudo indiretamente, ou por via reflexa, tem interesse da União, ou da sua administração indireta, o que difere de
interesse jurídico.

O Distrito Federal tem Poder Legislativo, Executivo e Judiciário próprios e independentes, tal como os demais ente
federados. A prevalecer esta linha de entendimento que vem seguindo a Justiça Federal do DF, posto que vem
conhecendo da legitimidade passiva da União, e seus entes da administração indireta, todas as ações relativas
pandemia, no Brasil inteiro, são da sua competência, não se podendo escolher qual Estado se aplica esta regr
inclusão da União em demandas notadamente locais, da competência da justiça estadual, tal como a do DF. S
União deve estar no polo passivo nas demandas relativas à pandemia no Distrito Federal quando este for par

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também deve estar neste polo em todas demandas dos demais Estados da Federação, o que soa absurdo.
Imaginemos que, a prevalecer esta tese, possam todos os juízes estaduais do País declinarem da competência
para julgar ações de saúde para a Justiça Federal. O raciocínio é o mesmo, isto é, transporte também é da
competência da União, como esporte, educação etc. E assim vai.

O certo é que não se pode pinçar tipos de ações sob o enfoque de forçar integrá-las partes que não se relacion
com o direito material postulado, burlando regras básicas de competência absoluta, violando frontalmente o
princípio do juiz natural.

Preciso rememorar que a Justiça Federal é Justiça Comum, tal como a dos Estados e do DF. No Distrito Federal, ain
tem a peculiaridade de que a justiça pertence ao Poder Judiciário da União, em outras palavras, são também juízes
federais com competência estadual. E as justiças tanto do DF como a Federal pertencem ao ramo da justiça comum.

Aparadas essas arestas, firmo a competência para processar e julgar o feito.

Da Preliminar de Inadequação da Via Eleita levantada pelo DF

O Distrito Federal, em petição de ID 96247955, levanta a preliminar de inadequação da via eleita ao argumento de q
embora os autores populares tenham apontado para o manejo da presente demanda suposta atuação lesiva à moralid
administrativa, em verdade pretendem interferir nos critérios de vacinação, portanto, em matéria atinente à saúde
pública, não sendo a ação popular o instrumento adequado para tais questionamentos.

Sem razão. Explico.

Com fulcro no artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, a Ação Popular é o meio processual colocado à
disposição de qualquer cidadão para questionar judicialmente a validade de atos que considere lesivos ao patrimôni
público ou de entidade da qual o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural.

Em sede de Ação Popular se deve pleitear a anulação ou a declaração de nulidade dos atos lesivos ao patrimônio
público a fim de invalidar o ato impugnado – ou mesmo impor ao Estado a prática de determinado ato quando prese
omissão ilegal.

Por seu turno, dispõe a Lei nº 4.717/1965 - que regulamenta a Ação Popular – em seus artigos 1º, 2º e 3º, os seguint
termos:

Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao
patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de
economia mista (Constituição, art. 141, §38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os
segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou fundações para cuja cri
ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da rece
ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de
quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. (...)

Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de:

a) incompetência;

b) vício de forma;

c) ilegalidade do objeto;

d) inexistência dos motivos;

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e) desvio de finalidade.

Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas:

a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou;

b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à


existência ou seriedade do ato;

c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro
normativo;

d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato,
materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido;

e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita
implicitamente, na regra de competência.

Art. 3º Os atos lesivos ao patrimônio das pessoas de direito público ou privado, ou das entidades mencionadas no ar
1º, cujos vícios não se compreendam nas especificações do artigo anterior, serão anuláveis, segundo as prescrições
legais, enquanto compatíveis com a natureza deles.

Pertinente destacar que é requisito da Ação Popular a existência do binômio ilegalidade - lesividade. E, por ato ilega
entende-se aquele praticado em desconformidade com as leis vigentes ou com os princípios norteadores da atuação
Administração Pública.

No caso concreto, os autores populares apontam violação aos princípios administrativos, em especial à moralidade
administrativa, ante a recusa/omissão do Chefe do Poder Executivo Distrital a publicar um calendário de vacinação
contra a Covid-19 e submeter a gestão da vacinação ao controle interno, externo e social.

Logo, se determinado comportamento omissivo do Poder Público tem o potencial de vulnerar direitos subjetivos do
cidadãos, de forma a lesar princípios administrativos, o cidadão pode manejar ação popular contra o responsável pe
inércia, requerendo uma atuação positiva por parte do Judiciário, visto que “ato” não consubstancia, exclusivamente
em conduta comissiva, mas também omissiva.

Dessa forma, a presente ação pode ser proposta com o propósito de impugnar atos omissivos ou comissivos que pos
acarretar danos materiais ou imateriais, inclusive em face de qualquer pessoa jurídica de direito público, mormente
quando o Poder Público, em tese, infringe os princípios da Administração Pública.

Não obstante o Distrito Federal sustentar que os pedidos na presente ação estariam inseridos no contexto de política
públicas - de modo que haveria o risco da inadequação do Poder Judiciário fazer escolhas administrativas no cenári
combate à pandemia, em violação à separação de poderes –, destaco, neste ponto, que não se trata de indevida atuaç
do Judiciário nesta seara. Isso porque, muito embora a Administração possua discricionariedade para a prática de ce
atos, não se trata de uma prerrogativa ilimitada, uma vez que todo ato administrativo deve obedecer à ordem jurídic

Com efeito, o controle judicial do mérito administrativo é permitido nos casos de violação aos limites explícitos e
implícitos fixados em lei, além de afronta aos princípios constitucionais fundamentais. Entender de maneira diversa
implicaria mácula ao princípio da inafastabilidade de jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF) e comprometeria o direito
fundamental a uma Administração Pública imparcial, proba e eficiente (art. 37, caput, da CF).

Outrossim, imperioso ressaltar que o entendimento majoritário do col. STJ é no sentido de ser cabível ação popular
diante de violação dos princípios administrativos (artigo 37, CF), como a moralidade administrativa, ainda que
inexistente o dano material ao patrimônio público, considerando que a lesão tanto pode ser efetiva quanto legalmen
presumida, bastando a prova da prática do ato comissivo ou omissivo para considerá-lo lesivo e nulo de pleno direit

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Neste sentido, o col. Superior Tribunal de Justiça:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AÇÃO POPULAR.


PRESSUPOSTOS. COMPROVAÇÃO DO ATO LESIVO. PREJUÍZO MATERIAL AO PATRIMÔNIO PÚBLICO
DESNECESSIDADE. (...) 14. O STF editou o Tema 836 da sua jurisprudência afirmando: "Não é condição pa
o cabimento da ação popular a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos, dado que o art. 5º, inc
LXXIII, da Constituição Federal estabelece que qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular
impugnar, ainda que separadamente, ato lesivo ao patrimônio material, moral, cultural ou histórico do Estad
ou de entidade de que ele participe.". Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes do STF: AI 745203/ SP.
Relator Ministro Roberto Barroso. Julgamento: 23/6/2015. Órgão Julgador: Primeira Turma; AI 561622/ SP. Relato
Ministro Ayres Britto. Julgamento: 14/12/2010. Órgão Julgador: Segunda Turma; RE 170768/SP. Relator Ministro
Ilmar Galvão. Julgamento: 26/3/1999. Órgão Julgador: Primeira Turma. 15. Não se desconhece a existência de
precedente do STJ que entende "imprescindível a comprovação do binômio ilegalidade-lesividade, como pressupos
elementar para a procedência da Ação Popular e consequente condenação dos requeridos no ressarcimento ao erário
face dos prejuízos comprovadamente atestados ou nas perdas e danos correspondentes" (REsp 1.447.237/MG, Rel.
Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 9/3/2015). 16. Ocorre que a jurisprudência majoritá
do STJ defende que a Ação Popular é cabível quando violados os princípios da Administração Pública (art. 3
da CF/1988), como a moralidade administrativa, ainda que inexistente o dano material ao patrimônio públic
lesão tanto pode ser efetiva quanto legalmente presumida, visto que a Lei 4.717/1965 estabelece casos de
presunção de lesividade (art. 4º), para os quais basta a prova da prática do ato naquelas circunstâncias para
considerá-lo lesivo e nulo de pleno direito. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.504.797/SE, Rel. Ministro Benedit
Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1º/6/2016; AgRg no REsp 1.378.477/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell
Marques, Segunda Turma, DJe 17/3/2014; REsp 1.071.138/MG, Rel.Ministro Napoleão Nunes Maia Filho,
Primeira Turma, DJe 19/12/2013; REsp 849.297/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turm
DJe 8/10/2012; REsp 1.203.749/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 21/8/2012; REsp
1.127.483/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 9/10/2012; AgRg nos EDcl no REsp
1.096.020/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 4/11/2010; REsp 858.910/SP, Rel.
Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 1º/2/2007, p. 437. (...) (EREsp 1192563/SP, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, Rel. p/ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
27/02/2019, DJe 01/08/2019).

De mais a mais, vislumbra-se a possibilidade de eventual provimento judicial emanado no bojo desta ação popular,
além da decretação da nulidade de ato lesivo, impor também obrigações de fazer ou não fazer, ante a suposta prática
ato ilegal omissivo por ofensa aos princípios administrativos, lesando, em tese, a própria moralidade administrativa

Considerando suposta omissão do Poder Público em editar um calendário de vacinação o que, a princípio, é o bastan
para uma análise mais detida da questão, modo pelo qual não vislumbro presentes razões para o indeferimento da
inicial, posto que se alega na presente ação violação aos princípios da Administração Pública, ocasionando supostos
prejuízo de ordem imaterial. Por consequência, rejeito a preliminar levantada.

Aparadas essas arestas, presentes os pressupostos processuais e condições da ação, passo a analisar do pedido de tut
de urgência.

Na hipótese dos autos, o pedido de tutela de urgência deve ser examinado à luz da Lei n° 4.717/65, ao artigo 300 do
Código de Processo Civil e com fulcro nas normas do ordenamento jurídico pátrio atinentes ao direito à saúde, eis q
pretensão dos autores populares se funda contra a gestão governamental do Distrito Federal ante a recusa na edição
calendário de vacinação contra a Covid-19, a fim de definir as pessoas que serão vacinadas e a provável data para
vacinação, não alterando os critérios já estabelecidos.

É de conhecimento geral os problemas que têm se apresentado a nível global com a propagação da Covid-19. Contu
a questão posta para análise remete ao tema do controle jurisdicional das políticas públicas – diretrizes que os
governantes traçam para a efetivação dos direitos assegurados pela ordem jurídica – em prol do bem-estar da socied
e do interesse público.

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O Supremo Tribunal Federal chancela, excepcionalmente, a judicialização de políticas públicas. Neste sentido, o
Ministro Celso de Mello, em decisão monocrática[1], consignou o seguinte:

“É certo que não se inclui, ordinariamente, no âmbito das funções institucionais do Poder Judiciário (...) a atribuição
formular e de implementar políticas públicas (...), pois, nesse domínio, o encargo reside, primariamente, nos Podere
Legislativo e Executivo. Tal incumbência, no entanto, embora em bases excepcionais, poderá atribuir-se ao Poder
Judiciário, se e quando os órgãos estatais competentes, por descumprirem os encargos político-jurídicos que sobre e
incidem, vierem a comprometer, com tal comportamento, a eficácia e a integridade de direitos individuais e/ou
coletivos impregnados de estatura constitucional, ainda que derivados de cláusulas revestidas de conteúdo
programático. Cabe assinalar, presente esse contexto [...] que o caráter programático das regras inscritas no texto da
Carta Política ‘não pode converter-se em promessa constitucional inconsequente, sob pena de o Poder Público,
fraudando justas expectativas nele depositadas pela coletividade, substituir, de maneira ilegítima, o cumprimento de
impostergável dever, por um gesto irresponsável de infidelidade governamental ao que determina a própria Lei
Fundamental do Estado." (...)”

Neste cenário, é preciso ponderar que a proteção e efetivação dos direitos fundamentais envolve a alocação
significativa de recursos financeiros, o que esbarra na escassez de recursos orçamentários. Diante desse impasse,
incumbe aos poderes públicos legitimados – Executivo e Legislativo – elegerem as prioridades a serem atendidas.

Não obstante, a interferência do Poder Judiciário nas demandas a serem priorizadas por meio de políticas públicas,
a adoção de uma postura mais ativa, encontra amparo na jurisprudência pátria, mas deve ser analisada à luz da
proporcionalidade da prestação e da razoabilidade de sua exigência.

Convém destacar o entendimento exarado pelo col. Supremo Tribunal Federal no julgamento da Medida Cautelar em
Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 6343/DF, no sentido de que a adoção de medidas normativas e administrati
de enfrentamento ao coronavírus (SARS-COV-2) se trata de competência concorrente da União, Estados, Distrito
Federal e Município, como predito. Confira-se:

CONSTITUCIONAL. PANDEMIA DO CORONAVÍRUS (COVID-19). AS REGRAS DE DISTRIBUIÇÃO DE


COMPETÊNCIAS SÃO ALICERCES DO FEDERALISMO E CONSAGRAM A FÓRMULA DE DIVISÃO DE
CENTROS DE PODER EM UM ESTADO DE DIREITO (ARTS. 1º E 18 DA CF). COMPETÊNCIAS COMUNS
CONCORRENTES E RESPEITO AO PRINCÍPIO DA PREDOMINÂNCIA DO INTERESSE (ARTS. 23, II, 24, X
E 25, § 1º, DA CF). CAUTELAR PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. Em momentos de acentuada crise, o
fortalecimento da união e a ampliação de cooperação entre os três poderes, no âmbito de todos os entes federativos,
instrumentos essenciais e imprescindíveis a serem utilizados pelas diversas lideranças em defesa do interesse públic
sempre com o absoluto respeito aos mecanismos constitucionais de equilíbrio institucional e manutenção da harmon
independência entre os poderes, que devem ser cada vez mais valorizados, evitando-se o exacerbamento de quaisqu
personalismos prejudiciais à condução das políticas públicas essenciais ao combate da pandemia de COVID-19. 2. A
gravidade da emergência causada pela pandemia do coronavírus (COVID-19) exige das autoridades brasileir
em todos os níveis de governo, a efetivação concreta da proteção à saúde pública, com a adoção de todas as
medidas possíveis e tecnicamente sustentáveis para o apoio e manutenção das atividades do Sistema Único de
Saúde. 3. A União tem papel central, primordial e imprescindível de coordenação em uma pandemia internacional n
moldes que a própria Constituição estabeleceu no SUS. 4. Em relação à saúde e assistência pública, a Constituiç
Federal consagra a existência de competência administrativa comum entre União, Estados, Distrito Federal e
Municípios (art. 23, II e IX, da CF), bem como prevê competência concorrente entre União e Estados/Distrito
Federal para legislar sobre proteção e defesa da saúde (art. 24, XII, da CF); permitindo aos Municípios
suplementar a legislação federal e a estadual no que couber, desde que haja interesse local (art. 30, II, da CF)
prescrevendo ainda a descentralização político-administrativa do Sistema de Saúde (art. 198, CF, e art. 7º da
8.080/1990), com a consequente descentralização da execução de serviços, inclusive no que diz respeito às
atividades de vigilância sanitária e epidemiológica (art. 6º, I, da Lei 8.080/1990). 5. Não compete, portanto, ao
Poder Executivo federal afastar, unilateralmente, as decisões dos governos estaduais, distrital e municipais que, no
exercício de suas competências constitucionais, adotaram ou venham a adotar, no âmbito de seus respectivos territó
importantes medidas restritivas como a imposição de distanciamento ou isolamento social, quarentena, suspensão d
atividades de ensino, restrições de comércio, atividades culturais e à circulação de pessoas, entre outros mecanismo

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reconhecidamente eficazes para a redução do número de infectados e de óbitos, como demonstram a recomendação
OMS (Organização Mundial de Saúde) e vários estudos técnicos científicos, como por exemplo, os estudos realizad
pelo Imperial College of London, a partir de modelos matemáticos (The Global Impact of COVID-19 and Strategie
Mitigation and Suppression, vários autores; Impact of non-pharmaceutical interventions (NPIs) to reduce COVID-1
mortality and healthcare demand, vários autores). 6. Os condicionamentos impostos pelo art. 3º, VI, “b”, §§ 6º, 6º-A
7º, II, da Lei 13.979/2020, aos Estados e Municípios para a adoção de determinadas medidas sanitárias de
enfrentamento à pandemia do COVID-19, restringem indevidamente o exercício das competências constitucionais
desses entes, em detrimento do pacto federativo. 7. Medida Cautelar parcialmente concedida para: (a) suspender, se
redução de texto, o art. 3º, VI, “b”, e §§ 6º, 6º-A e 7º, II, excluídos Estados e Municípios da exigência de autorizaçã
União, ou obediência a determinações de órgãos federais, para adoção de medidas de restrição à circulação de pesso
e (b) conferir interpretação conforme aos referidos dispositivos para estabelecer que as medidas neles previstas deve
ser fundamentadas em orientações de seus órgãos técnicos correspondentes, resguardada a locomoção de produtos e
serviços essenciais definidos por ato do Poder Público federal, sempre respeitadas as definições no âmbito da
competência constitucional de cada ente federativo. (ADI 6343 MC-Ref, Relator (a): MARCO AURÉLIO, Relator
p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 06/05/2020, PROCESSO ELETRÔNICO
DJe-273, DIVULG 16-11-2020, PUBLIC 17-11-2020)

Note-se, portanto, que o Excelso Pretório concedeu autonomia aos Estados, DF e Municípios no que tange ao
assuntos locais concernentes à adoção de medidas normativas e administrativas de enfrentamento ao novo coronaví

À vista disso, nessa análise perfunctória ínsita deste momento processual, constata-se que, conforme orientação firm
pelo col. STF, o Poder Executivo Distrital, no âmbito do exercício de sua competência concorrente, pode estabelece
medidas normativas e administrativas em relação à pandemia causada pela Covid-19.

De ressaltar que o direito à vida e à saúde aparecem como consequência imediata da consagração da dignidade da
pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil. Neste viés, a Constituição Federal estabeleceu
precisamente nos artigos 196 e 197, a saúde como direito de todos e dever do Estado, garantindo sua universalidade
igualdade no acesso às ações e serviços de saúde.

Dessa maneira, em respeito à separação dos Poderes, compete ao Chefe do Poder Executivo Distrital o planejament
a execução de políticas públicas visando a atenuação dos efeitos sociais e econômicos decorrentes da pandemia, ass
como o estabelecimento de um plano de vacinação para toda a população, sem excluir, obviamente, os grupos
prioritários, visto que são os mais vulneráveis a desenvolveram a forma grave da doença (Covid-19).

Nesta senda, é cediço que o Governador do Distrito Federal, no exercício de sua discricionariedade administrativa,
juízo de conveniência e oportunidade, pode, dentre as hipóteses legais e moralmente admissíveis, escolher as medid
que entende ser melhor para o interesse público no âmbito da saúde.

No entanto, diante da gravidade da emergência causada pela pandemia do coronavírus (Covid-19) se faz necessário
exigir das autoridades governamentais, em todos os níveis, a adoção de todas as medidas possíveis e tecnicamente
sustentáveis para a efetivação concreta de proteção à saúde pública, em especial no tocante à vacinação da populaçã
em massa.

A propósito, no âmbito do Governo Federal, a primeira versão do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinaç
contra a Covid-19 (PNO) foi lançada oficialmente pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de
Imunizações (PNI), do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis (DEIDT) da Secretaria de Vigilânci
em Saúde (SVS), em 16 de dezembro 2020.

Na esfera Distrital, em 14/12/2020, foi publicada a Lei Distrital nº 6.753/2020, dispondo sobre a vacinação da
população em caso de epidemias ou pandemias, da seguinte forma:

Art. 1º Nos casos em que seja oficialmente declarada pelas autoridades da União ou do Distrito Federal situação de
pandemia ou epidemia, o Poder Executivo do Distrito Federal deve adotar todas as providências necessárias, e
caráter urgência, para vacinar a população residente do Distrito Federal.

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Art. 2º A vacinação deve ser precedida de plano distrital, com ampla divulgação, contendo todos os elementos
necessários à sua efetivação.

Art. 3º No caso específico da pandemia causada pela COVID-19, o Poder Executivo deve apresentar o plano d
vacinação no prazo de 30 dias, contados da publicação desta Lei. (...)

Diante disso, em cumprimento ao artigo 3º da referida lei, o Distrito Federal, em 06 de janeiro de 2021, criou o Plan
Estratégico e Operacional da Vacinação contra a Covid-19, o qual foi confeccionado pelas Subsecretarias de Vigilâ
à Saúde (SVS) e Atenção Integral à Saúde (Sais), prevendo diretrizes a serem seguidas por cada área de atuação.
Acresça-se que o plano local foi criado em sintonia com o Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Sa
(MS), o qual segue o mesmo calendário e plano de vacinação do Governo Federal.

Por sua vez, o cronograma distrital de vacinação contra a Covid-19, inicialmente foi dividido em três fases, a saber:
fase – trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade; pessoas com 60 anos ou mais que vive
em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas); 2ª fase – pessoas de 60 a 74 anos; 3
fase – pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença, como: portadores de
diabetes mellitus; hipertensão arterial grave; doença pulmonar obstrutiva crônica; doença renal; doenças
cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; anemia falciforme; câncer; e
obesidade grave (IMC40).

O critério adotado no plano de vacinação no Distrito Federal – no que tange às pessoas que serão beneficiadas – est
condicionado à chegada das doses da vacina no território, oportunidade que a Secretaria de Saúde do DF se reúne p
traçar os grupos que serão contemplados.

Inclusive, em recente entrevista ao Jornal Correio Braziliense, em 18/06/2021, o Senhor Governador do Distrito
Federal afirmou que não pretende anunciar um calendário para a vacinação da população do Distrito Federa
contra a Covid-19, optando por decidir a destinação das vacinas, conforme recebe as remessas encaminhadas
pelo Governo Federal.

Nessa linha, vale ressaltar que, atualmente, segundo consta no sítio eletrônico da SES/DF, são considerados grupos
prioritários na vacinação, os seguintes: (I) profissionais de saúde da rede pública (todos os níveis de atenção), da red
privada (categorias no site da SES/DF) e atenção pré-hospitalar; (II) pessoas de 44 a 59 anos, sem comorbidades; (I
pessoas com 60 anos ou mais; (IV) pessoas com comorbidades; (V) pessoas com deficiência (institucionalizadas,
inscritas no BPC e que não recebe BPC); (VI) profissionais da educação das redes pública e privada, conforme
convocação da SEE/DF; (VII) pessoas com 60 anos ou mais, residentes em Instituições de Longa Permanência para
Idosos (ILPI); (VIII) Aeroportuários e Rodoviários (motoristas e cobradores de transporte público do DF); (IX)
profissionais das forças de segurança pública; (X) trabalhadores do Ministério da Saúde, ANVISA, Forças Armadas
Assistência Social e Serviços de Limpeza Urbana (SLU); (XI) pessoas em internação domiciliar (NRAD e Home C
(XII) gestantes e puérperas, com e sem comorbidades; (XIII) povos indígenas (aldeados) e pessoas em situação de r

Por seu turno, a discricionariedade administrativa confere poderes ao Governador para decidir as pessoas que serão
incluídas nos grupos prioritários para a vacinação no momento da remessa das doses da vacina ao Distrito Federal,
consonância ao Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação (PNO) contra a Covid-19 e informes técnicos
expedidos pelo Ministério da Saúde.

Nesta vertente, a Lei nº 14.124, de 10 de março de 2021, dispôs sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição
vacinas e de insumos contra a Covid-19 e, em seu artigo 13, previu expressamente que a vacinação em âmbito
estadual/distrital deverá observar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação, o qual é elaborado pelo
Ministério da Saúde. In verbis:

Art. 13. A aplicação das vacinas contra a covid-19 deverá observar o previsto no Plano Nacional de
Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, ou naquele que vier a substituí-lo.

§ 1º O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, de que trata o caput deste artig
o elaborado, atualizado e coordenado pelo Ministério da Saúde, disponível em sítio oficial na internet.

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§ 2º A aplicação das vacinas de que trata o caput deste artigo somente ocorrerá após a autorização excepcional de
importação, ou a autorização temporária de uso emergencial, ou o registro sanitário de vacinas concedidos pela Anv

§ 3º Os Estados, os Municípios e o Distrito Federal ficam autorizados a adquirir, a distribuir e a aplicar as vacinas
contra a covid-19 registradas, autorizadas para uso emergencial ou autorizadas excepcionalmente para importação,
termos do art. 16 desta Lei, caso a União não realize as aquisições e a distribuição tempestiva de doses suficientes p
a vacinação dos grupos previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.

Por outro lado, no julgamento da ADPF nº 770-MC-Ref/DF, a Excelsa Suprema Corte possibilitou aos Estados, Dis
Federal e Municípios a dispensação de vacinas das quais disponham, desde que descumprido o Plano de
Operacionalização da Vacinação (PNO) contra a Covid-19 pelo Governo Federal. Confira-se a Ementa:

TUTELA DE URGÊNCIA EM ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL.


CONCESSÃO MONOCRÁTICA. COMPETÊNCIA COMUM DOS ENTES FEDERADOS PARA CUIDAR DA
SAÚDE. ARTS. 23, II, E 196 DA CF. FEDERALISMO COOPERATIVO. LEI 13.979/2020, QUE DISPÕE SOBR
MEDIDAS PARA O ENFRENTAMENTO DA EMERGÊNCIA DE SAÚDE PÚBLICA DECORRENTE DA
COVID-19. VACINAÇÃO. MEDIDA CAUTELAR REFERENDADA PELO PLENÁRIO. I - A Constituição
Federal prevê, ao lado do direito subjetivo público à saúde, a obrigação de o Estado dar-lhe efetiva concreção
por meio de “políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao
acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação” (art. 196). II –
Esse dever abrange todos os entes federados, inclusive as comuns, os quais, na seara da saúde, exercem uma
competência administrativa comum, nos termos do art. 23, II, do Texto Constitucional. III - O federalismo
cooperativo, adotado entre nós, exige que a União e as unidades federadas se apoiem mutuamente no enfrentamento
grave crise sanitária e econômica decorrente da pandemia desencadeada pelo novo coronavírus. IV - Embora o ide
em se tratando de uma moléstia que atinge o País por inteiro, seja a inclusão de todas as vacinas seguras e
eficazes no PNI, de maneira a imunizar uniforme e tempestivamente toda a população, o certo é que, nos
diversos precedentes relativos à pandemia causada pela Covid-19, o Supremo Tribunal Federal tem ressaltad
possibilidade de atuação conjunta das autoridades estaduais e locais para o enfrentamento dessa emergência
saúde pública, em particular para suprir lacunas ou omissões do governo central. V- O Plenário do STF já
assentou que a competência específica da União para legislar sobre vigilância epidemiológica, da qual resulto
Lei 13.979/2020, não inibe a competência dos demais entes da federação no tocante à prestação de serviços da
saúde (ADI 6.341-MC-Ref/DF, redator para o acórdão Ministro Edson Fachin). VI - A Constituição outorgou
todos aos integrantes da Federação a competência comum de cuidar da saúde, compreendida nela a adoção de
quaisquer medidas que se mostrem necessárias para salvar vidas e garantir a higidez física das pessoas ameaçadas o
acometidas pela nova moléstia, incluindo-se nisso a disponibilização, por parte dos governos estaduais, distrital e
municipais, de imunizantes diversos daqueles ofertados pela União, desde que aprovados pela Anvisa, caso aqueles
mostrem insuficientes ou sejam ofertados a destempo. VI – Medida cautelar referendada pelo Plenário do Supre
Tribunal Federal para assentar que os Estados, Distrito Federal e Municípios (i) no caso de descumprimento
Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, recentemente tornado público pela
União, ou na hipótese de que este não proveja cobertura imunológica tempestiva e suficiente contra a doença
poderão dispensar às respectivas populações as vacinas das quais disponham, previamente aprovadas pela
Anvisa, ou (ii) se esta agência governamental não expedir a autorização competente, no prazo de 72 horas,
poderão importar e distribuir vacinas registradas por pelo menos uma das autoridades sanitárias estrangeira
liberadas para distribuição comercial nos respectivos países, conforme o art. 3°, VIII, a, e § 7°-A, da Lei
13.979/2020, ou, ainda, quaisquer outras que vierem a ser aprovadas, em caráter emergencial, nos termos da
Resolução DC/ANVISA 444, de 10/12/2020. (ADPF 770 MC-Ref, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI,
Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-045 DIVULG 09-03-2021 PUBLIC
10-03-2021)

Sob outro enfoque, de suma importância ressaltar a decisão cautelar exarada em 03/05/2021, na Reclamação nº 46.9
MC – RJ, pelo MM. Ministro Relator, Ricardo Lewandowski, o qual conferiu aos Estados a possibilidade de altera

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critérios de prioridade na vacinação, fora dos indicados pelo Ministério da Saúde no Plano Nacional de Vacinação
contra a Covid-19, possibilitando ajustes pontuais, desde que devidamente fundamentado em critério técnico-científ
In verbis:

“(...) Com efeito, o Plenário desta Suprema Corte já assentou que os entes federados possuem competência concorre
para adotar as providências normativas e administrativas necessárias ao combate da pandemia (ADI 6.341-MC-Ref/
redator para o acórdão o Ministro Edson Fachin), de acordo com as respectivas realidades locais. No mesmo sentido
ADI 6.343-MC-Ref/DF, redator do acórdão o Ministro Alexandre de Moraes; e ADPF 672/DF, Rel. Min. Alexandr
Moraes.

Por sua vez, nas ADIs 6.587/DF e 6.586/DF, de minha relatoria, o STF enunciou, dentre outras indicações, que a
vacinação deve tomar por base evidências científicas e análises estratégicas pertinentes.

Na ADI 6.362/DF, asseverei que o federalismo cooperativo exige que os entes federativos se apoiem mutuamente, d
maneira que os entes regionais e locais não podem ser alijados do combate à Covid-19, notadamente porque estão
investidos do poder-dever de empreender as medidas necessárias para o enfrentamento da emergência sanitária
resultante do alastramento incontido da doença.

Sobre este ponto, observe-se que, mesmo no julgamento da ADPF 770-MC-Ref/DF, de minha relatoria, esta Suprem
Corte franqueou aos Estados, Distrito Federal e Municípios a dispensação de vacinas das quais disponham, desde qu
descumprido o PNO contra a Covid-19, elaborado pelo Governo Federal. (...)

Nesse sentido, afigura-se até intuitivo que a União, por meio do Ministério da Saúde, ao elaborar o Plano Nacional
Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, exerceu o seu relevante mister de ordenar e orientar as ações de
vacinação contra a Covid-19 a serem executadas por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais,
indistintamente, sobretudo diante da severidade da crise sanitária vivida no País, bem como da escassez de imunizan
situação que está a exigir uma pronta e competente atuação da direção nacional do SUS.

Isso não significa, porém, ao menos num exame prefacial, que os entes subnacionais, em situações
excepcionalíssimas, fiquem proibidos de levar a efeito ajustes pontuais no referido Plano Nacional, e sempre
forma técnica e cientificamente motivada, adaptando-o às respectivas realidades locais - considerada, em
especial, eventual severidade do surto da doença sobre determinado grupo de pessoas nas distintas regiões -,
que com isso desnaturem ou contrariem o planejamento elaborado pela União.

Relembro, por oportuno, que, nos autos da ADPF 754-TPIsegunda/DF, deferi parcialmente a cautelar, referendada p
Plenário desta Suprema Corte (Sessão Virtual de 19 a 26/2/2021), para determinar ao Governo Federal que divulgas
“com base em critérios técnico-científicos, a ordem de preferência entre os grupos prioritários, especificando
com clareza, dentro dos respectivos grupos, a ordem de precedência dos subgrupos nas distintas fases de
imunização contra a Covid-19”.

Assim procedi por verificar que, na 2ª Edição do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a
Covid-19, o Ministério da Saúde indicou os grupos de pessoas que teriam prioridade na imunização, sem, contudo,
detalhar adequadamente, dentro de um universo de cerca de setenta e sete milhões de pessoas, quais aquelas que
em razão da faixa etária, condição de saúde ou outras particularidades, seriam merecedoras de precedência com rela
às demais.

Pareceu-me, então, que o Governo Federal deveria esclarecer, de forma pormenorizada, quais os subgrupos que teri
preferência na vacinação, dentro dos grupos considerados prioritários, com a indicação dos critérios técnico-científi
para uma tal opção, apontando, em particular, os indivíduos e profissionais que seriam imunizados antes dos outros
(...)

Ressalto que consta da atualização do referido Plano (5ª edição) a indicação dos grupos prioritários a serem vacinad
a estimativa de doses necessárias, tomando-se por base a “preservação do funcionamento dos serviços de saúde; a
proteção dos indivíduos com maior risco de desenvolver formas graves da doença; a proteção dos demais indivíduo
vulneráveis aos maiores impactos da pandemia; seguido da preservação do funcionamento dos serviços essenciais.”
(pág. 24 do documento eletrônico 328 – ADPF 754/DF). (...)

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Ademais, consta da 5ª edição do referido Plano que “[...] todos os grupos elencados serão contemplados com a
vacinação, entretanto de forma escalonada por conta de não dispor de doses de vacinas imediatas para vacin
todos os grupos em etapa única. Cabe ressaltar que ao longo da campanha poderá ocorrer alterações na sequê
de prioridades descritas no quadro 1 e/ou subdivisões de alguns estratos populacionais, bem como a inserção
novos grupos, à luz de novas evidências sobre a doença, situação epidemiológica e das vacinas COVID-19. O
detalhamento da estratégia de vacinação de cada grupo prioritário por etapas encontra-se disponível na Nota Técnic
155/2021- CGPNI/DEIDT/SVS/MS (Anexo II). Essas alterações, caso venham ser necessárias, terão detalhame
por meio de informes técnicos e notas informativas no decorrer da campanha. Os informes e notas informativa
com o detalhamento das ações já realizadas estão disponíveis no site do Ministério da Saúde
(https://www.gov.br/saude/ptbr/Coronavirus/vacinas/planonacional-de-operacionalizacao-da-vacina-contra-a-covid
Neste mesmo link serão disponibilizados ainda as atualizações do plano e os informes técnicos a serem emitidos ao
longo da campanha” (pág. 24 do documento eletrônico 328 – ADPF 754/DF; grifei) (...)

Por tudo o que foi até aqui exposto, percebe-se que qualquer que seja a decisão concernente à ordem de priorid
da vacinação, esta deverá levar em consideração, por expresso mandamento legal, as evidências científicas e
análises estratégicas em saúde, nos termos do art. 3°, § 1°, da Lei 13.979/2020. Tal apreciação, sempre explícita e
fundamentada, compete exclusivamente às autoridades sanitárias, consideradas as situações concretas que
enfrentam e vierem a enfrentar, baseando-as, sobretudo, nos princípios da prevenção e da precaução. Com es
orientação foram os julgados apontados com paradigmas.

Rememoro, por oportuno, que esta Suprema Corte assentou que decisões administrativas relacionadas à proteç
à vida, à saúde e ao meio ambiente devem observar standards, normas e critérios científicos e técnicos, tal co
estabelecidos por organizações e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas (ADIs 6.421-MC/DF,
6.422- MC, 6.424-MC/DF, 6.425-MC/DF, 6.427-MC/DF, 6.428-MC/DF e 6.431- MC/DF, todas de relatoria do
Ministro Roberto Barroso).

Por isso, as autoridades governamentais, acaso decidam promover adequações do Plano às suas realidades
locais, além da necessária publicidade das suas decisões, precisarão, na motivação do ato, explicitar
quantitativamente e qualitativamente as pessoas que serão preteridas, estimando o prazo em que serão, afina
imunizadas.

Isso sem prejuízo do escrupuloso respeito ao prazo estabelecido pelos fabricantes das vacinas - e aprovado pe
Anvisa - para a aplicação da segunda dose do imunizante naquelas pessoas que já receberam a primeira, sob
pena de frustrar-se a legítima confiança daqueles que aguardam a complementação da imunização, em sua
maioria idosos e portadores de comorbidades, como também de ficar caracterizada, em tese, a improbidade
administrativa dos gestores da saúde pública local, caso sejam desperdiçados os recursos materiais e humano
investidos na campanha de vacinação inicial. (...)”

Nesse contexto, as decisões administrativas, precisamente em relação à saúde pública na gestão da pandemia
(Covid-19), devem observar normas e critérios técnicos e científicos, conforme estabelecidos por organizações e
entidades internacional e nacionalmente reconhecidas.

Como se nota, segundo o entendimento exarado pelo Excelso Pretório, a observância ao Plano Nacional de Vacinaç
não implica aos Entes Federativos a proibição de realizar certos ajustes a fim de adequar às suas realidades locais,
desde que motivem seus atos com base em evidências científicas e análises estratégicas pertinentes, dando publicida
às suas decisões.

Aliás, uma das principais medidas das autoridades sanitárias, sobretudo em período de temor e escassez de vacinas,
respeito à necessidade de se conferir a máxima publicidade a todas as ações que envolvam o enfrentamento da
Covid-19, eis que o direito à informação e ao princípio da publicidade da Administração Pública constituem
verdadeiros pilares sobre os quais se assenta a participação democrática dos cidadãos no controle daqueles que
gerenciam o patrimônio comum do povo, em especial a saúde coletiva.

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Assim, sendo certo que o Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração Públic
adote medidas concretas e assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, como é o c
da saúde, cabe ao Magistrado, ao analisar questões de políticas públicas, atuar com cautela, apreciando minuciosam
as consequências práticas da decisão judicial e os obstáculos para a concretização da medida.

Deste modo, no tocante ao pedido de tutela de urgência – ou seja, que seja determinado ao Distrito Federal a edição
um calendário de vacinação para toda a população – entendo que o acolhimento da pretensão dos autores populares
importaria em inadmissível e desarrazoada intervenção judicial em esfera de atuação própria da Administração Púb

Isso porque a definição dos grupos prioritários de vacinação depende de uma análise contextual da pandemia, da
escassez de vacinas disponíveis, dos riscos inerentes a cada corte populacional, entre inúmeros outros fatores. Diant
disso, somente à Administração Pública – naturalmente dotada da necessária capacidade técnica para implementar
políticas públicas – é conferida a prerrogativa para estabelecer aqueles que deverão ser vacinados com prioridade e
momento adequado.

Além disso, o Poder Executivo local, em atuação conjunta com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, regularme
tem apresentado relatório sobre a vacinação, concedendo amplo acesso à informação, conforme disponibilização da
informações no sítio eletrônico da SES/DF, visto que uma das principais medidas das autoridades sanitárias, em
período de temor e escassez de vacinas, diz respeito à necessidade de se conferir a máxima publicidade a todas as aç
que envolvam o enfrentamento da Covid-19, o que tem sido observado no âmbito distrital.

Ademais, a forma como o Distrito Federal tem decido acerca da destinação das vacinas ocorre conforme as remessa
encaminhadas pelo Governo Federal, sendo certo que a disponibilização dos imunizantes para determinados grupos
depende da quantidade enviada.

Inclusive, o Senhor Governador do Distrito Federal, em manifestação nestes autos (ID 96345490), informa que uma
dificuldades em operacionalizar um calendário de vacinação se refere ao fato de que a disponibilização das informa
– quanto às quantidades e à data de chegada das vacinas no Distrito Federal –são enviadas pelo Ministério da
Saúde com menos de 24 horas da efetiva remessa, o que certamente inviabiliza o cumprimento de um calendá
de vacinação.

Além do mais, não há possibilidade de definir as datas do início da vacinação dos grupos ainda não contemplados p
não haver, por parte dos fornecedores, cronograma regular de entrega de doses das vacinas contra a Covid-19 ao
Governo Federal e, assim, a remessa da quantidade e a data exata ao Distrito Federal.

De ressaltar, ainda, que ao longo da campanha de vacinação certamente ocorrerão alterações na sequência de
prioridades e/ou subdivisões de alguns estratos populacionais, bem como a inserção de novos grupos à luz de novas
evidências sobre a doença, situação epidemiológica e das vacinas contra a Covid-19.

Cabível consignar, em relação aos critérios adotados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal para a denominad
“xepa”, encontra-se devidamente fundamentado na Circular nº 46/2021, expedida em 29 de junho de 2021, pelo Co
Gestor de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 da SES/DF (ID 96247956), da seguinte forma:

“Considerando o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação a Covid-19 (Sétima Edição).

Considerando o Plano Estratégico e Operacional de Vacinação contra a Covid-19 no Distrito Federal.

O Comitê Gestor de Operacionalização da Vacinação contra COVID-19 decide:

1. Com o propósito de evitar perdas técnicas da vacina contra SARS COV-2, uma vez que após a abertura do
frasco a vacina do laboratório Sinovac/Butantan tem duração de 8 horas e dos laboratórios da Pfizer e Janss
tem duração 6 horas, é fundamental que haja otimização do uso das doses ainda disponíveis em frascos abert
ao final do expediente, sempre que existirem.

2. É imprescindível que os vacinadores dos pontos observem, tão logo se aproximar o horário de fechamento
unidade, o quantitativo de frascos abertos da vacina. Assim, considerando as pessoas que ainda aguardam na

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fila (agendadas ou por demanda espontânea nos casos previstos), deve ser avaliado se há necessidade de abrir
novo frasco ou se é possível finalizar a vacinação com aqueles que já estão abertos.

3. No caso das vacinas AstraZeneca/Oxford, em que os frascos podem ser utilizados em até 48h após abertura
caso haja dose remanescente de frasco que já se encontra próximo ao prazo de 48h após aberto, deve ser
adotada a mesma priorização relacionada acima.

4. No caso de haver doses nos frascos ao final do expediente, este Comitê de Operacionalização da Vacinação contr
COVID-19 recomenda que essas doses sejam direcionadas para uso em indivíduos contemplados em algum dos gru
priorizados no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), seguindo a linha de
priorização abaixo:

Trabalhadores de Saúde da Rede Pública ou Privada, acima de 18 anos.

Idosos acima de 60 anos.

Pessoas com comorbidades, acima de 18 anos.

Gestantes e puérperas (45 dias após o parto), acima de 18 anos.

Pessoas com Deficiência Permanente, acima de 18 anos.

Pessoas em Situação de Rua, acima de 18 anos.

Funcionários do sistema de privação de liberdade, acima de 18 anos.

Trabalhadores de Educação, acima de 18 anos.

Forças de Segurança e Salvamento e Forças Armadas.

Trabalhadores de Transporte Coletivo Rodoviário de Passageiros Urbano e de Longo Curso, acima de 18 anos.

Trabalhadores de Transporte Metroviário e Ferroviário, acima de 18 anos.

Trabalhadores de Transporte Aéreo, acima de 18 anos.

Trabalhadores de Transporte Aquaviário, acima de 18 anos.

Caminhoneiros, acima de 18 anos.

Trabalhadores Portuários, acima de 18 anos.

Trabalhadores Industriais, acima de 18 anos.

Trabalhadores da limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, acima de 18 anos.

População em geral com idade vigente de vacinação no Distrito Federal”

Isto posto, não constato qualquer ofensa à isonomia na distribuição dessas doses remanescentes, ao reverso, entendo
uma estratégia eficiente – ante o cenário de escassez de vacinas amplamente noticiado – baseada em critérios técnic
com ampla transparência e publicidade na divulgação das vagas existentes para imunização, conforme consta na
circular citada.

Noutra vertente, a SES/DF, em resposta a PGDF acerca da divulgação dos critérios de vacinação e abertura de nova
vagas (ID 96247956), apresentou os seguintes esclarecimentos:

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“(...) A cada remessa de vacinas que o Distrito Federal recebe do Ministério da Saúde é encaminhado
anteriormente uma nota técnica que já traz as orientações acerca dos grupos prioritários que devem ser
atendidos e sobre o uso dessas vacinas como primeira ou segunda dose. Depois disso, o Comitê de
Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 no DF, formado por diversas áreas técnicas da Secretaria
Saúde do DF, reúne-se para discutir a ampliação da vacinação de acordo com as doses que chegam. Cada do
tem o destino certo para os brasilienses. Todo o planejamento da vacinação é feito e calculado baseado na
estimativa populacional do público alvo vigente. Por isso, após cada chegada de vacina o Comitê se reúne par
planejar a estratégia de vacinação que será implantada.

Primeiro as doses são recebidas na Rede de Frio Central e depois são distribuídas para as Regiões de Saúde, que po
sua vez as encaminham para os pontos de vacinação de sua região para atender ao público estimado que deve busca
dose naquele ponto.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, do Ministério da Saúde, foi desenvolvido
pelo Programa Nacional de Imunizações com apoio técnico-científico de especialistas na Câmara Técnica Assessor
em Imunização e Doenças Transmissíveis. Sendo assim, a estimativa de cada público-alvo foi calculada por estes
grupos técnicos para cada estado.

Com a possibilidade pelo Ministério da Saúde, por meio da NOTA TÉCNICA Nº 717/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/M
de que estados com baixa procura possam avançar nas idades, o DF adotou a estratégia de, considerando a baixa
procura dos grupos vigentes, remanejar as doses para a população em geral abaixo de 59 anos. Com isso, hoj
pessoas acima de 48 anos já podem agendar suas vacinas. Enquanto isso, os demais grupos para quem o
Ministério da Saúde está enviando as doses continuam também sendo atendidos.

Como o Distrito Federal é dependente das doses encaminhadas pelo Ministério da Saúde, o avançar da vacina
depende dessa previsão de chegadas de novas remessas pelo órgão federal.

Todas as decisões tomadas no âmbito de Secretaria de Saúde e Governo do Distrito Federal são amplamente
divulgadas por meio das coletivas de imprensa semanais que ocorrem sempre às segundas e quintas-feiras, n
Palácio do Buriti, com a presença do Secretário de Saúde do DF e do Chefe da Casa Civil. Por meio dessas
coletivas, que são transmitidas ao vivo pelas redes sociais do GDF (link:
https://www.youtube.com/c/Ag%C3%AAnciaBras%C3%ADliaNot%C3%ADcias/videos), todas as deliberações,
informações de remessas de doses que o DF recebeu ou tem previsão de receber, abertura de vagas para
vacinação, datas dessas vacinações e quais os públicos a serem atendidos são informados. Logo após a coletiv
imprensa as informações são repercutidas em todas as Redes Sociais do GDF e da Secretaria de Saúde, inclu
os seus sites oficiais, além da divulgação realizada pela imprensa do Distrito Federal que acompanha as colet
e produz conteúdos para os seus veículos de comunicação trazendo à luz da população as informações
repassadas durante a coletiva.

Informações sobre a população já vacinada no Distrito Federal também ficam disponíveis no site da Secretar
de Saúde: http://www.saude.df.gov.br/vacinometro/.”

Por sua vez, ao menos nessa análise preliminar, constato que o Distrito Federal tem dado ampla transparência e
publicidade na gestão da pandemia, em especial para a campanha de vacinação contra a Covid-19, discriminando
tecnicamente os grupos prioritários e as pessoas que serão contempladas de acordo com a remessa das doses pelo
Governo Federal, não havendo que se falar, a princípio, em violação à moralidade, publicidade, razoabilidade ou
legalidade.

Lado outro, não cabe ao Judiciário adentrar em questões atinente ao mérito administrativo, cabendo à Administraçã
Pública a escolha motivada pela melhor forma de distribuir as vacinas contra a Covid-19, estabelecendo, para tanto,
definição de qual parcela da população deve prioritariamente receber o imunizante, sempre tendo por base a suprem
do interesse público sobre o particular.

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O controle judicial dos atos administrativos se limita a aspectos da legalidade, com vistas a evitar a interferência do
Judiciário na esfera administrativa, a fim de que não se adentre sobre a conveniência e a oportunidade do ato sob o
prisma do atingimento do interesse público.

Verifica-se que a imunização no Distrito Federal vem ocorrendo de forma gradativa, de acordo com a real oferta da
vacinas, o que somente reforça o entendimento de que, ante o cenário de calamidade pública que enfrentamos, resta
população aguardar seu momento de ser contemplado com a vacina, não cabendo ao Judiciário se imiscuir nos crité
adotados pelo Ente Distrital no tocante à imunização da população.

Cumpre enfatizar que a ordem de prioridades em relação à imunização cabe à Administração Pública, principalmen
pela evidente insuficiência de imunizantes e os diferentes grupos de interessados na imunização, sendo certo que to
os cidadãos têm direito de receber do Estado a proteção necessária a salvaguardar o direito à vida e à saúde.

Por certo, neste momento, mostra-se complexo dar atendimento a todos os cidadãos ante a reconhecida escassez das
doses, sendo inviável, assim, estabelecer um calendário de vacinação para toda a população, pois não se sabe quand
remessa das vacinas será enviada pelo Governo Federal, a depender deste, portanto, para o propósito aqui pleiteado
como dito alhures.

Releva assinalar, ainda, que a definição de grupo prioritário para receber o imunizante envolve estudos técnicos e
científicos para determinar quais são os grupos que estão mais vulneráveis à contaminação pelo vírus. Por isso mesm
compreende uma das etapas de uma série ordenada de medidas de urgência que estão sendo adotadas em nível local
nacional e mundial, a fim de proceder com a imunização da população, não refletindo a vontade pessoal de
determinado administrador, traduzindo-se em uma decisão política, permeada pelo interesse coletivo.

Assim sendo, não vislumbro qualquer ilegalidade ou abuso de poder nas condutas estatais. Além do mais, repise-se,
cabe ao Poder Judiciário se imiscuir em matéria desse jaez, porquanto tais decisões demandam análise técnica,
principalmente a partir dos dados elaborados na seara administrativa, constantemente atualizados, acerca dos grupo
prioritários que deverão receber a imunização na ordem de suas necessidades.

Não fosse isso, o deferimento da liminar tem condão de impactar diretamente no plano o qual, até o momento, tem
construído na órbita da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal com a participação de diversos setores da
Administração Pública.

Como se pode perceber, diversamente do alegado pelos autores, estão sendo adotados procedimentos na esfera
administrativa objetivando viabilizar a vacinação da população em geral, ainda que tais medidas não sejam aquelas
esperadas pelos requerentes, em sua plenitude.

Não se ignora o momento delicado vivenciado diante da pandemia da Covid-19. E a situação posta nos autos se rev
deveras complexa, dada a natureza das políticas em cotejo, cujo escopo decorre diretamente do texto constitucional
conforme se depreende do artigo 196 da Carta da República.

Todavia, verifico que as medidas pleiteadas se relacionam diretamente à organização administrativa do Órgão,
impactando na sua gestão, situação que requer cautela por parte do Poder Judiciário, sendo necessária uma análise
minuciosa dos critérios adotados para elaboração do cronograma de prioridades visando o recebimento da imunizaç

Qualquer interferência do Poder Judiciário pode desaguar na completa desestruturação da política pública criada, po
isso mesmo, ao reverso, encontra-se presente, no caso em análise, o perigo de dano inverso. Logo, cumpre efetivam
ao Estado a elaboração de políticas públicas voltadas à contenção da pandemia, máxime a construção do plano de
vacinação, não cabendo ao Poder Judiciário, salvo situação de ilegalidade flagrante, se imiscuir nesta decisão.

Por fim, o art. 5º, II, da CF determina que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em
virtude de lei. E não há determinando expressamente que os Estados e Municípios apresentem previamente u
calendário de vacinação. Ademais, não há como estabelecer o calendário de vacinação se o Ministério da Saú
não informa com antecedência qual o tipo e a quantidade de vacinas que serão entregues, o que fere
frontalmente o princípio da razoabilidade administrativa.

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Por conseguinte, não constato a presença da probabilidade do direito vindicado, requisito indispensável ao deferime
da medida. Desse modo, o pedido de tutela de urgência deve ser indeferido.

Ante ao exposto, forte nas razões de direito, INDEFIRO os pleitos de tutela de urgência, por ausência de
preenchimento dos requisitos legais.

Após as contestações ou decorridos os prazos, réplica.

Após, remetam-se os autos ao Ministério Público.

Intimem-se.

[1] ADPF 45 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 29/04/2004, publicado em DJ 04/05/2004
PP-00012 RTJ VOL-00200-01 PP-00191.

Brasília - DF, 8 de julho de 2021 07:54:13.

JANSEN FIALHO DE ALMEIDA

Juiz de Direito

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