UNIVERSIDADE PAULISTA

Ana Maria R.C. Castellano - RA A52CBF-6

SISTEMA RENAL

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SOROCABA 2011

Ana Maria R.C. Castellano - RA A52CBF-6

SISTEMA RENAL

Trabalho apresentado à disciplina de Fisiologia dos Sistemas,Profa. Luciane, Curso de Nutrição, turma NT3P17

SOROCABA

their morphological and histological structure as well as their components. Foi explicada a regulação renal. the nephrons. Abstract: A research aiming at describing the renal system work among several authors described in the literature was performed in a study with the objective of explaining the general and specific functions to the kidneys. micção. Palavras chave: Sistema renal. função dos túbulos (túbulo contorcido proximal. The regulation of body fluids (mechanism acid-base) was also explained as well as the loss of electrolytes in the formation of urine. regulação dos líquidos corporais. urina. Alça de Henle. the urine storage and the urination (passage of the urine from kidney through the whole process of urination). Henle’s tubule.3 2011 Resumo: Realizou-se entre diversos autores descritos na bibliografia. a função glomerular (ritmo de filtração glomerular – RFG e fluxo sanguíneo renal). a ação dos hormônios reguladores ReninaAngiotensina-Aldosterona (RAA) e do Hormônio Antidiurético (ADH). néfrons. Hormônio Antidiurético (ADH). the function proximal tubule. . Regina-Angiotensina-Aldosterona (RAA). túbulo contorcido distal e ducto coletor) e os mecanismos de transporte. the glomerular function (glomerular filtration rate (GFR and renal blood flow). regulação renal. a perda de eletrólitos na formação da urina. sua estrutura morfológica e histológica e os seus componentes. distal tubule and collector duct and the transport mechanisms. rins e seus componentes. a participação dos nervos renais. o armazenamento da urina e a micção (passagem da urina do rim para a bexiga e processo de micção). . um estudo com objetivo de descrição do sistema renal. Também foi explanada a regulação dos líquidos corporais (mecanismo ácido-base). os néfrons. com as funções gerais e específicas do rim.

4 Key words: Renal System.rennin. kidneys and their components. ADH antidiuretic hormone. miction. RAA. nephrons. .angiotensin .angiotensin . glomerular function. functions. urine. body liquid regulation.aldosterone.

....................................................................2................................................................................1 Funções Gerais e Específicas do Rim ..13 4....3 Regulação dos Líquidos Corporais...................................14 4......................3...1..................................................17 5..........perda de eletrólitos na urina..16 4............1 Estrutura e componentes dos rins.....................................................08 4.........................2...........................06 4................19 .............3.5 SUMÁRIO 1......07 4...1.............1 Mecanismo ácido base......................4 Função dos Túbulos – mecanismos de transporte.....16 4...................................2 Armazenamento da urina e micção – processos......................................06 4..............................06 3..................................2 Néfrons......19 6....................................13 4...... INTRODUÇÃO.........................05 2................................... CONCLUSÃO...1 Participação dos nervos renais......09 4........................................ DESENVOLVIMENTO 4......... OBJETIVOS...............2 Ação dos hormônios reguladores – RAA e ADH .................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................1........3 Função glomerular...................................11 4.....................1...............2 Regulação Renal.............. MATERIAL E MÉTODOS......................

definida por STEDMAN (1996) como o líquido e as substâncias dissolvidas excretadas pelo rim. a palavra rim (lat. especialmente uréia. que sustenta e dá forma ao órgão. Têm a forma de um grão de feijão enorme e possuem uma cápsula fibrosa. este desemboca em um tubo coletor. É o principal órgão do sistema excretor e osmorregulador dos vertebrados. O sistema renal também pode ser chamado de excretor ou excretório. logo abaixo do diafragma. INTRODUÇÃO O sistema renal é formado por um conjunto de órgãos cuja função principal é filtrar o sangue. Ren) refere-se a cada um dos dois órgãos excretores. do sangue. apesar disso dar a idéia incorreta de que toda a excreção é realizada nesse sistema. os néfrons. produzir e excretar a urina. O néfron é uma longa estrutura tubular microscópica que possui. o CO2 proveniente da quebra da glicose e dos ácidos graxos é excretado pelo sistema respiratório. CARNEIRO. onde é reservada e posteriormente eliminada pela micção. 5 cm de largura e 3 cm de espessura. e por milhares ou milhões de unidades filtradoras.6 1.mais externo. (JUNQUEIRA & . e a medula . para a bexiga. Os rins filtram dejetos. Os rins situam-se na parte dorsal do abdome.mais interna. São responsáveis pela filtração do sangue e remoção das excreções. o controle do pH e do volume sanguíneo. aproximadamente 11 cm de comprimento. e os excretam. a depuração do sangue. Assim cabe ao sistema renal a excreção dos metabólitos de proteínas. assim como também o controle da pressão arterial e a secreta de dois hormônios: a eritropoietina que induz a produção de hemácias na medula óssea e a renina-angiotensina que promove a vasoconstricção e o aumento de pressão arterial. O principal produto do metabolismo das células. em forma de feijão tendo no ser humano. 2008). denominada cápsula de Bowman. um de cada lado da coluna vertebral e nessa posição estão protegidos pelas últimas costelas e também por uma camada de gordura. uma expansão em forma de taça. Cada rim é formado de tecido conjuntivo. na urina e esta sai dos rins através dos ureteres. em uma das extremidades. que protege o córtex . que continua pela alça de Henle e pelo túbulo contorcido distal. Proveniente do latim. com água. localizados na região renal. que se conecta com o túbulo contorcido proximal.

os néfrons. Explicar a regulação renal. néfrons. a participação dos nervos renais. Google acadêmico. espanhol e inglês. UNIP campus Sorocaba. Foi feita uma busca bibliográfica em literatura científica nas seguintes bases de dados: Os artigos selecionados foram publicados entre 2000 e 2011. funções gerais e específicas dos rins. MATERIAL E MÉTODOS Foi feita uma busca bibliográfica em literatura científica nas seguintes bases de dados: Scielo. a função glomerular (ritmo de filtração glomerular – RFG e fluxo sanguíneo renal). regulação renal. Explanar a regulação dos líquidos corporais (mecanismo ácido-base). túbulo contorcido distal e ducto coletor) e os mecanismos de transporte. OBJETIVOS Descrever o sistema renal com as funções gerais e específicas do rim.mas também a . regulação dos líquidos corporais. 8. Os idiomas da literatura científica foram 4. Bireme e Medline. creatinina e ácido úrico.1 Funções Gerais e Específicas do Rim A principal função renal é a excreção de substâncias tóxicas. português. perda de eletrólitos na formação da urina. na biblioteca da Universidade Paulista. DESENVOLVIMENTO 4. a estrutura morfológica e histológica e os componentes dos rins. hormônio antidiurético (ADH). como uréia . no período de maio de 2011 utilizando os termos: sistema renal. o armazenamento da urina e micção (passagem da urina do rim para a bexiga e processo de micção). rins e seus componentes. a ação dos hormônios reguladores: Renina-AngiotensinaAldosterona (RAA) e do Hormônio Antidiurético (ADH). mas os rins não somente desempenham funções como a eliminação de substâncias tóxicas provenientes do metabolismo. Alça de Henle. urina. micção. função dos túbulos (túbulo contorcido proximal.7 7. Foram também consultados livros referências no tema. regina-angiotensina-aldosterona (RAA).

4. em sua morfologia externa tem de 11 a 13 cm de comprimento. glicogênese e a produção de urina para funcionar como meio excretor para a eliminação das impurezas do organismo (GUYTON e HALL. cininas e prostaglandinas. O peritônio.5 cm de largura. cloro e outras. através da veia renal. hidrogênio. com aproximadamente 150g cada. a regulação da pressão arterial. fósforo. Cada um apresenta uma superfície anterior e posterior. potássio. No ser humano os dois rins trabalham concomitantemente. o qual conduz ao seio renal (anexo 1).1 Estrutura e componentes dos rins No adulto o rim. bicarbonato. membrana serosa que cobre a superfície interior do abdômen. É formado por tecido conjuntivo que sustenta e dá forma ao órgão. Medem 10 cm de largura e pesam cerca de 150 Gr cada um. a regulação do equilíbrio ácido-básico. Este último é o local onde são secretados os hormônios produzidos nos rins. onde a parte externa é formada pela medula renal. 5 a 7. Em sua anatomia interna ao corte longitudinal há a existência de três zonas distintas.5 a 3 cm de espessura.O sangue drenado sai do rim também por essa região. magnésio.Apresentam uma coloração vermelho-escura e tem forma de grão de feijão.8 manutenção do equilíbrio de água e eletrólitos no corpo humano. o regulamento da osmolaridade. a medial é chanfrada na altura do hilo. estas . A borda lateral é convexa. vitamina D3 que atua no metabolismo ósseo e regula a concentração de cálcio e fósforo no organismo. 2. O sangue vai entrar nos rins através das artérias renais. sendo o centro ocupado pela pelve renal. volume de líquido corporal e eliminação do excesso de água do organismo. A extremidade superior de cada rim é coberta por uma glândula endócrina. bordas medial e lateral e pólos superior e inferior. O sangue que vai se depurar passa pela artéria renal até os rins. a excreção de escórias metabólicas e substâncias químicas estranhas como medicações e antibióticos. cálcio. a glândula supra-renal. tais como sódio. prende-os fortemente contra a parede abdominal. mantendo a constância do pH sanguíneo. A camada mais externa é o córtex renal. a renina que eleva a pressão arterial.1996). Pela parte côncava do rim (hilo renal) penetra a artéria renal. que é uma ramificação da aorta e transporta o sangue que deve ser purificado.1. a produção de hormônios. como a Eritropoetina que estimula a produção de hemácias.

e sai pela veia renal.  . (GARDNER. Cada néfron tem dois componentes principais: 1 glomérulo (capilares glomerulares) através do qual grande quantidade de líquidos são filtrados do sangue e um longo túbulo. tais glomérulos são constituídos por capilares sangüíneos. a urina aí formada segue pelo túbulo coletor até os cálices e a pelve renal. (GUYTON. regular a pressão arterial e secretar hormônios. Assim. 4. 1975). Néfrons Os néfrons são a unidade de filtração e funcionamento dos rins. Estes deságuam na bexiga. túbulo contorcido proximal.2. Após essa passagem pelos néfrons. além de produzir a urina. sendo que cada um é capaz de gerar urina. a qual passa para a pélvis renal e daí aos uréteres. ao longo de seu trajeto em direção à pelve renal é transformado em urina. túbulo contorcido distal. que armazena a urina até sua excreção pela uretra. Cada rim contém dois milhões destes tubos. vão servir como porta de entrada de milhares de pequenas estruturas tubulares chamadas Néfrons. que é uma bolsa que continua com o tubo urífero. alça de Henle. 1988). o néfron é formado pela cápsula de Bowman. onde é levada até os ureteres. O glomérulo e a cápsula de Bowman formam a estrutura denominada corpúsculo de Malpighi.1. Pode-se dizer que cada néfron tem uma função autônoma e é capaz de filtrar alguns mililitros de sangue. cada rim contém um milhão ou mais desses túbulos renais epiteliais que são a unidade funcional do rim. controlar a quantidade de líquidos no organismo. arteríolas e estão envoltos na cápsula de Bowman. manter o equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico do corpo humano. por sua vez. que são o conduto excretor do rim que comunica a pélvis com a bexiga. debaixo do envoltório granuloso formado pelos glomérulos de Malpighi. no qual o líquido filtrado. Cada néfron é capaz de eliminar resíduos do metabolismo do sangue. agrupados em feixes piramidais.9 se subdividem em artérias arqueadas que vão dar origem a minúsculos vasos. A bexiga tem um comprimento aproximado de uns 30cm e um diâmetro de 5mm. localizados nas pirâmides da medula renal. Nela se deposita a urina até o momento de sua expulsão ao exterior. Então. as arteríolas aferentes que. pelo glomérulo. pelos quais passa a urina. No ser humano.

1. denominadas podócitos. cuja diferença é não possuir as proteínas que são incapazes de atravessar os capilares glomerulares. Ao redor do endotélio temos a membrana basal. através dos quais podem ser filtradas grandes quantidades de água e pequenos solutos. Os capilares glomerulares são relativamente impermeáveis às proteínas . A última parte da membrana glomerular é constituída por uma camada de células epiteliais de revestimento da superfície externa do glomérulo. com grandes espaços. Essas substâncias extravasadas para a cápsula de Bowman são o filtrado glomerular. Sob grande pressão. constituída por uma malha de fibrilas de colágeno e de proteoglicanos. o endotélio não atua como barreira importante para as proteínas plasmáticas. com exceção do fato de que apresentam três e não apenas as duas camadas habituais: o endotélio capilar. uma membrana basal e uma camada de células epiteliais. e assim. semelhante em sua composição química ao plasma sanguíneo. Como estas fenestrações são relativamente grandes. o líquido filtrado.10 4. Essa pressão normalmente entre 70 a 80 mmHg possui intensidade suficiente para que parte do plasma passe para a cápsula de Bowman nesse processo denominado de filtração. O endotélio capilar apresenta milhares de pequenas perfurações denominadas fenestras. a membrana basal impede eficazmente a filtração de proteínas plasmáticas. de maneira semelhante ao ocorrido com os capilares que são encontrados no fígado. mas apresentam longos processos semelhantes a pés. A alta intensidade de filtração através da membrana dos capilares glomerulares devese em parte as características especiais dessa membrana. que circundam a superfície externa dos capilares. Em parte por causa das fortes cargas elétricas negativas associadas aos proteoglicanos. a qual a despeito de suas três camadas filtram centenas de vezes mais água e solutos do que as membranas capilares usuais. o sangue arterial é conduzido pelos capilares glomerulares. que não formam uma camada contínua.3 Função glomerular A formação da urina começa com a filtração de grande quantidade de líquido dos capilares glomerulares para dentro da cápsula de Bowman. incluindo-se as hemácias. cuja membrana é semelhante à de outros capilares. denominado como filtrado glomerular é isento de proteínas e desprovido de elementos celulares. Os processos podais são separados por lacunas chamadas de poros em fenda e é através dessas lacunas que o filtrado glomerular se . Juntas estas camadas constituem a barreira de filtração. chamados de podócitos. que circundam a superfície externa da membrana basal capilar.

Esse elevado fluxo de sangue tem a finalidade de prover plasma suficiente para a alta intensidade de filtração glomerular necessária para a regulação exata do volume dos líquidos e concentração de solutos no corpo humano.(GUYTON. o local onde ocorre o principal impedimento à passagem das proteínas plasmáticas parece ser a membrana basal. Como acontece com os outros tecidos.1996). 1988). percebe-se que recebem um fluxo sanguíneo extremamente elevado em comparação aos demais órgãos. (GUYTON.200ml/min. Assim. dividido pela resistência vascular renal total : Fluxo sanguíneo renal= (Pressão na artéria renal – Pressão na veia renal) Resistência vascular renal total A pressão na artéria renal é similar à pressão arterial sistêmica. O fluxo sanguíneo renal é determinado pelo gradiente de pressão através da vasculatura renal. Os mecanismos de feedback (retroalimentação) próprios aos rins normalmente mantém constantes o fluxo sanguíneo renal e a FG. cuja principal função é manter a FG . os mecanismos que regulam o fluxo sanguíneo renal estão intimamente relacionados ao controle do FG e das funções excretoras dos rins. o fluxo sanguíneo supre os rins com as substâncias nutrientes e remove deles as escórias. Essa relativa constância da FG e do fluxo sanguíneo renal é denominada de auto-regulação. o fluxo sanguíneo através de ambos os rins é de cerca de 1. se mantidas as pressões na artéria renal e na veia renal. que é a diferença entre as pressões hidrostáticas na artéria renal e na veia renal. ao passo que um decréscimo na resistência vascular aumenta o fluxo sanguíneo renal. Ao consideramos que os dois rins tem apenas 0. ou seja 21% do débito cardíaco. A maior parte da resistência vascular renal está concentrada em três segmentos principais: as artérias interglobulares. Um aumento na resistência de qualquer dos segmentos vasculares dos rins tem a tendência de promover a redução do fluxo sanguíneo renal. Numa pessoa normal de 70 kg.4% do total do peso corporal .11 movimenta. a despeito de acentuadas variações na pressão sanguínea arterial. A resistência desses vasos é controlada pelo sistema nervoso simpático. as arteríolas aferentes e as arteríolas eferentes. por hormônios e por autacóides (substâncias vasoativas liberadas pelos rins e que exercem ação local). Embora as células epiteliais possam ser uma resistência à filtração.

Numerosos microvilos estão presentes na superfície das suas células formando uma orla em escova. bicarbonato. formada por um epitélio cúbico simples com inúmeras mitocôndrias. . são características típicas de células transportadoras de ions e tem as funções de iniciar a transformação do filtrado glomerular em urina. num processo chamado de reabsorção. (GUYTON. Trata-se de uma estrutura tubular retorcida. prolongamentos laterais e muitas mitocôndrias. Tais células possuem prolongamentos laterais que se interligam com as vizinhas. o líquido passa pelo ramo ascendente da alça de Henle. 4. 1988). onde estão localizadas as mitocôndrias. cloro. Essas características aumentam significativamente a superfície basal das células. Túbulo Contorcido Proximal O túbulo contorcido proximal é o segmento do néfron subseqüente ao corpúsculo de Malpighi. cujo citoplasma basal é fortemente acidófilo. Assim. 2008). sendo que a saída desses ions provoca a remoção do cloro e faz com que a concentração do líquido dentro desse tubo fique menor do que do plasma dos capilares que o envolvem. flui em sequência pelas partes sucessivas do túbulo . absorver potássio.1.12 constante e permitir o controle preciso da excreção renal de água e solutos. em que há passagem de água por osmose do líquido tubular para os capilares sanguíneos. glicose e aminoácidos e secretar creatinina e medicamentos para o fluido tubular (JUNQUEIRA & CARNEIRO. o túbulo coletor e o duto coletor são os condutores do fluído antes de ser excretado como urina.túbulo proximal. A presença de microvilos em redor da escova. Dentro desse túbulo há uma reabsorção ativa de sódio. passa pelos túbulos renais.4 Função dos Túbulos – mecanismos de transporte Quando o filtrado glomerular entra nos túbulos renais. O túbulo distal. absorver 85% do sódio e água do filtrado glomerular. cuja parede é formada por células adaptadas ao transporte ativo.

contribuindo para a concentração urinária e reabsorção de sódio. a curvatura é sempre na parte delgada e nas alças curtas. possuem alças mais longas. A alça de Henle cria um gradiente de hipertonicidade no interstício medular que influencia a concentração de urina. potássio. mas a porção ascendente. mas sua luz é ampla porque as células da parede da alça são achatadas. poupando assim a água do corpo e conservando-a conforme as necessidades. completamente permeável à água. ambos com epitélio cúbico. é uma parte do rim. sendo uma estrutura tubular em forma de U. 2008). Ao encostar no corpúsculo de Malpighi do mesmo néfron. A alça de Henle participa da retenção de água. baseia-se no fato de que as células do túbulo contorcido proximal são maiores. similar ao túbulo contorcido distal.13 Alça de Henle A alça de Henle é o segmento do néfron que vem logo após o túbulo contorcido proximal. as células do túbulo contorcido distal modificam-se. Os néfrons localizados próximos à superfície renal são constituídos por alças mais curtas. é espessa e portanto impermeável água. conforme ela passa pelos ductos coletores. proporcionando a capacidade de produção de urina hipertônica. Túbulo Contorcido Distal O túbulo contorcido distal. enquanto que os néfrons situados mais profundamente no parênquima renal. dando origem à . ao penetrar na região do córtex renal. a curvatura ocorre na parte espessa. A distinção histológica do túbulo contorcido distal e proximal. A parte delgada possui um diâmetro relativamente pequeno. as células do túbulo contorcido distal são menores. Seu funcionamento é estreitamente relacionado com o ADH (hormônio anti-diurético). têm orla em escova e grande número de mitocôndrias. Nas alças longas. cálcio. A porção espessa é constituída por epitélio cúbico simples. assemelhando-se aos capilares sangüíneos. a parte espessa da alça de Henle conserva a mesma estrutura histológica. em anatomia. A maior parte da porção descendente é delgada. absorção e secreção. com menos mitocôndrias e seus microvilos não formam orla em escova. em sua maior parte. Esta estrutura é importante na reabsorção de água e sais por osmose. com uma porção espessa e outra delgada. cujas funções são reabsorção de água. magnésio (JUNQUEIRA & CARNEIRO. Todos os néfrons participam dos processos de filtração. porém torna-se tortuosa e passa a ser denominada de túbulo contorcido distal.

com superfícies lisas e relativamente poucas mitocôndrias. Há absorção de sódio e potássio é secretado através de um mecanismo que influencia o conteúdo de sais do organismo. O duto coletor é capaz de secretar ions hidrogênio contra um grande gradiente de concentração e também é responsável por um papel chave no equilíbrio ácido-base. Quando há necessidade de retenção de água no interior do corpo. Ducto Coletor A urina passa dos túbulos contorcidos distais para os túbulos coletores que desembocam nos ductos coletores. onde ocorre a reabsorção final de água. a urina fica menos concentrada pela menor reabsorção de água. devido a maior reabsorção de água. . O túbulo distal também secreta ions de hidrogênio e amônia para a urina.2. produzindo moléculas sinalizadoras que promovem a liberação da enzima renina na circulação. quando há excesso de água no corpo. 1988).14 mácula densa. sendo atividade essencial para o equilíbrio ácido-básico do sangue. As células da mácula densa são cilíndricas. cujas características principais se destacam pela permeabilidade do duto coletor medular à água que é controlada pelo nível de ADH. As células epiteliais dos ductos coletores são quase cubóides quanto à forma. Regulação Renal A regulação da função renal baseia-se na regularidade de líquidos existentes no organismo. com núcleos alongados e com o aparelho de Golgi na região basal da célula. (GUYTON. a urina fica mais concentrada. altas. 1988). (JUNQUEIRA & CARNEIRO. porém são formados apenas de 1 a 2 litros de urina por dia. 2008). No túbulo contorcido distal existe uma troca iônica na presença suficiente de aldosterona. Com altos níveis de ADH. Assim estima-se que em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido do plasma. um total aproximado de 99% do filtrado glomerular que é reabsorvido (GUYTON. 4. Eles são o local final do processamento da urina e assim desempenham importante papel na determinação do débito urinário final de águas e solutos. A mácula densa é sensível ao conteúdo iônico e ao volume de água existente no fluido tubular . a água é reabsorvida para dentro do interstício medular e reduz assim o volume de urina e ao mesmo tempo concentra os seus solutos.

2. o que vem a diminuir o fluxo sanguíneo renal e a FG. o que contribui para o efeito global de aumento da reabsorção tubular e diminuição da excreção renal de sódio. que é um octopeptídeo.1 Participação dos nervos renais Praticamente todos os vasos sanguíneos dos rins e nisso se incluem as arteríolas aferentes e eferentes são ricamente inervadas por fibras nervosas simpáticas. Então. A As células justaglomerulares produzem uma enzima chamada renina que não atua diretamente. secreção desses grânulos participa da pressão do sangue. que tem ação sobre o angiotensinogênio. Finalmente a estimulação do sistema nervoso simpático aumenta a liberação de renina e a formação de angiotensina II. A aldosterona é um hormônio . com núcleos esféricos e citoplasma carregado de grânulos de secreção. A constrição das arteríolas renais pode ser causada por uma forte ativação dos nervos simpáticos renais. são chamadas justaglomerulares ou células JG. a angiotensina I.2 Ação dos hormônios reguladores . A ativação do sistema nervoso simpático pode então diminuir a excreção de sódio e água através dessa constrição das arteríolas aferentes e eferentes reduzindo assim a FG. A ativação simpática também aumenta a reabsorção de sódio no túbulo proximal e no ramo ascendente espesso da alça de Henle. 4.2. suas células musculares apresentam-se modificadas. isquemia cerebral ou hemorragia grave. A renina libera um decapeptídeo. a arteríola aferente e às vezes também a eferente não tem membrana elástica interna. Quando o indivíduo normal está em repouso parece haver pouco tônus simpático para os rins (GUYTON. 1988). uma enzima do plasma remove dois aminoácidos da angiotensina I e forma a angiotensina II. tendo como exemplo os desencadeados por ações de defesa. por intermédio do angiotensinogênio (globulina do plasma). Os nervos simpáticos renais parecem ter um papel de extrema importância na redução da FG em caso de distúrbios agudos e graves que podem durar de alguns poucos minutos a horas. cujos principais efeitos são aumentar a pressão sanguínea e a secreção de aldosterona pela glândula adrenal.15 4. que é um hormônio da cortical da glândula suprarenal.RAA RAA – Renina-Angiotensina-Aldosterona: Próximo ao corpúsculo renal. ela aumenta a pressão arterial e a secreção de aldosterona.

Existe um poderoso sistema de feedback para a regulação da osmolaridade do plasma e a concentração do sódio operando a alteração da excreção renal da água independente da taxa de excreção de solutos. o excesso de sódio no sangue deprime a secreção de renina. permitindo assim que grandes quantidades de água sejam reabsorvidas. Assim. o que então aumenta a permeabilidade dos túbulos distais e dos dutos coletores à água. As ações do ADH desempenham papel importante na controle do grau de diluição ou de concentração da urina. a glândula hipófise posterior secreta mais ADH. sem alteração acentuada da taxa de excreção renal dos solutos. . ou seja. que inibe a produção de aldosterona. produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. Quando a osmolaridade dos líquidos corporais sobe acima do normal. do túbulo coletor e do epitélio do tubo coletor. pois na ausência de ADH.16 que inibe a excreção de sódio pelos rins. a permeabilidade dos túbulos distais e dos dutos coletores à água é baixa e faz com que os rins excretem grandes quantidades de urina diluída. Numa atuação inversa. é principal agente fisiológico regulador do equilíbrio hídrico. 2008). A deficiência de sódio é um estímulo para a liberação da renina que acelera a secreção de aldosterona. que é um hormôno que inibe a excreção do sódio. (JUNQUEIRA & CARNEIRO. a concentração do plasma sanguíneo aumenta a reabsorção de água e a urina fica mais concentrada. o que diminui o volume de urina. Este efeito ajuda o organismo a conservar a água em circunstâncias como a desidratação. ADH – Hormônio Antidiurético: Também chamado de vasopressina . (GUYTON. e do equilíbrio iônico do meio interno. Detectada através de receptores osmóticos localizados no hipotálamo. os solutos dos líquidos corporais tornam-se excessivamente concentrados. O aparelho justaglomerular tem um papel importante no controle do equilíbrio hídrico. a mais importante função renal do ADH é aumentar a permeabilidade à água do túbulo distal. o que aumenta a excreção de sódio pela urina. ou seja da eliminação ou retenção de água junto com o sódio. 1988).

o HCO3. Por exemplo. Para-se atingir a homeostasia ou homeostase que é a propriedade de um sistema aberto. relacionado aos seres vivos.perda de eletrólitos na formação de urina O organismo produz diariamente cerca de 80 mEq (50 a 100 mmoles/dia) de ácidos não voláteis. As proteínas no organismo também funcionam como base.17 4.3.é uma base visto que pode combinar-se com o H+ e formar o H 2PO4--. 4.é uma base visto que pode combinar-se com o H+ e formar o H 2CO3. Como exemplo temos o ácido clorídrico ( HCl) que se ioniza na água e libera H+ e Cl. as moléculas que contém átomos de hidrogênio são capazes de liberar ions hidrogênio e são denominadas ácidos. Para-se atingir a homeostasia deve haver um equilíbrio entre a entrada e a produção de ions hidrogênio e a livre remoção desses ions do organismo. as células e os pulmões que são essenciais na manutenção das concentrações normais de ion hidrogênio tanto no líquido extracelular como no intracelular.1 Mecanismo Ácido base . principalmente a partir do metabolismo das proteínas e cerca de 15 a 20 moles/dia de ácidos voláteis. O ion hidrogênio é um próton livre liberado a partir do átomo de hidrogênio. O termo base é freqüentemente utilizado como sinônimo do termo álcali. visto que alguns aminoácidos têm carga negativa e prontamente aceitam ions H+. Também há vários mecanismos de tamponamento ácido-básico que envolvem o sangue.3 Regulação de Líquidos Corporais A regulação do equilíbrio de ion hidrogênio é similar. apesar do controle preciso da concentração desse ion envolver muito mais do que sua simples eliminação pelos rins. que é uma molécula formada pela combinação de um ou mais dos . O HPO4-.e o H2CO3 se ioniza na água e libera H+ e HCO3-. de regulação do seu ambiente interno para manter uma estabilidade de condição mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico controlados por mecanismos de regulação interrelacionados. O papel dos rins são de extrema importância para a regulação da remoção do ion hidrogênio. Uma base é um ion ou molécula que pode aceitar um ion H+. 1988). sob alguns aspectos à regulação de outros ions do corpo humano. (GUYTON. que não são excretáveis pelos pulmões. O mecanismo para a remoção desses ácidos não voláteis é a excreção renal. A hemoglobina nos eritrócitos e as proteínas em outras células estão entre as bases mais importantes no corpo.

o termo “alcalose” refere-se à remoção excessiva de ions H+ dos líquidos corporais contrastando com o termo “acidose” que se refere à adição excessiva de ions H+ nos líquidos corporais. a reabsorção tubular e a secreção tubular. os rins controlam o equilíbrio ácido-básico excretando urina ácida ou básica. O mecanismo renal de compensação do equilíbrio ácido-base é o mais lento e demorado. A porção básica dessas moléculas reage rapidamente com os ions H+ para removê-los da solução. A maioria dos ácidos e bases no líquido extracelular que estão associados a regulação normal do equilíbrio ácido-básico são ácidos e bases fracos. potássio e lítio. que serve para armazenamento da urina produzida nos rins. embora seja o definitivo. 1988).18 metais alcalinos. (GUYTON. . dotada de musculatura lisa.2 Armazenamento da urina e micção (passagem da urina do rim para a bexiga e processo de micção). cuja função é colher a urina e envia-lá à bexiga. A bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica. Distúrbios ácido-básicos metabólicos resultam da mudança na [HCO3-]. Os três principais mecanismos funcionais do sistema renal são a filtração glomerular. os rins transformam o dióxido de carbono em ácido carbônico ionizado. ou seja sódio. O armazenamento da urina se faz através do enchimento da bexiga que passa pelo ureter que é um tubo muscular que se estende da pelve renal à bexiga urinária. com um ion fortemente básico como o ion hidroxila (OH-). conforme as necessidades.3. Localiza-se no compartimento retroperitoneal e descende anteriormente ao músculo psoas. O ion hidrogênio é eliminado para a urina em troca por sódio ou potássio que combinando-se ao ion bicarbonato. (GUYTON. para alcançar a corrente sanguínea. De forma semelhante. 4. o que torna a urina alcalina e contribui para a regulação das bases existentes. os rins eliminam o ion bicarbonato em conjunto com o ion hidrogênio. 1988). Assim. Quando há bicarbonato em excesso no sangue. os rins eliminam urina ácida ou alcalina. retorna ao líquido extracelular. 1988). (GUYTON. contribuindo para regular a concentração de ions hidrogênio do sangue e demais líquidos orgânicos. Através do mecanismo de secreção tubular. Quando o pH do sangue se altera.

com a ocorrência de um reflexo nervoso. Se esta . ou seja. denominado reflexo de micção. com um período de pressão contínua e o retorno da pressão ao tônus basal da bexiga. ou caso isto não ocorra. (GUYTON. A despeito do reflexo de micção ser um reflexo autonômico da medula espinhal. o qual vai então desencadear a segunda etapa. Os sinais sensoriais dos receptores de estiramento da bexiga são conduzidos até os segmentos sacros da medula espinhal pelos nervos pélvicos que seguem por esses mesmos nervos retornando por via reflexa para a bexiga através de fibras nervosas parassimpáticas. que só contém músculo liso. por conseguinte o reflexo da micção é um ciclo completo único de aumento progressivo e rápido da pressão. O músculo do esfíncter externo encontra-se sob controle voluntário do sistema nervoso e pode ser utilizado para impedir conscientemente a micção. mesmo quando os controles involuntários estão tentando esvaziar a bexiga. bem como por um plexo intramural de neurônios e fibras nervosas estendendo-se ao longo de todo o comprimento dos ureteres. As paredes dos ureteres contém músculos lisos que são inervados por nervos simpáticos e parassimpáticos. pelo menos produz o desejo consciente de urinar. a bexiga enche-se progressivamente até que a tensão em suas paredes suba acima de um nível limiar. forçando a urina para a pelve renal e para a bexiga. envolvendo duas etapas principais. em contraste com o músculo do corpo e do colo da bexiga . Quando o reflexo da micção se torna intenso o suficiente. ele é autoregenerativo. inibindo-o. As contrações peristálticas no ureter são intensificadas por estimulação parassimpática e inibidas por estimulação simpática. A urina expelida da bexiga possui essencialmente a mesma composição do líquido que flui pelos tubos coletores. Os ureteres penetram na bexiga pelo músculo detrusor na região do trígono da bexiga. 1988). que resultam de um reflexo de estiramento iniciado por receptores sensoriais na parede da bexiga. que esvazia a bexiga. ele pode ser inibido ou facilitado por centros nervosos no córtex cerebral ou no tronco cerebral. que são músculos esqueléticos voluntários. O controle da continência é realizado por músculos chamados esfíncteres.19 A micção se refere ao processo pelo qual a bexiga se esvazia quando fica repleta. começam a aparecer muitas contrações da micção superpostas. e flui através dos cálices renais provocando seu estiramento e inicia contrações peristálticas que se propagam pela pelve renal e a seguir ao longo do comprimento do ureter. ele provoca outro reflexo. Á medida em que a bexiga se enche. Uma vez iniciado o processo de micção. que passa pelos nervos pudendos para o esfíncter externo.

1975. Anatomia Regional do Corpo Humano. JUNQUEIRA. Editora Guanabara Koogan. como uréia.A. GUYTON. (GUYTON. 20% . Rio de Janeiro.. Os rins são fundamentais na regulação do meio interno. Caso contrário. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. GRAY. tais como sódio. A circulação extracorpórea é capaz de produzir alterações na função do sistema renal e no equilíbrio dos líquidos e dos eletrólitos do organismo. PhD. creatinina e ácido úrico e o controle das concentrações da água e da maioria dos constituintes dos líquidos do organismo. Rio de Janeiro. GARDNER. CONCLUSÃO O sistema renal é de suma importância na regulação pelo Fluxo Sanguíneo Renal que ao penetrar na cápsula de Bowman é transformado em Filtrado Glomerular (proteínas e eletrólitos). 6. . ou seja 1440l passam pelos rins gerando uma quantidade de filtrado glomerular de 180 l diários. a reabsorção tubular e a excreção tubular de diversas substâncias fundamentais para a manutenção da vida. edição. haverá micção. bicarbonato e fosfatos. Fisiologia Humana.. 1988). Editora Guanabara Koogan.Sc. R.cloro. em que estão imersas as células de todos os órgãos. Os principais mecanismos através dos quais os rins exercem as suas funções são a filtração glomerular.D. 2008. a micção não ocorrerá até que a bexiga se encha ainda mais e o reflexo de micção se torne mais poderoso. M. CARNEIRO. Histologia Básica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS STEDMAN. 5. D.1988. Editora Guanabara Koogan. Md. M. O débito cardíaco médio normal é de 5 l/min gerando 7200 l/dia. 25a.L. dos quais 178l são reabsorvidos e cerca de 2 l são utilizados para a formação da urina. C.L. J. Editora Guanabara Koogan. ou seja a eliminação de produtos terminais do metabolismo orgânico. potássio. Desses. O’RAHILLY.. C. Stedman Dicionário Médico.20 inibição for mais potente no cérebro do que os sinais constritores voluntários para o esfíncter externo. T. Md.J. Os rins desempenham duas funções primordiais no organismo. E. 1996.

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