LORE
Ao longe os sinos da igreja tintilam anunciando o início de mais um culto, o povo calmamente se aproxima para
comemorar a captura de novos hereges e quando menos se espera as preces e cantos fervorosos tomam conta
das viela- POW! Um estrondo auto corta o cenário e inicia uma perseguição. Duas figuras parecem liderar a
fuga dos prisioneiros e atrás deles uma figura alva se destaca correndo no que aparenta ser seu máximo, mas
mesmo dando tudo de si, a dupla some nos becos e se dispersam pela cidade. Ao retornar a dama nívea é
recebida a gritos de reprovação de sua superior por não ter sido capaz de evitar outra fuga... Horas se passam
após o ocorrido, a consagração daquela tarde havia sido cancelada e grupos maiores foram mandados para
procurar os fugitivos, durante o caos da caçada a dama alva aproveita para dar uma escapada.
– Enganou bem hoje, branquinha... quase me fez acreditar que queria me prender de verdade hehe – um
humanoide de cabelos brancos e aura gélida cumprimenta a freira quando ela chega ao acampamento.
A moça se envergonhava com o talvez “elogio” de seu parceiro coçando a cabeça, logo se desculpando com o
mesmo e sim! Toda a cena na igreja foi apenas um plano astuto da jovem clériga e seus amigos! Um plano ao
mesmo tempo simples e complexo, a jovem facilitou a entrada dos dois ao mosteiro que ficaram no aguardo dos
festejos da noite para levar todo mundo lá de dentro para fora enquanto a garota os encobria. Apesar de membro
do clero, nunca foi de acordo com a lei da caçada às bruxas, então sempre que podia ajudava quem ela podia a
fugir, mas dessa última vez muitos foram pegos e sozinha ela não poderia fazer nada... então decidiu pedir ajuda
de seus confiáveis amigos de Lhamasta.
Mas acho que estou esquecendo de algo... É MESMO! Ainda não te apresentei quem é essa tal clériga que tanto
cito e nem mesmo seus fatídicos amigos. Bom, lá vamos nós.
Nascida em Canonfield, foi criada a vida inteira pela tia em um mosteiro mais afastado da cidade, sua mãe era
uma “mulher da vida” como sua tia sempre a disse, vivia pelo mundo e conhecia pessoas de várias raças e
lugares, quando engravidou decidiu voltar para passar um tempo com sua irmã, para ter um lugar fixo para
cuidar de sua criança, entretanto o infortúnio sorriu para ela, durante o parto as coisas começaram a se
descontrolar, o sangramento era muito e a criança parecia teimar para vir ao mundo. Graças aos ocorridos, não
era surpresa que a mãe não suportasse e viesse a falecer, mas algo de fato surpreendeu a todos naquela noite. A
garotinha que nascera era no mínimo... peculiar. Branca como a própria lua e o que mais chamava atenção seus
grandes olhos vermelhos... surpreendentemente a criança parecia ser... humana? Como pode?! Nunca antes uma
criança como aquela havia sido vista por qualquer um dos presentes ali, enquanto alguns suplicavam a seu deus
pedindo clemencia por ajudarem aquela heresia a vir ao mundo, outros mais ativos iam à madre do mosteiro
pedir o sacrifício da recém-nascida...
Anos se passaram, a garota, agora nomeada de Alba, fora adotada por sua tia a qual só poderia chamar de
Madre Atalia. Cresceu num ambiente envolto de mistérios, em especial para os demais membros da igreja, as
histórias que passavam as escondidas uns aos outros era que a garota era filha de uma promiscua que se
redimiu, outros diziam que era na verdade parente da Madre e uns até que ela não era humana! Contudo, o que
era fato, era que todos aqueles que ajudaram no nascimento daquela garota sumiram misteriosamente pouco
após... por conta dos boatos a seu respeito e da superproteção da Madre, a jovem Alba passou sua vida inteira
praticamente só, se já não bastasse isso, desde muito novinha foi obrigada pela Madre a se cobrir
completamente e caso desobedecesse essa ordem, sofria as mais diversas punições, desde ficar sem alimento,
trancada no quarto a até agressões físicas severas as quais devia receber calada, sem chorar ou pedir por socorro
senão as punições só iriam se intensificar... sua infância pode ser resumida a estudos intensivos conciliado com
treinamentos intermitentes de luta – já que a madre planejava a pôr como a próxima à frente das caçadas – e
dias isolada em seu próprio quarto.
A solidão já consumia sua alma, apenas aceitava o que lhe era proposto sem a mínima vontade de contrapor,
desde que se conhece por gente, sua função no mundo foi ser subordinada de quem devia a proteger, tratada
como um monstro que amaldiçoava todos pela simples visão de seu rosto, mesmo ainda uma criança, nunca em
sua vida havia sido agraciada com a compaixão dos que a cercavam, tudo para crescer como uma pessoa
extremamente amargurada, só que uma escolha ousada de um dia que ficou sozinha no mosteiro fez com que
essa possibilidade não fosse a realidade dela.
Durante uma grande festa religiosa que haveria na catedral principal da cidade e se estenderia por alguns dia, A
Madre Atalia e as outras freiras foram chamadas para fazer parte dos festejos, nessa ocasião foi “confiado” a
Alba ficar na igreja e tomar conta dela até que retornassem, o que sinceramente era até um alívio para a pequena
que poderia ter enfim um pouco de paz. Para não “ficar dispersa” Atalia lhe deu algumas tarefas dentre elas,
cuidar de um material pagão que deveria ser destruído, trabalho simples, não? Teria sido se um dos objetos não
tivesse sido estranhamente charmoso para Alba. A garota ao fim cuidou do resto e reservou o livro em seu
quarto, era uma leitora assídua, diga-se de passagem, uma das poucas coisas que de verdade a confortava, então
a oportunidade de ler algo novo, mesmo que proibido, era de fato tentadora. Ao cair da noite Alba se prostrou
em seu quarto afim de mergulhar de cabeça no seu novo livro, ao mesmo tempo que uma parte de si se
agonizava pensando nas punições que lhe aguardavam caso fosse descoberta, outra parte, uma parte mais
curiosa que insistia em não sumir de uma vez a dizia para seguir em frente... era um livro sobre demônios, por
muitas vezes a própria foi comparada a um e exatamente por isso queria saber mais, queria entender o que tinha
de errado com eles, pois se ela se assemelhava a um... talvez eles não fossem ruins...? Afinal, aqueles que
supostamente eram bons apenas a causaram dor a vida toda, não tinha como serem pior do que sua tia...
Tomada pelos seus primeiros instintos de revolta, a jovem passou os próximos dois dias lendo o tal livro,
maravilhando-se cada vez mais a cada página nova que eles até que chegou a uma curiosa... na página havia um
grande desenho de um símbolo, abaixo estranhas inscrições sobre como o antigo dono do livro fez sua primeira
invocação e uma menção a uma coisa chamada “pacto”. Aquilo atiçou ainda mais a vontade de Alba saber
mais, e caso funcionasse como descrito, teria a oportunidade de conhecer cara a cara um demônio de verdade!
Era assustador... mas uma ideia tão chamativa... ainda faltaria um dia para que a Madre retornasse e
sinceramente não parecia um procedimento não complicado... ao finalizar essa parte do livro, a garoto se pós a
refletir, é um ato que traria inúmeras consequências caso descoberto, mas também, aquela seria talvez uma
única chance de conseguir algo menos conversar com alguém de igual para igual..
É claro que a resposta para esse empasse foi óbvia, mais uma vez a garota quebrou as regras, foi ao seu quarto e
lá realizou o passo a passo, desenhou o símbolo, recitou a oração e mesmo com medo, cortou sua mão sobre o
símbolo... minutos se passaram após feito tal ritual e tudo estava... normal?? Alba pegou o livro e começou a
reler, procurando onde errou o ritual, mas parecia tudo certo, porque então deu errad—foi seu último
pensamento até olhar a sua frente e notar o homem a olhando com a feição mais irritada que viu. O homem era
alto, com pernas de bode, longos chifres e olhos vermelhos, um demônio de verdade bem na sua frente que
rapidamente encarava os olhos vermelhos dela, e o que começou como ira, logo se tornou certo interesse,
afinal... era uma criança HUMANA de olhos vermelhos e que esteva aparentemente numa igreja, não tinha
como negar o quão incomum era aquela situação.
Após algum momento de diálogo entre os dois a situação foi explicada ao possível, ele se apresentou como
“Natan” e os dois passaram um bom tempo apenas conversando, era a primeira pessoa com quem Alba
conseguia ter uma conversa de verdade e mesmo com todas as suas dificuldades, ainda era libertador poder
conversar com alguém que não iria fazer algo contra ela se dissesse algo que não deveria e que a ouvia.
Infelizmente não tardava a o “senhor demônio” ter que ir embora, porém não sem antes a deixar “um presente”
na verdade uma proposta, ele a ofereceu um pacto, para que, segundo ele, ela pudesse o chamar sempre que
precisasse ou quisesse uma companhia. E assim foi seguindo essa estranha primeira amizade da Alba, as vezes
ela o chamava só para conversar ou até mesmo quando algo mais sério acontecia como estar machucada após
suas punições...
Mesmo que nesse cenário totalmente disfuncional e perigoso, Alba continuou a crescer, virou uma pessoa gentil,
com um espírito muito curioso e disposta a ajudar quem precisasse dela, sob as ordens de sua tia, ela passou a
seguir paladinos e outros clérigos da igreja para missões na esperança dela se tornar mais forte, ainda persistindo
na ideia dela fazer uso de espadas, mesmo que ela não tivesse força direito nem de as levantar com maestria...
mesmo nessa condição, ela foi obrigada a seguir os outros sacerdotes nas missões e não era surpresa para
ninguém que o desempenho dela beirou o deplorável, por causa disso seus superiores a colocaram para fazer
trabalhos mais simples, como obter informações com locais.
Em um dia enquanto passeava por uma cidade um pouco “punk” para encontrar informações de uma pessoa da
igreja perdida, a jovem foi designada a trabalhar com duas figuras peculiares de Lhamasta, Aiko Hemathit, uma
bucaneira com algum tipo de hemacinese, e Arthur, um paladino estranho com habilidade de gelo. Alba não
percebeu, mas no começo desse trabalho ambos tinham planos de apenas usar ela para conseguir uma grana a
mais dos sacerdotes, entretanto, eles não contavam com o descaso que tratavam a garota e de acabarem se
afeiçoando ao jeitinho gentil da nova companheira. Desse dia em diante, Alba acabou “adotada” pelos dois, que
inclusive acharam para ela um modo mais eficaz de se defender que funcionasse para ela, os três agora eram o
trio, infelizmente Alba ainda não se juntava a eles com regularidade, a Madre desconfiava bastante das novas
amizades da Alba e sobretudo repudiava o fato dela fazer uso de armas de fogo, mas como isso realmente a fez
se destacar como nunca antes, ela cedeu e permitiu.
E o tempo continua a correr, agora nos seus 21 anos a garota se tornou um pouco mais destemida, passou a se
encontrar mais com seus amigos e se soltar um pouco mais, sua relação com Natan foi melhorando cada vez
mais com o passar dos anos, representando para ela o mais próximo de uma figura paterna que ela poderia ter,
inclusive com a melhora da relação, o pacto que fizeram quando ela era apenas uma garotinha se tornou mais
forte e ela a tornou mais forte, tudo parecia finalmente estar indo bem, até que a caça às bruxas se intensificou e
começaram a queres força-la a participar. Depois de todo esse tempo, convivendo cada vez mais com pessoas
diferentes e conhecendo novas culturas, fazer parte daquela chacina ia contra tudo o que ela acreditava, mas
mesmo que ela não fosse, diariamente ela era obrigada a ver pessoas inocentes serem presas e assassinadas
injustamente. E para tentar ir contra isso e sair de lá de uma vez que nós voltamos aos tempos atuais quando ela
sabe de uma grande emboscada que a igreja irá executar para prender quase uma vila inteira de supostas
“bruxas”. Era inacreditável o que iriam fazer e Alba não conseguia aceitar tudo aquilo calada como aceitou
diversas vezes, dessa vez queria poder ajudar e fazer o talvez maior ato quase suicida dela: Tirar todo mundo de
sozinha.
Para fazer com que seu plano fosse real ela chamou os dois grandes amigos dela, infelizmente dessa vez preferiu
omitir esse pequeno planinho do Natan, pois sabia que ele seria contra por ser muito ariscado e seus amiguinhos
entrariam em qualquer coisa que ela propôs-se, ainda mais sendo um ato de rebeldia desse tamanho. Ela bolou o
plano praticamente sozinha, mas sempre aberta a conselhos e novas ideias dos parceiros, deixaram tudo para ser
acertado no dia comemoração, pois estariam com a guarda baixa, já que seria insanidade tentar contra eles, né?
Por ela ser do clero seria ainda mais fácil entrar com dois padres a mais e no enquanto estivesse todo mundo
cantando, os três abririam as celas das pessoas, orientando para virem com eles e na hora certa, quando
principalmente os que provavelmente teriam mais dificuldade de correr já tivessem saído e se escondido, os três
iriam dar início a pequena encenação deles, Alba atrás dos “desordeiros” que soltaram os presos para tentar os
capturar novamente, encenação era necessária, afinal não tinha como ela simplesmente dizer que não viu as
pessoas fugindo, já que ela quem deveria cuidar deles. Um plano “simples”, entrar escondido, soltar as pessoas,
esconder ela e fingir que que invadiram o lugar. Plano que parecia estar indo muito bem até o momento, os dois
fugiram com as pessoas e levaram para um acampamento que montaram, muitas horas depois quando as coisas
esfriassem a Alba viria para cuidar dos feridos e ajudar a decidir com o chefe deles alguma cidade da região que
aceitasse os refugiados para os escoltar até lá, e realmente o fizeram, Alba saiu em missão sob o pretexto de ir
procurar os fugitivos, quando na verdade os levou para um lugar seguro.
Agora ela finalmente volta para Canonfield após mais de uma semana longe e se prepara para concluir a última
e mais perigosa parte do plano, voltar para o monastério como se não tivesse encontrado nada, mas de qualquer
forma, ela não tem mais planos de permanecer lá, esse último complô foi a sua carta de emancipação daquele
lugar. A ideia é ir, dizer que não achou nada e fugir durante a noite, ela não sabe ainda como e se esse plano vai
ter um bom final, muito menos eu, acho melhor essa história terminar de ser escrita quando essa garota for
apresentada. (Sim, vadia, estou dizendo que esse final seria para acontecer na sessão se tu quiser é claro)
Curiosidades
Aqui vamos para algumas coisas dela que não soube muito bem como encaixar na historinha acima e achei
importante que saiba:
Ela segue Celliel não por causa da Madre, mas por crer verdadeiramente na deusa e ela ter um pacto não
interfere em nada sua crença;
Ela aprendeu como curar pessoas curando a si mesmo quando pequena, já que não tinha quem cuidasse
dela direito, tudo que ela sabe ela aprendeu lendo livros, por esse mesmo motivo “Curar ferimentos” foi
a primeira magia que ela aprendeu;
Quando ela fez o pacto ela tinha por volta de oito anos, quando fez amizade com a Aiko e o Arthur ela
tinha 15 e agora tem 21;
Atualmente ela é mais solta sim, consegue falar com pessoas normalmente, mas ainda tem muito medo
de que a vejam;
Ficou subtendido no texto, mas a tia dela de fato mandou matar todos que presenciaram o nascimento
na Alba, pois ela não queria que sacrificassem sua sobrinha. Ela tem um modo muito estranho de
“importar” com a Alba, mas a Alba não sabe disso, para a tia, aquele era um ato de amor, porque não
queria perder a família para as enganações do capeta e queria “salvar” sua sobrinha disso, por isso ela da
pior maneira possível tentou fazer da Alba a melhor freira para assim redimir de seus “pecados”;
A tia dela é a única pessoa que sabe quem é o pai da Alba já que a mãe dela a contou, mas a Alba nem
sabe que sequer teve pai;
Muito provavelmente o Natan já presenciou ou viu a Alba quando pequena extremamente ferida, após
as surras que levava, a tia dela não tinha a menor piedade dela quando ela errava e descontava todas as
frustrações na garota quando chegava esses momentos;
Por ser albina, a Alba é MUITO sensível ao sol, especialmente seus olhos, por isso muitas vezes ela até
prefere estar coberta perto mesmo de quem ela se sente confortável.