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História da Educação Física em Moçambique

O documento explora a evolução da Educação Física e do desporto em Moçambique, abordando as influências coloniais e as transformações pós-independência. Durante a era colonial, o desporto era uma ferramenta de controle social e exclusão, enquanto após 1975, houve um esforço para valorizar práticas locais e promover inclusão social. A pesquisa destaca as reformas educacionais que integraram a Educação Física no currículo escolar, enfatizando a diversidade cultural e a saúde.

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Adulto Baleo
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História da Educação Física em Moçambique

O documento explora a evolução da Educação Física e do desporto em Moçambique, abordando as influências coloniais e as transformações pós-independência. Durante a era colonial, o desporto era uma ferramenta de controle social e exclusão, enquanto após 1975, houve um esforço para valorizar práticas locais e promover inclusão social. A pesquisa destaca as reformas educacionais que integraram a Educação Física no currículo escolar, enfatizando a diversidade cultural e a saúde.

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Baltazar Obasanjo Chitlango

Dércia Busse

Deolinda Nhatsave

Fábiao Tembé

Lucas Semo

Neoclidio Da Isabel

Olinda Dai

História De Educação Física e Desporto Em Moçambique, Na Era Colonial e Pós


Independência

Licenciatura Em Ciências De Educação Física E Desporto, II Ano.

Universidade Save

Maxixe

2024
Baltazar Obasanjo Chitlango

Dércia Busse

Deolinda Nhatsave

Fábiao Tembé

Lucas Semo

Neoclidio Da Isabel

Olinda dai

Historia De Educação Física E Desporto

Trabalho científico a ser entregue na cadeira


de historia de educação física, para efeitos
avaliativos na faculdade de ciências da saúde
e desporto.

Docente: Msc. Rosário Gil

Universidade Save

Maxixe

2024
INTRODUÇÃO

A história da Educação Física e do desporto em Moçambique é um reflexo das transformações


sociais, políticas e culturais que o país vivenciou ao longo dos séculos. Durante a era colonial, a
prática desportiva foi influenciada por valores e estruturas imposta pelos colonizadores, que
priorizavam actividades que reflectissem suas próprias culturas e interesses. O acesso ao
desporto era restrito e servia, muitas vezes, como uma ferramenta de controlo social. No entanto,
a independência, conquistada em 1975, trouxe novas perspectivas e oportunidades para o
desenvolvimento da Educação Física e do desporto. Este trabalho de pesquisa busca explorar a
evolução do desporto em Moçambique, analisando as mudanças significativas que ocorreram
antes e depois da independência, e como essas transformações moldaram a identidade nacional e
a inclusão social no país.
Moçambique é um país que se localiza na costa oriental da zona sul de África e foi colonizado
por Portugal tendo alcançado a independência em 25 de Junho de 1975. Após a independência, o
sistema de ensino esteve influenciado por medidas imediatas tomadas no sentido de retirar dos
conteúdos programáticos escolares tudo que tinha a ver com a educação colonial como temas
relacionados com a geografia, política e história de Portugal. Este sistema durou até 1983,
quando foi elaborado o primeiro documento curricular moçambicano, a Lei 4/83 do Sistema
Nacional da Educação (SNE), que estabelece em linhas gerais os fundamentos político-
ideológicos, os princípios, as finalidades, os objectivos gerais e pedagógicos da educação em
Moçambique
OBJECTIVOS

GERAL:
 Conhecer o Historial de Educação Física e Desporto em Moçambique, na era Colonial e
pós- Independência.

Especifico:
 Descrever a Historial de Educação Física e Desporto em Moçambique, na era Colonial;
 Descrever a Historial de Educação Física e Desporto em Moçambique, a pós -
Independência.

Metodologias
Na definição de Laville e Dionne (1999), a metodologia “representa mais do que uma descrição
formal dos métodos e técnicas e indica a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro
teórico”.
Quanto ao tema da pesquisa, capacidades físicas condicionais e coordenativa, recorreu-se a
manuais, documentação já publicada em dissertações e em artigos científicos, disponíveis em
revistas electrónicas, que serviram de base para a fundamentação teórica. O levantamento
bibliográfico foi indispensável para realização da pesquisa.
REVISÃO DA LITERATURA

A EDUCAÇÃO FÍSICA E O DESPORTO NA ERA COLONIAL EM MOÇAMBIQUE


Contexto Histórico
A colonização portuguesa em Moçambique iniciou no final do século XIX, após a Conferência
de Berlim (1884-1885), que dividiu a África entre potências europeias. O governo colonial
português estabeleceu um sistema de administração que visava explorar os recursos naturais do
país, promovendo uma estrutura social hierárquica que marginalizava as populações nativas. A
educação formal, incluindo a educação física, foi introduzida nas escolas, mas com um enfoque
que reflectia os interesses dos colonizadores.
O sistema educacional era rigidamente controlado, e a educação física foi introduzida como parte
da formação do "cidadão ideal", enfatizando a disciplina e a conformidade (Cristóvão, 2005). As
escolas eram predominantemente destinadas aos filhos de colonizadores, enquanto as populações
nativas eram excluídas de muitos aspectos da educação formal.
Impacto Social e Cultural da Colonização
A colonização teve um impacto profundo na sociedade moçambicana, afectando a estrutura
social, cultural e educativa. A educação física, embora introduzida nas escolas, não reflectia as
práticas e tradições locais. Em vez de promover a diversidade cultural, o currículo educacional
priorizava os desportos europeus, como o futebol, atletismo, marginalizando as práticas
desportivas tradicionais dos moçambicanos, (Impulso, 1987). Os desportos praticados durante a
era colonial eram predominantemente acessíveis apenas aos colonizadores, com a participação
das populações nativas restrita. Isso resultou em uma segregação social no campo desportivo,
perpetuando a desigualdade e a exclusão. Além disso, as práticas culturais locais foram
desvalorizadas, levando a uma perda de identidade e de tradições entre as comunidades.

ESTRUTURA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ERA COLONIAL EM MOÇAMBIQUE


Introdução da Educação Física nas Escolas
A educação física foi introduzida nas escolas moçambicanas durante a era colonial portuguesa
como parte do sistema educacional imposto pelos colonizadores, (Muria 2009). A intenção era
promover não apenas a saúde física, mas também a disciplina e o controle social. As actividades
físicas eram vistas como essenciais para a formação do "cidadão ideal", que deveria reflectir os
valores e comportamentos desejados pela administração colonial. As escolas,
predominantemente destinadas aos filhos de colonizadores, incluíam a educação física como uma
disciplina formal. No entanto, o acesso à educação física era limitado para a população nativa,
que frequentemente não tinha acesso às escolas ou aos recursos necessários para a prática
desportiva. As actividades eram organizadas principalmente para os alunos das classes
privilegiadas, perpetuando a exclusão das comunidades locais.
Segundo Cristóvão (2005), a formação dos professores e a metodologia de ensino eram
frequentemente baseadas em modelos europeus, o que limitava a capacidade de adaptação do
ensino às realidades locais. Isso levou a uma alienação dos alunos em relação à educação física,
que não reflectia suas identidades culturais e sociais.
PRÁTICAS DESPORTIVAS NA ERA COLONIAL EM MOÇAMBIQUE
Desportos Populares Durante a Era Colonial
Durante a era colonial em Moçambique, os desportos praticados reflectem as influências
culturais dos colonizadores portugueses, como o futebol emergindo como o desporto mais
popular. Introduzido pelos colonizadores, o futebol rapidamente conquistou a adesão de muitos,
tornando-se uma actividade central em várias comunidades.
Além do futebol, outras modalidades, como o atletismo, também foram introduzidas nas escolas
e em eventos organizados. O ciclismo e o críquete ganharam alguma popularidade, embora em
menor escala. Essas actividades eram frequentemente promovidas em competições escolares e
eventos comunitários, servindo como uma forma de entretenimento e socialização.
Entretanto, é importante destacar que o acesso a essas práticas desportivas era, em grande parte,
restrito. Os desportos europeus eram valorizados e promovidos, enquanto as práticas desportivas
tradicionais locais, que poderiam incluir jogos e actividades típicas das comunidades, eram
frequentemente ignoradas ou desvalorizadas.

POLÍTICAS E REGULAÇÕES NA PRÁTICA DESPORTIVA NA ERA COLONIAL EM


MOÇAMBIQUE
Políticas Coloniais que Influenciaram a Prática Desportiva
As políticas coloniais implementadas pelos portugueses tiveram um impacto significativo na
prática desportiva em Moçambique. O governo colonial via o desporto como uma ferramenta
para promover a cultura europeia e reforçar a disciplina social. Assim, as políticas eram
direccionadas para a promoção de desportos que reflectissem os valores e comportamentos
desejados pelos colonizadores.
Segundo, Tembe (2005), descreve algumas políticas:
1. Promoção de Desportos Europeus: O governo colonial incentivou a prática de desportos
como futebol, e atletismo, que eram considerados representativos da "civilização" europeia.
Essas actividades eram frequentemente organizadas em escolas e comunidades
predominantemente brancas, enquanto as práticas desportivas locais eram desvalorizadas.
2. Segregação Social: As políticas coloniais resultaram em uma clara divisão entre
colonizadores e nativos, afectando o acesso e a participação nas actividades desportivas. A
educação física era apresentada como um privilégio dos colonizadores, enquanto os nativos eram
frequentemente excluídos ou limitados a eventos segregados.
3. Controle Social: A prática desportiva foi utilizada como um meio de controle social. As
autoridades coloniais acreditavam que a educação física poderia moldar comportamentos e
atitudes, criando cidadãos obedientes e disciplinados. Isso reflectia uma visão paternalista que
buscava "civilizar" as populações nativas, (p.25).

EVENTOS E COMPETIÇÕES ORGANIZADAS


Os eventos e competições desportivas organizados durante a era colonial eram
predominantemente voltados para os colonizadores, destacando ainda mais a desigualdade
existente.
1. Competições Escolares: As escolas coloniais frequentemente organizavam competições
desportivas, onde os alunos tinham a oportunidade de participar em actividades como futebol e
atletismo, (Domingos, 2006). No entanto, essas competições eram quase exclusivamente para os
filhos de colonizadores, com pouca ou nenhuma inclusão dos nativos.
2. Eventos Comunitários: Algumas comunidades nativas podiam organizar eventos desportivos,
mas estes eram frequentemente limitados em escopo e reconhecimento. As competições locais
não tinham o mesmo prestígio ou apoio que os eventos organizados para os colonizadores,
perpetuando a marginalização das práticas desportivas locais.
3. Festas e Celebrações: Os eventos desportivos também eram integrados a festas e celebrações
coloniais, servindo como uma forma de entretenimento para os colonizadores. Esses eventos
eram usados para promover a cultura europeia e reforçar a identidade colonial, enquanto as
tradições locais eram frequentemente ignoradas, (Domingos, 2006).

EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO PÓS-INDEPENDÊNCIA EM MOÇAMBIQUE


Contexto Histórico
A independência de Moçambique, conquistada em 1975 após uma longa e brutal luta contra a
colonização portuguesa, marcou um ponto de virado significativo na história do país. A Frente de
Libertação de Moçambique (FRELIMO) liderou a luta, mobilizando as populações e
promovendo um forte sentimento nacionalista. A independência não trouxe apenas a liberdade
política, mas também a oportunidade de reconstruir o país e redefinir suas instituições, incluindo
o sistema educacional e as práticas desportivas, (Maia 2002).
A Luta pela Independência e suas Consequências
A luta pela independência em Moçambique foi caracterizada por uma guerrilha intensa e um
forte apoio popular. Essa mobilização contribuiu para a conscientização das comunidades sobre a
importância da autodeterminação e da valorização da cultura local. Com a conquista da
independência em 25 de Junho de 1975, o novo governo enfrentou desafios significativos,
incluindo a necessidade de reconstruir um país devastado pela guerra e estabelecer um sistema
educacional que reflectisse as realidades e aspirações moçambicanas.
As consequências da independência foram profundas. O governo da FRELIMO implementou
reformas radicais nas áreas política, social e económica, buscando promover a igualdade e a
inclusão (Maia 2002).. A educação física foi reconfigurada para ser um meio de fortalecer a
identidade nacional e a coesão social, permitindo que as práticas desportivas reflectissem a
diversidade cultural do país.
MUDANÇAS SOCIAIS E CULTURAIS APÓS 1975
Após a independência, houve uma mudança significativa na abordagem em relação à educação
física e ao desporto em Moçambique. O novo governo reconheceu a importância do desporto
como ferramenta de inclusão social e promoção da saúde.
Segundo Machel (1978) Aponte que :
1 .Valorização das Práticas Locais: O governo incentivou a incorporação de desportos e jogos
tradicionais no currículo escolar, promovendo um sentido de identidade cultural. Isso ajudou a
resgatar e valorizar as práticas desportivas que haviam sido marginalizadas durante a era
colonial.
2. Acesso Ampliado: As reformas educacionais ampliaram o acesso à educação física para todas
as camadas da sociedade, buscando incluir comunidades rurais e urbanas. O desporto tornou-se
uma actividade acessível, promovendo a participação de jovens de diversas origens
socioeconómicas.
3. Promoção da Coesão Social: O desporto foi utilizado como uma ferramenta para promover a
unidade nacional e a pacificação entre diferentes etnias. Competições e eventos desportivos
tornaram-se plataformas para celebrar a diversidade cultural e fomentar a solidariedade.
4. Desenvolvimento de Talentos: O governo começou a identificar e apoiar talentos
desportivos, estabelecendo programas de formação e academias que visavam preparar atletas
para competições internacionais. Isso contribuiu para a crescente presença de atletas
moçambicanos em eventos esportivos globais, ( p.11).

REFORMAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA EM MOÇAMBIQUE


Novas Políticas Educacionais Implementadas
Após a independência em 1975, o governo da FRELIMO reconheceu a necessidade de reformar
o sistema educacional para reflectir as aspirações do povo moçambicano e promover a identidade
nacional. As novas políticas educacionais tinham como objectivo:

1. Descolonização do Currículo: Um dos principais focos das reformas foi a descolonização do


currículo escolar, que buscava eliminar as influências coloniais e valorizar a cultura e as
tradições moçambicanas. A educação física foi vista como uma área essencial para essa
transformação, permitindo a promoção de actividades que reflectissem as práticas locais,
(Domingos 2006).

2. Promoção da Inclusão Social: As políticas educacionais foram orientadas para a promoção


da igualdade e da inclusão social. O governo buscou garantir que todas as crianças,
independentemente de sua origem socioeconómica, tivessem acesso à educação física,
reconhecendo seu papel na saúde e no desenvolvimento integral.
3. Formação de Educadores: Para implementar essas reformas, foi necessário capacitar
professores e educadores físicos. O governo investiu na formação de profissionais que pudessem
ensinar educação física de forma inclusiva e contextualizada, levando em consideração as
realidades culturais e sociais de Moçambique, (Domingos 2006).

INCLUSÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO CURRÍCULO ESCOLAR


A inclusão da educação física no currículo escolar foi um passo fundamental nas reformas
educacionais pós-independência. A disciplina passou a ser reconhecida como essencial para o
desenvolvimento físico, mental e social das crianças.
1. Currículo Abrangente: A educação física foi integrada como uma disciplina obrigatória em
todas as escolas, com um currículo que abrangia uma variedade de actividades físicas, incluindo
desportos tradicionais moçambicanos, (Muria 2009). Isso ajudou a promover a valorização das
culturas locais e a resgatar práticas que haviam sido marginalizadas.

2. Actividades Diversificadas: O currículo da educação física não se limitou apenas a desportos


competitivos; incluiu também jogos tradicionais, danças e actividades recreativas que
promoviam a socialização e o trabalho em equipa. Essa abordagem diversificada contribuiu para
um aprendizado mais significativo e envolvente, (Muria 2009).
3. Foco na Saúde e Bem-Estar: Além do aspecto esportivo, a educação física passou a enfatizar
a importância da saúde e do bem-estar. Os professores foram incentivados a educar os alunos
sobre hábitos de vida saudáveis, alimentação equilibrada e a importância da actividade física
regular.
4. Competições e Eventos: O governo começou a organizar competições e eventos desportivos
em nível escolar, promovendo a participação das comunidades e incentivando o espírito de
equipa e a camaradagem entre os jovens (Muria 2009). Esses eventos tornaram-se uma
oportunidade para descobrir e desenvolver talentos desportivos.

DESENVOLVIMENTO DO DESPORTO EM MOÇAMBIQUE PÓS-INDEPENDÊNCIA


Criação de Federações e Associações Desportivas
Após a independência em 1975, o governo de Moçambique reconheceu a importância do
desporto para a coesão social e a promoção da identidade nacional. Nesse contexto, foram
criadas federações e associações desportivas para organizar e regular diversas modalidades.
Segundo, (Freire 2011) aponta a criação de federações e associações desportivas:
1. Federações Desportivas: O governo estabeleceu várias federações desportivas para diferentes
modalidades, como futebol, atletismo, basquetebol e voleibol. Essas federações foram
responsáveis pela regulamentação das actividades, organização de competições e
desenvolvimento do desporto em todo o país.
2. Associações Locais: Além das federações, muitas associações desportivas locais foram
formadas, permitindo que as comunidades organizassem e promovesse eventos desportivos.
Essas associações desempenharam um papel crucial na inclusão de jovens e no fomento de um
espírito comunitário.

3. Desenvolvimento de Talentos: As federações e associações também se concentraram na


identificação e desenvolvimento de talentos, criando programas de formação para atletas e
treinadores. Isso ajudou a elevar o nível das competições e a preparar atletas para eventos
internacionais, (p.38).

PROMOÇÃO DE DESPORTO TRADICIONAL E NOVOS


Com o objectivo de valorizar a cultura moçambicana e promover a diversidade, o governo e as
federações desportivas também se dedicaram à promoção de desportos tradicionais, além de
incentivar a prática de novos desportos.
1. Valorização de Desportos Tradicionais: O governo promoveu a inclusão de desportos
tradicionais moçambicanos, como a luta livre, a dança dos guerreiros e jogos folclóricos, nas
competições desportivas. Essa valorização ajudou a resgatar e preservar práticas culturais que
haviam sido negligenciadas durante o período colonial, (Tembe 2005).
2. Eventos Culturais e Desportivos: Foram organizados eventos que combinavam cultura e
desporto, como festivais que celebravam as tradições locais e incluíam competições de desportos
tradicionais. Esses eventos não apenas promoviam o desporto, mas também fortaleciam a
identidade cultural e a coesão social.
3. Introdução de Novas Modalidades: Para Tembe, (2005), à promoção dos desportos
tradicionais, novos desportos, como o basquetebol e o voleibol, foram introduzidos e promovidos
nas escolas e comunidades. O governo incentivou a prática dessas modalidades através de
programas de formação e competições, visando integrar a juventude em actividades que
fomentassem o trabalho em equipe e a saúde.
4. Fomento à Inclusão: A inclusão de desportos tradicionais e novos desportos ajudou a atender
às preferências diversas das comunidades, promovendo um ambiente desportivo mais inclusivo.
As competições passaram a envolver não apenas questões de desempenho, mas também a
celebração da identidade cultural e a promoção da paz e unidade entre diferentes grupos étnicos,
(Tembe 2005).

DESAFIOS E CONQUISTAS DO DESPORTO EM MOÇAMBIQUE


Desafios Enfrentados
Apesar dos avanços significativos no desenvolvimento do desporto em Moçambique após a
independência, o país ainda enfrenta uma série de desafios que dificultam a plena realização do
potencial desportivo. Esses desafios incluem problemas de infra-estrutura, financiamento
inadequado e desigualdades sociais que afectam o acesso ao desporto, (Maia 2002).
Problemas de Infra-estrutura e Financiamento
1. Infra-estrutura Deficiente: Uma das principais barreiras para o desenvolvimento do desporto
em Moçambique é a falta de infra-estrutura adequada. Muitas comunidades carecem de
instalações desportivas básicas, como campos, ginásios e equipamentos. Essa escassez limita a
prática regular de desporto, especialmente em áreas rurais e periféricas.
2. Financiamento Insuficiente: O financiamento para o desporto é frequentemente inadequado.
Muitas federações e associações desportivas operam com orçamentos limitados, dificultando a
organização de competições, a manutenção de instalações e a promoção de programas de
formação.
3. Dependência de Patrocínios Externos: Devido à falta de recursos internos, muitas
organizações desportivas dependem de patrocínios externos e doações, o que pode levar a uma
instabilidade financeira. Essa dependência pode limitar a autonomia das associações e a
sustentabilidade de seus programas, , (Maia 2002).
DESIGUALDADES SOCIAIS E ACESSO AO DESPORTO
1. Desigualdade no Acesso: A desigualdade social em Moçambique se reflecte directamente no
acesso ao desporto. Enquanto comunidades urbanas geralmente têm mais acesso a instalações e
oportunidades, as áreas rurais enfrentam desafios significativos. Muitas crianças e jovens em
áreas remotas não têm a mesma oportunidade de participar de actividades desportivas ou
competições.

2. Factores Económicos: A pobreza é um factor importante que limita a participação no


desporto. Muitas famílias não têm condições de arcar com os custos associados à prática
desportiva, como transporte, equipamentos e taxas de inscrição em competições. Isso resulta na
exclusão de jovens talentosos que poderiam se destacar no desporto, (Maia 2002).

3. Educação e Sensibilização: A falta de educação e sensibilização sobre a importância do


desporto para a saúde e o desenvolvimento pessoal também contribui para a baixa participação ,
(Maia 2002). Muitas comunidades ainda não reconhecem o valor do desporto como uma
ferramenta para promover a coesão social e a saúde.

CONQUISTAS
Apesar desses desafios, Moçambique também fez conquistas significativas no campo do
desporto:
1. Aumento da Participação: Nos últimos anos, houve um aumento da participação em eventos
desportivos, tanto em nível escolar quanto comunitário. Isso demonstra um crescente interesse e
valorização do desporto entre as novas gerações, (Inpulso, 1987).

2. Reconhecimento Internacional: Atletas moçambicanos começaram a ganhar reconhecimento


em competições internacionais, destacando-se em modalidades como atletismo e futebol. Essa
visibilidade tem contribuído para inspirar jovens atletas e aumentar a consciência sobre o
desporto no país.
3. Desenvolvimento de Talentos: A criação de programas de formação e academias para jovens
talentos tem gerado um impacto positivo, preparando atletas para competições em níveis mais
elevados e promovendo a excelência no desporto, (Impulso, 1987).

CRESCIMENTO DE TALENTOS DESPORTIVOS


O crescimento de talentos desportivos em Moçambique é uma das conquistas mais significativas
do país nas últimas décadas. Várias iniciativas têm contribuído para o desenvolvimento de novos
atletas:
1. Programas de Formação: A criação de academias e programas de formação para jovens
talentos tem sido fundamental. Esses programas oferecem treinamento especializado, orientação
e recursos para desenvolver habilidades desportivas desde cedo (Domingos 2006).
2. Competições Locais: A realização de competições locais e regionais tem proporcionado aos
jovens atletas a oportunidade de competir e se destacar. Isso não apenas contribui para o
desenvolvimento de habilidades, mas também aumenta a confiança e a motivação.
3. Identificação de Talentos: As federações desportivas têm se concentrado na identificação de
talentos em comunidades e escolas, garantindo que jovens promissores recebam a atenção e o
suporte necessários para alcançar seu potencial máximo.
4. Apoio Governamental e Parcerias: O apoio governamental e as parcerias com organizações
não-governamentais e empresas têm sido essenciais para financiar programas de desporto e
garantir que mais jovens tenham acesso a oportunidades de desenvolvimento, (Domingos 2006).
5. Inspiração e Visibilidade: O sucesso de atletas em competições internacionais serve como
inspiração para os jovens, aumentando o interesse pelo desporto e encorajando mais pessoas a se
envolverem em actividades físicas, (Domingos 2006).
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Física e do desporto em Moçambique reflectem a luta e a resiliência do povo


moçambicano diante das adversidades históricas. Durante a era colonial, o desporto foi utilizado
como um meio de dominação e exclusão, enquanto, após a independência, passou a ser visto
como uma ferramenta de desenvolvimento social e promoção da identidade nacional. As
conquistas alcançadas nas últimas décadas mostram a importância do investimento em infra-
estrutura, formação de talentos e promoção de desportos tradicionais. O futuro do desporto em
Moçambique dependerá do compromisso contínuo em superar os desafios existentes,
promovendo a inclusão e o acesso a todos os cidadãos. Assim, o desporto não apenas contribui
para a saúde e o bem-estar, mas também desempenha um papel crucial na construção de uma
sociedade mais justa e coesa.
Consideramos que desde o período colonial até hoje a formação de professores sofreu várias
metamorfoses em função da realidade de cada época (colonial e pós-independência), mas
continuam os desafios para que a mesma atenda à realidade actual da escola como local da
liberdade, da solidariedade e da valorização das diferenças e construção de identidades.
Apuramos que não houve mudanças em conteúdos leccionados na Educação Física escolar
continuando os mesmos que eram leccionados no período colonial, ou seja, Atletismo,
Basquetebol, Futebol, Andebol, Ginástica e Voleibol; embora tenham sido introduzidos os jogos
e danças tradicionais. A actuação profissional dos professores continua sendo influenciada pelos
preconceitos e estereótipos de género e corpo onde se verifica a separação de meninos e meninas
nas aulas e no tipo de actividade desportiva a realizar na aula em função do corpo. Por outro
lado, há influências das práticas sociais e culturais como os mitos e tabus nas aulas: às alunas não
são permitidas pôr calções por se considerar falta de respeito aos mais velhos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 Machel, M.; Pessula, P. Percepções sobre as relações de gênero em escolas de


Moçambique- discurso e pratica. Motricidades, v. 2, n. 3, p. 201-209, set.-dez. 1978.

 Freire, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de


Janeiro: Paz e Terra, 2011.

 Impulso. Secretaria de Estado de Educação Física e Desportos. Revista de Educação


Física e Desportos de Moçambique, n. 1, 1987.

 Maria. P. Ensino de educação física no ensino básico em Moçambique com uso de meios
alternativos. (2002), Revista Portuguesa de Ciências do Desporto (RPCD), Faculdade de
Desporto da Unive

 Crisvao, Instituto Nacional do Desenvolvimento da Educação. Ministério da Educação e


Cultura.

 Tembe, R. Diploma Ministerial 64/2003 de 18 de junho. Maputo: Imprensa Nacional,


2005..

 Muria, A. A complexidade da formação de professores: o caso da educação física e


desporto em Moçambique. 2009. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Ciências
Humanas, Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba, 2009.

 Domingos , P. Ensino de educação física no ensino básico em Moçambique com uso de


meios alternativos. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto (RPCD), Faculdade de
Desporto da Universidade do Porto, n. 1, p. 872-888, 2006.

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