Cozimento do açúcar
Introdução
-Xarope é armazenado em tanque
pulmão e enviado para o setor de
cozimento;
-média de 50% de sacarose, porém
não na forma cristalina;
Cozimento: condições controladas de
temperatura e pressão (simples efeito)
Saturação
Insaturado CS<1
Saturado CS=1
Supersaturado CS>1 (CSS)
Saturação
Depende da temperatura:
A solubilidade de sacarose aumenta
com o aumento da temperatura;
Impurezas alteram a solubilidade da
sacarose (cinzas e açúcares
redutores);
Métodos de Cristalização (Granagem):
Existem 3 métodos diferentes para se fazer a
granagem:
Por meio de adição de semente (semeamento
total) - método mais utilizado atualmente.
Por espera
Por choque: redução brusca da temperatura,
adicionando xarope frio, por exemplo.
Métodos de Cristalização (Granagem):
Método do Semeamento Total:
Vantagens deste Método:
Padronização, maior rapidez e melhor controle
sobre as operações.
• Controle do tamanho do cristal produzido.
• Melhor esgotamento das massas cozidas.
• Garantia de qualidade do açúcar.
Métodos de Cristalização (Granagem):
Preparação da Semente:
• Equipamento de Preparo: moinho de bolas.
• Composição: 1,0 de açúcar para 2,0 litros
de álcool (anidro).
Tempo de Preparo: mínimo de 48 horas (o ideal seria
5 dias), para se obter uma pasta muito fina e
regular.
Tempo de Descanso: o máximo possível (15 dias),
promovendo agitação vigorosa uma vez por dia.
Quantidade de Semente?
• Regra geral: 100 a 200 ml de pasta de semente para
cada 100 hl de massa cozida final a ser arriada para a
centrifuga.
• Pode ser calculada, mas precisa-se conhecer
precisamente o tamanho do cristal da semente.
• Para reduzir o tamanho do cristal final de açúcar a
ser obtido?
• Para aumentar o tamanho do cristal final de açúcar a
ser obtido?
Onde Injetar a Semente?
• Taça com tampa para evitar que se deposite impurezas
durante um cozimento e outro.
• No coletor central, o mais profundo possível, através de
tubulação própria e independente dos tubos de alimentação de
mel.
• Evitar a entrada de ar durante a injeção de semente – tubos
de pequeno diâmetro e sem formar sifão ou pontos mortos
Determinação do Momento de Adição da Semente:
a) “prova do fio” – por meio de uma sonda se retira
uma amostra da massa. Coloca-se um pouco entre o
polegar e o indicador, abrindo-os rapidamente.
• Se o fio se quebra quando se atinge um comprimento
de 2 a 3 cm, é o momento certo de adicionar a
semente.
• Se o brix ideal ainda não foi atingido, o fio se
quebra antes desta medida.
• Para massas muito concentradas, o fio não se rompe
ou se rompe com medidas bem maiores que a indicada
Determinação do Momento de Adição da Semente:
b) Via Refratômetro:
c) Via sondas:
• Rádio Freqüência – necessitam de ajustes
freqüentes. Eficientes para medir brix de méis, onde
não há presença de cristais. Na presença destes, a
medição fica imprecisa.
• Microondas – praticamente não sofrem variações
medem a água em solução e calculam o brix = 1 – água
Ideal para trabalhar na presença de cristais de
açúcar.
Experimento em laboratório...
Tipos de cozedores
-Serpentina clássica
Tipos de cozedores
-Calandria fixa
Cozedores = evaporadores (encher)
Mecanismos de operação Água Evaporada
Caldo Evaporado
Tipos de cozedores
-Calandria flutuante
Tipos de cozedores
-em anel com circula-
ção forçada mecânica.
Tipos de cozedores
Cozedores horizontais
Tipos de cozedores
Especificação
Procedimento na Usina
Procedimento de Cristalização:
a) Preparo do Pé de Cristalização (padronizado):
Objetivo: padronizar o pé-de-cristalização:
• Cristalizar com elevadas purezas, pode levar à formação
de Conglomerados.
• Pureza = 73 a 75%
• Medir a pureza a cada pé e ajustar o set-point de
concentração (brix) de acordo com a curva de saturação.
Componentes do pé de cristalização:
• Mel Rico.
• Mel Rico + Xarope.
• Mel Rico + Mel Pobre.
Procedimento de Cristalização:
• Alimentar o tacho com o pé-de-cristalização até cobrir a
Calandra.
• Iniciar a concentração da massa, com a injeção de vapor,
até o ponto de supersaturação (“ponto fio”).
- Não permitir que a massa ultrapasse a zona meta-
estável, atingindo a zona lábil, evitando a formação de
cristais falsos.
- No início da concentração – válvula 100% aberta.
Procedimento de Cristalização:
b) Fase da Formação dos Cristais – injeção da semente:
• À medida que a concentração se aproxima do “ponto fio”, a
válvula de vapor se fecha gradativamente, para evitar que a zona
lábil seja atingida.
• A válvula de vapor deve ficar um pouco aberta para possibilitar
uma melhor circulação da massa por evaporação.
• Necessidade de agitadores mecânicos.
• Atingido o ponto de injeção da semente (ponto fio ideal),
quebrar o vazio parcialmente para elevar a temperatura a 70°C.
Procedimento de Cristalização:
• Injetar a semente.
Para SS = 1,2:
Pureza = 75% - Temperatura = 70°C - Brix = 82,61%
• Aguardar a formação da quantidade desejada de cristais
(tempo).
- Nesta fase usa-se injetar água com dois objetivos:
Manter a concentração constante (evitar a zona lábil).
Manter uma agitação vigorosa da massa.
- O uso de água pode ser eliminado com um bom sistema de
automatização do tacho, controlando-se a alimentação de vapor.
Procedimento de Cristalização:
c) Fase de Crescimento dos Cristais:
• Após a formação da quantidade de cristais
desejada, iniciar a alimentação de mel.
- A alimentação de mel deve ser controlada em função
da evaporação, mantendo-se a concentração constante.
- O brix durante a alimentação deve ser um pouco
maior que o brix de granulação, para acelerar o
crescimento dos cristais.
- A concentração da massa deve ser proporcional ao
seu esgotamento, para impedir que a massa chegue à
zona lábil, onde ocorre a formação de cristais falsos.
Procedimento de Cristalização:
d) Aperto – Fase de Aumento do Esgotamento:
• Atingido o nível final de trabalho do tacho, iniciar a
concentração final da massa (set-point de concentra
point de concentração final).
- Fecha-se a válvula de alimentação de mel,
mantendo-se a alimentação de vapor e o vazio até a
massa atingir o brix desejado.
- O aperto não pode ser feito muito rápido. O
aumento do Brix deve acompanhar a curva de redução
de pureza da massa. A medida que a massa se esgota,
o brix aumenta, mantendo o sistema dentro da zona
meta-estável.
Procedimento de Cristalização:
e) Descarga da Massa:
• Atingido o brix final programado, fechar a válvula
de vapor, romper o vazio e descarregar a massa.
Brix de Massa Ideais:
- Massa A = 92 a 93%
- Massa B = 94 a 95%
• Atingido o brix final programado, fechar a válvula
de vapor, romper o vazio e descarregar a massa.
Procedimento de Cristalização
f) Limpeza do Tacho:
• Terminada a descarga da massa, iniciar o
procedimento de limpeza do tacho com vapor
(“evaporação”) para eliminar os cristais de açúcar que
ficaram depositados (visa qualidade).
•Deve-se utilizar vapor V1 para efetuar esta limpeza:
-Condensação mais fácil, formando água mais
rapidamente.
-Tempo de limpeza maior.
• A água resultante do processo de limpeza não deve
ser
descarregada no cristalizador ou depósito de massa. O
mesmo deve ocorrer com as águas das pias dos tachos.
Procedimento de Cristalização:
f) Limpeza do Tacho:
• Manter o vácuo baixo para que a temperatura seja
alta.
• A limpeza deve impedir o progresso de destruição de
açúcares, que formariam incrustações que certamente
piorariam a qualidade do açúcar nos próximos
cozimentos.
• Se possível, ferver água nos tachos uma vez por dia,
principalmente no de granagem.
Tamanho dos Cristais:
O tamanho dos cristais e seu coeficiente de variação
são importantes para a qualidade do açúcar e para o
processo em si.
•Cristais finos representam baixa eficiência de
recuperação
• Cristais finos reduzem a porosidade da camada de
massa dentro do cesto da centrífuga, dificultando a
purga do mel.
• Cristais finos aumentam a superfície específica dos
cristais, facilitando a deposição de não-açúcares
(impurezas) sobre o mesmo.
• Nos cristais maiores, a presença de não-açúcares
está associada a inclusões, germinados e conglomerados.
Tamanho dos Cristais:
Fatores que afetam o coeficiente de variação dos
cristais:
• A prática de bom processo de cristalização, evitando
a formação de cristais falsos.
• A probabilidade de ocorrer a formação de cristais
falsos é menor quando se cristaliza com supersaturação
mais baixa (S = 1,2, por exemplo).
• Automatização do tacho de cristalização.
Fatores que evitam a formação de germinados e
conglomerados:
• Cristalizar com purezas mais baixas (70 a 75%). A
probabilidade de ocorrência destes cristais na
cristalização com xarope é menor.
• Cristalizar em supersaturações mais baixas.
• Evitar alta taxa de evaporação
Causa da formação de cristais falsos
•Entrada de ar no tacho:
-Abaixa a temperatura da massa, alterando o ponto
de saturação.
• Circulação insuficiente:
-Está provado que a agitação mecânica melhora a
qualidade e a granulometria do açúcar.
• Presença de impurezas no xarope:
- Pequenas partículas de impurezas servem como
pontos efetivos de formação de novos núcleos de
cristais.
• Presença de cristais no mel alimentação
- Necessidade de um eficiente sistema de diluição e
aquecimento do mel de alimentação.
Circulação Natural (tachos sem circuladores
mecânicos):
A boa circulação é necessária para garantir
renovação do licor-mãe ao redor dos cristais.
Os fatores de projeto que afetam a circulação de massa
são:
- Razão de circulação = ∑ área dos tubos ÷ Área do tubo
central ~ 3.
- Altura dos tubos – máximo de 1,0 metro.
- Diâmetro dos tubos – 4”.
- Instalação para eliminação de gases incondensáveis
adequada e bem dimensionada uniformiza a distribuição
de vapor, maximizando a circulação natural da massa.
Circulação Natural (tachos sem circuladores mecânicos):
• Outros fatores que influenciam a circulação da massa são:
-Brix do Xarope – quanto maior, mais difícil a circulação
-Brix até 65% - tacho opera bem sem circuladores mecânicos
-Brix 65 a 68% - é aconselhável o uso de circuladores.
-Brix > 68% - uso de circuladores praticamente obrigatório.
-Brix dos Méis Diluídos:
- Sem circulação = 65 a 70%.
O conteúdo de água é o responsável pela boa circula pela boa
circulação da massa. Porém, a sua adição no tacho, durante o
processo de cozimento, deve ser evitada ao máximo.
Outros Pontos Importantes:
a) Brix do Xarope:
Brix de xarope alto
Aumenta o risco de formação de cristais falsos e
diminui a velocidade de crescimento dos cristais.
Brix de xarope baixo
Aumenta o tempo de cozimento, aumentando a
possibilidade de desenvolvimento de cor.
Aumenta o consumo de vapor.
Outros Pontos Importantes:
b) Cortes:
• O corte da massa é feito com o objetivo de atingir o
tamanho desejado de cristais.
- Os cortes devem ser proporcionais. Cortes
desproporcionais promovem a formação de cristais de
tamanhos diferentes. Tachos de tamanhos diferentes
favorecem a desproporcionalidade.
- O ideal seria enviar a massa do primeiro cozimento
para um depósito e destiná-la a cada tacho na
quantidade proporcional a sua capacidade.
Cozimento em duas massas
Fluxograma de Fabrica de Açucar
com Duas Massas