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Filosofia e Psicanális Domingos

A filosofia é uma busca por sabedoria que explora questões fundamentais sobre a existência, conhecimento e moralidade, estimulando a reflexão crítica. Originada na Grécia Antiga, a filosofia se desenvolveu em várias correntes ao longo da história, incluindo a Filosofia Medieval, Moderna e Contemporânea, cada uma com seus principais pensadores. A psicanálise, criada por Sigmund Freud, é um método clínico que investiga o funcionamento da mente humana, focando no inconsciente e suas manifestações.

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Filosofia e Psicanális Domingos

A filosofia é uma busca por sabedoria que explora questões fundamentais sobre a existência, conhecimento e moralidade, estimulando a reflexão crítica. Originada na Grécia Antiga, a filosofia se desenvolveu em várias correntes ao longo da história, incluindo a Filosofia Medieval, Moderna e Contemporânea, cada uma com seus principais pensadores. A psicanálise, criada por Sigmund Freud, é um método clínico que investiga o funcionamento da mente humana, focando no inconsciente e suas manifestações.

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FILOSOFIA E PSICANÁLISE

INTRODUÇÃO A FILOSOFIA
A filosofia é uma área do conhecimento que busca entender questões
fundamentais sobre a existência, o conhecimento, a moralidade, a razão, a
mente e a linguagem, utilizando o pensamento crítico e o raciocínio lógico.
É uma busca por sabedoria e uma forma de refletir sobre o mundo e a
experiência humana.
O QUE ESTUDA:
A filosofia explora diversas áreas do conhecimento, como:
Ética: Questões sobre o certo e o errado, a moralidade e a justiça.
Epistemologia: O estudo do conhecimento, sua natureza, fundamentos e
limites.
Metafísica: A investigação sobre a natureza da realidade, existência, tempo
e espaço.
Lógica: O estudo do raciocínio válido e inválido, da argumentação e da
prova.
Estética: O estudo da beleza, arte e experiência estética.
Política: A análise da organização da sociedade, do poder e da justiça.
O QUE A FILOSOFIA FAZ:
A filosofia não oferece respostas prontas, mas estimula a reflexão crítica e o
questionamento sobre o mundo e sobre nós mesmos. Ela nos ajuda a:
Desenvolver uma visão mais clara e profunda do mundo.
Analisar criticamente as nossas próprias ideias e as ideais dos outros.
Formular perguntas importantes e buscar respostas para elas.
Tomar decisões mais conscientes e responsáveis.
Compreender melhor a nossa própria existência e o nosso lugar no mundo.

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É POSSIVEL DEFINIR UM CONCEITO DE FILOSOFIA?
Diferentes autores atentam definir o conceito de filosofia, mas não há um
consenso ou uma definição exata do que é, essencialmente, a Filosofia.
Algumas tentativas de definir o conceito:
“A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo.” (Maurice Merlau
Ponty)
“A filosofia busca tornar a existência transparente a ela mesma.” (Karl
Jaspers)
“A filosofia ensina a agir e não a falar.” (Sêneca)
“Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia.”
(Epicuro).
A filosofia foi essencial para o surgimento de uma atitude crítica sobre o
mundo e os homens.
Ou seja, a atitude filosófica faz parte da vida de todos os seres humanos que
questionam sobre sua existência e também sobre o mundo e o universo.
ORIGEM DA FILOSOFIA
A palavra “filosofia” tem origem grega, significando “amor a sabedoria”
(philo -amor, sophia – sabedoria).
Tales de Mileto, um filósofo pré-socrático da Grécia Antiga, é
frequentemente considerado o “pai da filosofia”. Ele foi um dos primeiros a
buscar explicações racionais e naturais para o mundo, em vez de recorrer a
explicações míticas e religiosas.
O termo “filosofia” teria sido utilizado pela primeira vez por Pitágoras, que
se autodenominava “filosofo” para se distinguir dos “sofistas”, que se
consideravam sábios. Pitágoras, ao usar o termo, queria expressar que não
se considerava um sábio, mas sim alguém que amava e buscava a sabedoria.
Os termos “filosofia”, “filósofo”, e “matemática” foram criados pelo filosofo
pré-socrático grego Pitágoras. Segundo ele:
“O filósofo não é dono da verdade, nem detém todo o conhecimento do
mundo. Ele é apenas uma pessoa que é amigo do saber.”

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A filosofia tem início na Antiguidade, quando surgem as cidades-estados na
Grécia Antiga. Antes disso, o pensamento, a existência humana e os
problemas do mundo eram explicados de maneira mítica.
Ou seja, as explicações estavam baseadas na religião, na mitologia, na
história dos deuses e, até mesmo, nos fenômenos da natureza.
Com isso, surgem diversos questionamentos, que até esse momento não
possuíam tal explicação racional. O pensamento mítico foi dando lugar ao
pensamento racional e crítico, e daí surgiu a filosofia.
PERÍODOS, CORRENTES FILOSÓFICAS E PRINCIPAIS FILÓSOFOS
A Filosofia Antiga surge no século VII [Link] Grécia Antiga. A filosofia grega
está dividida em três períodos:
Período Pré-socrático (séculos VII a V a.C.)
Período Socrático (séculos V a IV a.C.)
Período Helenístico (século IV a>c. a VI d.C.)
As principais escolas filosóficas desse período foram a Escola Jônica e a
Escola Eleata ou Escola Italiana.
Na Escola Jônica destacam-se os filósofos:
Tales de Mileto (624-546 a.C.) primeiro filósofo, dedicou-se também à
matemática, criando seu famoso teorema.
Heráclito (540-470 a.C.) filósofo do fogo, dizia que o mundo estava em
constante movimento de transformação.
Pitágoras (570-495 a.C.) filósofo e matemático, é reconhecido como o autor
do termo “filosofia” (amor ao conhecimento).
Anaximandro (610-546 a.C.) importante filósofo de Mileto, algumas de suas
observações sobre a natureza foram confirmadas pela física moderna mais
de mil e quinhentos anos depois.
Anaxímenes (588-524 a.C.) foi a primeira pessoa a afirmar que a Lua refletia
a luz do Sol, fundamentou sua filosofia no elemento do ar como sendo o
principio de todas as coisas.

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Já na Escola Italiana (escola Eleata), temos os filósofos:
Parmênides (530-460 a.C.) importante filósofo grego, é responsável pela
distinção entre aparência e realidade, afirmou o caráter ilusório dos
sentidos.
Zenão (490-430 a.C.) seguindo o pensamento de Parmênides, criou a ideia
de um paradoxo representado pela corrida entre Aquiles e a tartaruga, na
qual Aquiles jamais consegue alcança-la.
Empédocles (490-430) foi o criador da teoria dos quatro elementos (fogo,
água, terra e ar) que durou durante séculos.
Górgias (485-380 a.C.) o mais célebre dos sofistas, desenvolveu a retórica
(habilidade de argumentação) e afirmou que a verdade é apenas uma
questão de convencimento.
FILOSOFIA MEDIEVAL
A Filosofia Medieval desenvolveu-se na Europa entre os séculos I e XVI.
Durante o período, foram construídas as bases teóricas do pensamento
cristão. A união entre fé e razão é a marca desta filosofia.
Esteve dividida em quatro períodos:
Filosofia dos Padres Apostólicos (séculos I e II)
Filosofia dos Padres Apologistas (séculos III e IV)
Filosofia Patrística (século IV e VIII)
Filosofia Escolástica (século IX até XVI).
Na Filosofia dos Padres Apostólicos destaca-se o filósofo Paulo de Tarso. Na
Filosofia dos Padres Apologistas destacam-se os filósofos: Justino Mártir,
Orígenes de Alexandria e Tertuliano.
Na Filosofia Patrística, o maior representante desse período foi Santo
Agostinho de Hipona (354-430).
Por fim, na Filosofia Escolástica temos São Tomás de Aquino (1225-1274)
como o filósofo mais importante.

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FILOSOFIA MODERNA
A Filosofia Moderna desenvolveu-se entre os séculos XV e XVIII. René
Descartes (1596-1650) é considerado o fundador da filosofia moderna com
a criação do método cartesiano.
É o período do surgimento da ciência como é compreendida nos dias de
hoje. O estabelecimento da razão como capaz de dar respostas às questões
humanas.
As principais correntes filosóficas desse período foram: Humanismo,
Cientificismo, Racionalismo, Empirismo e Iluminismo.
Racionalismo – Destaca a razão e a lógica como fontes primárias de
conhecimento, em contraste com a experiência sensorial.
Empirismo – Defende que todo conhecimento deriva da experiência, seja
ela sensorial ou através de observação e experimentação.
Existencialismo – Foca na existência humana, na liberdade individual e na
busca por significado em um mundo percebido como sem propósito
inerente.
Idealismo – acredita que a realidade é fundamentalmente mental, que a
mente ou a consciência é a base de tudo o que existe.
Materialismo – Contrapõe-se ao idealismo, defendendo que a matéria é a
única realidade fundamental e que os fenômenos mentais são resultados
de processos materiais.
Pragmatismo – Avalia as ideias e teorias com base em sua utilidade prática
e em seus resultados, enfatizando a ação e a experiência como critérios de
verdade.
Positivismo – Limita o conhecimento ao que é cientificamente comprovável,
rejeitando especulações metafísicas e religiosas.
Iluminismo – foi um movimento intelectual e filosófico que surgiu na
Europa no século XVIII, também conhecido com “Século das Luzes”. Ele
defendia a razão e a ciência como formas de combater a ignorância e o
obscurantismo, buscando o progresso social e a autonomia individual.

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ALGUNS FILÓSOFOS MODERNOS:
Nicolau Maquiavel (1469-1527) autor do livro O Príncipe, criou a distinção
entre a moral do Estado e a moral do indivíduo comum. A expressão
“maquiavélico” como sinônimo de algo calculado e perverso, tem como
base o pensamento construído em seu livro.
Michel de Montaigne (1533-1592) filósofo francês, dedicou-se ao
questionamento do comportamento humano e a educação.
Francis Bacon (1561-1626) é considerado um dos pais da ciência moderna,
seu pensamento serviu de base para o desenvolvimento de um
conhecimento empírico.
Immanuel Kant (1724-1804) filósofo prussiano, é criador do idealismo
transcendental, buscou unir o pensamento racionalista e a filosofia
empirista. Seu pensamento é compreendido como um dos grandes marcos
da filosofia moderna.
Montesquieu (1689-1755) é o grande defensor da tripartição do poder
(executivo, legislativo e judiciário) como forma de garantir um sistema
político mais justo.
Rousseau (1712-1778) filósofo iluminista, afirmou que o ser humano é
naturalmente bom (bom selvagem) e a sociedade e suas instituições o
corrompe.
Voltaire (1694-1778) foi um dos precursores da ideia de liberdade de
expressão, criticou o poder absolutista e a influência da igreja católica sobre
a política e sobre as liberdades individuais.

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA
A Filosofia Contemporânea desenvolveu-se entre os séculos XVIII e XX.
Merece destaque a Escola de Frankfurt, criada em 1920 na Alemanha, tendo
como principais filósofos:
Theodor Adorno (1903-1969) dedicou-se ao estudo da estética, foi um
grande crítico do positivismo e da indústria cultural desenvolvida pelo
sistema capitalista.

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Max Horkheimer (1895-1973) crítico da tradição filosófica, desenvolveu
diversas contribuições acerca do materialismo dialético iniciado pelo
pensamento marxista.
Walter Benjamin (1892-1940) é o grande nome da Escola de Frankfurt no
que tange aos estudos sobre a comunicação, cultura de massa e indústria
cultural.
A Escola de Frankfurt foi responsável pela crítica ao pensamento moderno
e criar base para o pensamento desenvolvido no século XX.
Nesse período, muitas correntes filosóficas foram desenvolvidas:
Marxismo – análise socioeconômica baseada no pensamento do filósofo
alemão Karl Max. Tem como principal fundamento a divisão da sociedade
em duas classes antagônicas (luta de classes): a burguesia e a classe
trabalhadora.
Positivismo – corrente de pensamento que tem como base o pensamento
de Auguste Comte. Pressupõe o uso de valores fundamentados
estritamente no conhecimento científico.
Utilitarismo – doutrina filosófica baseada na ideia de utilidade das ações
humanas. Essas ações devem ter como base a ideia de máxima produção de
bem-estar e felicidade.
Pragmatismo – escola que afirma que os conceitos estão ancorados em sua
relação com a prática, como são usados e, a partir daí, compreendidos.
Existencialismo – corrente filosófica que possui diversas concepções e
conceitos. Tem como base a ideia de que o individuo atribui sentido à sua
própria existência, não havendo uma essência que pré-determine o ser
humano.
Além dos filósofos da Escola de Frankfurt, merecem destaque:
Michel Foucault (1926-1984) filósofo francês, estudou as formas de
controle a partir das instituições e a sua transição da disciplina à vigilância.
Friedrich Nietzsche (1844-1900) filósofo alemão, crítico da moral cristã, é
dele a frase que afirma que deus está morto.

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Karl Marx (1818-1883) pensador alemão fundou as bases do socialismo que
serviu de orientação teórica para a Revolução Russa de 1917. Seu
pensamento foi fundamental para o desenvolvimento também da Escola de
Frankfurt e as críticas ao sistema capitalista pós-moderno.
Jean Paul Sartre (1905-1980) filósofo existencialista francês conhecido por
sua crítica social e por dedicar-se ao estudo da existência humana. É dele a
frase que afirma que os seres humanos estão condenados a serem livres.
Auguste Comte (1798-1857) criador da filosofia positivista. Teve um papel
fundamental para o avanço das ciências humanas. Foi extraído de seu
pensamento o lema da bandeira nacional brasileira: “ordem e progresso”.
Arthur Schopenhauer (1788-1860) pensador alemão conhecido como o
“filósofo do pessimismo”, Schopenhauer afirmava que o sofrimento é uma
condição inerente à vida humana.
Zygmunt Bauman (1925-2017) um dos maiores pensadores da segunda
metade do século XX e início do século XXI. Afirmou que a solidez das
estruturas modernas tinham dado lugar a liquidez dos novos tempos em
que as relações humanas eram pautadas por uma inconsistência e
instabilidade.
O QUE É A PSICANÁLISE.
A psicanálise é muito mais do que uma teoria sobre o inconsciente: ela é
uma forma de escuta, um método clínico e um campo vasto de investigação
sobre o funcionamento da mente humana. Criada por Sigmund Freud no
final do século XIX, a psicanálise revolucionou o modo como
compreendemos nossos pensamentos, desejos e comportamentos.
A ORIGEM DA PSICANÁLISE
A história da psicanálise começa antes mesmo dela receber este nome e
para isso é importante como Sigmund Freud se tornou o “pai da
psicanálise”.
Na passagem do século XIX para o século XX, Freud observou que alguns de
seus pacientes apresentavam sintomas que não tinham explicações
fisiológicas – chamados à época de casos de histeria. Foi quando propôs
uma nova forma de olhar para a origem dos sofrimentos.

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A partir de então, Freud começou a desenvolver a ideia do que hoje
conhecemos como psicanálise: a noção de que os sintomas dos pacientes
histéricos são expressões de ideias que estão fora da consciência.
Inicialmente, ele utilizou o termo “psico-análise” em um artigo publicado
em 1896. Somente mais tarde a psicanálise se consolidou como uma ciência
humana e uma prática clínica.
A psicanálise marcou uma ruptura com a medicina tradicional, uma vez que
passou a utilizar a escuta subjetiva como instrumento terapêutico e de
tratamento.
A partir de então, esse campo se expandiu e várias escolas e vertentes
teórica foram sendo desenvolvidas.
O QUE É PSICANÁLISE AFINAL?
A psicanálise é um método analítico – terapêutico, criado por Sigmund
Freud no final do século XIX, voltado à compreensão da mente humana e
de suas manifestações conscientes e inconscientes.
A psicanálise trabalha a partir de alguns conceitos específicos que tem como
fim comum compreender o funcionamento da mente humana. O conceito
principal para entender o que é psicanálise é o inconsciente.
Primeiramente, inconsciente é o elemento principal no qual o analista vai
trabalhar. Quem cunhou este conceito foi Freud em seu livro A
Interpretação de Sonhos (1900).
De forma geral, o inconsciente é o lugar onde residem desejos reprimidos,
experiências traumáticas e lembranças inaceitáveis para o ego.
Resumidamente, por meio do conceito de inconsciente, Freud diz que nós
não nos conhecemos totalmente.
Como o inconsciente influencia tanto nossos pensamentos quanto nossas
atitudes – e não pode ser compreendido dentro da lógica consciente – ele
precisa de outros meios para ser alcançado. A psicanálise, então, oferece o
método de escuta como um caminho para acessá-lo.
A partir do momento que o psicanalista oferece a escuta, dá-se início ao
processo ativo da investigação clínica, o que Freud chamou de Associação
Livre.

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Ao longo do tempo, a psicanálise foi ressignificada por diversas escolas e
autores, mas preserva como essência o compromisso com a escuta dos
processos psíquicos e o cuidado com os conflitos que emergem do
inconsciente.
PRINCIPAIS CONCEITOS DA PSICANÁLISE
INCONSCIENTE
É no inconsciente que se encontra os desejos e características das quais não
temos conhecimento e que mesmo assim influenciam a nossa vida,
comportamento e relações sociais.
Freud foi quem formulou essa noção revolucionária: a de que não somos
senhores em nossa própria casa. Ou seja, há algo em nós que nos dirige,
mesmo sem sabermos. Este conteúdo inconsciente se manifesta de
maneiras indiretas e de forma disfarçada, como em sonhos, atos falhos e
lapsos de linguagem.
TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA
Os conceitos de transferência e contratransferência foram também
desenvolvidos por Freud. A transferência refere-se ao vínculo estabelecido
entre paciente e analista.
Nesta relação, o paciente pode deslocar sentimentos inconsciente, desejos
e experiências passadas em relação a figuras significativas de sua vida
(geralmente os pais) para a figura do terapeuta. Freud percebeu que esses
sentimentos podem ser tanto positivos quanto negativos e que podem
revelar aspectos profundos do inconsciente do paciente.
Já na contratransferência é definida por Freud como o modo através do
qual o analista reage às transferências de seus pacientes, que deve ser
manejado com cautela pelo profissional.
ASSOCIAÇÃO LIVRE
A associação livre é o processo no qual o paciente é incentivado a falar
livremente, abrindo espaço para o analista acessar o inconsciente e
interpretar o que é dito de forma distante. Por isso, a psicanálise é
comumente conhecida como “terapia da fala”.

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ID, EGO E SUPEREGO
Id, Ego e Superego são três conceitos da segunda tópica freudiana, que
propõe explicar o funcionamento da psique a partir da divisão do aparelho
psíquico nesses três conceitos.
Segundo Freud, o Ego (eu) é a instância psíquica que estrutura a nossa
personalidade. Ele representa o mundo externo, ou seja, é formado a partir
da relação entre o sujeito e a realidade. Sendo assim, o ego é o elemento
conciliador das exigências do ID (isso).
Uma vez que o Ego é responsável por essa mediação, a nossa mente busca
estratégias para se proteger de situações de sofrimento, e Freud deu nome
a este processo de mecanismo de defesa do ego. Para ele, esses
mecanismos atuam como uma defesa para evitar dores e ansiedades diante
de conflitos internos ou externos.
OS PRINCIPAIS MECANISMOS DE DEFESA DO EGO
Recalque (Repressão), Regressão, Deslocamento, Negação, Racionalização,
Sublimação e Projeção.
Já o ID(isso), para Freud, é o que representa o mundo interno, a instância
psíquica inconsciente, a fonte dos impulsos, desejos e satisfação dos nossos
instintos voltados para o prazer. O ID é desconhecido, é indomável.
Por último, temos o Superego, que é a instância psíquica formada a partir
do ego que une os valores morais e culturais. Ele é o representante das
normas e regras internas que correspondem às expectativas do Eu ideal.
O Superego pode ser considerado como o herdeiro do Complexo de Édipo,
uma vez que se torna um representante das influências sociais e culturais,
como educação, religião, imoralidade, que o sujeito recebeu de seus pais e,
por isso, exerce a posição de vigiar, julgar e punir o Ego (eu).
COMPLEXO DE ÉDIPO
Para entender o Complexo de Édipo, é interessante saber antes: quem foi
Édipo?
Édipo é o personagem de uma tragédia grega escrita por Sófocles. Ele era o
príncipe de Tebas, filho do rei Laio e da rainha Jocasta.

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Édipo foi abandonado ao nascer após seu pai ouvir uma profecia que dizia
que o próprio filho o mataria e se casaria com a mãe. Sem saber de sua
origem, Édipo cumpre o destino: mata Laio e casa-se com Jocasta. Ao
descobrir a verdade, Jocasta se suicida e Édipo fura os próprios olhos.
Freud se inspirou na tragédia grega para exemplificar o que acreditava estar
reprimido no inconsciente infantil. Segundo o médico, a criança, na
primeira infância, desenvolve um desejo (amoroso e/ou hostil) inconsciente
para com os pais.
ATO FALHO
O ato falho, conceito também cunhado por Freud, é uma manifestação do
inconsciente através de deslizes verbais ou comportamentais, que
parecem insignificantes, mas que revelam desejos reprimidos ou conflitos
internos.
Esses podem surgir em momentos de estresse ou tensão, expondo
sentimentos ou pensamentos que estão inconscientes, mas que ainda assim
influenciam as ações.
NARCISISMO
Conceito muito importante também elaborado por Freud, narcisismo é o
termo que se refere a transição do autoerotismo para a escolha de um
objeto de amor, etapa crucial no desenvolvimento do eu. E ele pode ser
dividido em primário e secundário.
NARCISISMO PRIMÁRIO
Este é o estado em que a criança investe toda a libido em si mesma, ou seja
quando a libido está direcionada ao próprio eu. Nesse momento, o sujeito
ainda não distingue o eu dos objetos externos e não há direcionamento da
libido para o outro. É uma fase em que o bebê vive uma relação de
completude consigo mesmo, sendo ele o centro de seu mundo psíquico.
Esse tipo de narcisismo é considerado normal e necessário nas primeiras
etapas da vida.

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NARCISIMO SECUNDÁRIO
Nesse estágio, a libido que foi anteriormente direcionada a objetos externos
é retirada e reinvestida no próprio eu. Esse movimento costuma ocorrer
quando o sujeito experimenta frustrações ou falhas nas relações com o
outro, passando a buscar no eu a fonte de satisfação e proteção psíquica.
PRINCIPAIS AUTORES DA PSICANÁLISE
Embora Freud tenha fundado a psicanálise, ela vai muito além de sua obra.
No começo do século XX, o médico austríaco começou a formar grupos com
alguns seletos seguidores que contribuíram muito para o desenvolvimento
e difusão da psicanálise.
Às quartas-feiras à noite, Freud convidava um grupo de homens, que era
composto por médicos, educadores, intelectuais da época, para dialogar
sobre qualquer produção cultural ou científica que fosse relacionada aos
estudos psicanalíticos.
A partir disso, fundou-se a Sociedade Psicanalítica de Viena, em 1906,
composta inicialmente por Carl Jung, Karl Abraham, Ernest Jones. Ademais,
em 1912, Freud criou o “Comite Secreto” ou “Círculo Íntimo” com alguns
dos seus integrantes mais próximos, como Ferenczi, Otto Rank e outros
ilustres da época.
Apesar de divergências nas abordagens, conceitos e perspectivas teóricas,
Freud e seus seguidores contribuíram de forma decisiva para a construção
da psicanálise como a conhecemos hoje. Entre os nomes que marcaram a
trajetória da psicanálise estão Jacques Lacan, Melaine Klein, Donald
Winnicott, Sándor Ferenczi, Wilfred Bion, entre muitos outros.

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BIBLIOGRAFIA:
TODA MATERIA – A ORIGEM DA FILOSOFIA
Pedro Meneses – Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade
do Porto (FPCEUP).
CASA DO SABER
BARROS, Glória. O setting analítico na clínica cotidiana. Estudos de
Psicanálise, Belo Horizonte, n. 40, p. 71 – 78, 2013
PENA, Breno Ferreira; Guerra, Andréa Máris Campos. Supereu e neurose:
dos pecados do pai à demanda do Outro. aSEPHallus, {S.I}, n.6, p. 1-9, 2019

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