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Filósofos Pré-Socráticos
Os filósofos pré-socráticos (séculos VII a V aC) marcaram o início da filosofia ocidental, para
tentar explicar as características naturais da forma racional, sem recorrer aos mitos
tradicionais.
Tales de Mileto : Considerado o primeiro filósofo, Tales sugeriu que a água era a
substância primordial de tudo o que existe. Ele foi pioneiro na busca por um princípio
unificador da natureza, chamado arché .
Anaximandro : Propostas que o universo surgiu a partir do ápeiron (infinito ou
indeterminado), uma substância eterna e ilimitada que deu origem a todas as coisas.
Ele também foi o primeiro a criar um modelo do cosmos baseado em leis naturais.
Heráclito de Éfeso : Enfatizou a mudança constante e o dinamismo da realidade,
resumido em sua célebre frase "tudo flui". Para ele, o fogo representava o elemento
primordial, simbolizando transformação e conflito.
Parmênides de Eleia : Contrapôs a visão de Heráclito ao afirmar que o ser é uno,
imutável e eterno. Ele negou a possibilidade da mudança e da multiplicidade,
considerando que aquilo que é, sempre foi e sempre será.
Esses pensadores estabeleceram as bases para a investigação racional e científica,
influenciando toda a filosofia posterior.
2. Sócrates (470–399 a.C.)
Sócrates é um dos fundadores do pensamento ocidental e é conhecido por sua defesa do
autoconhecimento e da virtude. Seu método, chamado maiêutico , consiste em dialogar com
seus interlocutores, fazendo perguntas que os levam a refletir e alcançar conclusões próprias.
Dentre suas ideias centrais, destaque-se:
A crença de que a virtude está ligada ao conhecimento: para Sócrates, só age mal
quem não sabe o que é o bem.
A máxima "conhecer-te a ti mesmo", que incentiva a introspecção como caminho para
a sabedoria.
Sócrates não deixou escritos, e suas ideias chegaram até nós por meio de seus discípulos,
especialmente Platão. Condenado à morte por "corromper os jovens" e "desrespeitar os
deuses de Atenas", ele se tornou um símbolo de integridade e dedicação à verdade.
3. Platão (427–347 a.C.)
Discípulo de Sócrates, Platão é conhecido por sua Teoria das Ideias , que diferencia o mundo
sensível (perceptível pelos sentidos e sujeito à mudança) do mundo inteligível (das ideias,
eterno e imutável). Para ele, o conhecimento verdadeiro reside no mundo das ideias.
Em A República , uma de suas obras mais importantes, Platão aborda questões de justiça,
política e educação, defendendo a figura do "rei-filósofo" como ideal de governante. Outros
pontos marcantes de sua filosofia incluem:
A alegoria da caverna, que ilustra uma jornada de conhecimento do mundo sensível ao
inteligível.
A concepção de que a alma é imortal e que a verdadeira felicidade está na
contemplação do bem supremo.
Platão fundou a Academia de Atenas, a primeira instituição formal de ensino superior no
Ocidente, consolidando sua influência na filosofia e na ciência.
4. Aristóteles (384–322 aC)
Aluno de Platão, Aristóteles rejeitou a Teoria das Ideias e defendeu uma abordagem mais
empírica e prática. Ele sistematizou diversas áreas do conhecimento, como lógica, biologia,
ética e política.
Na ética , Aristóteles apresentou o conceito de meio justo , afirmando que a virtude
não é equilíbrio entre extremos, como coragem (meio termo entre temeridade e
covardia).
Na política , destacou que o ser humano é um "animal político" e que a cidade (polis)
existe para promover a felicidade coletiva.
Na lógica , criou o primeiro sistema formal de raciocínio, conhecido como silogismo.
Sua visão integrada influenciou profundamente o pensamento ocidental, sendo referência até
o início da era moderna.
5. Emanuel Kant (1724-1804)
Kant revolucionou a filosofia com a crítica , que analisa os limites e as condições do
conhecimento humano. Em Crítica da Razão Pura , ele distingue as especificidades (o que
percebemos) do númeno (a realidade em si, inacessível aos sentidos).
Na ética , Kant formulou o imperativo categórico , que orienta ações baseadas em
princípios universais. Sua formulação principal é: “Aja de tal forma que a máxima de
sua ação possa ser universalizada”.
Defendeu a autonomia da razão como base da moralidade, rejeitando imposições
externas, como dogmas religiosos.
Suas ideias influenciaram profundamente a filosofia moral e a política moderna, inspirando
movimentos como o iluminismo e o liberalismo.
6. David Hume (1711–1776)
Hume, representante do empirismo, argumentou que todo conhecimento deriva da
experiência sensorial. Ele questionou a ideia de causalidade, afirmando que a relação entre
causa e efeito não é uma conexão necessária, mas um hábito da mente.
Hume também criticou os fundamentos racionais da religião, demonstrando que as crenças
religiosas são resultado das emoções humanas. Sua obra influenciou tanto o pensamento
filosófico quanto o desenvolvimento do método científico.
7. Ludwig Feuerbach (1804–1872)
Feuerbach criticou a religião, afirmando que Deus é uma projeção das qualidades humanas
idealizadas. Em A Essência do Cristianismo , argumentou que a teologia é, na verdade, uma
antropologia disfarçada. Ele enfatizou que o foco deveria ser não humano e em suas
necessidades terrenas, influenciando pensadores como Karl Marx.
8. René Descartes (1596–1650)
Descartes dinâmica o racionalismo , que coloca a razão como base do conhecimento. Sua obra
Meditações Metafísicas apresenta sua famosa frase "Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ),
que demonstra a certeza da existência pelo pensamento.
Ele desenvolveu o método cartesiano, baseado em quatro regras: evidência, análise, síntese e
revisão. Sua influência se estende à matemática, à ciência e à filosofia moderna.
Conclusão
Os filósofos estudados neste trabalho representam diferentes perspectivas e períodos
históricos, mas focam no objetivo comum de compreender a condição humana e o mundo ao
seu redor. Suas ideias não apenas transformaram a filosofia, mas também impactaram áreas
como ciência, política e ética.
A relevância de suas reflexões persiste, ajudando-nos a enfrentar os desafios do mundo
contemporâneo, como a busca por justiça, conhecimento e liberdade. Ao revisitar suas obras,
reafirmamos a importância da filosofia como ferramenta para o progresso humano.
Referências
1. CHAUI, Mara. Convite à Filosofia . São Paulo: Ática, 1999.
2. RUSSELL, Bertrand. História da Filosofia Ocidental . São Paulo: Companhia das Letras,
2001.
3. DESCARTES, René. Meditações Metafísicas . São Paulo: Martins Fontes, 2005.
4. KANT, Emanuel. Crítica da Razão Pura . São Paulo: Nova Cultural, 1997.
5. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia .
São Paulo: Moderna, 1993.