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Reforma Tributária CCJ

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2023

Proposta da PEC 45 e PEC 110

Resumo:
Pontos de mudança na reforma
tributária atual aprovada na CCJ do
Senado.
A aprovação da reforma tributária na CCJ representa mais um avanço na discussão, que já dura quase três
décadas, sobre um novo sistema tributário no país.

De acordo com o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner, a PEC deve ser votada no plenário da
Casa nesta quarta-feira (8). Se for aprovada no plenário, terá de voltar à Câmara – que já analisou o texto em julho,
mas terá de avaliar as modificações feitas pelos senadores.

Entenda abaixo o que está sendo discutido:

Imposto único

IVA é a sigla para o modelo de Imposto sobre o Valor Agregado (ou adicionado). Segundo a proposta, cinco
impostos que existem hoje serão substituídos por dois IVAs — por isso, esse modelo é chamado de IVA dual:

▶ Três tributos federais (PIS, Cofins e IPI) darão origem ao Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência
federal.

▶ ICMS (estadual) e o ISS (municipal) serão unificados no formato do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com gestão
compartilhada entre estados e municípios.

No modelo do IVA, os impostos não são cumulativos ao longo da cadeia de produção de um item. Exemplo:
quando o comerciante compra um sapato da fábrica, paga imposto somente sobre o valor que foi agregado na
fábrica. Não paga, por exemplo, imposto sobre a matéria-prima que deu origem ao sapato – a fábrica já terá pagado
quando adquiriu o material do produtor rural.

O valor do IVA ainda vai ser estipulado, em uma regulamentação da PEC. A área econômica calcula que
deverá ser algo em torno de 27,5% sobre o valor do produto, para manter a atual carga tributária do país -- nem
aumentar nem diminuir.

Além disso, os impostos passarão a ser cobrados no destino final, onde o bem ou serviço será consumido, e
não mais na origem. Isso contribuiria para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os
estados para que empresas se instalem em seus territórios.

Fase de transição

Segundo a proposta, o período de transição para unificação dos tributos vai durar sete anos, entre 2026 e
2032. A partir de 2033, os impostos atuais serão extintos. A transição foi prevista para não haver prejuízo de
arrecadação para nenhum estado ou município.

▶Em 2026: haverá uma alíquota teste de 0,9% para a CBS (IVA federal) e de 0,1% para IBS (IVA compartilhado entre
estados e municípios).

▶ 2027: PIS e Cofins deixam de existir. CBS será totalmente implementada. Alíquota do IBS permanece com 0,1%.

▶ entre 2029 e 2032: redução paulatina das alíquotas do ICMS e do ISS e elevação gradual do IBS.

▶ 2033: vigência integral do novo modelo e extinção do ICMS e do ISS.

Além dos prazos gerais, o texto prevê que, em 2027, deverá ser extinto o Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), que deverá dar lugar a uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para
manter a competitividade da Zona Franca de Manaus.
1
Cesta básica e 'cashback'

O texto a ser votado no Senado mantém a criação de uma cesta básica nacional de alimentos isenta de
tributos. A regra havia sido acrescentada pelo relator da proposta na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB),
após protestos.

Pela proposta, as alíquotas previstas para os IVAs federal e estadual e municipal serão reduzidas a zero para
esses produtos.

Segundo o texto, caberá a uma lei complementar definir quais serão os "produtos destinados à alimentação
humana" que farão parte da cesta.

Além disso, o relator no Senado, senador Eduardo Braga (MDB-AM), criou uma cesta básica “estendida” com
alimentos que terão redução de 60% da alíquota.

O senador também manteve a possibilidade de criação futura, por meio de lei complementar, do chamado
“cashback”. O mecanismo prevê a devolução de impostos para um público determinado com o objetivo de reduzir as
desigualdades de renda. No texto, porém, Braga acrescentou que a devolução será obrigatória no fornecimento de
energia elétrica e de gás de cozinha a essa parcela da população.

Alíquotas reduzidas

A PEC prevê corte de 60% de tributos para 13 setores. Na prática, isso estabelece que alíquota a ser cobrada
será equivalente a 40% do IBS (IVA estadual e municipal) e do CBS (IVA federal).

Os setores contemplados são:

1. Serviços de educação;
2. Serviços de saúde;
3. Dispositivos médicos, incluindo fórmulas nutricionais;
4. Dispositivos de acessibilidade para pessoas com deficiência;
5. Medicamentos;
6. Produtos de cuidados básicos à saúde menstrual;
7. Serviços de transporte coletivo de passageiros rodoviário e metroviário de caráter urbano, semiurbano e
metropolitano;
8. Alimentos destinados ao consumo humano e sucos naturais sem adição de açúcares e conservantes;
9. Produtos de higiene pessoal e limpeza majoritariamente consumidos por famílias de baixa renda;
10. Produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas vegetais in natura;
11. Insumos agropecuários e aquícolas;
12. Produções artísticas, culturais, jornalísticas e audiovisuais nacionais, atividades desportivas e comunicação
institucional;
13. Bens e serviços relacionados a soberania e segurança;

Em nova alteração ao texto da Câmara, o senador Eduardo Braga incluiu a possibilidade de reduzir alíquotas
cobradas na prestação de serviços de profissionais autônomos. Segundo o texto, uma lei complementar deverá
estabelecer os beneficiados. O corte da cobrança será de 30%.
2
Durante a discussão da proposta, Eduardo Braga incluiu que a produção de hidrogênio verde poderá ter
regime fiscal diferenciado. De acordo com o parecer de Braga, a manutenção desses benefícios deverá ser reavaliada
a cada 5 anos.

Isenções

O parecer estabelece a possibilidade de isentar a cobrança dos IVAs sobre uma série de bens e tributos. As
decisões serão tomadas em lei complementar.

Poderão ficar isentos de cobrança, por exemplo:

1. Serviços de transporte coletivo de passageiros rodoviário e metroviário de caráter urbano,


semiurbano e metropolitano
2. Dispositivos médicos
3. Dispositivos de acessibilidade para pessoas com deficiência
4. Medicamentos
5. Produtos de cuidados básicos à saúde menstrual
6. Produtos hortícolas, frutas e ovos
7. Aquisição de medicamentos e dispositivos médicos pela administração pública e entidades de
assistência social
8. Automóveis de passageiros comprados por pessoas com deficiência e pessoas com transtorno do
espectro autista, e por motoristas profissionais que destinem o automóvel à utilização na categoria
de aluguel (táxi)

Cálculo diferente para o imposto

Pela proposta, alguns tipos de produtos e serviços poderão receber tratamentos específicos na cobrança dos
IVAs, ou seja, com regras diferentes para a cobrança do futuro imposto. Podem ser beneficiados, por exemplo, com
mudanças na base de cálculo dos tributos e no valor das alíquotas.

Poderão ser beneficiados:

1. Combustíveis e lubrificantes;
2. Serviços financeiros, operações com bens imóveis, planos de assistência à saúde e concursos de prognósticos
(como as loterias);
3. Cooperativas;
4. Serviços de hotelaria, parques de diversão e parques temáticos, bares, agências de viagens e turismo e
restaurantes e aviação regional;
5. Missões diplomáticas e representações de organismos internacionais;
6. Serviços de saneamento e de concessão de rodovias;
7. Serviços de transporte coletivo de passageiros rodoviário intermunicipal e interestadual, ferroviário,
hidroviário e aéreo;
8. Operações que envolvam a disponibilização da estrutura compartilhada dos serviços de telecomunicações;

Em uma mudança no texto aprovado pela Câmara, Braga excluiu compras governamentais do rol de setores que
poderiam receber tratamentos diferenciados. Na manhã desta terça, o relator incluiu no regime específico as
atividades esportivas desenvolvidas por Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
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'Imposto do pecado'

A reforma prevê a criação de um Imposto Seletivo, de competência federal, sobre bens e serviços
prejudiciais à saúde e ao meio ambiente — como cigarros e bebidas alcoólicas, por exemplo. Por isso, é apelidado de
"Imposto do pecado".

O objetivo é desestimular, por meio da cobrança extra, o consumo desse tipo de produto. O imposto será
cobrado em uma única fase da cadeia e não incidirá sobre exportações e operações com energia elétrica e
telecomunicações.

Em relação ao texto aprovado pela Câmara, Eduardo Braga acrescentou que o “imposto do pecado” deverá
ser cobrado sobre armas e munições. A exceção é quando o armamento for destinado à administração pública. Os
detalhes da cobrança e dos produtos que serão desestimulados pelo imposto serão definidos posteriormente, em
uma lei complementar.

Além do Imposto Seletivo, a proposta estabelece ainda a manutenção de estímulos fiscais para
biocombustíveis, a fim de assegurar “tributação inferior à incidente sobre os combustíveis fósseis”.

Tributação da renda e do patrimônio

O texto de Braga mantém alterações propostas na Câmara a respeito da cobrança de impostos sobre renda e
patrimônio.

▶ IPVA para jatinhos, iates e lanchas

Pelo sistema atual, esses veículos não pagam o tributo. O texto permite a cobrança do imposto nos estados e
prevê a possibilidade de o imposto ser progressivo em razão do impacto ambiental do veículo.

A PEC traz exceções. Uma delas impede a cobrança do IPVA sobre aeronaves utilizadas em serviços agrícolas.

▶ Tributação progressiva sobre heranças

O texto também estabelece uma cobrança progressiva do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e
Doação), em razão do valor da herança ou da doação.

A cobrança será feita no domicílio da pessoa falecida. A medida tem o objetivo de impedir que os herdeiros
busquem locais com tributações menores para processar o inventário. A proposta também cria regra que permite
cobrança sobre heranças no exterior.

O parecer de Braga prevê que o ITCMD não será cobrado sobre doações para instituições sem fins lucrativos
“com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades
religiosas e institutos científicos e tecnológicos”.
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Entidades religiosas e financiamento de passagens

O texto de Eduardo Braga mantém a ampliação de dispositivo já existente na Constituição que proíbe os
governos federal, estadual e municipal de criar impostos sobre a atividade de templos religiosos.

Pelo texto, a cobrança de tributos passa a ser proibida para:

1. Entidades religiosas
2. Templos de qualquer culto
3. Organizações assistenciais e beneficentes vinculadas a entidades e templos

Em uma nova mudança na proposta aprovada pela Câmara, o senador propôs que a arrecadação da
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) também poderá ser utilizada para o pagamento de
subsídios a tarifas de transporte público coletivo de passageiros.

STUDIO FAMILY BUSINESS

Marcelo Nejar Borba / Coordenador Tributário e Societário

marcelo.borba@grupostudio.com.br
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