Brazilian Journal of Health Review 1
ISSN: 2595-6825
Reabsorção cervical invasiva
Invasive cervical resorption
Reabsorción cervical invasiva
DOI:10.34119/bjhrv7n3-131
Submitted: April 12th, 2024
Approved: May 03rd, 2024
Luma Gabryella Ferro Falcão do Carmo
Graduanda em Odontologia
Instituição: Centro Universitário Cesmac
Endereço: Maceió, Alagoas, Brasil
E-mail: luminha1502@gmail.com
Nicole da Silva de Sousa
Graduanda em Odontologia
Instituição: Centro Universitário Cesmac
Endereço: Maceió, Alagoas, Brasil
E-mail: nicoleteatro@gmail.com
Adriana Pachêco de Oliveira
Doutora em Ciências Odontológicas
Instituição: Centro Universitário Cesmac
Endereço: Maceió, Alagoas, Brasil
E-mail: adriana.oliveira@cesmac.edu.br
RESUMO
A reabsorção cervical invasiva (RCI) é um processo patológico que ocorre na região cervical
externa da raiz, abaixo do epitélio juncional, definida pela substituição da estrutura
mineralizada dental por um tecido de granulação vascularizado ou fibro-ósseo, resultante da
atividade osteoclástica, podendo ser patológica ou fisiológica. Este estudo destinou-se a orientar
os cirurgiões-dentistas acerca da presença destas lesões na prática clínica, a fim de promover o
restabelecimento da qualidade de vida do indivíduo afetado. Trata-se de uma revisão de
literatura narrativa, de caráter descritivo e de abordagem quantitativa. Para a realização do
estudo, foram consultadas as bases de dados PubMed, SciELO e Elsevier. Utilizou-se os DeCS:
“traumatismos dentários”, “reabsorção de dente”, “reabsorção da raiz”. Como critérios de
inclusão, foram selecionados estudos que abordem a temática, excluindo todos os outros. Os
exames de imagem mais utilizados são: radiografias periapicais e tomografia computadorizada
de feixe cônico. Ao ser diagnosticada, estabelece-se, quando indicado, o tratamento pela via
externa ou interna com o intuito de manter a funcionalidade do dente afetado. Assim, os corretos
diagnóstico e identificação quanto ao estágio da lesão, definem o plano de tratamento adequado
para manter, dentro do possível, a funcionalidade e estética do indivíduo.
Palavras-chave: traumatismos dentários, reabsorção de dente, reabsorção da raiz.
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ABSTRACT
Invasive cervical resorption (ICR) is a pathological process that occurs in the external cervical
third of the root, below the junctional epithelium, defined by the replacement of the dental
mineralized structure by a vascularized or fibro-osseous granulation tissue, resulting from
osteoclastic activity, which can be pathological or physiological. This study aimed to guide
dentists about the presence of these lesions in clinical practice, to promote the restoration of the
quality of life of the affected individual. This is a narrative literature review, descriptive in
nature and with a quantitative approach. To carry out the study, the PubMed, SciELO and
Elsevier databases were consulted. The DeCS were used: “dental trauma”, “tooth resorption”,
“root resorption”. As inclusion criteria, studies that address the topic were selected, excluding
all others. The most used imaging exams are periapical radiographs and cone beam tomography.
Upon diagnosis, treatment is established, when indicated, externally or internally with the aim
of maintaining the functionality of the affected tooth. Thus, correct diagnosis and identification
of the stage of the injury define the appropriate treatment plan to maintain, as far as possible,
the individual's functionality and aesthetics.
Keywords: tooth injuries, tooth resorption, root resorption.
RESUMEN
La reabsorción cervical invasiva (RCI) es un proceso patológico que ocurre en la región cervical
externa de la raíz, por debajo del epitelio de unión, definido por la sustitución de la estructura
dental mineralizada por un tejido de granulación vascularizado o fibroóseo, resultante de la
actividad osteoclástica, que puede ser patológica o fisiológica. El objetivo de este estudio fue
orientar a los cirujanos dentistas sobre la presencia de estas lesiones en la práctica clínica, con
el fin de promover el restablecimiento de la calidad de vida del individuo afectado. Se trata de
una revisión bibliográfica descriptiva narrativa con enfoque cuantitativo. Para el estudio se
consultaron las bases de datos PubMed, SciELO y Elsevier. Se utilizaron los siguientes DeCS:
«dental trauma», «tooth resorption», «root resorption». Como criterio de inclusión, se
seleccionaron los estudios que abordaban el tema, excluyendo todos los demás. Las pruebas de
imagen más utilizadas son las radiografías periapicales y la tomografía computarizada de haz
cónico. Una vez diagnosticado, se establece un tratamiento, cuando está indicado, bien externo
o interno con el fin de mantener la funcionalidad del diente afectado. Así, el diagnóstico
correcto y la identificación del estadio de la lesión definen el plan de tratamiento adecuado para
mantener la funcionalidad y la estética del individuo en la medida de lo posible.
Palabras clave: trauma dental, reabsorción dentaria, reabsorción radicular.
1 INTRODUÇÃO
A reabsorção cervical invasiva (RCI) é um processo patológico que ocorre na região
cervical externa da raiz, abaixo do epitélio juncional, definida pela substituição da estrutura
mineralizada dental por um tecido de granulação vascularizado ou fibro ósseo, resultante da
atividade osteoclástica, podendo ser patológica ou fisiológica (SOUSA et al., 2021; SOARES
et al., 2023). Para que isso ocorra, o ligamento periodontal e o cemento precisam ser acometidos
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com algum dano e/ou defeito que resulte na descontinuidade da junção amelocementária
(SOARES et al., 2023).
Embora sua etiologia seja incerta, entende-se que pode estar correlacionada a
traumatismos dentários, tratamentos ortodônticos, clareamento interno, terapia periodontal e
disfunção oclusal (GOODELL; MINES; KERSTEN, 2018). A discussão controversa entre os
pesquisadores ocorre porque alguns acreditam que a mesma decorra de processo inflamatório,
enquanto outros acreditam que é ocasionada por microrganismos sulculares que podem tornar-
se invasores secundários ou por distúrbio fibro-ósseo (KANDALGAONKAR et al., 2013).
O diagnóstico da reabsorção pode ser feito clinicamente e por exames de imagem.
Ao exame físico intra-oral, a RCI pode apresentar-se como uma cavidade cervical, sem
contorno gengival e coloração rosada na coroa do elemento dentário, decorrente do tecido
reabsortivo vascularizado, podendo ser observado por meio do esmalte residual fino.
Contudo, normalmente não há achados clínicos, sendo detectadas por meio de radiografias
periapicais e/ou panorâmicas; aparecendo como uma radiolucência irregular e assimétrica,
sendo possível observar o contorno do canal radicular sobreposto à imagem radiolúcida da
reabsorção (PATEL et al., 2017). A tomografia computadorizada de feixe cônico possibilita
a avaliação do tamanho real da RCI, assim como a localização – porta de entrada e saída –,
extensão circunferencial da lesão, proximidade do canal radicular e acessibilidade. Por meio
desta é possível determinar a conduta terapêutica (SOUSA et al., 2021).
O tratamento consiste na inibição de células clásticas para que possa interromper o
processo de reabsorção e manter a integridade da estrutura dentária, sendo dividido em
abordagem interna e externa. A abordagem externa é por meio do método cirúrgico com
levantamento de retalho e remoção mecânica do tecido de granulação, enquanto a interna por
sua vez utiliza métodos internos e minimamente invasivos, sendo acessada por meio do canal
radicular, removendo o tecido invasivo e preenchimento da cavidade com material restaurador
biocompatível e bioativo (ROTONDI; WALDON; KIM, 2020).
A referente pesquisa propôs-se a uma nova leitura sobre a RCI, a fim de comparar
diagnósticos, métodos e eficácia dos mesmos, para orientação do profissional acerca destas
lesões na prática clínica e restabelecimento da qualidade de vida do indivíduo, assim como
enfatizar a importância do diagnóstico precoce.
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2 METODOLOGIA
O presente estudo constituiu-se de uma revisão de literatura narrativa, de caráter
descritivo e de abordagem quantitativa.
Para a realização do estudo, foram consultadas as bases de dados eletrônicas National
Library of Medicine (PubMed), Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e Elsevier. Para
a busca, utilizou-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “traumatismos dentários”,
“reabsorção de dente”, “reabsorção da raiz”, nos idiomas inglês e português para refinar a
pesquisa e proporcionar maior qualidade a mesma.
A análise e síntese dos dados consistiram das etapas propostas por Andrade et al. (2017):
formulação dos critérios de inclusão; definição das informações a serem extraídas; avaliação
rigorosa dos estudos incluídos na revisão; interpretação dos resultados e síntese do
conhecimento. Esta análise visará proporcionar uma revisão atualizada sobre RCI e
conscientizar os profissionais acerca das mesmas.
Como critérios de inclusão, foram incluídos artigos originais publicados nos idiomas
inglês e português, que abordassem acerca da RCI, dando ênfase ao diagnóstico precoce,
etiopatogenias, classificações, exames de imagem auxiliares para o diagnóstico e plano de
tratamento. Após a seleção, foi realizada a leitura completa para composição deste estudo.
Assim, excluiu-se conforme: associação com outras doenças como a esclerodermia, tipo de
recurso ou método utilizado, trabalhos de conclusão de curso, monografias, teses, capítulos de
livro, artigo duplicado ou que não é condizente com o tema proposto.
Os artigos selecionados foram fichados e armazenados no Microsoft Word, após leitura
do título e resumo, se os mesmos fossem condizentes com a proposta do estudo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No quadro 1, podem ser observados os artigos que foram selecionados para construção
dos resultados e discussão sobre o tema. As seguintes informações a respeito dos estudos foram
incluídas: autor, ano de publicação e objetivos propostos.
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Quadro 1 – Autor(es), ano de publicação, título do artigo e objetivos propostos dos trabalhos selecionados para
este estudo
Autor, ano Título do artigo Objetivos propostos
Baranwal 2016. Management of external invasive Abordar as maneiras de diagnosticar a
cervical resorption of lesão e tratá-la.
tooth with Biodentine: A case report.
Bergmans et al. 2002. Cervical external root resorption in Fornecer representações
vital teeth. Xray microfocus- tridimensionais da reabsorção cervical
tomographical and histopathological externa (RCE) baseadas na varredura
study. tomográfica microfocal de um caso, que
ajudará o dentista a reconhecer as suas
características durante a inspeção
clínica. Além disso, o exame
histopatológico revela a morfologia
celular dos tecidos adjacentes.
Brito et al. 2020. Invasive cervical resorption of central Descrever o caso clínico de um menino
incisor during orthodontic treatment. de 11 anos sem histórico de
traumatismo dentário, com apinhamento
moderado e erupção ectópica do
incisivo central superior direito. O
mesmo submeteu-se a tratamento
ortodôntico prévio e sua família estava
insatisfeita com os resultados.
Consolaro 2016. External cervical resorption: Elencar fundamentos que permitirão ao
diagnostic and treatment tips. profissional atuar com segurança e
precisão em cada caso específico.
Algumas recomendações e cuidados são
de natureza ortodôntica.
Jeng et al. 2020. Invasive Cervical Resorption- Investigar a distribuição, fatores
Distribution, Potential Predisposing predisponentes e características clínicas
Factors, and Clinical Characteristics. da reabsorção cervical invasiva (RCI).
Nikolidakis et al. 2008. Cervical external root resorption: 3-year Descrever um caso de múltiplas lesões
follow-up of a case. RCE envolvendo quatro dentes,
incluindo a história e os achados clínicos
e radiográficos.
Patel et al. 2018. External cervical resorption: part 2– Revisar a literatura em relação ao
management. gerenciamento de RCE e, com base nas
evidências disponíveis, descrever
distintas estratégias para o mesmo.
Rotondi; Waldon; Kim, 2020. The Disease Process, Diagnosis and Discutir o estado atual do conhecimento
Treatment of Invasive Cervical sobre a biologia das lesões de RCI, bem
Resorption: A review. como seu tratamento externo ou interno
com materiais hidráulicos à base de
silicato de cálcio.
Sarmento et al. 2020. Minimally invasive intervention in Relatar um caso clínico de tratamento
external cervical resorption: a case de um dente acometido por RCE com
report with six-year follow- up acompanhamento clínico e radiográfico
de seis anos.
Shemesh, Itzhak e Solomov, 2017. Minimally invasive treatment of class 4 Descrever 4 casos de RCI classe 4
invasive cervical resorption with diagnosticados por tomografia
internal approach: a case series. computadorizada de feixe cônico e
tratados com abordagem interna
minimamente invasiva com irrigação de
hipoclorito de sódio e curativo de
hidróxido de cálcio.
Sousa et al. 2021. Aspectos clínicos da reabsorção Revisar a literatura sobre os aspectos
cervical invasiva: revisão de literatura. clínicos da RCI.
Fonte: Autores da pesquisa, 2024.
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De acordo com Rotondi, Waldon e Kim (2020), a RCI surge devido ao processo de danos
físicos ou químicos ao ligamento periodontal e ao cemento, de forma que possa aumentar a
possibilidade de desenvolvimento da lesão. Nesse sentido, a RCI pode ser considerada de
etiologia multifatorial. Alguns dos fatores predisponentes para seu surgimento podem ser:
traumatismo dentário ou facial, tratamento ortodôntico, terapia periodontal, além do
clareamento interno, quando combinado com trauma e/ou tratamento ortodôntico, podendo
causar danos à camada pré-cementária. Em concordância, Sousa et al. (2021) e Brito et al.
(2020) afirmam que os mais comuns são o tratamento ortodôntico, seguido de traumas dentários
e clareamento interno.
Consolaro (2016) por sua vez, afirma que o tratamento ortodôntico não é o suficiente
para causar a RCI, pois ele não é capaz de diminuir o fluxo sanguíneo na região cervical do
dente, assim, não causando hipóxia.
Clinicamente, a reabsorção pode manifestar-se nos incisivos centrais
superiores, molares, incisivos laterais e caninos. Também pode ser observado presença de
tecido granulamotoso altamente vascularizado no interior do dente, prejudicando os tecidos
dentários, tornando-os finos e com margens irregulares e translúcidas. Comumente, a região
apresenta coloração roseada, sendo um dos primeiros sinais observados pelo cirurgião-dentista
e/ou paciente. No entanto, nem sempre pode apresentar coloração, sendo assintomática e
indolor, desenvolvendo implicações periodontais e/ou pulpares (NIKOLIDAKIS et al., 2008;
JENG et al., 2020). Em casos de traumatismos dentários, ocorre principalmente em dentes
anteriores, gerando um impacto funcional, estético e psicológico ao indivíduo, sendo um dos
fatores desencadeantes da reabsorção cervical interna (SARMENTO et al., 2020).
Aos exames de imagem, pode apresentar com expansão, assimetria coronal e
radioluscência apical com margens irregulares e canal inalterado. Ao decorrer do avanço da
RCI, a radiolucidez se expande, podendo envolver o alvéolo adjacente e parecer com alteração
intraóssea. Normalmente, mesmo em casos mais avançados, não há envolvimento do canal
radicular, devido a proteção pré-dentina. Os exames de imagem mais utilizados são: tomografia
computadorizada com feixe cônico e periapical intraoral (BERGMANS et al., 2002). Baranwal
(2016) afirma que o uso da tomografia de feixe cônico confirma a real extensão da reabsorção
e se há comunicação com o espaço periodontal.
Uma classificação desenvolvida a partir do exame radiográfico por Heithersay, classifica a
RCI em quatro categorias, conforme tamanho e extensão dos defeitos reabsortivos da dentina.
Classe 1: pequena lesão reabsortiva na área cervical com penetração superficial; Classe 2: lesão
reabsortiva mais invasiva em direção à polpa coronária, com pouco ou nenhum envolvimento
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da dentina radicular; Classe 3: lesão reabsortiva profunda com envolvimento do terço coronal
da dentina radicular; Classe 4: extensão da lesão reabsortiva além do terço coronal da dentina
radicular (ROTONDI; WALDON; KIM, 2020).
Patel et al. (2018) afirma que a radiografia periapical não é adequada para avaliar a
existência da RCI, pois ela é bidimensional, contribuindo para um diagnóstico pouco efetivo e
tratamento duvidoso. Assim, a tomografia de feixe cônico é a mais indicada para essa avaliação,
pois possibilita observar o tamanho real da lesão, localização, sua extensão e se há
comprometimento no canal radicular.
Assim, para superar as limitações da classificação bidimensional, Patel e colaboradores
(2018) desenvolveram um método de análise tridimensional (Tabela 1), com base nos achados
tomográficos. Nessa análise, as reabsorções são classificadas quanto à sua altura, extensão
circunferencial e proximidade com o canal radicular, com o objetivo de garantir um diagnóstico
preciso e a comunicação entre os dentistas. No entanto, a solicitação de TCFC deve ser
totalmente justificada antes de ser realizada, para que os princípios de ALARA sejam
respeitadas. Diante disso, só será realizada a tomografia, quando há possibilidade restauradora
para dente envolvido (SOUSA et al., 2021).
Tabela 1 – Classificação tridimensional da RCE
Dimensão coronoapical Extensão circunferencial Proximidade ao canal radicular
Radiografias periapicais Imagens axiais de TCFC Imagens axiais de TCFC
Radiografias panorâmicas
TCFC imagens coronais/sagitais
1: No nível da JEC ou Supracrestal A: ≤90º d: lesão confinada à dentina
2: Estende-se até 1/3 coronal da raiz e B: >90º - ≤180º
apical à crista óssea C: >180º - ≤270º
3: Estende-se até 1/3 médio da raiz D: >270º
4: Estende-se até 1/3 apical da raiz p: provável envolvimento pulpar
Fonte: Sousa et al., 2021.
Mavridou et al. (2016), estudaram três estágios da reabsorção baseados em estudos
clínico e experimental: : a) início da reabsorção, que consiste no dano ao ligamento periodontal
seguido de formação de tecido de granulação que entra em contato com cemento e dentina e
cria a porta de entrada da lesão; b) progressão da reabsorção, que consiste na reabsorção
propriamente dita de cemento, dentina e esmalte com criação de canais de reabsorção; c) estágio
de reparo, que consiste na deposição de tecido mineralizado nas áreas reabsorvidas a partir da
porta de entrada e fusão deste com o tecido ósseo adjacente.
Conforme Baranwal (2016), para que haja um resultado bem sucedido, é necessário que
haja um diagnóstico precoce, eliminação da reabsorção e tratamento restaurador. Ao ser
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diagnosticada, podem ser realizados três principais tratamentos: nenhum tratamento, com
eventual extração mediante apresentação de sintomatologia; extração imediata; ou acesso,
desbridamento e restauração da lesão. Atualmente, vários materiais podem ser utilizados para
fornecer o selamento reabsortivo, como agregado de trióxido de mineral (MTA) e cimento de
ionômero de vidro (CIV).
Shemesh, Itzhak e Solomov (2017) afirmam que o intuito do tratamento das lesões é
fazer com que o dente afetado fique saudável e tenha funcionalidade na cavidade oral, além
também de melhorar a estética do sorriso. Este tratamento depende principalmente da extensão
e localização da lesão, da acessibilidade aos tecidos reabsortivos, assim como a viabilidade da
restauração.
Brito et al. (2020) enfatizam que em casos mais avançados ou diagnosticados
tardiamente a alternativa restante é a extração do elemento dentário, pois a estrutura dentária fica
demasiadamente enfraquecida. Portanto, o diagnóstico precoce é crucial para manutenção do
dente acometido por RCI.
4 CONCLUSÃO
Embora a RCI não seja um achado frequente na vivência clínica, é imprescindível que
os cirurgiões-dentistas se atentem para os possíveis sinais clínicos e alterações nos exames de
imagem. O diagnóstico precoce é essencial para o sucesso terapêutico desta condição, devido às
suas características agressivas e invasivas. Para um diagnóstico e planejamento assertivos,
torna-se necessário avaliar a tomografia computadorizada de feixe cônico, pois a visualização
tridimensional possibilita a identificação do estágio da lesão, e, consequentemente, repercute
sobremaneira no plano de tratamento, que dentro do possível, buscará a manutenção, a
funcionalidade e a estética do dente envolvido.
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