TRANSFORMADORES
1. 1.Introdução
A produção de energia geralmente é afastada dos centros
consumidores
Deve-se reduzir o custo do transporte desta energia
AUMENTAR A TENSÃO
Devido à aspectos construtivos a tensão terminal dos geradores
das usinas não ultrapassam os 25 kV
Surge então o transformador, que é capaz de elevar a tensão
elétrica além da faixa de 1 MV
O transformador também permite a redução destas tensões para
utilização de equipamentos elétricos
A aplicação dos transformadores abrange todo o campo da
eletrotécnica, desde alguns VA (controle e equipamentos
eletrônicos) até GVA (SEP)
1. 1. 1. Definição Segundo ABNT
“Chama-se transformadores, os dispositivos, sem partes
necessariamente em movimento, os quais, por meio de
indução eletromagnética, transferem energia de um ou mais
circuitos (primário) para outro ou outros circuitos
(secundário, terciário), mantida a mesma frequência, mas
geralmente com tensões e intensidades de corrente
diferentes.”
1. 2. Classificação do Transformadores
Quanto a função
Elevadores, Abaixadores, Isoladores, Medidores
Quanto ao número de fases
Monofásicos, Bifásicos e Trifásicos
Quanto a aplicação
Transmissão, Distribuição, Instrumentos (TP, TC), Áudio, RF (Rádio
Frequência)
1. 2. Classificação do Transformadores
Quanto ao tipo de núcleo
Núcleo de ar e Núcleo Ferromagnético
Quanto a forma do núcleo
Núcleo envolvido ou Núcleo envolvente
Quanto a refrigeração
Secos – Parte ativa envolta pelo ar
Óleo – Parte ativa imersa em líquido isolante
1.3. Características Construtivas
1.3.1. Parte Ativa
Núcleo
É constituído de um material ferromagnético, que contém silício,
proporcionando excelente características de magnetização e
perdas
Esse material é condutor, e estando sob ação de um fluxo
magnético podem surgir correntes parasitas
Para minimizar este problema o núcleo é construído pelo
empilhamento de chapas finas isoladas entre si
Essas chapas recebem um tratamento especial na sua fabricação
1.3. 1. Parte Ativa
Núcleo
1.3.1. Parte Ativa
Enrolamentos
São constituídos de fios de cobre, isolados com esmalte ou
papel, de seção retangular ou circular
1.3.1. Parte Ativa
Dispositivos de prensagem, calços e isolamento
Os dispositivos de prensagem são necessários para que o núcleo
se torne um conjunto rígido
Os calços estão em várias locais da parte ativa e servem para
ajudar na circulação do óleo, para impedir que os enrolamentos
se movam, e como apoio da parte ativa
O isolamento se faz necessário nos pontos da parte ativa onde a
ddp seja expressiva (condutores, entre primário e secundário,
entre fases)
1.3. 2.Comutador de Derivações
Sua função é adequar a tensão do transformador à tensão de
alimentação
Tipo painel – maior durabilidade e menor custo
Tipo rotativo – facilidade de operação
Acionamento externo – não é necessário mexer no trafo
1.3.3. Buchas
Permitem a passagem dos condutores dos enrolamentos ao meio
externo
Constituição:
◦ Corpo isolante – porcelana vitrificada
◦ Condutor passante – cobre ou latão
◦ Terminal – latão ou bronze
◦ Vedações – borracha e papelão hidráulico
1.3.3. Buchas
1.3.4. Tanque
Invólucro da parte ativa e recipiente do líquido isolante
Partes constituintes:
◦ Gancho ou olhais para suspenção
◦ Sistema de fechamento da tampa
◦ Janela de inspeção
◦ Dispositivo de drenagem e amostragem do líquido isolante
◦ Conector de aterramento
◦ Radiadores
◦ Furo de passagem das buchas
◦ Visor do nível do líquido isolante
◦ Placa de identificação
1.3.4. Tanque
1.3.5. Placa de Identificação
Fabricante
Número de série de fabricação
Potência kVA
Norma utilizada para fabricação
Impedância percentual Z%
Tipo de líquido isolante
Tensão primário e secundário
Diagrama de ligação
Diagrama fasorial e polaridade
Volume do líquido isolante em litros
Massa total em quilos
Número da placa de identificação
Tipo de identificação
1.3.5. Placa de Identificação
1.4. Transformador Ideal
Considere um trafo com dois enrolamentos, o enrolamento
primário com N1 espiras e o secundário com N2 espiras
Considere que o trafo ideal possui as seguintes características:
◦ A resistência dos enrolamentos são desprezíveis
◦ Todo o fluxo está confinado ao núcleo e se concatena com ambos os
enrolamentos
◦ As perdas do núcleo são desprezíveis
◦ A permeabilidade magnética é muito alta e apenas uma corrente de
excitação desprezível é necessária para estabelecer o fluxo
1.4. 1. Relações entre Parâmetros do
Transformador Ideal
Relação de Tensão • Relação de Potência
V1/N1=V2/N2 V1.I1= V2.I2
Relação de Corrente
N1. I1= N2.I2
Relação de Transformação
N1/N2=α
Logo temos,
V1=α. V2
I1= I2/α
Exemplo 1.1
Um transformador de 4,6 kVA, 2300/115 V, 60 Hz foi projetado para
ter uma fem induzida de 2,5 Volts/espira. Imaginando um trafo ideal,
calcule:
A) O número de espiras do enrolamento de alta
B) O número de espiras do enrolamento de baixa
C) A corrente nominal para o enrolamento de alta
D) A corrente nominal para o enrolamento de baixa
E) A relação de transformação funcionando como elevador
F) A relação de transformação funcionando como abaixador
1.4. Transformador Ideal
1.4. 1. Impedância Refletida
Exercício 1.2
O lado de alta tensão de um trafo abaixador tem 800 espiras e o lado
de baixa tensão tem 100 espiras. Uma tensão de 240 V é aplicada ao
lado de alta e um impedância de 3Ω é ligada ao lado de baixa tensão,
calcule:
A) Corrente e tensão secundárias
B) Corrente primária
C) Impedância de entrada do primário a partir da relação entre tensão e
corrente primárias
D) Impedância de entrada do primário por meio da equação de impedância
refletida
Exemplo 1.3
Um alto-falante com impendância de 9Ω é conectado à uma fonte de
10 V com uma resistência interna de 1Ω , como mostra a figura a.
A) Determine a potência absorvida pelo alto-falante
B) Para maximizar a transferência de potência para o alto-falante, um trafo
com relação de transformação 1:3 é usado entre a fonte e o alto-falante
como mostra a figura b. Determine a potência consumida pelo alto falante.
Exercício 1.4
Um servo-amplificador CA tem uma impedância de saída de 250Ω e
o servo-motor CA, que ele deve acionar, tem uma impedância de
2,5Ω. Calcule:
A) Relação de transformação do transformador que faça o acoplamento da
impedância do servo-amplificador à do servo-motor
B) Número de espiras do primário se o secundário tem 10 espiras
1.5. Polaridade
Os enrolamentos de um trafo têm indicação de suas polaridades
Os terminais 1 e 3 são iguais, pois as correntes que entram nestes
terminais produzem fluxo no mesmo sentido
1.5. Polaridade
Geralmente usa se ponto ou o sinal +- para representar o pólo
positivo
1.5. 1. Determinação da Polaridade
Pode-se determinar a polaridade de transformadores a partir do
seguinte método:
Se V13=V12+V34 os terminais 1 e 4 são idênticos
Se V13 = V12 – V34 os terminais 1 e 3 são idênticos
1.5. 2. Operação em Paralelo
A polaridade dos transformadores é necessário para a conexão em
paralelo destas máquinas para alimentar uma carga comum
Correto Errado
1.7. Resistência de Isolamento
Objetivo da medição de resistência do Isolamento é
prevenir falhas que originam fuga de corrente. Tais
falhas ocasionam:
Perdas de Potência
Arcos Voltaicos
Deterioração do isolante
Curto-circuito
1.7. Resistência de Isolamento
DDP’s encontradas em um transformador:
ΔV1 – DDP entre os
enrolamentos de AT e BT
ΔV2 – DDP entre os
enrolamentos de AT e a
carcaça
ΔV3 – DDP entre os
enrolamentos de BT e a
carcaça
ΔV4 – DDP entre duas
bobinas do mesmo
enrolamento.
1.7. Resistência de Isolamento
Megôhmetro
Tensão de Ajuste:
500 a 2500 V
1.7. Resistência de Isolamento
Recomendações da ABNT para o ajuste de tensão do
Megôhmetro:
Fonte de tensão Classe de tensão dos
“Vin” [V] Transformadores
1000 Até 69 kV
2000 Acima de 69 kV
1.7. Resistência de Isolamento
Megôhmetro: Medidor de Resistência de Isolamento
Vin – Fonte de Alta
tensão
Rin – Resistência Interna
Rx – Resistência a ser
medida
A – Amperímetro
+, -R, Guard – terminais
do megôhmetro e do
amperímetro
1.7. Resistência de Isolamento
Terminal Guard: Permite uma medição mais precisa,
desviando a corrente do amperímetro interno, isolando
da associação resistências indesejáveis.
RAT-BT – Resistência de Isolamento
entre os enrolamentos de AT e BT
RAT-C – Resistência de
Isolamento entre o lado de AT e
a carcaça
RBT-C – Resistência de
Isolamento entre o lado de BT e
a carcaça
1.8 O Transformador Real
Na prática os transformadores têm:
◦ Uma resistência em seus enrolamentos;
◦ Os enrolamentos possuem fluxos dispersos;
◦ A permeabilidade do material do núcleo não é infinita;
◦ E há perdas no núcleo.
1.8. O Transformador Real
1.8. O Transformador Real
1.8. O Transformador Real
Na prática o núcleo tem uma permeabilização finita, e é necessário
uma corrente de magnetização Im para estabilizar o fluxo
As perdas no núcleo podem ser representadas por uma resistência
Rc
1.8. 1. Circuitos Equivalentes Referidos
O circuito equivalente de um trafo pode ter todos seus
parâmetros referidos ao primário ou secundário
Circuito equivalente referido ao primário (satisfaz as
condições a vazio e carregado, modelo mais completo)
1.8. 1. Circuitos Equivalentes Referidos
Modelo Aproximado
Geralmente a queda de tensão I1R1 e I1Xl1 são muito pequenas e
E1=V1. Logo:
Circuito equivalente referido ao primário (satisfaz as
condições a vazio e carregado, modelo aproximado, facilita
o trabalho de cáculo)
1.8. 1. Circuitos Equivalentes Referidos
Modelo Aproximado
Em um trafo, a corrente de excitação IΦ é menos do 5% da
corrente nominal do trafo, logo ela pode ser desprezada.
Sendo assim,
Circuito equivalente referido ao primário (satisfaz as
condição de carregado, útil para solução de problemas de
regulação de tensão e cálculo de curto-circuito)
Exemplo 1.3
Um transformador abaixador de 500 kVA, 60 Hz, 2300/230 V, tem os
seguintes parâmetros: R1=0,1Ω; Xl1=0,3 Ω; R2=0,001Ω e
Xl2=0,003 Ω. Quando o transformador é usado como abaixador e
está com carga nominal, calcule:
A) Correntes primárias e secundária;
B) Impedâncias internas primária e secundária;
C) Quedas internas de tensão primária e secundária;
D) A fem induzida no primário e secundário, imaginando que as tensões
nos terminais e induzidas estão em fase;
E) Relação entre as fem induzidas primária e secundária, e entre as
respectivas tensões terminais.
Exercício 1.3
A partir das tensões terminais e correntes primárias e secundárias do
exercício anterior, calcule:
A) A impedância de carga
B) A impedância primária de entrada
C) Compare ZL com Ze2 e Zp com Z1
D) A resistência interna equivalente referida ao primário
E) A reatância interna equivalente referida ao primário
F) A impedância interna equivalente referida ao primário
G) A impedância secundária equivalente a uma carga de 0,1Ω referida ao
primário
H) A corrente primária de carga se a fonte é de 2300 V