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Faculdade de Letras e Ciências Sociais

Departamento de Arqueologia e Antropologia

Licenciatura em Antropologia

3ª Ano 1 Semestre

Antropologia Urbana

Docente: Margarida Paulo

Discente: Joana Mussica

Resumo de testos

Referências bibliográficas

Velho, Gilberto (1994), trajectória individual e campo de possibilidades

Velho (1994), faz uma retrospectiva sobre a sua trajectória individual onde fala da sua
experiência na realização de pesquisa de treinamento com a população portuguesa da Nova
Inglaterra. Actividade que fazia parte do seu programa de trabalho no Departamento de
Antropologia da Universidade do Texas em Austin.

Velho (1994), diz que em 1971, durante estadia nos EUA passou o verão local no final de maio,
advoga que, no início dos anos 70 no EUA caracterizava-se por forte efervescência política e
cultural. O fato de ser período de verão diminuía um pouco a intensidade habitual da presença
universitária, mas ainda assim era grande a efervescência.

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O autor explica que as diferentes manifestações de contracultura que desde os meados dos anos
60 cresciam nos Estados Unidos. Cruzavam-se ali candidatos ao Prémio Nobel, grupos de Hare
Krishna, bolsistas de todas as partes do mundo, hippies, membros de seitas satânicas, turistas etc.
A diversidade étnica, linguística e cultural era reforçada por imigrantes diversos entre os quais se
incluíam os portugueses que, de um modo geral, estavam ligados a actividades de serviços mais
modestas como faxina e limpeza. Outros eram trabalhadores de construção civil em obras de
prédios, reparos, estradas. Alguns que já tinham rudimentos de língua inglesa trabalhavam como
garçons em bares e restaurantes disputando emprego com jovens estudantes à procura de um
dinheiro extra.

O autor diz que as sociedades complexas moderno-contemporâneas são constituídas e


caracterizam-se por um intenso processo de interacção entre grupos e segmentos diferenciados.
A própria natureza da complexidade moderna está indissoluvelmente associada ao mercado
internacional cada vez mais omnipresente, a uma permanente troca cultural através de migrações,
viagens, encontros internacionais de todo o tipo, além do fenómeno da cultura e comunicação de
massas. As fronteiras entre os estados e nações são cruzadas de todos os modos por relações
económicas, de poder e culturais em quaisquer níveis.

O autor explica que os indivíduos modernos nascem e vivem dentro de culturas e tradições
particulares, como seus antepassados de todas as épocas e áreas geográficas. Mas, de um modo
inédito, estão expostos, são afectados e vivenciam sistemas de valores diferenciados e
heterogéneos. Existe uma mobilidade material e simbólica sem precedentes em sua escala e
extensão. Diz o autor que há necessidade de ver a hierarquia não apenas como uma
sobrevivência da sociedade tradicional, mas como um poderoso mecanismo sociológico
actuando permanentemente com maior ou menor visibilidade sobre toda a vida social. Assim, as
diferentes combinações entre ideologias holistas e individualistas constituem uma das marcas
características dos processos sociais que tenho procurado analisar nos meus trabalhos.

Velho, Gilberto (2003), o desafio da proximidade

Velho (2003), explica que dentro do campo da antropologia nas ultimas décadas houve uma
ampliação. E isso torna cada vez mais complexo indicar tema ou mesmo fenômeno sociocultural,
que não tenha sido nenhum objecto de pesquisa ou mesmo de um tipo de reflexão. Este

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movimento foi bastante significativo nas mudanças em relação aos eixos de preocupação até
agora dominates, que eram a etnologia.

O autor diz que na passagem dos seculos XIX-XX, os cultos afro-brasileiros e as populações de
origem, africana em geral tem sido objeto de atenção dos antropologos brasileiros e estrangiros,
como Edilton Carneiro, Roger Bastide, Artur Ramos. Estes autores travam de ênforcar-se nas
poulações urbanas, estes autores atuaram entre os anos 1930-1960 do seculo xx. A temática dos
afro-brasileiros e outras manifestações religiosas não somente continuam sendo importantes, mas
tornam-se no interior dos estudos urbanos que é uma área mais productiva.

O autor diz que na sua pesquisa de doutoramento dedicou-se ao estudo das camadas média
superiores na fronteira com as elites. Esses limites eram tanto complexos porque envolviam
renda, status, educação e estilo de vida. Em certas situações, poderiam conviver familias de
banqueiros com artistas e intelectuais de situação financeira modesta.

O autor explica que em copacabana basseou-se na observação directa e no contacto permanente


com os moradores e com a vida do prédio em geral. O autor conversou com as pessoas do local e
assistiu a conflitos e dramas de todos os tipos. Mas o tempo todo o autor sentia-se como alguém
que se encontrava fora daquele mundo. Assim o autor explica que actualmente estudar o
proximo o vizinho, o amigo, já não é um empreendimento tão excepcional. Pelo contrário, a
importância do estudo de projectos induviduais e colectivos nos quais as possiveis contradições e
ambiguidades, provindas dos multipertencimentos, apresentam-se, pelo menos em parte
subordinadas a uma ação racional. Este multipertencimento permite ao antropologo pesquisar sua
propria sociedade.