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Se Deus é bom, porque o mal existe?

Essa é uma questão muito interessante e que provavelmente muitos de vocês já


devem ter enfrentado na escola quando algum colega ateu conversa contigo sobre Deus ou
sobre fé. Eu pelo menos fiquei contra a parede várias vezes quando eu era adolescente porque
eu não sabia responder. A reposta pra essa pergunta é bem complexa, e por isso vou precisar
da atenção de vocês nos próximos 10 minutinhos.

Primeiro, antes de responder isso, a gente precisa entender quando que o mal surgiu,
afinal, se Deus criou todas as coisas, foi Ele quem criou o mal também? Quando falamos que
algo é mal está implícito que temos algo bom como referência, porque se não tivermos essa
referência do bem como podemos dizer que aquilo é mal? Da mesma maneira que sabemos o
que é mentira porque conhecemos a verdade (1 João 2:21), a gente sabe o que é mal porque
conhecemos o bem. Por isso, sabemos também que o mal é a corrupção do bem, ou seja, os
dois não podem ter surgido ao mesmo tempo, porque algo precisa primeiro existir pra que
depois possa ser corrompido. E se o mal veio depois, significa que ele não faz parte da
natureza de Deus, que sempre existiu (Salmos 90:2). Com toda essa explicação, a gente
consegue entender que Deus é necessariamente bom (Marcos 10:18) e que o bem é eterno,
sempre existiu. E além disso, entendemos também que o mal só passou a ser uma
possibilidade quando Deus criou outros seres (nós), porque antes disso só existia Deus e já
sabemos que Deus é bom e que o bem dEle é eterno.

Pra explicar melhor: todo ser criado teve necessariamente um início, e com isso ele
será sempre inferior ao seu Criador, porque o Criador sempre existiu (Romanos 9:20). Inferior
em TODOS os sentidos, inclusive no aspecto moral (Isaías 55:8-9), que é o que separa o que é
bom do que é ruim. Isso tudo nos diz que somente Deus é bom, e que seres criados só podem
ser considerados bons se permanecerem nEle. Se não permanecerem na bondade, serão
obrigatoriamente maus (Salmos 14:1-3). Os anjos e até mesmo Adão e Eva já foram criados
desfrutando dessa comunhão com Deus, ou seja, eles só conheciam o bem de Deus. E quando
a criação achou que poderia ser boa sem Deus, foi aí que surgiu o mal. Foi o que aconteceu
com o Diabo e posteriormente com Adão e Eva.

Bom, agora que sabemos que não foi Deus quem criou o mal, e que o mal só surgiu
quando o homem achou que poderia ser bom sem Deus, podemos responder a pergunta: se
Deus é bom, porque o mal existe?
Alguns de vocês já devem ter visto o Paradoxo de Epicuro. O propósito desse paradoxo
era explicar que é impossível a existência de um Deus bom, onipotente e onisciente em um
mundo cheio de maldade. Porque se Deus pode tudo por ser onipotente, e se ele sabe de tudo
por ser onisciente, logo, ele sabe da existência do mal e sabendo da existência do mal, ele
DEVERIA destruir o mal. Do contrário, Deus não é bom. Mas a coisa não é bem assim.

Vocês já pararam pra pensar na natureza da palavra "mal"? O conceito de "mal" por si
só, como vimos antes, é inexistente. O mal é a ausência do bem, o mal só poder ser definido
porque conhecemos o que é bom. O mal não tem como existir se não tivermos o que é bom
como referência. E se Deus não existisse, de onde viria essa referência do que é bom? Se
vivêssemos em um universo completamente ateísta tudo seria governado apenas pelas forças
cegas, impessoais e indiferentes do tempo e da seleção natural definida por Darwin. Se
analisarmos um assassinato desconsiderando a existência de um Deus bom, o máximo que
poderíamos afirmar é que não gostamos que as pessoas matem umas as outras, mas não daria
pra afirmar que aquilo é mal porque não teríamos em nós a presença da Lei Moral de Deus. Se
você remove Deus da equação, só existem dois lugares em que você pode basear a moral
humana: ou cada ser humano define o seu próprio código moral, o que não daria certo porque
o que seria errado para um não necessariamente seria errado para outro, ou os seres humanos
concordariam que o governo definiria o que é certo ou errado através de um código de leis, o
que também resultaria em erro pois teríamos o problema da tirania da maioria (o certo seria
baseado no que é certo para a maioria, não no que é certo para todos). Mas a gente não pode
viver assim! A gente precisa de alguma lei que seja soberana a todas as outras leis
estabelecendo o que é bom para todos. Essa é a Lei de Deus. O nosso instinto é regrado por
essa Lei. Quando vemos alguma injustiça, assassinato ou violência a nossa reação instintiva é
dizer "NÃO! Isso está errado! Isso é mau!". E esse grito por justiça que vem de dentro da gente
só faz sentido se tem um Deus bom por trás de todo esse universo, regrando tudo isso, e que
estabelece uma fundação inabalável sobre o que é bom e o que é mau.

Então a partir do momento em que alguém levanta essa pergunta central achando que
vai poder provar a inexistência de Deus com ela, o que essa pergunta faz é justamente o
contrário. A presença do mal não nos leva ao ateísmo, mas sim nos leva ao reconhecimento de
que realmente existe um Deus e que esse Deus realmente definiu os valores morais que
seguimos para condenar o que é mau. O mau existe porque só Deus é bom, e Deus tem uma
razão moralmente satisfatória para que esse mal exista.