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REVISÃO DE TEXTOS TÉCNICOS DE ENGENHARIA Betania Viana Alves∗ Claudine Figueiredo Andrada∗∗

RESUMO: Este trabalho tem a finalidade de contribuir para a divulgação da importância da atividade
profissional do revisor de textos e de esclarecer como se desenvolve o processo de revisão de textos técnicos de Engenharia. As autoras desenvolveram a pesquisa com base em suas atividades profissionais e em dados coletados a partir de entrevistas feitas em empresas de Engenharia. Foi constatada a falta de valorização da atividade de revisão e, conseqüentemente, da qualidade do material emitido pelas empresas.

PALAVRAS-CHAVE: Revisão de Textos. Revisor. Texto Técnico. Engenharia. Qualidade.

1. INTRODUÇÃO

A redação de manuais técnicos é, muitas vezes, um processo complexo que envolve muitas pessoas e uma série de etapas, em um período de tempo relativamente curto. Ainda que a informática contribua para que esse processo se torne mais ágil, sua complexidade e o avanço incessante da tecnologia exigem do usuário, seja ele o autor ou a equipe responsável pela revisão, conhecimentos cada vez mais precisos. Embora indispensável, ela pode dificultar ou atrasar o processo de edição, quando, por exemplo, várias pessoas usam os mesmos recursos de formas diferentes. Nesse sentido, pode-se afirmar a grande necessidade de uma padronização referente à técnica de revisão de textos e de seu controle, que devem ser realizados por um profissional habilitado e competente para tal função. Entretanto, sabe-se que, apesar da importância dada à qualidade nos dias de hoje, a

Revisora – ATAN CIÊNCIA DA INFORMACÃO LTDA. Graduada em Letras – Licenciaturas: Português e Inglês (UFMG), especializada em Revisão de Textos (IEC – PUC MINAS) e mestranda em Literatura de Língua Portuguesa também pela PUC-MINAS. E-mail: betaniaviana@yahoo.com.br

Revisora – ATAN CIÊNCIA DA INFORMACÃO LTDA. Graduada em Letras – Licenciaturas: Português e Espanhol (UFMG), especializada em Revisão de Textos (IEC – PUC MINAS) e mestranda em Literatura de Língua Portuguesa também pela PUC-MINAS. E-mail: claudineandrada@yahoo.com.br

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atividade de revisão de textos não é considerada essencial nos diversos segmentos mercadológicos, principalmente naqueles que se julgam puramente “técnicos”. Entendemos que a escassez de bibliografia sobre o assunto é um dos principais fatores que contribuem para a falta de legitimidade da profissão de revisor. Intenciona-se, assim, com este artigo, esclarecer e divulgar conceitos relevantes ao entendimento do processo de revisão e, também, mostrar como um revisor (profissional de uma área bem diferente da de Engenharia) pode contribuir substancialmente para a garantia da qualidade em uma empresa. Além disso, este artigo não deixa de ser uma tentativa de iniciar uma bibliografia nesta área, como forma de tentar legitimar e valorizar a profissão. Com a finalidade de aprofundar mais na importância da revisão de textos e apresentar com mais clareza a relevância dessa atividade, optamos por fazer um recorte frente aos diversos tipos de texto e de segmentos mercadológicos. Nossos esclarecimentos e exemplos foram todos baseados na revisão do texto técnico, no ramo da Engenharia. Foram feitas pesquisas em empresas de Engenharia, a maioria instalada em Belo Horizonte, em que foram constatados fatos de extrema relevância para a área de revisão. Foi elaborado um simples questionário para que os engenheiros de algumas dessas conceituadas empresas respondessem e também foram feitas várias entrevistas com os responsáveis pela administração e qualidade destas. 2. A REVISÃO DO TEXTO TÉCNICO DE ENGENHARIA 2.1. Considerações iniciais Para um melhor entendimento desse tópico, decidimos definir um conceito importante que se insere no contexto da revisão de textos: língua padrão ou norma canônica. Língua padrão é o conceito que remete a um padrão lingüístico ideal que se estabeleceu como de uso geral e que se admite como correto. Também chamado de norma culta, tal padrão é transmitido pela escola e está descrito em dicionários e gramáticas. O que se chama de língua padrão, contudo, não corresponde à fala de nenhum grupo social (PERINI, 1995). Funciona como uma lei lingüística, que determina os usos – orais e escritos – e serve de referência para a correção das formas lingüísticas. “O uso oral da linguagem tem prevalecido tão fortemente com nossas práticas cotidianas de comunicação, que os modelos de texto escrito tornam-se cada vez mais distantes” (PERINI-SANTOS, 2005). Diminuir essa distância, adaptando o texto à norma padrão e aproximando-o da realidade do leitor, é fundamental, e este papel é desempenhado pelo revisor.

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Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, os revisores não são (ou pelo menos não devem ser), verdadeiros “seguidores” da norma culta padrão, mesmo quando se trata da escrita. Embora seja a língua padrão a referência para a correção de textos, na revisão destes leva-se em consideração a variação lingüística utilizada naquele determinado ramo mercadológico, a forma de padronização dessa variação que é socialmente reconhecida pelos usuários daquele texto (gêneros textuais) e, também, o contexto no qual o mesmo será empregado. Já não podemos mais examinar a oralidade e a escrita como opostas, mas, sim, como atividades interativas e complementares no contexto das práticas sociais e culturais (MARCUSCHI, 2003). Marcuschi define o homem como um ser que fala e não como um ser que escreve, apesar de a escrita ser um bem social indispensável para que ele possa interagir no dia-a-dia. Ele também reforça que se deve partir sempre da oralidade para a escrita, trabalhando as diferenças e semelhanças entre as duas modalidades, visto que o fim maior do ensino de português “é o pleno domínio e uso de ambas as modalidades nos seus diferentes níveis”. Todos os povos têm ou tiveram uma tradição oral, mas poucos tiveram ou têm uma tradição escrita. Mesmo para os que tiveram também a tradição escrita, é importante ressaltar que esta foi sempre posterior à oral. Entretanto, o fato de uma ser posterior à outra não faz com que nenhuma delas seja mais importante.

2.2. Revisão de textos A dificuldade que a maioria das pessoas enfrenta ao redigir um texto, bem como a rapidez com que as informações chegam até nós, faz com que os autores não tenham preocupação nem tempo para verificarem seus erros. Isso sem entrar no mérito da falta de clareza e de adequação do texto à sua finalidade. Assim, a nosso ver, hoje é ainda maior a necessidade da revisão de todo e qualquer conteúdo de circulação pública, ou seja, todo texto merece uma revisão. Uma das grandes vantagens de se ter um profissional da revisão de textos em uma empresa é exatamente o fato de este poder flexibilizar o uso da norma culta, adequando a escrita à realidade do ramo de atuação e contextualizando melhor os conceitos. O conhecimento dos gêneros textuais pertinentes à área em que se atua é também de fundamental importância, pois, com ele, o revisor pode ter mais critério, antes de fazer demasiadas intervenções no texto.

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2.2.1. Revisão ortográfica e gramatical de textos A primeira etapa da revisão de textos é a correção ortográfica e gramatical, visto que, muitas vezes, a repetição de uma palavra num texto, como também pequenos erros ortográficos, de conjugação verbal ou de emprego de determinadas palavras e expressões, passam despercebidos pelo autor. Evidentemente, nesse momento da revisão, o revisor deve se ater à intencionalidade do autor, já que muitos aparentes “equívocos” podem ter sido escritos propositalmente. Essa é uma etapa fundamental da revisão, pois elimina vícios de linguagem e dá clareza às idéias apresentadas.

2.2.2. Orientação de texto Um bom revisor leva em consideração não apenas os aspectos gramaticais do texto, como a correção ortográfica e as concordâncias, mas também dá ao autor sugestões para melhorar a semântica do conteúdo, atentando-se para a estrutura e a coerência do que foi escrito. O profissional de revisão deve sempre considerar o estilo lingüístico de quem escreveu o texto, ou seja, a maneira peculiar que cada autor possui para expressar seus pensamentos. Tal maneira pode ser evidenciada através de palavras, expressões, construções sintáticas e jargões, muitas vezes identificando o autor como pertencente a determinada área ou profissão. Uma orientação de texto de qualidade deve sempre levar em conta, também, o sentido que o autor deseja dar ao texto, afinal, o seu sentido não é, jamais, definido pelo revisor.

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2.3. Quem é o revisor de textos? A função básica deste profissional é ler o texto à procura de incorreções, atuando como um fiscal da língua e da linguagem. Ele deve corrigir erros sintáticos, ortográficos e de pontuação, além de adequar melhor os recursos lingüísticos. É também responsável pela leitura do texto final impresso, comparando-o com o seu respectivo original. Além desta função básica de tratar de incorreções ortográficas e gramaticais, o revisor deve estar apto a trabalhar com textos de diferentes tipos e gêneros, sendo hábil em confrontálos e em diferenciar os níveis de língua empregados em cada especificidade. Além disso, deve saber fazer a transposição de um nível lingüístico para outro, de um gênero para outro, atentando para os efeitos de sentido que a pertinência ou não do nível de língua usado pode provocar e observando que é o contexto que define o gênero do texto a ser utilizado, bem como o nível de língua mais apropriado. Por falta de regulamentação, não se exige curso superior específico para o revisor, mas sua função é, normalmente, desempenhada por quem é graduado em Comunicação Social ou Letras, podendo trabalhar em uma redação de jornal ou revista, editoras de livros, em empresas de tradução, entre outros. Antigamente, a norma culta padrão era mais valorizada e, por isso, encontrava-se mais revisores atuando, uma vez que estes sempre foram “intitulados” como aqueles que prescrevem o que é certo ou errado. Com o avanço tecnológico, a profissão de revisor tornou-se rara, pois, acredita-se (embora muito equivocadamente) que a revisão de textos possa ser feita por qualquer pessoa que tenha um corretor ortográfico instalado no computador.

2.4. Texto técnico Observamos que a bibliografia sobre textos técnicos é escassa. De um modo geral, os livros limitam-se a afirmar que esse tipo de texto se caracteriza pela objetividade, como a definição seguinte de linguagem técnica:
Um uso específico que se circunscreve a uma dada área sócio-profissional e que nem sempre tem uma função prática, visa a obter assentimento das pessoas, dar reforço para atitudes desejadas, provocar mudanças de opinião ou de comportamento, dar orientação para novas ações, bem como subsidiar decisões (CINTRA, 1995).

Acreditamos que a redação do texto técnico, por se tratar de um texto não-ficcional, deve ter a mesma “verdade” para escritor e leitor, ou seja, o leitor deve chegar à mesma compreensão de conteúdo que o escritor intenciona. Diferentemente do texto ficcional (em

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que a concatenação de idéias pode ficar a cargo do leitor), no texto técnico, o leitor precisa compreender o conteúdo e não, simplesmente, interpretar o que lê à sua maneira/ótica particular. Garcia (1985) e Carvalho (1991) utilizam a expressão "técnico-científico" para designar os textos técnicos de cunho acadêmico referentes a especialidades de determinado ramo. Entretanto, aqui, denominaremos a linguagem técnica como aquela dos textos referentes ao funcionamento de máquinas, peças e descrição de equipamentos, deixando a expressão "linguagem científica" para as publicações de caráter científico, que não são o nosso objeto de análise neste trabalho. Sendo técnica diferente de ciência – respectivamente habilidade e conhecimento – podemos distinguir texto técnico de texto científico. Genouvrier e Peytard (1973, p.288) diferenciam o saber técnico do saber científico:
Deve-se distinguir terminologia técnica de metalingüística científica: a primeira exerce um papel de denominação dos ramos ou objetos próprios de uma técnica e estabelece uma classificação entre os resultados obtidos pela técnica enquanto atividade: a segunda reúne as palavras por meio das quais se designam os conceitos operatórios de uma pesquisa ou de uma reflexão científica (GENOUVRIER & PEYTARD, 1973).

Apesar da vasta utilização do texto técnico nas empresas – descrição de peças, equipamentos, relatórios de manutenção, manual de instrução –, percebemos que este não tem recebido a merecida atenção por parte da maioria dos elaboradores, divulgadores e usuários. Mesmo por parte dos estudiosos da língua, observamos pouca bibliografia no que tange à orientação na hora de elaborar tais textos. Acredita-se que, pelo fato do texto técnico ter estado sempre relacionado ao curso técnico, essa modalidade textual não receba a devida importância. Percebemos também que a dificuldade relacionada à especificidade lexical do texto técnico, associada a aspectos histórico-educacionais, contribui para esse descaso, uma vez que, como sabemos, o tradicional ensino de redação tem o objetivo único de preparar o aluno para o exame vestibular. Tendo em vista, porém, os limites deste trabalho, deixaremos esses aspectos para outra oportunidade. Apesar de alguns reveses, acreditamos que nossa experiência de cinco anos no ramo da revisão técnica seja válida e, portanto, passível de ser comentada, motivo este que nos levou a tratar, nesse artigo, do tema relacionado à nossa atividade profissional: revisão do texto técnico de engenharia.

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2.5. Prática da revisão do texto técnico de Engenharia O serviço de revisão, como já mencionado na introdução, trata-se de algo extremamente importante nas mais diversas áreas que primam pela qualidade do serviço. Além de ser apresentado sem erros básicos de ortografia e concordância, é necessário que o texto seja coerente. Estes dois aspectos textuais – microestrutura e macroestrutura – retratam a qualidade de um texto. A leitura detalhada de um manual por parte de alguém que não tenha participado da sua elaboração pode detectar mais facilmente possíveis incoerências e ambigüidades que tenham passado despercebidas pelo autor. Na revisão, não é fundamental o conhecimento técnico do assunto, que é o que Heinemam & Viehweger (1991) definem como ‘Conhecimento Enciclopédico’, também comentado por Ingedore Kock (2004):
O conhecimento enciclopédico, semântico ou conhecimento de mundo é aquele que se encontra armazenado na memória de cada indivíduo, quer se trate de conhecimento do tipo declarativo, constituído por proposições a respeito dos fatos do mundo, quer do tipo episódico, constituído por “modelos cognitivos” socioculturalmente determinados e adquiridos através da experiência (p.22).

Trata-se, pois de um conhecimento amplo relativo a determinada área. Dessa forma, na revisão macroestrutural do texto, o revisor pode não possuir o conhecimento enciclopédico do assunto, mas, ainda assim, tornar claros os conceitos e/ou instruções abordados no manual em questão. O que acontece, normalmente, é que o revisor não possui o conhecimento enciclopédico, mas o lingüístico. Assim, na etapa de leitura dos textos, é comum surgirem dúvidas, nem sempre simples de resolver, já que uma pequena alteração, causada por uma tentativa de acerto (sem conhecimento enciclopédico), pode gerar algum problema de compreensão por parte, por exemplo, de um operador de máquina que esteja seguindo as instruções de um texto mal revisado. Conseqüentemente, uma pane no sistema poderá ocorrer, gerando prejuízo financeiro para a empresa e conseqüente falha no sistema. A solução mais coerente é, portanto, o contínuo diálogo e a troca de experiências entre o revisor e o autor do texto, a fim de evitar contradições. É claro que o contato com o tema (no caso, o texto técnico de engenharia) e a experiência são aliados preciosos do revisor que, muitas vezes, economiza tempo para ele e para o autor. Entretanto, humildade e bom senso são fundamentais em caso de dúvida (por mínima que pareça), devendo o autor ser sempre consultado. Afinal, se o autor, que é especialista no tema, se utiliza dos conhecimentos do revisor para agregar qualidade ao seu trabalho, é fundamental que este o faça com competência. http://www.keimelion.com.br keimelion@gmail.com

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Através das entrevistas e dos questionários utilizados para coletar dados referentes ao trabalho/relevância da revisão em documentos técnicos, um dos engenheiros – funcionário de uma renomada empresa de Engenharia de Belo Horizonte –, apesar de não considerar o trabalho de revisão relevante, admite que, algumas vezes, devido a uma redação não muito clara, teve problemas com clientes que não manusearam bem o sistema, por não compreender a instrução. Provavelmente, se tais manuais tivessem passado por um revisor, o resultado seria outro, porque o trabalho deste é complementar ao do autor e, caso não compreendesse o significado de determinada parte do texto, sanaria as dúvidas com o autor e, deixando o texto livre de ambigüidades para o cliente final. Na nossa prática diária de revisores, deparamo-nos com esta realidade. A grande maioria dos engenheiros (autores dos manuais técnicos de engenharia) acha desnecessário o trabalho de revisão. Assim, de maneira geral, eles só procuram esse serviço se houver pressão superior (do seu gerente) ou reclamações externas (por parte do cliente). Entretanto, quando cede ao serviço de revisão uma vez, o engenheiro parece perder o receio de confiar o seu texto ao revisor, talvez por certificar-se de que se trata de um trabalho conjunto e por perceber que o revisor não faz nenhuma alteração considerável sem a sua permissão. O revisor, no seu papel de mediador entre o autor e o leitor, funciona como um parceiro e não como um corretor automático1. Quase sempre, após a leitura, aparecem sugestões. Nesses casos, a decisão final é sempre do autor. Apenas correções de gramática e ortografia dispensam a sua aprovação. Cria-se, portanto, um laço de confiança e integração entre ambos os profissionais, e, a partir de então, os engenheiros passam a usar o revisor não como um “inimigo”, mas como um aliado e primeiro leitor do seu texto. Na revisão microestrutural do texto, o revisor se preocupa não com o significado geral, mas com as pequenas estruturas, corrigindo eventuais erros de gramática e ortografia, eliminando a repetição silábica e a de estruturas semelhantes e afins. Não há exemplos concretos de problemas ocorridos com clientes, na aplicação dos sistemas, causados por erros microestruturais. Entretanto, já houve insatisfação por parte de um cliente, com relação à estética/qualidade textual. Ainda que o conteúdo estivesse compreensível, as inconsistências gramaticais o incomodaram deveras. Ele fez reclamações explícitas referentes a um trecho (cerca de três páginas) do documento que estava “mal escrito e com erros primários2”. Tratava-se, entretanto, de um trecho inserido pelo autor, depois de já haver passado pela revisão. Graças ao controle rígido que é feito dos arquivos, tínhamos uma
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Este termo será retomado para tratar do recurso que o software Word oferece, de mesmo nome. Informação obtida através de entrevista realizada em 08/03/2006.

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cópia do documento original que revisamos, sem o trecho citado, não caindo sobre nós a responsabilidade do fato. Apesar do constrangimento, o projeto foi aceito devido à qualidade do conteúdo. Este acontecimento serviu, para, de alguma forma, valorizar o trabalho do revisor, que é um pouco ingrato em termos de reconhecimento; afinal, ele só é visível quando há erros; o que foi corrigido e o processo de correção não é “aparente”, mas aquilo que passa despercebido é suficiente para chamar a atenção do leitor. Na Macroestrutura, pelo fato de envolver a semântica e a coerência textuais, é comum ocorrerem problemas mais graves decorridos da falta de revisão, como é o caso da interpretação equivocada ou ambígua de algum item descrito em um manual técnico. A má utilização de equipamentos e/ou softwares, por exemplo, acarreta desperdício de tempo e de dinheiro. Certa vez, um operador que utilizava um sistema de combate a incêndio, interpretou erroneamente a mensagem apresentada na tela (“Gás Detectado”) e desativou o sistema, acreditando que havia perigo de fogo. A mensagem, entretanto, só queria indicar a presença de gás, como também de outros componentes que não apresentavam risco de incêndio. Naquele software, o risco de incêndio só era sinalizado através da mensagem “Gás Confirmado”. Do ponto de vista lingüístico, a dúvida do operador foi pertinente, já que, no campo semântico, essas duas palavras podem ser sinônimas em diversas situações. Um bom revisor, sendo o primeiro leitor, provavelmente, sugeriria, neste programa, uma forma mais clara de expressar tal mensagem. A revisão dos manuais técnicos exige agilidade, devido à concorrência (quanto antes entregar, maior é o prestígio) e ao prazo (o cliente sempre tem urgência em ver o serviço executado). O nosso dia-a-dia tem, portanto, este agravante: a urgência. Cada releitura do documento é um momento privilegiado para corrigir erros e sugerir soluções para os problemas encontrados. Na prática, quase nunca é possível a realização de releituras (nem pelo próprio revisor nem por terceiros); assim sendo, é preciso concentrar-se ao máximo durante as revisões, a fim de incorrer no menor número de falhas.

2.6. A revisão como auxiliar da qualidade O trabalho de revisão pode auxiliar na qualidade do serviço, uma vez que as empresas que emitem documentos primam não só pela qualidade técnica, como também pela estética dos seus textos. Muitas vezes recebemos documentos elaborados por engenheiros que dizem não sentir tanta necessidade dos textos serem revisados, mas que, como requisito de qualidade e conseqüente satisfação do cliente, preferem nos encaminhar os documentos antes de emiti-

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los. Um dos engenheiros entrevistados, inclusive, declarou que sua empresa passou a terceirizar o serviço de revisão, porque, apesar de não poderem manter fixo um profissional para fazê-lo, a empresa prima pela qualidade e busca certificações referentes à Qualidade. Além do mais, muitos deles perceberam, após participarem de várias licitações em que a ATAN esteve presente, que o diferencial da revisão viabiliza grande impacto, uma vez que os clientes não hesitam em contratar um serviço que, ainda que possa ser mais caro, transpareça qualidade. Com a atual preocupação da Certificação da Qualidade, as empresas têm se voltado mais para os aspectos que contribuem para a obtenção desse certificado. O processo de certificação implica em vistorias semestrais por parte do auditor (“recertificação”), devendo, pois, ser uma constante preocupação da empresa. Não basta somente atingir um patamar de qualidade, deve-se permanecer nele, para não correr o risco de perder a certificação. Qualquer serviço, portanto, que auxilie na garantia da qualidade em uma empresa é, a cada dia, mais valorizado. Nesse sentido, a revisão textual pode ser considerada um dos mais fortes indicativos de qualidade e, por essa razão, vem ocupando um espaço importante e promissor nas empresas. De acordo com a nossa pesquisa, a ATAN é pioneira na revisão de textos técnicos de Engenharia. É a única empresa, dentre as que entrevistamos, que possui um setor de revisão de textos formado por profissionais devidamente registrados e habilitados para tal função. Para nossa surpresa, não foram poucos os entrevistados que admitiram que o diferencial “revisão de textos” gera grande impacto aos olhos do cliente. A falta de um setor de revisão numa empresa de Engenharia pode gerar sobrecarga para os gerentes, que devem, além de planejar e coordenar, revisar textos eventualmente mal redigidos. Ser capaz de redigir com correção, clareza e precisão é exigência indispensável a todos que se acham incumbidos de expressar, por escrito, informação, opinião ou parecer, quando não, as conclusões de um estudo, o texto de um projeto ou as normas de um serviço. Na prática, entretanto, percebe-se que isso não acontece na maioria das vezes. Daí a necessidade de recorrer ao trabalho de revisão.

2.7. Parceria entre revisor e autor na nossa prática diária A linguagem técnica, especificamente a de Engenharia, faz-se a partir dos conhecimentos específicos que a permeiam. Ainda que de posse de tais conhecimentos, os engenheiros devem adequar a redação dos textos à finalidade a que estes se propõem, tendo em mente que escrever “bem” não significa escrever “difícil”. http://www.keimelion.com.br keimelion@gmail.com

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No exercício da profissão de revisor, atentamos sempre para alguns detalhes que fazem diferença, como, por exemplo, o de orientar os engenheiros em relação à redação de seus manuais. Sugerimos, por exemplo, que evitem diversos vícios de linguagem que prejudicam a compreensão final do tema. É muito importante observar sugerir sem, entretanto, generalizar. Muitas vezes, o que parece incorreção pode ser proposital e fazer parte do estilo do redator ou do destaque que ele queira dar a algum trecho, como, por exemplo, o uso de pleonasmos e de adjetivos aparentemente supérfluos.

3. CONCLUSÃO Após esse estudo, podemos depreender, entre outros aspectos, a necessidade de uma maior conscientização, por parte das empresas, em relação ao trabalho do revisor. Servindo não apenas como mantenedor da qualidade e da estética, o revisor funciona também como um mediador entre o autor e o seu público-alvo, atuando como o primeiro leitor do texto. Em se tratando da revisão do texto técnico de engenharia, podemos, inclusive, afirmar que, em diversas situações, além de propiciar aos técnicos uma compreensão clara e inteligível das instruções propostas em um manual, a revisão serve como um preventivo contra erros operacionais, evitando, na prática, equívocos que poderiam gerar perda de tempo e de dinheiro para as empresas. Fica, então, comprovada a grande importância desse profissional (revisor) não só nas áreas que mais valorizam a linguagem, mas em todas aquelas que utilizam a escrita como meio de comunicação. Seria, portanto, uma solução plausível e de grande valia, a inserção do revisor de textos nos mais diversos segmentos mercadológicos, de forma a quebrar o paradigma de que a sua atuação é restrita à área de Humanas. Acreditamos que, desta forma, além de se estarem abrindo os caminhos para o revisor, a manutenção da qualidade dos textos seria garantida. Consistiria, pois, em uma via de mão dupla, na qual áreas distintas se complementariam em busca de sucesso profissional. Além do trabalho de revisão, que visa a adequação do texto finalizado, outra sugestão válida, que pode e deve ser analisada em trabalhos futuros, é a reformulação dos currículos das áreas técnicas. A idéia seria aperfeiçoá-los, incluindo disciplinas que primassem pelos gêneros textuais próprios de cada área. O revisor licenciado em Letras seria o profissional apto para ministrar essas disciplinas: elaboraria os currículos adequados, baseado em sua experiência e saberia como http://www.keimelion.com.br keimelion@gmail.com

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transmitir o conhecimento, aproveitando-se dos conteúdos gramaticais e didáticos aprendidos na sua formação.

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