Este diálogo é, assim, uma peça exemplar Diálogo elegante e complexo, Protágoras
do Platão filósofo, sempre em luta com é um dos textos centrais da produção in-
os sofistas, mas nunca deixando de lado telectual de Platão. Em estreita conexão
PROTÁGORAS
No Protágoras, Platão introduz a discussão sobre um
PROTÁGORAS DE PLATÃO
o compromisso com a verdade e a busca dos temas centrais da reflexão moral antiga, a unidade com os primeiros diálogos socráticos, nos
de esclarecimento. A presente tradução, das virtudes, que repercutirá tanto no desenvolvimento quais temas morais são discutidos em um
feita por Daniel Lopes, erudito professor
de grego com forte formação filosófica,
de sua própria filosofia, em diálogos como a República,
como no pensamento de Aristóteles e nos debates inter-
DE PLATÃO diapasão refutativo, este põe em cena o em-
bate entre o sofista Protágoras e o filósofo
•
é precisa e clara, tendo o raro mérito de nos ao estoicismo. A questão surge de uma controvérsia Sócrates, inicialmente sobre a possibilidade
repor em português a elegância e a riqueza entre as personagens Sócrates e Protágoras acerca da
obras iii de se ensinar a virtude, mas que termina
com que Platão manuseava o grego antigo. possibilidade de se ensinar a virtude aos jovens, uma girando em torno do problema da uni-
O estudo introdutório fornece ao leitor as vez que os sofistas arrogavam a si o poder de educá-los dade das virtudes morais e do papel que
chaves interpretativas de que necessita para e prepará-los para a vida pública na democracia de Ate- DANIEL R.N. LOPES a sabedoria tem na ação humana. Entre
ambientar-se no mundo culto e sofisticado nas. Desse embate entre duas concepções antagônicas tradução, estudo introdutório, um tema e outro, Platão nos brinda com o
do filósofo ateniense; o comentário elucida de virtude, entre dois modelos conflitantes de educação, comentários e notas mito de Prometeu e Epimeteu, bem como
as peculiaridades linguísticas e filosóficas consolida-se no interior do pensamento platônico a nos introduz nos arcanos da crítica literá-
do texto. Ao fechar este livro, o leitor terá oposição entre filosofia, na figura de Sócrates, e sofística, ria na Antiguidade. Ao narrar tal mito, ele
tido a experiência inebriante de percorrer na de Protágoras, como duas vertentes intelectuais em nos fornece, na voz de Protágoras, uma das
os meandros da reflexão platônica em um disputa pela primazia da sabedoria nos séculos V e IV raras defesas que temos dos procedimentos
de seus momentos mais cativantes. a.C. Nesta edição da coleção Textos, a Perspectiva traz democráticos de Atenas: embora cada um
ao público uma nova tradução em português realizada tenha diferentes habilidades em diferentes
Marco Zingano diretamente do grego, com notas e comentários, por um
graus, partilhamos o mesmo sentimento de
Professor do Departamento de Filosofia dos especialistas do pensamento platônico no Brasil,
da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências justiça e pudor, distribuído de igual modo
Daniel R.N. Lopes, autor também do meticuloso estudo
DANIEL R.N. LOPES
Humanas da Universidade de São Paulo. a todos nós por Zeus, o que asseguraria a
que acompanha a obra, que visa compreender os proble-
razoabilidade de tomar decisões políticas
mas filosóficos abordados por Platão à luz dos elementos textos 19 em assembleias em que todos, quaisquer
dramáticos e literários constituintes do gênero dialógico.
daniel rossi nunes lopes é doutor em que sejam suas habilidades técnicas ou
Grego Clássico pela Universidade Estadual profissões, se manifestam com igual peso.
de Campinas (Unicamp) e professor de Sabemos que Platão professa, no Político,
Língua e Literatura Gregas da Faculdade a posição precisamente contrária a essa
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas tese, que ele, contudo, relata aqui de modo
(FFLCH) da Universidade de São Paulo contundente e claro: sempre honesto, não
(USP). Além deste Protágoras, é autor dos mascara ou deforma os discursos concor-
livros Xenófanes de Cólofon: Fragmentos rentes, mas os apresenta do modo como a
(Olavobrás, 2003) e Górgias de Platão (Pers- ele parecem ser suas versões mais fortes.
pectiva, 2011), e colaborou com a edição de Igualmente, no interior de um debate exi-
A República de Platão (notas e comentários, gente sobre a unidade das virtudes, Platão
Perspectiva, 2006). Tem se dedicado prio- insere uma pausa sob a forma de um exer-
ritariamente à tradução dos diálogos pla- cício de crítica literária acerca de versos do
tônicos e aos estudos sobre filosofia antiga, poeta Simônides em que paródia e ironia
historiografia e oratória gregas. convivem com a seriedade intelectual.
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PROTÁGORAS
DE PLATÃO
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Coleção Textos
Dirigida por:
João Alexandre Barbosa (1937-2006)
Roberto Romano
Trajano Vieira
João Roberto Faria
J. Guinsburg
Equipe de realização – Edição de texto: Giacomo Leone Neto; Revisão: Marcio Hono-
rio de Godoy; Ilustrações: Sergio Kon; Projeto de capa: Adriana Garcia; Produção:
Ricardo W. Neves, Sergio Kon, Lia N. Marques, Luiz Henrique Soares e Elen Durando.
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PROTÁGORAS
DE PLATÃO
OBRAS III
Daniel Rossi Nunes Lopes
j. guinsburg
tradução, estudo
Organização, introdutório,
Tradução e Notas
notas e comentários
roberto romano
Introdução
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Esta publicação contou com o apoio da Fapesp – processo n. 2016/05551-3, por meio
do programa “Auxílio à Pesquisa – Publicações Científicas”.
As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de
responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a visão da Fapesp.
CIP-Brasil. Catalogação na Publicação
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
P96
Protágoras de Platão : obras III / organização e tradução Daniel
R. N. Lopes. - 1. ed. - São Paulo : Perspectiva : Fapesp, 2017.
680 p. ; 22 cm. (Textos ; 19)
Tradução de: Protágoras
anexos
ISBN 978852731112-0
1. Filosofia. I. Lopes, Daniel R. N. II. Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo. III. Série.
17-44502 CDD: 100
CDU: 1
01/09/2017 06/09/2017
1a edição
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Direitos reservados em língua portuguesa à
EDITORA PERSPECTIVA -5%A.
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Agradeço à Fapesp a concessão do auxílio a esta publicação
e a bolsa de pós-doutorado (BPE 2011/02005-4),
para a realização de parte deste trabalho,
junto à Universidade de Cambridge (Inglaterra).
Em memória do Filósofo, o cão
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SUMÁRIO
Cronologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Agradecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17
Estudo Introdutório:
FILOSOFIA E SOFÍSTICA NO PROTÁGORAS, DE PLATÃO
1. O Problema da Distinção Entre “Filósofo” e “Sofista” . . . 25
A Semântica do Termo Sophistēs; A Noção Genérica de
“Sofista” em Platão
2. A Construção da Figura do “Sofista” no Protágoras . . . .45
Prólogo (309a-310a); O Caso Hipócrates (310a-314e); A Descrição
do Ambiente Sofístico (314e-316a); O Estabelecimento
do Diálogo Entre Sócrates e Protágoras (316a -320c);
A Epideixis de Protágoras (320c-328d); Considerações Finais
3. A Unidade das Virtudes: As Duas Primeiras
Provas/Refutações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
A Proposição do Problema: A Unidade das Virtudes
(328d-330b); A Primeira Refutação/Prova: Justiça e Piedade
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(330b-332a); A Segunda Refutação/Prova: Sabedoria e Sensatez/
Temperança (332a-333b) Considerações Finais
4. A “Crise” do Diálogo e a Inversão dos Papéis . . . . . . . 153
A Terceira Prova/Refutação Incompleta (333b-334c);
O Impasse Sobre a Modalidade de Diálogo (334c-338e);
A Incursão de Protágoras na Brakhulogia (338e-340e);
A Sátira da Figura de Pródico (340e-342a)
5. A Incursão de Sócrates na Makrologia . . . . . . . . . . . . .191
A Crítica de Sócrates à Exegese Poética (347b-348a);
O Proêmio da Exegese de Sócrates (342a-343c); A Exegese
de Sócrates (343c-347a); Considerações Finais
6. O Retorno à Brakhulogia: Sócrates “Erístico”? . . . . . .253
A Reformulação da Tese Protagoriana (348b-349d);
A Análise do Argumento à Luz dos Elementos Dramáticos
(349e-351b); Considerações Finais
7. O Argumento Hedonista: A Refutação Final. . . . . . . 289
A Proposição do Problema: O Prazer, Enquanto Prazer,
É Bom? (351b3-d11); O Problema da Akrasia (352a1-353b6);
O Exame do Hedonismo (353c1-354e2); A Reformulação da
Akrasia à Luz do Hedonismo (354e2-356c3); A Negação
da Akrasia à Luz do Hedonismo (356c4-357e8);
A Recapitulação dos Argumentos e a Preparação Para o
Elenchos Final (358a2-359a1); O Elenchos da Tese
de Protágoras (359a1-360e5); Considerações Finais
8. Epílogo: Um Diálogo Aporético?. . . . . . . . . . . . . . . . . .355
Tradução
PROTÁGORAS, DE PLATÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 369
Protágoras: Estrutura do Diálogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .537
COMENTÁRIOS
1. Prólogo: Sócrates e um Amigo Anônimo: 309a-310a 539
2. Sócrates e Hipócrates: 310a-314c . . . . . . . . . . . . . . . . . 540
3. A Casa de Cálias: 314c-316a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .553
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4. Sócrates e Protágoras: A Virtude Pode Ser Ensinada?
316a-320c . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 558
5. Mito e Logos de Protágoras: 320c-328d . . . . . . . . . . . . 574
6. Unidade das Virtudes: 328d-334c. . . . . . . . . . . . . . . . . 594
7. Crise do Diálogo: 334c-338e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 602
8. Exegese do Poema de Simônides: 338e-347a . . . . . . . 614
9. Interlúdio: Hípias, Alcibíades e Sócrates: 347a-348c. 628
10. Unidade das Virtudes: 348c-360e . . . . . . . . . . . . . . . . 633
11. Epílogo: 360e-362a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 655
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 661
Anexo 1:
Diógenes Laércio – Vida de Protágoras (9.50-56) . . . 671
Anexo 2:
Planta da casa de Cálias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 678
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