Treinamento de segurança
na operação de caldeiras
Modulo 04
MODULO 4 – CALDEIRAS CONSIDERAÇÕES
GERAIS
• 4.1 - Tipos de caldeiras e suas utilizações
• 4.2 - Partes de uma caldeira
• 4.3 - Instrumentos e dispositivos de controle de caldeiras
Considerações gerais
De acordo com o Ministério do trabalho, através da norma regulamentadora (NR-13).
“Toda caldeira deve estar obrigatoriamente sob controle de operador qualificado”.
A função do operador de
caldeiras não se limita ao
cuidado do fogo. Ela é mais
abrangente, pois nas mãos
do operador está um
patrimônio valioso.
Definição
• De acordo com a NR13 - Caldeiras a vapor são equipamentos destinados a
produzir e acumular vapor sob pressão superior à atmosférica, utilizando
qualquer fonte de energia, projetados conforme códigos pertinentes.
• Caldeira é o nome popular dado aos equipamentos geradores de vapor, cuja
aplicação tem sido ampla no meio industrial e também na geração de energia
elétrica nas chamadas centrais termelétricas.
4.1 – Tipos de caldeiras e suas utilizações
• Caldeira Flamotubular ou Fogotubular
• Caldeira Aquatubular
• Caldeira Elétrica
• Caldeira Mista
4.2.1 – Partes de uma caldeira (Fogotubular)
Caldeira flamotubulares ou fogotubular
• São aquelas em que os gases provenientes da combustão (gases
quentes) circulam no interior dos tubos e a água a ser aquecida ou
vaporizada circula pelo lado de fora.
• As caldeiras flamotubulares ou fogotubulares são de pequeno porte,
na qual o combustível queimado em uma câmara apropriada de forma
cilíndrica reta ou curva, denominada de fornalha.
Caldeiras de Tubos verticais Caldeiras de tubos Horizontais
Vantagens
• Custo de aquisição mais baixo;
• Exigem pouca alvenaria;
• Atendem bem a aumentos
instantâneos de demanda de vapor.
Desvantagens
• Baixo rendimento térmico;
• Partida lenta devido ao grande volume de água;
• Limitação de pressão de operação (até 20 kgf/cm²);
• Baixa taxa de vaporização (kg vapor/m².h);
• Capacidade de produção limitada;
• Apresentam dificuldades para instalação de economizador,
superaquecedor e pré-aquecedor.
4.2.2 – Partes de uma caldeira (Aquotubular)
Caldeiras aquatubulares
• Com a evolução dos processos industriais, aumentou muito a necessidade
de caldeiras com maior rendimento, menos consumo, rápida geração e
grandes quantidades de vapor.
• Baseados nos princípios da transferência de calor e na experiência com os
tipos de caldeiras existentes, os fabricantes inverteram a forma de geração
de calor: Trocaram os tubos de fogo por tubos de água, o que aumentou
muito a superfície de aquecimento, surgindo a caldeira aquatubular.
A água presente no interior dos tubos absorve calor da combustão
dos gases que circulam do lado externo aos tubos dentro da caldeira.
Esta configuração de caldeira a vapor é muito utilizada em usinas
termoelétricas, devido à maior produção de vapor e maior pressão
de trabalho, resultando em maior rendimento na geração de energia,
além de oferecer um melhor controle operacional e alimentação de
combustível.
Tubulão de água inferior - É o elemento
de ligação dos tubos para possibilitar a
circulação de água na caldeira, tem
por função de acumular lama formada
pela reação dos produtos químicos
com a água da caldeira. A água que
sai deste elemento é encaminhada
para tratamento.
Tubulão de água superior - É um corpo cilíndrico contendo em seu
interior água e vapor formado pela troca térmica entre os gases da
combustão e a água em circulação na caldeira. Sua principal
função é separar a água do vapor (ambos saturados).
Produção de vapor
Neste tipo, a água é vaporizada nos tubos que constituem a parede
mais interna. Recebendo calor primeiro, vaporiza e sobe até o
tambor superior, dando lugar a nova quantidade de água fria que
será vaporizada, e assim sucessivamente.
A medida que a caldeira aquatubular aumenta sua capacidade,
aumentam também seu tamanho, a quantidade de tubos e, por
consequência, as perdas de cargas no circuito hidráulico, tornando
a circulação por meio de bombas necessária.
A produção de vapor pode atingir capacidades de 600 até 750 t/h
com pressões de 150 a 200 Kgf/cm², temperaturas de 450 a 500°C.
Vantagens
• Grandes pressões
• Grandes produções
• Rapidez de arranque
• Fácil adaptação a diferentes tipos de combustível
Desvantagens
• Grandes dimensões
• Sensíveis às variações bruscas de carga
• Grandes exigências na qualidade da água de alimentação
devido à elevada pressão de funcionamento
• Grandes complexidade de montagem
Parede d’água – Tubulação da caldeira
O resfriamento da fornalha é feito através
do fluxo de água que circula pelos tubos
que formam as paredes.
Comparação entre caldeira flamotubulares e
aquatubulares
As vantagens e desvantagens dos dois tipos de configuração
construtivas de caldeiras levam em consideração os seguintes
elementos:
Grau de combustão: representa a unidade de massa de
combustível queimado, por unidade de tempo e por unidade de
área da superfície da grelha.
Caldeiras aquatubulares permitem desenvolver graus de
combustão muito superiores aos obtidos nas flamotubulares pelo
fato de a fornalha não formar parte integral da caldeira.
Parâmetros comparativos Flamotubulares Aquatubulares
Taxa de geração de vapor Menor Maior
Resposta a variações de carga Maior Menor
Pressão de operação Limita a 25 Kgf/cm² Excede 225,65 Kgf/cm²
Necessidade de tratamento de água Menor Obrigatório
Facilidade de instalação Comprada pronta Construída no local
Complexidade de projeto Menor Maior
Habilidade necessária á operação Menor Maior
Concluindo
Pode-se estabelecer que as caldeiras do tipo aquatubular necessitam
para sua condução e manutenção, pessoal profissionalmente mais
experiente que para os mesmos serviços com caldeiras do tipo
flamotubular.
Caldeiras elétricas
A caldeira elétrica é constituída de um vaso de
pressão não sujeito a chama. Um sistema de
aquecimento elétrico e um sistema de água de
alimentação.
Em áreas onde á suprimento abundante de
energia elétrica, pode se analisar se é vantajosa
a instalação de equipamentos eletrotérmicos,
levando em consideração o custo da energia
elétrica fornecida pela concessionaria local.
Caldeiras elétricas
Vantagens
• Ausência de poluição no ambiente;
• Manutenção simples;
• A falta de água não provoca danos a caldeira;
• Área reduzida de instalação;
• Não necessita de área para estocagem de combustível;
• Melhor fator de carga elétrica instalada, e com isso reduz o preço
médio de KWh consumido na indústria.
Desvantagens
• A necessidade de equipar as instalações com comunicações
apropriadas
Combustíveis sólidos Caldeiras a gás
Queimadores Combustíveis líquidos
Combustíveis sólidos
• Resíduos industriais (Bagaço de cana , casca de cerais)
• Carvão mineral
• Lenha
Combustíveis sólidos
Gaveta de pré alimentação e esteira de alimentação
A quantidade de lenha que se coloca na gaveta e na esteira de alimentação,
determina a eficiência de queima .
Queimadores
Caldeiras a gás
Combustíveis líquidos
4.3 - Instrumentos e dispositivos de controle de caldeiras
• Dispositivo de alimentação
• Visor de nível
• Sistema de controle de nível
• Indicadores de pressão
• Dispositivos de segurança
• Dispositivos auxiliares
• Válvulas e tubulações
• Tiragem de fumaça
Dispositivo de alimentação
• Manter o nível de água para a
caldeira, atendendo a demanda de
vapor.
• Deve ter uma pressão superior à
pressão de trabalho da caldeira e
deve possuir válvulas de bloqueio e
de retenção, ( não confundir pressão
de trabalho com PMTP ou PMTA).
Visor de nível
Pode conter ou não um eletrodo de
condutividade, mas é essencialmente
um item de segurança para
verificação visual do operador de
caldeira quanto ao correto nível de
água na caldeira. É um ponto de
verificação também durante os
processos de partidas e paradas das
caldeiras de nível fixo.
Visor de nível
Valvula que contem uma segurança
contra vazamento não permitindo o
vazamento do tubulão.
Sistema de controle de nível
A medida que vapor é produzido, é necessário repor a água na caldeira.
O sinal para a reposição é dado por um “identificador” de nível, que
pode ser por eletrodos de condutividade ou por boia.
Indicadores de pressão
A maior pressão do vapor no
interior da caldeira deve ser
lida em manômetro calibrado
anualmente ou antes se
exigido por outros órgãos
públicos.
Dispositivos de segurança
NR13 - 13.4.1.3 As caldeiras devem ser dotadas dos seguintes itens:
• Válvula de segurança com pressão de abertura ajustada em valor igual ou
inferior a PMTA, considerados os requisitos do código de projeto relativos a
aberturas escalonadas e tolerâncias de calibração;
• Instrumento que indique a pressão do vapor acumulado;
• Injetor ou sistema de alimentação de água independente do principal que evite
o superaquecimento por alimentação deficiente, acima das temperaturas de
projeto, de caldeiras de combustível sólido não atomizado ou com queima em
suspensão;
• Sistema automático de controle do nível de água com Inter travamento que
evite o superaquecimento por alimentação deficiente
Válvula de segurança
São equipamentos de operação
automática, que tem a função de
descarregar para a atmosfera, parte
do vapor da caldeira quando esta
atingir uma pressão limite definida.
Devem ser capazes, em conjunto, de
descarregar em todo o vapor que ela
possa gerar, sem que a maior pressão
no seu interior ultrapasse o limite seguro
dado por: 1,06 x PMTA
Dispositivo de proteção por pressão
máxima (Pressostato)
Indicação da pressão de trabalho da
caldeira.
O termostato liga e desliga a fonte de
aquecimento (resistência elétrica,
solenoide com passagem de vapor).
O transmissor de temperatura modula
a fonte de aquecimento.
Sua função básica mantêm a pressão dentro de uma faixa admissível de operação
Injetor
Equipamento auxiliar para injeção de
água em casos de emergência.
Obrigatório em caldeiras que utilizam
combustíveis Sólidos.
Dispositivos auxiliares
• Economizador
• Pré - aquecedor de ar
• Soprador de fuligem
Economizador
Equipamento que efetua-se o aquecimento da água de
alimentação da caldeira aproveitando parte do valor dos gases
resultantes da combustão que pode ser instalado antes ou após o
pré-aquecedor de ar.
Objetivo com a elevação da temperatura na água há redução significativa de
consumo de combustível produzindo a mesma quantidade de vapor.
Pré-aquecedor de ar
O pré-aquecedor de ar é um equipamento (trocador de calor) que
eleva a temperatura do ar antes que este entre na fornalha. O calor
é cedido pelos gases residuais quentes ou pelo vapor da própria
caldeira. A instalação desses equipamentos oferece a vantagem
de melhorar a eficiência da caldeira pelo aumento da temperatura
de equilíbrio na câmara de combustão.
Soprador de fuligem
Os sopradores de fuligem permitem uma distribuição rotativa de
um jato de vapor no interior da caldeira e tem por finalidade, fazer
a remoção da fuligem e depósitos formados na superfície externa
da zona de convecção das caldeiras.
Soprador de fuligem
Tubulações
As tubulações ou sistemas de
tubulação devem possuir dispositivos
de segurança conforme os critérios do
código de projeto utilizado, ou em
atendimento às recomendações de
estudo de análises de cenários de
falhas.
As tubulações ou sistemas de
tubulação devem possuir indicador de
pressão de operação, conforme
definido no projeto de processo e
instrumentação.
Válvulas descarga de fundo
O processo contínuo de vaporização e
reposição de água implica na
formação e concentração de
impurezas.
Para se evitar a incrustação de
impurezas nas paredes dos
equipamentos, são comumente
adicionados produtos químicos à água
que modificam a natureza das
impurezas, dando origem a partículas
que se depositam no fundo da
caldeira sob a forma de lodo.
Tiragem de fumaça
Para haver combustão, é necessária uma corrente de ar
alimentando os queimadores, e ao mesmo tempo retirando os
gases da combustão. O fluxo desta corrente de ar é chamado de
tiragem.
A tiragem pode ser natural, forçada, induzida ou mista.
Tiragem natural - aquela em que a diferença de pressão gerada
pela diferença de densidade entre os gases quentes e ar frio na
entrada do forno provoca o escoamento natural dos gases de
combustão para a chaminé.
Tiragem forçada - a injeção de ar na fornalha com a ajuda de
ventiladores sopradores e o ventilador for colocado nos dutos de
ar para os maçaricos.
Tiragem induzida - ocorre quando o ventilador - exaustor succiona
os gases da combustão e os sopra para a chaminé. O ventilador
é colocado nos dutos de gases de combustão.