ALAGOAS
Localizado na Região Nordeste do Brasil, o Estado de Alagoas
ocupa área de 27.933,1 km20, limitando-se ao norte e noroeste com o
Estado de Pernambuco, ao sul com o Estado de Sergipe, a sudoeste
com o Estado da Bahia e a leste com o Oceano Atlântico. Divide-se
em três regiões naturais: (1) o Litoral arenoso com suas praias cobertas
de coqueirais e numerosas lagoas costeiras; (2) a Zona da Mata,
estreita faixa paralela à anterior, coberta pela Mata Atlântica no
passado e hoje transformada em zona agrícola; e o Agreste, região
caracterizada por altitudes maiores, que chegam a alcançar 600 metros
no planalto da Borborema em sua porção norte. O clima no Estado é
tropical, com temperatura média anual de 24º C, chuvas abundantes na
faixa do litoral atlântico e mais escassas no interior, onde se
caracteriza como semi-árido. Quase todos os rios da bacia hidrográfica
do Estado nascem no planalto da Borborema e correm para o rio São
Francisco, ou diretamente para o oceano Atlântico. Entre os principais,
se destacam o Mundaú e o Paraíba do Meio. O nome Alagoas é
derivado dos numerosos lagos que se comunicam uns com os outros e
também com os diversos rios que banham a região. O meio de
transporte mais utilizado no Estado é o rodoviário. Existem 12.976 km
de rodovias, sendo 17,2 % deles pavimentados. A rede ferroviária tem
393 km de extensão e é mais utilizada para o transporte de cargas do
que de passageiros. O Estado de Alagoas tem população de 2.604.049
habitantes, com densidade populacional de 93,22 habitantes por km2 .
As pessoas na faixa etária de 0 a 14 anos representam 40,3 % do total
da população; os habitantes na faixa etária de 15 a 59 anos respondem
por 53,3 % do total e aqueles de 60 anos ou mais representam apenas
6,4 % da população. Um total de 58,3 % da população vive nas zonas
urbanas, enquanto 41,7 % encontram-se na zona rural. A população de
mulheres corresponde a 51,2 % do total de habitantes e os homens
somam 48,8 %. O índice de mortalidade do Estado é de 6,2 por mil
habitantes e a taxa de mortalidade infantil é de aproximadamente 66
óbitos antes de completar um ano de idade, para cada mil crianças
nascidas vivas. O Estado de Alagoas está dividido em 100 municípios
e sua cidade mais importante é Maceió, a capital. Destacam-se ainda
com importância secundária, as cidades de Arapiraca, que tem 165.379
habitantes; Palmeira dos Índios, com 77.143 habitantes; União dos
Palmares, com 57.492 habitantes; e Rio Largo, com população de
53.827 habitantes. O índice de alfabetismo em Alagoas é de 54,7 % .
Existem 3.672 escolas de ensino fundamental no Estado, onde estão
matriculados 496.047 alunos; 130 escolas de nível médio,
frequentadas por 38.251 estudantes; e cinco escolas de nível superior,
com 15.429 alunos. O chefe do Poder Executivo do Estado é o
Governador, eleito por voto direto para um mandato de quatro anos.
Em julho de 1997, com o afastamento do Governador Divaldo
Suruagy, eleito em 3 de outubro de 1994, assumiu o cargo o então
Vice-governador, Senhor Manoel Gomes de Barros. Ambos pertencem
ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). O Estado
encontra-se representado no Congresso Nacional, em Brasília, capital
do País, por três Senadores e nove Deputados Federais. A Assembleia
Legislativa do Estado compõe-se de 27 representantes, eleitos por um
total de 1.156.990 eleitores.
Economia as principais atividades econômicas desenvolvidas
no Estado de Alagoas relacionam-se à indústria, à agricultura, à
pecuária e à extração de petróleo. Entre os principais produtos
agrícolas cultivados no Estado encontram-se o abacaxi, o côco, a cana-
de-açúcar, o feijão, o fumo, a mandioca, o arroz e o milho. Na
pecuária, destacam-se as criações de equinos, bovinos, bubalinos,
caprinos, ovinos e suínos. Existem também no Estado, reservas
minerais de salgema, gás natural, além do petróleo já mencionado. A
atividade industrial tem como sub-setores predominantes o químico, a
produção de açúcar e álcool, de cimento e o processamento de
alimentos. Formação Histórica - A região onde hoje se encontra o
Estado de Alagoas foi invadida por franceses no início do século XVI,
sendo retomada pelos portugueses em 1535, sob o comando de Duarte
Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, que organizou duas
expedições e percorreu a área fundando alguns vilarejos, como o de
Penedo. Também incentivou a plantação de cana-de-açúcar e a
formação de engenhos. Em 1630, os holandeses invadiram
Pernambuco e também ocuparam a região de Alagoas até 1645,
quando os portugueses voltaram a conquistar o controle da região. Em
1706 Alagoas é elevada à condição de comarca, primeiro passo para o
alcance de sua autonomia. Em torno de 1730 a comarca possuía cerca
de 50 engenhos, 10 freguesias e razoável prosperidade. A emancipação
política aconteceu em 1817, quando a comarca foi elevada à condição
de capitania. Durante os períodos subsequentes, várias sublevações
contra os portugueses se sucederam em Alagoas. A Primeira
Constituição do Estado foi assinada em 11 de junho de 1891, em meio
a graves agitações políticas, que assinalaram o início da vida
republicana.
Palmares - Aconteceu em Alagoas por volta de 1630, a maior
revolta de escravos ocorrida no País, onde se organizou o famoso
Quilombo dos Palmares, uma confederação de quilombos organizada
sob a direção de Zumbi, o chefe guerreiro dos escravos revoltosos.
Palmares chegou a ter população de 30 mil habitantes, distribuídos em
várias aldeias, onde plantavam milho, feijão, mandioca, batata-doce,
banana e cana-de-açúcar. Também criavam galinhas e suínos,
conseguindo extrair um excedente de sua produção, que era negociado
nos povoados vizinhos. A fartura de alimentos em Palmares foi um dos
fatores fundamentais para a sua resistência aos ataques dos militares e
brancos em geral, durante 65 anos. Foi destruído em 1694. Em 1695,
Zumbi fugiu e foi morto, acabando assim o sonho de liberdade
daqueles ex-escravos, que só viriam a conhecer a sua libertação oficial
em 1888. Maceió - Capital do Estado de Alagoas, a cidade de Maceió
ocupa área de 508 km2 na região litorânea, entre a lagoa de Mundaú e
o oceano Atlântico. Sua população é de 668.071 habitantes. As
mulheres representam 52,91 % da população da cidade, enquanto os
homens respondem por 47,09 %. A cidade está ligada pela rodovia
BR-101 a todas as cidades da costa atlântica brasileira, sendo que as
capitais de Estados mais próximas, as cidades de Recife e Aracaju,
estão a 285 km e 305 km de distância, respectivamente. O município
se desenvolveu a partir do século XVIII, principalmente em função
das plantações de cana-de-açúcar. Em 1815, recebeu o status de vila e
em 1839 tornou-se a capital do Estado. A economia do município de
Maceió baseia-se na atividade industrial, no comércio e no turismo.
Além das praias, destacam-se entre os principais pontos de atração
turística da cidade, a Catedral de Nossa Senhora dos Prazeres,
construída em 1840, o Teatro Deodoro e o Mercado Municipal, local
onde podem ser encontrados artigos artesanais típicos da região. O
Museu do Instituto Histórico constitui-se também uma das atrações da
cidade, juntamente com o Palácio Floriano Peixoto, sede do Governo
estadual, e do Museu Pierre Chalita, que é a Galeria de Arte do Estado.
Nos arredores da cidade encontram-se algumas das mais lindas praias
do litoral nordestino brasileiro. Em alguns locais as praias formam
lagos a cerca de 2 km do litoral, oferecendo oportunidades para banhos
de mar relaxantes e passeios de jangadas, o meio de transporte
utilizado para se chegar aos lagos. Nas proximidades das lagoas de
Mundaú e Manguaba, na parte oeste da cidade, há vilas de pescadores,
entre as quais encontram-se centenas de canais navegáveis, onde são
encontrados moluscos e crustáceos em grande quantidade. Na porção
sul da cidade existem as praias da Avenida, a praia Sobral, as praias do
Trapiche, do Pontal da Barra, todas com acesso a lagoas, além da praia
do Francês, com uma pequena vila de pescadores, que recebeu este
nome por causa dos inúmeros barcos franceses que ali aportaram para
contrabandear madeira no século XVI.
Marechal Deodoro - Localizada 21 km a sudoeste de Maceió, nas
margens da lagoa Manguaba, a cidade de Marechal Deodoro foi a
antiga capital de Alagoas e o local de nascimento do Marechal
Deodoro da Fonseca, que em 1889 proclamou a República e se tornou
o primeiro presidente do Brasil. A cidade preserva alguns monumentos
e prédios dos séculos XVII e XVIII, como o Largo do Pelourinho, com
o Oratório da Forca, onde os condenados faziam suas últimas orações;
o convento de São Francisco, construído entre 1684 e 1689, que se
tornou o Museu de Arte Sacra de Alagoas; a igreja de Nossa Senhora
da Conceição, construção com fachada barroca de 1755; a Igreja do
Senhor do Bonfim, datada do século XVII; e algumas igrejas em
ruínas também do século XVII, como a Igreja de Nossa Senhora do
Amparo, o convento das Carmelitas e a Igreja de Nossa Senhora do
Rosário. Outra atração da cidade é a casa em estilo colonial onde
nasceu Deodoro da Fonseca, hoje um museu. Na direção norte de
Maceió existem também praias muito procuradas por turistas, como a
praia Pajuçara, onde jangadas levam visitantes para passeios pelas
lagoas formadas por recifes de coral e bancos de areia que surgem
quando a maré está baixa. Algumas jangadas foram convertidas em
bares que servem drinks e comidas típicas. Anexas à praia de Pajuçara
encontram-se as praias de Sete Coqueiros e Ponta Verde. A 6 km de
Maceió, a praia Jatiúca é o paraíso dos surfistas e pescadores. No local
há pousadas para turistas e hotéis de luxo. Mais distante um pouco, 14
km ao norte, encontram-se as praias da Garça-Torta e Pratagi, onde
existe uma colonia de pescadores e mangues repletos de plantas
aquáticas que alimentam o peixe-boi, mamífero que pode pesar até
600 kg e está atualmente em perigo de extinção. Porto Calvo -
Localizado 105 km a nordeste de Maceió, o lugarejo surgiu durante a
invasão holandesa do século XVII e nele se encontram construções
coloniais da época, como as ruínas da igreja de Nossa Senhora da
Apresentação, datada de 1630. Ali se encontra a fonte batismal de
Domingos Calabar, o soldado brasileiro que passou para o lado dos
holandeses durante o período da ocupação, no século XVII. Indígenas
- A região onde hoje se encontra o Estado de Alagoas foi, no passado,
terra de índios valentes e guerreiros, que resistiram bravamente às
incursões dos primeiros colonizadores que tentavam escravizá-los.
Atualmente, a população indígena no Estado é de 5.945 habitantes,
distribuídos em oito grupos, que ocupam área de 18.804 hectares.
Destas áreas, três já estão definitivamente demarcadas pela Fundação
Nacional do Índio (FUNAI), órgão do Governo Federal, responsável
pela questão indígena no País.