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Orixá Iyami

Compilado de textos da internet com o intuito de estudo

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Guilherme Gião
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ORIXÁ IYAMI

As Iyami são zeladoras da existência e guardiãs do destino: por isso sua boa
vontade, essencial à continuidade da vida e da sociedade, deve ser cultivada.
Pertencem a um grupo de seres espirituais chamados Ajogùn, cujas funções
incluem carregar o ebó para alimentar-se dele ou, mais precisamente, do
sofrimento humano do qual está impregnado. Ao processarem as energias dos
ebós, possibilitam a cura, a superação de dificuldades e a atração de bens
necessários. Sua relação com os poderes mágicos lhes possibilita também
neutralizar os efeitos negativos de pensamentos, palavras e ações destrutivas que
uma pessoa dirija contra outra ou contra si mesma. A presença e a influência de
Iyami no jogo oracular é fundamental, pois se manifestam em todos os odus e,
sendo parceiras deles, têm como ajudá-los a comunicar-se entre si. Parceiras
também de Exu e dos demais orixás, indicam com eles os ebós necessários para
cada situação, sendo de competência comum a todos a tarefa de transportá-los.

A expressão Ìyámi, minha mãe, designa um orixá cujo poder é tão grande
que todos devem entendê-las e se referenciar a elas no plural, aludindo a uma
coletividade. Quando se quer saudá-las basta pronunciar um de seus nomes, pois
elas representam uma coletividade de seres relacionados a todos os elementos
fundamentais para a sobrevivência dos homens: por isso traí-las significa trair a
própria essência vital humana. Invocar as Mães implica associar-se a uma
coletividade de energias que vivem em estreita relação com elementos
indispensáveis à sobrevivência humana. Todos os ancestrais femininos, as Ìyagbà
ou Ìyámi, têm sua instituição em sociedades (egbés) como Egbé Eleye, Egbé
Ògbóni e Egbé Gèlèdé, consideradas secretas pelo fato de os seus conhecimentos
serem transmitidos apenas a iniciados. As Iyami Oxorongá representam o poder
ancestral feminino e os elementos místicos da mulher em seu duplo aspecto:
protetor e generoso, perigoso e destrutivo. Todos os orixás femininos são
detentores deste poder.

As Iyami podem assumir diferentes formas. Intervêm na existência humana


no plano individual (na saúde física, psíquica e espiritual, no casamento e na
sexualidade) e no plano social (no trabalho e nas amizades). Elas apoiam as
pessoas em sua tarefa de organizar pensamentos e conhecimentos para melhor
atingir objetivos, atraindo sorte e favorecendo conquistas materiais. Promovem
mudanças no plano emocional, facilitam que um homem nervoso se acalme e um
impaciente torne-se paciente. Intervindo nos destinos, protegem as pessoas de
danos causados por inimigos e por falhas próprias. Como harmonizam relações,
favorecem casamentos. Sendo portadoras de axé, favorecem a aquisição e a
manutenção da energia vital; protetoras e zeladoras de tal energia, orientam as
pessoas quanto a melhor maneira de realizar seu destino.
No Aiye as Iyami trabalham para colocar ordem no conhecimento e na
sabedoria dos seres, e transmitem isso ao Orum através de assentamentos já
consagrados a elas, de iniciações e da realização de constantes oferendas e ebós. A
partir do momento em que se estabelece uma ligação com Iyami, adquire-se
melhores condições para atingir objetivos e concretizar ideais. A natureza,
que inclui os seres humanos, possui uma ligação energética entre os mundos visível
e invisível e recebe o toque divino das Mães. Água, ar, terra e fogo constituem
elementos através dos quais se pode chegar a elas. Assim sendo, pode-se evocá-las
com água, obi e orobô em rios, mares, encruzilhadas, estradas, ao pé de um
peregun, na mata ou no quintal de casa, entre tantos locais possíveis, dado o fato
de pertencerem à natureza, particularmente à terra.

As mulheres pertencentes ao grupo de devotos das Iyami são chamadas Ìyá-


Agbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo, Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs);
os homens são chamados de Òsó (Bruxo, Feiticeiro). Ambos ficam atribuídos do
poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A
aquisição do poder das Iyami ocorre pelo nascimento, por herança e pela iniciação.
Esta última pode proporcionar a proteção delas para o iniciado e seus familiares e
amigos mais próximos e pode, num grau mais elevado, permitir a transmutação
física, embora exclusivamente no caso de mulheres. Diz o provérbio que o filho
de Iyami tem dois ouvidos, dois olhos e uma única boca, para ouvir e ver bem mais
do que falar. Falar sobre as Mães inspira a sensação de poder e sabedoria, muitas
vezes equivocada, porque um devoto que não saiba proteger e preservar a força e
os segredos confiados a ele será vencido facilmente. Falar sobre elas é uma tarefa
desafiadora porque exige cumplicidade entre quem fala e quem ouve e uma
responsabilidade rara das pessoas em relação ao uso que fazem das palavras. Por
isso, durante a iniciação, as pessoas se comunicam o mínimo necessário.
Os iniciados em Iyami possuem as marcas simbólicas das Mães em seu
corpo e podem senti-las até mesmo fisicamente. Essas marcas indicam sinais de
nobreza. Os devotos das Mães muitas vezes acabam se tornando líderes. Deles
exige-se postura séria e rigorosa e uma autoeducação para que não fiquem
mencionando o poder delas. Pessoas indiscretas ou que se considerem poderosas
não devem cultuá-las, pois sua postura afasta o poder das Mães. Tolerância e
paciência, qualidades do sábio, são os principais meios de se venerar Iyami e aos
demais orixás. O devoto das Mães deve ser verdadeiro, leal, fiel e respeitoso para
criar espaços onde elas possam viver e atuar. As Iyami têm o poder de tornar o
tempo favorável ou desfavorável, podendo provocar morte prematura ou prolongar
a vida: a capacidade de trabalhar com seus poderes para atuar sobre a duração da
existência, entretanto, é privilégio de poucos sacerdotes.
Os iniciados em Iyami pelo Oduduwa Templo dos Orixás reúnem-se
periodicamente para manter e fiscalizar o culto aos orixás, zelar pela casa e tratar
de assuntos relevantes para a comunidade que frequenta a instituição. Um dos
eventos coletivos mais importantes do templo é o Festival de Iyami, que ocorre
anualmente.Yamins regem o ventre, ou seja, quando uma mulher tem problemas
de saúde relacionado a menstruação, miomas, ovários, entre outros, pode ser
ministrado um Ebó pelo caminho das Yamins para recuperar a saúde, afastar o mau
ou desfazer carga demandada A mais reverenciada entre as qualidades destas
entidades é a IyamiIyami Oxorongá (“Mãe toda poderosa”), temos ainda: Yamim
Eleye (“mãe pássaro”), Yamim Pupa (“mãe do dendê”), Yamim Odo (“mãe das
águas”) , Yamim Aje (“mãe feiticeira”).
Quando se pronuncia o nome de Iyami Oxorongá quem estiver sentado deve se
levantar, quem estiver de pé fará uma reverência pois esse é um temível Orixá, a quem se
deve respeito completo. Pássaro africano, Oxorongá emite um som onomatopaico de onde
provém seu nome. É o símbolo do Orixá Iyami, ai o vemos em suas mãos. Aos seus pés,
a coruja dos augúrios e presságios. Iyami Oxorongá é a dona da barriga e não há quem
resista aos seus ebós fatais, sobretudo quando ela executa o OJIJI, o feitiço mais terrível.
Com Iyami todo cuidado é pouco, ela exige o máximo respeito. Estas senhoras são seres
muito antigos da mitologia africana. Segundo as lendas, foi graças a uma oferenda feita
pela mãe de Odé, a elas, que ele conseguiu matar com sua única flecha, o pavoroso
pássaro que assombrava determinado reino. Sua forma mais antiga e mais temida é
Oxorongá, antiga feiticeira, que da mesma forma que suas irmãs, Abotô, e Alá, possuem
cabeça, pés e asas de pássaro, e corpo de mulher. Moram no mais profundo recanto das
matas em cima de árvores. Jamais se socializam, não suportam que as chamemos em vão,
a não ser se desejamos guerrear contra alguém.
Iyami Oxorongá é o termo que designa as terríveis AJÉS, feiticeiras
africanas, uma vez que ninguém as conhece por seus nomes. As Iyami representam
o aspecto sombrio das coisas: a inveja, o ciúme, o poder pelo poder, a ambição, a
fome, o caos o descontrole. No entanto, elas são capazes de realizar grandes feitos
quando devidamente agradadas. Pode-se usar os ciúmes e a ambição das Iyami em
favor próprio, embora não seja recomendável lidar com elas. IyamiIyami é
frequentemente denominada ELEYÉ, dona do pássaro. O pássaro é o poder da
feiticeira; é recebendo-o que ela se torna AJÉ. É ao mesmo tempo o espírito e o
pássaro que vão fazer os trabalhos maléficos. Durante as expedições do pássaro, o
corpo da feiticeira permanece em casa, inerte na cama até o momento do retorno
da ave. Para combater uma AJÉ, bastaria, ao que se diz, esfregar pimenta vermelha
no corpo deitado e indefeso. Quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar
o corpo maculado por seu interdito. O poder de Iyami é atribuído às mulheres
velhas, mas pensa-se que, em certos casos, ele pode pertencer igualmente a moças
muito jovens, que o recebem como herança de sua mãe ou uma de suas avós. Uma
mulher de qualquer idade poderia também o adquirir, voluntariamente ou sem que
o saiba, depois de um trabalho feito por alguma Iyami empenhada em fazer
proselitismo. Existem também feiticeiros entre os homens, porém seriam
infinitamente menos virulentos e cruéis que as AJÉ (feiticeiras).

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