Manual Formação Crismandos 2019.20
Manual Formação Crismandos 2019.20
Fraternalmente,
Ao Catequista
Orientações Gerais
Testemunho Jovem
Dinâmica de Apresentação
Anexo – Sugestão de Dinâmica
A Palavra de Deus – Preparação para o Seminário
FOLGA DE PROGRAMAÇÃO
SVES – PROGRAMA:
Amor de Deus
Pecado e Salvação
Serás Inteiramente do Senhor teu Deus
Senhorio de Jesus
Oração de Cura
Caro Catequista,
Shalom!
Deus confia a você uma missão muito importante e bela: “Ide, pois, e ensinai a todas as
nações” (Mt 28,19a). Um catequista é um evangelizador; é alguém que acolheu de Deus a missão
de formar discípulos à luz do Evangelho. Esse é um chamado de Jesus a todos os batizados; mas
você, como catequista, tem essa oportunidade de exercer essa missão participando de um momento
único na vida de uma pessoa: a sua preparação para o Sacramento da Crisma.
A nossa missão é oferecer aos jovens uma catequese formativa de qualidade que
favoreça uma experiência de Deus e promova o engajamento na Comunidade Cristã à luz do
Carisma Shalom e segundo as orientações do Diretório Litúrgico Sacramental de cada
Diocese.
O Crisma é o sacramento da maturidade cristã. Durante esse ano os crismandos vão se
preparar para dar uma resposta de um discípulo maduro na fé e receberão a unção do Espírito Santo
para serem testemunhas de Cristo no mundo de hoje . Por isso costumamos dizer que as reuniões
da crisma não são aulas, uma disciplina a mais que o jovem vai ter para passar de ano. Neste ano o
jovem vai se preparar para receber um sacramento. E essa preparação se dá no conhecimento e na
vivência da fé, da doutrina da Igreja, da Palavra de Deus, no compromisso com Deus, com a Igreja,
na vida de oração, no engajamento, etc. Você será um instrumento que Deus se utilizará para
conduzi-los neste caminho.
O presente manual foi elaborado para servir de auxílio no caminho que trilharemos
durante todo esse ano. Você deverá seguir as orientações contidas no mesmo. Leia com atenção
cada orientação e, em caso de dúvidas, consulte o catequista responsável pelo ministério do Crisma.
Fique aberto às inspirações que Deus possa te conduzir para as formações, lembrando sempre de
estar em unidade com o seu coordenador.
Neste manual estão contidos direcionamentos para cada semana, com textos anexos para
consultas. Deverão sempre ser utilizados nas formações a Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica,
o YOUCAT, o Enchei-Vos entre outras bibliografias indicadas. Os temas deverão ser lidos com
antecedência pelos catequistas para que estejam aptos esclarecer dúvidas que possam surgir
nas reuniões e também viver com os crismandos cada etapa da formação.
Vale à pena lembrar que não basta somente o auxílio do manual, mas também sua
participação nas reuniões do ministério. A oração nas reuniões e a formação que você receberá o
auxiliará no exercício do seu ministério e darão muitos frutos na sua vida e na dos crismandos.
“Vós sois o sal da terra,... Vós sois a luz do mundo...” (Mt 5,13-14).
Que Deus vos dê a graça de ser sal e luz para aqueles que Ele vos confia neste ano.
Assessoria Jovem
ORIENTAÇÕES GERAIS
OBS1: Caso deseje motivar uma partilha ou aplicar alguma dinâmica, deve-se diminuir
o tempo do louvor e na pregação.
OBS2: Oriente o pregador quanto a duração da pregação logo quando fizer o contato
para convidá-lo.
OBS3: Na medida do possível utilize recursos audiovisuais nas pregações.
MANUAL CRISMA SHALOM
1ª SEMANA
TESTEMUNHO JOVEM
MATERIAL:
Bíblia Jerusalém.
METODOLOGIA
Pregação ao vivo.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
”Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de
Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus” (At 7,54-55).
O que é dar testemunho?
Porque experimentamos a boa nova do evangelho, nosso impulso é testemunhar! Em 2
Reis [Link] “Então disseram uns aos outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas,
e nós nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos sobrevirá; vamos,
pois, agora e o anunciemos à casa do rei.” Percebemos que, ainda no antigo testamento, já
tocamos na ação de Deus e o necessário anúcio desta graça. No novo testamento, Jesus
ainda nos diz: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mt 28:18-20).
Deus nos transformou, concedendo-nos perdão, paz, alegria e redenção. Cristo, pelos
méritos de Seu sangue vertido na cruz todo pecador arrependido pode receber, pela fé, o
perdão e a salvação. Tanto amor recebido, como resposta de amor, nos faz nos faz ser
instrumentos de Deus para reacender a esperança no coração do aflito pecador e ajudá-lo
a se voltar para Deus com fé e confiança no Salvador. Deus nos capacita para missão,
como ouvimos em Atos do Apóstolos: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito
Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria,
e até os confins da terra” (At 1:8).
MANUAL CRISMA SHALOM
2ª SEMANA
DINÂMICA DE APRESENTAÇÃO
TEMA
Conhecendo o irmão
OBJETIVO
Gerar fraternidade entre os crismandos no intuito de gerar uma rápida integração.
MATERIAL
Dinâmica (sugestão em anexo)
METODOLOGIA
Após o momento de fraternidade e louvor, você fará uma dinâmica que ajude os jovens a se
conhecerem. Sugerimos aqui a dinâmica dos pares de sapato (em anexo), mas o coordenador pode
ficar livre para aplicar outra dinâmica. O maior objetivo é que os crismandos se apresentem e que
a fraternidade seja animada.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Hoje, o momento de fraternidade e louvor deverá ser bastante animado. Cuidado na escolha das
músicas! Haverá muitos novatos. Escolher músicas mais conhecidas será mais apropriado para que
todos participem bem. A oração deve ser breve, e o coordenador deve fazê-la junto com os
crismandos (o coordenador faz a oração e os crismandos repetem).
Apresente toda a equipe que estará na coordenação do grupo, dê as boas-vindas. Reforce a
necessidade de sermos pontuais (isso vale para os coordenadores!), do celular desligado, etc.
Esclareça qualquer dúvida, fale sobre as faltas, atrasos. Ao final da reunião, dê o seu telefone para
contato.
ANEXO – DINÂMICA
DINÂMICA DOS PARES DE SAPATO
Peça que todos os crismandos tirem um só pé do seu calçado. Esses sapatos devem ser
colocados no meio da sala.
Os coordenadores, então, irão arrumar os calçados que foram deixados pelos jovens de 2
em 2 (formando pares) ao redor da sala.
Feitos os “pares” de sapato, peça que os crismandos procurem o seu próprio sapato. Cada
crismando irá pegar o seu calçado e irá se apresentar para o dono do calçado que fez par com o seu.
Os jovens terão 10 minutos para se conhecer um ao outro (dizer o nome, idade, colégio em
que estuda, coisas que gosta de fazer...).
Terminados os 10 minutos, o coordenador explica que cada crismando deverá apresentar o
seu par para toda a turma.
MANUAL CRISMA SHALOM
3ª SEMANA
A PALAVRA DE DEUS
TEMA
A Palavra de Deus
OBJETIVO
Apresentar aos jovens a Palavra de Deus, orientar quanto o seu manuseio.
MATERIAL
Bíblia
YouCat
Anexo: Texto Base
METODOLOGIA
Pregação.
O pregador deve fazer um estudo bíblico, guiando-se por ele para ministrar a pregação. O mais
importante é apresentar aos jovens a Palavra de Deus e dar orientações básicas, tais como:
Livros que compõem a Bíblia;
A origem da Bíblia;
Diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento;
Como manusear a Bíblia;
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve seguir as orientações dadas no início do manual para a condução do grupo de
Crisma. Essas orientações serão válidas para as próximas semanas. Animar os jovens a, de fato,
serem fiéis na oração será muito importante nesse início de caminhada. O coordenador terá a missão
de pastorear os jovens também na utilização do estudo bíblico.
Palavra de Deus
Sem dúvida nenhuma, a maior graça que Deus quer nos dar durante este tempo de
preparação para receber o sacramento da Crisma é, precisamente, a graça de termos uma profunda
experiência pessoal com Ele. Segundo Santa de Teresa de Jesus, a amizade com Deus é o maior
bem que uma pessoa pode ter na vida, pois, por este bem nos vem todos os bens, ou melhor,
possuímos e somos possuídos pelo Sumo Bem que é Deus.
Uma das maneiras mais excelentes de conhecermos a Deus é por meio da Sua Palavra, pois
a Palavra de Deus é a revelação que Deus faz de si mesmo a nós. “Pela revelação divina quis Deus
manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos da Sua vontade a respeito da salvação
dos homens, para os fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade
da inteligência humana” (Dei Verbum, 6).
Uma experiência de Deus que não se realiza a partir da Palavra revelada corre o risco de se
tornar vazia, superficial, fantasiosa. Se não conhecemos o Deus que revelou o seu rosto e o seu
coração nas Sagradas Escrituras, podemos ser tentados a “inventar” um “deus” ao nosso gosto,
segundo nossas falsas imagens.
Na Bíblia Sagrada encontramos tudo o que precisamos conhecer sobre Deus para a nossa
salvação. Em Cristo a revelação de Deus se plenificou. “Depois de ter falado muitas vezes e de
muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de
Seu Filho (Hb. 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos
os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr. Jo 1, 1-18).
Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado «como homem para os homens», «fala, portanto, as
palavras de Deus» (Jo. 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai lhe mandou realizar (cfr.
Jo. 5,36; 17,4). Por isso, vê-lo é ver o Pai (cfr. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação
da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa
ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o
testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está conosco para nos libertar das trevas do
pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna” (Dei Verbum,4).
Portanto, a Palavra é um grande dom do amor de Deus para nós. Ele, Deus inefável, cujo
mistério não podemos abarcar com a nossa razão limitada, decide abaixar-se até nós, falar a nossa
linguagem humana para que pudéssemos conhecê-lo e entrar em comunhão com Ele.
Podemos afirmar que toda a Palavra de Deus é uma carta de amor de Deus dirigida a cada
um de nós. Quando lemos as Sagradas Escrituras, ou melhor, quando oramos com a Palavra de
Deus, o Espírito Santo, que foi quem a inspirou, faz com que ela se torne atual para nós. Mais que
isso, a Palavra de Deus, acolhida como tal, é o próprio Deus nos amando e falando ao nosso
coração.
O autor da carta aos hebreus ensina que a Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4, 12). Por
isso, quando a lemos, estamos na realidade entrando em relação com uma Pessoa viva, capaz de
transformar, iluminar, direcionar as nossas vidas. Jesus é o Verbo de Deus feito carne, a Palavra
eterna do Pai que se fez homem para nos salvar, ensinando-nos e capacitando-nos a fazer a vontade
divina.
Por tudo isso que foi dito acima, durante o tempo de catequese da Crisma, nós usaremos o
Enchei-Vos, um estudo bíblico baseado no método milenar da Lectio divina (leitura divina/orante),
que tem por objetivo levar o orante a confrontar a sua vida com a Palavra de Deus e a permitir que
ela plasme a sua existência segundo o coração de Cristo.
“Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada
Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão
espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da
Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração
para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque ‘a Ele falamos, quando rezamos,
a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos’” (S. Ambrósio, De officiis ministrorum I, 20,
88: PL 16, 50) (Dei Verbum, 25).
“Deste modo, pois, com a leitura e estudo dos livros sagrados, «a palavra de Deus se
difunda e resplandeça (2 Ts 3,1), e o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais
os corações dos homens. Assim como a vida da Igreja cresce com a assídua frequência do mistério
eucarístico, assim também é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual, se fizermos crescer
a veneração pela palavra de Deus, que «permanece para sempre» (I. 40,8; cfr. l Pedr. 1, 23-25)”
(Dei Verbum, 26)
Se formos fiéis ao nosso estudo bíblico, reservando diariamente pelo menos meia hora para
nos encontrarmos com Deus na sua Palavra, certamente nós seremos mais amigos de Deus, mais
felizes, mais santos.
MANUAL CRISMA SHALOM
4ª SEMANA
SEMINARIO DE VIDA NO ESPIRITO SANTO - SVES
TEMAS:
Amor de Deus
Pecado e Salvação
Serás Inteiramente do Senhor teu Deus
Senhorio de Jesus
Oração de Cura interior
A Promessa
Efusão
Crescer na graça
OBJETIVO
Levar os crismandos a uma experiência pessoal do amor de Deus.
Conscientizar a respeito do pecado no mundo e da Salvação operada por Jesus.
Levar os crismandos à renúncia das falsas doutrinas e falsas mentalidades para poderem
abraçar a Doutrina da Igreja e receber o Batismo no Espírito Santo. Demonstrar a existência
de mentalidades anticatólicas e anticristãs no pensamento corrente dos jovens e exortar os
jovens à vivência integral do Evangelho.
Levar o jovem a assumir o Senhorio de Jesus em suas vidas.
Levar os crismandos a uma experiência pessoal com o dom de cura.
METODOLOGIA:
Um final de semana em retiro aberto. Deve ser feita uma programação para o dia, iniciando com
um forte momento de louvor. Também após a efusão, motive os jovens a um louvor verdadeiro e
de gratidão a Deus que derrama o Seu Espírito sobre eles. Para esse dia é necessário conseguir um
bom ministro de música.
Não se esqueça de montar uma estrutura para o almoço, visto que passaremos o dia em retiro.
Se possível, após o encerramento, os crismandos participem da missa junto com o catequista no
Centro de Evangelização.
Convide um jovem crismado para testemunhar sobre a ação de Deus na sua vida após o SVES.
Após o testemunho do jovem, encoraje os crismandos a testemunhar a todos o que Deus realizou
nas suas vidas após a Efusão e o Batismo no Espírito Santo.
MANUAL CRISMA SHALOM
5ª SEMANA
ENCONTRO GERAL INICIAL (Pais e Crismandos)
TEMA
Conscientização da preparação para o Sacramento do Crisma
OBJETIVO
Abordar sobre a importância do Sacramento do Crisma e dever o dos pais na educação cristã dos
filhos.
MATERIAL
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O Sacramento da Confirmação
Fonte bibliográfica:
[Link]
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
6ª SEMANA
CARISMAS DO ESPÍRITO SANTO I
TEMA
Dom de línguas, profecia e interpretação das línguas
OBJETIVO
Favorecer que os jovens se abram para acolher os dons do Espírito Santo.
MATERIAL
Texto complementar I (para o pregador)
Cópia do texto complementar II (para todos os crismandos)
Enchei-Vos
Bíblia
METODOLOGIA
DVD com a pregação que será seguida de uma oficina. As orientações para a oficina encontram-se
no texto em anexo. O pregador deve também ler as orientações que estão no Enchei-Vos para fazer
essa pregação.
O DVD (Carismas do Espírito Santo – Emmir Nogueira) está disponível nas Edições Shalom.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Hoje não deve ter o louvor inicial já que teremos a oficina dos dons.
Depois de uma breve oração de entrega, aplica a formação e em seguida motiva-se a oficina.
A oficina deve ser motivada por alguém com carisma reconhecido. Observe o tempo.
- Após o breve ensino, ore em línguas com todos aqueles que já oram em línguas, cerca de mais
ou menos dois minutos.
- Em seguida, peça que todos imponham as mãos no ombro da pessoa que está à sua direita, sem
interromper a oração em línguas, para que todos possam crescer ainda mais neste dom.
- Faça um breve intervalo para certificar-se quais as pessoas que ainda não receberam este dom e
em seguida, peça para aqueles que estão mais próximos imporem as mãos sobre elas suplicando a
Deus a graça de receberem o dom de línguas.
- Peça as pessoas que se abram, também, ao louvor em línguas.
- Encerre com um grande louvor com cânticos, palavras em português e em línguas cantadas.
Fonte bibliográfica:
[Link]
[Link]
l
[Link]
O DOM DA PROFECIA:
Neste dom, Deus fala claramente e de forma simples, mas direta com o homem para edificá-
lo, exortá-lo e consolá-lo (I Cor 14,3). Diante da palavra de Deus, da voz divina, devemos nos
colocar em atitude de respeito e de obediência.
A profecia acontece depois de um louvor a Deus, em línguas, em cânticos ou em palavras,
quando a comunidade se reúne em oração, ou quando um cristão se recolhe na sua oração pessoal.
Após este louvor, segue-se um silêncio de escuta a Deus e recebimento da unção, que pode vir
através de um senso da presença de Deus, um impulso, um movimento no íntimo do nosso espírito,
um formigamento nos dedos, um calor pelo corpo todo, um batimento cardíaco mais forte, ou da
forma que o Senhor achar melhor ungir, é então proclamada a mensagem de Deus.
Geralmente, as profecias, são ditas na 1ª ou na 2ª pessoa, pois o Senhor é um Deus pessoal
e nos falará diretamente: “Não temas”, “Tu és o meu povo...”, “Meus filhos...”, “Eu sou o Teu
Deus...”. Esta mensagem divina é ouvida e guardada em nossos corações.
Depois que a mensagem é proclamada, todos devem estar em atitude de escuta para que o
Senhor confirme a profecia (I Cor 14,29), através de moções dadas a outros membros da
comunidade. Deus pode se utilizar da própria PALAVRA, de visões, sentimentos ou palavras para
confirmar a veracidade da profecia. Esta tem de estar de acordo com a palavra de Deus, com a
doutrina da Igreja e dirigidos à glória de Deus e à salvação dos homens.
Aqueles que recebem a confirmação da profecia proclamada, devem se manifestar no meio
da assembleia. Quanto mais uma profecia é confirmada, maior é a fé que depositamos nela e maior
é a abertura que será dada para a ação do Espírito Santo naquela comunidade.
O Dom da Profecia edifica a assembleia (I Cor. 14,4). Ninguém profetiza sem o
consentimento da vontade, que acolhe as palavras de Deus em sua mente; se as pronunciamos por
medo, insegurança ou respeito humano, podemos deixar de profetizar. Deus não violenta, não força
a mente humana contra nossa vontade, nosso consentimento; serve-se sim, da mente humana e suas
faculdades, pedindo apenas que nos deixemos usar por ele: “o espírito dos profetas deve estar-lhes
submisso”(I Cor 14,32), contudo deve dar-se com “ dignidade” e ordem (v. 40) e com um critério
de julgamento sobre a mesma, pelos demais (v. 29), pois, “Deus não é Deus de confusão, mas de
paz (v. 33).
Comece a oficina com um grande louvor a Deus. Em seguida, peça-lhes para orarem em
línguas pedindo a Deus uma profecia para sua vida pessoal. Oriente os jovens para que eles anotem
em seu caderno de oração essa profecia.
Após este momento, em clima de oração, agrupe as pessoas (três em cada grupo) e diga-
lhes para orarem ao Senhor pedindo uma profecia para cada grupo. Finalmente, fiquem todos
juntos, orem novamente em línguas ou mesmo em português, suplicando a Deus uma profecia para
o grupo todo. Termine com um grande louvor.
Fonte bibliográfica:
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
7ª SEMANA
CARISMAS DO ESPÍRITO SANTO II
TEMA
Dons de palavra de ciência e sabedoria.
OBJETIVO
Levar os jovens a se abrirem a palavras de ciência e sabedoria em sua oração pessoal e comunitária
e mostrar que estes são dons que vem do Espírito Santo para qualquer pessoa batizada.
MATERIAL
Texto em Anexo
Bíblia
DVD
METODOLOGIA
Passar-se-á um DVD com a pregação que será seguida de uma oficina. As orientações para a oficina
encontram-se no texto em anexo.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Prepare-se durante toda a semana através da oração mesmo que não seja você que ministre a oficina.
O dom de ciência é um dom através do qual o Senhor faz que o homem entenda as coisas da maneira
como Ele as entende. Faz que o homem penetre na raiz de cada acontecimento, fato, sentimento ou
situação, ou melhor, através do dom de ciências, Deus dá o diagnóstico, a causa de um problema,
doença, fato, situação.
Quando alguém está deprimido, queremos resolver o problema da depressão, aliviando os
seus sintomas, porém não conseguimos detectar a causa da depressão. Através do dom de ciências,
o Senhor nos revela a causa da depressão, sua raiz, com o objetivo de curar. O Espírito Santo,
através deste dom, presta um serviço ao povo de Deus através de nós.
Pelo dom de ciência, Deus ensina ao homem sobre as suas verdades, permite que a sua luz
penetre no entendimento do homem. Deus comunica ao homem informações que são impossíveis
de se adquirir humanamente ou por conhecimento natural, pela razão.
Alguns exemplos de “palavra de ciência” no Novo Testamento:
Lc 1,39-45 - Maria comunicao Espírito Santo a Isabel, como sinal do que iria acontecer em
Pentecostes sobre toda a Igreja.
Lc 1,43 - Isabel recebe o conhecimento de um mistério que, humanamente, ela jamais seria
capaz de compreender, a encarnação
sinal físico: de Jesus. Aqui a palavra de ciência veio acompanhada de um
o menino... (Lc 1,44).
Mt 1,18-25 - vem também através de um sonho, como no caso de José. O Espírito Santo revela a
José, em sonho, o mistério da encarnação. José recebe o dom de ciência (a revelação) e
acontecer, através dele vê
em si próprio, mudança radical de mentalidade e do conhecimento de Deus.
Jo 4,16-19 - Jesus fala à samaritana sobre os 5 maridos que tivera. Esta palavra de ciência fez a
mulher perceber que Jesus era um profeta, abrindo a porta do seu coração para a revelação que ele
era o Messias. A samaritana experimentou a misericórdia de Deus aplicada ao pecado de adultério,
pois Jesus não a acusou, mas revelou o que sabia. A palavra de ciência teve o poder de levá-la a
arrepender-se, ser perdoada e reconhecer que Jesus o Messias, tendo acesso à “água viva” por ele
prometida.
At 5,1-11 - O
Ananias Espírito Santo, através da palavra de ciência, revela a intenção secreta do coração de
e Safira.
peloMc 5, 25-34 - A cura da hemorroíssa. Jesus usa a palavra de ciência como confirmação da cura
poder do Espírito Santo e pela fé.
Lc 5, 17-26 - A cura do paralítico. Quando Jesus diz: “os teus pecados estão perdoados”, ele
sabe por revelação que a necessidade maior do paralítico é ser perdoado de seus pecados que, são
males físicos e espirituais. Para o paralítico eram empecilho para a ação de Deus
a causa de muitos
em sua vida.
Jo 4, 50 - A cura do filho de um oficial: “Vai, disse-lhe Jesus, o teu filho está bem!”.
A pessoa que recebe o dom de ciência, pode perceber que o Senhor a está tocando através de um
sentimento forte, uma certeza interior que nos chega à mente, pode ser: uma palavra, uma cena da
vida da pessoa, uma visualização; o Senhor nos mostra o que está curando: uma parte do corpo, um
problema emocional, uma cura espiritual, ou aumentando a fé, chamando à conversão... Isso
acontece após uma oração em línguas, quando nossa mente está aberta e livre para receber a
revelação do Senhor. Geralmente, este dom é acompanhado pela palavra de sabedoria.
OFICINA DO DOM DE PALAVRA DE CIÊNCIA
Após breve ensino, comece um momento de muito louvor em português e depois um
louvor em línguas.
O dom de sabedoria nos revela o diagnóstico, a causa, a raiz do problema (uma situação,
um fato). Segue o dom de ciência. Nos revela o tratamento, como agir a partir do que nos foi
revelado pelo dom de ciência.
Pela palavra de ciência, Deus revela a raiz de algo que se passa ou que se passou. Pela
palavra de sabedoria, Deus nos revela como agir, como por em prática a palavra de ciência, como
proceder. Pode se manifestar por meio de uma palavra oral, por uma palavra escrita, por uma visão,
por uma sensação, emoção ou sonho.
O Dom de sabedoria é um dom carismático do Espírito Santo, dom gratuito de Deus, que
dá a graça ao homem, inspira o homem a saber como deve ser o seu comportamento em cada
situação, em cada vez que tem que resolver um fato ou um problema. Inspira o homem como agir
e falar inteligentemente situações concretas da sua vida ou da sua comunidade, levando-o a decidir
acertadamente e de acordo com a vontade de Deus no dia-a-dia, no matrimônio, no trabalho, na
educação dos filhos, nos relacionamentos com os irmãos e na sua vida cristã. É uma orientação de
Deus sobre como se viver forma cristã (Lc 18,18-30). Também nos leva a ensinar ou explicar
verdades religiosas.
Portanto, a palavra de sabedoria é uma palavra, atitude ou ação que faz que os
acontecimentos passem a decorrer segundo a vontade de Deus, ou ainda, que as pessoas percebam
a verdade que antes não conheciam.
Exemplos de palavra de sabedoria nas Escrituras Sagradas.
I Rs 3,16-28 - A palavra de sabedoria do rei Salomão: “cortai pelo meio o menino vivo e dai a
metade a uma e a metade a outra”, fez que a verdadeira mãe
queria vê-lo renunciasse ao seu filho, pois não
morto e assim foi descoberto a verdade e a justiça.
Mt 22,15-22 - “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Jesus encontrava-se
numa situação embaraçosa, pois se dissesse que pagassem o imposto a César seria tido como traidor
dos judeus, se dissesse que não pagassem, seria tido como insuflador do povo contra os romanos.
da prisão e calou a boca do povo.
Seria preso em ambos os casos. O poder do Espírito Santo pela palavra de sabedoria, livrou Jesus
Jo 8,1-11 - A mulher adúltera. A lei protegia os que apedrejavam e condenavam a mulher à
morte, Jesus pela palavra de sabedoria: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o 1º a lhe atirar uma
pedra”.
um.
Sentindo-se acusados pela própria consciência, os acusadores foram-se retirando um por
A palavra de sabedoria, conduz o procedimento do homem em cada situação. É um dom de
orientação. Através dela, descobrimos o plano de Deus para a nossa própria vida, para a vida de
uma outra pessoa ou comunidade.
AS OFICINAS DE DONS
Uma oficina é um exercício e, portanto, não é momento para longas palestras ou
explicações. Os pequenos ensinos deverão ter duração de, no máximo, 20 minutos (exceto para os
dias em que tivermos mais de um dom). Deve-se evitar fornecer explicações detalhadas e teóricas,
pois o que vai contar nas oficinas é a prática e o testemunho.
Não é necessário convidar um “especialista de dons” ou um “exegeta” para pregar nesses
20 minutos. Deve-se buscar um pregador que saiba ser muito claro, conciso, prático, com
experiência pessoal e testemunho no dom que a oficina prega. Insistindo mais uma vez, não
devemos nos preocupar em passar muito conteúdo (o estudo bíblico suprirá o necessário para essa
etapa), mas em passar uma experiência e testemunho pessoais e a teoria básica essencial. Nossa
missão em uma oficina é ajudar os participantes a abrir o coração à ação do Espírito.
Procedimento geral para as oficinas com cerca de 2 horas de reunião:
1. Breve louvor e oração inicial (após os cânticos – 5 min)
2. Explicação do que vai ser feito naquela oficina a fim de que os participantes possam colaborar:
dizer o assunto da oficina, procedimentos específicos daquela oficina, etc. (5 min)
3. Exposição de, no máximo, 20 minutos, com testemunho pessoal, do que vem a ser o dom.
4. Oração para a oficina do dom (está no texto em anexo de cada dia)
5. Testemunhos e oração final (20 min)
Naturalmente, o Espírito poderá inspirar você a fazer outro tipo de procedimento. Este é
apenas o padrão básico que, no caso, tem-se mostrado bastante eficaz e útil à ação do Espírito.
MANUAL CRISMA SHALOM
8ª SEMANA
CARISMAS DO ESPÍRITO SANTO III
TEMA
Dom de cura, fé e milagres.
OBJETIVO
Levar os jovens a se abrirem a aos dons de cura, fé e milagres em sua oração pessoal e
comunitária.
MATERIAL
Bíblia
Texto em Anexo
YOUCAT
METODOLOGIA
DVD (Carismas do Espírito Santo – Emmir Nogueira) seguida de oficina. O mais importante é
fazer com que os crismandos entendam o que é esse dom e que sejam animados a utilizá-lo. O
DVD está à disposição nas edições Shalom.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
As orientações são as mesmas da última semana.
Não somos nós que curamos; é Jesus. Cheio do Espírito Santo, Jesus saiu por todas as partes
curando. Da mesma forma, o Espírito quer se manifestar em nós - que somos membros do Corpo
de Cristo; as mãos, os pés do Corpo místico de Cristo -, levando cura àqueles que dela precisam.
Geralmente pensamos que a cura seja uma coisa extraordinária.
Não. Para o povo cristão, a cura que vem por meio de Jesus é algo normal, ordinário. O
problema é que a nossa fé foi esfriando. Se o Senhor não tem feito curas, milagres, prodígios, sinais
no meio do seu povo, é porque o povo não tem acreditado.
De nada adianta o médico dar um bom remédio ao doente, se depois ele chega em casa e
faz o contrário do que foi indicado: não pode beber e bebe; não pode fumar e fuma; não pode fazer
esforço e sai por aí praticando esporte; não pode tomar sereno e não somente toma sereno como
até chuva, e se joga na piscina... É claro que assim não adianta nada o médico ter dado o remédio.
O mesmo ocorre com o Senhor. Ele está querendo curar seu povo, mas seu povo infelizmente é
rebelde; faz tudo contra Suas leis e mandamentos; e assim se perde pelos descaminhos da vida. A
coisa mais importante para sermos curados pelo Senhor e conservados em plenitude de saúde é
andar nos seus caminhos.
Grande parte das nossas doenças são chamadas psicossomáticas; são consequência de
preocupação, ansiedade, angústia, ressentimento, rancor... Causam problemas de estômago,
vesícula, rim, coluna, dor de cabeça, problemas respiratórios, pressão alta, baixa... São
consequência de nossos erros e, em profundidade, consequência de nossa vida desviada dos
caminhos do Senhor.
O dom de cura e o dom da fé estão ligados. Porque acreditamos, oramos pelas pessoas,
como Jesus mandou: "Em qualquer casa onde entrardes, dizei: Paz a esta casa. Se ali houver algum
doente, orai por este doente. Recebestes de graça, de graça dai" (...) E o Senhor garante: "E a oração
da fé salvará o enfermo. E o Senhor o levantará".
Jesus não apenas mandou fazer, mas deu o exemplo. Os apóstolos viam Jesus fazendo
constantemente isso.
Quando ele chegou à casa de Pedro, viu que a sogra de Pedro estava doente, com uma febre
altíssima. Jesus orou por ela, orou com expectativa, e a cura aconteceu. Era assim constantemente,
e os apóstolos aprenderam. Quando foram mandados dois a dois, ao voltarem, contaram as
maravilhas que o Senhor realizara.
Faça isso: comece a orar pelas pessoas, para que sejam curadas. Não espere juntar uma
plateia para começar. Comece em casa. Em geral, é mais fácil começar pelas crianças. Crianças
são muito sensíveis, não têm pecado, nem barreiras. A cura acontece muito facilmente nelas. Você
vai crescer na fé, orando e vendo a cura se realizar; vai acreditar ao ver que o Senhor cura por meio
de nós. O Senhor quer que você acredite nisso. Não é você que vai curar. Porque o próprio dom de
curar as doenças vem do Espírito Santo.
É o Espírito que cura; nós somos apenas seus instrumentos. Então, não tenha receio;
comece orando por suas crianças, em casa. Por que não rezar o marido pela mulher e a mulher pelo
marido, para serem ambos curados? Dormem juntos; por que não rezar um pelo outro? Não
é preciso se envergonhar. O casal deve rezar; e assim, o Senhor fará maravilhas. Quando houver
vizinhos doentes, vá visitá-los. Quando as coisas são feitas com simplicidade, funcionam. Ore com
simplicidade e expectativa.
Tudo se faz em oração. É a oração que leva à cura. Baseado em S. Paulo, D. João
Evangelista Martins Terra explica que "cada cura é um carisma especial": Jesus, porque ama aquela
pessoa, derrama o Seu Espírito sobre ela, dá um carisma especial, para que aquela pessoa seja
curada. Aja de acordo com sua fé. Ela será sempre do tamanho de um grão de mostarda: mas, uma
vez que Deus lhe deu a fé, aja de acordo com ela; vá a Jesus, receba de Jesus o carisma e leve-o a
quem dele precisa. Faça isso, e assegure à pessoa que estiver doente que o Senhor quer curá-la.
Quando acreditamos, o impossível acontece. Não basta que eu acredite; estou pedindo a
Deus que você acredite que lhe seja concedida a certeza da fé, e que você aja de acordo com a fé,
porque para Deus nada é impossível. O Senhor quer hoje que nós, por meio dos dons, dos carismas,
sejamos os portadores da cura de Deus.
Obrigado, Senhor nosso Deus! Muito obrigado por tudo o que o Senhor faz, por tudo que o
Senhor realiza. Amém!
Cura Interior
O dom da fé é o que leva em suas engrenagens o dom as cura e o dom dos milagres. Além
da cura física - coisa muito bela -, promove cura interior, a cura do coração, da alma, dos
sentimentos.
Nem imaginamos o quanto a vida nos fere! Por isso é lindo que haja a cura interior, além
da física. O Senhor quer que nos abramos ao dom de orar pela cura interior das pessoas. Você pode
estar pensando: "Mas como é que vou orar?"... Pedindo pela pessoa, rogando por ela. Pe. Alírio
Pedrini, SCJ, tem excelentes livros sobre a cura interior. No Brasil, é ele quem mais e melhor
descreve a esse respeito. Em seus livros você vai encontrar orientações excelentes1.
Quem se sente chamado ao ministério de cura do coração sabe de sua importância. Muita
gente gostaria de progredir na vida espiritual e não consegue, por causa dos traumas, dos bloqueios,
das feridas, das marcas do próprio passado.
A primeira vez que rezaram pela minha cura interior foi quando o Pe. Robert De Grandis,
SSJ, veio ao Brasil e reuniu apenas alguns líderes da Renovação. Ele trouxe um casal consigo,
enquanto nos ministrava aquele seminário de dons, o casal que o acompanhava rezava pela cura
interior dos participantes do seminário. Eles começaram a orar por nós; e era tanto o trabalho que
o casal teve de orar separadamente. O marido rezava por uns e a mulher rezava por outros. Oraram
à noite pela cura do meu coração, durante umas três horas. Como chorei! Coisas que eu não
imaginava que me marcaram, me feriram, surgiram naquela ocasião! Só pararam de orar, quando
se sentiram cansados. No dia seguinte, rezaram mais de uma hora e meia, quase duas horas por
mim. Mas viram que faltava algo. E depois, à tarde, voltaram a rezar junto com Pe. Robert, e então
terminaram, graças a Deus. Eu ainda receberia muitas outras orações.
Eu não imaginava precisar de tanta cura interior! Mas hoje não duvido que fosse desígnio
do Senhor que eu fosse objeto daquela oração de cura interior, para poder me usar depois como
instrumento.
Não imaginamos o quanto precisamos disso, quanto os nossos irmãos precisam. E o melhor
é que, quando começamos a orar pela cura interior, as palavras de ciência começam a vir. Cura
interior e palavra de ciência estão muito ligadas.
Abra-se a esse dom, disponha-se a orar pela cura interior de seus irmãos. Nem espere, no
começo, fazer grandes orações; apenas ore, e, se vierem às palavras, ore de acordo com elas. Tenha
coragem: comece a rezar, e verás quantas coisas o Senhor vai fazer por meio de você.
Senhor, eu Te bendigo. Queres curar o teu povo, que está machucado, ferido. Usa-me,
Senhor Jesus. Eis-me aqui!
Usa-me, Senhor, para que eu leve aos meus irmãos a Tua cura. Tu és o Senhor que cura.
Usa-me, Senhor, usa minhas mãos, usa minha oração para curar os meus irmãos. Usa-me,
Senhor, para a cura interior dos meus irmãos, a cura da alma, a cura do coração. São tantos os
doentes, são tantas as doenças. Eis-me aqui, Senhor!
Tu queres curar a tantos no coração, na alma, no interior. Para isso, Senhor, dá-me palavra
de ciência, palavra de conhecimento, para que os meus irmãos sejam curados. Eis aqui o (a) teu
(tua) servo (a), Senhor.
Senhor faze milagres! Tua Igreja precisa ver milagres... O Teu povo precisa ver milagres,
Senhor! Amém!
TEMA
Oração Pessoal e Orações do Cristão
OBJETIVO
MATERIAL
Texto complementar I (para o pregador)
Cópia do texto complementar II (para todos os crismandos)
Bíblia
YOUCAT
METODOLOGIA
A formação contará com dois momentos:
1º: Pregação sobre Oração Pessoal. Um pregador convidado falará sobre o tema, ressaltando a
importância da oração para todos os cristãos. A pregação deve ser de 40 minutos.
2º: Oficina com as orações do cristão. Nos 30 minutos finais, distribua as cópias do anexo II, que
contém algumas das orações que os crismandos não podem deixar de conhecer bem. Reze com eles
essas orações.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Com antecedência, o coordenador deve providenciar a cópia do anexo II para todos os crismandos.
Eles devem levar as orações para casa e praticá-las.
Dedique 40 minutos ao momento de oração e louvor iniciais. Depois siga com a pregação e, por fim, a
oficina. Nos 10 minutos finais, dê os avisos e conclua a reunião rezando uma Salve Rainha.
Não me considero nenhum mestre de oração, pois não existem escolas ou mestrados em
oração. Ninguém recebe o diploma na arte de dialogar e amar a Deus sobre todas as coisas; é um
caminho que se faz ao longo de toda a vida, sempre com o perigo de voltar atrás, se não vigiamos
constantemente sobre nós mesmos.
É bom desconfiar dos métodos fáceis e baratos em todas as áreas: "Aprenda inglês em 15
dias e sem esforço"; "Seja artista numa semana"; "Emagreça 10 kg em um mês comendo de tudo e
sem exercícios físicos"; "Toque violão em três dias"... São todos anúncios "enganosos" que
deveriam ser proibidos porque não correspondem à realidade. Tudo o que é belo, duradouro e
transformador exige muito tempo e, principalmente, a fidelidade no exercício para não esmorecer
no caminho.
A oração é a atividade mais fácil e mais difícil ao mesmo tempo. Trata-se de conscientizar-
se de sua importância e levar a sério o exercício de rezar, não aleatoriamente, de vez em quando,
quando nos sentimos bem, ou temos necessidade, mas sempre. É o mesmo Jesus quem nos recorda
estes princípios básicos: "Rezai sem cessar para não cairdes em tentação" (Mt 26,41), ou o apóstolo
Paulo que repete como um eco as mesmas palavras do Mestre: "Orai sem cessar" (1Ts 5,17).
Quem descobre os benefícios da oração vai se tornar orante e vai ser fiel em cada momento
da vida. Devemos evitar, a todo custo, sermos "rezadores", preocupados com a quantidade de
"orações" que todos os dias vêm determinadas e em momentos da vida as pronunciamos, e
fazermos o esforço para sermos "orantes", isto é, pessoas que fazem da oração sua própria
identidade, um estilo de vida; que encontram nesse exercício cotidiano, o caminho do próprio bem-
estar espiritual-físico, o próprio equilíbrio emocional. É a forma de viver uma vida "estável"
emocionalmente em todos as situações que aconteçam, porque criam dentro de si o hábito da fé e
a certeza de que Deus-amor não pode faltar nas Suas promessas. As convicções não se assumem
porque os outros falam da beleza e da necessidade de uma determinada coisa, mas pela experiência
própria; são o alicerce que cada um decide ter e sobre o qual construir a própria vida. Quem muda
continuamente de alicerce acaba não construindo a casa, e corre o risco de ver a sua casa ruir.
"Não são aqueles que dizem Senhor, Senhor, que entrarão no Reino dos céus, mas aquele
que escuta e pratica as minhas palavras... Quem escuta e pratica a minha palavra é como quem
constrói a sua casa sobre a rocha..." (Mt 7). O fundamento e o cume de todo diálogo com o Pai é
Jesus. É a Ele que devemos buscar como único Mestre, que teve a ousadia de ensinar para nós como
devemos rezar: "Quando rezardes dizei: ‘Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso
nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão
nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem
nos tem ofendido. E não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal’." (Lc 11,2-4).
Contemplar Jesus! Será Ele o ORANTE, será o nosso caminho que percorreremos ao longo
deste ano: Jesus que reza, ensina a rezar e intercede por nós. Na pessoa do Verbo encarnado se
resume todo o drama da oração humana desde todos os tempos. Ele é o único que podemos e
devemos chamar de "Mestre de oração".
Quando achava orgulhosamente que eu poderia ser "teólogo", colocava-me uma pergunta
angustiante e ao mesmo tempo soberba: "Para que serve ficar diante de Deus em silêncio,
suplicando pelos problemas dos outros e meus, quando ao meu lado o mundo pega fogo, os homens
passam fome, a injustiça vai aumentando e o mal avançando? Para que desperdiçar tempo precioso
em "cânticos, orações, adorações" se é necessário agir, fazer algo para melhorar um pouco o mundo
em que vivemos?" Estas perguntas e outras semelhantes sempre estiveram presentes e sempre
existirão. Delas ninguém escapa. Mais cedo ou mais tarde, na confrontação conosco mesmos,
assalta-nos a tentação da inutilidade da oração e queremos justificar tudo com o FAZER, embora
defendamos a importância do SER.
A incoerência está presente na natureza do ser humano, faz parte da fragilidade e da carga
pesada de "pecaminosidade" que carregamos dentro de nós; é uma realidade que nos acompanha
ao longo de toda a existência: vemos com clareza o bem que devemos fazer e acabamos fazendo o
mal que não gostaríamos de fazer. Diante da constatação de minha incoerência, há muitos anos,
decidi fazer uma pesquisa que, se não me convenceu, ajudou-me bastante a clarear as ideias sobre
o "mistério da oração". Será que a oração é somente uma ideia fixa dos católicos, dos místicos, dos
fanáticos, ou uma necessidade do ser humano? Dizem que, quando uma coisa se encontra presente
em todos os seres humanos, é uma atividade humana indispensável e faz parte de sua estrutura
fundamental. Assim, comer, dormir, pensar, amar, criar, viajar, conhecer, dialogar, rir, chorar... são
atividades que encontramos presentes em todos os povos. Um elemento indispensável na vida
humana, como tal é a Religião. Em nenhum povo – e você mesmo pode fazer esta pesquisa através
de enciclopédias e dicionários – está ausente o fator religioso nos seus vários matizes.
É uma descoberta fascinante constatar que todos os povos buscam um relacionamento com
o Senhor e fazem de Deus o centro da própria vida. Mesmo por caminhos nem sempre retos, Deus
se revela. Buscá-lo já quer dizer tê-lo encontrado. A oração nasce da consciência de nossa pobreza.
À medida que nos sentimos pobres, necessitados, vamos ao encontro da riqueza e da nascente da
água viva que é o amor. O "Magnificat", o canto de Maria, nasce de sua humildade e pobreza:
"Deus olhou a humildade de sua serva" (Lc 1,43). Os místicos não têm medo de ser ousados quando
falam de Deus como fonte de riqueza e de amor misericordioso. Agostinho, na sua ansiosa busca
de Deus, diz: "nós somos os mendigos diante de Deus". Estamos sempre de mãos estendidas,
esperando que Ele venha em nosso socorro. Todo pobre, seja qual for a sua pobreza, tem plena
consciência de que não tem direito a nada, que tudo o que recebe é dádiva, misericórdia. Assim é
o doente que estende a mão para o médico; o mendigo que, à beira da estrada, pede um pedaço de
pão; ou como o aluno que, na sua pobreza, pede que lhe seja comunicada a sabedoria... É preciso
reconhecer que nos falta algo para sermos felizes e buscar tudo isso com profunda humildade;
ninguém pode se aproximar e estar diante de Deus buscando ter "direitos" a fazer valer. Deus rejeita
os soberbos e os orgulhosos; os ricos vão embora de mãos vazias e os famintos são saciados.
Sem dúvida, uma das santas mais ousadas nesta visão da oração como pobreza-riqueza será
Santa Teresinha do Menino Jesus que, nas suas loucuras de amor, não tem medo de dizer: "Deus é
o grande mendigo, Ele mendiga o nosso amor". A fome que Deus tem de nós é infinita, por isso
Ele tem sede que nós tenhamos sede dele. É Ele quem se abaixa no mistério da encarnação, que
"deixando a tranquilidade de estar no seio do Pai" através de um completo esvaziamento, uma
Kénosis, Ele se reveste de nossa humanidade e caminha entre nós. Jamais, em nenhuma religião,
nenhum Deus se fez "carne" para estar com a humanidade dia e noite e fixar sua morada entre nós.
A oração se entende a partir da perspectiva: a) da riqueza de Deus e da pobreza humana; b) da
"pobreza" de Deus e da riqueza humana. Uma pobreza divina que é extrema riqueza vem a nós,
dando-se sem se esgotar e doando-se sem diminuir.
O orante é aquele que tem livre acesso ao coração de Deus, entra e sai quando quer, e nunca
entra sozinho, como também nunca sai sozinho, mas sempre revestido da mesma "formosura de
Deus". A geografia da oração é feita de "desertos", onde experimentamos a completa "nudez e
noite escura", onde se caminha pela força da fé, apoiando-se no bastão da cruz. A oração é fixar o
olhar no infinito e obscuro "tu és verdadeiramente um Deus escondido", como diz o profeta Isaías.
O deserto como espaço teológico da experiência oracional, não importa qual seja o nome do
deserto: dor, sofrimento, incompreensões, cruzes, solidão, abandono, morte, doença. Deserto é o
lugar onde não cabe mais que duas pessoas: você e Deus. Todo o resto é supérfluo e deve ser
eliminado pelo processo de uma constante conversão.
Mas Deus é o sábio pedagogo que sabe dosar os sofrimentos e nos concede, portanto,
momentos de oração que são fontes borbulhantes, lautos manjares e visões maravilhosas de uma
alegria suave e incomunicável: paz, alegria, toques delicados da graça, sucessos, doçura e ternura
do amor.
Para penetrarmos no drama da oração precisamos entrar na espessura da cruz, no cimo
solitário do Calvário, onde o Senhor Jesus reza: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"
(Mt 27,46); ou entrar na alegria do agradecimento, do encontro amoroso com o Pai: "Te louvo e
agradeço, ó Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos
pequeninos" (Mt 11,25).
A geografia da oração é feita de desertos e mananciais, de montanhas ermas e solitárias e
florestas verdejantes, de noite escura e de luzes... É o entrelaçar-se da vida, do amor e da cruz.
Nada pode ser eliminado no nosso encontro com o Senhor.
A oração não é meta, é simplesmente caminho para se chegar a Deus. Não se pode
transformar os meios em fim. Muitas vezes as pessoas confundem a oração com "Deus". Mas a
oração se faz necessária para poder dialogar com Ele e conhecê-lo melhor. É pelo caminho da
oração que se vai chegando à nascente. Santa Teresa de Ávila, mestra de oração, desde sua infância,
em formas diferentes, coloca um ideal diante de si: "Quero ver Deus". E será esta profunda
convicção e desejo que vão orientar toda a sua vida. Tudo renuncia, de tudo se despoja, tudo
abandona. Nada que possa ser obstáculo ao seu encontro com Deus terá direito de estar presente
em sua vida. Torna-se assim a mulher do essencial e do absoluto, que sabe, numa de suas poesias,
sintetizar toda a sua teologia experiencial do desejo e da busca:
"Nada te perturbe.
Nada te espante.
Tudo passa.
Deus não muda.
Quem a Deus tem nada lhe falta.
Só Deus basta."
O que muitas vezes nos afasta da oração na vida é não fazer de Deus o centro de nossa
existência e buscar só a Ele e nada mais. Iniciar o caminho da oração é ter uma "determinada
determinação" que não pode ser colocada em discussão por nada. Não importam os gostos, as
consolações. "A minha única consolação é não ter consolação", escreve Santa Teresinha do Menino
Jesus. A oração não pode faltar na nossa vida se queremos chegar a uma harmonia interior. Temos
à nossa disposição este caminho: o caminho do encontro e do amor pleno de um Deus que vem ao
nosso encontro. Vamos iniciar o caminho!
Tente responder, com sinceridade e no íntimo do sacrário de sua consciência, a estas três
perguntas:
1 - Deus – Trindade de amor: Pai, Filho e Espírito Santo – é o centro de minha vida, tudo
dele procede e tudo a Ele volta?
2 - Que lugar ocupa a oração em minha vida; quanto tempo dedico por dia a este encontro
amoroso com Deus?
3 - Por que rezo? Estou convencido de que a oração é a saúde de minha vida espiritual,
humana e psicológica?
Fixemos o nosso olhar em Cristo Jesus, amigo e companheiro! Nele encontraremos todas
as delícias de nossa vida. Ele é a fonte e o caminho de nossa oração.
“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um gesto
de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.
Santa Teresinha do Menino Jesus
“A oração é diálogo do ser humano com Deus, no qual podemos dizer para Ele tudo o que
se passa dentro de nós, sem medo, sem vergonha, por que o Senhor, que é Pai e amor, nos
compreende e nos ama assim como somos e nos transforma no que ainda não somos”.
Frei patrício Sciadini, ocd
Fonte bibliográfica:
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
10ª SEMANA
DONS INFUSOS DO ESPÍRITO I
TEMA
Dons infusos: Conselho, Ciência, Inteligência (Entendimento) e Sabedoria
OBJETIVO
Falar aos crismandos sobre os dons de santificação, aprofundando nos dons infusos.
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Texto em anexo (Catequese de João Paulo II sobre os sete dons do Espírito Santo).
METODOLOGIA
Pregação. O pregador deve ser orientado a estudar sobre os dons, guiando-se através do texto em
anexo (básico).
Pontos de abordagem:
o que são os dons de santificação?
qual o seu significado para nós?
o que eles têm a ver com o sacramento da Confirmação?
o que é o dom do Conselho? E da Ciência? E da Sabedoria?
O pregador deve dar exemplos ao falar dos dons, utilizando uma linguagem simples e adequada
aos jovens. Este deve aprofundar cada um dos três dons separados para hoje.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
A pregação deve ter duração de 50 minutos a 1 hora. Faça o louvor e a oração motivando os
crismandos a se abrirem aos dons.
O DOM DA SABEDORIA
Regina Coeli – Domingo, 9 de abril 1989
Na perspectiva da solenidade de Pentecostes, para onde o período pascal está nos levando,
queremos refletir juntos sobre os sete dons do Espírito Santo, que a Tradição da Igreja
constantemente propôs com base no famoso texto de Isaías, a respeito do “Espírito do Senhor” (cf.
Is 11,1-2).
O primeiro e mais alto de tais dons é a sabedoria, que é uma luz que se recebe do Alto: é
uma especial participação naquele conhecimento misterioso e supremo, que é próprio de Deus.
Lemos, de fato, na Sagrada Escritura: “Por isso supliquei, e inteligência me foi dada; invoquei, e o
espírito da Sabedoria veio a mim. Eu a preferi aos cetros e tronos, julguei, junto dela, a riqueza
como um nada” (Sab 7,7-8).
Esta sabedoria superior é a raiz de um conhecimento novo, um conhecimento permeado de
caridade, graças ao qual a alma adquire, por assim dizer, intimidade com as coisas divinas, das
quais prova o sabor. São Tomás fala exatamente de “um certo sabor de Deus”, por meio do qual o
verdadeiro sábio não é simplesmente aquele que sabe muitas coisas de Deus, mas aquele que as
experimenta e vive.
O conhecimento sábio, além do mais, nos dá uma especial capacidade de julgar as coisas
humanas com a medida de Deus, à luz de Deus. Iluminado por este dom, o cristão sabe ver dentro
da realidade do mundo: ninguém melhor do que ele está em condições de apreciar os valores
autênticos da criação, olhando-os com os mesmos olhos de Deus.
Sobre esta superior percepção da “linguagem da criação” encontramos um exemplo
fascinante no “Cântico das criaturas” de Francisco de Assis.
Graças a este dom, toda a vida do cristão com as suas atividades, suas aspirações, os seus
projetos, as suas realizações, vem a ser alcançada pelo sopro do Espírito, que a permeia com a luz
“que desce do Alto” como é atestado por tantas almas eleitas e também nos nossos dias, e diria,
hoje mesmo, por santa Clélia Barbieri e por seu brilhante exemplo de mulher rica desta sabedoria,
mesmo jovem em idade.
Em todas estas almas se repetem as “grandes coisas” operadas em Maria pelo Espírito. Ela
que a piedade tradicional venera como “Sede Sapientiae” (Sede da Sabedoria), leve-nos a saborear
interiormente as coisas celestes.
O DOM DA INTELIGÊNCIA
Regina Coeli – Domingo, 16 de abril de 1989
Nesta reflexão dominical desejo deter-me no segundo dom do Espírito Santo: a inteligência.
Sabemos bem que a fé é adesão a Deus na penumbra do mistério; mas é também procura no desejo
de conhecer mais e melhor a verdade revelada. Ora, tal impulso interior nos vem do Espírito Santo,
que com a fé concede exatamente este especial dom de inteligência e quase de intuição da verdade
divina.
A palavra “inteligência” deriva do latim “intus legere”, que significa “ler dentro”, penetrar,
compreender a fundo. Mediante este dom o Espírito Santo, que “perscruta a profundidade de Deus”
(1 Cor 2,10), comunica ao crente uma centelha de tal capacidade de penetração, que lhe abre o
coração à alegre percepção do desígnio amoroso de Deus. É renovada a experiência dos discípulos
de Emaús que, depois de terem reconhecido o Ressuscitado na fração do pão, disseram um ao outro:
“Não nos ardia o coração no peito, enquanto ele conversava conosco ao longo do caminho, quando
nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32).
Esta inteligência sobrenatural não é dada somente ao indivíduo, mas também à comunidade:
aos Pastores que, como sucessores dos apóstolos, são herdeiros da promessa específica que lhes foi
feita por Cristo (cf. Jo 14,26; 16,13), e aos fiéis que, graças à unção do Espírito (cf. 1 Jo 2,20.27),
possuem um especial “senso da fé” (“sensus fidei”) que os guia nas decisões concretas.
A luz do Espírito Santo, de fato, enquanto aguça a inteligência para as coisas divinas, torna
também mais límpido e penetrante o olhar sobre as coisas humanas. Com essa luz pode-se ver
melhor os numerosos sinais de Deus que estão inscritos na criação. Descobre-se assim a dimensão
não puramente terrena dos acontecimentos que se entrelaçam na história humana. E ainda se pode
chegar até mesmo a decifrar profeticamente o tempo presente e o futuro: sinais dos tempos, sinais
de Deus!
Caríssimos fiéis, dirijamo-nos ao Espírito Santo com as palavras da liturgia: “Vinde,
Espírito Santo, enviai-nos do céu um raio de vossa luz” (Sequência de Pentecostes).
Nós o invocamos por meio da intercessão de Maria santíssima, a Virgem da escuta, que, na
luz do Espírito Santo, foi capaz de perscrutar incansavelmente o sentido profundo dos mistérios
nela operados pelo Onipotente (cf. Lc 2,19.51). A contemplação das maravilhas de Deus será
também em nós fonte de inexaurível alegria: “Minha alma glorifica o Senhor, e meu espírito exulta
em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46s).
O DOM DA CIÊNCIA
Domingo – 23 de abril de 1989
A reflexão já iniciada nos domingos anteriores, nos leva hoje a falar de um outro dom: o
dom da ciência, graças ao qual nos é dado conhecer o verdadeiro valor das criaturas no seu
relacionamento com o Criador.
Sabemos que o homem contemporâneo, em virtude do desenvolvimento das ciências, é
particularmente exposto à tentação de dar ao mundo uma interpretação natural: diante da
multiforme riqueza das coisas e de sua complexidade, variedade e beleza, ele corre o risco de
absolutizá-las e quase divinizá-las, fazendo delas a meta suprema de sua própria vida. Isso acontece,
sobretudo quando se trata das riquezas, do prazer, do poder, que se podem extrair das coisas
materiais. São estes os principais ídolos, diante dos quais o mundo frequentemente se prosta.
Para resistir a esta sutil tentação e para reparar as nefastas consequências a que ela pode
levar, o Espírito Santo socorre o homem com o dom da ciência, que o ajuda a considerar retamente
as coisas na sua essencial dependência do Criador. Graças a este dom – como escreve Santo Tomás
– o homem não estima as criaturas além daquilo que valem e não põe nelas, mas em Deus, o fim
da própria vida (cf. Suma de Teologia, II-II, q.9,a.4).
Ele é, portanto, capaz de descobrir o significado teológico da criação, vendo as coisas como
manifestações verdadeiras e reais, mesmo limitadas, da verdade, da beleza, do amor infinito que é
Deus e, consequentemente, se sente impelido a traduzir esta descoberta em louvor, em canto, em
oração, em agradecimento. Isto nos é sugerido muitas vezes e de diversos modos pelo livro dos
Salmos. Quem não se recorda de alguma dessas aclamações? “Os céus proclamam a glória do
Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos” (Sl 19(18),2; cf. 8,2); “Louvai o Senhor no céu,
louvai-o nas alturas... Louvai-o sol e lua, louvai-o, astros todos de luz” (Sl 148,1.3).
Iluminado pelo dom da ciência, o homem descobre ao mesmo tempo a infinita distância
que separa as coisas do Criador, a intrínseca limitação delas, o perigo em que elas podem constituir-
se quando delas se faz mau uso. É uma descoberta que leva o homem a perceber com amargura a
sua miséria e o impele a voltar-se com maior ímpeto e confiança para aquele que é o único capaz
de saciar plenamente a necessidade de infinito que o inquieta.
Esta foi a experiência dos santos; foi também – podemos dizer – a experiência dos cinco
beatos que hoje tive a alegria de elevar à honra dos altares. Mas de modo todo singular esta
experiência foi vivida por Nossa Senhora, que, com o exemplo do seu itinerário pessoal de fé nos
ensina a caminhar “entre os acontecimentos do mundo, tendo os corações fixos lá onde está a
verdadeira alegria” (“Oratio” XXI domenicae per annum).
O DOM DO CONSELHO
Regina Coeli – Domingo, 7 de maio de 1989
Continuando a reflexão sobre os dons do Espírito Santo, hoje consideramos o dom do
conselho. Este dom é dado ao cristão para iluminar a consciência nas escolhas morais que a vida
cotidiana lhe impõe.
Uma necessidade premente neste nosso tempo, perturbado por muitos motivos de crise e
por uma difusa incerteza acerca dos verdadeiros valores, é aquela que recebe o nome de
“reconstrução das consciências”. Percebe-se a necessidade de neutralizar certos fatores destrutivos,
que facilmente se insinuam no espírito humano, quando é agitado pelas paixões, e de introduzir
elementos sãos e positivos.
Neste empenho de retomada moral a Igreja está na primeira linha: daí a invocação que brota
do coração dos seus membros – de todos nós – para obter, antes de mais nada, o socorro de uma
luz do Alto. O Espírito de Deus vem ao encontro de tal súplica mediante o dom do conselho, com
o qual enriquece e aperfeiçoa a virtude da prudência e guia interiormente a alma, iluminando-a
sobre o que fazer, especialmente quando se trata de escolhas importantes (por exemplo, a resposta
à vocação), ou de um caminho a percorrer entre dificuldades e obstáculos. De fato, a experiência
confirma o quanto são “tímidos os pensamentos dos mortais e incertas as nossas reflexões”, como
diz o livro da Sabedoria (9,14).
O dom do conselho age como um sopro novo na consciência, sugerindo-lhe aquilo que é
lícito, aquilo que mais convém à alma (cf. S. Boaventura, “Colationes de septem donis Spiritus
Sancti”, VII, 5). A consciência torna-se, então, como o “olho são”, de que fala o Evangelho (Mt
6,22), e ganha como que uma nova pupila, graças à qual pode ver melhor o que fazer em cada
circunstância, mesmo na mais complexa e difícil. Ajudado por este dom, o cristão penetra no
verdadeiro sentido dos valores evangélicos, em particular daqueles expressos no Sermão da
Montanha (cf. Mt 5,7).
Por isso, peçamos o dom do conselho! Nós o pedimos para nós e, em particular, pelos
pastores da Igreja, tão frequentemente chamados, por força do seu dever, a tomar decisões árduas
e dolorosas.
Nós o pedimos por meio da intercessão daquela que na ladainha é saudada como “Mater
Boni Consilii”, Nossa Senhora do bom conselho.
MANUAL CRISMA SHALOM
11ª SEMANA
DONS INFUSOS DO ESPÍRITO II
TEMA
Dons infusos: Fortaleza, Piedade, Temor de Deus
OBJETIVO
Falar aos crismandos sobre os dons de santificação, aprofundando nos dons infusos.
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Texto em anexo (Catequese de João Paulo II sobre os sete dons do Espírito Santo).
YOUCAT
METODOLOGIA
Pregação. O pregador deve ser orientado a estudar sobre os dons, guiando-se através do texto em
anexo (básico).
Pontos de abordagem:
o que são os dons de santificação?
qual o seu significado para nós?
o que eles têm a ver com o sacramento da Confirmação?
o que é o dom da Fortaleza? E da Piedade? E do Temor de Deus?
O pregador deve dar exemplos ao falar dos dons, utilizando uma linguagem simples e adequada
aos jovens. Este deve aprofundar cada um dos três dons separados para hoje.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
A pregação deve ter duração de 50 minutos a 1 hora. Faça o louvor e a oração motivando os
crismandos a se abrirem aos dons.
O DOM DA FORTALEZA
Regina Coeli – Domingo, 14 de maio de 1989
"Veni, Sancte Spiritus".
É esta, queridos irmãos e irmãs, a invocação que hoje, solenidade de Pentecostes, sobe,
insistentemente e confiante, de toda a Igreja: Vem, Santo Espírito, vem e “Dá aos teus fieis, que
em ti confiam, teus dons sagrados (em “sollemnitate Sequentia Pentecostes”)”.
Entre estes dons do Espírito Santo há um sobre o qual quero me concentrar nesta manhã:
o dom da Fortaleza. No nosso tempo, muitos exaltam a força física, chegando a provar também as
manifestações extremas de violência. De fato, o homem faz a cada dia a experiência de sua
fraqueza, especialmente no plano espiritual e moral, cedendo aos impulsos das internas paixões e
às pressões que sobre ele exercitam o meio ambiente.
Justamente para resistir a essas várias forças é necessária a virtude da fortaleza, que é uma
das quatro virtudes cardeais sobre a qual se assenta todo o edifício da vida moral: a fortaleza é a
virtude dos que não desistem diante do cumprimento do seu dever.
Esta virtude encontra pouco espaço em uma sociedade onde há uma prática generalizada
tanto da liberalidade quanto do rigorismo nos relacionamentos econômico, social e políticos. A
timidez e agressividade são duas formas de carência de fortaleza que muitas vezes são encontradas
no comportamento humano, com o consequente repetir-se do triste espetáculo de quem é fraco e
covarde com os poderosos, arrogante e prepotente com os indefesos.
Talvez nunca como hoje a virtude moral da Fortaleza precisa ser sustentada do
homônimo
dom do Espírito Santo. O dom da Fortaleza é um impulso sobrenatural, que dá força para a alma
não só em ocasiões dramáticas como a do martírio, mas também em condições normais de
dificuldades: na luta para manter a coerência com seus princípios, no suportar os insultos e os
ataques injustos; na perseverança corajosa, mesmo em meio a incompreensão e hostilidade, nas
estradas da verdade e da honestidade.
Quando nós experimentamos, como Jesus no Getsêmani, "a fraqueza da carne" (cf. Mt
26:41, Mc 14:38), ou seja da natureza humana sujeita a doenças físicas e mentais, devemos
invocar
do Espírito Santo o dom da Fortaleza para permanecer firme e resoluto no caminho do bem. Então,
podemos repetir com São Paulo: "Me comprazo nas minhas enfermidades, nos ultrajes, nas
necessidades, nas perseguições, nas angústias sofridas por Cristo: quando sou fraco, então é que
sou forte" (2Cor 12, 10).
Muitos são os seguidores de Cristo - pastores e fiéis, sacerdotes, religiosos e leigos
engajados em todo campo do apostolado e da vida social – os quais, em todos os tempos e até
mesmo no nosso tempo, conheceram e conhecem o martírio do corpo e da alma, em união íntima
com a “Mater dolorosa" ao lado da cruz. Tudo eles superaram graças a este dom do Espírito!
Peçamos a Maria, que hoje saudamos como "Regina Coeli", que nos obtenha o dom da Fortaleza
em todos os acontecimentos da vida e na hora da morte.
O DOM DA PIEDADE
Angelus – Domingo, 28 de maio de 1989
A reflexão sobre os dons do Espírito Santo nos leva, hoje, a falar sobre outro dom insigne:
a piedade. Por meio dele, o Espírito Santo cura o nosso coração de toda forma de dureza e abre-o
à ternura para com Deus e os irmãos.
A ternura, como atitude sinceramente filial para com Deus, se exprime na oração. A
experiência da própria pobreza existencial, do vazio que as coisas terrenas deixam na alma, suscita
no homem a necessidade de recorrer a Deus para obter graça, ajuda, perdão. O dom da piedade
orienta e alimenta tal exigência, enriquecendo-a de sentimentos de profunda confiança em Deus,
reconhecido como Pai providente e bom. Neste sentido escreveu São Paulo: “Deus enviou o seu
Filho... para que recebêssemos a adoção filial. E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos
vossos corações o Espírito do seu Filho que clama: Abba, Pai! De modo que não és mais escravo,
mas filho...” (Gl 4,4-7; cf. Rm 8,15).
A ternura, como abertura autenticamente fraterna para com o próximo, se manifesta na
mansidão. Por meio do dom da piedade, o Espírito Santo infunde no crente uma nova capacidade
de amar os irmãos, fazendo com que o seu coração participe de alguma maneira da própria
mansidão do Coração de Cristo. O cristão “devoto” sempre reconhece nos outros, filhos do mesmo
Pai, chamados a fazer parte da família de Deus que é a Igreja. Ele, portanto, se sente impelido a
tratá-los com a solicitude e a amabilidade próprias de um sincero relacionamento fraterno.
O dom da piedade, além disso, extingue do coração aqueles focos de tensão e de divisão
que são a amargura, a cólera, a impaciência, e alimenta nele sentimentos de compreensão, de
tolerância, de perdão. Este dom está, portanto, na raiz daquela nova comunidade humana, que se
baseia na civilização do amor.
Imploramos ao Espírito Santo uma nova efusão deste dom, confiando a nossa súplica à
intercessão da Maria, sublime modelo de fervorosa oração e de doçura materna. Ela, que a Igreja
na ladainha de Loreto saúda como “vaso insigne de devoção”, nos ensine a adorar a Deus “em
espírito e verdade” (Jo 4,23) e a abrir-nos com coração manso e acolhedor a quantos são seus filhos
e nossos irmãos. Pedimos-lhe com as palavras da “Salve Rainha”: “Ó clemente, ó piedosa,
ó doce Virgem Maria!”.
TEMA
Virtudes Teologais
OBJETIVO
Levar os jovens a conhecerem as virtudes teologais e a crescerem na vivência delas
MATERIAL
Catecismo da Igreja Católica
Bíblia
YOUCAT
METODOLOGIA
Pregação.
O pregador deverá estudar o Catecismo da Igreja Católica nos parágrafos referentes a esse tema
(CIC 1812 – 1832; 2086 - 2095). Para uma introdução sobre as virtudes, deve-se ler o parágrafo
CIC 1803. O pregador também deverá aprofundar o tema utilizando passagens bíblicas que falem
dessas virtudes.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve seguir as orientações como de costume e lembrar aos crismandos sobre o
estudo bíblico, se estão tendo dificuldades para que possa orientá-lo.
AS VIRTUDES
Como nós veremos adiante, existem virtudes que nos levam a conhecer e amar a Deus - são
as virtudes teologais, a Fé, a Esperança e a Caridade.
Mas também existem muitas outras virtudes que nos levam a agir corretamente em tudo o que
fazemos. São as virtudes cardeais: Prudência, Justiça, Força e Temperança, as quais veremos na
formação seguinte.
Cada uma dessas sete virtudes, três teologais e quatro cardeais, traz consigo outras virtudes.
Por exemplo: praticando atos da virtude de Força, poderemos também agir com Coragem. Já a
virtude de Temperança nos ajuda a praticar a Castidade ou ainda a Humildade. E assim por diante.
Vamos estudar uma série dessas virtudes, o que nos ajudará a conhecer melhor o fundo de nossas
almas, para seguir sempre o caminho do amor de Deus.
As Virtudes Teologais
As Virtudes Teologais, como o nome indica, são as virtudes que nos fazem agir bem em
relação a Deus. Elas são essencialmente sobrenaturais, pois, além de serem dons divinos, elas se
dirigem a Deus nos seus atos. E isso deve nos levar a agradecer muito a Deus. Além de nos ajudar
a praticar os atos de virtude necessários para o nosso dia a dia, Nosso Senhor nos infunde na alma
virtudes tão especiais que nos levam à sua intimidade, nos devolve a imagem e semelhança divinas
que perdemos pelo pecado. Vamos ver como isso se realiza.
A Virtude da Fé.
Cultivando a fé, acreditamos no Deus Criador, que é o Pai, no Deus Salvador, que é Jesus
Cristo e no Deus Santificador, que é o Espírito Santo. Cultivando a fé, compreendemos que Deus
é uno e trino e que tudo isto nos foi revelado nas Sagradas Escrituras. Cremos, então, que Deus é a
verdade.
No dia-a-dia, nós usamos muito a fé. Temos fé nas pessoas, às vezes até em pessoas em
quem não sabemos se podemos confiar. Por exemplo: ninguém pode ser testemunha do seu próprio
nascimento, mas a fé que nós cremos nos pais ou no cartório que fez o registro nos faz acreditar na
data e no local do nosso nascimento. Do mesmo modo, quando entramos em um ônibus ou em um
avião, acreditamos que o motorista ou o piloto são habilitados para transportar-nos e nós nem os
conhecemos, mas acreditamos.
E Deus, que criou todas as coisas e nos deu a faculdade de pensar, de raciocinar, de
acreditar? Temos muito mais motivos para acreditar n’Ele, para confiar n’Ele, para nos abandonar
livremente em suas mãos.
A fé que devemos cultivar em relação a Deus é muito mais segura do que a fé que
naturalmente temos nas pessoas. Assim, pela fé, cremos em Deus e em tudo o que Ele nos revelou.
Ele se revela sempre a nós. Primeiro pelos Profetas, depois, através de seu Filho, que é a sua
Palavra. Ele se revela também através do testemunho dos Apóstolos. E, constantemente, através
dos acontecimentos da história da humanidade e da história de cada um de nós.
A criança tem uma fé sem limites na mãe, desde muito pequena, porque foi ela quem a
gerou, a amamentou, ensinou-lhe a andar e falar.
E Deus, que preparou um mundo maravilhoso para nós e nos colocou como centro desse mundo?…
É forçoso que confiemos n’Ele, com total confiança. Precisamos procurar conhecer a vontade do
Pai e realizá-la em nós, porque, como diz São Paulo em sua carta aos Gálatas (Gl 5,6), a fé age por
amor.
Mas não basta que nós cultivemos a fé. Esta, quando verdadeira, exige ação. Quando temos
um amigo, não basta que gostemos dele. Devemos dar-lhe atenção, ajudá-lo quando necessário e
possível, e ajudar também as pessoas que ele ama. Se não for assim, a amizade e a confiança não
são verdadeiras.
Com Deus, é do mesmo modo. De que adianta a pessoa acreditar em Deus e não fazer
nada para melhorar o mundo que Ele criou com tanto amor? Madre Teresa de Calcutá dizia: “Eu
sei que o meu trabalho é como uma gota no oceano, mas, sem ele, o oceano seria menor”. E São
Tiago, em uma carta, nos diz que “a fé sem obras é morta.” (Tg 2,26). A fé nos leva, portanto, a
praticar a justiça em tudo que fazemos.
A Fé é como uma raiz da qual nascem todas as demais virtudes.
A Virtude da Esperança
A virtude da Esperança é uma virtude infusa por Deus em nossa alma, pela qual nós temos
como certa a ajuda divina para alcançarmos o céu. Pode parecer curioso que seja necessária uma
virtude só para isso, além do mais uma virtude teologal, ou seja, toda ela relativa a Deus, mas não
é tão difícil entender o porquê.
Sabemos que a Fé nos traz um conhecimento certo de Deus. Mas este conhecimento é
obscuro, ou seja, conhecemos a Deus mas não podemos ainda vê-Lo. Sabemos também que a
virtude da Caridade nos traz o verdadeiro amor de Deus, que esse amor já é um começo da vida
eterna, e que no céu, esse amor será eterno e nos encherá de uma alegria e felicidade extrema. Mas
sabemos também o quanto é difícil manter nossas almas longe do pecado, como nós abandonamos
a Deus com facilidade, perdendo o seu amor. Por isso, poderia surgir em nós uma dúvida sobre
nossas possibilidades de alcançar o céu e a vida eterna. Se essa dúvida fosse muito forte, nós
desanimaríamos no combate contra nossas imperfeições e contra nossos pecados.
É justamente por isso que Deus nos dá a virtude da Esperança. Com ela sabemos que Deus
nunca deixará de nos ajudar com suas graças e por isso estaremos sempre prontos para lutar contra
as tentações e contra nossos pecados. Estaremos sempre prontos a pedir perdão no confessionário,
pois temos certeza que Deus nos perdoará e nos trará novas forças para não mais pecar. Com isso
fica claro que nossa vida de virtudes nos ajuda a conquistar o céu.
A virtude da Esperança é, então, a certeza que temos da ajuda de Deus para estarmos junto
a Ele, nesta vida, pela graça santificante, e no céu, pela glória eterna.
A virtude da Caridade
Assim como a Fé é a virtude que nos dá o conhecimento certo de Deus, assim também a Caridade
é o verdadeiro amor de Deus. Para que nossa alma tenha verdadeiro amor por uma pessoa é preciso
que ela primeiro conheça esta pessoa. Não podemos amar quem não conhecemos.
A Fé nos dá o conhecimento. A Caridade nos faz amar a Deus como Ele é, como O conhecemos
pela Fé. A Caridade é a terceira virtude teologal, porque é Deus quem a infunde em nosso coração
e, sobretudo, porque ela nos faz amar a Deus. Ela é toda relativa a Deus.
Amamos a Deus por causa da Sua perfeição infinita e de sua bondade. Deus é o próprio amor. Por
isso, quando amamos alguém na caridade, esse amor nos foi dado por Deus. Muitas vezes acontece
de Deus chamar uma alma mais generosa a um amor mais elevado. Ele descobre, por assim dizer,
os segredos do seu Divino Coração, quando vê no coração de alguém uma correspondência ao
infinito amor que Ele nos demonstra. É na intimidade da oração, no silêncio interior, que podemos
descobrir este caminho luminoso e pleno.
TEMA
As Virtudes Humanas “Cardeais”
OBJETIVO
Levar os jovens a conhecerem as virtudes cardeais e a crescerem na vivência delas
MATERIAL
Catecismo da Igreja Católica
Bíblia
YOUCAT
METODOLOGIA
Pregação. O pregador deverá estudar o Catecismo da Igreja Católica nos parágrafos referentes a
esse tema (CIC 1805 – 1809). Para uma introdução sobre as virtudes, deve-se ler o parágrafo CIC
1803. O pregador também poderá aprofundar o tema utilizando passagens bíblicas que falem dessas
virtudes.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve seguir as orientações como de costume e lembrar aos crismandos sobre o
estudo bíblico, se estão tendo dificuldades para que possa orientá-lo.
Fortaleza
A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na
procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral.
A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a
provação e as perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para
defender uma causa justa. "Minha força e meu canto é o Senhor" (Sl 118,14). "No mundo tereis
tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo" (Jo 16,33).
§1837 A fortaleza garante, nas dificuldades, a firmeza e a constância na busca do bem.
Justiça
§1807 A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao
próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se "virtude de religião". Para com os
homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a
harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum. O homem justo, muitas
vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela
retidão de sua conduta para com o próximo. "Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso.
Julga o próximo conforme a justiça" (Lv 19,15). "Senhores, dai aos vossos servos o justo e
equitativo, sabendo que vós tendes um Senhor no céu" (Cl 4,1).
§1836 A justiça consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é
devido.
Prudência
A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância,
nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. "O homem sagaz discerne
os seus passos" (Pr 14,15). "Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações" (1 Pd 4,7). A
prudência é a "regra certa da ação", escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com
a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. E chamada "auriga virtutum"
("cocheiro", isto é "portadora das virtudes"), porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a
regra e a medida. E a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente
decide e ordena sua conduta seguindo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os
princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a
evitar.
A prudência dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e
a escolher os meios adequados para realizá-lo.
Temperança
A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no
uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro
dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma
santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração". A temperança é muitas vezes
louvada no Antigo Testamento: "Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos" (Eclo
18,30). No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade". Devemos "viver com
moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12).
Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e em toda forma
de agir. Dedicar-lhe um amor integral (pela temperança) que nenhum infortúnio poderá abalar (o
que depende da fortaleza), que obedece exclusivamente a Ele (e nisto consiste a justiça), que vela
para discernir todas as coisas com receio de deixar-se surpreender pelo ardil e pela mentira (e isto
é a prudência).
§1838 A temperança modera a atração dos prazeres sensíveis e procura o equilíbrio no uso dos
bens criados.
A virtude da temperança manda evitar toda espécie de exceção, o abuso da comida, do
álcool, do fumo e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto
imoderado pela velocidade, põem em risco a segurança alheia e a própria, nas estradas, no mar ou
no ar, tomam-se gravemente culpáveis.
Virtudes morais
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
14ª SEMANA
MARIA MÃE DE DEUS
TEMA
Maria Mãe de Deus (dogma)
OBJETIVO
Falar sobre Maria, a mãe de Deus, e explicar qual o seu papel na fé católica.
MATERIAL
Catecismo da Igreja Católica
Texto em anexo
YOUCAT (Perguntas 80 – 85; 117; 147; 749)
METODOLOGIA
Pregação. Convide um pregador experiente para falar sobre Maria, alguém que se identifique com
o tema. Pontos de abordagem:
Maria foi escolhida para ser mãe de Deus;
A ela é santa; não tem a mancha do pecado original;
Ela é verdadeiramente Mãe de Deus;
A virgindade antes, durante e depois;
Ela foi obediente e foi importante no plano de salvação de Deus para nós;
Maria, sendo mãe de Jesus, é também nossa mãe;
Oriente o pregador a ler o texto em anexo e também estudar o Catecismo nos parágrafos CIC 487
a 511. Que ele possa animar os jovens ao amor à Maria e tirar quaisquer dúvidas que eles possam
ter.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Na oração de hoje, o coordenador deve incluir músicas de Maria e também fazer um louvor
agradecendo a Deus por ela, pela sua maternidade e amor por cada um de nós.
Elaborar um momento mariano dentro da oração deste dia, com uma motivação litúrgica favorável
a esse momento.
Fonte bibliográfica:
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
15ª SEMANA
A SANTÍSSIMA TRINDADE I
TEMA
A Trindade e a pessoa do Pai
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
Pregação. O coordenador e pregador devem se preparar para o dia de hoje. Façam os dois a
leitura do texto complementar, Catecismo e Bíblia (referências indicadas). Pesquisar e estudar:
CIC 232 a 274.
Pontos de abordagem:
o dogma da Santíssima
Trindade (“A Trindade é uma. Não professamos três deuses, mas um só Deus em
três pessoas”)
a primeira manifestação da Santíssima Trindade na Bíblia (Gn 1,26 e Jo 1, 1-3)
a revelação completa da Santíssima Trindade, que só veio com Jesus Cristo
a pessoa de Deus Pai.
ORIENTAÇÕES AO COODENADOR
Convide para esta pregação uma pessoa que domine o assunto e tenha pedagogia para passar o
conteúdo, pois não é um tema fácil.
O pregador deve dominar bem o tema e sabem passar de modo simples
É o próprio mistério de Deus. Deus é três. São Três Pessoas iguais e distintas, mas
subsistentes em uma só natureza.
Um só Deus: existe uma só essência ou uma só natureza ou substância divina, um só princípio:
uma só divindade;
Três Pessoas: que significa dizer um único Deus que se dá a conhecer como Pai, como Filho e
como Espírito Santo. Não são três deuses, mas um só Deus ou uma só natureza divina, que se
afirma três vezes.
Entendendo a Verdade de Fé
Igualdade: A Trindade é Una. A igualdade das três Pessoas da Santíssima Trindade é uma
verdade fundamental para a nossa fé. As três Pessoas divinas são iguais em tudo, idênticas em tudo.
Todas três Pessoas divinas possuem a mesma santidade, a mesma glória, a mesma fortaleza, a
mesma bondade, a mesma eternidade, onipotência, onisciência. Enfim, todas as grandezas e
perfeições divinas são iguais nas três Pessoas divinas. Elas não dividem, nem retalham a única
natureza divina. Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em tudo: “A Trindade é Una. Não
professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas: A Trindade é consubstancial. As Pessoas
divinas não dividem entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro: o Pai é
aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho,
isto é, a substância, a essência ou a natureza divina" (Cat 253).
Assim nos diz um testemunho da Igreja dos primeiros séculos: "É esta a fé católica:
veneramos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade. Sem confundir as Pessoas e sem
dividir a substância. Porque uma é a Pessoa do Pai, outra é a Pessoa do Filho, e outra, a do Espírito
Santo. Mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo tem a mesma divindade, igual glória, uma co-eterna
majestade" (Int. Divina - Gabriel de Santa Maria Madalena, O. C. D. - Ed. Loyola, n°. 224,2).
Diferença: As Pessoas são distintas. As pessoas divinas são iguais em tudo, mas são
distintas entre si: "Deus é único, mas não solitário. Pai, Filho Espírito Santo não são simplesmente
nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si. Aquele que
é o Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai
ou o Filho" (Cat. 254). O que torna as três Pessoas distintas sem dividir a unidade divina é
unicamente o seu relacionamento entre si, ou seja, "a distinção real das três Pessoas entre si reside
unicamente nas relações que as referem uma às outras" (Cat. 255): a primeira pessoa é o "Pai" em
relação à segunda, o “Filho” único.
Deus Pai - É a origem dos outros dois, não no sentido de procedência, de ser a fonte dos
outros dois. Ele é a natureza original, por isto os outros dois se chamam Deus Filho e Deus Espírito
Santo.
Deus Filho - A segunda Pessoa só é "Filho" em relação à primeira que é seu Pai. É a segunda
Pessoa divina, que procede (não no sentido de tempo nem de criação, porque as pessoas divinas
são incriadas) do Pai, vive um relacionamento perfeito de amor com o Pai, e expressa em si o
pensamento do Pai, sendo por isto mesmo também chamado Palavra, Verbo, ou Sabedoria divina.
Jesus também é chamado na Bíblia de PRINCÍPIO (Gn 1,1), porque foi nele e por Ele que o Pai
criou todas as coisas visíveis e invisíveis (Cl 1,15-17). Jesus procede do Pai também porque
é o enviado do Pai, como Ele mesmo diz em Jo 17,18. É o Filho quem revela o Pai (Mt 11, 27).
Jesus ao revelar que Deus é "Pai", quis dizer que Deus é origem primeira de tudo e ao mesmo
tempo é bondade e amor para todos os seus filhos.
Deus Espírito Santo - Aquele que é gerado do Pai antes de todos os séculos (o Filho),
anuncia o envio de um "outro Paráclito", a terceira Pessoa que procede do Pai e do Filho, o Espírito
Santo, que é assim revelado como uma outra pessoa divina em relação a Jesus e ao Pai. Este
também tem origem eterna e revela-se na sua missão temporal: é enviado aos Apóstolos e à Igreja,
pelo Pai e pelo Filho (Jo 14, 26; 16,14). O Espírito procede do Pai pelo Filho (Jo 15,26), pois o
Filho tem comunhão consubstancial com o Pai do qual procede o Espírito.
O Concílio de Florença, 1438, assim nos ensina: "O Espírito Santo tem sua essência e seu
ser subsistente ao mesmo tempo do Pai e do Filho e procede eternamente de Ambos como de um
só Princípio e por uma única expiração" (Cat 246). Assim é este a terceira Pessoa divina, que
procede do Pai (que é a fonte dele e do Filho) e também do Filho (porque é o Filho que o envia à
nós - ver Jo 16,7). Sendo Onipresente, se reúne aos dois e vive com Eles, numa comunidade de
vida e de amor, e representa com perfeição o amor divino que os une.
A relação íntima entre as três pessoas divinas é irreversível, mas não permutável. Cada
Pessoa "tem o seu lugar" no mistério Trinitário. O Pai será sempre Pai, apesar de comunicar
substancialmente tudo aquilo que Ele é. O Filho será sempre Filho, mesmo que tenha recebido do
Pai a mesma natureza divina, e o Espírito Santo será sempre Espírito Santo, mesmo procedendo do
Pai e do Filho.
Unidade: A Unidade divina é Trina. Vemos em Jo 17,21-23 que: Tudo procede do Pai e
tudo volta para o Pai. Do Pai procede o Filho e o Espírito Santo. O Espírito Santo tem a missão de
congregar tudo e todos em torno de Cristo para que Cristo entregue definitivamente tudo e todos
ao Pai. Desta forma acontece a união, a comunhão total entre as três Pessoas divinas. "Por causa
desta unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo,
todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho" (Cat 255). Por esta unidade trinitária ao rendermos glória
ao Pai, o fazemos pelo Filho no Espírito Santo: É o culto das pessoas, infinitamente distintas na
Trindade.
Vemos em Jo 10,38: "O Pai está em mim e eu no Pai". Estas palavras de Jesus revelam sua
íntima união com o Pai. O Verbo de Deus está, por natureza, unido ao Pai de modo substancial,
assim como Deus-homem vive intimamente unido ao Pai: todas as suas potências, forças, afeto,
inteligência tendem sempre para o Pai; toda a Sua vontade está voltada intimamente para a vontade
do Pai. Mesmo exercendo o seu ministério, percorrendo os caminhos da Palestina, pregando,
instruindo, discutindo com os fariseus, curando os doentes, ocupando-se de todos, Jesus continua,
no seu íntimo, a viver esta maravilhosa vida de união com as divinas Pessoas.
Vemos em Jo 16, 13-15, palavras de Jesus denunciam a unidade do Espírito Santo com o
Pai e com Ele, o Espírito Santo não falará palavras suas, mas palavras que ouviu do Pai e
consequentemente do Filho.
Assim nos fala Jesus: "Ora, a vida eterna consiste em que te conheçam a ti, um só Deus
verdadeiro" (Jo 17,3). "Ninguém jamais viu a Deus, o Filho unigênito que está no seio do Pai, foi
quem o revelou" (Jo 1,18). Só Jesus pode nos fazer conhecer a Deus Pai. “Ninguém conhece o Pai
senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11,27). Revelar o Pai para a humanidade
é o grande dom de Jesus. É Jesus que nos mostra a paternidade divina. "Eu falo o que vi junto de
meu Pai" (Jo 8,38).
Jesus revela a bondade do Pai celeste que faz nascer o sol sobre maus e bons: "Deste modo
sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os
bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos" (Mt 5,45); que alimenta as aves do céu e
veste os lírios do campo, o que fará pelo homem? (cf. Mt 6,26-30); que sempre está pronto para
perdoar seus filhos (cf. Lc 15,11-24); que vai atrás da ovelha perdida (cf. Lc 15,3-7). Jesus afirma
mesmo que o Pai nos ama: "Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí
de Deus" (cf. Jo 16,27).
Obras de amor de Deus Pai: Jesus nos revela que Deus é um Pai de amor. Meditemos
sobre as obras de amor que Deus realizou por cada um de nós (provas do amor de Deus):
Encarnação
Deus nos prova concretamente o seu amor através da Encarnação do seu filho, que
humilhou a si mesmo assumindo a condição humana: "Nisto se manifestou o amor de Deus para
conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste
o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para
expiar os nossos pecados" (1Jo 4,9-10). "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe
deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).
Através da Morte do Seu Filho: O ápice da manifestação do amor de Deus-Pai por nós é
a morte do Seu Filho amado, para nos conceder Salvação e Vida Nova: "Mas, eis aqui uma prova
brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.
Portanto muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da
ira". (Rm 5,8-9). "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados
na sua morte? Fomos pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo, para que, como Cristo
ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova” (Rm 6,3-4).
Fazendo-nos participantes da sua natureza divina: Fomos elevados à participação na
vida divina, e esta é a prova da Vida Nova que o Pai nos concedeu pela morte do Seu Filho: “O
poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele
que nos chamou por sua glória e sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais
preciosas a fim de tornar-vos por este meio participantes da Vida Divina, subtraindo-vos à
corrupção que a concupiscência gerou no mundo" (II Pd 1,3-4).
Providenciando tudo para nós: Tome Mt 6,25-26. 32-34. No Sermão da Montanha, Jesus
anunciou a providência de Deus-Pai na vida do homem, que abraça todas as suas necessidades.
Concedendo a filiação divina: Tome Gal 4,4-7, Ef 1,5, Rm 8,14-17 e I Jo 3,1: Em Cristo,
fomos adotados como filhos e herdeiros de Deus, e recebemos o Espírito Santo, que é o único capaz
de nos convencer desta filiação, a ponto de clamarmos a Deus como Pai, e de fato nos apossarmos
dos bens espirituais, que Ele derrama sobre nós abundantemente, sendo que o maior bem é a Vida
Eterna.
Perdoando os nossos pecados: Tome Lc 15,18-24. Nesta parábola observamos que o amor
de Deus é concreto através das suas atitudes com relação ao filho: como o espera, o acolhe, o
restaura, parecendo esquecer todo o passado... O Senhor sabe que somos frágeis e por isso nos ama
e de nós tem misericórdia.
Fé no amor misericordioso de Deus: Santa Teresa d'Ávila, definiu a oração, isto é, a vida
espiritual como "um comércio de amizade entre a alma e Deus, por quem se sente amada". Sentir-
se amado, estar convicto do amor de Deus por nós, é a condição primeira, para termos esse
relacionamento íntimo com Deus. Precisamos deixar que Deus nos faça experimentar o seu amor
por nós. Precisamos deixar Deus nos amar. É a experiência com o amor de Deus que enfraquece
as resistências do nosso coração soberbo, prepotente, independente de Deus.
Deus é Pai, Deus é nosso Pai! O mais amoroso, o mais terno dos pais! É desta raiz que
germina toda a nossa vida espiritual. É isto que nós precisamos respirar, deixar crescer e
desabrochar: Deus é meu Pai de amor. Para que seja gerado em nós o amor filial, humildade,
confiança, abandono, alegria. Só uma pessoa que se sente, que se crê infinitamente amada
corresponde a esse apelo de amor por um impulso, um desejo bem simples de amar. As virtudes
são germinação espontânea e natural da fé no amor de Deus. Precisamos compreender,
experimentar que somos filhos de Deus e, por conseguinte, infinitamente amados, com amor
paternal por Deus, nosso Pai.
É a fé no amor de Deus por nós que explica tudo, que ilumina tudo, que esclarece tudo para
nós. Mesmo quando Deus nos faz passar por caminhos sombrios, momentos difíceis, é a fé firme
no amor de Deus Pai que nos guiará e sustentará. É esta fé que nos fará dizer como Santa Teresinha:
"É tão doce servir a Deus na noite da provação! Temos só esta vida para vivermos de fé" e ainda:
"Sei que, além das nuvens, meu Sol está sempre a brilhar". Como sabe isto? Pela fé
Fonte bibliográfica:
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
16ª SEMANA
A SANTÍSSIMA TRINDADE II
TEMA
A pessoa do Filho e a pessoa do Espírito Santo
OBJETIVO
Levar os crismandos a conhecerem a pessoa do Filho e a pessoa do Espírito Santo
MATERIAL
Catecismo da Igreja Católica
Bíblia
Livro: Formação Básica 1 – Edições Shalom (para coordenadores/pregadores)
YOUCAT
METODOLOGIA
Pregação. Deve ser feita uma boa preparação sobre esse assunto. Portanto, coordenador e
pregador devem se preparar para o dia de hoje. Façam os dois a leitura do texto complementar,
Catecismo e Bíblia (referências indicadas).
Pesquisar e estudar: CIC 422 à 478.
Pontos de abordagem:
1. A pessoa do Filho:
a identidade da pessoa do Filho
a missão do Filho de Deus
“porque o Filho de Deus se fez homem?”
ORIENTAÇÕES AO COODENADOR
Hoje, antes do louvor, reze, como na semana passada, o Credo após invocar o Espírito Santo.
Estude sobre o tema para tirar as eventuais dúvidas dos crismandos.
Não é somente necessário crerem os cristãos que existe um só Deus, e que Ele é Criador do
céu, da terra e de todas as coisas, mas também é necessário crer que Deus é Pai e que Jesus Cristo
é seu verdadeiro Filho. Esse mistério não é um mito, mas uma verdade certa e comprovada pela
Palavra de Deus - II Pd 1,16 - 18.
O próprio Jesus Cristo muitas vezes chama a Deus como seu Pai e, também, denominava-
se Filho de Deus. Os apóstolos e os Santos Padres colocaram entre os artigos de fé que Jesus Cristo
é Filho de Deus, quando definiram este artigo do Credo: ... E em Jesus Cristo seu Filho, isto é,
Filho de Deus.
Creio em Jesus Cristo (Cat 422 - 440)
A transmissão da fé cristã é primeiramente o anúncio de Jesus Cristo, para levar a fé nele. Desde o
começo, os primeiros discípulos ardiam de desejo para anunciar a Cristo (At 4,20), e convidavam
os homens de todos os tempos a entrarem na alegria da sua comunhão com Cristo (I Jo 1,1 - 4).
Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, cremos e confessamos acerca de
Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" (Mt 16,16).
Quando pronunciamos de uma só vez as duas palavras Jesus Cristo, não podemos dizer
como se formassem uma só . Ora, quando dizemos "Jesus Cristo" , não estamos empregando um
modo rebuscado de nos referirmos a Nosso Senhor, pois podíamos muito simplesmente dizer
"Jesus" ou "Cristo". Também não estamos procurando distingui-lo do famoso chefe israelita que
conquistou a Palestina, cujo nome era igualmente Jesus, embora habitualmente lhe chamemos
Josué. Não ; quando dizemos "Jesus Cristo" não nos limitamos a nomear Nosso Senhor; mas
dizemos algo acerca d'Ele.
Jesus quer dizer, em hebraico : "Deus salva". No momento da Anunciação, o anjo Gabriel
ao conceder- lhe o nome de Jesus, exprime sua identidade e missão (Lc 1,31). Uma vez que “só
Deus pode perdoar os pecados" (Mc2,7), é ele que, em Jesus seu Filho eterno feito homem, "salvará
o seu povo dos pecados" (Mt 1,21). Em Jesus, portanto, Deus recapitula toda a sua história de
salvação em favor dos homens.
O nome Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho
(At 5,41) feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. É o único nome divino
que traz a salvação (Jo 3,5), e agora pode ser invocado por todos, pois se uniu a todos os homens
pela Encarnação (Rm 10,6 - 13), de sorte que "não existe debaixo do céu outro nome dado aos
homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,12).
O nome de Jesus está no cerne da oração cristã. Todas as orações litúrgicas, tem na sua
estrutura a seguinte frase : __ por Nosso Senhor Jesus Cristo... . Numerosos cristãos, com Sta.
Joana D’Arc, morrem tendo nos lábios apenas o nome de "Jesus".
Na realidade, "Cristo" não é um nome, mas um título. E as duas palavras __ "Jesus" e
"Cristo" __ são verdadeiramente o centro do credo, porque no princípio quando os Apóstolos
começaram a pregar a religião cristã, essas duas palavras continham toda a essência da sua
mensagem. Os Apóstolos começaram a dizer a seus amigos judeus : "Jesus é o Cristo". E os seus
amigos judeus sabiam o que eles queriam dizer com essas palavras.
Cristo vem da tradução grega do termo hebraico "Messias" que quer dizer "ungido". Só se
torna o nome próprio de Jesus porque este leva à perfeição a missão divina. Esse devia ser por
excelência o caso do Messias que Deus enviaria e seria anunciado pelos profetas, cuja missão seria
instaurar definitivamente o Reino de Deus (Sl.2,2). Este seria o Messias com a unção do Espírito
Santo (Is.11,2) que ao mesmo tempo seria o Rei, o sacerdote e o Profeta (Zc.4,14;Is.61,1). Jesus
realizou a esperança messiânica de Israel na sua tríplice função.
Filho de Deus, no Antigo Testamento, é um título dado aos: anjos (Dt 32,8; Jó 1,6), ao povo
da eleição (Ex 4,22; Jr 3,19), aos filhos de Israel (Dt 14,1;Os 2,1) e aos seus reis (2Sm 7,14).
Portanto, sua significação é: uma filiação adotiva que estabelece entre Deus e a sua criatura relações
de uma intimidade especial.
Esta adoção, significa aceitação da parte de Iahweh, seu amor e proteção particulares, como
também responsabilidades e obediência impostas a Israel. No Novo Testamento, o título é atribuído
frequentemente a Jesus. Este título é um meio pelo qual a Igreja primitiva expressava sua fé no
caráter absolutamente único de Jesus. O uso do termo reflete a fé desenvolvida da Páscoa e de
Pentecostes.
Estas passagens do Novo testamento, confirmam que Jesus usou deste termo em várias
situações. Vejamos então:
- Mt 11,27; 21, 37-38 : Ele se designava como o "Filho que conhece o Pai".
- Mt 21, 34-36 : Jesus é diferente dos “servos" que Deus enviou anteriormente a seu povo.
- Mt 24,36 : Jesus é superior aos próprios anjos.
- Mt 6,9 : Jesus manda rezar a oração que o Pai ensinou.
- Jo 20,17 : Jesus ressalta a distinção dEle e do Pai.
- Mt 4,3.6; Lc 4,3.9 : o objetivo da tentação de Jesus foi verificar se Ele era o Filho de
Deus.
O nome Filho de Deus significa a relação única e eterna de Jesus Cristo com Deus seu
Pai: Ele é o Filho Único do Pai (Jo 1,14) é o próprio Deus (Jo 1,1). Crer que Jesus Cristo é o
Filho de Deus é necessário para ser cristão (I Jo 2,23).
O uso mais solene do título está na cena do batismo (Mt 3,17;Mc 1,11; Lc 3,22; Jo 1,34) e
na transfiguração (Mt 17,5; Mc 9,7; Lc 9,35; 2Pd 1,17). No batismo o título vem do Pai que designa
como seu "filho bem-amado". Na Transfiguração a voz do Pai ordenava que lhe desse ouvido como
o novo Moisés, e os discípulos se prostraram diante do Mestre.
Somente no mistério pascal que podemos captar o alcance do título "Filho de Deus". É
depois da Ressurreição que a filiação divina de Jesus aparece no poder da sua humanidade
glorificada: "Estabelecido Filho de Deus com o poder por sua Ressurreição dos mortos" (Rm1,4).
Os apóstolos poderão confessar: "Nós vimos a sua glória, glória que Ele tem junto ao Pai como
Filho Único, cheio de graça e de verdade" (Jo1,14).
Por que dizemos "Nosso Senhor" quando queremos referir-nos ocasionalmente ao Filho
encarnado de Deus ?
Vejamos a origem deste costume a partir do povo Judeu : os judeus tinham um nome para o seu
Deus - chamavam-no Javé, segundo dizem os estudiosos. Mas cada vez mais se ia enraizando neles a
convicção de que essa palavra evocava algo muito sagrado para poder falar em alta voz o nome de
Deus. Por isso, sempre que se liam alto, substituíam-na pela palavra "Senhor", que era a palavra
adequada para falar com um rei ou outras personalidades importantes; aliás, as mulheres só se dirigiam
aos seus esposos dizendo "Senhor". É importante notar que para os judeus do A.T. e para os cristãos
do N.T., a palavra "Senhor" se tornou comum e familiar.
Na versão grega dos livros do A.T., o nome inefável com o qual Deus de revelou a Moisés
(Ex 3,14), Iahweh, é traduzido por "Kyrios" - "Senhor". Senhor, torna-se desde então o nome mais
habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel. É neste sentido forte que no N.T.
utiliza o título de "Senhor" ao mesmo tempo para o Pai, mas também __ e aí está a novidade _ para
Jesus reconhecido assim como o próprio Deus (I Cor 2,8). A versão latina apresenta o seguinte
significado para a palavra "Senhor" :
"Dominus" ao pé da letra significa "dono de escravos". É essa a primeira imagem que a
palavra sugeria aos primeiros cristãos, a de um Senhor que de fato os possuía. O mesmo era
atribuído a Jesus. Ele nos possui, comprou-nos e, portanto, pertencemos-lhe. Este é o sentido que
devemos compreender ao afirmar que acreditamos que Jesus Cristo é o nosso Senhor. Pertencemos
ao Nosso Senhor, quer dizer, o nosso Dono, do mesmo modo que as ovelhas pertencem ao pastor.
É por esta razão que trazemos em nós o seu sinal, o batismo. Nosso Senhor pôs em cada um a sua
marca o sinal da cruz. Nem você nem eu podemos ver, porque pertence à ordem sobrenatural. É
uma marca indelével nunca sai.
A história cristã e a Igreja testemunha a verdade do Senhorio de Jesus desde o princípio,
sobre o mundo e sobre a história (Ap 11,15). Esta verdade significa também que o homem não
deve submeter a sua liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre mas somente
a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo (Mc 12,17; At 5,29).
"A Igreja crê... que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu
Senhor e Mestre” (GS 10,2). E é por isso que a oração da Igreja peregrina é cheia de confiança e
esperança ao proclamar "Maranatha" (vem Senhor !) (I Cor 16,22; Ap 22,20).
Não é somente necessário ao cristão acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, como
falamos anteriormente , mas também convém crer na Sua Encarnação. Por isso, o Bem-aventurado
João Batista nos insinua a Sua Encarnação, quando diz: E o Verbo se fez carne (Jo 1,14).
A missão do Espírito Santo está sempre conjugada e ordenada à do Filho (Jo 16,14 - 15). O
Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que
é "o Senhor que dá a Vida", fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma
humanidade proveniente da sua.
Jesus Cristo ao ser concedido como homem no seio de Maria, torna-se o "Cristo", o Filho
Único de Deus Pai. Cristo é ungido pelo Espírito Santo (Mt 1,20) e toda a sua vida manifestará,
portanto, “como Deus o ungiu com o Espírito e com poder" (At 10,38).
Voltando a afirmação de João : E o verbo se fez carne (Jo 1,14), podemos também
lançarmos uma pergunta, que com certeza muitos gostariam de fazê - la: porque o verbo se fez
carne?
Introdução
O nosso grande modelo de vida é a pessoa de Jesus e a sua própria maneira de viver. Não
existe nada que possamos melhorar em seu plano de ação, tudo foi perfeito e progressivo, isto é,
sua ação crescia progressivamente rumo a vontade de Deus. Tinha uma metodologia já definida,
que devemos conhecer:
a. Sua missão: Salvar o homem todo e a todos os homens (Lc 4,1-19)
b. Sua meta : Instaurar o Reino (Mt 4,23)
c. Seu método: Formar discípulos (Mt 4,18 - 22)
Com José e Maria, com seu exemplo de submissão a eles e pelo seu humilde trabalho, Jesus
nos dá o exemplo da santidade na vida cotidiana na família e no trabalho (Lc 2, 41 -51).
b. a vida pública e o seu batismo : A vida pública de Jesus tem início com o seu Batismo no rio
Jordão (Lc 3,23). O Batismo de Jesus é, da parte dele, aceitação e a inauguração da sua missão de
Servo sofredor. No Batismo de Jesus, "abriram-se os Céus" (Mt 3,16),que o pecado de Adão havia
fechado; e as águas santificadas pela presença do Espírito Santo.
c. A tentação no deserto : mostra Jesus, Messias humilde que triunfa sobre Satanás pela
total adesão ao desígnio de salvação querido pelo Pai (Mt 4,1 -11). d. A Igreja : o Reino dos Céus
foi inaugurado na terra por Cristo. Manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e
na presença de Cristo. A Igreja é o germe e o começo deste Reino. As suas chaves são confiada a
Pedro (Mt 16,18).
e. A Transfiguração: tem por finalidade fortificar a fé dos apóstolos em vista da Paixão : a
subida à “elevada montanha” prepara a subida no Calvário, Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o
que seu corpo contém e irradia nos sacramentos : “a esperança da glória" (Cl 1,27).
f. A entrada em Jerusalém : manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias, acolhido na sua
cidade pelas crianças e pelos humildes de coração, vai realizar através da Páscoa de sua Morte e
Ressurreição (Lc 19,29 - 44).
Fonte bibliográfica:
[Link]
"Ninguém pode dizer : ‘Jesus é o Senhor’ a não ser no Espírito Santo (I Cor 12,3). Crer no Espírito
Santo é, pois professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, que procede
do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado". O Espírito está em ação com o Pai
e o Filho do início até a consumação do Projeto da nossa salvação.
Vejamos algumas afirmações porque o Espírito Santo não é uma criatura, mas Deus:
Quando o Pai envia seu Verbo, envia o seu sopro : missão conjunta em que o Filho e o
Espírito Santo são distintos, mas inseparáveis.
Jesus é Cristo, "ungido", porque o Espírito é a unção dele e tudo o que advém a partir da
Encarnação decorre desta plenitude (Jo 3,34). Jesus anuncia que enviará o "outro Paráclito" (Jo
14,16) e no momento da sua glorificação e junto ao Pai, pode enviar o Espírito Santo aos que creem
nele e comunica-lhes a sua glória (Jo 17,22). A missão conjunta se desdobrará então nos filhos
adotados pelo Pai no Corpo de seu Filho : a missão do Espírito de adoção será uni-los a Cristo e
fazê-los viver nele.
Fonte bibliográfica:
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MANUAL CRISMA SHALOM
17ª SEMANA
A IGREJA I
TEMA
História da Igreja
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COODENADOR
Convide para ministrar esse conteúdo uma pessoa que domine o assunto.
Enquanto andava fazendo o bem e anunciando a todos a Boa Notícia do Reino, Jesus reuniu
em torno de si um grupo de discípulos dispostos a viver o seu Evangelho e a continuar sua missão.
A este grupo, Jesus deu um nome: Igreja.
Nesta terceira etapa de nossa caminhada, vamos procurar conhecer um pouco mais a Igreja de Jesus
Cristo, nossa Igreja. Aceitar, amar e viver como Cristo... é aceitar, amar e viver na Igreja!
Andando na beira da praia ou passando pelas ruas das pequenas aldeias da Galiléia, Jesus
foi escolhendo e chamando seus discípulos, um por um, pelo nome: “João, André, Pedro, Tiago,
Mateus... vem e segue-me!” Os primeiros doze discípulos de Jesus foram chamados “apóstolos”
(cf. Lc6, 12-16), que significa “enviados”. A estes foram ajuntando-se outros discípulos: homens
e mulheres crianças, jovens e adultos, pescadores; gente humilde que vibrava com a mensagem de
Jesus e que nele depositava toda sua esperança: gente em busca de algo mais! Com os discípulos,
a quem ele chamava de “meus irmãos”, Jesus viveu em comunidade durante três anos: partilhavam
o mesmo pão, andavam de aldeia em aldeia, fazendo o bem a todos e comunicando a Boa Notícia
do Reino de Deus. Ás vezes, pescavam juntos no mar da Galiléia.
Durante três anos de convivência, os discípulos chegaram a conhecer a fundo a pessoa do
Mestre e amá-lo. Com Jesus, compreenderam que preciso procurar sempre a vontade de Deus Pai;
descobriram que amar é servir e que, para viver em comunidade, ninguém pode querer se superior
ao outro; aprenderam a orar e a ver os problemas e sofrimentos do povo, dos empobrecidos, dos
marginalizados e dos pequenos, e com eles preocupar-se.
Jesus confiava em seus amigos e valorizava cada um deles. Desde o começo, deu-lhes
responsabilidade e pequenas missões: mandava-os aos birros e às casas para anunciar o Reino e
curar doentes (cf. Jo 6) etc.
Enfim, foram três anos de aprendizagem de vida comunitária e de missão: três anos de
catecumenato, na escola de Jesus!
Esta comunidade de discípulos, amigos e irmãos –pequena semente do Reino-, Jesus disse: “Vocês
são a minha Igreja” (cf. Mt. 16,18). A palavra igreja, em língua grega, idioma em que foi escrito o
Novo Testamento, significa “assembleia do povo de Deus”. Vejam bem o que diz Jesus: "minha
Igreja". Jesus é o fundador da Igreja, seu mestre, seu chefe, seu começo e seu fim, seu tudo: ontem,
hoje e sempre!
Quando o Cristo ressuscitado elevou-se ao Céu, a Igreja, seus princípios, objetivos e esperanças já
estavam bem definidos. É esta a identidade da Igreja de Jesus:
Há uma profunda relação de união-amor-identificação entre Jesus e a Igreja. Ele
mesmo o afirma nos evangelhos:
- “Eis que estou convosco todos os dias, ate o fim dos tempos” (Mt 28,20b);
- “Não vos deixareis órfãos: eu voltarei a vós” (Jo 14,18);
- “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20)
- “Eu sou o tronco e vós os ramos: permanecei unidos a mim!” (Jo 15,1-6)
- “Simão, filho de João, tu me amas? (...) Cuida das minhas ovelhas” (Jo 21,17)
- “Quem vos escuta, é a mim que está escutando; e quem vos despreza, é a mim que está
desprezando” (Lc 10,16)
A Igreja existe em função da missão de anunciar Cristo e continuar sua obra no
mundo:
- “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21);
- “Recebereis o poder do Espírito Santo (...) para serdes minhas testemunhas (...) até os confins
da terra” (At 1,8).
É indispensável que os discípulos permaneçam unidos entre si:
“Que eles sejam um como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam
perfeitamente unidos e o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim” (Jo
17,22s): foi a prece e o testamento de Jesus durante a última ceia.
O Espírito Santo, luz e força da Igreja, é quem leva á frente a obra começada por
Jesus: “O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos
recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14,26)
Os cristãos viviam de um jeito diferente, não seguiam as orgias dos pagãos, pregavam a
fraternidade, a justiça e a igualdade. Com seu modo de viver, os seguidores de Jesus estavam dando
inicio a um mundo novo, no qual não poderiam existir ricos e pobres, dominadores e escravos,
onde todos deveriam ser irmãos e a palavra de Jesus Cristo seriam mais importantes do que
qualquer autoridade humana. O governo humano reagiu a isso e começou a considerar os cristãos
uma grave ameaça para a segurança do regime e das leis do Império. Ser cristão era considerado
crime, cuja pena era a prisão e a morte!
Assim, em Roma e em outras cidades do Império romano, houve muitas perseguições: os
cristãos eram presos, torturados, degolados, lançados às feras do -
circo. Uma das épocas de perseguição mais cruel foi a do imperador Nero (anos 60-64), durante a
qual foram martirizados os apóstolos Pedro e Paulo. Além de todos os apóstolos, foram milhares
os mártires da fé nesses primeiros séculos da Igreja! O povo cristão ainda venera muitos desses
mártires: são Sebastião, são Jorge, santa Luiza, santa Bárbara, são Cosme, são Damião, são
Tarcísio, são Lourenço, santa Inês, entre outros.
Em vez de enfraquecer a Igreja, as perseguições e o martírio união cada vez mais as
comunidades e, em todos os lugares, aumentava o numero dos cristãos. Não era fácil tornar-se
cristão e ser batizado. Quem quisesse pertencer à Igreja de Jesus, pelo sinal do batismo, deveria
renunciar ao jeito de viver da sociedade pagã e participar de uma longa preparação chamada
catecumenato. Durante um período de aproximadamente três anos, os catecúmenos eram iniciados
nos ensinamentos dos apóstolos e na vida da comunidade cristã. Só depois desse tempo, eles faziam
a profissão de fé e eram batizados, geralmente por imersão, no dia da Páscoa.
E como era, nesses primeiros tempos, a organização da Igreja? Não havia templos: os
cristãos reuniam-se em pequenas comunidades, em suas próprias casas. Em época de perseguição,
em Roma, escondiam-se em galerias subterrâneas chamadas catacumbas, cujas ruínas existem
ainda hoje. Nesses locais sepultavam, com grande honra, os mártires da fé. A eucaristia era
celebrada durante uma confraternização, o ágape fraterno, para a qual todos levavam algum
alimento a fim de comerem juntos e também compartilhar com os mais pobres.
A escolha dos dirigentes e de outros ministérios, ou serviços, na comunidade, era
democrática e tinha a participação de todos. Os que dirigiam as comunidades chamavam-se bispos
e contavam com o auxilio de presbitérios e diáconos. Os bispos, legítimos sucessores dos apóstolos,
reconheciam o bispo de Roma, mais tarde chamado papa, como sucessor de são Pedro, a quem
Jesus conferiu a autoridade de dirigir e manter unida toda a Igreja, com a palavra “ Tu és Pedro, e
sobre esta pedra edificarei minha Igreja” –Mt 16,18-19.
Nos primeiros séculos surgiram grandes homens que, com sua sabedoria, seus
ensinamentos e seus escritos, clareavam a doutrina cristã e, por isso, foram chamados Padres da
Igreja, que significa pais da fé cristã: são Clemente, são Cipriano, santo Inácio de Antioquia, são
Jerônimo (que traduziu e unificou todos os livros da Bíblia), santo Agostinho e outros. Para definir
e esclarecer a doutrina cristã, diante de muitas dúvidas e ensinamentos diferentes, foi realizado o
primeiro grande Concílio Ecumênico (universal0, na cidade de Nicéia, no ano 325. O Símbolo da
Fe, o “Credo” que ainda hoje rezamos durante a missa, é um resumo de Fe elaborado nesse concílio,
e confirmado no Concílio de Constantinopla (381).
B) A IGREJA NA ÉPOCA DA CRISTANDADE (500-1500 D.C)
Durante o quarto século de existência da Igreja, o imperador romano Constantino
converteu-se e concedeu liberdade aos cristãos. Ele até doou terras para a Igreja, ajudou a construir
belas basílicas e concedeu honrarias e poder aos bispos.
A partir do império de Constantino, começou um período de “perigosa” união entre Estado e Igreja.
Mais tarde, essa “mistura” prejudicou muito a vida e a missão cristã. Vejamos, por exemplo, o que
disse o famoso imperador Carlos Magno, quando na noite de Natal, do ano 800, foi consagrado e
coroado pelo papa Leoa III: “Hoje, sinto-me rei, sacerdote e vigário de Cristo como o papa. O
Estado e a Igreja devem caminhar juntos” eu, como imperador, prometo defender com a espada os
interesses da Igreja!”.
Com o apoio oficial do Estado e do imperador, mas, sobretudos, pela ação de grandes e heroicos
missionários , o cristianismo propagou-se rapidamente também em nações do norte da Europa.
Houve povos inteiros, que juntamente com seus reis, converteram-se ao cristianismo e foram
batizados.
A partir do ano 800, mais ou menos, pode-se dizer que toda a sociedade europeia tornara-
se cristã, pelo menos exteriormente. Começou a ”época da cristandade”: todos eram batizados,
desde o nascimento; escolas e hospitais eram todos dirigidos pela Igreja. Tudo o que os governantes
faziam recebia a bênção dos bispos ou do papa. Enfim, o povo vivia como que mergulhado num
ambiente católico: nascia, crescia e morria dentro da Igreja. Já não havia mais catecumenato, nem
catequese explicita. A tradição familiar, a cultura da própria sociedade, a arte e as pinturas nas
basílicas eram a única Bíblia do povo, pois ninguém sabia ler, a não ser uns poucos nobres que
frequentavam escolas.
Mas a vivência do Evangelho começou a degenerar... A mistura da religião com o poder
civil e político corrompeu ate papas e bispos que, às vezes, eram príncipes e condes, viviam em
castelos, tinham exércitos, usavam a força para combater os “hereges” (Inquisição) etc. A
hierarquia da Igreja estava mais ao lado do poder do que ao lado do povo.
Aos poucos, as pessoas foram deixando de sentir-se comunidade... só frequentavam o
templo religioso por obrigação ou por medo de castigos: para receber ou “comprar” bênçãos,
indulgências e sacramentos e assim salvar a própria alma, mas pouco conheciam ou viviam o
ensinamento de Jesus.
Evidentemente, mesmo nas épocas mais tristes da historia da Igreja (o século X é chamado
“o século obscuro”), sempre existiram muitos movimentos e comunidades de autênticos cristãos,
fieis ao Evangelho de Jesus Cristo, que viviam santamente, pobres ao lado dos pobres; que amavam
a Igreja e lutavam por sua renovação. Só para citar alguns nomes de grandes santos dessa época,
podemos lembrar: são Bernardo(† 1153), são Francisco de Assis(† 1226), santa Clara(† 1253), são
Domingos(† 1221) e muitos outros. Todos eles, com seus exemplos, conseguiram atrair milhares
de seguidores!
Durante toda a história da Igreja, a unidade que Jesus Cristo tanto havia pedido fracassou
muitas vezes! O primeiro grande “rasgão” dessa unidade foi o chamado Cisma do Oriente, ocorrido
em 1054. Ainda hoje, a maioria dos bispos das Igrejas -
orientais(Constantinopla, Grécia, Bulgária, Rússia, etc.) vive separada dos bispos de Roma e da
Igreja Católica Apostólica Romana.
No ano 1509, houve outro grande e doloroso rasgão na Igreja: o Cisma do Ocidente. Na
Alemanha, um frade e professor de teologia, chamado Martinho Lutero(1483-1546), queria
reformar muitos aspectos que considerava errados na Igreja. Por exemplo: queria que a Bíblia e o
rito da missa, que eram escritos em latim, fossem traduzidos nas línguas dos vários países, pois
havia muitos séculos que o povo não entendia mais o latim; queria uma fé mais pura, com menos
superstições, mais apegada às sagradas Escrituras e a Jesus Cristo. No começo, eram ideias boas e
bem-intencionadas, mas depois Lutero começou a negar a autoridade dos bispos e do papa e a abolir
a maioria dos sacramentos da Igreja. Enfim, com o apoio de políticos e príncipes, formou uma
Igreja independente, que foi chamada Igreja Reformada ou Igreja Protestante.
Na mesma época, sempre ao norte da Europa, surgiram outras Igrejas independentes, sob o
influxo de outro reformador, de nome Calvino(1509-1564).
Na Inglaterra, o rei Henrique VIII separou toda a nação da Igreja Católica e formou a Igreja
Anglicana. Essas Igrejas calvinistas e anglicanas imigraram para os Estados Unidos na época da
colonização, e mais tarde originaram outras Igrejas que vieram também para o Brasil, como a
Batista, a Pentecostal, a Adventista e outras.
Para fazer frente aos avanços dos protestantes, a Igreja Católica organizou-se no movimento
que se chamou “Contra-Reforma”. Nesse contexto, o papa e os bispos reuniram-se no Concílio de
Treno (1547-1564) a fim de afirmar a verdadeira doutrina Cristã, corrigir abusos, dar seriedade à
formação dos padres, escrever os primeiros catecismos para a instrução do povo etc. Mas muito
ainda ficou por fazer. Os leigos continuaram à margem da vida da Igreja e a Bíblia foi praticamente
esquecida. A hierarquia da Igreja continuava ligada aos poderosos. Também nessa época houve
grandes homens, padres e bispos, que, com sua vida santa e suas extraordinárias obras, fizeram um
bem imenso à Igreja e à sociedade daquele tempo: são Carlos Borromeu († 1584), santo Inácio de
Loyola († 1556), são Francisco Xavier († 1552) e outros.
Fonte bibliográfica:
ZORZI, Pe. Lúcio. Catecumenato Crismal, ed. 15, Paulinas, 2008.
MANUAL CRISMA SHALOM
18ª SEMANA
IGREJA II
TEMA
O que é a Igreja?
OBJETIVO
Favorecer aos crismandos maior conhecimento sobre a essência da Igreja Católica Apostólica
Romana.
MATERIAL
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR.
Convide para dar essa pregação alguém que tenho domínio do conteúdo a seu aplicado
O QUE É A IGREJA?
No encontro passado, vimos que a Igreja nasceu por vontade de Jesus e por ação do Espírito
Santo. Acompanhamos sua história, desde o começo até os nossos dias. Mas resta a pergunta: o
que é mesmo a Igreja? Qual é exata-
mente sua missão no mundo? Hoje em dia, como podemos "ser" Igreja do jeito que Jesus quer?
Mais do que nunca, a Igreja de hoje quer ser como Jesus, que "passou a vida fazendo o
bem a todos", com uma opção preferencial por todos os sofredores, os doentes, os pobres, os
rejeitados, os excluídos. A estes, Jesus chamava de "pequeninos" e vivia no meio deles, curando-
os, libertando-os e trazendo-lhes mais vida.
Ser Igreja de Jesus é estar do lado do povo explorado e empobrecido: do lado dos índios e
dos negros, dos sem-terra, dos sem-teto e de todos os excluídos. É estar do lado dos milhões de
crianças golpeadas pela miséria, pela fome e pelo abandono; do lado dos doentes e de todos os que
sofrem!
Ser Igreja é lutar pelo respeito aos direitos humanos, pela reforma agrária e pela promoção
humana integral. E estar presente no meio do povo, nas favelas, nos bairros de periferia, nos
interiores mais pobres, apoiando as causas e os anseios daqueles que lutam, na construção da
"civilização do amor", como costuma dizer o papa João Paulo II.
Jesus foi claro a respeito da missão da Igreja: "Tudo o que vocês fazem ou deixam de fazer a um
destes pequeninos, é a mim que o fazem!" (cf. Mt 25,31-46). É sobre isso que, um dia, todos nós
seremos julgados!
Igreja doméstica
A família cristã, santificada pelo sacramento do matrimônio, é a célula básica da Igreja, o
primeiro centro de comunhão e de evangelização. Por isso é chamada "Igreja doméstica".
Em uma farrn1ia cristã, as crianças fazem a primeira e indispensável experiência de fé, de
amor a Cristo e à Igreja, de oração, de serviço fraterno e de solidariedade. Em sua própria farrn1ia
o casal cristão pode e deve exercer a missão de catequistas e de sacerdotes do lar. Em uma família
que tem Cristo como o centro, na qual os membros rezam juntos e procuram viver como ele,
realiza-se a promessa de Jesus: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali
no meio deles!" (Mt 18,20).
Em uma ocasião, o papa João Paulo II disse: "Estou convencido de que a evangelização no futuro
depende, em grande parte, da Igreja doméstica!".
Paróquia
A paróquia é o centro de comunhão, de entrosamento e de animação das pequenas
comunidades, dos diversos grupos, associações, movimentos e pastorais existentes em uma
determinada área geográfica. Quando a paróquia é muito grande, é subdividida em diversos "setores
pastorais".
O coordenador da paróquia é o pároco, isto é, um padre enviado pelo bispo. Ele reúne a
comunidade na eucaristia, celebra os sacramentos,proc1a-ma e explica o Evangelho. Como bom
pastor preocupa-se com os pobres, enfermos e afastados, e convida os leigos a assumirem, junto
com ele, os diversos serviços pastorais: pastoral do batismo, catequese para crianças e adultos,
pastoral da crisma, pastoral da juventude, pastoral da criança, pastorais e obras sociais etc.
O pároco não dirige a paróquia sozinho, mas atua junto com o Conselho Paroquial ou
Pastoral, constituído pelos coordenadores das comunidades de base e das pastorais. Em cada
paróquia, deve haver também um Conselho Administrativo. O dízimo é a contribuição mensal
voluntária que os católicos oferecem para o sustento da paróquia e a manutenção de suas atividades
pastorais.
A sede-mãe da paróquia chama-se matriz. As sedes das comunidades ec1esiais de base ou
dos diversos setores da paróquia costumam ser chamadas capelas. Nestes locais a família de Deus
se reúne para celebrar a eucaristia - raiz, centro e cume de toda vida cristã - e os demais
sacramentos.
Diocese
A diocese é o conjunto das comunidades e paróquias de uma determinada cidade ou região,
presidida por um bispo. Quando a diocese é muito grande (arquidiocese), é subdividida em
vicariatos e regiões pastorais.
A união com o bispo diocesano, legítimo sucessor dos apóstolos, garante a união dos católicos e
das comunidades na comunhão com Jesus Cristo. Por sua vez, o bispo vive em comunhão com os
outros bispos e, de maneira especial, com o bispo de Roma, o papa: sucessor de são Pedro, líder
espiritual (cf. Jo 21,15-17) e pedra de alicerce da Igreja (Mt 16,18-19).
B) OS MINISTÉRIOS NA IGREJA
Na ideia e na prática de muitas pessoas, ainda predomina a imagem de uma Igreja
"piramidal": em cima está o papa, depois os bispos, abaixo os padres e na base da pirâmide está o
povo, os leigos, os que vão à "igreja dos padres" ou "ajudam os padres". Infelizmente, por causa
dessa ideia deformada de Igreja, a palavra "leigo", na linguagem popular, adquiriu o significado de
"aquele que está por fora", "que não entende do assunto".
Porém, o Concílio Vaticano II modificou essa ideia, realçando o conceito de Igreja Povo de
Deus, onde, à semelhança da farru1ia, todos são importantes e têm uma missão específica.
Começou-se a valorizar mais o papel do leigo na Igreja.
Pelos diferentes ministérios ou serviços, confiados a cada um, costuma-se denominar assim
os membros da Igreja: leigos, clero e religiosos(as). De formas diferentes, todos são responsáveis
pela vida e pela missão da Igreja de Jesus Cristo.
Os leigos A palavra "leigo", do grego laikós, significa "membro do Povo de Deus". Leigos são
todos os membros da Igreja, consagrados pelo batismo e pela confirmação.
A primeira e específica missão dos leigos é dirigida à sociedade: na família, na escola, no ambiente
de trabalho, no sindicato, na política, no bairro etc. É lá que, em nome de Cristo e da Igreja, os
leigos devem evangelizar e ser fermento-sal-luz para construir a "civilização do amor", o Reino de
Deus.
Os leigos podem e devem assumir também muitos ministérios na comunidade cristã, como
catequistas, ministros extraordinários da sagrada comunhão (MESCs), agentes de pastoral. O
clero: Algumas pessoas são consagradas para servir o Povo de Deus, como dirigentes da Igreja.
São: os bispos, os presbíteros (padres) e os diáconos.
Os três níveis de ordenação constituem, em conjunto, o ministério hierárquico. São
recebidos mediante a imposição das mãos, no sacramento da ordem. Como ensina o Concílio
Vaticano II, pelo sacramento da ordem confere-se sacerdócio ministerial, essencialmente distinto
do "sacerdócio comum" do qual participam -todos os cristãos, pelo batismo. Os que recebem o
ministério hierárquico, ficam constituídos como "pastores" da Igreja. À semelhança do Bom Pastor,
eles caminham à frente das ovelhas e dão a vida por elas (cf. Puebla, nn. 855-860).
À frente de todos, como primeiro pastor da Igreja e representante de Cristo pastor, está o
sucessor de são Pedro e bispo de Roma, o papa.
Religiosos e religiosas de vida consagrada
São chamados religiosos ou religiosas os homens e mulheres leigos, leigas, e também sacerdotes,
que consagram a vida a Deus, no serviço do Reino e da Igreja. Para dar testemunho de Jesus, vivem
em comunidades, agregando-se a uma congregação, ordem ou instituto.
Fonte bibliográfica: ZORZI, Pe. Lúcio. Catecumenato Crismal, ed. 15, Paulinas: 2008.
ANEXO II – TEXTO COMPLEMENTAR – IGREJA
Igreja é Una
A Igreja é una pela sua fonte : "... o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na
Trindade de Pessoas".
A Igreja é una pelo seu Fundador : " Jesus, o Filho de Deus estabelece a união de todos com
Deus, fazendo a união em um só Povo, em um só Corpo" (GS 78).
A Igreja é una pela sua alma : " O Espírito que habita o coração dos que creem, realiza esta
admirável comunhão dos fiéis e os une a Cristo, que é princípio da unidade" Segundo S. Tomás
de Aquino, a unidade da Igreja é resultante de três aspectos:
a. Primeiro, da unidade de fé. Todos os cristãos que estão no corpo da Igreja creem nas mesmas
verdades (I Cor 1,10; Ef4,5).
b. Segundo, da Unidade de esperança. Porque todos firmam-se numa só esperança de alcançar a
vida eterna (Ef 4,4) .
c. Terceiro, da unidade de caridade, porque todos estão congregados, no amor de Deus, e, entre
si, pelo mútuo amor (Jo 17,22).
Contudo, na unidade do povo de Deus se congregam as diversidades dos povos, e das culturas. A
grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja. O que ameaça o dom da unidade
é o pecado e suas consequências. Assim o apóstolo deve lutar para "conservar a unidade e a paz"
(Ef 4,3).
A caminho da Unidade
Jesus Cristo dá a Igreja o dom da unidade, mas esta por sua vez deve sempre orar e trabalhar
para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade com Cristo, pois é a sua vontade para a Igreja,
conforme diz Jo 17,21 : " ... que todos sejam um. Como Tu, Pai, estás em mim e Eu em TI, que
eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste".
Para responder a este apelo de forma correta e mantê-lo adequadamente, exige-se os
seguintes requisitos:
a. uma renovação: Uma renovação permanente da Igreja em uma fidelidade maior à sua vocação.
b. a conversão do coração: Com o objetivo de viver mais puramente segundo o Evangelho.
c. a oração em comum: A alma do movimento ecumênico são as orações públicas e particulares,
dentro do conjunto da conversão do coração e da santidade de vida. d. O conhecimento fraterno
mútuo.
e. a formação ecumênica dos fiéis.
f. a colaboração entre cristãos nos diversos campos do serviço aos homens.
A Igreja é santa
A Igreja unida a Cristo, é santificada por Ele; para Ele e Nele torna-se também santificante.
Todas as obras realizadas no seio da Igreja tem como objetivo " a santificação dos homens em
Cristo e à glorificação de Deus" (SC 10). É na Igreja que Jesus deposita " a plenitude dos meios de
salvação" é nela que "adquirimos a santidade pela graça de Deus".
Temos na virtude da caridade o ponto chave da santidade. Ela "rege, informa e conduz ao
fim todos os meios de santificação". E podemos dizer que a caridade é a alma da santidade e que
todos nós somos chamados a vivê-la.
S. Tomás de Aquino apresenta três motivos onde os fiéis são santificados na Igreja :
1. Porque assim como a Igreja é consagrada e materialmente lavada, os fiéis são também
purificados pelo sangue de Cristo, conforme se lê: "Amou-vos e lavou- vos dos pecados no seu
sangue (Ap 1,5 ; Hb 13,12).
2. Devido à unção. Assim como a Igreja é ungida, os fiéis também o são, mediante a unção
espiritual, para serem santificados. Se não tivessem sido ungidos, não poderiam ser chamados de
cristãos, porque Cristo quer dizer ungido.
3. Devido à habitação da Trindade, porque onde quer que Deus habite, este lugar é santo (Gn
28,10;Sl 42,5).
A Parábola do Agricultor
Diz a parábola do agricultor, que semeou boa semente no seu campo, e depois, de noite,
veio o inimigo e semeou joio entre o trigo, de tal maneira que ficou uma grande mistura. Enquanto
o trigo ainda estava pequeno, os servos quiseram tirar as ervas daninhas, mas o agricultor
respondeu: "Não! Seria perca de tempo. O que deve ser feito é esperar até a ceifa, juntar e depois
fazer a separação".
Igreja de Cristo na terra não é formada exatamente pelas mesmas pessoas que formam a
Igreja de Cristo no céu. A Igreja de Cristo no céu estará cem por cento salva. A Igreja na terra,
usando uma comparação do Senhor é um alforje com as coisas novas e velhas, E, contudo é
referindo-se a esse mesmo alforje que afirmamos "Creio que a Igreja Católica é santa".
É bom nos lembrarmos que para influenciarmos as pessoas fora e dentro da Igreja, só há um
modo de o fazermos : sermos santos!
A Igreja é Católica
"Católico" significa "universal" no sentido de segundo a totalidade ou "segundo a
integralidade". A Igreja é católica em duplo sentido :
a. Ela é Católica porque Cristo está presente. "Onde está Cristo, está a Igreja ". (Santo Inácio de
Antioquia). Cristo está presente na Igreja através do seu corpo e recebe dEle a "plenitude dos
meios de salvação" . A Igreja era católica no dia de Pentecostes e continuará sendo até a Parusia.
b. Ela é católica porque é enviada em missão por Cristo à universalidade do gênero humano. (Mt
28,19)
Quem pertence à Igreja Católica ?
Todos os homens são chamados a participarem da unidade do Povo de Deus. Todos que
são chamados à salvação pela graça de Deus são pertencentes a Igreja.
Contudo, de forma plena são incorporados a Igreja Católica os que recebem o Espírito Santo,
aceitando, submetendo-se e crendo nos seguintes pontos:
- Na totalidade de sua organização.
- Nos meios de salvação nela instituídos.
- Na sua estrutura visível regida por Cristo através do Sumo Pontífice.
- Na Profissão de Fé vinculado a Jesus.
- Nos sacramentos.
- E na comunhão eclesiástica.
A constituição Dogmática sobre a Igreja - Lumen Gentium acrescenta ainda este ponto : "
Não se salva, embora esteja incorporado à Igreja, aquele que não preservando na caridade,
permanece dentro da Igreja ‘com o corpo’, mas não ‘com o coração’ (LG 14).
S. Tomás justifica a universalidade da Igreja
(Cat. 748 - 865) A Igreja é católica, isto é, universal, por três motivos:
a. O primeiro motivo refere-se ao lugar, porque ela está espalhada por todo o mundo (Mc 16,15;
Rm 1,8).
b. A Igreja é Universal, em segundo lugar, devido à condição dos homens que dela fazem parte,
porque nenhum deles é rejeitado (Gal 3,28).
c. A Igreja é universal com relação ao tempo , alguns disseram que a Igreja deveria perdurar
somente por determinado tempo. Mas isso é falso. Esta Igreja começou no tempo de Abel e durará
até o fim (Mt 28,20). A Igreja é constituída por três partes : uma, na terra; outra, no céu e a terceira
no purgatório. Mas após a consumação dos séculos ela permanecerá no céu.
A Igreja é Apostólica
A Igreja é apostólica por ser fundada sobre os apóstolos e isto em tríplice sentido :
a. Ela foi e continua sobre o "fundamento dos apóstolos" (Ef 2,20; At 21,14), testemunhas
escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo (At 1,8).
b. Ela conserva e transmite com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, o ensinamento (At 2,42),
palavras ouvidas da boca dos apóstolos ( 2 Tim 1,13 -14).
c. Ela continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos, até a volta de Cristo, graças a
sucessão apostólica.
Toda a Igreja é apostólica na medida em que através do sucessores de S. Pedro e dos Apóstolos,
permanece em comunhão de fé e de vida. Ela é indestrutível ( Mt 16,18), é infalivelmente mantida
na verdade.
Fonte bibliográfica:
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
19ª SEMANA
TEMA
OBJETIVO
Conscientizar os Crismando de que vocação é um chamado de Deus apresentando as
diversas vocações na Igreja, enfatizando o Carisma Shalom e as Formas de Vida do mesmo.
MATERIAL
Catecismo da Igreja Católica
Estatutos da Comunidade Católica Shalom
Livro: Belo é o Amor Humano – Emmir Nogueira.
Vídeo Institucional da Comunidade Católica Shalom.
YOUCAT.
METODOLOGIA
Pregação.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O louvor e oração não devem ultrapassar 20 min, pois será necessário um tempo maior de formação.
Como esse tema precisa ser bem “entendido” pelos crismandos, a formação será feita com uma
pregação. A pessoa responsável por dar essa formação deverá preparar com bastante antecedência
fazendo uma boa pesquisa para que seja clara e objetiva.
Se possível esta formação seja dada por um membro consagrado da Comunidade Shalom
e reserve tempo para testemunho pessoal.
ANEXO I
Vocação Humana
Vocação Batismal
Toda a vocação específica está ligada diretamente com a razão pela qual Deus criou uma
pessoa, ou seja, é uma realidade fundamental na existência de alguém. Ao falarmos de vocação
específica, podemos afirmar que ela é um dom que Deus tem para nós desde toda a eternidade (por
isso independe de nossos méritos) e que nos concede junto com a graça batismal. É a melhor coisa
que Deus tem para nos dá, é a nossa felicidade, o caminho pelo qual seguimos a Cristo e o seu
Evangelho; é o melhor meio para servirmos e amarmos mais a Deus, à Igreja e aos homens; é algo
que está no mais profundo do nosso ser e que é inseparável da nossa vida.
Toda a vocação específica é movida unicamente pela insondável liberdade de Deus: “Dou
minha graça a quem quero” (Ex 33,19), e é dada ao homem unicamente em vista de sua missão de
mediação, isto é, é uma graça dada a alguém a fim de que ele sirva de mediador entre os homens e
Deus, no grau (como leigo, ou como sacerdote ou como consagrado) e na maneira (como
missionário, como casado ou como celibatário, na paróquia ou em uma família de vida consagrada,
no Shalom ou no Carmelo ou nos Salesianos, ou...) que Deus desejar. Podemos identificar
facilmente homens eleitos por Deus para esta mediação: Moisés, Abraão, Elias, Eliseu, Samuel,
Davi, os Profetas, João Batista. Juntamente com os apóstolos e com os milhares de santos na Igreja,
estes homens foram eleitos para uma mediação entre Deus e os homens, e receberam de Deus as
graças necessárias para isso, aceitando e correspondendo em sua vida de fidelidade e de santidade.
Deus concede sua graça aos escolhidos, não como privilégio, mas como mediação através da qual
a graça se derramará sobre o povo, sobre o mundo inteiro. Assim, Noé, Abraão, Moisés e a casa de
Davi não foram escolhidos individualmente, mas como germens do Povo de Deus; Pedro, Paulo,
João e Mateus, André e os demais apóstolos, por sua vez foram escolhidos como fundamento da
Igreja pelo sangue ou pelo ministério; Bento, Teresa, Francisco, Inácio de Loyola foram escolhidos
como “respostas” em épocas difíceis da história da Igreja, e por aí vai uma lista imensa de santos
fiéis à graça da eleição à sua vocação específica.
Clerical – Varão cristão assinalado pelo sacramento da Ordem que o põe a serviço dos fiéis leigos.
Cabe a ele, como pastor, suscitar e dinamizar a comunidades vivas de fé, de evangelização de
testemunhos e espírito missionário. No entanto, sua principal missão como ministro ordenado é
trabalhar na santificação do povo de Deus através da administração dos sacramentos.
Consagrada – Cristão que como leigo ou sacerdote se consagra a Deus pela profissão dos votos.
Vive em comunidade ou está diretamente ligado a uma fraternidade, compromete-se em seguir
radicalmente o Senhor, colocando-se a serviço da Igreja e do mundo com total gratuidade. Cabe ao
consagrado testemunhar profeticamente, pela prática dos conselhos evangélicos, o Deus vivo e o
Reino de Cristo como valor absoluto e definitivo. E ainda é missão dos consagrados uma
disponibilidade total para a evangelização e, libertação geral do homem e um grande espírito de
partir em missão para os locais mais necessitados e onde houver mais urgência. As formas de
consagração são diversas: institutos religiosos, institutos seculares, sociedade de vida apostólica,
etc.
MANUAL CRISMA SHALOM
20ª SEMANA
SACRAMENTOS I
TEMA
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
A pessoa responsável por dar a formação de hoje deverá fazer a leitura do Catecismo, conforme
orientamos abaixo. Deve fazer uma introdução sobre os sacramentos, explicando a existência dos
sacramentos da iniciação cristã, sacramentos de cura e sacramentos de serviço. Faça a leitura
dirigida do Catecismo:
O que são os Sacramentos? (CIC1131, 1123, 1127, 1128)
Os Sacramentos são necessários a salvação (CIC 1129)
Alguns Sacramentos não podem ser repetidos (CIC1121)
Os sete sacramentos da Igreja (CIC1210 – 1211)
Os sacramentos da iniciação cristã (CIC1212)
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O louvor e oração não devem ultrapassar 30 min, pois será necessário um tempo maior de formação.
Como esse tema precisa ser bem “entendido” pelos crismandos, a formação será feita com uma
pregação.
É muito importante que o coordenador também estude o tema, pois eventuais perguntas podem
surgir ao longo das reuniões. Alguns jovens, muitas vezes, não entendem os Sacramentos e, por
isso, não os valorizam. Então, ao final da formação, estimule os jovens a participarem da Missa
(convide para as missas no centro de evangelização).
ANEXO – TEXTO COMPLEMENTAR
OS SACRAMENTOS
Os sacramentos
Definição real
O mistério de Cristo pervive na Igreja especialmente através dos sinais por Ele instituídos,
que significam e produzem o dom da graça e são designados com o nome de sacramentos.
Sacramento é, portanto, um sinal sensível e eficaz da graça instituído por Jesus Cristo, para
santificar as nossas almas.
1. Ser uma "coisa" sensível - possa ser percebido pelos sentidos corporais. Ex: água-
batismo; pão e vinho-Eucaristia.
2. Essa coisa sensível, ser, além disso, sinal de outra realidade (graça). Por isto "coisa"
recebe o nome de sinal sacramental.
3. Ter sido instituído por Jesus Cristo em sua vida terrena.
4. Ter eficácia sobrenatural para produzir a graça na alma de quem o recebe. Não apenas
significar a graça, mas sobretudo, produzí-la de fato ( ver C.I.C, n.1115, 1116, 1131).
O Senhor podia nos ter comunicado a graça diretamente, sem necessidade de recorrer a
qualquer elemento sensível. As vezes ele assim o faz; Mas Deus, criador da natureza humana, quis
adaptar-se a ela ao dar-nos a sua graça. Jesus, geralmente, ao fazer os milagres servia-se de
elementos materiais, gestos e palavras. Ex.: "tocou com a mão no leproso, e disse-lhe: "Quero sê
limpo"(Mt.8,3); "untou com lodo os olhos do cego de nascença" (Jo.20,22); "dizendo isto, soprou
e disse-lhes: recebei o Espírito Santo(Jo.20,22).
Jesus quis nos sacramentos, unir a sua graça a sinais exteriores, nos quais a ação invisível
do Espírito Santo encarna e se materializa.
Ele quis comunicar ao homem a graça sobrenatural através das mesmas realidades materiais
que usamos diariamente dando-lhes um significado mais alto e uma eficácia que por si não tem
nem podem ter.
Deus, escolheu uma realidade material cujo fim fosse semelhante àquele que Ele quer
produzir no plano sobrenatural. Ex:: água, para lavar , pão para alimentar, óleo para fortalecer, etc
e determinou também que, mediante palavras pronunciadas com a sua própria autoridade, essas
realidades e significassem um efeito santificador, ex: a água lava a nódoa do pecado na alma.
-Matéria do sacramento: é o alimento material.
-Forma do sacramento: palavras que o completam e dão a matéria a sua eficácia.
-Quando a forma é pronunciada pelo ministro com a intenção de fazer o que a Igreja faz.
Deus confere a sua graça através do sacramento, que é o instrumento de que se serve para
nos santificar.
A matéria e a forma constituem a essência do Sacramento e não podem ser modificadas,
pois foram determinadas por instituição divina. A Igreja, ao estabelecer modificações nos ritos
nunca altera essa parte essencial. (Ef 5,26; Mt 26,26s; At 6,6).
O Sacramento tendo sido instituído por Cristo, contém realmente o que significa operam
sempre e verdadeiramente aquilo que significam e do modo infalível em quem os recebe com as
devidas disposições. Eles operam "ex opere operato" independentemente das pessoas e na absoluta
dependência da vontade divina que os instituiu.
A graça pode chegar ao homem não apenas necessariamente através dos sacramentos: Deus
pode comunicá-la de maneira principalmente espiritual, pois como ensina São Tomás "o poder de
Deus não está ligado aos Sacramentos". Mas para o homem , tal instituição é muito conveniente
pois assim somos levados a participar do invisível mediante o visível.
Nem todos os Sacramentos são necessários para toda pessoa, mas , como Cristo vinculou a
eles a comunicação da graça, todos os homens tem necessidade de alguns deles para se salvarem.
Para todos é absolutamente necessário receber o Batismo, e para os que pecaram
mortalmente depois do Batismo, é também imprescindível receber o sacramento de penit6encia ou
reconciliação. A recepção da eucaristia é também necessária para os batizados que chegarem ao
uso da razão.
A recepção real ou efetiva destes sacramentos pode ser substituída em certos casos pelo
desejo de receber o sacramento (votum sacramenti).
Os outros sacramentos são necessários na medida em que, com eles, é mais fácil conseguir
a salvação.
A Eficácia sacramental
Os Sacramentos são por vontade de Cristo, a continuação das mesmas ações salvíficas
realizadas pelo Senhor durante a sua vida terrena. Por isso é que são meios de santificação dotados
da mesma eficácia infalível que possuía a santíssima Humanidade de Cristo. Atuam comunicando
sempre a graça, quando o rito é realizado corretamente e o sujeito não põe obstáculo.
Ou seja, os sacramentos atuam pelo próprio fato de si realizarem, mas conferem a graça em
virtude do rito sacramental que se realiza.
Eles são, com efeito, uma presença misteriosa de Cristo invisível, que atua de modo visível
através desses sinais eficazes. Para quem ministra o Sacramento é necessário apenas que se tenha
a intenção de fazer o que faz ou preceitua a Igreja. A eficácia não depende dele, mas do próprio
sacramento pela força com que Cristo o dotou.
O efeito do sacramento também não provém da atitude de quem o recebe: a graça é
conferida a quem não põe obstáculo, pelo próprio fato de se realizar o rito sacramental. No entanto,
a maior ou menor abundância da graça depende das disposições da pessoa que o recebe. Não são
as disposições do sujeito a causa de que os Sacramento produza a graça; mas condicionam a medida
em que o sujeito a recebe.
Efeitos do sacramento
Os Sacramentos nos identificam com Jesus Cristo: "por eles somos incorporados nos
mistérios de Sua vida, configurados com Ele mortos e ressuscitados, até chegarmos e reinar com
Ele" (LG n.7).
a. Graça santificante: pode ser infundida onde não existia (alma em pecado mortal ou com
pecado original, privada da vida sobrenatural) ou aumentada, na alma que já a possua ocasionando
enriquecimento e desenvolvimento da vida sobrenatural.
b. Graça sacramental: específica de cada Sacramento, proporciona ao cristão, nas diversas
situações de sua vida espiritual e em tempo oportuno as graças atuais necessárias ao cumprimento
de seus deveres. Ex: Sacramento de Matrimônio: confere aos pais a graça de aceitarem e educarem
os filhos cristãmente.
Cada Sacramento confere uma garça sacramental específica , diferente em cada um deles,
a qual acrescenta à graça santificante um certo auxilio divino cujo o fim é ajudar a conseguir a
finalidade específica do Sacramento.
c. Caráter: é imprimido na alma por três dos Sacramentos: Batismo, Confirmação, Ordem.
Quem os recebe fica para sempre selado por Cristo; trará consigo os traços de Cristo, tal como o
filho traz os traços do pai de modo indestrutível. Os pecados podem desfigurar esses traços, mas
não aniquilá-los. O batizado que se condene, permanece com eles. É uma marca espiritual indelével
que faz com estes três Sacramentos não possam ser recebidos mais de uma vez. É verdade de fé.
Segundo a teologia dos padres da Igreja o caráter permite aos batizados serem reconhecidos no céu,
tal como a circuncisão permitia reconhecer os descendentes de Abraão. Por isso, receberam o selo
é garantia e penhor da vida eterna.
Instituição e número dos sacramentos
Cristo instituiu direta e pessoalmente todos os Sacramentos e determinou tanto o sinal
externo respectivo quanto a graça que dele derivaria. A Igreja definiu como verdade de fé que todos
os Sacramentos do Novo Testamento foram instituídos por Jesus Cristo. Declarou-o pronunciando-
se contra a heresia protestante, que os considerava, na sua maior parte como invenção humana. A
instituição do Batismo (Mt 28, 19; Mc 16,16; Jo 3,5), da Eucaristia e da Ordem (Mt26, 29; Mc
14,22-25; Lc 22,19-20; I Cor 11,23-25) e da Penitência (Jo 20, 23) é mostrado com clareza na
Sagrada Escritura. Embora a instituição dos restantes não apareça destacada foi Cristo quem o fez
com seu poder supremo. Assim o atesta a Tradição. Desde os primeiros momentos os Apóstolos
batizam os que aceitam o Evangelho ( Atos 2, 41) e depois confirmam os batizados (Atos 8, 17).
São Tiago fala da Unção dos Enfermos como algo perfeitamente sabido por todos (Tg 5, 14-15) e
recomenda e promulga o estabelecido por Jesus Cristo. É clara instituição do Sacerdócio na Última
Ceia, quando Jesus diz: Fazei isto em minha de Caná (Jo 2, 1-11) e o próprio Cristo reafirma a
unidade e indissolubilidade da instituição originária (Mt 19, 1-9). Nenhum Sacramento, portanto
foi instituído pela Igreja, visto que a autoridade eclesiástica não tem poder para tal.
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
21ª SEMANA
SACRAMENTO DO BATISMO
TEMA
Sacramento do Batismo
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
Pregação.
O pregador deverá fazer a leitura do Catecismo, conforme orientamos abaixo. Faça a leitura dirigida
do Catecismo:
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O louvor e oração não devem ultrapassar 30 min, pois será necessário um tempo maior de formação.
Como esse tema precisa ser bem “entendido” pelos crismandos, a formação será feita com uma
pregação.
É muito importante que o coordenador também estude o tema, pois eventuais perguntas podem
surgir ao longo das reuniões. Alguns jovens, muitas vezes, não entendem os Sacramentos e, por
isso, não os valorizam. Então, ao final da formação, estimule os jovens a participarem da Missa
(convide para as missas no centro de evangelização).
MANUAL CRISMA SHALOM
22ª SEMANA
SACRAMENTO DA EUCARISTIA
TEMA
Sacramento da Eucaristia
OBJETIVO
MATERIAL
Bíblia,
Catecismo da Igreja Católica,
Compêndio do Catecismo,
Texto em anexo.
YOUCAT
METODOLOGIA
Pregação.
Devem ser abordados pontos essenciais desse tema, como a instituição, a presença de Jesus, o
sacrifício sacramental. Para isso deve ser estudado o CIC 1322 a 1405.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
É muito importante que o coordenador também estude o tema, pois eventuais perguntas podem
surgir ao longo das reuniões. Alguns jovens, muitas vezes, não entendem os Sacramentos e, por
isso, não os valorizam. Então, ao final da formação, estimule os jovens a participarem da Missa
(convide para as missas no centro de evangelização).
Eucaristia
Presença de Jesus Cristo
"A Eucaristia é o sacramento em que, sob as espécies de pão e vinho, Jesus Cristo está
verdadeiramente real e substancialmente presente, com Seu Corpo, Seu Sangue, a Sua Alma e a
Sua Divindade, para o nosso alimento espiritual. É por isso o mais sublime de todos os sacramentos,
aquele de onde emanam e para onde convergem todos os outros, o centro da vida litúrgica,
expressão e alimento da vida cristã" (CIC 1324 e 1326).
A Presença real do Corpo e Sangue de Cristo no nosso interior realiza um grande milagre,
porque, ao invés de acontecer o processo natural do pão que é transformado em nós, acontece
exatamente o contrário, somos nós que nos transformamos nesse pão, que é o próprio Jesus. A
Eucaristia foi instituída por Jesus na Ceia pascal, prescrita pela lei hebraica, que Ele celebrou com
os apóstolos na noite do dia anterior à sua morte (Mt 26,26-28).
A Eucaristia é o próprio Corpo de Cristo e nós somos, pelo nosso batismo, seu corpo
místico, ao ser este corpo apresentado ao Pai em sacrifício, nós também estamos sendo oferecidos,
com Jesus, ao Pai em sacrifício por toda a humanidade.
Por sua grande riqueza vamos nos demorar um pouco mais na contemplação de tão grande
mistério. Veremos o sacramento da Eucaristia em duas dimensões. A primeira na mesma dimensão
do que se vinha falando de sacramento e, a Segunda sobre a Eucaristia como sacrifício. Ela é
sacrifício porque é oferecida e sacramento enquanto recebida.
"A Eucaristia é fonte e ápice de toda a vida cristã. Ela é o próprio Cristo e por isso contém
todo o bem espiritual da Igreja" (CAT 1324).
Na Eucaristia antecipamos a vida eterna onde Cristo é tudo em todos.
A palavra Eucaristia quer dizer em primeiro lugar ação de graças a Deus. Neste sacramento, nas
espécies de pão e vinho, Jesus Cristo está verdadeiramente presente em Corpo, Sangue, Alma e
Divindade.
O sacrifício de Melquisedec e o sacrifício do Cordeiro pascal são prefigurações da
Eucaristia no Antigo Testamento.
Neste sacramento não se comunica uma graça, mas é o próprio Cristo que se dá a nós. Daí
a sua supremacia sobre os outros sacramentos, além do que todos os outros visam um melhor
recebimento da Eucaristia.
As Sagradas Escrituras deixam claro, como em nenhum outro sacramento, o momento da
instituição da Eucaristia por Jesus. Os Evangelhos sinóticos relatam a última ceia e o momento
preciso da instituição quando Jesus toma o pão e o vinho, os abençoa e entrega aos discípulos lhes
dizendo que são o Seu Corpo e o Seu Sangue.
Para que este ato se perpetuasse e se atualizasse a cada dia o Senhor em sua bondade deu-
nos sacerdotes da Nova Aliança. Após as palavras do sacerdote na consagração, que são as mesmas
de Jesus, já está ali o próprio Cristo. Imenso mistério! Diante dos nossos olhos, o Deus Infinito faz-
se pequeno em um simples pedaço de pão e em um pouco de vinho. O maior dos milagres!!!
Só o sacerdote pode consagrar o pão e o vinho, ele é o ministro da Eucaristia. Qualquer
batizado em estado de graça pode receber, mesmo que seja criança.
Os frutos que a Eucaristia produzem em nós são grandiosos. Por este sacramento entramos
em união íntima com Jesus. Essa é a maior graça. Por si mesma a Eucaristia produz o aumento da
graça santificante, a alma vai sendo transformada em Cristo. Além disso, ao receber a Eucaristia
recebemos a graça sacramental específica, ou seja, tudo o que o alimento produz com relação a
vida do corpo, assim o faz a Eucaristia com relação a vida da alma. Este sacramento ainda nos traz
o perdão dos pecados veniais, que enfraquecem a alma, e nos preserva dos pecados mortais. E cada
comunhão fortalece a incorporação na Igreja, Corpo de Cristo, realizada no Batismo.
Como no Céu está vivo e glorioso, de modo natural na Eucaristia está igualmente presente,
mas de modo sacramental. Por isso, se diz que por concomitância, com o Corpo de Jesus está
também o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade, e de igual modo, onde está o seu Sangue,
está também o seu Corpo, a sua Alma e a sua Divindade. A fé na presença real, verdadeira e
substancial de Cristo na Eucaristia assegura-nos pois, que ali está o mesmo Jesus que nasceu da
Virgem Santíssima, que viveu ocultamente em Nazaré trinta anos, que pregou e se preocupou com
todos os homens durante a vida pública, morreu na cruz e, depois de ter ressuscitado e subido aos
Céus, está sentado à direita do Pai.
Cristo está em todas as hóstias consagradas e em cada partícula delas: A presença real de
Cristo na Eucaristia é um dos principais dogmas de nossa fé católica. Sendo verdade de fé que
ultrapassa completamente a ordem natural, a razão humana não a consegue demonstrar por si. A
verdade da Presença real e substancial de Jesus na Eucaristia foi por Ele próprio revelada durante
o discurso que pronunciou em Cafarnaum (Jo 6,51-56).
O modo da presença real
A presença real de Cristo na Eucaristia é um mistério que a razão não é capaz de alcançar.
Porém, o Magistério da Igreja ensina-nos que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia se produz
uma singular e maravilhosa conversão de toda a substância do pão no Corpo de Cristo, e de toda a
substância do vinho no seu Sangue, conversão em que a Igreja Católica denomina de
transubstanciação (Concílio de Trento).
A transubstanciação acontece em virtude da onipotência divina, no momento em que o
sacerdote pronuncia sobre a matéria (pão e vinho) as palavras de forma (palavras da consagração)
de maneira que, depois de terminar, já não existem nem a substância do pão nem a substância do
vinho (só os seus acidentes ou aparências externas). (CAT 1373 a 1377).
O Senhor Jesus está presente no meio dos fiéis quando estes se reúnem em seu nome (Mt
18,20); está também presente na pregação da Palavra de Deus, pois, quando na Igreja se lê a
Sagrada Escritura, é Ele quem fala; igualmente está presente nos Sacramentos, visto que estes são
ações de Cristo. No entanto, a presença de Jesus na Eucaristia é de outra ordem; denomina-se "real"
para mostrar que é diferente desses outros modos acima mencionados. Chama-se real não por
exclusão, como se as outras presenças de Cristo (na oração, Palavra e nos outros Sacramentos) não
fossem reais, mas sim porque se trata de uma presença substancial: por ela se torna presente Cristo,
Deus e Homem, inteiro e íntegro. Portanto, é entender mal este modo de presença, imaginá-la à
maneira espiritual, como se fosse corpo glorioso de Cristo em toda parte presente, ou se reduzisse
a mero simbolismo.
Debaixo das espécies sacramentais, e de cada uma de suas partículas quando se fracionam,
está contido Jesus Cristo inteiro com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Como Cristo está
presente na Hóstia consagrada por transubstanciação do pão e do vinho onde e quer que houvesse
substância de pão (ou vinho) há agora a substância do Corpo e do Sangue de Cristo. Jesus Cristo
está presente ao modo da substância que está toda inteira em cada parte do lugar. (Ex.a substância
da água encontra-se toda inteira tanto numa gota como no oceano; a substância do pão está presente
tanto numa migalha de pão como no pão inteiro) por isso, quando se divide a Hóstia, está todo o
Cristo em cada fragmento dela.
Sob a espécie do pão não está apenas o corpo de Cristo, nem unicamente o seu Sangue sob
as aparências do vinho: em cada uma das espécies encontra-se Cristo inteiro. Onde está o Corpo,
está, por, concomitância, o Sangue, a Alma e a Divindade; onde está o Sangue igualmente por
concomitância se encontra o Corpo, a Alma e a Divindade. Jesus está presente na eucaristia com a
natureza humana (Corpo, Sangue e Alma) e com a natureza divina (Divindade). A Alma e a
Divindade estão ali presentes devido a união hipostática que se dá na pessoa de Cristo entre a sua
natureza humana e a sua natureza divina. "O Corpo e o sangue estão por meio da conversão, e a
Alma e a Divindade por real concomitância ([Link]ás).
Louvemos e adoremos Aquele que É! Deveríamos correr aos sacrários e lotar as missas, já
que cremos que é o Cristo o mesmo que viveu em Nazaré há 2000 anos, o que nasceu da Virgem
Maria.
Santo Afonso nos diz que precisamos ter disposições convenientes para comungar e nos
cita estas: Estar em estado de graça, querer ser santo, desejar crescer no amor a Jesus, fazer
meditação freqüente, mortificar os sentidos e as paixões, fazer a ação de graças após a comunhão
e querer ser de Deus.
Se desejamos crescer na vida espiritual, precisamos nos aproximar assiduamente, com o
coração preparado devidamente, da mesa do Senhor. Devemos ter a consciência bem formada
quanto à importância fundamental que tem a celebração eucarística (missa) em nossas vidas, porque
por ela recebemos o pão da vida pela Palavra divina e pela Eucaristia. Também devemos alimentar
em nós um desejo ardente de adorarmos o Santíssimo Sacramento em todas as oportunidades que
surgirem e que devemos promover em nossas vidas, pois estaremos diante do Deus vivo que muito
nos ama. É algo maravilhoso que podem testemunhar todas as pessoas que dele se aproximam.
Podemos conversar com Ele, dar-nos a Ele. Aproveitemos a comunhão para aprofundar
nossa amizade, com tão doce Amigo que sempre vem nos visitar mesmo se a casa está um pouco
desarrumada. Ele deseja a nossa presença, por isso vem nos transformar n'Ele nos dando da Sua
vida.
Fonte bibliográfica:
[Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
23ª SEMANA
SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO
TEMA
Sacramento da Reconciliação
OBJETIVO
Proporcionar aos crismandos um entendimento mais aprofundado sobre esse sacramento e um
desejo de buscar a confissão.
MATERIAL
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio do Catecismo
O livro E jovem se confessa? do Pe. Leonardo Wagner
Informativo sobre horários de confissão elaborado pelos catequistas
DVD A Misericórdia de Deus no Sacramento da Reconciliação, do Pe. Antônio Furtado.
YOUCAT
METODOLOGIA
Formação dada através de pregação. O pregador deve fazer uma introdução sobre os sacramentos
de cura e explicar sobre o sacramento da reconciliação e o da unção dos enfermos. Deverá ressaltar
a importância da confissão para a vida do cristão explicando a necessidade que temos de vivermos
reconciliados com Deus. Para isso estudará: CIC1420 à 1525.
Poderá, se oportuno, substituir a pregação pela formação em DVD com o tema O Sacramento da
Reconciliação, do Pe. Antônio Furtado, disponível nas Edições Shalom.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deverá indicar aos jovens a leitura do livro E jovem se confessa? Do Padre Leonardo
Wagner para aprofundarem esse tema. Deve-se elaborar e distribuir aos jovens folhetos com os
horários de confissões.
Deve-se estimular os jovens a buscar a confissão, não só para se preparar para o sacramento da
Crisma, mas para uma boa caminhada na Graça.
Pio XII disse que o problema com o mundo hoje é que se perdeu o sentido do pecado. Por
sua vez João Paulo II disse que o problema com o mundo hoje é que se perdeu o sentido de Deus.
Hoje, somos rodeados por um humanismo secular que reduz o pecado àquilo que ofende ao outro.
Todos enfrentamos a realidade do pecado em volta de nós e em nossas vidas. Todos precisamos
conhecer a liberdade e a paz. A tensão é abundante no mundo hoje e muitos tendem ao egoísmo,
ao orgulho, à rebelião, à teimosia. De fato, muitos vivem sem esperança.
Deus nos chamou a sermos santos, a conhecermos quem Ele é, Sua santidade, a
conhecermos a santidade dos outros e a conhecermos a nossa própria santidade.
Há um processo de crescimento na vida espiritual pelo qual nós reconhecemos que pecado
é pecado. O ideal é nunca extinguir a luz de Cristo em nós ou manchar nossa veste batismal com
o pecado mas, a realidade é que fazemos isto.
Como sei que preciso ser reconciliado? Como saber quais são os meus pecados?
Poderíamos pedir ao Espírito Santo para revelá–los a nós ou perguntar às pessoas com quem
convivemos quais são eles. Para saber quando nos reconciliar precisamos conferir os sinais de
derrapagem que podem ser evidentes em nossas vidas. Estes sinais são: usar linguagem vulgar;
(quando geralmente nós não o fazemos); ser ríspido, irritado e facilmente levado à ira; não gostar
de ir à Missa ou de ler a Sagrada Escritura (pode facilmente parecer árida – como a areia ou a
poeira); ficar impaciente; ser egoísta; não ser gentil, não querer ajudar os outros; a consciência pára
de perturbar, e não há percepção do pecado ( não sou tão ruim, sou OK); não querer comer ou
dormir. Se alguns destes sinais estão presentes em sua vida, você precisa se reconciliar.
1 João 1, 8 – 9 nos diz que "se dizemos que não temos pecado, enganamo – nos a nós
mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e
justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade". A contrição é o começo
e o coração da conversão. A contrição é uma clara e decisiva rejeição ao pecado cometido, junto
com a resolução de não cometer o pecado outra vez, por causa do amor que a pessoa tem a Deus,
que renasce com o arrependimento. A contrição e a conversão são até mais do que isto: uma
aproximação da santidade de Deus. São a redescoberta da própria identidade da pessoa que foi
prejudicada pelo pecado. É uma libertação no mais profundo de si mesmo, uma recuperação da
alegria perdida, da alegria de ser salvo por Jesus.
Nada é mais pessoal e íntimo do que este sacramento no qual o pecador fica sozinho diante
de Deus com o seu pecado, com arrependimento e confiança na misericórdia de Deus. No processo
de conversão, deixamos de lado o pecado sério, e também o pecado venial; então trabalhamos para
corrigir nossas faltas, nossas falhas, nossas imperfeições, porque até elas bloqueiam a verdadeiro
reflexo de Jesus Cristo através de nós. Podemos lutar contra os nossos "pecados de todos os dias",
com nossa humanidade, com a ideia de confessar e admitir o "meu pecado" diante do outro. Mas,
se quisermos ficar curados e libertos, precisamos nos humilhar e dar os passos que levam à
libertação: confissão, abandono do pecado, escolha do caminho da santidade, da bondade, da
justiça. Aproximando–nos dele para receber o "abraço de Cristo" de boas –vindas, iremos
desabrochar de novo no amor de Deus, em sua paz e alegria.
Recebendo o perdão, recebemos a cura de nosso ser interior, de nosso espírito, de nossa
mente, de nossas emoções, até de nosso corpo. Mas, precisamos também perdoar; assim como
recebemos o perdão de Deus, devemos perdoar a nós mesmos e aos outros. Quando nós recebemos
a reconciliação, Deus não se lembra mais dos nossos pecados - acabou e eles foram embora. Muitas
vezes parece mais difícil perdoar-nos a nós mesmos mas, em nome de Jesus isto pode ser feito.
Oferecer reconciliação para o outro, perdoar para podermos ser perdoados é o caminho para a cura
interior, libertação, cura das lembranças, das emoções e do corpo. Para sermos curados, precisamos
dar permissão ao Senhor, não apenas para "limpar a casa", mas para nos libertar e sacudir a vida
da graça dentro de nós. Para sermos curados e libertos, devemos reconhecer que Deus é Deus e não
eu; precisamos decidir segui–lo fielmente.
Um santo é uma pessoa muito humana, em quem Jesus vive de novo. O amor de Deus e o
amor dos outros estão indissoluvelmente ligados. A única maneira de provar que amamos a Deus
é amarmos aqueles a quem Deus ama. A única maneira de provar que Deus está em nosso coração
é mostrar constantemente o amor pelos outros em nosso vida. Quando caminhamos com o Senhor
Jesus,em relacionamento íntimo com Ele, nem estando à frente dele nem atrás ou do lado de fora,
caminhamos com o coração puro, com um coração limpo. Deixamos de lado todo o pecado por
causa dele, para receber mais dele. Alguém quer ir confessar?
Vai e seja curado, seja renovado, seja santificado.
Fonte: [Link]
MANUAL CRISMA SHALOM
24ª SEMANA
SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO
TEMA
Sacramento do Matrimônio
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
Pregação.
O pregador deve estudar o Catecismo nos parágrafos referentes a esse tema (CIC 1533 a 1535 e
1601 a 1666).
Deve fazer uma introdução sobre os sacramentos de serviço e apresentar o sacramento do
matrimônio.
No final da formação deve ter um espaço para que os crismandos façam perguntas e tirem suas
dúvidas a respeito desse tema.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Neste dia poderá também convidar um casal (ou casado (a)) para falar sobre esse tema afim de que
os jovens possam ver concretamente que o Matrimônio Santo é uma realidade bela, possível e
desejada por Deus.
1.A FAMÍLIA nos tempos de hoje, tanto e talvez mais que outras instituições, tem sido
posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura.
Muitas famílias vivem esta situação na fidelidade àqueles valores que constituem o fundamento do
instituto familiar. Outras tornaram-se incertas e perdidas frente a seus deveres, ou ainda mais,
duvidosas e quase esquecidas do significado último e da verdade da vida conjugal e familiar.
Outras, por fim, estão impedidas por variadas situações de injustiça de realizarem os seus direitos
fundamenta.
Consciente de que o matrimónio e a família constituem um dos bens mais preciosos da
humanidade, a Igreja quer fazer chegar a sua voz e oferecer a sua ajuda a quem, conhecendo já o
valor do matrimónio e da família, procura vivê-lo fielmente, a quem, incerto e ansioso, anda à
procura da verdade e a quem está impedido de viver livremente o próprio projecto familiar.
Sustentando os primeiros, iluminando os segundos e ajudando os outros, a Igreja oferece o seu
serviço a cada homem interessado nos caminhos do matrimónio e da família (1).
TEMA
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
Pregação.
O pregador deve estudar o Catecismo nos parágrafos referentes a esse tema (CIC 1536 a 1600 e
1499 - 1532).
Deve apresentar o sacramento da ordem e, logo após, falará sobre o sacramento da unção dos
enfermos.
No final da formação deve ter um espaço para que os crismandos façam perguntas e tirem suas
dúvidas a respeito desse tema.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Neste dia poderá também convidar um padre ou um seminarista para falar sobre esse tema do
Sacramento da ordem em vista de tornar visível que essa realidade do sacerdócio não é algo
distante, mas também um chamado concreto a muitos jovens de hoje.
O sacramento da ordem
Este é o Sacramento que constitui os Ministros do Senhor. Ele pode ser ministrado em três
Ordens: episcopado, presbiterado e diaconato.
No Antigo Testamento, Deus escolheu a tribo de Levi para dela saírem os sacerdotes da
antiga aliança. Eram muitos os sacerdotes, os ritos e os sacrifícios (Nm 3,11-13; Lv 1,27-34).
Jesus veio para com o seu sacrifício levar à plenitude os sacrifícios da Antiga Aliança; por
isso, Ele aboliu o sacerdócio levítico e fez-se Ele mesmo o Único Sacerdote da Nova e Eterna
Aliança, de acordo com Melquisedec, Rei e Sacerdote (Hb 7,1-10; 10,4-10). Como único Sacerdote
ofereceu um Único sacrifício, oblação perfeita da sua vida da sua vontade, entregues ao Pai. O seu
Sim, inspirado no amor a nós, apagou o Não dito pelo primeiro homem por falta de amor ao Pai.
Até que Ele volte Cristo quer continuar o seu sacerdócio para aplicar os frutos da Redenção aos
homens, através dos ministros que Ele escolheu e escolhe. Estes participam do único e mesmo
sacerdócio de Jesus e oferecem o único sacrifício do Senhor na cruz; agem como se fossem a mão
e o braço de Jesus estendido através de todos os séculos, para salvar todos os homens.
Jesus escolheu os Doze Apóstolos para dar início à Igreja, porque quis que ela não fosse
um povo sem forma, ao contrário, a quis estruturada em uma hierarquia definida, como mostram
os Evangelhos: “Ele escolheu Doze para estarem com Jesus” (Mc 3, 13-16). Jesus lhes deu ordem
e poder de agirem como se fosse Ele mesmo?: “Quem vos ouve, a mim ouve; que vos rejeita a mim
rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Segundo o Concílio de Trento, os Apóstolos foram constituídos sacerdotes na última Ceia.
(DS, 1752[949]). Além dos Doze, Jesus chamou mais 72 colaboradores, com missão análoga à dos
Apóstolos. Os Atos dos Apóstolos mostram que Pedro e Paulo iam instituindo presbíteros
(epískopoi em grego) onde passavam (At 14,23; 15,2-6; 11,30; Tt 1,5; 1Tm 4,14; 5,17; 1Pd5,1),
para que esses dirigissem a comunidade. Não havia igrejas independentes dos Apóstolos, como
muitas são hoje criadas. Os Apóstolos também instituíram diáconos que ocupavam um lugar abaixo
dos presbíteros (At 6,1-6; 1Tm 3,8-13).
Enquanto os Apóstolos eram vivos, eles eram os responsáveis pelas comunidades cristãs,
abaixo deles havia um colegiado de anciãos (presbyteroi em grego) ou episkopoi (superintendente),
e mais abaixo os diáconos. No fim da vida dos Apóstolos, foi surgindo o “episcopado monárquico”,
sendo escolhido um presbítero que se tornava o pastor estável da comunidade, com o título
exclusivo de episkopos (= bispo), enquanto os demais ficavam com o título e presbíteros. Assim,
os bispos são os sucessores dos Apóstolos. Cada um tem jurisdição apenas sobre a sua diocese,
enquanto o bispo de Roma, o Papa, que é sucessor direto de São Pedro, tem jurisdição sobre a
Igreja toda.
A plenitude do sacerdócio de Cristo é conferida ao bispo. Ele pode consagrar a Eucaristia
e ordenar presbíteros. Esses não podem ordenar outros presbíteros.
Nos primeiros séculos da Igreja houve as diaconisas, mulheres encarregadas da catequese
e outras funções, mas não recebiam o sacramento da Ordem, apenas uma bênção (sacramental)
para exercer o ministério.
Fonte bibliográfica:
[Link]
Com o sacramento da Unção dos enfermos a Igreja acode em ajuda a seus filhos que
começam a estar em perigo de vida, por enfermidade grave ou velhice. Nestes momentos difíceis
e importantes da vida - quando ventila-se o destino eterno do ser humano - , Deus não nos deixa
sozinhos, mas faz-se presente para nos socorrer com sua graça e sua misericórdia. O sacramento
da Unção dos enfermos proporciona ao cristão a graça para vencer as dificuldades inerentes ao
estado de enfermidade grave ou velhice.
Uma coisa que deve preocupar a qualquer cristão será a de receber este sacramento - ele ou
o familiar ou o amigo - no momento oportuno, valorizando a ajuda que pode prestar a quem o
necessita.
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1. O cristão frente à enfermidade e à morte
A morte chega inevitavelmente a cada ser humano, porque, - queiramos ou não - é o
desenlace natural da existência. Normalmente, chega com a enfermidade grave ou por causa da
velhice.
Para afrontar com dignidade e proveito este momento da vida, Deus socorre o cristão com a Unção
dos enfermos, remédio e ajuda poderosa para saber levar com Cristo a enfermidade e sair ao passo
da morte fortalecidos com a graça especial do sacramento. Mesmo que encontre ainda em alguns
fiéis uma certa resistência, já que não querem encarar a realidade da morte, a prudência cristã
ensina-nos que devemos estimar e desejar este sacramento como um presente da misericórdia de
Deus. Não estaria mal pedir cada dia a graça de receber devidamente o sacramento da Unção dos
enfermos.
2. O que é a Unção dos enfermo
Jesus Cristo deixou-nos um remédio salutar para toda e qualquer necessidade da vida
sobrenatural, e nos últimos momentos da existência o demônio monta uma grande batalha,
necessitando a alma de auxílios especiais. Estes auxílios foram vinculados por Jesus Cristo à Unção
dos enfermos, sacramento instituído para o alívio espiritual e também corporal do cristão
gravemente enfermo. Por este sacramento o cristão se une a Jesus Cristo para ter os mesmos
sentimentos dele frente à dor e à morte.
3. Jesus Cristo instituiu este sacramento
O sacramento da Unção dos enfermos foi instituído por Cristo, ainda que quem o promulgou
tenha sido o Apóstolo São Tiago, que mostra a Tradição da Igreja quando diz: "Alguém de vós está
enfermo? Chame os presbíteros da Igreja e orem sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do
Senhor. A oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará. E se tiver algum pecado, lhe será
perdoado" (Tiago 5, 14-15).
4. Efeitos deste sacramento
A graça especial do sacramento da Unção dos enfermos produz, como efeitos:
* a união do enfermo à Paixão de Cristo, para o bem próprio e de toda a Igreja;
* o consolo, a paz e o ânimo para suportar cristãmente os sofrimentos da enfermidade ou da
velhice;
* o perdão dos pecados, se não pode confessar-se e contando com que esteja arrependido de suas
culpas ao menos com a dor de atrição;
* o restabelecimento da saúde corporal, se isto for conveniente à saúde espiritual. Por isso não se
deve espera para administrar o sacramento que o enfermo esteja já em agonia; o lógico é que esteja
plenamente lúcido. Sem dúvida, se já perdeu o conhecimento, tem direito a que se administre o
sacramento e assim deve ser feito, ainda que sob condição, na dúvida de que ainda esteja vivo.
* A preparação para a passagem à vida eterna.
A propósito da Unção, é oportuno recordar que a Igreja ajuda os enfermos também com o
Viático. Os bons cristãos devem preocupar-se de que os doentes recebam com freqüência a Sagrada
Comunhão e, se a enfermidade é grave, a modo de Viático, que significa "preparação para a
viagem": a viagem para a vida eterna.
5. Modo de se administrar este sacramento
A administração deste sacramento tem diversas cerimônias. O essencial da celebração -
assim como para os demais sacramentos - é a aplicação da matéria (santos óleos) e a forma
(palavras que o ministro pronuncia, enquanto unge o enfermo. O sacerdote unge com o óleo
abençoado (azeite de oliveira consagrado pelo bispo na quinta-feira santa, daí o nome "santos
óleos") na fronte e nas mãos do enfermo, enquanto diz: "Por esta santa Unção e por sua
misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que liberto dos
teus pecados, Ele te salve, e na Sua bondade, alivie os teus sofrimentos". Responde-se: "Amém".
Em caso de necessidade, o presbítero pode abençoar o óleo que será usado na Unção.
6. É preciso preparar-se para a morte
Deus vem em nossa ajuda a cada momento, como Pai que nos ama e nos quer felizes na
terra, e depois eternamente no céu. Ter estudado este sacramento deve fazer-nos pensar na realidade
da morte, que recorda a necessidade de viver sempre na graça de Deus, crescer na vida cristã, aceitar
os sofrimentos que tenhamos nesta vida e receber com alegria a morte, sabendo que
é o passo necessário para nos encontrarmos com Deus no céu.
7. PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ:
· Oferecer com alegria as dores e sofrimentos da vida, especialmente a enfermidade, sem
medo da morte.
· Agradecer e estimar o sacramento da Unção dos enfermos, procurando avisar o sacerdote
quando algum familiar ou amigo estiver gravemente enfermo.
Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
MANUAL CRISMA SHALOM
26ª SEMANA
INTRODUÇÃO AOS MANDAMENTOS E 1º MANDAMENTO
TEMA
OBJETIVO
Aprofundar o conhecimento dos crismando acerca dos mandamentos, para assim vivê-los.
Apresentar o 1º mandamento
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Texto complementar
YOUCAT
Livro: ‘E Jovem se Confessa?’ – Pe. Leonardo Wagner (Edições Shalom)
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve motivar os crismandos a lerem sobre esse tema no Catecismo e àqueles que
não o tem, a adquiri-lo. Separe um tempo no final da formação para que sejam tiradas as dúvidas.
Lembre às equipes do 2º e 3º mandamentos sobre a data das suas apresentações.
O coordenador deve estar atento para instruir o pregador com antecedência acerca da dinâmica que
será utilizada e proporcionar o tempo devido para que ela possa ocorrer.
TEMA
2º e 3º mandamento
OBJETIVO
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio do Catecismo da Igreja
YOUCAT
Livro: ‘E Jovem se Confessa?’ – Pe. Leonardo Wagner (Edições Shalom)
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
TEMA
4º e 5º mandamento
OBJETIVO
Falar aos crismandos sobre o 4º e o 5º mandamento, ressaltando a necessidade que temos de
segui-los.
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio do Catecismo da Igreja
Texto complementar
YOUCAT
Livro: ‘E Jovem se Confessa?’ – Pe. Leonardo Wagner (Edições Shalom)
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve estar atento para instruir o pregador com antecedência acerca da dinâmica
que será utilizada e proporcionar o tempo devido para que ela possa ocorrer. Lembre à equipe do
6º mandamento sobre a data da sua apresentação.
O Aborto
Madre Teresa de Calcutá
"Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a
criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe.
E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é que nós
podemos dizer às outras pessoas para não se matarem? Como é que nós persuadimos uma mulher
a não fazer o aborto? Como sempre, nós devemos persuadi-la com amor e nós devemos nos lembrar
que amor significa estar disposto a doar-se até que machuque. Jesus deu Sua vida por amor de nós.
Assim, a mãe que pensa em abortar, deve ser ajudada a amar, ou seja, a doar-se até que machuque
seus planos, ou seu tempo livre, para respeitar a vida de seu filho. O pai desta criança, quem quer
que ele seja, deve também doar-se até que machuque.
Através do aborto, a mãe não aprende a amar, mas mata seu próprio filho para resolver seus
problemas.
E, através do aborto, diz-se ao pai que ele não tem que ter nenhuma responsabilidade pela
criança que ele trouxe ao mundo. Este pai provavelmente vai colocar outras mulheres na mesma
situação. Logo, o aborto apenas traz mais aborto.
Qualquer país que aceite o aborto não está ensinando o seu povo a amar, mas a usar de
qualquer violência para conseguir o que se quer. É por isso que o maior destruidor do amor e da
paz é o aborto.
Muitas pessoas são muito, muito preocupadas com as crianças da Índia, com as crianças da
África onde muitas delas morrem de fome, etc. Muitas pessoas também são preocupadas com toda
a violência nos Estados Unidos. Estas preocupações são muito boas. Mas frequentemente estas
mesmas pessoas não estão preocupadas com os milhões que estão sendo mortos pela decisão
deliberada de suas próprias mães. E isto é que é o maior destruidor da paz hoje - o aborto que coloca
as pessoas em tal cegueira.
E por causa disto eu apelo na Índia e apelo em todo lugar - "Vamos resgatar a criança." A
criança é o dom de Deus para a família. Cada criança é criada `a imagem e semelhança de Deus
para grandes coisas - para amar e ser amada. Neste ano da família nós devemos trazer a criança de
volta ao centro de nosso cuidado e preocupação. Esta é a única maneira pela qual nosso mundo
pode sobreviver porque nossas crianças são a única esperança do futuro. Quando as pessoas mais
velhas são chamadas para Deus, somente seus filhos podem tomar seus lugares.
Mas o que Deus diz para nós? Ele diz: "Mesmo se a mãe se esquecer de seu filho, Eu jamais
te esquecerei. Eu gravei seu nome na palma de minha mão." (Is 49). Nós estamos gravados na
palma da mão de Deus; aquela criança que ainda não nasceu está gravada na mão de Deus desde a
concepção e é chamada por Deus a amar e ser amada, não somente nesta vida, mas para sempre.
Deus jamais se esquece de nós.
Eu vou lhe contar uma coisa bonita. Nós estamos lutando contra o aborto pela adoção -
tomando conta da mãe e da adoção de seu bebê. Nós temos salvo milhares de vidas. Nós mandamos
a mensagem para as clínicas, para os hospitais e estações policiais: "Por favor não destrua a criança,
nós ficaremos com ela." Nós sempre temos alguém para dizer para as mães em dificuldade: "Venha,
nós tomaremos conta de você, nós conseguiremos um lar para seu filho". E nós temos uma enorme
demanda de casais que não podem ter um filho - mas eu nunca dou uma criança para um casal que
tenha feito algo para não ter um filho. Jesus disse: "Aquele que recebe uma criança em meu nome,
a mim recebe." Ao adotar uma criança, estes casais recebem Jesus mas, ao abortar uma criança,
um casal se recusa a receber Jesus.
Por favor não mate a criança. Eu quero a criança. Por favor me dê a criança. Eu estou
disposta a aceitar qualquer criança que estiver para ser abortada e dar esta criança a um casal que
irá amar a criança e ser amado por ela.
Só de nosso lar de crianças em Calcutá, nós salvamos mais de 3000 crianças do aborto.
Estas crianças trouxeram tanto amor e alegria para seus pais adotivos e crescem tão cheias de amor
e de alegria.
Eu sei que os casais têm que planejar sua família e para isto existe o planejamento familiar
natural.
A forma de planejar a família é o planejamento familiar natural, não a contracepção.
Ao destruir o poder de dar a vida, através da contracepção, um marido ou esposa está
fazendo algo para si mesmo. Atrai a atenção para si e assim destrói o dom do amor nele ou nela.
Ao amar, o marido e mulher devem voltar a atenção entre si como acontece no planejamento
familiar natural, e não para si mesmo, como acontece na contracepção. Uma vez que o amor vivo
é destruído pela contracepção, facilmente segue-se o aborto.
Eu sei também que existem enormes problemas no mundo - que muitos esposos não se
amam o suficiente para praticar o planejamento familiar natural. Nós não temos condições de
resolver todos os problemas do mundo, mas não vamos trazer o pior problema de todos, que é a
destruição do amor. E isto é o que acontece quando dizemos às pessoas para praticarem a
contracepção e o aborto.
Os pobres são grandes pessoas. Eles podem nos ensinar tantas coisas belas. Uma vez uma
delas veio nos agradecer por ensinar-lhe o planejamento familiar natural e disse: "Vocês que
praticam a castidade, vocês são as melhores pessoas para nos ensinar o planejamento familiar
natural porque não é nada mais que um auto-controle por amor de um ao outro." E o que esta pobre
pessoa disse é a pura verdade. Estas pessoas pobres talvez não tenham algo para comer, talvez não
tenham uma casa para morar, mas eles ainda podem ser ótimas pessoas quando são espiritualmente
ricos.
Quando eu tiro uma pessoa da rua, faminta, eu dou-lhe um prato de arroz, um pedaço de
pão. Mas uma pessoa que é excluída, que se sente não desejada, mal amada, aterrorizada, a pessoa
que foi colocada para fora da sociedade - esta pobreza espiritual é muito mais difícil de vencer. E
o aborto, que com freqüência vem da contracepção, faz uma pessoa se tornar pobre espiritualmente,
e esta é a pior pobreza e a mais difícil de vencer.
Nós não somos assistentes sociais. Nós podemos estar fazendo trabalho de assistência social
aos olhos de algumas pessoas, mas nós devemos ser contemplativas no coração do mundo. Pois
estamos tocando no corpo de Cristo e estamos sempre em Sua presença.
Você também deve trazer esta presença de Deus para sua família, pois a família que reza
unida, permanece unida.
Existe tanto ódio, tanta miséria, e nós com nossas orações, com nosso sacrifício, estamos
começando em casa. O amor começa em casa, e não se trata do quanto nós fazemos, mas quanto
amor colocamos naquilo que fazemos.
Se somos contemplativas no coração do mundo com todos os seus problemas, estes
problemas jamais podem nos desencorajar. Nós devemos nos lembrar o que Deus fala na Escritura:
"Mesmo se a mãe esquecer-se do filho que amamenta - algo impossível, mesmo se ela o esquecesse
- Eu não te esqueceria nunca."
E aqui estou eu falando com vocês. Eu desejo que vocês encontrem os pobres daqui, na sua
própria casa primeiro. E comece a amar ali. Seja a boa nova para o seu próprio povo primeiro. E
descubra sobre o seu vizinho ao lado. Você sabe quem são eles?
Deus jamais nos esquecerá e sempre existe algo que você e eu podemos fazer. Nós podemos
manter a alegria do amor de Jesus em nossos corações, e partilhar esta alegria com todos aqueles
de quem nos aproximarmos.
Vamos insistir que - cada criança não seja indesejada, mal amada, mal cuidada, ou morta e
jogada fora. E doe-se até que machuque - com um sorriso.
Porque eu falo muito sobre doar-se com um sorriso nos lábios, uma vez um professor dos
Estados Unidos me perguntou: "Você é casada?" E eu disse: "Sim, e algumas vezes eu acho difícil
sorrir para meu esposo, Jesus, porque Ele pode ser muito exigente - algumas vezes." Isto é mesmo
algo verdadeiro.
E é aí que entra o amor - quando exige de nós, e ainda assim podemos dar com alegria. Se
nos lembrarmos que Deus nos ama, e que nós podemos amar os outros como Ele nos
ama, então a América pode se tornar um sinal de paz para o mundo.
Daqui deve sair para o mundo, um sinal de cuidado para o mais 'fraco dos fracos - a futura
criança. Se vocês se tornarem uma luz ardente de justiça e paz no mundo, então vocês serão
verdadeiramente aquilo pelo qual os fundadores deste país lutaram. Deus vos abençoe!"
“Não se combate a violência com armas, mas com a Luz de Deus.” João Paulo II
O valor da vida humana e da sua inviolabilidade
Por Germana Perdigão
A vida humana é o maior talento que Deus concedeu ao homem. A vida não é simplesmente
o viver um dia após o outro. A vida é muito mais do que isso! A vida humana é sagrada e inviolável
em todas as suas fases e situações. A vida é um bem indivisível. A vida humana faz parte de um
plano divino. Deus Pai preparou um plano maravilhoso para a vida de cada pessoa criada e deseja
que ela seja feliz. A vida humana tem muita importância para Deus. É em Deus que o ser humano
encontra o sentido da sua vida. Quando nos damos conta de que Deus tem um plano para nós,
entendemos o motivo de vivermos. Deus quer que todos os seus filhos progridam e se tornem mais
semelhantes a Ele. O tempo que passamos na Terra dá-nos a oportunidade de desenvolver-nos e
progredir. Este talento precisa dar muitos frutos, não pode ser enterrado. A vida do homem encerra
uma infinidade de graças, de potencialidades. A partir dela o homem pode desenvolver-se, crescer,
experimentar as suas capacidades, contribuir para o crescimento da humanidade e do mundo.
Receber a vida de Deus, é receber um corpo e uma alma, utilizar o livre arbítrio para
escolher entre o bem e o mal, ter a capacidade de tornar-se mais semelhante ao Pai e colaborar com
o desenvolvimento dos nossos irmãos; do cuidar do outro enquanto pessoa confiada por Deus à sua
responsabilidade.
A vida humana tem em si mesma uma valor inestimável. A vida humana é sempre um bem,
mas infelizmente a maioria das pessoas não consegue reconhecê-lo. É imprescindível, para que o
homem conduza de forma correta, sua vida e a daqueles por quem é responsável, conhecer o valor
da vida humana. As ameaças que hoje a vida humana está sujeita acontecem pelo fato de o homem
não saber quem é, nem para que foi criado e qual o sentido de sua vida. Existem alguns aspectos
importantes que revelam a grandeza e o valor precioso da vida humana. Entre eles estão o fato de
que a vida humana é um dom de Deus, de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de
Deus, de que Jesus assumiu a vida humana e de que a vida humana é o alvo da misericórdia de
Deus.
Só Deus é propriamente eterno, isto é, não tem princípio nem fim. Em Deus, não existe
passado nem futuro, mas um presente imutável. Houve um momento que só Deus existia, mas quis
criar o mundo sem utilizar nenhum material pré-existente. A criação inteira é fruto do amor e
onipotência de Deus, mas Ele “não permanece apenas em estreita relação com o mundo, como
Criador e fonte última da existência. Ele também é Pai: está unido ao homem por ele chamado à
existência no mundo visível, mediante um vínculo ainda mais profundo do que o da criação. É o
amor que não só cria o bem, mas que faz com que se participe da própria vida de Deus, Pai, Filho
e Espírito Santo. Efetivamente, quem ama deseja dar-se a si próprio” (Dives in misericordia de
João Paulo II, cap. V, ítem 7, pág. 42, Edições Paulinas, São Paulo, 1998).
O Autor da vida é Deus. Só Deus pode dar a vida. Ele cria a vida do nada. Criar é uma
prerrogativa só de Deus. Criar quer dizer “fazer que exista algo que antes não existia, tirando-o do
nada”. Por si só, o homem não é capaz de dar a vida. O homem não pode criar, pode modificar, por
exemplo, o curso de um rio, ou fabricar um tecido, um carro, construir uma casa. Deus criou o
homem do nada: “Façamos o homem” (cf. Gn 1,26). Deus moldou o homem com suas mãos. Fez
o homem do barro, com o trabalho de suas mãos, com grande atenção, desvelo e ternura: “Então o
Senhor Deus modelou o homem da argila do solo, soprou alento de vida em seu nariz, e o homem
se transformou em ser vivo” (Gn 2,7). Deus criou o homem do barro e da água, criaturas
inanimadas, sem alma e soprou sobre ele o “nefesh”, o sopro da vida. Deus deu ao homem uma
alma só dele, alma bela, pura, santa, imaculada, feita para viver unida a Ele (cf. Ao amor da minha
vida, Emmir Nogueira, Carta I, pág 13, Edições Shalom, Fortaleza, Brasil, 2004).
Deus criou a mulher, também do nada, apesar de tê-la criado a partir de um homem vivente,
não precisava de nada disso para criá-la, porque Deus é Deus e tudo criou a partir do nada. A
origem da mulher é Deus. Ele foi quem decidiu criá-la, como o homem, do nada.
Deus “criou cada homem fazendo dele um prodígio” (cf. Sl 139/138,14). Só pelo fato de a
vida ser um dom de Deus já explica o valor inestimável da mesma. Por esta razão João Paulo II
conclama o homem a ter um olhar contemplativo diante da vida e explica este olhar: “É o olhar de
quem observa a vida em toda a sua profundidade, reconhecendo nela as dimensões de generosidade,
beleza, apelo à liberdade e à responsabilidade. É o olhar de quem não pretende apoderar-se da
realidade, mas a acolhe como um dom, descobrindo em todas as coisas o reflexo do Criador e em
cada pessoa a sua imagem viva” (cf. Gn 1,27; Sl 8,6)(Evangelium Vitae, 83).
Deus criou, por amor, o homem e a mulher do nada e os criou à sua imagem e semelhança.
Tanto o homem como a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus: “Façamos o homem
à nossa imagem, à nossa semelhança, e que ele submeta os peixes do mar, os pássaros do céu, os
animais grandes, toda a terra e todos os animais pequenos que rastejam sobre a terra! Deus criou o
homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou; criou-os macho e fêmea. Deus os abençoou
e lhes disse: ‘Sede fecundos e prolíficos, enchei a terra e dominai-a. Submetei os peixes do mar, os
pássaros do céu e todo animal que rasteja sobre a terra!”(Gn 1,26).
Ser criado à imagem e semelhança de Deus demonstra o amor profundo de Deus pelo
homem, mas não basta ter sido criado, é necessário que o homem assuma esta imagem para
manifestá-la ao mundo. É missão do homem ser imagem e semelhança de Deus. No princípio lhes
foi recomendado, ao homem e a mulher, a função de conservar a imagem de Deus em si. O homem
precisa assumir o seu ser de “pessoa” e respeitar os seus irmãos como “pessoas”, assumir a sua
vocação para o amor, usar da sua liberdade para fazer a vontade de Deus, fazer sua opção sempre
pelo bem, doar a sua vida, cuidar dos seus irmãos, centrar seus olhos nas coisas que não passam,
mas nas eternas.
Jesus assumiu a vida humana. “Pela sua encarnação, ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo
modo a cada homem” (Gaudium et Spes, 22). Neste acontecimento da salvação foi revelado à
humanidade não só o amor infinito de Deus pelo homem, mas também o valor incomparável da
cada pessoa humana.
Jesus assume o corpo humano e o eleva ao plano divino. Ao se fazer homem, Jesus não só
valoriza a vida humana, como revela o seu valor. Ninguém assumiria uma situação que não fosse
para ele algo de grande importância.
Diz João Paulo II: “A cada homem, sem exceção alguma, Cristo de algum modo se uniu,
mesmo quando tal homem disso não se acha consciente: Cristo, morto e ressuscitado por todos os
homens, a estes – a todos e a cada um dos homens – oferece sempre... a luz e a força para poderem
corresponder à sua altíssima vocação” ( O Redentor do Homem, 14, pág. 42 – Edições Paulinas).
Na encarnação o homem se reencontra com o valor sagrado de sua vida: “Nesta dimensão
o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério
da redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é
novamente criado! [...] Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter
um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, «não pereça,
mas tenha a vida eterna» (O Redentor do Homem, 10, págs. 26 e 27 – Edições Paulinas).
A redenção conquistada por Cristo “restituiu definitivamente ao homem a dignidade e o
sentido da sua existência no mundo, sentido que ele havia perdido em considerável medida por
causa do pecado” ( O Redentor do Homem, 10, pág. 27 – Edições Paulinas).
A misericórdia de Deus prova, também, a altíssima dignidade da vida humana. Ele, ao ver
o filho pródigo que regressa a casa, inundado pelo seu amor “hesed”, amor que ama por causa do
pecado, corre ao seu encontro, abraça-o e beija-o . Ele age assim impulsionado por um profundo
afeto, mas a causa desta grande compaixão divina possui uma razão mais profunda. João Paulo II
diz: “O Pai sabe que o que se salvou foi um valor fundamental: o valor da humanidade de seu filho.
Muito embora este tenha esbanjado a herança, a verdade é que sua humanidade está salva. E, mais
ainda, essa, de algum modo, foi reencontrada. [...] A fidelidade do Pai a si próprio está centralizada
inteiramente na humanidade do filho perdido, na sua dignidade. [...] ...o amor que brota da própria
essência da paternidade, quase que obriga o pai, se assim podemos nos exprimir, a ter solicitude
pela dignidade do filho. [...] Quando isto acontece, aquele que é objeto da misericórdia não se sente
humilhado, mas como que reencontrado e «revalorizado» (A Misericórdia Divina, Cap. IV, 6, pág.
35 – Edições Paulinas).
Na mesma linha, pode-se acrescentar, que a misericórdia divina não difama aquele que
recebe e nem ofende a dignidade do homem. A Igreja, através de João Paulo II, confirma isto: “A
parábola do filho pródigo mostra que a realidade é diferente; a relação de misericórdia baseia-se
na experiência comum daquele bem que é o homem, na experiência comum da dignidade que lhe
é própria.[...]... por outro lado, para o pai, precisamente por isso, ele torna-se um bem particular
(A Misericórdia Divina, Cap IV, pág. 36 – Edições Paulinas).
O ser humano, a vida humana tem sido ameaçada por vários atos maus como a
contracepção, a esterilização direta, a masturbação, as relações pré-matrimoniais, as relações
homossexuais, a fecundação artificial, a clonagem, o aborto, a eutanásia, anorexia, bulimia, droga,
suicídio, fome, tortura, guerra, sexo, procriação assistida... porque muitas pessoas estão
mergulhadas na confusão do verdadeiro sentido e valor de sua própria vida.
O homem não tem o poder de apropriar-se da vida para decidir sobre ela, o homem não
pode reivindicar para si a mais completa autonomia moral de decisão sobre a vida, o homem não
pode dispor da própria vida e da dos outros como quer, porque o valor da vida não é relativo, não
é um “bem simplesmente relativo, confrontada e ponderada com outros bens, segundo uma lógica
proporcionalista ou de puro cálculo” (cf. Evangelium vitae, 68).
Muitas pessoas afirmam que são “donas” de sua própria vida, portanto podem fazer dela o
que quiserem. João Paulo II afirma: “A vida do homem provêm de Deus, é dom seu, é imagem e
figura dele, participação do seu sopro vital. Desta vida, portanto, Deus é o único Senhor: o homem
não pode dispor dela. Deus mesmo o confirma a Noé, depois do dilúvio:«Ao homem, pedirei contas
da vida do homem, seu irmão» (Gn 9,5). E o texto bíblico preocupa-se em sublinhar como a
sacralidade da vida tem seu fundamento em Deus e na sua ação criadora: «Porque Deus fez o
homem à sua imagem»(Gn 9,6) [...] Portanto, a vida e a morte do homem estão nas mãos de Deus,
em seu poder” (Evangelium Vitae, 39, Edições Paulinas).
No entanto, o que temos visto é que, diante da sua própria vida e a dos seus irmãos, não
raramente o homem se apossa da liberdade que Deus deu a ele para fazer da vida, independente de
Deus, o que quiser, mas a liberdade do homem só é autêntica liberdade se for baseada na verdade
sobre o homem e sobre o mundo; verdade esta que não pode ser aparente, mas a verdade que Cristo
trouxe ao homem.
Ter a vida nas mãos de Deus jamais será um risco, como alguns pensam, porque Deus é
“amor em atos”, ou seja, tudo o que realiza é por amor. Todas as ações de Deus são amor. Deus
age amando. Estar nas suas mãos, em seu poder, é estar em lugar seguro.
O tempo do Natal, onde Cristo vem mais uma vez ao mundo assumindo a vida do homem,
tem a graça de fazer-nos lembrar o valor da nossa vida. Através deste ato sagrado, Cristo une a vida
frágil do homem à vida divina. A vida humana une-se radicalmente à vida divina. Cristo revela o
rosto de Deus através da vida humana e revela o rosto do homem na vida de Deus. Cristo defende
a vida humana morrendo numa cruz. O homem tem o dever de promover e defender a vida em
todas as circunstâncias que ela se encontrar, mas infelizmente o que temos presenciado é que ele
se tornou a maior ameaça contra ela. Se continuar, deliberadamente como tem feito, a destruir a
vida, o homem colherá amargos frutos. Ainda é tempo de acordar do sono da insensibilidade e da
mentalidade utilitarista. Ainda é tempo de fazer o caminho de volta a favor da vida. Não
entreguemos os nossos filhos, os filhos de nossa pátria, os filhos do mundo inteiro nas mãos dos
“modernos algozes”. Não nos deixemos levar pela modernidade, pelo caminho mais fácil, pelo
egoísmo, pelo individualismo, pelo esquecimento dos mais frágeis, abracemos a vida de Cristo que
entregou livremente a sua vida para que todos nós tivéssemos vida e vida em abundância.
Eutanásia
Por Germana Perdigão
A vida é um dom de Deus e este dom existe em função de uma missão. O que deve ser
essencial para o homem não é o direito à vida, porque Deus não a deu ao homem como objeto do
qual pode dispor como bem quiser, mas deve dispor da vida conforme a vontade de Deus. A vida
humana tem seu fim em Deus e o homem tem a responsabilidade de conduzi-la para este fim
através da busca de sua perfeição pessoal segundo a vontade de Deus. Viver é uma graça. O
homem não pode profanar este tesouro que Deus deu, esta dádiva, fruto do seu amor, pois como o
próprio cristianismo proclama: “a existência é essencialmente um bem e o bem daquilo que
existe; professa a bondade do Criador e proclama o bem das criaturas” (Salvifici doloris, II, 7).
O homem não pode reduzir a vida a seu aspecto material, porque o corpo humano está
sujeito ao ciclo biológico: nasce, cresce, envelhece e morre e este ciclo biológico envolve
também o aspecto espiritual. O homem deve assumir consciente e responsavelmente sua vida.
Portanto, não pode está diante dela de forma passiva. O homem é chamado a desenvolver sua
vida e a de outros, não tem o direito de destruí-la por si mesmo.
Não se pode afirmar que uma vida é mais ou menos plena dependendo do estado de saúde
ou se é útil ou não. Toda vida merece ser vivida. Todo homem tem o dever de viver a sua vida
conforme o desígnio de Deus. A vida lhe foi dada para dar frutos na terra e não para ser destruída.
No entanto, “às vezes pretende-se justificar a eutanásia com uma visão utilitarista, isto é, para evitar
despesas improdutivas demasiado gravosas para a sociedade. Propõe-se, assim, a supressão dos
recém-nascidos defeituosos, dos deficientes profundos, dos inválidos, dos idosos, sobretudo
quando não auto-suficientes, e dos doentes terminais” (Evangelium vitae, 15).
Ninguém pode autorizar a morte de um ser humano, seja embrião, criança ou adulto, jovem
ou ancião, enfermo incurável ou agonizante. Nenhuma autoridade pode legitimamente impô-la ou
permiti-la.
Assim como o homem não pode dispor da sua própria vida e não tem o direito de destruí-
la, também não pode dispor nem destruir a vida do outro. Se a pessoa que está doente não pode
decidir sobre quais os cuidados e tratamentos que devem ser aplicados a si mesma, os médicos e
familiares devem faze-lo, mas com a proibição absoluta de causar prejuízos ao doente, nem que
seja por compaixão.
Atualmente deseja-se justificar a morte sem dor por razões de piedade, devido o sofrimento
pelo qual passam as pessoas ser muito intenso. Neste caso “pode ser decisivo, na pessoa doente, o
sentimento de angústia, exasperação, ou até desespero, provocado por uma experiência de dor
intensa e prolongada. Vêem-se, assim, duramente postos à prova os equilíbrios, por vezes já
abalados, da vida pessoal e familiar, de maneira que, por um lado, o doente, não obstante os auxílios
cada vez mais eficazes da assistência médica e social, corre o risco de se sentir esmagado pela
própria fragilidade; por outro lado, naqueles que lhe estão afetivamente ligados, pode gerar-se um
sentimento de compreensível, ainda que mal-entendida, compaixão. Tudo isto fica agravado por
uma atmosfera cultural que não vê qualquer significado nem valor no sofrimento, antes considera-
o como o mal por excelência, que se há de eliminar a todo custo; isto verifica-se especialmente
quando não se possui uma visão religiosa que ajude a decifrar positivamente o mistério da dor”
(Evangelium vitae, 15).
Quando uma pessoa está em profundo sofrimento e suplica a morte para experimentar o
alívio da dor, na verdade está suplicando a presença e o conforto de seus familiares ou dos
profissionais de saúde, portanto, “a súplica que brota do coração do homem no confronto supremo
com o sofrimento e a morte, especialmente quando é tentado a fechar-se no desespero e como que
a aniquilar-se nele, é sobretudo uma petição de companhia, solidariedade e apoio na prova. É um
pedido de ajuda para continuar a esperar, quando falham todas as esperanças humanas”
(Evangelium vitae, 67).
A vida deve ser vivida para o Senhor. Isto significa que o centro da vida humana é Deus. O
homem pertence a Ele e tudo que diz respeito ao homem tem seu princípio e fim em Deus. O
homem não é um ser absoluto em relação a si mesmo e aos seus irmãos. Então “viver para o Senhor
significa também reconhecer que o sofrimento, embora permaneça em si mesmo um mal e uma
prova, sempre se pode tornar fonte de bem. E torna-se tal se é vivido por amor e com amor, na
participação, por dom gratuito de Deus e por livre opção pessoal, no próprio sofrimento de Cristo
crucificado” (Evangelium vitae, 67).
Paralelamente à polêmica em torno do direito à eutanásia, tem acontecido a cura de algumas
pessoas que se encontravam em coma e retornaram, como foi o caso de Salvatore Crisafulli, na
Itália, que despertou após dois anos em coma depois de um acidente de carro. Diante de um fato
como este, fica a verdade fundamental que a vida de um homem – enfermo, deficiente, em estado
precário – tem sempre um valor imenso, diante do qual a vontade dominadora do homem deve ser
detida. O homem não tem o direito de decidir sobre a vida ou a morte, porque o valor intrínseco da
vida humana supera também o valor que lhe atribua o sujeito.
TEMA
6º mandamento
OBJETIVO
Falar aos crismandos sobre o 6º mandamento, ressaltando a necessidade que temos de segui-lo.
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio do Catecismo da Igreja
YOUCAT
Livro: ‘E Jovem se Confessa?’ – Pe. Leonardo Wagner (Edições Shalom)
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve estar atento para instruir o pregador com antecedência acerca da dinâmica
que será utilizada e proporcionar o tempo devido para que ela possa ocorrer. Lembre às equipes
do 7º e 8º mandamentos sobre a data das suas apresentações.
MANUAL CRISMA SHALOM
30ª SEMANA
7º e 8º MANDAMENTO
TEMA
7º e 8º mandamentos
OBJETIVO
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio do Catecismo da Igreja
YOUCAT
Livro: ‘E Jovem se Confessa?’ – Pe. Leonardo Wagner (Edições Shalom)
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve estar atento para instruir o pregador com antecedência acerca da dinâmica
que será utilizada e proporcionar o tempo devido para que ela possa ocorrer. Lembre às equipes
do 9º e 10º mandamentos sobre a data das suas apresentações.
MANUAL CRISMA SHALOM
31ª SEMANA
9º E 10º MANDAMENTO
TEMA
9º e 10º mandamento
OBJETIVO
Falar aos crismandos sobre o 9º e o 10º mandamentos, ressaltando a necessidade que temos de
segui-los.
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio do Catecismo da Igreja
YOUCAT
Livro: ‘E Jovem se Confessa?’ – Pe. Leonardo Wagner (Edições Shalom)
METODOLOGIA
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
O coordenador deve estar atento para instruir o pregador com antecedência acerca da dinâmica
que será utilizada e proporcionar o tempo devido para que ela possa ocorrer.
MANUAL CRISMA SHALOM
FORMAÇÃO COMPLEMENTAR
MISSA PARTE POR PARTE
TEMA
OBJETIVO
MATERIAL
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
Texto complementar
Slides Missa parte por parte (Solicitar à Assessoria Jovem)
Introdução Geral do Missal Romano.
YOUCAT
METODOLOGIA
Pregação.
Utilizar slides ou recursos audiovisuais.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Pode-se preparar o ambiente com alguns materiais litúrgicos para facilitar a exposição do tema,
como cálice, patena, altar, ambão, sédia etc. Para isso é necessário comunicar-se com antecedência
com o coordenador da liturgia para solicitar o empréstimo desse material.
ANEXO – TEXTO COMPLEMENTAR
A SANTA MISSA
Liturgia da Missa parte por parte
O Sacramento do Crisma
OBJETIVO
MATERIAL
METODOLOGIA
Pregação.
O pregador deverá estudar o CIC 1285 a 1314 e o texto em anexo. Poderá também utilizar o texto
complementar da 1ª semana deste manual e o Compêndio do Catecismo.
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Visto que os jovens estão se preparando para o sacramento da crisma, essa pregação precisa ser
bem dada para torná-los conscientes do sacramento que irão receber.
Para este dia a sala deverá ser ornamentada com símbolos referente do Sacramento do Crisma,
tais como um ícone de Pentecostes, tecidos vermelhos ou outras coisas mais.
Se fixarmos nossa atenção nos Apóstolos, antes e depois da vinda do Espírito Santo em
Pentecostes, vamos observar algumas diferenças importantes: antes, tinham medo e agora pregam
a palavra de Deus com decisão; os que eram incultos e ignorantes, depois falam dos mistérios de
Deus e línguas estranhas. Esta mudança tão surpreendente é produzida porque, naquele dia,
receberam a plenitude do Espírito Santo.
De maneira semelhante, os fiéis recebem também a plenitude do Espírito Santo no
sacramento da confirmação. Este tema pode servir para conhecer melhor a natureza e os efeitos do
sacramento e, se ainda não foi recebido, para preparar-se bem com a vontade de recebe-lo o quanto
antes.
IDÉIAS PRINCIPAIS:
De maneira parecida ao que sucedeu aos Apóstolos no dia de Pentecostes, este sacramento
produz na alma estes frutos:
a) Aumenta a graça. A vida da graça que se recebe pela primeira vez no batismo adquire um novo
empenho com a confirmação: há um crescimento e um aprofundamento da graça batismal.
b) Imprime caráter. A confirmação imprime uma marca espiritual indelével –o caráter-, para ser
testemunhas de Cristo e colaboradores de seu Reino; por isso, só se pode receber este sacramento
uma vez na vida.
c) Fortalece a fé. A palavra confirmação significa fortalecimento; com este sacramento nossa fé
em Jesus Cristo fica fortalecida.
d) Nos faz testemunhas de Cristo. A confirmação nos dá forças para defender a fé e de nos
defender-nos dos inimigos exteriores da nossa salvação: o demônio, o mau exemplo e inclusive as
perseguições, abertas ou disfarçadas, que podem acontecer a nós, cristãos. Nos dá vigor para
confessar com firmeza nossa fé sendo testemunhas de Cristo, colaborando na santificação do
mundo e atuando como apóstolos onde vivemos e trabalhamos.
Ministro ordinário deste sacramento é o Bispo; extraordinário, o presbítero que goza desta
faculdade pelo direito comum ou por concessão peculiar da autoridade competente; em perigo de
morte, o pároco ou qualquer presbítero.
O sujeito é toda pessoa batizada que não tenha recebido este sacramento anteriormente. Para
recebe-lo deve-se estar na graça de Deus, conhecer os principais mistérios da fé e acercar-se do
sacramento reverência e devoção.
A matéria é a unção na fronte com o crisma (mistura de azeite e bálsamo consagrada pelo
bispo), que se faz enquanto se impõe a mão. A unção significa um dos efeitos do sacramento:
robustecer a fé.
A forma é constituída pelas palavras que pronuncia o ministro: “N. recebe por este sinal o
Dom do Espírito Santo”. O crismando responde “Amém”.
Posto que a confirmação faz do fiel cristão uma testemunha de Jesus Cristo, desenvolvendo
e aperfeiçoando as graças recebidas no batismo, é preciso lutar por manter os frutos do sacramento.
Só assim seremos fortes para confessar com inteireza a fé cristã. E o conseguiremos se acudirmos
com freqüência aos sacramentos da penitência e da eucaristia.
Ordinariamente, a vida cristã se desenvolve em circunstâncias correntes e normais; só em
circunstâncias extraordinárias, o Senhor pode nos pedir o heroísmo do martírio, derramando o
sangue para confessar a fé em Jesus Cristo. Sem dúvida, o Senhor pede a todos o esforçar-se em
pequenas lutas da vida diária: trato com os pais e irmãos, trabalho bem feito e oferecido a Deus,
ajuda generosa e desinteressada aos companheiros, fidelidade à doutrina de Jesus Cristo e difusão
da fé com o exemplo, a amizade e os bons conselhos.
- Alimentar o desejo de receber o sacramento da confirmação, caso não o tenha ainda recebido.
Caso contrário, ser agradecido a Deus por este sacramento, dom do Espírito Santo.
- Procurar viver como verdadeiro cristão, com valentia, sem respeitos humanos, consciente de
que a confirmação faz ao fiel “testemunha de Cristo”.
TEMA
OBJETIVO
Abordar a realidade dos anjos como seres espirituais e sobre o céu, o inferno e o purgatório.
Ensinar que a vida não encerra com a morte.
MATERIAL
MÉTODOS
ORIENTAÇÕES AO COORDENADOR
Tentar explicar o essencial de forma sucinta e abrir espaço para as perguntas ou mesmo tentar
passar a catequese através de perguntas.
Todo ser humano tem diante de si algumas perguntas fundamentais. Entres estas, as
famosas: Quem sou? Qual minha origem? Qual meu destino
Mesmo num mundo moderno, onde a ciência e a tecnologia encontraram respostas para
tantas questões humanas, estas dúvidas ficam ainda em aberto, deixando margem para diversos
pontos de vista, e alguns bastante deturpados.
Visando orientar e esclarecer nossa caminhada para o fim último – Deus –, falaremos sobre
os Novíssimos, ou seja, o que nos ensina prudentemente a doutrina católica sobre os
acontecimentos finais referentes a vida humana, de maneira individual (a morte, o juízo particular,
o purgatório, o céu e o inferno) e coletiva (ressurreição dos mortos, segunda vinda de Jesus, juízo
final).
A morte
A palavra morte nos faz lembrar muitos sentimentos negativos, como dor e separação, entre
outros. Nossa experiência cotidiana com esse termo, naturalmente afasta de nós qualquer desejo
por essa realidade. E isso é normal, pois fomos criados para a vida e não para a morte. Na luz da
fé, a morte entrou na humanidade como conseqüência do pecado original, e o homem iniciou uma
vida de sofrimento e infelicidade. Porém, em Jesus Cristo, Deus feito homem, a morte foi abraçada
e derrotada no alto da cruz, recebendo um novo sentido para todos nós que cremos na sua
ressurreição. Como nos diz Santa Teresinha: “Eu não morro; entro na vida”. Assim, a morte é o
fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo da Graça e da Misericórdia que Deus oferece
para que realizemos nossa vida segundo Seu projeto e para que seja decido nosso destino último.
Logo após a morte, o ser humano sai da temporalidade e torna-se incapaz de viver uma nova
vida terrena (reencarnação), ou fazer uma opção acerca do seu destino. Ensina-nos a sã doutrina da
Igreja que a alma humana recebe de Deus uma iluminação intensa imediatamente após a sua
separação do corpo, revelando plenamente o valor e o sentido real da sua existência terrestre.
O homem encontra-se com sua mais plena verdade diante do seu Criador, e “recebe, na sua
alma imortal, a retribuição eterna logo depois da sua morte, num juízo particular que põe a sua vida
na referência de Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade
do Céu, quer para se condenar imediatamente para sempre” (Cat 1022). Por isso é importantíssima
a assistência àquelas pessoas que estão “aparentemente” próximas do seu momento final, a fim de
prepará-las conscientemente para uma opção última e decisiva com relação ao seu destino eterno.
Mas esta orientação também diz respeito a todos os demais que gozam de perfeita saúde,
pois nós não sabemos nem o dia, nem a hora em que seremos convidados à presença do Pai. É
importante estarmos diariamente nos preparando para este encontro tão importante.
O Purgatório
Aqueles que morreram na amizade de Deus, mas ainda com as cicatrizes dos pecados
cometidos, sofrem um estado de purificação, denominado Purgatório, a fim de chegarem à alegria
eterna. No Purgatório não há fogo, como costumamos imaginar, mas uma amarga consciência de
ter esbanjado ou ignorado o amor de Deus. Estas almas que padecem podem ser ajudadas pelas
orações dos demais fiéis, pelas obras de misericórdia e, principalmente, pelo Sacrifício Eucarístico.
Por isso, a Tradição da Igreja sempre honrou a memória dos mortos, buscando pela comunhão dos
santos auxiliá-los a alcançarem a visão beatífica de Deus.
O Céu
Por céu, a doutrina da Igreja entende a vida perfeita com a Santíssima Trindade, com a
Virgem Maria, com os anjos e todos os bem-aventurados. Não é um local entre as nuvens, mas um
estado reservado a todos aqueles que acolheram em plenitude os frutos da redenção realizada por
Cristo, e que estão perfeitamente incorporados a Ele. “Os que morrem na graça e amizade de Deus,
perfeitamente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus,
porque o vêem ‘tal como Ele é’, face a face” (Cat 1023).
Algumas teorias teológicas costumam identificar o céu com uma vida terrena cheia de
realizações e felicidades, porém possivelmente não é a visão mais acertada. É, sem dúvida, possível
compreendermos o paraíso celeste, ao menos como início, a partir da experiência presente de
felicidade, dos sacramentos, da comunhão dos santos, e sinais de eternidade, porém a vida eterna
prometida pelo Senhor aos seus seguidores excede em muito aos nossos parâmetros humanos de
alegria, até mesmo ao cêntuplo prometido ainda nesta vida.
O Inferno
Apesar de todos os homens terem sido criados por Deus e para Ele, é possível ao ser humano
fazer uma livre opção contra seu Criador, afastando-se definitivamente da bem-aventurança eterna.
Esta condição da alma é o que a doutrina da Igreja chama de inferno. Em pecado mortal, os mortos
são precipitados aos infernos, onde sofrerão as penas, sendo a principal delas a separação para
sempre de Deus, única felicidade do homem. Assim, o homem deve usar responsavelmente a sua
liberdade visando seu destino eterno, respondendo a um apelo de entrar pela porta estreita da
conversão, pela qual poucos passam. Só a aversão voluntária – isto é, o pecado mortal – a Deus, e
a persistência nela levam a essa “condição” de condenação, pois Deus não predestina
absolutamente ninguém ao castigo eterno. Deus é pura misericórdia! Durante a formulação da
doutrina sobre a sorte final dos homens, alguns teólogos levantaram a possibilidade de haver um
estado especial (limbo) para as crianças mortas sem o sacramento do Batismo, porém a Igreja
rejeitou essa hipótese, ao afirmar que a misericórdia divina age também por vias extra-batismais, a
fim de levar à salvação estas criancinhas desprovidas de qualquer responsabilidade.
A ressurreição dos mortos é uma das verdades mais características do cristianismo, e afirma
que todos os homens – justos e injustos – ressurgirão para uma nova vida. Assumirão seu mesmo
corpo com novas propriedades, quando Jesus Cristo vier na sua segunda e gloriosa vinda (Parusia),
para consumar a história deste mundo.
Mas quando se dará a Parusia? E, até lá, o que ficarão fazendo as almas já separadas dos
corpos? Para entendermos essa doutrina, faz-se necessário compreender que, ao morrer, a alma
humana sai da temporalidade e entra na Eternidade, onde não há sucessão de dias, noites ou
momentos, mas de atos de pouca ou grande intensidade. Torna-se um pouco complicado para nós
imaginarmos o que seria a Eternidade, pois nossas categorias de pensamento sempre têm presente
o fator tempo, mas é nesse estado que a alma “aguarda” sua ressurreição “na nova carne”.
O Juízo Universal
Somente após a ressurreição de todos os homens, Jesus Cristo, Senhor e Juiz de toda
humanidade, efetuará o Juízo Universal, quando será revelado “até às últimas consequências o que
cada um tiver feito ou deixado de fazer de bem durante a sua vida terrena” (Cat 1039). Tudo isso
que vimos deve ser para nós um grande apelo à conversão cotidiana e uma razão maior para nossa
esperança nos Novos Céus e na Nova Terra prometida por Deus, onde “a morte deixará de existir,
e não haverá mais luto, nem clamor, nem fadiga” (Ap 21,4). Sem descuidarmos da nossa vida
terrena, devemos norteá-la pelos valores da vida eterna.
Fonte: Revista Shalom Maná
Santo Ambrósio recomendava a devoção popular aos Anjos (De viduitate, IX, 15), "Os Anjos
foram criados antes do mundo material" (ln Exodum XXVII, 185).
Afirmava Santo Ambrósio, acompanhando S. Cirilo e São Gregório de Nazianzo, que, no batismo,
a renúncia a Satanás, se realiza na presença dos Anjos: "Isto não deve ser ignorado nem negado: é
um Anjo quem anuncia o reinado de Deus e a vida eterna". "Sozinha (a Virgem Maria) no interior
da casa, apenas um Anjo haveria de encontrar aquela que homem algum veria; só, sem companhia;
só, sem testemunha, afim de não se macular no trato com os demais; é um Anjo quem a saúda.
Aprendei ó virgens a evitar a dissipação das palavras; Maria temia até mesmo a saudação de um
Anjo." (Comentário ao Ev. [Link])
São Jerônimo (340-420), doutor da Igreja, combateu a idéia de que as almas na vida futura
se transformam em Anjos e que os demônios se converterão em Anjos. Afirmou que: "Os Anjos
cuidam e velam até pelos pormenores do cosmos (Comm. in Eccles. 10,20) e de forma especial,
pelos homens (Comm. in 16.6,14)".
São João Crisóstomo (= boca de ouro) (349-407), doutor da Igreja, Patriarca de
Constantinopla, escreveu: "Os Serafins louvam a Trindade. Rodeiam o altar celestial do qual a
Igreja é modelo neste mundo". Acreditava que os Anjos não teriam condições de desvendar o
mistério da Criação. "Que espírito pode explicar este favor sobrenatural e majestoso privilégio que
foi conferido à nossa natureza? Que Anjo, que Arcanjo seria capaz de saber? Ninguém no Céu nem
na terra". (Homília XI in Joannem) "Os Anjos não conheciam o mistério que estava oculto em
Deus, ao longo dos séculos, até que foi revelado pela Igreja" (Homília VII em Éfeso). "O ar que
nos rodeia, está cheio de Anjos".
Segundo São João Crisóstomo, é muito natural que os Anjos devam ajudar os homens. "Na
capital celeste, Jerusalém, nossa mãe comum, estão os Serafins, Querubins, muitos milhares de
Arcanjos e inumeráveis Anjos" (Homília in Seraphin, 1). "Saber que o lugar dos Serafins é junto a
Deus é mais importante que o conhecimento de sua natureza" (Hom. in Seraphin 2). "Que há de
melhor, diga-me? Falar do vizinho e da vida alheia, bisbilhotar tudo, ou se entregar com os Anjos
e com as coisas feitas para nos enriquecer? (Homilia in Jo. homi. 18). Na chamada Missa de São
João Crisóstomo, rito oriental, os Anjos são citados 16 vezes.
São Cirilo de Jerusalém (315-386), doutor da Igreja, falando da grandeza do Sacramento
do Batismo, declara: "Todos os coros celestiais tomam parte em cada batismo e cantam sobre o
novo cristão". (Protocatechesis) "Não podemos sondar a natureza dos Querubins; nem sequer
conheçemos a diferença entre Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Poderes e Anjos; só
sabemos que a diferença implica em graus diversos do conhecimento angélico de Deus". Achava
São Cirilo que só Deus era puro espírito mas que "os Anjos podem entretanto, chamar-se
spiritus, se a palavra designa algo que não é formada de matéria bruta".
São Cirilo de Alexandria (380-444), doutor da Igreja que se tornou célebre por sua luta contra
Nestório, no Concilio de Éfeso (431), afirmou sobre os anjos: "Anjos e Arcanjos servem a
Deus e o adoram em hinos sempiternos". (Contestação ao imperador Juliano III) "Os sacerdotes e
os cantores ocupam durante a celebração da Eucaristia o posto dos Anjos" (Cat. XIII. 26; pg. 33,
804 5 - Ed. Reisch - Rupp II - 84-86). "Os Anjos foram criados também à imagem de Deus,
inclusive, incomparavelmente mais do que nós, em razão de sua espiritualidade superior à nossa."
(Resposta a Tiberium Sociosqua 14)
Santo Agostinho (354-430), doutor da Igreja, também estudou a questão dos anjos e rejeitou
definitivamente idéias fantasiosas sobre eles; como as de que o pecado dos anjos castigados em
demônios teria sido pecado sexual. No Livro IV do Genesi ad litteram, fez muitas considerações
sobre os Anjos.
Focalizou sobretudo o tema do conhecimento angélico. Para ele, os anjos fiéis a Deus desde
a sua criação, conheceram o mistério da Redenção e aderiram ao Verbo Eterno, Criador,
conhecendo o Verbo e se conhecendo Nele, bem como conhecendo todas as coisas. Eis algumas
afirmações de Santo Agostinho em relação aos Anjos: "Encontramos nas escrituras, que os Anjos
apareceram a muitas pessoas e achamos portanto, que não é racional duvidar de sua existência".
(ln psal. 103) "Aos Anjos não se oferece sacrifício; somente os veneramos com amor". (De Civitate
Dei X,7) "Aos Anjos celestes, que possuem a Deus na humildade e o servem na bem-aventurança,
está submetida toda a natureza corporal e toda a vida irracional" (Livro VIII cap. 24, n. 45). "Os
demônios foram Anjos castigados por sua soberba e não por inveja, pois esta é subordinada ao
orgulho e não pode ser considerada principal". (De Gen. ad litt. XI 145) "No céu os homens terão
um corpo angélico de luz e éter." (De div. quaest. 83) "Juntamente com os Anjos, formamos uma
só e mesma Cidade de Deus". (De Civitate Dei, X, 7)
Com Santo Agostinho a doutrina sobre os Anjos atingiu seu ponto culminante. Nos séculos
seguintes houve estudos sobre os Anjos, mas eram quase sempre repetições de teses e afirmações
dos Padres da Igreja, e somente na Idade Média, retomando as doutrinas de Santo Agostinho e de
Pseudo-Dionisio, foi que reacendeu o interesse pela teologia angélica. São Gregório Nazianzeno
(280-374), doutor da Igreja, nas "Orationes Theologicae" afirma: "Os Anjos contemplam a face do
Pai, mas a íntima profundidade do mistério lhes está oculto. Os Anjos e Arcanjos vêem apenas a
glória de Deus, não sua própria natureza, que está oculta por trás dos Querubins."
Quando São Gregório deixou Constantinopla, despediu-se com tristeza dos "Anjos
custódios desta Igreja, de minha presença e de minha viagem" (Supremum vale 27). "Satanás se
fez excessivamente soberbo por seu elevado conhecimento de Deus, dai se originando seu pecado"
(Sermones theologici, 11,12).
São Dionisio o Areopagita, mártir do século I, era membro do Areópago de Atenas. Foi
convertido por São Paulo, e foi o primeiro bispo de Atenas. Foram-lhe atribuídas várias obras de
teologia mística, especialmente o Livro sobre a hierarquia celeste, a Influência da filosofia
neoplatônica e a Ascensão mística das almas a Deus. Estudos exegéticos entretanto, levaram à
conclusão que os livros atribuídos a Dionísio foram escritos no começo do século VI, daí serem
conhecidos como de autoria de um Pseudo Dionísio. Esta obra, mesmo sem a certeza absoluta sobre
o seu verdadeiro autor, exerceu uma grande influência nos estudos teológicos sobre os espíritos
celestes e na devoção aos mesmos.
No livro, A hierarquia Celeste, Dionisio ou Pseudo-Dionísio, supõe que o mundo
supracelestial da Santíssima Trindade se manifesta pelo mundo criado por irradiação da Santíssima
Trindade. Essa irradiação ilumina em primeiro lugar as hierarquias celestes, e em seguida, a
hierarquia da Igreja aqui na terra. Os seres angélicos ocupam assim, uma posição intermediária
entre a da teologia propriamente dita, que se refere a vida de Deus, e a Igreja, como realização da
teologia na terra. Os seres espirituais formam como que uma hierarquia, um poder sacerdotal,
traduzido pela mediação e comunicação do poder divino. O universo angélico constitui a imitação
da ordem íntima da vida de Deus. Essa imitação se realiza pelo conhecimento de Deus, por uma
iluminação concedida por Deus, e por uma ação pela qual cada categoria da hierarquia celeste se
relaciona com as outras. Deve-se a ele a concepção trinitária sobre a hierarquia angélica; isto é, a
divisão da hierarquia celeste em três ordens ou hierarquias, composta cada uma de três coros:
1ª ordem: Três coros: Serafins; Querubins; Tronos.
2ª ordem: Dominações ou Soberanias; Virtudes; Potestades.
3ª Ordem: Principados ou Autoridades; Arcanjos; Anjos; S. João
Cassiano (350-432), que foi monge e diácono de São João Crisóstomo, depois de haver passado
dez anos nos desertos do Egito, fixou-se em Marselha. Nos livros VII e VIII de sua Coliationes
(Conferências) analisou a vida dos anjos e dos demônios, afirmando que os demônios não podem
arrepender-se; que são cruéis, e que Lúcifer caiu quando se recusou a reconhecer que sua própria
beleza era obra do Criador. Uma terça parte dos Anjos o teria acompanhado. Ensinou que a lenda
do casamento de Anjos e mulheres é totalmente falsa e completamente impossível e absurda, e
que cada homem tem a seu lado um Anjo bom e também um mau (demônio) que o tenta.
São Leão Magno (400-461), Papa e doutor da Igreja, aquele que conseguiu que Átila, rei
dos Hunos deixasse a Itália (452) e que os Vândalos sob Genserico respeitassem os habitantes de
Roma (455), em suas Cartas e Sermões fala dos anjos e do demônio, a quem Jesus venceu, como
homem, para libertar a humanidade de suas garras. Veja este belo texto de S. Leão sobre a
Redenção:
"Mas, o fato, caríssimos, de Cristo ter escolhido nascer de uma virgem não parece ditado
por uma razão muito profunda? Isto é, que o diabo ignorasse que a salvação tinha nascido para o
gênero humano, e, escapando-lhe que a concepção era devida ao Espírito, acreditasse que não tinha
nascido diferente dos outros aquele que ele não via diferente dos outros. Com efeito, aquele no qual
ele constatou uma natureza idêntica à de todos tinha, pensava ele, uma origem semelhante à de
todos; ele não compreendeu que estava livre dos laços do pecado aquele que ele não viu isento das
fraquezas da mortalidade. Porque Deus, que, em sua justiça e em sua misericórdia, dispunha de
muitos meios para elevar o gênero humano, preferiu escolher para isso a via que lhe permitisse
destruir a obra do diabo, apelando não a uma intervenção de poder, mas a uma razão de equidade.
Porque, não sem fundamento, o antigo inimigo, em seu orgulho, reivindicava direitos de
tirano sobre todos os homens e, não sem razão, oprimia sob seu domínio aqueles que ele tinha
prendido ao serviço de sua vontade, depois que eles, por si mesmos, tinham desobedecido aos
mandamentos de Deus. Por isso não era de acordo com as regras da justiça que ele cessasse de ter
o gênero humano como escravo, como o tinha desde a origem, a não ser que fosse vencido por
meio do que ele mesmo tinha reduzido à escravidão. Para esse fim, Cristo foi concebido de uma
virgem, sem intervenção de homem... Ele [o demônio] não pensou que o nascimento de uma criança
gerada para a salvação do gênero humano não lhe estava sujeito como o estava o de todos os recém-
nascidos. Com efeito, ele o viu vagindo e chorando, viu-o envolto em panos, submetido à
circuncisão e resgatado pela oferenda do sacrifício legal.
Mais tarde, reconheceu os progressos normais da infância, e até na idade adulta nenhuma
dúvida lhe aflorou sobre o desenvolvimento conforme a natureza. Durante este tempo ele lhe
infligiu ultrajes, multiplicou injúrias, usou de maledicências, calúnias, blasfêmias, insultos, enfim,
derramou sobre ele toda a violência do seu furor e o pôs à prova de todos os modos possíveis;
sabendo com qual veneno tinha infectado a natureza humana, ele jamais pôde crer que fosse isento
da falta inicial aquele que, por tantos indícios, ele reconhecia por um mortal. Ladrão atrevido e
credor ávaro, ele se obstinou em levantar-se contra aquele que não lhe devia nada, mas exigindo
para todos a execução de um julgamento geral pronunciado contra uma origem manchada pela
falta, ultrapassou os termos da sentença sobre a qual se apoiava, porque reclamou o castigo da
injustiça contra aquele no qual não encontrou falta.
Tornando-se, por isso, caducos os termos malignamente inspirados na convenção mortal, e,
por causa de uma petição injusta, que ultrapassava os limites, a dívida toda foi reduzida a nada. O
forte é atado com os seus próprios laços, e todo o estratagema do inimigo cai sobre a sua cabeça.
Uma vez amarrado o príncipe deste mundo, o objeto de suas capturas lhe foi arrancado.
Nossa natureza, lavada de suas antigas manchas, recupera sua dignidade, a morte é destruída
pela morte, o nascimento é renovado pelo nascimento, porque, ao mesmo tempo, o resgate suprime
nossa escravidão, a regeneração muda nossa origem e a fé justifica o pecador." (Sermão XXII ,
segundo Sermão do Natal)
São Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja, foi monge, e como Papa assinou uma trégua
com os bárbaros Lombardos; influenciou a vida medieval com seus escritos. Escreveu muitas Cartas e
Homilias e a obra Moralia in Job, em 35 livros, na qual fez uma notável análise da luta humana contra
o demônio, partindo de considerações sobre o Livro de Jó. São afirmados nessa grande obra: "Os Anjos
são incomparavelmente mais íntimos de Deus que os homens". "São espíritos e somente espíritos,
enquanto o homem é espírito e carne" (Moralium 1. IV, c III, n
8). "Contemplam a Deus face a face". "Comparados com nossos corpos materiais, são
espíritos, mas comparados com Deus, que é espírito ilimitado, são de certa forma materiais."
Satanás foi o primeiro e mais poderoso Anjo. Corresponde ao "Behemoth" que aparece no Livro
de Jó." "Depois de haver caído por sua soberba, Satanás ainda conserva sua natureza angélica,
porém perdeu sua felicidade, e vagueia pelo mundo tentando os homens."
Santo Isidoro de Sevilha (560-636), Bispo e doutor da Igreja, Arcebispo de Sevilha; São Gregório
de Tours, bispo, historiador (538-594) e grande defensor da Igreja; São Beda o Venerável (Doutor
da Igreja 670-735), também ensinaram sobre os anjos. São João Damasceno (650-749), sacerdote
e doutor da Igreja, de Damasco, na Síria, considerado como o último dos "Padres da Igreja", foi o
principal defensor do culto das imagens. Sua doutrina exposta em Sumas é até hoje a teologia
oficial das igrejas orientais ortodoxas.
No capítulo 3 da obra Pegé gnóseos (Fonte da ciência), afirma: "Os Anjos foram criados do nada.
São incorpóreos quando comparados com os homens, porém não possuem o mesmo grau de
espiritualidade de Deus (puro espírito). Sua exata natureza só pode ser conhecida por Deus".
"Estão em um lugar determinado, embora não no espaço: como não são como os homens
tridimensionais, a bilocação é para eles um fenômeno de ordem espiritual." "Os Anjos estão, onde
atuam, isto é, onde exercem seu poder." "São imortais pela graça. Contemplam a Deus pela
iluminação própria que Deus lhes concede."
São João Damasceno aceita que haja distinção de graus de iluminação entre eles, e aceita
também os nove coros de Anjos. A obra dos Anjos no Céu consiste em louvar a Deus; na terra
servem o Senhor e revelam seus mistérios. "O conhecimento do futuro lhes advém unicamente da
revelação de Deus." "Os Anjos foram criados antes dos homens e antes mesmo do cosmos." "O
demônio escolheu livremente o mal que era uma espécie de obscuridade no âmbito do inteligível,
e negou dessa maneira sua própria natureza. Uma multidão de Anjos que estavam sob seu comando
o seguiu na revolta.
Esta queda representou para os demônios o que a morte representa para os homens. Já não
podem arrepender-se, como não o podem fazer os homens depois da morte. Os demônios não
possuem maior poder sobre os homens e as coisas, que aquele que Deus permite. "Não possuem
nenhum conhecimento do futuro."
São João Damasceno, e outros padres gregos, segundo a tese da dormição de Nossa Senhora
e a sua imediata Assunção ao céu, afirmou: "Não apenas Anjos e Arcanjos, Potestades e Virtudes,
mas também os Tronos, Querubins e Serafins, os supremos das hierarquias angélicas, rodeiam o
corpo de Maria e cheios de alegria cantam seus louvores" (Homilia I in Dormitionem) "Maria é
mais santa que os Anjos, mais bela que os Arcanjos, mais venerável que os Tronos, mais poderosa
que as Dominações, mais pura que os Poderes, mais radiosa que os Querubins, mais digna de
respeito que os Serafins". (Na Homília in Jaudem Deiparae)
São Bernardo "doutor da Igreja (1090-1150), em muitos de seus 340 sermões enaltece o
culto e a devoção aos Anjos e descreve a contemplação dos mesmos à majestade divina e as
homenagens que prestam à glória de Maria. (PL 182, 863-872. 878-884; Serm. 1-2 para a festa de
São Miguel: PL 183, 447-454: Serm. sobre a Assunção de Maria). É importante saber que o Sínodo
Permanente de Constantinopla, no ano 543, cujas conclusões foram sancionadas pelo Papa Virgílio,
condenou a idéia de que o céu, o sol, a lua, as estrelas e as nuvens fossem forças materiais animadas,
isto é, uma espécie de Anjos interiores e a opinião de que os demônios tenham sido castigados
apenas por um determinado tempo e que no final, se reconciliariam com Deus.
Fonte: [Link]
ANEXO
ANEXO: CURSO PARA O RETIRO DA CRISMA
SEXUALIDADE E AFETIVIDADE
Orientações:
O retiro da crisma deve ser feito de preferência em uma casa de retiro, durante o fim de semana
(iniciando na sexta à noite e encerrando no domingo à tarde, conforme o cronograma). Por conta da
disponibilidade de horário para a missa, o cronograma pode ser modificado conforme as condições
particulares. É essencial que haja a celebração eucarística no retiro.
É importante organizar todos os momentos do retiro, permitindo que os catequistas coordenem
momentos distintos e dividindo equipes para organização da Koinonia (convivência), alimentação,
pregações e momentos de oração e adoração. É importante que haja confissões durante o retiro.
Os pregadores devem ser convidados e agendados com bastante antecedência, chamando pessoas
experientes no assunto. É muito importante a presença de irmãos da Comunidade de Vida pregando este
retiro e tendo espaço para testemunho pessoal. De nenhuma forma é objetivo deste retiro levantar polêmicas
ou espírito de acusação no que se refere à castidade.
A experiência em Fortaleza, quanto ao pagamento, é que o valor da casa de retiro já fica incluso no
planejamento orçamentário inicial, dividindo assim o custo do retiro durante as mensalidades. Evitamos
assim que seja preciso fazer pagamentos distintos para a crisma e para o retiro.
TEMA I
Sexualidade – A criação do homem e da mulher: semelhanças e diferenças.
OBJETIVOS
Favorecer o entendimento da sexualidade humana, enfatizando a criação de Deus e o seu plano de amor
para o homem.
MATERIAL
Texto em Anexo
Livro Tecendo o Fio de Ouro, Emmir Nogueira (Capitulo sobre a afetividade)
METODOLOGIA
Pregação.
ORIENTACAO
- Iniciar explicando a criação de Deus, enfatizando a criação da mulher a partir do homem e sua função
de ser socorro para o homem.
- Fornecer uma breve explicação sobre as diferenças sexuais (físicas, biológicas e psicológicas),
ressaltando a dignidade humana.
- Iniciar explicações sobre a sexualidade humana, enfatizando o mistério da criação.
- Enfatizar diferença entre genitalidade e sexualidade.
- Falar da importância do celibato
- Dar exemplos de como viver a castidade dentro da realidade dos jovens atuais que são impulsionados
a tratar o seu corpo e o d outro com prazer e luxúria.
LEITURA COMPLEMENTAR
Texto em anexo: A criação do homem e da mulher
Texto em anexo: Sexualidade – parte 1
“Tecendo o Fio de Ouro”- Maria Emmir Oquendo Nogueira e Silvia Maria Lemos (Parte III - Capítulo XII
– Págs. 395-402)
ANEXO I
1. A CRIÇÃO
a. Diferenças físicas
O Dr. Paul Popenoe, fundador do instituto Americano de Relações Familiares em Lis Angeles,
dedicou seus anos mais produtivos à pesquisas das diferenças biológicas entre o homem e a mulher. Citamos
Algumas:
- A mulher tem uma vitalidade constitucional mais baixo, talvez devido à formação singular de seus
cromossomos (o homem, no Brasil, vive cerca de 56 anos e a mulher 62 anos).
- O metabolismo feminino é normalmente mais baixo que o do homem. (Vemos isso com facilidade no
nosso meio: os meninos dos nossos grupos comem muito, no entanto são magérrimos na sua maioria).
- A mulher tem rins, estômago, fígado e apêndice maiores que o homem, mas seus pulmões são menores.
- A mulher tem funções singulares e importantes: menstruação, gravidez, lactação. Os hormônios
femininos são de um tipo diferente e mais numeroso que os do homem.
- A tireóide da mulher é maior e mais ativa, cresce durante a menstruação e a gravidez; provoca o
aparecimento de bócio com maior freqüência nas mulheres; fornece resistência ao frio; está associado ao
fato da mulher ter o corpo e pele mais macia, quase sem pêlos e camada grossa de gordura subcutânea que
o homem.
- O sangue da mulher contém mais água e 20% a menos de células vermelhas.
- Os homens possuem em média 50% a mais de força bruta (40% do peso do corpo masculino é composto
de músculos; e da mulher 23%).
- O coração da mulher bate mais rapidamente (Cerca de 80 batidas por minuto; 72 o homem). A pressão
sangüínea da mulher é de 10 pontos mais baixa que a do homem e varia de minuto a minuto, mas ela tem
menos tendência à hipertensão – pelo menos até a menopausa.
- O fôlego da mulher é significativamente mais baixo que o do homem.
- A mulher suporta altas temperaturas melhor que o homem, porque seu metabolismo desacelera mais
devagar. (Vemos isso facilmente, quando a temperatura aumenta um pouquinho, logo os meninos estão
encharcados de suor. É mais comum vermos os homens molhados de suor que as mulheres).
c. Diferenças Sexuais:
A sexualidade da mulher tende a relacionar-se com seu ciclo menstrual (Vale lembrar as pesquisas
e descobertas acerca da tensão pré-menstrual e outro fatores que se manifestam como carência no “tempo”
período da menstruação etc.), enquanto a do homem é praticamente constante. A testosterona, hormônio
masculino, é um dos principais fatores que estimulam o desejo sexual do homem. A mulher é mais
estimulada pelo toque e pelas palavras românticas.
d. Diferenças Intuitivas:
A intuição não é algo místico. As mulheres captam as mensagens mais depressa e com maior
exatidão que os homens. Desde que esta intuição se baseia num processo mental inconsciente especifica
para seus sentimentos. Elas simplesmente percebam ou “sentem” algo sobre uma situação ou pessoa,
enquanto os homens tendem a seguir uma análise lógica das circunstâncias ou pessoas.
ANEXO II
2. SEXUALIDADE – PARTE 1
2.2 A genitalidade:
É preciso falarmos um pouco sobre genitalidade para que não voltemos a confundi-la com a
sexualidade. A genitalidade é apenas um aspecto da sexualidade da pessoa. Não acrescenta nem tira nada
da sexualidade. A genitalidade é definida pelos órgãos genitais, que existem para a geração de novas
criaturas. Não são meros instrumentos de prazer, nem seu uso é indispensável pára comprovar a sexualidade
da pessoa. Mesmo quem nunca praticou um ato genital não deixa de ser homem ou mulher no sentido pleno
da palavra. E se iludem aqueles que pensam poder mudar de sexualidade com a mutilação dos órgãos
genitais.
Quando a pessoa acredita que sua sexualidade depende exclusivamente do uso dos genitais, ela
pode, para tentar afirmar sua sexualidade perante os outros, desordenar totalmente o uso dos seus órgãos
sexuais, e acabando por se tornar um escravo da própria genitalidade, sem jamais conseguir preencher suas
verdadeiras necessidades, que certamente são outras. Ela pode se tornar uma pessoas doente, emocional e
espiritualmente, pelo uso inadequado e fora de tempo de sua genitalidade. Isto se chama genitalismo... Se
um homem e uma mulher dizem que se amam, mas seu relacionamento consiste numa busca genitalista,
isto não é amor, mas compara-se ao mero comportamento de animais. Daí é que nascem as grandes
decepções, vazios e até desesperos.
O exercício da genitalidade foi ordenado por Deus pra acontecer dentro do matrimônio. No
matrimônio há união total e exclusiva de duas pessoas. Elas uniram perante a Igreja e perante Deus não só
seus corpos, mas também seus instintos, seus caracteres, seus corações, suas emoções e afetividade, seu
intelecto e vontade, suas almas, suas vidas inteiras. Há um pacto de doação mútua, e uma disposição madura
ao crescimento nesta doação. Assim, o exercício da genitalidade pode ser seguramente um dom e sinal do
amor. Dentro do matrimônio o cônjuge representa para o outro o sinal e instrumento do amor de cada um
por Deus, que deve ser crescente, fiel e definitivo.
2.3 O celibato:
Falando, de sexualidade não podemos deixar de tratar também do celibato, que tantas vezes é mal
compreendido e até menosprezado.
O celibato dispensa totalmente a prática da genitalidade... mas não anula a sexualidade da pessoa que opta
por ele. Jesus nunca se casou. Mas Jesus, mesmo sendo Deus, é verdadeiro homem. Ele realizou plenamente
sua sexualidade amando a Deus em todas as criaturas e todas as criaturas em Deus. Foi virgem e inteiramente
casto, mas perfeitamente masculino, modelo de todo homem.
O celibato não é uma vocação fechada em si, mas aberta ao mundo pelo amor e como sinal do reino
definitivo. É um culto espiritual a Deus; é chamado através do qual se canaliza todas as potencialidades
daquela que o abraça para servir mais e melhor ao Senhor. Não frustração. A renúncia à
maternidade/paternidade física abre para a experiência da maternidade/paternidade espiritual, numa
profunda fertilidade no espírito.
A pessoa que se consagra a Deus no celibato renuncia ao amor de exclusividade, isto é, ao amor
que diz respeito ao matrimônio, o amor dos namorados e cônjuges. Mas não renuncia ao amor de amizade
e, uma vez que uma instância de abertura para toda pessoa humana, ter amizades também no sexo
complementar.
Aliás, é de grandíssima importância a amizade entre os sexos também no celibato, pois é na amizade que
vai complementar e enriquecer a sexualidade do outro.
TEMA II
Marcas e feridas na sexualidade
OBJETIVOS
Fornecer uma compreensão sobre as diversas feridas que a sociedade atual proporciona na vivência
da sexualidade. Enfatizar a seguinte diferença: Como os jovens são impulsionados a viver a sexualidade
dentro da realidade social x como Deus os chama a viver uma sexualidade ordenada para o amor.
MATERIAL
Convidar pregador que possa se preparar com antecedência e que tenha conhecimentos mais específicos no
tema.
METODOLOGIA
Pregação.
ORIENTACAO
- Continuar a formação anterior enfatizando as feridas geradas na área da sexualidade humana.
- Explicitar os prejuízos e deturpações trazidos pela sensualidade.
- Explicar o que é fornicação e enfatizar os prejuízos e as feridas que são causados no coração do homem.
- Explicar a masturbação, enfatizando o pecado, o vício e a doença que são gerados.
- Explicar brevemente o homossexualismo e gerar polêmica
- Separar os grupos em três e dividi-los em contra e a favor, tendo uma pessoa preparada para coordenar
cada grupo e, por fim, fazer uma conclusão final.
LEITURA COMPLEMENTAR
Texto em anexo: Sexualidade – parte 2
“Tecendo o Fio de Ouro”- Maria Emmir Oquendo Nogueira e Silvia Maria Lemos (Parte III - Capítulo XII
– Págs. 403-422)
ANEXO III
1 SEXUALIDADE – PARTE 2
O problema da sensualidade:
O sensualismo é uma forma doentia de viver a própria sexualidade. Consiste no uso despudorado
do próprio corpo com o intuito desordenado de afirmar a própria sexualidade por estes meios.
Vivemos em tempos que supervalorizam o corpo, a aparência, o prazer, a sedução, portanto não devemos
compactuar com isto.
Muitos homens e mulheres inventam mil maneiras de exibir seu corpo como mercadorias oferecidas
em vitrines. Muitos fazem questão de ressaltar os genitais, as partes que mas despertam o desejo sexual. Isto
denota falta de conhecimento de si mesmo e às vezes falta de segurança nos próprios valores interiores.
Primeiramente, é preciso conhecer que o nosso corpo nos foi dado por Deus para o exercício da caridade,
única forma de alcançar realização plena e felicidade completa. Especialmente as partes mais íntimas têm
como função primeira a doação de si... Não são meras carnes, e por isso devem ser respeitadas. Os genitais
devem ser cobertos de modo decente não porque sejam sujos ou desonestos, mas porque pertencem à
intimidade pessoal. Eles participam do mistério pessoal do ser humano, do mistério da doação de si... Quanto
à segurança nos valores interiores, esta vem do relacionamento com Deus, nosso Criador, único que nos
conhece c por dentro, nos ama e nos aceita incondicionalmente. Ele vê nossos valores mais profundos, os
que já aparecem, mais ainda os que ele colocou como semente em nós e ainda não desabrocharam... Quem
pergunta a Deus o que Ele acha da sua pessoa encontra uma grande alegria, é capaz de se achar mais belo e
desejado do que qualquer criatura pode imaginar, contemplar ou desejar. E aí não precisa se mostrar ou
tentar se afirmar por meios passageiros, inúteis ou humilhantes.
Em Deus reconhecerá o seu próprio valor, bem como o valor do sexo complementar,e não mais terá a
“necessidade” de se “oferecer” ou de usá-los como objetivo, não mais buscará seduzir o outro para satisfazer
os desejos pessoais carnais.
O homem sedutor sabe como cativar uma mulher e fazer com que ela pense que é amada, para que
ele possa receber o que ele quer. A mulher sedutora, da mesma forma, querendo atenção e afeto apresenta-
se como um objeto física e sensualmente atraente. Cada um usa o ponto fraco do outro para conseguir
satisfação pessoal. Isto não deve, jamais acontecer entre os cristãos, entre os filhos de Deus.
Não temos necessidade de seduzir o sexo complementar porque sabemos que “justos e verdadeiros
são os caminhos de Deus” e Ele cuida de nós melhor que nós mesmos, melhor que poderíamos imaginar e,
no momento certo, Ele nos fará conhecer – se for nossa vocação – a pessoa que Ele criou para nós.
Exatamente como fez com Adão.
Da nossa parte é importante estar abandonados nas mãos de Deus e não ficarmos “caçando” esta
pessoa. Mas, em oração, entregar ao Senhor o coração aberto e pedir que Ele faça segundo Sua vontade. E,
posteriormente, quando Deus “apresentar” a pessoa certa, colaborar na conquista do outro – não na sedução.
A conquista vem pela verdade, e pelo conhecimento da dignidade própria e do outro; acontece de maneira
natural, com a identificação das pessoas envolvidas.
O que é fornicação?
A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. Ela é
gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana (...) É também um grave, escândalo
quando há corrupção de jovens. É assim que a Igreja fala das relações pré-matrimoniais, hoje tão faladas e
tidas como normais.
O homem moderno tenta fugir do sofrimento, busca com todas as suas forças a vida cômoda e, em
meio a essa realidade, é claro, esquece-se do pecado. Mas é exatamente isto: manter relações sexuais antes
( ou fora) do casamento é um pecado, é fornicação.
O ato conjugal (relação sexual entre os cônjuges) tem duas belíssimas funções, segundo o que a
Doutrina nos ensina: a procriação e a união. Fora do casamento não há o cumprimento de nenhuma delas.
Primeiro, porque os que apregoam o sexo livre apregoam também o uso de preservativos e, se não tem
vínculos seguros com outra pessoa não querem e evitam de todas as maneiras a geração de novas vidas.
Quanto à união sabemos que não é apenas de corpo, mas também de alma; deixam de ser dois para serem
um. Este fator traz a verdade de ser impossível se aceitar relação sexual fora do casamento, com uma pessoa
com quem não se tem vínculos firmes, constantes, que durem até a morte. Ou será que é possível minha
alma ser um com muitas pessoas?Com as propriedades do ato conjugal, é claro que não é possível.
Aqui, é bom lembrar que no meio de nós muito tiveram relações sexuais precoces. Pesquisas recentes
mostram que no Nordeste brasileiro os adolescentes têm sua primeira relação sexual aos 14 anos em média.
Isto é assustador. Mas o que importa é que a misericórdia de Deus é infinitamente maior que todo e qualquer
pecado. Aquele que derrama seu coração verdadeiramente contrito e arrependido, humilhado diante de Deus,
por Ele será perdoado. É necessário também o sacramento da Penitência e o firme propósito, a decisão de
não mais volta ao pecado.
Há quem questione se o fato de ter relações sexuais antes do casamento não seria uma maneira de
conhecer melhor um ao outro. “Se o amor físico fosse da ordem e da técnica, uma experiência preliminar
seria imprescindível”. Porém, o sucesso sexual depende em primeiro lugar da qualidade do amor e da
relação. É urgente aprender a amar e não “fazer amor”. Longe de preparar o amor enquanto dom, as relações
sexuais antes do casamento podem pelo contrário ser fonte de férias para um e para o outro... não manter
relações antes do casamento fortifica a castidade. A virgindade de fato, já não um valo muito cotado. No
entanto, é o que muitos quereriam possuir no dia em que fazem a descoberta do “grande amor”, do “amor
de sua vida”.
Não é isso o que acontece com a tendência homossexual permanente que vêm não se sabe desde
quando e que parece ter raízes no mais profundo da pessoa. Quando este estado permanece estacionário e
inconseqüente, ainda que forte, não caracteriza ainda a homossexualidade. A homossexualidade é
caracterizada quando há uma passagem à homossexualidade ativa, onde se estabelece um vínculo muito
mais forte que faz as pessoas entrarem, logo na primeira experiência, em uma engrenagem onde se misturam
a culpa e a complacência incentivada pelo prazer. Aprofundando sobre o homossexualismo ativo, o
problema começa na infância. As crianças se identificam primeiramente com a mãe. Ela é o primeiro recurso
para suprir afeto e segurança. Um a garota mantém a identificação primária com a mãe, mas um garoto tem
um desenvolvimento adicional, uma tarefa a mais, que parte da identificação materna para uma figura
masculina – geralmente com o pai. É através da relação com o pai que o garoto irá assimilar a identidade
masculina necessária para desenvolver uma personalidade normal.
Essa tarefa adicional explica a alta proporção de homossexualidade feminina. O período crítico de
identificação do gênero (tipo sexual) ocorre em torno dos três anos de idade, quando o garoto gradualmente
desenvolve uma percepção de que ele é diferente da mãe e parecido com o pai. Esta necessidade é instintiva.
O garoto vê uma familiaridade e um poder carismático em seu pai, cria uma dependência. O garoto deseja
ser recebido e aceito por seu pai. Sua frágil masculinidade emergente deve ser refletida por uma relação com
um homem que possa firmar-lhe a virilidade. O menino busca encontrar-se no que é excitante, engraçado e
envolvente da parte do pai. Se esses desejos são acolhidos por um pai carinhoso e receptivo, o filho será
encorajado a “desidentificar- se” da natureza feminina da mãe e entrar, ou mais do que é isso, a invadir a
esfera masculina. Esta identificação masculina, provavelmente, resultará num caráter heterossexual.
A homossexualidade é, assim, um desenvolvimento do problema das relações familiares entre
aqueles do mesmo sexo. Para os homens é o resultado de uma falha no relacionamento com os pais, quando
o garoto não interioriza completamente o gênero masculino. Com as mulheres, o resultado surge face à
assimilação incompleta do caráter feminino derivado da mãe.
Não existe amor no sentido verdadeiro, real da palavra entre pessoas do mesmo sexo. Existe, sim,
um relacionamento doentio e perigoso.
A natureza fez o homem e a mulher para se completarem unirem-se a dualidade. Deus fez Adão e
Eva, e não Adão e Antônio. Portanto, ver o mundo através de um só sexo é uma realidade parcial. Nenhum
homem pode estar verdadeiramente em paz vivendo com uma relação homossexual. Esta é uma das causas
pelas quais as relações homossexuais raramente são duradouras. O próprio Deus fala a respeito do
homossexualismo: “não deveis ter relações sexuais com um homem como se tem com uma mulher: é uma
prática monstruosa”.
Portanto, Ele não criou ninguém para viver na homossexualidade, nem homem, nem mulher, porém
Ele não condena a nenhum dos que passaram, ou passam por este problema. Ele deseja resgatar a todos e
fazem com que cada um viva plenamente sua sexualidade. Jesus quer a dizer a cada um aquilo que tantas
vezes disse no Evangelho motivo de compaixão: “Vai, e não peques mais”. É preciso procurar um padre
para confessar-se e receber o perdão de Deus. E ainda, estamos o hábito mais arraigado, é necessário buscar
ajuda de pessoas preparadas para isso, quer dentro da Igreja, quer no meio médico.
TEMA III
OBJETIVOS
Fornecer uma compreensão sobre o que é afetividade e as áreas que a compõe na complexidade do ser
humano, enfatizando as diversas feridas que podem ser causadas pelas formas de relacionamento atual.
MATERIAL
Convidar pregador que possa se preparar com antecedência. Pode-se, também, utilizar DVD da Emmir
(Tecendo Fio de Ouro), neste caso, seria aconselhável partilhas em grupos após o DVD.
METODOLOGIA
Pregação.
ORIENTACAO
- Explicitar o que é afetividade e as áreas (conforme Fio de Ouro) que compõe a afetividade humana,
explicitando as funções de cada uma.
- Explicar a estrita ligação entre afetividade e sexualidade.
- Enfatizar as diversas feridas que podem ser geradas na afetividade humana e explicá-las a partir de
exemplos concretos vividos na juventude.
- O pregador pode se basear no seguinte esquema:
• Definir o que é afetividade: levantar as relações existentes a partir do nosso estado de humor,
emoções, sentimentos, afetos, paixões e etc.
• Enfatizar como Jesus viveu sua afetividade e como nós, cristãos católicos, somos convidados a
viver.
• Realizar uma explicação geral a partir da parábola do armário (Cap. II - TFO).
• Explicitar o que a afetividade pode nos proporciona:
- saber dizer não à pornografia (internet, revistas, filmes e até mesmo novelas e programas de televisão).
- Fugir de pensamentos: críticas, julgamentos, maledicências.
- evitar situações que favoreçam o pecado, como conversas e carícias indevidas com colegas, namorado(a)
LEITURA COMPLEMENTAR
Texto em anexo: Afetividade
“Tecendo o Fio de Ouro”- Maria Emmir Oquendo Nogueira e Silvia Maria Lemos (Parte IV - Capítulo I,
II, III e V – Págs. 403-422)
ANEXO IV
1. AFETIVIDADE
1.2 A AFETIVIDADE
Afetividade é a capacidade (ou necessidade) que o homem tem de amar e ser amado, e expressar
este amor. O homem é a diferente dos demais animais, pó isso necessita “aprender” a amar, a se relacionar,
a demonstrar seus afetos. O animal faz tudo por instinto, já nasce sabendo o que fazer, mas o homem precisa
ser educado.
É muito importante a consciência de que neste aprendizado a afetividade precisa ser auxiliada pela
inteligência, que produz pensamentos de afeto: pela vontade que decide aceitar o outro exatamente como
ele é, com suas virtudes e limitações; pelos sentidos e pelo corpo, que devem expressar, através e gestos, de
olhares, de atitudes, de palavras e afeto.
A afetividade nos foi dada por Deus e é preciso aprender com Ele a vivê-la ordenadamente. Ela é
uma área muito importante pois como vimos, é por ela que expressaremos o nosso afeto por Deus, pelo
outro e por nós mesmo. Por ser tão importante, nos dias de hoje vem sendo um alvo de ataques constantes
e o que vemos são pessoas, especialmente muitos jovens, ferido na afetividade. É preciso ter a coragem de
reconhecer essas feridas e deixar Deus colocar a mão e curar todos os traumas, sarar todas as feridas.
Nem todos têm um mesmo grau de afetividade, há pessoas que se relacionam muitos facilmente,
que tem aventura para doar-se e acolher os outros: mas há também pessoas mais difíceis, ou seja, que
precisam mais de tempo para entrar na intimidade do outro e para permitir-lhe conhecer seu coração e não
podemos sair por ai julgando quem é certo, qual o melhor modo de ser, pois cada pessoa é única e tem suas
características próprias, seu próprio temperamento e não podemos esperar que nas demonstrações de afetos
todos sejamos iguais, mas antes, estar abertos à realidade única de cada ser, sem cobrar ou julgar se a pessoa
é muito ou pouco afetiva.
TEMA IV
Relacionamentos Interpessoais - Amizade:
OBJETIVOS
Explicitar a importância dos relacionamentos na vida do homem, definindo as formas de vivência saudável
dos relacionamentos de amizade.
MATERIAL
Convidar pregador que possa se preparar com antecedência e que tenha conhecimentos mais específicos
no tema.
METODOLOGIA
Pregação.
ORIENTACAO
- Mostrar que faz parte dos planos de Deus o homem relacionar-se e conviver fraternalmente entre outros.
- Definir diferenças e semelhanças entre fraternidade, coleguismo e amizade.
- Discutir os aspectos que devem existir na escolha de amigos e o que deve embasar uma amizade cristã.
- Esclarecer a riqueza e a beleza existente na amizade entre sexos opostos, derrubando tabus que homem e
mulher não podem relacionar-se a partir de uma amizade saudável.
- O pregador pode se basear no seguinte esquema:
• Porque quem encontra um amigo encontra um tesouro? Porque entra no próprio relacionamento da
trindade que é uma absoluta troca de amor e doação de si.
• Medo de estabelecer relacionamentos afetivos – acha que deve amar e se dar apenas a Deus.
• Idéia falsa de santidade – achar que relacionamentos afetivos nos tiram de Deus.
o O que fundamenta essa falsa ideia é:
* Não perceber que a palavra nos ensina a amar e que Jesus nos ensina a amar com afeição e
demonstrações explícitas de afeto e amizade.
* Amar Deus sobre todas as coisas e não sobre o vazio
* Santa Teresinha diz: Não basta amar, têm-se que dar provas disso.
• Amor X Amizade: Não existe amor sem amizade, a amizade espelho da trindade e não aquela de
companheirismo
• Amizade X Apego:
o A origem do apego não é a amizade é o egoísmo, a insegurança, a auto-imagem negativa, a incerteza
de ser amado, problemas emocionais, carência afetiva. O APEGO É O AMOR A NÓS MESMOS.
o O apego unido a componentes psicológicos e emocionais, como insegurança, medo, carências, gera a co-
dependência afetiva., onde 2 pessoas se tornam tão dependentes entre si que o mundo se resume a elas,
tornam-se alienadas, perdem sua posição de sujeito que pensa, quer e escolhe
• Assim: Conseguiremos amadurecer também em nossa amizade com Deus, nos tirando mais
daquela realidade fantasiosa, fundamentalista, esperando sempre o Deus consolador
Amizades X Riscos
• Não existe relacionamentos sem riscos. Até a Trindade correu risco na encarnação e ressureição de
Jesus, o risco de nós não aceitarmos e compreendermos. É a misericórdia a garantia do risco que corre o
amor.
A amizade trinitária arrisca-se e se dá em amor por causa de e não apesar de.
Traços de amizade
Estima: a apreciação do outro, de seus dons (físicos, intelectuais, morais, espirituais), do bem que ele é em
si mesmo (ainda que ele perca estes dons).
Olhar
Liberdade: a amizade é livre. Eu escolho meu amigo e sou escolhido por ele. A atração sensível, instintiva,
se existe, é asumida de forma consciente e livre, ratificada em função de um bem superior. Isso é importante
para nós consagrados. Foi o Senhor quem nos deu nossos irmãos e irmãos e eles nem sempre são quem
escolheríamos.
Compreensão: Somente aquele que ama conhece o outro.
Respeito exigente: Daí, um imenso respeito diante da alteridade do outro, mesmo quando isso me ameaça e
questiona.
Benignidade: querer que o outro seja, desejar tudo o que contribua para isso, querer seu bem mais profundo
e mais real.
Partilha, dom de si: o amor não calcula. Dá largamente sés bens, dá-se a si mesmo abrindo livremente o
centro mais íntimo e pessoal de seu coração, partilha seus sentimentos, seus desejos, seus medos, seus
pensamentos
LEITURA COMPLEMENTAR
Texto em anexo: Relacionamentos Interpessoais
“Tecendo o Fio de Ouro”- Maria Emmir Oquendo Nogueira e Silvia Maria Lemos (Parte IV - Capítulo IV
– Págs. 513 - 522)
ANEXO V
1 RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS
Iahweh Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18)
Com essas palavras, Deus revela ao homem algo próprio de sua natureza: Deus criou o homem para que
este conviva, entre em relacionamento, porque relacionar-se é entrar em comunhão, é conhecer e ser
conhecido, é amar e ser amado.
Deus não fez o homem para o fechamento, mas para a abertura, para se complementar em Deus e nos seus
semelhantes.
1.1 A FRATERNIDADE
Começamos a falar sobre os relacionamentos interpessoais tratando da fraternidade.
O dicionário “Aurélio” da língua portuguesa diz que fraternidade é “o parentesco entre irmãos – amor ao
próximo – harmonia e concórdia”. O ser humano, pertencente à mesma natureza, precisa sair de si para
entrar em unidade com seus semelhantes. Criado por Deus, o homem tem em cada semelhante um irmão,
criado pelo mesmo Pai. E neste semelhante Deus vai revelar a si mesmo e a essência do próprio homem.
A fraternidade é comum a todo o gênero humano, é universal. Cada homem precisa acolher o outro
em qualquer língua, nação religião, classe social, raça… É por falta deste entendimento que o mundo se
encontra nesse caos; as nações vêem as outras como inimigas, rivais… não como irmãs.
E é vivendo esta fraternidade que vamos conhecendo pessoas e nos identificando com elas. Mas nunca
devemos nos fechar nesse grupo de preferências.
Resumindo, a fraternidade é uma atualização da caridade; uma expressão da caridade em atos. É o respeito
pelo outro aquele com quem convivemos, aquele que vemos apenas de passagem, aquele que nem
conhecemos seu nome, aquele que nunca nem vimos, mas respeitamos e “Veneramos” pelo simples fato de
serem filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança; pelo simples fato de terem sido resgatados pelo
sangue de Jesus e de serem templos do Espírito Santo.
1.2 O COLEGUISMO
“Usamos” a fraternidade também para com os colegas, que são aqueles que nós rodeiam-nos
diversos lugares que freqüentamos .
Com os colegas conversamos, vivemos a fraternidade, nos doamos, aprendemos muitas coisas e
ensinamos… mas não abrimos o nosso coração para eles. Não conhecemos os seus segredos nem eles os
nossos. Os vínculos afetivos entre colegas são menores que o de amigos.
1.3 A AMIZADE
A amizade é algo tão importante que a própria palavra de Deus muitas vezes se refere ao
relacionamento do homem com Deus como amizade, como Jesus no evangelho diz: “Já não vos chamo
servis, porque o servo não sabe o que faz o senhor , mas vos chamo amigos”. E a Igreja diz: “o Deus
invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os
convidar à comunhão consiga e nele os receber”.
2. A ESCOLHA DE AMIGOS
Temos muitos colegas, mas amigos não são muitos. As Escrituras nos dizem: “Sejam numerosas as
tuas relações, mas os teus conselheiros, um entre mil. Se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te
apresses em confiar nele”. Não podemos abrir nosso coração para todos, não podemos ouvir os conselhos
de todos; já pensou a confusão que seria?
Ao lado de nossa família imediatamente, as pessoas mais importante durante a maior parte de nossa
vida são os amigos. Como diz o velho ditado: “Você não pode escolher sua família, mas pode escolher seus
amigos”.
A psicologia diz que todos nós tendemos a escolher nossos amigos (e, aliás, nossos amores) entre
as pessoas que consideramos nossos semelhantes… Quanto mais você pensa que se parece com alguém,
mais gosta dele. Essa semelhança diz respeito a experiência e atividades partilhadas ou comportamento e
interesses semelhantes.
Outro fator importante na escolha das nossas amizades é a reciprocidade. Não é possível amar
sozinho, uma ligação de afeto é uma atividade que requer dois participantes.
Estes fatores, semelhança e reciprocidade, são muito importantes, no entanto o fator principal é a própria
escolha. Escolher livremente aquela pessoa, escolher a sua amizade. E isto é um ato interior, quererem entrar
na vida do outro e querer também que ele entre na minha vida.A amizade existe quando as pessoas têm
prazer na companhia um do outro tem pontos em comum e querem partilhar da vida juntos, gostam de fazer
coisas juntos. As amizades nascem espontaneamente, podemos passar anos com alguém e não sermos
amigos. Isso não existe; inibe um bom relacionamento.
Para criar uma amizade, a única coisa que podemos fazer é orar, ser nós mesmos e esperar pelas pessoas que
se identificam conosco.
TEMA V
OBJETIVOS
Definir aspectos que proporcionem formas de vivências saudáveis dos relacionamentos de namoro,
enfatizando a caminhada e o namoro como caminhos de discernimento para o estado de vida que Deus
escolheu para mim.
MATERIAL
Texto em anexo
Livro: Tecendo o Fio de Ouro da Emmir
Bíblia
YOUCAT
Catecismo da Igreja Católica
METODOLOGIA
Pregação.
ORIENTACAO
- Definir o que é a caminhada, para quê serve e quais os seus objetivos
- Dar exemplos concretos de relacionamentos de pessoas que caminharam e começaram a namorar e de
pessoas que caminharam e viram que não namoraram, enfatizando a caminhada como um tempo de
convivência em uma amizade que não tem carícias, nem contatos, nem compromissos próprios dos
relacionamentos de namoro.
- Ajudá-los a analisar a s reais motivações para iniciar um namoro, questionando-se anteriormente por
quais motivos eu quero namorar.
Explicar porque relacionamentos sexuais não fazem parte da caminhada e do namoro, ressaltando a
importância de conhecer a alma do outro e não o corpo e, por isso, é necessário a convivência e o
conhecimento.
1. O que é um namoro cristão? Porque queremos vivê-lo?
2. O que é viver a castidade no relacionamento de namoro?
3. É isso que queremos viver? É isso que Deus nos chama a viver? Qual nossa escolha?
4. Qual objetivo dos nossos relacionamentos de namoro? Para quê Deus une duas pessoas?
(evangelizar, cuidar, amar, fazer obras de caridade, o que Deus quer do meu namoro hoje?).
5. Diante dos desafios da amizade e do namoro cristão, nós conseguimos dizer: Sim, Pai, não é fácil,
mas eu desejo, eu quero e eu vou?
- Sugere-se a separação das turmas entre homens e mulheres para que seja colocado claramente os limites
dos relacionamentos de namoro, devendo-se levantar as seguintes questões nos grupos:
•Onde eu firo minha castidade e a do outro (Colocar os limites do namoro).
•Como é o beijo? Quais as reações provocam no meu corpo? Devo e posso me permitir sentir isso?
•Como é o meu olhar sobre o outro? Eu olho querendo conhecê-lo ou usá-lo?
•Como é o meu falar do outro? Do corpo do outro? Do meu corpo?
• Como são meus pensamentos? Eles ferem minha castidade? Ferem o zelo que Deus tem pelo corpo
do outro?
• Enfatizar que ferir a castidade envolve tudo isso e não apenas ter uma relação sexual, mas olhares, falar,
carícias, etc.
ANEXO - VI
1. CAMINHADA
1) O conhecimento do outro;
2) O conhecimento da Vontade de Deus. É importante ter em mente que não é um pré-namoro. É um estágio
onde, livremente, vou buscando saber o que Deus quer de nós, se que venhamos a namorar, ou a sermos
bons amigos.
Por isso mesma ela não deve ser declarada: “fulana, vamos caminhar???” Isso não existe, quando
conheço, ou descubro, alguém que desperta sentimentos especiais em mim, devo me aproximar, conversar,
dialogar, conhecer, mas sem dizer-lhe o que ela fez algo especial despertar em meu ser. Relacionamo-nos
como amigos, eu caminho em sua direção e fico atento, a Deus e a ela, para perceber se ela caminha também
em minha direção. Um dos sinais que é Vontade de Deus é quando caminhamos em direção um do outro;
mas isto não é tudo. As coisas precisam acontecer naturalmente. Não se trata de um namoro sem beijos. É
um relacionamento de amizade.
Desde que o sentimento começar, e for identificado como algo real deve ser partilhado com o
acompanhador ou orientador ou formador pessoal. Ele será uma instância de amadurecimento da ideia e de
discernimento. Será o instrutor de Deus para evitar o imediatismo, as ilusões e fantasias, as desordens que
só ferem mais ainda. Esta área que precisa ser ordenada e conduzida por Deus e evitará que nos deixemos
levar pelas nossas paixões.
Não existe um tempo determinado para a caminhada. Depende do temperamento e da postura de vida de
cada um. Há pessoas que precisam mais tempo para se deixarem conhecer, outras têm mais abertura.
Depende também da Vontade de Deus: é preciso ter certeza de que, ao iniciar o namoro, é vontade de Deus
que pelo menos um inicie. Eu não vou saber se vou casar ou não com ela, mas preciso saber se é desejo de
Deus que eu namore.
Na medida em que o sentimento cresce, amadurece, vai se consolidando, ofertado diante de Deus e se
percebe que há uma reciprocidade, pode-se então passar para um novo estágio na caminhada: um momento
de partilha e abertura com o outro. Pode-se falar dos sentimentos que um nutre pelo outro.
É bem verdade que até chegar a este estágio de partilha ainda temos dúvidas acerca dos sentimentos do
outro até porque cada pessoa sente e reage de formas diferentes; não existe uma tabela que me diga como
saber se ela corresponde ou não aos meus afetos. E é bom lembrar aqui que a iniciativa poderá partir tanto
do homem quanto da mulher, porém para as mulheres, é bom ter em mente pela nossa própria sexualidade,
que iniciativa não deve ser uma “conquista vulgar”, mas uma abertura pura de coração, pela sabedoria que
Deus nos dá naturalmente. Sinalizamos nossos sentimentos, com a forma de olhar, de falar e até de tocar.
Há pessoas que possuem dificuldades afetivas e sempre querem esconder seus sentimentos, têm medo de
que o outro saiba o que sente por ele. Mas os homens precisam não só por palavras, mas por certas atitudes,
que chamamos de sinais naturais. Ter a menor segurança de que há reciprocidade para poder chegar o
memento da partilha.
Ainda com relação ao que chamamos aqui de “sinais” é bom ter cuidado: os “sinais” vêm naturalmente,
na simplicidade. Não vamos “forçar a barra” e fazê-lo a qualquer custo notar o que sentimos. Ás vezes pode-
se até correr o risco do outro, na sua sexualidade e em nome desses sinais, sentir que somos “atiradas” ou
de o sufocarmos. Isto não convém. Tudo deve ser vívido no Espírito e segundo a sabedoria que Deus nos
dá.
E quanto aos homens? Eles também precisam de um pouco de tempo para perceber estes sinais e, ás vezes
até os procuram para a eles corresponder.
A caminhada é muito importante. No entanto alguns jovens ainda não entenderam o que ela representa e
por isso queimaram esta etapa, e daí muitas vezes surgem os traumas e as feridas. A caminhada é a segurança
de que a Vontade de Deus acontecerá e é também um processo que purifica os sentimentos. Aprendo a
esperar pelo momento certo para começar o namoro e vivo e beleza do sacrifício. É claro que nós sentimos
vontade de beijar, de fazer carinhos na pessoa que é tão especial para nós, então esperar é um sacrifício, mas
um sacrifício necessário que até firmará mais ainda os meus sentimentos.
Nas escrituras vemos Jacó que esperou quatorze anos para desposar Raquel, por que não conseguimos
esperar alguns meses, o tempo suficiente, para iniciarmos o nosso namoro?
A caminhada ordena as paixões!
A paixão romântica é um impulso emocional de amor. É baseada num conhecimento superficial de uma
pessoa e se ficarmos só nela não passaremos pelas provas de tempo e circunstâncias.
Quando “descubro” alguém, esse alguém exerce sobre mim um poder de atração. Ele é um prêmio para
mim, um bem para a minha sensibilidade. O amor passional independe de mim, ele me “toca” me fascina.
Mas não me basta amar de modo passivo ou á base dos apetites. Eu preciso discernir os apetites, identificar
o que nele me atrai, perceber o que na pessoa me fascina... Isso é um ato da inteligência. É preciso ser
inteligente para amar verdadeiramente. É após esse discernimento faço a escolha por essa pessoa, isso é um
ato de vontade.
No amor humano espiritual a minha inteligência, a minha vontade e a minha afetividade se abrem para
amar o outro. É todo o meu ser que vai amá-lo.
É nesse tempo de espera-caminhada que vou começar a discernir e a fazer a minha escolha por ele/por
ela.
Para escolher alguém é preciso conhecê-lo, estar com ele, fazer coisas juntos. Mas dar também espaços
de “distância”. O amor se alimenta de presença e da ausência física do outro.
É por isso que dizemos que a caminhada ordena as paixões, porque no amor passional se tende a
monopolizar o outro. Já o amor humano-espiritual, também ama com paixão e de maneira sensível, mas a
maneira ordenada, de maneira purificada. E essa purificação é progressiva. Eu vou amá-lo não para mim,
mas para ele. Vou amá-lo de maneira livre, deixando-o livre, e vou amá-lo exatamente como ele é. Vou me
alegrar que ele tenha amigos, pois isso é sinal de crescimento. E esse amor tem suas raízes em Deus, de
modo contrário vai murchar e morrer. Esta é a espiritualidade da caminhada.
1.2 Alguns passos para ajudar no discernimento entre paixão e amor humano-espiritual:
1.1 A paixão romântica pode acontecer sem aviso, independente da pessoa; já o amor cresce
vagarosamente e é fruto da escolha consciente de amar.
1.2 A paixão pode surgir de um conhecimento superficial do outro, o amor cresce através de uma
avaliação da personalidade total da outra pessoa.
1.3 A paixão é auto-centralizada egocêntrica, busca os próprios benefícios e interesses do outro.
1.4 A pessoa exclusivamente apaixonada pode apaixonar-se por duas ou mais pessoas simultaneamente; o
amor genuíno escolhe uma única pessoa.
1.5 A pessoa apaixonada tende a possuir um falso sentido de segurança, é mais propensa ao ciúme; o amor
tem uma segurança firme porque está baseado na crescente confiança, fidelidade, consideração e respeito
mútuo.
1.6 O indivíduo apaixonado é um sonhador. Seus sonhos estão fora da realidade; o amor também sonha,
mas não exageradamente sonhos e realidades se mantêm em equilíbrio.
1.7 Para a pessoa apaixonada a atração física é fundamental; para a pessoa que ama isso não é importante.
Se estou caminhando com alguém para o namoro, preciso sondar meu coração e descobrir as reais
motivações para meus anseios de namoro. E isso é de fundamental importância porque, na nossa sociedade
moderna, somos muitos cobrados acerca do namoro. Se não temos um namorado todos ficam perguntando
o tempo inteiro o que há, o que aconteceu, porque não temos um par, [Link] com que muitos jovens
busquem um relacionamento de namoro simplesmente porque “todo mundo namora” e “todo mundo espere
que eu namore”. A psicologia diz que no final da adolescência e início da fase adulta ocorre uma atração
duradoura para um membro do sexo complementar e essas ligações frequentemente oferecem profunda
gratificação do ego, bem como promovem sentimentos de adequação e segurança. Ou seja, é um desejo
natural do coração da pessoa de forma realmente natural, com discernimento e equilíbrio.
Uma relação de namoro bem estruturada gera muitos frutos. O crescimento da amizade entre os
namorados e entre as pessoas que cercam um e outro, a maturidade humana, afetiva e até espiritual também
são frutos de um namoro á luz de Deus. Os namorados crescem no perdão, na liberdade, na alegria de buscar
o bem do outro, na paciência, na compreensão, na doação de si como diz Teresa de Lisieux, quem ama não
sabe calcular, quer doar-se inteiramente em benefício do outro. Aprende a aceitar o outro exatamente como
ele é e até cria anti-corpus para suprir as limitações da pessoa amada. Enfim, o namoro é uma linda escola
de virtudes.
Auxilia ainda no auto-conhecimento, isto é, o outro me mostra quem ele é, mas me mostra também
quem sou eu, e me ajuda a mudar no que preciso e a crescer nas virtudes que já se manifestam em minha
vida. Tem coisa que eu não posso descobrir a meu respeito enquanto não descobrir que sou amada, assim é
cada um de nós. É um caminho de cura também.
Status Porque “todos namoram”, quem não namora pode, erroneamente, sentir-se desprovido de status, então
procura antecipar a experiência tentando solucionar este problema.
Solidão Em toda a civilização ocidental de consumo, o problema da solidão começa cedo. No entanto,
o namoro procurado por esse motivo cria uma terrível situação de dependência, de transferência dos
problemas com os pais, com os irmãos, etc.
Conflitos Há jovens que buscam no namoro uma fuga das relações conflitantes em casa. Os resultados dessa
relação podem se desastrosos. Não é uma motivação sólida para iniciar um relacionamento. Complexo de
Inferioridade Portadores de alguns complexos de inferioridade inconscientes, alguns jovens descobrem no
namoro o caminho fácil para mascarar essas inferioridades. E não se demoram nos relacionamentos, saem do
namoro e entram logo em outro o tempo inteiro, antes que o outro descubra seus complexos, suas feridas.
Assim adiam sua cura e ferem muitas outras pessoas.
Sexismo Não se deve entrar num relacionamento simplesmente sedento de satisfação sexual. Os seres
humanos precisam saber e entender que são portadores de uma dignidade única e indelével, e que não podem
obscurecer esta dignidade descendo ao nível dos animais, que agem puramente pelo instinto.
De modo geral, todos os psicólogos contraindicam o namoro precoce por uma série de motivos. Não
é novidade para ninguém as dificuldades, a complexidade dos relacionamentos afetivos. Os adolescentes, e
às vezes pré-adolescentes, deparam-se com essa complexidade em plano afetivo, não sabem como lidar com
o relacionamento e aí surgem muitas complicações.
Por conta desta imaturidade afetiva, geralmente ocorre nos namoros entre adolescentes a manipulação
erótica. Não tendo experiências de vida, não tendo assunto, não sabendo o que fazer para preencher o tempo,
o adolescente gasta todo seu tempo em beijos e descobertas precoces do corpo do sexo complementar. E
isso muitas vezes deixa cicatrizes psicológicas sérias.
Esta imaturidade produz ainda o ciúme descabido e desproporcional. Sinal de insegurança de um
dos dois seres.
É importantíssimo falar sobre isso, sobretudo na sociedade em que vivemos onde desde a infância,
no jardim da infância, ou mesmo no maternal, os pais, irmãos, tios, parentes ou vizinhos já perguntam ás
crianças quem é seu namorado. Antes de saber o que é namorar. E hoje é muito comum vermos nos
shoppings pré-adolescentes aos beijos no cinema, ou de paquera nas sorveterias.
Como já vimos, geralmente o primeiro interesse, a primeira atração exercida pela pessoa sobre nós,
é algo “misterioso”, que simplesmente acontece. Mas que isso não basta, é preciso que se faça a escolha de
continuar ou não na busca de aprofundar o sentimento, ou seja, que se escolha ou não a pessoa.
Pesquisas realizadas por sociólogos e psicólogos apontam que a escolha tem maiores possibilidades
de dar certo quando há entre ambos a partilha de uma identidade básica em aparência e fé, ou seja,
comunguem da mesma raça e religião. Sobretudo no que diz respeito á religião é mais que compreensível,
já pensou num casal onde um é cristão, o outro judeu, ou mesmo ambos cristãos mas um crê na intercessão
de Maria e dos Santos e o outro não? Como irão a Deus como casal?
Outros fatores apontados são as semelhanças em antecedentes sócio-econômicos, idade,
inteligência, talento e habilidades adquiridas. É importante que ambos comunguem dos mesmos interesses
básicos, capacidade e valores.
Além disso, diz-se que a reciprocidade na gratificação e necessidades (psicológicas) promovem o
amor. Ou seja, necessidades complementares, por exemplo: pessoas com fortes esforços em direção á
independência e submissão.
Constatou-se ainda que os homens tendem a selecionar seus pares classificados mais altamente a
aparência, a contiguidade de interesses e o bom humor; e que as mulheres classificam as capacidades
intelectuais, status educacional e comodidade social.
No entanto, a mesma psicologia afirma a intensidade do amor tende a sobrepujar estas e muitas
outras considerações, especialmente entre as que estão considerando o casamento, e nós sabemos que nós,
cristãos, devemos sempre namorar ponderando, ou considerando, o matrimônio. Não somos chamados a
brincar ou nos aventurar nos relacionamentos, mas antes a levá-los a sério e a ver no outro um cônjuge, ou
seja, a pessoa com quem irei viver o resto dos meus dias. E assim analisar meus sentimentos, meus desejos,
meus sonhos, analisar o relacionamento.
Mas, na verdade, para nós que pomos nossa segurança e esperança em Deus, quem vai nos dizer
qual é a escolha certa é Ele mesmo. Por isso a imensa importância de apresentarmos a Deus nossos
sentimentos desde o seu surgimento, ouvir o que Ele nos diz, e partilhar com o formador pessoal (ou diretor
ou acompanhador) para que ele nos ajude a discernir e q perceber com clareza a vontade de Deus para nossos
relacionamentos, para nossa vida.
4. O NAMORO
Após o discernimento a dois, e com os respectivos formadores ou orientadores pessoais, começa-
se então, segundo a vontade de Deus, o namoro.
Antes de mais nada é imprescindível a consciência da primazia de Deus no coração de ambos, ou
seja, Deus deve ser sempre o primeiro.
Deus tem que ser mais importante do que o esposo(a) o noivo(a), o namorado(a) pois, caso contrário,
há uma tendência a colocar a si mesmo ou a outra pessoa em primeiro lugar, assim fazendo dele(a) em deus,
fazendo dele(a) a fonte da minha alegria e realização, e passaria a exigir que o outro providenciasse todos
os meus desejos, todos os anseios de meu coração. O problema é que a outra pessoa
é um ser humano, como eu, com pecados, limitações fragilidades. E se amamos colocando toda a nossa
expectativa de felicidade na pessoa amada terminaremos por perder nossa confiança de que somos amados
perfeita e plenamente por Deus. Quando fazemos do outro um deus para nós, acabamos nos decepcionando,
surgem então os ressentimentos, as rejeições, as sensações de fracasso.
6. E AS DISCUSSÕES E OS CONFLITOS?
Que se diria de um casal que não tivesse a menor discussão?
Não perguntariam qual dos dois teria “absorvido” a personalidade do outro?
A diferença entre o homem e a mulher é tão extraordinária que permite, através de uma abordagem
diferente das coisas, um enriquecimento mútuo, desde que empreguemos tempo escutando um ao outro e
tentando nos compreender: troca de pontos de vista, discussões, ás vezes sérias, mas que ajudam a fazer o
amor crescer, pois cresce o conhecimento mútuo. Porém, pode acontecer que alguém esteja tão apegado ás
suas ideias e empenhado em impô-las que não disponha a ouvir o outro, e aí fica complicado, surgem feridas
e cada um tenta reagir de acordo com o temperamento: explodindo, contra-atacando ou fechando-se na
amargura. Nada disso funciona em benefício do amor, pelo contrário, complica mais ainda a situação e
desgasta o relacionamento.
Tenho visto casais se darem muito bem porque, em nome do amor, enquanto um eleva a voz o outro
se controla e, quando os ânimos estão calmos, conversam sobre o assunto, dialogam, falam e ouvem
pacificamente até chegarem a um consenso.
É preciso lembrar sempre que somos humanos e mais, cristãos, mesmo nas divergências. Não se
admite que se jogue por terra a dignidade humana agredindo com palavras ou mesmo fisicamente, por mais
séria que possa ser a divergência. O respeito é, e sempre será, um grande sustentáculo do amor. Ninguém
tem o direito de desrespeitar o outro física ou moralmente, e em nome do amor muito menos. Essa história
de que “pancada de amor não dói” ou que “no campo do amor vale tudo” tem criado muitas armadilhas, tem
enganado a muitos, chamando de amor aquilo que não o é.
Escândalos, discussões em lugares públicos, tudo isso desgasta o relacionamento e sinaliza a
imaturidade afetiva. Não convém nem aos namorados do mundo, nos cristãos, nem se fala.
O envio na liturgia da Missa, que se expressa na despedida "Ite, Missa est", implica que os cristãos são abençoados e têm uma missão a cumprir no mundo. Este momento é interpretado como um chamado para que os fiéis vivam o compromisso do Evangelho em suas ações diárias, transformando suas vidas em reflexos da Eucaristia e fonte de bênçãos para o próximo .
The traditional theological teachings describe angels as non-corporeal beings created by God, functioning as messengers and administration figures in the cosmos. They reflect divine order and hierarchy, providing insights into the nature of divine beings and their role in spiritual governance, offering guidance, and bridging human-divine communication .
The Sacrament of Confirmation is significant as it completes and strengthens the grace received at Baptism, linking the faithful more closely to the Church and enriching them with a special strength from the Holy Spirit. It is viewed as necessary for deepening one's spiritual life and combating temptations, despite not being essential for salvation .
Initially, Christians met in private homes or catacombs to avoid persecution. Church governance evolved democratically, with bishops and presbyters selected to guide communities. The bishop of Rome eventually gained prominence as a key leader following Peter's succession. This adaptive governance ensured doctrinal unity and facilitated the growth of the Church amidst external challenges .
Friendship is seen as critical for spiritual and emotional development as it embodies divine love and promotes virtues like respect, understanding, and loyalty. Building friendships based on spiritual values helps individuals achieve a deeper communion with God and personal growth, highlighting the importance of sharing and mutual respect .
The suggested preparations for a day-long youth spiritual retreat include securing a good music minister for worship sessions, setting up a lunch structure, and planning for the participants, especially the confirmands, to attend Mass with their catechist at the Center for Evangelization. Encouraging participation in Mass underscores the retreat's spiritual objectives .
Santo Irineu de Lião foi crucial ao desenvolver uma doutrina cristã sólida que incluía a existência dos anjos, refutando ideias gnósticas sobre 'eones' celestes independentes de Deus. Ele ensinava que os anjos são criaturas de Deus, que criou e formou tudo, visível e invisível. Isso ajudou a manter a fé na criação divina sob a perspectiva cristã e contra os ensinamentos do gnosticismo .
The 'Dom de Línguas' or Gift of Tongues is considered a prayer gift meant to assist personal and communal prayer life. It allows believers to pray in accordance with God's will, thus overcoming the limitations of human understanding and capacity in prayer. It supports the believer's spiritual expression since the Spirit prays through them .
Early Church martyrs played a crucial role in the growth of Christianity by reinforcing community bonds through their sacrifices. Despite harsh persecutions, these martyrdoms inspired faithfulness among Christians, leading to an increase in conversions. The martyrs' courage and testimony had a unifying effect, making the Christian faith more resilient and attractive .
A mature affective relationship is characterized by a balance between giving and receiving, positive influence focused on the partner's growth, and constructive communication. Emotional maturity involves avoiding selfishness, recognizing and fulfilling the needs of both partners, and maintaining a stabilizing support system within the relationship .