C. E.
Erich Walter Heine
Contabilidade
Professora Adriana Rodrigues Rosa
3º ano / 2024
Resumão Contabilidade I
Contabilidade é a ciência que estuda, controla e analisa todos os atos e fatos que ocorrem no
Patrimônio da empresa.
Patrimônio é o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações pertencentes a uma pessoa ou empresa e
avaliados em moeda.
Bens - tudo aquilo que uma empresa possui, seja para uso, troca ou consumo. Podem ser
classificados em bens materiais ou imateriais
Direitos – são os valores que ela tem a receber de terceiros (clientes, fregueses da empresa). Em
geral aparecem seguidos da expressão “a Receber”.
Obrigações - todos os valores que a empresa tem a pagar para
terceiros (pessoas que vendem para a empresa, fornecedores)
O Patrimônio é representado por um gráfico em forma de T, onde
classificamos os Bens, Direitos e Obrigações em dois grupos, os quais
chamamos Ativo e Passivo.
Situação Líquida Patrimonial
É a diferença entre o Ativo (bens e direitos) e o Passivo (obrigações), sendo representado pela
seguinte fórmula:
PL = Bens + Direitos – Obrigações ou PL = Ativo – Passivo
Os resultados encontrados podem representar:
Situação Patrimonial Líquida Positiva - ocorre quando o valor do Ativo é maior que o valor do
Passivo;
Situação Patrimonial Líquida Negativa - quando o valor do Ativo for menor que o do Passivo;
Situação Patrimonial Líquida Nula - ocorre quando o valor do Ativo for igual ao Passivo.
Patrimônio Líquido
O Patrimônio Líquido representa o valor que os sócios ou acionistas têm aplicado na empresa, é
uma parte do Patrimônio total (Ativo e Passivo).
Capital, Reserva de Capital e Prejuízos Acumulados são algumas das contas que compõem esse
grupo.
Formação do Patrimônio e suas Variações
Cada operação realizada (compra, venda, pagamento, recebimento) pode mudar totalmente a
situação patrimonial. Veja:
- se você tem R$ 100,00 e paga uma conta no valor de R$ 20,00, passa a ter R$ 80,00 ;
- Se compra algo no cartão de crédito, no valor de R$ 50,00, continua com os R$ 80,00 e
ainda vai ter um bem no valor de R$ 50,00, e em contrapartida, uma nova dívida no mesmo valor; E assim,
sua situação vai sendo alterada a cada nova operação.
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Contas
Conceito – na Contabilidade a expressão “conta” não se refere, necessariamente, a um cálculo, esse é o
nome que se dá a uma forma de registro de informações acerca da empresa.
Contas Patrimoniais - são as que representam os Bens, os Direitos, as Obrigações e o Patrimônio
Líquido, ou seja, as contas que aparecem no Balanço Patrimonial.
Exemplos: Caixa, Banco Conta Movimento, Duplicatas a Receber, Fornecedores, Capital Social, etc.
Contas de Resultado - As contas de resultado são as Despesas e Receitas. São contas que não
fazem parte do Balanço Patrimonial, mas é a partir delas que sabemos se a empresa apresentou lucro ou
prejuízo no período e também, apuramos o Resultado do Exercício.
Ex: - Despesas - Telefone, combustível, lanches, energia elétrica, salários, material de escritório, etc.
- Receitas – Receita de vendas, Juros Ativos, Receita de Serviços, etc.
Obs.: nas contas de Resultado, expressões “ativos” e “passivos” são usados como adjetivos, qualificando
as contas como Receitas (ativos) ou Despesas (passivos). Nesse caso o “sobrenome” da conta não tem
nenhuma relação com as contas Patrimoniais.
Exemplos: Juros Passivos = Despesa de Juros // Juros Ativos = Receitas de Juros
Natureza e Saldo das Contas
As contas contábeis dividem-se e devedoras e credoras, é o que chamamos Natureza. A natureza
de cada conta é o que determina seu comportamento, ou seja, quando devemos debitar ou creditar cada
uma delas.
As contas devedoras (aplicação) são representadas pelo Ativo (Bens e
Direitos), as Despesas e os Custos. Seu saldo será sempre devedor e
aumentarão pelo débito.
Exemplo: Caixa, Clientes, Estoques, Energia Elétrica
As contas credoras são representadas pelo Passivo (Obrigações e PL) e
pelas Receitas. Possuem saldo credor e aumentam pelo crédito.
Exemplo: Fornecedores, Duplicatas a Pagar, Capital Social, Receita de Vendas.
Já sabemos que o Capital Social é parte do Patrimônio Líquido, representando a
parte pertencente aos sócios ou proprietários da empresa.
O Passivo representa a origem dos recursos (ou capitais), ou seja, ele representa de
onde surgiu o Capital que financiou todo o Ativo da empresa; já o Ativo, nos mostra a aplicação
desses capitais, ou seja, onde a empresa aplicou os recursos demonstrados no lado do Passivo.
Lançamentos Contábeis
Como já vimos anteriormente, as contas são as ferramentas que a Contabilidade utiliza para
realizar o registro de informações acerca da empresa.
Através delas é possível representar graficamente a relação débito e
crédito de um determinado fato administrativo.
Graficamente, podemos representá-la na forma da letra T, gráfico este
que chamamos de Conta T ou Razonete.
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As operações são registradas no débito ou crédito, de acordo com a natureza de cada conta,
através do que chamamos lançamentos e ocasionam aumento ou redução do Ativo, do Passivo e do
Patrimônio Líquido e também, nas contas de Resultado, que são as Despesas e Receitas.
Em resumo, as contas funcionam assim:
As contas do Ativo são debitadas quando bens ou direitos entram no patrimônio e creditadas quando
saem.
As contas do Passivo são creditadas quando o patrimônio assume obrigações (aumento de dívidas) e
debitada quando as liquida (paga).
O Patrimônio Líquido, segue a mesma regra válida para o passivo.
As contas de Despesas são debitadas, pois representam redução do patrimônio líquido (geralmente
representam gastos da empresa)
As contas de Receitas são creditadas, pois representam aumento do Patrimônio Líquido (valores que
a empresa ganha através das atividades que realiza).
Escrituração em Livros Contábeis
É a técnica utilizada pela contabilidade para registrar, em ordem cronológica, todos os fatos
administrativos que ocorrem no patrimônio das entidades, para fornecer informações sobre a composição
do patrimônio e as variações ocorridas em determinado período.
Métodos de Escrituração - referem-se ao conjunto de regras que devem ser observadas na elaboração
do registro dos fatos administrativos.
O método atualmente utilizado foi criado em Veneza, no ano de 1494 pelo frei e matemático Luca
Paccioli, que o batizou como método das “Partidas Dobradas”.
Em resumo, podemos dizer que esse método consiste no princípio de que, ao final de um
lançamento, o total de débitos sempre terá que ser igual ao total de créditos.
Livros de escrituração - para registrar os fatos contábeis ocorridos no patrimônio e também atender as
obrigações legais, as empresas, utilizam diversos livros de escrituração, alguns obrigatórios (exigidos por
lei) e outros, facultativos (criados para dar maior clareza e controle dos registros contábeis).
Os principais livros contábeis são Diário e Razão, mas além deles, existem alguns livros auxiliares,
como por exemplo, Caixa, Conta Corrente e Livro de Duplicatas.
Livro Diário - é um livro obrigatório pela legislação comercial. Nele os fatos são organizados em
ordem cronológica dos fatos ocorridos. É o mais importante livro contábil. Caso haja extravio dos demais
livros fiscais, com o livro Diário é possível a recuperação dos mesmos. Elementos Essenciais do
Lançamento no Livro Diário:
Livro Razão – também é um livro obrigatório. Nele são registradas as movimentações de cada
conta. É a “memória”, de cada conta patrimonial da empresa, e que registra todas as alterações nelas
ocorridas.
Razonete e Balancete
O que chamamos Razonete, ou gráfico “T”, como também é conhecido, nada mais é que a versão
simplificada do Livro Razão, ou seja, mostra as operações realizadas em cada conta. A diferença é que
essa movimentação é feita de forma resumida.
Veja no exemplo o como funciona o Razonete:
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Obs.: Lembre-se que o título do razonete
será sempre o nome da conta (Caixa,
Fornecedores, Clientes, etc) e não o grupo a
que pertence.
Balancete de Verificação
É uma relação de contas extraída do Livro Razão (ou dos Razonetes) com seus respectivos saldos
devedores e credores.
Os Balancetes podem conter apenas colunas para os saldos devedores e credores (2 colunas) ou
mais colunas destinadas ao movimento de cada conta. Utilizaremos aqui, o Balancete de duas colunas.
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO
Nº CONTAS DEVEDOR CREDOR
1 Caixa 3.500
2 Mercadorias 1.000
3 Móveis 1.500
4 Capital Social 5.000
5 Fornecedores 1.000
Total 6.000 6.000
Apuração Simplificada do Resultado
Apurar o Resultado do Exercício consiste em verificar através das Contas de Resultado (Despesas
e Receitas), se a empresa apresentou Lucro ou Prejuízo durante determinado período (Exercício Social).
Despesas - As despesas decorrem do consumo de bens e utilização de serviços.
Receitas - decorrem da venda de bens ou prestação de serviços. Existem em menor número
que as despesas.
O Resultado do Exercício pode ser Lucro, quando as Receitas são maiores que as despesas, ou
Prejuízo, quando o total de Despesas for maior que as Receitas.
Exemplo: Receitas =R$ 22.000,00 Despesas = R$ 16.000,00
Então, Resultado = Receitas – Despesas = 22.000,00 - 16.000,00 = R$6.000,00 Lucro
As Receitas e Despesas não aparecem no Balanço Patrimonial, mas o resultado encontrado
entrará no grupo Patrimônio Líquido, como Lucro ou Prejuízo Acumulado.
Apuração do Resultado com Encerramento das Contas
Para realizarmos a apuração do resultado através de lançamentos, para que não ocorram em
duplicidade, temos que realizar o encerramento das contas. Veja como fazer:
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Veja o passo-a-passo:
1– Transfira os saldos para os razonetes: Despesas no débito e Receitas no crédito (são os valores iniciais
que estão em negrito)
2– Abra um razonete para a apuração do Resultado
3- Realize os lançamentos de transferência para a conta “Apuração do Resultado”, a fim de encerrar o
saldo das contas (são os lançamentos “a, b, c e d”)
Observe que para realizar a transferência fazemos um lançamento na conta de Resultado (Salários,
Material de escritório, Telefone, Receita de Vendas) e outro na conta Apuração de Resultado.
No exemplo acima, foram contabilizados R$ 4.500,00 como Receitas e R$ 2.900,00 como
Despesas, apurando-se um lucro de R$ 1.600,00 (R$ 4.500,00 – R$ 2.900,00). Esse lucro irá para o
Patrimônio Líquido e poderá ser distribuído entre os donos da empresa.
Conhecendo alguns termos contábeis importantes
Receita – são os valores recebidos pela empresa, decorrentes da venda de produtos ou serviços ou
rendimentos de juros e alguns outros ganhos eventuais.
Podem ser operacionais, quando se referem às atividades operacionais da empresa (vendas ou
prestação de serviços) ou não-operacionais, quando se originam de operações que não fazem parte das
atividades da empresa (venda de imobilizado, Receitas de aluguel, etc.)
Despesa: compreende os gastos decorrentes do consumo de bens e da utilização de serviços das
áreas administrativa, comercial e financeira, que direta ou indiretamente visam a obtenção de receitas. São
os gastos necessários para manter a empresa (telefone, aluguel, internet, etc.)
Perda: bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária (perdas com incêndios; produtos
vencidos, erros na produção, etc.)
Ganho - representa um resultado líquido favorável resultante de transações ou eventos não
relacionados às operações normais do empreendimento (rendimento de aplicação financeira)
Gasto: desembolso à vista ou a prazo para obtenção de bens ou serviços, independentemente da
sua destinação dentro da empresa (Gastos com a compra de matérias-primas ou mão-de-obra.
Investimentos: compreendem, geralmente, os gastos com a obtenção de bens de uso da empresa e
os que serão inicialmente mantidos em estoque para futura utilização. (matéria-prima, quando adquiridos
em quantidades para estocagem);
Custo: compreende os gastos com a obtenção de bens e serviços aplicados ou consumidos na
produção de outros bens.
O Custo também é um gasto, sendo reconhecido como custo no momento da utilização e, deve
integrar o valor do produto.
Desembolso: entrega de numerário antes, no momento ou depois da ocorrência dos gastos.
Encargos: ônus, em geral, determinado pela legislação (Encargos Sociais: trabalhistas e
previdenciários; Encargos Financeiros sobre desconto de títulos).
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Regime de Caixa e Competência dos Exercícios
Regime de Competência
É universalmente adotado e aceito pelo Imposto de Renda. Através dele, as Receitas e as
Despesas são consideradas em função de seu fato gerador e não em função do Recebimento da
receita ou pagamento da Despesa, em dinheiro.
Em resumo, Despesas e Despesas serão consideradas, independentemente de seu recebimento
ou pagamento, respectivamente, desde que o fato de origem tenha ocorrido (fato gerador).
Regime de Caixa
É uma forma simplificada de contabilidade. Neste critério de avaliação, analisa-se o fluxo de caixa
no período, ou seja, analisam-se as entradas e saídas de dinheiro com seus respectivos saldos diárias. As
regras básicas são:
As Receitas e Despesas são consideradas apenas quando ocorre a movimentação do Caixa.
Regime de Competência x Regime de Caixa - Exemplos
1 –Uma empresa vendeu em março / X1, R$ 30.000 e só recebeu R$ 15.000 (o restante será recebido em
abril). Teve como despesa incorrida R$ 8.000 e pagou somente R$ 5.000 até o último dia do ano Março.
Os resultados pelos dois regimes seriam:
Resultado pelo Regime de Resultado pelo Regime de
Competência Caixa
Receita 30.000 15.000
(-) Despesa 8.000 5.000
(=) Lucro/Prejuízo 22.000 10.000
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Introdução - Contabilidade II
A Contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de
informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da
empresa. Ela é muito antiga e sempre existiu para auxiliar as
pessoas a tomarem decisões. Com o passar do tempo, o governo
começa a utilizar-se dela para arrecadar impostos e a partir daí,
ela passa a ser obrigatória para a maioria das empresas.
Os dados coletados pela Contabilidade são apresentados periodicamente aos interessados de
maneira resumida e ordenada, formando assim os relatórios, a partir dos quais é possível controlar e
conhecer toda a situação da empresa.
Capítulo 1 - Demonstrações Contábeis
Demonstrações Contábeis
Segundo o artigo 176 da lei 6404/76 (Lei das S/As), modificado pela lei 11.638/07 e 11.941/09,
algumas demonstrações contábeis serão obrigatórias ao final de cada Exercício Social, entre elas estão o
Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração dos
Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA).
Essas demonstrações serão elaboradas havendo indicação dos valores correspondentes das
demonstrações do exercício anterior e, complementadas por Notas Explicativas.
Abaixo, veremos como elaborar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do
Exercício.
1. BALANÇO PATRIMONIAL
Demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a situação patrimonial da Empresa em
determinado momento.
Ativo - Bens e Direitos de propriedade da Empresa.
Passivo - Obrigações da Empresa.
Patrimônio Líquido – representam os valores que os sócios ou acionistas têm na empresa em um
determinado momento, também chamado Capital Próprio.
No BP, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio a que pertencem, e
agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.
No Ativo as contas serão dispostas em ordem * Grau de liquidez - é o maior
ou menor prazo no qual
decrescentes de *grau de liquidez dos elementos nelas os Bens e os Direitos podem ser
registrados. transformados em dinheiro.
Ativo Circulante
Disponibilidades – é o dinheiro da empresa, representado pelas contas: Caixa, Banco Conta
Movimento, Aplicações de Liquidez Imediata (aplicações com resgate em tempo real).
Direitos CP – valores a receber no Curto Prazo: Duplicatas a Receber, Impostos a Recuperar, Clientes
Investimentos CP – investimentos para resgate também no Curto Prazo
Estoques – são os bens tangíveis mantidos para venda ou uso próprio: Mercadorias, Matéria-prima,
Material de escritório, de limpeza, de higiene, etc.
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Ativo não Circulante
Realizável a Longo Prazo
Direitos LP – valores a receber no Longo Prazo: Duplicatas a Receber LP, Aplicações Financeiras LP,
Empréstimos Receber LP, etc.
Permanente
Investimentos LP – são os Bens e Direitos que não se destinam a manutenção das atividades da
empresa, e sim, à geração de rendimentos: Imóveis (para renda), Participações Societárias,
investimentos em ouro, obras de arte, terrenos para futura utilização, etc.
Imobilizado – Bens de uso da empresa: Imóveis, Veículos, Máquinas, etc.
Intangível – Ativo não físico que geram benefícios para a empresa: Marcas e Patentes, Direitos
Autorais, Franquias, Capital Intelectual, etc.
No Passivo as contas serão dispostas em ordem *Nível de exigibilidade - é o
decrescente do *nível de exigibilidade. maior ou menor prazo para o
pagamento das Obrigações
Passivo Circulante
Lista as obrigações de Curto Prazo (CP): Obrigações com Funcionários, Contas a Pagar CP,
Fornecedores, Obrigações Tributárias, etc.
Passivo não Circulante
Exigível à Longo Prazo
Lista as obrigações de Longo Prazo (LP): Fornecedores, Financiamentos e Empréstimos de LP
Patrimônio Líquido
Representa o Capital Próprio da empresa (ou Passivo não exigível): Capital Social, Reservas de Capital,
Ajustes de Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados.
Modelo Básico De Balanço Patrimonial
ATIVO PASSIVO Anotações _______________
Ativo Circulante Passivo Circulante ________________________
Disponibilidades Obrigações CP ________________________
Direitos CP
________________________
Investimentos CP
Estoques ________________________
Ativo Não Circulante Passivo não Circulante ________________________
Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo ________________________
Direitos LP Obrigações LP ________________________
________________________
Permanente
Investimentos Patrimônio Líquido ________________________
Imobilizado Capital Próprio ________________________
Intangível ________________________
Total Total ________________________
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Alguns conceitos importantes que não podem ser esquecidos
Exercício Social - é o espaço de tempo (12 meses), findo o qual as pessoas jurídicas apuram seus
resultados; Em geral, o exercício social coincide com o ano civil e encerra-se em 31 de dezembro.
Curto Prazo (CP) - todos os bens e direitos realizáveis e as obrigações com vencimento até o
término do exercício social seguinte.
Longo Prazo (LP) - todos os bens e direitos realizáveis e as obrigações com vencimento após o
término do exercício social seguinte.
2. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)
É um documento contábil elaborado em conjunto com o balanço patrimonial. Trata-se de uma
ferramenta utilizada também para analisar se o negócio em questão está sendo lucrativo ou está trazendo
prejuízo.
É uma demonstração contábil que evidencia
a formação do resultado líquido em um exercício
(lucro ou prejuízo), através do confronto das
receitas, custos e despesas apuradas através do
regime de competência.
Veja abaixo as principais contas que encontramos em cada grupo da Demonstração de
resultado do exercício.
RECEITA OPERACIONAL BRUTA - indica o total das vendas ocorridas ou serviços prestados no
período, isto é, representa o total obtido através das atividades-fim da empresa (atividade principal)
DEDUÇÕES E ABATIMENTOS – são representados pelas vendas canceladas ou devolução de
vendas, os descontos comerciais (descontos incondicionais concedidos) e os impostos sobre as vendas
(IPI, ICMS, ISS, PIS, COFINS, etc). Todos esses itens são deduzidos da receita bruta para se chegar à
receita líquida.
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA - é a parcela que realmente pertence à empresa, ou seja, o que
resta da Receita Bruta após as deduções.
CUSTOS - Antes de chegar ao lucro bruto na DRE, é necessário deduzir da receita líquida os custos de
produção ou de aquisição. Este custo será especificado de cordo com o ramo da empresa:
para empresas industriais: Custo do Produto Vendido (CPV);
para empresas comerciais: Custo das Mercadorias Vendidas (CMV);
para empresas prestadoras de serviços: Custo dos Serviços Prestados.
LUCRO OPERACIONAL BRUTO - é o primeiro lucro que aparece na DRE, corresponde à diferença
entre a receita líquida e os custos.
DESPESAS OPERACIONAIS – correspondem às despesas que são necessárias para vender os
produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Estas despesas estão relacionadas com a
atividade fim da empresa!
Despesas com vendas - abrangem desde a promoção do produto até sua colocação junto ao
consumidor, por meio da comercialização e da distribuição. Exemplos: comissão de vendas,
propaganda e publicidade, marketing, frete sobre vendas, etc.
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Despesas financeiras – são os juros pagos ou incorridos (chamados de juros passivos), descontos
financeiros (para estimular o devedor a quitar um débito) e juros de mora (decorrentes do atraso no
pagamento de uma obrigação).
Receitas financeiras – são receitas que se originam das aplicações financeiras. Como exemplo
temos os juros ativos e os descontos obtidos.
Despesas Gerais e Administrativas - são as despesas necessárias para manter a empresa.
Honorários administrativos (remunerações pagas a quem não tem vínculo empregatício), salários e
encargos sociais do pessoal administrativo, aluguéis de escritórios e materiais de escritório (após
consumidos), etc.
Outras Despesas Operacionais – como exemplo temos as despesas com pesquisa e
desenvolvimento de novos produtos.
Outras Receitas Operacionais - como exemplo temos as receitas com venda de sobras de
material.
OUTRAS RECEITAS - são os lucros obtidos na venda de ativo imobilizado (máquinas, equipamentos,
veículos)
OUTRAS DESPESAS - inclui gastos com a venda de ativo imobilizado e outras perdas não previstas
causadas por geadas, enchentes, incêndios.
RESULTADO ANTES DO IR/CSLL – é o lucro apurado pela empresa e, que servirá de base para o
cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social.
PROVISÃO PARA CSLL – é o valor calculado para pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro
obtido no período.
PROVISÃO PARA IR - é o valor calculado para pagamento do Imposto de Renda sobre o Lucro obtido
no período.
RESULTADO DEPOIS DO IR – é o lucro restante após as provisões do IR e CCSLL.
PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES – se refere aos pagamentos de dividendos, distribuição de
lucros a empregados e outros
LUCRO OU PREJUIZO LÍQUIDO – resultado final encontrado após a distribuição do lucro aos
funcionários e sócios.
Veja abaixo uma relação de contas de resultado e logo após, um exemplo de DRE com as
respectivas contas:
Custo das Mercadorias Vendidas 5.200,00 Juros Passivos 450,00
Salários 3.300,00 Material de escritório 1.200,00
Comissão de vendedores 1.300,00 Devolução de Vendas 250,00
Despesa com Aluguéis 500,00 Impostos sobre Vendas 3.700,00
Receitas Financeiras 1.400,00 Vendas 22.000,00
Obs.: Ao elaborar a DRE lembre-se que todas as Despesas e Custos devem aparecer entre
parênteses ( ), por se tratarem de valores negativos em relação à Receita.
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1 - RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Venda de mercadorias e/ou Prestação de Serviços 22.000,00
2 - DEDUÇÕES E ABATIMENTOS
(-) Vendas canceladas/devolução de vendas ( 250,00 ) Devol. Vendas
(-) Impostos e Contribuições sobre vendas ( 3.700,00 )
(-) Descontos incondicionais concedidos
3 - RECEITA OPERACIONAL LIQUIDA (1-2) = 18.050,00
4 - CUSTOS
(-) CMV e/ou CPV ( 5.200,00 )
5 - LUCRO OPERACIONAL BRUTO (3-4) = 12.850,00
6 - DESPESAS OPERACIONAIS
(-) Despesas com vendas ( 1.300,00 ) Comissão
(-) Despesas financeiras ( 450,00 ) Juros Passivos
Receitas financeiras 1.400,00
(-) Despesas Gerais e Administrativas ( 4.500,00 ) Sal + Mat Escritório
(-) Outras Despesas Operacionais
Outras Receitas Operacionais
7 - RESULTADO OPERACIONAL LIQUIDO (5-6) = 8.000,00
8 - OUTRAS RECEITAS
9 - OUTRAS DESPESAS ( 500,00 ) Aluguéis
10 - RESULTADO ANTES DO IR/CSLL (7+8-9) =
(-) PROVISÃO PARA CSLL
(-) PROVISÃO DO IMPOSTO DE RENDA
11 - RESULTADO DO EXERCÍCIO DEPOIS DO IR (10-11-12) = 7.500,00
12 - PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES
(empregados, administradores outros)
13 - LUCRO OU PREJUIZO LIQUIDO (13-14) = 7.500,00
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO
O Balancete de Verificação é um documento que reúne os saldos de todas as contas utilizadas na
empresa e serve para verificação dos mesmos. Ele é disponibilizado periodicamente e não apenas ao final
do exerício, e serve como suporte aos gestores para visualizar a situação da empresa diante dos saldos
mensurados
Os Balancetes podem conter apenas colunas para os saldos devedores e credores (2 colunas) ou
mais colunas destinadas ao movimento de cada conta. Utilizaremos aqui, o Balancete de duas colunas.
Veja o exemplo:
Cia. Contabilinda
Balancete Mensal de Verificação - ABR/2020
Saldos
Contas
Devedor Credor Observe que o total dos saldos
Caixa 3.000,00 - (devedor e credor) devem ser
Banco Conta Movimento 11.900,00 - sempre iguais.
Móveis e utensílios 3.200,00 -
Clientes 300,00 -
Veículos 10.000,00 -
Estoque de Mercadorias 1.400,00
Financimaentos - 4.500,00
Fornecedores - 400,00
Capital Social 20.000,00
Receita de Vendas 5.000,00
CMV 100,00
Total 29.900,00 29.900,00
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Capítulo 2: Operações com Mercadorias
A Contabilidade Comercial permite controlar a movimentação do patrimônio das empresas
comerciais, registrando os fatos decorrentes da gestão dessas empresas.
É ela a responsável por registrar, através de lançamentos, todas as operações relacionadas com
compras e vendas de mercadorias, despesas acessórias, descontos ou abatimentos incondicionais,
devoluções e incidência de impostos, etc.
Para contabilizar as contas com mercadorias, passaremos a utilizar a partir deste capítulo, as
contas Compras e Vendas de Mercadorias.
São dois os métodos existentes para realizarmos essas operações:
a) Método da Conta Mista – utiliza uma única conta (estoque de
mercadorias) para registrar todas as operações com mercadorias:
estoques iniciais e finais, compras, vendas e devoluções.
b) Método da Conta Desdobrada – utiliza as três contas básicas:
Estoque de Mercadorias (para registrar estoques inicial e final), Compras de Mercadorias e Vendas de
Mercadorias.
A empresa irá optar por um dos métodos, a fim de manter a uniformidade das informações. E, além
deles poderá também optar por um dos sistemas apresentados a seguir:
a) Inventário Permanente – consiste na atualização constante do estoque. A cada compra ou venda, o
custo do estoque deve ser aumentado ou diminuído.
b) Inventário Periódico – o valor do estoque somente é conhecido ao fim do período, quando ocorre a
contagem física de todas as mercadorias.
Obs.: Utilizaremos em nossas atividades o Método da Conta Desdobrada com Inventário Periódico.
Como registrar a Compra e Venda de Mercadorias
As compras de mercadorias podem ser realizadas à vista ou a prazo, ou seja, são pagas no ato ou
cria-se uma obrigação de pagamento futuro, respectivamente.
As vendas de mercadorias, assim como as compras, também podem ser realizadas à vista ou a
prazo, e são a principal fonte de receitas das empresas comerciais.
Veja nos exemplos abaixo como devem ser contabilizadas as compras e vendas pelo Método da
Conta Desdobrada com Inventário Periódico:
Compra de Mercadorias: Compra, à vista, no valor de R$ 460,00, conforme NF nº 0526 de Neves &
Pontes Ltda.
D - Compra de Mercadorias .......................... 460,00
C – Caixa ................................................... 460,00
Conf. NF nº 0526, de Neves & Pontes Ltda
Venda de Mercadorias: Venda, à vista, conforme nossa NF nº 325, no valor de R$ 230,00.
D – Caixa ......................................................... 230,00
C - Venda de Mercadorias .................................. 230,00
Conforme nossa NF nº 325
Quadro-Resumo - Método da Conta Desdobrada com Inventário Periódico
Nas operações de D - Compras de Mercadorias
compras C - Caixa / Banco Conta Movimento / Fornecedores / Contas a Pagar
Nas operações de D - Caixa / Banco Conta Movimento / Clientes / Contas a Receber
Vendas C - Vendas de Mercadorias
C. E. Erich Walter Heine - Contabilidade 3º ano / 2024 - Professora Adriana R. Rosa 12
Resultado Simplificado da Conta Mercadorias
O Resultado da Conta Mercadorias é o Resultado Bruto do Exercício de uma empresa comercial e
corresponde à diferença encontrada entre a Receita obtida nas vendas e o Custo dessas mercadorias
vendidas. Através dessa apuração, podemos saber se a empresa obteve lucro ou prejuízo em sua
atividade principal.
Veja abaixo as fórmulas que irão simplificar a nossa apuração:
Fórmulas Primárias – Apuração Extra contábil (ou matemática)
CMV = Custo de Mercadorias Vendidas
CMV = EI + C – EF Onde:
EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque Final
RCM = Resultado da Conta Mercadorias
RCM = V – CMV Onde: V = Vendas
CMV = Custo das Mercadorias Vendidas
Exemplo: Suponhamos as seguintes contas e saldos extraídos do livro Razão de uma determinada
empresa, em 31 de dezembro de X1:
Estoque de Mercadorias (EI) = R$ 1.500,00
Compras = R$ 5.000,00 // Vendas = R$ 7.000,00
Sabendo-se que o valor do estoque final, conforme inventário realizado em 31 de dezembro, foi de
R$ 2.000, apure o Resultado da Conta Mercadorias, extra contábil e contabilmente.
Adotaremos o método da Conta Desdobrada com Inventário Periódico:
Apuração Extra contábil - CMV = 1.500,00 + 5.000,00 – 2.000,00 = 4.500,00
RCM = 7.000,00 – 4.500,00 = 2.500,00
O Resultado da Conta Mercadorias, positivo em R$ 2.500,00 corresponde ao Lucro sobre Vendas ou
Lucro Bruto.
Apuração contábil (pode ocorrer através de Partidas de Diário e Razonetes)
Para fazer a apuração contábil (através de lançamentos contábeis), vamos seguir a ordem em que as
contas aparecem na fórmula. Veja:
1º Passo: abrir os Razonetes das três contas, cujos saldos foram extraídos do livro Razão:
Estoque de Mercadorias Compras Vendas
1.500 5.000 7.00
2º Passo: contabilização do CMV – transferência dos saldos 1, 2 e 3 para a conta Custo das Mercadorias
Vendidas. Veja abaixo os lançamentos em partidas de Diário:
Lançamento 1 D – CMV .................................... 1.500,00
C - Estoque de Mercadorias ......... 1.500,00
EI / CMV Transferência do estoque inicial para apuração do Resultado Bruto (1)
Lançamento 2 D – CMV .................................... 5.000,00
C – Compras ........................... 5.000,00
C / CMV Transferências do valor das compras para apuração do Resultado Bruto (2)
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Lançamento 3 D - Estoque de Mercadorias ............. 2.000,00
C – CMV ....................................... 2.000,00
EF / CMV Estoque final, conf. levantamento físico realizado nesta data (3)
Agora veja como ficam os razonetes após os lançamentos:
Estoque de Mercadorias Compras C.M.V.
1.500 1.500 (1) 5.000 5.000 (2) (1) 2.000 (3)
(3) 2.000 1.500
(2)
3.500 1.500 5.000
6.500 2.000
2.000 4.500
Note que, após o lançamento 2, a conta Compras de mercadorias ficou com saldo igual a zero,
devido a transferência para a conta Custo das Mercadorias Vendidas (CMV).
O saldo final da Conta CMV é devedor e deverá ser igual ao resultado encontrado na apuração
extra contábil.
3º Passo: contabilização do RCM - transferência dos saldos 4 e 5 para a conta RCM
D – Vendas .......................... 7.000,00
Lançamento 4 C - RCM .......................... 7.000,00
V / RCM Transferência do valor das vendas para apuração do Resultado Bruto
Lançamento 5 D – RCM ....................... 4.500
C – CMV ....................... 4.500
CMV / RCM Transferência do saldo CMV para apuração do Resultado Bruto
Vendas RCM C.M.V.
(4) 7.000 7.000 7.000 (4) (1) 1.500 2.000 (3)
(5) 4.500 (2) 5.000
2.500 6.500 2.000
4.500
4.500
Observe que ao final dos lançamentos, as únicas contas a ficaram com saldo são Estoque de Mercadorias
e RCM (com o mesmo resultado encontrado na apuração extra contábil).
se o saldo da conta RCM for devedor, a empresa obteve prejuízo em suas vendas;
se o saldo for credor, significa que a empresa obteve Lucro em suas vendas.
Para melhor refletir o resultado apurado, ele poderá ser transferido para uma conta
apropriada, que poderá ser Lucro sobre Vendas ou Prejuízo sobre Vendas.
No nosso exemplo, teríamos: D – RCM ................................................. 2.500,00
C - Lucros sobre Vendas ................................ 2.500,00
Lucro bruto apurado
Anotações ___________________________________________________________________________
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