ESTRUTURA DE MATERIAIS
www.em.ufop.br
www.ufop.br/demet/gesfram
GRUPO DE ESTUDOS SOBRE FRATURA DE MATERIAIS
DEMET/EM/UFOP
OURO PRETO - MG
RESOLUÇÃO CEPE N0 3974, de 19 de abril de 2010
Modelo Modelo Modelo
antigo recente atual
Introdução à Introdução à Introdução à
Engenharia Engenharia Engenharia No
Metalúrgica Metalúrgica Metalúrgica ho vo
rá r
io
Ciência dos Estrutura de
Materiais I Materiais 2017
Ciência dos
Materiais
Técnicas de
Ciência dos Análise
Materiais II
Estrutural
Metalurgia Metalurgia
Mecânica I Mecânica
Metalurgia
Mecânica
Ensaios
Metalurgia Mecânicos
Mecânica II
de Materiais
Apresentação da disciplina
• Carga horária : 72 horas (18 semanas)
• Horário: segunda-feira e terça-feira
• Créditos : 04
• Caráter : obrigatória
• Avaliação : 4 provas
• Frequência: 25% = 18h = 9 aulas
• Professor : Leonardo B. Godefroid
Eng.Met. (UFOP-1980), M.Sc. (IME/RJ-1983), D.Sc. (COPPE/UFRJ-1993).
http://lattes.cnpq.br/1995142616892313
Ementa
F Materiais de engenharia. Introdução
ao Curso
F Relação estrutura-propriedades.
F Partículas elementares (*). Outras
F Ligações atômicas (*). disciplinas
F Sólidos cristalinos e não cristalinos.
(metais, cerâmicas, polímeros) Objetivo
F Descontinuidades cristalinas. do Curso
F Difusão no estado sólido.
Bibliografia Básica
§ W.D.Callister e D.G.Rethwisch: Materials Science & Engineering, 9th Edition, John
Wiley & Sons, 2014.
§ M.Ashby, H.Shercliff e D.Cebon: Materials, 2nd Edition, Elsevier, 2010.
§ W.F.Hosford: Physical Metallurgy, 2nd Edition, CRC Press, 2010.
§ R.E. Reed-Hill, R,Abbashian, L.Abbashian : Physical Metallurgy Principles, 4th Edition,
Cengage Learning, 2009.
§ R.Adamian: Novos Materiais – Tecnologia e Aspectos Econômicos, COPPE/UFRJ,
2009.
§ J.F.Shackelford: Ciência dos Materiais, Pearson, 2008.
§ D.R.Askeland e P.P.Phulé: Ciência e Engenharia dos Materiais, Cengage, 2008.
§ W.F.Hosford: Materials Science, Cambridge Univ. Press, 2007.
§ A.F.Padilha: Materiais de Engenharia – Microestrutura e Propriedades, Hemus, 2000.
§ J.P.Bailon e J.M.Dorlot: Des Materiaux, 3th Edition, École Polytechnique de Montréal,
2000.
§ F.S.Borges: Elementos de Cristalografia: Fund. Calouste Gulbenkian, 1982.
§ L.H. Van Vlack: Princípios de Ciência dos Materiais, Ed. E.Blücher, 1981.
§ A.G.Guy: Ciência dos Materiais, LTC/EDUSP, 1980.
§ J.Wulff et alli: The Structure and Properties of Materials, Wiley & Sons, 1964.
§ Internet: www.matter.org.uk; www.doitpoms.ac.uk; www.ocw.mit.edu;
www.cimm.com.br; www.cienciadosmateriais.org
Calendário
ASSUNTO NO DE AULAS ACUMULADAS
01. Introdução ao Curso 4 4
02. Estrutura cristalina metálica 12 16
PRIMEIRA PROVA 2 18
03. Descontinuidades cristalinas 34 52
SEGUNDA PROVA 2 54
04. Estrutura de cerâmicas e polímeros 4 58
TERCEIRA PROVA 2 60
05. Difusão no estado sólido 8 68
QUARTA PROVA 2 70
PROVA FINAL 2 72
Agosto/2018 Setembro/2018 Outubro/2018
Novembro/2018 Dezembro/2018
GESFRAM
GEsFraM
Introdução ao Curso
ü Definições básicas
ü Perspectiva histórica
ü Ciência e Engenharia de Materiais
ü Por que estudar a Ciência e Engenharia de Materiais
ü Classificação dos Materiais
ü Correlações processamento/estrutura/propriedades/desempenho
ü Necessidade de materiais “modernos”
DEFINIÇÕES BÁSICAS:
MATÉRIA E MATERIAIS
M.A.Meyers e K.K.Chawla, Mechanical Behavior of Materials, 2009
“Materials are indifferent; but the use we make of
them is not a matter of indifference”.
EPICTETUS, AD 50-100, Discourses, Book 2, Chapter 5.
PERSPECTIVA HISTÓRICA
Evolução da utilização de materiais:
Importância relativa das diferentes classes de materiais utilizadas pela humanidade ao
longo de sua história.
Evolução da utilização de materiais:
A escala não é linear , com grandes
saltos na parte inferior e pequenos
saltos na parte superior.
Uma estrela (*) indica a data na qual
um elemento foi originalmente
identificado.
Legendas sem estrela fornecem a data
na qual o material tornou-se importante
na prática.
O desenvolvimento de materiais ao longo do tempo. Os materiais da pré-história, à esquerda, todos ocorrem naturalmente; o desafio da
engenharia daquela época era somente na conformação deles. O desenvolvimento da termoquímica e (depois) da química dos polímeros,
levou ao desenvolvimento dos materiais feitos pelo homem, mostrados nas zonas coloridas. Três destes materiais – pedra, bronze e ferro –
foram tão importantes, que o período histórico de sua dominância recebeu o nome de cada um destes materiais.
CIÊNCIA E ENGENHARIA DE MATERIAIS
ncia al
MATERIAIS ci a
C i ê
ent Ciên da
a m ca
fun
d apli
CIÊNCIA ENGENHARIA
Envolve a investigação das Baseado nas correlações estrutura-
relações que existem entre as propriedade, envolve o projeto ou a
estruturas e as propriedades engenharia da estrutura de um material para
dos materiais. obter um conjunto predeterminado de
O papel de um cientista de propriedades.
materiais é o de desenvolver Um engenheiro de materiais é chamado
ou sintetizar novos materiais. para criar novos produtos ou sistemas
usando materiais existentes e/ou para
desenvolver técnicas para o processamento
de materiais.
Multidisciplinaridade
Características
básicas da
Ciência e
Engenharia de
Materiais
Ligação Disciplina
com em
aplicações crescente
práticas evolução
Processamento Estrutura Propriedades Desempenho
Os quatro componentes da disciplina de Ciência e Engenharia de Materiais e o seu interrelacionamento.
ESTRUTURA PROPRIEDADE
Estrutura Mecânica
macroscópica Elétrica
Arranjo de seus Característica de
componentes um dado material, Térmica
internos. em termos do tipo Magnética
e da magnitude da
sua resposta a um Óptica
estímulo específico Deterioração
Estrutura que lhe é imposto.
microscópica
Peça
Macroestrutura Estrutura Cristalina
Inclusão
Grão
Microestrutura Grão
A estrutura de um material.
Fonte: Dagoberto Brandão Santos, 64º Congresso da ABM, 2009.
Exemplo da relação:
processamento – estrutura –
propriedade – desempenho
(1)
Três amostras de discos delgados de óxido de alumínio, que foram colocadas sobre uma página impressa
com o objetivo de demonstrar suas diferenças em termos das características de transmitância da luz.
O disco mais à esquerda é transparente (isto é, virtualmente toda a luz que é refletida na página passa
através dele), enquanto o disco no centro é translúcido (significando que uma parte dessa luz refletida é
transmitida através do disco). O disco à direita é opaco – isto é, nenhuma luz passa através dele.
Essas diferenças nas propriedades ópticas são uma consequência de diferenças nas estruturas desses
materiais, as quais resultaram da maneira como os materiais foram processados. O disco à esquerda é um
monocristal, o disco central é um policristal, e o disco à direita é um policristal com grande densidade de
poros. Cada um desses materiais reflete a luz de forma distinta.
Exemplo da relação:
processamento – estrutura –
propriedade – desempenho
(2)
Diversos aspectos do aço que devem
ser levados em consideração para
aplicações na indústria automobilística.
POR QUE ESTUDAR A
CIÊNCIA E ENGENHARIA DE MATERIAIS?
Por que estudamos os materiais?
Exemplo: seleção de um material correto para uma determinada aplicação.
Considerações:
a) Caracterização de condições de serviço;
b) Possível deterioração das propriedades durante a operação;
c) Aspectos econômicos.
Quanto mais familiarizado estiver um engenheiro ou um cientista com as várias
características e relações estrutura-propriedade, assim como com as técnicas de
processamento dos materiais, mais capacitado e confiante ele (ou ela) estará para
fazer escolhas ponderadas de materiais com base nesses critérios.
Energia
Informação
Materiais
Geologia/Mineração
Química
Matemática
ICEB
Física
Fabricação
Ciência e
Engenharia
de Materiais
Aplicações
Estrutura
Propriedades
Tetraedro de Thomas:
Áreas e sub-áreas do conhecimento de Engenharia de Materiais
aplicados no estudo do comportamento mecânico de Materiais, como
ilustrado por Meyers e Chawla em seu mais recente livro (2009).
OS MATERIAIS
• Metais
• Polímeros
• Cerâmicas
• Compósitos
• Eletrônicos
• Biomateriais
• Ativos (inteligentes)
• Nanoestruturados
Materiais avançados =
aplicações de alta tecnologia
Metais e
ligas
Compósitos
Cerâmicas e
Polímeros Vidros
As principais classes de materiais de engenharia com as quais os produtos são fabricados.
Exemplos de materiais de engenharia.
Chaves de parafusos feitos de corpo
de aço e cabo de polímero.
Turbina de avião com paletas de compósito
revestido com metal.
Vela de ignição de um
motor a gasolina com
eletrodos de tungstênio
e corpo de cerâmica.
Barco com casco de compósito, mastro de liga de
alumínio e velas de fibras de polímero.
Muitos materiais de engenharia são fabricados a partir de combinações de classes.
Escalas de tamanho, desde o nível subatômico até o nível astronômico.
Escalas de tamanho no comportamento de materiais
Escalas de tamanho no comportamento de materiais
33
Diferentes escalas em que a
estrutura dos materiais se
desenvolve. No lado esquerdo
são incluidas as dimensões
aproximadas de alguns
objetos, para referência.
Sequência de imagens, mostrando os vários níveis de escalas de tamanho.
Construção do corpo humano Û Nanotecnologia e Nanomateriais.
(160000?)
DENTRO DE CADA FAMÍLIA EXISTEM AINDA SUB-GRUPOS
CLASSE SUB- MEMBRO ATRIBUTO
FAMÍLIA CLASSE
4023 DENSIDADE
AÇOS 4027
1000 RIGIDEZ
4037 RESISTÊNCIA
LIGAS Al 2000 4047
3000 TENACIDADE
CERÂMICOS 4130 CONDUT. T.
LIGAS Cu 4000 4140
5000 EXPANS. T.
POLÍMEROS 4150 RESISTIV.
LIGAS Ti 6000 4340
7000 CORROSÃO
METAIS 4615 CUSTO
LIGAS Ni 8000 4620
... ...
COMPÓSITOS 4820 ...
LIGAS Zn ... ...
... ...
...
...
CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS
Resumo das propriedades das principais famílias de materiais - geral.
Propriedade Metais Cerâmicas Polímeros
Densidade baixa-elevada baixa-média muito baixa
Condutividade
elevada baixa baixa
elétrica
Condutividade
elevada baixa baixa
térmica
Ductilidade baixa-elevada muito baixa baixa
Resistência à tração baixa-elevada baixa-média baixa
Resistência à
baixa-elevada elevada baixa
compressão
Tenacidade à fratura baixa-elevada baixa baixa
Temperatura em
elevada muito elevada baixa
serviço
Resistência à
baixa-média elevada média
corrosão
Ligação metálica iônica ou covalente covalente
amorfa/semicristalin
Estrutura maioria cristalina cristalina complexa
a
Resumo das propriedades das principais famílias de materiais - quantitativo.
Resumo das propriedades das principais famílias de materiais - quantitativo.
PROPRIEDADES
Intrínsica Atributiva
PROPRIEDADES
PREÇO E
MECÂNICAS
DISPONIBILIDADE
VOLUMÉTRICAS
PROPRIEDADES DE
PRODUÇÃO:
PROPRIEDADES FACILIDADE DE
NÃO-MECÂNICAS PROJETO
FABRICAÇÃO,
VOLUMÉTRICAS SOLDAGEM,
CONFORMAÇÃO
ASPECTOS ESTÉTICOS:
PROPRIEDADES
APARÊNCIA,
SUPERFICIAIS
TEXTURA, TATO
Como as propriedades dos materiais de engenharia afetam o caminho pelo qual o
produto é projetado.
CORRELAÇÕES
PROCESSAMENTO/ESTRUTURA/
PROPRIEDADE/DESEMPENHO
Características microestruturais
de metais, mostrando a sua
escala de tamanho e as
propriedades correlacionadas.
Cada intervalo da escala de
tamanho é um fator de 1000.
Características microestruturais
de cerâmicas, mostrando a sua
escala de tamanho e as
propriedades correlacionadas.
Cada intervalo da escala de
tamanho é um fator de 1000.
Características microestruturais
de polímeros, mostrando a sua
escala de tamanho e as
propriedades correlacionadas.
Cada intervalo da escala de
tamanho é um fator de 1000.
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais
Seleção de Materiais CUSTO
• Preços atuais na web: por ex., http://www.metalprices.com
-- Tendências de curto prazo: flutuações devido a oferta/demanda.
-- Tendências de longo prazo: os preços aumentarão à medida que
ricos depósitos são exauridos.
• Materiais requerem energia para serem processados:
-- Energia para produzir -- Custo da energia utilizada no
materiais (GJ/ton) processamento de materiais ($/MBtu)
Al 237 (17) resist. eletr. 25
PET 103 (13) propano 17
Cu 97 (20) óleo 13
aço 20 gás natural 11
vidro 13
papel 9
Energia usando material reciclado
indicada em vermelho.
CUSTO RELATIVO c
Seleção de Materiais
DE MATERIAIS
Graphite/
Metals/ Composites/
Ceramics/ Polymers
Alloys fibers
Semicond
100000
$ / kg
50000 c=
20000 Pt
Diamond
($ / kg)ref material
Au
10000
5000
Si wafer • Material de referência:
Relative Cost (c)
2000
1000 Si nitride -- aço carbono ASTM
500 A36 laminado plano.
Ag alloys
200 Tungsten
CFRE prepreg • Custo relativo, c ,
100 AFRE prepreg
50
Ti alloys Si carbide
Carbon fibers flutua menos ao
Aramid fibers
GFRE prepreg longo do tempo do
20 Cu alloys
10
Al alloys
Mg alloys Al oxide Nylon 6,6 que o custo real.
PC
5 high alloy
Epoxy
E-glass fibers
Glass-soda PVC PET
2 Steel LDPE,HDPE Wood
PP
1 pl. carbon PS
0.5 AFRE, GFRE, & CFRE = Aramid,
Glass, & Carbon fiber reinforced
epoxy composites.
0.1
Concrete
0.05
Resumo do custo das principais famílias de materiais - quantitativo.
Representação esquemática
das diferentes classes de
materiais compósitos.
Diferentes tipos de reforços para os materiais compósitos. Compósitos com
fibras contínuas com quatro diferentes orientações.
Rigidez e resistência mecânica específicas de materiais usados na aviação.
Aramid /
!!!
Nós podemos enxergar além dos
compósitos, para obter um
desempenho mecânico ainda mais
elevado?
tropocolágeno Com certeza, nós podemos: a
natureza é infinitamente imaginativa
microfibras !!!
subfibras tendão
fibras fascículo Modelo da estrutura hierárquica de um
tendão, que ocorre no corpo humano.
Ilustração esquemática de um modelo
hierárquico proposto para um compósito.
NECESSIDADE DOS MATERIAIS MODERNOS
Apesar do tremendo progresso que tem sido obtido ao longo dos últimos anos na
disciplina da Ciência e Engenharia de Materiais, ainda existem desafios
tecnológicos, que incluem o desenvolvimento de materiais cada vez mais
sofisticados e especializados, assim como uma consideração do impacto ambiental
causado pela produção de materiais.
Exemplos:
a) Energia nuclear: combustíveis, estruturas de contenção e instalações para o
descarte de rejeitos radioativos;
b) Veículos de transporte: redução de peso, aumento da temperatura de operação
de motores;
c) Fontes alternativas de energia: células solares, célula de hidrogênio;
d) Materiais para controle de poluição do ar e da água.
Até a década Período em
de 1970 que vivemos
A competição entre diferentes
materiais se manifestava por vantagens Progressos obtidos a partir da
econômicas obtidas essencialmente em
compreensão teórica das leis que
função de fontes alternativas de regem a organização dos materiais no
recursos, minérios de melhor
seu nível atômico-molecular, bem
qualidade, processos menos custosos como da sua microestrutura
ou despesas de transportes menos
elevadas
Para um dado conjunto de materiais
oferecidos a uma aplicação específica,
havia somente um deles que se Identificação de uma necessidade, para
impunha aos outros, durante tempo depois desenvolver, átomo por átomo,
mais ou menos longo, para preencher um material especificamente capaz de
as funções particulares naquela satisfazer essa necessidade
aplicação, a um custo determinado
pelas vantagens econômicas citadas
Trabalhando no nível
atômico-molecular, pode-
se criar materiais com
propriedades “sob
medida”, em vez de
modificar os materiais
existentes.
Novos materiais são
desenvolvidos a um ritmo O desenvolvimento de
novos materiais requer
muito mais rápido do que
um leque muito mais
anteriormente, aceleração
do processo de amplo de conhecimento e
de competências
substituição de um
material por outro. científicas.
A Moderna
Ciência e
Engenharia
de Materiais
MATERIAIS
AVANÇADOS
ATIVOS NANO
ELETRÔNICOS BIOMATERIAIS ESTRUTURADOS
(INTELIGENTES)
Os materiais utilizados em aplicações de alta tecnologia (high-tech) são algumas
vezes chamados materiais avançados.
Por alta tecnologia subentendemos um dispositivo ou produto que opera ou que
funciona usando princípios relativamente intrincados e sofisticados.
Alguns exemplos incluem os equipamentos eletrônicos (câmeras de vídeo,
CD/DVD players, telefones celulares, etc.), computadores, sistemas de fibras
ópticas, espaçonaves, aeronaves e foguetes militares.
Tipicamente, esses materiais avançados são materiais tradicionais (metais,
cerâmicas, polímeros) cujas propriedades foram aprimoradas, e também materiais
de alto desempenho que foram desenvolvidos recentemente. São em geral de
elevado custo.
Um exemplo de material eletrônico é o caso dos semicondutores. Trata-se de
materiais que possuem propriedades elétricas intermediárias entre aquelas
exibidas pelos condutores elétricos (metais) e os isolantes (cerâmicas e
polímeros).
Além disso, as características elétricas desses materiais são extremamente
sensíveis à presença de mínimas concentrações de átomos de impurezas, que
podem ser controladas em regiões muito pequenas do material.
Os semicondutores tornaram possível o advento dos circuitos integrados, os
quais revolucionaram totalmente as indústrias de produtos eletrônicos e de
computadores ao longo das três últimas décadas.
Fonte Porta Dreno
Micrografia eletrônica de varredura de um Vista esquemática da seção transversal de um transistor
circuito integrado, composto por silício e MOSFET (transistor semicondutor de efeito de campo
interconexões metálicas. Os componentes metal-óxido). Trata-se de duas pequenas ilhas de silício
do circuito integrado são utilizados para do tipo p, unidas por um estreito canal, que são criadas
armazenar informações em formato digital. em um substrato de silício do tipo n.
Biomateriais são empregados em componentes implantados no corpo humano
para a substituição de partes do corpo doentes ou danificadas.
Esses materiais não devem produzir substâncias tóxicas e devem ser compatíveis
com os tecidos do corpo (isto é, eles não devem causar reações biológicas
adversas).
Um exemplo típico de implante é o caso da
criação da base para fixação de dentes
artificiais em um osso de maxilar. Trata-se
de uma técnica criada a partir da década de
1980.
Sucessivas brocas são usadas para criar um
orifício de diâmetro desejado no osso. O
implante é parafusado dentro do osso, e então
o dente artificial é rosqueado no implante. O
tecido é fechado, e o implante se funde com o
osso em aproximadamente seis meses.
Materiais candidatos para implantes são ligas
de titânio, ligas a base de cobalto/cromo e
cerâmicas a base de cálcio e fósforo (como o
Implante de titânio para fixação de dentes osso humano).
artificiais em um osso de maxilar.
As cirurgias de troca de bacia e de joelho tornaram-se muito comuns na
atualidade (nos EUA, entre 250.000 e 300.000 de cada procedimento são
realizados anualmente).
Diagrama esquemático de uma bacia (a) Diagrama esquemático e (b) raios-X do uso de uma bacia
humana, com componentes do totalmente artificial.
esqueleto
Os materiais inteligentes são um grupo de materiais capazes de sentir mudanças
nos seus ambientes, e assim responder a essas mudanças segundo maneiras
predeterminadas (características que também são encontradas nos organismos
vivos).
Os componentes de um material (ou sistema) inteligente incluem algum tipo de
sensor (que detecta um sinal de entrada) e um atuador (que executa uma função
de resposta e adaptação). Os atuadores podem provocar mudança de forma, de
posição, da frequência natural ou das características mecânicas em resposta a
mudanças na temperatura, nos campos elétricos e/ou nos campos magnéticos.
Quatro tipos de materiais são normalmente utilizados como atuadores:
² as ligas com memória de forma;
² as cerâmicas piezoelétricas;
² os materiais magneto-constritivos;
² os fluidos eletro-reológicos/magneto-reológicos.
As ligas com memória de forma são metais que, após terem sido deformados,
retornam às suas formas originais quando a temperatura é modificada.
Fotografia tirada em intervalos de tempo que Exemplo de aplicação: chevrons nas turbinas do novo
demonstra o efeito da memória de forma. Um Boeing 787 que se movem com variação de
arame feito a partir da liga Nitinol foi dobrado e temperatura. Na decolagem a turbina está quente, e os
tratado tal que sua memória de forma dispositivos se movem em uma posição que faz a
escrevesse a palavra “Nitinol”. O arame foi turbina trabalhar com menos turbulência e menos
então deformado e, com seu aquecimento ruído. Contudo, uma vez longe do aeroporto, a turbina
(pela passagem de uma corrente elétrica), esfria numa altitude mais elevada, e os flaps se movem
deformou-se voltando à sua forma pré- para fornecer uma melhor economia de combustível.
deformada.
As cerâmicas piezoelétricas expandem-se e contraem-se em resposta à
aplicação de um campo elétrico (ou tensão); de maneira inversa, elas também
geram um campo elétrico quando suas dimensões são alteradas.
a) Dipolos no interior de um material Em uma agulha fonográfica, conforme a agulha
piezoelétrico. cruza as ranhuras em um disco, uma variação de
b) Uma voltagem é gerada quando o material é pressão é imposta sobre um material
submetido a uma tensão de compressão. piezoelétrico que está localizado na agulha, a
qual é então transformada em um sinal elétrico e
amplificada antes de ir para o alto-falante.
O comportamento dos materiais magneto-constritivos é análogo àquele exibido
pelos materiais piezoelétricos, exceto pelo fato de que respondem à presença de
campos magnéticos.
Os fluidos eletro-reológicos e magneto-reológicos são óleos que possuem
micropartículas magnetizáveis em suspensão. Sob condições normais, os fluidos
são líquidos, com a viscosidade semelhante a um óleo lubrificante de motores de
automóveis. Entretanto, eles apresentam mudanças drásticas na sua viscosidade
quando há a aplicação, respectivamente, de campos elétricos e campos
magnéticos. Esta alteração é conseguida em questão de milisegundos.
Várias pesquisas vem sendo desenvolvidas na criação e aplicação de dispositivos
que utilizam esses fluidos, tais como: amortecedores automotivos, aplicações
militares (metralhadoras de tanques e helicópteros), edificações protegidas contra
abalos sísmicos, freios e embreagens (devido à sua boa capacidade de prover
uma interface entre dispositivos mecânicos e sistemas de controle elétrico).
A empresa norte-americana Lord Corporation lançou um óleo magneto-reológico
que já está equipando os amortecedores de uma linha de carros de luxo.
Disposição das micropartículas
no microscópio.
Modelo do automóvel com
sistema de amortecedores MR.
Disposição das micropartículas com (à
direita) e sem (à esquerda) aplicação do Amortecedor veicular MR de
campo magnético. alta performance.
Fonte: D.J.Guerreiro e A.Batocchio, UNICAMP.
Uma nova classe de materiais com propriedades fascinantes e uma tremenda
promessa tecnológica é a dos nanoestruturados.
Antes do advento dos materiais nanoestruturados, o procedimento geral utilizado
pelos cientistas para compreender a química e a física dos materiais consistia em
partir do estudo de estruturas grandes e complexas e, então, investigar os blocos
construtivos fundamentais que compõem essas estruturas que são menores e
mais simples. Essa abordagem é algumas vezes chamada de ciência “de cima
para baixo”.
Por outro lado, com o desenvolvimento de microscópios que permitem a
observação de átomos e moléculas individuais, tornou-se possível projetar e
construir novas estruturas a partir de seus constituintes no nível atômico, um
átomo ou molécula de cada vez.
Essa habilidade em arranjar cuidadosamente os átomos oferece oportunidades
para o desenvolvimento de propriedades mecânicas, elétricas, magnéticas e de
outras naturezas que não seriam possíveis de nenhuma outra maneira. A isso
chamamos de abordagem “de baixo para cima”, e o estudo das propriedades
desses materiais é denominado nanotecnologia.
Obs.: os termos “de cima para baixo” e “de baixo para cima” foram criados pelo famoso físico americano
Richard Feynman (1960).
Estrutura de um nanotubo de carbono. Trata-se de uma
única lâmina de grafita (grafeno), enrolada na forma de
um tubo, e com ambas as extremidades fechadas por
hemisférios de fulerenos. O diâmetro dos tubos é da
ordem de 100nm.
Estrutura de uma molécula
de C60 : forma alotrópica do
carbono com 60 átomos
dispostos em configurações
hexagonais e pentagonais.
Esta configuração foi
descoberta em 1985, e o
termo fulereno é usado para
identificar a classe dos
materiais compostos por este
tipo de molécula.
Imagem com resolução atômica de um nanotubo de
carbono, gerada usando um microscópio de tunelamento.
Três configurações distintas para as
paredes de nanotubos de carbono:
a) Armchair = lado pontudo do
hexágono perpendicular ao eixo do
cilindro;
b) Zig-zag = lado pontudo do hexágono
paralelo ao eixo do cilindro
c) Chiral = hexágonos inclinados,
enrolamento tipo helicoidal.
Os nanotubos podem ser metálicos ou
semicondutores, dependendo da
orientação da rede hexagonal em relação
ao eixo longitudinal do tubo. Esta
característica se chama quiralidade.
Bibliografia
• W.D.Callister e D.G.Rethwisch: Materials Science & Engineering, 9th
Edition, John Wiley & Sons, 2014. .
• M.Ashby, H.Shercliff e D.Cebon: Materials, 2nd Edition, Elsevier, 2010.
• R.Adamian: Novos Materiais – Tecnologia e Aspectos Econômicos,
COPPE/UFRJ, 2009.
• M.A.Meyers & K.K.Chawla : Mechanical Behavior of Materials, 2nd
Edition, Cambridge University Press, 2009.
• A.F.Padilha: Materiais de Engenharia – Microestrutura e Propriedades,
Hemus, 2000.