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Cultivo de Ostras - Desconocido

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DOSSIÊ TÉCNICO
Título

Cultivo de ostras

Assunto

Criação de ostras e mexilhões em água salgada e salobra

Resumo

O nome ostra é usado para um número de grupos


diferentes de moluscos que crescem em

sua maioria em águas marinhas ou relativamente salgadas.


A ostreicultura ou ostricultura é a cultura de ostras e sua
finalidade é oferecer ao consumidor ostras criadas em
cultivo, um produto que oferece uma qualidade superior e
preço atrativo. O cultivo de ostras é uma atividade muito
rentável e ainda pouco explorada no Brasil. Desse modo,
este dossiê irá abordar todas as etapas pertinentes ao
cultivo de ostras como, por exemplo, a obtenção de
sementes de ostras, a criação destas sementes, a etapa de
engorda, captura; colheita, transporte e comercialização.
Além de informações sobre os diferentes tipos de cultivo,
os equipamentos necessários e aspectos higiênico-
sanitário relativos à esta atividade.

Palavras chave
Molusco; ostra; meio de cultivo; criação; aqüicultura;
maricultura; malacocultura

Conteúdo

1 INTRODUÇÃO

O cultivo de moluscos é uma atividade produtiva


conhecida no mundo ocidental desde a época do domínio
do Império Romano, onde já se produzia, processava
(cozimento e

preservação em óleo comestível) e se transportava para o


mar da Itália até a península ibérica. No Brasil essa é uma
atividade com registros desde 1934, tendo sua

comercialização fortemente difundida a partir de 1971 nas


regiões Sudeste e Sul.

O cultivo de moluscos representa uma grande parte da


produção mundial de produtos

marinhos, especialmente por ofertar baixos custos para


sua instalação, material de fácil obtenção, facilidade na
captação de sementes, manuseio e ao mesmo tempo um
alto índice de rentabilidade, o que seria uma alternativa
para a pesca artesanal ou mesmo para
manutenção e reposição dos estoques naturais. Com o
mercado em expansão, a atividade tem grande perspectiva
de consolidação e ampliação para uma escala industrial.

A aqüicultura (ciência que estuda e aplica os meios de


promover o povoamento de animais aquáticos), é uma
atividade que tem apresentado um rápido
desenvolvimento no Brasil e no mundo. Os resultados
obtidos nos últimos anos superam inclusive as atividades

agropecuárias tradicionais como a bovinocultura,


suinocultura e a avicultura.

O potencial do Brasil para o desenvolvimento da


aqüicultura é imenso, constituído por 8.400

km de costa marítima, 5.500.000 hectares de reservatórios


de águas doces,

aproximadamente 12% da água doce disponível no


planeta, clima extremamente favorável para o crescimento
dos organismos cultivados, terras disponíveis e ainda
relativamente baratas na maior parte do país, mão-de-obra
abundante e crescente demanda por pescado no mercado
interno.

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Nos últimos cinco anos a aqüicultura brasileira vem


apresentando taxas de crescimento anuais médias
superiores a 22%. Alguns setores, como o da
ostreicultura, chegaram a

ampliar suas produções em mais de 50% de 2000 para


2001. Das 150.000 toneladas

produzidas no País em 2000, 2.000 toneladas foram de


ostras das espécies Crassostrea gigas e Crassostrea
rhizophorae .

A aqüicultura é uma importante fonte produtora de


proteína animal em várias regiões do mundo. A
malacocultura que envolve a produção de moluscos
(ostras, mexilhões e vieiras) teve uma produção anual
estimada em 10,5 milhões de toneladas (FAO, 2003). Na
América do Sul, o Brasil ocupa o segundo lugar na
produção com 210.000 t, superado apenas pelo Chile com
631.600 t. No litoral brasileiro, o estado de Santa
Catarina é responsável por 90%

da produção nacional de moluscos.

2 ESPÉCIES CULTIVADAS

Crassostrea gigas

Ostra japonesa tem um rápido crescimento, mas requer


temperaturas mais baixas,

máximo 28C e melhor abaixo de 24C, é indicada para o


Sul do Brasil. Esta espécie é

cultivada em lanternas fixas em long-lines em baías do


litoral. Não é indicada para

regiões estuarinas de mangue. Não se reproduz no


ambiente só em laboratório.

Crassostrea rhizophorae

Ostra nativa do Brasil, com uma distribuição ao longo de


todo litoral e

predominantemente no Norte e Nordeste em regiões de


mangue. Cultivo dessa
espécie é recomendo em travesseiros.

3 BIOLOGIA DA OSTRA

Nas últimas décadas os estudos sobre a biologia e a


ecologia das ostras têm se

intensificado com o objetivo de desenvolver técnicas de


cultivo adequadas a cada região. Os estudos sobre os
aspectos reprodutivos, como: maturação gonadal e
desenvolvimento larval são importantes entre organismos
de interesse econômico.

Em espécies que habitam regiões de latitudes altas, onde


as estações do ano são

relativamente definidas, os organismos tendem a


apresentar picos de eliminação de

gametas nos períodos de temperatura elevada. Neste


aspecto, a temperatura pode ser

considerada um fator exógeno importante no controle da


reprodução, especialmente em

invertebrados marinhos, pois está associada a uma séria


de eventos que influência o ciclo gametogênico. Porém, a
regulação exógena da gametogênese não está restrita a um
único fator.

A salinidade, especialmente em ambiente estuarino, onde


existem variações importantes e a composição qualitativa
e quantitativa do alimento, também podem contribuir na
regulação dos processos reprodutivos.

Ostras são moluscos bivalves pertencentes à família


Ostreidae (Rios, 1994). Habitam águas costeiras rasas,
ocorrendo desde a faixa equatorial até cerca de 64°N e
44°S na faixa de frio moderado. Os adultos sésseis são
aderidos a substratos firmes formando bancos naturais.

As ostras de maior importância econômica pertencem ao


gênero Crassostrea, devido ao

valor alimentício da carne e do uso da concha como


matéria prima na fabricação de

produtos industriais e medicinais. Segundo Wakamatsu


(1973), a ostra é considerada um organismo com alto
valor nutritivo devido ao teor de minerais (fósforo,
cálcio, ferro e iodo), glicogênio, vitaminas (A, B1, B2, C
e D) e proteínas.

A casca da ostra é formada por uma espécie de calcita e


argonita cristalizado em forma de carbonato de cálcio.
Quando a ostra sente perigo, é capaz de travar a casca por
meio de um potente músculo de fechamento.

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Figura 1: Biologia da ostra

Fonte: JACOSTRA, [199?]

O corpo da ostra é coberto fora a fora com uma fina manta


protetora. No interior encontram-se: brânquias, boca,
estómago, fígado, coração, rins (dois), intestino, ânus,
pálpebras, músculo e dobradiça. O coração que faz
circular o sangue incolor é facilmente visível posicionado
logo acima do músculo de fechamento.

No verão durante o período de reprodução é possível


perceber um aspecto visivelmente leitoso em todo interior
da ostra. As ostras trocam de sexo, alternativamente são
masculinos e depois femininos e lhe confere a
característica de "hermafroditismo" sucessivo. A troca se
dá após emissão do produto genital, a emissão do sêmen
masculino e dispersão do sêmen pelo ambiente marinho.
Na fêmea é o momento da ovulação, também denominado
de

"ponte". A ostra fêmea guarda suas ovas no interior das


câmaras de respiração. As ovas são fecundadas pelo
sêmen proveniente das correntezas d´água de qual a ostra
aspira as fontes de alimentação. Num prazo de 8 a 10
dias, as larvas são expelidas. Elas mantém uma vida
flutuante no ambiente

marinho até procurar um suporte para fixação permanente.

A natureza da ostra é capaz de compensar as perdas


naturais, gerando a partir de uma única matriz um número
elevado de larvas, algo entre 500.000 a 1.500.000 de
larvas.

Além de ser um investimento rentável, a ostra é um


alimento importante para a saúde do homem. Uma dúzia
do molusco tem o mesmo valor nutritivo que 100 gramas
de carne
vermelha, com a vantagem de possuir quase zero de
gordura. Rica em proteínas e vitaminas A, B e D, a ostra
possui alto teor de ferro, fósforo, cálcio, selênio e zinco.
Por conta disso, o molusco conquistou lugar de destaque
na gastronomia mundial e é também utilizado para o
tratamento de anemias e recomposição nutricional em
casos de tuberculose, osteoporose e inapetência. Cada
100 gramas de carne do molusco possui em média 93
calorias.

Há milhares de anos, as civilizações grega e romana já


valorizavam o consumo de alimentos do mar.
Considerados o néctar dos deuses, a eles era atribuída à
reputação de serem

afrodisíacos. A palavra vem da mitologia grega, segundo


a qual Afrodite, deusa da beleza, sensualidade e do amor,
nasceu do sêmen de Urano que caiu na espuma do mar,
quando o deus foi castrado por seu filho Saturno. Nascida
dentro de uma concha, Afrodite pariu Eros.

Outros registros históricos contam que, em Roma, a


iguaria era uma das principais atrações dos banquetes dos
imperadores, que pagavam pelo molusco em ouro.
Geralmente, esses

eventos acabavam em orgias, razão pela qual era


atribuído o poder afrodisíaco às ostras.
Em tempos mais recentes, um outro admirador do molusco
foi Casanova, que segundo a

literatura, comia cerca de 60 ostras por dia, ganhando a


fama como conquistador de apetite sexual insaciável.

Exageros e lendas à parte, o certo é que devido à


concentração de proteínas que ajudam a manter os
sentidos aguçados e graças à presença do zinco,
substância importante na

produção do sêmen nos homens, a ostra ficou conhecida


como um "viagra natural", estimulante da performance
sexual masculina.

4 OBTENÇÃO DAS SEMENTES

As sementes da ostra Crassostrea gigas pode ser obtida na


UFSC e na UNIVALI, que a

partir de reprodução em laboratório, fornecem também a


ostra nativa Crassostrea

rhizophorae , porém em menor escala. As sementes podem


ser obtidas também diretamente do ambiente utilizando
coletores artificiais, como telhas ou garrafas PET de 2
litros (sem 4
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fundo). Estes artefatos são banhados em uma solução de


cal, gesso e areia fina, para que as sementes possam fixar-
se e serem facilmente retiradas. É muito importante se
atentar para o período da desova, que geralmente ocorre
na primavera.

As sementes de um centímetro são retirados dos coletores


uma a uma e colocadas em

travesseiros de 4mm. Cada travesseiro deve acomodar


6000 unidades.

As sementes de ostras nativas às vezes atrofiam e não


crescem. Uma medida é importante é classificar as ostras
com uma peneira a cada 45 dias. As maiores passam para
uma malha maior e as menores voltam para o berçário. Se
em 60 dias as sementes não estiverem

crescendo é melhor descartar as pequenas e trabalhar


apenas as que estão se

desenvolvendo.
5 CRIAÇÃO DAS SEMENTES

O ciclo da ostra se inicia na semente, uma larva minúscula


de 1 a 2/10 de milímetros, proveniente naturalmente da
ostra matriz. A duração do período larval na natureza é

determinada principalmente pela temperatura da água e


também pela disponibilidade de alimento. Porém, fatores
como salinidade e turbidez podem inibir o crescimento,
causar mortalidade das larvas, retardar o crescimento ou
interferir na dispersão das mesmas na natureza. Em
ambiente natural, uma boa parte das sementes se perderia,
devido à ação de predadores como, peixes, estrelas do
mar, siris, caranguejos e pássaros. Com o manejo do
ostreicultor, as numerosas perdas de sementes são
evitadas.

Na região de Cananéia/SP, a ostreicultura conta com a


fecundabilidade natural da ostra para popular os bancos
de criação, conseguindo obter assim novas sementes a
partir dos

próprios recursos naturais. A espécie cultivada é nativa,


designada como "Crassostrea rizophorea .

5.1 Engorda, captura e colheita

As pequenas larvas procuram um suporte que lhe convêm


para se fixar. A coletora

preparada cuidadosamente pelo ostreicultor tem várias


finalidades: serve de suporte, abrigo e proteção dos
predadores naturais. Existem várias formas e meios de
coletores. Eles são posicionados com apoio de balsas
próprias e colocados ao longo dos bancos de engorda e
expostos as correntezas da maré. Cada passo deste
processo tem época apropriada. A

temperatura da água, a salinidade, a oxigenação, os


ventos, as chuvas fazem avançar ou recuar o ciclo de vida
da ostra. O cuidado diário, as condições ambientais
favoráveis, a pureza das águas, são os fatores que
influenciam no sucesso do empreendimento.

Depois de fixar as larvas posicionadas em coletores, às


ostras alcançam um tamanho de 2 a 4 centímetros num
prazo de seis à oito meses. Isto quer dizer que neste
período já

cresceram 200 vezes o tamanho inicial de nascença.


Durante o crescimento das ostras há necessidade de
ocupação de novos espaços. As larvas estão sendo
depreendidas dos

coletores e ocorre uma troca manual para ocupar espaços


mais amplos em outros coletores.
É onde se dá o processo de engorda que ocorre num prazo
de dezoito a vinte meses de

vida. A engorda ocorre em coletores tipo bandeja,


colocado sobre mesas, protegendo as ostras e expondo as
altos e baixos da maré.

As correntes dos canais são águas ricas em plâncton, a


fonte de alimento natural da ostra.

A salinidade do mar, a natureza do fundo dos manguezais,


as variedades dos plânctons que fornecem o sabor
particular da ostra que a diferencia em

cada região. As ostras criadas nas águas mistas e puras


tem um sabor suave e levemente doce, destacando uma
posição favorável para uso na gastronomia. A comparação
se dá

com o produto da ostreicultura proveniente dos estados do


Sul do Brasil, onde a criação ocorre em mar aberto de
elevada salinidade, uma condição ambiental que lhes
confere um gosto mais acentuado.

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Figura 2: Ostras brasileiras (Crassostrea rhizophorae), da
esquerda para direita, jovens (sementes) e adultas.

Fonte: Projeto Tecnomar, [199?]

5.2 Exemplo prático de um método de cultivo da espécie


Crassostrea gigas

Para a implantação de fazenda de C. gigas , o produtor


deverá comprar de laboratórios especializados sementes
de qualidade, com tamanho entre 5 e 7mm, e que hoje
custam e ao redor de R$10,00 o milheiro. Utilizando o
sistema de lanternas, as sementes serão distribuídas nos
sete pisos de cada lanterna, cuja altura total é de
aproximadamente 2,5m e diâmetro de 0,35m. Tais
lanternas, contendo as sementes, devem ser amarradas no

espinhel de 50m de comprimento instalado no mar,


espaçadas 1m uma da outra.

Recomenda-se que para enseadas abrigadas, o


espaçamento entre os espinhéis seja de no mínimo 5m,
permitindo que as ostras obtenham alimento
fitoplanctônico suficiente para o crescimento e facilitando
o manejo da criação com o auxílio de embarcação. Nos
locais apenas parcialmente abrigados, sujeitos a
condições oceanográficas adversas, o

espaçamento entre os espinhéis poderá ser de até 10m,


para evitar o emaranhamento dos espinhéis e perdas das
ostras por choque entre as lanternas. Tais espaçamentos é
que definiram as duas condições avaliadas no presente
exemplo (Tabela 1, condições A e B).

Na condição A, o espaçamento foi de 5m entre os


espinhéis e na condição B esse

espaçamento aumentou para 10m. Nas duas condições


considerou-se uma área de cultivo

com 1ha de espelho d á[Link] duas condições (A e B)


foram consideradas três fases de cultivo com diferentes
densidades de indivíduos (berçário, intermediária e
definitiva), onde distribuíram-se as ostras eqüitativamente
nos sete pisos de cada lanterna, sendo que na fase inicial
da criação, utilizaram se cerca de 10.000 sementes, na
fase intermediária, 2.100

ostras e na fase final, em torno de 490 ostras por lanterna


(Tabela 1).

As lanternas utilizadas nas diferentes fases de cultivo


devem apresentar abertura de malha de 3mm no berçário,
8mm na fase intermediária e 12mm na definitiva
recomendam que a

criação se inicie em março prolongando-se até o início de


maio. A colheita é prevista para o mês de outubro,
podendo ser realizada até no máximo no início de
dezembro. Esse prazo terminal de retirada das ostras tem
por objetivo evitar a massiva mortalidade no verão, que
pode chegar a 90% das ostras em cultivo no mar,
praticamente inviabilizando

economicamente o cultivo.

6 COLHEITA DE OSTRAS NOS MANGUEZAIS

Conhecidos como Mar de Dentro, os escuros canais de


água salobra que se estendem a
perder de vista por entre as ilhas de Cananéia, Comprida
e do Cardoso, no litoral sul paulista, são o resultado do
encontro das águas salgadas do mar com os riachos que

brotam no coração da Mata Atlântica, que ainda domina


grande parte dessa região.

Acompanhando o ritmo das marés, esses canais banham as


enormes raízes, salientes como palafitas, de pequenas
árvores retorcidas que crescem às suas margens e que são
parte de um dos mais belos e ricos ecossistemas do país:
os manguezais que se desenvolvem no

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litoral brasileiro, e que, no caso da região de Cananéia,


ocorrem numa faixa entre a mata e parte da costa das três
ilhas.

No decorrer dos séculos, o acúmulo de massa orgânica


proveniente das florestas e do

próprio manguezal formou uma lama preta e fecunda que


se depositou no fundo dos canais e em suas margens,
servindo de substrato para o desenvolvimento do mangue
e de uma

vasta fauna de crustáceos e moluscos. São nesses


manguezais, mais especificamente nas raízes das árvores,
que se fixam às cobiçadas ostras brasileiras (Crassostrea
brasiliana ) muito apreciada em várias regiões do Brasil.

Embarcando em pequenas canoas, famílias inteiras de


comunidades locais trabalham na

extração das ostras. Com a maré vazante, as raízes do


mangue ficam expostas, e é nesse período que a coleta dos
moluscos se torna possível. Afundados até as canelas na
lama, os catadores de ostras caminham com dificuldade
pelo manguezal, com olhar treinado

detectando os moluscos, que são retirados das raízes do


mangue com pequenas foices.
A coleta de ostras do mangue na região da Cananéia gira
em torno de 1.000 dúzias por semana para cada extrator.
Existem hoje cerca de 120 coletores de ostras,
pertencentes das 20 comunidades mais antigas da região
de Cananéia, que sobrevivem exclusivamente

dessa atividade.

Em si, a extração não é proibida, mas poucos


revendedores se preocupam com as

condições de sanidade do produto que chega à mesa do


consumidor; ou seja, em sua

maioria, as vendas são clandestinas. Esse fator, aliado à


preocupação com o impacto

ambiental do extrativismo e com a exploração econômica


sofrida pelas comunidades, levou um grupo de técnicos da
Fundação Florestal (da Secretaria Estadual do Meio
Ambiente) e do Instituto de Pesca (da Secretaria Estadual
da Agricultura), ligados à organização não-governamental
Gaia Ambiental, a iniciar um trabalho de organização das
comunidades de coletores, com o objetivo de criar um
projeto de exploração, beneficiamento e distribuição da
ostra.

A legislação permite somente a coleta de moluscos


maiores de 5cm e menores de 10cm,

entre os meses de novembro e fevereiro, período de pico


da reprodução. Neste período a extração é proibida.

Hoje, a Cooperostra - Cooperativa dos Produtores de


Ostras de Cananéia congrega,

efetivamente, 43 associados de dez comunidades


tradicionais e está com a depuradora

pronta e já iniciou a busca de mercado, o que deve elevar


significativamente o r endimento dos cooperados com a
eliminação dos atravessadores.

Figura 3: Ostra brasileira ( Crassostrea rhizophorae)

Fonte: Globo Rural, [199?]

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Figura 4: Moluscos que se desenvolvem nas raízes do
mangue

Fonte: Globo Rural, [199?]

Figura 5: O trabalho durante a vazante para colher ostras


escondidas na lama
Fonte: Globo Rural, [199?]

7 COMERCIALIZAÇÃO

A comercialização das ostras in natura na concha


(mariscada) podem ser realizadas em caixas plásticas
retornáveis, tendo como unidade de venda a dúzia. De
acordo com o

exemplo prático citado no item 5.2, estimou-se a


comercialização utilizando-se um furgão e num raio de
150km da propriedade, tanto na condição A como na B
(Tabela 1). Para regiões mais afastadas, o comprador
deverá retirar o produto no local da criação ou ser
montado um esquema alternativo de entrega, com a
cobrança de frete.

A tributação desse produto varia conforme a legislação


vigente do estado da Federação.

O modo de comercialização in natura poderá ser


modificado através do beneficiamento

do produto, visando a atender a maior demanda nos meses


de verão com a chegada da

temporada de turismo nas cidades litorâneas e pela


impossibilidade zootécnica de criação da [Link] nesse
período. O beneficiamento poderá ser feito pelo próprio
produtor,

removendo as ostras das conchas, embalando-as e


conservando-as sob refrigeração.

Pode-se também optar pelo cozimento em salmourasuave


ou pela defumação para

comercialização por quilograma.

Esse sistema de valorização da ostra, como produto


agregado, já foi adotado por vários países produtores,
com o objetivo de expandir o seu mercado consumidor,
podendo ser

utilizado também aqui no Brasil.

8 TRASPORTE

O acondicionamento das ostras para o transporte deve ser


feito em caixas refrigeradas, evitando a exposição direta
ao sol. Dependendo do processo de beneficiamento e
industrialização, as ostras também podem ser oferecidas
ao mercado consumidor refrigeradas, congeladas,
defumadas ou em conservas com molhos especiais.

8
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9 TIPOS DE CULTIVO
9.1 Espinhel ou long lines
-
Figura 6: Espinhel

Fonte: Caderno virtual de turismo, [199?]

Figura 7: Coletores artificiais

Fonte: Caderno virtual de Turismo, [199?]

No exemplo da figura 8, os long - lines de cultivo


apresentam um cabo mestre de 25 mm de diâmetro com
comprimento médio de 100 m, possibilitando a ancoração
com poitas ou

estacas de 2 metros enterradas no fundo. A sustentação do


cabo de superfície é mantida com auxilio de flutuadores,
amarrados a cada 2 metros.

Na linha de cultivo a meia-água os flutuadores, são


submersos e inicialmente amarrados a cada 10 metros no
cabo principal. Posteriormente, com a ocupação da linha
de cultivo com novas lanternas de ostras, novos
flutuadores são amarrados para que as estruturas de
cultivo não toquem no fundo evitando o ataque de
predadores.
Salientamos que a linha de cultivo submerso (meia-água),
deve apresentar uma flexibilidade de flutuação que
permita o manejo das estruturas de cultivo (lanternas e
cordas de

mariscos) da embarcação do maricultor e não através de


mergulho autônomo, pois os

maricultores de maneira geral não contam com este


serviço.

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Figura 8: Modelo esquemático de long-lines submerso
(meia agua), onde os flutuadores ficam submersos e
superficialmente visualiza-se somente os flutuadores de
sinalização.

Fonte: Projeto Tecnomar, [199?]

9.2 Lanterna

O cultivo em lanternas é recomendado para águas


profundas onde não existam correntezas fortes, pois as
lanternas precisam ficar na vertical. São muito utilizadas
no cultivo da ostra Crassostrea gigas em baías e regiões
costeiras.

Figura 9: Lanterna berçário com seis andares

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 10: Lanterna intermediária com cinco andares

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

10

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Figura 11: Lanterna definitiva com cinco andares

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

9.3 Travesseiros

O cultivo em travesseiros é recomendado para regiões de


mangue com grandes variações de marés e em áreas rasas.
Os travesseiros ficam fixos horizontalmente as mesas
feitas de vergalhões de aço de construção 16mm.

Figura 12: Cultivo de ostras em travesseiros


Fonte: ENGEPESCA, [199?]

As mesas devem ser construídas com as seguintes


medidas: seções de 3m x 85cm de

largura x 50cm de altura, formado por 03 ferros de 16mm.


Não é necessário a galvanização, pois, as mesas duram
em média 5 anos. Uma mesa de 3m de comprimento
suporta 7

travesseiros ou 1400 ostras.

Figura 13: Mesa para cultivo de ostras em travesseiros

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

As mesas devem ser instaladas nas margens. Deve-se


posicioná-las numa profundidade

que permaneçam submersas e só fiquem fora da água nas


marés grandes ou de lua,

quando se fará o manejo. As ostras submersas filtram 24


horas por dia e crescem mais. É

importante que fiquem descobertas a cada 15 dias para


dar um castigo, e dessa forma

eliminar os parasitas. Em todas as marés de lua deve-se


virar e sacudir um pouco o

travesseiro, para mudar as ostras de posição e inverter a


posição das mesmas, este

procedimento é muito importante. A cada 40 dias deve-se


retirar as ostras e classificar por tamanho utilizando uma
tela com peneira. As maiores vão para um travesseiro de
malha maior como 9mm. As menores voltam para a malha
de 4mm ou 6mm. Este procedimento

deve se repetir até o tamanho adulto ou comercial.

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Uma forma de limpar os travesseiros e eliminar parasitas
é mergulhar o travesseiro, com as ostras, num tambor com
água quente 80 ºC, durante 2 segundos e rapidamente
banhar as ostras em água fria. Este procedimento é
realizado quando a ostras tem um porte médio acima de
5cm.

Figura 14: Manutenção dos travesseiros

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 15: Manutenção dos travesseiros

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 16: Travesseiro com 250 ostras

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 17: Vista lateral dos travesseiros

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 18: Cultivo de ostras em travesseiros

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

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Figura 19: Cultivo de ostras nativas em travesseiros fixos

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Vantagem da utilização do cultivo em travesseiro sobre o


cultivo em lanternas:

Menor custo 1/3 do valor do travesseiro

Durabilidade 4 vezes maior, em média 8 anos

Agilidade de manejo

Resiste as fortes correntes

Permite instalação em águas rasas

Produz ostras de melhor qualidade


9.4 Rede Tubular
O mercado disponibiliza três tipos de malhas
de rede tubular:
60mm para sementes de até 50 e diâmetro do cano de 50

70 para sementes de até 60 e diâmetro do cano de 75

80mmpara sementes de até 70mm e diâmetro do cano de


100mm

A rede interna de algodão é utilizada para o início do


cultivo onde são colocados as sementes e rede externas
para proteção contra predadores.

Figura 20: Rede de algodão

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 21: Rede tubular

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

10 MATERIAIS

10.1 Confecção de lanternas


Pratos plásticos injetados com 40cm de diâmetro

Malhas de 1mm x 2mm para sementes

Malhas de 4mm para juvenis

Malhas de 15mm e 19mm para ostras adultas

Abraçadeiras para amarração

Cabos para fortalecer a estrutura

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Grampos em aço inox para amarração das lanternas ao
long-lines

Figura 22: Lanterna

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 23: Pratos para confecção de lanternas


Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 24: Tela para confecção de lanternas

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

Figura 25: Bóia de sinalização

Fonte: ENGEPESCA, [199?]

11 ASPECTOS HIGIÊNICO-SANITÁRIOS

O crescente interesse comercial pela criação de moluscos,


especialmente pelas ostras, tem motivado os governos,
instituições de pesquisa e a iniciativa privada a
estabelecerem programas e projetos de fomento, com
pesquisas e créditos bancários para o

desenvolvimento e apoio à sua produção e


comercialização.

Um importante aspecto da ostreicultura está relacionado à


qualidade sanitária ou

microbiológica do produto. Geralmente negligenciada, a


qualidade sanitária das ostras é fundamental para o
desenvolvimento do cultivo destes organismos aquáticos,
enquanto
atividade econômica comercial competitiva.

As ostras possuem uma grande capacidade de filtração


(acima de 400 litros/dia), fazendo com que tenham um
rápido crescimento. Ao mesmo tempo este eficiente
mecanismo de

filtração permite o acúmulo de uma grande quantidade de


microorganismos e,

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conseqüentemente, o armazenamento de uma flora
bacteriana rica, podendo agir como

portadoras passivas de agentes patogênicos ao homem


quando mantidas em águas

poluídas por dejetos humanos, razão pela qual são usadas


como bioindicadores.

A carne da ostra pode estar diretamente relacionada ao


meio onde ela se encontra e portanto, oferecendo risco no
seu consumo por serem bioacumuladores de

microorganismos. Daí a importância em verificar dados


referentes à qualidade bacteriológica da água nos locais
destinados ao cultivo de ostras, especialmente pelo hábito
de consumo in natura destes organismos.

No ambiente aquático o estuário é uma área de transição


entre a água doce e o habitat marinho. É um ecossistema
propício a sofrer a ação de resíduos provenientes de
esgotos domésticos e industriais. Nestes ambientes, as
bactérias podem ser encontradas tanto na coluna d água
como no sedimento, e seu número pode ser bastante
elevado devido à alta quantidade de matéria orgânica
existente. Em regiões litorâneas, devido à grande pressão
antrópica causada pelo crescente processo de ocupação e,
conseqüentemente, pela grande quantidade de esgotos
lançados de forma direta ou indireta no mar, há a
necessidade de monitorar a qualidade das águas
destinadas ao cultivo.

Atualmente, em muitos países existem normas próprias


criadas para uma melhor

comercialização de moluscos baseadas em análises


microbiológicas, tanto da água de

cultivo, quanto da carne destes [Link] 1991, o


Conselho formado por países

integrantes da Comunidade Econômica Européia (CE)


criou uma planilha de classificação das zonas de
produção de moluscos, baseada em análises do produto;
enquanto, que no

Chile e Brasil a legislação se baseia em padrões


resultantes apenas de análises da água.

A maioria dos padrões normativos quantifica coliformes


por serem indicadores importantes de contaminação fecal.

No Brasil, a Resolução CONAMA (Conselho Nacional do


Meio Ambiente) N° 357, de 17 de

março de 2005, Art 2°, adota as seguintes definições:

Águas salobras: águas com salinidade superior a 0,5% e


inferior a 30%.

Coliformes termotolerantes: bactérias gran-negativas, em


forma de bacilos, oxidase

negativas, caracterizadas pela atividade da enzima -


galactosidase. Podem crescer

em meios contendo agentes termo-ativos e fermentar a


lactose nas temperaturas de

44°-45°C, com produção de ácido, gás e aldeído. Além de


estarem presentes em

fezes humanas e de animais homeotérmicos, ocorrem em


solo, plantas ou outras

matrizes ambientais que não tenham sido contaminados


por material fecal.

Escherichia coli ([Link] ): bactéria pertencente à família


Enterobacteriase

caracterizada pela atividade da enzima -glicuronidase.


Produz indol a partir de

aminoácido triptofano. É a única espécie do grupo dos


coliformes termotolerantes

cujo habitat é o intestino humano e de animais


homeotérmicos, onde ocorre em

densidades elevadas.

No Capítulo II (CONAMA), Seção II das águas salobras o


Art.6° determina a Classe 1 para atividades de
aqüicultura, o qual segue as seguintes condições:

Coliformes termotolerantes = para o cultivo de moluscos


bivalves destinados à

alimentação humana, a média geométrica da densidade de


coliformes

termotolerantes, de um mínimo de 15 amostras coletadas


no mesmo local, não

deverá exceder 43 por 100 mililitros, e o perfil de 90%


não deverá ultrapassar 88
coliformes termotolerantes por mililitros. Esses índices
deverão ser mantidos em

monitoramento anual com um mínimo de 5 amostras.

A E. coli poderá ser determinada em substituição ao


parâmetro coliformes

termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo


órgão ambiental

competente.

Antes de obter o rótulo de qualidade, a fazenda do


ostreicultor passa pela inspeção do ministro da agricultura
(SIF). O empreendimento é sujeito ao controle sanitário
sistemático, uma inspeção que abrange a qualidade das
águas, uma avaliação dos impactos do meio

ambiente, os processos de cultivo, a preparação, o


tratamento e o transporte do produto. É

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uma garantia que confere segurança e tranqüilidade ao
consumidor.

Existem diversas legislações sobre a concentração de


microorganismos em águas

estuarinas e marinhas adequadas ao cultivo de organismos


aquáticos filtradores que serão consumidos in natura .

O Serviço de Inspeção do Produto Animal, vinculado ao


Ministério da Agricultura
estabeleceu parâmetros microbiológicos, através da
informação DIPES nº 097/88, para as águas das áreas de
extração, criação e manutenção dos moluscos bivalvos e
que serão

consumidos crus. O índice microbiológico utilizado é


Numero Mais Provável (NMP) de

coliformes totais/100 ml de água.

O Governo Federal adota a resolução do Conselho


Nacional do Meio Ambiente

CONAMA,

através de sua Resolução n° 20, de 18 de Junho de 1986,


em seu artigo 10º, águas

salobras, item h, estabelece que a qualidade das águas


para cultivo de organismos

aquáticos que serão destinados à alimentação humana e


que serão ingeridos crus ... não deverá ser excedida uma
concentração média de 14 coliformes fecais por 100
mililitros, com não mais de 10% das amostras excedendo
43 coliformes fecais por 100 mililitros... pelo menos 5
amostras mensais, colhidas em qualquer mês .
Quanto à presença de bactérias na carne de moluscos, a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária, através da
Resolução - RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001,
estabelece

Regulamento Técnico sobre os Padrões Microbiológicos


para Alimentos.

Você ainda arrisca em consumir ostras nativas e catadas


sem conhecer sua

procedência? Compare e confira a qualidade do produto,


verifique sempre a inscrição do SIF no rótulo da
embalagem. Assim você terá certeza que está consumindo
um produto de qualidade, produzida de forma
ambientalmente correta e acima de tudo muito saudável.

Conclusões e recomendações

A importância dos recursos pesqueiros como alimento


para a população e a do setor da maricultura como
gerador de renda assumem importante dimensão social,
pois garantem o sustento de muitas regiões brasileiras. Da
mesma forma em que cresce a produção, o

consumo destes produtos tem crescido no Brasil e em


muitos países em desenvolvimento.
Paralelo ao aumento da produção, as exigências do
consumidor por qualidade, em especial, pela seguridade
alimentar são maiores.

O desenvolvimento por meio do cultivo de ostras se


mostra como uma prática viável para reduzir a pressão
sobre os estuários da coleta desordenada das mesmas,
contribuindo

assim para a preservação deste ecossistema e, também,


gerando uma renda complementar para as comunidades
que possuem áreas propícias para tal fim.

Para um maior entendimento, recomenda-se que sejam


consultadas as fontes de

informações fornecidas para leitura complementar.

Referências

CADERNO VIRTUAL DE TURISMO. Conflitos de uso


dos recursos costeiros: desafios

para sustentabilidade do cultivo de moluscos. Disponível


em:

<[Link]/caderno/ojs/include/[Link]?
id=370&article=123&mode=pdf>.
Acesso em 30 nov. de 2007.

ENGEPESCA. Informações básicas sobre cultivo de


ostras em travesseiros. Disponível

em:

<[Link]
noticia=14&titulo=CULTIVO%20DE%20OSTRAS%20E

M%20TRAVESSEIROS>. Acesso em: 23 de nov. de


2007.

FENAOSTRA. A Magia da Ostra de Florianópolis.


Disponível em:

16

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<[Link]
Acesso em 23 de nov. 2007.

GLOBO RURAL. Riqueza na lama. Disponível em:

<[Link]
d=/edic/172/rep_ostra1.htm>. Acesso em: 28 nov.

2007.

IEA INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA.


Viabilidade da Criação de ostra
Crassostrea gigas no litoral das regiões sudeste e sul do
Brasil. Disponível em:

<[Link]
codTexto=963>. Acesso em: 30 nov. de 2007.

JACOSTRA. A ostreicultura em Cananéia. Disponível


em:

<[Link] Acesso em 23 de nov.


de 2007.

PROJETO TECNOMAR. Implantação da tecnologia de


cultivo de moluscos marinhos

em estruturas de superfície e meia-água (submerso) em


áreas com profundidades

superiores a 15 metros. Disponível em:

[Link]
Acesso em: 30 nov. de 2007.

SEBRAE. Arranjos produtivos da equicultura. Disponível


em:

<[Link]

E/$File/[Link]>. Acesso em 30 nov. 2007.


SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE E
RECURSOS HÍDRICOS. Parâmetros

Microbiológicos. Disponível em:

<[Link]
conteudo=74>.

Acesso em 23 nov. de 2007.

SUSETE WAMBIER CHRISTO. Biologia Reprodutiva e


Ecologia das ostras. Disponível

em:
<[Link]
Acesso em 30

nov. de 2007.

ANEXOS

ANEXO 1 - Fatores de Produção para Ostreicultura de


Crassostrea gigas , em 1

Hectare de Espelho D água, nas Condições A e B, nos


Litorais Sudeste e Sul do

Brasil, Outubro/1997
Condição

Condição

A1

B2

Item

Unidade

Ano

Ano

1/10

1/10

Densidade inicial berçário

ostra/lanterna

10.000
10.000
Densidade inicial intermediária
ostra/lanterna

2.100
2.100
Densidade inicial definitiva
ostra/lanterna

490

490

Lanternas berçários3

131

66

Lanternas intermediárias3

529

265

Lanternas definitivas3
n

2040

1020

Ciclo de produção

mês

Taxa de sobrevivência/lanterna berçário

85

85

Taxa de sobrevivência/lanterna intermediária

90

90
Taxa de sobrevivência/lanterna definitiva

80

80

Taxa de sobrevivência geral

61,2

61,2

Número final de ostras

dz.

66.640
33.320
Sementes
mil
1.307
654
Mão-de-obra eventual

dh

576

288

Mão-de-obra permanente

dh
1.152
576
Vendedor/entregador

dh

120

120

Administrador/barqueiro

dh

288

288

Furgão

hora

480

480
17

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Barco hora

hora
1.040

1.040

1Condição A - 40 espinhéis com 50m cada um (indicado


para locais bem abrigados).

2Condição B - 20 espinhéis com 50m cada um (indicado


para locais parcialmente abrigados).

3Cada lanterna possui 7 andares.

Fonte:IEA, [199?]

ANEXO 2 Legislações aplicáveis ao setor

Decreto Lei nº 221,de 28 de fevereiro de 1967.


Disponível em:

<[Link] 03/decreto-
lei/[Link]> (Portal da Presidência da República
Federativa do Brasil).

Código que trata da proteção e estímulos à pesca e dá


outras providências, instituído pelo Decreto Lei n.º 221,
de 28 de fevereiro de 1967. Destaque para o capítulo IV,
das

permissões, proibições e concessões, que em seu título


VI, sobre aqüicultura e seu

comércio, estabelece que ficam sujeitas à registro na


Superintendência do Desenvolvimento da Pesca -
SUDEPE as empresas que comerciarem com animais
aquáticos.

Decreto nº 2869 de 09 de dezembro de 1998. Disponível


em:

<[Link]
consulta/[Link]>

(Portal do MAPA)

Regulamenta a cessão de águas públicas para exploração


da aqüicultura, e dá outras

providências

Decreto nº 5300 de 07 de dezembro de 2004. Disponível


em:

<[Link]
consulta/[Link]>

(Portal do MAPA)

Regulamenta a Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988, que


institui o Plano Nacional de

Gerenciamento Costeiro - PNGC, dispõe sobre regras de


uso e ocupação da zona costeira e estabelece critérios de
gestão da orla marítima, e dá outras providências.

Instrução Normativa nº 53 de 02 de julho de 2003.


Disponível em:

<[Link]
consulta/[Link]>

(Portal do MAPA)

Aprova o Regulamento Técnico do Programa Nacional de


Sanidade de Animais Aquáticos.

Portaria n.º 145, de 29 de outubro de 1998. Disponível


em:

<[Link]
(Portal do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento MAPA).

Portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos


Recursos Naturais Renováveis -

IBMA, que estabelece normas para a introdução,


reintrodução e transferência de peixes, crustáceos,
moluscos, e macrófitas aquáticas para fins de aqüicultura,
excluindo-se as o

espécies animais ornamentais. Destaque para o Art. 2 que


conceitua aqüicultura, Unidade Geográfica Referencial
(UGR) e espécies, nativa, exótica, autóctone, alóctone,
dentre outras.

Resolução RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001.


Disponível em:

<[Link] > (Portal da ANVISA)

Resolução que aprova o Regulamento Técnico sobre


padrões microbiológicos para

alimentos.

Resolução nº 20, de 18 de junho de 1986. Disponível em:

<[Link] > (Portal da ANVISA)

Emitida pelo CONAMA - Conselho Nacional do Meio


Ambiente, classifica,segundo seus

usos preponderantes, em nove classes, as águas doces,


salobras e salinas do Território Nacional.

Nome do técnico responsável


Cecilia Chicoski da Silva

Jefferson Chicoski da Silva

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Nome da Instituição do SBRT responsável

REDETEC - Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro

Data de finalização

03 dez. 2007

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