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Black Sabbath Sem Ozzy Osbourne

Resenha sobre os discos do Black Sabbath sem Ozzy Osbourne.

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Caio Sarmento
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Os discos de estúdio do Black Sabbath sem Ozzy Osbourne: valem a pena?

A resposta é: obviamente, sim! Muitas pessoas se esquecem, mas o Black Sabbath tem mais
discos sem o lendário Ozzy do que com a presença do cantor. Penso que a separação foi boa
tanto para o vocalista quanto para a banda. Ozzy procurou se associar a músicos de igual
qualidade e, como partiu para o projeto solo, teve mais liberdade para assumir a identidade
artística que queria. Já o Sabbath continuou sua trajetória, buscando explorar novos campos
musicais dentro do Heavy Metal.

E por que vale a pena escutar o Sabbath pós-Osbourne? Por onde começar? Essa última é fácil:
basta iniciar a audição pelo primeiro LP feito sem o cantor original. Trata-se do lendário disco
Heaven and Hell, de 1980. Ele mesmo, com a presença do – igualmente icônico – Ronnie James
Dio nos vocais. Inclusive, muitos fãs julgam que este álbum seja o melhor da história da banda.

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Entre as canções presentes no LP, destaca-se a faixa-título, que se tornou imediatamente um


hit. A música Die Young, do lado B, também foi muito popular às épocas do lançamento. A
canção de número 2, Children of the Sea, tem uma importância muito grande, pois foi a
primeira composição do novo Sabbath após a mudança nos vocais. Com a letra escrita por Dio,
essa música já mostra a modificação temática que o Black Sabbath sofreria durante essa fase.
O novo cantor/compositor gostava de temas mí(s)ticos, metafísicos, e até cósmicos. A faixa
final, Lonely is the World, também mostra essa marca do novo letrista. Enfim, trata-se de um
disco histórico para o Heavy Metal.

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A primeira passagem de Dio pelo Sabbath foi tão icônica que nem parece ter sido tão breve:
apenas dois – indispensáveis – discos. O segundo foi o excelente Mob Rules. Neste LP, houve
novidade também na bateria: Vinny Apice a assumiu de maneira muito digna. Em tal nova
produção, destaco a faixa-título, bem como o lado B inteiro. Em tais canções, as metáforas de
Dio encontram os riffs potentes de Iommi. É uma obra imprescindível.

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A partir da saída de Ronnie James Dio, entramos em polêmica: o disco lançado em 1983, Born
Again, não é unanimidade entre os fãs. Eu, particularmente, gosto muito. Quem assumiu os
vocais foi ninguém menos que Ian Gillan – vocalista de outra banda igualmente lendária: Deep
Purple.

Tal LP possui desde canções para o head banging – como a faixa de abertura, Trashed - até
faixas sombrias, obscuras, introspectivas – como a faixa-título. É nítido que Gillan trouxe um
pouco da veia progressiva do Deep Purple para mesclar à essência do Sabbath. E esse novo
elemento fez muito bem ao disco, pois trouxe a preocupação em detalhar a ambiência sonora.
Por exemplo, existem duas faixas instrumentais bem breves, com o intuito de marcar a
mudança climática do álbum. Além disso, até nas faixas cantadas, percebe-se esse aspecto:
Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ian Gillan se tornam quase cenógrafos, como se
estivéssemos vendo uma construção fílmica. São usados artifícios como vozes de fundo,
efeitos simulando animais e ambientes hostis para se alcançar a finalidade desejada de uma
boa ambiência sonora.
Enfim, o disco Born Again é uma obra que merece ser revisitada; ou, pelo menos, uma segunda
chance.

No ano seguinte, Ian Gillan retornou ao Deep Purple, e o Black Sabbath entrou em hiato.

O próximo disco só viria em 1986, com a permanência de um único membro original – que
tomou as rédeas, de vez, da banda –: Tony Iommi (a intenção inicial era ser, inclusive, um
álbum solo). Para acompanhá-lo, o guitarrista fez uma escolha meticulosa dos músicos. Nos
vocais, o escolhido para assumir foi o brilhante Glenn Hughes. Ele mesmo, que assim como
Gillan, havia sido membro do Deep Purple.

Além disso, Eric Singer – que viria se juntar ao Kiss anos depois – assumiu a bateria; Dave Spitz
ficou responsável pelo contrabaixo, e os teclados ficaram por conta de Geoff Nicholls – que já
gravava os teclados do Black Sabbath desde o LP Heaven and Hell, mas, em The Seventh Star
(1986), é colocado como membro efetivo.

Assim, com a banda formada, o disco foi (muito bem) produzido. Sobre as performances,
destaco fortemente Glenn Hughes, que está a cantar de maneira formidável – a interpretação
na música ‘In memory’ é impressionante. Ademais, neste LP, há canções das mais diversas,
desde baladas – por, exemplo, No stranger to love – até passagens com riffs típicos do gênio
Iommi acompanhados pela bateria em marcha – como a própria Seventh Star. No entanto, há
canções rápidas, como a faixa de abertura – In for the kill – e Turn to stone.

Ou seja, é um LP recheado de surpresas, com músicos de extrema qualidade. Vale a audição.

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No disco seguinte, ocorre modificação novamente nos vocais: agora quem assume é Tony
Martin. Neste álbum – intitulado The Eternal Idol – os riffs de Iommi são muito bons, pesados e
concisos. De modo geral, a sonoridade lembra um pouco a fase com o imortal Ronnie James
Dio. Há também uma faixa que remete à música celta – Scarlet Pimpernel –, de uma beleza
que só Iommi sabe imprimir. Assim, podemos dizer que The Eternal Idol é um disco muito
digno, e marca o início da primeira era de Tony Martin como “frontman” da banda, que durou
3 discos. Para ouví-lo, indico a versão remasterizada que o álbum ganhou em 2009.

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O LP sucessor foi ‘Headless Cross”. Essa obra mostra uma banda aparentemente mais estável,
mais em harmonia entre seus membros fora dos palcos e dos estúdios – e isso refletiu-se nas
músicas. Tony Martin continua com seu vocal potente e marcante, além de Cozy Powell
ingressar na banda como baterista – cargo que ele assumiu por mais dois álbuns logo depois.

Talvez a sonoridade um pouco oitentista da produção incomode alguns fãs, mas o poder dos
riffs de Iommi está ali, bem como solos dignos de destaque – como em “Devil & Daughter” e
“Kill in the spirit world” (essa última é, talvez, minha favorita do álbum). Adicionalmente, o
disco ainda conta com o lendário Brian May, guitarrista do Queen, que faz participação
especial em “When Death Calls”. Em tom introspectivo, a melodia criada por Iommi sustém
uma ambiência de angústia – que aumenta até chegar ao insuportável, desaguando na
fúria do refrão. No solo de B. May, a levada já é mais rápida, de modo que as notas
expressas pela guitarra de May são potencializadas. Enfim, pode não ser um dos maiores
discos do Sabbath, mas é, sem dúvida, importante na carreira da banda.

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Inaugurando a década de 90, o Black Sabbath lança o álbum Tyr, marcando o 15º disco de
estúdio da história da banda. Seu título faz alusão à mitologia nórdica, bem como várias
canções. Aqui, Tony Martin mostra uma voz ainda mais potente e segura. E Iommi se
mostra extremamente preocupado com a linha de progressão de cada faixa: conseguimos
perceber o esmero das composições para que tudo se encaixe. Além disso, a pluralidade
no estilo das canções faz o disco ficar interessante e impede-o de ser cansativo. Como
pontos altos do álbum, cito “Jerusalem” e três faixas que formam uma música só: "The
Battle of Tyr", “Odin’s Court” e “Valhalla”. Assim, esse LP marca o fim da primeira
passagem de Tony Martin pelo Sabbath.

Dois anos depois, ocorre um marco de suma importância na história do Sabbath: o


inigualável Dio retorna à banda, juntamente com o inesquecível baixista original Geezer
Butler. Ademais, Vinny Apice – também imortalizado na era Dio –reassume seu posto no
Sabbath. O resultado, destarte, é simplesmente fenomenal: o álbum tem um peso absurdo,
fazendo jus à volta desses músicos fantásticos ao grupo. Ouso dizer que é um dos
melhores discos da história do Sabbath.

Além do peso sonoro, há de se destacar que as letras são extremamente relevantes,


desde críticas a problemas trazidos pela tecnologia (Computer God) até denúncias a
mercadores da fé (TV Crimes) – líderes religiosos em crescimento, à época, exatamente
pela ampla expansão dos canais de televisão de tal gênero. Ademais, Ronnie James Dio
não deixa de trazer suas reflexões abstratas – e interessantíssimas – acerca da morte e do
desconforto perante os problemas do mundo.

É evidente também, que esse disco escancara um retorno às raízes do Sabbath. A faixa
“Sins of a Father”, por exemplo, lembra um Sabbath do início da década de 70. Enfim, tal
álbum é simplesmente um deleite para os fãs. Por isso, recomendo-o fortemente.

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No entanto, essa reunião da era Dio durou apenas um disco, pois o cantor, logo depois,
saiu novamente do Sabbath para focar em sua carreira solo, e o baterista Vinny Apice o
acompanhou nessa jornada. Assim, o imortal Black Sabbath se reestruturou mais uma vez,
trazendo de volta Tony Martin à primeira voz e Bobby Rondinelli à bateria. Nesse contexto,
com os membros originais Tony Iommi e Geezer Butler, foi produzido um novo disco:
‘Cross Purposes’, de 1994.

Esse álbum não é muito lembrado pelos fãs, mas possui músicas de força. A própria faixa
de abertura (‘I witness’) é um riff catching, com bons vocais e um solo breve, porém eficaz.
Novamente, a pluralidade do repertório e dos artifícios sonoros que os músicos do
Sabbath demonstram é fenomenal. Não consigo deixar de impressionar-me. Aqui,
podemos constatar desde a bateria em marcha com peso e misturada a pitadas melódicas
(‘Cross of Thorns’) até riffs arrastados e obscuros (‘Virtual Death’). Ou seja, Cross
purposes é um LP que vale muito ser redescoberto pelos fãs do bom heavy metal.

Por fim, chegamos ao Forbidden, de 1995, fazendo com que o Black Sabbath chegasse,
naquele momento, ao marco do 18º disco de estúdio (lembrando que tivemos, em 2013,
um disco com a lenda Ozzy Osbourne – tal obra ficará para um texto futuro). Nesse álbum,
a formação que gravou o disco Tyr é refeita – com o baterista Cozy Powell e o baixista Neil
Murray. Tal LP foi criticado de forma extremamente negativa à época – talvez por não se
encaixar à sonoridade predominante no Rock de meados da década de 90. Hoje, pode não
ser um dos discos mais ouvidos do Sabbath, mas é respeitado, principalmente por
aqueles(as) que valorizam as participações de Tony Martin na banda. Além disso, é
interessantíssima a participação de um rapper (Ice-T) logo na faixa de abertura. Tal tipo de
mistura seria muito comum com a febre do New Metal. No entanto, a essa época, tal
aventura ainda era rara – a primeira banda a fazer isso, no mainstream, foi a banda
Anthrax com o Public Enemy em ‘Bring the noise’.

Após tantas exposições, fico por aqui. Agradeço a paciência e espero ter te ajudado, raro
leitor, a compreender um pouco mais sobre a rica discografia do Black Sabbath. Assim,
gostaria também de destacar que quem já conhece a obra pós-Ozzy e não gosta, que dê
mais uma chance. Não posso garantir, mas aposto que muitos se surpreenderão com a
bela maneira com a qual os discos do Sabbath envelheceram: absolutamente bem.

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