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CADERNO
DE DIRETO
MATERIAL
EXAME 39
2ª FASE DE CONSTITUCIONAL
@profanablazute
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Sumário
1.PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ................................................................................2
2.PROCESSO LEGISLATIVO ...........................................................................................5
3.ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO DO ESTADO .................................. 17
4. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ............................................................ 40
5. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: AGENTES PÚBLICOS E 8.112/90 ............................ 62
6. NACIONALIDADE ....................................................................................................... 70
7.DOS DIREITOS POLÍTICOS ....................................................................................... 73
8. DA ORDEM SOCIAL ................................................................................................... 88
9.PODER EXECUTIVO ................................................................................................. 125
10. PODER JUDICIÁRIO .............................................................................................. 139
11. PODER LEGISLATIVO ........................................................................................... 142
12. TEORIA DA CONSTITUIÇÃO................................................................................. 150
13.JULGADOS IMPORTANTES ................................................................................... 154
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1.PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
1) ART 1º,III - DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA –
2) ART 2º - SEPARAÇÃO DOS PODERES –
3) ART 4º A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL REGE-SE NAS SUAS
RELAÇÕES INTERNACIONAIS PELOS SEGUINTES PRINCÍPIOS:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
4) ART 5º CAPUT, Art.19,III CF – Igualdade.
5) ART 5,II E ART. 37 - LEGALIDADE –
6) ART. 5º XXIII – PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
A propriedade atenderá a sua função social;
7) ART 5 XXXV INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO
Art. 5º XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário, lesão ou
ameaça a direito;
8) ART 5º XXXIX - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E PRINCÍPIO DA
ANTERIORIDADE:
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal;
9) ART 5º LIII + XXXVII – JUIZ NATURAL
LIII - Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
10) Art. 5º XL - RETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS BENÉFICA
- a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
11) Art. 5º XLV – PRINCÍPIO DA INTRANSCEDÊNCIA DA PENA
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei,
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido
12) ART 5º LIV - DEVIDO PROCESSO LEGAL
Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
13) ART 5º LV – AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO
Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
14) ART 5º LVII – PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença
penal condenatória;
15) ART 5ºLXXVIII – CELERIDADE E RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO
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A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do
processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
16) ART. 16 – ANTERIORIDADE OU ANUALIDADE ELEITORAL
A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,
não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
17) ART.34 VII PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS: - assegurar a
observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento
do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
18) Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
e, também, ao seguinte:
19) PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA (ART.150, III, ―B‖)
20) Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na
livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames
da justiça social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob
as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995)
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21) LEI 9.784/99
TABELA DOS PRINCÍPIOS PREVISTOS NA LEI 9.784/99
Princípios Teor - Art 2º Lei 9.784/99
Legalidade Atuação conforme a lei e o Direito;
Finalidade Atendimento a fins de interesse
geral, vedada a renúncia total ou
parcial de poderes ou competências,
salvo autorização em lei;
Impessoalidade Objetividade no atendimento do
interesse público, vedada a
promoção pessoal de agentes ou
autoridades;
Moralidade Atuação segundo padrões éticos
de probidade, decoro e boa-fé;
Publicidade Divulgação oficial dos atos
administrativos, ressalvadas as
hipóteses de sigilo previstas na
Constituição;
Proporcionalidade Adequação entre meios e fins,
vedada a imposição de obrigações,
restrições e sanções em medida
superior àquelas
estritamente necessárias ao
atendimento do interesse público;
Motivação Indicação dos pressupostos de fato e
de direito que determinarem a
decisão;
Contraditório e ampla defesa Garantia dos direitos à comunicação,
à apresentação de alegações finais,
à produção de provas e à
interposição de recursos, nos
processos de que possam resultar
sanções e nas situações de litígio;
Segurança jurídica Interpretação da norma
administrativa da forma que melhor
garanta o atendimento do fim público
a que se dirige, vedada aplicação
retroativa de nova interpretação.
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2.PROCESSO LEGISLATIVO
Leitura da CF: ART. 59 AO 69
DO PROCESSO LEGISLATIVO
SUBSEÇÃO I
DISPOSIÇÃO GERAL
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração
e consolidação das leis.
Princípio da Simetria - Os Estados, Distrito Federal e Municípios devem seguir o
mesmo regramento da CRFB/88.
SUBSEÇÃO II
DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO
Legitimados para a propositura da PEC:
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus
membros.
É possível que uma Emenda à Constituição proposta por iniciativa
parlamentar trate de matérias reservadas à iniciativa do Presidente da
República?
Sim. O STF permite que qualquer dos legitimados do art.60 possam propor
Emendas à Constituição, ainda que se trate de assuntos de iniciativa privativa.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção
federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
Obs: Trata-se de uma limitação do poder de reforma CIRCUNSTANCIAL.
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Quórum:
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três
quintos dos votos dos respectivos membros.
Julgados - É inconstitucional norma de Constituição estadual que preveja
quórum diverso de 3/5 dos membros do Poder Legislativo para aprovação de
emendas constitucionais
A Constituição do Estado de Rondônia estabeleceu que, para a aprovação de
emendas à Constituição estadual seria necessário o voto de 2/3 dos Deputados
Estaduais.
Ocorre que a Constituição Federal diz que, para uma emenda alterar seu texto, é
necessário o voto de 3/5 dos Deputados Federais e Senadores (art. 60, § 2º).
Logo, a CE/RO não seguiu o modelo previsto na Constituição Federal.
As regras básicas do processo legislativo previstas na Constituição Federal são de
observância obrigatória pelos Estados-membros por força do princípio da simetria
(art. 25 da CF/88 c/c o art. 11 do ADCT).
STF. Plenário. ADI 6453/RO, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/2/2022 (Info
1043).1
Promulgação
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
Cláusulas pétreas
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
Obs: O voto obrigatório NÃO, NÃO, NÃO é cláusula pétrea!
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional norma de Constituição estadual que
preveja quórum diverso de 3/5 dos membros do Poder Legislativo para aprovação de emendas
constitucionais. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c56030557e55275663bd45b48c
d0223e>. Acesso em: 06/07/2022
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§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por
prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
DAS LEIS
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer
membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do
Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos
Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e
nos casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e
autárquica ou aumento de sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária,
serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento
de cargos, estabilidade e aposentadoria; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como
normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública,
observado o disposto no art. 84, VI; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos,
promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a
reserva. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
É possível emendas parlamentares a projeto de lei de iniciativa privativa, por
exemplo, do Presidente da República?
É possível, mas deve atender alguns requisitos:
a) Deve haver pertinência temática (Caso não haja, acarretará no chamado
―contrabando legislativo‖).
b) Não pode aumentar as despesas, salvo as emendas à lei orçamentária anual e à
lei de diretrizes orçamentárias.
* Cuidado: A CF veda a aprovação de emendas a projeto de lei de diretrizes
orçamentárias incompatíveis com o plano plurianual.
Caso hipotético!!!
O Presidente da República possui a iniciativa para deflagar o processo legislativo
nos casos previstos no art 61§1º da CRFB. Caso a iniciativa seja de outra pessoa, e
o Presidente da República posteriormente sancione o Projeto de lei, essa nova lei
será constitucional? Ou seja, a sanção do presidente supre o vício de iniciativa?
A sanção do Presidente não supre o vício de iniciativa.
(A súmula 5 do STF foi cancelada)
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Veja a questão cobrada pela VUNESP - 2019 - TJ-RO - Juiz de Direito Substituto:
Considere a seguinte situação: um Deputado Federal apresentou um projeto de lei
modificando o efetivo das Forças Armadas. Após a devida tramitação perante as
Comissões da respectiva Casa e sua aprovação, o projeto foi encaminhado ao
Senado Federal, que confirmou a sua aprovação. O projeto de lei foi encaminhado
ao Presidente da República que o sancionou imediatamente e, posteriormente,
publicou-o no Diário Oficial. Nesse caso, a partir da previsão constitucional sobre o
processo legislativo, é correto afirmar que a lei é:
Resposta:
Inconstitucional sob o prisma formal, por vício de iniciativa, uma vez que a
competência para iniciativa de projetos de lei tratando sobre o tema apresentado é
exclusiva do Presidente da República, de modo que a sanção posterior não
convalida o vício indicado.
Outra questão no mesmo sentido:
Prova: VUNESP - 2019 - Câmara de Piracicaba - SP – Advogado
Um Senador propôs projeto de Lei que cria cargos e empregos públicos em uma
autarquia federal, sendo o projeto votado e aprovado regularmente em ambas as
Casas Legislativas, indo, então, ao Presidente da República para sanção ou veto.
Considerando essa hipótese à luz da Constituição Federal, é correto afirmar que o
Presidente
Resposta:
Terá o prazo de 15 dias úteis para sanção ou veto, contados do recebimento do
projeto, mas, ainda que concorde com o seu conteúdo, deverá vetar o projeto de lei
por inconstitucionalidade formal.
Julgado:
Embora possível a apresentação de emendas parlamentares a projetos de iniciativa
privativa do chefe do Poder Executivo, são inconstitucionais os atos normativos
resultantes de alterações que promovem aumento de despesa (art. 63, I, CF/88),
bem como que não guardem estrita pertinência com o objeto da proposta original,
ainda que digam respeito à mesma matéria.
STF. Plenário. ADI 6091/RR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/05/2023 (Info
1096).
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos
Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do
eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos
de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
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Art. 27.§ 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.
Art. 29 XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do
Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco
por cento do eleitorado;
MEDIDA PROVISÓRIA
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá
adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao
Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
I - relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito
eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia
de seus membros; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos
adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
Art 167 – É possível Medida Provisória para a abertura de Crédito Extraordinário.
§ 3º A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a
despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção
interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62.
II - que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer
outro ativo financeiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
III - reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente
de sanção ou veto do Presidente da República. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto
os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que
foi editada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão
eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias,
prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso
Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas
decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
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§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida
provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso
Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito
das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus
pressupostos constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias
contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em
cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a
votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver
tramitando. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida
provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua
votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos
Deputados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as
medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em
sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso
Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória
que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de
prazo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias
após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas
constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-
se-ão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida
provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou
vetado o projeto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
Aprofundando
a)É possível que o Judiciário examine o mérito dos requisitos ―relevância e
urgência‖?
Segundo o STF: Sim, mas apenas em casos excepcionais, quando for evidente a
ausência desses pressupostos.
b) Efeito repristinatório na Medida Provisória é possível?
Sim, pois quando uma medida provisória é editada, suspende a eficácia da norma
anterior que for contrária. Caso a Medida Provisória não seja convertida em lei, ou
perca a eficácia por decurso do tempo, será restaurada a eficácia da norma
suspensa.
c) O que é ―contrabando legislativo‖?
O STF na ADI 5127 decidiu que o Congresso Nacional não pode incluir nas
medidas provisórias editadas pelo executivo, emendas parlamentares que não
possuam pertinência temática com o texto original.
d) Veja esse caso cobrado na 2º fase do Exame da Ordem – Constitucional -
para entender a ADI 1005.
Veja a Questão: O Partido Político Alfa, com representação no Congresso
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Nacional, ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade impugnando a
Medida Provisória nº 123/2017, a qual, no seu entender, seria dissonante da
Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988. No curso do
processo objetivo, a referida Medida Provisória foi convertida na Lei Federal
nº 211/2018.
À luz dessa narrativa, responda aos questionamentos a seguir.
A) Com a conversão da Medida Provisória nº 123/2017 na Lei Federal nº
211/2018, que medida deve ser adotada pelo autor para o
prosseguimento do processo de controle concentrado de
constitucionalidade?
Resposta:
O autor deve promover o aditamento da petição inicial, de modo que se estenda
à lei de conversão a impugnação originariamente deduzida. Entendimento
consolidado do Supremo Tribunal Federal.
B) Se a Medida Provisória nº 123/2017 tivesse, antes da conversão, sido
integralmente revogada por lei superveniente, qual seria a consequência
para o processo de controle concentrado de constitucionalidade?
Resposta:
A revogação da Medida Provisória nº 123/2017 acarretaria a perda
superveniente do interesse processual, com a consequente perda de objeto da
Ação Direta de Inconstitucionalidade. A não ser assim, o processo objetivo se
transformaria em instrumento de proteção de situações concretas. Entendimento
consolidado do Supremo Tribunal Federal.
Resumo: A conversão da medida provisória em lei não lhe confere
imunidade, nem convalida seus vícios.
Se houver alteração substancial do conteúdo ora impugnado, a ADI ficará
prejudicada.
Se Não houver conversão sem alteração do ponto que está sendo
questionado – Deve aditar a inicial.
Obs: O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida
provisória quando a emenda estiver associada ao tema e à finalidade original da
medida provisória.STF. Plenário. ADI 6928/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
22/11/2021 (Info 1038).2
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o
disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.
2
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão
de medida provisória quando a emenda estiver associada ao tema e à finalidade origina l da medida
provisória. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/80a9efd37c62cbdee2351192983a43d
6>. Acesso em: 06/07/2022
11
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LEIS
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da
República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na
Câmara dos Deputados.
Procedimento sumário
§ 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de
projetos de sua iniciativa.
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se
manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco
dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa,
com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a
votação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados
far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo
anterior.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso
Nacional, nem se aplicam aos projetos de código.
Sobre o Procedimento Sumário:
O que difere do ordinário é o PRAZO.
É de iniciativa do Presidente da República (urgência).
Cada casa terá o prazo de 45 dias para apreciar o projeto de lei.
Obs: não corre durante o período de recesso parlamentar, nem se
aplica a projetos de código (art 64§4 CF).
Findo o prazo estabelecido, o projeto deverá ser incluído na ordem do dia,
sobrestando-se as demais deliberações legislativas, salvo se também tiverem
prazo constitucionalmente determinado. ( Art 64§2º CF)
Se o Senado ( casa revisora) emendar a Câmara dos Deputados terá 10 dias
para apreciá-la.
12
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qualquer tipo de repasse.
Procedimento Ordinário
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só
turno de discussão e votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora
o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.
E se a Emenda da casa revisora for apenas redacional?
Quando não importar em mudança substancial, não há necessidade de retorno à
Casa iniciadora.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao
Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte,
inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no
prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de
quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser exercido
após o decurso do prazo constitucional de 15 dias.
A prerrogativa do poder de veto presidencial somente pode ser exercida dentro do
prazo expressamente previsto na Constituição, não se admitindo exercê-la após a
sua expiração.
No caso concreto, apenas no dia imediatamente seguinte à expiração do prazo (16º
dia), a Presidência da República providenciou a publicação de edição extra do Diário
Oficial da União para a divulgação de novo texto legal com a aposição adicional de
veto a dispositivo que havia sido sancionado anteriormente.
Esse tipo de procedimento não se coaduna com a Constituição Federal, de modo
que, ultrapassado o período do art. 66, § 1º, da CF/88, o texto do projeto de lei é,
necessariamente, sancionado (art. 66, § 3º) e o poder de veto não pode mais ser
exercido. Portanto, a manutenção de veto extemporâneo na forma do art. 66, § 4º,
da CF/88 não retira a sua inconstitucionalidade, pois o ato apreciado pelo Congresso
Nacional sequer poderia ter sido praticado. Nessa hipótese, caso o Legislativo
deseje encerrar a vigência de dispositivo legal por ele aprovado, deve retirá-lo da
ordem jurídica por meio da sua revogação.
STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min.
Roberto Barroso, julgado em 20/6/2022 (Info 1059).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser
exercido após o decurso do prazo constitucional de 15 dias . Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a952ddeda0b7e2c20744e52e728e5594>. Acesso
em: 26/02/2023
Como se chama o veto, quando o Presidente considera o projeto inconstitucional? E
quando considera contrário ao interesse público?
Veto por considerar inconstitucional – Veto jurídico
Veto por considerar contrário ao interesse público – Veto político
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qualquer tipo de repasse.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo,
de inciso ou de alínea.
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República
importará sanção.
É a chamada sanção tácita!
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de
seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos
Deputados e Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de
2013)
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao
Presidente da República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado
na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua
votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente
da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se
este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.
Não é possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e publicada para
incluir novos vetos, ainda que sob o argumento de que se trata de mera
retificação da versão original.3
Não se admite ―novo veto‖ em lei já promulgada e publicada.
Manifestada a aquiescência do Poder Executivo com projeto de lei, pela aposição de
sanção, evidencia-se a ocorrência de preclusão entre as etapas do processo
legislativo, sendo incabível eventual retratação.
STF. Plenário. ADPF 714/DF, ADPF 715/DF e ADPF 718/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 13/2/2021 (Info 1005).
Doutrina:
―(...) a sanção, uma vez dada, escapa ao controle do outorgante, para integrar o ato
complexo – a lei –, como um todo, passando, em consequência, a ser elemento da
lei, que não pode ser retirado ou revogado, senão com a revogação da lei. É
irretratável.‖ (SILVA, José Afonso da. Processo Constitucional de Formação das Leis.
2ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 214-215)
―O veto é irretratável. Uma vez manifestado, e comunicadas as razões ao Legislativo,
torna-se o veto insuscetível de retratação‖. (MELLO FILHO, José Celso
de. Constituição Federal Anotada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1986, p. 224
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá
constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante
proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Congresso Nacional.
3
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não é possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e
publicada para incluir novos vetos, ainda que sob o argumento de que se trata de mera retificação da
versão original. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1963bd5135521d623f6c29e6b117497
5>. Acesso em: 06/07/2022
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LEIS DELEGADAS
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que
deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do
Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia
de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do
Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional,
este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.
LEI COMPLEMENTAR
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.
1)A lei complementar é aprovada por qual quórum? A lei ordinária é aprovada
por qual quórum?
Lei complementar - Maioria Absoluta
Lei ordinária – Maioria simples
a) Há hierarquia entre lei ordinária e lei complementar?
Não.
b) Se uma lei ordinária tratar de matéria prevista para lei complementar, ela
será considerada inconstitucional?
Sim.
c) Se uma lei complementar tratar de matéria prevista para lei ordinária, será
constitucional?
Sim. A lei será formalmente complementar e materialmente ordinária, logo é
possível ser revogada por uma lei ordinária posterior.
DE OLHO NA QUESTÃO!
Em 2005, visando a conferir maior estabilidade e segurança jurídica à fiscalização
das entidades dedicadas à pesquisa e à manipulação de material genético, o
Congresso Nacional decidiu discipliná-las por meio da Lei Complementar X, embora
a Constituição Federal não reserve a matéria a essa espécie normativa.
Posteriormente, durante o ano de 2017, com os avanços tecnológicos e científicos
na área, entrou em vigor a Lei Ordinária Y prevendo novos mecanismos
fiscalizatórios a par dos anteriormente estabelecidos, bem como derrogando alguns
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artigos da Lei Complementar X.
a) Existe hierarquia normativa entre Lei Complementar e Lei ordinária?
b) No caso em análise, a Lei Complementar X, pode vir a ser revogada por Lei
Ordinária?
Resposta:
a)Não. Conforme entendimento do STF, a rigor, não há hierarquia normativa entre
Lei Complementar – LC e Lei Ordinária - LO, pois ambas são espécies normativas
primárias, previstas no art. 59 da CF/88.
b) Sim, A Lei Complementar X, por tratar de matéria a respeito da qual não se exige
a referida espécie normativa, pode vir a ser revogada por Lei Ordinária posterior que
verse sobre a mesma temática.
Conforme entendimento do STF (RE419.629; RE377.457; RE382.964), as matérias
não reservadas expressamente à LC e a nenhuma outra espécie normativa que
eventualmente forem disciplinadas por LC – como é o caso em tela, haja vista não
haver exigência constitucional de LC para este assunto – podem ser alteradas por
LO. O STF afirma, portanto, que a lei cuja matéria poderia ter sido veiculada por LO
tem essência de LO, embora seja formalmente LC, razão pela qual pode ser
alterada por LO. (STF, ADC 1; RE419.629; AI637.299-AgR; inf 459).
Julgados recentes sobre o tema:
A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é prerrogativa
regimental atribuída à respectiva Casa Legislativa e consiste em matéria
―interna corporis‖, de modo que não cabe ao Poder Judiciário qualquer
interferência, sob pena de violação ao princípio de separação dos Poderes
(art. 2º, CF/88).
STF. Plenário. ADPF 971/SP, ADPF 987/SP e ADPF 992/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgados em 29/05/2023 (Info 1096).
É formalmente inconstitucional — por vício resultante da usurpação do poder
de iniciativa (art. 61, § 1º, II, ―a‖, CF/88) — lei federal de origem parlamentar
que cria conselhos de fiscalização profissional e dispõe sobre a eleição dos
respectivos membros efetivos e suplentes.
STF. Plenário. ADI 3428/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/03/2023 (Info
1084)
Obs: Lei de iniciativa parlamentar não pode criar Conselho de Fiscalização
Profissional porque se trata de uma autarquia federal, que precisa de lei de
iniciativa do Presidente da República.
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3.ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO DO ESTADO
CF: Art.18 ao 36
Súmula Vinculante: 2, 38, 39, 45, 46, 49.
Súmula 19 STJ.
Considerações iniciais:
Diferencie povo, população e nação
Povo (cidadão): São aqueles que estão presos a um determinado sistema de poder ou
ordenamento normativo, pelo vínculo da cidadania.
População: engloba todas as pessoas presentes em um território, inclusive os
estrangeiros e apátridas.
Nação: Segundo (DALLARI, 1998) ―os que nascem num certo ambiente cultural feito
de tradições e costumes, geralmente expresso numa língua comum, tendo um
conceito idêntico de vida e dinamizado pelas mesmas aspirações de futuro e os
mesmo ideias coletivos‖.
O que significa dizer? Que se uma pessoa vier ao Brasil, se naturalizar brasileiro e por
exemplo, não partilhar dos mesmos valores espirituais e culturais dos brasileiros,
embora seja cidadão, não fará parte da nação brasileira
1)Autonomia política
Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos
autônomos, nos termos desta Constituição.
A forma federativa de Estado no Brasil é a federação, pois os entes possuem
capacidade política, repartidos entre várias entidades governamentais
(descentralização política), diferentemente do que ocorre no Estado unitário, que há
centralização política do poder.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
A Federação, que possui como característica ser formada por entidades políticas
autônomas, que são unidas por uma Constituição Federal. Um ente é dotado de
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qualquer tipo de repasse.
soberania e os demais de autonomia. Como consequência a Constituição é rígida com
um núcleo imodificável que não permite secessão.
Entendi professora, mas o que seria secessão?
É o direito de ruptura do vínculo aos entes federados. No Brasil não é possível a
secessão, isso significa que o vínculo entre as entidades componentes da Federação
(União, Estados, Distrito Federal e Municípios) é indissolúvel, ou seja, nenhuma delas
pode abandonar o restante para fundar um novo país.
Você se lembra que a forma federativa é uma cláusula pétrea?!
Art.60 § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado;
Classificação da Federação na Constituição da República de 1998
Quanto a origem: Por segregação, pois partimos de um Estado unitário
preexistente para um Estado Federal, ou seja, um federalismo centrífugo, pois o
Estado federal foi criado do centro para a periferia.
Quanto a repartição de competências: Cooperativo – caracteriza pela busca de
colaboração recíproca através da possibilidade de atuação comum ou concorrente
entre os poderes central e regional.
Quanto a homogeneidade na distribuição de competências:
Quando o tratamento entre os entes federados forem idênticos devemos
considerá-la simétrica. Quando há um desequilíbrio no tratamento dos entes é
assimétrica.
No Brasil o tratamento entre entes federados é simétrico, embora temos alguns
momentos de assimetria, como no art 3º,III, 43, 159,I,‖C da CRFB.
Quanto às esferas integrantes da federação:
Terceiro grau (tridimensional, atípico): Temos três esferas de competência:
a central (União), a regional (Estados-membros) e a local (Municípios).
1.1 União:
Art. 20. São bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das
fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à
preservação ambiental, definidas em lei;
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III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou
que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se
estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos
marginais e as praias fluviais;
IV- as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as
praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que
contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço
público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005)
Obs: As ilhas costeiras sediadas em municípios deixaram de pertencer à
União, passando a ser de propriedade do respectivo ente municipal.
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás
natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros
recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou
zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 102, de 2019).
§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das
fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental
para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em
lei.
1.2 Estados:
Capacidade de auto-organização e autolegislação:
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios desta Constituição.
Devem observar os princípios estabelecidos na Constituição Federal, denominados
de princípios constitucionais sensíveis, sob pena de intervenção federal.
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Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento
do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do
Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à
execução de lei federal.
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo
Congresso Nacional ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a
suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao
restabelecimento da normalidade.
1.2.1-Bens dos Estados:
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito,
ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio,
excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
1.2.2 – Quantos Deputados Estaduais tem em cada Estado?
Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da
representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e
seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.
Meu Deus, professora! Não entendi NADA!
Calma, vou te explicar:
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Se o número de Deputados Federais variar de 8 – 12 você pega o nº de deputados
federais e multiplica por 3.
Exemplo: No Estado do Acre tem 8 deputados federais, quantos deputados estaduais
teremos no Estado?! 8x3= 24 deputados estaduais.
Atenção: se o número de Deputados Federais variar de 13 – 70 – você pega o nº
de deputados federais e acrescenta 24! (Memorize assim, sempre vai dar certo).
Exemplo:
São Paulo tem 70 Deputados federais, logo terá 94 Deputados Estaduais.
Obs: O poder legislativo estadual é unicameral.
1.2.3 – Os Estados podem instituir o controle de constitucionalidade abstrato
para fiscalização de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da
Constituição Estadual?
Sim. Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios
estabelecidos nesta Constituição.
§ 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de
leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual,
vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.
1.2.4 – Autoadministração dos Estados.
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios desta Constituição.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por
esta Constituição.
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por
agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e
a execução de funções públicas de interesse comum.
1.3 – Distrito Federal
1.3.1 – Natureza jurídica híbrida
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei
orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada
por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição.
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Macete: DDD!
Dois turnos
Dez dias
Dois terços
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios.
1.3.2 – O DF pode ser dividido em Municípios?
Veja novamente o artigo 32. Não, é vedada sua divisão em Municípios.
1.3.3 – De quem é a competência para legislar sobre vencimentos dos membros
das polícias civil e militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal?
Súmula Vinculante 39 STF: Compete privativamente à União legislar sobre
vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar
do Distrito Federal.
1.3.4 – De quem é a competência para organizar e manter a polícia civil, a polícia
penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal?
União. Art.21,XIV da CF: XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a
polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar
assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por
meio de fundo próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de
2019)
1.4 – Municípios
1.4.1 – Considerações iniciais:
O poder legislativo é unicameral, e não há poder judiciário em âmbito
municipal.
A autonomia municipal é de tanta importância que é considerada um princípio
constitucional sensível, conforme o artigo 34,VII, ―c‖ da CF.
Art.29-A § 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de
sua receita com folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus
Vereadores.
Crime de responsabilidade do prefeito:
Art.29-A § 2º Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal:
I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo;
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária.
§ 3º Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal
o desrespeito ao § 1o deste artigo.
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Como os Municípios se organizam?
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o
interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da
Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
Macete: DDD!
Dois turnos
Dez dias
Dois terços
1.4.2 – Eleições
Art.29 CF
- eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de
quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País;
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de
outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas
as regras do art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil
eleitores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de1997)
Só haverá segundo turno o município tiver mais de 200.000 eleitores.
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano
subseqüente ao da eleição;
1.4.3 – Se o prefeito cometer crimes de competência da justiça estadual, onde
será julgado?
Art. 29,X - No Tribunal de Justiça.
Cuidado: Súmula 702 STJ - A competência do tribunal de justiça para julgar prefeitos
restringe-se aos crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais
casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau.
1.4.4 - Os vereadores possuem a chamada imunidade material (proteção em
relação as suas palavras, opiniões e votos)?
Sim. Art. 29,VIII, CF - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e
votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município;
1.5- Territórios Federais
1.5.1 -Hoje, na nossa federação, não temos nenhum território federal.
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Professora, mas se criarem Territórios, estes serão considerados entes
federados?
Não, pois os territórios não possuem autonomia, portanto não possuem capacidade
política, somente administrativas, e integrarão a estrutura descentralizada da União.
São considerados autarquias territoriais da União.
Art. 18 § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em
Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos
Territórios.
§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se
aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV deste Título.
§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso
Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União.
§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do
Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de
primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos
federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência
deliberativa.
1.5.2- Quem escolherá o Governador do Território?
O presidente da República, cujo nome deve ser aprovado pelo Senado Federal.
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo
Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o
Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e
outros servidores, quando determinado em lei;
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
c) Governador de Território;
1.5.3- Impostos:
Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o
Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais; ao
Distrito Federal cabem os impostos municipais.
1.5.4 – Poder judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública – Competência:
Art. 21. Compete à União:
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e
dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;
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qualquer tipo de repasse.
1.5.5 – Deputados Federais e Senadores nos territórios:
Art. 45 § 2º Cada Território elegerá quatro Deputados.
Senadores em territórios? Não temos.
1.5.6 – De quem é a iniciativa para propor projeto de lei que tratem sobre normas
gerais para a organização do Ministério Público e Defensoria Pública dos
Territórios? Da organização administrativa e judiciária, da matéria tributária e
orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos territórios? Dos
servidores públicos dos Territórios?
Art. 61 § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços
públicos e pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de
cargos, estabilidade e aposentadoria;
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como
normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
2. Formação de novos Estados e Municípios
2.1 Incorporação/ Subdivisão/ Desmembramento dos Estados:
Art.18 § 3º CF - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou
desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios
Federais mediante:
1) Aprovação da população diretamente interessada (da área desmembrada e da área
remanescente), por meio de plebiscito;
2) oitiva das Assembleias Legislativas
3) Lei complementar
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República,
não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as
matérias de competência da União, especialmente sobre:
VI - Incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou
Estados, ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas;
a) Incorporação/subdivisão/desmembramento de Estados
Conceito:
a.1 Incorporação: Segundo a doutrina majoritária - Fusão entre dois ou mais Estados,
originando a formação de novo Estado ou Território Federal. Observe que na
incorporação os Estados originários deixam de existir.
Exemplo:
A(Goiás) + B(Bahia) = C (Sertanejo Baiano)
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Sertanejo Baiano é o Novo Estado-Membro, logo Goiás e Bahia deixaram de
existir.
a.2 Subdivisão: Cisão do Estado originário em novos Estados. Observe que na
subdivisão o Estado originário desaparece.
Exemplo:
A(Rio de Janeiro) divide-se em: B(Estado do Rio) e C ( Estado de Janeiro).
a.3 Desmembramento: O que diferencia dos demais é que não há o
desaparecimento do ente federativo primitivo.
Podem ocorrer nas seguintes situações:
Anexação da parte desmembrada a um outro Estado, sem criar um ente
federativo.
Formação de um novo Estado-Membro ou Território Federal.
Exemplo: Tocantins foi criado a partir do desmembramento de parte do Estado de
Goiás.
Procedimento da incorporação/subdivisão e desmembramento de Estados:
1º - Convocação do Plebiscito mediante 1/3 no mínimo dos membros de qualquer das
Casas do Congresso Nacional (Decreto Legislativo). (Lei 9.709/98 art 3º).
2º Consulta prévia (plebiscito) da população diretamente interessada. Se o resultado
do plebiscito for favorável, o Congresso Nacional poderá aprovar ou não a lei
complementar, após a oitiva da Assembleia Legislativa (parecer meramente opinativo).
(Art.48,VI CRFB).
3º Essa lei complementar dependerá da aquiescência do Presidente da República.
4º Muita atenção: O projeto de lei complementar pode ser proposto perante qualquer
das Casas do Congresso Nacional (Lei 9.709/98, art.4º §1º). Trata-se de uma exceção
à regra de que os projetos de lei terão iniciativa na Câmara dos Deputados.
B) Criação/incorporação/fusão/desmembramento de Municípios (art.18§4º CF)
Procedimento:
1º Exige-se a edição de lei complementar federal que estabelece o período
dentro do quais essas hipóteses podem ocorrer.
A EC nº15/96 modificou o documento constitucional, exigindo assim a edição de lei
complementar federal como condição para a criação/incorporação/desmembramento
/fusão de municípios, logo enquanto não for elaborada a lei complementar não se
pode fazer uso dos institutos no Brasil.
Atenção: A emenda Constitucional nº57/2008 dispõe que ―Art. 96. Ficam
convalidados os atos de criação, fusão, incorporação e desmembramento de
Municípios, cuja lei tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2006, atendidos os
requisitos estabelecidos na legislação do respectivo Estado à época de sua criação."
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Atualmente não existe a lei complementar, logo as leis estaduais que forem
editadas criando novos Municípios serão inconstitucionais por violarem a
exigência do § 4º do art. 18 STF.
Plenário. ADI 4992/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2014
2ºElaboração de uma lei ordinária federal contendo a divulgação dos
Estudos de Viabilidade Municipal.
3º Consulta prévia às populações dos Municípios envolvidos.
4ºElaboração da lei ordinária estadual, criando um município. (Necessita
também da aquiescência do chefe do Executivo estadual).
ATENÇÃO: A ALTERAÇÃO DOS LIMITES DE UM MUNICÍPIO EXIGE PLEBISCITO:
Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é necessária a
realização de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios
envolvidos, nos termos do art. 18, § 4º da CF/88. STF. Plenário. ADI 2921/RJ, rel. orig.
Min. Ayres Britto, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
3. VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o
funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de
dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse
público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
Possuem presunção de veracidade.
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
4. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS
4.1 Repartição de Competências:
Segundo José Afonso da Silva4 a autonomia das entidades federativas pressupõe
a repartição de competências.
Tem-se como princípio norteador o princípio da preponderância dos interesses.
União Estados Municípios
Interesse Nacional Interesse Regional Interesse Local
a) Horizontal:
A Constituição Federal delega a cada um o que é seu.
União: Art. 21 – Competências administrativas
União: Art. 22 - Competências legislativas/privativas
4
Silva, José Afonso. Curso de Direito Constitucional positivo. 23º ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p.476.
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Estados: Art.25§1º Competências remanescentes
Municípios: Art.30 Competências legislativas e administrativas.
b) Vertical:
A Constituição prevê competências que serão exercidas em conjunto.
Comum (U/E/DF/M): Art.23 CF – Competências administrativas em que
todos os entes estão aptos a realizar as atividades.
Concorrente (U/E/DF): Art.24 CF – Competência para a União legislar de
forma concorrente com os Estados e DF.
4.2 – Competências materiais exclusivas da União:
É indelegável
Exclui a participação de outro ente.
Art.21
Incisos que merecem destaque:
Art. 21. Compete à União:
I - Manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações
internacionais;
Obs: A União representa a República Federativa do Brasil no cenário
internacional.
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
III - assegurar a defesa nacional;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;
VI - Autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;
Obs: Ver art.22, XXI, CF/88.
Lei estadual que autorize a utilização, pela polícia civil do estado, de armas de
fogo apreendidas invade a competência privativa da União para legislar sobre
material bélico, que, complementada pela competência para autorizar e
fiscalizar a produção de material bélico, abrange a disciplina sobre a destinação
de armas apreendida
VII - emitir moeda;
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de
natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem
como as de seguros e de previdência privada;
Obs: ADIN 3515 : Lei estadual que traz a obrigatoriedade do uso de
equipamento para atestar a autenticidade de cédulas nas transações bancária é
INCONSTITUCIONAL.
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território
e de desenvolvimento econômico e social;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os
serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a
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organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos
institucionais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de
15/08/95:)
Ver. Art 22,IV
ADI 4649: Inconstitucionalidade de lei estadual que dispõe acerca
da possibilidade de acúmulo de franquia de minutos mensais
ofertados pelas operadoras de telefonia para os meses
subsequentes.
ADI 3837: Inconstitucionalidade de das leis estaduais que
disponham sobre bloqueadores de sinal de celular em presídio
ADI 5040 É inconstitucional lei estadual que obriga as operadoras
de telefonia a fornecer os dados de localização de celulares
furtados ou roubados
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:
Ver art. 22, IV
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:)
É inconstitucional lei municipal que preveja que o Poder Executivo
poderá conceder autorização para que sejam explorados serviços
de radiodifusão no Município
Obs: Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão,
permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons
imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado,
público e estatal.
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético
dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os
potenciais hidroenergéticos;
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeroportuária;
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e
fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de
passageiros;
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito
Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;
Obs: Competência da União organizar e manter o:
Poder Judiciário e o Ministério Público do DF e dos Territórios
Defensoria Pública dos Territórios
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e
o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar
assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos,
por meio de fundo próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 104, de 2019)
Obs:Súmula vinculante 39
Súmula Vinculante 39
Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia,
geologia e cartografia de âmbito nacional;
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e
de programas de rádio e televisão;
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qualquer tipo de repasse.
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades
públicas, especialmente as secas e as inundações;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e
definir critérios de outorga de direitos de seu uso; ( Regulamento )
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação,
saneamento básico e transportes urbanos;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação;
XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza
e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e
reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus
derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para
fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de
radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e
industriais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)
c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, a comercialização
e a utilização de radioisótopos para pesquisa e uso médicos; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 118, de 2022)
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da
existência de culpa; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de
garimpagem, em forma associativa..
XXVI - organizar e fiscalizar a proteção e o tratamento de dados pessoais,
nos termos da lei.
4.3 Competência Privativa União:
De acordo com o art. 22 parágrafo único é possível delegar! Requisitos:
Formal: Delegação por meio de edição de Lei Complementar;
Material: Questões Específicas;
Implícito: A delegação não pode beneficiar só um Estado, deve estender
a todos pelo princípio da isonomia.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho; (CAI MUITO)
ADI 1.007 – PE Lei estadual que fixava prazo para pagamento das
mensalidades escolares com vencimento no último dia do mês da
prestação do serviço – Inconstitucional – Direito Civil (relação
contratual).
ADI 6575 - É inconstitucional lei estadual que reduziu o valor das
mensalidades escolares durante a pandemia da Covid-19 – Direito Civil
(relação contratual)
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ADI 1.918 – É inconstitucional legislação estadual que veda a cobrança
de qualquer quantia do usuário nos estacionamentos particulares –
Direito Civil
ADI 4.111 É inconstitucional lei estadual que estabelece prazo máximos
em que as empresas de plano de saúde podem autorizar a realização de
exames médicos que necessitavam de análise e autorização prévia.
Direito civil, comercial e política de seguros. ( Art. 22, I e VII).
ADI 5800 - Inconstitucionalidade de lei estadual que criava hipóteses de
isenção de pagamento de direitos autorais fora do rol trazido pela lei
federal 9.610/98. Direito civil ( direito de propriedade) – viola também o
art. 5º XXII e XXVII da CF
ADI 6083 – Inconstitucionalidade de lei estadual que decretou feriado
bancário na Quarta-Feira de cinzas. Direito do Trabalho + art. 48, XIII CF.
Crimes de Responsabilidade: Súmula Vinculante 46
A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das
respectivas normas de processo e julgamento são de competência legislativa
privativa da União. (Direito Penal)
ADI 3483 É inconstitucional lei estadual que fixou como prioritária a
tramitação dos processos envolvendo mulher vítima de violência
doméstica. Direito Processual
II - desapropriação;
III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;
ADI 5610 - É inconstitucional lei estadual proibir que as empresas
concessionárias de energia elétrica cobrem pela religação caso haja
corte no fornecimento de energia em razão de atraso de pagamento.
Energia
ADI 4606 – É inconstitucional a lei estadual que trata de arrecadação
das receitas oriundas da exploração de recursos hídricos para geração
de energia elétrica e recursos minerais, inclusive petróleo e gás natural.
Água e energia + 22 XII – recursos minerais
Obs: o STF entendeu que a lei estadual PODE dispor sobre
fiscalização e controle dessas receitas, por ser competência comum
dos entes, registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos
e pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus
territórios.
Art. 23, XI da CF.
V - serviço postal;
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;
ADI 7172/RJ - É inconstitucional, por ofensa à competência privativa da
União para legislar sobre direito civil e política de seguros (art. 22, I e VII, da
CF/88), lei estadual que veda, no âmbito de seu território, operadoras de
plano de saúde de limitarem consultas e sessões para o tratamento de
pessoas com deficiência.
VIII - comércio exterior e interestadual;
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IX - diretrizes da política nacional de transportes;
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial;
XI - trânsito e transporte;
ADPF 514 É inconstitucional lei municipal que proíbe o trânsito de veículos,
sejam eles motorizados ou não, transportando cargas vivas nas áreas
urbanas e de expansão urbana do Município. Art. 21, XII, ―f‖, 22, VIII, IX,
X,XI.
É inconstitucional lei estadual que proíba a apreensão e remoção de
veículos por falta de pagamento de tributos por violar a competência privativa
da União para legislar sobre trânsito e transporte.
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
XIV - populações indígenas;
XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros;
XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de
profissões;
É privativa da União a competência para legislar sobre condições para
o exercício da profissão de despachante (art. 22, XVI, CF/88), de
modo que a disciplina legal dos temas relacionados à sua
regulamentação também deve ser estabelecida pela União.
STF. Plenário. ADI 6740/RN e ADI 6738/GO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em
21/11/2022 (Info 1076).
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos
Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios, bem como organização
administrativa destes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69,
de 2012) (Produção de efeito)
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais;
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular;
XX - sistemas de consórcios e sorteios;
Súmula Vinculante 2
É inconstitucional a lei ou ato normativo Estadual ou Distrital que disponha sobre
sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
Obs: Decisão recente do STF:
A competência legislativa da União para legislar sobre loterias, NÃO IMPEDE a
competência para EXPLORAÇÃO dessas atividades pelos entes estaduais e
municipais.
XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias,
convocação, mobilização, inatividades e pensões das polícias militares e dos corpos
de bombeiros militares; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais;
XXIII - seguridade social;
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
Decisão recente do STF:
ADPF 457- Os municípios não podem editar leis proibindo a divulgação de
material com referência a ideologia de gênero nas escolas municipais.
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XXV - registros públicos;
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as
administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados,
Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as
empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°,
III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
É inconstitucional lei do Estado que impõe a apresentação de certidão
negativa de violação dos direitos do consumidor para empresas que
contratam com o Estado.
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e
mobilização nacional;
XXIX - propaganda comercial.
XXX - proteção e tratamento de dados pessoais.
4.4 – Competência Comum.
Competência material de todos os entes.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e
conservar o patrimônio público;
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas
portadoras de deficiência;
ADI 6341 - Por ser competência comum cuidar da saúde vários
Governadores e Prefeitos, durante a pandemia, sob argumento de
estarem cuidando da saúde, restringiram diversas atividades, exemplo:
horários comerciais, entrada e saída de pessoas em seu território.
ADI 6343 Os Estados/DF e Municípios, mesmo sem autorização da união,
podem tomar medidas protetivas de saúde da população (isolamento,
quarentena, cremação...).
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e
cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de
outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia,
à pesquisa e à inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
85, de 2015)
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas
formas;
É constitucional – formal e materialmente – lei municipal que
obriga à substituição de sacos e sacolas plásticos por sacos e
sacolas biodegradáveis.
STF. Plenário. RE 732686/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/10/2022
(Repercussão Geral – Tema 970) (Info 1073).
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições
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habitacionais e de saneamento básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a
integração social dos setores desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e
exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a
União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o
equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
4.5 – Competência Concorrente – Legislativa – União/ Estados/DF
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; (Vide
Lei nº 13.874, de 2019)
ADI 1.950 – Estado-membro que disponha sobre a meia-entrada para
ingresso de estudantes em casas de diversão, esporte, cultura e lazer é
CONSTITUCIONAL – Direito Econômico.
É inconstitucional — por ser matéria de direito econômico e contrariar a
disciplina conferida a benefício já previsto no art. 23 da Lei federal nº
10.741/2003 (Estatuto do Idoso) — lei municipal que institui o acesso
gratuito de idosos às salas de cinema da cidade, de segunda a sexta-feira.
STF. 2ª Turma. ARE 1307028/SP, Rel. Min. Edson Fachin, redator do
acórdão Ministro Gilmar Mendes, julgado em 22/11/2022 (Info 1077).
É constitucional lei estadual que fixa distância mínima entre presídios e
contingente máximo da população carcerária, isso porque a ampliação ou
construção de unidades prisionais constitui matéria de direito penitenciário,
cuja competência legislativa é concorrente
II - orçamento;
III - juntas comerciais;
IV - custas dos serviços forenses;
V - produção e consumo;
ADI 6195 – É constitucional lei estadual que autoriza a comercialização
de bebidas alcoólicas nas arenas desportivas e nos estádios.
ADI 7027/PB É constitucional — haja vista a competência
suplementar dos estados federados para dispor sobre proteção
do consumidor (art. 24, V e § 2º, da CF/88) — lei estadual que
torna obrigatória a assinatura física de idosos em contratos de
operação de crédito firmados por meio eletrônico ou telefônico
com instituições financeiras.
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e
dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
ADI 5996 – É constitucional a lei estadual que proíbe a utilização de
animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos
cosméticos – Proteção a fauna.
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VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e
paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos
de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa,
desenvolvimento e inovação;
ADI 5951 – É constitucional lei estadual que estabelece que as
instituições de ensino superior privada são obrigadas a devolver o
valor da taxa de matrícula, podendo reter, no máximo 5%, caso o aluno,
antes do início das aulas, desista do curso ou solicite transferência.
Educação e consumo.
X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
XI - procedimentos em matéria processual;
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; (Vide ADPF 672)
É constitucional norma estadual que, a pretexto de proteger a saúde pública,
obriga as prestadoras de serviços de telefonia celular e de internet a inserirem, nas
faturas de consumo, mensagem incentivadora à doação de sangue.
STF. Plenário. ADI 6088/AM, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 26/8/2022 (Info
1065).
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;
XV - proteção à infância e à juventude;
É constitucional lei estadual que proíbe, no âmbito de seu território, a
fabricação, a venda e a comercialização de armas de brinquedo que
simulam armas de fogo reais.
Ela dispõe sobre matéria afeta ao direito do consumidor e à proteção à
infância e à juventude, inserindo-se, portanto, no âmbito da competência
concorrente das unidades da Federação (art. 24, V, VIII e XV, e art. 227).
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.
§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á
a estabelecer normas gerais. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a
competência suplementar dos Estados. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. (Vide
Lei nº 13.874, de 2019)
§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia
da lei estadual, no que lhe for contrário. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
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4.6 – Estados
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios desta Constituição.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam
vedadas por esta Constituição.
§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os
serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida
provisória para a sua regulamentação.
4.7 Municípios
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
Súmula Vinculante 38
É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de
estabelecimento comercial.
Competência do Município para editar lei determinando que os
supermercados ficam obrigados a colocar, à disposição dos
consumidores, funcionários em números suficientes nos caixas, de
modo que a espera na fila não seja superior a 15 minutos.
É inconstitucional, por invadir a competência municipal para legislar
sobre assuntos de interesse local (art. 30, I e V, da CF/88), lei estadual
que concede, por período determinado, isenção das tarifas de água e
esgoto e de energia elétrica aos consumidores residenciais,
industriais e comerciais. Não cabe às leis estaduais a interferência
em contratos de concessão de serviços federal e municipal,
alterando condições que impactam na equação econômico-
financeira.
STF. Plenário. ADI 6912/MG, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
15/8/2022 (Info 1063).
É constitucional lei municipal que, ao regulamentar apenas o seu
interesse local, sem criar novas figuras ou institutos de licitação ou
contratação, estabelece diretrizes gerais para a prorrogação e
relicitação dos contratos de parceria entre o município e a iniciativa
privada.
STF. Plenário. ADPF 971/SP, ADPF 987/SP e ADPF 992/SP, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgados em 29/05/2023 (Info 1096).
I - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
Os municípios — no limite de seu interesse local e desde que em
harmonia com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados
— possuem competência para legislar sobre meio ambiente, e, caso
sua regulamentação seja mais protetiva, pode ter prevalência sobre a
legislação federal ou estadual.
STF. Plenário. RE 732686/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
19/10/2022 (Repercussão Geral – Tema 970) (Info 1073).
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III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas
rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes
nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os
serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem
caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,
programas de educação infantil e de ensino fundamental; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços
de atendimento à saúde da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante
planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a
legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.
5. SÚMULAS
1) SÚMULA VINCULANTE 46- STF: A definição dos crimes de responsabilidade e o
estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da
competência legislativa privativa da União.
2) SÚMULA VINCULANTE 38: É competente o município para fixar o horário de
funcionamento de estabelecimento comercial.
Exceção: o horário de funcionamento dos bancos. (Súmula 19-STJ: A
fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da
União).
Obs: Medidas de conforto e segurança dos usuários dos serviços
bancários é de competência municipal. Exemplo: Instalação de cadeiras, bebedouros,
fixação de tempo máximo de espera na fila do banco.
3) SÚMULA VINCULANTE 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal
que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.
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Obs:
É inconstitucional lei estadual que fixe a obrigatoriedade de divulgação diária de
fotos de crianças desaparecidas em noticiários de TV e em jornais de estado-
membro.5
Lei estadual 16.576/2015, de Santa Catarina, previa ―a obrigatoriedade diária de
divulgação de fotos de crianças desaparecidas nos noticiários de TV e jornais
sediados‖ no Estado.
Essa lei é inconstitucional sob os pontos de vista formal e material.
A lei estadual invadiu a competência privativa da União para legislar sobre
radiodifusão de sons e imagens (art. 22, IV, da CF/88).
No que tange ao aspecto material, a lei estadual viola o princípio da livre iniciativa e a
liberdade de informação jornalística dos veículos de comunicação social (art. 220 da
CF/88).
Além disso, disciplina o tema de forma diferente daquilo que prevê a Lei federal nº
12.127/2009, que criou o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes
Desaparecidos.
STF. Plenário. ADI 5292/SC, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2022 (Info
1048).
6. DA INTERVENÇÃO
Medida excepcional e temporária
Regra: Princípio da não-intervenção – Sempre que houver uma medida menos
gravosa, utilizá-la ao invés da intervenção.
Princípio da taxatividade – a listagem do 34 e 35 é taxativa – rol fechado.
Princípio da temporariedade – a intervenção não pode perpetuar no tempo, de
acordo com o art. 36§1º deve ter prazo de duração.
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
Ver art. 36,I
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos
consecutivos, salvo motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição,
dentro dos prazos estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
(princípios constitucionais sensíveis) – Art. 36, III
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
5
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional lei estadual que fixe a obrigatoriedade de
divulgação diária de fotos de crianças desaparecidas em noticiários de TV e em jornais de estado -
membro. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/04f19115dfa286fb 61ab 634a2717ed 3
7>. Acesso em: 06/07/2022
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c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de
saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios
localizados em Território Federal, exceto quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a
dívida fundada;
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de
saúde; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a
observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover
a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo
coacto ou impedido, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for
exercida contra o Poder Judiciário;
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do
Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior
Eleitoral;
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do
Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à
execução de lei federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições
de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação
do Congresso Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e
quatro horas.
§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembléia Legislativa,
far-se-á convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação
pelo Congresso Nacional ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-
á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao
restabelecimento da normalidade.
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos
a estes voltarão, salvo impedimento legal.
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4. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
TÍTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
Direito à vida
OBS: INÍCIO DA VIDA – Para o STF, a vida não se inicia com a fecundação do
óvulo (a partir da concepção), mas sim em determinada fase de desenvolvimento
do embrião humano, após a formação da placa neural. – Posição extraída da ADI
3.510, Re. Min. Carlos Britto; Informativo 508, STF; onde a Corte declarou a
constitucionalidade da Lei de Biossegurança, permitindo a utilização de células-
tronco embrionárias decorrentes de fertilização in vitro não utilizados no
procedimento em pesquisas.
OBS: ABORTO – O STF, em 2012, no julgamento da ADPF nº54, decidiu que a
interrupção da gravidez de feto anencefálico não seria conduta tipificada no
Código Penal como crime.
OBS: ABORTO – Em 2012, no julgamento do habeas corpus 124.306, a 1ª turma
do STF, por maioria, entendeu que a interrupção voluntária da gestação
realizada nos três primeiros meses não representa crime. – ATENÇÃO!!! Como
a decisão foi prolatada em um HC, aplica-se unicamente para aquele caso
concreto, não possuindo efeito erga omnes.
OBS: EUTANÁSIA E ORTOTANÁSIA – Ambas ainda são vistas pelo ordenamento
brasileiro como espécies de homicídio, não tendo previsão legal para sua
realização.
Princípio da Igualdade
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição;
OBS:
Igualdade entre homens e mulheres (Art. 5º, I, CF)
Igualdade de credo religioso (Art. 5º, VIII, CF)
Igualdade entre trabalhadores urbanos e rurais (Art. 7º, XXX, XXXII e
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XXXIV, CF)
Igualdade entre brasileiros natos e naturalizados (Art. 12, §2º, CF)
Igualdade entre votos de cada eleitor (Art. 14, caput, CF)
Igualdade de acesso a cargos, empregos e funções públicas (Art. 37, I, CF).
Igualdade de participação em obras, serviços, compras e alienações
realizados pela Adm. Pública direta e indireta (Art. 37, XXI, CF).
Igualdade de Acesso às ações e serviços de saúde (Art. 196, CF)
OBS: Nos termos da jurisprudência do STF, é legítima a fixação de critérios de
admissão para cargos públicos, desde que justificada pela natureza das
atribuições do cargo a ser preenchido.
Princípio da Legalidade
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei;
OBS: Ver Art. 5º, XXXIX, CF.
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
Liberdade de manifestação do pensamento – (Ver Art. 5º, IX, CF)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
OBS: O Supremo considera inexigível o consentimento de pessoa biografada
relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo igualmente
desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de
familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes. (STF – ADI 4.815/DF, Rel.
Carmem Lúcia. 10.06.2015)
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização
por dano material, moral ou à imagem;
Liberdade de consciência, crença e culto
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de
culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas
entidades civis e militares de internação coletiva;
OBS: As Forças Armadas têm competência para atribuírem serviços alternativos aos
que alegarem imperativo de consciência em tempos de paz. No entanto, o imperativo
de consciência não poderá ser invocado em tempos de guerra, hipótese em que o
serviço militar obrigatório se caracteriza como uma restrição constitucional à
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liberdade de consciência e de crença.
Extensão do Princípio da Igualdade – (Igualdade de Credo Religioso)
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos
imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
Liberdade de expressão – (Ver Art. 5º, VI, CF)
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença;
Direito a privacidade
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;
OBS: DIREITO AO ESQUECIMENTO – É um direito fundamental implícito que
refere-se ao direito de impedir que um fato, mesmo que verídico, seja
relembrado e massivamente exposto ao público, tempos depois de ocorrido.
Está intimamente ligado ao direito de privacidade e à dignidade da pessoa humana.
O STJ entendeu que o ordenamento jurídico brasileiro protege o direito ao
esquecimento (REsp 1.335.153-RJ e REsp 1.334.097-RJ).
OBS: DIREITO AO ESQUECIMENTO – O Poder Judiciário pode e deve intervir em
situações excepcionais para fazer cessar o vínculo criado, nos bancos de dados
dos provedores de busca, entre dados pessoais e resultados da busca, que não
guardam relevância para interesse público à informação, seja pelo conteúdo
eminentemente privado, seja pelo decurso do tempo. (REsp 1.660.168/RJ,
informativo 628, STJ 8.5.2018).
Inviolabilidade do domicílio
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; (Vide Lei nº 13.105,
de 2015) (Vigência)
OBS: Para fins de proteção constitucional ―casa‖ é um conceito amplo que deve
abranger, não apenas a moradia, mas qualquer espaço habitado e, em
determinadas hipóteses, locais onde exercidas atividades de índole profissional
com exclusão de terceiros, tais como escritórios, consultórios, estabelecimentos
industriais e comerciais (em áreas de acesso restrito ao público ou após o
encerramento das atividades).
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OBS: A ocorrência de crime permanente no interior do domicílio – como é o caso
do tráfico de drogas – viabilizaria o ingresso pelas forças policiais,
independentemente de determinação judicial, por estar caracterizada a situação de
flagrância. (STF, RE 603.616, RG/RO, Rel. Gilmar Mendes, 04 e 05.11.2015).
Inviolabilidade de dados/ Liberdade de comunicação pessoal
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de
dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou
instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996)
OBS: Gravações clandestinas, por si só, não podem ser consideradas ilícitas,
salvo quando violarem causa legal específica de sigilo ou de reserva de
conversação. (STF – RE 583.937 RG-QO, rel. Min. Cezar Peluso, 19.11.2009).
NÃO SE DEVE ADMITIR, no entanto, como prova lícita, gravação clandestina feita
exclusivamente com o objetivo de incriminar um dos interlocutores, instigando-a a
prática do ato ilícito (Informativo 122/TSE; Resp 36.035 AgR-ED/CE, Rel. Min.
Marco Aurélio, 23.08.2012).
OBS: SIGILO BANCÁRIO:
Informações de natureza privada: a quebra só pode ser determinada por
autoridade judicial competente ou CPI (federal ou estadual)
Informações relativas a recursos públicos: em decorrência dos princípios da
publicidade e transparência, não é necessário intervenção judicial, podendo
a quebra ser determinada por membros dos Tribunais de Contas ou do MP.
Liberdade de Exercício Profissional
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer;
OBS: O STF considerou a exigência legal do diploma de curso superior de
jornalismo para o exercício da profissão, uma intervenção violadora da liberdade
jornalística. (STF – RE 511.961/SPP, Rel. Min. Gilmar Mendes 17.06.2009)
Liberdade de informação
OBS: Ver Art. 5º XXXIII, CF. e Art. 220, §§1 e 2, CF.
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional;
OBS: A proteção constitucional conferida a esse sigilo visa evitar coações e
arbitrariedades por parte dos poderes públicos contra profissionais da
imprensa.
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Liberdade de locomoção
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer
pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
OBS: Cobrança de pedágio nos casos em que o poder público não
disponibiliza uma via alternativa gratuita para o usuário – O STF decidiu que
não configura violação ao direito de locomoção, vez que essa cobrança é
contemplada como uma exceção à vedação de limitações por meio da cobrança de
tributos, ao tráfego de pessoas ou bens. (STF RE 645.181 RG, Rel. Min. Ayres Brito
02.05.2012).
Liberdade de Reunião
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;
OBS: Restrições:
Material: exige-se que a reunião seja pacífica e sem armas.
Formal: exige-se precedência na escolha do local e prévio aviso à
autoridade competente.
Liberdade de Associação
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de
autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
―É inconstitucional o condicionamento da desfiliação de associado à quitação de
débito referente a benefício obtido por intermédio da associação ou ao pagamento de
multa.‖.
STF. Plenário. RE 820823/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/9/2022
(Repercussão Geral – Tema 922) (Info 1070).
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade
para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
OBS: Para impetrar MS Coletivo ou MI Coletivo em defesa de seus associados é
suficiente a autorização genérica contida no Estatuto da associação, por se tratar de
legitimação extraordinária (ou substituição processual) – Ver Art. 5º, LXX, CF.
OBS: ―A impetração de Mandado de Segurança Coletivo por entidade de classe em
favor dos associados independe da autorização destes‖ SÚMULA 629, STF
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OBS: ―A entidade de classe tem legitimação para o Mandado de Segurança ainda
quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva
categoria‖. SÚMULA 630, STF
Direito de Propriedade
XXII - é garantido o direito de propriedade;
Princípio da Função Social da propriedade:
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
OBS: Mesmo em propriedades que não atendem sua função social, são proibidas
intervenções desprovidas de justificação constitucionalmente legítima, tais como
invasões de terras por movimentos sociais organizados a pretexto de promover a
reforma agrária. (STF – ADI 2.213 MC/DF).
OBS: O princípio da Função Social da Propriedade também atua como diretriz
normativa da ordem econômica – Ver Art. 170, III, CF.
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou
utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
OBS: A desapropriação por interesse social deve ser decretada para promover a
justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social (Lei
nº 4.132/62, art. 1º).
OBS: No caso de desapropriação de imóveis rurais para fins de reforma agrária, o
procedimento contraditório especial, de rito sumário – Art. 184, §3º, cf – é
estabelecido pela Lei complementar nº 76/93.
OBS: Todos os entes federativos, assim como os territórios podem estar sujeitos a
desapropriação mediante declaração de utilidade pública.
OBS: A indenização a ser paga na desapropriação deve ser prévia, justa e em
dinheiro, EXCETO, quando a propriedade não cumpre sua função social –
desapropriação-sanção.
OBS: A desapropriação de propriedades produtivas e de pequenas e médias
propriedades rurais, desde que o proprietário não possua outra, é VEDADA para
fins de reforma agrária – Art. 185, CF.
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
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XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da
imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de
que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para
sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas,
aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social
e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei
brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja
mais favorável a lei pessoal do "de cujus";
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
Extensão do direito à Liberdade de Informação
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento) (Vide Lei nº 12.527,
de 2011)
OBS: Ver Art. 5º XIV, CF. e Art. 220, §§1 e 2, CF.
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra
ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
Princípio da Inafastabilidade Jurisdicional
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
OBS: A exigência de prévio requerimento administrativo não se confunde com o
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exaurimento da via judicial. Segundo a jurisprudência do STF: ―a instituição de
condições para o regular exercício do direito de ação é compatível com o art.
5º, XXXV, da Constituição‖, sendo que ―para se caracterizar a presença de
interesse em agir, é preciso haver a necessidade de ir a juízo‖.
Princípio da Não Reatroatividade das Leis
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada;
OBS: Ver Art. 5º XL, CF.
OBS: A garantia da irretroatividade da lei prevista no art. 5º, XXXVI, CF, não é
invocável pela entidade estatal que a tenha editado – Súmula 654/STF.
Princípio do Juiz natural
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,
assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
OBS: Não se admite a designação de um juízo post facto ou ad personam (juízos ad
hoc).
OBS: A criação de varas especializadas, a competência determinada por
prerrogativa de função, a instituição de câmaras de férias em tribunais, o julgamento
proferido por órgão colegiado composto por juízes convocados e as hipóteses de
desaforamento previstas no Código de Processo Penal, NÃO CARACTERIZAM
UMA OFENSA AO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL, vez que em todas as situações,
as regras são gerais, abstratas e impessoais.
Extensão do princípio da Legalidade (Art. 5º, II, CF)
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação
legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
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OBS: Ver Art. 5º XXXVI, CF.
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades
fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena
de reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a
prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os
definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores
e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (Regulamento)
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
Princípio da pessoalidade
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei,
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido;
OBS: Esse dispositivo proíbe a imposição de responsabilidade penal objetiva e
impede quaisquer sanções de extrapolar o âmbito estritamente pessoal do infrator.
Princípio da individualização
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Princípio da humanidade
XLVII - não haverá penas:
Inviolabilidade do Direito à vida
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
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OBS: Havendo a possibilidade de imposição de pena de morte ao extraditando
(supplicium extremum), o Ordenamento Brasileiro impede a entrega do
extraditando ao Estado requerente, a menos que este assuma o compromisso
formal de comutar em pena privativa de liberdade, a pena de morte , ressalvada
a hipótese prevista no art. 5º, XLVII, ―a‖, CF. (STF – Ext. 633, Rel. Min. Celso de
Mello, 28.08.1996).
OBS: A garantia de não sujeição à pena de morte (ressalvada a hipótese acima), é
clausula pétrea (Art. 60, §4º, IV, CF).
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
OBS: A inviolabilidade do Direito à Vida está indissociavelmente relacionada com o
Princípio da Dignidade Humana (Ver Art. 1º, III, CF).
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
OBS: ―A falta de estabelecimento penal não autoriza a manutenção do condenado
em regime prisional mais gravoso‖. Enunciado nº 56, STF.
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com
seus filhos durante o período de amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime
comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
OBS: Em situações de normalidade, com exceção das hipóteses de flagrante delito e
transgressão ou crime militar, a titularidade para decretar a prisão é exclusiva do
Poder Judiciário.
OBS: CLÁUSULA DE RESERVA CONSTITUCIONAL DE JURISDIÇÃO – Restringe
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qualquer tipo de repasse.
à esfera única de decisão dos magistrados a prática de atos cuja realização, em
virtude de expressa determinação constitucional, somente pode emanar do juiz,
nunca de outras autoridades. (STF – MS 23.452/RJ).
Princípio do devido processo legal
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
Princípio do contraditório e da ampla defesa
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
OBS: ―É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório,
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa‖. Súmula Vinculante nº14.
Inadmissibilidade de provas ilícitas
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
OBS: A prova não pode ser considerada ilícita, quando produzida em legítima
defesa, por ser esta uma causa de excludente de ilicitude. (STF – HC
74.678/SP).
Presunção de inocência
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;
OBS: A presunção de inocência não obsta a decretação ou manutenção de prisão
cautelar, desde que demonstrada sua necessidade concreta e presentes os
requisitos autorizadores previstos no art. 312 do CPP. (STF – HC 84.078/MG)
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas
hipóteses previstas em lei; (Regulamento)
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada
no prazo legal;
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da
intimidade ou o interesse social o exigirem;
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LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
OBS: A necessidade de ser ―escrita‖ visa a comprovação da existência da ordem e
de sua legitimidade – a fundamentação, enquanto imperativo do Estado
constitucional democrático, deve estar presente em toda e qualquer decisão
judicial, sob pena de nulidade (Art. 93, IX, CF).
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
Princípio da não autoincriminação
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
OBS: O titular do ―direito ao silêncio‖ não é apenas o preso, mas qualquer pessoa
na condição de testemunha, indiciado ou réu, cabendo à autoridade responsável
o dever de informar. (STF – HC 83.096).
OBS: O acesso do advogado aos autos de ações penais ou inquéritos policiais,
mesmo quando classificados como sigilosos, segundo o Supremo, configura direito
dos investigados, haja vista que ―a oponibilidade do sigilo ao defensor
constituído tornaria sem efeito a garantia do indiciado, abrigada no art. 5º,
LXIII‖. (STF – HC 94.387).
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu
interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
HABEAS CORPUS
LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder;
MANDADO DE SEGURANÇA
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela
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ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuições do Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou
associados;
OBS: Ver Art. 5º XXI, CF.
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e
das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
LXXII - conceder-se-á "habeas-data":
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante,
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de
caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso,
judicial ou administrativo;
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência;
Assistência Judiciária
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que
comprovarem insuficiência de recursos;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que
ficar preso além do tempo fixado na sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide
Lei nº 7.844, de 1989)
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
LXXVII - são gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da
lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. (Regulamento)
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Princípio da Razoável duração do Processo
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua
tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide ADIN
3392)
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais,
inclusive nos meios digitais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022)
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata.
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos
dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Atos
aprovados na forma deste parágrafo: DLG nº 186, de 2008 , DEC 6.949, de
2009 , DLG 261, de 2015 , DEC 9.522, de 2018 ) (Vide ADIN 3392)
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação
tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Perguntas e respostas para aprofundamento
Art 5º CF
Direito à intimidade/vida privada: Art. 5°, X, XXXIII, Art. 1º, inciso III, da
CRFB/88
Direito de reunião / manifestação de expressão: Art. 5º, inciso IV, IX, XVI, da
CRFB/88
Princípios:
Legalidade – 5º,II CF
Inafastabilidade Jurisdicional – Art 5 XXXV
Juiz natural – Art 5º LIII
Devido processo legal – 5º LIV
Contraditório e ampla defesa – 5º LV
Presunção da inocência – 5º LVII
Razoável duração do processo – 5º LXXVII
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1) O que são os direitos de primeira, segunda e terceira geração?
Geração 1º Geração 2º Geração 3º Geração
Palavra-chave Liberdade Igualdade Fraternidade
Obrigação de Não Prestações
fazer (liberdade positivas
negativa)
Direitos Direitos civis e Econômicos, Direitos coletivos e os
Políticos sociais e culturais. difusos
Exemplos O direito de saúde, à educação, Consumidor, direito ao
propriedade, o trabalho. meio-ambiente
locomoção, ecologicamente
associação, reunião. equilibrado.
2) Existe direito de quarta e quinta geração?
Para Bonavides os direitos de quarta geração estão relacionados à globalização
(democracia, informação e pluralismo).
Bobbio entende ser de quarta geração os direitos relacionados à engenharia genética.
Parte da doutrina entende que existem direitos de quinta geração – direito à paz.
3) O rol do art.5º é exemplificativo?
Sim, pois existem outros direitos pela Constituição Federal, cito como exemplo o
direito ao meio ambiente.
3.1) O que é a eficácia horizontal dos direitos fundamentais?
É a aplicação dos direitos fundamentais entre particulares.
No brasil adota a teoria da eficácia direta e imediata - incidem diretamente nas
relações entre particulares. exemplo: em uma determinada sociedade empresária um
sócio deixou de cumprir suas atribuições, e em razão disso os outros sócios querem
tirá-lo da sociedade. Devem- lhe dar a ampla defesa e o contraditório, isso porque os
direitos fundamentais se aplicam também aos particulares.
4) Sobre a Vida, é um direito absoluto?
Não. Pois é admitido no Brasil a pena de morte no caso de guerra declarada.
5) A igualdade prevista no art.5º, I, CF deve ser entendida como uma igualdade
material ou formal?
Material, que significa dizer que pode haver tratamento diferente entre pessoas que
estão em situações diferentes. São as chamadas ações afirmativas. Exemplo: cotas
raciais.
6) Sobre o art.5, V é possível que o Código Penal criminalize a defesa da
legalização das drogas?
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Não. É possível manifestações em eventos públicos, a denominada ―marcha da
maconha‖, da mesma forma que é possível a defesa da legalização do aborto.
7) Para ser jornalista deve haver o diploma de jornalismo?
Não. Segundo as palavras de Gilmar Mendes: ―o jornalismo e a liberdade de
expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem
ser pensados e tratados de forma separada‖
8) Sobre a liberdade religiosa:
a) No Brasil existe religião oficial?
Não. O Brasil é Estado Laico.
b) O ensino religioso é de matrícula obrigatória?
Não. É de matrícula facultativa. Art.210§1ºCF
c) As escolas públicas podem adotar uma religião específica, ou seja, ter caráter
confessional?
Sim.
d) A imunidade tributária – Vedação aos entes de instituírem impostos sobre o
templo de qualquer culto, alcança os cemitérios?
Sim, pois consubstanciam extensões de entidade de cunho religioso, sendo vedada a
instituição de IPTU sobre eles.
9) Sobre a comunicação telefônica:
a) Quem pode quebrar o sigilo bancário?
Poder judiciário, CPI federal ou Estadual, Ministério público (quando houver
dinheiro público envolvido).
Cuidado: Tribunal de Contas não podem determinar a quebra do sigilo bancário.
b) ANOTE O JULGADO:
A gravação ambiental meramente clandestina, realizada por um dos interlocutores,
não se confunde com a interceptação, objeto cláusula constitucional de reserva de
jurisdição. É lícita a prova consistente em gravação de conversa telefônica
realizada por um dos interlocutores, sem conhecimento do outro, se não há
causa legal específica de sigilo nem de reserva da conversação.
(AI 560223 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado
em 12/04/2011, DJe 28/04/2011).
PROVAS LÍCITAS PROVAS ILÍCITAS
Gravação telefônica feita por um dos Prova obtida por meio de interceptação
interlocutores sem autorização judicial, telefônica sem autorização judicial.
caso haja investida criminosa daquele
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que desconhece que a gravação está
sendo feita.
Gravação ambiental realizada por um Prova obtida por meio de interceptação
dos interlocutores sem conhecimento do telefônica unicamente por meio de
outro. denúncia anônima.
Provas obtidas mediante confissão
durante prisão ilegal.
10) Sobre o art 5º XI:
A) O conceito de casa é amplo ou restrito?
Amplo, sendo considerado qualquer compartimento privado não aberto ao público,
cito como exemplo: escritórios profissionais, consultórios médicos, barcos e até
mesmo quarto de hotel.
Cuidado: Não pode ser considerada ―casa‖ bares e restaurantes.
A boleia de um caminhão está protegida pela inviolabilidade?
Segundo o STJ não, pois o caminhão não é estático, não podendo, portanto, ser
reconhecido como local de trabalho. Ok, mas como poderia cair isso em prova?
A arma apreendida no interior de um caminhão configura o crime de porte ilegal e
não crime de posse, pois o caminhão não é estático, não podendo, portanto, ser
reconhecido como local de trabalho.
B) João mora em seu escritório, mas utiliza-o para praticar atos ilícitos. É
possível o ingresso durante a noite para a instalação de equipamentos de
captação de som?
Sim, pois ele não pode invocar a inviolabilidade de domicílio para praticar atos ilícitos.
C) Analise o caso a seguir que foi cobrado pela banca FGV: Antônio, pessoa
do povo, percebeu que uma criança de aproximadamente 4 anos estava
sendo duramente espancada por um adulto, no interior de uma casa,
durante a noite. Antônio pode ingressar na casa do sem consentimento
do morador?
Sim. Vejamos:
Art 5º XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito
ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial;
11) A Administração Penitenciária pode interceptar a correspondência remetida
pelo sentenciado?
Vejamos o julgado do STF:
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―a Administração penitenciária, com fundamento em razões de segurança pública, de
disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode, sempre
excepcionalmente, e desde que respeitada a norma inscrita no art. 41, parágrafo
único, da Lei 7.210/1984, proceder à interceptação da correspondência remetida pelos
sentenciados, eis que a cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode
constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas.
12) Sobre o acesso à informação:
Art 5º XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e RESGUARDADO o SIGILO
da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob
qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o
disposto nesta Constituição.
Exemplo: Augusto Silva, candidato a vereador, ingressou na justiça para impedir a
veiculação de matéria, em jornal de grande circulação, que relembra as acusações de
desvio de verbas que lhe foram imputadas. O fato lhe rendeu um processo criminal, do
qual foi inocentado por falta de provas, há mais de seis meses.
O candidato alega que, com o trânsito em julgado da sentença, não há mais
interesse na divulgação da informação e que a matéria pode prejudicar sua
campanha.
Augusto Silva pode impedir a circulação da matéria?
Não. Augusto Silva não pode impedir a circulação da matéria, em razão da liberdade
jornalística e de comunicação, bem como da liberdade de informação.
13) Em relação ao art 5º XVI: Qual o remédio cabível se o direito de reunião for
violado?
Mandado de Segurança.
14) Art 5º XXXIV -Quando o Poder Público nega a certidão ilegalmente, cabe qual
remédio?
Mandado de segurança.
15) Quanto a Súmula Vinculante 11:
A utilização de algemas somente pode ser utilizada em situações excepcionais
(resistência, fundado receio de fuga ou perigo à integridade física), justificados por
escrito. A desobediência a essa regra implicará em responsabilidade do agente ou da
autoridade, bem como na nulidade da prisão.
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16)
Remédios Mandado Habeas Habeas Mandado Ação Popular
De Data Corpus de injunção
Segurança
Finalidade Proteger Proteger Proteger o Suprir a falta Contra ato
direito direito Direito de de norma lesivo ao patrimônio
líquido e relativo a locomoção regulamenta público, moralidade
certo. informação dora administrativa, ao meio
/retificação/ ambiente e ao patrimôn
anotação io histórico e cultural,
sobre a
pessoa do
impetrante.
Gratuidade? NÃO SIM SIM NÃO Regra : SIM
Exceção:
Se comprovada a má-fé
16.1) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em
favor dos associados depende da autorização destes?
Não. Súmula 629 STF: A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade
de classe em favor dos associados independe da autorização destes.
17) Analise o caso cobrado no concurso realizado pela banca CESPE - 2019 - TCE-
RO - Procurador do Ministério Público de Contas:
Determinado cidadão solicitou acesso a documentos presentes em processo
administrativo de prestação de contas de convênio celebrado entre a União e o
município onde ele residia. A autoridade competente para analisar o pedido decidiu-se
pelo seu indeferimento, com base no fato de que os documentos solicitados não eram
relacionados a dados pessoais do solicitante. Irresignado, o cidadão ajuizou uma
ação judicial.
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou,
e agora, José?
Rsrsrs! A resposta é... Mandado de Segurança. Mas por qual motivo, prof? É
uma informação, mas não é personalíssima... logo não caberia Habeas Data.
17)
Não cabe Habeas Corpus: Não Cabe Mandado de Não cabe Mandado de
Segurança: Injunção:
Impugnação de pena de Contra decisão judicial da Se já houver norma
multa. S. 643 STF qual caiba recurso com efeito regulamentadora do direito
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suspensivo constitucional, mesmo que
esta seja defeituosa.
Impugnação de quebra de Contra ato administrativo do Na falta de regulamentação
sigilo bancário, fiscal ou qual caiba recurso com efeito de medida provisória ainda
telefônico. suspensivo. não convertida em lei pelo
Congresso Nacional.
Impugnação de suspensão Contra decisão judicial Se faltar norma
dos direitos políticos transitada em julgado; regulamentadora de direito
infraconstitucional (pois MI é
para norma da Constituição).
Impugnação de quebra de Contra lei em tese, exceto se
sigilo bancário, fiscal ou produtora de efeitos
telefônico. concretos;
Quando já extinta a pena Contra decisões jurisdicionais
privativa de liberdade. do STF
S.695 STF
Art 142§2º CF Para discutir o
mérito de punições
disciplinares militares.
Cuidado: Para discutir a
legalidade de punições
disciplinares militares cabe
HC
Para o trancamento de
processo por crime de
responsabilidade atribuído ao
presidente da República, uma
vez que as sanções para tal
espécie de infração são de
índole político-administrativa.
Contra imposição de pena de
exclusão de militar ou de
perda de patente ou de
função pública.
18) Sobre a associação:
A) Para criar uma associação deve existir autorização estatal?
Art 5º XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu
funcionamento;
B) Analise esse caso cobrado pela FGV - 2019 - TJ-CE - Técnico Judiciário -
Área Técnico-Administrativa:
Com vistas a permitir que as pessoas se defendam do crescimento vertiginoso
da violência na Cidade Alfa, algumas dezenas de pessoas decidem criar, com esse
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objetivo social, a Associação Beta. Foram estabelecidos como requisitos, para o
ingresso na associação, que a pessoa tivesse direito ao porte de arma, que seria
usada diariamente nas atividades internas e externas dos associados, e aceitasse
vestir o uniforme da associação.
A associação Beta poderia funcionar nessas condições?
Não poderia funcionar, em razão do seu nítido caráter paramilitar.
O que eu quero que você saiba?
Art.5º XVII CF - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a
de caráter paramilitar;
C) Para suspender as atividades de uma associação ou para dissolver deve
existir decisão judicial?
Sim. Tanto para a SUSPENSÃO quanto para DISSOLUÇÃO deve existir
decisão judicial. Ocorre que na SUSPENSÃO dispensa o trânsito em julgado, e
na DISSOLUÇÃO deve haver.
Art 5º XIX - As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou
ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro
caso, o trânsito em julgado;
D) Analise o caso hipotético cobrado pela banca FGV no TJ-AL/2018: Pedro
recebeu notificação da associação de moradores da localidade em que
reside fixando o prazo de 15 (quinze) dias para que ele apresentasse os
documentos necessários à sua inscrição na referida associação.
Ultrapassado esse prazo, Pedro, segundo a notificação, incorreria em
multa diária e seria tacitamente inscrito. Pedro está obrigado a atender a
notificação?
ART 5º XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer
associado;
Logo, Pedro não está obrigado a atender a notificação.
18) Sobre o Tribunal do Júri:
a) O tribunal do júri possui competência para crimes dolosos ou
culposos contra a vida?
Dolosos
b) A competência do Tribunal do Júri pode ser afastada por lei?
Não, inclusive não poderá ser usurpada por vara criminal, nem alterada a sua
forma de composição, pois deve ser definida em lei nacional.
c) Quem julga no caso de latrocínio?
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O latrocínio é o roubo seguido de morte, logo é considerado crime contra o
patrimônio, sendo de competência do Juiz Singular.
d) Procuradores estaduais, defensores públicos estaduais e vereadores
que possuem foro por prerrogativa derivado UNICAMENTE da
Constituição Estadual, caso venham cometer um crime doloso contra
a vida serão julgados onde?
Serão julgados no Tribunal do Júri. Pois,segundo a Súmula Vinculante 45 ―A
competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa
de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual‖.
19) Julgados:
a) A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da CF, aplica-se para
condenados a penas restritivas de direitos?
Sim. A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da Constituição
Federal, aplica-se no caso de substituição da pena privativa de liberdade pela
restritiva de direitos.
STF. Plenário. RE 601182/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 8/5/2019 (repercussão geral) (Info 939)
b) É possível que uma lei estadual permita o sacrifício de animais em cultos de
religião de matriz africana?
Sim.
c) Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa autoriza o
ingresso sem mandado judicial ou consentimento do morador?
Não. Necessita que haja fundadas razões.
d) A gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores, sem
conhecimento do outro, quando ausente causa legal de sigilo ou de reserva da
conversação é considerada prova ilícita?
Não.
e) A publicação de informações falsas em veículos de comunicação social está
assegurada pela liberdade de imprensa?
Não. O que não encontra abrigo sob a liberdade de expressão e imprensa
segundo o entendimento majoritário é a divulgação de fato sabidamente falso.
f) Editais de concurso público podem estabelecer restrição a pessoas com
tatuagem?
Como regra: Não. Salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole
valores constitucionais.
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19) FICA A DICA:
1) Informativo 907 do STF A liberdade de expressão autoriza que os meios de
comunicação optem por determinados posicionamentos e exteriorizem seu juízo
de valor, bem como autoriza programas humorísticos, ―charges‖ e sátiras
realizados a partir de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio e vídeo,
como costumeiramente se realiza, não havendo nenhuma justificativa
constitucional razoável para a interrupção durante o período eleitoral.
2) Informativo 735 de 2014 do STF: A vedação do exercício da atividade de
advocacia por aqueles que desempenham, direta ou indiretamente, atividade
policial, não afronta o princípio da isonomia.
3) Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas
ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação
criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento
administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às
quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam
despontado à colheita dessa prova . STF. Plenário. Inq 2424 QO-QO / RJ - RIO DE
JANEIRO. Relator(a): Min. Cezar Peluso. Julgamento: 20/07/2007
4) A imunidade tributária conferida pelo art. 150, VI, b, é restrita aos templos de
qualquer culto religioso, não se aplicando à maçonaria, em cujas lojas não se
professa qualquer religião.
5. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: AGENTES PÚBLICOS E 8.112/90
Leitura : Art. 37, art 38, 41, 169 e lei 8.112/90
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que
preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma
da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica,
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas
estrangeiros, na forma da lei.
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II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em
concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele
aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com
prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei
específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas
portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos
públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos.
Violação ao princípio da moralidade e impessoalidade
1) Como regra é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, mas
existe exceção?
Art. 37 XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto,
quando HOUVER COMPATIBILIDADE DE HORÁRIOS, observado em qualquer caso
o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas;
1.1) A possibilidade de acumulação aplica-se aos militares?
Sim. Art 42§3º Aplica-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos
Territórios o disposto no art. 37, inciso XVI, com prevalência da atividade militar.
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2) Diferença entre Readaptação, Reintegração, Reversão, Recondução.
READAPTAÇÃO RECONDUÇÃO REINTEGRAÇÃO *o REVERSÃO
que mais cai em
Art. 24 8.112/90 Art. 29 8.112/90 prova* Art. 25 8.112/90
(DOENTE) Art. 28 8.112/90
É a investidura do Decorre de: A reintegração é a É o retorno à
servidor em cargo reinvestidura do atividade de
de atribuições e I - Inabilitação em servidor estável no servidor
responsabilidades estágio probatório cargo anteriormente aposentado:
compatíveis com a relativo a outro ocupado, ou no
limitação que tenha cargo; cargo resultante de 1) Por invalidez
sofrido em sua sua transformação,
capacidade física II - Reintegração do quando invalidada a 2) No interesse da
ou mental verificada anterior ocupante. sua demissão por administração,
em inspeção decisão desde que:
médica administrativa ou
judicial, com a) tenha solicitado a
ressarcimento de reversão;
todas as vantagens.
b) a aposentadoria
tenha sido
voluntária
c) estável quando
na atividade
d) a aposentadoria
tenha ocorrido nos
cinco anos
anteriores à
solicitação;
e) haja cargo vago.
Se julgado incapaz Encontrando-se
para o serviço provido o cargo de
público, o origem, o servidor
readaptando será será aproveitado em
aposentado. outro.
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A readaptação será Na hipótese de o
efetivada em cargo cargo ter sido
de atribuições afins, extinto, o servidor
respeitada a ficará em
habilitação exigida, disponibilidade.
nível de Encontrando-se
escolaridade e provido o cargo, o
equivalência de seu eventual
vencimentos e, na ocupante será
hipótese de RECONDUZIDO ao
inexistência de cargo de origem,
cargo vago, o sem direito à
servidor exercerá indenização ou
suas atribuições aproveitado em
como excedente, outro cargo, ou,
até a ocorrência de ainda, posto em
vaga. disponibilidade.
3) A exoneração de ofício do servidor público acontece por quais motivos?
Art. 34 8.112/90) - A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do
servidor, ou de ofício.
Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:
I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório;
II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no
prazo estabelecido.
Demissão tem caráter de punição, exoneração não!
4) Sobre a Sindicância:
a) A sindicância para apurar irregularidades poderá resultar:
I - arquivamento do processo;
II - aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 dias;
III - instauração de processo disciplinar.
b) Art. 146 8.122/90. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição
de penalidade de suspensão por mais de 30 dias, de demissão, cassação de
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aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será
obrigatória a instauração de processo disciplinar.
5) É possível o afastamento preventivo do Servidor? Qual o prazo máximo? A
pessoa continuará recebendo a remuneração?
Art. 147. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir
na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar
poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60
(sessenta) dias, sem prejuízo da remuneração.
Parágrafo único. O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo
o qual cessarão os seus efeitos, ainda que não concluído o processo.
6) Existe prescrição em relação a ação disciplinar para punir o servidor?
Começa a contar a partir de quando?
Art.142 da 8.112/90
ADVERTÊNCIA: 180 dias.
SUSPENSÃO: 2 anos.
DEMISSÃO: 5 anos.
ATENÇÃO: O PRAZO DE PRESCRIÇÃO COMEÇA A CORRER DA DATA EM
QUE O FATO SE TORNOU CONHECIDO.
7) Quando o servidor leva mais de uma advertência, o que deve ser feito?
Art. 130 - SUSPENSÃO - será aplicada em caso de reincidência das faltas
punidas com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem
infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa)
dias.
8) As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se?
Art.125- As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
9) Existe alguma situação em que a responsabilidade administrativa será
afastada?
Art.126- A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de
ABSOLVIÇÃO CRIMINAL que negue a EXISTÊNCIA DO FATO ou sua AUTORIA.
10) É possível a REVISÃO do processo administrativo quando não couber mais
nenhum recurso? Pode reformar para pior?
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Art. 174 da lei 8.112/90 É possível a revisão a QUALQUER TEMPO, desde que
haja FATOS NOVOS, não podendo reformar para pior.
11) Qual o prazo da nomeação até a posse do servidor público? Qual o prazo da
posse até o exercício?
Art.13§1 da 8.112/90 e 15§1º da 8.112/90
Nomeação até a posse: 30 dias; Posse até o exercício: 15 dias.
12) A posse poderá ocorrer por procuração específica?
Sim. Art. 13§3º 8.112/90
13) Sobre os agentes públicos, quem são os honoríficos?
Honoríficos: convocados para prestar, transitoriamente, serviços relevantes,
exemplos: mesários eleitorais, júri. Normalmente, não há remuneração.
14) Sobre concurso público, qual é o prazo de validade?
Art. 37, III - Até 2 anos, podendo ser prorrogado por igual período.
15) Cargo em comissão e função de confiança destinam-se apenas...
Direção, chefia e assessoramento – Art. 37, V.
16) Servidor tem direito de greve? E militar?
Os servidores civis possuem direito de greve (art.37,VII CF) , salvo os
militares e os policiais civis.
Art.142,IV CF - Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;
17) Sobre a estabilidade:
a) Empregado Público possui? Quem ocupa cargo em comissão possui?
Somente servidores efetivos, não se aplica empregados e cargo em comissão.
b) Estabilidade após quantos anos?
Art. 41 da CF: Servidores efetivos - 3 anos exercício + avaliação especial
(Obs: Empregado público não tem estabilidade).
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c) Servidor estável pode perder o cargo?
Art. 41 CF
SÓ PODE PERDER O CARGO:
▪ SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO
▪ PAD COM AMPLA DEFESA
▪ AVALIAÇÃO ESPECIAL (LEI COMPLEMENTAR)
18) Qual a idade para aposentadoria compulsória?
75 anos com proventos proporcionais. Cuidado: A aposentadoria compulsória
não se aplica para cargos comissionado, nem Tabelião.
19) Sobre a aposentadoria:
Art 40 III CF - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, se
mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e, no âmbito dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na idade mínima estabelecida mediante
emenda às respectivas Constituições e Leis Orgânicas, observados o tempo de
contribuição e os demais requisitos estabelecidos em lei complementar do respectivo
ente federativo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
20) Súmulas importantes:
SÚMULA VINCULANTE 5 - A falta de defesa técnica por advogado no processo
administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
SÚMULA VINCULANTE 21 - É inconstitucional a exigência de depósito ou
arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso
administrativo.
SÚMULA VINCULANTE 37 - Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de
isonomia.
SÚMULA VINCULANTE 44 - Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a
habilitação de candidato a cargo público.
SÚMULA 18 STF - Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo
criminal, é admissível a punição administrativa do servidor público.
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SÚMULA 19 STF - É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no
mesmo processo em que se fundou a primeira.
SÚMULA 20 STF - É necessário processo administrativo com ampla defesa, para
demissão de funcionário admitido por concurso.
SÚMULA 21 STF - Funcionário em estágio probatório não pode ser exonerado nem
demitido sem inquérito ou sem as formalidades legais de apuração de sua
capacidade.
SÚMULA 683 STF - O limite de idade para a inscrição em concurso público só se
legitima em face do art. 7o, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela
natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.
SÚMULA 684 STF - É inconstitucional o veto não motivado à participação de
candidato a concurso público.
SÚMULA 685 STF - É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao
servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
SÚMULA 266 STJ - O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser
exigido na posse e não na inscrição para o concurso público.
SÚMULA 377 STJ - O portador de VISÃO MONOCULAR tem direito de concorrer, em
concurso público, às vagas reservadas aos deficientes.
SÚMULA 552 - STJ "O portador de SURDEZ UNILATERAL não se qualifica como
pessoa com deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos
públicos."
SÚMULA 373 STJ - É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de
recurso administrativo.
SÚMULA 591 STJ - É permitida a prova emprestada no processo administrativo
disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o
contraditório e a ampla defesa.
SÚMULA 592 STJ - O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo
disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa.
SÚMULA 611 STJ - Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação
ou sindicância, é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com
base em DENÚNCIA ANÔNIMA, em face do poder - dever de autotutela imposto à
administração.
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6. NACIONALIDADE
CF: Art 5º LI, Art.12, Art 14§3,I, Art 22, XIII, Art 62§1,I,A , 68§1,II, 109,X, Art
91, Art 222, 89,VII
Lei 13.445/17
1) Quais são as espécies de nacionalidade?
Primária ou originária – Brasileiro nato.
Secundária ou adquirida – Brasileiro naturalizado
2) Sobre a nacionalidade primária:
a) As hipóteses previstas no art. 12, I CF são taxativas ou exemplificativas?
Exaustivas, taxativas.
b) Critério jus soli / Territorial:
Será considerado brasileiro nato o indivíduo nascido em território nacional,
independentemente da nacionalidade de seus ascendentes.
c) O critério territorial possui ressalva?
Sim. Não será considerado brasileiro nato, o filho de pais estrangeiros (os dois
devem ser estrangeiros); e qualquer deles (um ou outro) esteja a serviço do país de
origem, no Brasil.
Exemplo: Um diplomata argentino veio a residir no Brasil acompanhado de sua
esposa (também argentina), a serviço de seu país de origem. A argentina teve um
bebê no Brasil, mas este não será brasileiro nato, pois os DOIS são estrangeiros e o
PAI está a serviço do país de origem.
d) Se um diplomata argentino, vier ao Brasil a serviço do país, e casa com
uma brasileira e passa a ter um filho com ela, o filho deles será nato?
Sim, pois a mãe é nacional, e a ressalva do critério territorial é quando OS DOIS
são estrangeiros.
e) Se um casal de argentinos vier para o Brasil a serviço de empresa privada
argentina ou para servir o governo de outro país (exemplo, defender os
interesses do governo da Dinamarca) o filho deles que nascer aqui Brasil é
nato?
Sim, pois embora os pais sejam estrangeiros não estão no Brasil servindo o PAÍS
DE ORIGEM.
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f) O Brasil adota também o critério sanguíneo/ jus sanguinis? Quais são as
possibilidades?
Sim, sendo três possibilidades:
a) Art 12,1 ―b‖ CF/88 – bebê nascido no estrangeiro, filho de pai E/OU mãe
brasileiros, estando QUALQUER um a Serviço da República Federativa do Brasil
(diplomática, administrativa ou consular) . Pelo sangue (e não por ter nascido no
Brasil) o bebê será brasileiro nato.
b) Art 12, I, ―c‖ 1ª parte, CF/88 – Apesar do bebê nascer no estrangeiro, se for
filho de pai OU mãe brasileiros ( que não estejam a serviço do Brasil) , e for
registrada em repartição brasileira competente, o bebê será nato.
c) Art 12,I, ―c‖ CF/88 – 2ª parte, CF/88 – O bebê nasce no estrangeiro, mas é
filho de pai E/OU mãe brasileiros, e posteriormente vem residir na República federativa
do Brasil, e opta após atingir a maioridade, A QUALQUER TEMPO, pela
nacionalidade Brasileira – será brasileiro nato.
Obs: realização da opção confirmativa – é personalíssima, só pode ser feita
após a maioridade e deve ser feita em juízo, que tramita perante a Justiça Federal –
Art 109, X, CF.
Obs: Mas se a pessoa vier a residir ainda menor de idade no Brasil, como
ficará a sua situação?
Ela por ser menor de idade não poderá fazer ainda a opção, nem seus pais
poderão fazer por ela (pois é personalíssima), mas será considera brasileira nata até
os dezoito anos. Quando chegar aos 18 anos, enquanto não for efetivada a sua opção,
a condição de brasileira nata ficara suspensa.
Resumindo: É concedida uma nacionalidade primária provisória, que fica
suspensa a partir da maioridade, quando a opção (ex tunc – retroativos) já pode ser
feita perante a Justiça Federal.
g) Vamos para um caso prático para ficar fácil o entendimento?
Exemplo: Os amigos Ednaldo e José Carlos travaram intensa discussão a respeito de
sua relação com a República Federativa do Brasil. Ednaldo, com 35 anos de idade,
nascera na Áustria e era filho de pai brasileiro e mãe austríaca, os quais trabalhavam
em uma organização civil protetora dos animais. Ednaldo nunca residiu em território
brasileiro. José Carlos, 21 anos de idade, filho de pais austríacos, por sua vez, nasceu
no Brasil na época em que os seus pais trabalhavam na embaixada austríaca, tendo
em seguida viajado para a Áustria, de onde nunca mais saiu.
E aí, quem é nato?
Ednaldo: nasceu no estrangeiro, nunca residiu no Brasil, filho de pai brasileiro
que não estava a serviço do País Somente será considerado NATO se tiver sido
registrado em repartição brasileira competente ou venha a residir no Brasil e opte pela
nacionalidade brasileira.
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Quanto à situação de José Carlos: filho de pais estrangeiros, nasceu no
território brasileiro enquanto seus pais estavam a serviço do país de origem deles
(Áustria). Neste caso, pode-se afirmar que José Carlos não é brasileiro nato, pois,
embora tenha nascido no Brasil, seus pais estavam a serviço da Áustria.
3) Nacionalidade secundária (ou adquirida)
Ato voluntário – naturalização.
a) Existe naturalização implícita no Brasil?
Não, a naturalização depende de declaração volitiva do interessado, logo é
expressa.
b) Sobre a naturalização ordinária:
- Podem se naturalizar brasileiros os indivíduos originários de países de língua
portuguesa, desde que possuam residência ininterrupta por UM ANO e idoneidade
moral.
- Mesmo que preencham todos os requisitos, não gera direito subjetivo à
naturalização.
- O procedimento sempre será administrativo, transcorre perante o Ministério
da Justiça até a decisão do Presidente da República. Ao final existe um ato
jurisdicional que é a entrega do certificado de naturalização feito pela Justiça Federal
com efeitos ex nunc.
c) Sobre a naturalização extraordinária:
Residência ininterrupta no território nacional por mais de QUINZE ANOS;
Ausência de condenação penal;
Requerimento de naturalização.
Se preencher todos os requisitos da naturalização extraordinária – existe direito
público subjetivo à naturalização.
4) O que é quase nacionalidade (ou brasileiros por equiparação)?
É a figura do português equiparado. Se houver reciprocidade em favor de
brasileiros residentes em Portugal, os portugueses que residam no Brasil terão
tratamento jurídico parecido ao do brasileiro naturalizado, sem precisar de qualquer
procedimento de naturalização, ou seja, os portugueses continuarão estrangeiros,
ficando na condição de quase nacionais.
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5) Existem direitos que os brasileiros naturalizados possuem e os portugueses
equiparados não possuem?
Sim. Os portugueses equiparados não podem prestar o serviço militar, se
sujeitam a expulsão e a extradição.
6) Existe distinção entre brasileiro nato e naturalizado?
Sim, hipóteses taxativas.
Quanto aos cargos:
Privativos de Brasileiro Nato - Macete: MP3.COM – Art 12§3º CF
Presidente da República;
Vice- Presidente da República;
Presidente da Câmara dos Deputados;
Presidente do Senado Federal;
Ministro do Supremo Tribunal Federal;
Carreiras diplomáticas
Oficial das forças armadas
Ministro de Estado da DEFESA.
Quanto a função:
Assentos no Conselho da República – Art 89, VII, CF – seis assentos no Conselho para
brasileiros natos.
Quanto a propriedade de empresa jornalística/radiofusão sonora e de sons e
imagens:
Art 222§1 CRFB:
Brasileiros natos
Brasileiros naturalizados há mais de 10 anos.
7) O brasileiro naturalizado pode ser extraditado no caso de crime político
ou de opinião?
Não pode haver extradição no caso de crime político ou de opinião.
7.DOS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
Ver art.60,§4º,II CF – Cláusula Pétrea.
I - plebiscito; (consulta prévia)
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Ver art. 18§3º e §4º CF, 49,XV
II - referendo; (consulta posterior)
Ver art. 49, XV.
III - iniciativa popular.
Ver art. 27§4º, 29,XIII, Art. 61§2º CF
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
OBS: Com fundamento no Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e na
exceção constitucionalmente prevista para os maiores de setenta anos, o TSE
adotou resolução no sentido de que a pessoa cuja deficiência inviabilize ou torne
extremamente oneroso o exercício de suas obrigações eleitorais não pode
sofrer qualquer penalidade por não se alistar ou deixar de votar. (TSE – PA
18.483/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, 19.09.2004).
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do
serviço militar obrigatório, os conscritos.
OBS: O conceito de conscrito também abrange os médicos, dentistas,
farmacêuticos e veterinários que prestam serviço militar obrigatório. (Lei nº
5.292/67, art. 4º).
Direitos Políticos Positivos
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
OBS: Aos portugueses com residência permanente no país, caso haja
reciprocidade por parte de Portugal em relação aos brasileiros lá residentes, são
assegurados os mesmos direitos políticos inerentes ao brasileiro naturalizado –
Ver. Art. 12, §1º, CF.
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II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
OBS: Domicílio Eleitoral não se confunde com Domicílio civil, sendo que, a
circunstância de o eleitor residir em determinado município não o impede de
se candidatar em outra localidade, onde é inscrito e com a qual mantém
vínculos negociais, patrimoniais, profissionais, afetivos ou políticos. (TSE – Resp
18.124/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, 16.11.2000).
V - a filiação partidária; Regulamento
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito,
Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
OBS: A idade mínima constitucionalmente estabelecida como condição de
elegibilidade deve ser verificada tendo por referência a data da posse, salvo
quando fixada em dezoito anos, hipótese em que será aferida na data-limite para
o período de registro (Lei nº 9.504/97, art.11, §2º).
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
OBS: ―As restrições que geram as inelegibilidades são de legalidade estrita, razão
pela qual, em regra, não podem ser interpretadas extensivamente‖ (TSE – Resp
4248-39 AgR/SE, Rel. Min. Arnaldo Versiani, DJE 04.09.2012).
Inelegibilidade relativa em razão do cargo
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os
Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão
ser reeleitos para um único período subsequente. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 16, de 1997)
OBS: Nesse caso, o Chefe do Poder Executivo não precisa se afastar de suas
funções antes do término do primeiro mandato, pois o objetivo da reeleição é
exatamente permitir uma continuidade administrativa. (STF – ADI 1.805 MC/DF,
Rel. Min. Néri da Silveira).
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OBS: A vedação prevista para os casos de eleição somente é aplicável à hipótese de
―sucessão‖, ocorrida quando há vacância definitiva do cargo. A mera ―substituição‖
não deve ser computada para fins de reeleição. (STF – RE 318.494, Rel. Min.
Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ 3.9.2004),
OBS: O Vice que houver sucedido o titular e, nas eleições seguintes, tiver sido eleito
para o mesmo cargo, não poderá se candidatar novamente para as próximas
eleições. (STF – RE 366.488/SP Rel. Min. Carlos Velloso. DJ 28.10.2005).
Desincompatibilização
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os
Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos
respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
OBS: Em respeito ao Princípio Republicano, após eleger-se por duas vezes
consecutivas, o prefeito só pode se candidatar a cargos de parlamentar, governador
ou presidente e desde que respeitado o prazo para desincompatibilização. (STF –
RE 637.485/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, Pleno, 01.08.2012).
Inelegibilidade reflexa (ou por parentesco)
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da
República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou
de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
OBS: O TSE assentou que o cônjuge e os parentes do Chefe do Executivo são
elegíveis para o mesmo cargo do titular, quando este for reelegível e tiver se
afastado definitivamente até seis meses antes do pleito.
OBS: A inelegibilidade reflexa se restringe ao território de jurisdição do titular, razão
pela qual se admite a candidatura, para município vizinho, de cônjuge ou
parente de prefeito reeleito, salvo quando o município resultar de
desmembramento. (TSE – Consulta 1.811-06/DF, Rel. Min. Dias Toffoli 05.06.2012).
OBS: Súmula Vinculante nº 18 – ―A dissolução da sociedade ou do vínculo
conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no §7º do art.
14 da Constituição Federal‖.
Cargos não eletivos
OBS: Ver Art. 95, parágrafo único, III, CF (Magistrados) e Art. 128, §5º, II, CF.
(MP).
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
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OBS: A CF permite a elegibilidade de militares alistáveis, mas, ao mesmo tempo,
proíbe a filiação a partido político dos que estiverem em serviço ativo. (Ver
Art. 142, V, CF).
Para os militares, a obrigação constitucional da filiação será suprida pelo
registro de candidatura após prévia escolha em convenção partidária.
(Resolução nº21.608/2004, TSE).
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e,
se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de
sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para
exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou
indireta. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 1994)
OBS: Lei Complementar nº 64/1990, recentemente alterada pela Lei
Complementar nº 135/2010 (Lei da Ficha Limpa) – PRINCIPAIS PONTOS:
Ficarão inelegíveis e, por isso, não obterão o registro da candidatura, os
candidatos que forem condenados criminalmente por órgão colegiado,
ainda que a decisão não seja definitiva.
O condenado ficará inelegível por oito anos.
Os crimes culposos, os de menor potencial ofensivo e os de ação penal
privada não mais resultam em inelegibilidade.
§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de
quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder
econômico, corrupção ou fraude.
§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça,
respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
OBS: A ação de impugnação de mandato eletivo é uma ação de conhecimento, de
rito ordinário, com dispensa de prova pré-constituída. Seu prazo (de quinze dias) é
decadencial e ela pode ser proposta pelo Ministério Público Eleitoral, por partidos
políticos, coligações e por candidatos que tiverem concorrido nas eleições.
Perda ou suspensão dos direitos políticos
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda (definitiva) ou
suspensão (temporária) só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
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qualquer tipo de repasse.
OBS: Havendo o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado,
quando comprovada a prática de atividade nociva ao interesse nacional (ver Art. 12,
§4º, I, CF), o indivíduo retorna à condição de estrangeiro e, consequentemente, fica
privado de exercer direitos políticos no Brasil.
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
OBS: Súmula 09, TSE – ―A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação
criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena,
independendo de reabilitação ou de prova de reparação dos danos‖.
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos
do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
OBS: A privação temporária ou definitiva dos Direitos Políticos (prevista no Art. 15, CF)
impede o registro da candidatura, considerada a exigência de pleno exercício
dos direitos políticos.
Princípio da Anterioridade Eleitoral
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua
publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua
vigência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993)
OBS: Eficácia diferida – toda lei modificativa do processo eleitoral, publicada no
período de um ano antes das eleições, deve ter sua eficácia adiada para o pleito
subsequente. (STF – ADI 718/MA, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 05.11.1998).
OBS: O Princípio da Anterioridade Eleitoral é garantia individual do cidadão-
eleitor e, portanto, cláusula pétrea, cuja transgressão viola outras garantias
individuais, como os princípios da segurança jurídica (Art. 5º, caput, CF) e do devido
processo legal (Art. 5ª, LIV, CF). (STF – ADI 3.685/DF, Rel. Min. Ellen Gracie,
22.03.2006).
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CAPÍTULO V
DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos,
resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os
direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes
preceitos: Regulamento
I - caráter nacional;
Obs: A criação de partidos apenas em âmbito regional ou municipal não é
permitida pela CRFB/88.
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo
estrangeiros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e
estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e
provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de
escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua
celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as
candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus
estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
Autonomia partidária
Coligação partidária: Vários partidos se unem para apresentar um candidato.
proibição de coligações em eleições proporcionais (Ex: Deputado Federal,
Estadual e Vereador)
Ver a Emenda Constitucional 97:
Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições proporcionais,
prevista no § 1º do art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das eleições
de 2020.
Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição Federal quanto ao acesso
dos partidos políticos aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no
rádio e na televisão aplicar-se-á a partir das eleições de 2030.
Parágrafo único. Terão acesso aos recursos do fundo partidário e à
propaganda gratuita no rádio e na televisão os partidos políticos que:
I - na legislatura seguinte às eleições de 2018:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5%
(um e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das
unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos
em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais distribuídos em pelo
menos um terço das unidades da Federação;
II - na legislatura seguinte às eleições de 2022:
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qualquer tipo de repasse.
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2%
(dois por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das
unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos
em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais distribuídos em pelo
menos um terço das unidades da Federação;
III - na legislatura seguinte às eleições de 2026:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5%
(dois e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das
unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos
válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo
menos um terço das unidades da Federação.
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da
lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à
televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por
cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma
delas; ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo
menos um terço das unidades da Federação. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 97, de 2017)
§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste
artigo é assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro
partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins de
distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e
de televisão.
§ 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os
Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o
mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa
causa estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a migração de partido
para fins de distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e
de acesso gratuito ao rádio e à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
111, de 2021)
§ 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos recursos
do fundo partidário na criação e na manutenção de programas de promoção e difusão
da participação política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
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§ 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da parcela do
fundo partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o tempo de propaganda
gratuita no rádio e na televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas
candidatas, deverão ser de no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional ao número
de candidatas, e a distribuição deverá ser realizada conforme critérios definidos pelos
respectivos órgãos de direção e pelas normas estatutárias, considerados a autonomia
e o interesse partidário. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
Sabatina de direitos políticos e partidos políticos
CF: Art 14 ao 17 , 37§4º, 55 IV, 62§1,a, 68§1, II, 85 III, 108,IV, 142,V, 150,VI,C
Lei 9096/95
1) O exercício dos direitos políticos é gratuito?
Sim, art. 5, LXXVII CRFB – gratuidade dos ―atos necessários ao exercício da
cidadania‖.
2) O que é o direito de sufrágio?
É o direito público subjetivo que possuímos de votarmos e sermos votados.
Obs.: O direito é ao sufrágio, que será desempenhado através do voto.
A democracia prevista na CF/88 é a participativa ou semidireta.
3) Pode abolir o voto por meio de Emenda à Constituição?
Não. Art. 60 § 4 CRFB:
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
3.1) O que seria voto direto?
É aquele feito diretamente pelos cidadãos.
3.2) Existe hipótese de eleição indireta no Brasil? É constitucional?
Sim. Art. 81§1 CRFB
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial,
a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga,
pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
É constitucional pois foi enunciada pelo poder constituinte originário
3.2) O que é voto secreto?
É o sigiloso.
* Obs.: (STF – junho de 2018 – ADI 5889) - Suspendeu o art 59-A da Lei das
Eleições que instituiu a necessidade de impressão do voto eletrônico. Qual o
argumento dos ministros? esse artigo coloca em risco o sigilo e a liberdade do voto.
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3.3) O que é voto periódico?
Escolha dos representantes de tempos em tempos, evita-se a perpetuação no
poder
3.4) O que é o voto universal?
Direito e dever dos cidadãos comparecer às urnas.
3.5) O voto possui outras características?
Sim. O voto tem como característica ser personalíssimo, não pode votar por
procuração, e obrigatório. (maiores de 18 anos e menores 70 anos)
3.6) O voto obrigatório é cláusula pétrea?
Não. Podendo se tornar facultativo através de uma Emenda à Constituição.
4) É possível iniciativa popular para apresentação de projetos de lei?
Sim, tanto em âmbito federal (art 61§2 CF/88) em âmbito estadual (art 27§4) e
em âmbito municipal (art 29, XIII CF).
Na esfera federal: Apresentação a Câmara dos Deputados. Qual o
Quórum?
A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos
Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado
nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos
por cento dos eleitores de cada um deles.
4.1) O projeto de lei pode versar sobre mais de um assunto?
Não. Deve versar sobre apenas um assunto e não poderá ser rejeitado por
vício de forma, cabendo a Câmara dos Deputados, providenciar a correção de
eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação.
4.2) Qual o quórum para iniciativa popular em âmbito estadual e
municipal?
Art 27 § 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo
estadual.
Art.29 XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do
Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco
por cento do eleitorado
5) O que é plebiscito? O que é referendo?
São mecanismos de consulta popular. O plebiscito é uma consulta prévia ao
ato legislativo, cabendo aos cidadãos aprovar ou denegar. Já o referendo é uma
consulta posterior ao ato legislativo, cabendo aos cidadãos a ratificação ou rejeição.
6) Quem autoriza a realização de referendos, e convoca o plebiscito?
Congresso Nacional por decreto legislativo. Art 49, XV, da CRFB.
7) O alistamento e o voto são:
Obrigatórios: 18 a 70 anos
Facultativos: 16 a 18 anos; maiores de 70 anos; analfabetos.
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8) Estrangeiros podem se alistar como eleitores?
Não. Exceção: Os portugueses ―quase nacionais‖ que são equiparados aos
brasileiros naturalizados, se houver reciprocidade em favor dos brasileiros, podem ser
alistar como eleitores.
9) São inalistáveis:
Os conscritos (quem está cumprindo serviço militar obrigatório), os
estrangeiros, e os menores de 16 anos.
11) Qual é a idade mínima para se candidatar?
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e
Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito
Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital,
Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
Obs: Não há um limite máximo de idade para que um cidadão possa se
candidatar a um cargo político.
11.1) A idade mínima deve ser comprovada na posse ou no registro da
candidatura?
Na posse.
* Cuidado: A única exceção é do VEREADOR, pois deve comprovar a idade
mínima de 18 anos na data-limite para o pedido de registro.
12) Sobre a perda e a suspensão dos direitos políticos:
12.1) Qual é o único caso de perda dos direitos políticos?
A privação definitiva e permanente ocorre com o cancelamento da
naturalização por sentença com trânsito em julgado, que se dando em virtude de
atividade nociva ao interesse nacional. Art 12 §4º,I, CF.
Obs: Também é caso de perda quando um brasileiro ( nato ou
naturalizado) adquire outra nacionalidade de forma voluntária, ressalvados os casos
previstos na CRFB.
12.2) Quais são os casos de suspensão dos direitos políticos?
Incapacidade civil absoluta;
Condenação criminal transitada em julgado; (aos presos provisórios
não se aplica a suspensão).
Alegação de escusa de consciência (descumprir obrigação legal a
todos imposta, sob alegação de convicção íntima, religiosa, filosófica ou política E não
se dispor a cumprir a prestação alternativa, fixada em lei).
Condenação por improbidade administrativa.
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13) Sobre as inelegibilidades:
a) A absoluta – Art 14§4 CRFB.
Impedimento para o indivíduo se candidatar a qualquer cargo eletivo
persistindo enquanto não cessada a causa que deu origem.
Não podem se candidatar a nenhum cargo – Os inalistáveis (estrangeiros e
conscritos) e analfabetos.
b) As relativas - Art 14§ 5º ao 9º
Impedimento para se candidatar em alguns cargos eletivos.
1. Por motivos funcionais;
2. Por motivos de casamento, parentesco ou afinidade;
3. Condição de militar
4. Previsões em lei complementar
c) É possível cassação dos direitos políticos?
Não.
14) Sobre a inelegibilidade relativa por motivos funcionais:
Segundo a doutrina de Nathália Masson: Os únicos cargos que geram inelegibilidade
são os cargos de chefia do poder executivo, (Presidente da República, Governador e
Prefeito).
Os cargos eletivos do Poder legislativo não há qualquer restrição a reeleição, diferente
do que ocorre com os cargos do executivo, que poderão ser reeleitos para um único
período subsequente.
Aquele que foi Vice do Chefe do executivo também poderá se reeleger apenas uma
única vez para o cargo.
Cuidado:
O chefe do executivo que ocupa o mesmo cargo pela segunda vez consecutiva NÃO
PODERÁ RENUNCIAR ao cargo eletivo como intuito de se candidatar ao terceiro
mandato consecutivo.
Aquele que já foi chefe do Executivo por dois períodos consecutivos, não pode, na
eleição seguinte, pleitear o cargo de Vice.
OBS: Os vices reeleitos ou não, PODEM PLEITEAR O CARGO DE TITULAR, na
próxima eleição, mesmo que tenha substituído (temporariamente) o titular no curso do
mandato.
Não posso confundir: Se ocorrer a vacância (definitiva) do cargo do titular, o Vice
assumirá o cargo de forma efetiva, sendo considerado seu primeiro mandato no cargo,
podendo se reeleger uma única vez consecutiva.
Exemplo: O vice-governador reeleito que assume a vaga de titular durante o segundo
mandato, mesmo tendo ocupado o cargo interinamente nos dois mandatos anteriores,
pode candidatar a Governador.
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Se uma pessoa exerceu dois mandatos consecutivos de prefeito, fica inelegível
para um terceiro mandato?
Sim, ainda que em Municípios diferentes. Isso é denominado ―Prefeito
itinerante ou profissional‖.
E se o chefe do Executivo quiser concorrer a OUTRO cargo?
Art 14§ 6 CRFB.
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os
Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos
devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses
antes do pleito.
Isso se chama desincompatibilização!
Resumindo: Se for para o mesmo cargo: não precisa desincompatibilizar; se for para
cargo diferente: tem que desincompatibilizar.
15) Sobre a desincompatibilização por motivos de casamento, parentesco ou
afinidade:
Previsão no art. 14§7º CRFB:
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os
parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do
Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à
reeleição.
Isso se chama inelegibilidade reflexa!
O que é parentesco até o segundo grau?
Filhos, netos, pais, avós, irmãos, genro,nora, enteado,enteada, cônjuges dos
netos, sogro, sogra, padrasto, madrasta e avós do cônjuge, cunhados.
A inelegibilidade reflexa aplica-se só aos parentes do chefe do executivo, ou
seja, NÃO se aplica aos parentes de qualquer outro cargo eletivo.
Exemplo:
Ana é vereadora (legislativo) seu marido pode ser Vereador naquele mesmo
município? Sim.
Ana é Senadora (legislativo) seus filhos podem se candidatar a cargos de
Governador/ Prefeito ou Deputado? Sim.
Sobre a circunscrição:
A do Presidente da República – Nacional (cônjuge, parentes e afins, até
segundo grau não poderão se candidatar a nenhum cargo eletivo no país).
A do Governador – Estado (cônjuge, parentes e afins, até segundo grau não
poderão se candidatar a nenhum cargo eletivo no Estado)
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qualquer tipo de repasse.
A do Prefeito – Município (cônjuge, parentes e afins, até segundo grau não
poderão se candidatar a nenhum cargo eletivo no mesmo município).
Cuidado: a inelegibilidade reflexa também se aplica àqueles que tenham
ocupado em substituição ao cargo de chefe do executivo nos seis meses anteriores
as eleições.
Se houver a criação de um novo município (art 18§4º CF), os parentes até
segundo grau podem candidatar a chefia do Município recém-criado?
Não.
Sobre a súmula vinculante nº 18:
―A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do
mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da
Constituição Federal.‖
Obs: essa súmula não se aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal pela
morte de um dos cônjuges.
Outra observação importante é que segundo o STF a separação de fato se
consolidar antes do início do mandato eletivo pelo chefe do executivo (ainda que o
divórcio seja posterior) o ex-cônjuge poderia se candidatar.
O artigo 14§7º excepciona a inelegibilidade reflexa em qual hipótese?
Se o cônjuge já for titular de cargo eletivo e candidato à reeleição.
Exemplo 1: Ana é candidata a Prefeita do Município Rosa, e Pedro, seu marido, já
ocupa o cargo de Vereador no município. Nas próximas eleições Ana poderá se
candidatar à reeleição, o que também não impede Pedro de se candidatar novamente
ao cargo de de Vereador.
Exemplo 2: Ana é candidata a Governadora do Estado X, e sua filha Anita, é candidata
ao cargo de Deputada Federal pelo mesmo Estado. Ambas são eleitas no mesmo
momento. Caso nas próximas eleições venham disputar a reeleição, não haverá
nenhum impedimento, pois Anita já é titular de mandato eletivo.
16) Existe a possibilidade do cônjuge e os parentes (até o 2ºgrau) do chefe do
Executivo, que não possuem cargo eletivo, concorrerem a cargos públicos
eletivos dentro da circunscrição na qual ele exerce sua função?
Sim, quando o chefe do Executivo renunciar nos seis meses anteriores ao
pleito. Ou seja, se o chefe do Executivo se desincompatibilizar nos seis meses antes
da eleição, não incide a inelegibilidade reflexa.
Exemplo: Ana foi eleita prefeita do Município X em 2008, para o mandato de 2009-
2012, seu cônjuge Pedro, e seus parentes não puderam nas eleições de 2012
candidatar-se a cargo algum na circunscrição do Município.
Mas, se Ana nos seis meses antes do pleito, renunciar ao cargo, ela deixa de
ser chefe do Executivo, e abre a possibilidade para seu cônjuge e parentes
concorrerem aos cargos pretendidos.
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qualquer tipo de repasse.
Cuidado, muito cuidado: Segundo o STF os parentes podem concorrer nas
eleições para a chefia do executivo, desde que o titular do cargo tenha o direito à
reeleição e não concorra na disputa.
Vamos resumir? Veja o quadro extraído do Livro Manual de Direito Constitucional -
Nathalia Masson)
Não desincompatibilizou Desincompatibilizou seis
seis meses antes do meses antes do pleito.
pleito.
Chefe do Poder Executivo Cônjuge e Parentes até o Cônjuge e Parentes até o
no 1º mandato segundo grau, não poderão segundo grau PODEM
concorrer a nenhum cargo pleitar todos os cargos da
na circunscrição. circunscrição, INCLUSIVE a
chefia do Executivo.
Chefe do Poder Executivo Cônjuge e Parentes até o Cônjuge e Parentes até o
no 2º mandato segundo grau, não poderão segundo grau PODEM
concorrer a nenhum cargo pleitar todos os cargos da
na circunscrição. circunscrição, SALVO a de
chefia do Executivo.
Julgado importante do STF:
Se um prefeito de um Município, em primeiro mandato, for cassado (junto com
seu vice) e passa a ser inelegível, impossibilita a cônjuge e seus parentes até 2º grau
de candidatar ao cargo de Prefeito nas eleições que forem marcadas no Município.
17) Da condição de militar:
O militar alistável (que vota) é elegível (pode ser votado), mas deve atender os
requisitos abaixo:
Se contar com menos de 10 anos de serviço – Afasta-se da atividade; (pedir
exoneração).
Se contar com mais de 10 anos de serviço - será agregado, e se eleito,
passará de forma automática, na diplomação, para inatividade.
18) É possível a ação de impugnação de mandato eletivo?
Sim, acarretando a perda do mandato do candidato que foi eleito mediante
fraude, corrupção ou abuso do poder econômico.
A ação deve ser proposta perante a justiça eleitoral no prazo de 15 dias
decadencial contados da diplomação.
19) O que é o princípio da anterioridade (ou anualidade) eleitoral?
Significa dizer que qualquer lei que alterar o processo eleitoral, apesar de entrar em
vigor já na data de sua publicação, só poderá ser aplicada às eleições que ocorrerem
após um ano da data de sua vigência, para preservar a segurança jurídica.
Obs: Segundo o STF a anterioridade eleitoral representa uma garantia
individual do cidadão eleitor, sendo considerada uma Cláusula Pétrea.
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qualquer tipo de repasse.
20) Os partidos políticos são pessoas jurídica de direito público ou privado?
São pessoas jurídicas de direito privado, e após adquirirem personalidade jurídica, na
forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.
21) Os partidos políticos podem receber recursos financeiros de entidades ou
governos estrangeiros?
Não.
8. DA ORDEM SOCIAL
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÃO GERAL
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.
Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o
bem-estar e a justiça sociais.
Parágrafo único. O Estado exercerá a função de planejamento das políticas
sociais, assegurada, na forma da lei, a participação da sociedade nos processos de
formulação, de monitoramento, de controle e de avaliação dessas
políticas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
CAPÍTULO II
DA SEGURIDADE SOCIAL
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XXIII - seguridade social;
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
§ 5º A lei orçamentária anual compreenderá:
III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e
órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os
fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.
Art. 167. São vedados:
VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos
orçamentos fiscal e da seguridade social para suprir necessidade ou cobrir
déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art.
165, § 5º;
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qualquer tipo de repasse.
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de
iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos
relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
Obs: A seguridade social compreende a saúde, previdência social,
assistência social.
JÁ CAIU !!!
Ano: 2016 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2016 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - XXI - Primeira Fase
O Governador do Estado E, diante da informação de que poderia dispor de um
lastro orçamentário mais amplo para a execução de despesas com a seguridade
social, convocou seu secretariado a fim de planejar o encaminhamento a ser dado a
tais recursos. Na reunião foram apresentadas quatro propostas, mas o governador,
consultando sua equipe de assessoramento jurídico, foi informado de que apenas
uma das propostas era adequada para assegurar diretamente direitos relativos à
seguridade social, segundo a definição que lhe dá a CRFB/88.
Dentre as opções a seguir, assinale-a.
A) Ampliação da rede escolar do ensino fundamental e do ensino médio.
B) Ampliação da rede hospitalar de atendimento à população da região.
C) Desenvolvimento de programa de preservação da diversidade cultural da
população.
D) Aprimoramento da atuação da guarda municipal na segurança do patrimônio
público.
Gabarito: Letra B
Refere-se à saúde.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a
seguridade social, com base nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
Obs: envolvem riscos sociais, como a morte, enfermidade grave, velhice,
desemprego.
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações
urbanas e rurais;
Obs: A CF no art 207§7º,II, trouxe uma tratamento privilegiado ao
trabalhador rural, considerando-o segurado especial:
Art 207§7º, II - 60 (sessenta) anos de idade, se homem, e 55 (cinquenta e cinco)
anos de idade, se mulher, para os trabalhadores rurais e para os que exerçam
suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor
rural, o garimpeiro e o pescador artesanal
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qualquer tipo de repasse.
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
Obs: Definição das prestações e dos serviços que serão entregues aos
necessitados.
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V - eqüidade na forma de participação no custeio;
Obs: Quem tem mais renda, colabora com mais recursos.
VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas
contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações
de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da
previdência social; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão
quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos
aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes
contribuições sociais:
Princípio da solidariedade financeira - O custeio social é realizado por toda
a sociedade.
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei,
incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a
qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20,
de 1998)
c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser
adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não
incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral
de Previdência Social; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
III - sobre a receita de concursos de prognósticos.
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IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele
equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
§ 1º - As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à
seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento
da União.
§ 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma
integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência
social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes
orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de seus recursos.
§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como
estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (Vide Emenda constitucional nº 106, de
2020)
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou
expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.
§ 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado,
majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total.
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas
após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou
modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b".
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades
beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador
artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em
regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a
seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da
comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da
lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão
ter alíquotas diferenciadas em razão da atividade econômica, da utilização intensiva
de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de
trabalho, sendo também autorizada a adoção de bases de cálculo diferenciadas
apenas no caso das alíneas "b" e "c" do inciso I do caput. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único
de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva
contrapartida de recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de
1998)
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qualquer tipo de repasse.
§ 11. São vedados a moratória e o parcelamento em prazo superior a 60
(sessenta) meses e, na forma de lei complementar, a remissão e a anistia das
contribuições sociais de que tratam a alínea "a" do inciso I e o inciso II
do caput. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as
contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-
cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
§ 14. O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao
Regime Geral de Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou
superior à contribuição mínima mensal exigida para sua categoria, assegurado o
agrupamento de contribuições. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
Seção II
DA SAÚDE
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos
termos seguintes...
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas
portadoras de deficiência;
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
Art. 30. Compete aos Municípios:
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços
de atendimento à saúde da população;
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento
do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios
localizados em Território Federal, exceto quando:
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III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;
Art. 37. XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto,
quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto
no inciso XI:
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas;
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação.
Obs: Solidariedade entre os entes federados (União, Estados, DF e Municípios).
Obrigação de prestar as ações e serviços para sua efetivação.
STF entendeu que há responsabilidade solidária dos entes federativos
quanto ao fornecimento de medicamentos, podendo o requerente
pleiteá-los de QUALQUER ente!
RE 657.718 - Cuidado: Segundo a Suprema Corte, o Estado não pode ser
obrigado a fornecer
medicamentos experimentais. A ausência de registro na Anvisa impede,
como regra, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. Ocorre
que, de forma excepcional, no caso de demora irrazoável da ANVISA, é
possível a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário.
JÁ CAIU !!!
Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - XXVIII - Primeira Fase
Pablo, cidadão espanhol, decide passar férias no litoral do Nordeste brasileiro.
Durante sua estadia, de modo acidental, corta-se gravemente com o facão que
manuseava para abrir um coco verde, necessitando de imediato e urgente
atendimento hospitalar. Ocorre que o hospital de emergência da localidade se
recusa a atender Pablo, ao argumento de que, por ser estrangeiro, ele não faria jus
aos serviços do Sistema Único de Saúde, devendo procurar um hospital particular.
Com base na situação fictícia narrada, assinale a afirmativa correta.
A) A Constituição da República, no caput do Art. 5º, assegura a igualdade de
todos os brasileiros natos e naturalizados perante a lei, sem distinções de
qualquer natureza, de modo que Pablo, por ser estrangeiro, não faz jus ao
direito social à saúde.
B) A saúde, na qualidade de direito social, apenas pode ser prestada àqueles
que contribuem para a manutenção da seguridade social; diante da
impossibilidade de Pablo fazê-lo, por ser estrangeiro, não pode ser atendido
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pelos hospitais que integram o Sistema Único de Saúde.
C) O Sistema Único de Saúde rege-se pelo princípio da universalidade da
tutela à saúde, direito fundamental do ser humano; logo, ao ingressar no
território brasileiro, Pablo, mesmo sendo cidadão espanhol, tem direito ao
atendimento médico público e gratuito em caso de urgência.
D) Pablo, apenas pode ser atendido em hospital público que integre o Sistema
Único de Saúde caso se comprometa a custear todas as despesas com seu
tratamento, salvo comprovação de ser hipossuficiente econômico,
circunstância excepcional na qual terá direito ao atendimento gratuito.
Gabarito:
Letra C
Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
§ 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do
sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público
ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins
lucrativos.
§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às
instituições privadas com fins lucrativos.
§ 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais
estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.
§ 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de
órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e
tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus
derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização.
JÁ CAIU!
Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de
Ordem Unificado XXX - Primeira Fase
Em decorrência de um surto de dengue, o Município Alfa, após regular
procedimento licitatório, firmou ajuste com a sociedade empresária Mata Mosquitos
Ltda., pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, visando à prestação de
serviços relacionados ao combate à proliferação de mosquitos e à realização de
campanhas de conscientização da população local. Nos termos do ajuste
celebrado, a sociedade empresarial passaria a integrar, de forma complementar, o
Sistema Único de Saúde (SUS).
Diante da situação narrada, com base no texto constitucional, assinale a afirmativa
correta.
A)O ajuste firmado entre o ente municipal e a sociedade empresária é
inconstitucional, eis que a Constituição de 1988 veda a participação de entidades
privadas com fins lucrativos no Sistema Único de Saúde, ainda que de forma
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complementar.
B) A participação complementar de entidades privadas com fins lucrativos no
Sistema Único de Saúde é admitida, sendo apenas vedada a destinação de
recursos públicos para fins de auxílio ou subvenção às atividades que
desempenhem.
C) O ajuste firmado entre o Município Alfa e a sociedade empresária Mata Mosquito
Ltda. encontra-se em perfeita consonância com o texto constitucional, que autoriza
a participação de entidades privadas com fins lucrativos no Sistema Único de
Saúde e o posterior repasse de recursos públicos.
D) As ações de vigilância sanitária e epidemiológica, conforme explicita a
Constituição de 1988, não se encontram no âmbito de atribuições do Sistema Único
de Saúde, razão pela qual devem ser prestadas exclusivamente pelo poder público.
Gabarito: Letra B
Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - XXIII - Primeira Fase
O prefeito do Município Ômega, ante a carência de estabelecimentos públicos de
saúde capazes de atender satisfatoriamente às necessidades da população local,
celebra diversos convênios com hospitais privados para que passem a integrar a
rede de credenciados junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Considerando o disposto na Constituição da República de 1988, sobre os
convênios firmados pelo prefeito do Município Ômega, assinale a afirmativa correta.
A) São válidos, uma vez que as instituições privadas podem participar de forma
complementar do SUS, tendo preferência as entidades filantrópicas e as
sem fins lucrativos.
B) São nulos, pois a CRFB/88 apenas autoriza, no âmbito da assistência à
saúde, a participação de entidades públicas, não de instituições privadas,
com ou sem fins lucrativos.
C) São válidos, porque a destinação de recursos públicos para auxílio ou
subvenção às instituições privadas com fins lucrativos está, inclusive,
autorizada pela CRFB/88.
D) São nulos, porque, conforme previsão constitucional expressa, compete
privativamente à União, mediante convênio ou contrato de direito público,
autorizar a participação de instituições privadas no SUS.
Gabarito:
Letra A
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos
da lei:
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para
a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos,
hemoderivados e outros insumos;
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qualquer tipo de repasse.
II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de
saúde do trabalhador;
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;
IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento
básico;
V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e
tecnológico e a inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de
2015)
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor
nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano;
VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e
utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do
trabalho.
Ano: 2012 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2012 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - IX - Primeira Fase
Com relação às diretrizes e normas constitucionais referentes à prestação da s aúde,
assinale a afirmativa correta.
A) É permitida a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções
às instituições privadas com fins lucrativos.
Ver art.199§2ºCF
B) Ao sistema único de saúde compete, dentre outras atribuições, colaborar na
proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
Ver art.200,VIII, CF
C) É admitida a participação indireta de empresas ou capitais estrangeiros na
assistência à saúde no País, independentemente de previsão legal.
Ver art 199§3º CF
D) As instituições privadas poderão participar de forma complementar do
sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de
direito privado, vedada qualquer preferência ou distinção entre elas.
Ver art.199§1º
Gabarito: Letra B
Seção III
DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de
Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados
critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei,
a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o
trabalho e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
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III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego
involuntário; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de
baixa renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou
companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 1º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão
de benefícios, ressalvada, nos termos de lei complementar, a possibilidade de
previsão de idade e tempo de contribuição distintos da regra geral para concessão de
aposentadoria exclusivamente em favor dos segurados: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial
realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
II - cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos,
físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a
caracterização por categoria profissional ou ocupação. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento
do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício
serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em
caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade de
segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de
previdência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá por base o valor
dos proventos do mês de dezembro de cada ano. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos
termos da lei, obedecidas as seguintes condições: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
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qualquer tipo de repasse.
I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos
de idade, se mulher, observado tempo mínimo de contribuição; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - 60 (sessenta) anos de idade, se homem, e 55 (cinquenta e cinco) anos de
idade, se mulher, para os trabalhadores rurais e para os que exerçam suas
atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o
garimpeiro e o pescador artesanal. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)
§ 8º O requisito de idade a que se refere o inciso I do § 7º será reduzido em 5
(cinco) anos, para o professor que comprove tempo de efetivo exercício das funções
de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei
complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 9º Para fins de aposentadoria, será assegurada a contagem recíproca do
tempo de contribuição entre o Regime Geral de Previdência Social e os regimes
próprios de previdência social, e destes entre si, observada a compensação financeira,
de acordo com os critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 9º-A. O tempo de serviço militar exercido nas atividades de que tratam os arts.
42, 142 e 143 e o tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social ou a
regime próprio de previdência social terão contagem recíproca para fins de inativação
militar ou aposentadoria, e a compensação financeira será devida entre as receitas de
contribuição referentes aos militares e as receitas de contribuição aos demais
regimes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 10. Lei complementar poderá disciplinar a cobertura de benefícios não
programados, inclusive os decorrentes de acidente do trabalho, a ser atendida
concorrentemente pelo Regime Geral de Previdência Social e pelo setor
privado. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados
ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em
benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
§ 12. Lei instituirá sistema especial de inclusão previdenciária, com alíquotas
diferenciadas, para atender aos trabalhadores de baixa renda, inclusive os que se
encontram em situação de informalidade, e àqueles sem renda própria que se
dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde
que pertencentes a famílias de baixa renda. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 13. A aposentadoria concedida ao segurado de que trata o § 12 terá valor de 1
(um) salário-mínimo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
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§ 14. É vedada a contagem de tempo de contribuição fictício para efeito de
concessão dos benefícios previdenciários e de contagem recíproca. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 15. Lei complementar estabelecerá vedações, regras e condições para a
acumulação de benefícios previdenciários. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)
§ 16. Os empregados dos consórcios públicos, das empresas públicas, das
sociedades de economia mista e das suas subsidiárias serão aposentados
compulsoriamente, observado o cumprimento do tempo mínimo de contribuição, ao
atingir a idade máxima de que trata o inciso II do § 1º do art. 40, na forma estabelecida
em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e
organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será
facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado,
e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)
§ 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de
planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às
informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais
previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de
previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim
como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos
participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)
§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela
União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na
qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição
normal poderá exceder a do segurado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)
§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito
Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia
mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocinadores de
planos de benefícios previdenciários, e as entidades de previdência
complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 5º A lei complementar de que trata o § 4º aplicar-se-á, no que couber, às
empresas privadas permissionárias ou concessionárias de prestação de serviços
públicos, quando patrocinadoras de planos de benefícios em entidades de previdência
complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
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§ 6º Lei complementar estabelecerá os requisitos para a designação dos
membros das diretorias das entidades fechadas de previdência complementar
instituídas pelos patrocinadores de que trata o § 4º e disciplinará a inserção dos
participantes nos colegiados e instâncias de decisão em que seus interesses sejam
objeto de discussão e deliberação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
103, de 2019)
Seção IV
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado
à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações,
das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de
assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,
independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a
promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora
de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.
JÁ CAIU
Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - XXV - Primeira Fase
Após uma vida dura de trabalho, Geraldo, que tem 80 anos, encontra-se
doente em razão de um problema crônico nos rins e não possui meios de
prover a própria manutenção.
Morando sozinho e não possuindo parentes vivos, sempre trabalhou, ao
longo da vida, fazendo pequenos biscates, jamais contribuindo com a
100
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previdência social.
Instruído por amigos, procura um advogado para saber se o sistema jurídico-
constitucional prevê algum meio assistencial para pessoas em suas
condições.
O advogado informa a Geraldo que, segundo a Constituição Federal,
A) é garantido o amparo à velhice somente àqueles que contribuíram com
a seguridade social no decorrer de uma vida dedicada ao trabalho.
B) é assegurado o auxílio de um salário-mínimo apenas àqueles que
comprovem, concomitantemente, ser idosos e possuir deficiência
física impeditiva para o trabalho.
C) seria garantida a prestação de assistência social a Geraldo caso ele
comprovasse, por intermédio de laudos médicos, ser portador de
deficiência física.
D) há previsão, no âmbito da seguridade social, de prestação de
assistência social a idosos na situação em que Geraldo se encontra.
Gabarito: letra D
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão
realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195,
além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes:
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas
gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às
esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência
social;
II - participação da população, por meio de organizações representativas, na
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis.
Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a
programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por cento de sua
receita tributária líquida, vedada a aplicação desses recursos no pagamento
de: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
I - despesas com pessoal e encargos sociais; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
II - serviço da dívida; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos
investimentos ou ações apoiados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)
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CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
Seção I
DA EDUCAÇÃO
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia,
à pesquisa e à inovação;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa,
desenvolvimento e inovação;
Art. 30. Compete aos Municípios:
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,
programas de educação infantil e de ensino fundamental;
Art. 201 § 8º O requisito de idade a que se refere o inciso I do § 7º será reduzido em
5 (cinco) anos, para o professor que comprove tempo de efetivo exercício das
funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado
em lei complementar.
SV 12 A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto
no art. 206, IV, da constituição federal.
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a
arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino;
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IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
Obs: Súmula Vinculante 12: A cobrança de taxa de matrícula nas universidades
públicas viola o disposto no art. 206, IV, da constituição federal.
Ano: 2013 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2013 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XII - Primeira Fase
Ana Beatriz procura um escritório de advocacia, informando que a Universidade
Pública do Estado XYZ instituiu, mediante decreto do Governador, uma taxa da
matrícula no valor de R$ 100,00 (cem) reais, para estudantes que possuam renda
familiar superior a 10 (dez) salários mínimos, com a finalidade de utilizar esse
recurso para subsidiar a moradia de alunos de baixa renda, procedentes de
Municípios distantes.
Diante da indagação de Ana Beatriz sobre a constitucionalidade da cobrança,
assinale a afirmativa correta.
A) A cobrança é constitucional, pois se trata de uma política pública de redução
das desigualdades.
B) A cobrança é constitucional em razão do princípio da autonomia universitária,
previsto na Constituição da República.
C) A cobrança é inconstitucional, uma vez que a taxa de matrícula deveria ser
instituída por lei.
D) A cobrança é inconstitucional, uma vez que viola o imperativo de gratuidade
do ensino público em estabelecimentos oficiais.
Gabarito: Letra D
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da
lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
53, de 2006)
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar
pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de
2006)
IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da
vida. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados
profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou
adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
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Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica,
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de
gestão financeira e patrimonial. Além disso, elas deverão obedecer ao princípio da
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Obs: Segundo o STF - ADI 3792/RN - os escritórios de prática
jurídica das universidades não podem ser obrigados por lei a
prestar assistência jurídica. Caso a universidade opte por fazer,
deve manifestar sua vontade, por meio de um convênio celebrado
com um estado membro da federação
XXXI EXAME DE ORDEM - Determinado Ministro de Estado editou portaria
detalhando as disciplinas que deveriam integrar a grade curricular da
Faculdade de Direito X, bem como o conteúdo programático de cada uma
delas. Para justificar a medida adotada, informou que ela se justificava pelo
baixo desempenho da instituição de ensino na última avaliação realizada pelos
técnicos do Ministério.
Sobre a narrativa acima, responda aos itens a seguir.
A) A portaria editada pelo Ministro de Estado é materialmente constitucional?
(Valor: 0,50)
B) Caso a Faculdade de Direito X decida insurgir-se contra a referida portaria
perante o Poder Judiciário, qual a ação constitucional cabível e o juízo ou
Tribunal competente, ciente da desnecessidade de outras provas, pois
estritamente documental? (Valor: 0,75)
Resposta:
A) Não. A portaria afronta a autonomia didático-científica da Faculdade de Direito X,
consagrada no Art. 207, caput, da CRFB/88.
B) A Faculdade de Direito X, em razão da violação do seu direito líquido e certo à
definição das disciplinas do currículo e do respectivo conteúdo programático, pode
impetrar Mandado de Segurança, como dispõe o Art. 5º, inciso LXIX, da CRFB/88,
perante o Superior Tribunal de Justiça, nos termos do Art. 105, inciso I, alínea b, da
CRFB/88.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas
estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de
1996)
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e
tecnológica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)
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Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia
de:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete)
anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela
não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 59, de 2009) (Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009)
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos
de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação
artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por
meio de programas suplementares de material didático escolar, transporte,
alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 59, de 2009)
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua
oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.
JÁ CAIU
Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIV - Primeira Fase
Maria, maior e capaz, reside no Município Sigma e tem um filho, Lucas, pessoa com
deficiência, com 8 (oito) anos de idade. Por ser uma pessoa humilde, sem dispor de
recursos financeiros para arcar com os custos de um colégio particular, Maria
procura a Secretaria de Educação do Município Sigma para matricular seu filho na
rede pública. Seu requerimento é encaminhado à assessoria jurídica do órgão
municipal, para que seja emitido o respectivo parecer para a autoridade executiva
competente.
A partir dos fatos narrados, considerando a ordem jurídico-constitucional vigente,
assinale a afirmativa correta.
A) O pedido formulado por Maria deve ser indeferido, uma vez que incumbe ao
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Município atuar apenas na educação infantil, a qual é prestada até os 5
(cinco) anos de idade por meio de creches e pré-escolas. Logo, pelo sistema
constitucional de repartição de competências, Lucas, pela sua idade, deve
cursar o Ensino Fundamental em instituição estadual de ensino.
Ver artigo 208,IV CF e 211§2º CF
B) O parecer da assessoria jurídica deve ser favorável ao pleito formulado por
Maria, garantindo ao menor uma vaga na rede de ensino municipal. Pode,
ainda, alertar que a Constituição da República prevê expressamente a
possibilidade de a autoridade competente ser responsabilizada pelo não
oferecimento do ensino obrigatório ou mesmo pela sua oferta irregular.
C) O pleito de Maria deve ser deferido, ressalvando-se que Lucas, por ser
pessoa com deficiência, necessita de atendimento educacional
especializado, não podendo ser incluído na rede regular de ensino do
Município Sigma.
D) A assessoria jurídica da Secretaria de Educação do Município Sigma deve
opinar pela rejeição do pedido formulado por Maria, pois incumbe
privativamente à União, por meio do Ministério da Educação e Cultura
(MEC), organizar e prestar a educação básica obrigatória e gratuita dos 4
(quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade.
Ver art.205 CF
Gabarito:
Letra B
§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental,
fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à
escola.
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de
maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e
artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa,
assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas
maternas e processos próprios de aprendizagem.
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qualquer tipo de repasse.
JÁ CAIU
Ano: 2013 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2013 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XI - Primeira Fase
Acerca da disciplina constitucional do direito à educação, assinale a afirmativa
correta.
A) Os municípios atuarão prioritariamente na prestação do ensino fundamental
e médio.
Ver 211§2ºCF
B) Na prestação do ensino fundamental, além da utilização obrigatória da língua
portuguesa, é assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas
línguas maternas.
C) É permitido às universidades admitir professores estrangeiros, na forma da
lei, mas é expressamente vedada a admissão de técnicos e de
pesquisadores estrangeiros.
Ver 207§1º CF
D) O ensino é livre à iniciativa privada, independente de autorização e da
avaliação de sua qualidade pelo Poder Público.
Ver art 209,II,CF
Gabarito: Letra B
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em
regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios,
financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria
educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de
oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante
assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na
educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino
fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de forma a assegurar a
universalização, a qualidade e a equidade do ensino obrigatório. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino
regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
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qualquer tipo de repasse.
§ 6º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão ação
redistributiva em relação a suas escolas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
108, de 2020)
§ 7º O padrão mínimo de qualidade de que trata o § 1º deste artigo considerará
as condições adequadas de oferta e terá como referência o Custo Aluno Qualidade
(CAQ), pactuados em regime de colaboração na forma disposta em lei complementar,
conforme o parágrafo único do art. 23 desta Constituição. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 108, de 2020)
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados,
o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita
resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na
manutenção e desenvolvimento do ensino.
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas,
podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas,
definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes
financeiros em educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária,
filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de
suas atividades.
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas
de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que
demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos
regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o
Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na
localidade.
XXXI EXAME DE ORDEM - Após o regular processo legislativo, foi promulgada
a Lei nº XX/17 do Estado Alfa. Esse diploma normativo impôs a obrigação de o
Estado custear bolsas de estudo junto à rede privada de ensino sempre que
houvesse falta de vagas na rede pública em áreas próximas à residência do
educando, e este demonstrasse não dispor de recursos para arcar com as
mensalidades. A Lei nº XX/17 ainda dispôs que as bolsas de estudo poderiam
ser direcionadas, dentre outras, a escolas que seguissem uma determinada
religião, assim definidas em lei, desde que não tivessem fins lucrativos,
aplicassem seus excedentes em educação e destinassem o seu patrimônio a
outra escola similar, no caso de encerramento de atividades.
Ao receber do educando João o requerimento de concessão de bolsa de
estudo para que ele pudesse frequentar a Escola MM, que seguia a religião
WW, o Secretário de Estado competente o indeferiu, sob o argumento de que a
Lei nº XX/17 afrontava a Constituição da República.
Considerando que João e a Escola MM preenchiam os requisitos da Lei nº
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XX/17, responda aos questionamentos a seguir.
A) A Lei nº XX/17 é materialmente compatível com a Constituição da
República? Justifique. (Valor: 0,70)
B) Qual é a ação constitucional passível de ser ajuizada por João caso deseje
insurgir-se contra a decisão proferida pelo Secretário de Estado? Justifique.
(Valor: 0,55)
Resposta:
A) Sim. A Lei nº XX/17 é materialmente constitucional, pois é possível a
transferência de recursos públicos, sob a forma de bolsa de estudo, às escolas
confessionais que preencham os requisitos do Art. 213 da CRFB/88.
B) Como João e a Escola MM preencheram os requisitos da Lei nº XX/17 e a
decisão do Secretário de Estado foi ilegal, é possível a impetração de mandado de
segurança, nos termos do Art. 5º, inciso LXIX, da CRFB/88
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à
inovação realizadas por universidades e/ou por instituições de educação
profissional e tecnológica poderão receber apoio financeiro do Poder
Público. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal,
com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração
e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a
manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e
modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes
esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 59, de 2009)
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação
como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 59, de 2009)
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Seção II
DA CULTURA
Art.5º LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise
a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência;
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e
cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de
outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa,
desenvolvimento e inovação;
Art. 30. Compete aos Municípios:
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a
legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão
das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e
afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação
para os diferentes segmentos étnicos nacionais.
3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual,
visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder
público que conduzem à: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
II produção, promoção e difusão de bens culturais; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 48, de 2005)
III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas
dimensões; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
IV democratização do acesso aos bens de cultura; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 48, de 2005)
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qualquer tipo de repasse.
V valorização da diversidade étnica e regional. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 48, de 2005)
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à
identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às
manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,
arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação
governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela
necessitem.
§ 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e
valores culturais.
§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de
reminiscências históricas dos antigos quilombos.
Seção III
DO DESPORTO
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa,
desenvolvimento e inovação;
Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais,
como direito de cada um, observados:
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qualquer tipo de repasse.
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua
organização e funcionamento;
II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto
educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;
III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não- profissional;
IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional.
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às
competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva,
regulada em lei.
§ 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da
instauração do processo, para proferir decisão final.
§ 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.
JÁ CAIU!!!
Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de
Ordem Unificado XXX - Primeira Fase
Durante campeonato oficial de judô promovido pela Federação de Judô do Estado
Alfa, Fernando, um dos atletas inscritos, foi eliminado da competição esportiva em
decorrência de uma decisão contestável da arbitragem que dirigiu a luta.
Na qualidade de advogado(a) contratado(a) por Fernando, assinale a opção que
apresenta a medida juridicamente adequada para o caso narrado.
A) Fernando poderá ingressar com processo perante a justiça desportiva para
contestar o resultado da luta e, uma vez esgotadas as instâncias
desportivas e proferida decisão final sobre o caso, não poderá recorrer ao
Poder Judiciário.
B) Fernando poderá impugnar o resultado da luta perante o Poder Judiciário,
independentemente de esgotamento das instâncias da justiça desportiva,
em virtude do princípio da inafastabilidade da jurisdição.
C) Fernando, uma vez esgotadas as instâncias da justiça desportiva (que terá o
prazo máximo de 60 dias, contados da instauração do processo, para
proferir decisão final), poderá impugnar o teor da decisão perante o Poder
Judiciário.
D) A ordem jurídica, que adotou o princípio da unidade de jurisdição a partir da
Constituição de 1988, passou a prever a exclusividade do Poder Judiciário
para dirimir todas as questões que venham a ser judicializadas em território
nacional, deslegitimando a atuação da justiça desportiva.
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qualquer tipo de repasse.
Gabarito: Letra C
Ano: 2016 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2016 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - XXI - Primeira Fase
Finalizadas as Olimpíadas no Brasil, certo deputado federal pelo Estado Beta, ex-
desportista conhecido nacionalmente, resolve elaborar projeto de lei visando a
melhorar a performance do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2020.
Para realizar esse objetivo, o projeto dispõe que os recursos públicos devem buscar
promover, prioritariamente, o esporte de alto rendimento. Submetida a ideia à sua
assessoria jurídica, esta exteriorizou o único posicionamento que se mostra
harmônico com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, afirmando que o projeto
A) é constitucional, contanto que o desporto educacional também s eja
contemplado com uma parcela, mesmo que minoritária, dos recursos.
B) é inconstitucional, pois, segundo a Constituição da República, a destinação
de recursos públicos deve priorizar o desporto educacional.
C) é constitucional, pois, não havendo tratamento explícito da questão pela
Constituição da República, o poder público tem discricionariedade para
definir a destinação da verba.
D) é inconstitucional, pois a Constituição da República prevê que a destinação
de recursos públicos para o desporto contemplará exclusivamente o
desporto educacional.
Gabarito: Letra B
CAPÍTULO IV
DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia,
à pesquisa e à inovação;
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa,
desenvolvimento e inovação;
Art. 167 § 5º A transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de
uma categoria de programação para outra poderão ser admitidos, no âmbito das
atividades de ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de viabilizar os
resultados de projetos restritos a essas funções, mediante ato do Poder Executivo,
sem necessidade da prévia autorização legislativa prevista no inciso VI deste
artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
Art. 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a
participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores
rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de
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transportes, levando em conta, especialmente:
III - o incentivo à pesquisa e à tecnologia;
Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a
pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
§ 1º A pesquisa científica básica e tecnológica receberá tratamento prioritário do
Estado, tendo em vista o bem público e o progresso da ciência, tecnologia e
inovação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
§ 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos
problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e
regional.
§ 3º O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência,
pesquisa, tecnologia e inovação, inclusive por meio do apoio às atividades de
extensão tecnológica, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições
especiais de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de
2015)
§ 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação
de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos
humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado,
desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da
produtividade de seu trabalho.
§ 5º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita
orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e
tecnológica.
§ 6º O Estado, na execução das atividades previstas no caput , estimulará a
articulação entre entes, tanto públicos quanto privados, nas diversas esferas de
governo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
§ 7º O Estado promoverá e incentivará a atuação no exterior das instituições
públicas de ciência, tecnologia e inovação, com vistas à execução das atividades
previstas no caput. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
Art. 219. O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de
modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e sócio-econômico, o bem-estar da
população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal.
Parágrafo único. O Estado estimulará a formação e o fortalecimento da inovação
nas empresas, bem como nos demais entes, públicos ou privados, a constituição e a
manutenção de parques e polos tecnológicos e de demais ambientes promotores da
inovação, a atuação dos inventores independentes e a criação, absorção, difusão e
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transferência de tecnologia. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de
2015)
Art. 219-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão
firmar instrumentos de cooperação com órgãos e entidades públicos e com entidades
privadas, inclusive para o compartilhamento de recursos humanos especializados e
capacidade instalada, para a execução de projetos de pesquisa, de desenvolvimento
científico e tecnológico e de inovação, mediante contrapartida financeira ou não
financeira assumida pelo ente beneficiário, na forma da lei. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
Art. 219-B. O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) será
organizado em regime de colaboração entre entes, tanto públicos quanto privados,
com vistas a promover o desenvolvimento científico e tecnológico e a
inovação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
§ 1º Lei federal disporá sobre as normas gerais do SNCTI. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios legislarão concorrentemente
sobre suas peculiaridades. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
CAPÍTULO V
DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
Art. 5º IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de
comunicação, independentemente de censura ou licença;
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a
informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer
restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena
liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social,
observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e
artística.
§ 3º Compete à lei federal:
I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público
informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e
horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
Art. 21. Compete à União:
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de
programas de rádio e televisão;
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II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a
possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão
que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas
e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
§ 4º A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos,
medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso
II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os
malefícios decorrentes de seu uso.
§ 5º Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente,
ser objeto de monopólio ou oligopólio.
§ 6º A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de
autoridade.
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão
atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente
que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme
percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de
sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez
anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede
no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
JÁ CAIU
Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de
Ordem Unificado - XXII - Primeira Fase
Enzo, brasileiro naturalizado há três anos, apaixonado por ópera, ao saber que a
sociedade empresária de radiodifusão, Rádio WXZ, situada na capital do Estado
Alfa, encontra-se em dificuldade econômica, apresenta uma proposta para ingressar
na sociedade. Nessa proposta, compromete-se a adquirir 25% do capital total da
sociedade empresária, com a condição inafastável de que o controle total sobre o
conteúdo da programação veiculada pela rádio seja de sua inteira responsabilidade,
de forma a garantir a inclusão de um programa diário, com duração de uma hora,
sobre ópera. A proposta foi aceita pelos atuais sócios, mas Enzo, preocupado com a
licitude do negócio, dada a sua condição de brasileiro naturalizado, procura a
consultoria de um advogado. Considerando a hipótese apresentada, segundo o
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sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta.
A) Não será possível a concretização do negócio nos termos apresentados,
tendo em vista que a Constituição da República não permite que os meios de
comunicação divulguem manifestações culturais estrangeiras.
B) Será possível a concretização do negócio nos termos apresentados, posto
que Enzo é brasileiro naturalizado e a Constituição da República veda
qualquer distinção entre brasileiro nato e brasileiro naturalizado.
C) Não será possível a concretização do negócio nos termos acima
apresentados, pois a Constituição da República veda que brasileiro
naturalizado há menos de dez anos possa estabelecer o conteúdo da
programação da rádio.
D) Será possível a concretização do negócio nos termos acima apresentados,
pois a Constituição da República, em respeito aos princípios liberais que
sustenta, não interfere no conteúdo pactuado entre contratantes privados.
Gabarito: Letra C
§ 1º Em qualquer caso, pelo menos setenta por cento do capital total e do
capital votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e
imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou
naturalizados há mais de dez anos, que exercerão obrigatoriamente a gestão das
atividades e estabelecerão o conteúdo da programação. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
§ 2º A responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da
programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há
mais de dez anos, em qualquer meio de comunicação social. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
§ 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da
tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios
enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridade
de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
§ 4º Lei disciplinará a participação de capital estrangeiro nas empresas de
que trata o § 1º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
§ 5º As alterações de controle societário das empresas de que trata o § 1º serão
comunicadas ao Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
36, de 2002)
Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão,
permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e
imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado,
público e estatal.
§ 1º O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, § 2º e § 4º, a
contar do recebimento da mensagem.
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§ 2º A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de,
no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.
§ 3º O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após
deliberação do Congresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores.
§ 4º O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo,
depende de decisão judicial.
§ 5º O prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as
emissoras de rádio e de quinze para as de televisão.
Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional
instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da
lei.
CAPÍTULO VI
DO MEIO AMBIENTE
Art. 5º LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise
a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência;
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos
recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos
de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da
justiça social, observados os seguintes princípios:
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme
o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação;
Art.174 § 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em
cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção
econômico-social dos garimpeiros.
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos
seguintes requisitos:
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio
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ambiente;
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos
termos da lei:
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
Art. 220 § 3º Compete à lei federal:
II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade
de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que
contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e
serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê -lo e preservá- lo para as
presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo
ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento)
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e
fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material
genético; (Regulamento) (Regulamento)
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; (Regulamento)
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo
prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (Regulamento)
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e
substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio
ambiente; (Regulamento)
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou
submetam os animais a crueldade. (Regulamento)
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio
ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público
competente, na forma da lei.
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§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o
Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua
utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por
ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização
definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se
consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam
manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal,
registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural
brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar
dos animais envolvidos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)
CAPÍTULO VII
Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso
(Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o
homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em
casamento.
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por
qualquer dos pais e seus descendentes.
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos
igualmente pelo homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada
Pela Emenda Constitucional nº 66, de 2010)
§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade
responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado
propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada
qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
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§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos
que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas
relações.
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança,
do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais,
mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Redação
dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na
assistência materno-infantil;
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as
pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração
social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para
o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos,
com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de
discriminação. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de
uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir aces so
adequado às pessoas portadoras de deficiência.
§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o
disposto no art. 7º, XXXIII;
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à
escola; (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional,
igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo
dispuser a legislação tutelar específica;
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer
medida privativa da liberdade;
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VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais
e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou
adolescente órfão ou abandonado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao
adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. (Redação
dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da
criança e do adolescente.
§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que
estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção,
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação.
§ 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em
consideração o disposto no art. 204.
§ 8º A lei estabelecerá: (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de
2010)
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos
jovens; (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das
várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas. (Incluído
Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às
normas da legislação especial.
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores,
e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência
ou enfermidade.
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas
idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e
bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados
preferencialmente em seus lares.
§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos
transportes coletivos urbanos.
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CAPÍTULO VIII
DOS ÍNDIOS
Art. 20. São bens da União:
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XIV - populações indígenas;
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos
hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais;
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;
Art.176 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos
potenciais a que se refere o "caput" deste artigo somente poderão ser efetuados
mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros
ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração
no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas
atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas.
Art. 210
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa,
assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas
maternas e processos próprios de aprendizagem.
Art. 215 § 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares,
indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo
civilizatório nacional.
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes,
línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que
tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer
respeitar todos os seus bens.
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em
caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis
à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias
a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse
permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos
lagos nelas existentes.
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§ 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais
energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só
podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as
comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da
lavra, na forma da lei.
§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os
direitos sobre elas, imprescritíveis.
§ 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad
referendum" do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha
em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação
do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo
que cesse o risco.
Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIII - Primeira Fase
Ao constatar que numerosas tribos indígenas, que ocupam determinadas áreas em
caráter permanente, estão sendo fortemente atingidas por uma epidemia de febre
amarela, o Governador do Estado Alfa remove-as da localidade de maneira forçada.
Dada a repercussão do caso, logo após a efetivação da remoção, submete suas
justificativas à Assembleia Legislativa do Estado Alfa, informando que o
deslocamento das tribos será temporário e que ocorreu em defesa dos interesses
das populações indígenas da região. A Assembleia Legislativa do Estado Alfa
termina por referendar a ação do Chefe do Poder Executivo estadual.
Sobre o ato do Governador, com base no quadro acima apresentado, assinale a
afirmativa correta.
A) Agiu em consonância com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, pois é
de competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo decidir quais as
medidas a serem tomadas nos casos que envolvam perigo de epidemia.
B) Não agiu em consonância com o sistema jurídico-constitucional brasileiro,
pois o princípio da irremovibilidade dos índios de suas terras é absoluto e,
por essa razão, torna ilegítima a ação de remoção das tribos.
C) Agiu em consonância com a CRFB/88, pois, como o seu ato foi referendado
pelo Poder Legislativo do Estado Alfa, respeitou os ditames estabelecidos
pelo sistema jurídico-constitucional brasileiro.
D) Não agiu em consonância com o sistema jurídico-constitucional brasileiro,
posto que, no caso concreto, as autoridades estaduais não poderiam ter
decidido, de modo conclusivo, pela remoção das tribos.
Gabarito: letra D
§ 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham
por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a
exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes,
ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei
complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações
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contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação
de boa-fé.
§ 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º.
Art. 174 § 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em
cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção
econômico-social dos garimpeiros.
§ 4º As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na
autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais
garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o
art. 21, XXV, na forma da lei.
Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas
para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o
Ministério Público em todos os atos do processo.
9.PODER EXECUTIVO
CAPÍTULO II
DO PODER EXECUTIVO
SEÇÃO I
DO PRESIDENTE E DO VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Sistema de Governo utilizado pelo Brasil: PRESIDENCIALISTA.
PRINCÍPIO DA SIMETRIA: Deve haver uma relação de paralelismo entre as
disposições constitucionais destinadas à União e os demais entes federativos.
Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado
pelos Ministros de Estado.
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á,
simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último
domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do
mandato presidencial vigente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16,
de 1997)
§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele
registrado.
§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido
político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
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Segundo turno
§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á
nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois
candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos
votos válidos.
§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou
impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior
votação.
§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar,
mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em
sessão do Congresso Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e
cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro,
sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente
ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este
será declarado vago.
Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de
vaga, o Vice-Presidente.
OBS:
SUBSTITUIÇÃO DO PR: Voluntária – pedido de licença ou viagem ao exterior/
Involuntária – doença ou cirurgia.
SUCESSÃO DO PPR: se dá com a vacância do cargo – morte/ renúncia/
incapacidade absoluta superveniente/ impeachment.
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que
lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele
convocado para missões especiais.
Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou
vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da
Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do
Supremo Tribunal Federal. (OBS.: ROL TAXATIVO).
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-
á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição
para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso
Nacional, na forma da lei.
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OBS: O art. 81, §1º é exceção ao princípio da simetria, devendo as Constituições
estaduais regulamentar livremente as normas de sucessão do Governador e Vice.
(STF, ADI 4.309-TO, Rel. Min. Cezar Peluso, noticiada no informativo 562, STF).
§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus
antecessores.
Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 (quatro) anos e terá início
em 5 de janeiro do ano seguinte ao de sua eleição. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 111, de 2021)
Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem
licença do Congresso Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze
dias, sob pena de perda do cargo.
OBS: Esse dispositivo é norma de observância obrigatória para os Estados-
membros. (STF, ADI 3.647-MA, Rel. Min. Joaquim Barbosa, noticiada no
informativo 480, STF.)
SEÇÃO II
DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
OBS: O Chefe do Poder Executivo exerce atos de chefia do Estado, do governo e
da administração.
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da
administração federal;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta
Constituição;
Decreto REGULAMENTAR: (deve se limitar à fiel execução da lei, não
podendo inovar a ordem jurídica).
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para sua fiel execução;
OBS: Em decorrência do poder hierárquico, os decretos regulamentares
produzidos pelo Chefe do Poder Executivo são atos administrativos que vinculam
toda a Administração Pública
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
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VI - dispor, mediante decreto, sobre: ( Decreto Autônomo) (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes
diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do
Congresso Nacional;
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;
X - decretar e executar a intervenção federal;
XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da
abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as
providências que julgar necessárias;
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos
instituídos em lei;
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes
da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-
los para os cargos que lhes são privativos; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 23, de 02/09/99)
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo
Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o
Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros
servidores, quando determinado em lei;
XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas
da União;
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o
Advogado-Geral da União;
XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa
Nacional;
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso
Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões
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legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização
nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de
diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após
a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
XXVIII - propor ao Congresso Nacional a decretação do estado de calamidade
pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e
167-G desta Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições
mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao
Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os
limites traçados nas respectivas delegações.
OBS:A referenda ministerial sobre os atos e decretos do Presidente, não é uma
obrigação, sendo estes válidos mesmo sem o referendum do Ministro da
respectiva pasta. (STF, MS 22.706-MG, decisão monocrática, Rel. Min. Celso de
Mello).
SEÇÃO III
DA RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Princípio da responsabilidade do Chefe do Poder Executivo – ―além de refletir
uma conquista básica do regime democrático, constitui consequência necessária da
forma republicana de governo adotada pela Constituição Federal‖. (STF – HC
102.732/DF, Rel. Min. Marco Aurélio – 04.03.2010).
A instauração de processo contra o PR por crime comum ou por crime de
reponsabilidade deve ser precedida de autorização de dois terços dos
membros da Câmara dos Deputados (Art. 51, I c/c Art. 86, CF).
SÚMULA 245, STF: A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem
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essa prerrogativa.
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que
atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público
e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá
as normas de processo e julgamento.
OBS.: Lei dos crimes de responsabilidade – nº 1.079/1950
ATENÇÃO: A inabilitação por oito anos só ocorre nas condenações pela prática de
crime de reponsabilidade.
Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da
Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo
Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos
crimes de responsabilidade.
§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo
Supremo Tribunal Federal;
Crime comum, abrange todas as modalidades de infrações penais,
inclusive os delitos eleitorais e as contravenções. (STF – Rcl. 511/PB,
Rel. Min. Celso de Mello – 15.09.1995)
A norma que garante a instituição do júri (Art. 5º, XXXVIII, CF), em
decorrência da especialidade deste dispositivo, não se aplica ao
Presidente da República (STF – APP 333/PB, Rel. Min. Joaquim
Barbosa).
OBS: Nesses casos, o STF entendeu pela impossibilidade de substituição do
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Presidente, por pessoa que figure como réu em Ação Penal, embora tal vedação
não impeça o exercício da chefia e direção das respectivas Casas. (ADPF 402 MC-
Ref/DF, Rel. Min. Marco Aurélio – 07.12.2016)
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado
Federal.
§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver
concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular
prosseguimento do processo.
Imunidade à prisão cautelar:
§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o
Presidente da República não estará sujeito a prisão.
OBS: Essa prerrogativa constitucional é exclusiva do Presidente da República¸ não
podendo ser estendida a governadores e prefeitos (STF – HC 102.732/DF, Rel.
Min. Marco Aurélio – 04.03.2010) + (STF – ADI 978/PB, Red. p/ o ac. Min Celso de
Mello – 19.10..1995).
Irresponsabilidade penal relativa:
§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser
responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
ATENÇÃO!!!!
A irresponsabilidade penal é apenas relativa, vez que o presidente da república
poderá ser responsabilizado por crimes praticados in officio ou cometidos
propter officium, desde que obtida a aprovação de dois terços dos membros da
câmara dos deputados. (Ver art. 51, I, CF).
OBS: A impossibilidade de responsabilização se restringe ao âmbito penal, não
abrangendo a responsabilidade civil, tributária, nem político-administrativas.
(STF – Inq. 672 QO/DF, Rel. Min Celso de Mello – 16.09.1992).
SEÇÃO IV
DOS MINISTROS DE ESTADO
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de
vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos.
Os cargos de Ministros de Estado são de livre preenchimento e
exoneração.
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Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições
estabelecidas nesta Constituição e na lei:
I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da
administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos
assinados pelo Presidente da República;
II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III - apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no
Ministério;
IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou
delegadas pelo Presidente da República.
Art. 88. A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
OBS: Ministros de Estado não têm direito a foro por prerrogativa de função na Corte
Suprema quando responderem por crimes cometidos antes de assumirem a
função ou praticados durante o mandato mas sem relação com o cargo (STF,
INQ QO 4703, maio/2018).
OBS: Os Ministros de Estado podem responder por crimes comuns ou de
responsabilidade.
Crime comum: processado e julgado pelo STF (Art. 102, I,‖c‖, CF).
Crime de responsabilidade conexo com crime de responsabilidade do PR ou
VP: processado e julgado pelo Senado Federal (Art. 52, I, CF).
Crime de responsabilidade sem conexão: processado e julgado pelo STF (Art.
102, I,‖c‖, CF).
OBS: A autorização dada pela Câmara dos Deputados para o processamento
criminal dos Ministros de Estado só é exigida nos casos em que estivermos diante da
prática de um suposto crime de responsabilidade em conexão com o cometido
pelo Presidente da República.
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SEÇÃO V
DO CONSELHO DA REPÚBLICA E DO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL
OBS: A atuação nos Conselhos não é remunerada, pois é tida como serviço público
relevante. (Art.3º, §4º, lei nº 8.041/90).
SUBSEÇÃO I
DO CONSELHO DA REPÚBLICA
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente
da República, e dele participam:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade,
sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal
e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a
recondução.
Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:
I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.
§ 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para
participar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada
com o respectivo Ministério.
OBS: O Ministro convocado não terá direito a voto. (Art.5º, parágrafo único, lei nº
8.041/90).
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da
República. (Vide Lei nº 8.041, de 1990)
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SUBSEÇÃO II
DO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL
Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da
República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado
democrático, e dele participam como membros natos:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - o Ministro da Justiça;
V - o Ministro de Estado da Defesa; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 23, de 1999)
VI - o Ministro das Relações Exteriores;
VII - o Ministro do Planejamento.
VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)
§ 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional:
I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos
termos desta Constituição;
II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da
intervenção federal;
III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à
segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa
de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos
naturais de qualquer tipo;
IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a
garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático.
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa
Nacional. (Vide Lei nº 8.183, de 1991)
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SABATINA DE DIREITO CONSTITUCIONAL SOBRE O PODER EXECUTIVO
1) Sobre os Ministros de Estado
a) Quem julga os Ministros de Estado no caso de crime comum e de responsabilidade?
STF – Art 102, I, c CF
b) Se o crime de responsabilidade for conexo com o do Presidente da República, quem
julga os Ministros de estado?
Senado Federal – art 52, I.
c) Situação hipotética: O Ministro de Estado praticou um crime comum antes de assumir a
função. Quem julgará é o STF?
Não. O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o
exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. (INQ 4703 – Junho 2018)
d) Situação hipotética: O Ministro de Estado cometeu um crime comum durante o
exercício do mandato. Para ser processado deve ser exigida a prévia autorização da
Câmara dos Deputados?
Não. A autorização pela Câmara dos Deputados para o processamento criminal dos Ministros de
Estado só é exigida nos casos em que haja uma prática de um suposto crime de
RESPONSABILIDADE em conexão com o cometido pelo Presidente da República.
d) O Ministro de Estado deve ser brasileiro nato?
O único que deve ser brasileiro nato é o ministro de Estado da Defesa.
e) Para ser Ministro de Estado deve ter mais de quantos anos?
Mais de 21 anos.
f) Situação hipotética: João, Ministro de Estado, foi convocado pela mesa da Câmara dos
Deputados para prestar informação sobre um assunto previamente determinado. Ocorre
que João não compareceu. Isso importaria crime de responsabilidade?
Sim. Art. 50 CF - A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões,
poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados
à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto
previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação
adequada.
§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos
escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput
deste artigo, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o não - atendimento, no
prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas.
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2) Sobre o Presidente da República:
a) Qual a idade mínima?
35 anos, sendo comprovada na data da POSSE. ( art. 11§2 da lei 9.504/97)
b) Impedimento simultâneo do Presidente e do Vice-Presidente. Como será a linha de
substituição presidencial? Art 80 CF.
1º Presidente da Câmara dos Deputados
2º Presidente do Senado Federal
3º Ministro presidente do Supremo Tribunal Federal
c) Se o cargo ficar vago, por exemplo, o avião em que estavam o Presidente da República
e o Vice explodiu, os substitutos eventuais completarão o mandato?
Não, pois o único legitimado para suceder o Presidente da República é o Vice-Presidente, as
outras autoridades assumirão sempre de maneira provisória. No caso em análise assumirão até
que ocorra a nova eleição, não podendo tornarem-se Presidente da República em definitivo.
d) Se os componentes da linha de substituição presidencial forem réus em ação penal,
podem ocupar os cargos da presidência da República?
Não. Caso figurem como réus criminais ficarão impossibilitados de exercer a Presidência da
República, embora possam exercer a chefia e direção de suas casas.
e) Caso haja a vacância do Presidente e Vice-Presidente da República, nos dois primeiros
anos do mandato presidencial, o que acontece?
Eleição direta (feita pelo povo) no prazo de até 90 dias após a abertura da última vaga.
f) Caso haja a vacância do Presidente e Vice-Presidente da República, nos dois últimos
anos do mandato presidencial, o que acontece?
Eleição indireta (feita pelo Congresso Nacional) no prazo de até 30 dias após a abertura da
última vaga.
g) O Presidente e o Vice que forem escolhidos deverão completar apenas o mandato, ou
ficarão por 4 anos?
Apenas completar o mandato, chama-se mandato-tampão.
h) Os Estados-membros devem observar o art. 81§1º CF?
Não, pois não é considerado, segundo o STF, norma de observância obrigatória, dessa forma as
Constituições estaduais regulamentarão, livremente, as normas de sucessão do Governador e
do Vice.
3) Das atribuições do Presidente:
a) O rol do artigo 84 é taxativo ou exemplificativo?
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Exemplificativo.
b) Quais atribuições do art 84 podem ser delegadas? (Alta incidência em prova)
Art 84 parágrafo único.
O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV,
primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao
Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.
Art 84:
VI- dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos
em lei;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
* Cuidado, segundo o STF a competência para desprover os cargos públicos também podem
ser delegadas.
4) Sobre as imunidades presidenciais:
a) Quais imunidades formais o Presidente possui?
(i) à prisão
(ii) ao processo
(iii) atos estranhos ao exercício da função.
Obs: No executivo não há imunidade material, logo o chefe do executivo responderá pelas
suas palavras, opiniões e votos.
b) Sobre à prisão, existe alguma possibilidade do Presidente ser preso?
Só no caso de sentença penal condenatória prolatada pelo STF. Não poderá ser preso em
flagrante, preventivamente, temporariamente, nem pela prática de crime de responsabilidade.
c) Sobre a imunidade formal relacionada ao processo:
c.1) Para que o Presidente seja processado nos casos de crime comum e de
responsabilidade deve haver autorização de quem?
Autorização da Câmara dos Deputados por 2/3.
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c.2) Essa imunidade se aplica aos codenunciados?
Não, ou seja, para o processamento criminal dos denunciados juntos com o Presidente da
República e Ministros de Estado, não necessita da autorização da Câmara dos deputados.
c.3) Onde o presidente da república será julgado no caso de crime comum? E de
Responsabilidade?
Crime comum – STF
Crime de Responsabilidade – Senado Federal
c.4) Caso o STF receba a denúncia ou queixa o Presidente ficará suspenso por até
quantos dias?
Até 180 dias.
c.5) No Senado, a condenação somente será proferida por…
2/3 dos membros da Casa Legislativa, importando na aplicação das penas de perda do
cargo e inabilitação por 8 anos, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.
d) Sobre a imunidade por atos estranhos ao exercício da função:
d.1) Essa imunidade é apenas penal?
Sim. Não abrange a área cível ou administrativa.
d.2) O que significa imunidade por atos estranhos ao exercício da função?
Significa que ele só será responsabilizado, durante a vigência do mandato pela prática de
crimes que estão relacionados ao exercício da função.
d.3) Se o ato for estranho ao exercício da função quando ele será responsabilizado?
Após o término do mandato (em 1º instância)
5) Sobre a imunidade dos Governadores e dos Prefeitos:
a) Os Governadores e os Prefeitos possuem prerrogativas do Presidente?
Não.
b) Para o governador ser processado tem que ter autorização da assembleia?
Não, logo o governador pode ser criminalmente processado independentemente de
qualquer pronunciamento anterior da Assembleia Legislativa.
c) Os Governadores serão julgados na prática de crime comum por quem?
STJ
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Obs: O STJ não será o foro quando o crime tiver sido cometido ANTES do mandato se
iniciar, ou se praticado no curso do mandato, não guardar qualquer relação com a função.
10. PODER JUDICIÁRIO
Leitura: CF: Art 5º XXXV – Inafastabilidade Jurisdicional; XXXVII, Art 62§1,I,c,
68§1,I, 85,II, 92 ao 132.
SV: 37 ;
Súmula 649 STF
1) Quais são as garantias que os magistrados possuem?
Vitaliciedade
Inamovibilidade
Irredutibilidade de Subsídios
2) O que é vitaliciedade?
É a garantia que o magistrado possui de não perder o cargo, salvo sentença judicial
transitada em julgado.
A vitaliciedade é adquirida após 2 anos de exercício (não confunda com estabilidade,
que é de 3 anos)
E aqueles que ingressaram pelo quinto constitucional, também terão estabilidade após
2 anos de exercício? NÃÃÃÃÃÃO, para eles a vitaliciedade é adquirida na posse!
Massa, né?!
3) O que é inamovibilidade?
Impede que o juiz seja removido de um cargo para outro, salvo motivo de interesse
público, sendo um direito relativo.
VIII - o ato de remoção ou de disponibilidade do magistrado, por interesse público,
fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do
Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
4) O que é a irredutibilidade de subsídios?
É a proteção a remuneração dos juízes, mas essa proteção é nominal, e não real.
5) Os magistrados podem acumular cargos públicos?
Não. Salvo a de magistério.
6) Os magistrados podem exercer atividade político-partidária?
Não.
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7) O que é a quarentena de saída?
É a vedação aos juízes de exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou
antes de 3 anos do afastamento do cargo.
8) Promoção obrigatória X Promoção por merecimento:
A obrigatória é o juiz que figurar por 3x consecutivas ou 5 alternadas em lista de
merecimento.
A por merecimento tem como requisito 2 anos de exercício na entrância e integrar, o
juiz, o primeiro quinto da lista de antiguidade desta, salvo se não houve, com tais
requisitos, quem aceite o lugar vago.
Na apuração por antiguidade, o tribunal só poderá recusas o juiz mais antigo pelo voto
fundamentado de 2/3 de seus membros (desde que seja assegurada a ampla defesa).
Obs: O juiz que sem justificativa retiver os autos em seu poder além do prazo legal
não será promovido.
9)
STF STJ JUIZ FEDERAL
O litígio entre Estado Julgar, em recurso As causas entre Estado
estrangeiro ou organismo ordinário: estrangeiro ou organismo
internacional X União, o internacional e Município
Estado, o Distrito Federal as causas em que forem ou pessoa domiciliada ou
ou o Território; partes Estado estrangeiro residente no País;
ou organismo internacional,
de um lado, e, do outro,
Município ou pessoa
residente ou domiciliada
no País;
10) Competência do STF que merece destaque:
a) Processar e julgar a:
Ação direta de inconstitucionalidade (ADI) de lei ou ato normativo federal ou
estadual;
Ação declaratória de constitucionalidade (ADC) de lei ou ato normativo federal;
Cuidado: Não cabe ADI para lei ou norma Municipal X CF = Caberá ADPF (Arguição
de descumprimento de preceito fundamental).
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CRIME COMUM CRIME DE
RESPONSABILIDADE
Presidente da República,
Vice-Presidente da
República, STF SF
Ministros do STF,
PGR,
AGU
Deputados federais; STF -
Senadores
Ministros de Estado e
Comandantes da MAE STF STF
(Marinha/Aeronáutica/Exé Cuidado se for conexo com
rcito) o do Presidente da
República: SF
Ministros dos Tribunais
Superiores (STJ, TST, STF STF
TSE, STM) dos Tribunais
de Contas da União
Chefes de missão STF STF
diplomática
Governador STJ Tribunal Superior
Desembargadores dos
Tjs, membros dos TCE’s, STJ STJ
TRF’s, TRT’s, TRE’s,
TCM’s e membros dos
MPU que oficiem perante
tribunais.
12) O que é o quinto constitucional?
Segundo o art 94 da CRFB um quinto dos lugares dos TRF, TJ’S, TJDF ; TST; TRT
Composição : Membros do MP com + de 10 anos de carreira e advogados de notório
saber jurídico + reputação ilibada e + de 10 anos de efetiva atividade profissional.
Órgãos de representação das respectivas classes fazem uma lista sêxtupla →
posteriormente o tribunal faz uma lista tríplice → envia ao Poder Executivo que em 20
dias escolherá um componente da lista para nomeação.
13) Analise o caso concreto cobrado pela banca FGV 2019 - TJ-CE - Técnico
Judiciário - Área Judiciária: O Secretário de Finanças do Município Alfa expediu
ofício ao Presidente do Tribunal de Justiça informando que o setor técnico do
Poder Executivo concluíra a elaboração da proposta orçamentária do próximo
exercício financeiro, afeta ao Poder Judiciário. Solicitou que fosse informado
caso houvesse alguma observação a ser feita em relação à proposta antes do
seu encaminhamento ao Poder Legislativo.
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Considerando a sistemática constitucional, o proceder do Poder Executivo é
correto?
Incorreto, pois compete ao Tribunal de Justiça elaborar a sua proposta orçamentária,
observada a Lei de Diretrizes Orçamentárias;
O Poder Judiciário tem competência para elaborar sua própria proposta orçamentária.
No âmbito dos Estados, cabe ao Presidente do Tribunal de Justiça encaminhar a
proposta orçamentária ao Poder Executivo (art. 99, § 2º, II, CF/88).
11. PODER LEGISLATIVO
CF: 44 ao 58 CF
Súmula 721 STF
Lei 1579
1) Quais são as hipóteses que necessitam de sessão conjunta (reunião
simultânea da Câmara dos Deputados e Senado Federal)?
Art 53 § 3º CF - Além de outros casos previstos nesta Constituição, a Câmara dos
Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para:
I - Inaugurar a sessão legislativa;
II - Elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas
Casas;
III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República;
IV - Conhecer do veto e sobre ele deliberar.
→ Art 166 CF - Discussão e votação da lei orçamentária, conforme art. 166, CF/88.
→ Delegação ao Presidente da República poderes para legislar. O Congresso
concede ao Presidente a competência para editar lei delegada.
2) Existe alguma hipótese de sessão unicameral (votos dos deputados e
senadores contados conjuntamente) no Congresso Nacional?
Existe uma hipótese, que é a reunião para aprovar emendas constitucionais pelo
processo simplificado de revisão, cinco anos após a promulgação da Constituição.
Vale destacar que já foi realizada. Art 3º ADCT
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3) Diferenças entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Câmara dos Deputados Senado Federal
Representantes do povo. Representantes do Estado e do DF.
513 Deputados Federais (mínimo 8, 81 senadores (cada Estado elege 3
máximo 70). senadores).
1 Legislatura (4 anos) 2 legislaturas (8 anos)
Se criar um novo Território: número fixo de Se criar um novo Território: Não terá
4 deputados federais representantes do Senado.
Sistema proporcional. Sistema Majoritário Simples
Mínimo 21 anos Mínimo 35 anos
a) O que acontece se um Deputado Federal se afasta, renúncia ou morre?
A vaga será preenchida pelo candidato mais votado na lista da coligação,
independente de pertencer ao partido do Deputado Federal afastado.
b) O que acontece se um Senador se afasta, renúncia ou morre?
Será preenchida pelo suplente. E se não houver suplente? Far-se-á a eleição para
preenchê-la somente se faltarem mais de 15 meses para o término do mandato.
4) Anote:
1)
Ministros de Estado são julgados:
Crime Comum Crime de Crime de
Responsabilidade Responsabilidade +
Conexo com do PR:
STF STF SENADO FEDERAL
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2)
Congresso Nacional – Exclusiva (sem Congresso Nacional (Com sanção
sanção do Presidente da República) Art. 49 do Presidente da República) Art.48
- autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da concessão de anistia;
República a se ausentarem do País, quando a
ausência exceder a quinze dias;
escolher dois terços dos membros do Tribunal criação e extinção de Ministérios e
de Contas da União órgãos da administração pública;
autorizar referendo e convocar plebiscito; incorporação, subdivisão ou
desmembramento de áreas de
Territórios ou Estados, ouvidas as
respectivas Assembleias
Legislativas;
3)
Congresso Nacional Presidente da República
sustar os atos normativos do Poder sancionar, promulgar e fazer publicar
Executivo que exorbitem do poder as leis, bem como expedir decretos e
regulamentar ou dos limites de delegação regulamentos para sua fiel execução;
legislativa.
4)
Congresso Câmara dos Deputados Tribunal de Contas Presidente da
Nacional República
julgar anualmente proceder à tomada de apreciar as contas Prestar,
as contas contas do Presidente da prestadas anualmente, ao
prestadas pelo República, quando não anualmente pelo Congresso
Presidente da apresentadas ao Congresso Presidente da Nacional,
República e Nacional dentro de República, mediante dentro de
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apreciar os sessenta dias após a parecer prévio que sessenta dias
relatórios sobre a abertura da sessão deverá ser elaborado após a
execução dos legislativa; em sessenta dias a abertura da
planos de contar de seu sessão
governo; recebimento; legislativa, as
contas
referentes ao
exercício
anterior;
5)
Congresso Nacional Presidente da República
aprovar o estado de defesa e a intervenção decretar o estado de defesa e o estado
federal, autorizar o estado de sítio, ou de sítio; decretar e executar a
suspender qualquer uma dessas medidas; intervenção federal
5) IMUNIDADES
PARLAMENTARES PRESIDENTE DA
(LEGISLATIVO) REPÚBLICA
(EXECUTIVO)
Imunidade Material * Dentro do Congresso Não possui
(liberdade de opinião, Nacional: A imunidade é
palavras e votos). absoluta.
Independente de conexão
com o mandato, elide a
responsabilidade civil por
dano moral.
*Fora do Congresso
Nacional:
Deve haver conexão.
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Imunidade Formal a) A prisão: a) A prisão:
Desde a expedição do
diploma só podem ser Só pode ser preso por
presos por: sentença penal
condenatória.
Flagrante de Crime
inafiançável; Obs: não pode ser preso
em flagrante de crime
Sentença Penal inafiançável).
Condenatória
Obs:
Sobre a imunidade material…
1) as imunidades parlamentares são irrenunciáveis; e não se estendem aos suplentes.
2)(…) a cláusula de inviolabilidade constitucional também abrange, , as entrevistas
jornalísticas, a transmissão, para a imprensa, do conteúdo de pronunciamentos ou de
relatórios produzidos nas Casas Legislativas e as declarações feitas aos meios de
comunicação social, eis que tais manifestações – desde que vinculadas ao
desempenho do mandato – qualificam-se como natural projeção do exercício das
atividades parlamentares ( Inq 2.332-AgR, Rel. Min. Celso de Mello. 10-2-2011)
3) Vale ressaltar que nem mesmo após o término do mandato do parlamentar, ele
poderá se responsabilizar, pelas palavras, opiniões e votos que tiver proferido durante
o período em que era congressista.
4) A imunidade é desde a diplomação ou a posse?
A posse.
Sobre a imunidade formal:
1) Joãozinho, Deputado federal, torturou Pedro e foi pego em flagrante
(Flagrante de crime inafiançável).
a) Onde Joãozinho será processado e julgado?
No STF.
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Obs: para o recebimento da denúncia ou queixa-crime é desnecessária a autorização
da casa respectiva).
Essa imunidade formal só protege o parlamentar após a diplomação e no curso do
mandato.
b) Quem será comunicada?
A casa respectiva, no caso, por Joãozinho ser deputado federal, o STF comunicará a
Câmara dos Deputados o recebimento da denúncia ou queixa-crime.
c) É possível a sustação da ação penal?
Sim. Partido Político representado na respectiva casa poderá provocar a Mesa diretora
para que aprecie a possibilidade de sustar o andamento da ação penal.
Vale ressaltar que a suspensão é só para crimes cometidos após a diplomação.
d) Qual o prazo que a casa terá contado do recebimento, para apreciar o pedido
de suspensão?
Prazo de 45 dias IMPRORROGÁVEIS, sendo apreciada e decidida pela maioria
(maioria absoluta) de seus membros.
e) Decidida a sustação da ação, a prescrição também ficará suspensa?
Sim.
6) Sobre o foro por prerrogativa de função, sabemos que os parlamentares
federais serão julgados no STF. Mas qual foi o entendimento recente do STF
sobre o tema?
Segundo a nova interpretação do STF, o foro por prerrogativa de função somente se
aplica aos crimes praticados durante o exercício do cargo e que tenham relação com
as funções desempenhadas pelo parlamentar.
O que significa?
Se o parlamentar tiver cometido um crime antes da diplomação: será julgado em 1º
instância.
Se o parlamentar tiver cometido um crime após a diplomação, mas que não se
relaciona com o exercício do mandato: será julgado em 1º instância.
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Obs:
Uma vez encerrada a fase de instrução, não poderá mais existir a modificação de
competência.
Exemplo: Joãozinho, deputado federal, é réu, se ele deixar o cargo antes de a
instrução terminar, o processo desce para 1º instância. Mas, se ele deixar o cargo
após o término da instrução, será mantida a competência do STF
7) Os parlamentares são obrigados a testemunharem informações recebidas ou
prestadas em razão do exercício do mandato?
Os deputados e senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações
recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que
lhes confiaram ou deles receberam informações.
8) Durante o estado de sítio e de defesa, os parlamentares mantêm as
imunidades?
Estado de defesa: Sim.
Estado de sítio: Como regra sim, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois
terços dos membros da Casa respectiva, e atenção: só haverá suspensão se os atos
foram praticados fora do recinto do Congresso Nacional e sejam incompatíveis com a
execução da medida.
9) Os Deputados Estaduais e Vereadores também possuem imunidades?
Os deputados estaduais terão as mesmas prerrogativas (imunidade material e formal)
dos Deputados Federais.
Os vereadores não têm imunidade formal, apenas a material. Mas, cuidado: eles serão
invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato apenas na
circunscrição do Município.
10) Se um deputado estadual cometer crime doloso contra a vida, onde será
julgado?
No Tribunal de Justiça.
11) Se um vereador cometer crime doloso contra a vida, onde será julgado?
No Tribunal do Júri.
Súmula 721 STF.
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12) Sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito:
a) Conceito
Exercem funções típicas de fiscalização, investigando parlamentares. Vale ressaltar
que a CPI não julga nem acusa.
b) Requisitos:
1) Fato determinado
2) Prazo Certo
3) 1/3 da CD e/ou do SF
Obs: É de observância obrigatória (simetria) pelos estados e municípios.
c)
CPI
PODE NÃO PODE
Ouvir indiciados, testemunhas e Convocar magistrado para investigar sua
autoridades atuação jurisdicional
Determinar a quebra de sigilos bancários, Determinar a quebra do sigilo das
fiscais e dados, inclusive telefônicos. comunicações telefônicas (interceptação
telefônica)
Decretar buscas e apreensões, desde que Determinar busca e apreensão domiciliar
não sejam domiciliares
Convocar os Ministros de Estado ou CPI em âmbito nacional não pode
quaisquer titulares de órgãos diretamente investigar fatos cujo interesse seja
subordinados à Presidência da República marcadamente estadual ou local.
para prestar informações ao Poder
Legislativo, sob pena de crime de
responsabilidade.
Decretar prisão, salvo em flagrante.
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Proibir ou restringir a assistência jurídica
aos investigados.
Convocar o Chefe do Poder Executivo
Decretar medida cautelar, como a
indisponibilidade de bens dos investigados
Impedir a saída do investigado da
comarca ou do país.
13) Sobre o Tribunal de Contas da União:
a) É composto por quantos Ministros?
9 Ministros
b) Como são escolhidos?
1/3 pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal,
(sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao
Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e
merecimento)
2/3 pelo Congresso Nacional.
12. TEORIA DA CONSTITUIÇÃO.
1) Existe hierarquia entre a Constituição Federal, Estadual, e as Leis orgânicas
Municipais? Sim, vejamos:
1º Constituição Federal
2º Constituição Estadual
3º Leis orgânicas Municipais.
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1.1) Há hierarquia entre leis federais, leis estaduais e leis municipais?
Não.
2) Existe hierarquia entre lei complementar (aprovada por maioria absoluta) e lei
ordinária (aprovada por maioria simples)?
Não. Elas estão no mesmo nível hierárquico.
2.1) Há inconstitucionalidade quando uma lei complementar trata de um tema
reservado à lei ordinária?
Não. Pois quem ―pode o mais, pode o menos‖. Mas se isso acontecer embora a lei
seja formalmente complementar, ela será materialmente ordinária, podendo ser
modificada ou revogada por uma nova lei ordinária.
3) Classificação da Constituição da República de 1988
QUANTO À ORIGEM: Democrática Efetiva participação do
povo
QUANTO À Rígida Processo legislativo mais
ESTABILIDADE complexo
QUANTO A FORMA Escrita Único documento
QUANDO A Dogmática Elaborada em uma
ELABORAÇÃO ocasião certa
QUANTO AO CONTEÚDO Formal Tudo o que está inserido
na Constituição é
Constitucional
QUANTO À EXTENSÃO Analítica Detalhada
QUANTO À FINALIDADE Dirigente Objetivos, programas.
QUANTO À Nominativa Busca alcançar
CORRESPONDÊNCIA congruência a realidade
COM A REALIDADE política e social do Estado
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QUANTO À IDEOLOGIA Eclética Várias ideologias
QUANTO À UNIDADE Orgânica Estrutura documental
DOCUMENTAL única
QUANTO AO SISTEMA Principiológica Preponderam os
princípios
4) Eficácia das normas
Eficácia Características Exemplos
Plena Aplicabilidade imediata, Art. 2º
direta e integral;
São Poderes da União,
independentes e
harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.
Contida Aplicabilidade imediata, Art 5º XIII
direta, não integral;
É livre o exercício de
(pode ter seu efeito qualquer trabalho, ofício ou
restringido) profissão, atendidas as
qualificações profissionais
que a lei estabelecer;
Art 5º XLII
―a prática do racismo
constitui crime inafiançável
e imprescritível, sujeito à
pena de reclusão, nos
termos da lei.‖
Limitada Aplicabilidade mediata, Art.37 VII
indireta, reduzida;
O direito de greve será
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exercido nos termos e nos
limites definidos em lei
específica;
Art. 144, §8º da
Constituição da República
de 1988, ―os municípios
poderão constituir guardas
municipais destinadas à
proteção de seus bens,
serviços e instalações,
conforme dispuser a lei‖.
5) O que é mutação constitucional?
Decorre do Poder Constituinte Difuso: É o mecanismo informal de mudança, ou seja, o
texto permanece intacto, mas a leitura do texto constitucional sofre nova interpretação.
6) Conceitue Desconstitucionalização.
A desconstitucionalização é quando uma nova Constituição revoga a Constituição
anterior e transforma parte dela em lei infraconstitucional.
Como regra não é adotada no Brasil, salvo se a Constituição previr.
7) Efeito Repristinatório tácito:
É a reentrada em vigor de norma aparentemente revogada, ocorrendo quando uma
norma que revogou outra é declarada inconstitucional.
Quais são os casos?
1) Nas ações diretas de inconstitucionalidade:
a) Concessão de medida cautelar – Suspende a vigência e eficácia da lei
revogadora, logo a legislação aparentemente revogada volta a ser aplicada
novamente, salvo determinação expressa em sentido contrário.
b) Nas decisões definitivas de mérito – Quando há declaração de
inconstitucionalidade da nova norma, a anterior pode repristinar se for
compatível com a Constituição.
2) Competência concorrente – art 24§1ºao 4º
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Situação hipotética: Não existia uma norma geral sobre ―tributário‖, logo o Estado X
legislou de forma plena. Só que posteriormente veio uma norma geral sobre o tema, e
suspenderam a eficácia da Lei do Estado X naquilo que era contrária. Ok. Até aí tudo
bem. Mas se a norma geral (federal) for posteriormente revogada, a lei estadual
voltará a produzir os efeitos se compatível com a nova legislação federal revogadora.
3) Medida provisória rejeitada ou havida por prejudicada (art 62§3º CF)
É possível a restauração da vigência da lei suspensa, caso a medida provisória seja
rejeitada ou prejudicada.
8) Repristinação:
De acordo com Marcelo Novelino, a repristinação ocorre quando uma norma
revogada volta a viger em virtude da revogação da norma que a revogou, no
âmbito do direito constitucional é admitida apenas a repristinação expressa.
13.JULGADOS IMPORTANTES
1) É cabível ADI contra decreto presidencial que, com fundamento no art. 84, VI, ―a‖,
da CF/88, extingue colegiados da Administração Pública federal. Isso porque se trata
de decreto autônomo, que retira fundamento de validade diretamente da Constituição
Federal e, portanto, é dotado de generalidade e abstração.
STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019
2) O art. 6º da CF/88 possui diversos direitos, dentre eles a proteção à maternidade, a
proteção do mercado de trabalho da mulher e redução dos riscos inerentes ao
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
A proteção para que a gestante e a lactante não sejam expostos a atividades
insalubres caracteriza-se como importante direito social instrumental que
protege não apenas a mulher como também a criança (art. 227 da CF/88).
Em suma, é proibido o trabalho da gestante ou da lactante em atividades insalubres.
3) É inconstitucional lei estadual ou mesmo emenda à Constituição do Estado,
de iniciativa parlamentar, que trate sobre organização ou funcionamento do TCE.
A promulgação de emenda à Constituição Estadual não constitui meio apto para
contornar (burlar) a cláusula de iniciativa reservada.
4) Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o
tribunal de justiça local e outra perante o STF, o julgamento da primeira – estadual –
somente prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas condições
cumulativas:
1) se a decisão do Tribunal de Justiça for pela procedência da ação e
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2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da Constituição do
Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle
de constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a
jurisdição do STF para o controle abstrato de constitucionalidade.
5) A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é compatível com a
Constituição Federal, encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II
e III e no art. 49, XV, da CF/88.
Embora a Constituição Federal não autorize proposta de iniciativa popular para
emendas ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há
impedimento para que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade,
ampliando a competência constante da Carta Federal.
6) A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo
núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do
segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão.
7) A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado para o
controle de decreto regulamentar de lei estadual. Seria possível a propositura de ADI
se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas regulamenta a lei,
não é hipótese de cabimento de ADI.
8) É constitucional lei estadual que concede o desconto de 50% no valor dos ingressos
em casas de diversões, praças desportivas e similares aos jovens de até 21 anos de
idade, pois direito econômico é de competência concorrente da U/E/DF Art. 24.
Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I
- direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico
9) O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas
em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido
ajuizada pelo respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do
próprio Governador (previsto como legitimado pelo art. 103 da CF/88). Os Estados -
membros não se incluem no rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em
sede de controle concentrado de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 4420 ED-
AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018.
9) A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, caput, da CF/88 não se
estende para os codenunciados que não se encontrem investidos nos cargos de
Presidente da República, Vice-Presidente da República e Ministro de Estado.
A finalidade dessa imunidade é proteger o exercício regular desses cargos, razão pela
qual não é extensível a codenunciados que não se encontrem ocupando tais funções.
10) A nova intepretação do art. 52, X, da CF/88 é a de que o papel do Senado no
controle de constitucionalidade é simplesmente o de, mediante publicação, divulgar a
decisão do STF. A eficácia vinculante, contudo, já resulta da própria decisão da Corte.
11) O Estado, observado o binômio Laicidade do Estado (art. 19, I) / Consagração da
Liberdade religiosa (art. 5º, VI) e o princípio da igualdade (art. 5º, caput), deverá atuar
na regulamentação do cumprimento do preceito constitucional previsto no art. 210,
§1º, autorizando na rede pública, em igualdade de condições, o oferecimento de
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ensino confessional das diversas crenças, mediante requisitos formais e
objetivos previamente fixados pelo Ministério da Educação.
12) As opiniões ofensivas proferidas por deputados federais e veiculadas por meio da
imprensa, em manifestações que não guardam nenhuma relação com o exercício do
mandato, não estão abarcadas pela imunidade material prevista no art. 53 da CF/88 e
são aptas a gerar dano moral.
13) Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo
violou um tratado internacional.
Em regra, os tratados internacionais não podem ser utilizados como parâmetro em
sede de controle concentrado de constitucionalidade.
Exceção: será cabível ADI contra lei ou ato normativo que violou tratado ou convenção
internacional que trate sobre direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a
regra do § 3º do art. 5º, da CF/88. Isso porque neste caso esse tratado será
incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse uma emenda constitucional.
14) Não há necessidade de prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o
STJ receba denúncia ou queixa e instaure ação penal contra Governador de Estado,
por crime comum. Vale ressaltar que se a Constituição Estadual exigir autorização da
ALE para que o Governador seja processado criminalmente, essa previsão é
considerada inconstitucional.
15) Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os
prlamentares poderão apresentar emendas no entanto, tais emendas deverão ter
relação de pertinência temática com a medida provisória que está sendo apreciada.
Assim, a emenda apresentada deverá ter relação com o assunto tratado na medida
provisória. Desse modo, é incompatível com a Constituição a apresentação de
emendas sem relação de pertinência temática com medida provisória submetida à sua
apreciação, configurando contrabando legislativo.
16) Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis
municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se
trate de normas de reprodução obrigatória pelos estados.
Veja: Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios
estabelecidos nesta Constituição.
§ 1º - A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado, sendo a lei
de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça.
§ 2º - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis
ou atos normativos estaduais OU MUNICIPAIS em face da Constituição Estadual,
vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.
Assim, em regra, na ADI estadual, o TJ irá analisar se a lei ou ato normativo atacado
viola ou não a Constituição Estadual. Este é o parâmetro da ação. O TJ não pode
examinar se o ato impugnado ofende a Constituição Federal, salvo se forem normas
de reprodução obrigatória pelos Estados.
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21) Os substitutos eventuais do Presidente da República a que se refere o art. 80 da
CF/88, caso ostentem a posição de réus criminais perante o STF, ficarão
impossibilitados de exercer o ofício de Presidente da República. No entanto, mesmo
sendo réus, podem continuar na chefia do Poder por eles titularizados.
22) A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus
seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade
de expressão, podendo configurar o crime de racismo.
23) É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja que compete
privativamente à Assembleia Legislativa julgar as contas do Poder Legislativo
estadual. Seguindo o modelo federal, as contas do Poder Legislativo estadual deverão
ser julgadas pelo TCE, nos termos do art. 71, II c/c art. 75, da CF/88.
24) São constitucionais o art. 28, § 1º e o art. 30 da Lei nº 13.146/2015, que
determinam que as escolas privadas ofereçam atendimento educacional adequado e
inclusivo às pessoas com deficiência sem que possam cobrar valores adicionais de
qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas para cumprimento
dessa obrigação.
25) As associações que representam fração de categoria profissional não são
legitimadas para instaurar controle concentrado de constitucionalidade de norma que
extrapole o universo de seus representados.
Ex: a ANAMAGES, associação que representa apenas os juízes estaduais, não pode
ajuizar ADPF questionando dispositivo da LOMAN, considerando que esta lei rege não
apenas os juízes estaduais, mas sim os magistrados de todo o Poder Judiciário, seja
ele federal ou estadual.
STF. Plenário. ADPF 254 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/5/2016 (Info
826).
26) É possível que haja emendas parlamentares em projetos de lei de iniciativa dos
Poderes Executivo e Judiciário, desde que cumpram dois requisitos:
a) guardem pertinência temática com a proposta original (tratem sobre o mesmo
assunto);
b) não acarretem em aumento de despesas.
27) A comprovação do triênio de atividade jurídica exigida para o ingresso no cargo de
juiz substituto, nos termos do art. 93, I, da CF, deve ocorrer no momento da inscrição
definitiva no concurso público.
28) A imunidade parlamentar é uma proteção adicional ao direito fundamental de todas
as pessoas à liberdade de expressão, previsto no art. 5º, IV e IX, da CF/88. Assim,
mesmo quando desbordem e se enquadrem em tipos penais, as palavras dos
congressistas, desde que guardem alguma pertinência com suas funções
parlamentares, estarão cobertas pela imunidade material do art. 53, ―caput‖, da CF/88.
STF. 1ª Turma. Inq 4088/DF e Inq 4097/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
1º/12/2015 (Info 810).
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29) Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) contra
decisão judicial transitada em julgado. Este instituto de controle concentrado de
constitucionalidade não tem como função desconstituir a coisa julgada. STF. Decisão
monocrática. ADPF 81 MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 27/10/2015 (Info
810).
30) Se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, decidir sair do partido político no
qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa?
a) Se for um cargo eletivo MAJORITÁRIO: NÃO ( Prefeito, Governador, Senador e
Presidente. )
b) Se for um cargo eletivo PROPORCIONAL: SIM (Vereador, Deputado Estadual e
Deputado Federal).
Quais as hipóteses que atualmente podem ser consideradas como justa causa para a
mudança de partido?
As situações estão elencadas no art. 22-A da Lei nº 9.096/95 (Incluído pela Lei nº
13.165/2015).
Importante citar também a exceção prevista no § 5º do art. 17 da CF/88 (Incluído pela
EC 97/2017).
31) Os Deputados Estaduais poderão apresentar uma proposta de emenda
constitucional tratando sobre algum dos assuntos mencionados no art. 61, § 1º da
CF/88 (aplicáveis por simetria para a Constituição Estadual)?
NÃO. O STF entende que, se houver uma emenda constitucional tratando sobre algum
dos assuntos listados no art. 61, § 1º da CF/88, essa emenda deverá ter sido proposta
pelo chefe do Poder Executivo (no caso, o Governador do Estado). Assim, é incabível
que os parlamentares proponham uma emenda constitucional dispondo sobre o
regime jurídico dos servidores públicos, por exemplo (art. 61, § 1º, II, ―c‖).
32) A ADPF e a ADI são fungíveis entre si. Assim, o STF reconhece ser possível a
conversão da ADPF em ADI quando imprópria a primeira, e vice-versa. No entanto,
essa fungibilidade não será possível quando a parte autora incorrer em erro grosseiro.
É o caso, por exemplo, de uma APF proposta contra uma Lei editada em 2013, ou
seja, quando manifestamente seria cabível a ADI por se tratar de norma posterior à
CF/88
33) Para a criação de novos Municípios, o art. 18, § 4º, da CF/88 exige a edição de
uma Lei Complementar Federal estabelecendo o procedimento e o período no qual os
Municípios poderão ser criados, incorporados, fundidos ou desmembrados. Como
atualmente não existe essa LC, as leis estaduais que forem editadas criando
Municípios serão inconstitucionais por violarem a exigência do § 4º do art. 18. STF.
Plenário. ADI 4992/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2014 (Info 758).
34) O § 2º do art. 53 da CF/88 veda apenas a prisão penal cautelar (provisória) do
parlamentar, ou seja, não proíbe a prisão decorrente da sentença transitada em
julgado, como no caso de Deputado Federal condenado definitivamente pelo STF.
STF. Plenário. AP 396 QO/RO, AP 396 ED-ED/RO, Rel.Min. Cármen Lúcia, julgado
em 26/6/2013 (Info 712).
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qualquer tipo de repasse.
35) Segundo a jurisprudência do STF, a ADPF, como instrumento de fiscalização
abstrata das normas, está submetida, cumulativamente, ao requisito da relevância
constitucional da controvérsia suscitada e ao regime da subsidiariedade.
36) As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em ADI e ADC produzem
eficácia contra todos e efeito vinculante. Tais efeitos não vinculam, contudo, o próprio
STF. Assim, se o STF decidiu, em uma ADI ou ADC, que determinada lei é
CONSTITUCIONAL, a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir
que esta mesma lei é INCONSTITUCIONAL por conta de mudanças no cenário
jurídico, político, econômico ou social do país. Esta mudança de entendimento do STF
sobre a constitucionalidade de uma norma pode ser decidida durante o julgamento de
uma reclamação constitucional.
Fonte: https://www.buscadordizerodireito.com.br/
Bibliografia
Masson, Nathalia. 2019. Ed.Juspodivm
Novelino.Marcelo.2021. Ed. Juspodivm
Lenza, Pedro.2021.25º edição. Ed.Saraiva Jus
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