PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA Secretaria Municipal de Planejamento – SEPLAM Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano - FMDU Instituto de Desenvolvimento Tecnológico

do Centro Oeste - ITCO

Projeto

Transferência de Tecnologia: Mapeamento dos Vazios Urbanos, Carta de Risco e Zoneamento Ecológico-Econômico.

MÓDULO 2 – Geologia, Geomorfologia, Hidrogeologia e Solos

Goiânia, 2008.

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos, Carta de Risco e ZEE

EQUIPE TÉCNICA

Coordenação Técnica: Tatiana Sancevero Batistela, Arquiteta e Urbanista Mestre em Arquitetura e Urbanismo Consultores: Alejandro Alvarado Peccinini, Biólogo Mestre em Biologia Carla Rosana Azambuja Herrmann, Arquiteta e Urbanista José Alfredo Guimarães de Sá, Geólogo Mestre em Engenharia de Produção Marcos Antônio Correntino da Cunha, Engenheiro Eletricista Especialista em Hidrologia e Recursos Hídricos Nilson Clementino Ferreira, Engenheiro Cartógrafo Doutor em Ciências Ambientais Nilton Ricetti Xavier de Nazareno, Engenheiro Cartógrafo Doutor em Arqueologia Roberta Mara de Oliveira, Tecnóloga em Geoprocessamento Rosangela Mendanha da Veiga, Arquiteta e Urbanista e Tecnóloga em Saneamento Ambiental Mestre em Desenvolvimento e Planejamento Territorial Secretária: Ludimila Rodrigues de Carvalho

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TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos, Carta de Risco e ZEE

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 1 FENÔMENOS E PARÂMETROS GEOLÓGICOS DA TERRA 1.1 A História da Terra e o tempo geológico: “A Teoria do Big Bang” 1.2 A divisão do tempo geológico: Princípios de Estratigrafia e Paleontologia 1.2.1 O tempo Geológico - Paleontologia 1.3 Características da Terra 1.4 As camadas Terrestres 1.5 Como se Estuda a Terra 2 CLASSIFICAÇÃO DOS MINERAIS E ROCHAS 2.1 A composição Química da Crosta Terrestre 2.2 Conceito e Classificação dos Minerais 2.2.1 A Classificação dos Minerais 2.3 Conceito e Classificação das Rochas: ígneas, sedimentares e metamórficas 2.3.1 Rochas Ígneas 2.3.2 Rochas Sedimentares (camadas) 2.3.3 Rochas Metamórficas 3 ESTUDO DA DINÂMICA 3.1 Dinâmica Interna 3.1.1 A Teoria da Tectônica de Placas (Deriva Continental) 3.1.2 A Deformação das Rochas 3.3 Dinâmica Externa 3.3.1 Agentes de Intemperismo 3.3.1.1 Intemperismo Químico 3.3.1.2 Solos Tropicais do Centro-Oeste
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05 05 06 06 07 13 14 15 16 16 16 17 17 18 19 20 21 21 21 24 27 27 28 29

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3.3.1.3 Intemperismo Físico ou Mecânico 3.3.1.4 A Erosão e a Modelagem do Relevo 3.3.1.5 A Ação das Chuvas 4 GEOMORFOLOGIA – Fatores que influenciam na Modelagem do Relevo 4.1 A compartimentação geomorfológica de Goiás 5 HIDROGEOLOGIA 5.1 Sistemas Hidrogeológicos ou Província Hidrogeológica

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXO

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ITCO 5 . apenas a Terra teve a sorte de se formar nem tão perto. deslizamentos de terra. a geologia. Carta de Risco e ZEE INTRODUÇÃO Além da pesquisa de bens minerais. 1 FENÔMENOS E PARÂMETROS GEOLÓGICOS DA TERRA Entre todos os planetas do Sistema Solar. existe a necessidade na gestão ambiental urbana. como cartas de risco e de suceptibilidade erosiva. Problemas como enchentes.FMDU . reduzida a 18 homens. nem tão longe do Sol. este curso básico de geologia trás alguns conceitos dessa ciência que permitirão ao leitor dos produtos uma melhor compreensão da linguagem utilizada. Prefeitura Municipal de Goiânia . Como curiosidade. Como conseqüência tornou-se o único planeta onde as temperaturas permitiram a formação da água. a questionar sobre a origem de tudo isso. Com o crescimento das cidades. a expedição de Magalhães só não foi um fracasso completo porque sua tripulação. à ocupação ou outra destinação. do conhecimento das áreas adequadas. surgimento de erosões estão entre os problemas gerados pela urbanização e ocupação de áreas não adequadas. Apesar da evolução do conhecimento. conseguiu chegar à Espanha em 10 setembro de 1522.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.SEPLAM . exaustão e contaminação do freático. Essas condições permitiram o surgimento da vida e. Enfim. imagens a partir de satélites revelaram um lindo planeta azul flutuando no espaço. mais que isso. tem sido cada vez mais utilizada como ferramenta para elaboração de instrumentos. seres inteligentes que aprenderam entre outras coisas. Há mais de dois mil anos os filósofos gregos deduziram que a Terra era uma esfera. como ciência. o interior da Terra permanece um mistério oculto. recursos energéticos não renováveis e água subterrânea. subsidências. no século XX. ou não. fato este comprovado pelo navegador português Fernão de Magalhães que circunavegou o globo no início do século XVI (1519-1522). no gerenciamento das questões urbanas. Com o objetivo de capacitar os gestores da Carta de Risco da cidade de Goiânia.

que seria o tudo e o nada (Georges Lamaitre.6 bilhões de ano. entre eles a Terra. 1.. 1. Através dela são estabelecidas às relações espaciais e temporais entre as unidades geológicas. A partir disso. a aparente sólida superfície da Terra é uma “casquinha” que esconde um verdadeiro caldeirão de energia e matéria fervilhante e dinâmico. estender). Esta “Singularidade” seria um ponto com 1 bilionésimo do tamanho de um próton. 1927). Sternere. Este agrupamento formou o sol e o restante um disco de poeira que deu origem aos planetas do Sistema Solar. há 13. que são a chave para a separação das chamadas unidades tectônicas: grupo. Esta expansão da “sopa de partículas” provocou a fusão dos prótons e nêutrons gerando a matéria (Edin Hubble. os cientistas usando ondas sísmicas e estudos do campo magnético descobriram que o planeta consiste de três camadas principais: crosta. devia existir a “singularidade”. que pode vir à superfície sob a forma de vulcões e terremotos. ou acamadadas de forma plana e superpostas (L. utilizando dois princípios – PSC (princípio da superposição das camadas) e PHC (princípio da horizontalidade das camadas).2 A divisão do tempo geológico: Princípios de Estratigrafia e Paleontologia Estratigrafia estuda as rochas estratificadas. Essas camadas armazenam grande quantidade de energia. As camadas (estratos) por sua vez refletem mudanças ambientais/climáticas. formação. A denominação das unidades geológicas obedece ao Código de Nomenclatura Estratigráfica. Esta “singularidade” sofreu então uma “Grande Explosão” ou Big Bang”. Carta de Risco e ZEE Entretanto. há 4. Formação. mas que também é responsável pela formação de cadeias de montanhas como de depósitos minerais. houve o agrupamento de uma ”nuvem“ de poeira num determinado ponto do Universo. ou ciclos geológicos. Membro e Camada.. membro e camada. Prefeitura Municipal de Goiânia .FMDU . que são regras para definição das unidades geológicas – Grupo. 1929).1 A História da Terra e o tempo geológico: “A Teoria do Big Bang” Segundo as teorias modernas. Em resumo.SEPLAM . manto e núcleo.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.ITCO 6 . iniciando um processo de inflação de partículas.7 bilhões de anos .

2. conhecidos seus limites e a sua idade. Para tanto é necessário que sejam estabelecidas às relações espaciais entre as diversas unidades geológicas.a. 1. considera os grandes eventos geológicos que ocorreram na Terra desde a sua formação até hoje pode ser resumida como no quadro a seguir. A divisão do tempo geológico hoje aceita.ITCO 7 . épocas e idades. que se baseiam nos grandes eventos geológicos da história do planeta.588 Ma 2. Este tempo é dividido em éons. tectônicos e litológicos. a definição das unidades estratigráficas é regulamentada por critérios temporais.SEPLAM . De forma relativa. períodos.246 Ma Fanerozóico Cenozóico Prefeitura Municipal de Goiânia .5 Ka 11.Paleontologia O tempo geológico é a linha do tempo desde o presente até a formação da Terra.6 – 5.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.6 Ma 3.332 Ma 5.806 – 2.332 – 7. através dos fósseis para as rochas do Fanerozíco e de forma absoluta através da datação radiométrica para rochas com mais de 570 m. Cálculo do tempo geológico é calculado de duas formas.806 Ma 1.5 – 126 Ka 126 – 781 Ka 0.1 O tempo Geológico .781 – 1. Quadro Estratigráfico Éon Era Período Neogeno Época Holoceno Superior Pleistoceno Médio Inferior Gelasiano Plioceno Piacenziano Zancleano Mioceno Messiniano Idade Duração 0 – 11.FMDU . Carta de Risco e ZEE Portanto.588 – 3. eras.

8 – 58.8 Ma 55.SEPLAM .03 Ma 23.97 Ma 15.5 Ma 93.7 Ma 58.5 – 70.3 – 93.4 Ma 28.2 Ma 37.FMDU .2 – 40.6 – 55.8 Ma 85.9 – 37.65 – 15.43 – 23.6 Ma 99.5 Ma 83.03 – 28.246 – 11.65 Ma 13. Carta de Risco e ZEE Tortoniano Serravalliano Langhiano Burdigaliano Aquitaniano Chattiano Oligoceno Rupeliano Priaboniano Bartoniano Eoceno Paleogeno Lutetiano Ypresiano Thanetiano Paleoceno Selandiano Daniano Mesozóico Cretáceo Maastrichtiano Campaniano Santoniano Superior Coniaciano Turoniano Cenomaniano Inferior Albiano Aptiano Prefeitura Municipal de Goiânia .3 Ma 89.9 Ma 33.43 Ma 20.5 – 99.4 Ma 40.8 – 89.4 – 48.97 – 20.608 – 13.6 – 112 Ma 112 – 125 8 .7 – 65.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.5 – 85.5 Ma 65.7 – 61.7 Ma 61.4 – 33.ITCO 7.6 – 83.6 Ma 48.6 Ma 70.608 Ma 11.

5 – 199.6 – 203.6 Ma 171.7 – 171.5 Ma 145.7 Ma 167.2 – 164.FMDU .6 – 183 Ma 183 – 189.7 Ma 155.7 – 167.2 Ma 161.4 – 140.6 – 175.2 – 145.5 Ma 216.8 – 155.7 Ma Prefeitura Municipal de Goiânia .6 Ma 175.5 – 150.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Carta de Risco e ZEE Ma Barremiano Hauteriviano Valanginiano Berriasiano Tithoniano Superior Kimmeridgiano Oxfordiano Calloviano Bathoniano Médio Jurássico Bajociano Aaleniano Toarciano Pliensbachiano Inferior Sinemuriano Hettangiano Triássico Superior Rhaetiano Noriano Carniano Ladiniano Médio Anisiano Inferior Olenekiano 125 – 130 Ma 130 – 136.ITCO 9 .8 Ma 150.6 Ma 199.7 Ma 164.6 Ma 189.6 – 216.4 Ma 136.SEPLAM .6 – 196.5 Ma 196.6 Ma 203.2 Ma 140.5 – 228 Ma 228 – 237 Ma 237 – 245 Ma 245 – 249.7 – 161.

8 – 268.6 Ma 275.7 Ma 311.3 – 359.6 Ma 270.1 – 326.3 Ma 345.6 – 284.6 Ma 294.3 Ma 385.9 Ma 303.6 – 275.4 – 294.7 – 251 Ma 251 – 253.5 – Prefeitura Municipal de Goiânia .4 – 345.8 – 260.4 Ma 260.0 – 270.5 Ma 397.8 Ma 265.5 – 385.8 – 397.0 Ma 268.4 – 265.2 – 374.FMDU .4 Ma 284.SEPLAM .8 Ma 253.ITCO 10 .5 Ma 374.3 – 391.9 – 306.8 Ma 391.5 – 311.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.2 Ma 359.7 – 318. Carta de Risco e ZEE Induano Paleozóico Lopingiano Wuchiapingiano Capitaniano Guadalupiano Permiano Wordiano Roadiano Kunguriano Artinskiano Cisuraliano Sakmariano Asseliano Gzheliano Kasimoviano Pennsylvaniano Moscoviano Carbonífero Bashkiriano Serpukhoviano Mississippiano Viseano Tournaisiano Devoniano Superior Frasniano Givetiano Médio Eifeliano Inferior Emsiano Famenniano Changhsingiano 249.4 Ma 326.5 Ma 306.6 – 299 Ma 299 – 303.1 Ma 318.

9 Ma 422.9 – 426.8 – 478.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.8 Ma 471.1 – 471.2 – 436 Ma 436 – 439 Ma 439 – 443.0 – 411.6 – 488.2 Ma 411.6 Ma 478.2 Ma 426. Carta de Risco e ZEE 407.ITCO 11 .3 Ma 421.8 – 460.7 – 421.7 – 445.3 – ? Ma ? – 501 Ma 501 – ? Ma ? – 513 Ma 513 – ? Ma ? – 542 Ma Prefeitura Municipal de Goiânia .2 Ma 428.3 – 422.7 Ma 443.6 – 455.0 Ma Pragiano Lochkoviano Pridoli Ludfordiano Ludlow Gorstiano Homeriano Siluriano Wenlock Sheinwoodiano Telychiano Llandovery Aeroniano Rhuddaniano Hirnantiano Superior ? ? Ordoviciano Médio ? ? Inferior Tremadociano Superior Cambriano ? Paibiano Médio Inferior ? ? ? ? Darriwiliano 407.6 Ma 445.9 Ma 460.7 Ma 418.SEPLAM .9 – 468.8 Ma 455.2 – 428.3 Ma 488.2 – 416 Ma 416 – 418.1 Ma 468.FMDU .

3 – 2.85 Ga 3.85 – 1 Ga 1 – 1.85 – 4. quando se estuda o passado.4 Ga 1.8 – 3. Carta de Risco e ZEE Ediacarano Neoproterozóico Criogeniano Toniano Steniano Mesoproterozóico Ectasiano Proterozóico Calymmiano Statheriano Orosiriano Paleoproterozóico Rhyaciano Sideriano Neoarqueano Mesoarqueano Arqueano Paleoarqueano Eoarqueano Hadeano Escala de tempo (antes do presente): • • • 542 – 630 Ma 630 – 850 Ma 0.SEPLAM .4 – 1. 1 Ga = 109 (um bilhão de) anos. tende-se a sobrevalorizar o que está mais próximo do presente.2 Ga 3.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. que assim requerem estudos mais detalhados.8 Ga 1.6 – 1.FMDU .6 Ga 1.05 – 2.8 Ga 2. A escala de tempo geológica é distorcida. 1 Ma = 106 (um milhão de) anos. em parte.57 Ga 1 Ka = 103 (um milhar de) anos.2 – 3.05 Ga 2.5 Ga 2. Mas também porque.6 Ga 3.3 Ga 2. Notas 1.6 – 3.5 – 2. Prefeitura Municipal de Goiânia . Isso se dá.2 – 1.8 – 2.2 Ga 1.ITCO 12 . ampliando-se em direção ao presente. porque há mais informações nas camadas de rochas recentes.

e suas épocas redistribuídas entre os novos períodos Paleogeno e Neogeno. Os períodos do Proterozóico não são divididos em épocas. como se costuma encontrar na literatura especializada. não é um éon nem uma era. Em razão de variar com a presença de materiais densos e estruturas Prefeitura Municipal de Goiânia . que no Equador é igual a 40. O antigo período Vendiano do Neoproterozóico foi renomeado para Ediacarano. mas sim um conjunto de éons. 3. estruturas geológicas e a presença de materiais mais densos. 1.3 Características da Terra Com o desenvolvimento da ciência geológica foi possível calcular alguns parâmetros do planeta.075 km e nos Pólos igual a 40.337 km. menos informações as camadas geológicas revelam que permitam justificar subdivisões detalhadas. 4. 5.ITCO 13 . como a sua circunferência.008 km. Com isso os raios equatorial e polar são respectivamente iguais a 6. Apesar de constar do Quadro Estratigráfico Internacional. Apesar de não constar do Quadro Estratigráfico Internacional.SEPLAM . Os antigos períodos Terciário e Quaternário da era Cenozóica foram abolidos. Algumas divisões sequer foram oficialmente nomeadas. assim como as eras do Arqueano não o são em períodos.378 km e 6. 7.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Varia também com a altitude. é reconhecido como o marco zero da Escala de Tempo Geológico por várias outras fontes.FMDU . hora do dia. A gravidade calculada em função disso varia de acordo com a posição. Quanto mais se retrocede no tempo. Arqueano e Hadeano – é tradicionalmente chamado Pré-Cambriano. sendo menor nas regiões próximas ao Equador (raio menor e maior força centrífuga) e menor nas regiões polares. O conjunto dos éons anteriores ao Fanerozóico – Proterozóico. devido à incerteza da datação radiométrica e ao problema de que os depósitos nem sempre são examinados no lugar apropriado da camada geológica que se deseja datar. Carta de Risco e ZEE 2. As datas são aproximadas. O Hadeano a rigor não pode ser considerado um éon geológico. 6. Os limites de algumas divisões mais antigas ainda carecem de definição. porque não há rochas tão antigas para caracterizá-lo adequadamente.

Esta variação é denominada declinação magnética que é a diferença entre o norte magnético e o geográfico. Prefeitura Municipal de Goiânia .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Como curiosidade a região de Caldas Novas.líquido .sólido . o manto até 2900 km. apesar das águas quentes. Assim como a gravidade a variação do magnetismo é utilizada na prospecção mineral. gerado no núcleo pela presença do ferro e do níquel. a partir da superfície. apresenta gradiente geotérmico normal. é utilizada como método de investigação geofísica para localizar depósitos minerais e descontinuidades do maciço rochoso.4 As Camadas Terrestres O estudo das ondas sísmicas permitiu aos geocientistas fazerem um raio – X da Terra e definir sua estrutura. 1. o magnetismo varia de acordo com a posição geográfica do observador em relação ao pólo magnético terrestre e pode ser calculado em relação ao norte geográfico. Este gradiente apresenta média geral igual a 1ºC/30m.ITCO 14 .até 6371 km. Da mesma forma que a gravidade. pois. Outro parâmetro calculado é o magnetismo terrestre.FMDU .SEPLAM . Este raio-X mostra que o planeta é constituído por uma capa superior ou crosta até 40/70 km. que é a variação da temperatura a medida que se aprofunda na crosta (ºG = ºC/m). Carta de Risco e ZEE geológicas. este parâmetro é afetado pela presença de alguns materiais que alteram o campo magnético localmente. e varia de acordo com a posição em relação às áreas tectonicamente ativas ou não. Também muito estudado é o gradiente geotérmico. o núcleo interno . A figura 1 a seguir apresenta o modelo descrito. o núcleo externo . uma capa abaixo do manto a astenosfera até 400 km.de 2900 a 5150 km e.

são as bases do estudo geológico como hoje fazemos.FMDU .ITCO 15 .SEPLAM .5 Como se Estuda a Terra Instrumentos e observação dos fenômenos geológicos. quando lançou a livro Principles of Geology. o estudo dos minerais. Este princípio juntamente com as idéias da Seleção Natural de Charles Darwin (1938 e 1958 com Alfred Russel Wallace). evoluíram os estudos sobre a estratigrafia que permite estabelecer as relações espaciais e temporais entre as unidades geológicas ou a hierarquia entre os Grupos e Formações etc. permitem estudar a Terra. aconteceram no passado em maior ou menor intensidade. Estas observações são baseadas num dogma da geologia. Além disso. conhecido pelo “Princípio do Uniformitarismo”. Este princípio diz: “O presente é a chave do passado” .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Carta de Risco e ZEE Figura 1 1. Prefeitura Municipal de Goiânia . que significa os fenômenos geológicos que hoje ocorrem. introduzido por Charles Lyell entre 1830 e 1833. rochas. fósseis e a determinação dos parâmetros físico-químicos através da geofísica e geoquímica.

Al. fragilidade. e absoluta pelo estudo do decaimento radiométrico. dureza. Alguns minerais são associações de elementos (CaCO3) e outros isolados como o ouro (Au). Si. Ca. permitem traçar os limites espaciais e geográficos entre as diversas unidades geológicas. Estes limites são determinados pelo mapeamento geológico e. Carta de Risco e ZEE Estudos de mineralogia e petrografia. que determina a arquitetura das rochas e o tipo de deformação. juntamente com o estudo da geologia estrutural. com propriedades físicas e químicas definidas. clivagem e fratura. Ca. Fe. os minerais têm como característica possuir estrutura cristalina que vai refletir suas propriedades como o polimorfismo (p. mapas hidrogeológicos etc. CLASSIFICAÇÃO DOS MINERAIS E ROCHAS 2. Além dessa propriedade os minerais apresentam composição química. Independentes disso.FMDU . Ba. naturais. Prefeitura Municipal de Goiânia . Li. cor. 2. Si. grafita e diamante). K. presentes nos minerais e rochas os seguintes elementos: O. Os elementos mais comuns são: O. Mg. inorgânicas. K. Na.1 A Composição Química da Crosta Terrestre Não considerando as diversas camadas a crosta apresenta como principais elementos químicos. Rb.SEPLAM . transparência. Mg. mapas metalogenéticos.ITCO 16 .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. brilho. Na natureza estão catalogados mais de 3000 minerais em geral estão associados às rochas. Isto se reflete na abundância de minerais como o quartzo (SiO2) e dos feldspatos sódico/potássicos (Na e K) além das micas presentes nos granitos e em grande parte das rochas metamórficas e sedimentares.e. cartas de risco. hábito. Al. índice de refração.73g /cm³). associado aos métodos de datação de rocha.2 Conceito e Classificação dos Minerais Minerais são substâncias sólidas. 2. Na. etc (elementos litófilos / d = 2. H e C. Ti. a partir deste podem ser gerados subprodutos como cartas geotécnicas. relativa através dos fósseis. traço.

Quando uma rocha é formada por apenas um mineral dizemos que esta rocha é mono minerálica. sulfetos.e. molibidatos e wolframatos. A classificação mais utilizada na geologia é a relacionada com a origem da rocha. O grupo dos metais é constituído por: Elementos nativos e compostos intermetálicos – p. feldspatos e micas (grupo mais importante). ou classificação genética. sedimentares e metamórficas O conceito mais simples para rocha é que esta é um agregado natural de um ou vários minerais. peso específico.FMDU . Au e polixeno (Fe e Pt). rochas sedimentares – que em geral são granulares. o grupo dos metais e dos não metais. -Halogenetos – fluoretos. -Carbonatos – que entre eles está a calcita que forma os calcários. brometos e cloretos. Cromatos.1 A Classificação dos Minerais De maneira geral os minerais são separados em dois grandes grupos.ITCO 17 .3 Conceito e Classificação das Rochas: ígneas. pois compõe as principais rochas silicatadas. oxisais (nitratos-salitre).TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.SEPLAM . 2. 2. Óxidos e Hidróxidos – simples e complexos (hematita (Fe) e polianita (Mn)) e. magnetismo e radioatividade. -Sulfatos – que forma minerais como gipsita e a anidrita e. mas podem ser cristalinas como os calcários e. O grupo dos não metais pelos subgrupos dos: -Silicatos – quartzo. que separa a rocha em três grandes grupos: 1. 2. arseniatos e vanadatos. Quando é formada por vários minerais dizemos que esta rocha é poli minerálica. rochas ígneas ou magmáticas – também chamadas de cristalinas.2. Carta de Risco e ZEE maleabilidade e elasticidade. Prefeitura Municipal de Goiânia .

2.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. anortositos etc. As rochas que se cristalizam no interior da crosta são denominadas plutônicas e hipabissais.1.FMDU . Carta de Risco e ZEE 3. que têm como característica a presença de cristais visíveis a olho nu. Já aquelas que se cristalizam na superfície terrestre são denominas vulcânicas ou extrusivas.3. As vulcânicas mais comuns são o riolito.ITCO 18 .SEPLAM . Os tipos mais comuns de rochas plutônicas são os granitos. que têm como característica cristais visíveis somente com ajuda de um microscópio. Rochas Ígneas São denominadas rochas ígneas ou magmáticas aquelas formadas pela cristalização do magma no interior da crosta ou superfície terrestre. gabros. granodioritos. Figura 2 Prefeitura Municipal de Goiânia . o andesito e o basalto. rochas metamórficas – que apresentam orientação nos minerais formando xistosidade e/ou bandamentos. A partir da formação das rochas ígneas as rochas iniciam um ciclo denominado “ciclo das rochas” que é sintetizado na Figura 2 a seguir.

São formadas por fragmentos de outras rochas. os arenitos. Ultramáfica ou ultramelanocrática – índice de cor > 90%. Quanto ao índice de cor são classificadas como: Hololeucocrática – índice de cor < 10%. Também. áreas continentais. Quando são formadas por fragmentos de outras rochas são denominadas de rochas clásticas e entre elas podem ser citadas o argilito. processos químicos. como no caso dos calcários calcíticos que se transformam em dolomitos. correspondem a somente 5% do volume das rochas da crosta.2 Rochas Sedimentares (camadas) As rochas sedimentares recobrem 80% da superfície da Terra. Ultrabásica <45%SiO2.índice de cor entre 30 – 60%. Carta de Risco e ZEE As rochas ígneas podem ser classificadas ainda de acordo com a sua composição química (conteúdo de SiO2) ou pelo índice de cor determinado pela presença de minerais claros e escuros. 2. Mesocrática . regiões marinhas etc. porém. podem ser formadas por processos biológicos pela morte de organismos como os calcários de corais ou pela acumulação de matéria orgânica como é o caso do carvão mineral. Leucocrática – índice de cor entre 10 – 30%. Melanocrática ou máfica – índice de cor entre 60 – 90% e.SEPLAM . A classificação pela composição é assim definida: Ácida >66%SiO2.3. que são depressões da crosta nos diversos ambientes como os desertos. ou processos biológicos.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. as rochas sedimentares são formadas em locais denominados “bacias sedimentares”. Prefeitura Municipal de Goiânia . silvinita e carnalita.66-52%SiO2.52-42%SiO2 e. o siltito. Em qualquer um dos casos. Quando são formadas por evaporação são denominadas evaporitos e formam camadas de e sais como halita. As rochas químicas são formadas por precipitação e evaporação e também por por substituição. e os conglomerados/brecha.FMDU .ITCO 19 . Intermediária . Básica .

Nesse metamorfismo são formadas rochas cataclásticas (cataclasitos) cujos termos petrográficos são: filonitos. que mostram estruturas de fluxo e sombras de pressão. No outro tipo de metamorfismo. o fenômeno ocorre pela dissipação de calor (alta temperatura) das manifestações ígneas (intrusões ou extrusões) em contato com outras rochas.SEPLAM . metamorfismo dinâmico ou cataclasamento. ou termal. quartzito (a partir de arenitos). e metamórficas ortoderivadas quando derivadas de rochas ígneas. calcissilicáticas e difíceis de reconhecer embora tenham como característica comum à cor verde. No metamorfismo regional as elevadas pressões e temperaturas existentes no interior das cadeias de montanhas são os parâmetros envolvidos nesse tipo de metamorfismo.3 Rochas Metamórficas São rochas formadas pela modificação físico química dos minerais pré-existentes em outras pela ação da pressão e temperatura (P. o metamorfismo por Contato. onde a P (dirigida) é o fator principal e. ou por soterramento. ultramilonitos e milonitos.3. gnaisses miloníticos. O metamorfismo dinâmico ocorre ao longo de planos de deslocamentos de grandes blocos de rocha em zonas de falhas cisalhantes. o termal ou de contato.ITCO 20 . Prefeitura Municipal de Goiânia . São três os tipos de metamorfismo: metamorfismo regional. onde é formada uma faixa de alta pressão ao longo do plano de falha. mármores (a partir de calcários). que são rochas maciças (em geral). Desse metamorfismo são formadas rochas como: ardósia – filito – xisto – gnaisse – anfibolito. onde são fatores desencadeadores do processo P e T. Estas rochas apresentam folição milonítica. Portanto estas rochas são formadas em zonas denominadas de cisalhamento dúctil. Desse metamorfismo são formados os gnaisses tipo “hornfels”. onde ocorre a ação da T e a circulação de fluidos. Carta de Risco e ZEE 2.FMDU . Rochas metamórficas quando são formadas a partir de rochas sedimentares são denominadas paraderivadas.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. granulitos – migmatitos. T) e a circulação de fluidos.

conduzindo finalmente ao desenvolvimento da teoria da Tectônica de Placas. em 1930. a ocorrência de terremotos estão relacionados à tectônica global explicada pela Teoria da Tectônica de Placas.FMDU . Nestes artigos Wegener argumentou que. que estuda os processos que envolvem a alteração. 3. 3. Carta de Risco e ZEE 3. havia um supercontinente – o Pangeia. as manifestações magmáticas através dos vulcões. Em 1912 dois artigos publicados por um alemão. Divide-se em dinâmica interna.SEPLAM . em 1596 por um fabricante holandês. Após a morte de Wegener. ou Pangea que começou a se separar em várias partes.1 A Teoria da Tectônica de Placas (Deriva Continental) O modelo foi sugerido. Abraham Ortelius através da observação do contorno dos continentes nos primeiros mapas resultantes das grandes navegações da idade média. bem como outros estudos geológicos e geofísicos reacenderam o interesse pela teoria de Wegener. novas evidências a partir da exploração dos fundos oceânicos. Alfred Lothar Wegener (meteorologista) trouxe a teoria de volta.ITCO 21 . pela primeira vez.1. que estuda os fenômenos relacionados a atividades tectônicas e os mecanismos de deformação das rochas e. falhas e fraturas nas rochas. há cerca de 200 milhões de anos. com a formação de dobras. transporte e deposição de materiais como por exemplo a erosão. Prefeitura Municipal de Goiânia . ESTUDO DA DINÂMICA A dinâmica é o conjunto de processos que ocorrem no interior e exterior da crosta provocando deformações nas rochas e modificações no relevo. a formação de solos e do relevo.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.1 Dinâmica Interna Na dinâmica interna os processos e mecanismos de deformação das rochas. dinâmica externa.

A partir daí os continentes foram se distanciando uns dos outros a uma velocidade média de 2.FMDU . a Laurásia no hemisfério norte e a Gondwana no hemisfério sul. Prefeitura Municipal de Goiânia .0 cm/ano. Carta de Risco e ZEE Em 1939 Alexander Du Toit.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.ITCO 22 . primeiro. A Figura 3 a seguir mostra como era a junção entre a África e a América do Sul e os pontos onde existem evidências de ambientes geológicos semelhantes.SEPLAM . Figura 3 Na Figura 4 é apresentado um modelo onde os continentes estão juntos formando o Pangeia e. ocorrências de fósseis comuns etc. se dividiu em dois grandes continentes. na Figura 5 o contorno atual. professor de geologia na Universidade de Joanesburgo encampou as idéias de Wegener e foi em busca de argumentos que justificassem a teoria e concluiu que o Pangeia.

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.SEPLAM .ITCO 23 .FMDU . Carta de Risco e ZEE Figura 4 – Indicação de fósseis comuns aos continentes. Figura 5 Prefeitura Municipal de Goiânia .

Este modelo apresenta a Terra como sendo formada por um mosaico de pequenas crostas. A Figura 6 apresenta uma síntese do modelo. Este mecanismo é responsável pelos choques entre as placas. Pode ser também rígida. Figura 6 3.2 A deformação das rochas Uma das conseqüências da movimentação das placas é a deformação das rochas. que flutuam no manto e se deslocam por influência das correntes de convecção geradas pelo fluxo de calor no manto superior. As dobras são estruturas arqueadas ou flexionadas a partir de um eixo imaginário. formando descontinuidades no maciço rochoso denominadas falhas e fraturas.SEPLAM .ITCO 24 . Estas estruturas normalmente formam conjuntos de arqueamentos. e que tem como conseqüência a formação de terremotos. Quando esse arqueamento é único.1.FMDU .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Essa deformação pode ser plástica. e forma dobramentos ou arqueamentos nas rochas. é denominado Prefeitura Municipal de Goiânia . à luz de novos conhecimentos e. positivos e negativos. o vulcanismo e a deformação das rochas. desde a década de 70 se consolidou com o formato atual. Carta de Risco e ZEE A partir das décadas de 50 e 60 o modelo foi estudado e melhorado. denominados respectivamente anticlinais e sinclinais. ou dúctil. ou frágil. com encurtamento do maciço rochoso como mostra a Figura 7.

ITCO 25 . Figura 8 Prefeitura Municipal de Goiânia .FMDU . quanto horizontal. Esse deslocamento pode ser tanto vertical. Figura 7 – Dobras e seus elementos geométricos. ou ainda uma mistura dos dois.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Diferente das dobras as falhas são rupturas do maciço rochoso com deslocamento de blocos. Carta de Risco e ZEE monoclinal. como mostra a Figura 8.SEPLAM .

) que podem ser destruídas em instantes. quando o material fica retido em câmaras magmáticas dentro da crosta e não consegue chegar à superfície é denominado plutonismo. Quando ocorre o extravasamento na superfície é denominado vulcanismo.ITCO 26 . Outro processo derivado da tectônica global são os terremotos. que se manifesta na superfície quando a placa litosférica rígida sofre uma ruptura. Santa Helena nos EUA). mas os blocos não se afastam lateralmente. gerando verdadeiras cordilheiras submarinas. que representam limites divergentes de placas. e assim. permitindo a observação direta deste tipo de vulcanismo fissural. mas por estarem associados aos movimentos das placas tectônicas. Nas diáclases ocorre a quebra e um pequeno afastamento lateral. Nas juntas ocorre a quebra. Note que isso é diferente das falhas. lavas e cinzas e. porém. sem deslocamento de blocos.SEPLAM . que são manifestações do material rochoso fundido em profundidade e submetido a pressões e temperaturas altíssimas (astenosfera) e. Outra conseqüência da tectônica global são os vulcões. Entretanto. Osorno e Vila Rica no Chile. Carta de Risco e ZEE Assim como as falhas as fraturas também são rupturas do maciço rochoso.FMDU . formando montanhas (Estromboli e Vesúvio na Itália.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Estes abalos têm intensidade. a atividade vulcânica pode formar ilhas em meio aos oceanos (Havaí. duração e freqüência variáveis. Quando o atrito entre elas é vencido (subducção ou falha transformante) ou quando partes se rompem (separação de placas). O material que extravasa é constituído por gases. as juntas e as diáclases. não só pela destruição que causam. A lslândia representa parte da cadeia meso-oceânica emersa acima do nível das águas. ocorrem os abalos. Os terremotos são tremores ou abalos causados pela liberação repentina da energia acumulada durante longos intervalos de tempo em que as placas tectônicas sofreram esforços para se movimentar. Pode ocorrer nos continentes. Os hipocentros (pontos de origem dos terremotos) e epicentros (projeções verticais dos hipocentros na superfície) estão localizados preferencialmente em zonas limitrofes de Prefeitura Municipal de Goiânia . podendo resultar em grandes modificações na superfície. a expansão oceânica. o mais espetacular aspecto construtivo do vulcanismo é o que ocorre nas cadeias meso-oceânicas. Açores e etc. formando assoalho oceânico novo a cada extravasamento e causando. Existem dois tipos de fraturas.

fossas oceânicas e cordilheiras continentais. Ocorrem terremotos também no limites neutros. sujeito a freqüentes e intensos terremotos (exemplo da Falha de San Andreas. onde elas se chocam e sofrem subducção e enrugamento. b) o intemperismo químico alteração química de minerais e rochas e. É famoso o "cinturão de fogo circumpacífico". EUA). 3. o vento.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. ou onde elas se separam. a cristalização de sais e. nas cadeias dorsais meso-oceânicas. o gelo das neves e ocorre nas regiões de clima frio. mas a esforços chamados intra-placas. a variação de temperatura. formando. respectivamente. mares.3 Dinâmica Externa Entende-se por dinâmica externa como o conjunto de processos que ocorrem na superfície terrestre modificando-a.1 Agentes de Intemperismo Os agentes principais do intemperismo são: a água – chuvas. Carta de Risco e ZEE placas tectônicas.RN. pode-se observar que a distribuição dos terremotos forma faixas contínuas ao longo das fossas oceânicas e cadeias continentais e meso-oceânicas. Prefeitura Municipal de Goiânia . No mapa mundi. e ocorreu recentemente no Rio de Janeiro e São Paulo. água subterrânea. a ação dos seres vivos inclusive o homem. Também existem terremotos que não são devidos aos movimentos das placas.ITCO 27 . menos intensos. 3.FMDU . c) o intemperismo biológico (inclusive o antrópico) alterações locais de rochas e modificações pontuais no relevo (Canal do Panamá).3. e estão relacionados à reativação de falhas (rupturas) muito antigas na crosta como ocorre com certa freqüência em João Câmara . formando uma faixa muito ativa em volta do Oceano Pacífico. rios. onde as placas se movem lateralmente em sentidos opostos (falhas transformantes).SEPLAM . Estes abalos são menos freqüentes. Estes processos são: (a) o intemperismo físico desgastes e alterações físicas de minerais e rochas.

1 Intemperismo Químico A forma mais importante de intemperismo é aquela que provoca a transformação química dos minerais que compõem a rocha. e apresentam estratificações denominadas de horizontes como mostra a Figura 9.1. É oportuno salientar que o quartzo permanece inalterado quando ocorrem estes processos.ITCO 28 . desde que não tenham sido deslocados. Carta de Risco e ZEE 3. Estes horizontes apresentam composições diferentes e podem estar presentes ou não. manto de alteração ou regolito. que nas regiões de clima tropical são denominados latossolos vermelhos devido a forte presença de sesquióxidos de Fe e Al. manganês. Este tipo de intemperismo tem como principal agente a água. Os solos.SEPLAM . Prefeitura Municipal de Goiânia .3.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. níquel. normalmente refletem a rocha que lhes deu origem. argilas refratárias etc. esta forma de intemperismo é responsável pela formação de jazidas minerais como caulim. Também nestas regiões. que são transformados em argilas. O resultado final do intemperismo químico das rochas é a formação dos solos.FMDU . que por processos como a hidrólise e/ou a hidratação altera minerais como os feldspatos e micas. Figura 9 – Perfil típico de solo até o horizonte C.

Carta de Risco e ZEE 3. desenvolvendo pressões internas que desagregam a estrutura cristalina. b) a cristalização de sais – soluções salinas penetram nos planos de clivagem.3. solos podsolizados. de forma localizada.1. Os solos podsolizados ocorrem nas áreas mais baixas onde ocorre o acúmulo de matéria orgânica. Os latossolos ocorrem de forma indiscriminada em toda região com variações locais de tonalidade que refletem a maior ou menor quantidade de alumínio e/ou ferro. Prefeitura Municipal de Goiânia . c) o congelamento da água – a água quando congela aumenta o volume e. Uma variação local importante são os litossolos. d) as atividades de seres vivos – raízes e ação de organismos em regiões costeiras. sem que haja necessariamente uma alteração química maior dos minerais constituintes.ITCO 29 . que têm como característica principal a presença de fragmentos de rocha e de quartzo e que refletem seu grau de maturidade.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Os solos aluviais ocorrem ao longo das drenagens com o Rio Meia Ponte e outros rios maiores e menores. gleissolos e solos aluviais.FMDU .SEPLAM .3 Intemperismo Físico ou Mecânico Este tipo de intemperismo envolve processos que conduzem à desagregação física da rocha. Estes solos são observados nas regiões acidentadas principalmente nas encostas.2 Solos Tropicais do Centro – Oeste Na região predominam latossolos vermelhos a vermelho-amarelados com variações para solos lateríticos (concreções limoniticas) e litossolos. que nunca excede a 20%. cristalizam-se e rompem o mineral. Os solos tipo glei ou gleissolos ocorrem nas áreas de várzea inundáveis ou mesmos em áreas baixas em antigas depressões ou “dales”. 3. Os principais agentes do intemperismo físico são: a) a variação de temperatura minerais sofrem dilatação e contração.3. Ocorrem ainda.1.

As torrentes se diferenciam das enxurradas porque são formadas nas encostas. sem cobertura vegetal. Carta de Risco e ZEE 3.1. infiltrar-se no solo como água subterrânea. Quando uma região perde sua cobertura vegetal. São cursos de água de regime irregular. indo para a atmosfera. Entre os agentes de erosão estão: a) as águas pluviais.ITCO 30 . Em terrenos inclinados. onde a ação humana promove modificações pela construção civil.SEPLAM . e) a antrópica. modificando o equilíbrio na natureza. e escorrer pela superfície da Terra. quando ocorre nas cidades causar prejuízos materiais e financeiros. ou mesmo. podem desenhar desde sulcos superficiais até outros mais profundos. ou induzida quando o homem interfere. que pela ação das ondas que modelam o litoral (praias e falésias). c) o mar. Pode ser natural.1. No Brasil. 3. que gradativamente modela a paisagem. mineração. que através das enxurradas com fluxo concentrado formando sulcos. a ação combinada das enxurradas e das águas subterrâneas causa as voçorocas. sob a forma de enxurradas e torrentes. a partir de pequenos fios de água que vão se reunindo para formar outros maiores. chamados ravinas. quando os agentes de intemperismo agem sem qualquer interferência. b) os rios e tributários. suas águas podem seguir três caminhos: evaporar-se. agropecuária etc.FMDU .3.3. ravinas e voçorocas. formando os”fiordes” no litoral e as os vales em “U” e “morenas” nas áreas continentais e. enormes buracos que destroem trechos de terra cultiváveis.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. o solo fica sujeito à erosão e pode desaparecer. A chuva é um dos mais eficazes agentes de erosão.4 A Erosão e a Modelagem do Relevo Erosão é o processo de desgaste e remoção de partículas das rochas e solos.5 A Ação das Chuvas Quando as chuvas caem sobre a superfície da Terra. d) as geleiras. que promovem a dissecação do relevo com formação de vales em “V”. que nas regiões mais frias modelam o relevo pelo deslocamento de grandes massas de gelo. pois dependem da quantidade de chuvas que recebem: Prefeitura Municipal de Goiânia . Nas enxurradas a violência das águas tem um poder erosivo muito grande.

são relacionadas à fertilidade dos sedimentos depositados por rios. formando gargantas ou desfiladeiros. A vazão pode sofrer mudanças ao longo do ano. Se as rochas do terreno são muito resistentes. Podemos dividir o caminho que o rio percorre da nascente até a foz em três porções que podem ser comparadas com as três fases da vida humana: o curso superior.FMDU .SEPLAM . Mesopotâmia e Índia. a inclinação se suaviza e as águas ficam mais tranqüilas. O vale Prefeitura Municipal de Goiânia . ou alto curso. o canal de escoamento. Essas mudanças devem-se tanto a estiagens prolongadas quanto a cheias excepcionais. os chamados aluviões. os rios realizam três trabalhos essenciais para a construção e modificação do relevo: Erosão. às vezes com efeitos catastróficos sobre as populações e os campos. A força das águas escava vales em forma de V. A união de várias torrentes acaba formando os rios. que pode sofrer variações ao longo do percurso (Figura 10). o rio circula por elas. quando há a formação de planícies e deltas. Culturas antigas. onde o poder erosivo e de transporte de sedimentos é muito intenso. ou baixo curso.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. equipara-se à juventude. A inclinação do terreno torna-se quase nula e há muito pouca erosão e quase nenhum transporte. A sedimentação é um processo muito importante para a humanidade. O curso superior do rio é sua parte mais inclinada. Transporte dos sedimentos. e o cone de dejeção. Sua capacidade de transporte diminui e começa a depositar os sedimentos que não pode mais transportar. chamadas meandros. ou seja. Sedimentação. depositando nas margens grande quantidade de aluviões. onde o rio descreve amplas curvas. outros dependem da época de chuvas ou do derretimento das neves. que são correntes de água com leito definido e vazão regular. ou parte média.ITCO 31 . Uma torrente tem três partes: a bacia de recepção. Nessas regiões formam-se grandes planícies sedimentares. O curso inferior do rio corresponde às zonas próximas de sua foz. e o curso inferior. Em seu curso. o rio transborda. Na época das cheias. Carta de Risco e ZEE uns existem o ano todo. escavação dos leitos. o curso médio equivale à maturidade. onde são abandonados os sedimentos. como as do Egito. à velhice. No curso médio do rio. O poder erosivo de um rio será tanto maior quanto maior for sua vazão e a inclinação de seu leito. onde a erosão é mais intensa.

Esse processo dá origem a costas altas denominadas falésias. corre como um poderoso rio de gelo. formando vales em forma de U e os sedimentos transportados pelas geleiras são chamados morenas. causando o desmoronamento de blocos de rochas e o conseqüente afastamento do paredão.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. as marés e as correntes marítimas. Algumas falésias são cristalinas.SEPLAM . A ação contínua das ondas do mar. As geleiras realizam um trabalho de erosão nas rochas que as cercam. O mar também exerce um duplo trabalho nos litorais dos continentes. formando depósitos de praia . encontramos falésias formadas por rochas sedimentares denominadas barreiras (Figura 11). Figura 10 Figura 11 Prefeitura Municipal de Goiânia . Quando essa enorme massa de gelo se desloca. deltas. As águas dos mares e oceanos desgastam e destroem as rochas da costa mediante três movimentos: as ondas. que desgasta as costas em um trabalho incessante de destruição chamado abrasão marinha. Ao mesmo tempo. a neve não derrete durante o verão. recebe o nome de estuário e no segundo. denominada de abrasão marinha ataca a base dos paredões rochosos do litoral. No Nordeste do Brasil. realizando um trabalho de acumulação marinha. É um agente erosivo. Em algumas zonas de clima muito frio. o vaivém de suas águas traz sedimentos que são depositados nos litorais. O peso das camadas de neve acumuladas durante invernos seguidos acaba por transformá-la em gelo. como as de Torres. No primeiro caso. A foz pode estar livre de sedimentação ou podem surgir aí acumulações de aluviões que dificultam a saída da água.FMDU . Carta de Risco e ZEE alarga-se e o rio corre sobre os sedimentos depositados.ITCO 32 . no Rio Grande do Sul.

A formação das cadeias de montanhas. chapadas. As montanhas são áreas elevadas esculpidas por processos tectônicos ou ainda por processos erosivos.SEPLAM . Além das cadeias de montanhas outras formas são geradas.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. o gelo e os seres vivos. Influem também fatores externos. é um dos resultados mais visíveis.ITCO 33 . dolinas. depressões. Prefeitura Municipal de Goiânia . as águas correntes. que são responsáveis pela elevação ou rebaixamento da superfície da crosta terrestre através dos fenômenos tectônicos. “inselbergs” entre outras. ou pela interação de ambos. Entre as formas de depressão encontradas uma apresenta características especiais. vulcanismo e abalos sísmicos. como visto no item anterior. como: planaltos. que são escavações naturais alongadas associadas a processos erosivos dos rios e/ou geleiras. choques de placas e movimentos verticais de massas continentais (isostasia). o mar. Em vários locais ocorrem depressões. com formas dissecadas pela erosão e. que são superfícies rebaixadas abaixo do nível de erosão. causam modificações na superfície terrestre. estão as dolinas. planícies. que são depressões ocasionadas pelo desabamento de tetos de cavernas.FATORES QUE INFLUENCIAM NA MODELAGEM DO RELEVO A geomorfologia é a ciência que aborda o estudo das formas de relevo e dos seus processos. Entre os fatores externos de modelagem estão o intemperismo. que evoluem para chapadas. Na prática ocorre uma interação de fatores. que por sua vez.FMDU . Com a continuidade do processo erosivo os planaltos evoluem para planícies. como epirogênese. Os planaltos são áreas elevadas. que são formas tabulares de planaltos. Nos processos influem fatores internos. que são superfícies baixas relacionadas ao fim de um ciclo erosivo. o vento. seja por vulcanismos. internos e externos e o resultado são as diversas formas de relevo observadas na paisagem do planeta. Carta de Risco e ZEE 4 GEOMORFOLOGIA . cristas em forma de “cuestas” e “hog backs”. Também constituem um tipo de depressão os vales.

rampeados e localmente com formas aguçadas como morros. Apresenta altitudes que variam de 720m a 1. que constituem formas isoladas desnudas de vegetação relacionadas com intrusões de rochas ígneas. Quando são assimétricas recebem a denominação de Cuestas e Hog-Backs.FMDU . com áreas dissecadas e relevos residuais.100m.1 A Compartimentação Geomorfológica de Goiás A compartimentação geomorfológica para o estado de Goiás compreende o Planalto Central Goiano. Planalto Rebaixado de Goiânia. Hog Backs são cristas assimétricas que refletem camadas com alto mergulho. Nos estados do Ceará.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. porém podem ser encontrados também em outros estados como Minas Gerais. Depressões e Morrarias do Rio dos Bois e Planícies Aluviais. As cristas podem simétricas ou assimétricas. 4.SEPLAM . subdividido em quatro unidades geomorfológicas denominadas como Planalto Dissecado. Carta de Risco e ZEE Ao contrário dos vales as cristas são elevações alongadas que normalmente acompanham os vales. Paraíba. Pernambuco e Rio Grande do Norte são muito comuns. Mica xistos e quartzitos do Grupo Araxá são as litologias predominantes. chapadas de topo tabular e ondulações suaves. que também desenvolvem latossolos vermelhos a amarelados localmente com concreções lateríticas. Cuestas são cristas assimétricas que refletem camadas com baixo mergulho. Rio de Janeiro e São Paulo. Prefeitura Municipal de Goiânia . com as formas residuais apresentando altitudes entre 900 e 1040m. Espírito Santo. desenvolvem-se sobre um substrato constituído por granulitos do Complexo Granulítico Anápolis – Itauçú que dão origem a latossolos vermelhos escuros a claros.ITCO 34 . As áreas do Planalto Dissecado são caracterizadas pela ocorrência de topos tabulares e/ou planos. Apresenta altitudes entre 720 e 900m. às vezes formando cristas. como na Serra da Areia. Uma estrutura muito comum no Brasil são os inselbergs. O Planalto Rebaixado de Goiânia é caracterizado por extensos interflúvios aplainados.

As Planícies Aluviais têm como característica a topografia plana. Tem altitudes que variam de 560 a 860m. Portanto a idéia de um lençol subbterrâneo semelhante a um lago não existe! Prefeitura Municipal de Goiânia .SEPLAM . Carta de Risco e ZEE A unidade denominada Depressões e Morrarias do Rio dos Bois apresenta Interflúvios aplainados de topo tabular a suavemente convexo e/ou rampeado. Os aqüíferos são reservatórios naturais de água encontrados nas rochas ou na interface solo-rocha.ITCO 35 . areia e cascalho. quando são relacionados à porosidade (permeabilidade) das rochas granulares como os arenitos. argila. O substrato rochoso dessa unidade é formado por granulitos do Complexo Granulítico Anápolis – Itauçú e xistos do Grupo Araxá. seja do espaço entre os grãos. HIDROGEOLOGIA A hidrogeologia estuda e avalia as formas de interação entre a água e o sistema geológico. um de várzea (baixo) e outro mais elevado. que indistintamente formam latossolos vermelhos claros e escuros e coberturas detrito-lateríticas.FMDU . o que se traduz pelo estudo dos aqüíferos. seja nas aberturas.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. com pelo menos dois níveis de terraço. Neste último caso são denominados aqüíferos “cársticos”. 5. Nesta unidade são comuns gleissolos (nas várzeas) e solos aluviais (nos terraços alçados). Apresenta altitudes entre 760m (Rio Meia Ponte) e 560m (Rio dos Bois) e formam depósitos aluviais quaternários constituídos por silte. A Figura 12 mostra de forma resumida os três tipos referenciados e em qualquer um dos casos a água ocorre preenchendo vazios. De acordo com a ocorrência da água podem ser primários. secundários quando são relacionados às fraturas abertas nas rochas e às fendas/cavernas. São considerados confinados quando não têm qualquer contato com a superfície e semiconfinados quando têm contato. Podem ser superficiais ou subterrâneos e também confinados e semi-confinados.

depois da chuva ocorre o escoamento sub-superficial e escoamento subterrâneo. A dinâmica do processo de escoamento é a seguinte: primeiro durante as chuvas ocorrem o escoamento superficial e a infiltração. a percolação e o escoamento subterrâneo. escoamento superficial. Carta de Risco e ZEE Figura 12 A questão como são abastecidos os aqüíferos está relacionada com o estudo do ciclo hidrológico ou ciclo das águas. Quanto ao escoamento este pode ser superficial.ITCO 36 . a transpiração.SEPLAM . circulação. a condensação. e a hidrologia é a ciência que estuda a água sobre a Terra. Nesse ciclo ocorrem a evaporação. nos períodos de seca ocorre apenas o escoamento subterrâneo. e sua relação com o meio ambiente e com os seres vivos (Ven Te Chow). infiltração e percolação que ocorre o (re) abastecimento dos aqüíferos como mostra a Figura 14. a precipitação. características químicas e físicas.FMDU . Nos processos de precipitação. a infiltração. distribuição. Prefeitura Municipal de Goiânia . o escoamento superficial.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Este reabastecimento está relacionado com o binômio escoamento-infiltração. que fazem os caminhos como mostrado pela Figura 13. sua quantidade. sub-superficial ou subterrâneo.

Carta de Risco e ZEE Figura 13 Assim.FMDU . se as taxas de recarga dos aqüíferos superficiais ou freáticos e subterrâneos for reduzida. portanto são aqüiferos de domínio fraturado. Deve ser lembrado que os aqüiferos associados aos solos também compõem um sistema e é este sistema é que abastece os sistemas Araxá e Granulito. vai ocorrer um desequilíbrio com comprometimento de todo sistema hidrológico.1 Sistemas Hidrogeológicos ou Província Hidrogeológica Sistemas hidrogeológico é um conceito utilizado pela CPRM para correlacionar os aqüíferos com os domínios geológicos. relacionado às rochas do Complexo Granulítico. A região de Goiânia tem como características dos sistemas a ocorrência de aqüíferos de porosidade secundária associados a fraturas.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Pois. 5. Prefeitura Municipal de Goiânia . de acordo com os modelos apresentados é de vital importância para os aqüiferos subterrâneos que as condições do meio ambiente sejam preservadas. Na região de Goiânia existem dois grandes sistemas: Sistema Araxá relacionado aos litotipos do Grupo Araxá e o Sistema Granulito.SEPLAM . falhas e zonas de cisalhamento.ITCO 37 .

que exploram os aqüíferos superficiais ou freáticos. como mostram as Figuras 14 e 15. Na prática o que são poços freáticos (mini-poços).FMDU . e poços tubulares profundos.SEPLAM . Carta de Risco e ZEE Figura 14 Em razão da redução da qualidade das águas superficiais tem sido comum a perfuração de poços denominados erroneamente de artesianos. Prefeitura Municipal de Goiânia .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.ITCO 38 .

FMDU .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. Prefeitura Municipal de Goiânia .SEPLAM . Carta de Risco e ZEE Figura 15 – Esquema construtivo de um poço tubular.ITCO 39 .

O. POPP.R.M.). L. Geologia Geral – Livros Tec. DUNBAR.TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos. 1975. 1960. Peter. CORNELIUS. C.Cia Ed. 1994.E. H. M. BRANCO. LEINZ. J. 1994. C. CAMPOS. – II Simpósio sobre Solos Tropicais e Processos Erosivos no Centro – Oeste – EEC/UFG. Carta de Risco e ZEE Referências Bibliográficas ABAS – Água Subterrânea e Poços Tubulares – Ed. 1985.ITCO 40 .A. Prefeitura Municipal de Goiânia . Nacional. Oriente.C. – REZENDE. V. 1969 (3ª Ed. 2003. Geologia Geral . 2005. J. e Científicos.J. SALES.G.L.FMDU . Fundamentos de Geologia General – Scipione. F. J. WIKIPEDIA. FLEURY. e RODGERS.SEPLAM . 1973. et alli – Diagnóstico Hidrogeológico da Região de Goiânia – Secretaria do Estado de Goiás – SGM/SIC. – VARGAS. Geomorfologia do BrasilFotos e Comentários – Ed. FUNDAÇÃO IBGE. – Princípios de Estratigrafia – Cia. Editorial Continental S. Associação Brasileira de Águas Subterrânea. A Deriva dos Continentes – Moderna. – Os Solos Tropicais da Região Centro – Oeste – Ed. 1980.org/wiki/Estrutura interna da Terra. 2008. 1996.M. TIME LIFE – Planeta Terra – Ed. Abril.A. IBGE/DEDIGEO. H.

Carta de Risco e ZEE ANEXO Prefeitura Municipal de Goiânia .TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA: Mapeamento dos Vazios Urbanos.FMDU .SEPLAM .ITCO 41 .

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