Material de Cálculo Financeiro 2014
Material de Cálculo Financeiro 2014
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APONTAMENTOS DE CÁLCULO
FINANCEIRO
TEORIA E PRÁTICA
3ª Edição
2014
Domingos Ndala
Assistente da Faculdade de Economia da
Universidade Mandume Ya Ndemufayo
APONTAMENTOS DE
CÁLCULO FINANCEIRO
TEORIA E PRÁTICA
3ª Edição
2014
2
À minha Mulher
Às Minhas Filhas
Às Minhas Netas
3
Índice
Introdução ......................................................................................................................... 6
Capítulo I- Processo de Capitalização ............................................................................ 20
1.1- Noções fundamentais ....................................................................................... 20
1.2- Capital e Juro ................................................................................................... 20
1.3- Subprocessos Periódicos de Capitalização ...................................................... 24
1.3.2 – Especificação da Função Juro Periódico ..................................................... 29
1.3.3- Prefixação de um Valor Notável da Função, Juro Periódico – A Taxa de juro.
................................................................................................................................. 30
1.4- Casos Notáveis de capitalização ...................................................................... 33
1.4.1- Regime Simples Puro e Regime dito Simples .............................................. 34
1.4.2- Regime Composto ......................................................................................... 35
1.5- Quadro Sinóptico dos Regimes de Capitalização ............................................ 39
1.6- Confronto entre: Capitalização Simples, Capitalização Dito Simples e
Capitalização Composta ............................................................................................. 41
1.6.1- Confronto entre: Capitalização simples e Capitalização composta .......... 41
1.6.2- Prática de Cálculo em Capitalização Composta ....................................... 43
CAPÍTULO II. TAXA DE JURO E REGIME DE JUROS ANTECIPADOS. ............. 49
2.1- Disparidades entre Período de capitalização e período de preferência da taxa de
juro. ............................................................................................................................. 49
2.2- Taxas Proporcionais e Taxas Equivalentes. Taxas Efectivas e Taxas Nominais 52
2.2.1- Taxas Proporcionais e Taxas Equivalentes. .................................................. 52
2.2.2- Taxas Nominais Efectivas............................................................................. 54
2.2.3. Simbologia a Utilizar .................................................................................... 56
2.3- Regime de Juros Antecipados ............................................................................. 58
CAPÍTULO III – DESCONTO ...................................................................................... 61
3.1- O Desconto como é Concebido Teoricamente. ................................................... 61
3.1.1- Desconto composto á taxa de juro i .............................................................. 61
3.1.2.- Desconto Composto á Taxa de Desconto d ................................................. 63
3.2.- O Desconto como é Praticado ............................................................................ 64
3.3. Equação de Equivalência entre Dois capitais: em Desconto Comercial e em
Desconto Racional ...................................................................................................... 65
3.3.1. Equação de Equivalência Entre Um Capital e Um Conjunto de Capitais: em
Desconto Comercial e em Desconto Racional ........................................................ 66
4
3.4. Aplicações Concretas de Operações de Desconto e de Operações de capitalização
em Juro Simples .......................................................................................................... 68
3.4.1. Desconto Bancário de Letras......................................................................... 68
3.4.2- Reforma de Letras ......................................................................................... 73
3.4.3. O Desconto Como é Praticado ...................................................................... 76
CAPÍTULO IV – CAPITAL COMUM E VENCIMENTO COMUM .......................... 81
4.1 – Capital único equivalente a um conjunto de capitais com diferentes
vencimentos. ............................................................................................................... 81
4.2- Resolução de Problemas Propostos ..................................................................... 85
CAPITULO V – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS RENDAS OU ANUIDADES . 91
5.1- Conceitos de Renda ou Anuidade ........................................................................ 91
5.2- Classificação das Rendas: Alguns Critérios de Classificação ............................. 92
5.3- Exemplos: ............................................................................................................ 94
5.4- Valor de uma Renda de Termos Qualquer. ...................................................... 96
CAPÍTULO VI O CÁLCULO FINANCEIRO E AS APLICAÇÕES DE CAPITAL . 101
5
Introdução
6
Conceitos Básicos Fundamentais
Média Aritmética
𝑥1 + 𝑥2 + 𝑥3 + ⋯ + 𝑥𝑘
𝑥𝑖
k 0
𝑀. 𝐴. 𝑆. = =
𝑘 𝑘
13 + 12 + 14 + 15 + 13 + 16 83
= = = 13,83
6 6
7
Média Aritmética Ponderada
𝑥1∗ 𝑝 𝑥𝑖 ∗ 𝑝𝑖
1 +𝑥2 ∗ 𝑝2+ 𝑥3 ∗ 𝑝3 + …+𝑥k ∗ 𝑝k i 0
𝑀. 𝐴. 𝑃. = =
𝑝1+ 𝑝2+ 𝑝3 +⋯ +𝑝𝑘 k
𝑝𝑖
i 0
x1* p xi*pi
1 +x2 * p2+ x3 * p3 + …+xk * pk i 0
M. A. P = =
p1+ p2+ p3+⋯+ pk k
pi
i 0
As médias, como estatísticas - resumo que são, devem ser interpretadas com
cuidado. Imagine-se o caso de um aluno que tem as seguintes notas nas disciplinas de
um semestre:
8
Disciplina Nota
A________________________________________18
B________________________________________12
C________________________________________18
D________________________________________12
E________________________________________18
F_________________________________________6
i 0
xi
18+12+18+12+18+6 88
M.A.S= = = = 14 valores
k 6 6
Atendendo apenas à média dir-se-ia que este é um bom aluno. Porém, atendendo
às notas por disciplina, vê-se que ele é um aluno óptimo nas disciplinas A, C e E, é um
aluno razoável nas disciplinas B e D e é um aluno fraco na disciplina F. Ou seja, nem
sequer é bom aluno a nenhuma disciplina (isto é, não tem 14 valores a nenhuma
disciplina, apesar de a sua média ser de 14 valores).
Aplicações Praticas
9
Fracções, Proporções, Percentagens e Permilagens.
Arredondamentos
Noção
Número real
É nesta última acepção que aqui se toma - relação de grandeza entre duas partes,
em que o denominador é a unidade.
10
Não se deve confundir percentagem com variação percentual. Percentagem é
1 25
uma fracção cujo denominador é 100. No exemplo anterior 4
= 100
, 𝑖𝑠𝑡𝑜 é 25 %.
Por exemplo, se uma taxa de juro passa de 20%, para 22%, ela aumenta 2% em
termos absoluto (0,22-0,20=0,02 ou seja 2%), mas em termos relativos, o aumento foi
0,22−0,20
de 10% [( 0,20
) = 0,1 𝑜𝑢 𝑠𝑒𝑗𝑎 10%].
Uma das questões que os estudantes colocam mais frequentemente tem haver
com os arredondamentos.
Isto levanta uma outra questão: quantas casas decimais devem ser consideradas
significativas? Mais uma vez, é o bom censo que deve imperar. Mas podemos assumir
como regra geral 5 ou 6 casas decimais significativas, pelo menos nos cálculos
intermédios.
11
Aplicações práticas
Percentagens de Lucro
como sendo a percentagem de lucro sobre o preço de venda. Note-se que x e y devem
estar expressos sob a forma de proporção, de acordo com a distinção que fizemos atrás.
Ou seja, se a percentagem de lucro sobre o preço de compra fôr 25%, então x = 0,25.
Sejam também:
Pv = preço de venda
Pc = preço de compra
L= lucro
12
Descontos
13
Potências e Raízes
Definição
Propriedades
1) 𝑎 𝑥 * 𝑎 𝑦
𝑎𝑥
2) 𝑎𝑦
3) (𝑎 𝑥 )𝑦
4) 𝑎−𝑥
5) (𝑎𝑏)𝑥
𝑎
6) (𝑏 )𝑥
1
7) 𝑎𝑦
𝑥
8) 𝑎𝑦
9)
10) 𝑎𝑜
Notação Científica
0,00325=3,25*10-3
14
O expoente positivo diz-nos quantas casas devemos andar com o ponto
decimal para a direita. Enquanto o expoente negativo diz-nos quantas casas decimais
devemos andar com o ponto decimal para a esquerda. 1
Aplicações práticas
Logarítmos e Antilogarítmos
Definição
Sejam:
1
Os logaritmos de base e [ e=limn→∞ (1+𝑛)𝑛 = 2,7182818 …] são chamados
logaritmos naturais ou neperianos (de Napier ou Neper).
1
OBS: muitas calculadoras utilizam esta notação para representar números muito grandes ou muito
pequenos, aparecendo no visor algo como 5,1 E 8 e 3,25 E -3 respectivamente (ou noutros casos, 5,1 8 e
3,25-3)
15
Propriedades
1) logaxy
2) loga
3) logaxb
1
4) loga 𝑥
Aplicações práticas
16
Progressões
Progressões Aritméticas
Definição
Ou o que é o mesmo:
Donde:
𝑡1 +𝑡𝑛
SPA = 𝑛
2 Soma dos n termos de uma progressão
aritmética em que o 1º termo é igual á 𝑡1 e o último termo é igual a 𝑡𝑛 . Ou de forma
condensada:
𝑛−1
∑ 𝑡1 + 𝑟𝑥
𝑥=0
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Progressões Geométricas
Definição
rSPG –SPG= 𝑡1 𝑟 𝑛 − 𝑡1
∑ 𝑡1 𝑟𝑥
𝑥=0
18
rn -1 t1 rn t1
De facto, SPG = t1 = -
r-1 r-1 r-1
Ora, quando a razão for maior que -1 e menor que 1, à medida que n aumenta,
𝑡1 𝑟 𝑛
𝑟 𝑛 diminui (isto é, à medida que 𝑛 → ∞, 𝑟 𝑛 → 0). Logo, 1−𝑟
→ 0, pelo que
t1 𝑡1
SPG - r-1
(ou, o que mesmo, SPG 1−𝑟
) multiplicando ambos termos da
fracção por (-1).
Aplicação prática
19
Capítulo I- Processo de Capitalização
Nesta última hipótese, a colocação da poupança a render, diz-se que o aforro foi
objecto de um investimento financeiro. O detentor de poupança passa a auferir um
rendimento (juro) gerado pela própria poupança investida. Isto é, a parte não consumida
do rendimento anterior gera assim o novo rendimento.
20
Em esquema:
21
Observação:
22
prazo de um ano (consumo de 25.000.00kz; investimento financeiro de
975.000.00kz);
Convém explicar as razões por que, ao contrário dos depósitos a prazo, não
entendemos os depósitos à ordem como autênticos investimentos financeiros:
Esta última razão traz, quase sempre, implícita a ideia de que o depósito à ordem
destina-se a ser movimentado frequentemente, para pagamentos de despesas correntes,
despesas de consumo; daí que o capital em depósito à ordem não seja um aforro no
sentido preciso do termo, mas sim saldo liquido, um “saldo caixa” que é necessário
23
manter dado que a entrada de rendimentos não está coordenada com o pagamento das
despesas. É o que acontece com qualquer pessoa que recebe o salário mensalmente e vai
retendo parte do rendimento para as despesas ao longo do mês.
Resta tentar dar uma explicação quanto à expressão juro puro. Chama-se assim
porque todo o lucro, sendo o rendimento de um capital financeiro, é afinal um juro.
Simplesmente, não é uma forma pura do juro, já que por um lado o juro (puro) é um
rendimento certo, enquanto que o lucro varia conforme os resultados da empresa, e por
outro lado dentro do lucro está incluído o próprio juro (puro).
24
É costume referir o juro a um dado período de tempo, na maioria das vezes o
ano, o semestre ou o trimestre, e contar tantos juros periódicos quantos os períodos que
dura o processo de capitalização; por exemplo, numa capitalização durante dois anos
haverá dois juros anuais ou haverá quatro juros semestrais conforme o período
escolhido para a produção do juro periódico for ano ou semestre.
0 1 2 3 n-1 n
1º 2º 3º nº Tempo
Período Período Período Período
2
Obs.: Um valor nulo para n não tem sentido prático; teoricamente, porém, pode considerar-se
que n seja inteiro não - negativo, correspondendo o valor n = 0 ao momento inicial de qualquer processo
de capitalização.
25
investimento financeiro, no momento zero, de um capital inicial igual a C0, dá origem a
um processo de capitalização ao longo de n períodos como se mostra na seguinte
representação:
J2 ……
J1 J3
Ora, nesta contagem do juro periódico, dois casos notáveis se nos deparam3:
3
N.B.: É fundamental que se apreenda bem a distinção entre estas duas hipóteses. Na sua
simplicidade, dominam todo o Cálculo Financeiro (Matemática Financeira).
26
▪ Uma parte igual à soma dos juros sobre juros (conhecido
por anatocismo, isto é, produção de juros sobre juros).
27
Até este ponto, apenas se expressa por símbolos o que já se reconhecera antes: o
juro depende de C e de T. Mas que espécie de dependência? Qual a forma da função
juro?
J = C T+1 + C * T
Isto quer dizer que não vamos deixar vaguear livremente a nossa imaginação até
encontrarmos uma especificação aceitável. O que temos de fazer é procurar um
princípio razoável sobre o juro, depois axiomatizá-lo e daí derivar a forma da função
juro:
Axiomatização Especificação
Lei razoável de Juro Axioma Forma da Função Juro
28
1.3.2 – Especificação da Função Juro Periódico
Passaremos, por isso, a falar em função juro periódico em vez de apenas função
juro. Aliás, aquela é um caso particular desta.
Em cada período kº, juro Jk é o valor da função Juro para C= CIk e para T= 1,
isto é:
Em princípio, deve ser tanto maior quanto mais avultado for o capital inicial do
período:
Jk deve variar no mesmo sentido que CIk.. Mas, cabe ainda perguntar: que espécie
de variação? O juro periódico cresce mais ou menos rapidamente, ou proporcionalmente
ao capital inicial?
Esta é a forma geral da função juro periódico, que abrange toda uma família de
funções, cada uma delas definida pelo valor escolhido para o parâmetro i.
29
Pode-se dizer que i é um qualquer número real > 0. Um valor nulo de i
corresponderia à hipótese de não produção de juro (inexistência de capitalização) que,
naturalmente, é excluída da teoria exposta. O mesmo se diga para valores negativos de i,
que equivaleriam ao absurdo de ser o detentor do capital a pagar o juro.
Duas questões: como se define a taxa de juro? E como se fixa, afinal, um seu
valor constante?
Quanto à primeira questão, é fácil ver que i não é mais do que um valor
particular da própria função juro periódico, correspondente a um capital inicial unitário.
De facto: CIk Jk =J(1;1) = i i= j(1;1) i é o juro produzido pelo capital
unitário, durante o tempo unitário(período).
A taxa de juro aparece quase sempre sob a forma percentual. Por exemplo, uma
taxa de 5% quer dizer que o capital 100 produz 5 de juro, ou que o capital 1 produz 0,05
de juro: 5=J (100; 1) é equivalente a 0,05= J(1;1).
30
▪ Taxa de juro quadrimestral: i = j (1;1quadrimestral)
1º) - o risco pelo não reembolso do capital investido (as taxas de juro serão tanto
maiores quanto menores as garantias prestadas pelo mutuário).
4º) Finalmente, as restrições legais (há limites fixados no Código Civil para as
taxas de juro praticadas em operações não bancárias; as taxas vigentes na actividade
bancária são fixadas pelo Ministério das Finanças através do Banco Nacional de
Angola). A maior parte dos investimentos financeiros é feita com a intervenção das
Instituições Bancárias, quer como sujeitos passivos (recebendo depósitos), quer como
sujeitos activos (concedendo créditos).
Exemplos:
31
Solução: Regime de capitalização composta.
4
N.B.: Dentro de pouco tempo, aprenderemos a obter imediatamente este valor de capital
acumulado em regime composto, sem a necessidade de calcular, período a período, os juros periódicos
(como aqui se fez).
32
No do 3º ano, o capital em processo é de 600.000.00kz, e assim
sucessivamente5.
1.000.000.00kz
N.B.: Pela amortização periódica , o capital “em processo”, isto é, o capital em dívida vai
5
33
1.4.1- Regime Simples Puro e Regime dito Simples
No regime dito Simples, o “juro acumulado” é por definição igual a soma dos
juros periódicos simples:
6
N.B: _ A distinção entre regimes teóricos e regimes convencionais de juros (estes mais ou
menos desviados daqueles) deve ser feita desde já.
_ O “juro acumulado” e o “capital acumulado” não têm sentido no regime simples puro.
34
Em esquema, o regime dito simples:
Em geral, o que nos interessa neste regime não é propriamente o cálculo dos
sucessivos juros periódicos, mas o valor único do juro total. Para obtermos a expressão
do juro total poderíamos recorrer à soma de todos os juros periódicos. Todavia, torna-se
mais simples determinar primeiro o capital Final Cn e depois passar a juro total por
diferença com o capital inicial C0.
Por outro lado, por definição de capital periódico final, é em cada período:
35
2º Período k=2 CF2=[C0*(1+i)*(1+i)]=C0*(1+i)2
CFk=C0* (1+i) k
(1 + 𝑖)𝑛−1
= 𝐶0 ∗ 𝑖 ∗ = 𝐶0 ∗ [(1 + 𝑖)𝑛 − 1]
(1 + 𝑖) − 1
Para o confronto com o que se fez a propósito do regime simples, pode-se agora
apresentar o esquema de capitalização composta sobre o semieixo do tempo. De notar
que, enquanto no regime simples puro os subprocessos periódicos se repetem sem
36
alteração de período para período, no regime composto o processo avoluma-se por
acumulação dos juros e sua capitalização.
1.3.3- Exemplos
37
Ora, o casal premiado decidiu não despender o valor do prémio, mas sim
depositá-lo numa instituição especial de aforro para, atingida a maioridade (18 anos), o
filho receber o valor capitalizado.
▪ Em cada ano, metade do juro produzido será pago ao credor, e a outra metade
ficará retida nas mãos do devedor até ao fim do processo.
Sabendo que o devedor veio pagar 124.000,00kz, pergunta-se: 6% foi a taxa de juro
efectivamente praticada?
38
1.5- Quadro Sinóptico dos Regimes de Capitalização
Expressão geral
Do juro periódico Jk = i * CIk
Capital
É sempre7 CFk=C0*(1+i)k CFk=C0+C0*k*i
Periódico final
CFk=C0+C0*i
É sempre8
Juro periódico É sempre Jk=C0(1+i) *ik-1
Jk=C0*i
Jk=C0*i
Capital acumu -
lado ou Não tem Cn=C0(1+i)n Cn=C0(1+ni)
Final sentido
7
Também pode-se considerar que, no fim do período, o capital em processo (ou em dívida) é apenas c 0,
dado que o juro periódico sai imediatamente do processo.
8
De notar que, ao contrario do que acontece nos regimes simples (puro) e composto, este juro periódico
foge à expressão geral. Tem-se aqui: Jk ≠CIk *i
39
Exemplo:
Um capital de 20.000.000,00kz foi posto a render à taxa anual de 5% durante 4
anos. Construa, para cada uma das hipóteses seguintes, um quadro que mostre os
valores a mais assumidos pelo capital periódico inicial, juro e capital periódico final.
a) Em regime simples;
b) Em regime composto;
c) Em regime dito simples (sem entrega dos juros simples de cada ano.
Solução:
a) Regime Simples:
Anos Capital anual Juro anual Capital anual Pagamento ao credor
inicial final no fim do ano
20.000.000,00kz 1.000.000,00kz 21.000.000,00kz 1.000.000,00kz
1º
20.000.000,00kz 1.000.000,00kz 21.000.000,00kz 1.000.000,00kz
2º
20.000.000,00kz 1.000.000,00kz 21.000.000,00kz 1.000.000,00kz
3º
20.000.000,00kz 1.000.000,00kz 21.000.000,00kz 1.000.000,00kz
4º
5º Zero
b) Regime composto
5º Zero
40
c) Regime dito simples (sem entrega do juro anual)
5º Zero
O problema do confronto entre estes dois regimes costuma ser posto nestes
termos:
- Para uma mesma duração do processo e uma mesma taxa de juro, qual dos
regimes de capitalização incrementa mais o capital investido?
O que equivale a perguntar-se: qual dos regimes gera maior juro total? Ou qual
produz o maior capital acumulado?
Já é do nosso conhecimento que não tem sentido falar-se em juro total ou em
capital acumulado no regime simples puro, pelo que, quanto a este regime, a
comparação que há a fazer é a que respeita à disponibilidade ou indisponibilidade dos
rendimentos periódicos do capital. É ao detentor do capital que cabe escolher o regime
de investimento financeiro conforme pretenda dispor do juro período a período (por
exemplo, para despender em consumo), ou prefira incrementar o capital.
Mas, se considerarmos antes o regime dito simples, em vez do verdadeiro
regime simples (puro), então o confronto já é admissível com o regime composto. E é
41
evidente que a mesma taxa de juro e mesma duração do processo de capitalização, o
regime composto gera maior capital acumulado porque beneficia da capitalização dos
próprios juros (juros de juros) além da capitalização própria do regime dito simples
(juros só sobre o capital inicialmente investido). Alias, já vimos que, para obtermos um
mesmo capital acumulado partindo do mesmo capital inicial, precisamos duma taxa de
juro maior no regime dito simples do que no regime composto.
O que leva as pessoas a adoptar o regime dito simples nas suas operações
financeiras e não o regime composto?
_ Desde logo, por ignorância; a capitalização composta é pouco acessível às
pessoas não versadas em matemática financeira. Depois, por comodidade, já que no
regime composto os cálculos sem tabelas são bem mais difíceis. E, finalmente, por
conveniência do devedor, uma vez que, a mesma taxa de juro, teria de pagar um capital
acumulado superior em regime composto. Enfim, também tem que se reconhecer que
tudo é uma questão de convenções; pois, se as partes convencionarem que a
capitalização será feita de certo modo, a taxa escolhida já o é com base nesse facto (por
exemplo, escolhe-se a taxa de 6% porque o regime é o dito simples, mas ter-se-ia
escolhido 5,525% no regime composto.
Para um confronto dos regimes de capitalização pode-se recorrer também à
representação gráfica bidimensional do capital em divida (ou capital em processo) como
função do tempo. O capital em dívida incorpora ou não os juros acumulados, conforme
o regime de capitalização:
➢ Em regime simples, no fim de cada período, o capital em divida é (C0 + C0 * i)
mas, como o juro (C0 * i) é pago imediatamente, o capital em dívida volta a ser
o capital inicial C0;
➢ Em regime dito simples, no fim de cada período, o juro (C0 * i) junta-se ao
capital; como o incremento é constante de período para período, o capital em
processo cresce linearmente ao longo do tempo;
➢ Em regime composto, o capital em dívida acompanha o capital acumulado que
de período para período cresce cada vez mais, segundo um ritmo exponencial
manifestado pela expressão conhecida: Ck = C0 (1+ i)k
➢ Em qualquer dos três regimes, o capital em dívida deve ser reduzido a zero no
fim do último período (fim do processo), mediante pagamento ao credor.
42
Exercício:
Capitalização durante 5 períodos com um capital inicial de 1.000.000,00kz.
Intencionalmente adopta-se uma taxa exagerada de 25% com o objectivo de tornar mais
evidente a diferente marcha do capital em divida nos três regimes.
Exemplo: i=2%
n=3 (1+0,02)3 = 1,02*1,02*1,02=1,061208
b) _ ou desenvolvimento do binómio de newton e subsequente cálculo:
𝒏(𝒏 − 𝟏) 𝟐 𝒏(𝒏 − 𝟏)(𝒏 − 𝟐) 𝟑
(𝟏 + 𝒊)𝒏 = 𝟏 + 𝒏𝒊 + 𝒊 + 𝒊 + ⋯ + 𝒊𝒏
𝟐! 𝟑!
43
Exemplo:
(1+2%)3 = 1+3*0,02+3*0,022+0,023=1+0,06+0,0012+0,000008=1,061208
Estas vias de cálculo directo são as mais morosas e cansativas para valores
elevados de n, tornando-se mesmo impraticáveis. Daí que se haja tabelado os valores do
factor (1+i)n para certos valores de i e de n, construindo-se assim tabelas financeiras.
44
[Link]- O Cálculo estimativo por interpolação linear
Acontece muitas vezes que nas tabelas financeiras ou logaritmicas, não figura o
valor numérico procurado. Será então necessário fazer um cálculo por aproximação, isto
é, uma estimativa do valor não tabelado.
Estimar um valor não tabelado é calculá-lo subestimando a função tabelada por
uma função estimativa, que deve ser de fácil manejo no cálculo directo e conceder
razoáveis aproximações do valor procurado.
Caso particular interessante é a interpolação: a função estimativa é definida para
valer entre dois pontos tabelados consecutivos ou pólos. Aqui a função estimativa
substitui a função tabelada só e somente entre os pólos, donde o nome de função
interpoladora.
Ora, dado que a função estimativa deve permitir um cálculo fácil, compreende-
se que se adopte a forma linear para função interpoladora sempre que proporcione
estimativas razoáveis.
A estimativa por interpolação linear consiste em substituir a função tabelada por
uma função interpoladora linear ou recta interpoladora.
Vejamos rápida e genericamente como se obtém uma recta interpoladora:
1) Seja y=f(x) a função tabelada (isto é, para certos valores de x as tabelas
dão os correspondentes valores de y; para todos os outros valores
possíveis de x as tabelas são omissas);
2) Seja um valor x não contemplado nas tabelas; que fazer?
➢ Procura-se nas tabelas os valores consecutivos x0 e x1 tais que
x0< x<x1 e para os quais as tabelas dão os valores de y0 e y1;
➢ Entre os pólos (x0, y0) e (x1, y1) supõe-se que a função evolui
linearmente: donde, a equação da recta interpoladora:
𝑦1 − 𝑦0
𝑦𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝 = 𝑦0 + 𝑥1 −𝑥0
(𝑥 − 𝑥0 )
45
X Y
1 15
2 17
3 25
4 37
5 60
… …
Exemplo: Imagine uma função y=f(x) tabelada como no quadro acima. Qual o
valor de y para x=2,5?
Como a tabela não prevê, façamos uma interpolação linear sobre os pontos (2;17)
e (3; 25).
𝑦1 − 𝑦0
𝑦𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝 = 𝑦0 + (𝑥 – 𝑥0 )
𝑥1 – 𝑥0
25 − 17 8
= 17 + (2,5– 2) = 17 + ∗ 0,5
3−2 1
4 21
= 17 + = = 21
1 1
46
Mas o problema nem sempre aparece no sentido indicado (dado x, qual o valor de y?).
Pode surgir em sentido inverso, por exemplo: qual o valor de x para y=31?
𝑥1 – 𝑥0
𝑋𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑝 = 𝑥0 + (𝑦 − 𝑦0 )
𝑦1 − 𝑦0
4−3 1
=3+ (31– 25) = 3 + ∗6
37 − 25 12
6 36 + 6 42
=3+ = = = 3,5
12 12 12
Exemplos:
47
12. Em 20 de Março de 1990 foram investidos 200.000,00kz num processo de
capitalização composta à taxa semestral de 2,5%. Qual é o capital acumulado em
20 de Setembro de 2006?
13. Se aos 50 anos de idade quiser dispor de um capital de 500.000,00kz, que
quantia há-de colocar em capitalização composta uma pessoa que presentemente
𝟏
tem 25 anos? A taxa de juro semestral é de 𝟐 𝟒 %.
48
CAPÍTULO II. TAXA DE JURO E REGIME DE JUROS
ANTECIPADOS.
Acontece muitas vezes que a taxa de juro fixada não é referida ao período de
capitalização; por exemplo, uma instituição de aforro anuncia que aceita depósitos por
prazos superiores a um ano, nas condições seguintes:
Há aqui uma incoerência. Pois, como será feita a produção trimestral do juro, se a
taxa dada é anual?
De realçar que duas taxas de juro podem ser indiferentes do ponto de vista
matemático (que aqui se assume), mas não sê-lo segundo outros critérios de apreciação.
Por exemplo, pode não ser indiferente ao credor receber (ou, ao devedor pagar) os juros
trimestralmente ou anualmente ou mensalmente; por muito que se invoque a
“indiferença matemática” das taxas trimestral, anual e mensal subejantes àqueles juros.
49
E eis como o problema da “ disparidade entre período de capitalização e período
da taxa de juro” nos leva à questão da “indiferença de taxas de juro referidas a
diferentes unidades de tempo”.
Uma primeira resposta seria esta: se ao ano se paga 6%, ao trimestre deve pagar-
se 4 vezes menos:
6%
i´ = ⇔ 𝑖´ = 1,5% e a taxa trimestral seria proporcional a taxa anual dada.
4
Mas esta resposta ignora a produção de juros sobre juros. Teoricamente, poderá
considerar-se correcta em regime dito simples, mas não em regime simples puro e muito
menos em regime composto.
50
juros acumulados só no fim do ano; haverá então juros de juros, isto é, ao longo do ano
a capitalização será composta trimestralmente, e o juro acumulado viria: Co(1+i)4-Co
que queremos seja igual a: 6%*Co.
Por outro lado, na posição de credor é fácil chegar-se à mesma conclusão (pois,
este pode, e teoricamente devemos sempre supor que o faz, lançar imediatamente
noutros processos de capitalização os juros que sucessivamente foi recebendo).
Isto é, para haver indiferença deverá ter-se: Co[(1+i)4-1]=6%* Co o que nos leva à
mesma condição necessária (e suficiente) já definida para o regime composto
(1+i)4=1+6%.
Quando se fala de taxas de juro é fundamental saber a que tipo de taxas estamos a
referir.
51
2.2- Taxas Proporcionais e Taxas Equivalentes. Taxas Efectivas e Taxas
Nominais
Quando a relação existente entre duas taxas é a mesma que existe entre os
períodos de tempo a que elas se referem, essas taxas dizem-se proporcionais.
Por exemplo, 20% ao ano e 10% ao semestre são taxas proporcionais, já que
0,2 1 (𝑎𝑛𝑜)
= ⇔ 2=2
0,1 0,5(𝑎𝑛𝑜)
Por exemplo, 21% ao ano e 10% ao semestre são taxas equivalentes (em regime
de juro composto) já que, o capital acumulado por 150.000.00kz ao fim de um ano é de
181.500.000kz quer em capitalização anual a taxa anual de 21%, quer em capitalização
semestral à taxa semestral de 10%.
Generalizando:
ix = taxa de juro referida a x período - base, sendo x um numero real 0 (os valores
mais interessantes de x estarão entre 0 e 1. Como é obvio, se x =1 período vem ix=i, e se
x=0 períodos vem ix=0).
52
Teoricamente, a indiferença entre duas taxas de juros, uma monoporiódica e outra sub
ou supraperiódica, é dada em regime simples e composto pela chamada relação de
equivalência: 1+ ix =(1+i)x (taxas “equivalentes”) e em regime dito simples pela
relação de proporcionalidade: ix = x*i (taxas “proporcionais”).
Embora na teoria matemática do juro seja assim, deve reconhece-se que na prática
generalizada da actividade comercial e bancária, estas taxas proporcionais são
consideradas também indiferentes em regime simples puro e são por vezes aceites como
aproximativamente equivalentes em regime composto.
Exemplo: Tomando o ano como período – base e a taxa de juro anual 10%, são
equivalentes todas as taxas seguintes, em regime composto e em regimes simples puro.
Anual: 10%
Anual: 10%
Bianual: 20%
Semestral: 5%
Quadrimestral: 3,3333%
Trimestral: 2,5%
Bimestral: 1, 6667%
Mensal: 0,8333%
Quotidiana: 0,0274%
53
Exercício nº 01: dada a taxa de 16% ao ano com quatro capitalizações anuais, calcule as
taxas efectivas equivalentes para os seguintes períodos:
a) Um mês;
b) Dois meses;
c) Três meses;
d) Quatro meses;
e) Seis meses;
f) Dez meses;
g) Treze meses.
2º Caso: j=100.000.00kz[(1+10)2-1]
= 100.000.00kz(1,21–1)
=100.000.00kz *0,21
=21.000.00Kz.
Diz-se que a taxa é nominal de 20% ao ano com capitalizações semestrais. Como
se vê, esta taxa corresponde a uma taxa anual efectiva de 21%.
As noções de indiferença, equivalência e proporcionalidade, têm ligação com os
conceitos de taxas efectivas e taxas nominais.
Num qualquer processo de capitalização, dizem-se efectivas as taxas de juro
que, segundo os princípios da matemática financeiras, presidem a produção do juro. E
54
dizem-se nominais as taxas que são declaradas [(“nomeadas” em vigor no processo de
capitalização, podendo ser nominais e efectivas ou meramente nominais) e não
efectivas].
Assim, a taxa declarada em regime dito simples é sempre uma taxa “meramente
normal” porque, este regime redunda teoricamente no regime composto de taxa efectiva
menor. Salvo se o processo durar exactamente 1 (um) período da taxa de juro nominal,
caso em que está é afectiva.
No regime simples puro e no regime composto, de uma taxa efectiva, obtêm-se
outras taxas efectivas através da relação da equivalência, e obtêm-se, taxas meramente
nominais através da relação de proporcionalidade (procedimento este que aliás, é
frequente na pratica financeira).
Exemplo:
i=0,095445115*100=9,544511495≃9,545%
e para um tempo de 4 anos:
(1+i)4=1+4*10% (1+i)4=1,4 log(1+i)4=log1,4 4log(1+i)=0,146128035
0,146128035
log(1 + 𝑖) = 1+i=antilog0,036532008 i=1,087757304-1
4
i=0,087757304*100=8,775730363≃8,776%
As taxas de 10% e 5% são meramente nominais.
2. Em regime simples puro (ou em regime composto) com capitalização semestral
a 5%, a taxa anual efectiva é dada por
(1+5%)2-1=1,1025-1=0,1025*100=10,25%, enquanto 10% é meramente
nominal.
55
2.2.3. Simbologia a Utilizar
1
i1/m = taxa subanual efectiva (relativa à fracção 𝑛 do ano).
ano).
Sem dúvida, o caso particular mais interessante, por ser mais vulgar, é o seguinte:
➢ Ou se entende que a taxa anual declarada é efectiva (isto é, i), vindo a taxa
efectiva vigente no período de capitalização subanual dada pela equação
de equivalência: i1/m=(1+i)1/m -1;
➢ Ou se considera a taxa anual declarada como meramente nominal [isto é:
i(m)], sendo a taxa efectiva vigente no período de capitalização subanual
𝑖 (𝑚)
obtida mediante a relação de proporcionalidade 𝑖1 = .
𝑚 𝑚
56
Todavia, é certo que, em vez dessa taxa nominal, deveria ser declarada a taxa
anual efectiva; isto é, em termos teóricos.
Que razões levarão a desvios na prática daquilo que a teoria indica? A resposta é
dada por Fornés Rubió neste termos: A taxa nominal é a que se utiliza na prática para
dar uma maior facilidade ao público que não está muito co-penetrado do mecanismo do
juro composto: os juros dos empréstimos costumam ser satisfeitos por fracções do ano,
e, quando se fala da taxa de juro do empréstimo, não se menciona a taxa real anual i
equivalente à taxa real da fracção do ano i1/m, mas sim a taxa nominal obtida
multiplicando a taxa real i1/m pelo número de fracções que cabem no ano; assim, no caso
de pagamento trimestral de 1%, anuncia-se a taxa do empréstimo como sendo de 4%
anual, por ser 4 * 1%=4%, quando afinal a taxa anual real é:
i=(1+1%)4-1=1,04060401-1=0,04060401*100=4,060401≃4,0604%.
Exercícios:
1. Seja a taxa anual de 8% em regime simples. Qual é a taxa anual real; a taxa
anual nominal; e a taxa real referida ao período de capitalização?
Considere que a capitalização se faz:
a) Uma vez ao ano;
b) 4 Vezes ao ano.
2. Nos jornais tem aparecido o seguinte anúncio: o BFA remunera presentemente à
taxa anual de 4,5% os depósitos constituídos pelo prazo mínimo de um ano e um dia.
Os juros, que serão pagáveis semestralmente e no termo do prazo dos depósitos, não
estão sujeitos a qualquer dedução, visto que se encontram isentos tanto do imposto de
capital como do imposto complementar. Quanto paga efectivamente ao ano o BFA?
3. No empréstimo público “obrigações do tesouro, 10%-15%, 1988”, emitido pelo
Estado Angolano, os juros são pagos semestralmente em Maio e Novembro e as taxas
de 10% no 1º e 2º ano, 11% no 3º e 4º ano, 12% no 5º ano, 13% no 6º ano, 14% no 7º
ano e 15% no 8º ano.
Quais são as taxas anuais efectivas destes empréstimos?
4. Um capital de 1.000.000kz foi colocado num processo de capitalização
composta de período mensal. Qual o juro total ao fim de 10 anos, à taxa anual de 3%?
57
a) Admita que 3% é a taxa efectivamente praticada;
b) Interprete a taxa 3% conforme é corrente na banca e no comércio.
5. Pretende-se saber a taxa semestral equivalente à taxa quadrimestral de 16%?
6. Verifique se o juro produzido por 150.000kz à taxa semestral de 12%, é igual ao
juro mensal à taxa de 2%?
7. Verifique se a taxa quadrimestral de 16% é proporcional à taxa trimestral de
12%.
8. Dada a taxa de 15% ao ano, calcule as taxas efectivas equivalentes para os
seguintes períodos:
a) Um mês;
b) Três meses;
c) Quatro meses;
d) Seis meses;
e) Oito meses;
f) Um ano e meio.
Esta prática contraria o que se pode considerar “normal” ou “justo”, que é pagar
uma remuneração pela utilização de um capital alheio, durante um certo prazo de
tempo, após esse prazo de tempo. Neste regime, essa remuneração é paga ainda antes de
se usufruir do capital alheio.
58
Além disso, é bom não esquecer que o próprio valor (real) do dinheiro é
diferente em cada um dos momentos considerados – inicio ou fim do prazo contratado.
Designando por:
C = Capital nominal (Capital solicitado);
C´= Capital actual (Capital recebido), temos então, esquematicamente,
0 1 2 3 … n-1 n
Um dos aspectos que torna este regime “violento” é o facto de o juro ser
calculado sobre C que, como se vê, não é o capital que efectivamente se recebe. No
fundo, o que parece “correcto” ou “justo” é calcular o juro sobre o capital que se
recebe (C´) e não sobre o capital que se solicita.
a) O valor do empréstimo;
b) A taxa real para o mutuante.
Solução:
59
a) C´=470.000kz; i=12%; n=180 dias; C=?
𝟏𝟖𝟎∗𝟎,𝟏𝟐 𝟐𝟏,𝟔
C´=C(1-ni) 470.000kz= 𝑪(𝟏 − ) 470.000kz= 𝑪(𝟏 − 𝟑𝟔𝟎 )
𝟑𝟔𝟎
𝟒𝟕𝟎.𝟎𝟎𝟎𝒌𝒛
470.000kz= 𝑪(𝟏 − 𝟎, 𝟎𝟔) 470.000kz= 𝟎, 𝟗𝟒𝑪 C= 𝟎,𝟗𝟒
C=500.000,00kz
𝑪 𝟓𝟎𝟎.𝟎𝟎𝟎𝒌𝒛 𝟓𝟎𝟎.𝟎𝟎𝟎𝒌𝒛
b) 𝑪´ = 𝟏+𝒏𝒊 470.000kz= 𝟏𝟖𝟎 470.000kz=
𝟏+ ∗𝒊 𝟏+𝟎,𝟓𝒊
𝟑𝟔𝟎
i=12,7659574≃12,7659575%
60
CAPÍTULO III – DESCONTO
3.1- O Desconto como é Concebido Teoricamente.
3.1.1- Desconto composto á taxa de juro i
Como deverá definir-se, numa posição teórica, o valor actual do capital Cn quando
falta o tempo t para o vencimento?
Cn – t Cn Cn = Cn – t (1+i)t
Juro
Composto Jtotal = Cn – t [(1+i)t – 1]
Mais quando é dado Cn, como acontece no presente capítulo, o sentido seguido é
inverso ao do tempo, obtendo-se o valor actual e o desconto composto:
Cn – t Cn Cn– t = Cn (1+i)-t
Desconto
Composto DComposto = Cn Cn – t = Cn [(1–(1+i)-t]
61
Estas são as expressões do desconto composto à taxa de juro i e do correspondente
valor actual.
Exercícios:
62
3.1.2.- Desconto Composto á Taxa de Desconto d
d = Cn-Cn-1, sendo Cn = 1.
d = 1–1(1+i)- 1
𝑖 𝑑
𝑑= ou formulando i em função de d: i=
1+𝑖 1−𝑑
D Composto = Cn[1–(1-d)t] .
d(1+i) = i d<i
63
penúltimo período; e assim sucessivamente até chegar ao momento actual. Seguindo
esta via poder-se-á deduzir a expressão do valor actual já encontrada.
Com efeito:
Cn-t = Cn(1-d)t.
64
Tudo se passa como se esta quantia estivesse aplicada durante o tempo t. E se em
tal aplicação a entidade obtivesse a taxa corrente de juro que por hipótese é menor, por
exemplo, 4%, resultaria ao fim do tempo t:
[Cn(1+5%)-t]*(1+4%)t
No entanto, ao fim do tempo t, o descontante não recebe isto, mas sim o valor
nominal Cn que é maior.
Em vez do regime teórico, outros mais simples estão consagrados. Mais uma vez
deve reconhecer-se que tudo é uma questão de convenções.
C´r1 = C´r2 𝐶1 𝐶2
=
1 + 𝑛1 i 1 + 𝑛2 i
65
Resumindo, temos:
C1(1-n1i) = C2(1-n2i)
(Equação de equivalência de dois capitais em
desconto comercial ou desconto por fora);
𝑪𝟏 𝑪𝟐
= (Equação de equivalência de dois capitais em
𝟏 + 𝒏𝟏 𝒊 𝟏 + 𝒏𝟐 𝒊
desconto racional ou desconto por dentro)
1ª) Dois capitais são equivalentes numa dada data, e só nessa. Única excepção
(óbvia): quando os dois capitais são iguais e têm o mesmo vencimento. Nesta
hipótese são equivalentes em qualquer momento;
2ª) Dois capitais iguais, mas com vencimentos diferentes nunca poderão ser
equivalentes;
3ª) Dois capitais diferentes, mas com o mesmo vencimento nunca poderão ser
equivalentes;
4ª) Dois capitais não podem ser equivalentes num mesmo momento nos dois
regimes de desconto (comercial e racional) simultaneamente.
Vamos supor que temos vários capitais diferentes (C1,C2, …, Cn), com
vencimentos diferentes (n1, n2, …, nn), que queremos substituir por um capital único, C,
relativamente ao qual:
1º) Queremos que seja determinado o montante, C (pelo que temos que
determinar a quantos dias deve ser o seu vencimento, n); ou
2º) Queremos que vença em determinado momento, daqui a n dias (pelo que
temos que saber qual deve ser o seu montante, C)
66
Esquematicamente:
Equivalência de capitais:
C1
n1
C2
n2
C3
n3
C
n
Momento
Actual
No fundo, o objectivo é:
67
𝑪 𝑪 𝑪 𝑪
= 𝟏+𝒏𝟏 𝒊 + 𝟏+𝒏𝟐 𝒊 + ⋯ + 𝟏+𝒏𝒏 (Equação geral de equivalência de um capital a um
𝟏+𝒏𝒊 𝟏 𝟐 𝒏𝒊
Neste ponto vamos ver dois casos concretos (muito frequentes no dia-a-dia
empresarial) de aplicação da teoria da equivalência de capitais: O desconto bancário de
letras e a reforma de letras.
O desconto bancário é, então, uma operação (de desconto, obviamente), pela qual
o credor realiza, antes da data do seu vencimento, o valor nominal reduzido de uma
parcela que é composta por encargos legais ou contratuais estipulados para a operação.
9
N.B.: Notemos que qualquer das equações anteriores pode ser resolvida quer em ordem a n (quando se
conhece C), quer em ordem a C (quando se conhece n).
68
Na data do vencimento, compete ao devedor pagar ao banco o valor nominal.
𝑳𝒏𝒊
𝑫𝒇 = 𝟑𝟔𝟓 (repare-se que este é exactamente o desconto calculado segundo a solução
comercial);
Cc = LiCc;
IS = is(Df+Cc);
P = Vários.
69
𝑳𝒏𝒊
𝑫𝒇 = 𝟑𝟔𝟓 em que L representa o valor nominal da letra;
i representa a taxa de desconto utilizada pelo banco. Há anos atrás era rígida,
dependendo de n, mas actualmente é livre e negociável. Pode assistir-se a variações
significativas de banco para banco e até dentro do mesmo banco, de cliente para cliente.
Expressa-se em termos anuais.
Como n está expresso em dias e i em anos, é necessário dividir Lni por 365 dias,
para que fiquemos com n e i expressos na mesma unidade de tempo.
2- Comissão de Cobrança
Cc = LiCc em que:
10
N.B.: Em rigor, o número de dias a acrescer para efeitos de cálculos de Df pode ser superior a
dois, tendo esse facto a ver com o dia da semana em que a letra vence (e, consequentemente, com o
segundo dia útil posterior). Pode coincidir com sábados, domingos ou feriados e daí, na prática, o número
de dias a acrescer pode ser superior. Para efeitos académicos vamos sempre considerar apenas dois dias.
O banco, ao aceitar a operação de desconto, assume desde logo que o devedor vai aproveitar esta
faculdade que a Lei lhe confere, repartindo imediatamente esse facto sobre o seu cliente (que descontou a
letra).
70
DOMICILIADA NÃO DOMICILIADA NÃO
DOMICILIADAS DOMICILIADAS
1‰ 2‰ 0,5% 1%
3- Imposto de Selo
IS = is(Df+Cc) em que:
is representa a taxa a que é calculado o imposto de selo. Tem sido de 9%, mas a
partir de Janeiro de 1995 em Portugal passou a ser de 7%.
11
Já agora, deve mencionar-se uma outra receita fiscal relacionada com as letras, i é, a selagem das
mesmas, que é o custo do impresso, se quisermos, que depende do valor nominal da letra, de acordo com
a tabela que a seguir se transcreve, e que não deve ser confundida com este imposto de selo – ISOB –, o
qual tem lugar devido ao desconto, que uma operação de crédito.
71
TABELA DA SELAGEM DE LETRAS (1995)
72
3.4.2- Reforma de Letras
Vimos no ponto anterior o desconto bancário de letras. Ainda que regido por
regras próprias e bem definidas não deixa de ser, na essência, um exemplo concreto de
uma operação de desconto ou actualização.
Vamos agora ver a reforma de letras, que pode ser assumida a uma operação de
capitalização.
Reformar uma letra é diferir o seu pagamento para um momento posterior. Logo,
parece correcto que o valor nominal da nova letra seja superior ao da letra inicial.
Contudo, como veremos, é possível reformar letras de vários modos.
Designada por L a letra inicial e por NL a “nova letra” (letra reformada), teremos:
REFORMA DE LETRAS
L NL
0 n
Assim, a reforma pode ser total (se o aceitante não faz qualquer entrega em
numerário ou cheque na altura do vencimento da divida inicial, diferindo assim a
totalidade da divida para mais tarde), ou parcial (caso o aceitante resolva pagar parte da
divida inicial no seu vencimento, diferindo para mais tarde apenas o restante dessa
dívida).
73
Além disso, podemos ainda conceber a reforma tanto sob a forma dita comercial
como sob a forma dita racional.
Como já vimos, no primeiro caso o juro incide sobre o valor nominal da letra
reformada, isto é, reportado ao momento do vencimento inicial; no segundo caso, o
juro incide sobre o valor da letra de reforma, isto é, reportado ao momento do
vencimento do novo aceite.
n = Prazo da reforma;
Assim, NL=LD+J
𝑳𝑫
NL=
𝟏−𝒏𝒊
74
Esquematicamente12:
REFORMA
S Juros N N
Juros
Incl. Incl.
T/P T
T/P T/P
T/P P
P P
NL=LD 𝑳𝑫
T NL=LD NL=
𝟏−𝒏𝒊
NL=LD(1+ni)
NL=LD(1+ni) NL=L
𝑳𝑫
NL=
𝟏−𝒏𝒊
12
Note-se que nas hipóteses atrás consideradas assumiu-se sempre que os juros da reforma são incluídos
no valor nominal do novo aceite. No entanto, na prática, eles podem ser pagos à parte, situação em que,
como é óbvio, o valor nominal do novo aceite será LD.
75
fundo, e isso também é importante reter, pode haver interesses ou razoes comerciais que
se sobreponham a questões meramente financeiras, ainda que teoricamente correctas.
Outra situação que pode acontecer na prática é calcular o valor nominal do novo
aceite de forma a que, o descontado imediatamente ao sacador receber a quantia a que
tinha direito no momento do vencimento inicial, isto é, L. No fundo, o que se pretende é
que o PLD do novo aceite (descontado imediatamente), seja L (se se tratou de uma
reforma total) ou LD (se se tratou de uma reforma parcial).
Finalmente, é também frequente ficar desde logo acordado entre sacado e sacador
que o novo aceite não inclui juros nem o seu valor nominal é calculado nos termos do
parágrafo anterior, sendo que, em vez disso, o sacador desconta o novo aceite e debita
ao sacado o montante dos encargos suportados com esse desconto (isto é, o ágio). Ou
seja, quem acaba por suportar os encargos é o sacador.
Como se vê, muitas vezes a teoria aponta num sentido, mas a prática pode assumir
formas diversas.
76
Ágio é o valor total que fica retido no banco e que é constituído por:
Desconto Comercial
Ágio
_ Comissões sobre o valor nominal do título;
Comissões Fiscais _ Imposto de Selo
_ Portes
_ Telegramas, etc. …
Como as comissões fixas servem para o banco fazer face aos gastos reais, o seu
benefício é de facto o valor do desconto comercial, que só é recuperado quando se
receber o valor na data do vencimento.
Exemplos:
Solução:
77
𝑳𝒏𝒊
E= + 𝑳𝒊´)(𝟏 + 𝒊´´) + 𝑷
𝟑𝟔𝟓
E=(𝟏𝟎𝟎.𝟎𝟎𝟎.𝟎𝟎𝟎𝑲𝒛∗𝟕𝟑∗𝟎,𝟏𝟖
𝟑𝟔𝟓
+ 𝟏𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎𝑲𝒛 ∗ 𝟎, 𝟎𝟎𝟏) (𝟏 + 𝟎, 𝟎𝟗) + 𝟑𝟓𝟎. 𝟎𝟎𝟎𝑲𝒛
PLD = L – E;
Solução:
𝑳𝒏𝒊
PLD=L – E e E= + 𝑳𝒊´)(𝟏 + 𝒊´´) + 𝑷
𝟑𝟔𝟓
E=(𝟖𝟎𝟎.𝟎𝟎𝟎.𝟎𝟎𝟎𝑲𝒛∗𝟕𝟎∗𝟎,𝟐𝟎𝟓
𝟑𝟔𝟓
+ 𝟖𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎𝑲𝒛 ∗ 𝟎, 𝟎𝟎𝟓) (𝟏 + 𝟎, 𝟎𝟗) + 𝟑𝟒𝟏. 𝟎𝟎𝟎𝑲𝒛
78
= (31.452.054,79Kz + 4.000.000Kz) * 1,09 + 341.000Kz
PLD = L – E
Exercícios:
79
antecipados à taxa anual de 15% durante 3 meses, ou depositá-lo em regime
de juros simples, à mesma taxa e pelo mesmo prazo? Justifique.
5. Duas letras, uma de valor nominal de 25.000.000Kz e outra de valor nominal
de 25.212.700Kz vencem-se, respectivamente, daqui a 120 e 180 dias (ano
comercial). Considerando a taxa de 25% determine daqui a quantos dias será a
data de equivalência, a um capital de 45.675.200Kz (juros simples).
6. Considere duas letras, uma de valor nominal de 12.000.000Kz e outra de valor
nominal de 12.250.000Kz, vencíveis, respectivamente, daqui a 45 e 90 dias.
Determine a taxa i por forma que aquelas duas letras sejam equivalentes daqui
a 10 dias a uma única letra de valor nominal de 24.300.000Kz vencível daqui
à 80 dias.
7. Determine o vencimento médio das seguintes letras:
➢ Letra A de 26.000.000Kz, vencível daqui a 90 dias;
➢ Letra B de 24.000.000Kz, vencível daqui a 60 dias;
➢ Letra C de 30.000.000Kz, vencível daqui a 10 dias.
Foi utilizada a taxa de 16%.
8. A firma EDK, Lda., é aceitante de 4 letras de valores nominais de
10.000.000Kz, 20.000.000Kz, 30.000.000Kz e 40.000.000Kz vencíveis,
respectivamente, daqui a 1, 2, 3 e 4 meses. No dia do vencimento da primeira
letra, o aceitante propõe ao credor a substituição das 4 letras por uma nova de
valor nominal de 100.000.000Kz, tendo sido acordada a taxa de 16%. Qual
deverá ser o prazo de vencimento da nova letra?
80
CAPÍTULO IV – CAPITAL COMUM E VENCIMENTO
COMUM
Exige-se então que um tal capital comum seja equivalente ao conjunto de todas os
capitais em dívida. Por “capitais em dívida”entenda-se os próprios capitais em sentido
estrito e os respectivos juros (que não deixam de ser capital em dívida). Como se
definirá essa equivalência?
Tendo em conta, a produção de juros, o capital comum deverá ser igual à soma
dos diversos capitais previamente localizados no vencimento comum.
Exemplo:
A EDK, LDA, tem para com a SOCOLIL duas dívidas: 100.000,00kz, vencimento
daqui a três anos e juro simples de 6% pagável ano a ano; 50.000,00kz, vencimento
daqui a 6 meses, com juro já incluído. Por acordo entre EDK, LDA, e a SOCOLIL, foi
81
acordado amortizar em conjunto as duas dívidas, através de um único pagamento dentro
de um ano (vencimento comum); qual o montante deste pagamento (capital comum)13?
6.000,00kz
50.000,00k 6.000,00k 106.000,00k
z z z
0 ½ 1 2 3 anos
Vencimento
comum
=50.000kz*1,024695077+6.000kz*1+6000kz*0,952380952+106.000*0,907029478
=51.234,75385kz+6.000kz+5.714,285712+96.145,12467kz
=159.094,1642≃159.094,00kz
Generalizando, seja então um conjunto de capitais: c1, c2, c3,… cm, com vencimentos,
respectivamente em : t1, t2, t3, … tm. De notar que estes vencimentos não têm, em
princípio, uma localização especial no eixo do tempo. Por exemplo, poderiam ser
periódicos, mas nada obriga a isso.
13
N,B: seria um erro considerar este capital comum igual a soma pura e simples das duas
dívidas (100.000,00kz+6.000,00kz+50.000,00kz+6.000,00kz+6.000,00kz=168.000,00kz).
Considerando para movimento de referência o vencimento comum, deve-se calcular o valor de
cada capital nessa data. Só que, para isso, é necessário escolher uma taxa de avaliação, seja
5% ao ano.
82
Ter-se-á a seguinte representação sobre o semieixo do tempo:
C. Comum
C1 C2 C3
C4 C5 C6 Cm
O t1 t2 t3 t4 t5 t6 tm
t
(Capitalizações) (Des contos)
Para obter (calcular) o capital comum, há que preencher os seguintes dois passos:
83
Ou, pondo em evidência o factor constante (1+i)t:
Em que vx=(1+i)-x14
Exemplos:
C Comum(1) = 15.000kz(1+6%)1-2+25.000kz(1+6%)1-9/12+40.000kz(1+6%)1-4+35.000kz(1+6%)1-3/12+19.000kz(1+6%)1-1
= 15.000kz(1,06)-1+25.000kz(1,06)1/4+40.000kz(1,06)-3+35.000kz(1,06)-3/4+19.000kz(1,06)0
=15.000kz*0,943396226+25.000kz*1,014673846+40.000kz*0,839619283+35.000kz*1,044670663+19.000kz*1
=14.150,94339kz+25.366,84615kz+33.584,77132kz+36.563,47321kz+19.000kz
=128.666,0341≃128.666,00kz
14
N.B: A taxa de avaliação deve estar referida à mesma unidade de tempo em que estão
expressos os vencimentos t e tK. Isto é, se a taxa é anual, por exemplo, e os vencimentos estão
em meses, há que compatibilizar o conflito entre as duas unidades de tempo.
84
2. Pretende-se substituir as três dívidas seguintes por uma única de montante
igual a 300.000,00kz: 100.000kz, vencimento a 2 anos; 200.000,00kz,
vencimento a 3 anos; 14.394,00kz, vencimento a um ano. Adoptando uma
taxa de juro anual de 3%, qual há-de ser o vencimento da divida única?
3. Por acordo entre devedor e credor, foi fixado o valor comum de 200.000,00kz
em substituição de três dívidas, todas de valor constante igual a 100.000,00kz
e de vencimentos dentro de 10,25e 30 anos. Se a taxa de avaliação
convencionada for de 4% ao ano, qual há-de ser o vencimento?
4. Em 01 de Janeiro de 1960 a Goureth emprestou à Ivone 100.000,00Kz,
comprometendo-se esta última a pagar em 31 de Dezembro de 1970 o valor
emprestado acrescido de juros à taxa anual de 4,5%.
Em 01 de Janeiro de 1965, a Goureth voltou a emprestar 200.000,00Kz à
Ivone, obrigando-se esta a amortizar a nova dívida em 31 de Dezembro de
1975, mas agora acumulando juros à taxa de 5,5%.
Precisamente no final de 1968 a Ivone resolve propor a amortização
imediata das duas dívidas. A credora concordou, tendo sido fixada a taxa de
avaliação de 5% ao ano (taxa de juro então corrente). Calcule o montante
pago pela Ivone em 31 de Dezembro de 1968.
15
OBS: De notar que, neste caso, o capital comum e a taxa de avaliação escolhidos podem resultar num
absurdo, isto é, ser já passada a data de vencimento comum. Haverá então que aumentar o capital comum.
Ou elevar a taxa de avaliação, o que aliás, é, em principio, inadmissível; de facto, a taxa de avaliação
depende de factores exógenos e daí que o valor adoptado seja definitivo.
85
interesse prático, pois, em geral, a taxa de avaliação é um dos parâmetros definidos a
priori.
Caso particular nos problemas da alínea a): escolhe-se para vencimento comum o
próprio momento actual (t=0), vindo o capital comum actual determinado por:
𝑚
𝑐𝑐𝑜𝑚𝑢𝑚(0) = ∑ 𝐶𝑘 𝑉 𝑡𝑘
𝑘=1
𝑚
∑𝑘=1 𝐶𝑘
(1+i)t = 𝑚
∑ 𝐶 𝑘 𝑉𝑡𝑘
𝑘=1
16
OBS: Na realidade, o valor obtido para t não é uma média aritmética dos diversos vencimentos. A
denominação de vencimento médio deriva da seguinte equação (equivalente à apresentada no texto):
∑𝐶𝑘 𝑉𝑡𝑘
Vt= a qual denuncia ser t calculado de modo que Vt seja a média ponderada pelos capitais Ck.
∑Ck
86
Exemplos:
Solução:
𝒎
𝒕
𝒄𝒄𝒐𝒎𝒖𝒎(𝒕) = (𝟏 + 𝒊) ∗ ∑[𝒄𝒌 𝑽𝒕𝒌 ],
𝒌=𝟏
1 0,01693548
=1+ ∗ 0,01693548 = 1 + = 1 + 0,322580571 =
0,0525 0,0525
87
Solução:
200.000,00Kz=(1+4%)t*[50.000,00Kz*V2 + 200.000,00Kz*V1]
200.000,00Kz=(1+4%)t*[50.000,00Kz*(1+4%)-2 + 200.000,00Kz*(1+4%)-1]
200.000,00Kz=(1+4%)t*(50.000,00Kz*0,924556213+200.000,00Kz*0,961538461)
200.000,00Kz=(1+4%)t*(46.227,81065Kz + 192.3076923Kz)
200.000,00Kz
200.000,00Kz=(1+4%)t* 238.535,503Kz (1+4%)t= 238.535,503Kz
(1+4%)t = 0,838449612
log(1+4%)t = log0,838449612
t*log(1,04) = log0,838449612
log0,838449612 −0,076523031
t=
log(1,04)
t= = - 4,492544278 < 0, pelo que
0,017033339
Exercícios:
88
para atingir o vencimento inteiro mais próximo. A taxa de avaliação é de 6% ao
ano. Determine o vencimento comum.
89
Pretende-se que determine o valor que há-de ser atribuído a estas parcelas do
património em causa na data do trespasse, isto é, em 01/01/1971. A taxa de
avaliação é de 5,5% ao ano.
90
CAPITULO V – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS
RENDAS OU ANUIDADES
5.1- Conceitos de Renda ou Anuidade
É costume dar a cada um destes capitais o nome de termo da renda, por analogia,
com as sucessões numéricas. Simbolizar-se-á os sucessivos termos da renda por C1, C2,
C3, …, Cn. Não confundir a renda com cada um dos termos Ck. A renda é o conjunto de
todos os termos:
91
Há três momentos relevantes na vida de uma renda:
- Renda de termos variáveis – termos variando segundo uma lei conhecida, por
exemplo, em progressão aritmética ou geométrica; ou termos variando sem obedecer a
lei especial.
92
- Renda semestral – os termos chamam-se semestralidades;
17
NB: Normalmente, as rendas são de termo posticipados, pelo que é costume digná-las
por rendas normais.
93
- Renda imediata (w=0): O diferimento é nulo e o primeiro período da renda inicia-se
imediatamente;
5.3- Exemplos:
94
1. Certa empresa industrial comprou em 30 de Junho de 1968, um equipamento fabril,
combinando com o vendedor a seguinte forma de pagamento: entrega de 10.000 Kz
no fim de cada ano, durante 10 anos, vencendo-se a primeira prestação em 30 de
Junho de 1969. Classifique o tipo de renda:
R: O conjunto das prestações constitui uma renda certa, imediata, temporária de dez
unidades constantes e posticipadas, com o objectivo de amortização.
10 10 10 10 10 10
0 1 2 3 8 9 10 anos
R: Cada título de empréstimo gerou uma renda, de facto, estes 300 F constituem uma
renda perpétua, anual, de termos constantes, com o objectivo de remuneração (é um juro
simples). É certa. Não se pode acrescentar mais, por falta de informação, sobre se se
trata de renda imediata ou deferida, nem quanto ao vencimento posticipado ou
antecipado dos termos.
3. Uma pessoa de 35 anos, fez o seguinte contrato com uma companhia de seguro:
enquanto for viva, em 1 de Janeiro de cada ano entrega a quantia de
120.000,00Kz; em contrapartida, a companhia compromete-se a pagar, na data
da morte do segurado, o capital 1.100.000,00Kz ao beneficiário indicado. Como
o contrato foi realizado em 1 de Outubro, o primeiro pagamento terá lugar em 01
de Janeiro próximo.
95
segurado sobreviver além dos 35 anos, desconhece-se o número de termos da renda - é
incerta.
4. O senhor Pedro Lindole fez com a SAVANA, SAL, LDA, o seguinte contrato:
trabalhar durante 5 anos no departamento de vendas, recebendo no fim de cada
mês, um vencimento, fixo de 400.000kz e, no fim de cada ano, um prémio
proporcional ao volume de vendas conseguido ao longo dos 12 meses.
96
5.4.1 – Valor de uma Renda Posticipada
Seja uma renda de termos normais, diferida w, (com w≥0). O valor da renda num
momento t será simbolizado por18: R (t) Post
Donde:
𝑚 𝑚
A taxa de avaliação i deve ser referida á mesma unidade de tempo em que estão expressos
os prazos t, W e k. Esta unidade de tempo é o período da renda. Se por necessário, utilizar-se-á a
relação de equivalência entre taxas de modo a compatibilizar as unidades de tempo.
Particularizando o momento t:
a) Se se escolher para o vencimento comum o inicio do primeiro período da renda, isto é,
t=w, vem:
𝑚
R (w)
C₁ C₂ C₃ Cń
18
N.B: Leia-se: Valor, no momento t, de uma renda posticipada diferida de w.
19
N.B: Recorde-se: o esquema feito, supra, para a renda de termos posticipados. O termo C₁ vence-se em
w+1; em quanto que o termo C₂ vence-se w+2; etc.
97
0 w w+1 w+2 w+3 w+n períodos
da renda
𝑚
R(0) Post = (1+i) 0-w
∑ [𝑐𝑘 𝑉𝑘
𝑘=1
w
= ﻝw R(w) Post
w
Como, aliás, não poderia deixar de ser, pois trata-se de descontar o capital, valor da renda desde
w até
R(0) R(w)
w W+n períodos
da renda
𝑚
𝑅(𝑤 + 𝑛)𝑃𝑜𝑠𝑡 = (1 + 𝑖)𝑡+𝑛−𝑤 ∑𝑘=1[𝑐𝑘 𝑉 𝑘
w
= (1 + 𝑖)𝑛 R(w)Post
w
=Uw R (w) post
Como, aliás, também não poderia deixar de ser, pois trata-se de capitalizar o valor da renda
desde w até w+n:
R(w) R(w+n)
0 w W+n períodos
da renda
Exemplo:
98
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 anos
É uma renda anual: consideramos um prazo de diferimento w = 4 anos, a renda será de temos
posticipados. (A renda seria de termos antecipados, se considerássemos antes um diferimento
w= 5anos).
=(1+5%)t-4*(10.000kz*0.952320952+20.000kz*0,907029478+40.000kz*0,863837598+30.000kz*0.82270247+
10.000kz*0.723526166)=
=(1+5%)t-4*(9523,80952kz+18140,58956kz+34553,50392kz+24681,07422kz+7835.26166kz)=
= 1*94.734,24kz=94.734,24kz
R (a ) Post = (1+5%)-⁵*94.734,24kz
W=4
= 1,276281562*94.734,24kz=120.907,5630 ≈ 120.907,60kz
99
5.4.2- Valor duma Renda Antecipada Diferida de w: é equivalente a tomar
uma renda posticipada diferida de w-1
C1 C2 C3 Cn
É evidente que esta renda pode também ser considerada como posticipada, desde que
torne para prazo de deferimento N-1 períodos em vez de w. Isto implica uma modificação em
todos os períodos da renda: assim, o primeiro período passa a ser (w -1 w) em vez de
(w w+1), etc. Todavia, nota-se que cada termo mantém o mesmo vencimento:
C1 C2
C3 Cn
Logo, pode-se escrever a identidade que relaciona o valor da renda antecipada diferida de
w com o valor da renda participada diferida de w-1.
Donde se tira:
𝑚
R (t) ont = (1+i)t-w+1 ∑ 𝑐𝑘 𝑉𝑘 , ou finalmente:
𝑘=1
W
100
Concluindo: as rendas antecipadas são facilmente convertíveis em rendas
posticipadas, para efeitos de cálculo. Esta relação tão simples, permite concentrar o
estudo apenas nas rendas posticipadas.
101