0% acharam este documento útil (0 voto)
24 visualizações11 páginas

Teorias de Gêneros Literários: Historicismo e Formalismo

Enviado por

guibr2028
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
24 visualizações11 páginas

Teorias de Gêneros Literários: Historicismo e Formalismo

Enviado por

guibr2028
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Resumo Ampliado

A **teoria historicista** e a **teoria formalista** abordam os gêneros literários de formas


distintas, refletindo suas prioridades metodológicas.

### Teoria Historicista e Gêneros Literários

O historicismo foca na relação entre o texto e seu contexto histórico, cultural e social. Para os
historicistas, os gêneros literários são construções históricas que emergem das condições
culturais e das necessidades expressivas de um determinado tempo e lugar. Essa abordagem
considera que os gêneros literários são mutáveis e refletem os valores e tensões da sociedade
que os produziu. A partir da década de 1960, estudiosos começaram a questionar a narrativa
linear da historiografia literária tradicional, abrindo espaço para novas perspectivas, como a
interação entre literatura e outras manifestações culturais e sociais. Nesse contexto, os
gêneros literários passam a ser vistos como dinâmicos, passíveis de transformação e
hibridização em resposta às mudanças históricas e culturais. A teoria historicista enfatiza que
os gêneros literários não possuem uma essência fixa, mas sim características determinadas
por interações socioculturais. Essa visão ajuda a compreender como certos gêneros surgem
em resposta a mudanças históricas, como o romance no século XVIII, que reflete os valores
emergentes da burguesia europeia.

### Teoria Formalista e Gêneros Literários

Por outro lado, o formalismo concentra-se nas estruturas internas e nos aspectos técnicos dos
textos literários. Os formalistas, como os membros do Círculo de Moscou e São Petersburgo,
tratavam os gêneros literários como entidades relativamente estáveis, definidas por elementos
formais, como estrutura, estilo e linguagem. Para eles, o estudo da literatura deveria focar
exclusivamente no texto, desvinculando-o de fatores externos, como o contexto histórico ou a
biografia do autor. No formalismo, os gêneros literários são categorizados com base em suas
características formais. Por exemplo, o épico é caracterizado por narrativas longas e
grandiosas, enquanto o lírico se concentra em expressões subjetivas. Apesar de sua ênfase na
forma, o formalismo reconhece que os gêneros evoluem à medida que as convenções
literárias mudam, mas atribui essa evolução à interação entre as obras e a tradição literária,
sem dar centralidade às forças históricas externas.

### Comparação entre as Abordagens

As duas teorias diferem profundamente na forma como tratam os gêneros literários. O


historicismo prioriza a historicidade, ou seja, a ideia de que os gêneros refletem e dialogam
com o contexto cultural em que surgem, sendo maleáveis e sujeitos a transformações. Já o
formalismo enfatiza a autonomia da obra literária e busca definir os gêneros por suas
características intrínsecas. Ambas as abordagens, contudo, oferecem contribuições
importantes. O historicismo amplia a análise dos gêneros para além do texto, explorando
como eles interagem com seu contexto cultural e social. Por outro lado, o formalismo fornece
ferramentas para compreender as estruturas literárias e os mecanismos internos que tornam os
gêneros reconhecíveis. Embora distintas, ambas as teorias têm suas limitações: o
historicismo pode negligenciar a forma estética do texto, enquanto o formalismo pode ignorar
os fatores externos que influenciam sua produção e recepção. Essa divergência metodológica
reflete as diferentes maneiras como a crítica literária pode abordar o mesmo fenômeno,
oferecendo insights complementares sobre a natureza dinâmica e estruturada dos gêneros
literários.

1° Seção: ### Gêneros Literários

Os gêneros literários são uma das formas mais antigas de organização do discurso literário,
surgindo para categorizar textos com base em suas características formais, temáticas e
estilísticas. Originalmente, a divisão proposta por Aristóteles no *"Poética"* estabelecia os
três grandes gêneros clássicos: o lírico, o épico e o dramático. Eles serviam tanto para análise
quanto para produção, sendo guias para criadores e críticos. Com o passar do tempo, essa
classificação expandiu-se para incluir outros gêneros, como o romance, o ensaio e até mesmo
formas experimentais contemporâneas. Os gêneros funcionam como um pacto implícito entre
autor e leitor, onde cada um tem expectativas baseadas no gênero anunciado. Essa relação
não é estática, pois os gêneros literários evoluem, refletem mudanças sociais e culturais, além
de sofrerem contaminações de outros gêneros. Assim, os gêneros literários são não apenas
categorias analíticas, mas também convenções dinâmicas que guiam tanto a produção quanto
a recepção de textos.

### **Generalização dos Textos para Categorizá-los**

Classificar textos em gêneros exige um processo de generalização, onde características


específicas de uma obra são agrupadas em categorias amplas. Essa prática pode ser útil para
fins pedagógicos e críticos, mas frequentemente ignora nuances e particularidades das obras.
Por exemplo, classificar um poema como "lírico" porque expressa emoções subjetivas pode
desconsiderar elementos épicos ou dramáticos presentes nele. Essa generalização é uma
convenção social e literária, não uma essência. Ela depende de critérios culturais e históricos,
o que significa que a categorização de um texto pode variar de acordo com o contexto em que
ele é analisado. Críticos contemporâneos, como Jacques Derrida, argumentam que essa
generalização muitas vezes limita a leitura de textos literários, impondo regras que podem
não refletir a intenção autoral ou as interpretações do leitor. Assim, enquanto útil, a
categorização é apenas um ponto de partida na análise literária.

### **Três Grandes Gêneros Literários: Lírico, Épico e Dramático**

Os três grandes gêneros literários, propostos por Aristóteles, estruturam a base da teoria
literária ocidental. O lírico é caracterizado pela subjetividade, explorando as emoções e
pensamentos íntimos do "eu lírico". O épico, por outro lado, narra grandes eventos históricos
ou mitológicos, frequentemente envolvendo heróis e longas jornadas. Já o dramático é
destinado à performance, com foco no diálogo e na ação. Essas categorias clássicas foram
ampliadas ao longo dos séculos para incluir novas formas, como o romance, o conto e a
literatura experimental. Apesar de sua relevância histórica, a tripartição clássica tem sido
criticada por sua incapacidade de abranger a diversidade das produções literárias
contemporâneas, que frequentemente combinam elementos desses gêneros de forma híbrida.

### **O Texto em Diálogo com o Gênero e Historicidade**


Todo texto literário dialoga com os gêneros preexistentes, seja confirmando suas convenções,
seja transgredindo-as. Esse diálogo é reflexo da historicidade dos gêneros, ou seja, sua
natureza evolutiva e sua relação com os contextos históricos e culturais em que estão
inseridos. A historicidade implica que os gêneros não são categorias fixas ou universais, mas
construções culturais que se transformam ao longo do tempo. Por exemplo, o romance
moderno emergiu no século XVIII em resposta às mudanças sociais e econômicas da época,
enquanto o gênero policial surgiu no século XIX, refletindo as novas formas de organização
urbana e a ascensão do pensamento lógico.

### **Os Gêneros Literários são Híbridos e Maleáveis**

Os gêneros literários frequentemente combinam elementos de diferentes categorias,


resultando em obras híbridas que desafiam classificações rígidas. Um exemplo é o romance
histórico, que mistura características do épico (narrativa ampla) com elementos dramáticos
(diálogo e conflito). Essa maleabilidade é um dos fatores que garantem a vitalidade da
literatura, permitindo que os gêneros evoluam para atender às demandas culturais e estéticas
de diferentes épocas. A hibridização também desafia as hierarquias entre gêneros, mostrando
que categorias antes consideradas inferiores, como o policial, podem alcançar relevância
literária e acadêmica.

### **Conclusão: Relação entre os Tópicos e o Gênero Policial**

Os gêneros literários são convenções dinâmicas, moldadas tanto por suas tradições internas
quanto pelos contextos históricos e sociais. O gênero policial exemplifica essa dinâmica ao
surgir no século XIX como resposta às transformações urbanas e sociais da época. Ele
combina elementos de diferentes gêneros, como o mistério (característico do épico) e o
drama, ao mesmo tempo em que cria novas expectativas para seus leitores. Edgar Allan Poe,
ao fundar o gênero policial, estabeleceu não apenas um conjunto de convenções narrativas,
mas também um "leitor modelo", ativo e lógico, que busca desvendar o mistério com base
nas pistas oferecidas pelo texto.

Essa evolução demonstra como os gêneros literários não são categorias fixas, mas
construções históricas e híbridas, moldadas por diálogos constantes entre autores, leitores e
contextos. Ao mesmo tempo, a classificação dos textos em gêneros implica generalizações
que podem limitar a interpretação, mostrando a importância de uma abordagem flexível e
crítica na análise literária. Assim, o gênero policial ilustra a relação intrínseca entre forma,
contexto e recepção, evidenciando como os gêneros literários continuam a evoluir para
refletir as complexidades de suas épocas.

2° Seção: ### **Gêneros Literários**

Os gêneros literários são categorias teóricas que agrupam obras literárias com base em
características semelhantes, como estrutura, conteúdo e estilo. Desde Aristóteles, os gêneros
têm sido fundamentais para a organização do pensamento literário. Em sua *Poética*, ele
identificou três grandes gêneros: épico, lírico e dramático, cada um com finalidades e
estruturas específicas. Essa classificação ajudou a estabelecer parâmetros para análise e
ensino da literatura. Contudo, com o passar do tempo, os gêneros tornaram-se mais
complexos e híbridos, exigindo adaptações às novas formas de expressão artística. Na
modernidade, o conceito de gênero ultrapassou a função classificatória, sendo visto como
uma prática cultural que reflete os valores, ideologias e contextos históricos de uma
sociedade. Além disso, estudiosos como Bakhtin e Todorov enfatizam que os gêneros não são
estruturas fixas, mas categorias em constante transformação, moldadas pelas interações entre
autor, texto e leitor. Essa perspectiva reforça a ideia de que os gêneros literários
desempenham um papel ativo no processo criativo, servindo como ponto de partida para
inovações estilísticas e narrativas. A importância do estudo dos gêneros reside, portanto, na
possibilidade de compreender a literatura como fenômeno dinâmico, inserido em contextos
históricos, sociais e culturais.

### **Generalização dos Textos para Categorizá-los**

A generalização é uma prática essencial para classificar e estudar obras literárias, agrupando
textos de acordo com critérios que os tornam compreensíveis e comparáveis. No entanto, essa
simplificação carrega o risco de apagar nuances e singularidades das obras. Classificar textos
literários em gêneros, por exemplo, ajuda a definir características comuns entre eles, mas
pode limitar a interpretação de elementos que extrapolam essas categorias. Um problema
central dessa abordagem é que ela tende a desconsiderar as recepções e as intenções
individuais do autor, concentrando-se em características padronizadas. Essa dificuldade é
particularmente evidente quando se analisam obras contemporâneas, que frequentemente
cruzam fronteiras genéricas. A hibridização literária desafia as taxonomias tradicionais,
exigindo abordagens mais flexíveis para incluir experimentações e inovações. Além disso, a
generalização para fins de categorização é influenciada por contextos históricos e culturais, o
que significa que uma mesma obra pode ser vista de maneiras diferentes ao longo do tempo
ou em sociedades distintas. Assim, embora útil, a generalização deve ser aplicada de forma
crítica, reconhecendo seus limites e buscando preservar a riqueza interpretativa das obras
literárias.
### **O Texto Nasce em Diálogo com o Gênero; Os Gêneros Literários São Históricos
e Não Eternos**

A relação entre texto e gênero é dialógica: o texto se apoia em convenções genéricas


preexistentes, mas pode também subvertê-las ou reinventá-las. Um romance policial, por
exemplo, carrega expectativas de mistério e resolução, mas pode surpreender ao desafiar
esses padrões. Esse diálogo entre texto e gênero é dinâmico, promovendo tanto a
continuidade quanto a transformação das categorias literárias. Os gêneros literários são
históricos porque refletem os valores, práticas e necessidades de uma época. Por exemplo, o
romance como gênero emergiu no século XVIII, em um contexto de ascensão da classe
média e do individualismo. Além disso, gêneros que predominavam em certas épocas, como
a epopeia na Antiguidade, perderam força ou se transformaram ao longo do tempo. Essa
historicidade contradiz a ideia de que os gêneros são fixos e eternos, mostrando que eles
respondem a contextos socioculturais e tecnológicos.

### **Conclusão: Relação entre os Tópicos e o Gênero Policial**


Os gêneros literários, ao longo da história, desempenharam um papel crucial na forma como
a literatura é compreendida, estudada e apreciada. Contudo, como discutido, sua definição
não é estática nem universal, mas histórica, híbrida e adaptável. A análise do gênero policial
exemplifica essas dinâmicas, pois ele emergiu em um contexto específico do século XIX,
refletindo o avanço das ciências investigativas e a crescente urbanização. Ao criar o gênero
policial, Edgar Allan Poe também moldou um novo tipo de leitor: aquele que busca pistas,
deduz soluções e participa ativamente do desvendamento do mistério. Isso demonstra como
os gêneros literários não apenas organizam a produção artística, mas também influenciam as
práticas de leitura e recepção. Além disso, o gênero policial é um exemplo de hibridização,
combinando elementos narrativos, descritivos e, por vezes, reflexivos para engajar o público.

A historicidade dos gêneros é evidente na evolução do policial, que passou do raciocínio


lógico de Sherlock Holmes para abordagens mais psicológicas e sociais em autores modernos
como Agatha Christie e Raymond Chandler. Essa transformação ilustra como os gêneros não
são essências fixas, mas construções culturais que respondem às demandas e mudanças
históricas. Assim, os gêneros literários, incluindo o policial, são fenômenos complexos que
refletem tanto a tradição quanto a inovação. Estudá-los exige uma abordagem que combine a
análise formalista, voltada para os aspectos internos do texto, e a historicista, que considera
os contextos culturais e as relações intertextuais. Ao fazer isso, é possível compreender como
a literatura não apenas organiza o mundo, mas também se transforma e nos transforma
constantemente.

3° Seção: ### **Gêneros Literários**

Os gêneros literários são categorias que agrupam obras de acordo com características
comuns, como temática, estilo, forma e intenção. Desde a Antiguidade, foram sistematizados
para facilitar o estudo da literatura e a compreensão dos textos. Aristóteles, em sua obra
*Poética*, é considerado um dos primeiros teóricos a abordar a divisão em gêneros,
destacando o lírico, o épico e o dramático. Esses três gêneros refletem diferentes maneiras de
abordar a experiência humana: o lírico expressa emoções e subjetividades, o épico narra
grandes feitos heroicos e o dramático envolve a representação de ações através de diálogos e
encenações. No entanto, os gêneros não são fixos e imutáveis. Eles evoluem em resposta às
mudanças culturais, históricas e sociais. Gêneros como o policial, a ficção científica e o
romance moderno são criações mais recentes, que emergiram de necessidades e interesses
específicos de seus contextos históricos. A utilidade dos gêneros está em fornecer um
arcabouço interpretativo tanto para escritores quanto para leitores, mas a literatura
contemporânea frequentemente desafia essas classificações, mostrando a maleabilidade e a
interação entre diferentes formas literária salização dos textos para categorizá-los. A
generalização é uma ferramenta fundamental na categorização dos textos, pois permite
agrupar obras com características comuns dentro de uma estrutura conceitual. Essa prática
facilita o estudo da literatura, permitindo aos críticos e leitores identificar padrões, estilos e
temáticas compartilhadas. No entanto, a generalização pode ser uma faca de dois gumes. Ao
mesmo tempo que organiza o campo literário, pode simplificar demais as nuances e
complexidades de uma obra individual. Por exemplo, ao categorizar um texto como "romance
histórico", detalhes específicos como elementos líricos ou filosóficos podem ser
negligenciados. Essa abordagem também enfrenta desafios quando se trata de obras que
escapam das normas estabelecidas, como textos híbridos ou experimentais. Um exemplo
contemporâneo é o *new weird*, um gênero que combina fantasia, ficção científica e horror,
desafiando classificações tradicionais. Assim, enquanto a generalização é necessária para
análise e ensino, ela deve ser aplicada com cautela para evitar limitações na interpretação de
obras que transcendem as convenções de gênero .

### **O texto nasce em diálogo com o texto literário é produzido em diálogo com os
gêneros que o precederam. Esse diálogo pode ocorrer de maneira direta, ao seguir
convenções estabelecidas, ou de forma subversiva, ao desafiar ou expandir os limites dessas
normas. Esse processo de interação é essencial para o desenvolvimento da literatura, pois
permite que novos significados e formas sejam criados. Por exemplo, o romance moderno
surgiu em diálogo com o gênero épico, adaptando sua estrutura narrativa para explorar
questões cotidianas e psicológicas em vez de feitos heroicos.

Esse diálogo é também intertextual, envolvendo uma troca entre obras literárias e suas
tradições. Assim, autores contemporâneos frequentemente incorporam elementos de
múltiplos gêneros em suas obras, como no caso do *realismo mágico*, que combina
características do épico, do lírico e da narrativa tradicional. Dessa forma, o texto literário não
apenas reflete um gênero, mas o reinventa, mostrando como a literatura é um campo
dinâmico de constante inovação.

### **Relação entre os temas e o gêneros literários, como o policial, exemplificam como
categorias são moldadas por contextos históricos e pela interação com o leitor. Edgar Allan
Poe, ao fundar o gênero policial com contos como *Os Assassinatos na Rua Morgue*,
estabeleceu não apenas suas convenções narrativas, mas também um “leitor modelo”. Esse
leitor é ativo, observador e dedutivo, qualidades necessárias para desvendar os mistérios
propostos pelo texto. O gênero policial se desenvolveu em um momento de valorização da
lógica e do método científico, refletindo as transformações sociais e culturais do século XIX.
A historicidade e a maleabilidade dos gêneros literários nesse caso. Obras policiais modernas
frequentemente incorporam elementos de outros gêneros, como o psicológico e o thriller,
mostrando como categorias literárias evoluem e se tornam híbridas. Além disso, a recepção
do leitor desempenha um papel central, pois é por meio da interação entre texto e leitor que o
gênero se sustenta e se transforma. Assim, o gênero policial exemplifica a dinâmica entre
tradição, inovação e recepção na literatura, reafirmando a relevância do estudo dos gêneros
como construções históricas e culturais.

NOTAS:

•Na Poética de Aristóteles, texto fundamental para o surgimento do pensamento teórico sobre
a literatura, a questão é trabalhada de forma descritiva e prescritiva: tratavase de descrever o
funcionamento dos gêneros poéticos em voga naquele contexto e de indicar, em relação à
tragédia, os recursos e procedimentos necessários para que a obra atingisse o fim desejado (a
catarse). No Renascimento, o texto de Aristóteles foi retomado (junto com outras “artes
poéticas” da Antiguidade), ganhando um forte acento normativo, condizente com a
valorização da cultura greco-latina antiga e com a eleição de seus textos como modelos a
serem seguidos, dando origem ao que hoje é chamado de “teoria clássica” dos gêneros
literários.

•A partir do século XVIII, com o surgimento do Romantismo e de sua concepção da literatura


como expressão da subjetividade, a cópia dos modelos da Antiguidade perde sua
centralidade, cedendo lugar à originalidade e ao poder criador individual como critérios de
valorização das obras, o que leva à chamada “ruptura dos gêneros literários”, isto é, o
abandono do caráter normativo dos modelos genéricos e a legitimação da liberdade inventiva
e das misturas de traços provenientes de diferentes gêneros. Esse processo se intensifica na
segunda metade do século XIX e no início do século XX, quando os movimentos modernistas
e vanguardistas transformam o novo em uma meta a ser permanentemente perseguida. É
importante observar que as concepções de gênero formuladas até esse momento não se
configuraram no interior de uma disciplina acadêmica, o que levou a uma série de problemas
teóricos, muitas vezes não explicitados ou tratados de modo superficial, tais como: 1) a
oscilação entre critérios formais e temáticos nas distinções entre os gêneros; 2) a disputa entre
uma visão “substancialista” dos gêneros, que os considera como realidade constitutiva dos
textos, e uma visão “nominalista”, que os vê como uma taxonomia artificial elaborada pelos
teóricos; 3) a oposição entre a concepção dos gêneros como realidades transistóricas, que
corresponderiam a formas puras e naturais da literatura, apenas parcialmente efetivadas pelos
textos concretos, e as discussões sobre a historicidade dos gêneros; 4) a consideração da
questão do gênero como um problema relativo à produção ou à recepção dos textos literários.

•Quando a Teoria da Literatura se estabelece, nas primeiras décadas do século XX, ela não
demora a perceber esses problemas e tentar dar a eles um tratamento mais sistemático. Isso
acontece, por exemplo, nas reflexões dos formalistas russos, particularmente de Yuri
Tynianov, sobre as transformações históricas da literatura como um processo de
automatização e desautomatização dos procedimentos de criação, sob a influência de fatores
internos e externos à série literária. Nessa perspectiva, os gêneros não podiam mais ser vistos
como um sistema estável e atemporal, impondo-se a sua percepção como um fenômeno
dinâmico e inserido no movimento mais amplo da evolução literária e da história como um
todo.

Atacando o problema de um ponto de vista mais geral, interessando não apenas na literatura,
mas no conjunto dos fenômenos de linguagem, Mikhail Bakhtin formulou o conceito de
“gêneros do discurso”, nos quais se incluem os gêneros literários. Partindo de sua concepção
dialógica da linguagem e do pressuposto de que as formas linguísticas estão
indissociavelmente ligadas às circunstâncias concretas de comunicação, Bakhtin considera
que “cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de
enunciados”, os quais refletem suas condições e finalidades, tanto por seu conteúdo temático
quanto por seu estilo e sua estrutura composicional. Esses “tipos relativamente estáveis de
enunciados” são os gêneros do discurso, divididos pelo autor em gêneros “primários”,
próprios da comunicação oral e imediata, e “secundários”, ligados aos usos mais
institucionalizados e formalizados da linguagem, como a ciência, o direito e a literatura.
Embora existam diferenças significativas entre Bakhtin e os formalistas russos, sua
formulação converge com a de Tynianov na percepção do caráter histórico dos gêneros. Mas
Bakhtin avança na discussão em pelo menos quatro pontos importantes:

1º) ao inserir o problema dos gêneros literários em uma reflexão mais ampla sobre a
linguagem e os discursos;

2º) ao propor uma definição que articula coerentemente as dimensões temática e formal dos
enunciados;

3º) ao considerar os gêneros não na sua suposta pureza ideal, mas na sua heterogeneidade
constitutiva, ou seja, na sua maleabilidade e no seu hibridismo;

4º) ao incorporar o ponto de vista do receptor como fundamental para a cristalização e a


transformação das formas genéricas. Em função desse deslocamento para a perspectiva da
recepção, duas outras contribuições me parecem interessantes. A primeira é do alemão Hans
Robert Jauss, nome central dos estudos sobre a recepção. Interessado em captar as
transformações na leitura dos textos literários, em função do movimento histórico e das
transformações culturais, ele considera que “toda obra literária pertence a um gênero”, porque
“supõe o horizonte de uma expectativa, ou seja, um conjunto de regras preexistentes para
orientar a compreensão do leitor”.4 Assim, o gênero constitui “a camada de redundância
necessária para que o receptor tenha condições de receber e dar lugar a uma certa obra”, um
lugar que não corresponde necessariamente à intenção autoral, “nem muito menos respeita
leis que hipoteticamente a obra traria consigo”.5 Finalmente, para completar este panorama,
vale lembrar uma formulação mais recente, que aparece no livro O demônio da teoria:
literatura e senso comum, de Antoine Compagnon. Para o autor, é nas discussões sobre a
recepção dos textos literários que a questão dos gêneros se mostra mais rentável, uma vez que
o gênero funciona “como um esquema de recepção, uma competência do leitor, confirmada
e/ou contestada por todo texto novo, num processo dinâmico”. Assim, “as convenções
históricas próprias ao gênero, ao qual o leitor imagina que o texto pertence, lhe permitem
selecionar e limitar, dentre os recursos oferecidos pelo texto, aqueles que sua leitura
atualizará”. O gênero, então, pode ser visto como um “código literário, conjunto de normas,
de regras do jogo”, que “informa o leitor sobre a maneira pela qual ele deverá abordar o
texto”.6Pode-se, então, concluir esta breve síntese das discussões sobre a questão dos gêneros
discursivos e literários afirmando-se que, contemporaneamente, eles não devem mais ser
vistos como regras fixas de produção e funcionamento dos textos, ou como entidades ideais e
atemporais que os textos realizariam de modo imperfeito. Ao contrário, impõe-se sua
compreensão como convenções históricas, que funcionam de maneira instável e flexível e
orientam tanto a produção quanto a recepção dos textos, sejam eles literários ou não, estando
a própria separação entre esses conjuntos implicada nessas convenções.

• O gênero como modelo de leitura – A Compagnon

Gênero = generalização

Quem fala? De que é? Para quem? Genes dicendi – espaço rudimentar de classificação
genérica
Taxonomia: Agrupamento conforme semelhanças

Gênero X Recepção

Chegado do Romantismo = Ruptura dos gêneros literários

Novo = meta a ser seguida

• 1. Critérios formais e temáticos de gêneros

2. Visão da substância VS Visão Nominalista

3. Gêneros Transistóricos VS Históricos

4. Gêneros e produção/recepção

M. Bakhtin: “as formas linguísticas estão indissociavelmente ligadas às circunstâncias


concretas de comunicação”.

HansR. Jauss: “ toda obra literária pertence a um gênero, pois supõe o horizonte de
expectativas “

Grande Arte X Arte Popular

Romance Policial Clássico: Romance de enigma.

O Gênero como Modelo de Leitura - Antoine Compagnon

Antoine Compagnon, em seu estudo sobre os gêneros literários, propõe que o gênero é uma
ferramenta de leitura e interpretação que orienta tanto a criação quanto a recepção das obras
literárias. Ele trata o gênero como uma generalização: um modelo que classifica obras
conforme características comuns, funcionando como um esquema organizador para os
leitores, escritores e críticos. Esse modelo oferece previsibilidade ao leitor e um espaço de
criação ao autor, ao mesmo tempo em que pode ser transgredido para gerar inovação.
Compagnon sugere que o gênero é um sistema que combina tradição e ruptura, uma vez que
reflete convenções preexistentes, mas também permite experimentação e evolução dentro de
suas fronteiras.

Genes Dicendi e a Taxonomia Genérica

O conceito de genes dicendi, ou “modos de dizer”, remonta à tradição retórica clássica, na


qual o gênero funcionava como um espaço rudimentar de classificação com base no
conteúdo, na forma e na intenção comunicativa. Os gêneros literários podem ser agrupados
de acordo com semelhanças formais e temáticas, resultando em uma taxonomia que
estabelece categorias como a épica, a lírica e o drama. No entanto, essa taxonomia é flexível
e sujeita a mudanças conforme os contextos históricos e culturais.
Gênero e Recepção

A relação entre o gênero e a recepção é central na teoria de Compagnon. O gênero não apenas
molda as expectativas do leitor, mas também se transforma em resposta às mudanças
culturais e históricas. Durante o Romantismo, por exemplo, ocorreu uma ruptura significativa
com os gêneros literários tradicionais. A busca pelo “novo” tornou-se um objetivo central, e a
fusão de formas e a rejeição das normas clássicas passaram a definir a prática literária. Essa
ruptura refletiu um desejo de liberdade criativa, ao mesmo tempo que redefiniu os gêneros
como campos dinâmicos e não estáticos.

Critérios Formais e Temáticos de Gêneros

Os gêneros literários podem ser definidos por critérios formais (estrutura, estilo, técnica
narrativa) e temáticos (assuntos e questões abordados). No romance policial clássico, por
exemplo, o critério formal inclui uma narrativa de enigma organizada em torno de pistas e
deduções lógicas, enquanto o critério temático abrange questões de crime e justiça. Esses
critérios ajudam a estabelecer um pacto de leitura entre autor e leitor, oferecendo expectativas
claras sobre a obra.

Visão da Substância vs. Visão Nominalista

A visão da substância considera o gênero como algo intrínseco à obra, uma essência que a
define independentemente de seu contexto. Por outro lado, a visão nominalista entende o
gênero como uma construção social e histórica, uma categoria atribuída pelos leitores,
críticos e instituições culturais. Essa perspectiva nominalista é amplamente defendida hoje,
especialmente por autores como Jacques Derrida, que enfatiza que os gêneros são
permeáveis, instáveis e abertos à reinvenção.

Gêneros Transistóricos vs. Históricos

Os gêneros transistóricos são aqueles que atravessam épocas e culturas, preservando


características essenciais, como o épico ou a tragédia. Já os gêneros históricos são específicos
de contextos determinados, como o romance epistolar, popular no século XVIII, ou o
romance de ficção científica, que emergiu no século XX. A distinção reflete como os gêneros
se adaptam às demandas culturais e tecnológicas de sua época.

Gêneros e Produção/Recepção

Mikhail Bakhtin e Hans Robert Jauss fornecem perspectivas complementares sobre o papel
do gênero na produção e recepção. Para Bakhtin, as formas linguísticas e literárias estão
indissociavelmente ligadas às circunstâncias concretas de comunicação. Assim, os gêneros
não são apenas categorias estéticas, mas também práticas discursivas situadas em contextos
específicos. Jauss, por sua vez, argumenta que toda obra literária pertence a um gênero, pois
está inserida em um horizonte de expectativas partilhado por autores e leitores. Esse
horizonte molda tanto a criação quanto a interpretação da obra.

Grande Arte vs. Arte Popular

A divisão entre grande arte e arte popular é frequentemente mediada pelo gênero. A literatura
considerada "alta cultura" tende a privilegiar gêneros como a tragédia e o romance
psicológico, enquanto a "cultura popular" se associa a formas como o romance policial ou a
ficção científica. No entanto, essa dicotomia tem sido contestada, especialmente em um
contexto contemporâneo que reconhece a complexidade e o valor cultural de obras de arte
popular.

Romance Policial Clássico

O romance policial clássico, ou romance de enigma, é um exemplo paradigmático de como os


critérios formais e temáticos operam dentro de um gênero. Ele se caracteriza por uma
estrutura lógica, na qual um crime é apresentado, pistas são fornecidas, e o mistério é
resolvido através da dedução. Esse gênero reflete as preocupações modernas com
racionalidade, justiça e ordem social, mas também permite variações que desafiam ou
subvertem essas expectativas, evidenciando a fluidez do gênero literário.

Você também pode gostar