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Métodos de Levantamento Planimétrico

O documento aborda os métodos de levantamento planimétrico, definindo conceitos como levantamento planimétrico, planialtimétrico e cadastral, além de descrever técnicas de medição de ângulos e distâncias. São apresentados métodos de levantamento, como irradiação, interseção e caminhamento, detalhando procedimentos e fórmulas para cálculo de coordenadas. O texto também discute ângulos horizontais internos e externos, deflexões e ângulos de orientação, essenciais para a execução precisa do levantamento.
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Métodos de Levantamento Planimétrico

O documento aborda os métodos de levantamento planimétrico, definindo conceitos como levantamento planimétrico, planialtimétrico e cadastral, além de descrever técnicas de medição de ângulos e distâncias. São apresentados métodos de levantamento, como irradiação, interseção e caminhamento, detalhando procedimentos e fórmulas para cálculo de coordenadas. O texto também discute ângulos horizontais internos e externos, deflexões e ângulos de orientação, essenciais para a execução precisa do levantamento.
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MÉTODOS DE LEVANTAMENTO PLANIMÉTRICO

1. Introdução
A NBR 13133 define o levantamento planimétrico como o levantamento dos
limites e confrontações de uma propriedade, pela determinação do seu perímetro,
incluindo, quando houver, o alinhamento da via ou logradouro com o qual faça
frente, bem como a sua orientação e a sua amarração a pontos materializados no
terreno de uma rede de referência cadastral, ou, no caso de sua inexistência, a
pontos notáveis e estáveis nas suas imediações.
Ainda dentro da planimetria, podemos acrescentar os levantamentos
planialtimétricos que consistem de um levantamento planimétrico acrescido da
determinação altimétrica do terreno e da drenagem natural, sendo estas, condições
a serem levantadas por métodos de levantamento altimétricos.
Outra possibilidade ainda é o levantamento cadastral que trata-se de um
levantamento planimétrico acrescido da determinação planimétrica da posição de
certos detalhes visíveis ao nível e acima do solo de interesse à sua finalidade, tais
como: limites de vegetação ou de culturas, cercas internas, edificações,
benfeitorias, entre outros, com a finalidade de serem discriminados ou relacionados
em editais de licitação, propostas ou instrumentos legais.
O levantamento planimétrico é obtido a partir da medição de ângulos e
distancias horizontais para a construção do que chamamos de levantamento da
poligonal, que trata-se do reconhecimento do terreno para posterior desenho da
planta e memorial descritivo. Além disso, é importante o estabelecimento de
coordenadas aos pontos formados entre as distâncias, o que permite localizar cada
ponto de forma precisa no sistema de referência
Os ângulos horizontais podem ser internos ou externos à poligonal, de
deflexão ou de orientação (azimute e rumo) e são mensuráveis a partir de aparelhos
como o teodolito ou a estação total. As distâncias, por sua vez, são medidas a partir
de forma direta ou indireta. Na forma direta, diastímeros são os instrumentos
comumente utilizados, tais como trenas, fitas de aço ou correntes de agrimensor.
Entretanto, nem sempre é possível a aferição dessas distâncias de forma direta, o
que nos leva a utilizar relações trigonométricas básicas a partir das medidas dos
ângulos para sua determinação, o que configura um método indireto.

2. Ângulos horizontais

2.1. Ângulos internos


Para medir um ângulo horizontal interno (Figura 1) a dois alinhamentos
consecutivos de uma poligonal fechada, o aparelho deve ser estacionado, nivelado
e centrado com precisão sobre um dos pontos que a definem. Para medir o ângulo
interno, deve-se:
• Fazer a pontaria fina sobre o ponto à vante;
• Anotar o ângulo ou zerar o círculo horizontal do aparelho na posição Hzi =
000°00’00”;
• Destravar e girar o aparelho, executando a pontaria sobre o ponto de ré;
• O ângulo obtido pela diferença entre as duas medições ou marcado no visor
corresponde ao ângulo interno.

A relação entre os ângulos horizontais internos de uma poligonal fechada de


“n” lados é dada pela equação 1, em que: ∑Hzi é a soma dos ângulos internos do
polígono e n é o número de lados do polígono.

∑Hzi = 180° ∗ (n − 2) (1)

Figura 1. Representação esquemática dos ângulos internos de uma poligonal.

2.2. Ângulos externos


Um ângulo externo (Figura 2) pode ser obtido do mesmo modo com o qual
os ângulos internos são, desde que a primeira pontaria seja feita sobre o ponto de
ré e a segunda sobre o ponto a vante. Entretanto, se o valor do ângulo interno for
conhecido, pode-se utilizar a relação apresentada na equação 2:

Hze = 360°00’00” – Hzi (2)

A relação entre os ângulos horizontais externos de uma poligonal fechada de


“n” lados é dada pela equação 3, em que: Hze é a soma dos ângulos externos do
polígono e n é o número de lados do polígono.

∑Hze = 180° ∗ (n + 2) (3)

Figura 2. Representação esquemática dos ângulos externos de uma poligonal.

2.3. Ângulos de deflexão


Deflexão é o menor ângulo formado entre o prolongamento do alinhamento
de ré (anterior) e o alinhamento de vante (posterior ou seguinte). Este ângulo varia
de 0º a 180º. Será à direita, se o sentido do giro for horário, e à esquerda se o giro
for anti-horário. Portanto, para medir-se a deflexão com a utilização de um teodolito
eletrônico ou uma estação total, deve-se adotar o seguinte procedimento:
• Fazer a pontaria fina sobre o ponto de ré;
• Bascular a luneta (girar a luneta verticalmente, em torno do eixo horizontal)
aproximadamente 180º, a fim de que ela fique na mesma direção, mas no
sentido contrário;
• Zerar o círculo horizontal do aparelho nesta posição 000°00’00”;
• Destravar e girar o aparelho, executando a pontaria sobre o ponto de vante;
• O ângulo marcado no visor corresponde ao ângulo de deflexão.

Figura 3. Representação esquemática dos ângulos de deflexão de uma poligonal.

A relação entre as deflexões de uma poligonal é definida através da equação


4.

∑Dd − ∑De = 360°00’00” (4)

Já a relação entre as deflexões e os ângulos horizontais internos de uma


poligonal fechada é dada pelas equações 5 e 6.

De = Hzi – 180°00’00”; para Hzi > 180º00’00” (5)

Dd = 180°00’00” – Hzi; para Hzi < 180º00’00” (6)

2.4. Ângulos de orientação


Ângulos de orientação são ângulos que orientam projetos e engenharia e
arquitetura, plantas topográficas, alinhamentos e demais em relação à direção Norte
Sul. Deve-se utilizar sempre a direção Norte Sul Geográfica ou Verdadeira e não a
magnética (que será utilizada em casos em que a precisão não é exigida). Os
ângulos de orientação são dois: Azimute e Rumo.
Azimute (Figura 4.A) é o ângulo formado entre a direção Norte-Sul e o
alinhamento considerado, iniciando no Norte (0°00’00”) e aumentando no sentido
horário, podendo variar de 0º00’00’’ até 360º00’00”. Rumo (Figura 4.B) é o menor
ângulo formado entre a direção Norte-Sul e o alinhamento considerado. Este ângulo
tem seu início dado no Norte ou no Sul e aumenta para Leste (E) ou Para Oeste
(W). Varia de 0°00’00” a 90°00’00”. Sempre deve ser indicado a que quadrante
pertence: I Q = NE; II Q = SE; III Q = SW; IV Q = NW.

Figura 4. A) Representação esquemática dos azimutes e B) rumos de uma poligonal.

Existem relações entre azimutes e rumos de uma poligonal a depender do


quadrante em que se encontram (Tabela 1).

3. Métodos de levantamento da poligonal

3.1. Levantamento por irradiação


O Levantamento por Irradiação (Figura 5), também conhecido como Método
da Decomposição em Triângulos e ou das Coordenadas Polares, é utilizado para a
avaliação de superfícies pequenas e relativamente planas. Consiste na delimitação
do contorno da poligonal a ser levantada, sendo posteriormente definido um ponto
(P) dentro ou fora da poligonal, de modo que todos os outros pontos que
compuseram a delimitação sejam avistados a partir de P. A partir de então, são
medidas as distancias (D) entre o ponto P e o ponto em questão e os ângulos
horizontais (H) entre a linha de distancia estabelecida como vante e a linha de
distancia estabelecida como ré.

Figura 5. Representação esquemática do levantamento planimétrico de uma poligonal por


irradiação.

A figura 5 ilustra uma superfície demarcada por cinco pontos com o ponto P
estrategicamente localizado no interior da mesma. De P são medidos os ângulos
horizontais (Hz1 a Hz5) e as distâncias horizontais (DH1 a DH5). É possível
observar que, de cada triângulo formado, tendo o ponto P como um dos vértices,
tem-se a medida de dois lados e de um ângulo. Assim, todas as demais distâncias
e ângulos necessários para a determinação da superfície em questão podem ser
determinados por meio de relações trigonométricas. Desta maneira, é possível a
determinação da distância desconhecida de cada triângulo pela lei dos cossenos,
dada pela equação (7), em que ‘c’ é a distância desconhecida, ‘a’ e ‘b’ são as
distâncias conhecidas e Ø é o ângulo formado entre as distancias conhecidas.

c2 = a2 + b2 – 2ab . cos(Ø) (7)


A partir de então, é possível ainda determinar a área de cada um dos
triângulos formados, e consequentemente a área da poligonal de acordo com a
fórmula de Herão (Equação 8), em que s é o semiperímetro dado por [(a+b+c)/2)].

Área do triângulo = √𝒔. (𝒔 − 𝒂). (𝒔 − 𝒃). (𝒔 − 𝒄) (8)

3.2. Levantamento por interseção


O Levantamento por Interseção (Figura 6), também denominado Método das
Coordenadas Bipolares, é empregado na avaliação de áreas onde há dificuldade
em medir as distâncias horizontais, seja por motivo de relevo acidentado ou por se
tratar de um ponto inacessível, porém visível.
Uma vez demarcado o contorno da superfície a ser levantada, deve-se definir
dois pontos, “A” e “B”, dentro ou fora da superfície em questão, a partir dos quais
possam ser avistados todos os demais pontos que a definem. É então necessária a
medição da distância horizontal entre os pontos A e B, os quais formarão uma base
de referência, e também de todos os ângulos originados entre a base e os
demais pontos demarcados.

Figura 6. Representação esquemática do levantamento planimétrico de uma poligonal por


interseção.

A figura 6 ilustra uma superfície constituída por cinco pontos, com A e B


estrategicamente localizados no interior da mesma. A partir de A e B são medidos
os ângulos horizontais entre a base e os pontos (1 a 5). Por meio de uma condição
trigonométrica de que a soma dos ângulos internos de todo triangulo é de 180°,
teremos determinado todos os ângulos internos do triangulo ABC. Considerando o
vértice C como inacessível, a única distância mensurável de forma direta é AB, logo
conhecemos 3 ângulos internos e uma distancia horizontal.
Aplicando a lei dos senos (Equação 9) podemos estabelecer uma relação de
igualdade entre os ângulos e seus catetos opostos. Passaremos a chamar o Hz1
de ângulo A, o Hz2 de ângulo B e o Hz3 de ângulo C, teremos que seus catetos
opostos serão as distâncias entre os vértices opostos, ou seja, “a” distância entre
BC, “b” distância entre AC e “c” distância entre AB.

𝒂 𝒃 𝒄
= = (9)
𝒔𝒆𝒏(𝑨) 𝒔𝒆𝒏(𝑩) 𝒔𝒆𝒏(𝑪)

O levantamento por interseção se divide em interseção angular e interseção


linear (bilateração). A interseção angular deve ser empregada quando se conhecem
as coordenadas de dois pontos e são medidos somente os ângulos horizontais entre
os alinhamentos formados por dois pontos conhecidos e um ponto que chamamos
de ‘temático’. Em todas as situações para a aplicação deste método, o ponto
temático está em condições inacessíveis no terreno. Nesse caso, as distancias
entre os pontos de referencia e o ponto temático podem ser determinadas de acordo
a lei dos senos, entretanto as coordenadas do ponto temático, são expressas de
acordo com outras relações trigonométricas, que consideram a posição relativa do
ponto aos pontos de referência no plano cartesiano. As condições para o cálculo
das coordenadas absolutas ou totais, serão apresentadas no tópico 4.
O método de levantamento planimétrico de interseção linear, também
conhecido como bilateração, é uma técnica de medição usada para determinar a
posição de pontos em um levantamento topográfico. Este método baseia-se na
medição de distâncias entre pontos, sem a necessidade de medir ângulos, o que o
torna especialmente útil em terrenos onde o uso de equipamentos de medição
angular é difícil. Na bilateração, dois pontos de controle (A e B) são previamente
conhecidos e georreferenciados. Para localizar um terceiro ponto (C), são medidas
as distâncias entre C e os pontos A e B. Usando essas duas distâncias, é possível
calcular a posição exata de C com base na interseção de círculos: Desenha-se um
círculo em torno do ponto A com um raio igual à distância AC; desenha-se outro
círculo em torno do ponto B com um raio igual à distância BC. A interseção entre
esses dois círculos determina a posição do ponto C. Nesse caso, o método não
depende das medições angulares.

3.3. Levantamento por caminhamento


O levantamento planimétrico por caminhamento (Figura 7) envolve o
deslocamento do topógrafo ao longo do terreno, onde ele mede as distâncias e
ângulos a partir de um ponto de referência conhecido. A partir das medições, é
possível determinar as coordenadas dos pontos de interesse. É utilizado em
grandes áreas, mas que não tenham obstáculos ao deslocamento do operador.

Figura 7. Representação esquemática do levantamento planimétrico de uma poligonal por


caminhamento.

Escolhe-se um ponto de partida conhecido (ponto de controle), cujas


coordenadas são previamente determinadas, posteriormente o topógrafo se
desloca pelo terreno, geralmente em linha reta, em direção aos pontos que deseja
medir. Durante o deslocamento, o topógrafo faz medições de ângulos e distâncias
em relação ao ponto de referência e a outros pontos de interesse. Isso pode incluir
o uso de instrumentos como teodolitos, estações totais, ou equipamentos GPS.
Os dados medidos são registrados em um caderno de campo ou em
dispositivos eletrônicos para posterior processamento. Após o levantamento, os
dados são processados para calcular as coordenadas dos pontos medidos. Isso
pode envolver o uso de fórmulas trigonométricas, correções de erro e ajustes.

4. Cálculo das coordenadas


Tomemos como exemplo para o cálculo das coordenadas totais ou absolutas,
uma poligonal a ser levantada por interseção angular, de modo que são conhecidos
dois ângulos e a distância entre dois pontos de coordenadas conhecidas. Dados A
(1000, 1000) e B (1000, 1050), ângulo a = 40° e ângulo b = 65°, é possível
determinar um ponto C, fechando a poligonal ABC, no plano cartesiano, a partir das
suas variações de X e Y (ΔX, ΔY) em relação a A e B.

A partir de então são estabelecidas as variações de X e Y (ΔX, ΔY) em


relação ao ponto conhecido. Considerando que C deva estar distado +40 no eixo
de X e +80 no eixo de Y em relação a A, teremos determinado o que foi representado
pelas linhas tracejadas. Observe que, um novo triângulo é formado dentro da
poligonal, a partir do qual, com o ângulo “a”, é possível determinar ΔXAC a partir do
cosseno (equação 10) e ΔYAC, a partir do seno (equação 11).

ΔX
Cos a = 𝑑𝐴𝐶 (10)

ΔY
Sen a = 𝑑𝐴𝐶 (11)
De modo que as coordenadas absolutas (X,Y) do ponto C, serão dadas pelas
equações 12 e 13, respectivamente.

XC = XA + ΔXAC (12)

Yc = YA + ΔYAC (13)

O mesmo procedimento pode ser adotado a partir do ponto B (também de


coordenadas conhecidas), de modo que os mesmos valores sejam encontrados a
partir das ideias apresentadas pelas equações 12 e 13.

Exemplo prático

*Falar tbm sobre um exemplo de cálculo de coordenadas por Irradiação

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