PROCEDIMENTO NOS CRIMES CONTRA A
SEGURIDADE SOCIAL E O CRIME DE
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
ANA BEATRIZ ALEXANDRE E SILVA
GABRIELA MENDONÇA LOPES
LEONAM NASCIMENTO MELO
PAULA VITÓRIA DA SILVA COELHO
THIAGO PEREIRA PRAIA RODRIGUES DE CARVALHO
Artigo 168-A do Código Penal
■ O artigo 168-A do Código Penal, assim dispõe:
Crime próprio
■ A apropriação indébita previdenciária é classificada como crime próprio, em
razão de somente poder ser praticada por quem tenha a obrigação de recolher
as contribuições e repassá-las à previdência social.
Dolo específico
■ A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também vai por essa linha de
entendimento:
■ O dolo do crime de apropriação indébita previdenciária é a consciência e a vontade
de não repassar à Previdência, dentro do prazo e na forma da lei, as contribuições
recolhidas, não se exigindo a demonstração de especial fim de agir ou o dolo
específico de fraudar a Previdência Social como elemento essencial do tipo penal.
Inadimplência com o INSS
■ A inadimplência com o INSS, apenas, não é suficiente para enquadrar a
empresa no crime de apropriação indébita previdenciária, segundo concluiu a
Justiça Federal.
Somente fica caracterizada a apropriação indevida se ficar provado real dano
à Previdência, em razão de ausência de repasse de valores descontados da
folha de salários dos empregados.
Crimes contra Seguridade Social
■ Sonegação Fiscal Previdenciária Art. 337-A.
■ Falsificação de Documentos Público
■ Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações Art. 313-A.
■ Estelionato Art. 171
MUITO OBRIGADA!
FACULDADES CATHEDRAL DE ENSINO SUPERIOR
ANA BEATRIZ ALEXANDRE E SILVA
LEONAM NASCIMENTO MELO
GABRIELA LOPES MENDONÇA
PAULA VITÓRIA DA SILVA COELHO
THIAGO PEREIRA PRAIA RODRIGUES DE CARVALHO
PROCEDIMENTO NOS CRIMES CONTRA A SEGURIDADE SOCIAL E O
CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
Boa Vista- RR
2023
ANA BEATRIZ ALEXANDRE E SILVA
LEONAM NASCIMENTO MELO
GABRIELA LOPES MENDONÇA
PAULA VITÓRIA DA SILVA COELHO
THIAGO PEREIRA PRAIA RODRIGUES DE CARVALHO
PROCEDIMENTO NOS CRIMES CONTRA A
SEGURIDADE SOCIAL E O CRIME DE APROPRIAÇÃO
INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
Atividade de pesquisa desenvolvida como pré-requisito
para obtenção de nota na disciplina de Tópicos Especiais
em Direito: Direito Previdenciário apresentada a
Faculdade de Ensino Superior Catedral. Professor(a): Me.
Tatiana Sousa Silva De Almada.
Boa Vista- RR
2023
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO....................................................................................................4
1. ARTIGO 168-A DO CÓDIGO PENAL.............................................................5
2. CRIME PROPRIO...........................................................................................6
3. DOLOESPECIFICO........................................................................................6
4. INADIMPLÊNCIA COM O INSS......................................................................6
5. JURISPRUDENCIA........................................................................................7
6. CRIMES CONTRA SEGURIDADE SOCIAL...................................................9
CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................14
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................15
INTRODUÇÃO
As previsões como crimes são também para proteger o bem jurídico das
contribuições realizadas ora por trabalhadores, ora por empresas e por outros
entes, ou realizadas pelo governo, para respeitar o previsto no art. 195, da
Constituição Federal.
Nesse sentido, dada sua importância, existem responsabilidades e
imposições proibitivas que podem ser entendidas como crimes contra a
Seguridade Social. São eles: Apropriação Indébita Previdenciária, Sonegação
Fiscal Previdenciária, Falsificação de Documentos Público, Inserção de Dados
Falsos em Sistema de Informações, Divulgação de Informações Sigilosas ou
Reservadas e Estelionato.
A Lei nº9.983/2000, acrescentou o artigo 168-A ao Código Penal
Brasileiro, criando o tipo penal denominado "Apropriação Indébita
Previdenciária".
Apropriar-se nada mais é que tornar-se dono de algo que não lhe
pertence. No caso específico das contribuições previdenciárias, trata-se de
deixar de repassá-las no prazo e na forma estabelecidos em lei.
4
1. Artigo 168-A do Código Penal
O artigo 168-A do Código Penal, assim dispõe:
"Art.168- A Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas
dos contribuintes, no prazo e na forma legal ou convencional:
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem deixar:
I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à
previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a
segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II - recolher contribuições desviadas à previdência social que tenham
integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à
prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou
valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.
§ 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e
efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa
se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a
denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive
acessórios; ou
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou
inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como
sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais".
5
2. Crime próprio
A apropriação indébita previdenciária é classificada como crime próprio, em
razão de somente poder ser praticada por quem tenha a obrigação de recolher
as contribuições e repassá-las à previdência social.
Normalmente, as contribuições destinadas ao custeio da previdência são
recolhidas nas instituições bancárias (artigo 60 da Lei nº8.212/1991) que, por
força de convênios celebrados com o INSS, dispõem de prazo para repassarem
os valores aos cofres da previdência; daí a menção feita pelo artigo 168-A do CP
ao prazo convencional.
3. Dolo específico
Dizemos que há dolo específico na consumação deste crime, tendo em vista
a vontade livre e consciente de não repassar as contribuições previdenciárias
recolhidas.
Assim, o simples atraso no recolhimento das contribuições não configura a
conduta típica.
Segundo o mestre Damásio E. de Jesus trata-se de crime de conduta mista,
posto que, anterior à conduta omissiva (deixar de repassar), existe uma conduta
comissiva estribada na ação de recolher. Para ele, portanto, não há que se falar
simplesmente em conduta omissiva, vez que há uma ação inicial e uma omissão
final.
4. Inadimplência com o INSS
A inadimplência com o INSS, apenas, não é suficiente para enquadrar a
empresa no crime de apropriação indébita previdenciária, segundo concluiu a
Justiça Federal.
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Somente fica caracterizada a apropriação indevida se ficar provado real dano
à Previdência, em razão de ausência de repasse de valores descontados da
folha de salários dos empregados.
Com esse entendimento o juízo da 2ª Vara Federal de São José dos Campos
(SP), julgou improcedente ação penal movida contra sócios-gerentes de uma
empresa paulista.
De acordo com a denúncia feita contra os empresários, eles teriam realizado
o desconto de valores devidos a título de contribuição previdenciária dos salários
dos trabalhadores da empresa e deixado de repassar aos cofres da Seguridade
Social.
Foram acusados de praticar crime de apropriação indébita previdenciária,
conforme estabelecido no artigo 168-A do Código Penal.
Em sua defesa, os empresários alegaram que a empresa enfrentava "sérias
dificuldades econômicas" e, por isso, não era realizado o efetivo desconto dos
salários dos trabalhadores. Afirmaram que, diante da situação desfavorável, não
existia dinheiro na empresa a não ser para pagar aos empregados os salários já
líquido dos descontos devidos ao INSS.
Ao analisar o caso o juiz considerou que para ficar caracterizada a
apropriação indébita, é preciso provar que realmente houve a retenção de parte
do salário bruto, a título de parcela devida ao INSS, com efetivo numerário
disponível para repasse ao órgão.
O magistrado ressaltou que o Ministério Público deveria ter comprovado,
através de perícia contábil, a real existência de recursos adicionais disponíveis
e suficientes à fazer face ao pagamento da verba Previdenciária.
5. Jurisprudência
Sobre o assunto colacionamos as ementas a seguir transcritas:
"Penal. Processual Penal. Apropriação indébita. Contribuição Previdenciária.
O fato de constar da folha de pagamento desconto em favor do INSS não é
7
suficiente para embasar condenação criminal. A indevida apropriação há que
ser comprovada, não valendo como em matéria fiscal, a simples presunção,
decorrente da verificação administrativa .... Não havendo comprovação da
posse do dinheiro que se alega descontado, fica afastada a figura da
apropriação indébita....... " (TRF 1a Região, Apelação Criminal 0124784-2,
DJU 17/03/1994).
" ........ Alegações de dificuldades financeiras da empresa não se constituem
em causa de exclusão da culpabilidade, que se consubstanciaria na
inexigibilidade de conduta diversa, tratando-se de argumento metajurídico,
que não repercute na exigibilidade da obrigação tributária principal que
originou o débito fiscal incriminado. Patente nos autos que os apelantes
dispunham da alternativa do parcelamento do débito até o recebimento da
denúncia, único meio que permitiria exigir-lhes conduta diversa da
incriminada no tipo.." (TRF 3a Região, Apelação Criminal 066419-9, RT,
11/04/2000).
"Agravo Regimental. Recurso Especial. Apropriação indébita previdenciária.
Nulidade Processual. Cerceamento de defesa. Intimação do réu. Vista de
documentos. Interferência no julgado. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 7/STJ.
ABOLITIO CRIMINIS. LEI Nº 9.983/2000. REVOGAÇÃO ART. 95, 'D' DA LEI
8.212/91. INEXISTÊNCIA. No processo penal, nenhum ato processual será
declarado nulo, se a arte interessada não comprovar o prejuízo dele
decorrente e, sobretudo, se - argüido a destempo - não influiu na investigação
da verdade substancial ou na solução da causa. O deferimento de juntada de
documentos, a pedido de um dos co-réus, não importa em nulidade absoluta
do feito se - não contraditada a tempo e modo - não serviram de base à
condenação do recorrente. A condenação baseada em provas testemunhais
e confissão judicial não pode ser revista por esta Corte, nos termos da Súmula
07/STJ, por demandar análise de matéria fático-probatória. O art. 3º da Lei
9.983/2000 manteve a antijuricidade da figura típica anterior (art. 95, 'd' da Lei
8.212/91), no seu aspecto substancial, e, consequentemente não fez
desaparecer o delito em questão, não configurando, portanto, a abolitio
criminis. Agravo Regimental não provido". (AgRg no RESP 618213/SC, Rel.
Ministro PAULO MEDINA, SEXTA TURMA, julgado em 21.10.2004, DJ
29.11.2004 p. 426)
"DIREITO PENAL - APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA - ART.
168-A,
§ 1º, INC. I, DO CÓDIGO PENAL. PENDÊNCIA DE RECURSOS
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EXCEPCIONAIS - EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA - LEI Nº 10.684/2003
- PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO APÓS A SENTENÇA - EXTINÇÃO
DA
PUNIBILIDADE - 1. Os recursos especial e extraordinário, por serem dotados
de efeito meramente devolutivo (art. 27, § 2º, da Lei nº 8.038/90) não
impedem a execução provisória do julgado. Precedentes. 2. Diferentemente
da Lei nº 9.964/00 (REFIS) que restringiu o favor legal aos pedidos
formulados "antes do recebimento da denúncia", a Lei nº 10.684/2003 não
fixou qualquer limite temporal em relação aos efeitos penais do parcelamento
e/ou pagamento do débito. Destarte, o aludido diploma normativo aplica-se
de imediato aos procedimentos criminais em trâmite. 2. A liquidação total do
débito previdenciário que deu origem à propositura da ação penal, mesmo
após a sentença condenatória, autoriza a extinção da pretensão punitiva do
Estado referente ao delito previsto no art. 168-A do Código Penal, nos termos
do art. 9º, § 2º da Lei nº 10.684/03. 3. Ordem concedida". (TRF 4ª R. - HC
2004.04.01.000192-4 - RS - 8ª T. - Rel. Des. Fed. Élcio Pinheiro de Castro -
DJU 24.03.2004 - p. 616)
6. Crimes contra Seguridade Social
Sonegação Fiscal Previdenciária Art. 337-A.
Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório,
mediante as seguintes condutas:
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de
informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado,
empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado
que lhe prestem serviços;
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da
empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo
empregador ou pelo tomador de serviços;
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações
pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais
previdenciárias
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
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Por outro lado, a falta de recolhimento sendo acompanhado com uma das
condutas previstas no artigo, caracteriza, em tese, a prática do crime.
De acordo com o previsto no parágrafo primeiro do art. 337-A, a punibilidade é
extinta se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições,
importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na
forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
Tal previsão deixa claro que o mais importante é o bem jurídico tutelado por
esses crimes, ou seja, as contribuições previdenciárias, não sendo o mais
importante punir.
Falsificação de Documentos Público
Art. 297 – Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar
documento público verdadeiro: Pena – reclusão, de dois a seis anos, e multa. A
falsificação de documentos públicos é um crime que não se limita à esfera
previdenciária. Podemos citar alguns exemplos de documentos públicos, carteira
nacional de habilitação (CNH), registro geral (RG), cadastro de pessoa física
(CPF), Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), mas não só. Todo
documento efetuado por uma autoridade ou funcionário público, no exercício das
suas funções.
Da mesma forma são equiparados o testamento particular, ações de
sociedades comerciais, documentos emanados por entidades paraestatais,
livros mercantis e título de crédito ao portador ou transmitido por endosso. Além
disso, nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja
destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a
qualidade de segurado obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em
documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração
falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;
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III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado
com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou
diversa da que deveria ter constado.
A pena prevista deste crime é mais severa, não por acaso, do que os crimes
de Apropriação indébita previdenciária e sonegação fiscal previdenciária. E
ainda, caso seja um funcionário público que cometa o crime, ora analisado, a
pena prevista será majorada. É o que pode acontecer se um servidor do INSS
falsificar algum documento. Importante ressaltar que a prática de crimes dessa
natureza são exceções e não podemos efetivar a “cultura da desconfiança” ou
até mesmo do legislador prejudicar os segurados “santos”, devendo conter/punir
apenas os “pecadores”.
Não se pode, portanto, concretizar o ditado popular “os santos, pagam pelos
pecadores”. A boa-fé deve ser presumida e a má-fé comprovada!
Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações Art. 313-A.
Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar
ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos
de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para
si ou para outrem ou para causar dano:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. O crime de Inserção de
Dados Falsos em Sistema de Informações somente pode ser praticado por
funcionários públicos (crime próprio).
Podemos dividir em quatro os elementos o referido crime: (1) a conduta de
inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos; (2) alterar
ou excluir indevidamente dados corretos; (3) nos sistemas informatizados ou
banco de dados da Administração Pública; (4) com o fim de obter vantagem
indevida para si ou para outrem ou para causar dano.
Divulgação de Informações Sigilosas ou Reservadas Art. 153 – Divulgar
alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de
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correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja
divulgação possa produzir dano a outrem: Pena – detenção, de um a seis meses,
ou multa, de trezentos mil réis a dois contos de réis. Em tempos de Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD), a proteção de informações dos segurados são
asseguradas pelo Código Penal. Esse prática pode ocorrer pelo servidor do INSS
que divulga o valor do salário do segurado, mas também qualquer outra pessoa
pode praticar.
Estelionato Art. 171
Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo
ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento:
Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez
contos de réis. O estelionato é um crime mais conhecidos pelas pessoas e mais
noticiado pelos meios de comunicação, podendo ser praticado em face do âmbito
da Seguridade Social e merece algumas considerações.
No âmbito da Seguridade Social e mais específico da Previdência Social, são
muito divulgadas, notícias de pessoas que simulam doenças para receberem
algum tipo de benefício da Previdenciária Social (INSS), ocasionando, assim,
grandes prejuízos aos cofres públicos e, portanto impactando toda a sociedade.
O crime estelionato previdenciário está previsto no parágrafo terceiro do art.
171, CP: “A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento
de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência
social ou beneficência”. Fraudar doenças inexistentes, falsificar documentos,
fraudar Carteira de Trabalho (CTPS) para adulterar vínculos de empregos, forjar
doenças mentais, com o objetivo de obter vantagens, no caso algum benefício
do INSS, seja aposentadoria, Auxílio-doença (auxílio por incapacidade
temporária) ou Aposentadoria por invalidez (Benefício por incapacidade
permanente), são formas de praticar o crime de estelionato previdenciário.
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O que é gravíssimo e deve ser denunciado aos órgãos competentes. O
princípio da insignificância não é aplicado ao crime de estelionato previdenciário,
pois a conduta é altamente reprovável, ofendendo o patrimônio público, a moral
administrativa e a fé pública, conforme entendimento do Superior tribunal de
Justiça.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A conclusão a que se chega, após a análise das figuras típicas penais, é
que para se estancar a sangria dos cofres da Seguridade Social e o déficit
previdenciário precisa-se muito mais do que leis. Faz-se urgente, na esfera
administrativa, a reestruturação de uma fiscalização mais atuante e, no âmbito
judicial, a adoção de posturas que permitam a célere tramitação das causas
penais previdenciárias, de modo a impedir a impunidade e a restabelecer o
equilíbrio financeiro da Previdência Social.
Portanto, a Seguridade Social é um direito importante garantido a todo
brasileiro e deve ser combatida toda forma de sucateamento, extinção ou fraude,
sejam tais práticas realizadas pelo legislador, ao buscar extinguir direitos sociais,
ou por um funcionário público ou segurados que comete crime contra a
sociedade, contra a Seguridade Social.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Análise dos crimes contra a seguridade social:
<https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/6481/Analise-dos-crimes-contra-
aSeguridade-social>
GOMES, Luiz Flávio. Estelionato previdenciário. Crime instantâneo ou
permanente? Crime único, continuado ou concurso formal?. Jus Navigandi,
Teresina, ano 10, n. 1188, 2 out. 2006. Disponível em:
<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8991>. Acesso em: 05 fev. 2009.
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