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PRINCÍPIOS PENAIS E SUA APLICABILIDADE FÁTICA

Resumo: O estudo dos Princípios Penais é importantíssimo para uma abordagem mais
crítica e ampla do Direito Penal. Em geral, os princípios têm por objetivo o favorecimento do
réu que, por sua vez, precisa de uma eficaz defesa, isto é, bons advogados para garantir que
esses princípios sejam de fato aplicados. A questão que se levanta é se esses princípios, tão
bem postos no plano do “dever ser”, são efetivamente aplicados na realidade do judiciário. Se
são aplicados, qual o efeito dos tais na sociedade?

Palavras-chave: Direito Penal, Teoria do Delito, Princípios Penais.

1 – INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo apresentar os principais Princípios Penais, a


saber, o Princípio da Lei Penal no Tempo e no Espaço, o Princípio da Legalidade, da
Anterioridade, da Fragmentariedade e da Subsidiariedade. A proposta, ainda, é discutir sobre
a aplicação de tais princípios no contexto real do judiciário brasileiro face às complexas e
abundantes demandas judiciais.

2 – DESENVOLVIMENTO

O que são princípios?

Princípios são a estrutura sobe a qual se constrói alguma coisa.


Como cita Celso Antonio Bandeira de Melllo:

Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce


dele, disposições fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o
espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por
definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá
sentido harmônico. È o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das
diferentes partes componentes de todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo.1

Princípio da Lei Penal no Tempo e no Espaço

O Princípio da lei penal no espaço, pode ser em alguns casos complexos, porque um
sujeito que é americano cometer um crime aqui no Brasil, o mesmo será julgado pelas leis
brasileiras, mas se ele é um diplomata, será aplicada as leis do seu país, o sujeito carrega ou
1
Celso Antonio Bandeira de Mello ( Curso de Direito Administrativo. 8ªEd.São Paulo:
Malheiros Editores, 1996, p 545.)
tem essa imunidade, ou seja, o princípio da territorialidade não é absoluto, esses casos podem
ser chamados de Intraterritorialidade, que é a aplicação da lei estrangeira em crimes ocorridos
no Brasil.
A lei penal no espaço é um pouco complicada, porque o que é crime aqui no Brasil,
pode não ser em outro país ou vice versa. No entanto, podemos citar muitos exemplos que se
encaixam nessa idéia, por exemplo o adultério deixou de ser um crime no Brasil e em alguns
países é considerado um grave crime que leva o autor a pena de morte. E também o caso da
maconha que é liberada na Holanda e no Brasil é proíbido.
Em relação a lei penal no tempo, uma lei não pode retroagir no tempo segundo a Constituição
da República Federativa do Brasil, salvo para beneficiar o réu e, esse princípio é usado apenas
na lei penal. Esse é um princípio da extratividade, que consiste em possibilidade de aplicação
de uma lei a situações ocorridas fora de sua vigência.
Então, podemos notar que, princípios penais são a base do direito penal, esta base que
dá algumas garantias ao individuo que é alvo do direito penal.

Principio da Legalidade

Um dos principais ou até o mais importante é o principio da legalidade.


Está deferido nas CRFB/88 em seu art.5°, XXXIX “não há crime sem lei que o define
nem pena sem prévia cominação legal.”2
E logo no começo do CPB em seu art.1, sendo o seu titulo Anterioridade da lei.
Este principio lembra outro chamado Garantismo, que como a anterioridade fala que “
somente a lei pode punir”, o garantismo nos mostra uma das grandes importâncias do estado
democrático de direito, quando mostra a todos que não há mais lei da noite pro dia, que está
depende de um processo legislativo que exprime confiança.3
Também encontramos junto com a anterioridade a irretroatividade que será tratado nos
próximos tópicos.

Princípio da Fragmentariedade

O Princípio da fragmentariedade, seria uma forma de que o Direito Penal seja ativado
em ultimo caso, o ultimo recurso, ultima apelação.
Como cita Maurício Macêdo dos Santos e Viviane Amaral Sêga “o direito penal
possui um caráter fragmentário, ou seja, deve ocupar-se somente daqueles casos em que
há uma ameaça grave aos bens jurídicos tutelados pelo Estado, logo, nunca
disciplinando bagatelas irrelevantes.”4
2
Como Beccaria já dizia em 1729 “só as leis podem decretar as penas para os delitos. Esta autoridade não pode residir se
não no legislador, que representa toda a sociedade organizada por um contrato social"
3
Quebra com o paradigma que a lei era feita pelo rei ou monarca na hora que quiser sem
prévia autorização do povo.
4
Artigos de Maurício Macêdo dos Santos e Viviane Amaral Sêga. Vide sitio
http://jus.uol.com.br/revista/texto/950/sobrevivencia-do-principio-da-insignificancia-diante-das-
Principio da Subsidiariedade

Este princípio diz respeito a “ultima ratio” o ultimo recurso a ser utilizado, pois fere a
liberdade do cidadão, então o que nota-se que o direito penal deve ser chamado quando os
demais âmbitos do direito não forem eficazes com o problema.
Nos tempos atuais isso não está acontecendo; esse princípio não menos importante
está sendo esquecido, pois, o Direito Penal é acionado imediatamente. A exemplo disto
podemos citar a pensão alimentícia: o não pagamento da pensão resulta em prisão da parte
que se encontra inadimplente. Ou seja, não se trata mais de uma “ultima rátio” e sim de uma
conduta primaria, tentam buscar através deste princípio talvez uma solução mais rápida, mas
na maioria das vezes mais drásticas.

Principio da Anterioridade

Art. 1° do CPB “Não há crime sem lei anterior que o defina, Não há pena sem prévia
cominação legal”.
Tendo em vista o caput do artigo, podemos refletir que o princípio da anterioridade
seria uma forma de não se poder condenar alguém pelo simples fato de que ele tenha feito
algo errado sem que esse erro esteja previsto em lei, sem uma sanção prevista. Não existe
crime sem a devida aprovação legal.
Contudo podemos analisar que esse princípio seria uma base de que o Direito Penal
estaria se precavendo de qualquer injustiça que possa ser submetida a qualquer cidadão.

3 – CONCLUSÃO

Concluímos que os princípios do Direito Penal, têm como um objetivo um maior


entendimento e uma forma mais justa de se julgar uma conduta ilícita cometida pelo
individuo. Pois vimos que cada princípio possui seu sentido significativo para que auxilie o
Direito Penal, sendo que este não se entregue as primeiras evidências, mas sim pelo o fato
realmente vivenciado.
Portanto, os princípios, em tese, têm a finalidade de resguardar a integridade do réu,
porém na aplicabilidade fática isto não se confirma no seu todo, seja por falta de um advogado
eficaz, seja por falha do próprio sistema.
disposicoes-da-lei-9099-95
Referencia bibliográficas

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio( Curso de Direito Administrativo. 8ªEd.São


Paulo: Malheiros Editores, 1996, p 545.

BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. 2 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
1997.

SANTOS, Maurício Macêdo dos; SÊGA, Viviane Amaral. Sobrevivência do princípio


da insignificância diante das disposições da Lei 9099/95. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n.
46, 1 out. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/950>. Acesso em: 13
mar. 2011.