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Uma instalação elétrica é, na maioria dos casos, formada por cargas indutivas (motores elétricos), portanto, faz-se necessária uma análise do fator de potência da instalação.

A diminuição do fator de potência faz diminuir a potência ativa(real), aumentando a potência reativa, o que implica num aumento de corrente e, portanto, em perdas.

Exemplo:

Seja um circuito que consome uma potência aparente de 12kVA quando a alimentação é 220V RMS . A corrente consumida vale:

I

=

P AP

12.10

3

=

V 220

=

54,55 A

RMS

Se o circuito é só resistivo, toda a potência consumida é igual à potência ativa(real), sendo o FP igual a 1, isto é:

P = V.I.cosφ = 220.54,55.1 = 12kW

Porém, se o circuito é indutivo com FP=0,5, nestas condições, a potência ativa será:

P = 220.54,55.0,5 = 6kW

Se o FP aumentar para 0,85, com a mesma potência aparente, a potência ativa será:

P = 220.54,55.0,85 = 10,2kW

Como a potência ativa é a responsável pela transformação de energia elétrica em energia útil, concluímos que o aumento no FP implica no aumento da potência útil, sem o aumento de corrente.

Existem várias formas de aumentar o FP de uma instalação elétrica, mas aqui só será analisadas a correção do fator de potência com a utilização de capacitores.

Já foi visto que um indutor atrasa a corrente em relação à tensão. Como o capacitor adianta a corrente em relação à tensão, a ligação adequada de um capacitor num circuito pode compensar o atraso da corrente, reduzindo o ângulo de defasagem e, conseqüentemente, aumentando o fator de potência.

Por razões econômica e prática, basta manter o FP acima de 0,85, que é o valor mínimo estipulado pelas concessionárias de energia elétrica, abaixo do qual os usuários pagam multa.

O cálculo do capacitor de correção é feito da seguinte forma:

Considerando-se um circuito com impedância Z cujo ângulo de fase é 1 , como mostra afigura abaixo:

i 1 v Z
i 1
v Z

(a) Circuito

v,i v i 1
v,i
v
i 1

(a) Diagrama fasorial Circuito sem Correção de FP e seu Diagrama Fasorial

O Objetivo é diminuir esse ângulo para 2

A colocação do capacitor em paralelo com a carga diminui o ângulo de fase de 1 para 2 ,

o que significa um aumento no FP do circuito, como mostra a figura abaixo:

v,i D(i C ) C(i R ) O 2 v 1 B(i 2 ) A(i
v,i
D(i C )
C(i R )
O
2
v
1
B(i 2 )
A(i 1 )
i 2 i 1 I C Z C v
i 2
i 1
I C
Z
C
v

(a) Circuito

(b)Diagrama Fasorial Circuito com Correção de FP e seu Diagrama Fasorial

Quando a correção é feita (com a colocação do capacitor), a potência ativa do circuito não se altera, somente a potência aparente. Assim, a colocação do capacitor não muda o valor i R , já que ela está relacionada à componente resistiva da carga, que é a responsável pela potência ativa (P=v.i R ).

Na figura, identificamos os triângulos AC e 0BC e obtemos:

AC = OC.tgφ

1

e

BC = OC

tgφ

2

Do mesmo diagrama obtemos:

AB = OD = ACBC = OC.tgφ OC.tgφ

1

2

Como

OC

=

I

R

Por outro lado,

=

P

V

I C =

e

AB = OD = I

V

X

C

=

V

.ω.

C

C

(

= OC. tgφ tgφ

1

2

I C =

)

P

V

(

. tgφ

1

 

P

 

C =

ω

. V

2

.(

φ

tg

1

φ

tg

2

)

 

, resulta que:

tgφ

2

Igualando-se as duas expressões de I C , temos:

P .

V

(tg

φ

1

φ

tg

2

)= V

ω

.

.

C

)

Este é, portanto, o valor do capacitor necessário para se corrigir o fator de potência do circuito de 1 para 2 .

Exemplos:

1- Um motor consome uma potência de 5kW em 220V RMS com FP=0,6. Calcular o valor do capacitor que aumenta o FP para 0,9 (f=60Hz)

Solução:

cos

φ

1

=

0,6

φ

1

C =

P

ω

. V

2

(tg

φ

1

=

53

φ

tg

2

)

° tgφ

1

=

1,33

=

5.10

3

377.220

2

(

. 1,33

0,49

cos

φ

2

=

0,9

)

=

230

F

µ

φ

2

=

26

° tgφ

2

=

0,49

2- Uma carga indutiva dissipa uma potência real de 1kW consumindo uma corrente de 10A RMS / f=60Hz com um ângulo de defasagem de 60°. Calcular:

a) Valor do capacitor que corrige o FP para 0,85.

Solução:

Situação antes da correção:

i 1 =10A RMS

Z L v f=60Hz
Z L
v
f=60Hz

P=1kW

P = V.I.cosφ 1000 = V.10.cos60° V = 200V

rms

tgφ = tg

1

60

° =

C

=

P

ω

. V

2

. (tg

φ

1

1,73

φ

tg

2

)

=

cos

φ

2

=

0,85

φ

2

1000

377.200

2

(

. 1,73

0,62

)

=

74

v,i i R =60° i 1(10A) = 31,8 ° tgφ = 0,62 2 µ F
v,i
i
R
=60°
i
1(10A)
=
31,8
° tgφ
=
0,62
2
µ
F

b) Corrente total fornecida pelo gerador após a correção do FP.

Solução:

Após a correção:

i 2 i 1 I C 10A RMS Z C v=200V RMS f=60Hz
i 2
i 1
I C
10A RMS
Z
C
v=200V RMS
f=60Hz
v,i i C i R (5A) 0 31,8° , i (8,66 A ) 1 i
v,i
i C
i
R (5A)
0
31,8°
,
i
(8,66
A
)
1
i
2 (5,88A)
60°
i
C
i 1 (10A)

No diagrama fasorial, observamos que a soma vetorial de i 1 com i C resulta em i 2 .

Tem-se:

i’ 1 componente reativa da corrente i 1 .

I’ 1 = I 1 .sen60°= 10.0,866 = 8,66A rms

Tem-se:

i R componente ativa da corrente na carga.

I R = I 1 .cos60°= 10.0,5 = 5A rms

A corrente ativa na carga deve ser a mesma, antes e após a correção.

A corrente fornecida pelo gerador após a correção passa a ser de:

I

2 =

I

R 5

=

cos

φ

2

0,85

=

5,88 A

rms

Portanto, a corrente fornecida pelo gerador diminui de 10A para 5,88A, sem diminuir a potência real na carga.

c) Potência aparente após a correção do FP.

Solução:

P AP = V.I 2 = 200.5,88 = 1,176kVA

Antes da correção do FP, a potência aparente era:

P AP = V.I 1 = 200.10 = 2kVA

Bibliografia:

Circuitos em Corrente Alternada - Rômulo Oliveira Albuquerque - 6ª Edição – Editora Érica