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Variabilidade Climática: Análise Crítica

Este documento discute abordagens para o estudo da variabilidade climática. Muitos estudos foram desenvolvidos de forma não sistemática, com diferentes propósitos, técnicas e escalas. Isso dificulta a troca de informações e conclusões globais sobre o tema.

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Variabilidade Climática: Análise Crítica

Este documento discute abordagens para o estudo da variabilidade climática. Muitos estudos foram desenvolvidos de forma não sistemática, com diferentes propósitos, técnicas e escalas. Isso dificulta a troca de informações e conclusões globais sobre o tema.

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Rev. IG. São Paulo, 16(112), 21-31,jan./dez.

/1995

A QUESTÃO DA VARIABILIDADE CLIMÁTICA


Uma reflexão crítica

Lucí Hidalgo NUNES


Magda Adelaide LOMBARDO

RESUMO

O artigo discute a questão da variabilidade climática através da consideração de diver-


sos artigos que de alguma forma são voltados a essa temática. Tais estudos foram elaborados
de maneira não sistemática, à luz de diferentes propósitos, técnicas e áreas de abrangência.
Conclui-se não haver consenso quanto à questão, de modo que o grande número de trabalhos
voltados ao tema não vem contribuindo para uma estruturà comum que leve a um conheci-
mento amplo desse objeto.

ABSTRACT

The paper discusses the subject climatic variabilityas treated ln a number of papers ela-
borated not systematically, which means they had different purposes, and used different
techniques in different areas. Despite the number of papers, there is no consensus conceming
climatic variability.

INTRODUÇÃO ecossistemas, desaparecimento de inúmeras


espécies, redução de disponibilidade de água
fresca e aumento do nível dos oceanos (THE
Embora a variabilidade seja uma compo- NAIROBI DECLARATION ON CLIMATE
nente conhecida da dinâmica climática, seu CHANGE, 1~90).
impacto, mesmo dentro de limites esperados, Apesar do grande esforço empreendido por
pode ter reflexos significativos nas mais diver- pesquisadores interessados na questão da varia-
sas atividades humanas, como agropecuária, bilidade climática, deve-:sesalientar que o siste-
indústria e produção de energia. ma climático é de tal. modo complexo em ter-
As sociedades e os recursos tecnológicos mos de variáveis intervenientes, interações
estão relativamente adaptados a um certo nível dinâmicas e processos interescalares, que até
de variabilidade climática, além do qual as ano- hoje é apenas parcialmente conhecido.
malias podem provocar profunda desestrutura- Contribui para iss.o o fato de que as próprias
ção no sistema ambiental e sócio-econômico. ferramentas de análise utilizadas para a com-
S~gundo muitos cientistas, mudanças globais - preensão da variabilida.de climática são clara-
notadamente climáticas - já estariam em curso, mente deficientes no tratamento de aspectos
devido ao. aumento da atividade industrial, que altamente dinâmic()s e fruto de interação de
levou à maior concentração de gases de efeito processos tão diferentes, como os que com-
estufa (dióxido de carbono, metano, óxido põem o clima, .

nitroso) ao mesmo tempo em que o sistema O presente trabalho apresenta uma discus-
ambiental, que dá o suporte à manutenção da são quanto às formas de tratamento que vêm
vida no planeta, encontra-se profundamente sendo usadas para.essa questão. Longe de se
desestruturado; devido à explotação insustentá- propor a esgotar o tema, pretende-se apresentar
vel dos recursos naturais. Como conseqüência, um panorama parcial dos estudos voltados à
estariam ocorrendo mudanças no padrão de análise da variabilidade climática, demonstran-
precipitação e ventos, esgotamento de vários do que o desenvolvimento dessa temática vem

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se dando de forma não sistemática, dificultando urbano. Para a compreensão das mudanças glo-
a troca de informações entre os diversos estu- bais que vêm afetando o ambiente como um
dos e, conseqüentemente, conclusões mais todo, WOODMANSEE (1988) salienta que são
gerais que possibilítem uma apreensão global necessárias avaliaçqes não apenas na escala
do tema. local, mas no ambiente global. Esse autor clas-
sifica os fenômenos' ambientais em dois tipos:
20S TRATAMENTOS DADOS À fenômenos universais (universal phenomena),
TEMÁTICA que seriam uniformes ao longo de todo o globo
(ex., concentração de certos gases, comoCOz e
ContribuiçÔes isoladas têm sido dadas ao NOz na atmosfera) e fenômenosdisjuntivos
tratamento da variabilidade climática.
(disjunctive phenomena ), que seriam locais ou
Geralmente, são estudos de casos desenvolvi- regionais, mas presentes ,de alguma forma em
dos para atender propósitos específicos, elabo- diferentes partes 'do globo (ex. contaminação de
rados à luz de técnicas e escalas têmporal e água subterrânea, erosão e sedimentação, etc.).
espacial condizentes com essas pesquisas. Há autores que questionam em diferentes
A maior parte dos trabalhos selecionados gralls a validade' de Jtabalhos elaborados na
foram elaborados a partir do final da década de escala local.para a cÔmprêensão da variabilida-
70, em diferentes continentes, porpesquisado- de global, afirmandq.que variações locais e
res com variadas formações e utilizando distin- regionais do tempo',e clima não poderiam ser
tas formas de tratamento.
compreendidas sem a consideração do globo
Os aspectos conflitantes entre os artigos todo. PARKER& FObLAND (1988) manifes-
analisados serão apresentados por temas. Opri- tafu essa idéia, embora admitindo que a variabi-
meiro a se destacar é a diferença quanto ao tra- lidade climática édepêJ)dente não só da com-
tamento escalar da variabilidade ,climática. plex'l dinâmica atJ:Il()sféricae seus processos de
Seguem discussões das técnicas utilizadas na troca com os oceanos e biosfera, mas também
elaboração .dos estudos, impactos da variabili- deinfll1ências extêrnas, como mudanças sola-
dade climática na sociedade e qualidade dos res, erupções vu1cânicase poluição produzida
dados utilizados na elaboração daspesquisas~ pelo homem.
Observam-se não apenas pontos"de vista dife- COUGHLAN & NYENZI (1991), ao
rentes, mas também interesse menor ou até ine- sumarizarem os tipos de tendências e variabili-
xistência de discussão de aspectos de mister dades climáticas a/que uma área pode estar
importância, especialmente relacionado aos sujeita, enfatizama importância de se dirigir
dois últimos temas. estudos para osriíveis local e regional, onde
HARE (1985) discute interações escalares, seus impactos serão .mais sentidos. Ressaltam,
salientando a dificuldade em se detectar even- ta.mbém, a existência de modelos de telecone-
tuais mudanças.e como seria difícil que os 'pro- xão deanomaliasdimáticas sistemáticas e con-
cessos globais fossem afetados "porfatos ocor-
temp9r~neas emdlfên~n'tes partes do gl?bo.
rentes em outras escalas. Essa'Ídéia já havia Entretanto, RIEBSAME & MAGALHAES
sido explorada por MONTEIRO (1978) ao tes- (1991)enfatizam áfato de que muitos.estudos
saltar que a ação modificadora do homem agi- de casos individu,~s de avaliação da variabili-
ria em grau crescente da escala taxonômica dade climática, embora compondo rica base de
(criando as menores unidades e alterando as conhecimento local; não têm contribuído para
médias, ao agir sobre as propriedades extensi- umadh'utunl cbnceitual comum que s~ja mais
vas do clima), aíndaque não dominando a dinâ"'- do que a"soma:ch:l.'spattes. Já GREGORY
mica intrínseca da atmosfera; de onde emanam (f993 ),preocupa-sê com'a repercússão em dife-
os mecanismos geradores da sucessão de seus rentes"11íveísescala,rêsde processos apontados
estados; CLARK (1985), ao avaliar interações comoglobais,aosalienlarque essas alterações
entre clima, ecossistemas e sociedades, põe em podêmêstâr repercutindo de fôrma diferenciada
evidência as diversas ordens de magnitude ou até serem inexistentes a nível local, 6 que
espacial e temporal envolvidas nesses estudos e justificadam estlldbs:nessaescala de maior
ressalta a dificuldade em se combinar escalas detalhe. Investiga dados históricos' de tempera-
de acordo cornos processos e modelos envolvi- tuta e chuva de-ShefHeld, Inglaterra, num
dos. Em seu estudo de caráter'ambiental, IbOM- p~ríôdôde 100 anôs(l891-1990),a nível anual
BARD0 (1985) atesta a significância da ativi'" e;sazÓna.l,conc1uinClô,não'11aver para'essa área
dade urbana no processo de alteração climática evidências ctemuganças, embora apareçam
local, observando existência de ilha de calor na algumas'.tendências,espeeialmente para a tem-
metrópole paulistana,. com maior temperatura peratura.,Ao encontro dessa idéia, PITTOCK já
no centro comercial e declíniono limite rural- manife,st'ara, em\1978, que algumas áreas

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seriam sensíveis às mudanças no padrão mais fatores causais ligados à circulação atmosférica
geral da circulação atmosférica do que outras. de grande escala e efeitos regionaisllocais. Para
Vários outros autores, ao elaborarem estu- a compreensão das diferenças espaciais da plu-
dos para escala de maior detalhe, associam as viosidade na Crdácia, PANDIZIC (1988) atesta
variabilidades encontradas a processos atmos- a importância de aspectos ligados à circulação
féricos de escala global e controles locais. atmosférica abrangendo grandes áreas (passa-
Entre estes, ALDAZ (1971) conclui que a dinâ- gem de ciclones, anticiclones e frentes frias).
mica da atmosfera superior exerceria predomí- Em estudo da chuva por 30 anos nos
nio sobre o regime de chuvas no Brasil, sendo Pampasargentinos, KREPPER. et alo (1989)
que fatores como topografia e insolação teriam avaliam a variabilidade temporal (interanual,
também papel decisivo nas diferentes configu- anual e intra-anual) e espacial pelo emprego,
rações. PITTOCK (1978) assinala que padrões respectivamente, de .função'empírica ortogonal
de flutuação climática em escala espacial e e análise espectral. Notam tendência a aumento
temporal de detalhe são em certa extensão das chuvas e picos máximos de 12-, 6- e 7-
organizados em escala global, ainda que feições meses. Flutuações da chuva anual para
fisiográficas (ex. topográficas) influenciem a Queensland, Austrália, são detectadas por
expressão local desses padrões de flutuação de 'GREGORY (1991) relacionadas a temperaturas
larga escala. MOTHA et ai.(1980) concluem da superfície do oceano Pacífico Tropical
que as variações espaciais da seca na África Oriental. Discorrendo sobre a grande variabili-
Ocidental se devem à posição da Zona de dade natural do clima regional, SHUKLA
Convergência Intertropical (ITCZ), também (1991) ressalta que as anomalias climáticas de
variável devido à influência de fatores zonais. curto período seriam manifestações de intera'-
TALBONY (1981) apresenta os padrões de ções entre atmosfera e biosfera e entre atmosfe-
anomalia de chuva mais importantes na Europa, ra e oceano emescalãs regional e global.
que se' associariam tanto a fatores locais (oro- SUGAHARA (1991) atesta que a Oscilação Sul
grafia) como a eventos de grande escala (gra- afetaria as chuvas no Estado de São Paulo,
diente Norte-Sul). MOLTENI et aI. (1983) associando-se tanto a anomalias positivas como
apontam a relação entre alguns tipos de circula- negativas. WARD & NUNES (1993) sugerem
ção na baixa troposfera da Europa e evolução que o padrão da temperatura da superfície do
de tempo diário no Norte da Itália. GOMES mar, que influencia as chuvas na área tropical
(1984), analisando a variabilidade da chuva na norte da África, interferem também nas chuvas
bacia hidrográfica do Alto Tietê, associa siste- do período mais seco de São Paulo, CO:plclaro
mas atmosféricos e fatores locais que produzem sinal, portantO',de teleconexão. A influência de
os tipos de tempo dominantes na área. eventos fortes de EI'Nifio na organização espa-
NICHOLSON (1986) se apóia em estudos de cial da chuva de outono no entorno da cidade
fenômenos de escala zonal para a compreensão de São Paulo é demonstrada por XAVIER et alo
das anomalias de elementos do clima em seto- .
(1995).
res áridos da África. Muitos estudos têm sido conduzidos tendo
Por outro lado, BARRING (1987) aponta o por propósito principal ou secundário identifi-
inter-relacionamento entre fatores locais como car padrões de variaçãoc1imática que se confi-
orografia ,e interações ar-mar, deabrangência gurem como permanentes em anos mais recen-
espacial bem maior, para a compreensão da tes. Com base em valores de precipitação anual
chuva no Quênia. BRANDÃO (1987) associa a para Barcelona entre 1866 e 1970, ALBENTO-
tendência da chuva e, principalmente, tempera- SA (1975) assinala,que;,principalmente.a partir
tura na região metropolitana do Rio de Janeiro, de 1911, têri.ase iniciadónessa área um período
a fenômenos de grande escala (períodos de bem mais ,chuvoso, não tendo sido possível
maior aquecimento correspondendo a período demonstrar estatisticamente se estaria .ocon;:en'-
de máximas manchas solares). EHRENDOR- do mudança climática'Ilo '.local. TYSON et ai.
FER (1987) atesta também a influência de (1975), analisandO'tendências e .oscilações na
eventos de grande abrangência espacial na chuva da Áfricà do Sul entre 1910-e 1972, con-
compreensão da variabilidade da pluviometria cluemnão haver evidência de que a área estaria
na Austria. Conforme WIGLEY & JONES passando por processo de ressecamento, ainda
(1987), a circulação atmosférica de grande que a' mesma apresente..O'scilações'fracas, de
escala seria o principal controle da variabilida.., 16 a 20 anos, 10 a 12 anos e quasi-biennal,
de da chuva em regiões da Inglaterra e País de que afetariam diferentes setores desse país;
Gales. Em estudo voltado à compreensão da RATCLIFFE et ai. (1978),-analisando anoma-
variabilidade da chuva na Europa mediterrânea, lias de pressãO' em superfície em boa parte do
MAHERAS (1988) comprova a associação de HemisfériO'.Norte, temperatura na parte central

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da Inglaterra e em três outras estações britâni- aumento das chuvas, ,anuais. No' período de
cas e chuvas na Inglaterra e País de Gales em 1941 a 1987 teria' oêblrido aumento estatistica-
períodos de tempo reduzidos (de 5 a 1 ano), mente significativo de até 20% no total anual
não encontram tendência significativa no da chuva no EsÚldo",de.SãÔ'Pauloem todos os
aumento da variabilidade dos elementos anali- meses (exceção de,fêvereito), especialmente de
sados. Pelo estudo de MORAES (1979), não se setembro a dezembro (PINTOet al., 1989).
registra periodicidade para os valores anômalos WOOD (1989), ao examinar a variabilidade
da chuva no Estado de São Paulo. sazonal da pluviometria no período de 1921 a
TALBONY (1979) observa o predomínio 1987 em LondresePlymouth (Sul da
de flutuações randômicas, em seu estudo sobre Inglaterra), conclui 'não haver tendência à
a chuva para a Inglaterra e País.de Gales identi- mudança climática';,..Osresultados das. análises
ficando, também, periodicidades regulares (2,1 de OTTERMAN ,et ai. (1990) para o Sul "de
e 2,4, 3,9, 5 e 6 anos). Ainda esse autor Israel, entre 1942 e 1988, sugerem aumento nos
(1981), interpretando dados de 182 estações de totais de chuva em.toda estação chuvosa nessa
chuva no continente europeu no período de área (outubro a abril}; especialmente em seu
1861 a 1990 e período anterior; detecta existên- início. .

cia de ciclos. A análise.da temperatura e chuva Estudo de ST@CKTQN (1990) baseado


anuais e sazonais na área contígua dos Estados em variação .do níveld'água em alguns lagos
Unidos permite a DIAZ & QUAYLE (1980) dos Estados Unidos indicam variabilidade cli-
inferir que houve um decréscimo de temperatu- mática atingindo. nível regional, cbm tendência
ra e aumento de chuva no lado oriental, com a maior umidade, emopôsi9ão a outras áreas do
padrão de modificação de leste para oeste. globo, como o N()rte"da Africa. A análise de
KARL & RIEBSAME (1984) identificam flu- TASE & NAKAGÁ'WA (1990), a partir de 68
tuações de 10 e 20 anos tanto na temperatura estações com séries<acimade,70anos, no Japão
como na precipitação pluviométricana área indica decréscimo na chuva nos últimos '20-30
contígua dos Estados Unidos, a nível sazonal e anos. OLANIRAN, é1991),analisa variação na
anual. ELDREDGE et alo (1988) discutem intensidade da chuva'diária dia Nigéria.
mudanças no padrão da chuva no setorociden- Identificatrês tipos,de variação: 1. no Sul, chu-
tal do Sudão e, a nível de totaLpluviométrico vas moderadas, e fôrtes'relacionadasa oscila.,.
anual, demonstram ter havido decréscimo de ções de' alt'à.freqüência; 2. ,chuvas leves no
chuva nos últimos 20 anos, com período bem Norte, ligadas à variaçãomultianual (decenal)
mais úmido entre 1931-1960. que apresentaram, portanto, caráter de flutua-
PARKER & FOLLAND (1988) apontam ção e 3. chuvas moderadas no Sahel;,apresen-
exemplos de variação climática para períodos tandô evidência de mudança climátlca. 'O autor
longos (long-term variations) como aqueci- relaciona as secas prolon'gadas nessa última
mento global de terras e oceanos entre 1910 e área a uma grande'dinlinuiçãona incidência de
1940, resfriamento no Hemisfério Norte entre chuvas moderadas, efortes."durarite a ~§tação
1945'e 1970 para os continentes e entre 1955 e úmida. TARDY & PROBST (1991) acreditam
1975 para os oceanos e aquecimento global haver um fenômenô,de/'compensação queregu-
mais recente, mais evidente no Hemisfério Sul laria a evolução das "tem.petaturas e precipita-
e trópicos. Avaliando a variação da temperatura ções pluviométricasLe/,portanto; o débito dos
do ar em quatro estações de Portugal, rios. Observamsuperposições de flufuações
MACHADO (1988) encontra evidências de com períodos variaâos e que, ~os rios da
variações climáticas em período de 108 anos, Europa e Ásia, as,bndas de seca se propagariam
sendo o mais notável uma tendência à subida de Oeste para"Leste;"enqllanto que rios ameri-
da temperatura a partir de 1888, ligado tanto a canos, de Norte a SuE
- causas globais como a crescimento urbano. SANT'ANNA*NETO&,BARRIOS (1992)
Estimando a variação no tempo e espaço do analisando 'as chuv;as 'na região de Bresidente
volume da chuva em Israel'aolongo de 54.anos Prudente, Estadode:cSãoPaulo (1971-1990),
-1931 a 1984-, STANHILL & RAPAPORT verificam tendênci~vàdiminuição da chuva~
(1988) não encontram nenhuma periodicidade especialmentenapriniavérae verão. Ao estudar
significativa, evidenciando a natureza randômi-. o padrão da precipítãçãorpluviométrica no Sul
ca da distribuição da pluviometria. ROWLING de Israel, BENGA:het'ül. (1994) avaliam que
(1989), ao-constatar maior freqüência de inun- essa.área passou ,aregistrar aumento da pluvio-
dações nos anos mais recentes em,uma bacia na sidade'e diminuiçãO noéoeficientedevariação
Escócia Central.(Allan CatchemeÚt), conclui nos. anos mais recentes~'devido ao aumento da
que o aumento nas chuvas no outono entre. o irrigaçãb. Levantam~tamoêm',a hipótese de que
período de 1931 a 1985 teria influenciado o a área estaria passando por um processo de

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antidesertificação, com mudança significativa padrão importante na compreensão da variação


da temperatura da superfície do oceano no da temperatura da superfície do mar no
Atlântico, indicando que uma mudança global Atlântico Tropical. Comparam situações ocorri-
poderia estar afetando essa região. das nesse período na África subsaariana e
Muitos cientistas têm relacionado fenôme- Nordeste do Brasil. Ainda, WEISBERG &
nos da interação ar-mar a alterações temporá- COLIN (1986) observam grande distanciamen-
rias. do sistema climático, que afetariam em to dos anos de 1983 e 1984 quanto ao padrão
diferentes graus, formas e períodos várias par- usual de temperatura e ventos no Atlântico
tes do globo. ROPELEWSKI & HALPERT Tropical e equatorial, com desaparecimento do
(1987, 1989) procuram descrever a extensão gradiente zonal de temperatura da superfície do
geográfica, magnitude, fase e duração do even- oceano ao longo do equador entre junho e agos-
to EI Nino-Oscilação Sul (ENOS), em diferen- to de 1984, período em que normalmente ele
tes locais do globo. CAVIEDES (1988), assina- deveria apresentar seu valor máximo.
lando que o ENOS é uma anomalia da circula- Alterações diversas na circulação atmosférica
ção tropical, analisa os efeitos de algumas ocor- como mudança nos ventos e diferenCiações
rências em' setores da América do Sul obser- importantes na pluviometria em setores como o
vando a influência diferenciada segundo a área Nordeste do Brasil são atribuídas por MECHO-
e o evento. NICHOLS (1988) confirma que a SO & LYONS (1988) ,a anomalias registradas
variabilidade pluviométrica é maior em áreas na temperatura da superfície do mar.
de atuação da ENOS. CHU (1991) assinala cor- Quanto às técnicas utilizadas para análise
relação entre a atuação da ENOS e alteração da da variabilidade climática, observa-se nos anos
pluvjometria no Norte, Nordeste e Sul do mais recentes um uso mais intensivo de estatís-
Brasil. . ' tica multivariada (análises de cluster e de com-
Assim como o fenômeno ENOS, que ponentes principais - ACP) e análise de série
repercute fortemente nos oceanos Pacífico e temporal. Elas apareceH}, de, certa forma, em
Índico, o Atlântico Tropical apresenta, também, substituição a técnicas de medida de variabili-
um fenômeno que se caracteriza por alteração dade a partir da tendência central. Nesse último
nos parâmetros oceânicos e atmosféricos sendo, caso, pode-se citar paraexemplificar os estúdos
entretanto, bem mais raro e menos documenta- de SHARON (1965) que mapeou a variabilida-
do. Suas ocorrências mais recentes foram veri- de da chuva em Israel por meio de coeficiente
ficadas em 1963 e 1984. As manifestações e de variação e SILVA (1981) que utilizou o
características deste último foram estudadas por mesmo processo para o Estado da Bahia. No
vários pesquisadores. HISARD et ai. (1986) primeiro caso, são exemplos os estudos de:
notam grande diferença entre o ciclo anual do GREGORY (1975, 1991) ambos usando ACP
Atlântico Tropical de 1983 e 1984 no campo de para regionalização respectivamente da Grã-
variação termal e correntes, com maior aqueci- Bretanha e Austiália, TALBONY (1981) apre-
mento na caniada mais superficial do oceano no sentando padrões de anomalia na Europa pelo
setor Leste e aparecimento de uma corrente em uso de ACP, AOUAD (1983) elaborando clas-
superfície de Leste em 1984, o que,poderia ser sificação climática para a Bahiapelo uso de
atribuído ao decréscimo dos ventos em superfí- análise de c1uster e ACP, MOL TENI et ai.
cie nesse período. HOREL et ai. (1986) consta- (1983) que avaliaram a distribuição espacial da
tam que na segunda metade de 1983 verificou- chuva a nível diário (evolução de tempo ciclô-
se notável mudança na circulação atmosférica nico) com uso de ACP, MARTÍN &FEYT
sobre o Atlântico Equàtorial, com redução dos (1984) que, igualmente utilizando ACP, estu-
alísios de superfície, 'decréscimo de pressão dam a variabilidade da chuva na Europa,
superficial e aumento da nebulosidade e chuva BÃRRING (1987) que' avalia â chuva na, área
no oceano e Nordeste do Brasil. Essas mudan- central do .Quênia com uso de análise de fato-
ças regionais coincidiriam com um ajuste pla- res, EHRENDORFER (1987) classificando a
netário na atmosfera tropical. Áustria em regiões homogêneas utilizando para
KATZ et ai. (1986) atestam que no período issoACP; MAHERAS (1988)cujas conclusões
correspondente ao inverno no Hemisfério Norte quanto à variabilidade da chuva' na Europa
de 1983-1984 registrou-se um grande aumento mediterrânea baseiam-se em. estudos elabora-
no nível domar na costa africana, com nivela- dos com o uso de ACP,PANDIZIC (1988) que
mento da superfície do mar para Oeste e um também usa ACP para estudos da pluviometria
relaxamento dos ventos de Leste no Equador. na Croácia, KREPPER et aL (1989) que utili-
LAMB .et ai.' (1986) apontam que as condições zam análise espectral paraavalíar a variabilida-
meteorológicás no Atlântico Tropical de 1983 e de temporal e funçãoempírica ortogonal para
1984 foram anômalas, mas constituem-se em análise da variabilidade espacial da chuva nos

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pampas argentinos, e SÁ et ai.. (1989) e volvimento sustentável. Seria necessário, por-


ZULLO et ai. (1989) que, trabalhando como tanto, estabeleper como' são moldados os com-
equipe, estudam a distribuição da chuva em portamentos humanos relev..antese como Qutros
São Paulo para reavaliar o cronograma agrícola devem ser alterados a fim de gerenciar as alte-
através do emprego de ACP. rações erngrandeescala e rio longo prazo entre
Sistemas de Informação Geográfica as pessoas e seus ambientes;
(SIG's) oferecem grande potencial para estudos Por fim, KARL et aI:(1993) discutem pro-
voltados para a compreensão da variabilidade blemas relacionados à acurácia das tnedidas,
de fenômenos no tempo e espaço e vêm sendo que levam aconclusõés errôneas quanto à
utilizados em ciências atmosféricas de. modo a
vatiabilidadeeinÜdanças climáticas (ex.,
desenvolver modelos que retratem a evolução mudança dê postos; calibração de instrumentos;
dos elementos climáticos para uma determinada métodos usados parâavaliação de mudanças,
área, influências na variabilidade climática e etc.). A própria Orgánização Meteorológica
predição de alterações no meio ambiente. LEE MundiaLjá discorrêrêliquanto a problemas' rela;.
& PIELKE (1993) expressam a importância tivosà hôtnogeneidade de dados, atribuindo
dos SIG's para acoplar de forma comparativa coinopriIicipais causas mudanças de loCaliza-
vários modelos que possam atestar' alt~rações
ção das est,\ções oúrlãexposição dos aparelhos
no clima em suas variações no tempo e espaço.
(1966). HUTCHINS@N(1993) apresenta
DALY & TAYLOR (1993) utilizam-se do pro-
modelo para avaliação da ,variabilidade espacial
grama PRISM (precipitation-elevation
da chuva nessa área cdm' dâdos falhos a partir
Regressions on Independent Slopes Model)
para a construção de mapas de variabilidade da de modelo corrigidó!por funções estatísticas.
chuva em áreas montanhosas. EASTMAN & 3 CONCLUSÕES
FULK empregam ACP para avaliação das ano-
malias e tendências da pluviosidade na África, A b,reve revisão do tratamento que vem
com uso de SIG. A fim de investigar os efeitos sendo dado à questão da variabilidade climática
em escala espacial sobre a precipitação numa atesta não haver.consens0entre cientistas 'Volta-
baciahidrográfica no Estado do Colorado dos às ciências atmÔsféricas. De umlàdo, há
(Gunnison River Basin) HAY et aI. (1993) uti~ aqueles que acreditam'que;ápenas a considera-
lizam um sistema com quatro componentes,
çãodb ambiente g!9bal poderia levara uma
entre os quais um SIG. compreensão geral do tema. Esses"estudos se
Outra preocupação que aparece em traba;. baseiam em modelosdé circulação geral que
lhos que analisam a variabilidade climática é
têm sido construí<lps.a fim de prever cenários
aquela voltada aos impactos que ocorrências
futuros. Os críticosd~sseSêstudos alegam que,
extremas e eventuais mudança1),permanentesdo
graças à escala em que são elaborados, esses
clima teriam na sociedade. MONTEIRO (1978)
modelos negligenci~unf~ições locais, dificul-
assinala a necessidade de se produzir estudos
voltados às relações entre os aspectos naturais, tando .atelação'~htt~;(~lÍJ:jl~sglobais,regionais e
econômicos e sociais (modelos d~ aVêlliação). locais. Colocam., também.,que é a nível local e
HEATHCOTE (1985) faz um exaustivo estudo regional que o efeito dos' impactos, devido à
de análise de eventos extremos, considerando variabilidade climática,~erâ!sentido. Estes, por-
sua natureza, seus impactos, possíveis ajustes e tant0, seriam osllíveÍs de estudo mais impor-
adaptações. Para HARE (1985), o aumento da tantes. "
população faz com que a sociedade e os recur- Críticas t~mbémsãodirigidas a estudosde
.

sos naturais necessários a sua manutenção se casos .individl1.ai1),


apontados como menos apli-
tomem mais vulneráveis a impactos climáticos. cáveis ao complexo n~tu.ra1.
A escala das atividades humanas envolvidas e o Pesquisas elaboradas por diferentes cientis-
nível de desenvolvimento econÔmico de uma tas/equipes, utilizandQ,âiferentes técnicas, mas
região/nação seriam, para MAUNDER & com o propósito de detectar se localmente esta~
AUSUBEL (1985), entraves para se identificar ria se efetuandoâlgu~a'alteração no comporta-
a sensipilidade dessas áreas com relação à mento climátiçb,ap~~s~Qt(lIll.,conforme.assina-
variabilidade da chuva. Já RIEBSAME & lado, conclusões"diversas.. Evidencia-se aqui
MAGALHÃES (1991) ressaltam que a maior que, pelos.resu~tadosobtidospor estudos locais
integração econômica e desenvolvimento redu- para. váriaspartesdoeglob(), não parece estar
zem a vulnerabilidade a impactos climáticos. ocorrend9 nenhu1Ilafortna.:demqdança;climáti~
Segundo CLARK (1985), certos padrões 'do ca nes~'as áreêls, aindaque'modelos glqbais
comportamento humano levam à degradação apontem nítidafendê,nciá global. êl aumento de
ambientalenquanto outros resultam em desen- temperatura e cpuva.

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Parece claro também que alguns temas de incompletos, dificultando uma análise mais
fundamental importância ligados à variabilida- ampla da questão, o atual conhecimento cien-
de climática não têm sido explorados com a tífico, ainda que falho.,justifica preocupações
intensidade necessária, como aqueles ligados à que levam a elaborar estudos de variabilidade
confiabilidade da rede de dados climáticos a climática, dadas as possíveis implicações
nível internacional, mecanismos de troca entre sociais e econômicas das mudanças ambien-
a atmosfera e a sociedade, envolvendo abran- tais do globo, que ante vêem, entre outros
gência espacial, velocidade de resposta, nível aspectos, aumeIítos da variabilidade climática.
de sensibilidade dos diferentes grupos sociais a Deve-se ter em mente'que a pressão da popu-
essa variabilidade, etc. lação crescente do planeta, associada à forma
Ressalta-se aqui o problema da qualidade como se dáo pretensoprocesso de desenvolvi-
dos dados, que pode comprometer seriamente mento econômico, quase que totalmente desar-
resultados de muitos trabalhos baseados em ticulado dos custos ambientais, tem gerado
pressupostos corretos e elaborados com grande profundas alterações, num ritmo muito mais
sofisticação matemática. São comuns proble- acelerado que as mudanças naturais que afeta-
mas como descontinuidade espacial e temporal ram o gloho até então. Esforços têm sido
dos dados, má distribuição dos postos de coleta, devotados para que haja um denominador
dificuldade em se manter equipamentos em comum entre os pesquisadores. Com isso,
áreas inóspitas ou perigosas, mudança dos mes- espera-se que em futuro próximo haja maior
mos' para sítios bem diferenciados das condi- colaboração mútua e ferramental comum de
ções iniciais, leituras comprometidas (desco- modo a promover uma compreensão mais
nhecimento técnico, instrumentos com proble- geral da questão relativa à variabilidade climá-
mas), falta de verba para instalação e/ou manu- tica e suas conseqüências.
tenção de equipamentos, etc.
Apesar de tantos desencontros, dúvidas e 4 AGRADECIMENTO
necessidades a serem providas, a comunidade
científica parece estar de acordo com algumas Aos revisores anônimos, que enriqueceram
questões: se dados e análise existentes são o trabalho comsuàs sugestões e comentários.

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Endereço das autoras:


Lucí Hidalgo Nunes - Secretaria do Meio Ambiente - Instituto Geológico - Avenida Miguel Estéfan.o, 3.900 - Água Funda - 04301-903 -
São Paulo, SP - Brasil (E-mail: lhidalgo@usp.br.)
Magda Adelaide Lombardo - Departamento de Geografia - Universidade de São Paulo - Caixa Postal 8105 - São Paulo, SP - Brasil.

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