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26.08.22. - LOIDE Muianga Ret

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i

Loide Francisco Muianga

INFLUÊNCIA DOS ESTILOS PARENTAIS NO CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS PSICOACTIVAS NA


ADOLESCÊNCIA:

DESAFIO PARA REINSERÇÃO SOCIAL

Licenciatura em Psicologia Clínica com Habilitações em Clinica Cognitivo-Comportamental

UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA DE MAPUTO

Maputo

2022
ii

Loide Francisco Muianga

INFLUÊNCIA DOS ESTILOS PARENTAIS NO CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS PSICOACTIVAS NA


ADOLESCÊNCIA:

DESAFIO PARA REINSERÇÃO SOCIAL

Licenciatura em Psicologia Clínica com Habilitações em Clinica Cognitivo-Comportamental

Monografia científica a ser apresentada na Faculdade de


Educação e Psicologia, Departamento Psicológico, para a
obtenção do grau académico de Licenciatura em Psicologia
Clínica, com Habilitação em Clínica Cognitivo-Comportamental.

Supervisor: Mestre. Domingos Raul Bié

Co-supervisora: Cecília Francisca Xavier

Universidade Pedagógica de Maputo

Maputo

2022
iii

LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Estratificação da amostra por sexo......................................................................................................................20
Tabela 2. Estratificação da amostra por idade.....................................................................................................................20

Tabela 3. Estratificação da amostra por nível de escolaridade............................................................................................20

Tabela 4. Estratificação da amostra da estrutura familiar....................................................................................................20

Tabela 5. Estatística Descritiva do item do pai....................................................................................................................25

Tabela 6. Analise da fiabilidade do pai................................................................................................................................27

Tabela 7. Correlações internas do pai.................................................................................................................................30

Tabela 8: Estatística descritiva do item da..........................................................................................................................30

Tabela 9. Análise da fiabilidade da mãe..............................................................................................................................33

Tabela 10. Correlações internas da mãe.............................................................................................................................35

Tabela 11. Praticas parentais percebidas pelos adolescentes............................................................................................36

Tabela 12. relação entre os estilos de socialização parental e o envolvimento dos adolescentes no consumo de
substancias
psicoactivas..........................................................................................................................................................................38
iv

FIGURAS
Figura 1. Modelo Bidimensional de Socialização e tipologias (Musitu e García, 2004) ................................................10
v

Epígrafe

“As palavras são a mais poderosa droga utilizada pela humanidade”


Rudyard Kipling (1865-1936)
vi

Siglas e abreviaturas

OMS- Organização Mundial da Saúde


ONU- Organização das Nações Unidas
PD- Pontuação directa
M- Média
DP- Desvio padrão
UNODOC- Nações unidas contra a droga e o crime
ESPA-29- Escala de Socialização Parental na Adolescência.
vii

Declaração de Honra

Declaro que esta monografia é resultado da minha investigação pessoal e das orientações dos meus supervisores, o
conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto e na bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção de qualquer grau
académico.

Maputo, _____ de ______________________ de 2022

A Autora

________________________________

(Loide Francisco Muianga)


viii

Agradecimentos

A elaboração desta presente monografia não seria possível sem o apoio incondicional de algumas pessoas, a quem não
posso deixar de agradecer por toda disponibilidade e apoio concedido nesta importante fase da minha formação
acadêmica, a licenciatura em Psicologia Clínica.

Quero agradecer a Deus que é o autor da vida e a razão da minha existência, pela vida que me tem concedido dia após
dia para poder alcançar um dos meus objectivos, pois não foi fácil chegar até aqui mas sim pela sua força e motivação
consegui alcançar este momento especial de poder contemplar uma das minhas vitórias.

Obrigada a minha família, tios, avo e primos, especialmente aos meus pais, Francisco Muianga e Cristina Massango, por
providenciarem recursos para poder tornar possivel este momento, pela força, motivação, razoes para continuar a
dedicar-me aos estudos e sem desistir deste sonho que hoje posso compartilhar com eles e acima de tudo pela
educacao e valores transmitidos, nao teria conseguido fazer todo este percurso sem voces, espero que estejam
orgulhosos. Aos meus irmaos, Fangui, Eilleen e Edilson pelo apoio incondicinal e por sempre me encorajarem a
continuar a servir de exemplo para eles.

Ao meu supervisor Mestre Domingos Bie, o mu orientador, o meu muito obrigada pela confianca que depositou em mim
e ao meu trabalho, em colaboracao com a professora celia xavier e a assistencia da Antonia Candido pela paciencia,
compreensao, dedicacao e exigencia que me fez crescer e evoluir. Sem a vossa supervisao o meu percurso nao teria
sido o mesmo.

As minhas amigas, Silvania, Arsenia e Elaine por todo animo que transmitiram, por cada conselho que recebi delas, por
acreditarem em mim, foi um prazer fazer esta caminhada contando com o vosso apoio. Ao meu amigo Mussadouro por
cada palavra motivadora, ajuda e incentivo às minhas capacidades mesmo quando eu duvidei de mim.

Devo ainda agradecer, aos meus colegas do CAPUP que estiveram comigo nesta caminhada, pois ninguem caminha só,
mas eles suportaram-me independentemente das dificuldades que apresentei, estiveram sempre a me dar apoio para
seguir em frente ate alcançar esta meta que hoje atravesso.

Tambem vai o meu agredecimento a todos adolescentes sujeitos desta pesquisa porque aceitaram prticipar dete trabalho
com muita empolgacao compartilhando experiencias vivenciadas pelos mesmo. E a todos coordenadores e educadores
sociais da Associacao Hlayiseka para a recolha destes dados, pois teria sido impossivel.

Por fim, a todos que direct ou indirectamente contribuiram para o meu crescimento profissional, o meu profundo
agradecimento.

A todos vocês, muito obrigada!

Esta vitória e nossa!


ix

Dedicatória

Dedico este trabalho aos meus pais, irmãos e amigos.


x

Resumo

A presente pesquisa intitulada “Influência dos estilos parentais no consumo de substâncias psicoactivas na adolescência ˮ é
realizada no âmbito da monografia científica para a conclusão do curso de licenciatura em Psicologia Clínica. O consumo de
substancias psicoactivas na adolescencia é um grave problema de saúde pública, que envolve multplos factores, sendo que os
estilos parentais podem funcionar tanto como factores de risco quanto como de proteccao dependendo da percepção do
adolescente.
Objectivos: o objectivo central da presente pesquisa é analisar as relações existentes entre os estilos parentais e o consumo de
substâncias psicoactivas na adolescência, sendo que de forma especifica pretendemos: (i) apresentar as propriedades
psicométricas da Escala de Socialização Parental na Adolescência (ESPA-29); (ii) identificar as práticas parentais frequentemente
mais percebidas pelos adolescentes e; (iii) descrever a relação entre práticas parentais e os estilos de socialização parental e; (iv)
entre as praticas parentais com o consumo de substancias.

Métodos: este estudo e quantitativo e foi realizado na Associação Hlayiseka envolvendo uma amostra de 38 participantes (3/7.9%
do sexo feminino) com idades entre 14 a 18 anos que, após o consentimento informado, forneceram dados sociodemograficos e
responderam a dois instrumentos: a Escala de Socialização Parental na Adolescencia ( Musitu & Garcia, 2001) e o questionário de
triagem de álcool, tabaco e outras substâncias (OMS, 2002). Antes do contacto com a amostra solicitou-se a autorizacao da
pesquisa na Universidade Pedagogica de Maputo e na Associacao Hlayiseka. Para a analise dos dados recorreu-se ao programa
estatístico, Statistical Package for The Social Science (SPSS, versão 26), e consistiu na análise da fiabilidade, correlações e
comparaçao de medias.

Resultado: do estudo foram encontrados bons índices de fiabilidade nas duas sub-escalas, tanto para a mãe (α=.94) quanto para o
pai (α=90) em relação a aceitação/Implicacao e, (α=.94) e (α=.90) respectivamente em relação a sub-escala coerção; As praticas da
mae frequentemente mais percebidas pelos adolescentes foram o afecto, o dialogo, a privação e as do pai foram o afecto, o dialogo,
a privacao e a indiferença; enquanto as praticas positivas correspondem ao estilo democrático, as praticas negativas correspondem
aos estilos autoritario e negligente; a displicência paterna associa-se ao consumo de tabaco, a privação paterna e materna ao
consumo de álcool e a coerção física materna ao consumo de alcool e a aceitacao/implicacao (indiferenca e displicencia) ao
consumo de cannabis sativa pelos adolescentes.

Palavras-chave: adolescência; estilos parentais; consumo de substancias psicoativas.


xi

Abstract

The consumption of psychoactive substances is a serious public health problem, which comprises a system that involves
multiple risk and protection factors that can influence the consumption of psychoactive substances in adolescence and
through various approaches, parenting styles stand out.

Objectives: to analyze the relationships between parenting styles and the consumption of psychoactive substances in
adolescence; to present the psychometric properties of the instruments used in the research, namely, parental
socialization scale in adolescence (ESPA-29); identify the parenting practices most often perceived by adolescents who
consume psychoactive substances; describe the relationship between parenting practices and parental socialization
styles; and to demonstrate the relationship between parental socialization styles and the involvement of adolescence in
the consumption of psychoactive substances.

Methods: the sample consisted of 38 participants aged between 14 and 18 years old from the Hlayiseka Association and
some streets in the city of Maputo (e.g. Maxaquene barriers, Malanga barriers, abandoned houses such as Mugodoro,
next to the Repinga, from costa do sol, rue Araujo and from Bagamoio). For this purpose, a quantitative research was
carried out through two questionnaires firstly using the Parental Socialization Scale in Adolescence (ESPA-29) with 7
dimensions, namely: (i) affection, (ii) dialogue, (iii) indifference, (iv) neglect, (v) deprivation, (vi) verbal coercion, (vii)
physical coercion and two subscales, (i) acceptance/implication and (ii) coercion/imposition. The instrument has 29 items
to be answered on a 4 level likert scale, from 1(never), 2 (sometimes), 3 (often), and 4 (always) and with two items for the
13 positive situations and 5 items for the 16 negative situations. Data were analyzed using the statistical package for the
social science (SPSS, version 26), specifically the reliability analysis, Pearson’s coefficient analysis and the student t-test
was applied to assess the significance of the difference between parenting styles and consumption of psychoactive
substances. And secondly, the alcohol, tobacco and other substances screening questionnaire contains 8 items, for
question 1 the response scale starts from 1 (no) to 2 (yes), question 2 to 7 are answered on a scale of 1 (never), 2 (once
or twice), 3 (monthly), 4 (weekly) and 5 (daily or almost every day). Finally, for question 8 the response scale starts from 1
(no, never), 2 (yes, in the last 3 months). For ASSIST, we did not deepen the analyses, as we were interested in using
only question 1 of the instrument, which allowed us to know if the participant has ever consumed psychoactive
substances or not.

Results: the parental Socialization Scale in Adolescence showed good psychometric properties applicate to the
Mozambican context, as the results indicate that both parents adopt parenting styles such as democratic and
authoritarian, but fathers have also adopted the negligent style differently from mothers, therefore, we found that this
typology o parenting styles has influences the consumption of alcohol, tobacco and cannabis sativa by adolescents.

Keywords: Adolescence; Parenting Styles; Consumption of Psychoactive Substances.


xii
1

Introdução

O presente estudo intitulado “Influência dos estilos parentais no consumo de substâncias psicoactivas na
adolescência ˮ é realizado no âmbito da monografia científica para a conclusão do curso de licenciatura em Psicologia
Clínica, e tem como objectivo central analisar as relações existentes entre os estilos parentais e o consumo de
substâncias psicoactivas na adolescência.

A adolescência é considerada como uma fase de maior vulnerabilidade devido a mudanças que ocorrem, por sua vez,
pela construção da sua identidade pessoal, autonomia face à família, e crescente importância de grupo de pares. Muita
das vezes os adolescentes adoptam comportamentos de risco para a saúde e entre eles incluem-se consumo de
substâncias psicoactivas (CARVALHO & LEAL, 2006).

O consumo de drogas entre adolescentes é um problema de saúde mundial caracterizada por ser uma etapa pautada
pelas descobertas, verifica-se actualmente que para muitos adolescentes, as fronteiras da experimentação não estão
suficientemente definidas, podendo estas dar lugar a casos de abuso e dependência de substâncias que afectará
determinantemente o seu futuro (MAIA, FREIRA, FONSECA, PEDRO & SILVA, 2010).

Ainda de acordo com a literatura, o álcool, tabaco e cannabis sativa são substancias psicoativas mais consumidas pelos
adolescentes e o seu uso tem aumentado drasticamente entre 11 a 15 anos de idade em países ocidentais (CURRIE,
2004).

Nos últimos 30 anos, os investigadores têm vindo a identificar factores que promovem ou reduzem o abuso de
substâncias por adolescentes em contextos sociais e ambientais como o grupo de pares, a família, a escola e a
comunidade (WANG, KVIZ & FILLER, 2012)

Por sua vez, RHEE (2008), com a mesma abordagem explana ainda que os pais desempenham um papel importante
para o crescimento, desenvolvimento e socialização das crianças e, influenciam os seus filhos através de estilos e
práticas educativas parentais especificas e de forma mais ampla através das suas interações interpessoais dentro da
família.

De modo geral, apesar de sofrerem alterações durante a adolescência, o relacionamento familiar, a influência dos estilos
parentais e da comunicação familiar continuam a exercer funções importantes para os adolescentes, assumindo um
papel determinante no ajustamento psicossocial, na saúde mental, no desenvolvimento de competências psicossociais e
em comportamentos de saúde em adolescentes (ARDELT & DAY, 2002).

Contudo, na tentativa de compreender o comportamento do consumo precoce do álcool, tabaco e cannabis sativa entre
adolescentes, é necessário que diferentes factores que o determinam sejam analisados com precisão. Assim sendo,
todos os aspectos determinantes para o desenvolvimento saudável ou patológico dos adolescentes devem ser tomados
como uma fonte de análise, pois a literatura científica aponta que alguns estilos parentais percebidos pelos adolescentes
têm influenciado negativamente para que os mesmos tenham curiosidade em consumir as substancias psicoactivas, não
só mas também, os mesmos podem definir o seu comportamento.

Neste seguimento, esta monografia encontra-se estruturada da seguinte maneira: o capitulo 1 descreve sobre a
vinculação na infância (eg., padrões de vinculação e influência da qualidade de vinculação nos estilos parentais); Estilos
parentais e práticas educativas parentais (e.g., principais abordagens dos estilos parentais); Consumo de substancias
psicoactivas (e.g., definição de substancias psicoactivas, consumo de álcool, tabaco e cannabis sativa); Factores de risco
e de protecção devido ao consumo de substancias psicoactivas; estilos parentais e o consumo de substancias
psicoactivas na adolescência; e teorias psicológicas que explicam o consumo de substancias psicoactivas.

O capitulo 2, aborda sobre a Metodologia (e.g., tipo de pesquisa, local da pesquisa, população, amostra, instrumentos e
variáveis da pesquisa, amostragem e procedimentos de recolha de dados e procedimentos de análise de dados); o
2

capitulo 3, trata da apresentação e análise de dados (e.g., estatística descritiva, analise da fiabilidade e correlações
internas; discussão dos resultados) por fim, e a considerações e sugestões de futuras pesquisas.

Problematização

A adolescência é uma fase da vida humana caracterizada pela passagem da infância para as responsabilidades da vida
adulta (PRAZERES, 1998; VIRGINIO, 2015). É nesta fase que se verifica a construção da personalidade, ou seja, uma
nova identidade é formada e consequentemente, o adolescente procura se descobrir e nesta tentativa busca novas
experiências e na busca dessas experiências muitos adolescentes tendem a adoptar comportamentos de risco como o
consumo de substancias psicoactivas.

O consumo de substâncias psicoactivas é um grave problema para a saúde publica (NIDA, 2016). Dados do Relatório
Mundial sobre Drogas (2021), aponta que cerca de 275 milhões de pessoas usaram drogas no mundo, enquanto mais de
36 milhões sofreram de transtornos associados ao uso de drogas, e nas estimativas globais cerca de 5,5% da população
entre 15 e 64 anos já usou drogas pelo menos uma vez no ano passado (UNODC, 2021).

A Organizacao Mundial da Saude (OMS, 2020), aponta que mais de 40 milhoes de adolescentes entre 13 e 15 anos ja
comecaram a usar o tabaco e nove em cada 10 fumantes comecam antes dos 18 anos de idade.

Os dados do ESPAD (2019) apontam que a prevalência do consumo de cannabis sativa entre habitantes da União
Europeia com idades compreendidas entre os 15 e os 34 anos é estimado em 15,4%, variando entre 3,4% na Hungria e
21,8% em Franca, considerando apenas que nas idades compreendidas entre 15 aos 24 anos, a prevalencia do
consumo de cannabis é mais elevada, tendo 9,1 milhões (19,2%) consumido a droga no último ano.

Mais recentemente, verifica-se com os dados do Relatório Europeu sobre a Droga (2021), uma estimativa de cerca de 83
milhões ou 28,9% dos adultos na União Europeia tenham consumido drogas ilícitas pelo menos uma vez ao longo da
vida. Os valores do último ano referentes ao consumo de drogas permitem avaliar o consumo recente de drogas e
revelam que o consumo atinge principalmente 17,4 milhões de jovens adultos (15-34 anos) tenham consumido drogas no
último ano 16,9% com uma proporção quase duas vezes superior de consumidores, a experiencia de consumo de droga
verifica-se com mais frequência no sexo masculino com cerca de 21,6% comparativamente do sexo feminino 12,1%.

Os dados obtidos pelo III levantamento Nacional sobre o uso de drogas em Brasil, revelam que 3,2% dos brasileiros
usaram substancias ilicitas o que equivale a 4,9 milhoes de pessoas. Os resultados apontam ainda que 7,7%
consumiram maconha, 1,4 milhao de pessoas consumiram crack e 46 (30,1%) milhoes de pessoas consumiram alcool
nas idades compreendidads entre 12 a 65 anos de idade (FIOCRUZ, 2019).

No contexto Moçambicano, os dados do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (2018) indicam que de 2012
a 2016 foram apreendidas 27.051 Kg de cannabis sativa vulgo suruma, seis toneladas de haxixe, mais de 100 kg de
efedrina, 553kg de heroína no período compreendido entre 2012 a 2016 e as autoridades apreenderam cerca de 8
toneladas de suruma, dos quais 73.39% na província de Zambézia, portanto, referem estes que os adolescentes e jovens
são considerados como a população mais vulnerável ao consumo de álcool e outras drogas.

Por outra, a cidade de Maputo, sul do país, liderou o número de internamentos devido ao consumo de drogas, com cerca
de 49,8%, seguida da província de Manica com 11,7% e Sofala também com 11% (GCPCD, 2020).

A literatura aponta a existência de factores que podem contribuir para o consumo de substancias psicoactivas na
adolescência, aspectos como o uso de substancias pelos pais, atitudes favoráveis e de aceitação ao uso de drogas e
envolvimento parental, bem como o distanciamento parental, estes são mencionados como factores de risco para o
consumo de substancias psicoactivas (PAPALIA, OLDS & FELDMAN, 2009). Ainda na mesma óptica, os autores
afirmam que o fácil acesso em obter as substâncias psicoactivas e o consumo das mesmas podem acarretar varias
consequências, quer a nível psicológico, quer a nível físico devido aos efeitos negativos que trazem na vida dos
adolescentes.
3

Em virtude das constatações observadas sobre o quotidiano dos adolescentes no meio em que estão inseridos face ao
consumo de substâncias psicoativas levanta-se a seguinte questão de pesquisa: até que ponto os estilos parentais
podem influenciar os adolescentes a consumirem as substâncias psicoactivas?

Justificativa

A presente monografia justifica-se pelo facto de ser um problema considerado de saúde publica sendo uma realidade
que tem preocupado qualquer esfera social, no mundo e em particular Mocambique, pois a gênese da iniciação precoce
deste consumo reflecte-se por diversos factores associados. Na tentativa de compreender o comportamento do consumo
de substâncias psicoactivas na adolescência sendo a população mais vulnerável, o interesse por este tema também
surgiu a partir dos momentos registrados pela mídia que tem revelado comportamentos de risco adoptados pelos
adolescentes em certos bairros mediante o consumo de substancias psicoactivas (eg. álcool, tabaco e cannabis sativa
vulgo suruma).

A pesquisa mostra-se relevante, pois verifica-se que desde nos tempos passados tem vindo a se discutir aspectos
relacionados com o consumo de substancias psicoactivas em diferentes esferas sociais, isto é, na comunidade e nas
escolas, procurando saber quais os motivos que levam os adolescentes a engrenarem no mundo das drogas
precocemente, adoptando estratégias de prevenção através de debates, palestras e propagandas.

Por meio desta pesquisa, profissionais da área de psicologia, poderão desenvolver acções educativas de promoção de
saúde e prevenção de situações de comportamentos de consumo de substancias psicoactivas, por meio do
desenvolvimento de estratégias para adopcao de estilos parentais que servem como factores protectores face ao
consumo de substancias psicoactivas.

Contudo, abordar esta temática constitui uma grande valia no âmbito acadêmico, pois observa-se escassez de pesquisas
do gênero no país, uma vez que, as pesquisas realizadas no contexto moçambicano estão mais voltados para o
consumo de substancias psicoactivas nas escolas, o que significa que poderá enriquecer o debate literário e impulsionar
o planeamento de novas pesquisas para a prevenção de consumo de substancias psicoactivas.

Objectivos

Geral

 Analisar as relações existentes entre os estilos parentais e o consumo de substâncias psicoactivas na


adolescência.

Específicos

 Apresentar as propriedades psicométricas da Escala de Socialização Parental na Adolescência (ESPA-29);


 Identificar as práticas parentais frequentemente mais percebidas pelos adolescentes que consomem as
substancias psicoactivas;
 Descrever a relação existente entre as práticas parentais e os estilos de socialização parental;
 Demonstrar a relação entre os estilos de socialização parental e o envolvimento dos adolescentes no consumo de
substancias psicoactivas.

Hipóteses

1. Os estilos parentais influenciam no consumo de substancias psicoactivas, de tal modo, que os adolescentes que
vivem com os pais que adoptam os estilos autoritário e negligente são mais propensos ao consumo de
substancias psicoactivas do que quando os pais adoptam o estilo democrático.
2. Adolescentes que consomem substancias vivem com pais cuja as práticas parentais são indiferença, displicência,
privação, coerção verbal e coerção física.
4

CAPITULO I: REVISÃO DA LITERATURA


Neste momento pretende-se realizar uma breve revisão da literatura em volta da influência dos estilos parentais no
consumo de substâncias psicoactivas na adolescência. Primeiramente trataremos acerca da vinculação na infância e a
influência dos seus padrões nos estilos parentais. Em seguida, principais abordagens dos estilos parentais, consumo de
substancias psicoactivas, factores de risco e de protecção devido ao consumo de substancias psicoactivas na
adolescência, estilos parentais e o consumo de substâncias psicoactivas na adolescência e as teorias psicológicas que
explicam o consumo de substâncias psicoactivas na adolescência. O quadro de referência teórico usado na presente
pesquisa é baseado na dissertação para o grau de mestre em Psicologia Clínica e da Saude de Ana Rita Matos Bacoco,
apresentada no ano de 2014 sob o título “ influencia dos estilos parentais no consumo de alcool em adolescentes
Algarvios” e a dissertacao para o grau de Mestre em Psicologia Clínica e Saúde de Karina Formiga Luis apresenta no
ano de 2011 intitulada "Estilos Parentais Percebidos Pelos Adolescente".

1.1. A família como primeiro contexto de socialização

Varias abordagens actuais sobre o desenvolvimento referem que o ser humano e o seu ambiente são como parte
integrante da mesma unidade, estabelecendo assim uma interação continua e única (CRUZ & LIMA, 2012).

De acordo com a literatura considera-se família como sendo um sistema social, encontrando-se inserida num conjunto
complexo de vários outros sistemas mais abrangentes, que vão influenciar o seu funcionamento (CRUZ & LIMA (2012).
Os autores salientam ainda que a família exerce a função de assegurar o bem-estar, a manutenção e segurança,
estimulação, apoio socio-emocional, supervisão e integração social promovendo a adaptação e consequentemente o
desenvolvimento da criança

Desta forma, a família é caracterizada como o núcleo principal no desenvolvimento moral, cognitivo e afectivo que
proporciona contextos educativos para a construção da própria identidade da criança, e esta surge como principal
contexto de socialização, transmitindo às crianças conteúdos, hábitos, normas e estruturas racionais (DIOGO, 1998;
PROENÇA, 2017).

Contudo, importa referir que para que haja um desenvolvimento saudável da criança dependera da qualidade das
relações harmoniosas entre esta e as suas figuras de vinculação juntamente com os estilos parentais adoptados pelos
pais. Daí que, posteriormente iremos trazer abordagens relacionadas com a teoria de vinculação e as práticas educativas
parentais.

1.2. Vinculação na infância

A conceptualização da vinculação está entre os paradigmas mais abrangentes e amplos da psicologia actual, oferecendo
um modelo desenvolvimental relativamente ao modo como as relações se estabelecem, permanecem e se quebram
entre os indivíduos envolvidos (BOWLBY, 1979; CASTRO, 2018).

A teoria de vinculação foi inicialmente elaborada por John Bowlby (1969,1982, 1973, 1988), médico e psicanalista e
subsequentemente desenvolvida por Ainsworth (1978), a teoria da vinculação surge com a premissa de que os seres
humanos, bem como os outros animais, particularmente os primatas, tem uma disposição inata para o estabelecimento
de ligações emocionais (AINSWORTH, BLEHAR, WATERS & WALL,1978; CASTRO, 2018). Os autores ainda referem
que este quadro teórico integra na circunstancia humana, a necessidade prematura de formar vínculos afectivos entre o
bebe e as figuras que asseguram, diariamente, os seus cuidados pelo que se compreende que a vinculação esteja
direcionada para a sobrevivência do próprio indivíduo.

A vinculação refere-se à disposição da criança para procurar e manter a proximidade com uma figura especifica em
certas situações, ou seja, quando criança está assustada, cansada ou doente, de modo a sentir-se segura e confortável
(BOWLBY, 1969; CASTRO, 2018). Na mesma óptica, o autor salienta que a vinculação constitui uma ligação emocional
profunda entre a criança a uma figura significativa, em que ambas optam por uma atitude que contribui para a
proximidade física e afectiva a fim de possibilitar um desenvolvimento adequado e tende a continuar ao longo da vida.
5

Durante o primeiro ano, o bebe desenvolve uma relação privilegiada com a figura que lhe presta cuidados básicos e
assegura a sua sobrevivência e, ao desempenhar regularmente este papel torna-se uma figura de vinculação para o
bebe (BOWLBY, 1969; CASTRO, 2018).

Ainda que a maioria das crianças possa ter mais do que uma figura de vinculação, todas elas não desempenham o
mesmo papel, mas a criança organiza as mesmas numa hierarquia de vinculação, que corresponde a um conjunto
organizado de preferencia por alguém, em que existe uma figura de vinculação primaria e uma ou mais figuras
secundarias (MAYSELESS, 2005).

Contudo, para CASTRO (2018), que a ausência precoce de prestação maternal estaria estreitamente relacionada com
percursos de vida desfavoráveis, visto que as crianças encontrar-se-iam inviabilizadas de orientar o seu comportamento
de vinculação a uma figura cuidadora especifica que estivesse apta a responder os seus sinais, satisfazendo as suas
necessidades de apego e conforto. Refuta ainda o autor, que a separação da mãe provoca efeitos nefastos na criança
conduzindo a dificuldades na sua evolução, podendo comprometer várias dimensões desenvolvimentais quer a nível
físico, cognitivo e social.

Paralelamente, AINSWORTH (1978; CASTRO, 2018), conceituou a vinculação como um tipo especifico de um conjunto
mais extenso de ligações afectivas, onde destacou as diferenças individuais no comportamento de vinculação e os
associou a alguns padrões de vinculação através do procedimento experimental, intulado “situação estranha”, tendo
identificado os três tipos de padrão de vinculação da seguinte forma: o Inseguro ou evitante, no qual a criança não tem
confiança de que quando necessitar de cuidados será atendido, e caso contrário, espera ser respeitado tentando ser
emocionalmente auto suficiente, ficando ansiosos em situações de estresse, evitando a figura de vinculação; O Seguro
diz respeito a confiança que criança tem em relação a mãe, pois esta acredita que ela estará disponível, responsiva e
pronta a ajudar em situações adversas, transmitindo conforto e proteção, com esta certeza a criança sente-se com
coragem para investir nas suas explorações do meio envolvente; e Inseguro ou ambivalente, no qual a criança tem
dúvidas em relação a disponibilidade, capacidade de resposta ou de ajuda da mãe, quando solicitada devido a esta
incerteza , a criança tende sempre para ansiedade de separação, tende a agarrar-se a mãe e a estar ansiosa face as
actividades exploratórias.

1.1.2. Factores que influenciam a qualidade de vinculação

Alguns autores, consideram a vinculação como factor de risco e de protecção, posto isto, o valor predito da vinculação
varia em função da presença de riscos sociais e contextuais. A vinculação segura é um factor protector em contextos de
elevado risco (eg. Condições de pobreza, instabilidade familiar e disfunção parental), enquanto que a vinculação
insegura potência as dificuldades de adaptação da criança num quadro de adversidade, ou seja, quanto mais factores de
risco estiverem influenciar a relação entre a figura parental e a criança maior será a probabilidade de insegurança da
vinculação (BELSKY & FEARON, 2002).

De acordo com a literatura (existem alguns factores que podem influenciar a qualidade de vinculação na infância,
nomeadamente, factores individuais relacionados com a criança que referem-se a diversas vulnerabilidades biológicas
(e.g. prematuridade no nascimento, atrasos cognitivos e doenças genéticas); Factores relacionados com as figuras de
vinculação (e.g. sensibilidade, responsividade, as práticas educativas parentais e os estilos educativos parentais); os
factores relacionados com o contexto (e.g. nível socioeconômico, socioculturais, número de filhos, suporte social e
características do trabalho dos pais) (POEHLMANN, & FIESE, 2001).

1.1.3. Influência da qualidade de vinculação nos estilos parentais

Bowlby (1973) fez, pela primeira vez, a ligação entre a vinculação segura e os estilos educativos parentais de Baumrind,
elegendo o estilo autorizado como o mais vantajoso na promoção de uma vinculação segura (PAGE & BRETHERTON,
2001).
6

A vinculação segura associa-se a uma história familiar satisfatória, e a um estilo educativo caracterizado por suporte,
afecto, aceitação, sensibilidade e responsividade às necessidades da criança e, em simultâneo, promotor da autonomia
psicológica. Em oposição, a vinculação insegura-ambivalente parece relacionar-se, por vezes, com uma história familiar
insatisfatória, com um comportamento parental incoerente ou intrusivo e sobreprotector, e com níveis mais baixos de
suporte emocional (BROWN & WHITESIDE, 2008; KARAVASILIS, DOYLE, & MARKIEWICZ, 2003).

Por outro lado, a vinculação insegura-evitante associa-se a relações familiares muito pouco satisfatórias, a um
comportamento parental hostil e frio, caracterizado por rejeição parental e dificuldades em expressar afecto e intimidade,
podendo oscilar entre o autoritarismo e a negligência, e que não promovem a autonomia psicológica das crianças
(KARAVASILIS, DOYLE, & MARKIEWICZ, 2003; MURIS, MEESTERS, MERCKELBACH, & HÜLSENBECK, 2000;
SÁNCHEZ, 2008).

Todavia, os estudos têm indicado que, comparando os dois padrões de vinculação insegura, as crianças com uma
vinculação insegura-evitante são as que têm pais com comportamentos parentais mais inconsistentes, menos
responsivos, mais negligentes, e demonstrando menor envolvimento e suporte face aos seus filhos (KARAVASILIS,
DOYLE, & MARKIEWICZ, 2003).

Em suma, a utilização de práticas educativas e de estilos educativos parentais negativos que envolvam comportamentos
de rejeição, negligência, maus-tratos ou controlo parental excessivo associa-se geralmente a estilos de vinculação mais
inseguros (BENAVENTE, JUSTO, & VERÍSSIMO, 2009; DE MINZI, 2006; MURIS, 2000, 2003b).

1.2. Os Estilos Educativos Parentais

A parentalidade pode ser encarrada como um processo maturativo que conduz a reestruturação psico-afectiva de dois
adultos com vista ao cumprimento das suas funções parentais (CRUZ, 2005).

Um dos métodos que permite abordar empiricamente a parentalidade é o estudo dos estilos educativos parentais e as
praticas educativas parentais que constituem dois componentes-chave do comportamento parental (COWAN et al.,
1998).

Os estilos parentais dizem respeito a um conjunto de atitudes dos pais que cria um clima emocional em que se
expressam os comportamentos dos pais, os quais incluem as práticas parentais e outros aspectos da interação pais-
filhos. Ainda de acordo com os autores, referem que pelo contrario aos estilos parentais, as praticas educativas parentais
sao fundamentas para socializar, controlar ou desenvolver valores e atitudes no filho, com o fim de mater e/ou
transformar o estado de coisas vigentes (DARLING & STEINBERG, 1993; CASTRO, 2018).

Entretanto, as praticas parentais visam reduzir os comportamentos julgados inadequados pelos pais e favorecer a
ocorrencia dos adequados (ALVARENGA & PICCININ, 2001).

Na literatura, os estilos educativos parentais sao considerados como estilos de socializacao parental, que diz respeito a
predominancia de certos padroes de actuacao dos pais com os filhos em multiplas e diferentes situacos, e as
consequencias que esses padroes tem para a propria relacao paterno-filial e para os membros implicados (MUSITU &
GARCIA, 2001; LUIS, 2011).

1.2.1. Principais abordagens dos estilos parentais

A literatura aponta que os estilos parentais foram desenvolvidos a partir de vários modelos teóricos, nomeadamente, a
aprendizagem social, abordagem configuracional ou tipológica de Baumrind, a reformulação de Maccoby e Martin, e o
modelo relacional/bidimensional e tipológico.
7

[Link] Aprendizagem Social

o conceito de estilo parental foi desenvolvido a partir dos estudos de Baldwin (1949) considerando que o
desenvolvimento da criança/adolescente resultava da reunião de diversos contextos de aprendizagem com
características individuais referindo-se inicialmente apenas ao modo como os pais educavam os filhos (VITALI, 2004).

Definiu os estilos parentais como um conjunto de comportamentos dos pais face ao filho, como resultado da interacção
entre os ambientes familiar e social e a individualidade da criança. (BALDWIN, 1949; BAIÃO, 2008) distinguindo duas
dimensões (calor emocional/hostilidade vs. indiferença/compromisso) referentes a dois estilos parentais opostos – no
estilo democrático, os pais tentam comunicar verbalmente com o adolescente, aceitá-lo e inclui-lo nas decisões da
família, justificam as regras familiares que lhe impõem e encorajam a sua autonomia e competências emocionais. Mas
os pais autoritários tentam impor a sua vontade face à dos adolescentes, pois restringem o seu comportamento
mediante regras, disciplina, controlo e alguma agressividade e castigos. Os filhos destes pais tornam-se pouco corajosos
e até um pouco medrosos, dado o carácter inibitório que estes têm, relativamente aos filhos de pais democratas, apesar
de alguma agressividade e tendência para não aceitar regras (BALDWIN, 1948, 1949, CIT. IN RODRIGO & PALÁCIOS,
1998; BALDWIN et al., 1970).

[Link]. Abordagem Configuracional ou Tipológica de Baumrind

As primeiras pesquisas de Baldwin fomentaram várias pesquisas dentre as quais destacou-se o trabalho de Baumrind
(1966), neste modelo, aliavam-se os processos emocionais aos comportamentais e dava-se ênfase às crenças dos pais
e ainda às dimensões de aceitação e controlo parental, subjacentes nos relacionamentos paterno-filiais, considerando
que um aspecto do comportamento parental não pode ser separado da configuração de todos os outros aspectos.
Baumrind (1966), acrescentou às tipologias de Baldwin, o estilo permissivo resultando num conjunto de três estilos
parentais que incluía igualmente o autoritário e o firme.

O estilo permissivo predomina nos pais com um baixo nível de controlo e que realizam poucas exigências ao filho, mas
com um nível elevado de afecto/apoio. Estes pais mostram-se ao filho como um recurso sempre disponível e não como
modelos a imitar ou agentes activos e responsáveis por moldar e modificar os seus comportamentos presentes e futuros.

O estilo autoritário, os pais caracterizam-se por mostrarem um elevado nível de controlo e um baixo nível de afecto aos
filhos, tentam manter um controlo severo e restritivo dos seus comportamentos através de regras, sem considerar as
suas necessidades educativas, interesses pessoais e opiniões, sem encorajar a expressão verbal e a troca de ideias
(comunicação), valorizando a obediência, recorrendo a reforços negativos e punições quando o seu comportamento não
está em conformidade com o que se considera aceitável.

Por último, o estilo firme representa os pais que exercem um elevado nível de controlo e exigência e que
simultaneamente encorajam a autonomia e um elevado nível de comunicação (de expressão/troca verbal). dão-lhes
espaço para expressarem a sua opinião e reforçam as suas qualidades, potencialidades é a sua capacidade de iniciativa.
Estes pais tentam orientar as actividades do filho de um modo racional e orientado para a solução dos problemas, pelo
que usam com sensatez o reforço positivo e a punição, relacionadas com o seu comportamento.

[Link]. A Reformulação de Maccoby e Martin (1983)

MACCOBY e MARTIN (1983) reformularam o modelo tripartido de Baumrind autoritário, permissivo e firme e construíram
um modelo bidimensional de socialização parental, dando ênfase a duas dimensões distintas. A exigência que diz
respeito a pressão e número de exigências colocadas pelos pais aos filhos, para atingirem determinados objectivos e
metas; por outro lado, a responsividade é definida como o grau de sensibilidade e capacidade de resposta dos pais face
às necessidades emocionais dos filhos.

A partir associação destas duas dimensões, os autores sugeriram um sistema de classificação de quatro estilos
parentais, sendo que os primeiros três estilos são semelhantes aos estilos de Baumrind. No estilo autoritário os pais
8

possuem elevada exigência e baixa responsividade exigindo o cumprimento das regras em detrimento dos interesses
dos filhos; No estilo firme os pais são exigentes e responsivos, ou seja exige uma reciprocidade entre o cumprimento
das exigências pelos filhos e a consideração das suas opiniões pelos pais; por fim, os autores separam o estilo
permissivo de Baumrind em dois, o indulgente onde os pais são responsivos e não exigentes pois tendem a ceder aos
pedidos dos filhos, usando pouco as punições, enquanto que o negligente caracteriza-se pela existência de níveis de
responsividade e exigência baixo, tendem a fugir das suas responsabilidades inerentes ao papel parental, pelo que
respondem positivamente aos impulsos dos filhos e não lhes exigem o cumprimento de regras (MACCOBY & MARTIN,
1983).

Tabela 1: Estilos Parentais face a exigencia e responsividade (Maccoby & Martin, 1983)

Estilos Parentais Exigentes Responsivos

Autoritario + -

Firme + +

Indulgente - +

Negligente - -

Fonte: autora

[Link]. Abordagem relacional/Bidimensional e tipológica

O Modelo Relacional de Musitu e García (2004) é o modelo teórico que está na base da construção de um dos
instrumentos utilizados na presente investigação, o ESPA-29, um questionário que avalia os estilos parentais. Nesta
abordagem relacional, Musitu e García (2001, 2004a) conceptualizaram os estilos de socialização parental em duas
dimensões que caracterizam a relação paterno-filial, a qual só pode ser entendida considerando-as simultaneamente.
Neste sentido, quando se cruzam as duas dimensões, surgem quatro categorias de estilos de socialização parental,
caracterizadas por uma forma específica de encarar a socialização dos filhos, a saber:

O estilo firme que caracteriza-se pelo elevado nível de aceitação/implicação e de coerção/imposição, estes pais
esforçam-se por dirigir as actividades do filho, mas de forma racional e orientada para o processo, por incentivar o
dialogo verbal e a comunicação, pelo que partilham o raciocínio subjacentes as regras e normas familiares e exigem o
seu cumprimento;

O estilo autoritário relaciona-se com existência de um baixo nível de aceitação/implicação com os filhos e elevado de
coerção/imposição. São pais muito exigentes e pouco atentos e sensíveis aos interesses e desejos ou opiniões dos
filhos, não os incentivam a expressarem-se, tentam modelar, controlar e avaliar o comportamento e atitudes do filho com
um conjunto de regras-padrão tidas como absolutas, valorizam a obediência e por isso recorrem a estratégias punitivas e
de força quando o seu comportamento não vai ao encontro do considerado aceitável.

O estilo negligente, existem baixos níveis quer de aceitação/implicação, quer de coerção/imposição, ou seja, existe falta
de supervisão, controlo e cuidado dos filhos. Os pais negligentes geralmente permitem que os filhos cuidem de si
mesmos e definam as suas próprias regras, responsabilizam-nos pelas suas necessidades físicas e psicológicas e
atribuem-lhes uma independência afectiva e material quase total.

O estilo indulgente predomina nos pais com um elevado nível de aceitação/implicação e baixo de coerção/imposição,
pelo que tendem a aceitar os impulsos, desejos e comportamentos do filho. Estes pais consultam os filhos quanto às
decisões familiares internas e explicam-lhes as regras e o raciocínio subjacente, mas não os obrigam a cumpri-las, e
evitando atribuir castigos e coerções, consideram que os filhos são capazes de regular o seu próprio comportamento.
9

No entanto, os autores definem os estilos de socialização parental como a predominância de certos padrões de
comportamento dos pais com os filhos em múltiplas e diferentes situações, e as consequências que esses padrões têm
para a própria relação paterno-filial e para os membros envolvidos (MUSITU & GARCIA, 2001, 2004a).

[Link]. abordagem dimensional da socialização parental

De acordo com Musitu e Garcia (2001, 2004a), desenvolveram duas grandes dimensões no modelo relacional a partir
das relações percebidas nos comportamentos dos pais: a aceitação/implicação e a coerção/imposição, no meio a estas
são identificadas praticas parentais exercidas através das dimensões.

A aceitação/ implicação supõe que os comportamentos do filho ajustados a normas de funcionamento familiar sejam
reconhecidos pelos pais com manifestações de aprovação e aceitação, relacionando-se esta positivamente com
expressões e reacções parentais de afecto e carinho quando o filho se comporta de maneira adequada e negativamente
com a indiferença dos pais face aos mesmos comportamentos. Contudo, quando o comportamento do filho viola as
regras, se os pais têm elevada aceitação/implicação, fomentam o diálogo e a expressão emocional, e quando é baixa e
reagem através da indiferença e da displicência.

As práticas parentais associadas a esta dimensão são o afecto que refere-se ao grau em que o pai/mãe expressam
carinho ao filho quando este se comporta correctamente; A indiferença refere-se ao grau em que o pai/mãe não
reforçam os comportamentos correctos do filho, permanecendo inexpressivos e insensíveis; O dialogo refere-se ao grau
em o pai/mãe recorrem a uma comunicação bidireccional quando o comportamento do filho não se considera adequado;
A displicência refere-se ao grau em que o pai/mãe reconhecem os comportamentos não adequados do filho, mas não
estabelecem de forma consciente e deliberada o diálogo ou comunicação com este.

Em suma, pais que se enquadram na aceitação/implicação caracterizam-se pela expressão do afeto quando o filho se
comporta de modo adequado e pelo recurso ao diálogo em situações de desrespeito pela norma. Nestas famílias não é
comum existirem comportamentos de indiferença por parte dos pais em relação aos filhos. Sob a perspectiva dos filhos,
estes entendem quais as atitudes valorizadas ou não pelos pais, e tendem a agir de acordo com as que consideram
apreciadas (MUSITU & GARCÍA, 2004).

A coerção/imposição é uma dimensão de socialização parental utilizada apenas quando o filho se comporta de forma
discrepante com as normas de funcionamento familiar, para suprimir os comportamentos. Associadas a esta dimensão
algumas práticas parentais são exercidas, a saber, a privação que diz respeito ao grau em que os pais privam o filho de
uma vivencia gratificante ou lhe retiram um objecto para corrigir comportamentos inadequados; A coerção verbal
relaciona-se com o grau em que o pai/mãe repreendem o filho quando este se comporta de maneira incorrecta; Por fim, a
coerção física corresponde ao grau em que o pai/mãe castigam fisicamente o seu filho, quando este se comporta de
maneira incorrecta.

Figura 1. Modelo Bidimensional de Socialização e tipologias (Musitu & García, 2004).

Fonte: adaptado por Luis (2011)


10

Resumidamente, o estilo autoritário é caracterizado por combinar elevados níveis de controle e de apoio com afetividade.
No estilo negligente, os pais apresentam características opostas a essas, isto é, baixos níveis em ambos os aspectos. Já
no estilo indulgente, os responsáveis demonstram bastante apoio afetivo e pouco exercício de controle (eles são pouco
exigentes). Completando os quatro estilos, tem-se o autoritário, cujos pais exigem muito e dispensam pouco apoio afetivo
ao filho.

A nossa posição é que existem três estilos parentais que são o autoritário, o democrático e o negligente. No entanto os
nossos autores de base propõem quatro estilos que são o autoritário, o firme, o negligente e o indulgente, tentando
corresponder os estilos dos autores e os três estilos clássicos, podemos assumir que o estilo indulgente corresponde ao
estilo democrático porque é caracterizado por práticas parentais como o afecto e o diálogo. Por sua vez, os estilos
autoritário e o firme são semelhantes o que nos permite assumir que um estilo autoritário corresponde ao estilo firme o
que difere estes é a intensidade das práticas parentais como a coerção verbal, a coerção física e a privação a partir do
momento em que os mesmos são adoptados pelos pais porque quanto maior for a sua intensidade corresponde ao estilo
autoritário e quanto menor for a intensidade das práticas corresponderá ao estilo firme. E finalmente, temos o estilo
negligente que é comum entre os estilos clássicos e os estilos da autora que compreende as praticas parentais como a
indiferença é a indiferença.

1.3. Consumo de substancias psicoactivas na adolescência

A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu que, em termos cronológicos, o período da adolescência situa-se entre
os 10 e os 19 anos. Já a Organização das Nações Unidas (ONU), defende que esta fase do desenvolvimento acontece
entre os 15 e os 24 anos, sendo este critério utilizado essencialmente para efeitos estatísticos e políticos (EISENSTEIN,
2005).

A adolescência é uma fase do desenvolvimento do sujeito que envolve vastas mudanças a nível biológico, psicológico e
relacional na qual os adolescentes vivenciam diversas situações provocatórias, nomeadamente, a definição e a procura
da sua identidade, a autonomia e a criação de novas relações, são algumas dessas mudanças, que ao ocorrerem trazem
aos adolescentes novas experiencias e vivencias (COSTA, 2013).

A vulnerabilidade ao risco pode ser compreendida na adolescência, pela busca de recompensa que pode comportar o
prazer retirado da experiencia e a curiosidade pelo desconhecido, e pelo baixo controlo dos impulsos característicos
desta fase, que leva os adolescentes a correr riscos sem pensar nas consequências (DOMINGUES, 2014; TELES,
2019).

Entretanto, esta fase, é marcada por um aumento da susceptibilidade no que diz respeito ao envolvimento em vários
comportamentos de risco, pois muitas vezes os adolescentes tomam decisões e escolhas baseadas em emoções
irracionais, o que submete ao consumo de substâncias psicoativas que representa uma ameaça à saúde, partindo da
influência de agentes de socialização onde a família tem se destacado mais como um factor determinante deste tipo de
comportamento.

1.3.1. Definição de substancia psicoactiva

A droga pode ser definida como droga toda e qualquer substancia que ao ser introduzida no organismo vivo modifica
uma ou mais funções deste, colocando a saúde do usuário em risco, podendo ser de natureza física ou mental. Este
conceito, abrange tanto as substancias denominadas licitas (eg. álcool, tabaco e determinados medicamentos) e as
substancias ilícitas (eg. cocaína, LSD, ecstasy e opiaceos) (OMS, 2004).

Parafraseando uma substancia é psicoactiva quando após ter sido absorvido modifica o funcionamento mental do
consumidor porque interfere sobre os mecanismos bioquímicos cerebrais, podendo provocar efeitos de excitação,
sedação ou perturbação e dependendo do seu uso elas podem ser prejudiciais para a saúde (PATRÍCIO, 2006).
11

As substancias psicoactivas são aquelas que não são produzidas pelo organismo que ao entrarem em contacto com o
mesmo, sob diversas vias de administração, actuam no sistema nervoso central produzindo alterações de
comportamento, humor e cognição (BRASIL, 2013).

Nos termos do artigo 3 da Lei nº 3/97, de 13 de Março, consideram-se drogas as plantas, as substâncias e os seus
preparados, e os produtos definidos como tal nos diversos diplomas legais em vigor ou que constem das listas anexas às
convenções sobre estupefacientes e substâncias psicotrópicas já ratificadas por Moçambique ou as que venham a ser
ratificadas e as respectivas alterações, bem como ainda as listas que vierem a ser adoptadas pelo Governo em
cumprimento das recomendações emanadas da Organização Mundial da Saúde.

1.3.2. Classificação das substancias psicoactivas

No que diz respeito à classificação as drogas poderão ser divididas segundo as propriedades farmacológicas das
substâncias, mediante os seus efeitos ou das percepções que os consumidores tem destas. No entanto, estes efeitos
poderão oscilar resultante da dose consumida, do local onde se consome, do sujeito, do tempo de consumo e da forma
como é administrada, classificando-se em três categorias distintas, as depressoras, as estimulantes e as alucinógenas
(FONTE, 2006).

Por conseguinte, as drogas actuam no sistema nervoso central afectando a actividade mental, sendo por essa razão,
denominadas psicoactivas. A sua actuação no SNC pode ser classificada em três categorias: As depressoras, que
reduzem a actividade mental, afectando o cérebro fazendo com que ele funcione de forma mais lenta, diminuindo a
atenção, a concentração, a tenso emocional e a capacidade intelectual (eg. Ansiolíticos, álcool, morfina e heroína); Os
estimulantes, que aumentam a actividade mental, afectando o cérebro fazendo com que ele funcione de forma mais
acelerada (e.g. cafeína, tabaco, cocaína e crack); e as perturbadoras, alteram o funcionamento do SNC, levando a
alterações da percepção e sentimentos (eg. Ecstasy, LSD e maconha) (Brasil, 2014 & OMS, 2004; FREITAS, 2015).

As alterações causadas por essas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, de qual
droga é utilizada e em que quantidade, do efeito que se espera da droga e das circunstâncias em que é consumida
(BRASIL, 2014).

1.3.3. Percurso das substancias psicoactivas

De acordo com o ME (1988), existem seis etapas no percurso do consumo de substancias psicoactivas, nomeadamente:

 O primeiro contato, pode acontecer em qualquer idade e que desde cedo as crianças tomam contato com
medicamentos psicotrópicos e durante a infância esse contato dá-se por via da cafeína do chocolate ou dos
refrigerantes com cola;
 A experimentação que se caracteriza pelo consumo de substâncias ilícitas, e é nesta fase que ocorre um maior
gosto pelo consumo e um aperfeiçoamento nas técnicas de consumo e em que os adolescentes aprendem a
sentir os efeitos de diversas substâncias;
 O consumo regular desencadeia uma série de problemas de ordem pessoal e/ou de condições de vida difíceis que
determinam se os indivíduos irão ser consumidores de substâncias psicoativas com ou sem problemas;
 O consumo abusivo traduz-se no uso de vários tipos de substâncias, consumidas com muitos riscos e/ou com
bastante frequência;
 A dependência que pode ser psicológica ou física, a dependência psicológica traduz-se numa relação pessoal
com as substâncias, que leva a uma limitação da liberdade provocada pelo consumo quer de substâncias lícitas
quer de substâncias ilícitas. No caso da dependência física há uma necessidade frequente de substâncias no
organismo e a sua ausência provoca o aparecimento de sintomas graves;
 A toxicomania que é a expressão final da dependência, a pessoa torna-se obsessiva em estar em constante
consumo e todos os seus actos andam em torno apenas das substâncias.

1.3.4. Consumo de álcool, tabaco e surruma/cannabis sativa na adolescência


12

O consumo do álcool, tabaco e cannabis sativa não é uma área de investigação recente, mas desde os tempos passados
verifica-se que vários estudos têm dado particular ênfase a este fenómeno durante a adolescência.

O álcool é uma substância psicoativa e é a segunda droga mais consumida em todo o mundo, a sua utilização produz um
efeito imediato na percepção da realidade e provoca efeitos secundários ao longo do tempo (CORDEIRO, 2009)

Por outra, a literatura define o álcool como uma droga psicotrópica, que actua directamente no sistema nervoso central,
causando modificações fisiológicas e comportamentais, podendo desencadear dependência (CHACON, 2013).

Entretanto, os efeitos do consumo do álcool podem agravar-se, dado que o sistema biológico do adolescente por não
estar completamente desenvolvido, não estar suficientemente maduro para proceder a degradação do álcool, o que
poderá dar origem a danos cerebrais e défices cognitivos, com implicações para a aprendizagem e o desenvolvimento
intelectual (MARQUES, VIVEIRO & PASSADOURO, 2013; BACOCO, 2014).

A literatura aponta ainda que, os termos “uso”, “abuso” e “dependência” são doptados de distintas definições a depender
do campo científico em que são empregados, em relação ao consumo de álcool e segundo a Classificação Internacional
de Doenças (CID-10), o termo “uso” é definido como qualquer consumo, independente da frequência; o consumo
associado a uma série de consequências recorrentes é considerado “abuso”; e a presença de um estado disfuncional,
caracteriza a “dependência” (SOUZA, ARECO, SILVEIRA, 2005; SOUZA, 2018).

O consumo do alcool é usualmente aceite pela sociedade e os adolescentes na maioria das vezes, a sua experiencia
em relação ao consumo começa dentro dos próprios familiares, por meio de convívios sociais, hábitos culturais e até
mesmo por diversão. Assim sendo, o consumo do álcool inicia na infância e a família apresenta uma grande
responsabilidade no que diz respeito ao contacto inicial do adolescente com o álcool pois destaca-se como o primeiro
contexto de socialização acaba por ter responsabilidades (ALAVARSE; CARVALHO, 2006; SOUZA, 2018).

A literatura aponta que são várias as maneiras em que os adolescentes podem estar envolvidos com o álcool, já que
revelam a tendência de se sentirem indestrutíveis e imunes para os problemas vividos pelos outros. O uso de álcool
numa idade precoce aumenta o risco do uso de outras drogas, enquanto logo depois da experimentação, alguns
adolescentes desistem ou continuam a consumir ocasionalmente sem ter problemas significativos, outros desenvolverão
uma dependência, aumentando o padrão de consumo que pode acarretar danos mais significativos a saúde (BECK,
1987).

Em relacao ao consumo de tabaco, verifica-se que é considerada a terceira droga mais consumida pelos adolescentes
(CORDEIRO,2009). Por outro lado, a maior parte dos fumantes adquirem o hábito de fumar e a dependência à nicotina
na adolescência, uma vez que a curiosidade inicial na experimentação de cigarros é um dos fatores determinantes da
prevalência do tabagismo na vida adulta. As idades de iniciação para o consumo de tabaco estão compreendidas entre
os 11 e os 17 anos, se este for regular e com início precoce está associado a uma maior predisposição para outros
comportamentos de risco, como o consumo de álcool, drogas, relações sexuais precoces, suicídio, mortes prematuras,
doenças do foro mental e incapacidades em que a saúde e qualidade de vida tendem a diminuir (BARRETO, 2010).

A iniciação precoce do consumo de tabaco potencia uma exposição continua ao longo da vida, e as repercussões
tendem a ser mais severas. Os adolescentes que pertencem a um grupo de pares em que a maior parte dos amigos
fumadores, têm maior probabilidade de iniciarem o consumo de tabaco, esse efeito é interpretado como a influência são
do grupo de pares ( ADAMS, 2009; GO, GREEN JR, KENNEDY, POLLARD & TUCKER, 2010).

Em portugal, estima-se que a prevalência do consumo de tabaco é mais elevada no sexo masculino e verifica-se uma
diminuição ao longo dos últimos anos. A proporção de fumadores diários no sexo masculino tem diminuído, enquanto no
sexo feminino essa tendência tem vindo a aumentar e em particular em idades cada vez mais jovens (BREDA, 2010;
FERNANDES, 2012 ).
13

A Organizacao Mundial da Saude (OMS, 2020), aponta que mais de 40 milhoes de adolescentes entre 13 e 15 anos ja
comecaram a usar o tabaco e nove em cada 10 fumantes comecam antes dos 18 anos de idade ([Link]).

O consumo de cannabis pelo adolescente, é utilizado como forma de afirmar a sua autonomia e de se integrar num
grupo. No entanto, também está associado a uma busca de prazer e de sensações fortes (COSLIN, 2002).

A cannabis funciona como um “facilitador social”, o adolescente ao consumir sente-se desinibido e relaxado, o que pode
facilitar o seu relacionamento com os outros jovens e a sua integração num grupo. No entanto, é fundamental esclarecê-
los sobre a perigosidade da continuidade do seu uso ([Link]).

Os dados epidemiológicos apontam que a média dos países do ESPAD (2016) para a prevalência em relação ao início
precoce do consumo de álcool ao longo da vida é de 80%, sendo que em Portugal os dados apontam para 71%, quase
metade dos adolescentes (47%) reportaram consumo de álcool aos 13 anos ou antes. Em Portugal, a percentagem de
alunos com início de consumo de álcool precoce é de 41%.

Por outro lado, os dados obtidos pelo III levantamento Nacional sobre o uso de drogas em Brasil, apontam que 46
(30,1%) milhões de pessoas consumiram álcool nas idades compreendidas entre 12 a 65 anos de idade (FIOCRUZ,
2019).

Os dados do ESPAD (2019) apontam que a prevalencia do consumo de cannabis sativa variou entre 7 a 23%, com uma
média ponderada de 17,3% globalmente nas idades compreendidas entre 15 e aos 16 anos de idade. Os dados
apontam ainda que entre 2015 e 2020, o consumo de cannabis sativa entre habitantes da Uniao Europeia com idades
compreendidas entre os 15 e os 34 anos é estimado em 15,4%, variando entre 3,4% na Hungria e 21,8% em Franca,
considerando apenas que nas idades compreendidas entre 15 aos 24 anos, a prevalencia do consumo de cannabis é
mais elevada, tendo 19,2% (9,1 milhoes) consumido a droga no ultimo ano.

Ainda que não se tenham encontrados dados sobre a prevalencia do consumo de substancias psicoactivas na
adolescencia em Mocambique, verifica-se que o alcool é uma droga legalizada e por norma o seu consumo é
socialmente bem aceite, contudo, a venda e o consumo de bebidas alcoolicas em locais publicos sao permitidos a
maiores de 18 anos. Por outro lado, o Gabinete Central de Prevenção e Combate às Drogas aponta que o número de
internamentos hospitalares na cidade de Maputo, sul do país, liderou 49,8%, seguida da província de Manica, centro,
com 11,7%, e Sofala, também no centro, com devido ao consumo de drogas subiu 7,9% para 9.788 em Moçambique
(GCPCD, 2020).

1.4. Factores de risco e de protecção devido ao consumo de substancias psicoactivas na adolescência

Os motivos que levam os adolescentes a adquirirem o hábito de consumir álcool, tabaco e cannabis sativa são
complexos, dado que existem diversos factores. O comportamento dos adolescentes está dependente, não só das suas
características individuais, mas também, do seu meio envolvente, resultando em consequências positivas ou negativas
para o seu desenvolvimento. Dai que, é necessario tomar-se em consideracao os factores de risco e de proteccao
associados a esses comportamentos de risco.

1.4.1. Factores de risco

De acordo com CARVALHO (1991), citado por Moreira, 2005 defende que os factores de risco relacionado com este
comportamento de risco, são por norma as influencias socioculturais (eg. valores e crenças defendidos pela sociedade);
os relacionamentos interpessoais (eg. práticas parentais insuficientes, relações pobres entre pais-filhos, conflito familiar
excessivo, desorganização familiar e rejeição por grupo de pares); factores individuais (eg. impulsividade, o locus de
controlo externo, baixa autoestima, a agressividade, rebeldia, atitudes favoráveis ao consumo, os níveis de ansiedade,
desejo da independência, baixas expectativas em relação a escola e ao sucesso escolar).

Por outro lado, o papel de factores de riscos individuais (eg. histórico familiar de consumo, carência e monitoramento
familiar, conflitos familiares, atitudes positivas em relação ao uso de drogas, associação com colegas de drogas e uso
14

precoce de drogas) e factores ambientais (eg. disponibilidade de drogas, privação econômica e social, normas favoráveis
ao consumo de drogas e difíceis transições de vida) como factores associados a estes comportamentos de risco
(HAWKINS, CATALANO, & MILLER,1992). Os autores salientam também que uma atitude positiva da família perante as
drogas pelos pais, o divórcio/separação do pais, as baixas expectativas dos pais em relação aos filhos, o papel que a
escola desempenha na vida destes adolescentes pode influenciar os mesmos ao consumo destas substancias.

Por último, a literatura aponta que a exposição dos adolescentes a substancias psicoactivas é determinada por factores
socioculturais, mas que a adesão ou resistência ao consumo de substancias psicoactivas são efectivamente
determinados por factores psicológicos (BRITO & ESTEVES, 2001; MAGALHAES, 2010).

1.4.2. Factores de protecção

Dentre os fatores pessoais estão a capacidade de enfrentamento de situações adversas, competência acadêmica,
religiosidade e conhecimento sobre efeito e consequências do consumo de substâncias psicoativas. Nos fatores
interpessoais o monitoramento familiar e com relação aos fatores ambientais, a implementação de ações preventivas na
escola, condições econômicas e sociais favoráveis, suporte e rede social adequados (SCHENKER & MINAYO,2005).

A literatura salienta ainda que os factores individuais (eg. evitar situações de perigo, bons modelos parentais, realizações
acadêmicas, monitoramento parental, estrutura familiar recompensadora e práticas parentais bem estabelecidas) e
factores ambientais (eg. limitação nas possiblidades de acesso ao álcool, tabaco e drogas) servem como agentes
protectores para a prevenção do consumo de substancias psicoactivas na adolescência (HAWKINS, CATALANO, &
MILLER,1992).

1.5. Estilos parentais e o consumo de substancias psicoactivas na adolescência

Como foi visto anteriormente, vários autores em suas diferentes abordagens destacam a importância do papel exercido
pela família na criação de condições relacionadas a certos comportamentos de riscos adoptados pelos adolescentes,
dentre os quais o consumo de substâncias psicoactivas vem se destacando através das pesquisas feitas pelos os
mesmos, com isso, estes autores mencionam que o consumo de substancias psicoactivas pelos adolescentes é
influenciado por diversos factores ora de risco ora de proteccao, sendo que a família acaba por exercer esta dupla
função.

Nesta perspectiva, a família pode exercer como ambiente potencializador da vulnerabilidade para a iniciação precoce do
consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre os adolescentes, pois esta é uma fase de muita curiosidade e novas
descobertas, ou seja, onde o adolescente acaba por se interessar pelo que o mundo oferece.

As famílias constituídas por pais que consomem abusamente álcool ou drogas ilegais, e que são tolerantes ao consumo
dos filhos, aumentam a probabilidade de que estes abusem de drogas e álcool durante a adolescência (MATHEWS &
PILLON, 2004).

Comungando da mesma opinião, SCHENKER & MINYO (2005) afirmam sobre a impossibilidade de se estabelecer uma
relação linear entre o abuso de álcool dos pais e de seus filhos, pois embora o consumo de drogas pelos pais esteja
relacionado ao maior risco de os filhos se tornarem usuários, uma vez que o comportamento parental lhes serve de
modelo, é a atitude permissiva dos genitores que mais pesa nesta equação.

Outros estudos sugerem que a falta de suporte parental, o uso de drogas pelos próprios pais, atitudes permissivos dos
pais perante o uso de drogas, incapacidade de controle dos filhos pelos pais, indisciplina e uso e drogas pelos irmãos se
configura como factores predisponentes à iniciação precoce e continuação de uso de drogas por parte dos adolescentes
(BAHR, HOFFMANN & YANG, 1999).

Entretanto, uma série de estudos empíricos tem apontado que a instituição familiar, os diferentes estilos parentais de
socialização e as práticas educativas adoptadas, as quais permeiam a relação entre pais e filhos funcionam como
15

variáveis psicossociais, que podem exercer grande influência na adoção de diferentes comportamentos prejudiciais à
saúde dos adolescentes, dentre eles o consumo de substancias psicoactivas (DUNCAN et al., 1998).

No que concerne a influência dos estilos parentais no consumo de substancias, vários estudos realizados revelaram que
os mesmos tem grande impacto na vida dos adolescentes dependendo dos estilos parentais adoptados pelos seus pais.
NEWMAN & COLABORADORES (2008), destaca que adolescentes criados em contextos familiares autorizativos
apresentam maior proteccao e menos comportamentos de risco quando comparados com outros adolescentes criados
em famílias de outras tipologias. O autor destaca também que os pais são as maiores influencias dos filhos, pelo que
comportamentos de risco por si praticados (eg. consumir álcool) podem implicar risco para o mesmo.

Na mesma óptica, PIKO & BALAZS (2011) nos seus estudos salientam que adolescentes que experienciam interações
familiares negativas e que não se identificam com os pais, apresentam um consumo mais regular de tabaco e álcool e tal
como previsto o estilo parental firme serve efectivamente de proteccao face ao consumo de substancias durante a
adolescência.

Do contrário vários estudos realizados, verificaram que existe uma relação significativa entre o estilo parental firme e o
abuso de álcool entre estudantes do secundário (CHANGALWA, NDURUMO, BARASA & POIPOI, 2012). Estes dados
vêm contrariar as conclusões de Baumrind (1991) que verificou que nos pais firmes que através do seu modo caloroso e
de suporte para com as crianças, ajudam a desenvolver a sua autoestima, que é um factor de proteccao para consumo
de drogas.

Outros dados encontrados constatam que quando os pais adoptam um estilo permissivo face ao uso de álcool, os
adolescentes tendem a envolver-se em comportamentos mais abusivos face esta substancia (WOOD, 2012).

A literatura sugere que entre os factores de proteccao, o controlo e a monitorização parental são apontados como os
mais importantes para fazer face ao consumo de substancias, sendo que a superviso dos pais contribui para um menor
envolvimento do adolescente em situações de risco e para a prevenção da associação do mesmo com pares desviantes
(LI et al,. 2000 citados por PIKOS & BALAZS, 2011).

A monitorização parental, suporte, envolvimento e uma boa comunicação, com clara transmissão de expectativas face ao
consumo de álcool, como factor preponderante para que não haja consumo, salientando também a importância da
adopção de um estilo autorizativo, caracterizado por um clima emocional que concede aos filhos o apoio necessário a
resolução dos problemas por eles experienciados (PAIVA & RONZANI, 2009).

Por último, os estilos negligente, indulgente e autoritário estão associados ao uso de drogas entre adolescentes
brasileiros. Tanto é que a maioria dos classificados como usuários avaliou seu modelo parental (estilos materno e
paterno) como negligente, ao passo que o modelo parental autoritativo esteve mais associado aos jovens não usuários
de drogas (TEIXEIRA, 2004).

1.5. Teorias e modelos psicológicos que explicam o consumo de substancias psicoactivas na adolescência

Ao longo das décadas, o estudo do fenômeno do consumo de substancias psicoactivas, levou a elaboração de muitas
teorias e modelos na tentativa de dar ocorrência ao conhecimento actual sobre as suas causas. No entanto, as teorias
para terem um sentido pratico necessitam de ser comparadas, organizadas e se possível integradas (PETRAITIS, 1995;
TAVARES, 2018).

1.5.1. Modelo evolutivo do uso de substancias (Kandel)

O modelo evolutivo de Kandel nos anos 70, considerando que o consumo de substancias de substâncias psicoactivas
segue passos sequenciais, onde se começa por consumir substâncias de iniciação como o tabaco e álcool que
funcionam como elementos facilitadores para o consumo de outras substancias, num segundo momento, passando
depois para as outras substancias psicoactivas ilícitas que acabam por consumir (BECONA, 2002).
16

Este modelo preconiza três proposições sobre as relações entre as substancias, a sequência, a associação e a
casualidade. Considera que a sequencialidade dos estádios, apesar de implicar uma relação fixa entre o momento do
uso de duas substancias, não ocorre de igual forma para todos os indivíduos; associação implica que o consumo de uma
substância incrementa e influencia significativamente a probabilidade de passar às fases seguintes de consumo. Não
obstante, são consideradas influências básicas para o consumo ou não de substâncias psicoativas ilícitas,
nomeadamente fatores interpessoais (eg. família e pares) e intrapessoais (eg. características pessoais e estados
afetivos). Por último, a causalidade significa que o uso de uma substância resulta na progressão na sequência
(BECONA, 2002; TAVARES, 2018).

1.5.2. Teoria de aprendizagem social e teoria da aprendizagem social/cognitivo social

A teoria da aprendizagem social/teoria cognitiva social de Bandura sustenta que os comportamentos podem ser
explicados por processos sociais, baseando-se na aprendizagem de comportamentos pela observacao das accoes de
outros individuos, assim como pelas consequencias dessas mesmas accoes, resultando em recompensas favoraveis ou
desfavoraveis ao individuo, processo que é desiganado por reforco vicariante (RUSSEL, 1996; LOUREIRO, MATOS,
SARDINHA, 1999; KOBUS, 2003; MENDONCA, 2013).

Nesta teoria, os factores pessoais, o ambiente e o comportamento interagem de modo a influenciarem e a serem
mutuamente influenciados uns pelos outros.

a teoria da aprendizagem social/teoria cognitiva social de Bandura como tendo sido uma das teorias mais utilizadas e
com importância na etiologia explicativa do fenómeno do uso de substâncias. Esta teoria oferece uma forma de se
concetualizar o fenómeno do uso de substâncias, tendo em consideração os vários fatores que contribuem para o seu
início, manutenção e abandono do comportamento do uso de substâncias (BECOÑA, 2002; NEGREIROS, 1991;
PETRATIS., 1995; SCHEIER, 2015).

1.5.3 . Modelo do desenvolvimento social (Catalano e Hawkins)

O modelo de desenvolvimento social sugere que os adolescentes se vinculam a pares consumidores de substancias se
se sentirem descomprometidos com a sociedade convencional ou se o vinculo com os seus pais ou modelos for fragil ou
inexistente. Neste modelo a criancas sao socializadas atraves de quatro processos, a saber, as oportunidades
percebidas para o envolvimento em actividades e interacoes com outros; o envolvimento real; a competencia para
envolvimento e interacao ; e as recompensas percebidas devido ao envolvimento e interacao (CATALANO & HAWKINS,
2004).

Esta teoria parte do pressuposto que a associação a pares de consumidores de substancias é causada por expectativas
frustradas acadêmicas e ocupacionais; competências sociais e acadêmicas desadequadas; fraca ligação e reforço
desadequado a partir dos pais e outros modelos sociais convencionais; vizinhança desorganizada e famílias; e
socialização desadequada, todos esses factores são potenciais elementos dos programas de prevenção do uso de
substancia (PETRAITIS, FLAY & MILLER,1995).

A intervenção preventiva no âmbito deste modelo preconiza que os factores de risco nos vários domínios (eg. Família,
pares, escola e comunidade) podem ser reduzidos, mediados ou moderados pelo incremento dos factores protectores de
ligação prossocial e normas claras nesses mesmos domínios, uma vez que estimula programas de prevenção através do
aumento de oportunidades e recompensas face envolvimento activo e positivo das famílias, comunidade, escolas e
grupos de pares (ARTHUR et al., 2006).

1.5.3. Teoria do comportamento problema (Jessor & Jessor)

A teoria do comportamento problema aborda não só as causas do consumo de substancias experimental, mas também
um conjunto de comportamentos que são considerados problemáticos para adolescentes (eg. Uso de substancias licitas,
ilícitas e comportamentos criminais) (PETRAITIS, FLAY & MILLER, 1995)
17

Deste modo, a teoria de comportamento problema de Jessor e Jessor enfatiza a importância de três sistemas que
contribuem numa interação dinâmica para a produção do comportamento, a personalidade, o ambiente e o
comportamento criando estes sistemas a probabilidade de ocorrência ou não do problema do comportamento
(TAVARES, 2018).

Para a prevenção do uso de substancias esta teoria salienta a importância da ligação à escol como forma de ensinar aos
adolescentes o comportamento convencional, o ensino de estratégias que permitam analisar e contrariar os efeitos dos
media, o ensino de consequências negativas associadas ao uso de substancias, assim como de competências de
assertividade. Não a prevenção está em volta dos programas dirigidos a escola, mas também para a promoção das
relações familiares, ou seja, a comunicação entre pais-filhos sobre a vida e sobre as substancias, assim como a criação
de oportunidades que promovam os vínculos pais-filhos (SCHEIER, 2015).

1.5.4. Modelo socio-afecto (Negreiros)

O modelo socio-afecto foi desenvolvido como referencial teórico de um programa preventivo assumindo que o uso de
substancias psicoactivas na adolescência é resultado de uma predisposição socio-afectiva que emerge das influencias
socioculturais (eg. Valores, expectativas e crenças associadas ao consumo de substancias pela sociedade), processos
interpessoais (eg. família e grupos de pares) e influencias individuais (eg. Personalidade, atitudes e crenças face ao uso
de substancias), sendo assim está predisposição socio-afectiva quer seja negativa quer positiva contribui para a
configuração de sistemas comportamentais desfavoráveis ou favoráveis o uso de substancias (NEGREIROS, 1991).

Contudo, a intervenção preventiva se deve focalizar em dois grupos fundamentais de factores, os afectivos (eg. factores
individuais os quais inclui as atitudes, valores e crenças) e os sociais (eg. Influencias socioculturais e processos
interpessoais) com objectivo de contribuírem para a constituição de uma predisposição negativa ao uso de substancias
também, devem ser adoptadas estratégias que promovem mudanças nos quais se promove um envolvimento activo nos
adolescentes nas actividades (eg. debates, role-playing e discussões em pequenos grupos) (NEGREIROS, 1991).

1.5.5. Modelo integrado geral do comportamento do uso de substancias (Botvin)

No modelo integrado geral do comportamento do uso de substâncias psicoativas, há três componentes centrais: os
componentes históricos e formativos; os sociais e os pessoais, todos explicam o comportamento do uso de substâncias
psicoativas. Dentro de cada um deles, distingue vários: fatores demográficos, biológicos, culturais e ambientais para os
componentes históricos e formativos; fatores da escola, família, meios de comunicação e pares para os fatores sociais; e,
expectativas cognitivas, as competências pessoais e sociais e os fatores psicológicos para os fatores pessoais
(BECONA, 2002).

Este modelo considera que os programas de prevencao devem ter impacto nas expectativas relacionados com as
substancias (eg. Conhecimento, atitudes e normas), na promocao de competencias de resistencia relcionadas com as
substancia e competencia gerais (eg. Competencias de gestao pessoais e sociais). Aumentar estas competencias pode
contribuir para os adolescentes desenvolverem atitudes contra o consumo de substancias e normas, assim como
resistencia a pressao dos pares e dos media para o uso de substancias, neste sentido, os programas de prevencao
assumem um potencial pra reduzir as motivacoes intrapessoais para usar substancias, mas tambem para reduzir a
vulnerabilidade a influencias sociais favoraveis ao uso de substancias (BOTVIN, 1999; TAVARES, 2018).

Em termos de enquadramento teórico, dentre as teorias e modelos referenciados a nossa pesquisa baseou-se na teoria
de aprendizagem social/ cognitivo social que referencia que os comportamentos podem ser explicados por processos
sociais, baseando-se na aprendizagem de comportamentos pela observacao das accoes de outros individuos, assim
como pelas consequencias dessas mesmas accoes, resultando em recompensas favoraveis ou desfavoraveis ao
individuo, processo que é desiganado por reforco vicariante.
18

Capitulo II

2. Metodologia de pesquisa

A metodologia desempenha um papel essencial no desenvolvimento de um trabalho de investigação, pois quase sempre
os resultados finais são condicionados pelo processo, o método e a forma como se obtiveram os dados. Neste capitulo
pretendese uma descrição dos métodos adotados na presente investigação.

2.1. Tipo de pesquisa

No presente estudo usou-se uma pesquisa quantitativa de natureza é pesquisa de campo uma vez que visou a descrição
de uma problemática, tendo sido recolhidos os dados utilizando-se três questionários, o primeiro foi questionário
sociodemográfico, o segundo teste de triagem de álcool, tabaco e outras substancias (ASSIST) e o por fim, a escala de
socialização parental na adolescência (ESPA-29), estes instrumentos nos permitiram quantificar a informação obtida,
cuja analise baseou-se nos métodos quantitativos.

De acordo com CASTILHO (2014), a pesquisa de campo é utilizada para gerar conhecimentos relativos a um problema,
testar uma hipótese ou provocar novas descobertas em uma determinada área. Por essa razao, no presente estudo,
optou-se pela pesquisa de campo, uma vez que, houve necessidade de se fazer uma observacao participacao que
consistiu em associar-se ao grupo de amostra no seu habitat normal ou seja, dentro da Associacao Hlayiseka e em
algumas ruas da cidade de Maputo.

2.2. Descrição do Local de pesquisa

A presente pesquisa foi realizada na Associação de Educadores Sociais de meninos de rua-Hlayiseka, localizada na
cidade de Maputo, no bairro de Alto-Maé, Avenida Guerra Popular, N° 1331. A Hlayiseka é um organização não
governamental nacional que vem desenvolvendo actividades na área social, intervindo junto das crianças em situações
de exclusão e marginalização social vivendo nas ruas de Maputo desde os anos de 2000.

2.3. População e amostra


2.3.1. População

De acordo com MAROCÔ (2018) a população/população teórica designa-se por grupos de objectos, eventos,
observações ou outras coisas que podem ser agregáveis e sobre a (s) qual (is) estamos interessados em generalizar. A
população teórica deste estudo foram adolescentes consumidores de substancias psicoactivas da cidade de Maputo.
Entretanto, na mesma ótica, o autor designa população de estudo como sendo grupos mais restritos que podem ser
realmente acedidos. Daí que, a presente pesquisa envolveu como população de estudo adolescente consumidores de
substancias psicoactivas que freqüentam a Associação Hlayiseka.

2.3.1. Amostra

A nossa amostra é caracterizada por 38 (3/ 7.9% do sexo feminino) com idades entre 14 a 18 anos, sendo que a maioria
apresentam uma percentagem de 21.1% dos que tem 14, 16 e 17 anos e poucos (18.4%) tendo 15 e 18 anos, quanto ao
nível de escolaridade verifica-se que 30 participantes que corresponde a 78.9% tem o nível básico e 8 (21.1%) são do
nível médio e a maioria dos inqueridos 16 (42.1%) pertencem a família alargada.

Com se pode ver da tabela 2, Como illustra a tabela 2 35 (92.1%) a maioria dos adolescentes sao do sexo masculino.

Tabela 2. Estratificação da amostra por sexo

Sexo F %
Feminino 3 7.9
Masculino 35 92.1
Total 38 100.0
Fonte: Dados SPSS
19

Conforme ilustra a tabela 3, a maioria da nossa amostra (21.1%) foi composta por adolescentes com idades entre 14, 16
e17 anos de idade.

Tabela 3. Estratificação da amostra por idade

Idade F %
14 8 21.1
15 7 18.4
16 8 21.1
17 8 21.1
18 7 18.4
Total 38 100.0
Fonte: Dados do SPSS
Importa referir, o facto de se terem identificado 35 (92.1%) adolescentes do sexo em pouco tempo com maior destaque
para idades 14 a 16 anos (100%) consumirem precocemente substancias psicoactivas como listra a tabela 2 e 3.

Tabela 4. Estratificação da amostra por nível de escolaridade.

Nível de escolaridade F %
Básico 30 78.9
Médio 8 21.1
Total 38 100.0
Fonte 3: Dados SPSS
De acordo com a tabela 4, quanto ao nível de escolaridade verifica-se que 30 participantes que corresponde a 78.9%
possuem nível básico.
Tabela 5. Estratificação da amostra da estrutura familiar

Estrutura familiar F %
Nuclear 10 26.3
Monoparental 4 10.5
Alargada 16 42.1
Reconstituída 8 21.1
Total 38 100.0
Fonte 4: Dados SPSS
Na tabela 5, é possível observar que os inqueridos 16 (42.1%) pertencem a família alargada, 8 (21.1%) reconstituída e 4
(10.5%) a família monoparental, facto este que compreende factores de risco para o consumo de substancias
psicoactivas.
Contudo, consideramos que o tamanho da nossa amostra é adequado usando o critério comparativo com outras
pesquisas similares. A título de exemplo numa pesquisa intitulada “Um estudo sobre a relação entre gênero dos pais e
dos filhos e práticas de estilos parentais’’ realizada no centro de estudos situado na região de Lisboa, usou-se uma
amostra de 58 sujeitos (ALBUQUERQUE, 2016).

2.4. Instrumentos e variáveis da pesquisa

Para a recolha de dados usou-se três instrumentos, que a seguir passamos a descrever. As variáveis independentes
estudadas foram as variáveis sociodemográficas e como variáveis dependentes, temos as dimensões da Escala de
Socialização Parental na Adolescência (ESPA-29). Também foi feita uma análise do Questionário para Triagem do Uso
de Álcool, Tabaco e outras substancias (ASSIST).

2.4.1. Questionário de dados sociodemográficos

Nesta pesquisa, para avaliar as variaveis sociodemograficas foi elaborado pelos autores um questionario
sociodemograficos para nos informarmos sobre o perfil dos participantes tais como: idade, sexo, nível de escolaridade e
dados sobre o perfil da familia, olhando para a estrutura familiar e o número de agregado familiar.

2.4.2. Escala de socialização parental na adolescência (ESPA-29)

Para avaliar os estilos de socialização parental, foi elaborada por Musitu e Garcia (2001, 2004a) uma escala de
socializacao parental na adolescencia, composta por 29 itens, sendo 16 negativas as quais correspondem as situações
20

que estão em desacordo com as normas da família (2,4,6,8,9,11,12,13,15,17,19,20,21,25,26 e 29 ) e 13 positivas que


estao em de acordo com as normas da familia (1,3,5,7,10,14,16,18,22,23,24,27 e 28) atraves de duas sub-escalas a
saber: (i) aceitaçao/implicaçao mediante ao diálogo (eg., “fala comigo”) e a displicência (eg., “não liga”) e; (ii)
coerção/Imposição, mediante a coerção verbal (eg., “discute comigo”), a coerção física (eg., “bate-me”) e a privação (eg.,
“proíbe-me de”). O filho tem de avaliar 106 possibilidades de resposta para cada pai numa escala likert de 1 a 4 pontos
(em que 1 corresponde a nunca, 2 a algumas vezes, 3 a muitas vezes e 4 a sempre) em questoes do tipo “se respeito e
cumpro os horários estabelecidos na minha casa?”.

O cálculo de cada uma destas sub-escalas é realizado com a soma das respostas dos sujeitos em cada um dos itens
que as compõem, e sua divisão pelo seu número de itens, o que resulta numa pontuação directa (PD). Esta será então
uma média dos elementos que compõem cada sub-escala, pelo que deverá ter um valor situado entre 1 e 4. Deste modo,
nas sub-escalas Afecto e Indiferença, a PD é obtida com a divisão do total das respostas por 13. Nas dimensões diálogo,
displicência, coerção física, coerção verbal e privação, divide-se por 16. A partir destes resultados, obtem-se a pontuação
global média de cada sub-escala: para a coerção/imposição, soma-se a PD das dimensões coerção verbal, coerção
física e privação e divide-se por 3 [(verbal + física + privação)/3]; mas para a aceitação/implicação, recorre-se a uma
outra fórmula, na qual a 10 se adicionam as PD do afecto e diálogo e se subtraiam as PD da indiferença e displicência,
dividindo o conjunto por 4 [(10 + afecto + diálogo – indiferença – displicência) /4].

2.4.5. Questionario de Triagem para Alcool, Tabaco e outras substancias (ASSIST)

De acordo com WHO (2002 citado por HENRIQUE et al., 2004) É um teste de triagem para álcool, tabaco e outras
substancias, elaborado pela Organização Mundial da Saúde e traduzido em várias línguas incluse para o português
falado em Brasil, para avaliar o consumo de substancias psicoactivas contendo 8 itens, sobre o uso de 9 classes de
substancias psicoactivas (eg. tabaco, álcool, maconha, cocaína, anfetaminas, hipnóticos/sedativos, inalantes,
alucinógenos e opiaceos). O questionario contem 7 dimensoes: (i) a frequência de uso na vida e nos últimos 3 meses
com 1 item com perguntas do tipo ”Durante os três últimos meses, com que freqüência você utilizou essa(s)
substância(s) que mencionou?”); (ii) problemas relacionados ao uso com 1 item (“Durante os três últimos meses, com
que freqüência você teve um forte desejo ou urgência em consumir) ; (iii) a preocupação a respeito do uso por parte
das pessoas próximas do usuário com 1 item (“Durante os três últimos meses, com que freqüência o seu consumo de
resultou em problema de saúde, social, legal ou financeiro ”); (iv) prejuízo na execução de tarefas esperadas com 1
item (“Durante os três últimos meses, com que freqüência, por causa do seu uso, você deixou de fazer coisas que eram
normalmente esperadas de você”); (v) tentativa mal sucedidas de cessar ou reduzir o uso com 1 item (Há amigos,
parentes ou outra pessoa que tenha demonstrado preocupação com seu uso de primeira droga/depois a segunda droga);
(vi) sentimento de compulsão com 1 item (Alguma vez você já tentou controlar, diminuir ou parar o uso de primeira
droga/depois a segunda droga e não conseguiu) e; (vii) uso por via injectável com 1 item (“Alguma vez você já usou
drogas por injeção”). para a questão 1 a escala de respostas parte de 1 (não) até 2 (sim), a questão 2 até 7 são
respondidas numa escala de 1( nunca), 2 (uma ou duas vezes), 3 (mensalmente), 4 (semanalmente) e 5 (diariamente ou
quase todos os dias) e a questão 8 a escala de resposta parte de 1 (não, nunca), 2 (sim, nos últimos 3 meses) e 3 (sim,
mas na nos últimos três meses), cada resposta corresponde a uma escala de 04 pontos sendo que a soma total pode
variar de 0 a 20. considerase a faixa de escore de 0 a 3 como indicativa de uso ocasional, de 4 a 15 como indicativa de
abuso e ≥16 como sugestiva de dependência. Num estudo realizado por HENRIQUE et al., (2004) foram encontradas a
confiabilidade teste-reteste do ASSIST foi realizado com 26 indivíduos, em diferentes locais do mundo, onde foi
observada uma boa confiabilidade nos coeficientes Kappa entre 0,58 a 0,90 para as questões.

Ha que destacar que para o nosso estudo não foram analisadas todas as questões pertencentes ao questionário, mas
sim apenas as do primeiro item é que foram usadas, pois o nosso interesse cingiu-se em saber que tipo de substancias
psicoactivas consumiu ou não ao longo da vida.
21

2.5. Amostragem e Procedimentos da recolha de dados

Antes de se proceder com a recolha de dados, desenhou-se um protocolo de pesquisa descrito no ponto 2.4 da presente
pesquisa. Houve necessidade de se adaptar o instrumento “ASSIST” para um vocabulário simples de se compreender,
sendo que, a substancia Cannabis sativa é mais conhecida por surruma em Moçambique, não só, mas também, quanto a
organização do instrumento foi alterada a sua estrutura original para uma outra adaptada, facto este que se justifica para
uma melhor leitura das informações contidas no questionário original.

Deste modo, para orientar o processo de recolha de dados foram definidos como critérios de inclusão na presente
pesquisa: (i) adolescente com idades compreendidas entre 14 a 18 anos de idade e consumidores de substancias
psicoactivas (álcool, tabaco e cannabis sativa/ surruma); (ii) ser adolescente da Associação Hlayiseka e de algumas ruas
da cidade de Maputo; (iii) concordar em participar do estudo e assinar o termo de consentimento informado oferecido
oralmente. Entretanto, excluiu-se da pesquisa: (i) adolescentes com idades inferiores á 14 anos e superiores a 18 anos
de idade e que não consumiam substancias psicoactivas; (ii) não ser adolescente da Associação Hlayiseka e nem das
ruas da cidade de Maputo (eg. barreiras de Maxaquene, barreiras de Malanga, casas abandonadas como “Mugorodo”,
casa ao lado do parque Antonio Repinga e da costa do sol, rua Araújo e do Bagamoio); (iii) não concordar em participar
do estudo.

A recolha de dados decorreu em dois momentos onde no primeiro momento, procedemos a solicitação de autorização
para o efeito na Associação Hlayiseka com o Director Geral da instituição. O director da Hlayiseka juntamente com seus
colaboradores em conversação referiram que a Associação Hlayiseka não disponibilizava o número de 30 adolescentes
para respondem o inquérito mas sim tinham um número inferior ao que era desejado, daí que, sugeriram que com a
colaboração dos educadores sociais funcionários da instituição, se criasse rondas nas ruas da cidade de Maputo (eg.,
barreiras de Maxaquene, barreiras de Malanga, casas abandonadas como “Mugorodo”, casa ao lado do parque Antonio
Repinga e da costa do sol, na rua Araújo e do Bagamoio) com o objectivo de se encontrar o grupo alvo, que são
adolescentes consumidores de substancias psicoactivas, tendo dado início nos meados do dia 25 de Abril à 20 de Maio
de 2022 no periodo das 7h às 14h.

A identificacao dos adolescentes consumidores de substancias psicoactivas foi feita pelos membros da Associacao
Hlayiseka e a participação dos adolescentes foi voluntaria e solicitada depois de esclarecidos os objectivos e
procedimentos do estudo mediante o termo de consentimento informado (Anexo 2) lido oralmente. Da mesma forma, foi-
lhes garantida a confidencialidade das informações prestadas, bem como a possibilidade de se recusarem ou desistirem
de participar sem quaisquer consequências negativas para si.

Num segundo momento, procedemos com a aplicação dos questionários na Associação Hlayiseka, onde disponibilizaram
uma sala para o preenchimento dos mesmos em adolescentes da mesma instituição. Contrariamente aos adolescentes
encontrados em algumas ruas da cidade de Maputo, a aplicação dos questionários foi feita nas bancadas e nos
passeios. Há que salientar, que os participantes na sua maioria apresentavam dificuldades de leitura e escrita sendo que
o preenchimento dos questionários foi feita pela pesquisadora da presente pesquisa juntamente com os educadores
sociais da Associação Hlayiseka, embora que houve quem fez o autopreenchimento dos questionários dentro da
instituição, a duração da aplicação dos questionários teve em média 20 minutos para os adolescentes da instituição e
10 minutos para os adolescentes encontrados nas ruas pois os mesmos estavam apressados e preocupados em fazer
suas actividades.

Em termos numéricos a pesquisa envolveu uma amostra constituída por 38 adolescentes conforme a disponibilidade dos
mesmos na Associação Hlayiseka e em algumas ruas da cidade de Maputo onde decorreu a recolha de dados e foram
estes convidados presencialmente a participarem da pesquisa, fazendo o preenchimento do termo de consentimento
informado oralmente fornecido, a Escala de Socialização Parental na Adolescência (ESPA-29), o questionário
sociodemográfico e o questionário de triagem para álcool, tabaco e outras substancias (ASSIST), para tal, os
22

participantes receberam uma breve explicação dos objectivos da pesquisa de forma a esclarecer cada item que
continham os questionários.

Por fim, para se chegar ao grupo-alvo, usou-se a técnica de amostragem “não probabilística” por conveniência
(MAROCÔ, 2018), seleccionando-se adolescentes com idades compreendidas entre 14 a 18 anos de idades. Portanto,
os adolescentes foram seleccionados pela sua conveniência, por voluntariado e disponibilidade.

2.6. Procedimentos de análise de dados

Inicialmente os dados foram lançados na planilha do Excel 2016, e posteriormente exportados para o programa
estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 26). Antes da análise procedeu-se com a limpeza
de bases que consistiu na verificação de missing (dados omissos), escalas mal lançadas (outliers), normalidades dos
dados e outros possíveis problemas. A normalidade dos dados foi avaliada através do diagrama de dispersão e apurou-
se que a distribuição dos dados é normal conforme ilustram os gráficos (1,2,3,4). As análises consistiram: (i) na
estatística descritiva do item, com o pressuposto de que uma distribuição se assume normal, se valores da assimetria e
da curtose estejam próximos a 0, dentro do intervalo ] -1; +1[e, toleráveis até ao valor absoluto de 1, passando a ser uma
distribuição anormal quando estes coeficientes forem maior que 1 (MAROCÔ, 2018, FIELD, 2009); (ii) a análise da
fiabilidade através do coeficiente alfa de cronbach com o pressuposto de que valores entre 0,5 e 0,7 são maus, valores
entre 0,7 e 0,8 são bons, valores entre 0,8 e 0,9 são óptimos e valores acima de 0,9 são excelentes (FIELD, 2009); (iii) a
análise das correlacoes foram realizadas possíveis associações entre as variáveis, recorreu-se ao coeficiente de
correlação de Pearson, sendo que coeficiente de correlação r ≤ 0,3 representava uma associação fraca, entre 0,3 e 0,5
uma associação moderada, e r ≥ 0,5 uma associação forte (COHEN, 1992, ); e finalmente as comparações de média
entre entre mãe e pai através do teste t-Student com pressuposto de que haja diferenças significativas entre as médias
cujo p-value do teste for ≤ 05 (MARÔCO, 2018).

2.7. Limitações da pesquisa

A presente pesquisa teve como limitações:

 Dificuldades para o alcance do tamanho da amostra, uma vez que, os membros da Associacao Hlayiseka nao
fizeram o mapeamento exaustivo do local onde se poderiam encontrar adolescentes consumidores de substancias
e mesmo nos locais identificados, os adolescentes encontrados nao relatavam a localizacao dos outros pares;
 Do ponto de vista metodologico, houve um vies dos dados pois ao recolhermos os dados nas ruas os
adolescentes estavam apressados querendo fazer suas actividades, uma vez, que a recolha de dados tambem
decorreu nas ruas;
 Dificuldades em se comunicar, uma vez que, estes apresentavam dificuldades na escrita e leitura;
23

CAPITULO III

3. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo passamos a apresentar os dados obtidos na pesquisa, inicialmente com a apresentação dos dados
descritivos das variáveis e, em seguida, apresentamos os dados agrupando-os de acordo com os objectivos de estudo,
sendo que a análise dos resultados

3.1. Propriedades psicométricas do instrumento

3.2.1. Escala de socialização parental na adolescência-Pai

a) Estatística descritiva do item

Tabela 6. Estatística Descritiva do item do pai

Desvio
N Mínimo Máximo Media padrão Assimetria Curtose
Afecto 38 1.08 4.99 2.62 .96 .543 .063
1Pa 37 1 4 2.27 1.07 .282 -1.148
3Pd 37 1 4 2.46 1.19 .49 -1.526
5Pa 37 1 4 2.62 1.08 -.126 -1.257
7Pb 36 1 4 2.75 1.13 -.228 -1.383
10Pa 37 1 4 2.24 1.36 .368 -1.759
14Pb 37 1 4 2.59 1.21 -.036 -1.592
16Pa 37 1 4 2.49 1.23 .079 -1.629
18Pb 37 1 4 2.76 1.23 -.257 -1.605
22Pa 37 1 4 2.35 1.23 .221 -1.567
23Pb 37 1 4 2.84 1.16 -.332 -1.452
24Pa 37 1 4 2.81 1.07 -.167 -1.391
27Pb 37 1 4 2.08 1.11 .722 -.800
28Pa 37 1 4 2.59 1.14 .050 -1.454
Dialogo 38 1.56 5.11 2.69 .68 1.115 2.868
2Pe 37 1 4 2.73 1.09 -.360 1.149
4Pd 37 1 4 2.76 1.09 -.300 -1.206
6Pc 37 1 4 2.84 1.11 -.419 -1.213
8Pb 37 1 4 2.86 1.11 -.364 -1.298
9Pa 37 1 4 2.78 1.08 -.236 -1.286
11Pc 37 1 4 1.51 .73 1.529 2.498
12Pc 37 1 4 2.54 1.09 .092 -1.301
13Pd 37 1 4 2.70 1.02 -.010 -1.228
15Pe 37 1 4 2.73 1.09 -.226 -1.274
17Pa 37 1 4 2.73 1.07 -.138 -1.286
19Pa 37 1 4 1.84 1.14 1.043 -.441
20Pc 37 1 4 2.05 1.05 .643 -.761
21Pd 37 1 4 2.68 1.08 -.134 -1.263
25Pe 37 1 4 2.00 .97 .768 -.250
26Pa 37 1 4 2.81 1.12 -.099 -1.606
29Pb 37 1 4 2.59 1.04 -.031 -1.142
Indiferença 38 1.08 3.77 2.01 .82 .87 -.410
1pb 37 1 4 1.97 1.21 .844 -.928
3Pa 37 1 4 1.95 1.17 .866 -.815
5Pb 37 1 4 1.78 1.08 1.288 .359
7Pa 36 1 4 1.86 1.17 1.068 -.441
10Pb 37 1 4 1.84 1.16 1.109 -.345
14Pa 37 1 4 1.95 1.22 .878 -.911
16Pb 37 1 4 1.65 .97 1.347 .651
18Pa 37 1 4 1.76 1.06 1.248 .265
22Pb 37 1 4 2.05 1.26 .671 -1.301
23Pa 37 1 4 1.78 1.03 1.264 .508
24Pb 37 1 4 1.81 1.05 1.162 .166
27Pa 37 1 4 2.46 1.16 .324 -1.427
28Pb 37 1 4 1.81 1.05 1.162 .166

Displicência 38 1.00 2.93 1.54 .49 1.047 .484


2Pa 37 1 4 1.41 .89 2.258 4.042
4Pe 37 1 4 1.59 .92 1.589 1.687
6Pd 37 1 4 1.54 .96 1.670 1.591
8Pc 37 1 4 1.62 .98 1.595 1.509
9Pb 37 1 4 1.57 1.01 1.660 1.414
11Pc 37 1 4 1.51 .73 1.529 2.498
12Pd 37 1 4 1.95 1.24 .927 -.868
24

13Pe 37 1 4 1.41 .86 2.352 4.802


15Pa 37 1 4 1.43 .72 1.846 3.432
17Pb 37 1 4 1.38 .68 2.140 5.275
19Pc 37 1 4 1.43 .80 2.120 4.294
20Pd 37 1 4 1.54 1.01 1.730 1.589
21Pe 37 1 4 1.38 .79 2.359 5.221
25Pa 37 1 4 1.65 1.00 1.471 .999
26Pb 37 1 4 1.30 .740 2.926 8.552
29Pc 37 1 4 1.38 .75 2.457 6.282
Total
38 1.69 3.65 2.93 .48 -.715 .134
Aceitação/Implicação
Privação 38 1,00 3,38 1,73 ,69 ,852 ,264
2Pd 37 1 4 1.62 .86 1.394 1.397
4Pc 37 1 4 1.81 1.22 1.060 -.652
6Pb 37 1 4 1.76 1.18 1.237 -.178
8Pa 37 1 4 1.89 1.19 .938 -.771
9Pe 37 1 4 1.54 .93 1.733 2.036
11Pa 37 1 4 1.70 1.10 1.294 .150
12Pb 37 1 4 1.62 1.06 1.568 1.032
13Pc 37 1 4 1.68 1.02 1.357 .565
15Pd 37 1 4 1.70 1.10 1.294 .150
17Pe 37 1 4 1.86 1.05 1.026 -.155
19Pa 37 1 4 1.84 1.14 1.043 -.441
20Pb 37 1 4 1.38 .82 2.271 4.365
21Pc 37 1 4 1.32 .78 2.638 6.441
25Pd 37 1 4 1.46 .83 1.941 3.191
26Pe 37 1 4 2.11 1.12 .519 -1.139
29Pa 37 1 4 1.84 1.01 1.018 -.053
Coerção verbal 38 1.00 2.75 1.42 .55 1.361 .527
2Pb 37 1 4 1.43 .68 1.873 4.238
4Pa 37 1 4 1.38 .72 2.099 4.353
6Pe 37 1 4 1.32 .74 2.334 4.713
8Pd 37 1 4 1.54 .96 1.670 1.591
9Pc 37 1 4 1.24 .64 3.078 10.054
11Pd 37 1 4 1.54 .93 1.733 2.036
12Pe 37 1 3 1.19 .51 2.794 7.111
13Pa 37 1 4 1.51 .98 1.688 1.399
15Pb 37 1 4 1.41 .89 2.258 4.042
17Pc 37 1 4 1.46 .86 1.876 2.593
19Pd 37 1 4 1.30 .77 2.796 7.191
20Pe 37 1 3 1.19 .46 2.503 6.084
21Pa 37 1 4 1.43 .92 2.075 3.063
25Pb 37 1 4 1.35 .82 2.397 4.870
26Pc 37 1 4 1.43 .89 2.155 3.669
29Pd 37 1 4 1.46 .90 2.058 3.339
Coerção física 38 1.00 3.50 1.47 .58 1.662 2.974
2Pc 37 1 4 1.59 .89 1.413 1.089
4Pb 37 1 4 1.76 1.01 1.204 .344
6Pa 37 1 4 1.49 .87 1.783 2.317
8Pe 37 1 4 1.65 .88 1.279 .855
9Pd 37 1 4 1.30 .77 2.796 7.191
11Pe 37 1 4 1.57 1.04 1.602 1.065
12Pa 37 1 4 1.27 .76 2.969 8.055
13b 37 1 4 1.41 .83 2.153 3.922
15Pc 37 1 4 1.59 .95 1.528 1.259
17Pd 37 1 4 1.54 .90 1.803 2.562
19Pe 37 1 4 1.19 .56 3.835 16.761
20Pa 37 1 4 1.19 .61 3.636 13.580
21Pb 37 1 3 1.16 .50 3.146 9.169
25Pc 37 1 3 1.14 .48 3.574 11.931
26Pd 37 1 4 1.86 1.11 .926 -.595
29Pe 37 1 4 1.30 .66 2.643 7.641
Total Coerção/Imposição 38 1.00 2.93 1.54 .51 1.076 .534
Fonte: dados do SPSS

Como se pode notar na tabela 6, na sub-escala Aceitação/implicação a média foi de (M = 2.93, DP =.48) mínimo(1,69)
e máximo(3,65), assimetria (.71) e a curtose(-.13) e, na sub-escala coerção/imposição a média foi de (1.54), (DP =.51),
mínimo=1,00 e máximo(2.93) assimetria (1.05), curtose (.53). Em relação as dimensões tiveram como médias para o
afecto (M = 2.62, DP = .96); indiferença (M = 2.01, DP =.82) Dialogo (M = 2.62, DP = .68) Displicência (M=1.52, DP=.49)
Privação (M=1.73, DP=.69) coerção verbal (M=1.42, DP=.55) Coerção física (M=1.47, DP=.58).
25

Com estes resultados obtidos pode-se afirmar que a distribuição dos dados é normal partindo do pressuposto de que a
assimetria e curtose deve estar no intervalo de ]-1+1[ de acordo com MAROCÔ (2018), pelo que foram realizadas
analises com bases em testes paramétricos.

b) Análise da fiabilidade

Na tabela 7, a análise da fiabilidade consistiu no cálculo do alfa de cronbach com bons indices de fiabilidade (FIELD,
2009). As sub-escalas aceitação/implicação e coerção/imposição tiveram um alfa de cronbach α=.90 e nas suas
respectivas dimensões.

Tabela 7. Analise da fiabilidade do pai

Média de escala Variância de escala


se o item for se o item for Correlação de item Alfa de Cronbach se o item for
Itens
excluído excluído total corrigida excluído
Afecto 211,9446 1063,229 -,043 ,906
1Pa 212,1882 1060,472 ,000 ,906
3Pb 212,0215 1073,269 -,168 ,908
5Pa 211,8549 1089,201 -,403 ,909
7Pb 211,6882 1071,312 -,148 ,907
10Pa 212,2437 1048,951 ,124 ,906
14Pb 211,8826 1053,637 ,084 ,906
16Pa 211,9660 1067,423 -,090 ,907
18Pb 211,7160 1057,249 ,036 ,906
22Pa 212,1326 1053,146 ,089 ,906
23Pb 211,6326 1064,796 -,059 ,907
24Pa 211,6604 1077,282 -,239 ,908
27Pb 212,4104 1054,892 ,079 ,906
28Pa 211,8826 1059,719 ,009 ,906
indiferença 212,5172 1044,596 ,345 ,904
1pb 212,4382 1058,703 ,018 ,906
3Pa 212,4660 1036,255 ,315 ,904
5Pb 212,6326 1031,295 ,416 ,903
7Pa 212,5771 1038,014 ,294 ,904
10Pb 212,5771 1043,256 ,224 ,905
14Pa 212,4660 1041,413 ,236 ,905
16Pb 212,7715 1060,838 -,003 ,906
18Pa 212,7715 1060,838 -,003 ,906
22Pb 212,3549 1044,882 ,184 ,905
23Pa 212,6326 1035,276 ,379 ,904
24Pb 212,6049 1047,150 ,196 ,905
27Pa 211,9382 1058,390 ,025 ,906
28Pb 212,6049 1038,901 ,318 ,904
Diálogo 211,7958 1042,997 ,509 ,904
2Pe 211,7160 1056,567 ,053 ,906
4Pd 211,6604 1045,638 ,208 ,905
6Pc 211,5771 1045,558 ,204 ,905
8Pb 211,5215 1043,189 ,248 ,905
9Pa 211,6326 1047,522 ,183 ,905
11Pc 212,9382 1063,792 -,056 ,906
12Pc 211,8826 1029,074 ,441 ,903
13Pd 211,7160 1033,375 ,410 ,904
15Pe 211,7160 1047,876 ,174 ,905
17Pa 211,7160 1041,693 ,268 ,905
19Pa 212,6049 1023,412 ,497 ,903
20Pc 212,3826 1057,073 ,049 ,906
21Pd 211,7437 1036,484 ,341 ,904
25Pe 212,4104 1047,292 ,213 ,905
26Pa 211,6049 1035,659 ,338 ,904
29Pb 211,8271 1031,242 ,435 ,903
26

Displicência 212,9243 1052,174 ,315 ,905


2Pa 213,0215 1037,416 ,401 ,904
4Pe 212,8549 1038,570 ,367 ,904
6Pd 212,8826 1039,102 ,346 ,904
8Pc 212,7993 1060,913 -,004 ,906
9Pb 212,8549 1044,880 ,237 ,905
11Pc 212,9382 1063,792 -,056 ,906
12Pd 212,4660 1055,189 ,060 ,906
13Pe 213,0215 1044,170 ,296 ,904
15Pa 212,9937 1052,199 ,187 ,905
17Pb 213,0771 1058,805 ,053 ,906
19Pc 212,9937 1051,450 ,182 ,905
20Pd 212,8826 1059,081 ,022 ,906
21Pe 213,0493 1068,139 -,136 ,907
25Pa 212,7715 1055,668 ,075 ,906
26Pb 213,1326 1054,002 ,145 ,905
29Pc 213,0493 1061,222 -,003 ,906
Total Aceitação/Implicação 211,5129 1064,193 -,087 ,906
Privação 212,7246 1027,340 ,809 ,902
2Pd 212,7993 1034,098 ,480 ,903
4Pc 212,6049 1017,412 ,544 ,902
6Pb 212,6604 1004,526 ,733 ,901
8Pa 212,5215 1007,595 ,688 ,901
9Pe 212,8826 1043,323 ,287 ,904
11Pa 212,7160 1034,928 ,356 ,904
12Pb 212,7993 1019,454 ,599 ,902
13Pc 212,7437 1024,093 ,549 ,903
15Pd 212,7160 1008,565 ,734 ,901
17Pe 212,5493 1032,296 ,413 ,904
19Pa 212,6049 1023,412 ,497 ,903
20Pb 213,0493 1039,384 ,399 ,904
21Pc 213,1049 1042,946 ,353 ,904
25Pd 212,9660 1039,455 ,394 ,904
26Pe 212,2993 1034,730 ,354 ,904
29Pa 212,5771 1041,949 ,284 ,904
Coerção verbal 213,0406 1040,155 ,625 ,903
2Pb 212,9937 1042,055 ,426 ,904
4Pa 213,0493 1035,146 ,554 ,903
6Pe 213,1049 1035,775 ,520 ,903
8Pd 212,8826 1033,771 ,432 ,903
9Pc 213,1882 1050,113 ,264 ,905
11Pd 212,8826 1031,744 ,481 ,903
12Pe 213,2437 1049,860 ,338 ,904
13Pa 212,9104 1038,821 ,339 ,904
15Pb 213,0215 1030,403 ,523 ,903
17Pc 212,9660 1034,794 ,462 ,903
19Pd 213,1326 1044,575 ,324 ,904
20Pe 213,2437 1058,724 ,089 ,905
21Pa 212,9937 1045,370 ,253 ,905
25Pb 213,0771 1034,138 ,500 ,903
26Pc 212,9937 1033,591 ,466 ,903
29Pd 212,9660 1049,928 ,185 ,905
Coerção física 212,9885 1037,304 ,676 ,903
2Pc 212,8271 1023,411 ,647 ,902
4Pb 212,6604 1024,248 ,558 ,903
6Pa 212,9382 1020,423 ,721 ,902
8Pe 212,7715 1023,090 ,660 ,902
9Pd 213,1326 1039,490 ,425 ,904
11Pe 212,8549 1028,121 ,480 ,903
12Pa 213,1604 1040,529 ,408 ,904
27

13Pb 213,0215 1034,006 ,498 ,903


15Pc 212,8271 1028,393 ,522 ,903
17Pd 212,8826 1038,190 ,386 ,904
19Pe 213,2437 1049,869 ,306 ,905
20Pa 213,2437 1052,599 ,214 ,905
21Pb 213,2715 1057,765 ,110 ,905
25Pc 213,2993 1053,480 ,250 ,905
26Pd 212,5493 1033,614 ,373 ,904
29Pe 213,1326 1055,894 ,122 ,905
Total Coerção/Imposição 212,9179 1034,817 ,882 ,903
Fonte: Dados do SPSS

c) Correlações internas da escala de socialização parental na adolescência (ESPA-29) do pai

Como se pode ver da tabela 8, em relação ao pai não foram encontradas corelacoes significativas entre as sub-escalas,
nem estas com as variáveis sociodemograficas. No entanto, as dimensões correlacionaram-se significativamente com as
sub-escalas e entre si, com excepcao do afecto que não se correlacionou com a indiferença. Destacamos correlações
muito fortes e significativas entre a sub-escala aceitacao/implicaçao com o afecto (r=.798, p<.01) e correlacoes fortes,
negativas com a indiferenca (r=-.697, p<.01) e a displicencia (r=-.509, p<.01), tambem foram encontradas correlacoes
muito fortes entre a sub-escala coercao/imposiçao com a privacao (r=.925, p<.01), a coercao verbal (r=.707, p<.01) e a
coercao fisica (r=.882, p<. 01).

Tabela 8. Correlações internas do pai

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
[Link] 1

[Link] -,005 1

3.Nível de escolaridade ,285 -,567** 1

[Link] familiar ,002 -,358* ,327 1

[Link] familiar -,093 ,066 -,096 -,057 1

[Link] ,041 ,042 ,182 ,007 -,246 1

[Link]ça ,193 ,245 -,013 ,089 ,016 -,267 1

[Link] ,022 ,192 ,009 ,019 -,030 ,427** ,028 1

[Link]ência ,106 ,235 -,159 -,199 ,064 -,148 ,578** ,193 1

[Link]ção -,021 ,262 -,191 -,111 ,273 -,113 ,422** ,387* ,313 1

[Link]ção verbal ,232 ,135 -,095 -,237 -,113 ,217 ,045 ,430** ,345* ,461** 1

[Link]ção física ,013 ,145 -,214 ,023 ,234 -,120 ,388* ,341* ,147 ,828** ,374* 1

[Link]ção/Implicação -,081 -,076 ,140 ,023 -,156 ,798** -,697** ,501** -,509** -,180 ,151 -,143 1

[Link]ção/Imposição ,079 ,221 -,200 -,128 ,170 -,018 ,351* ,456** ,320 ,925** ,707** ,882** -,080 1
Fonte: Dados do SPSS

**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).

*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades).

3.2.1. Escala de socialização parental na adolescência- Mae

a) Estatística descritiva do item

Como se pode notar na tabela 9, na Sub-escala Aceitação/implicação a média foi de (M = 3.03, DP =.43) mínimo
(1,73) e máximo (3,70), assimetria (-1.00) e a curtose (1.31) e, na Sub-escala coerção/imposição a média foi de (1.55),
(DP =.50), mínimo=1,02 e máximo (3.04), assimetria (1.51), curtose (2.03). As dimensões tiveram como médias: Afecto
28

(M = 2.81, DP = .92); indiferença (M = 1.83, DP =.76) Dialogo (M = 2.69, DP =.76) Displicência (M=1.51, DP=.60)
Privação (M=1.73, DP=.66) coerção verbal (M=1.50, DP=.68) coerção física (M=1.41, DP=.50). Com estes resultados
obtidos pode-se afirmar que a distribuição dos dados são aceitáveis partindo do pressuposto de que a assimetria e
curtose deve estar no intervalo de ]-01+0.1[, de acordo com MAROCÔ (2018), pelo que foram realizadas analises com
bases em testes paramétricos.

Tabela 9. Estatística descritiva do item da mãe

Máximo Media Desvio padrão Assimetri Curtose


N Mínimo a

Afecto 38 1.23 5.22 2.81 .92 .674 .711


1Ma 36 1 4 2.97 1.00 -.305 -1.315

3Mb 36 1 4 2.67 1.21 -.212 -1.554


5Ma 36 1 4 2.83 1.05 -.266 -1.238
7Mb 36 1 4 2.78 1.17 -.214 -1.534
10Ma 36 1 4 2.22 1.19 .495 -1.298
14Mb 36 1 4 2.92 1.20 -.456 -1.467
16Ma 36 1 4 2.53 1.13 .052 -1.390
18Mb 36 1 4 2.75 1.15 -.184 -1.489
22Ma 36 1 4 2.47 1.15 .246 -1.422
23Mb 36 1 4 2.89 1.11 -.293 -1.462
24Ma 36 1 4 2.83 1.08 -.223 -1.374
27Mb 36 1 4 2.28 1.11 .600 -.972
28Ma 36 1 4 2.75 1.15 -.301 -1.375
Indiferença 38 1 3.85 1.83 .76 1.094 .401
1Mb 36 1 4 1.78 1.01 1.165 .247
3Ma 36 1 4 1.61 .96 1.487 1.125
5Mb 36 1 4 1.67 1.09 1.411 .478
7Ma 36 1 4 1.83 1.02 1.021 -.111
10Mb 36 1 4 1.61 .96 1.487 1.125
14Ma 36 1 4 1.67 .89 1.240 .752
16Mb 36 1 4 1.81 1.11 1.059 -.375
18Ma 36 1 4 1.67 1.04 1.373 .542
22Mb 36 1 4 1.83 1.05 1.123 .073
23Ma 36 1 4 1.69 1.09 1.357 .379
24Mb 36 1 4 1.56 .96 1.827 2.310
27Ma 36 1 4 2.11 1.21 .588 -1.263
28Mb 36 1 4 1.94 1.14 .839 -.781
Diálogo 38 1.50 4.99 2.69 .76 1.275 2.832
2Me 36 1 4 2.81 1.14 -.449 -1.213
4Md 36 1 4 2.86 1.04 -.342 -1.141
6Mc 36 1 4 2.83 1.10 -.452 -1.135
8Mb 36 1 4 2.89 1.00 -.298 -1.143
9Ma 36 1 4 2.94 1.09 -.717 -.757
11Mc 36 1 4 1.39 .83 2.226 4.142
12Mc 36 1 4 2.19 1.16 .399 -1.337
13Md 36 1 4 2.81 .98 -.164 -1.096
15Me 36 1 4 2.89 1.03 -.583 -.751
17Ma 36 1 4 2.81 .98 -.164 -1.096
19Ma 36 1 4 1.67 1.06 1.469 .776
20Mc 36 1 4 1.94 .95 .950 .217
21Md 36 1 4 2.42 1.13 .219 -1.328
25Me 36 1 4 2.19 1.09 .430 -1.091
26Ma 36 1 4 2.69 1.14 -.084 -1.479
29Mb 36 1 4 2.75 1.15 -.301 -1.375
Displicência 38 1.00 3.69 1.51 .60 2.009 3.999
2Ma 36 1 4 1.53 1.00 1.827 2.037
4Me 36 1 4 1.31 .71 2.520 6.123
6Md 36 1 4 1.42 .90 2.213 3.823
8Mc 36 1 4 1.44 .80 2.078 4.092
9Mb 36 1 4 1.33 .71 2.351 5.360
11Mc 36 1 4 1.39 .83 2.226 4.142
12Md 36 1 4 1.67 .98 1.306 .535
13Me 36 1 4 1.14 .59 4.321 18.407
15Ma 36 1 4 1.36 .93 2.346 3.983
17Mb 36 1 4 1.44 .87 2.201 4.175
19Mc 36 1 4 1.42 .80 2.191 4.508
20Md 36 1 4 1.44 .84 2.001 3.338
21Me 36 1 4 1.72 1.08 1.305 .293
25Ma 36 1 4 1.72 1.05 1.363 .588
29

26Mb 36 1 4 1.39 .87 2.422 5.020


29Mc 36 1 4 1.31 .78 2.747 6.896
Total Aceitação/implicação 38 1.73 3.70 3.03 .43 -1.002 1.310
Privação 38 1 3.63 1.73 .66 1.287 1.206
2Md 36 1 4 1.69 .95 1.303 .802
4Mc 36 1 4 1.67 1.04 1.373 .542
6Mb 36 1 4 1.44 .80 2.078 4.092
8Ma 36 1 4 1.61 .96 1.487 1.125
9Me 36 1 4 1.39 .68 2.099 5.070
11Ma 36 1 4 1.83 1.10 1.015 -.416
12Mb 36 1 4 1.39 .68 2.099 5.070
13Mc 36 1 4 1.56 .87 1.843 3.025
15Md 36 1 4 1.69 1.00 1.198 .142
17Me 36 1 4 1.75 1.07 1.255 .220
19Ma 36 1 4 1.67 1.06 1.469 .776
20Mb 36 1 4 1.25 .77 3.107 8.711
21Mc 36 1 4 1.22 .59 3.439 13.814
25Md 35 1 4 1.43 .81 2.147 4.291
26Me 36 1 4 1.75 .93 1.199 .677
29Ma 36 1 4 1.89 1.09 .933 -.469
Coerção verbal 38 1 3.13 1.50 .68 1.205 -.091
2Mb 36 1 4 1.47 1.00 1.989 2.513
4Ma 36 1 4 1.58 1.13 1.664 1.038
6Me 36 1 4 1.50 1.02 1.837 1.831
8Md 36 1 4 1.39 .80 1.963 2.809
9Mc 36 1 4 1.42 .93 2.129 3.197
11Md 36 1 4 1.44 .87 1.931 2.719
12Me 36 1 4 1.17 .56 4.178 19.360
13Ma 36 1 4 1.44 .99 2.077 2.793
15Mb 36 1 4 1.47 .91 1.774 1.923
17Mc 36 1 4 1.47 .94 1.938 2.573
19Md 36 1 4 1.31 .71 2.520 6.123
20Me 36 1 4 1.28 .70 2.706 7.022
21Ma 35 1 4 1.26 .70 2.861 7.760
25Mb 36 1 4 1.28 .65 2.800 8.424
26Mc 36 1 4 1.53 .97 1.704 1.631
29Md 36 1 4 1.31 .78 2.747 6.896
Coerção física 38 1 3 1.41 .50 1.675 2.397
2Mc 36 1 4 1.42 .90 2.213 3.823
4Mb 36 1 4 1.64 .99 1.554 1.370
6Ma 36 1 4 1.31 .78 2.747 6.896
8Me 36 1 4 1.39 .90 2.322 4.229
9Md 36 1 4 1.36 .89 2.439 4.687
11Me 36 1 4 1.39 .80 2.314 4.986
12Ma 36 1 4 1.25 .77 3.107 8.711
13Mb 36 1 4 1.14 .54 4.660 23.376
15Mc 36 1 4 1.58 .84 1.249 .593
17Md 36 1 3 1.22 .54 2.451 5.280
19Me 36 1 2 1.11 .31 2.584 4.948
20Ma 36 1 4 1.11 .52 5.252 28.706
21Mb 35 1 4 1.14 .55 4.591 22.688
25Mc 37 1 2 1.03 .15 6.083 37.00
26Md 36 1 4 1.72 .97 .996 -.330
29Me 36 1 3 1.31 .52 1.494 1.449
Total Coerção/imposição 38 1.02 3.04 1.55 .50 1.513 2.033
Fonte: Dados do SPSS

Importa referir, que nos itens do pai (12,19,20,25) e mae (4,12,13,20,21,25,29) ha uma tendencia a normalidade dos
dados, visto que, a assimetria e a curtose sao maiores que 1, facto este que se justifica pelo facto de, haver tendencias
de respostas dispersas.

b) Análise da fiabilidade
30

Na tabela 10, a análise da fiabilidade consistiu no cálculo do alfa de cronbach com indices de fiabilidade sao excelentes
(FIELD, 2009). As sub-escalas aceitação/implicação e coerção/imposição tiveram um alfa de cronbach de α=.94 e nas
suas respectivas dimensões.

Tabela 10. Análise da fiabilidade da mãe

Média de
escala se o Variância de escala
item for se o item for Correlação de item total Alfa de Cronbach se o item for
Itens excluído excluído corrigida excluído
Afecto 206.0683 1629.816 .270 .948
1Ma 205.7489 1638.504 .090 .949
3Mb 206.1428 1666.315 -.208 .950
5Ma 205.9610 1648.616 -.032 .949
7Mb 206.0216 1634.130 .119 .949
10Ma 206.5065 1630.526 .156 .948
14Mb 205.8701 1629.862 .157 .948
16Ma 206.2035 1615.039 .340 .948
18Mb 206.0519 1619.820 .275 .948
22Ma 206.1428 1622.830 .247 .948
23Mb 205.7489 1626.599 .228 .948
24Ma 205.9610 1625.323 .232 .948
27Mb 206.4762 1624.438 .236 .948
28Ma 206.0519 1614.889 .328 .948
Indiferença 206.9214 1621.283 .450 .948
1Mb 206.9307 1604.451 .506 .947
3Ma 207.0519 1615.462 .384 .948
5Mb 206.9913 1606.946 .429 .947
7Ma 206.8095 1614.475 .375 .948
10Mb 207.0519 1606.055 .503 .947
14Ma 206.9913 1635.468 .145 .948
16Mb 206.8398 1638.489 .078 .949
18Ma 206.9913 1630.570 .177 .948
22Mb 206.8701 1622.086 .269 .948
23Ma 206.9610 1625.218 .227 .948
24Mb 207.2035 1625.123 .288 .948
27Ma 206.5065 1631.095 .146 .949
28Mb 206.7792 1629.580 .179 .948
Diálogo 206.1561 1614.809 .693 .947
2Me 205.9004 1631.998 .150 .948
4Md 205.9004 1610.813 .406 .948
6Mc 205.9307 1622.559 .259 .948
8Mb 205.9004 1614.714 .383 .948
9Ma 205.8398 1617.437 .316 .948
11Mc 207.2944 1609.617 .526 .947
12Mc 206.4156 1625.541 .215 .948
13Md 205.9913 1610.489 .453 .947
15Me 205.9004 1621.256 .293 .948
17Ma 205.9307 1617.756 .353 .948
19Ma 207.0822 1610.630 .429 .947
20Mc 206.7792 1609.593 .507 .947
21Md 206.2641 1608.328 .427 .947
25Me 206.4156 1596.580 .573 .947
26Ma 206.0216 1628.104 .182 .948
31

29Mb 205.9610 1610.854 .378 .948


Displicência 207.2660 1618.143 .637 .947
2Ma 207.1428 1662.015 -.192 .949
4Me 207.3853 1616.986 .497 .947
6Md 207.2641 1619.771 .348 .948
8Mc 207.2338 1611.075 .526 .947
9Mb 207.3550 1614.464 .535 .947
11Mc 207.2944 1609.617 .526 .947
12Md 207.1428 1622.519 .325 .948
13Me 207.5671 1610.313 .730 .947
15Ma 207.3247 1617.381 .369 .948
17Mb 207.2338 1617.036 .400 .948
19Mc 207.2641 1620.426 .385 .948
20Md 207.2338 1614.272 .457 .947
21Me 207.0822 1621.545 .295 .948
25Ma 206.9610 1609.510 .414 .948
26Mb 207.3853 1616.655 .475 .947
29Mc 207.3853 1614.151 .490 .947
Total Aceitação/Implicação 205.7279 1648.427 -.046 .948
Privação 207.1088 1611.397 .814 .947
2Md 206.9913 1603.719 .540 .947
4Mc 207.0519 1602.632 .514 .947
6Mb 207.2338 1601.363 .673 .947
8Ma 207.1125 1603.054 .555 .947
9Me 207.2944 1610.058 .640 .947
11Ma 206.9004 1600.558 .527 .947
12Mb 207.2944 1610.682 .629 .947
13Mc 207.1125 1609.956 .502 .947
15Md 206.9610 1599.688 .560 .947
17Me 206.9913 1595.039 .613 .947
19Ma 207.0822 1610.630 .429 .947
20Mb 207.5368 1609.767 .722 .947
21Mc 207.4762 1610.486 .733 .947
25Md 207.2641 1642.880 .050 .948
26Me 206.9913 1637.499 .123 .948
29Ma 206.8398 1613.190 .386 .948
Coerção verbal 207.3266 1614.667 .661 .947
2Mb 207.2944 1631.105 .198 .948
4Ma 207.1731 1605.682 .458 .947
6Me 207.1731 1591.519 .640 .947
8Md 207.3550 1629.102 .273 .948
9Mc 207.2641 1588.217 .747 .947
11Md 207.2641 1591.585 .756 .947
12Me 207.5368 1607.388 .838 .947
13Ma 207.2641 1588.832 .692 .947
15Mb 207.2944 1632.258 .209 .948
17Mc 207.2035 1589.842 .725 .947
19Md 207.3853 1628.705 .298 .948
20Me 207.4459 1640.859 .096 .948
21Ma 207.5368 1637.766 .209 .948
25Mb 207.4156 1607.545 .710 .947
26Mc 207.2338 1632.923 .181 .948
29Md 207.3853 1637.465 .134 .948
Coerção física 207.3853 1622.346 .757 .947
2Mc 207.2641 1614.572 .418 .948
4Mb 207.0519 1612.840 .403 .948
6Ma 207.3853 1603.965 .647 .947
8Me 207.3853 1608.697 .574 .947
9Md 207.3247 1611.323 .464 .947
11Me 207.3247 1609.745 .551 .947
32

12Ma 207.4459 1609.709 .569 .947


13Mb 207.5671 1611.260 .779 .947
15Mc 207.1125 1613.247 .475 .947
17Md 207.4762 1621.895 .548 .947
19Me 207.5974 1646.415 .016 .948
20Ma 207.5974 1640.764 .133 .948
21Mb 207.5671 1611.260 .779 .947
25Mc 207.3456 1611.321 .354 .949
26Md 206.9610 1649.434 -.043 .949
29Me 207.3853 1651.733 -.115 .949
total Coerção/imposição 207.2735 1616.033 .936 .947
Fonte: Dados do SPSS

Esta Escala de Socializacao Parental nao é interpretada como um todo, mas sim em duas sub-escalas considerando o
pai e mae.

c) Correlações internas da mãe

Na tabela 11, em relação a mae não foram encontradas corelacoes significativas entre as sub-escalas, nem estas com
as variáveis sociodemograficas. No entanto, as dimensões correlacionaram-se significativamente com as sub-escalas e
entre si, com excepcao do afecto que não se correlacionou com a indiferença. Destacamos correlações muito forte entre
a sub-escala aceitacao/implicacao com o afecto (r=.753, p<.01) e moderadas porem negativas com a indiferenca
(r=-.593, p<.01) e displicencia (r=-.403, p<.01), tambem firam encontradas correlacoes fortes entre a sub-escala
coercao/imposicao com a privacao (r=.859, p<.01), a coercao verbal (r=.783, p<.01) e a coercao fisica (r=.815, p<.01).

Tabela 11. Correlações internas da mãe

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
[Link]
1

[Link]
-.005 1

3.Nível de escolaridade
.285 -.567** 1

[Link] familiar
.002 -.358* .327 1

[Link] familiar
-.093 .066 -.096 -.057 1

[Link]
-.036 .015 .185 -.247 -.109 1

[Link]ça
-.087 .147 -.048 .058 .040 -.059 1

[Link]álogo
-.123 .098 .034 -.167 -.051 .621** .359* 1

[Link]ência
-.087 .056 .038 -.082 -.007 .215 .821** .426** 1

[Link]ção
-.086 .086 .051 -.175 .089 .460** .454** .670** .508** 1

[Link]ção verbal
.016 .068 .082 -.209 -.198 .465** .176 .569** .360* .442** 1

[Link]ção física
.079 .046 .067 -.016 -.044 .307 .617** .632** .649** .670** .418** 1

[Link]/Implicação
-.005 -.032 .121 -.204 -.095 .753** -.593** .464** -.403* .164 .295 -.053 1

[Link]/Imposição -.004 .083 .082 -.176 -.066 .512** .484** .760** .601** .859** .783** .815** .186 1
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades).
Fonte: Dados do SPSS

Neste primeiro objectivo, do estudo foram encontrados bons índices de fiabilidade nas duas sub-escalas, tanto para a
mãe (α=.94) quanto para o pai (α=90) em relação a aceitação/Implicacao e, (α=.94) e (α=.90) respectivamente em
relação a sub-escala coerção.

No que diz respeito as correlacoes internas, tanto para o pai e tanto para a mae não foram encontradas correlacoes
significativas entre as sub-escalas, nem estas com as variáveis sociodemograficas, no entanto, as dimensões
33

correlacionaram-se significativamente com as sub-escalas e entre si, com excepcao do afecto que não se correlacionou
com a indiferença. Porem, ha que destacar que, enquanto que para o pai as correlacoes foram muito fortes e
significativas na sub-escala aceitacao/implicacao com o afecto e, forte e negativas com a indiferenca, para a mae foram
encontradas correlacoes muito fortes entre a sub-escala aceitacao/implicacao com o afecto e, moderadas, porem,
negativas com a indiferenca. Por fim, na sub-escala coercao tanto para o pai como para mae, foram encontradas
correlacoes muito fortes entre a sub-escala coercao/imposicao com suas dimensoes.

3.2. Dados do segundo objectivo: praticas parentais mais percebidas pelos adolescentes que consomem substancias
psicoactivas (álcool, tabaco e cannabis sativa/surruma).

Nosso segundo nos propusemos a identificar as práticas parentais frequentemente mais percebidas pelos adolescentes
que consomem as substancias psicoactivas. De acordo com tabela 12, as práticas mais percebidas pelos adolescentes
da mãe são o afecto (M=2.81, DP= .92), dialogo (M=2.69, DP=.76), privação (M=1.73, DP=.66). Enquanto que as
práticas parentais do pai são o afecto (M=2.62, DP=.96), o diálogo (M=2.62, DP=.68), a indiferença (M=2.01, DP=.82) e a
privação (M=1.73, DP=.69).

Tabela 12. Praticas parentais percebidas pelos adolescentes

Praticas parentais percebidas pelos adolescentes Pai Mãe

Media Desvio padrão Media Desvio padrão

Afecto 2.62 .96 2.81 .92


Aceitação/Implicação

Dialogo 2.62 .68 2.69 .76

Indiferença 2.01 .82 1.83 .76

Displicência 1.52 .49 1.51 .60

Privação 1.73 .69 1.73 .66


Coerção/Imposição

coerção verbal 1.42 .55 1.50 .68

coerção física 1.47 .58 1.41 .50

Quer as mães quanto os pais não têm sido suficientemente afectuosos (M=2.81, DP; M=2.62, DP=.96) e dialogantes
(M=;M=2.69, DP=.68), pois seria bom se as medias fossem de 3 a 4 conforme a pontuação do instrumento. Por outro
lado quer as mães quanto os pais tendem a ser mais indiferentes (M=1.83, DP=.76; M=2.01, DP=.82), privativos
(M=1.73, DP=.66; M=1.73, DP=.69) displicentes (M=1.51, DP=.60; M=1.52, DP=.49).

Com estes resultados, confirma-se parcialmente a nossa segunda hipótese segundo a qual os adolescentes vivem com
pais que adoptam praticas parentais como a indiferença, a displicência, a privação, a coerção física e a coerção verbal.
Porem, os resultam mostram que as praticas parentais mais adoptadas pelos pais dos adolescentes que consomem
substancias psicoactivas são o afecto e o diálogo, por isso, a nossa hipótese também refuta-se parcialmente.

3.4. Dados do objectivo terceiro: relação existente entre as práticas parentais e os estilos de socialização parental.

No nosso terceiro objectivo desta pesquisa pretendíamos descrever a relação existente entre as práticas parentais e os
estilos de socialização parental. Como se pode ver as práticas parentais que ambos os pais apresentam são o afecto e o
diálogo que correspondem ao estilo democrático e a privação que pertence ao estilo autoritário. Por sua vez, no pai
verifica-se uma pratica parental que não se evidencia na mãe, que é a indiferença que compreende o estilo negligente.
34

3.5. Dados do quarto objectivo: Demonstrar a relação entre os estilos de socialização parental e o envolvimento
dos adolescentes no consumo de substancias psicoactivas.

No quarto objectivo nos propusemos a demostrar a relação existente entre os estilos parentais e o envolvimento dos
adolescentes no consumo de substancias psicoactivas. Para tal foram escolhidas as seguintes substancias psicoactivas,
o tabaco, álcool e surruma/cannabis sativa para verificar possíveis associações com os estilos parentais percebidos
pelos adolescentes da Associação Hlayiseka e de rua da cidade de Maputo. Como se pode ver da tabela 13, as práticas
parentais da mãe percebidas pelos adolescentes que consomem substancias psicoactivas não se relacionam
significativamente com as substancias psicoactivas (tabaco, álcool e surruma/cannabis sativa). Porém, há que destacar o
facto de terem sido encontradas duas correlações moderadas, negativas e significativas entre as práticas parentais do
pai, a displicência com o consumo de tabaco (r=-.456; P<.01) e o diálogo com o consumo de surruma/cannabis sativa
(r=-.330; P<.05), sugere esta última que quanto menos o pai dialoga com o filho maior será o consumo de
surruma/cannabis sativa.

Este resultado é diferente do resultado encontrado no estudo de BACOCO (2014) que concluiu que a sub-escala
aceitação/implicação, assim como, a maioria das suas dimensões com (excepção do diálogo nos pais) se encontram
significativamente correlacionada com a frequência do consumo de álcool.

Ainda revelaram os estudos de BACOCO (2014) que a subescala coerção/imposição e as suas respectivas dimensões
não apresentaram quaisquer correlações significativas com a frequência do álcool. Diferentemente dos resultados
obtidos no presente estudo, pois revelaram que a sub-escala coerção/imposição (eg. privação) correlaciona-se
significativamente com o consumo do álcool nas práticas coercivas adoptadas tanto pelo pai tanto pela mãe .

Tabela 13. relação entre os estilos de socialização parental e o envolvimento dos adolescentes no consumo de substancias psicoactivas
35

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
1.Aceitacao_implicacao_P
1

[Link]
.798** 1

[Link]ça
-.697** -.267 1

[Link]
.501** .427** .028 1

[Link]
-.509** -.148 .578** .193 1

[Link]
-.180 -.113 .422** .387* .313 1

7.Coercao_verba
.151 .217 .045 .430** .345* .461** 1

8.Coercao_fisica
-.143 -.120 .388* .341* .147 .828** .374* 1

9.Coercao_P
-.080 -.018 .351* .456** .320 .925** .707** .882** 1

[Link]
.036 -.127 -.092 -.162 -.453** -.051 -.294 .107 -.088 1

[Link]
-.160 -.306 .054 .062 .027 .018 .004 .057 .031 .321* 1

[Link] sativa -.216 -.244 .026 -.330* -.122 -.219 -.134 -.081 -.177 .477** .240 1
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades).

Ainda que se tenham identificado qualquer ligações significativas entre os estilos parentais e as substancias psicoactivas,
procuramos perceber se haveria diferenças de medias entre as substancias psicoactivas: Tabaco (a. Sim consome e b.
Não consome), Álcool (a. Sim consome e b. Não consome) e surruma/cannabis sativa (a. Sim consome e b. Não
consome), para tal foram aplicados três T-testes, conforme mostra a tabela 12 , verificou-se diferenças estatisticamente
significativas entre: a privação materna e o álcool (M=1.71 e M=1.74; DP=.57 e DP=.71), t=.738; a privação paterna e o
álcool (M=1.69 e M=1.76; DP=.67 e DP=.71), t=.063; a displicência paterna e tabaco (M=1.25 e M=1.71; DP=.23 e
DP=.53), t=3.33); e a coerção física materna e o álcool (M=1.47 e M=1.37; DP=.51 e DP=.51), t=.039. Por fim, se destaca
que há diferenças estatisticamente significativas entre a sub-escala aceitação/implicação materna e o cannabis sativa
(M=2.96 e M=3.11; DP=.51 e DP=.34), t=.911, contudo, não é a sub-escala aceitação/implicação que tem influenciado o
consumo de surruma/cannabis sativa entre adolescentes mas sim as dimensões da mesma que actual através de duas
práticas parentais, a saber, a displicência e a indiferença.

Figura 2: comparação de medias de mãe e pai


36

Chart Title
2
1.8 1.71 1.74 1.76
1.71 1.69000000000001
1.6 1.53 1.55
1.47 1.47 1.42
1.37
1.4
1.25
1.2
1
0.8
0.6
0.4
0.2
0
Displicencia Privacao Coercao Fisica

Sim Nao Sim2 Nao2

Fonte: dados do excel

Neste estudo os resultados obtidos demonstram que o estilo parental negligente se associa com a pratica parental
displicência o que possibilita os adolescentes a consumirem o tabaco. Enquanto que os estilos parentais democrático e
autoritário relacionam-se com as práticas parentais privação e coerção física o que permite com que haja o consumo de
álcool entre os adolescentes.

Com estes dados, confirma-se a nossa primeira hipótese segundo a qual os estilos parentais influenciam no consumo de
substancias psicoactivas na adolescência, de tal modo que, os adolescentes que vivem com os pais que adoptam os
estilos autoritário e negligente são mais propensos ao consumo de substancias psicoactivas do que os pais que adoptam
o estilo democrático

3.6. Discussão dos resultados

Neste ponto nos propusemos a analisar os resultados obtidos neste capitulo (III), tendo como objectivo analisar as
relações existentes entre os estilos parentais e o consumo de substâncias psicoactivas na adolescência; Apresentar as
propriedades psicométricas da Escala de Socialização Parental na Adolescência (ESPA-29); Identificar as práticas
parentais frequentemente mais percebidas pelos adolescentes que consomem as substancias psicoactivas; Descrever a
relação existente entre as práticas parentais e os estilos de socialização parental; e demonstrar a relação entre os estilos
de socialização parental e o envolvimento dos adolescentes no consumo de substancias psicoactivas.

Os pressupostos de adaptação dos questionários usados nesta pesquisa, são propostas por MAROCÔ (2014) e FIELD
(2011), conforme indicamos no ponto 2.5 desta monografia. Para dar resposta a esta problemática, numa primeira fase
analisamos algumas propriedades psicométricas básicas que nos permite verificar a fiabilidade do instrumento, pelo que
os resultados obtidos demostraram bons índices de fiabilidade nas duas sub-escalas, tanto para a mãe (α=.94) quanto
para o pai (α=90) em relação a aceitação/Implicacao e, (α=.94) e (α=.90) respectivamente em relação a sub-escala
coerção. Estes resultados são semelhantes com os estudos realizados por LUÍS (2011) que encontrou níveis elevados
de consistência interna situados entre 0.87 a 0.93 nas dimensões e sub-escalas da ESPA-29.

As práticas parentais mais percebidas pelos adolescentes que consomem substancias psicoactivas (eg. tabaco, álcool e
cannabis sativa) foram o afecto, o diálogo e a privação, mas há que destacar que os adolescentes perceberam que o pai
é indiferente face ao consumo de substancias em relação a mãe. Estes resultados convergem com os dados de LUÍS
(2011), que apontam que as práticas parentais mais percebidas da mãe são o afecto e para o pai a indiferença. Porém,
os nossos resultados divergem com as práticas deste autor pois os adolescentes perceberam que os pais também
adoptam a coerção verbal e a displicência.

No que refere as práticas parentais afecto e dialogo correspondem ao estilo democrático, a privação ao estilo autoritário
e a indiferença ao estilo negligente. Apesar de termos usados as abordagens tipológicas de Musitu & Garcia (2001,
37

2004) os nossos resultados assemelham-se aos estilos por estes referenciados como o autoritário e o negligente com as
suas respectivas práticas. entretanto, os nossos resultados remetem-nos a percepção de que as práticas parentais do
estilo democrático que ambos os pais apresentam não são suficientes para servirem como um factor de protecção mas
sim como um factor de risco, pois na medida em que ambos os pais dialogarem menos e demonstrarem pouco afecto em
relação aos seus filhos possivelmente permitirá com que os mesmos consumam substancias psicoactivas precocemente.
Estes resultados são divergentes aos estudos desenvolvidos por Newman e colaboradores (2008), que revelaram que as
famílias autorizativos ou democráticos estão associados a uma maior protecção e menos comportamentos de risco.

No tocante a relação existente entre os estilos de socialização parental e o envolvimento dos adolescentes no consumo
de substancias psicoactivas, os resultados apontaram que o estilo autoritário se associa ao consumo de álcool uma vez
que os pais apresentaram maiores níveis de coerção/imposição (eg., privação e coerção fisica). Estes resultados são
semelhantes aos estudos realizados por BACOCO (2014) que apontaram que as mães tendem a ser percepcionadas
como aquelas que exercem um maior nível de coerção/imposição (eg. privação) e ligeiramente são autoritárias enquanto
que os pais tendem a ser menos autoritários, esta última diverge-se dos resultados que obtivemos pois ambos os pais
são vistos como autoritários. Contudo, os nossos resultados ilustram ainda que os pais tendem a ser mais indiferentes
em relação as mães que permite os mesmos a adoptarem um estilo negligente, semelhantemente com a outras
pesquisas salientam que os pais tendem a ser mais negligentes em relação as mães (BACOCO, 2014). Outros dados
encontrados constatam que quando os pais adoptam um estilo permissivo ou negligente face ao uso de álcool, os
adolescentes tendem a envolver-se em comportamentos mais abusivos face esta substancia (WOOD, 2012). No
entanto, os dados apontaram ainda que o estilo negligente (eg., indiferença paterna) associa-se ao consumo de tabaco
e o estilo negligente (eg., indiferença e displicência) ao consumo de cannabis sativa.

Constatações e sugestões

Considerando a dimensão deste fenômeno, este estudo destinou-se a analisar a relação existente entre os estilos
parentais e o consumo de substâncias psicoactivas na adolescência. É neste âmbito que a nossa investigação se insere
na exploração de uma das variáveis que serve como fac tor de risco ou de proteção para o consumo de substancias
psicoactivas na adolescência, os estilos parentais. Vários estudos foram realizados na tentativa de compreender a
influencia que os estilos parentais exercem na vida dos adolescentes inclusive os estudos internacionais, pois estes
estudos tem vindo a alertar cada vez mais o papel que os pais exercem na vida dos seus filhos.

A concretização deste estudo permitiu-nos fazer uma análise da influência dos estilos parentais no consumo de
substancias psicoactivas nos adolescentes da Associação Hlayiseka e alguns adolescentes das ruas da cidade de
Maputo, deste modo, pode-se concluir que:

 A escala de socialização parental na adolescência (ESPA-29) que serviu de instrumento para a recolha de dados,
apresenta bons índices de fiabilidade, o que significa uma boa consistência interna deste instrumento, o que nos
permite assumir que esta versão pode ser aplicada no contexto moçambicano, especialmente entre adolescentes
que tem ambos os pais ou uma figura de vinculação;
 Relativamente aos estilos parentais, a tipologia autoritária através das suas práticas parentais (eg. privação e
coerção física) para as mães e para os pais através de elevados níveis de privação estão associadas ao maior
consumo do álcool pelos adolescentes. Por outro lado, o estilo negligente adoptados pelos pais através da
displicência está associada ao maior consumo de tabaco, na mesma tipologia adoptada pelas mães deve-se o
consumo de cannabis sativa pelos adolescentes através da indiferença ou displicência;
 No que diz respeito as praticas parentais adoptadas pelos pais dos adolescentes que consomem substancias
psicoactivas, os resultados mostraram que o afecto, o diálogo, a privação e a indiferença paterna foram praticas
parentais que possivelmente levaram os adolescentes ao consumo de substancias psicoactivas;

Sugestões para pesquisas futuras

Tendo como base conclusões desta pesquisa, sugere-se que:


38

 Uma vez que a amostra da presente pesquisa não é representativa da população dos adolescentes
moçambicanos no geral, seria interessante que estudos semelhantes abrangessem todo o país;
 O facto de se aplicar no seu todo a ESPA-29 com 29 itens, tornou o processo da recolha e tratamento de dados
extenso, seria ideal que nas futuras pesquisas se elaborassem versões mais reduzidas do instrumento, de forma a
reduzir o risco de enviesamento dos resultados;
 Sendo um estudo que não teve pretensão de esgotar as possibilidades de análise, considerando-a uma pesquisa
inicial, existe espaço para uma expansão dos factores estudados. Por isso, para futuras pesquisas, sugere-se a
validação dos instrumentos;
 Tendo em conta a percepção que os adolescentes tem em relação aos estilos adoptados pelos seus pais, as
esferas sociais podem contribuir para a elaboração de intervenções mais eficazes contra o consumo precoce de
substancias psicoactivas na adolescência, com enfoque fundamental para o papel que os pais exercem na vida
dos adolescentes enquanto factor de risco ou de protecção.

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[Link] Acesso em:


19 abr. 2022

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[Link] consultado em 13/07/2022 as 14:55

[Link] Acessado em

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[Link] Acesso em: 20 jan 2017.

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ANEXOS
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