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Atestado e Laudo Médico: Requisitos Legais

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PARECER Nº 54/2017-SJ

INTERESSADA – A. P.– CRM/RO xxxx


ASSUNTO: Atestado Médico e Laudo Médico

EMENTA: O Atestado médico deve


cumprir todos os requisitos dados na
Resolução CFM 1851/2008, para
emissão de forma objetiva e clara acerca
da real necessidade do paciente para
suas atividades pessoais. Laudo Médico
- é aquele em que a natureza
da Perícia exige do especialista o diploma
de médico, devendo ser claro, mesmo a
leigos, procurando sempre explicar os
conceitos médicos emitidos, se houver
possibilidade de não entendimento.

DA CONSULTA

A médica supra citada, devidamente inscrita nesse CRM-


RO, por meio de petitório sob forma de requerimento
solicitou parecer referente a um documento manuscrito
denominado de laudo médico para análise se o mesmo tem
o condão para encaminhar paciente examinada para o INSS,
onde o mesmo denotou falta de requisitos cumulativos
conforme Resolução 1.851/2008 que o CFM prescreve.

DO PARECER

ATESTADO MÉDICO

Atestado médico trata-se de um documento de fé pública, no


qual é parte integrante do atendimento, portanto é direito do paciente solicitá-lo
possuindo função básica confirmar a veracidade de um ato médico realizado.

Para Souza Lima (1904)(1), criador do ensino prático da


medicina legal, o atestado ou certificado médico:
“é a afirmação simples, por escrito, de fato médico e
suas consequências”.
Concordam Croce e Croce Jr. (1995)(2):
“trata-se de documento indicativo de uma atestação,
no qual se afirmam fatos ou situações que têm uma
existência, uma obrigação”.

A responsabilidade pela emissão do atestado médico é de


profissional ativo devidamente habilitado e inscrito no CRM, que deve
confeccioná-lo em receituário próprio e sem rasuras, garantindo sua validade
legal, e com letra legível (ou digitado em computador), atendendo aos objetivos
ético e prático de ser entendido corretamente pelo paciente, bem como pela
pessoa e/ou a instituição a qual o documento se destina.

JUNTA MÉDICA OFICIAL

É composta por 02 ou mais médicos, geralmente 03,


investidos em função pericial, mediante designação formal.

A junta médica oficial poderá ser designada pela autoridade


administrativa do órgão a que estiver vinculada a pessoa a ser periciada, o que
ocorre na administração pública, ou pode ser nomeada por Juiz, quando
entender que o parecer médico-pericial subsidiará seu julgamento.

Outrossim, esse recurso pode ser utilizado para atender


diligencias do Ministério Público, entre outros de ocorrência menos frequente.

A junta médica oficial recebe missão específica, visando a


definir o nexo de causalidade objeto do julgamento, em nível judicial ou
administrativo.

A junta médica poderá recorrer a exames subsidiários,


pareceres de outros especialistas, informações contidas em prontuário médico,
sempre buscando melhor consistência em sua conclusão.

ATESTADOS MÉDICOS

O Conselho Federal de Medicina criou Resolução nº


1658/2002 e alterações na Resolução 1851/2008 normatizando a emissão de
atestados médicos, definindo procedimentos de acordo com o Código de Ética
Médica.
O art. 3º da Resolução CFM 1851/2008 estabelece o
seguinte:

Art. 3º Na elaboração do atestado médico, o médico


assistente observará os seguintes procedimentos:

I - especificar o tempo concedido de dispensa à


atividade, necessário para a recuperação do paciente;

II - estabelecer o diagnóstico, quando expressamente


autorizado pelo paciente;

III - registrar os dados de maneira legível;

IV - identificar-se como emissor, mediante assinatura


e carimbo ou número de registro no Conselho
Regional de Medicina.

Parágrafo único. Quando o atestado for solicitado


pelo paciente ou seu representante legal para fins de
perícia médica deverá observar:

I - o diagnóstico;

II - os resultados dos exames complementares;

III - a conduta terapêutica;

IV - o prognóstico;

V - as consequências à saúde do paciente;

VI - o provável tempo de repouso estimado


necessário para a sua recuperação, que
complementará o parecer fundamentado do médico
perito, a quem cabe legalmente a decisão do
benefício previdenciário, tais como: aposentadoria,
invalidez definitiva, readaptação;

VII - registrar os dados de maneira legível;

VIII - identificar-se como emissor, mediante


assinatura e carimbo ou número de registro no
Conselho Regional de Medicina.

De acordo com a legislação supracitada, o médico deve


cumprir todos os requisitos para emissão do atestado médico de forma objetiva
e clara acerca da real necessidade do paciente para suas atividades pessoais.

Observando que a Junta Médica oficial possui prerrogativa


de fiscalizar os atestados médicos, podendo requer do profissional médico
assistente que seja acrescentado informações acerca do excesso de
concessão de dias no Atestado Médico, caso a Junta Médica julgue
necessário.

ATESTADO MÉDICO PARA FIM DE PERÍCIA

Considerando que o Médico Assistente vivencia o dia-a-dia


do paciente, faz o atendimento, a avaliação, o diagnóstico e o tratamento do
assistido, deverá prestar as informações necessárias para complementar o
exame pericial, uma vez que no Atestado Médico emitido para fins de exame
pericial deverá constar, o diagnóstico da doença, sua evolução, sua duração,
as condutas e respostas terapêuticas, os exames comprobatórios e, se
possível, o prognóstico e deve sugerir, inclusive o tempo estimado de
afastamento do trabalho para a recuperação do seu paciente.

ATESTADO MÉDICO SEM FIM DE PERÍCIA MÉDICA

Este não obriga o médico assistente a consignar relatórios e


demais exames em anexo no atestado médico, salvo se a junta médica
entender necessário acrescentar demais informações para subsidiar sua
decisão.
LAUDO MÉDICO

Segundo a Professora Maria Helena Diniz, em seu


Dicionário Jurídico, Laudo em Direito Processual é o parecer escrito de árbitro
ou perito, expondo a perícia realizada, respondendo aos quesitos propostos
pelo magistrado ou pelos interessados e consignando o resultado de um
exame pericial. Laudo Judicial é o parecer escrito e fundamentado do perito
sobre a matéria submetida à sua apreciação, contendo exposição das objeções
e ocorrências da diligência, respondendo aos quesitos formulados e
apresentando suas conclusões.

A estrutura padrão do laudo consiste em: Preâmbulo,


quesitos, histórico, descrição, discussão, conclusão e resposta aos quesitos.
Deve ser claro, mesmo a leigos, procurando sempre explicar os conceitos
médicos emitidos, se houver possibilidade de não entendimento. É sempre
parecer escrito de árbitro ou perito em toda a perícia realizada. É um relatório
de quadro clínico e sua evolução. Deve haver uma descrição de todos os sinais
e sintomas, os resultados dos exames realizados, o tratamento adotado, a
evolução apresentada e esperada pelo paciente.

O médico é o profissional habilitado para emissão de


Laudo que nesse caso o autor é o Perito Médico. O Laudo pode ser
requerido ou determinado por autoridade ou mesmo solicitado por alguém que
se declare interessado no assunto, uma contratação particular. A lei prevê que
as perícias médico-legais, no final, respondam com clareza alguns quesitos
que muito facilitam a sistemática das perícias, dando substancial objetividade
às respostas às indagações feitas. Note-se que, de acordo com a natureza do
problema em pauta, o Perito Médico deve ser especificamente qualificado.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, o entendimento do jurídico deste


Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia, é que: o laudo,
caracteriza-se por sua formalidade e explica sobre o estado de saúde de uma
pessoa, é um documento oficial emitido por uma clínica ou hospital e assinado
por um corpo médico responsável, informando o estado de saúde de um
paciente.

Já o atestado ou certificado médico é a afirmação simples,


por escrito, de fato médico e suas consequências, que observando o parágrafo
único do art. 3.º da Resolução 1851/2008 que: quando o atestado for solicitado
pelo paciente ou seu representante legal para fins de perícia médica este
deverá observar: o diagnóstico, os resultados dos exames complementares, a
conduta terapêutica, o prognóstico; as consequências à saúde do paciente; o
provável tempo de repouso estimado necessário para sua recuperação, que
complementará o parecer fundamentado do médico perito a quem cabe
legalmente a decisão do benefício previdenciário, tais como: aposentadoria,
invalidez definitiva, readaptação; registrar os dados de maneira legível;
identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo ou número de
registro no Conselho Regional de Medicina.
Desse modo, o parágrafo único da referida Resolução é que
mostra os procedimentos para elaboração do Laudo Médico. Portanto o
documento em anexo na pergunta da consulente a respeito da análise do
suposto laudo médico, conclui-se que o mesmo não está dentro dos
parâmetros legais descritos conforme orientação da supracitada Resolução.

É o parecer, salvo melhor juízo.

Porto Velho (RO), 18 de julho de 2017.

Felipe Godinho Crevelaro Marcos A. do N. de S. Sobrinho


Assessor Jurídico Assessor Jurídico

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