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Resumo - Documentos Médico-Legais

O documento resume os principais tipos de documentos médico-legais que podem interessar à justiça, como notificações, atestados, prontuários e relatórios. Detalha o que cada um é, sua finalidade e como deve ser preenchido de acordo com os padrões legais.

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Gustavo Catarina
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Resumo - Documentos Médico-Legais

O documento resume os principais tipos de documentos médico-legais que podem interessar à justiça, como notificações, atestados, prontuários e relatórios. Detalha o que cada um é, sua finalidade e como deve ser preenchido de acordo com os padrões legais.

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MedUni - Resumos

Resumo feito pela sua amiga MedUniversitária @leticiayabushita

DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS
Resumo do Capítulo 2 – França 11ª edição

• Documento é toda anotação escrita que tem como finalidade reproduzir e representar uma manifestação
de pensamento. Na medicina legal documentos podem ser provas, sendo expressões gráficas, públicas ou
privadas, que representem um fato a ser avaliado.
• Documentos que podem interessar à Justiça:
o Notificações
o Atestados
o Prontuários
o Relatórios
o Pareceres
o Depoimentos orais (não escritos)

Notificações
• Definição: Comunicações compulsórias, feitas pelo médico às autoridades competentes, a respeito de um
fato profissional.
o Compulsório = obrigatório.
• Exemplos: notificação de acidente de trabalho, doenças infectocontagiosas, crimes de ação pública (não
expondo o cliente a um procedimento criminal), morte encefálica.
• O médico que se omite a notificar pode ser punido conforme o Art. 269 do Código Penal (“Deixar o médico
de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória: pena – detenção, de seis meses a
dois anos, e multa”).

Atestados
• Definição: Atestado é o documento que firma a veracidade de um fato ou a existência de determinado
estado, ocorrência ou obrigação. É uma declaração por escrito de um fato médico e suas possíveis
consequências – resumindo de forma objetiva o que resultou do exame feito em um paciente, sua doença
ou sua sanidade, e as consequências mais imediatas. Geralmente é emitido a pedido do paciente ou de seus
responsáveis legais.
• Objetivo: Sugerir um estado de sanidade ou doença, anterior ou atual, para fins de licença, dispensa ou
justificativa de faltas ao serviço/escola, etc.
• Pode ser fornecido por qualquer médico que esteja no exercício regular de sua profissão (inscrito no
Conselho Regional de Medicina competente). É emitido em papel timbrado ou em formulários
recomendados pela instituição em que o médico trabalha.
• Formato do atestado: não é definido oficialmente, mas deve conter as seguintes partes:
o Cabeçalho – contendo qualificação do médico e do interessado;
o Finalidade a que se destina;
o Fato médico quando solicitado pelo paciente ou familiares;
o Consequências do fato médico (tempo de repouso, afastamento);
o Local, data, assinatura e carimbo com nome, CGC e CRM.
• O atestado carrega uma “certeza de sua veracidade”, com conteúdo de fé pública e pressuposto da verdade
e exatidão – ou seja, o que está escrito no atestado é tido como verdadeiro. Isso desperta atenção e
interesse.
• Tipos de atestado, quanto à procedência ou finalidade:
o Administrativo – quando serve ao interesse do serviço ou servidor público;
o Judiciário – quando solicitado por administração da justiça;
o Oficioso – quando no interesse da pessoa física ou jurídica, em situações menos formais – justificar
faltas, dispensar aluno da aula de Educação Física, etc.
• Deve colocar o diagnóstico no atestado? É controverso, pois ao mesmo tempo que colocar o diagnóstico
mostra uma quebra de sigilo médico, outros acham desnecessário guardar segredo (especialmente quando
a autoridade administrativa exige o diagnóstico, para observar a relação entre os dias perdidos e a
gravidade da doença, por exemplo). O que se recomenda é evitar colocar o diagnóstico, a não ser quando o
Código de Ética Médica permite – que é em justa causa, dever legal, a pedido do paciente ou de seus
representantes legais.
o Assim, coloca-se o diagnóstico (ou CID) nas hipóteses referidas no artigo 73 do CEM – justa causa,
dever legal ou permissão do paciente/responsáveis.
• Atestado é diferente de declaração!
o Atestado prova ou reprova alguma coisa.
o Declaração é apenas um relato de testemunho – declaração que acompanhou ou foi cuadjuvante no
tratamento. Tem também valor probante.
• Punição para falsidade de atestado médico pelo profissional da saúde -
• Classificação do atestado médico conforme conteúdo (segundo Hermes Rodrigues de Alcântara, na obra
“Deontologia e diceologia – normas éticas e legais para o exercício da medicina”)
Idôneo Aquele que diz a verdade, que o médico examinou e concluiu aquela situação de saúde ou doença.
Gracioso “de favor”, é o atestado obtido pra ter vantagens – agradar o paciente, ampliar clientela, simpatia,
etc. É contra o CEM.
Imprudente Dado de maneira inconsequente, intempestiva, quase sempre a favor de terceiros (sem examinar o
paciente, por exemplo)
Falso Dado quando se sabe de seu uso indevido e criminoso, tendo caráter doloso. Ocorre quando é dado
em situação de amizade ou parentesco. Pode ser falso por vários motivos: emitido por médico na
ausência de enfermidade, emitida por alguém que não é médico (ou seja, não está habilitado
profissional ou legalmente para tal)
Piedoso É um tipo de atestado falso, que é dado a pedido de um familiar, atestando uma doença menos
grave do que o paciente realmente tem (a pedido de familiar). Por exemplo, o paciente tem câncer,
mas a família não quer que ele saiba, então pede para o médico atestar alguma outra doença mais
benigna.
• O atestado tem limites, pois não é somente com o atestado que se comprova uma entidade mórbida. O
atestado médico serve como um “início de informação em arguição de direitos”. Para comprovar o
diagnóstico, muitas vezes é solicitado um laudo ou relatório detalhado, com descrição fundamentada em
elementos fisiopatológicos e resultados laboratoriais. Com isso, confirma-se o diagnóstico e permite
avaliação da evolução, observação de resultados terapêuticos e prognóstico.
o Nem sempre pode se considerar um atestado como elemento probante, técnico e científico, sem
que haja uma descrição detalhada das estruturas comprometidas, causas e nexos causais. Assim,
dependendo da situação, o juiz solicitará um laudo médico/pericial detalhado, que não pode ser
substituído por um atestado médico, sob pena de nulidade do processo. O laudo médico ou pericial
é o instrumento mais valorizado nas questões de maior complexidade na área médica, pois o
atestado acaba não alcançando todas as particularidades importantes nesses casos.
• Trecho do livro:

Prontuários
• Definição: o prontuário médico é não somente o registro da anamnese do paciente, mas de todo o acervo
padronizado, organizado e conciso, a respeito dos cuidados médicos prestados aos pacientes e os
documentos pertinentes a essa assistência (exames, por ex.). É um documento criado para interesse
médico, mas que tem importantes efeitos jurídicos.
• Contém:
o Exame clínico do paciente
o Fichas de ocorrências e prescrições terapêuticas
o Relatórios de enfermagem, anestesia e cirurgia
o Ficha de registro do resultado de exames complementares
o Cópia de solicitações e resultados de exames complementares
• Finalidade: análise da evolução da doença, fins estatísticos, e também como defesa do profissional (caso
este seja responsabilizado por algum resultado atípico ou indesejado).
• A quem pertence o prontuário? É de propriedade do paciente a disponibilidade permanente das
informações que possam ser objeto de sua necessidade, em ordem pública ou privada, mesmo que seja o
médico o autor intelectual do prontuário. A única coisa que o médico e a instituição tem é o direito de
guarda do prontuário.
• Quem mais pode ter acesso ao prontuário? Além do paciente e do médico, não há obrigação nem proibição
(do ponto de vista de dispositivos éticos e jurídicos) para que uma instituição de saúde forneça o
prontuário original a alguém (pela ideia de que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude da lei”). Apenas ao perito cabe o direito de consultar prontuários, sendo obrigado
ao sigilo pericial e segredo profissional.
• Importante → deve-se sempre pensar que o prontuário tem valor probante em caso de complicações
técnicas, éticas ou jurídicas. Não deve ser tratado apenas como uma peça burocrática,mas sim como um
elemento muito importante.

Relatórios
• Definição: é a descrição mais minuciosa de uma perícia médica, a fim de responder à solicitação de uma
autoridade policial ou judiciária frente a um inquérito (perícia percipiendi).
• Pode ser de dois tipos
o Laudo – quando o relatório é feito pelos peritos após a investigação, contando com ajuda de outros
recursos ou consulta a tratados especializados.
o Auto – quando o exame é ditado diretamente a um escrivão, diante de testemunhas.
• Partes do relatório
o Preâmbulo – hora, data e local em que o exame é feito, nome da autoridade que requereu e a que
determinou a perícia. Nome, título e residências dos peritos. Qualificação do examinado.
o Quesitos – Existem quesitos oficiais (já pré-estabelecidos e padronizados) e quesitos acessórios
(livremente formulados pelo juiz e partes).
o Histórico – registro dos fatos mais significativos que motivam o pedido da perícia, ou que possam
esclarecer e orientar a ação do perito. É creditada ao periciado (ou seja, o perito não tem
responsabilidade por esse conteúdo, podendo ouvir testemunhas e recorrer a outras fontes de
informação para elaborá-lo). É importante pois consta informações sobre crimodinâmica
(condições da violência, posição e distância do agressor, tempo de ofensa, local da violência,
condições anteriores da vítima outras circunstâncias). Cuidado com informações falsas aqui – a
vítima ou o periciando podem fornecer informações falsas, então algumas autoridades dispensam
que sejam transcritas essas informações. A recomendação é que o histórico do laudo constem
informações consideradas importantes, de forma simples e objetiva, sem comprometimento com a
sua veracidade e sem a preocupação de agradar ou desagradar a quem quer que seja, aoturidade ou
não.
o Descrição – parte mais importante do relatório médico-legal. Deve-se expor as particularidades da
lesão, não apenas citando-a nominalmente (“ferida de corte”, “ferida contusa”, “queimadura”), mas
sim com descrição minuciosa e objetiva, sem levantar hipóteses. Deve constar, sobre a lesão: forma,
número, idade, situação, extensão, largura, disposição e profundidade. Deve constar também a
distância entre a lesão e os pontos anatômicos mais próximos e, se possível, anexo de esquemas ou
fotografias (não é recomendado uso de fotografias que identifiquem as vítimas ou a exponham em
constrangimento ou violação de privacidade, especialmente em crianças e adolescentes e em
crimes sexuais). OBS: nessa parte não se respondem a quesitos ou formular hipóteses, isso é feito
mais adiante no documento.
o Discussão – análise das hipóteses, afastando-se do pessoal e buscando citar autoridades
recomendadas no assunto. As hipóteses devem partir de diagnóstico a partir de justificativas e
embasadas na avaliação que foi feita.
o Conclusão – síntese do diagnóstico, deduzida pela descrição e discussão. É a análise daquilo que os
peritos concluíram após exame minucioso.
o Respostas aos quesitos – ao fim do relatório, respondem a todos os quesitos. Nem sempre o perito
poderá concluir com “sim” ou “não”, por não terem certeza, então podem responder “sem
elementos de convicção”. Podem responder também “pode resultar” ou “aguardar a evolução”.
Mesmo nas respostas de “sim” ou “não”, deve ser colocada a justificativa, citando quais elementos
anatômicos ou resultados laboratoriais se embasou pra fazer essas afirmativas.

Exemplos de laudo (Referência: França 11ª edição)


Exemplos de quesitos (Referência: Caderno de quesitos oficiais. Sistematização dos quesitos referente às perícias
realizadas pela POLITEC – Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado de Mato Grosso, 1ª edição, Cuiabá,
2011).
Pareceres
• Definição: Quando um perito é chamado para intervir em ação em andamento, nem sempre precisa
entrevistar o examinado ou realizar um exame, mas sim somente avaliar as peças do processo e oferecer
seu parecer. Nessa situação, quando um médico somente emite suas impressões e responde a quesitos
formulados pelas partes (perícia deducente) é a emissão de um parecer. O parecer médico-legal pode
apresentar as convicções científicas e até doutrinárias do perito – não se limita à análise objetiva e
descritiva do exame físico da vítima, mas sim participa ativamente de forma contemplativa, doutrinária e
teórica, ajudando a inspirar soluções.
• É pedido quando há dúvidas levantadas ao longo do processo, quando as partes se contradizem, sendo
assim necessário um parecer de uma autoridade respeitada, capaz de ajudar o julgador em sua decisão.
• Para emitir um parecer, o perito deve ter uma educação médico-legal ampla e aprimorada, conhecimentos
de legislação, redação de documentos forenses e familiaridade processual.
• Estrutura: basicamente todas as partes do relatório, exceto descrição. As partes mais importantes são
discussão e conclusão.

Depoimento oral
• Quando convocado pelo juiz, o perito pode dar um esclarecimento oral sobre pontos duvidosos nas perícias
realizadas por ele ou por outro perito.

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Resumo do Cap
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Deve colocar o diagnóstico no atestado? É controverso, pois ao mesmo tempo que colocar o diagnóstico 
mostra uma quebra
é o instrumento mais valorizado nas questões de maior complexidade na área médica, pois o 
atestado acaba não alcançando toda
o Descrição – parte mais importante do relatório médico-legal. Deve-se expor as particularidades da 
lesão, não apenas citand
Exemplos de quesitos (Referência: Caderno de quesitos oficiais. Sistematização dos quesitos referente às perícias 
real
Pareceres 
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Definição: Quando um perito é chamado para intervir em ação em andamento, nem sempre precisa 
entrevistar
• 
Quando convocado pelo juiz, o perito pode dar um esclarecimento oral sobre pontos duvidosos nas perícias 
realizadas por e

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