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Ministério da Justiça CORDE
Câmara Técnica

Autismo e Outras Psicoses Infanto Juvenis


Período:
13 a 16 de junho de 1996.

Local:
Petrópolis / RJ

Objetivos:
a) universalizar informações sobre autismo e psicoses infanto- juvenis frente à novas posturas e
abordagens na área;
b) propor indicadores para a estruturação de serviços públicos e privados de atenção à
portadores da síndrome do autismo e de psicoses infanto-juvenis, nas áreas de saúde,
educação, trabalho e assistência social;
c) elaborar e publicar documento contendo os resultados das discussões com vistas à difusão de
conhecimento e subsídios para elaboração de políticas, planos e programas nas áreas de
atenção a essas pessoas.
INTRODUÇÃO
A partir da década de 80, iniciou-se no Brasil um movimento de organização, serviço e atenção
sistematizada a portadores da síndrome de autismo e psicoses infanto-juvenis. Este processo
nasceu da iniciativa das associações de pais desprovidos de quaisquer atendimentos
especializados para seus filhos.
Em face da necessidade de:
a) universalizar informações sobre o autismo e psicoses infanto-juvenis frente a novas posturas
e abordagens na área;
b) propor indicadores para a estruturação de serviços públicos e privados de atenção à pessoa
portadora de síndrome do autismo e de psicoses infanto-juvenis, nas áreas de saúde, educação,
trabalho e assistência social;
c) elaborar e publicar documento contendo os resultados das discussões com vistas à difusão de
conhecimentos e subsídios de políticas, planos e programas nas áreas de atenção a essas
pessoas.
A Associação Brasileira de Autismo (ABRA), que congrega as diversas associações de pais, e o
Grupo de Estudo e Pesquisas em Autismo e outras Psicoses Infantis (GEPAPI*) solicitaram à
CORDE que abrisse um espaço para discussão com representantes dos diversos segmentos
envolvidos. Para tanto, foi convocada uma câmara técnica sobre autismo e outras psicoses
infanto-junvenis que, com o apoio da Universidade Católica de Petrópolis, realizou-se nos dias
13 a 16 de junho de 1996, na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro.
Estima-se em 1,5 para cada 1.000 nacimentos a prevalência de portadores de transtorno
invasivo do desenvolvimento (CID - 10).**
Essa clientela percorre diversos serviços em busca do atendimento às suas necessidades,
observando-se as seguintes situações:
Uma minoria dessas pessoas encontra serviços estruturados; outra pequena parcela consegue
atendimento em algumas áreas, mas a grande maioria está desassistida e, portanto, sem
acesso aos direitos básicos de cidadania.
* Grupo de Profissionais Especializados de Formação Multidisciplinar
** CID - Classificação Internacional de Doenças
O atual modelo de assistência, em nosso País, caracteriza-se pela escassez, desarticulação e
fragmentação dos serviços, decorrente da ausência de uma política governamental que oriente
e apoie as ações intersetoriais necessárias ao atendimento integral dessas pessoas.
Concomitantemente, a desinformação da comunidade sobre os aspectos peculiares do
comportamento do autista prejudica sobre-maneira sua socialização, impedindo o
desenvolvimento de suas potencialidades.
Há também consenso de que a falta de informação da família é um obstáculo ao
desenvolvimento do membro afetado.
Ressalte-se que o sistema de formação de profissionais, em todos os níveis, não atende por sua
precariedade à demanda em seus aspectos quantitativos e qualitativos.
Os currículos dos cursos de formação das áreas de assistência à saúde e educação abordam,
de uma forma genérica, as questões relacionadas ao tema .
Desta maneira, propõe-se um novo modelo de atenção que contemple, de uma forma
abrangente e resolutiva, as necessidades desses cidadãos e de seu grupo familiar.
A CÂMARA TÉCNICA
A proposição de indicadores para estruturação de serviços públicos e privados de atenção a
portadores da síndrome do autismo e de outras psicoses infanto-juvenis nas áreas de saúde,
educação, trabalho e assistência social, requer a participação e o comprometimento dos atores
sociais envolvidos com o tema, tendo como premissa que esses indicadores sirvam de
subsídios a políticas, planos e programas nas respectivas áreas, de uma forma sistematizada,
que assegure os direitos constitucionais das pessoas afetadas.
A proposta consubstanciou-se numa câmara técnica que se caracterizou como um fórum
democrático, e propiciou, pela profundidade de seus debates, a elaboração de indicadores para
a estruturação de serviços especializados.
LOCAL E PERÍODO:
A Câmara Técnica sobre Autismo e Outras Psicoses Infanto-Juvenis realizou-se no Riverside
Park Hotel, Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, no período de 13 a 16 de junho de 1996.
OBJETIVOS:
A Câmara Técnica teve como objetivos:
a) universalizar informações sobre autismo e psicoses infanto- juvenis frente à novas posturas e
abordagens na área;
b) propor indicadores para a estruturação de serviços públicos e privados de atenção à
portadores da síndrome do autismo e de psicoses infanto-juvenis, nas áreas de saúde,
educação, trabalho e assistência social;
c) elaborar e publicar documento contendo os resultados das discussões com vistas à difusão de
conhecimento e subsídios para elaboração de políticas, planos e programas nas áreas de
atenção a essas pessoas.
CONTRIBUIÇÕES PRETENDIDAS:
Com a realização desta Câmara Técnica, pretendeu-se a obtenção dos seguintes produtos:
a) conceituais/operativos
•reflexão, pelos participantes, sobre os conhecimentos sobre o autismo e psicoses infanto-
juvenis, tanto a nível conceitual quanto na prática do atendimento de pessoas afetadas;
•reformulação de entendimentos e comportamentos que se apresentem como eventuais
inibidores do engajamento consciente no processo de atenção a essas pessoas;
•assunção de papéis, funções e responsabilidades requeridos tanto na esfera pública quanto
privada, na atenção integral a portadores de autismo e psicoses, assegurados seus direitos
constitucionais.
b) técnicos
•proposição de diretrizes sobre atuação de órgãos públicos e privados na área de atenção a
portadores da síndrome do autismo e de psicoses infanto-juvenis;
•identificação e proposição de indicadores para a estruturação de serviços especializados
nas áreas de saúde, educação, trabalho e assistência social;
•redação de documento contendo as proposições elaboradas.
TEMÁTICAS TRATADAS
A proposta básica foi promover a utilização de metodologia que privilegie o envolvimento e o
comprometimento de órgãos governamentais e não-governamentais, participantes do processo,
na discussão e no tratamento das questões centradas nas seguintes áreas de estudo:
diagnóstico e caracterização de usuários;
aspectos tecnológicos, métodos, técnicas e procedimentos no atendimento ao usuário;
considerações no trato com a família e a comunidade;
recursos humanos - perfil do profissional para atuar na área e capacitação de pessoal;
caracterização dos serviços especializados - gestão e competência.
Os temas propostos foram discutidos com a utilização de técnicas num enfoque em que os
próprios participantes constituiam órgão de estudos e de resolução de problemas,
desempenhando os papéis principais de identificar, formular e recomendar indicadores para a
estruturação dos serviços públicos e privados ligados à área em estudo.
Assim, pode-se dizer que, com a adoção de métodos e técnicas específicos de condução, foram
considerados os seguintes pontos para consecução dos objetivos do trabalho:
•geração de significativo acervo de informações em nível de identificação e definição de
indicadores;
•envolvimento dos representantes dos diversos segmentos influentes, propiciando
condições básicas para o exercício de participações efetivas, com responsabilidade e
comprometimento;
•funcionamento numa abordagem de participação ativa, enfatizando os mecanismos de
continuidade das ações.
OPERACIONALIZAÇÃO DA CÂMARA TÉCNICA
Forma de desenvolvimento
O trabalho desenvolveu-se em fórum livre, aberto e democrático, em que os convidados
tiveram a oportunidade de debater, discutir, posicionar-se e propor, de forma que, ao final da
Câmara Técnica, os objetivos estabelecidos e definidos foram alcançados com eficiência e
eficácia.
No decurso do evento, os participantes foram assistidos pelo coordenador e facilitador, em todas
as etapas de trabalho, que buscaram obter as informações necessárias para obtenção dos
produtos pretendidos.
As atividades de sistematização dos trabalhos foram desenvolvidos por um grupo de cinco
integrantes, dentre os participantes, tendo um deles assumido o papel de coordenador geral.
CARACTERIZAÇÃO DOS USUÁRIOS
São usuários dos serviços propostos portadores de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento
(TID), de acordo com a CID 10 e/ou Distúrbios Abrangentes do Desenvolvimento, conforme
estabelecido pelo DSM IV*, assim como seus familiares.
Entende-se por:
PORTADORES DE DISTÚRBIOS ABRANGENTES DO DESENVOLVIMENTO DSM - IV E/OU
CID 10 E SEUS FAMILIARES
Transtornos Abrangentes do Desenvolvimento
Esse grupo de transtornos é caracterizado por anormalidades qualitativas em interações sociais
recíprocas e em padrões de comunicação por um repertório de interesses e atividades restrito,
esteriotipado e repetitivo. Essas anormalidades qualitativas são um aspecto invasivo do
funcionamento do indivíduo em todas as situações, embora possam variar em grau. Na maioria
dos casos, o desenvolvimento é anormal desde a infância e, com poucas exceções, as
condições se manifestam nos primeiros cinco anos de vida. É comum, mas não invariável,
haver algum grau de comprometimento cognitivo, mas os transtornos são definidos em termos
de comportamento que é desviado em relação à idade mental (seja indivíduo retardado ou não).
Há algum desacordo quanto à subdivisão desse grupo global de transtornos invasivos do
desenvolvimento.
Em alguns casos, os transtornos estão associados, e são presumivelmente decorrentes, a
alguma condição médica das quais espasmos infantis, rubéola congênita, esclerose tuberosa,
lipoidose cerebral e anomalia da fragilidade do cromossoma X estão entre as mais comuns.
Entretanto, o transtorno deve ser diagnosticado com base nos aspectos comportamentais,
independente da presença ou ausência de quaisquer condições médicas associadas; qualquer
condição associada deve, todavia, ser codificada separadamente. Se um retardo mental está
presente, é importante que ele também seja codificado à parte, sob F70 - F79, porque ele não é
um aspecto universal dos transtornos invasivos de desenvolvimento.
DSM IV - Critérios Diagnósticos da American Psychiatric Association - 1994
Autismo Infantil
Um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento é definido pela presença de desenvolvimento
anormal e/ou comprometido que se manifesta antes da idade de três anos e pelo tipo
característico de funcionamento anormal em todas as três áreas de interação social,
comunicação e comportamento restrito e repetitivo. O transtorno é três ou quatro vezes mais
frequente em garotos que em meninas.
Diretrizes diagnósticas
Em geral, não há um período anterior de desenvolvimento inequivocamente normal, mas, se há,
anormalidades começam a se manifestar antes da idade de três anos. Há sempre
comprometimentos qualitativos na interação social recíproca, estes tomam a forma de uma
apreciação inadequada de indicadores sócio-emocionais, demonstrada por falta de resposta às
emoções de outras pessoas e/ou pela falta de modulação do comportamento, de acordo com o
contexto social; uso insatisfatório de sinais sociais; e uma fraca integração dos comportamento
sociais, emocionais e de comunicação e, especialmente, falta de reciprocidade sócio-emocional.
São também universais os comprometimentos qualitativos na comunicação. Esses
comprometimentos tomam a forma de uma falta de uso social de quaisquer habilidades de
linguagem existentes; comprometimento em brincadeiras de faz-de-conta e jogos sociais de
imitação; pouca sincronia e falta de reciprocidade no intercâmbio de conversação; pouca
flexibilidade nas expressão da linguagem e relativa ausência de criatividade e de fantasia nos
processos de pensamento; falta de resposta emocional às iniciativas verbais e não-verbais de
outras pessoas; uso comprometido de variações na simplicidade ou ênfase ao refletir
modulação comunicativa e semelhante falta de gestos concomitantes para dar ênfase ou
aumentar a significação na comunicação falada.
A condição é também caracterizada por padrões de comportamento, interesses e atividades
restritos, repetitivos e estereotipados. Isto toma a forma de uma tendência para impôr rigidez e
rotina a uma ampla série de aspectos do funcionamento diário; em geral, isto se aplica tanto a
atividades novas como a hábitos familiares e a tipos de brincadeiras. Particularmente na
primeira infância, pode haver vinculação específica a objetos incomuns, tipicamente não-
macios. A criança pode insistir na realização de rotinas particulares e em rituais de caráter não-
funcional; pode haver preocupações estereotipadas com questões tais como datas, itinerários ou
horários; há frequentemente, estereotipias motoras; é comum o interesse específico por
elementos não funcionais de objetos (como seu cheiro ou tato) e pode haver resistências a
mudanças na rotina ou em detalhes no meio ambiente pessoal (as mudanças de decorações ou
móveis de casa).
Além desses aspectos diagnósticos específicos, é frequente a criança com autismo apresentar
uma série de outros problemas não-específicos tais como medo/fobias, perturbações de sono e
de alimentação, acessos de birra e agressão. Autolesão (p. ex. morder o punho) é muito
comum, especialmente quando associado a retardo mental grave.. A maioria dos indivíduos
com autismo carece de espontaneidade, iniciativa e criatividade na organização de seu tempo
-lazer tem dificuldade em aplicar conceituações em decisões no trabalho (mesmo quando as
tarefas em si estão à altura de sua capacidade). A manifestação específica do déficit
característico do autismo muda à medida que as crianças crescem, mas os déficit continuam
através da vida adulta com padrão amplamente similar de problemas na socialização,
comunicação e padrões de interesse. As anormalidades do desenvolvimento devem se
manifestar nos três primeiros anos, para que o diagnóstico seja feito, mas a síndrome pode ser
diagnosticada em todos os grupos etários.
Todos os níveis de QI podem ocorrer juntamente com o autismo, mas o retardo mental é
significativo em cerca de ¾ dos casos.
Inclui: transtorno autista
autismo infantil
psicose infantil
síndrome de Kanner
Diagnóstico Diferencial
À parte outras variedades de transtorno invasivo do desenvolvimento, é importante considerar:
transtorno específico do desenvolvimento da linguagem receptiva (F80.2) com problemas sócio-
emocionais secundários; transtorno reativo de vinculação (F94.1) ou transtorno de vinculação
com desinibição (F94.2) ; retardo mental (F70-79) com algum transtorno emocional/de
comportamento associado; esquizofrenia (F20) de início raramente precoce e síndrome de Rett
(F84.2).
Exclui: psicopatia autista (F84.5)
Autismo Atípico
É transtorno invasivo do desenvolvimento que difere do autismo em termos ou de idade de
início ou de falha em preencher todos os três conjuntos de critérios de diagnóstico. Assim, o
desenvolvimento anormal e/ou comprometido se manifesta, pela primeira vez, após os idade de
três anos e/ou se anormalidades insuficientemente demonstráveis numa ou duas das três áreas
de psicopatologia requeridas para o diagnóstico de autismo (a saber, interações sociais
recíprocas, comunicação e comportamento restrito, estereotipado e repetitivo), a despeito de
anormalidades características em outra(s) área(s). O autismo atípico é mais frequente em
indivíduos profundamente retardados, cujo nível por ser de muito baixo funcionamento oferece
pouca oportunidade de exibir comportamentos desviados específicos, requeridos para o
diagnóstico de autismo; ocorre, também, em indivíduos com grave transtorno específico do
desenvolvimento da linguagem receptiva. O autismo atípico constitui então uma condição
significativamente distinta do autismo.
Inclui: psicose atípica da infância;
retardo mental com aspectos autistas.
Síndrome de Rett
É condição de causa até agora desconhecida registrada apenas em meninas,que tem sido
diferenciada com base num início, curso e padrão de sintomatologia característicos. Um
desenvolvimento inicial aparentemente normal ou quase normal é tipicamente seguido por
perda total ou parcial de habilidades manuais adquiridas e da fala, juntamente com uma
desaceleração do crescimento do crânio, que, em geral, tem início entre os 7 e 24 meses de
idade. São caracteríticas particulares, estereotipias de aperto de mão, hiperventilação e perda
de movimentos propositais da mão. O desenvolvimento social e lúdico é interrompido nos
primeiros dois ou três anos, mas o interesse social tende a se manter. Durante a metade da
infância, ataxia e apraxia do tronco, associadas a escoliose ou sifoescoliose, tendem a se
desenvolver e às vezes há movimentos coreoateóides. O resultado é invariavelmente um grave
prejuízo mental. Convulsões frequentemente se desenvolve durante o início ou meio da
infância.
Diretrizes diagnósticas
Na maioria dos casos, o início está entre os 7 e 24 meses de idade. O aspecto mais
característico é a perda de movimentos propositais das mãos e das habilidades motoras
manipulativas finas adquiridas. Isto é acompanhado por perda parcial ou falta de
desenvolvimento da linguagem; movimentos tortuosos estereotipados característicos de aperto
ou "lavagem das mãos", com os braços flexionados em frente ao tórax ou queixo; molhar as
mãos estereotipadamente, com saliva; falta de mastigação apropriada da comida; episódios
freqüentes, de hiperventilação; quase sempre uma falha em alcançar controle intestinal e
vesical; frequentes salivação excessiva e protrusão da língua e uma perda do envolvimento
social. Tipicamente, as crianças retêm uma espécie de "sorriso social", olhando para ou
"através" das pessoas, mas não interagindo socialmente com elas na primeira infância (embora,
com frequência, uma interação social se desenvolva mais tarde) a ponto a postura e a marcha
tendem a ter uma base alargada, os músculo são hipotônicos, os movimentos do tronco
usualmente tornam-se insatisfatoriamente coordenados e escoliose ou cifoescoliose
habitualmente se desenvolve. Atrofia espinhal, com incapacidade motora grave, se desenvolve
na adolescência ou idade adulta, em aproximadamente metade dos casos. Mais tarde, uma
espasticidade rígida pode se manifestar e é em geral mais pronunciada nos membros inferiores
do que nos superiores. Crise epilépticas, usualmente envolvendo algum tipo de ataque menor e
com o início geralmente antes da idade de 8 anos, ocorrem na maioria dos casos. Em contraste
com o autismo tanto auto-injúrias deliberadas quanto preocupações ou rotinas estereotipadas e
complexas são raras.
Diagnóstico diferencial
De início, a síndrome de Rett é primariamente diferenciada com base na falta de movimentos
propositais das mãos, desaceleração do crescimento do crânio, ataxia, movimentos
estereotipados do tipo "lavar as mãos" e falta de mastigação apropriada. O curso do transtorno,
em termos de deteriorazação motora progressiva, confirma o diagnóstico.
Outros transtornos desintegrativos da infância
Um transtorno invasivo do desenvolvimento (outro que não a síndrome de Rett) que é definido
por um período de desenvolvimento normal antes do início e por uma perda definitiva, no curso
de poucos meses de habilidades previamente adquiridas em pelo menos várias áreas do
desenvolvimento junto com o início de anormalidades características do funcionamento social,
comunicativo e do comportamento. Muitas vezes há um período prodrômico* de doença vaga; a
criança se torna irriquieta, irritável, ansiosa e hiperativa. Isso é seguido por empobrecimento e
então perda da fala e linguagem, acompanhado por desintegração do comportamento. Em
alguns casos, a perda de habilidades é persistentemente progressiva (em geral quando o
transtorno está associado a uma condição neurológica progressiva diagnosticável), mas
frequentemente o declínio que ocorre em um período de alguns meses é seguido por um platô e
então por uma melhora limitada. O prognóstico é usualmente muito pobre e a maioria dos
indivíduos evolui para um retardo mental grave. Há incerteza sobre a extensão na qual essa
condição difere do autismo. Em alguns casos, o transtorno pode ser demonstrado como
decorrente de alguma encefalopatia associada, mas o diagnóstico deve ser feito pelos aspectos
comportamentais. Qualquer condição neurológica associada deve ser codificada
separadamente.
Diretrizes diagnósticas
O diagnóstico é baseado em um desenvolvimento aparentemente normal até a idade de pelo
menos dois anos, seguido por uma perda definitiva de habilidades previamente adquiridas; isso
é acompanhado por um funcionamento social qualitativamente anormal. É comum haver uma
profunda regressão ou perda da linguagem, uma regressão no nível das brincadeiras,
habilidades sociais e comportamentos adaptativos e muitas vezes uma perda do controle
intestinal ou vesical, algumas vezes com uma deterioração do controle motor. Tipicamente, isso
é acompanhado por uma perda geral do interesse pelo ambiente, por maneirismos motores
repetitivos e estereotipados e por um comprometimento do tipo autista da interação social e da
comunicação. Em alguns aspectos, a síndrome lembra a demência na vida adulta, mas difere
em três aspectos-chave: não há em geral nenhuma evidência de qualquer lesão ou doença
orgânica identificável (embora uma disfunção cerebral orgânica de algum tipo seja usualmente
inferida); a perda de habilidades pode ser seguida por um grau de recuperação e o
comprometimento na socialização e comunicação tem qualidades desviadas mais típicas de
autismo do que de declínio intelectual. Por todas estas razões, a síndrome está aqui ao invés de
sob F00 - F09.
* Prodômico - Fenômeno Clínico que Revela o Início de uma Doença
Inclui: demência infantil
psicose desintegrativa
síndrome de Heller
psicose simbiótica
Exclui: afasia adquirida com epilepsia (F80.3)
mutismo eletivo (F94.0)
síndrome de Rett (F84.2)
esquizofrenia (F20. - )
Transtorno de hiperatividade associado a retardo mental e movimentos esteriotipados
Esse é um transtorno mal definido de validade nosológica incerta. A categoria grave (QI abaixo
de 50) que apresentam problemas maiores de hiperatividade e desatenção, assiduamente
mostram comportamentos estereotipados; tais crianças tendem a não se beneficiar com drogas
estimulantes (ao contrário daquelas com um QI na faixa normal) e podem exibir uma reação
disfórica grave (às vezes com retardo psicomotor) quando toma estimulantes; na adolescência a
hiperatividade tende a ser substituída por hipoatividade (um padrão que não é usual em
crianças hipercinéticas com inteligência normal). É também comum a síndrome estar associada
a uma variedade de atrasos do desenvolvimento, sejam específicos ou globais.
A extensão na qual o padrão de comportamento é uma função de baixo QI ou de lesão cerebral
orgânica não é conhecida, nem está claro se os transtornos em crianças com retardo mental
moderado, que exibem a síndrome hipercinética, seriam melhor classificados aqui ou sob F90;
no presente momento eles são incluídos em F90.
Diretrizes diagnósticas
O diagnóstico depende da combinação de hiperatividade grave e inapropriada ao
desenvolvimento, estereotipias motoras e retardo mental grave; todos os três devem estar
presentes para o diagnóstico. Se os critérios diagnósticos para F84.0, F84.1 ou F84.2 são
satisfeitos, aquela condição deve ser diagnosticada aos invés desta.
Síndrome de Asperger
Um transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado pelo mesmo tipo de anormalidades
qualitativas de interação social recíproca que tipifica o autismo, junto com um repertório de
interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. O transtorno difere do autismo
primariamente por não haver nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou
de linguagem. A maioria dos indivíduos é de inteligência global normal, mas é comum que seja
marcantemente desajeitada; a condição ocorre predominantemente em meninos (em uma
proporção de cerca de 8 garotos para uma menina). Parece altamente provável que alguns
casos têm variedades leves de autismo, mas é incerto se é assim para todos. Há uma forte
tendência para que as anormalidade persistam na adolescência e na vida adulta e parece que
elas representam características individuais que não são grandemente afetadas por influências
ambientais. Episódios psicóticos ocasionalmente ocorrem no início da vida adulta.
Diretrizes diagnósticas
O diagnóstico é baseado na combinação de uma falta de qualquer atraso global significamente
no desenvolvimento da linguagem ou cognitivo, como com o autismo, a presença de
deficiências qualitativas na interação social é recíproca e padrões de comportamento interesses
e atividades restritos, repetitivos e estereotipados. Pode haver ou não problemas de
comunicação similares àqueles associadas ao autismo, mas um retardo significativo de
linguagem excluiria o diagnóstico.
Inclui: psicopatia autista
Transtorno esquizóide da infância
Exclui: Transtorno de personalidade anancástica (F60.5)
Transtornos de vinculação na infância (F94.1,F94.2)
Transtorno obsessivo-compulsivo (F42)
Transtorno esquizotípico (F21)
Esquizofrenia simples (F20.6)
Outros transtornos invasivos do desenvolvimento
Transtorno invasivo do desenvolvimento, não-especificado
Essa é uma categoria diagnóstica residual que deve ser usada para transtornos os quais se
encaixam na descrição geral para transtornos invasivos do desenvolvimento, mas nos quais
uma falta de informações adequadas ou achadas contraditórias indicam que os critérios para
qualquer dos outros códigos F84 não podem ser satisfeitos.
RESULTADO DA SISTEMATIZAÇÃO DOS TRABALHOS
1. PROCEDIMENTOS E RECURSOS INTERSETORIAIS NO ATENDIMENTO A USUÁRIOS
Prioriza-se o atendimento por equipe multiprofissional com atuação interdisciplinar.
O desenvolvimento de propostas de atenção aos usuários deve estar inserido no contexto de
suas necessidades individuais, abrangendo seu núcleo familiar e comunidade e permitindo uma
visão integral, em que o referencial teórico e metodológico dos serviços e dos profissionais
esteja sintonizado com as características dessa clientela.
Destaca-se a importância da elaboração, por parte da equipe multiprofissional, de uma proposta
terapêutica e educacional individualizada que contemple a estruturação das atividades do
ambiente e das relações interpessoais.
Merece especial atenção a necessidade de programas e serviços que assegurem ao
adolescente sua preparação para a vida adulta.
Esses procedimentos devem ser sistematicamente acompanhados para controle e avaliação da
qualidade dos serviços, mediante a utilização de indicadores de resultados.
Os procedimentos educacionais devem ser norteados pelos princípios de integração,
funcionalidade, produtividade e independência, além daqueles que regem a Política Nacional de
Educação Especial.
As propostas educacionais deverão ser adaptadas às condições locais, às necessidades do
usuário e ao transtorno de comunicação apresentados por essa clientela, com a utilização de
métodos de acordo com os princípios éticos vigentes.
Deve-se explorar o uso de recursos auxiliares no processo ensino-aprendizagem, onde cada
área deve ter um programa geral e cada aluno segue um programa individual.
A educação do portador de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento - (TID) tem por objetivo
desenvolver ao máximo suas habilidades e competências, favorecer seu bem-estar emocional e
seu equilíbrio pessoal, tentando aproximá-lo de um mundo de relações humanas significativas.
Os procedimentos educacionais devem ser estruturados, iniciando-se o processo o mais cedo
possível, dando-lhe continuidade por meio de atendimentos especializados com vistas à
educação para o trabalho.
Nesse processo, a avaliação do educando deverá ser contínua, permanente e contextual, de
acordo com os objetivos priorizados no programa individual.
Enfatiza-se a necessidade de informar e sensibilizar a comunidade escolar sobre as
características específicas desse alunado.
Deve ser estimulada a elaboração de projetos pedagógicos específicos e de acordo com o
educando em suas diversas etapas: infância, adolescência e idade adulta.
Considera-se como parte das ações intersetoriais a assistência social a ser desenvolvida como
apoio básico por meio de ações em redes sociais primária (a família) e secundárias (a
comunidade).
Os procedimentos de saúde devem ser estruturados de uma maneira sistêmica, com o
funcionamento interdisciplinar, interinstitucional e intersetorial (público, privado e ONG),
garantindo tratamento a todos , de acordo com a necessidade.
Além disso, considera-se fundamental a escolha, nessa equipe, de um profissional de referência
que promova a relação do indivíduo e de sua família com os demais membros da equipe.
O diagnóstico médico deve seguir necessariamente a classificação internacionalmente adotada,
atualmente CID 10 e DSM IV.
Dá-se preferência à CID 10, instrumento cuja utilização é recomendado aos profissionais de
saúde.
Tendo em vista a concomitância de patologias de outras áreas da Medicina, como Genética,
Neurologia, é importante a utilização de propedêutica que objetive o esclarecimento também
desses quadros clínicos.
O diagnóstico deve ser feito o mais cedo possível, visando minimizar os efeitos da condição
com o início de um tratamento específico.
Tendo em vista o direito constitucional do usuário e de sua família, é de fundamental
importância o conhecimento de metodologia e de preceitos terapêuticos.
A internação é um procedimento a ser criteriosamente utilizado, quando imperiosa a proteção do
portador de TID, e/ou de terceiros.
Os usuários devem contar, sempre que houver indicação técnica para tal, com os recursos de
órtese e prótese.
Considerando que esses indivíduos precisam, no seu processo de desenvolvimento, de
investimento na socialização, e alguns também na ressocialização, as atividades de esporte e
lazer devem também atender a essa expectativa.
2. FAMÍLIA E COMUNIDADE
É senso comum que o surgimento de um quadro comportamental grave, como o é o caso do
TID num membro da família, altera a dinâmica familiar. Daí a necessidade de avaliação numa
perspectiva psicodinâmica, visando:
•receber orientação para ajudar o portador do TID;
•oferecer ajuda terapêutica quando a equipe técnica detectar a disfunção da dinâmica
familiar;
•esclarecer sobre o diagnóstico, prognóstico e trabalhar seus conflitos;
•preservar a funcionalidade da família.
Com vista a minimizar a segregação comunitária desses indivíduos, é importante buscar a
sensibilização das comunidades por meio de:
•informação sobre suas características comportamentais;
•divulgação de programas e serviços já existentes na comunidade;
•utilização de recursos da comunidade nos projetos de assistência a essas pessoas;
•aumentar na mídia o espaço de programas informativos sobre o tema para a população;
•proporcionar à comunidade oportunidades de conviver com atividades específicas desses
indivíduos;
•informar a comunidade sobre os direitos das pessoas portadoras de TID.
Reconhecendo o importante papel que as associações de pais têm desempenhado ao longo
desse processo, é fundamental a promoção de intercâmbio de informações entre essas
associações, visando ao aprimoramento de sua atuação junto a outras instituições, ao poder
público e à comunidade em geral.
3. SERVIÇOS ESPECIALIZADOS
O objetivo dessa proposta tem sua essência na reabilitação biopsicossocial.
Os serviços especializados são modalidades de atendimento que as instituições públicas e
privadas, intersetoriais e interinstitucionais têm prestado a pessoas portadoras de transtornos
invasivos do desenvolvimento e suas famílias, conforme suas necessidades. Esses serviços
visam aglutinar um conjunto de ações numa forma racionalizada, buscando garantir
atendimento integral e resolutivo.
Esses serviços devem ser estruturados nas três esferas governamentais - federal, estadual, e
municipal, nas áreas de saúde, educação, assistência social e trabalho, entre outras.
Na área de saúde, os serviços devem orientar-se pelos princípios doutrinários e organizacionais
do Sistema Único de Saúde (SUS). No que concerne à população dos municípios desprovidos
dos recursos mínimos necessários, recomenda-se a continuidade das iniciativas, já existentes,
de formação de consórcios municipais.
Consoante o princípio de descentralização político-administrativa das áreas de educação,
assistência social e trabalho, entre outros, foram identificadas as seguintes linhas de ação:
Prevenção:
- detecção e diagnóstico de fatores de risco;
- diagnóstico precoce;
- atendimento precoce;
- investigação de fatores etiológicos e de morbidades possivelmente existentes e
implementação de condutas preventivas que lhes são pertinentes.
Alternativas de serviços
Na área de educação: criar, estruturar, implementar serviços de educação para portadores de
transtornos invasivos do desenvolvimento, de acordo com suas especificidades, priorizando seu
atendimento, de preferência na rede regular de ensino.
Modalidades de atendimento educativo:
- classes comuns/supervisão;
- classes comuns com apoio da sala de recursos (professor-apoio);
- classes especiais com apoio da sala de recursos;
- classes especiais do tipo preparatórias para inserção no ensino regular com apoio da sala de
recursos;
- escola especial;
- professor itinerante;
- classes hospitalares;
- educação para o trabalho.
•Avaliação psicopedagógica dos educandos no seu processo educativo, considerando todo
o ambiente físico e interacional existente na escola, visando instrumentalizar a conduta
educacional preconizada.
•Atendimento educacional organizado e supervisionado por equipe interdisciplinar
especializada.
•Serviços de apoio psicopedagógicos complementares para os usuários no seu processo
educativo.
•Serviços educacionais de preparação para o trabalho .
•Serviços de orientação educacional para a família .
4. SAÚDE
•Preparação dos diversos níveis para o atendimento, e intervenção, a essa clientela
específica, utilizando o seguinte sistema:
- Unidade de Saúde Mental em Hospital Geral;
- Centro e Núcleo de Atenção Psicossocial (CAPS - NAPS);
- Centro de Convivência;
- Lares;
- Chácaras;
- Pensões e outros.
•Implementação da proposta de "acompanhante terapêutico" que deve estar inserido numa
equipe de atendimento.
•oferecimento das condições necessárias ao atendimento do usuário em serviços de
referência nas diferentes especialidades.
•Serviços de saúde oferecidos por organizações não-governamentais, com funcionamento
interdisciplinar.
5. ASSISTÊNCIA SOCIAL
•Serviços de habilitação/reabilitação visando a integração de portadores de TID na vida
comunitária.
•Concessão de benefício de prestação continuada.
COMUNIDADE
Considerando a complexidade e abrangência da estruturação de serviços especializados de
atenção ao usuário, é de fundamental importância o engajamento da comunidade, quer na
identificação das necessidades emergentes, quer na estruturação de serviços alternativos e
complementares como:
•Programas de apoio às famílias: finais de semana, férias, etc
•Moradias protegidas que adotem objetivos de atender a pequenos grupos que recebam
atendimentos especializados globalizados, conforme as necessidades individuais
apresentadas.
•Incentivo à implementação de redes familiares (famílias substitutas temporárias).
O desenvolvimento dessas ações deve guardar consonância com as diretrizes na área e
integrar os demais serviços públicos e privados existentes.
TRABALHO
•Estruturação de programas de geração de emprego e renda.
•Assegurar a inclusão dos programas de capacitação para o trabalho dessas pessoas nos
programas nessa área no Ministério do Trabalho.
6. RECURSOS HUMANOS
Caracterizam-se como recursos humanos os profissionais que promovem, direta e
indiretamente, ações preventivas e reabilitadoras nos serviços de saúde, educação, assistência
social e trabalho, entre outros.
É marcante a importância, neste momento, de que se implementem ações que resultem na
melhoria de qualidade desses serviços.
Para tanto, se priorizam as propostas de classificação do perfil profissional que contemplem os
seguintes aspectos de sua capacidade de:
atuar inter-profissionalmente;
atuar em serviços que se complementam e formam uma rede de serviços para o mesmo
usuário;
atuar diretamente com o usuário e seu ambiente sócio-familiar;
perceber a pessoa como um ser indivisível e que deve ser respeitada como é;
responsabilizar-se por todo o processo técnico e ético.
avaliar continuamente, a sua expectativa profissional e o nível de exigência que requer esse
trabalho, contribuindo para evitar a alta rotatividade na área.
7. PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS
•Recomenda-se seja a equipe composta de profissionais capacitados e treinados para as
áreas afins, a saber:
A) ÁREA EDUCAÇÃO
•Professor regente
•Professor de sala de recursos
•Psicólogo
•Professor de Educação Física
•Auxiliar de classe
•Psicopedagogo
B) SAÚDE
•Psiquiatra preferencialmente da infância e da adolescência
•Neurologista preferencialmente da infância e adolescência
•Psicólogo
•Pediatra
•Assistente Social e auxiliares
•Enfermeiro e auxiliares
•Terapeuta Ocupacional
•Fonoaudiólogo
•Geneticista
•Recreacionista (nível médio)
•Acompanhante terapêutico
Ressalta-se que, considerando a abordagem interdisciplinar dos serviços, deverá haver
cooperação técnica das interfaces.
PROFISSIONAL DE APOIO
•Recorrer, quando necessário, ao apoio de profissionais auxiliares na atuação com autistas
e portadores de TID.
C) CAPACITAÇÃO
A capacitação dos profissionais deve atingir três níveis distintos:
1) inclusão de temas e/ou disciplinas sobre o assunto nos currículos dos cursos de formação de
nível médio, superior e especializações;
2) oferta de cursos de atualização para formadores de profissionais especializados;
3) oferta de programas de treinamento e aperfeiçoamento dos profissionais que atuam na área,
de forma sistematizada e contínua.
Ressalta-se a necessidade de incluir o tema da interdisciplinariedade em todos os níveis de
capacitação, como aspecto relevante para a mudança de paradigma e de alimentar o serviço
nacional de referência bibliográfica buscando atualizar informações da área.
D) PESQUISA
Incentivar o desenvolvimento de investigação científica na área.
E) SAÚDE DOS PROFISSIONAIS
A saúde do profissional deve ser contemplada nos seguintes níveis:
1- nível individual;
2- nível da qualidade no trabalho;
3- relação do indivíduo enquanto participante de uma equipe.
ANEXO I
ENCARTE: O QUE NOS PEDIRIA UM AUTISTA
O QUE NOS PEDIRIA UM AUTISTA?
Ajuda-me a compreender. Organiza meu mundo e ajuda-me a prever o que vai acontecer. Dá-
me ordem, estrutura, e não um caos.
Não fiques angustiado comigo, pois isto também me angustia. Respeita meu ritmo. Se
compreenderes minhas necessidades e meu modo especial de ver a realidade, não
terás dificuldade de te relacionares comigo. Não te deprimas; o normal é eu progredir e
me desenvolver cada vez mais.
Não fales muito, nem depressa demais. Para ti as palavras voam como plumas, não pesam
para ti, mas para mim podem ser uma carga muito pesada. Muitas vezes não é esta a
melhor maneira de te relacionares comigo.
Como todas as demais crianças, e como os adultos, sinto necessidade de partilhar o prazer
e gosto de fazer bem as coisas, embora nem sempre o consiga.
Preciso de mais ordem do que tu e mais do que tu preciso de prever as coisas no meu
meio. Precisamos negociar meus rituais de convivência.
Para mim é difícil compreender o sentido de muitas coisas que me pedem para fazer. Ajuda-
me a compreender. Procura pedir-me coisas que tenham sentido completo e decifrável
para mim. Não deixes que eu me embruteça e fique inativo.
Não te envolvas demais comigo. Às vezes as pessoas são muito imprevisíveis, barulhentas
demais e excessivamente animadoras. Respeita as distâncias de que preciso, mas sem
me deixares sozinho.
O que eu faço não é contra ti. Quando fico irritado ou me firo; quando quebro alguma coisa
ou me agito demais; quando tenho dificuldade de fazer o que me pedes, não estou
querendo te aborrecer. Porque tenho um problema de intenções. Não me atribuas más
intenções!
Meu desenvolvimento não é irracional, embora não seja fácil de entender. Tem sua própria
lógica, e muitas das condutas que chamas de "alteradas" são formas de enfrentar o
mundo com minha forma especial de ser e perceber. Faze um esforço para me
compreenderes.
As outras pessoas são muito complicadas. Meu mundo não é complexo nem fechado, é um
mundo simples. Embora possa parecer estranho o que te digo, meu mundo é tão aberto,
tão sem embustes e mentiras, tão ingenuamente exposto aos outros que é difícil
penetrar nele. Não vivo numa "fortaleza vazia", mas numa planície tão aberta que pode
parecer inacessível. Sou muito menos complicado do que as pessoas que consideras
normais.
Não me peças sempre as mesmas coisas, nem exijas de mim as mesmas rotinas.
Não sou apenas autista. Sou também uma criança, um adolescente ou um adulto. Partilho
muitas coisas das crianças, dos adolescentes e adultos que chamas de "normais". Gosto
de brincar e de me divertir, gosto de meus pais e das pessoas que me cercam; fico
contente quando faço bem as coisas. Na minha vida há mais o que partilhar do que
separar.
Vale a pena viver comigo. Posso te proporcionar tanta satisfação como as demais pessoas.
Pode acontecer um momento em tua vida em que eu, autista, seja tua maior e melhor
companhia.
Não me agridas quimicamente. Se te disserem que preciso de tomar um medicamente,
providencie o acompanhamento periódico por um especialista.
Nem meus pais nem eu temos culpa de I que se passa comigo. Tampouco são culpados os
profissionais que me ajudam. Não adianta culpar uns e outros. Às vezes minhas reações
e condutas podem ser difíceis de entender ou de suportar, mas não é por culpa de
ninguém. A idéia de "culpar" não faz mais do que produzir sofrimento com relação a
meu problema.
Não me peças constantemente coisas que estão fora de meu alcance, de minha
possibilidade. Pede-me, porém, as que sou capaz de fazer. Ajuda-me a ter mais
autonomia, para compreender melhor, comunicar-me melhor, mas não me ajude
demais.
Não precisas mudar completamente sua vida pelo fato de viver com uma pessoa autista. A
mim nada aproveita o estares mal, que te feches e te deprimas. Preciso de estabilidade
e de bem-estar emocional em torno de mim para me sentir melhor. Não penses
tampouco que eu tenha culpa do que se passa comigo.
Ajuda-me com naturalidade, sem tomar essa ajuda uma obsessão. Para me ajudar precisas
de ter teus momentos de repouso ou de te dedicares a tuas próprias atividades. Fica
perto de mim, não te vás, mas não te sintas sob o peso de uma carga insuportável. Na
minha vida tem havido momentos difíceis, mas posso estar cada vez melhor.
Aceita-me como sou. Não condicione tua aceitação a que eu deixe de ser autista. Sê
otimista sem te tornares "romântico". Minha situação em geral tende a melhorar, embora
por enquanto não tenha cura.
Embora me seja difícil comunicar-me ou compreender as sutilezas sociais, na realidade
tenho algumas vantagens em comparação com os que tu chamas de "normais". Tenho
dificuldade em me comunicar, mas não costumo enganar. Não compreendo as sutilezas
sociais, mas tampouco tenho duplas intenções ou sentimentos perigosos tão comuns na
vida social. Minha vida poderá ser satisfatória se for simples, ordenada e tranqüila,
desde que não me façam constantes exigências e só me peçam as coisas mais difíceis
para mim. Ser autista é um modo de ser, embora não seja o comum. Minha vida como
autista pode ser tão feliz e satisfatória como a tua vida "normal". Nessas vidas podemos
vir a nos encontrar e a partilhar muitas experiências.
Angel Rivière Gómez
(Assessor Técnico de APNA - Madrid - Espanha)
ANEXO II
LISTA DE PARTICIPANTES
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
SECRETARIA DOS DIREITOS DA CIDADANIA
COORDENADORIA NACIONAL PARA INTEGRAÇÃO DA PESSOA PORTADORA DE
DEFICIÊNCIA
CORDE
PARTICIPANTES DA CÂMARA TÉCNICA SOBRE AUTISMO E OUTRAS PSICOSES
INFANTO-JUVENIS
ALINE ALTOÉ DUAR
Grupo de Estudos e Pesquisa em Autismo e outras Psicoses Infantis-Gepapi
SQS 204 Bloco G aptº 107 Asa Sul
Cep: 70234-070 Brasília/DF
Fone: (061) 226-7358
Fax : (061) 226-0975
AMÉLIA DE OLIVEIRA JUNKES
Associação de Amigos do Autista - Joinville
Rua Inácio Bastos 1.455 Bloco 01 aptº 22
Cep: 89200 310 - Joinville/SC
Fone: (0474) 33-1539
Fax: (0474) 33-1539
ANA CHRISTINA M. CASTELAR CAMPOS
Centro Psicopedagógico da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais - FHEMIG
Rua Padre Marinho 150 - Santa Efigênia
Cep : 30140-040 - Belo Horizonte/ MG
Fone : (031) 241-3099 Ramal-204
Fax : (031) 241-4308 Ramal-230
ANA MARIA PINTO BEREOHFF BASTOS
Grupo de Estudos e Pesquisa em Autismo e outras Psicoses Infantis - GEPAPI
SQS 416 Bl. C aptº 107 - Asa Sul
Cep: 70299-030 Brasília/DF
Fone: (061) 346-9733 / 3463887
Fax: (061) 315-9090
AUGUSTO CESAR DE FARIAS COSTA
Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Ed. Pioneiras Sociais- 6º andar/sala 602
Cep: 70.000-000 Brasília/DF
Fone e Fax : (061) 226-7818 / 325-4855
DEUSINA LOPES DA CRUZ
Associação Brasileira de Autismo - ABRA
Q- 101 - Bloco C - Aptº. 405
Cruzeiro Novo
70650.110 Brasília/DF
Fone: (061) 9866592
Fax: (061) 226-0294
CELIANE FERREIRA SECUNHO
Grupo de Estudos e Pesquisa em Autismo e outras Psicoses Infantis - GEPAPI
SHLS 716 Bl. E sala 606
Cep: 70350-756 Brasília/DF
Fone: (061) 245-3932
EMÍLIO SALLE
Comunidade Terapêutica D.W Winniott
Rua Mostardeiro 123/401
Cep: 90430-001 Porto Alegre /RS
Fone: (051) 346-2162
Fax: (051) 337-5657
INES SCHUBERT
Clinica Convivência, Educação e Reabilitação para o Especial- CRER
Rua Montese 441- Parolim
Cep : 80220-150 Curitiba/PR
Fone: (041) 332-9304
Fax: (0410 322-5289
IVANA SIQUEIRA
Secretaria da Educação Especial
Ministério da Educação e do Desporto - MEC
Esplanada dos Ministérios BL L 6º andar sala 600
Cep: 70047-901 Brasília/DF
Fone: (061) 214-8651 / 214-8552
Fax: (061) 321-9398
JOSÉ RAIMUNDO DA SILVA LIPPI
Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Professor Eugênio Murilo Rubião 33 aptº 902 Bairro Mangabeiras
Cep: 30310-540 Belo Horizonte/MG
Fone: (031) 281-8480
Fax: (031) 281-1559/281-8480
JOSÉ RAIMUNDO FACION
Fundação de Ensino Superior de S. João Del Rei - FUNREI
Praça Frei Orlando, 170-Centro
Cep: 36300-000 São João Del Rei- Minas Gerais/MG
Fone: (032) 371-8300
Fax : (032) 371-3297
JOSÉ SALOMÃO SCHWARTZMAN
Grupo de Estudos e Pesquisa em autismo e outras Psicoses Infantis - GEPAPI
Rua Morgado de Mateus 505
Cep: 04015-051 São Paulo
Fone/ Fax : (011) 571-7743
KATIA LOPES
Instituto Phelipe Pinel
Av. Venceslau Bras 65- Botafogo
Cep: 22290-140 Rio de Janeiro/RJ
Fone/Fax: (021) 275-5694
LÚCIA HELENA VASCONCELOS FREIRE
Grupo de Estudos e Pesquisas em Autismo e outras Psicoses Infantis - GEPAPI
SHIN QI 16 conjunto 03 casa 01 Lago Norte
Cep: 70.000-000 Brasília/DF
Fone: (061) 368-4670
MARIA CARNEIRO DE SOUZA NOER
Universidade Católica de Petrópolis - UCP
MARIA CELINA DIAS CARVALHO MARCON
Centro Municipal do Autista - CEMA
Rua. Einstain-777 Jardim Santo André Bairro Limeira
Cep: 13484-089 São Paulo/SP
Fone: (0194) 512500 ramal 233
Fax: (0194) 412179
MARIA DE LOURDES GOMES CALIXTO
Pedagoga
Rua Felipe Camarão, 617 aptº 33 Bomfim
Cep: 90035-141 Porto Alegre/RS
Fone: (051) 225-0119
MARIA DO CARMO TOURINHO RIBEIRO
Associação de Amigos do Autista- AMA/SE
Rua A2 nº 375 Conj Orlando Dantas- São Conrado
Cep: 49040-000 Aracaju/SE
Fone: (079) 231-1007 / 224-5168
Fax: (079) 231-3502
MARIA DO SOCORRO MORAES
Ministério da Previdência e Assistência Social - MPAS
Esplanada dos Ministérios BL. A sala 101
Cep: 70.845-130 Brasília/DF
Fone: (061) 315-1311 / 224-0071
MARIA EUGÊNIA ASSUNÇÃO IVAR DO SUL
Centro Especializado Nossa Senhora D'Assumpção
Rodovia Fernão Dias, Km 36-Bairro Jardim Petrôpolis
Cep: 32.650-000 Betim Minas Gerais/MG
Fone: (031) 592-1677
Fax: (031) 592-1677
MARIA IZABEL TAFURI
Universidade de Brasília - UNB
SHIS QL 8 Conjunto 3 casa 19 - Lago Sul
Cep: 71620-235 Brasília/DF
Fone: (061) 248-5762 / 348-2662
Fax: (061) 364-1986
MARISA FURIA SILVA
Associação de Amigos do Autista - AMA/SP
Rua ITAIPU, 497- Mirandópolis
Cep: 04052-010 São Paulo/SP
Fone: (011) 242-8822
Fax: (011) 270-2363
NYLSE HELENA DA SILVA CUNHA
Escola Indianópolis
Rua Antonio de Marcedo Soares- 414- Brooklin
Cep: 04607-000 São Paulo/SP
Fone: (011) 543-6333
Fax: (011) 530-2818
ROBERTO ANTONUCCI
Psicólogo
Al dos Nhambiquaras 1645 aptº 109
Cep: 04030-013 São Paulo/SP
Fone: (011) 531-4481 / 241-9392
Fax: (011) 241-0200 Ramal 299
ROSA MARIA MELLONI HORITA
Médica Psiquiatra
SQN 211 Bl. J aptº 406 Asa Norte
Cep: 70863-100 - Brasília/DF
Fone: (061) 347-8214 / 315-9059
Fax: (061) 347-8214
SILVIA HELENA HEIMBURGER
Médica Psiquiatra
SHIS QI 03 Conj. 10 casa 14 - Lago Sul
Cep: 71605-300 Brasília/DF
Fone: (061) 365-3309 / 365-3308
TÂNIA GONZAGA GUIMARÃES
Fundação Educacional do Distrito Federal
SGAS- 911/12 - "E"
Cep: 70390-110 Brasília/DF
Fone: (061) 346-6161
Fax: (061) 348-5150
VERA LIGIA A. LEITE
Centro Municipal do Autista
Rua Eistan 777, Jardim Santo André - Limeira ,SP
Cep: 13484-089 São Paulo/SP
Fone/Fax: (0194) 412-179
WALTER CAMARGOS JUNIOR
Grupo de Estudos e Pesquisa em Autismo e outras Psicoses Infantis- GEPAPI
Av. Afonso Pena 3111- 15º andar Centro
Cep:30130-008 Belo Horizonte/MG
Fone/Fax: (031) 223-2963
WANDALCI DA SILVA MATOS
Secretaria Municipal de Educação de Minas Gerais
Rua Carangola nº 288-8º andar sala 822- B. Santo Antonio
Cep: 30330-240 Belo Horizonte/MG
Fone: (031) 277-8632 / 277-8633
Fax: (031) 277-8660
REPRESENTANTES DA CORDE
•Maria de Lourdes Canziani
•Niusarete Margarida de Lima Campos
•Alexandro Ferreira da Silva
DOCFIM