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Vida e Legado de Santo Agostinho

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Santo Agostinho, também conhecido como Agostinho de Hipona, é uma das figuras mais

influentes na história do cristianismo e da filosofia ocidental. Nascido em 354 d.C. na cidade


de Tagaste, na atual Argélia, ele viveu durante um período de transição no Império Romano,
quando o cristianismo estava se consolidando como religião oficial e o paganismo
enfrentava um declínio. Agostinho, ao longo de sua vida, passou por uma trajetória de
busca espiritual e intelectual que influenciou profundamente seu pensamento e contribuiu
para a formulação de uma teologia cristã sólida, especialmente em questões de pecado,
graça e salvação.

Sua formação inicial foi marcada pelo estudo da filosofia e da retórica, áreas de destaque
no sistema educacional romano. Sua mãe, Mônica, uma cristã devota, tentou incutir nele
valores religiosos desde cedo. Entretanto, Agostinho passou boa parte da juventude em
busca de prazeres mundanos e longe dos preceitos cristãos. Essa fase incluiu um período
como seguidor do maniqueísmo, uma doutrina dualista que pregava a existência de dois
princípios fundamentais – o Bem e o Mal – em constante conflito. Esse envolvimento
demonstra sua inquietação filosófica e sua busca por respostas às questões fundamentais
sobre o sentido da vida e a origem do mal.

A fase maniqueísta durou cerca de nove anos, até que Agostinho, insatisfeito com as
limitações dessa doutrina, buscou novas correntes de pensamento. Ele mergulhou nos
estudos de filosofia neoplatônica, especialmente através das obras de Plotino, o que lhe
permitiu reinterpretar o mal não como uma força ativa, mas como uma carência ou ausência
de bem. Essa visão foi crucial para sua futura elaboração teológica, pois oferecia uma
explicação mais compatível com o monoteísmo cristão.

A conversão ao cristianismo é o ponto central de sua biografia, e ele a narra com


profundidade na obra *Confissões*, que é considerada um dos primeiros relatos
autobiográficos do Ocidente. No ano de 386, após uma longa crise espiritual e intelectual,
Agostinho teve uma experiência mística que ele interpretou como um chamado divino para
a fé cristã. Diz-se que ele ouviu uma voz de criança dizendo “Tolle, lege” (“tome e leia”), e
ao abrir a Bíblia, leu um trecho da Carta aos Romanos que o inspirou a abandonar sua vida
mundana e se converter. Batizado no ano seguinte por Santo Ambrósio, bispo de Milão, ele
decidiu dedicar sua vida ao cristianismo e retornou para a África, onde se tornou padre e,
mais tarde, bispo de Hipona.

Como bispo, Agostinho se destacou por sua atuação em debates teológicos e filosóficos,
sendo conhecido por sua habilidade retórica e por sua capacidade de responder a desafios
doutrinários. Ele combateu diversas heresias de seu tempo, como o donatismo e o
pelagianismo, defendendo a ortodoxia cristã. O pelagianismo, em particular, defendia que o
ser humano poderia alcançar a salvação por meio do esforço próprio, sem a necessidade
da graça divina. Agostinho rejeitou essa visão, afirmando que a natureza humana, devido
ao pecado original, estava corrompida e que somente a graça de Deus poderia redimir o
homem. Essa perspectiva teológica tornou-se um dos fundamentos do pensamento cristão
sobre a natureza da salvação e a dependência humana da graça divina.

A obra de Agostinho é extensa e abrange temas variados, incluindo teologia, filosofia e


espiritualidade. Entre seus escritos mais famosos estão *Confissões*, *A Cidade de Deus* e
*Sobre a Trindade*. Em *Confissões*, ele reflete sobre sua própria vida e sua jornada
espiritual, explorando o processo da conversão e os conflitos internos que o levaram à fé.
*A Cidade de Deus*, escrita após o saque de Roma pelos visigodos em 410, é uma defesa
da fé cristã frente às críticas dos pagãos, que viam o cristianismo como uma causa da
decadência do Império Romano. Nessa obra, Agostinho diferencia a Cidade de Deus
(composta pelos que vivem em busca da vontade divina) da Cidade dos Homens
(caracterizada pelo egoísmo e pelo apego aos bens terrenos), propondo uma visão de
história em que a realização última só é alcançada na eternidade.

Sua filosofia do tempo também é uma das contribuições mais notáveis para o pensamento
ocidental. Em *Confissões*, Agostinho propõe uma visão inovadora, na qual o tempo é uma
realidade da consciência humana, e não uma entidade externa. Ele argumenta que o
passado existe como memória, o presente como percepção e o futuro como expectativa, e
que todos esses momentos são vividos simultaneamente na alma humana. Essa concepção
antecipa discussões modernas sobre a natureza do tempo e a subjetividade.

Agostinho morreu em 430 d.C., enquanto Hipona estava sitiada pelos vândalos. Sua
influência, entretanto, perdurou pelos séculos, moldando tanto a teologia católica quanto a
protestante, especialmente nos temas de graça, predestinação e natureza do mal.
Agostinho é considerado um dos quatro grandes Doutores da Igreja Ocidental e um dos
pilares do cristianismo, e sua obra continua a ser estudada e admirada tanto por teólogos
quanto por filósofos. Santo Agostinho oferece uma visão profunda sobre a relação entre
razão e fé, e sua trajetória de vida é um exemplo da busca incessante pela verdade,
tornando-o uma das figuras mais importantes e complexas da tradição cristã e filosófica.

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