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Sessão 02 - ASAE - Recurso Licitacao - Governo de Roraima

A ASAE SERVIÇOS ELÉTRICOS LTDA apresenta um recurso administrativo contra sua inabilitação em um pregão eletrônico, alegando que atendeu aos requisitos de qualificação econômico-financeira e questionando a habilitação da empresa concorrente. A empresa argumenta que a interpretação do edital foi ambígua e que a administração deveria ter solicitado documentação complementar em vez de desclassificá-la. O recurso destaca a importância da clareza nas regras editalícias e a necessidade de respeitar os princípios da legalidade e da vinculação ao instrumento convocatório.
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Tópicos abordados

  • liquidez,
  • contratação pública,
  • análise de capacidade operacio…,
  • vinculação ao edital,
  • jurisprudência,
  • segurança jurídica,
  • decisões administrativas,
  • desclassificação,
  • direito administrativo,
  • publicidade
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Sessão 02 - ASAE - Recurso Licitacao - Governo de Roraima

A ASAE SERVIÇOS ELÉTRICOS LTDA apresenta um recurso administrativo contra sua inabilitação em um pregão eletrônico, alegando que atendeu aos requisitos de qualificação econômico-financeira e questionando a habilitação da empresa concorrente. A empresa argumenta que a interpretação do edital foi ambígua e que a administração deveria ter solicitado documentação complementar em vez de desclassificá-la. O recurso destaca a importância da clareza nas regras editalícias e a necessidade de respeitar os princípios da legalidade e da vinculação ao instrumento convocatório.
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  • decisões administrativas,
  • desclassificação,
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AO ILUSTRÍSSIMO SENHOR PREGOEIRO DA COMISSÃO DE LICITAÇÕES DO

GOVERNO DO ESTADO DE RORAIMA

PROCESSO SEI Nº: 20101.056782/2023.13 – SESAU


PREGÃO ELETRÔNICO Nº 90026/2024

ASAE SERVIÇOS ELÉTRICOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ 45.502.808/0001-05, com sede na Pastor Manoel Virgínio de Souza, nº 1065, 2º andar,
Capão da Imbuia, Curitiba – PR, neste ato representada por sua representante legal, que ao
final assina, vêm, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, com fundamento no artigo 165, I,
“c”, da Lei Federal nº 14.133/2021, art. 44, §2º, do Decreto nº 10.024/2019, e permissivo
constante no item 11.2 do Edital, apresentar

RECURSO ADMINISTRATIVO

Em face da decisão de inabilitação da mesma, bem como ante a decisão de


habilitação da empresa MG CONTROLE DE ACESSO LTDA, já qualificada, pelas razões de
fato e de direito a seguir aduzidas.

1. DA TEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 165, I, “c”, da Lei nº 14.133/21, e do item 11.2 do Edital, qualquer
licitante poderá, no momento adequado, apresentar sua intenção de recurso, sendo-lhe
concedido o prazo de 3 (três) dias úteis para apresentar as razões do Recurso Administrativo.
O prazo da Recorrente teve início em 04.07.2024, com término em 08.07.2024,
portanto, considera-se tempestiva a presente peça.

2. RELATO DOS FATOS

Trata-se de Pregão Eletrônico, cujo objeto é: “EVENTUAL CONTRATAÇÃO DE


EMPRESA ESPECIALIZADA EM LOCAÇÃO DE PONTO ELETRÔNICO COM
FORNECIMENTO DE SISTEMA E EQUIPAMENTOS PARA REGISTRO E LEITURA
BIOMÉTRICA (IMPRESSÃO DIGITAL E RECONHECIMENTO FACIAL) E INSTALAÇÃO,
IMPLANTAÇÃO, IMPORTAÇÃO DE DADOS, PARAMETRIZAÇÃO, INTEGRAÇÃO,
MANUTENÇÃO, SUPORTE TÉCNICO E TREINAMENTO NO RESPECTIVO SOFTWARE
PARA GESTÃO DO PONTO ELETRÔNICO DAS UNIDADES DA CAPITAL E DO INTERIOR
DO ESTADO DE RORAIMA, SOB A FORMA DE SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS –
SRP.”
Esta Recorrente interpôs suas intenções de recurso contra a decisão que a inabilitou
por suposto desatendimento aos requisitos de qualificação econômico-financeira. E também
contra a decisão de habilitação da empresa MG, uma vez que o equipamento ofertado não
atende integralmente ao Termo de Referência, como será demonstrado a seguir.

3. DO MÉRITO

3.1 DA INDEVIDA INABILITAÇÃO DA RECORRENTE – INDÍCES DE LIQUIDEZ


DEMONSTRADOS
Inicialmente, importa destacar que a Recorrente é empresa séria que atua com
excelência no mercado de controle de ponto e controle de acesso, participa de inúmeras
licitações, sendo detentora de know-how e expertise necessários para atender a esta
Administração.
Não obstante isso, fora esta Recorrente desclassificada do certame sob o argumento
de que o balanço apresentado não comprovou possuir Capital Circulante Líquido (CCL) ou
Capital de Giro (Ativo Circulante – Passivo Circulante) de, no mínimo, 16,66% (dezesseis
inteiros e sessenta e seis centésimos por cento) do valor estimado para a contratação, ou
ainda, patrimônio líquido de 10% (dez por cento) do valor estimado da contratação.
Todavia, vejamos o disposto no Edital:

Da simples leitura, é possível extrair do Edital que deverão comprovar o Capital


Circulante ou de Giro de 16,66% da contratação ou item pertinente, ou ainda,
patrimônio líquido de 10% do valor estimado do contrato, as empresas que
apresentarem índices de liquidez inferiores a 1. Como esta Recorrente apresentou índices
de liquidez superiores a 1, pela intepretação mais óbvia, entendeu não estar obrigada a
comprovar também os itens a.3 e a.4.
Assim, esta empresa apresentou seu balanço patrimonial devidamente registrado na
Junta Comercial do Estado do Paraná, assinado pelo contador responsável, com a correta
demonstração de resultado do exercício em 31/12/2023, de modo que o cálculo dos índices
de liquidez se mostraram superiores a 1 em todos os itens.
A própria Comissão de Licitação, ao analisar os índices de liquidez apresentados
concluiu pelo atendimento do item a.1, acima destacado. Por tais motivos, a decisão de
desclassificação da Recorrente com base na argumentação de desatendimento quanto à
qualificação econômico-financeira gerou estranheza à licitante. Eis que a clara e objetiva
interpretação dos termos do Edital permite concluir que o cumprimento do item a.1, não
obrigaria a comprovação dos documentos solicitados nos itens a.3 e a.4.
Esta foi a interpretação adotada pela Recorrente durante toda a sua participação no
certame e certamente outras empresas participantes devem ter compreendido de forma
similar. Importa ressaltar que o Edital, enquanto Lei entre a Administração e os Licitantes deve
ser uníssono, dotado de clareza e objetividade, de modo a permitir a exata compreensão do
que se pretende comunicar às empresas interessadas, do contrário, incorre a Administração
na violação do princípio da legalidade e segurança jurídica, desembocando ainda, no
ferimento ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório.
O princípio da legalidade informa que a Administração Pública está, em toda sua
atividade, inclusive nas licitações, presa aos mandamentos da Lei, deles não se podendo se
afastar sob pena de invalidade do ato e responsabilidade de seu autor.
Na mesma esteira, o princípio da segurança jurídica impede a desconstrução
injustificada de atos administrativos, valorando a repercussão jurídica ocasionada. Evitando,
por exemplo, que se invalidem atos com vícios sanáveis que tenham atingido as suas
finalidades.
E, por fim, o princípio da vinculação ao instrumento convocatório reforça que o ato
convocatório faz lei entre as partes, assim, deve ser também respeitado e efetivamente
aplicado pelos agentes públicos responsáveis pelas licitações públicas, pois também se
acham vinculados ao edital.
Vale destacar, que existe entendimento já sedimentado e pacificado nos Superior
Tribunal de Justiça no sentido de que toda vez que for constatada uma ambiguidade e o
comando o edital possuir duas interpretações possíveis, a presunção, em regra, deverá recair
contra a Administração Pública, prevalecendo a interpretação mais favorável ao
participante.
Nesse sentido, colhe-se da jurisprudência dominante:

ADMINISTRATIVO. CONSTITUCIONAL. APELAÇÃO. CONCURSO DE DEFENSOR


PÚBLICO DA UNIÃO. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA EDITALÍCIA.
AMBIGUIDADE. EXISTÊNCIA. ADOÇÃO DA INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL
AO CANDIDATO. POSSIBILIDADE. APELAÇÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. -
Hipótese na qual se questiona a interpretação dada pela Administração Pública do
item 13.4.4 do edital nº 14 do 3º Concurso Público para Ingresso na 2ª Categoria da
Carreira de Defensor Público da União, in verbis: "Será eliminado do concurso o
candidato que obtiver menos de 30% dos pontos em qualquer um dos grupos da prova
oral e menos de 50% dos pontos no conjunto dos grupos da prova oral”. - Ao definir
os critérios definidores da norma editalícia, a Administração Pública, conquanto
fundada em juízo de conveniência e oportunidade, deverá fazê-lo de forma clara
e objetiva, de forma a não permitir a ocorrência de duas interpretações
constitucionalmente possíveis, tudo isso em observância aos princípios da
legalidade, segurança jurídica, publicidade e vinculação ao instrumento convocatório.
- No ordenamento jurídico pátrio, em havendo dúvida objetiva, a presunção, de
regra, recai contra a Administração Pública, a exemplo dos princípios in dubio pro
reo, in dubio contram fisco, in dubio pro societate. Daí segue que, em havendo duas
interpretações constitucionalmente admissíveis, deverá prevalecer aquela que
beneficia o particular. - Apelação não provida. (AC 200882010010138, Desembargador
Federal José Baptista de Almeida Filho, TRF5 - Quarta Turma, 26/10/2009.) (grifei)

Em se tratando do caso específico da ambiguidade, não havendo ampliação da


interpretação pelo Órgão, deve o processo licitatório ser anulado, pois, ao estabelecer norma
ambígua a Administração Pública não foi clara e objetiva como deve ser e agiu de forma
avessa aos princípios da legalidade, segurança jurídica e da vinculação ao instrumento
convocatório.
Ademais, a Lei nº 14.133/21 estabelece que, havendo dúvidas sobre a capacidade de
fornecimento da solução de acordo e sobre a exequibilidade da proposta, pode a autoridade
do pregão diligenciar a fim de esclarecer tais questões. In verbis:

Art. 59
[...]
§ 2º A Administração poderá realizar diligências para aferir a exequibilidade das
propostas ou exigir dos licitantes que ela seja demonstrada, conforme disposto
no inciso IV do caput deste artigo.

Art. 64. Após a entrega dos documentos para habilitação, não será permitida a
substituição ou a apresentação de novos documentos, salvo em sede de diligência,
para:

I - complementação de informações acerca dos documentos já apresentados


pelos licitantes e desde que necessária para apurar fatos existentes à época da
abertura do certame;

Desta forma, verifica-se que a Administração poderia diligenciar para ter eventuais
informações complementares acerca da capacidade econômico-financeira da Recorrente
devidamente sanadas, principalmente se considerarmos que a interpretação mais óbvia do
Edital induz à compreensão de que o cumprimento de um item desobriga a licitante da
demonstração dos demais.
Urge salientar ainda, que a Recorrente possui comprovada saúde financeira, posto
que assume diariamente contratações à nível nacional, de médio e grande porte,
atendendo de modo satisfatório inúmeros órgãos e empresas privadas, do que é prova
a vasta gama de atestados de capacidade técnica encaminhados junto aos documentos
de habilitação.
Por tal motivo, verifica-se que a decisão de desclassificação se operou por excesso de
formalismo, abandonando-se a possibilidade legal de solicitar documentação complementar, e
desconsiderando as demais fases e etapas de classificação por quais esta empresa passou,
bem como a qualidade dos equipamentos oferecidos.
Nesse sentido, colhe-se da jurisprudência dominante:
LICITAÇÃO. SANEPAR. DESCLASSIFICAÇÃO DA IMPETRANTE POR SUPOSTO
DESCUMPRIMENTO DO EDITAL. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO PELA QUAL SE
PREVIA A INCLUSÃO DE TODAS AS DESPESAS DOS SERVIÇOS E ENCARGOS
NO PREÇO DA PROPOSTA. CONTEÚDO DA DECLARAÇÃO SUPRIDO PELA
ENTREGA DA PROPOSTA CONSOANTE DISPOSIÇÃO EXPRESSA DO EDITAL.
DESCLASSIFICAÇÃO DA IMPETRANTE. QUE REVELA EXCESSO DE
FORMALISMO. OBSERVÂNCIA DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS.
PROPOSTA DESCLASSIFICADA QUE, INCLUSIVE, SE DEMONSTRA MAIS
ECONÔMICA. PRINCÍPIO DA VANTAJOSIDADE. DECISÃO REFORMADA.
LIMINAR CONCEDIDA PARA SUSPENSÃO DA LICITAÇÃO ATÉ O JULGAMENTO
FINAL DO MANDADO DE SEGURANÇA. RECURSO PROVIDO. (TJPR – 5ª C.Cível –
AI – 1487275-8 – Curitiba – Rel.: Leonel Cunha – Rel. Desig. P/ Acórdão: Rogério
Ribas – Por maioria. - - J. 26/07/2020)

Como se vê, esta empresa agiu em estrita observância ao princípio da vinculação ao


instrumento convocatório, fornecendo todas as informações técnicas exigidas no Edital, não
podendo ser prejudicada por eventuais equívocos de redação do instrumento convocatório.
Depreende-se, por todo o exposto, que a Recorrente cumpriu os requisitos previstos
no Edital, de acordo com o princípio da vinculação ao instrumento convocatório, devidamente
postulado e consagrado pela Lei Federal nº 14.133/21, mais especificadamente em seu artigo
5º:

Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os princípios da legalidade, da


impessoalidade, da moralidade, da publicidade, da eficiência, do interesse
público, da probidade administrativa, da igualdade, do planejamento, da
transparência, da eficácia, da segregação de funções, da motivação, da
vinculação ao edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da
razoabilidade, da competitividade, da proporcionalidade, da celeridade, da
economicidade e do desenvolvimento nacional sustentável, assim como as
disposições do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro).
É o entendimento da jurisprudência pátria:

ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO. PREGÃO. PROPOSTA EM DESACORDO COM O


EDITAL. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO
CONVOCATÓRIO. IMPOSITIVO. A observância dos princípios que norteiam as
licitações em geral, especificamente os da legalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório, é essencial para o resguardo do interesse público, o
qual compreende não só os interesses específicos da Administração Pública
como também os de toda coletividade. Em outros termos, a adstrição às normas
editalícias restringe a atuação da Administração, impondo-lhe a desclassificação
de licitante que descumpre as exigências previamente estabelecidas no ato
normativo. Não há irregularidade na inabilitação de participante que não atendeu
integralmente às exigências editalícias, previamente estabelecidas. Decisão
mantida. agravo de instrumento improvido. (TRF-4 - AG: 50035356220214040000
5003535-62.2021.4.04.0000, Relator: LUÍS ALBERTO D'AZEVEDO AURVALLE, Data
de Julgamento: 14/07/2021, QUARTA TURMA)

Também o Tribunal de Justiça do Mato Grosso registrou:

MANDADO DE SEGURANÇA - LICITAÇÃO - CONCORRÊNCIA PÚBLICA -


DESCLASSIFICAÇÃO –INOBSERVÂNCIA AO EDITAL - PRINCÍPIO DA
VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO – DIREITO LÍQUIDO E CERTO
NÃO DEMONSTRADO - SEGURANÇA DENEGADA. AGRAVO INTERNO
PREJUDICADO. 1. “O princípio da vinculação ao edital restringe o próprio ato
administrativo às regras editalícias, impondo a inabilitação da empresa que
descumpriu as exigências estabelecidas no ato convocatório”. (STJ, 2.ª Turma,
REsp. n.º 595.079/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, j. em 22.09.2009). 2. Ausente
direito liquido e certo a ser amparado na via mandamental. 3. Ordem denegada.
Agravo Interno prejudicado. (TJ-MT 10228184820208110000 MT, Relator: MARIA
EROTIDES KNEIP, Data de Julgamento: 07/04/2022, Turma de Câmaras Cíveis
Reunidas de Direito Público e Coletivo, Data de Publicação: 07/04/2022)

ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO. PREGÃO. PROPOSTA EM DESACORDO COM O


EDITAL. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO
CONVOCATÓRIO. IMPOSITIVO. A observância dos princípios que norteiam as
licitações em geral, especificamente os da legalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório, é essencial para o resguardo do interesse público, o
qual compreende não só os interesses específicos da Administração Pública
como também os de toda coletividade. Em outros termos, a adstrição às normas
editalícias restringe a atuação da Administração, impondo-lhe a desclassificação
de licitante que descumpre as exigências previamente estabelecidas no ato
normativo. Não há irregularidade na inabilitação de participante que não atendeu
integralmente às exigências editalícias, previamente estabelecidas. Decisão
mantida. agravo de instrumento improvido. (TRF-4 - AG: 50035356220214040000
5003535-62.2021.4.04.0000, Relator: LUÍS ALBERTO D'AZEVEDO AURVALLE, Data
de Julgamento: 14/07/2021, QUARTA TURMA).

Imperioso destacar ainda, a Recorrente ofertou a proposta mais vantajosa à


Administração, uma vez que por seu último lance classificou-se em primeiro lugar.
Extrai-se da ata da sessão que entre o último lance da Recorrente (R$ 495.360,00) e
da empresa Recorrida (R$ 540.000,00), houve a diferença de aproximadamente R$ 44.640,00
(quarenta e quatro mil seiscentos e quarenta reais).
A vantajosidade nas licitações tem como principal objetivo impor à Administração o
dever de se atentar à razoabilidade e durante a análise criteriosa das propostas e
procedimentos realizados num certame licitatório.
Este princípio não está adstrito tão somente à economia, mas principalmente a relação
entre economicidade e qualidade do produto a ser contratado, isto porque o sucesso de uma
contratação não reside apenas nos valores negociados, mas na relação custo-benefício da
aquisição, que revela o princípio da eficiência administrativa.
Inobstante isso, esta empresa ofereceu equipamento por preço consideravelmente
inferior à segunda colocada, sem que isso interferisse na qualidade do produto ofertado na
proposta. Isto é, preço e qualidade conjugados numa mesma oferta.
Desta forma, também em atenção ao princípio da vantajosidade, faz jus Recorrente à
reforma da decisão que a julgou inabilitada, devendo todos os argumentos contrários serem
afastados.
3.2 DO DESCUMPRIMENTO DO EDITAL PELA RECORRIDA – EQUIPAMENTO NÃO
ATENDE INTEGRALMENTE O DESCRITIVO TÉCNICO

Inobstante os argumentos do tópico anterior, quando da análise do catálogo do


equipamento ofertado pela Recorrida, verificou-se desconformidades que devem impedir o
julgamento pela habilitação da mesma. Vejamos o descritivo técnico do Termo de Referência:

Primeiramente, extrai-se da especificação técnica do objeto, que a Administração


pretende fazer a locação de relógio de ponto digital e facial com sistema de gestão de ponto
para, no mínimo 11.000 (onze mil) servidores.
Contudo, o catálogo do equipamento ofertado pela Recorrida, qual seja, o Primme SF
Ponto Facial, da marca Henry, menciona a capacidade operacional de armazenamento
biométrico de apenas 10.000 (dez mil) faces.
Isto quer dizer que o produto ofertado pela Recorrida demonstra capacidade de
armazenamento biométrico facial exageradamente inferior ao solicitado no Termo de
Referência, demonstrando a insuficiência do equipamento ante as necessidades do Órgão
Contratante.
Em segundo momento, o Termo de Referência exige expressamente que os
registradores de Ponto tenham sido produzidos de acordo com a Portaria nº 671/2021 –
MTE. Nestes termos:

No entanto, o equipamento ofertado pela Recorrida, conforme o próprio catálogo


dispõe, atende à Portaria nº 373/2011, a qual encontra-se atualmente revogada pela Portaria
nº 671/2021 – MTE.
Tal fato permite concluir pela inadequação do equipamento proposto pela Recorrida ao
exigido pelo Órgão, uma vez que confeccionado fora da regulamentação vigente. Ademais,
não seria seguro ao Órgão assumir contratação de equipamento que não se enquadra na
respectiva legislação reguladora, o que deve ser um alerta para os riscos de
descumprimentos contratuais e de danos ao erário.
As incongruências não param aí, o equipamento ofertado pela Recorrida MG também
desatende ao quantitativo mínimo da capacidade de armazenamento na MRP.

Enquanto o Edital solicita equipamento com capacidade mínima de 40 milhões de


registro de ponto, a empresa MG ofertou relógio de ponto que possui capacidade de apenas 8
milhões de memória, ou seja, consideravelmente inferior aos anseios da Administração e,
portanto, inapropriado e contrário as regras editalícias.
Ora, é incontestável o fato de que o equipamento ofertado pela Recorrida não atende
integralmente o descritivo técnico do Edital. Inclusive, a própria Administração, em
questionamento realizado a esta Recorrente menciona preocupação em contratar
equipamento da marca Henry, haja visto o insucesso em tentativas anteriores.

Dada a seriedade que um processo licitatório possui, conjugado aos riscos e prejuízos que uma
contratação temerária pode acarretar ao Órgão, não se pode admitir que uma empresa que ofertou
produto que desatende importantes requisitos técnicos exigidos, preste o suporte necessário ao
atendimento do Contrato Administrativo, conforme as expectativas da Contratante.
A Lei nº 14.133/2021 recepciona em seus artigos princípios importantes como a
isonomia e legalidade, entretanto, traz também princípios específicos das licitações públicas
que devem ser estritamente observados, destacando-se o princípio da vinculação ao
instrumento convocatório:
Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os princípios da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da publicidade, da eficiência, do interesse
público, da probidade administrativa, da igualdade, do planejamento, da
transparência, da eficácia, da segregação de funções, da motivação, da
vinculação ao edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da
razoabilidade, da competitividade, da proporcionalidade, da celeridade, da
economicidade e do desenvolvimento nacional sustentável, assim como as
disposições do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro).

Art. 92. São necessárias em todo contrato cláusulas que estabeleçam:

[...]

II - A vinculação ao edital de licitação e à proposta do licitante vencedor ou ao


ato que tiver autorizado a contratação direta e à respectiva proposta;

Referido princípio informa que tanto os licitantes quanto à Administração se acham


vinculados ao cumprimento do disposto na legislação e no edital, de forma que o
descumprimento de qualquer formalidade legal ou regulamentar eiva em nulidade o
procedimento.
Além da imposição geral de observância de referido princípio, citada lei traz disposição
específica aos agentes da Administração Pública, reforçando o ato convocatório faz lei entre
as partes, assim, deve ser também respeitado e efetivamente aplicado pelos agentes públicos
responsáveis pelas licitações públicas, pois também se acham vinculados ao edital.
Ora, cumprir as exigências em edital é dever que incumbe também a Administração,
que uma vez vinculada às estipulações do instrumento convocatório, não pode deixar de
aplicá-lo ou de garantir-lhe execução, principalmente sem qualquer motivação razoavelmente
identificável, e ainda com comprovações evidentes do desatendimento do solicitado pela
Recorrida, conforme é o caso.
É o entendimento da jurisprudência pátria:
ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO. PREGÃO. PROPOSTA EM DESACORDO COM O
EDITAL. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO
CONVOCATÓRIO. IMPOSITIVO. A observância dos princípios que norteiam as
licitações em geral, especificamente os da legalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório, é essencial para o resguardo do interesse público, o
qual compreende não só os interesses específicos da Administração Pública
como também os de toda coletividade. Em outros termos, a adstrição às
normas editalícias restringe a atuação da Administração, impondo-lhe a
desclassificação de licitante que descumpre as exigências previamente
estabelecidas no ato normativo. Não há irregularidade na inabilitação de
participante que não atendeu integralmente às exigências editalícias,
previamente estabelecidas. Decisão mantida. agravo de instrumento improvido.
(TRF-4 - AG: 50035356220214040000 5003535-62.2021.4.04.0000, Relator: LUÍS
ALBERTO D'AZEVEDO AURVALLE, Data de Julgamento: 14/07/2021, QUARTA
TURMA)

Também o Tribunal de Justiça do Mato Grosso registrou:

MANDADO DE SEGURANÇA - LICITAÇÃO - CONCORRÊNCIA PÚBLICA -


DESCLASSIFICAÇÃO –INOBSERVÂNCIA AO EDITAL - PRINCÍPIO DA
VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO – DIREITO LÍQUIDO E
CERTO NÃO DEMONSTRADO - SEGURANÇA DENEGADA. AGRAVO INTERNO
PREJUDICADO. 1. “O princípio da vinculação ao edital restringe o próprio ato
administrativo às regras editalícias, impondo a inabilitação da empresa que
descumpriu as exigências estabelecidas no ato convocatório”. (STJ, 2.ª Turma,
REsp. n.º 595.079/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, j. em 22.09.2009). 2. Ausente
direito líquido e certo a ser amparado na via mandamental. 3. Ordem denegada.
Agravo Interno prejudicado. (TJ-MT 10228184820208110000 MT, Relator: MARIA
EROTIDES KNEIP, Data de Julgamento: 07/04/2022, Turma de Câmaras Cíveis
Reunidas de Direito Público e Coletivo, Data de Publicação: 07/04/2022)

Desta forma, observando-se o descumprimento de matéria objetiva do edital e da Lei


de Licitações, pela oferta de equipamento que não atende aos caracteres solicitados no
Termo de referência, deve, obrigatoriamente, ser reformada a decisão que habilitou a
Recorrida, com sua consequente desclassificação do certame.

4. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer-se:

a) O recebimento do presente RECURSO ADMINISTRATIVO;


b) A reforma da decisão de inabilitação da Recorrente, uma vez demonstrado o perfeito
atendimento dos itens de liquidez apresentados, conforme a clara interpretação do Edital.
b) A reforma da decisão que habilitou a Recorrida, ante o desatendimento expresso do Edital
no tocante aos requisitos técnicos do Termo de Referência.
c) Que caso Sr. Pregoeiro não reconsidere sua decisão nos termos pleiteados, que o presente
Recurso Administrativo seja encaminhado à autoridade competente, para que o mesmo seja
apreciado, concedendo-lhe, ao final, TOTAL PROVIMENTO.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Curitiba, 08 de julho de 2024.

Common questions

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The company leverages previous legal precedents which establish that when ambiguity exists in the interpretation of legal clauses, a presumption should generally favor the participant rather than the administration. They cite case law where courts ruled that if ambiguities in the bidding document can lead to two reasonable interpretations, the interpretation benefitting the bidder should prevail. This approach aligns with principles like 'in dubio pro reo' and promotes fairness and predictability, thereby challenging their disqualification as unfair .

The principle of linking to the bidding notice restricts the actions of both the participating bidders and the administration to the rules set out in the bidding documents. It ensures fairness and transparency by requiring all parties to adhere to the established criteria. Failure to comply with these can lead to disqualification as it is seen as a breach of the procedural due process, and any deviation could render the administrative acts invalid and the responsible parties liable .

ASAE Serviços Elétricos claims that their interpretation of the bidding notice, which did not require further demonstration of liquidity if indices were over 1, was reasonable given the notice's wording. They argue that their financial documents clearly demonstrated compliance with the requirements without needing additional documentation for capital liquidity or net assets, contending that any ambiguity in interpretation should favor the bidder rather than lead to disqualification .

ASAE Serviços Elétricos argues that it should not have been disqualified based on liquidity indices because their financial health was adequately demonstrated with liquidity ratios over 1, which should have exempted them from additional financial qualification requirements. They also contend that the competitor's equipment did not meet technical specifications, suggesting inconsistency in the application of the evaluation criteria. They argue that this lack of clarity and the improper interpretation of the bidding terms should have led to administrative correction and reevaluation .

The challenge cites several legal principles: the principle of legal certainty, which prevents unjustified invalidation of administrative acts and respects the legal consequences; the principle of linking to the bidding notice, which ensures that all parties adhere strictly to the terms of the notice; and the principle of legality, which mandates that public administration act within the confines of the law. These principles are integrated to argue that the disqualification was based on a misinterpretation of the requirements, suggesting that the Administration should adopt the more favorable interpretation for the participant when ambiguities arise, as supported by precedents .

The complaining party alleges that the financial qualifications referenced in the bidding process were inconsistently applied. They argue that the expectation to demonstrate additional liquidity or assets when liquidity indices exceed 1 was not clearly stipulated in the notice and that they adhered to all demonstrated requirements per the indices. This inconsistency in interpretation of the requirements is presented as a legal flaw that should have been addressed by the administration to ensure fairness and adherence to legal standards .

Article 165 of Law No. 14.133/2021 is significant in this context as it outlines the framework allowing bidders to legally challenge procurement decisions. It establishes procedural rights, such as deadlines and conditions under which appeals can be submitted, reinforcing participants' ability to seek fairness and redress in administrative processes. ASAE Serviços Elétricos utilized this provision to argue their case regarding both their disqualification and the inappropriate qualification of a rival .

The principle of legal certainty supports consistent application of rules and avoids retrospective changes that could harm stakeholders' expectations. In this case, it may provide grounds to challenge disqualification if it was based on ambiguous interpretations of the bidding terms. Legal certainty requires that rules are applied in a predictable and transparent manner, which may compel the authorities to reconsider the initial decision to respect the procedural guarantees and avoid unjustified invalidations .

The principle of transparency is manifested by the requirement that all procurement procedures and decisions are conducted openly and can be easily scrutinized. In the described contention, transparency implies that the administration must clearly communicate criteria and decisions, and any ambiguous interpretations should not be made detrimentally against bidders. Failure to uphold transparency can result in unjust disqualification and undermine trust in public processes, necessitating a review of decisions for accountability and fairness .

The principle of advantageousness in procurement aims to ensure that public contracts are awarded based on the best combination of price and quality, balancing cost and value to deliver optimal public benefit. In this dispute, ASAE Serviços Elétricos argued that their proposal was more advantageous due to its lower cost while maintaining quality, thereby fulfilling the principle's purpose to secure efficient public spending and suggesting that their disqualification compromised achieving the best value for the administration .

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