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10/04/2011

Temperatura do ar e do solo e plantas cultivadas Prof o . Thieres George Freire
Temperatura do ar e do solo
e plantas cultivadas
Prof o . Thieres George Freire da Silva
Eng. Agrônomo, Agrometeorologista
Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE / Unidade Acadêmica de Serra Talhada - UAST
UFRPE / UAST

1. Introdução

Influência sobre a resposta fisiológica das plantas

Crescimento e desenvolvimento das plantas (efeito sobre a velocidade de reações químicas e dos processos internos de transporte).

Plantas tropicais são mais sensíveis às baixas temperaturas, enquanto que as plantas de clima temperado necessitam de um período de repouso para produzirem bem (vernalização).

um período de repouso para produzirem bem (vernalização). UFRPE / UAST Estrutura da Aula 1. Introdução
um período de repouso para produzirem bem (vernalização). UFRPE / UAST Estrutura da Aula 1. Introdução

UFRPE / UAST

Estrutura da Aula

1. Introdução

2. Considerações de temperatura

3. Amplitude térmica e média

4. Variação temporal da temperatura

5. Variação espacial da temperatura

6. Medidas

7. Estimativas

8. Temperatura e desenvolvimento das espécies

UFRPE / UAST

 

Cobertura plástica da videira: evolução do crescimento de ramos e cachos e da área foliar no Submédio São Francisco

 

1,0

G AF T1 SCP AF T2 CCP
G
AF T1 SCP
AF T2 CCP
 

250

CC T1 SCP A CC T2 CCP
CC
T1 SCP
A
CC
T2 CCP
Área foliar/ramo (m 2 ) 0,8 Comprimento do ramo (cm) 200

Área foliar/ramo (m 2 )

0,8

Comprimento do ramo (cm)

200

0,6

150

0,4

100

 

0,2

 

50

   

0,0

0

 

20

40

60

80

100

20

40

60

80

100

   

Dias após a poda (DAP)

Dias após a poda (DAP)

 

30

CC

CC

T1 SCP

T2 SCP

E

 

100

NF T1 SCP

NF T2 CCP

C

 

Comprimento dos cachos (cm)

25

80

20

20 Número de folhas/ramo  

Número de folhas/ramo

 
20 Número de folhas/ramo  

60

Figura. Temperatura média do ar ao longo do

15

dia durante o ciclo produtivo da videira: Nível N3

40

-

acima da folhagem da videira, para os

10

tratamentos: SCP_sem cobertura plástica;

5

 

20

CCP_80 - com cobertura plástica instalada a 80 cm acima do dossel da videira; CCP_100 - com

 

0

0

 

20

40

60

80

100

20

40

60

80

100

cobertura plástica instalada a 100 cm acima do dossel e CCP_120 cm . com cobertura instalada

a

120 cm acima do dossel, Petrolina - PE.

 

Dias após a poda (DAP)

Dias após a poda (DAP)

Figuras. Evolução do desenvolvimento do ramo secundário da videira cv. Superior

Seedless, em parreirais sem cobertura plástica (T1 SCP) e com cobertura plástica (T2 CCP_100), no Submédio São Francisco, Petrolina-PE, 2008.

 

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1. Introdução • Ferramenta de planejamento agrícola Permite a delimitação de zonas termicamente aptas para
1.
Introdução
Ferramenta de planejamento agrícola
Permite a delimitação de zonas termicamente aptas para as
culturas (faixa de temperatura ótima, número de horas de
frio, risco de geadas, entre outras) – definição das melhores
espécies, instalação de ambientes protegidos, períodos de
vernalização, época de plantio, entre outras etapas do
sistema de produção.
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1. Introdução

Exigências das culturas (Exemplo: temperatura do ar)

Tabela. Temperatura do ar ótima de culturas (Várias fontes)

 

Mínima (°C)

Preferencial (°C)

Feijão

8-10

16-30

Beterraba

4

10-30

repolho

4

7-35

Milho

10

16-32

Curcubitáceas

16

16-35

Alface

2

4-27

Cebola

2

10-35

Tomate

10

16-30

Trigo

4

20

Cevada

3-5

20

canola

5

15-20

“As plantas também apresentam faixa ótima ou preferencial para a temperatura do solo”

UFRPE / UAST

1. Introdução

Tomada de decisão

- Plantio

- Proteção do solo

- Irrigação

- Definição do momento de

pulverização

- Indução ao florescimento

- Polinização

- Momento de maturação e colheita

dos frutos

- Acionamento do sistema de

ventilação de ambientes protegidos

do sistema de ventilação de ambientes protegidos UFRPE / UAST 1. Introdução • Exigências térmicas dos

UFRPE / UAST

1. Introdução • Exigências térmicas dos animais Suínos UFRPE / UAST
1. Introdução
Exigências térmicas dos animais
Suínos
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Bovinos Aves UFRPE / UAST
Bovinos
Aves
UFRPE / UAST
2.2.2.2. FonteFonte dada energiaenergia parapara asas variaçõesvariações dede TemperaturaTemperatura Refletida pela
2.2.2.2. FonteFonte dada energiaenergia parapara asas variaçõesvariações dede TemperaturaTemperatura
Refletida pela
atmosfera
Refletida pela
Refletida pelas
6%
Infravermelha
Espaço
Superfície da
nuvens
perdida pela
Terra
Terra
100%
20%
4%
-70%
-64%
-6%
O3
NH4
H2O
CO2
N2O
Radiação
Infravermelha
absorvida pela
perdida pela
atmosfera
-160%
Atmosfera
19%
Atmosfera
O3
NH4
H2O
CO2
N2O
Radiação solar
direta e difusa
-111%
51%
+96%
Radiação absorvida na superfície
Infravermelha perdida
-23%`(LE)
-7% (H)
-117%
Continente
Oceano
pela superfície
A
A
energia utilizada para o aquecimento da água, do ar e do solo é resultante do próprio balanço de
energia utilizada para o aquecimento da água, do ar e do solo é resultante do próprio balanço de
UFRPE / UAST
radiação em superfície, em que há um saldo energético de calor sensível (H)
radiação em superfície, em que há um saldo energético de calor sensível (H)

2. Temperatura

2.1. Considerações:

Temperatura: é um índice que expressa a quantidade de calor sensível de um corpo, ou seja, a quantidade de energia térmica ou o grau de agitação das moléculas do mesmo (>temperatura, > energia cinética). É uma medida indireta e simples da energia interna de um sistema, proporcional ao seu estado vibratório;

Observação: a temperatura é uma grandeza intensiva, isto é, independe da quantidade de matéria, volume ou massa, o que permite a comparação entre sistemas com diferentes estruturas ou extensões.

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2.3. Processos de transferência de calor no ar e no solo Difusão Turbulenta: Processo rápido
2.3.
Processos de transferência de calor no ar e no solo
Difusão Turbulenta: Processo
rápido de troca de energia, em que
parcelas de ar aquecidas pela
superfície entram em movimento
convectivo desordenado,
transportanto calor (H), vapor (LE),
etc, para camadas superiores da
atmosfera.
Condução molecular:
Processo lento de troca de H,
ocorrendo pelo contato entre as
moléculas de ar. Assim, esse
processo tem extensão espacial
limitada, ficando restrito à
camada limite superficial.
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2.4. Fatores determinantes da temperatura

Fatores externos:

Elementos meteorológicos que afetam o balanço de energia e sua partição (Radiação global, nebulosidade, vento e chuva)

Fatores intrínsecos:

Cobertura vegetal (fator microclimático) Relevo (topoclimático) Tipo do solo (estrutura, textura e composição)

UFRPE / UAST

Fatores intrínsecos Cobertura do solo (fator microclimático): solos desnudos ficam sujeitos a grandes variações
Fatores intrínsecos
Cobertura do solo (fator microclimático): solos
desnudos ficam sujeitos a grandes variações
térmicas diárias nas camadas superficiais, em dias
de alta irradiância solar. A existência de uma
cobertura do solo ou presença de resíduos modificam
o balanço de energia, pois intercepta a radiação
antes de atingir a superfície do solo.
UFRPE / UAST
Influência dos fatores externos sobre a temperatura Período diurno Período noturno Ar Ar T 4
Influência dos fatores externos sobre a temperatura
Período diurno
Período noturno
Ar
Ar
T 4
T 4
Rn
Rn
Vento
Vento
LE
LE
H
H
T 3
T 3
T 2
T 2
G
G
Solo
Água
Solo
T
T 1
1
Temperatura do ar ou do solo
Temperatura do ar ou do solo
Profund. do solo
Altura
Profund. do solo
Altura

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Cobertura do solo

No gráfico ao lado pode ser observada a influência da cobertura do solo sobre o regime de temperatura abaixo da superfície em um cultivo de café, onde próxima a superfície a temperatura do solo (T solo ) é muito maior na ausência de cobertura. Por outro lado, a medida que aumenta a quantidade de cobertura, o valor de T solo diminui. Analogamente, sob ausência de cobertura, os valores de T solo tendem a ser menores nos horários de menores magnitudes do que na presença de cobertura.

Temperatura do solo ( o C) 20 25 30 35 40 45 50 0 5
Temperatura do solo ( o C)
20
25
30
35
40
45
50
0
5
10
15
20
25
0t/ha(6h)
14t/ha(6h)
28t/ha(6h)
0t/ha(14h)
14t/ha(14h)
28t/ha(14h)
Profundidade (cm

Pezzopane et al. (1996)

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Fatores intrínsecos: Relevo condiciona a incidência de radiação solar sobre a superfície do solo UFRPE
Fatores intrínsecos: Relevo
condiciona a incidência de radiação solar sobre a superfície do solo
UFRPE / UAST
- solos de textura arenosa possuem maior amplitude térmica diária nas camadas superficiais (devido a
- solos de textura arenosa possuem maior
amplitude térmica diária nas camadas
superficiais (devido a menor condutividade
térmica);
-solos mais porosos e, ou, com maior
conteúdo de matéria orgânica possuem
menor condutividade térmica;
-solos com menor teor de umidade
possuem capacidade térmica menor, por
isso solos secos tendem a aquecer mais
rápido do que solos úmidos
Considerando:
Solo arenoso e, ou, solo mais poroso, e, ou,
solo com menor teor de umidade.
UFRPE / UAST
Tipo de solo -solos argilosos possuem maior condutividade térmica, assim as ondas de calor são
Tipo de solo
-solos argilosos possuem maior
condutividade térmica, assim as ondas de
calor são conduzidas a profundidades
maiores, resultando em menor amplitude
térmica, quando comparado a solos
arenosos;
-solos com maior teor de umidade
possuem maior condutividade térmica;
-solos com maior teor de umidade também
possuem maior capacidade volumétrica,
necessitando com isso de maior energia
para aquecer.
Considerando:
Solo argiloso e, ou, solo menos poroso, e, ou,
solo com maior teor de umidade.
UFRPE / UAST
70 60 50 40 30 20 10 Arenoso Argiloso 0 0 2 4 6 8
70
60
50
40
30
20
10
Arenoso
Argiloso
0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
24
Hora
A Figura acima mostra a variação horária da temperatura de um solo arenoso e de outro argiloso. Observe a
menor amplitude diária no solo argiloso, o que se deve ao fato deste solo ser mais eficiente em transportar
calor para seu interior
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Temperatura do solo ( o C)

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3. Amplitude térmica e Média Variação dos valores de Temperatura do ar em Serra Talhada
3. Amplitude térmica e Média
Variação dos valores de Temperatura do ar em
Serra Talhada entre o período de 26/02/2010 a 05/03/2010
REPRESENTA UMA CONDIÇÃO INSTANTÂNEA
05/Mar
04/Mar
03/Mar
02/Mar
01/Mar
28/Fev
27/Fev
26/Fev
40
35
30
25
20
15
10
TempAr
5
0
Data/Horário
UFRPE / UAST
Temperatura do ar (oC)
2010-03-05 18:00:00.0
2010-03-05 12:00:00.0
2010-03-05 06:00:00.0
2010-03-05 00:00:00.0
2010-03-04 18:00:00.0
2010-03-04 12:00:00.0
2010-03-04 06:00:00.0
2010-03-04 00:00:00.0
2010-03-03 18:00:00.0
2010-03-03 12:00:00.0
2010-03-03 06:00:00.0
2010-03-03 00:00:00.0
2010-03-02 18:00:00.0
2010-03-02 12:00:00.0
2010-03-02 06:00:00.0
2010-03-02 00:00:00.0
2010-03-01 18:00:00.0
2010-03-01 12:00:00.0
2010-03-01 06:00:00.0
2010-03-01 00:00:00.0
2010-02-28 18:00:00.0
2010-02-28 12:00:00.0
2010-02-28 06:00:00.0
2010-02-28 00:00:00.0
2010-02-27 18:00:00.0
2010-02-27 12:00:00.0
2010-02-27 06:00:00.0
2010-02-27 00:00:00.0
2010-02-26 18:00:00.0
2010-02-26 12:00:00.0
Oscilações diárias: A Figura ao lado demonstra a variação diária da temperatura do ar e
Oscilações diárias:
A Figura ao lado demonstra a
variação diária da temperatura do
ar e do balanço de energia
próxima a superfície.
Observa-se uma defasagem
entre a ocorrência da temperatura
máxima e a maior incidência de
irradiância solar. Destaca
também o período de ocorrência
de valores mínimos da
temperatura do ar, que ocorre
antes do amanhecer do dia.
Figura. Variação diária da temperatura do ar
UFRPE / UAST

4. Variação da temperatura

Oscilações quase instantâneas:

Temperatura ( o C)
Temperatura ( o C)

Tempo (em segundos)

UFRPE / UAST

Oscilações anuais: UFRPE / UAST
Oscilações anuais:
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Defasagem entre a incidência de radiação e a temperatura UFRPE / UAST
Defasagem entre a incidência de radiação e a temperatura
UFRPE / UAST

Efeito da latitude sobre os valores anuais da temperatura

Efeito da latitude sobre os valores anuais da temperatura “Quanto maior a distância do equador, ou
Efeito da latitude sobre os valores anuais da temperatura “Quanto maior a distância do equador, ou

“Quanto maior a distância do equador, ou seja, maior a latitude, maior será a amplitude térmica (diferença entre a temperatura do mês mais quente e do mês mais frio)”

UFRPE / UAST

Em geral, os maiores valores de temperatura ocorrem nos meses de verão, enquanto que a
Em geral, os maiores
valores de temperatura
ocorrem nos meses de
verão, enquanto que a
menor temperatura nos
meses de inverno,
independentemente dos
períodos de ocorrência
da precipitação.
Figura.Temperatura média do
ar e o total de precipitação em
alguns localidade do Brasil.
UFRPE / UAST
Outro exemplo da influência da latitude UFRPE / UAST
Outro exemplo da influência da latitude
UFRPE / UAST

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Efeito da continentalidade (longitude) sobre a temperatura

Efeito da continentalidade (longitude) sobre a temperatura “O oceano atua como regulador da temperatura, de modo
Efeito da continentalidade (longitude) sobre a temperatura “O oceano atua como regulador da temperatura, de modo

“O oceano atua como regulador da temperatura, de modo que quanto mais próxima a localidade do oceano menor as flutuações da temperatura, reduzindo sua amplitude anual”

UFRPE / UAST

Efeito da altitude sobre os valores anuais de temperatura “A altitude influência na magnitude dos
Efeito da altitude sobre os valores anuais de temperatura
“A altitude influência na magnitude dos valores de temperatura, sendo menores quanto maior a
altitude do local”
UFRPE / UAST
Outro exemplo do efeito da continentalidade (longitude) UFRPE / UAST
Outro exemplo do efeito da continentalidade (longitude)
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Outro exemplo do efeito da altitude sobre a temperatura UFRPE / UAST
Outro exemplo do efeito da altitude sobre a temperatura
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Comportamento anômalo dos padrões de temperatura UFRPE / UAST
Comportamento anômalo dos padrões de temperatura
UFRPE / UAST
Variação temporal e espacial da Temperatura do ar no Submédio São Francisco Figura . Espacialização
Variação temporal e espacial da Temperatura do ar no
Submédio São Francisco
Figura . Espacialização da temperatura do ar mensal normal sobre a Bacia do Submédio São Francisco: a – janeiro, b –
fevereiro, c – março, d – abril, e – maio, f – junho, g – julho, h – agosto, i – setembro, j – outubro, k – novembro, l – dezembro.
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5. Variação espacial da temperatura

A variabilidade espacial (horizontal): definida pelos fatores determinantes do clima, como latitude, altitude, continentalidade, correntes oceânicas, massas de ar, entre outros.

Temperatura Mínima Anual

Temperatura Máxima Anual

Temperatura Média Anual

Anual Temperatura Máxima Anual Temperatura Média Anual As Figuras acima destacam a variabilidade espacial das
Anual Temperatura Máxima Anual Temperatura Média Anual As Figuras acima destacam a variabilidade espacial das
Anual Temperatura Máxima Anual Temperatura Média Anual As Figuras acima destacam a variabilidade espacial das

As Figuras acima destacam a variabilidade espacial das temperaturas mínima, máxima e média anuais no Brasil, de acordo com as normais climatológicas de 1931-1990.

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Figura . Espacialização da temperatura do ar anual normal sobre a Bacia do Submédio São
Figura . Espacialização da temperatura do ar anual normal sobre a Bacia do Submédio São Francisco.
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Variação vertical da temperatura do ar:

A temperatura do ar apresenta uma variação vertical. Como tanto o aquecimento como o resfriamento do ar se dão a partir da superfície, durante o dia a tendência é da temperatura do ar ser maior próxima à superfície e menor com a altura. Já de madrugada, essa situação se inverte, sendo a temperatura menor próxima à superfície e maior com o aumento da altura.

próxima à superfície e maior com o aumento da altura. Gradiente vertical da temperatura do ar

Gradiente vertical da temperatura do ar durante o período diurno

vertical da temperatura do ar durante o período diurno Gradiente vertical da temperatura do ar durante

Gradiente vertical da temperatura do ar durante o período noturno

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Na Figura abaixo pode ser observada a defasagem de ocorrência da temperatura máxima entre as
Na Figura abaixo pode ser observada a defasagem de ocorrência da temperatura máxima
entre as profundidades, bem como a atenuação da onda de variação da temperatura do
solo ao longo do dia com a profundidade.
Figura. Marcha diária da temperatura do solo em diferentes profundidades.
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Temperatura do solo

 
   

Temperatura do solo ( o C)

 
Período Período Noturno diurno
Período
Período
Noturno
diurno
 

15

20

25

30

35

40

45

 

0

-5

13h 19h 23h 5h 9h
13h
19h
23h
5h
9h

Profundidade do solo (cm)

-10

-15

-20

-25

-30

-35

-40

-45

 

-50

As Figuras acima destacam a variação da temperatura do solo ao longo do dia, mostrando que durante o período diurno os valores próximos a superfície são elevados, invertendo o perfil durante o período noturno. A ocorrência de valores máximos é após ao meio-dia. Além do mais, observa-se que existe uma profundidade que essa variação é desprezível.

 

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Variação da temperatura do ar e do solo em um cultivo de cana-de- açúcar irrigada
Variação da temperatura do ar e do solo em um cultivo de cana-de-
açúcar irrigada na região do semi-árido brasileiro
Em profundidades
maiores (15 cm)
amplitude térmica é
menor e a
defasagem em
relação a
temperatura do ar e
a radiação é maior
quando comparado
aos valores medidos
em profundidades
menores (5 cm)
Figura. Amplitude dos valores de temperatura do ar (a 2,50 metros de altura acima do dossel da
cultura) e da temperatura do solo (a duas profundidades (5 cm e 15 cm) e as suas defasagens
em relação a radiação solar global em um cultivo de cana-de-açúcar irrigada.
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6. Medidas da temperatura

10/04/2011 6. Medidas da temperatura Estação Meteorológica Convencional Estação Meteorológica Automática UFRPE /

Estação Meteorológica Convencional

Medidas da temperatura Estação Meteorológica Convencional Estação Meteorológica Automática UFRPE / UAST

Estação Meteorológica Automática

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Dilatação dos líquidos: são aqueles equipamentos utilizados em estações meteorológicas convencionais, onde ficam instalados dentro do abrigo meteorológico. Consistem de um capilar de vidro onde uma coluna líquida (álcool ou mercúrio) se dilata ou contrai com o aquecimento ou resfriamento. Dois termômetros são destinados a medir as temperaturas máxima (Tmáx) e mínima (Tmín) e outros dois se destinam a medir a temperatura do bulbo seco (Ts) e do bulbo molhado (Tu), os quais constituem o conjunto psicrométrico, utilizado para estimativa da umidade relativa do ar.

utilizado para estimativa da umidade relativa do ar. Figura. Termômetros de máxima e mínima Figura.

Figura. Termômetros de máxima e mínima

relativa do ar. Figura. Termômetros de máxima e mínima Figura. Termômetros de bulbo seco e molhado

Figura. Termômetros de bulbo seco e molhado

UFRPE / UAST

Os sensores utilizados para a medida da temperatura do ar podem ser divididos conforme o
Os sensores utilizados para a medida da temperatura do ar podem ser
divididos conforme o princípio de medida, em: dilatação dos sólidos,
dilatação dos líquidos e termoelétricos.
Dilatação dos sólidos: são instrumentos que se baseiam no princípio de que um sólido ao se
aquecer sofre dilatação proporcional ao aquecimento. Os mais comuns são aqueles denominados
termógrafos, os quais têm o elemento sensor um arco metálico, que se dilata e contrai com a
temperatura. Essa variação de dilatação é proporcional à variação de temperatura. Eles medem a
temperatura do ar continuamente, com o registro sendo feito por meio de um sistema de alavancas
conectado a uma pena que se encontra sobre um diagrama. Esses equipamentos são utilizados em
estações meteorológicas convencionais, onde ficam instalados dentro do abrigo meteorológico.
Figura. Termógrafo
UFRPE / UAST
do abrigo meteorológico. Figura. Termógrafo UFRPE / UAST Figura. Geotermômetros Figura. Ilustração do
do abrigo meteorológico. Figura. Termógrafo UFRPE / UAST Figura. Geotermômetros Figura. Ilustração do

Figura. Geotermômetros

Figura. Termógrafo UFRPE / UAST Figura. Geotermômetros Figura. Ilustração do posicionamento de instalação

Figura. Ilustração do posicionamento de instalação

Geotermômetros são termômetros instalados a 2, 5, 10, 20, 40 e 100 cm de profundidade em superfície gramada ou de solo desnudo com o objetivo de mediar a temperatura do solo.

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Pares termoelétricos: são aqueles equipamentos que possuem o princípio físico de um termopar, em que consiste de junções de dois metais diferentes. A diferença de temperatura entre as duas junções (uma no abrigo e outra numa temperatura de referência) gera uma força eletromotriz proporcional.

de referência) gera uma força eletromotriz proporcional. UFRPE / UAST Radiação infravermelho: são aqueles
de referência) gera uma força eletromotriz proporcional. UFRPE / UAST Radiação infravermelho: são aqueles

UFRPE / UAST

Radiação infravermelho: são aqueles equipamentos que se baseiam na detectação da radiação eletromagnética emitida
Radiação infravermelho: são aqueles equipamentos que se baseiam na detectação da
radiação eletromagnética emitida pelos corpos (Lei de Stefan Boltzman). São equipamentos
de pouca aplicação em estações meteorológicas.
Figura. Termômetro de radiação infravermelho
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Termistores: são aqueles equipamentos constituídos por semicondutores sensíveis a temperatura.

constituídos por semicondutores sensíveis a temperatura. UFRPE / UAST 7. Estimativa da temperatura Temperatura do ar
constituídos por semicondutores sensíveis a temperatura. UFRPE / UAST 7. Estimativa da temperatura Temperatura do ar
constituídos por semicondutores sensíveis a temperatura. UFRPE / UAST 7. Estimativa da temperatura Temperatura do ar

UFRPE / UAST

7. Estimativa da temperatura

Temperatura do ar : VALORES DIÁRIOS

INMET IAC Valores Extremos Termógrafo
INMET
IAC
Valores Extremos
Termógrafo
: VALORES DIÁRIOS INMET IAC Valores Extremos Termógrafo T m é d i a = (T

T média = (T 9h + Tmáx + Tmín + 2.T 21h ) / 5

T média = (T 7h + T 14h + 2.T 21h ) / 4

T média = (Tmáx + Tmín) / 2

T média = (T i ) / 24

em que: T média = temperatura média diária, T 9h = temperatura das 9:00 hs, T 21h = temperatura das 21:00 hs, T máx = temperatura máxima do dia, T mín = temperatura mínima do dia, T i = temperatura de um determinado instante.

Real ( T i ) / n T média = em que: n = número
Real
( T i ) / n
T média =
em que: n = número de observações no dia.

UFRPE / UAST

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Temperatura do ar : VALORES MENSAIS

Na ausência de dados de temperatura, os mesmos podem ser estimados utilizando os dados geográficos do local, sendo:

estimados utilizando os dados geográficos do local, sendo: em que: ti = temperatura máxima, média ou

em que: ti = temperatura máxima, média ou mínima de um referido mês i; ALT =

altitude, em metros; LAT = latitude e LONG = longitude, ambas em minutos (graus x

60); a0,

, a9 = coeficientes da equação, obtidos estatisticamente.

> Latitude < Temperatura média do ar > Altitude < Temperatura média do ar Longitude < ou > proximidade dos oceanos

A seguir são demonstrados os valores do coeficientes de entrada da equação acima

UFRPE / UAST

UFRPE / UAST
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UFRPE / UAST
UFRPE / UAST
UFRPE / UAST
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10/04/2011

Temperatura do solo

A temperatura do solo tem sido estimado por meio da temperatura do ar utilizando relações diretas entre os seus valores. Alfonsi & Sentelhas (1997) propuseram equações de estimativa da temperatura do solo mensal em diferentes profundidades de um solo Latossolo roxo desnudo em Campinas, SP:

Profundidade

Equação

2 cm
2
cm

Ts 2cm = -4,56 + 1,38.T ar

 
5 cm
5
cm

Ts 5cm = -3,61 + 1,33.T ar

10 cm
10
cm

Ts 10cm = -2,59 + 1,28.T ar

20 cm
20
cm

Ts 20cm = -1,70 + 1,22.T ar

40 cm
40
cm

Ts 40cm = 0,62 + 1,12.T ar

100 cm
100
cm

Ts 100cm = 7,27 + 0,81.T ar

Essas equações são válidas para esse tipo de solo não-revolvido por aeração e gradeação, de modo que devem ser utilizadas com cautela para outros tipos de solo, logo que perfil da temperatura do solo depende das características do mesmo.

 

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8.1. Temperatura e desenvolvimento das plantas

Representa a quantidade de energia que a espécie necessita para atingir um determinado estádio de crescimento, sendo um indicador bastante utilizado para fins de planejamento da atividade.

Esse indicador baseia-se no fato de que a taxa de desenvolvimento de uma espécie está relacionada com a temperatura do meio, pressupondo-se que, quando a temperatura está abaixo e acima de das temperaturas basais inferior – Tb e superior – TB, respectivamente a espécie não se desenvolve.

 

Condições para cálculo dos GD ( o C dia):

I)

Se T base < T min :

 
 

desenvolvimento

Temperatura ótima
Temperatura ótima

Taxa de desenv. máxima

GD =

(T média T base )

II)

Se T base T min :

GD = (T max – Tb) 2 / 2(T max – T min )

Taxa de

III) Se T base > T max :

GD = 0

 
 

10

26

30

34

40

 

Tb

Temperatura do ar ( o C)

TB

Cálculo dos graus dias acumulados (GDA) para um determinado período:

 

GDA = GD

 

Extraído de Sentelhas & Angelocci (2007)

 

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8. Indicadores térmicos e suas aplicações agronômicas

8.1. Graus dias

8.2. Número de horas de frio

8.3. Índice de conforto térmico animal

UFRPE / UAST

Exigência térmica (graus-dia) e caracterização fenológica para uvas de vinho “Cabernet sauvignon e Syrah (Vitis vinífera) para a região do Submédio vale do São Francisco

 

60

 

55

Tar (°C) Tar (Max) (°C) T ar (Min) (°C) Poda -Início de brotç Início de
Tar (°C)
Tar (Max) (°C)
T ar (Min) (°C)
Poda -Início de brotç
Início de brotação - Ple
floração
Plena floração - Iníc
de maturaçã
Início de maturação - Final
maturação
 

50

Temperatura do ar °(C)

45

40

35

 

Figura. Temperatura durante o período

30

poda - colheita relacionada com o

25

intervalo em dias para cada subperíodos

 

para variedade Syrah no ano de 2006,

 

20

Casa Nova – BA.

15

10

 
 

1

12

23

34

45

56

67

78

89

100

111

122

 

Cioclo fenológico em dias

 

Tabela. Exigência térmica da videira cabernet sauvignon no Vale São Francisco, Brasil.

Tabela. Exigência térmica da videira cabernet sauvignon no Vale São Francisco, Brasil.
 

Períodos fenológico

 
 

Ano.

PO – BR

BR – FL

FL – MA

MA – CL

PO – CO

Prod. Kg.ha -

Cultivar

semestre

 

1

 

Exigências térmicas (graus-dia)

 
 

2006.1

SGD

140,9

398,3

865,1

732,7

2137

2.200,49

Cabernet

2006.2

SGD

198,9

294,6

848,1

864,9

2207

4.074,07

sauvignon

Media

SGD

169,90

346,45

856,60

798,80

2172,00

3.137,28

 

DESPAD

41,01

73,33

12,02

93,48

49,50

 

2006.1

SGD

193,30

371,80

766,90

826,60

2158,60

4.382,70

Syrah

2006.2

SGD

SGD

164,30

178,80

377,60

374,70

810,90

788,90

722,30

774,45

2075,10

2116,85

6.543,20

5.462,95

Media

DESPAD

20,51

4,10

31,11

73,75

59,04

 

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10/04/2011

caracterização térmica do feijão caupi e milho em sistema de plantio consorciado nas condições do
caracterização térmica do feijão caupi e milho em sistema de plantio
consorciado nas condições do semi-árido no Nordestino
Tabela. Graus dias acumulados e número de dias correspondente a cada subperíodo fenológico das
culturas do milho e do feijão caupi.
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8.2. Número de horas de frio (NHF) O NHF é definido como o número de
8.2. Número de horas de frio (NHF)
O NHF é definido como o número de horas em que a temperatura do ar permanece abaixo de determinada
temperatura crítica durante certo período, durante o inverno. Essa temperatura crítica é considerada igual a
7 o C por ser aplicável à maioria das espécies criófitas, mais exigentes em frio. Para as espécies menos
exigentes, pode-se considerar a temperatura crítica de 13 o C. É uma informação importante, pois muitas
plantas necessitam de horas de frio para entrar em repouso (balanço hormonal) ou para iniciarem um novo
ciclo vegetativo ou reprodutivo.
A ausência de NHF poderá resultar
em anomalias nas plantas:
Temperatura do ar e NHF
20
18
16
a) Queda de gemas frutíferas;
NHF<13 o C = 17
14
b) Atraso e irregularidade na
12
brotação e floração;
10
NHF<7 o C = 9
8
c)
Ocorrência de florescimento
6
irregular e prolongado.
4
2
0
O resultado dessas anomalias é a
redução do rendimento e da
longevidade da cultura
13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10 11 12
Horário
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Temp. do ar ( o C)

Tabela. Valores de temperatura base e graus dias acumulados (GDA) para algumas culturas

Cultura

Variedade/Cultivar

Período/Sub-período

Tb ( o C)

GDA

(

o Cd)

Soja

UFV-1

Semeadura-Maturação

14,0

1340

 

Paraná

Semeadura-Maturação

14,0

1030

 

Viçoja

Semeadura-Maturação

14,0

1230

Cafeeiro

Mundo Novo

Florescimento-Maturação

11,0

2642

Videira

Niagara Rosada

Poda-Maturação

10,0

1550

 

Itáli/Rubi

Poda-Maturação

10,0

1990

Extraído de Sentelhas & Angelocci (2007)

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Tabela. Valores de Número de Horas de Frio (NHF) para algumas culturas

O NHF varia entre espécies e variedades, e

quanto mais exigente for a espécie/variedade

maior o valor de NHF, como pode-se observar

no quadro ao lado

Fonte: www.citygardening.net/chilling

Frutífera

NHF < 7 o C

Maçã

250

a 1.700 h

Amora Preta

100

a 1.000 h

Kiwi

250

a 800 h

Pêssego

0

a 950 h

Figo

0

a 200 h

Uva

0 a 1.300 h

Cereja

500

a 1.400 h

Pêra

200

a 1.500 h

Ameixa

300

a 1.800 h

Noz Pecã

300

a 1.000 h

Algumas equações de estimativa de NHF médio normal. Exemplo para o Estado de São Paulo:

NHF<7 o C = 401,9 – 21,5 T julho NHF<13 o C = 4482,9 – 231,2 T julho

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8.3. Índice de conforto térmico animal

Índice de Temperatura e Umidade (ITU)

ITU

t

m

0,36t

po

41,5

Thom (1959)

tm - temperatura média do ar, ºC; e,

tpo - temperatura do ponto de orvalho, expressa em ºC e calculada a partir das equações psicrométricas citadas por Vianello & Alves

(2000).

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Declínio da Produção de Leite (DPL)

DPL - 1,075 - 1,736 NP 0,02474 NP ITU

Berry et al. (1964)

DPL - expresso em kg animal -1 dia -1 ;

NP - nível normal de produção de leite, dado em kg animal -1 dia -1 .

Ex.: 10, 15, 20, 25, 30 e 35 kg animal -1 dia -1

Redução do Consumo Alimentar (RCA)

RCA  28,23 0,391 ITU

Berry et al. (1964)

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Outras equações do Índice de Temperatura e Umidade (ITU)

(1) ITU = ts – 0,55(1-UR)(ts-58)

Kelly e Bond (1971)

(2) ITU = 0,72(ts+tu) + 40,6

McDowell e Johnston (1971)

(3) ITU = ts+0,36to + 41,2

Baccari et al. (1983)

(4) ITU = 0,8Ta + UR(Ta-14,6)/100 + 46,3

Buffington et al. (1982)

 

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Até a próxima aula

 

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