Introdução ao Estudo do Direito
Professora: Pacelly Silva
QUESTÕES PARA FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
RESPOSTA:
Respostas
Questão 1: Personalidade Jurídica
Definição: A personalidade jurídica é a capacidade de ser sujeito de direitos e
obrigações, ou seja, de praticar atos e assumir responsabilidades no mundo jurídico.
Início e Fim:
Pessoas Naturais:
Início: O início da personalidade jurídica da pessoa natural se dá com o nascimento
com vida, conforme o art. 2º do Código Civil.
Fim: O fim da personalidade jurídica da pessoa natural ocorre com a morte,
comprovada por certidão de óbito.
Pessoas Jurídicas:
Início: A personalidade jurídica das pessoas jurídicas surge com o registro dos seus
atos constitutivos no órgão competente, como o Registro Civil de Pessoas Jurídicas
(para associações) ou Junta Comercial (para empresas).
Fim: O fim da personalidade jurídica de uma pessoa jurídica ocorre com a sua
extinção, geralmente por dissolução (encerramento normal das atividades) ou por
falência (encerramento por insolvência). A extinção deve ser formalizada e registrada
no órgão competente, garantindo a liquidação dos bens e o pagamento dos credores.
Questão 2: Ausência
Ausência: A ausência é um dos motivos para a extinção da personalidade jurídica. É
a situação em que uma pessoa natural desaparece, sem deixar notícias de seu
paradeiro, e não há certeza se está viva ou morta.
Espécies de Ausência:
Ausência Simples: O juiz declara a ausência quando a pessoa desaparece, sem
notícias, por mais de um ano. Nesse caso, é nomeado um curador para administrar os
bens do ausente.
Ausência Presumida: Se não houver notícias do ausente por mais de dez anos,
presume-se a sua morte. A sentença que declara a morte presumida abre a sucessão
do ausente, permitindo a partilha dos seus bens entre os herdeiros.
Questão 3: Capacidade de Fato
Definição: A capacidade de fato (ou capacidade de agir) é a aptidão para exercer
pessoalmente os direitos e assumir obrigações, praticando atos da vida civil.
Incapacidade Absoluta:
As únicas pessoas que o ordenamento jurídico classifica como absolutamente
incapazes são:
Menores de 16 anos: Não possuem discernimento para a prática de atos da vida civil
e, por isso, são representados por seus pais ou responsáveis legais.
Doentes mentais: Aqueles que, por causa de doença mental, não possuem
discernimento para a prática de atos da vida civil, são representados por curador
nomeado judicialmente.
Importante: A incapacidade é um estado transitório, que pode ser modificado por lei
ou por decisão judicial. Por exemplo, um menor de 16 anos poderá ser emancipado,
adquirindo a capacidade plena, ou um doente mental poderá recuperar a capacidade,
se houver melhora do estado de saúde.
Questão 4: Capacidade de Fato Relativa
A capacidade de fato pode ser absoluta ou relativa. Os relativamente incapazes são
aqueles que, apesar de possuírem algum grau de discernimento, necessitam de
auxílio para praticar determinados atos. O ordenamento jurídico os considera semi-
incapazes, com restrições em sua capacidade de agir.
Sujeitos Relativamente Incapazes:
Menores entre 16 e 18 anos: Possuem capacidade reduzida, necessitando de
assistência dos pais ou representantes legais para realizar atos importantes, como
comprar ou vender bens imóveis.
Maiores de 18 anos que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o
necessário discernimento para os atos da vida civil: Necessitam de auxílio de
curador nomeado judicialmente para realizar atos importantes.
Ébrios habituais e viciados em tóxicos: Enquanto estiverem sob efeito do vício,
têm sua capacidade de agir reduzida.
Importante: A capacidade relativa é uma situação transitória, que pode ser modificada
por lei ou por decisão judicial. Por exemplo, um menor emancipado (com 16 anos)
adquire capacidade plena, e um dependente químico, se tratar e recuperar sua
capacidade de discernimento, terá sua capacidade de agir restabelecida.
Questão 5: Pessoa Jurídica e Responsabilidade
Pessoa Jurídica: É uma entidade que, por força da lei, adquire personalidade jurídica
própria, distinta da dos seus sócios ou membros. Possui capacidade de adquirir
direitos e assumir obrigações, como se fosse uma pessoa física.
Responsabilidade da Pessoa Natural:
A pessoa natural que administra ou é sócia da pessoa jurídica não responde
automaticamente pelas obrigações que ela contrair. A responsabilidade é da própria
pessoa jurídica, que possui patrimônio próprio, distinto do patrimônio dos seus sócios.
Exceções:
Responsabilidade Solidária: Em alguns casos, a lei pode prever a responsabilidade
solidária do administrador ou sócio, caso haja má-fé, abuso de poder ou prática de
atos ilícitos em nome da pessoa jurídica.
Pessoas Jurídicas de Pequeno Porte: Em alguns casos, como as empresas
individuais, a responsabilidade do sócio pode se confundir com a da empresa,
dependendo da legislação específica.
Para melhor compreensão: Imagine uma empresa como uma casa. A pessoa jurídica
é a casa, com suas próprias paredes, portas e responsabilidades. Os sócios são os
moradores da casa. A casa é responsável por suas próprias dívidas, e os moradores
não respondem por elas. No entanto, se os moradores causarem algum dano à casa,
ou cometerem atos ilícitos com ela, podem ser responsabilizados.
Em resumo:
A pessoa jurídica é uma entidade autônoma, com responsabilidades próprias. Os seus
administradores e sócios, em geral, não respondem pelas suas dívidas, a menos que
haja previsão legal de responsabilidade solidária ou se cometam atos ilícitos em seu
nome.
Questão 6: A Relação Jurídica
Conceito: A relação jurídica é o vínculo de direito que se estabelece entre duas ou
mais pessoas, criando direitos e obrigações recíprocas, regidas pelas normas
jurídicas. Em outras palavras, é a estrutura formal que regulamenta as interações
entre os indivíduos em sociedade, com base em regras e princípios legais.
Elementos da Relação Jurídica:
Sujeitos: São as pessoas físicas ou jurídicas que participam da relação jurídica.
Podem ser:
Ativo: detentor do direito, a quem a norma jurídica confere a possibilidade de exigir
algo.
Passivo: obrigado a cumprir a obrigação, a quem a norma jurídica impõe um dever.
Objeto: É o bem jurídico, a coisa ou a situação sobre a qual recai o direito e a
obrigação.
Conteúdo: É o conjunto de direitos e obrigações que regulam a relação jurídica.
Fato jurídico: É o acontecimento que dá origem à relação jurídica. Pode ser um ato
jurídico (voluntário), como um contrato, ou um fato jurídico em sentido estrito
(involuntário), como a morte.
Exemplos:
Contrato de compra e venda: O vendedor: (sujeito passivo) tem a obrigação de
entregar o bem (objeto) ao comprador (sujeito ativo), e o comprador tem a obrigação
de pagar o preço (conteúdo). O fato jurídico é a celebração do contrato.
Direito sucessório: O herdeiro (sujeito ativo) tem direito à herança (objeto), e o
testador (sujeito passivo) tinha o direito de dispor da herança antes de sua morte
(conteúdo). O fato jurídico é a morte do testador.
Direito penal: O Estado (sujeito ativo) tem o direito de punir o criminoso (sujeito
passivo) pela prática de um crime (objeto). O fato jurídico é a prática do crime.
Questão 7: Classificação dos Direitos Subjetivos
Direitos Subjetivos: São as faculdades reconhecidas pela ordem jurídica, conferindo
ao titular o poder de agir para satisfazer seus interesses, mediante a proteção do
Estado.
Classificações:
Quanto à natureza:
Direitos Real: conferem ao titular o poder direto e imediato sobre uma coisa, como a
propriedade de um imóvel.
Exemplo: Direito de propriedade, direito de usufruto, direito de servidão.
Direitos Pessoais: conferem ao titular um poder sobre uma determinada pessoa, a
quem impõe um dever, como um contrato de prestação de serviços.
Exemplo: Direito de crédito, direito autoral, direito de imagem.
Direitos de Família: regulam as relações familiares, como o direito à guarda dos
filhos, o direito à pensão alimentícia.
Exemplo: Direito à paternidade, direito à guarda compartilhada, direito à pensão
alimentícia.
Direitos da Personalidade: são os direitos inerentes à pessoa humana, como o
direito à vida, à liberdade, à honra.
Exemplo: Direito à vida, direito à liberdade, direito à privacidade, direito à integridade
física.
Quanto à titularidade:
Direitos Individuais: são aqueles que pertencem a uma pessoa individualmente.
Exemplo: Direito à propriedade, direito de autor, direito à liberdade.
Direitos Coletivos: são aqueles que pertencem a um grupo de pessoas, como os
direitos de um sindicato ou de uma associação.
Exemplo: Direito de greve, direito à organização sindical, direito à manifestação.
Direitos Difusos: são aqueles que pertencem a uma comunidade indeterminada de
pessoas, como o direito ao meio ambiente, à saúde, à educação.
Exemplo: Direito ao meio ambiente equilibrado, direito à saúde, direito à educação.
Direitos Irrenunciáveis: São os direitos que não podem ser renunciados pelo titular,
em razão de sua natureza essencial para a pessoa ou para a sociedade.
Exemplos:
Direito à vida: O titular não pode renunciar ao direito à vida, pois é um direito
fundamental e inviolável.
Direito à liberdade: O titular não pode renunciar à liberdade, pois é um direito
essencial para a dignidade humana.
Direitos dos filhos: Os pais não podem renunciar aos direitos dos filhos, como o
direito à educação, à saúde e à assistência.
Direito à integridade física: O titular não pode renunciar à integridade física, pois é
um direito fundamental que garante a segurança e a integridade do indivíduo.
Questão 8: Direitos Subjetivos: Aquisição, Modificação e Extinção
a) Aquisição e Modificação dos Direitos Subjetivos
Aquisição de um Direito Subjetivo
A aquisição de um direito subjetivo ocorre quando uma pessoa, denominada sujeito de
direito, se torna titular de um direito que lhe é reconhecido pelo ordenamento jurídico.
Isso pode acontecer por várias formas, como:
1. Ato Jurídico: Como um contrato, testamento ou um registro de imóvel.
2. Fato Jurídico: Um evento que gera efeitos jurídicos, como o nascimento de uma
criança, que adquire desde já a capacidade de ser sujeito de direitos.
3. Prescrição e Decadência: Quando se atinge certo prazo sem que o direito tenha
sido exercido ou contestado.
Modificação de um Direito Subjetivo
Após adquirido, um direito subjetivo pode ser modificado. As modificações podem ser:
1. Mutação Subjetiva: Mudança no sujeito titular do direito (ex: venda de um imóvel).
2. Alteração das Condições: Mudança nas condições legais ou contratuais que
regem o direito (ex: alteração das cláusulas de um contrato).
3. Mudança na Legislação: Novas leis ou regulamentações podem modificar os
direitos vigentes (ex: alterações na legislação trabalhista).
Exemplos
- Ato Jurídico: Um contrato de compra e venda de um imóvel é um ato jurídico que
leva à aquisição de propriedade (direito real).
- Alteração das Condições: Suponha que uma lei altere a idade mínima para
concessão de aposentadoria, isso modifica a situação jurídica daqueles que ainda não
adquiriram este direito subjetivo.
b) Meios de Extinção dos Direitos
Os direitos subjetivos podem ser extintos por vários meios. Alguns dos principais são:
1. Renúncia: O titular do direito pode, voluntariamente, abdicar ao seu direito.
Exemplo: uma pessoa renuncia a uma herança.
2. Prescrição: O direito não é exercido dentro do prazo legal estabelecido, levando à
perda do direito de ação.
Exemplo: dívida que não é cobrada dentro do prazo prescricional.
3. Decadência: Perda de um direito pelo não exercício no prazo estipulado pela lei.
Exemplo: direito de anular um casamento pode decair se a ação não for proposta
dentro do prazo legalmente estabelecido.
4. Satisfação do Direito: O direito se extingue pela sua satisfação, ou seja, quando é
plenamente exercido.
Exemplo: pagamento de uma dívida extingue o direito de crédito.
5. Consunção: Quando o direito se consome pelo uso ou pela natureza de sua
própria existência.
Exemplo: penalidade aplicada e cumprida.
6. Caducidade: O direito perece por desuso ou porque uma condição necessária não
foi satisfeita a tempo.
Exemplo: concessão de uso de bem público que não foi utilizada dentro do prazo
estipulado.
7. Morte: Em caso de direitos pessoais, a morte do titular extingue o direito.
Exemplo: direitos autorais de personalidade.
Exemplos
- Renúncia: Se uma pessoa renuncia ao direito de contestar uma dívida já prescrita, o
direito se extingue.
- Prescrição: Se alguém não reivindica judicialmente a posse de um bem imóvel
dentro de 10 anos, pode perder o direito de ação.
Esses conceitos são fundamentais para compreender a dinâmica dos direitos
subjetivos no direito civil, fornecendo uma visão clara de como são adquiridos,
modificados e extintos.