Gêneros Literários: Teoria e História
Gêneros Literários: Teoria e História
[Link].
Estudo3.1.2.2. Gêneros
Gêneros
3.1.2. 3.1.1.
LITERÁRIOS
GÈNEROS
3.1. Exercício... 2. 1.0
[Link]. Lugar Romance.....
[Link].
Tempo.[Link]. Ação
...[Link]. Ritmo...
[Link].
4.2.1. C4.2. [Link].
Espaço. O 4.1.
O 4.1.1. Aplicação
[Link]ção
Aplicação 3. Aplicação....
Aplicaçã.. Aplicação...
POESIA Gêneros
O O QUE O TEXTO
Texto O
Texto Conjuntos
Subconjuntos
O Ritmo E
Romance: E 3.Gênero 2. 1. Históricos LITERATURA
enn Poético PROSA GêneroGênero Teóricos. . LITERARIO
e
Prosa o de
Espaço
Como Dramático Lírico Gêneros
de SUMÁRIO LEtras
... Narrativo.... e
Gêneros Gêneros
Ler?...
.. EO
Teóricos....
Teóricos.... Teóricos TEXTO
TÉCNICO
91 89 83 86 84 83 80 73 70 70 67 63 55 46 38 35 34 34 32 31 30 30 27 24 19 17
AUDE LEtras
natur
em Le
Facul [Link]. Romance de Tempo Cronológico
Letras X 92
Em 1 Romance de Tenmpo Psicológico 95
profer
minis Exercício .... 97
Litera [Link]. Personagens 100
Curso
[Link]. Trama.. 103
Espec
Com
[Link]. Trama e Verossimilhança... 107
Em 1 Exercício ... 108
de E: [Link]. Ponto de Vista
Fechado..... 113
Liter: [Link]. Romance Aberto e Romance
Polifônico 114
de M
[Link]. Romance Monofônico e Romance
UFN 115
em Exercício...
Com 4.2.2. O Conto..... 117
parc 118
Silva
Aplicação....
pard
5. ESTILOS DE ÉPOCA... 129
1°g
CO-¿ 5.1. Período Medieval. 129
de 129
rece
5.1.1. Poesia Trovadoresca
grai [Link]. Cantigas de Amor.... 130
put 132
alér Aplicação....
e re
[Link]. Cantigas de Amigo 134
Aplicação.. 137
[Link]. Cantigas de Escárnio e de Maldizer. 139
OS
Peç Aplicação.....
5.1.A. Terminologia Poética.....
140
lice 142
Fac 5.1.B. Os Artistas 144
Sar 5.1.C. Cancioneiros 144
Esp 5.1.2. Pocsia Palaciana
prc 145
De 5.1.3. A Prosa no Período Medieval.... 146
Un 5.1.4. Teatro Medieval....
ec 5.2. Renascimento 147
de 148
est
Di
Aplicação....
5.3. Barroco. 153
e l 154
OS
3.GÊNEROS LITERÁRIOS
27
classificação cada estabclecidas
rem-sedificuldade ficadasgeneros
rário termediário e qucbrou obedecidas
dos deles preestabelecidas
de
dessequase
conferir Renascimento
amplaregras
tismo, tempo
e são pelo literárias as grupos as
um tem Na gêneros que características
nos características
obras princípio,
posuindosobrenatural, ocasiãocm da
novos Grécia - toi em de
sua
deles, realidade, a gêneros os A lírico;
épico;
entre rigidez pelos dramático.
classificação Aristóteles, a o a em que
que das
de comunicantes, Plprimeiro
a tã o
razão como poesiatragédia três
indivíduos
linmites se
obras liberdade
os autor,ao e ditiranmbo,
reúnann fixarem a autores. regras queRoma
procura
de tragédia
da românticos eram gêncros,
a o
classificação cercado na
épica. que,autpróprias
or semelhantes
literárias. clássicos.
evolução
scr. pelos drama, as e em
esses compartimentos fixas caracterizavam antigas a época
provinda Poética, ou a em
em os O manifestaçõcsda aScparar LEtras
28 Primeiro, e o
resultado que
comédi
pocsi a a, a sua se que catcgorias
que
si limites auma que pela em saber:
destruíram classifica
Assim, comédia,
do deviam considerando-0 que da preocupar cadaoutros que
terísticas seriam clássica, aura perdurando lírica; Repúbl
ou ica,
conceito espécie deu Antigüidade se um cles
Cxatos é é os
seja,
é preciso origem, estanques, que
ser
do revalorizou
preocupação de
rebeldia com grupos,
especiais
comum rigidamente adotando a gênerosem: o
de gênio. classificapra escntapossucm,
.
responsáveis e do rigorosamente o receita teatro; os tendo de
elemento Romantismo até
absolutos
de considerar
inclusive, criadorum às o foi generos
gênero cadaPartindo a as acordo em ao
encont ra- a clássica normas
Ronman produadotada mesmo
gêncros classi- idéa um
obras lite. vista Com
pcla delite- in se
a a
LEtras
[Link]é C. Vincent. Théorie des Genres Liuéraires, Paris, J. de Gicord, 1951, pág. 6.
29
LEtras
3.1.GÊNEROS HISTÓRICOS E
GÊNEROSTEÓRICOS
3.1.1. GÉNEROSHISTÓRICOS
Seobservarmos a produçãoliterária de um determina
do período a Antigüidade, por exemplo vamos notar
que ali existiram determinadas formas que se cultivaram e
que foram legadas a épocas posteriores. Algumas delas evo
luíram, transformaram-se ou desaparcceram. O simples fato
de podermos atestar que tal gênero existiu num tal período
ésuficiente para que o accitemos. E o caso da tragédia. E
incontestável que ela se constitui como um gênero. "Fala-se
de uma tragédia clássica, porque houwe na França, obras que
expunham aberamente sua pertinência aesta forma lierária"
Tal concepção dos gêneros éclaramente histórica, pois nada
mais éque o resultado de uma observação da realidade lite
rária. Esta conceituaçãose faz necessária apenas nosentido
de que ela explica, sem problemas, a evolução, transformação
ou desaparecimento de deternminadas formas. De fato, não
seria o caso de se considerar os gêneros como inexistentes ou
inclassificáveis unicamente porque alguns dcles não são mats
cultivados e jáestão csquecidos, não constituindo, pois, una
30
LEtras
umacategoria permanente. Assim, podemos catalogar as cpo
péias, os poenas épicos, as comédias como gêneros porque
podemos provar sua existência através de obras que conhe
cemos. Alguns dcles existem ainda hoje sob uma forma dife
rente, como éocaso do pocma "A Máquina do Mundo", de
Carlos Drummond de Andrade, autêntico pocma épico, re
conhecível pelo tom e pcla preocupação com que opocta
aborda o assuntoe não pela forma clássica e tradicional.
3.1.2. GÊNEROS TEÓRICOS
Diferentemente do anterior, os gêneros teóricos sero
aqueles que poderão ser deduzidos a partir de uma teoria.
Desse modo, podemos dizer que a presença de um traço
estrutural, ou de um conjunto de traços, identifica o gênero
de uma obra. Assim já o fizera Diomcdes, no século IV,
dividindo as obras em três categorias:
a) aquelas em que o narrador fala;
b) aquclas em que as personagens falam;
c) aquclas em que o narrador e as personagcns falam.
Tanbénm esse éo critério de Afrânio Coutinho, to
mando por base a sugestão de Walley e Wilson. Para aquele
autor, as obras se repartiriam em dois grandes grupos, segun
do o método da
interpretação:
I. Método Direto:
explanação dircta dos pontos de vista do autor diri
gindo-se cm seu próprio nome ao lcitor ou ouvinte:
saio apólogo
crônica máxima
discurso diálogo
carta memórias
31
LElras
c) Gênero Dramático
Ogênero dramáico realiza-se com o objetivo de mos
trar ações que se desenrolam diante dos espectadores. Sua
principal característica é, pois, a representação. Nele não se
observa asucessão numerosa de acontecimentos para serem
narrados (como no gênero narrativo) nem a profusão de
sentimentos íntimos e pessoais (como no lírico).
Para alguns autores, o gênero dramático não existe
como tal, uma vez que a obra escrita para ser representada só
se realiza no palco, quando ganha vida na voz e na encena
ção dos atores. Realmente, não hácomo negar que o teatro
é uma arte mista que envolve a literatura e a coreografia.
Entretanto, não vemos razões para que ele não seja conside
rado como um gênero literário, de vez que a representação só
poderáser grandiosa se o texto escrito também o for. Note
se ainda que a elaboração de um texto teatral é muito dificil.
Nele,o autor não conta com as narrações e descrições bem
como as análises das personagens que tanto ajudam nas ca
racterizações que se fazem no texto lírico e, principalmente,
no narrativo. O criador de uma peça teatral deve saber, mais
que qualquer outro, fazer com que da oposição de caracteres
surjam os conflitos e situações da alma humana, situações
invisíveis que explicam e justificam os fenômenos exteriores
evisíveis. Conforme observa Abbé Vincent, isto supõe um
acontecimento do coração humano, uma técnica refinada,
33
LEtras
uma arte consunmada, que é o resultado
ciente trabalho. E em vista de tudo isso de um longo
cpa-
hápor que duvidar do caráter literário deresidir no texto,
co c, conscqüentemente, da sua nã,
um texto dramáti-
literário. classificação como vr
[Link]. SUBCONJUNTOS DE GÊNEROS TEÓRICOs
Além dos três
da falar dos chamadosconjuntos focalizados, poderíamos ain.
subconjuntos gêneros. Tais sub
conjuntos seriam denominados dos
gêneros teóricos complcxos,
uma vez que vão ser identificados de
to de traços. Assim, um quadro acordo com um conjun
apresentado da scguinte forma: didático dos gêneros seria
Conjuntos de Forna de
Subconjuntos dos géneros
gêneros teóricos expressão teóricos (Gêneros teóricos complexos)
Lirico verso
ode, elegia, madrigal, epitalamio, éclga, etc.
Narrativo verso
epopéia, poema épico, poema heróico, pema
herQ-cômico, etc.
prosa romance, conto, novela, fabula, apólog, etc.
Dramático verso ou pros tragédia, comédia, drama, farsa,
mistério, milagre, etc.
prosa oratória, crítica, ensaio, carta, etc.
ESTUDO DIRIGIDO
1. Por que oconceito de gênero literário tem sofrido tanta
modificações?
2. Por que as classificações da Antig üidade encontraran e
ceptividade na época do Renascimento?
34
LEtras
APLICAÇÃO 1
GÊNERO LÍRICO
A MORTE
Vinícius de Moraes
35
LEtras
37
LEtras
existência dessas situações da vida
mancira
inteiramcnte
cius de Moracs original, pessoal, humana,
mas é de
(.....
desenvolve o assunto. Quer
(......),
que Viumani.
dizer, ele ofaz
1. a morte 6. matam
2. desesperada Il. medo
7. crítica 12. aventura 16. slesperança
3. pessoal 8. notada 13. a0s homens 17. superior
4. egoísta 9. liricamente 18. marco definitivo
5. fugiram 14. aprópria 19. contido
10.o amor fratri- 15. fratricida
cida 20. subjetiva
APLICAÇÃO 2
GÊNERO NARRATIVO
A TESTEMUNHA
I Eletinha o olhar fixo no
que tinha oolhar fixo no anúncio luminoso. Fazia uma hora
anúncio onde um cisne fosforescente
aparecia em primeiro lugar no oco do
flor, abria-se espaço
da, como uma enome negro. Em segu
pétalas ondulantes, em redor um lago de
pelo perfl de estendendo-se
um edificio:
até à meia-lua
sóas cinco letras iniciaisinterrompidu
eram visíveis, as outras do anúncio
2 Belon - desapareciam
disse ele antes gue
detrás do cimento anado.
as cinco letras se
sob odiadema de apagassem
Belon, meia-lua. Voltou-se para o
3- Belonavebelon. O queo seráque vem depois? recém-chegado:
Mas este banco disse outro
está molhado,inclinando-se para o banco.
resfriado pelo traseiro. Mipuel. Você vai pegar um
4-Não, não é belonave, éoutra
5- Belominal. Você coisa.
6 Miguel está aqui há muito itempo? Noite mais gelada.
levantou-se.
çava a acender. [Link] ainda para oanúncio ue reCome-
7-Não vou
vai flando as saber nunca. Como no buralho, quando a gente
cartas. E fecha depressa o
ver o resto. Pode commedo de
ser onome de um leque,
colchão de molas. Ou de
38
LEtras
39
LEtras
40
LEtras
41
LEtras
45
LEtras
APLICAÇÃO 3
GÊNERO DRAMÁTICO
FREI LUÍS DE SOUZA
(excerto)
Almeida Garret
CENA XIV
Madalena, Jorge, Romeiro
JORGE- Sois português?
46
LEtras
47
LEtras
40 ROMEIRO - Eu já vos pedi alguma coisa,
MADALENA Pois perdoai, se vos ofendi,senlhora?
ROMEIRO Não há ofensa verdadeira
senão as amigo.
faxem a Deus. Pedi-Lhe vós perdão a Ele, que voque se
faltará de quê.
45 MADALENA Nãoimão, não decerto. E Ele terá
compaixão de mim.
ROMEIRO Terá..
JORGE - (cortando a conversação) - Bom velho, dik.
sestes trazer um recado aèsta dama: dai-lho já, ue
50 havereis de ir descansar...
ROMEIRO (sorrindo amargamente) -Quereis lem
brar-me de que estou abusando da þaciência com que me
têm ouvido? Fizestes bem, padre; eu ia-me esquecendo..
talvez me esquecesse de todo da mensagem a que vim..
55 estou tão velho e mudado do que fui!
MADALENA Deixai, deixai, não importa, eu folgo de
vos ouvir; dir-me-eis vosso recado quando quiserdes... logo,
amanh.
ROMEIRO- Hoje háde ser. Hátês dias que não
60 durmo nem descanso, nem pousei esta cabeça, nem pararam
estes pés dia nem noite, para chegar aqui hoje, para vos dar
meu recado... e morer detpois... ainda que morresse depos;
þorque jurei... faz hoje um ano quando me libertaram,
dei juramento sobre a pedra santa do Sepulcro de
65 Cristo...
MADALENA Pois éreis cativo em Jerusalém?
ROMEIRO Era: não vos disse que vivi lá vinte anos!
MADALENA Sim, mas...
ROMEIRO Mas o juramento que dei foi que, amies
70um ano cumprido, estaria diante de vós evos diria daparte
de quem me mandou...
MADALENA
homem?
- (aterrada) E quem vos mandou,
75
ROMEIRO Um homem foi. e um honrado homem... a
quem unicamente devi a liberdade... a ninguém mais.
fazer-lhe avontade, e vim. Jure
48
LEtras
MADALENA Como se chama?
ROMEIRO O
seu nome nem oda sua gente nunca o
disse a ninguém no cativeiro.
80 MADALENA Mas enfim, dizei vós.
ROMEIRO As suas palavras, trago-as escritas no co
ração com as lágrimas de sangue que Ihe vi chorar, que
muitas vezes me caíram nestas mos, que me correram por
estas faces. Ninguém o consolava senão eu..
85 JORGE Homem, acabai!
ROMEIROAgora acabo: sofrei, que ele também sofreu
muito. Aqui estão as suas palawras: "ldea D. Madalena de
Villhena e dizei-lhe que um homem que muito bem lhe
quis... aqi está vivo... por seu mal... e daqui não pôde sair
90 nem mandar-lhe novas suas de hávinte anos que o
trouxeram cativo."
MADALENA (na maior ansiedade)- Deus tenha
misericórdia de mim! Eesse homem, esse homem.. Jesus!
esse homem era... esse homem tinha sido...levaram-no ai de
95 onde!... De Africa?
ROMEIRO - Levaram.
MADALENA - Cativo?
ROMEIRO Sim.
MADALENA - Português?... cativo na batalha de!..
100 ROMEIRO De Alcácer-Quibir.
MADALENA (espavorida) Meu Deus, meu Deus!
Que se não abre a terra debaixo de meus pés?... ue não
caem estas paredes, que me não sepultam jáaqui!...
JORGE -Calai-vos, D. Madalena! A misericórdia de
105Deus éinfinita, esperai. Eu duvido, eu não creio. estas não
são coisas para se crerem de leve. (Reflete, e logo como por
uma idéia que lhe acudiu de repente). Oh! inspiração divi
na... (chegando ao Romeiro). Coheceis bem esse homem,
romeiro; não éassim?
110 ROMEIRO-Como amim mesmo.
JORGE- Se o víreis.. ainda que fora noutros trajos..
com menos anos pintado, digamos conhecê-lo-eis?
49
LEtras
[Link] me a
JORGE - Procurai nesses visse mime mesmo num
retratos, espelho.
115 deles pode ser.
ROMEIRO - (sem
procurar, e
dizei-me
se algum
retrato de D. João). - Eaquele. apontando logo
MADALENA - (com um grto para o
espantoso)
flha... minha flha... minha filha!... (em
tom
- Minha
120 profundo). Estou... estás... perdidas, cavo e
(com outro grito de coração). Oh! desonradas..
(Foge espavorida e neste gritar). minha flha, minha infames!
filhal
Cena XV
JORGE eo ROMEIRO, que seguiu
olhos, e está alçado no meio da
125 tremendo. MADALENA
casa com
comos
aspecto severo e
JORGE Romeiro, romeiro, que és tu?!
ROMEIRO
de D. João de (apontando com o bordão para o retrato
(Frei Jorge cai Porugal).
prostrado Ninguém!
no
diante da tribuna. O pano chão, com os braços estendidos
desce lentamente).
(Almeida Garret, Obras, ed. cit. p.
Explicações 1120/1123. vol. )
L. 6
L. cumpridos:
9tratos:
nmau complctos.
L. 21 tratamento,
ROMEIRO Eu nãotorturas. tenho
ste ponto, afasta-se da verdadeflhos, padre. Garrett,
histórica. D. João de
Portugale teve, com D. Madalena, um
L. 35
jovem duas filhas. filho que morreu
amigos, tenho um: trata-se de Telmo Pais, fiel aio de
D. João.
L. 74/76 Até
então, D. João de Portugal ignorava os esforços
de D. Madalena
do. para encontrar o esposo
L. 100 sorte, Acreditava
nada fazendoque cla o abandonou à sua desaparcc
para descobrir seu [Link]ópria
Alcácer-Quibir:
nome, na Africa, grande batalha travada no lugar desse
e na qual os entre
portugucses e mouros,tendo
em 1578,
primeiros foram derrotados,
aprisionados muitos sido
guerreiros portugueses.
50
LEtras
ESTUDO DOTEXTO
1Oual a atitude do Romciro diante de D. Madalena de Vilhena:
() De indiferença
() De revolta
() De compreensão
Justifique.
2. Oual a atitude de D. Madalena diante do Romeiro, antes
da referência a D. João de Portugal:
(0 De indiferença
() De compaixão
(0 De admiração
Justifique.
3. Veja a frase do Romeiro, referindo-se a seus parentes:
"Deus Iho perdoará, sepuder" (Linha 30). Nela, o Romei
ro chega a pôr em dúvida a misericórdia divina. Ë verda
deira essa afirmação? Justifique.
4. Observe oque diz o Romeiro a D. Madalena, quando ela
lhe oferece sua ajuda e a de seu marido: "Eu já vos pedi
alguma coisa,senhora?" (Linha 40). Como se justifica essa
resposta grosseira do Romeiro, diante do oferecimento de
D. Madalena?
5. Existe outra passagem em que o Romeiro duvida, nova
mente,, de que DMadalena de Vilhena teráo perdão de
Deus. Aponte essa passagem.
6. De acordo com o que diz o romciro, D. Madalena fez
algum csforço no sentido de encontrar e libertar o marido
que desaparcccra? Justifique com frases do texto.
7. A linguagem usada por Garrett em sua peça é solene,
lembrandoo Classicismo, ou mais livre, lembrando o Ro
mantismo?
8. De que recurso Garrett se vale para mostrar a ansicdade
de D. Madalena, nas linhas 92/94
51
LEtras
a) A hybris seria:.
53
LEtras
4. POESIA E PROSA
55
LEtras
1, Comumente, a confus£o
verso (forma técnica) que se faz entre prosa e poesia (conteúdo), e prosa e
advém do fato de que, para indicara forma t¿cnica em que
normalmente
so),
se apresenta o conteúdo poesia, existe
uma palavra diteree
enquanto que o
conteúdo prosa se apresenta numa forma técnica que
também chamada de prosa.
56
LEtras
OS RIOS
"Magoados, ao crepúsculo dormente,
Ora em rebojos galopantes, ora
Em desmaios de pena ede demora,
Rios, chorais amarguradamente.
Desejais regressar.. Mas, leito em fora,
Correis... E misturais pela corente
Um desejo e uma angástia, entre a nascente
De onde vindes, e a foz que vos devora.
Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança...
Pois no vOsso clamor, que a sombra invade,
No vosSo pranto, que no mar se lança,
ÁGUACORRENTE
"Aguacorrente! Ápuade um rio quieto
Cortando aalma igmorada do sertão!
Levas àtona, aspecto þor aspecto,
Os aspectos da vida em refração.
57
LEtras
ORIO
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Ignoradas, ouro
Carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milênios
Partiufragilmente
Seqioso de espaço
Em busca de luz.
Um rio nasceu."
53
LEtras
Loevorável, deixando-se levar pela força incontrolável do de
onrolar da vida humana, enxergando a esperança no futuro
ea saudade no passado.
Para Olegário Mariano, longe de ser tão-somente a
água corrente, o rio éo sonho do lavrador, a evocação
protetora de um teto, o sangue da terra. E nesse plano atem
poral, o rio, movendo graciosamente o engenho, poupando o
braço do homem,transfigura-se na bondade, como a lembrar
ao homenm a grandiosidade da obra divina, já agora movendo
não a roda do engenho, mas o sentimento humano, tocan
do-o, enternecendo-o pelo dom maravilhoso do sublime e da
generosidade.
Finalmente, Vinícius de Moracs, mesmo explicando o
nascimento, odesenvolvimentoea majestade do rio feito, foi
buscar no universo potico a constelação de imagens com
que pessoaliza a realidade rio. O pocta parte da causa para o
cfcito,mostrando que a simples gota de chuva que se projeta
de encontro ao solo, scja na dureza das rochas, do ouro, do
carvão, do ferro e do ámore, vai esta gota sequiosa de
espaço, em busca da luz, do horizonte largo.
Depois desses exenplos, é fácil concluir que, sendo
eles projeções pessoais de uma determinada realidade, todos
se caracterizam como poesia.
Resumindo, podemos apresentar a pocsia de acordo
com a seguinte caracterização gráfica:
eu não-cu
(pocta) (realidade
externa)
pocsia
a
Depois do que foi exposto, mais fácil fica caracterizar
prosa, de vez que cla será, pode-se dizer, o oposto da pocsia.
59
LEtras
eu
não-eu
(prosador) (realidade prosa
externa)
60
LEtras
No quc diz respeito à linguagem, a poesia oferece
oerta ambigüidade, já que cla nunca diz as coisas diretamen
te, mas, ao contrário, procura sugeri-las, usando de figuras e
sfnnbolos muito mais que a prosa, que émais direta, mais
determinada a dizer sem rodeios.
Chegados a este ponto, já podemos concluir que a
poesia e a prosa podem ocorrer indistintamente em verso ou
conteúdo (poesia ou prosa) pode
em prosa. Quer dizer, o prosa). Assim,
ocorrer em qualquer forma técnica (verso ouprosa (as linhas
se um texto éescrito na forma técnica de con
ocupando toda a extensão da folha) mas apresenta um
chama de prosa poética,
teúdo de poesia, teremos o que seSousa:
e
como no texto abaixo, de Cruz
por um dia de sol,
Trago todas as vibrações da nua,movimentos ciTcula
quando uma elétrica corrente de
recolhidas, sóme
no ar... Mas, de todas as vibrações delicado, a
ficou, vivendoa música do som no ouvido
guardo, para
canção da tua voz, que eu no ouvidodentro de um
diamante
sempre conservo, como um
relicário de ouro.
som o
Cá está, cá asinto hamonizar, alastrar em
ideal, a tua
meu corpo todo como flexuosa serpente
clara voz de filtro luminoso, magnética, domenteco
que as
mo um ópio.. Muitas vezes, por note em
estrelas marchetam o c¿u, tenho pulsado àsensação
de notas errantes, de vagos sons que as aragens trazem.
fazem
As fundas melancdlias que as estrelas e a noite firma
descer pelo meu ser, da amplidãosilenciosa do
mento, dão-me à alma abstratas suavidades, vaporo
Sos Jluidos, sinfonias solenes, misticismos, ondas imen
sas de inaudita sonoridade".
1
"Já oSol se encobria
aeste tempo, mais
ficando a terra sombria,
e o gado nos currais
jáentão se recolhia;
ouvi cães longeladrar,
e os chocalhos dogado
com um som tão concerado,
que me fizeram lembrar
de quanto tinha passado."
(Bernardinm Ribciro)
63
LEtras
(Primeira parte)
"Livia olha omar morto de águas de chumbo. Mar sem
ondas, pesado, mar de ôleo. Onde estão os navios, os marinheiros
e os náufragos? Mar morto de soluços, quede as mulheres que
não vêm chorar os maridos perdidos? Onde estãoas crianças que
morreram na noie do temporal? Onde está avela do saveiro que
omar engoliu? Eo corpo de Guma que boiava com longos cabelos
morenos na água que era azul? Na áyåa plúmbea e pesada u
mar morto de óleo corre como uma assombracão a luz de umna
vela àpTOCUra de um afogado. E o mar que morreu, éomar qe
esta morto, que virou leo, ficou barado. sem uma onda. Mar
morto que não reflete as estrelas nas
suas águas pesadas.
64
LEtras
Se aLua vier, se a Luavier com sua
luz
horcima do mar morto e procurarácomo aquelaamarela, correrá
vela corpo de
o
Guma, ode longos cabelos morenos, o que marchou
Jomar baraocamino das Teras do Sem Fim, das COstaspela
do estrada
Arocá "
(Segunda parte)
"livia olha de suajanela o mar morto sem Lua. Aponta
amadnugada. Os homens que rondavam asua þorta, o seu corpo
sem dono, voltaram para as suas casas. Agora tudo é mistério. A
música acabou. Aos poucos as coisas se animam, os cenários se
movem, os homens se alegram. A madnugada rompe sobre o mar
morto".
(Jorge Amado)
t. Logo, o texto
caracteriza-se como:
()poesia em versos
() prosa em prosa
)prosa poética
() poema em
prosa
65
4.1. O TEXTO POÉTICO
"Apocsia é a arte que se manifesta pela palavra, como a
misica éa ane que se manifesta pelos sons e a pintura pelas
cores e linhas" l
67
LEIras
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LEtras
constante do espírito, fornma singular que se contrapöe ao
envelhecimento fisico, Só assim é possível viver realmente a
vida enm toda a sua extenso, ou seja, é afórmula com a qual
Se conscgue deixar aroma at nos espinhos. Porque,
to o enquan
sendotempo passa, a pessoa vai se realizando como ser, vai
lembrada, razão por que "o ventofdlando em mim". A
figura que então se apresenta écomo sefora a
aquem muito se ama e a quem se teme perder. própria mãc,
E ela, na sua
missão de viver e dar a vida, vai-se
transformando e se
transubstanciando nos filhos, coisa que está muitobem colo
cada no útimo verso, que fecha
magnificamente o poema:
"por desfolhar-me é que não tenho fim".
Nesse momento, damo-nos conta do sentido transcen
dental que os versos nos oferecem, tirando-nos do meramen
te contingente para transportar-nos a esferas espiritualizadas
da vida humana. E isso foi possível graças ao poder
sugestivo
das palavras que se espraiaram em significados superiores
àqueles que elas ordinariamente oferecem no dicionário.
Como se observa, a poesia consegue dizer com poucas
palavras aquilo que a linguagem científica desenvolveria em
páginas epáginas, justamente por faltar a esta última a di
mensão artística eo poder sugestivo. Além do mais, o "co
mo" da participação da linguagem científica étraduzível, isto
é, oseu conte údo pode ser expresso de maneira diferente,
enquanto que na poesia o "como" da participação éintradu
zível, o conteúdo não pode ser dado senão, justamente, na
quela forma e daquele modo.
Outroaspecto que precisa ser ressaltado é o referente
à ambigüidade do texto poético, uma vez que "a estratéga
poética tem por único fim a mudança de sentido. Opoeta atua
sobre a mensagem para modificar alíngua"3
Apartir dessa ambigüidade, oleitor como queécon
Vidado a penetrar no texto, a dissecar-lhe os pontos mais
extremos, levantando, ao fim desse trabalho, o conteúdo
maior que ele oferece.
3. Jean Cohen, apud Maria Luísa Ramos. Fenomendlogia da Obra Literária, São
Paulo, Fore nse, 1972, p. 106.
69
LEtras
4.1.1. O RITMO EOESPAÇO
[Link].O RITMO
CANTIGA DE VIÚYO
"Anoite caiu na minh'alma,
fiquei triste sem querer.
Uma sombra veio vindo,
veiovindo, me abraçou.
Era a sombra de meu bem
que morreu há tanto tempo.
70
LEtras
71
LEtras
ocessar desse
cmbalo rímico, de vezque um novomovimen.
to vai aparecer nos versos seguintes.
Nestes,ritmo é mais
lento, arrastado quase, numa sugestão que
alcança o leitor.
principalmente por causa da aliteração do "v",
"veiovindo" quc, repetida, dá idéia de na expressão
gradativa da sombra que vai, aos poucos,aproximação lenta
tomando conta da
e
72
LEIras
[Link]. O ESPAÇO
som desempe
Conforme se viu, no estudo do ritmo, o
papel importantíssimo na estrutura da obra literária.
nna um
contribuição do ritmo, existem outros recursos de
niem da conteúdo da sua
que se vale o pocta para enriquecer o
atribuido
iensagem e, dentre eles, um papel importante seráinteligente
aproveitamento
indago, uma vez que do seu
inúmeras sugestões serãoproporcionadas ao leitor. Adispo-
sição das aspecto que,
palavras no pocma é, por assim dizer, o
73
LEtras
74
LEtras
PÁSSARO EM VERTICAL
Cantavao pássaro e voava
cantava para lá
voava para cá
voava o pássaro e cantava
de
repente
um
tiro
seco
penas fofas
leves plumas
mole espuma
e um risco
surdo
n
| S
L.
75
LEtras
76
LEtras
verso que pode sugerir uma série de coisas, como, por exem
plo, um esforço penoso de alguém, confirmando o significado
das palavras que compÕem o verso, ou a extensão de uma
caminhada, para falar-se genericamente, sem nos atermos a
um exemplo concreto. E isto éimportante lembrar: a inter
pretação a partir do aspecto visual não é arbitrária. Deve-se,
primeiro, buscar a interpretação bascada no caráter semânti
co (de significado) do texto c, só então, procurar enriquecer
esse caráter semântico com o dado espacial (o mesmo diga
se para o ritmo, que foi focalizado no tópico anterior). Ou
tras vezes éo posicionamento intencional dos versos num
determinado lugar,como no exemplo abaixo, de Carlos Drum
mond de Andrade, em que o espaço em branco existente no
primeiro verso estáa sugerir a distância que havia entre as
duas fazendas, e a colocação do segundo, que não começa na
margem normal, mas umn pouco adiante, justamente para
apanhar os dois nomes (Serro Verde Serro Azul), objeti
vando mostrar que as duas fazendas estavam ligadas àposse
de uma única pessoa.
TERRAS
77
LEtras
VELOCIDADE
Não se lembram do gigante das botas de
Lávai ele: vai varando, no seu vÙo de sete léguas?
asas cegas,
as distâncias..
Edispara
nunca pára
nem repara
para os lados,
para frente
para trás...
Vai como um pária..
Evai levando um novelo embaraçado de ftas:
fitas
auis,
brancas,
verdes,
amarelas..
imprevistas...
Vai varando o vento: eo vento, ventando cada vez mais,
desembaraça o novelo, penteando com dedos de ar
o feixe fino de riscas,
tiras,
fitas,
faixas,
E estira-as, listas...
puxa-as,
estica-as,
espicha-as bem para trás:
E as cores retesas, sobem, descem, DE-VA-GAR,
paralelamente,
paralelamente,
horizontais,
sobre acebeça espantada do Pequeno Polegar.
(Guilherme de Almcida. Apud Domício Procnça Filho, Estilos
de Epoca na Literatura, São Paulo, Ed. Liceu, 1969, þ. 5I7)
78
LEtras
MUND0
HOMEM
fome
Fome
FOME
MORTE
nave
saúdam
Os
que v¥o nascer
te
79
LEtras
APLICAÇÃO
IGREJA
TIJOLO
areia
andaime
água
s tr a b a!hando trabalhando
[Link] o dos homen
O
mais perto do cé u
cada vez mais pe rt o
mais
_ a torre.
li ta ni a d os pe rd oe
- s, o m ur m úr io da s invo-
E nos do m in go s a
cações.
inferno
O padre que fala do
nunca ter ido lá. ., .
m os tr an do ge ol ho~.
s de seda ajoelham co isa sabida e Ja esquec
ida.
ud ad e de qu al qu er
eioo canta a sa -s e de azul.
p. ia 11c1- pi nt ou
o el em en to q u e primeiro ch::mta
ço é
1• A utilização do espa te esse asP< --cto plástico, CX•
poema. C om en
a _atenç ão nocx pr cs si viJaJc.
pl,c an Jo sua
-80
LEtras
-81
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-82
LEtras
-83
LEtras
diret a,
v~ç5 o, histó ria essa que se equa cio na num a lingu agem
la
de co mun icaçã o imed iata, apre sent ando cm men or esca 0
texto
senti do suge stivo e a amb igüid ade que privi lcgia 1n o
poét ico.
Por esse moti vo, a pros a ajust a-se muit o mais à visão
ofere -
abra ngen te do mun do e da vida que o artis ta pret ende
do
cer, já que ela, por ser mais conc reta, está mais próx ima
, sem
imed iato da vida, pode ndo capt á-la diret ame nte para
os
mais rode ios, narrá -la ao leito r. É por esse moti vo que
las-
gran des nom es da liter atura univ ersal estão , na maio ria,
tread os na narra tiva. Que r dizer , conh ecen 1os muit o mais
a
de
liter atura de outro s paíse s atrav és de roma ncist as do que
poet as.
Tais cons idera ções impõ e1n- nos a pers pect iva de con-
maio r
ferir uma aten ção espe cial à narra tiva. E com o a sua
dedi -
repre senta bilid ade está no roma nce e no cont o, va1nos
ipal-
car dois tópic os para a focal izaçã o dessa s espé cies, princ
men te o roma nce, que será estu dado a segu ir.
4.2.1. O ROMANCE
. .No capít ulo refer ente à co11 ccitu ação de liter atura ,
. fixou~se . .ª ~r~n de, i~np ortân cia da obra liter ária no que
diz
cies
respe ito a visao cnt1c a da reali dade . Den tre toda s as espé
n1ais
literárias, é o roma nce aque la que reali za melh or e
com pleta men te aque l e o b'Je tº1vo. 5-ao .mum, cros os teste mu-
nhos que " ·
. _ os prop nos roma ncist as ofer ecem a resp eito desta
macrov1sao do roma nc ~' e e les sao - d ta l r10rm a signiticat
.
ivos
, d' e ,
que e igna de nota · ·- d ·
, a que p d · ª. opm iao · e urn auto r corn o Fran•klin
T avar b des
mo ' d ~~ ~ziu uma O .
ra muit o dista nte dos gran
- .
men tas a ucça o de h
roma nce u • OJe e que, no enta nto, já via no .
m mstr ume nto de d . " .
que o hom em d, g~an e unpo rtan cia para a visão
cve ter na rcali d d... · ~
rcpu Jian Jo um! ~·0 b . ª e que o cerca. Co1n efeito,
rn nntc nor sua, na qua l não via rnaio r
-84
LEtras
-85
LElras
-86 '
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-·
87
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[Link]. AÇÃO
-88
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[Link]. LUGAR
Da mesma forma que existe, no rom
::mcc, uma plura-
lidade dramática existirá também
uma pluralidade gcogr:íil-
ca, pois qu e est a' funci(')norá no abs
la. De fato, tor na -se ev ide nte qu oluta. J~pc!'~_ênci..o ~-~~t~c-
e os várias açocs qu e cx,~tcm
-89
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-90
LEtras
eia, através do qual ele fizesse sua independência financeira.
Ao descrever o quarto da casa o nde morava a personagem,
Alencar se de1nora en1 n1ostrar o contraste gritante entre
miséria das peças do aposento e o luxo e requinte das roupas,
calçados, perfu1nes, charutos e outras coisas que a persona-
ge1n usava para co1nparecer às reuniões da alta sociedade. É
evidente que a coerência entre aquilo que Seixas queria e o
local onde poderia alcançar seu objetivo exigia que as coisas
se passassen1 desse n1odo mas, a nosso ver, o mais importante
é o caráter n1esquinho e a 1noral entortada da personagen1
que Alencar exibe para o leitor, aproveitando-se muito pou-
co das palavras e n1uito n1ais da arte con1 que nos pintou o lugar.
De tudo isso resulta que, entregue à tarefa de análise
.de um r01nance, ao leitor cabe observar com atenção e pôr
e1n relevo a exploração do lugar, descobrindo, nesse particu-
lar, mon1entos significativos que fazem do escritor um artista
da palavra.
[Link]. TEMPO
Dos elementos estruturais da ficção narrativa, o tempo
é, se1n dúvida, aquele que n1aiores tnodificações introduziu
·no romance. Tais n1odit1cações são tão profundas que o leitor
menos avisado poderá esbarrar em dificuldades terríveis para
compreender uma história em que o fluir do tempo se desvie
do padrão que identifica os ron1ances do século passado. O
manejo do tempo seria, pois, a principal característica que
· torna o romance tradicional, chamado romance de tempo
cronológico, diferente do romance de tempo psicológico, tão
comu1n cm nossos dias.
Antes de passarmos a outras considerações, convém
esclarecer o que se entende por tempo cronológico e tempo
psicológico.
O romance de tempo cronológico é aquele cm que o
fluir do tempo obedece ao 1novimento dos ponteiros do reló-
gio, ou seja, ele aparece como o suceder de minutos, horas,
dias, meses, anos, etc. Isso vale Jizcr que, nesse romance, 0
tempo corre numa rcgulariJaJc taxa. O romancista que prctcnJa
-91
LEtras
42 5
· •1. . ROMANCE DE TEMPO CRONOLÓGICO
X .
ROMANCE DE TEMPO PSICOLÓGICO .
Se contr•apuscn11 · d · · d
(lllc am l,os sao v'l'd os os 01s tipos e romance • veremos
ª i os e q uc buscam aquele objetivo
4. Massaud M"·,..~s A C.
V '" ' • I \ Tlc.l\ºJo l 't i1 .
-4 ".,. TI", Sao l'.\ml", Mdhoran\Cn tos, 1968, P• 165,
.. , - 92
LEtras
-
93
LEtras
EXERCÍCIO
1. Quando da elaboração de um romance, qual é a atitude do
ficcionista diante da vida real?
-
95
LEtras
-96
LEtras
( ) Aparecimento de lacu ..
nas entre os diversos blo ..
cos sob que se dcscn..
volve a narrativa.
( ) Possibilidade de se fla ..
grar todos os mome n ..
tos significativos da vi ..
da das personagens, sem
preocupação com uma
cansativa ligação entre
eles.
( ) Evocação do passado,
que surge como algo
que se recorda.
( ) Aparecimento do passa ..
do, como algo que está
aconte cendo .
-·97
LEtras
.
8. Guslavo
l.
e ã
orç o, apud Afrânio C .
eira, ~~io, Livraria São José, out mho. Macl1ado de Assis na Uteramra Bra,s;•
9. Afr~n10 Cout· 1 i.
1966 ' p, 74.
in ,o, Oura citada, p. 75,
-98
LElras
-99
LElras
_ () rot)la nc1ita .
- nparccc n:1 1u:;ton
qunsc n:w · . ' ·~._i c111'1ndo
• comooc
' .uma ,,"". . rsona.
gcm redonda, porque e1a nao - 11 \.,•ccssita Jc cx1)l1carõc
1
• 1_ s cstra.
nhns n si rnl..!sma. Os nspectos qll<.! a carnctcnzam sao dc<lu,j.
dos n p:1rtir das suas prôprins aticuJe s. C~pitu,
mostm,sc :1o leitor como uma mulher fna, desm1b1da, dissi-
r~r~exemplo,
4.2.1. 7. TRAMA
- 100
LEtras
11. E.M, fontcr. i\$J~,tos elo UcnrkJni:e. Porlo Al~81"~, EJitora GI~\ 1969, P• 19/20.
12. Autran Dourado. Urrw Puéric-a elo lforruuu:,:, Sã0 Puulo, EJitl-,rU l\•n,p('('li\'U. P• J,f/JS.
13. E.M. Fora~r. Obra cirndi1, p. 21.
- 101
LEtras
14. Afr~nio Co · 11
Ulll\ º· Obra citaJa, p.78.
-102
LEtras ·
-103
.•
LEtras
.
mas 1.m l1ns Jo /\ mor J.~ p~•[Link]
:s , Jc Camilo Castelo
J Br:1nco.
"Foi o cadât·er envolto num lc:n~·vl, t: transJJOrta o ao convés.
?\-!ariana sc:guiu,o. . . . d·
Do porão ela nau Ͱ' tra~ida uma pe ra, que um maruja
l.11e ato1i as , pemas corn um pc:daço de , ·Jcabo. O comanJan,AIC
• . plava a cena triste com os olhos .unu os,. e os [Link]
con t t.:m . que
· . a nai, , tu-0 JI_r,mernl respetto os ,mpresstonara, r11,e
g11a mc:i:iam ,~
insensivelmente se clescobnram.
l\-fariana estava, no entanto, .encostada ao flanco da nau,
e parecia estupidamente encarar aqueles emp~uões, que o maruja
dava ao cadáver, para se611irar a pedra na [Link].
Dois lwmt..'1lS ergueram o m0110 ao alto sobre a amurada.
Deram,lhe o balanço para o arremessarem longe. E, antes que 0
baque do cadáver se fizesse ouvir na água, todos viram, e nin-
,án já pôde segurar lvfariana, que se atirara ao mar.
À voz do comandante desamarraram raJ>idamente o bote,
saltaram homeru para salvar Nfariana.
Salvá,la!
Viram,na, um momento, bracejar, não para resistir à
morte, mas para abraçar,se ao cadáver de Simão, qu~ uma anda
lhe atirou aos braços".16
Como se observa, salta aos olhos, nesse trecho, a in-
verossimilhança. De que maneira seria possível o cadáver do
herói (Simão) permanecer à tona d'água, estando com uma
pedra atada às pernas? No entanto, ànsioso em provar o
argumento a que se propusera (o de que o amor leva à
perdição, à morte), Camilo não hesitou em deixar o cadáver
boiar naq~elas circunstâncias, a flm de que a outra persona-
gem, Manana, que amava resignada e silenciosamente a Si-
mão, pude~se, pelo menos no momento extr~mo, morrer abra-
çada co~1 aquele que era a sua vida. Isso porque, para ela,
como para outras personagens do romance (Teresa e
Baltasar) o anlor , . d
' era uma espec1e e passaporte para a
morte. O qu
e
c
·1
am1 o
l c .
aste o Branco fez fo1 uma
-10-1
LELras
- JOS
LEtras
verdadeiramente grandiosa. _
o mesmo processo tem elevado, p~r exemplo, José J.
Veiga à altura dos nossos ~1aiores romancistas, com~ o pro-
vam Os Cavalinhos de Plauplanto, A Hora dos Ruminantes e
Sombras de Reis Barbudos.
A respeito de J.
Veiga, diz Mário da Silva Brito que
ele "constrói o seu universo de ficção partindo do corriqueiro e
daí a pouco está no campo do insólito e chega até o pânico,
encadeando complexas, desesperadas e desesperadoras situações
surreais, metarreais, se assim se pode dizer. Por outro lado cria.
personagens que de repente assumem atitudes e comportamentos
inesperados, como que deslembrados de suas características ante•
riores. Essas transformações do indivíduo e do compasso narrati•
vo jamais parecem impossíveis, nunca perdem a verossimilhança.
São apenas uma outra realidade - esta é que expressa o
verdadeiro, o que realmente está acontecendo".18
O importante, como vimos afim1ando é justamente o
entredito desta "outra realidade" e, na sua ~omposição, as,
pectos aparentemente sem importância não podem ser des•
prezados, ,pois é relacionando,os nuh1a estrutura ampla que
~e chegara ao resgate do verdadeiro sentido da história, como
· Ies cano d e garrucha que a personagem
e o caso de um simp
·
pescal'nlno conto "Era so' b rmca d · ,, , que aparece em Os
e elfa
ava ' ios de Platiplanto. E só em casos dessa natureza é que
-106
LEtras
nos parece muito bem colocado o critério de verossimilhança
que Naief Sáfady postula, dentro da linha de coerên cia inter,
na defendida por Auerb ach: "Assim, quando se lêem romances
cujas passagens parecem absurdas, isso significa que, no enten,
der de quem leu, as passagens não são verídicas. De outra parte,
essas passagens inverídicas serão perfeitamente verossímeis den,
tro do romance, na medida em que elas têm razão de ser, expli ..
cam,se, justificam,se plenamente nele". 19
EXERCÍCIO
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- 110
llll 1,111
l )1 1 llt 'PIIIII
l 11111 O UIIIHI 11i'il j!1IH ,, " 11 J1,11Hill1lj(•11il Ji,111,I
lf1Jt' tlilo ~ 111111/ Jlll i.W/111,it'III t !11/II J 111 11111 l1 H / ll íllJ ~•1 1M 1'tlll //1,1
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blll,ll1 q1w111 Hll 11nl(t f1il1111dn, IM11 p,111p1, 1 11/1d111 1l, 1 ~, J11,',J11l1 1
~,,.,,ljk,t ,,ao .~c!f 111,1.l.1 1t Jn,iJn lo''. ( ) 11 P t11 • 01111111 1114.1.', ,lii, 11 11 q411
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prcnu11lvdn1c1Hl1 1 1Hm conl11 n 111 11 11'11!11 . B o q11 e t•l1! 1111A I tt -'
111u11k11 ~Õ1) tl\lll(j ohucrvw,;1jcr1 e r o11 r ll1i;t,l1Hu 1l1Hpt1lt11 d11 1'1111 •
Juln de l'llla 111ull1cr C11pllll que, pnrn l 1lt1 , l't'll 1111111 enl <' 11l li1 I11 ,
refinada e lm,hHt:111tc cl:lpüsll 11d(tltv1 "· P,1111 Bt11llnlio, 11 il11
rc~l11111 dúvidas u l'C$pcllo d11 ll'lll1; i,o dl 1 C11pll11, 81"10 all{1llll n 1•
tivus n~ Ílll111rn:; paluvrns do livro:
"H l>cm, e,Jtwl,.-1ucr l/ttl! s1..j,, it fül11~·1l1J, wwt tol.,,t jú·u, l' tf
a sum" Ja.'f .ntm,L~, ou o resto Ju,'f 1·c,4'tw,, a .wl,cr,
' ' ítmaua ' e o meu ma ior nm11~0,
'l""'
u 111111111,
pruncm, ' lao ~xtr(rnHu 1o~
l'I.
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LEtras
- 112
LElra s
-JJJ
LEtras
2
4- :Lll. ROfy!ANCE MONOFÔNICO E ROMANCE PO·
LIFONICO
L - 114
LEtras
EXERCÍCIO
1. Que é o narrador oniscient c?
2. Por que a narração do romance policial deve ser feita na
3' pessoa, com um narrador não-onis cicntc?
3. Explique a posição de Todorov , quando este autor atar-
ma que a narração na 1il pessoa n5o é feita pela pcrso•
nagcm central.
-115
LEtras
-116
LEtras
4,2.2. O CONTO
Depois da detalhada focalização do romance, podemos
• tctizar sobremodo o estudo do conto, uma vez que ambos
5111 • , •
participam de u?1a mesma naturez~, isto e, caractcnzam,sc
pelo aspecto eminentemente narrativo.
Normalmente, o conto é uma história curta, razão pela
qual muitos o consideram como um trabalho fácil de ser
realizado. Raciocínio enganoso porque, na verdade, o conto
exige que o "narrador use cores exatas, nas medidas exatas, nas
proporções requeridas pelo assunto~ !em deixar que este fi~e
limitado neni µtravase - um exercicw permanente de contençao
e imaginação. ' Ê precis~ reduzir a poucas páginas todo um uni,
veTSo de ações e reações, de conflitos, de alegrias e angústias -
transformando-se o artista num deus capaz de sintetizar vidas
humanas em poucas palavras cheias de significado, prenhes de
um sentido universal que se transmite ao leitor, que as recompõe
segundo o seu univeso interior". 24
Pelo exposto, pode,se afirmar que o contista deve
centrar suas atenções numa ação principal, desprezando aque,
las que não sejam absolutamente necessárias para o
desenvolvimento dramático. No conto, não há espaço para
grandes descrições, para o adensamento gradativo da tensão
e das emoções. O narrador tem de ser objetivo, direto, deve
começar a história já próxima do desfecho, isto é, as perso,
nagens devem aparecer no clímax da narrativa, vivendo os
momentos decisivos dos acontecimentos, prontas para en,
frcntarem as situações que f~zem o leitor viver a dramatici-
dadc que as envolve. Nesse ponto, o romance é bem diferen-
te, porque o romancista dispõe de tempo para ir preparando,
aos poucos, as emoções que eclodem no clímax da história.
Daí que o conto seja uma narrativa breve, nn qunl os contli-
tos surgem já num momento de grandeza emocional, prccipi-
do-sc rapidnmcntc para o epílogo.
-1J7
LEtras
APLICAÇÃO
-118